PALAVRA COM SENTIDO

PALAVRA COM SENTIDO

“…Hás-de temer o Senhor, teu Deus…” (cf. Deuteronómio 6, 2)

Só Deus é Deus e Senhor. E não há outro Deus a quem amar, servir, adorar, acreditar, rezar, agradecer… Temer o Senhor não é ‘ter medo de Deus’. Não precisamos ter medo de Deus: Ele é amor, perdão, misericórdia, alegria, paz, salvação e esperança… Temer o Senhor é reconhecer a grandeza do seu poder; a santidade do seu nome; a ternura que nos dedica; a alegria da vida que nos oferece. Temer o Senhor é acolher a sua Palavra; cumprir os seus mandamentos; responder com fidelidade aos seus apelos; confiar na sua promessa e anunciá-la com a bondade dos nossos gestos. Quem ‘teme a Deus’ procura fazer tudo para não pecar contra ele; fazer nascer no coração o receio e a tristeza de o poder ofender. O apelo feito pela palavra de Deus aponta-nos o caminho da verdade, da justiça, da caridade, da compaixão. Uma grande exigência que nos trará a felicidade e a bênção.

domingo, 24 de fevereiro de 2013

PALAVRAS DO PAPA



- na Homilia de 25 de Janeiro de 2013, memória da Conversão de São Paulo

“…Na sociedade contemporânea, parece que a mensagem cristã incide cada vez menos na vida pessoal e comunitária; e isto representa um desafio para todas as Igrejas e Comunidades eclesiais. A unidade é em si mesmo um instrumento privilegiado, como que um pressuposto para anunciar, de modo cada vez mais credível, a fé a quantos ainda não conhecem o Salvador ou que, embora tendo recebido o anúncio do Evangelho, quase esqueceram este dom inestimável. O escândalo da divisão que impedia a actividade missionária foi o impulso que depois deu início ao movimento ecuménico como hoje o conhecemos. Com efeito, a comunhão plena e visível entre os cristãos deve ser entendida como uma característica fundamental para um testemunho ainda mais claro. Então, enquanto nos encontramos a caminho da unidade plena, é necessário fomentar uma colaboração concreta entre os discípulos de Cristo em prol da causa da transmissão da fé ao mundo contemporâneo. Hoje, há grande necessidade de reconciliação, de diálogo e de compreensão recíproca, numa perspectiva não moralista, mas precisamente em nome da autenticidade cristã, para uma presença mais incisiva na realidade do nosso tempo… A nossa busca de unidade na verdade e no amor nunca deve perder de vista a percepção de que a unidade dos cristãos constitui uma obra e um dom do Espírito Santo, e vai muito além dos nossos esforços. Por conseguinte, o ecumenismo espiritual, especialmente a oração, é o coração do compromisso ecuménico (cf. Decreto Unitatis redintegratio, 8). Todavia, o ecumenismo não dará frutos duradouros, se não for acompanhado por gestos concretos de conversão que despertem as consciências e favoreçam a purificação das recordações e das relações. Como afirma o Decreto do Concílio Vaticano II sobre o ecumenismo, «não existe um ecumenismo verdadeiro sem a conversão interior». Uma conversão autêntica, como a que o profeta Miqueias sugere e da qual o apóstolo Paulo é um exemplo significativo, levar-nos-á para mais perto de Deus, do centro da nossa vida, de maneira a aproximar-nos, em maior medida, também uns dos outros. Trata-se de um elemento fundamental do nosso compromisso ecuménico. A renovação da vida interior do nosso coração e da nossa mente, que se reflecte na vida quotidiana, é crucial em cada diálogo e caminho de reconciliação, fazendo do ecumenismo um compromisso recíproco de compreensão, respeito e amor, «a fim de que o mundo creia» (Jo 17, 21)…”