- na Homilia de 25 de Janeiro de 2013, memória da
Conversão de São Paulo
“…Na sociedade contemporânea,
parece que a mensagem cristã incide cada vez menos na vida pessoal e
comunitária; e isto representa um desafio para todas as Igrejas e Comunidades eclesiais.
A unidade é em si mesmo um instrumento privilegiado, como que um pressuposto para
anunciar, de modo cada vez mais credível, a fé a quantos ainda não conhecem o Salvador
ou que, embora tendo recebido o anúncio do Evangelho, quase esqueceram este dom
inestimável. O escândalo da divisão que impedia a actividade missionária foi o
impulso que depois deu início ao movimento ecuménico como hoje o conhecemos.
Com efeito, a comunhão plena e visível entre os cristãos deve ser entendida
como uma característica fundamental para um testemunho ainda mais claro. Então,
enquanto nos encontramos a caminho da unidade plena, é necessário fomentar uma
colaboração concreta entre os discípulos de Cristo em prol da causa da
transmissão da fé ao mundo contemporâneo. Hoje, há grande necessidade de
reconciliação, de diálogo e de compreensão recíproca, numa perspectiva não
moralista, mas precisamente em nome da autenticidade cristã, para uma presença
mais incisiva na realidade do nosso tempo… A nossa busca de unidade na verdade
e no amor nunca deve perder de vista a percepção de que a unidade dos cristãos
constitui uma obra e um dom do Espírito Santo, e vai muito além dos nossos
esforços. Por conseguinte, o ecumenismo espiritual, especialmente a oração, é o
coração do compromisso ecuménico (cf. Decreto Unitatis redintegratio, 8).
Todavia, o ecumenismo não dará frutos duradouros, se não for acompanhado por
gestos concretos de conversão que despertem as consciências e favoreçam a
purificação das recordações e das relações. Como afirma o Decreto do Concílio
Vaticano II sobre o ecumenismo, «não existe um ecumenismo verdadeiro sem a
conversão interior». Uma conversão autêntica, como a que o profeta Miqueias sugere
e da qual o apóstolo Paulo é um exemplo significativo, levar-nos-á para mais
perto de Deus, do centro da nossa vida, de maneira a aproximar-nos, em maior
medida, também uns dos outros. Trata-se de um elemento fundamental do nosso
compromisso ecuménico. A renovação da vida interior do nosso coração e da nossa
mente, que se reflecte na vida quotidiana, é crucial em cada diálogo e caminho
de reconciliação, fazendo do ecumenismo um compromisso recíproco de
compreensão, respeito e amor, «a fim de que o mundo creia» (Jo 17, 21)…”