PALAVRA COM SENTIDO

PALAVRA COM SENTIDO

“…Hás-de temer o Senhor, teu Deus…” (cf. Deuteronómio 6, 2)

Só Deus é Deus e Senhor. E não há outro Deus a quem amar, servir, adorar, acreditar, rezar, agradecer… Temer o Senhor não é ‘ter medo de Deus’. Não precisamos ter medo de Deus: Ele é amor, perdão, misericórdia, alegria, paz, salvação e esperança… Temer o Senhor é reconhecer a grandeza do seu poder; a santidade do seu nome; a ternura que nos dedica; a alegria da vida que nos oferece. Temer o Senhor é acolher a sua Palavra; cumprir os seus mandamentos; responder com fidelidade aos seus apelos; confiar na sua promessa e anunciá-la com a bondade dos nossos gestos. Quem ‘teme a Deus’ procura fazer tudo para não pecar contra ele; fazer nascer no coração o receio e a tristeza de o poder ofender. O apelo feito pela palavra de Deus aponta-nos o caminho da verdade, da justiça, da caridade, da compaixão. Uma grande exigência que nos trará a felicidade e a bênção.

segunda-feira, 18 de fevereiro de 2013

SANTOS POPULARES



SÃO PEDRO DAMIÃO

Pedro nasceu em Ravena, Itália, no ano de 1007. Os seus pais foram nobres caídos na pobreza. Quando Pedro nasceu, o seu irmão mais velho recriminou asperamente a mãe, dizendo-lhe que a família já era muito grande e muito pobre para ter mais uma boca. A senhora ficou tão abalada, que abandonou o recém-nascido à sua própria sorte, recusando-se até mesmo a amamentá-lo. Uma mulher das vizinhanças, vendo a criança morrer à míngua, teve pena dela e tomou-a sob os seus cuidados. Mais tarde, tendo ficado órfão, um dos irmãos tomou conta dele, mais como criado do que como irmão, e fazendo dele o seu guardador de porcos. Apesar das circunstâncias tão desfavoráveis, o pequeno Pedro não era um revoltado, nem se sentia um “injustiçado” ou “oprimido”, mas contentava-se com a partilha que recebera das mãos de Deus. Um dia, no campo, encontrou uma moeda de algum valor. Pensou logo em comprar algo que pudesse saciar a sua contínua fome. Mas, refletindo melhor, viu que isso lhe traria apenas um prazer passageiro. Resolveu então usar o dinheiro para mandar celebrar uma Missa pela alma dos seus falecidos pais. Foi então que um dos seus outros irmãos, chamado Damião, que era arcipreste (título honorífico conferido a um pároco em alguns países europeus) em Ravena, compadecido da sorte do seu irmão mais novo, o levou consigo e cuidou dele com amor fraternal. Percebendo as grandes qualidades do menino, deu-lhe a oportunidade de estudar. Mais tarde, agradecido, Pedro acrescentou ao seu nome o nome desse seu irmão e benfeitor. Passou a chamar-se ‘Pedro Damião’. Graças aos seus extraordinários dotes intelectuais, o jovem logo recuperou o tempo perdido para os estudos. Fez tão grandes progressos, que o irmão mandou-o estudar nas escolas de Ravena, Faença e Parma. Quando Pedro Damião tinha apenas 25 anos, já era um afamado professor. Mas não eram as glórias do mundo que ele procurava. Quanto mais popular se tornava, mais sentia a atração pela vida de clausura. Pedro Damião levava uma vida virtuosa, procurando vivê-la de acordo com as leis do Evangelho. Jejuava frequentemente; usava cilício e, sobretudo, recorria com frequência à oração. Todos os dias dava de comer a vários pobres, servindo-os ele próprio, e socorrendo os demais necessitados de acordo com as suas possibilidades. Em 1035, Pedro Damião encontrou-se com dois eremitas camaldulenses de Fonte Avellana, cuja regra, muito restrita, fora escrita por São Romualdo. Ficou tão encantado com a sua espiritualidade e desapego do mundo, que logo pensou em tornar-se um deles. Dois meses depois, apresentou-se nesse mosteiro, localizado aos pés dos Apeninos, e pediu a sua admissão. Conhecedor da sua fama de pessoa íntegra e piedosa, o prior ordenou-lhe que vestisse o hábito beneditino sem passar pelo tempo do postulantado, prescrito pela regra. Pedro Damião entregou-se com tal fervor à nova vida que, mesmo eremitas já avançados em anos e virtude, o tomavam como um exemplo. Segundo a regra, esses eremitas jejuavam, a pão e água, quatro dias por semana. Nos demais dias, acrescentavam apenas um pouco de legumes cozidos. Andavam, por penitência, sempre descalços; rezavam por tempo prolongado e flagelavam-se em alguns dias da semana. Pedro Damião entregou-se também ao estudo das Sagradas Escrituras e da doutrina da Igreja, de modo que, pouco depois, o Superior ordenou-lhe que pregasse aos religiosos da comunidade. Como o sucesso foi grande, a notícia espalhou-se por outros mosteiros vizinhos, e todos pediam ao prior que lhes enviasse Frei Pedro Damião para pregar também para eles. Vendo a prudência, a competência e o bom senso de Pedro Damião, o prior nomeou-o ecónomo do mosteiro e seu sucessor. Quando o prior faleceu, em 1043, Pedro Damião sucedeu-lhe no governo do mosteiro. A sua gestão levou o mosteiro a uma era de prosperidade espiritual e material. A afluência de noviços foi tal, que teve de fundar outros mosteiros para poder recebê-los. Entre as práticas de piedade que Pedro Damião estabeleceu nos mosteiros sob sua jurisdição estão a recitação do Ofício Breve de Nossa Senhora, a dedicação das segundas-feiras às almas do Purgatório, das sextas-feiras à Paixão de Nosso Senhor e dos sábados a Nossa Senhora. Mas era necessário que essa luz brilhasse também em toda a Igreja. Aquela época foi tão conturbada que, durante os 65 anos da sua vida, governaram a Igreja nada menos que 16 papas. Por outro lado, por abuso de poder, os príncipes distribuíam abadias e bispados entre os seus favoritos, sem ciência nem virtude, havendo assim inúmeros bispos e sacerdotes indignos, ignorantes e luxuriosos. Em1045, o indigno Papa Bento IX resignou do seu pontificado, entregando o governo da Igreja nas mãos do arcipreste João Graciano, que se tornou o Papa Gregório VI. Pedro Damião viu essa mudança com alegria, e escreveu ao novo pontífice referindo a necessidade urgente de tratar dos escândalos na Igreja. Mas o novo Papa, sentindo-se impotente para enfrentar tantos males, abdicou um ano depois. Outros papas lhe seguiram, mas a missão de procurar remédio eficaz para as desordens na Igreja estava reservada a São Leão IX, elevado ao papado no início de1049. Para poder realizar esta missão, o Papa nomeou para seu conselheiro e seu colaborador directo o monge de Cluny, Hildebrando, futuro Gregório VII, que se tornou uma das maiores glórias da Igreja. Nesta altura, Pedro Damião escreveu o seu “Livro de Gomorra”, dedicado ao Papa santo, no qual fustigava, com vigor, os desmandos da época, sobretudo dos eclesiásticos. O Papa Estêvão IX, seguindo os conselhos do monge Hildebrando, nomeou Pedro Damião, em 1057, cardeal-bispo de Óstia. Confiou-lhe também a administração provisória da diocese de Gúbio. Tendo Estêvão IX morrido, prematuramente, em 1058, alguns membros da nobreza romana, através do suborno e da corrupção, elegeram papa o bispo João Mincius, de Velletri, que assumiu o nome de Bento X. Pedro Damião e outros cardeais protestaram contra esta intrusão da nobreza romana e denunciaram-no por ter comprado o cargo. Bento X foi considerado antipapa. Retornando de uma viagem à Alemanha, o monge Hildebrando, de grande renome na Igreja, conseguiu que se elegesse Nicolau II como legítimo Pontífice. Nicolau II enviou o cardeal Pedro Damião a Milão, como seu legado, para pacificar a cidade, conturbada por grandes desordens. Era tal a brutalidade vivida nesta cidade que, por pouco, Pedro Damião não foi martirizado. Com a sua prudência e sabedoria, conseguiu acalmar o tumulto provocado por padres pouco virtuosos e reorganizar a vida da Igreja na paz e na fidelidade à verdadeira autoridade e aos valores da fé cristã. Ao deixar Milão, o seu trabalho apostólico foi louvado por todo o povo. Foi grande o seu serviço à Igreja, realizado com frontalidade, firmeza de ânimo e espírito de amor. Nas horas conturbadas do seu tempo, Pedro Damião foi um baluarte seguro da fidelidade da Igreja ao seu divino mestre, Jesus. Em 1072, no dia 21 de Fevereiro - véspera da festa da Cátedra de São Pedro, da qual era muito devoto – ao retornar de uma das suas missões, Pedro Damião faleceu, nas proximidades de Faença. Logo a seguir ao seu falecimento, começou a ser venerado como santo. O Papa Leão XII estendeu o seu culto à Igreja universal, em 1828, declarando-o Doutor da Igreja. A sua memória litúrgica faz-se no dia 21 de Fevereiro, dia do seu falecimento.