Às 12h horas deste Domingo,
24 de Fevereiro, o Santo Padre Bento XVI presidiu à oração do seu último
“Angelus” com os fiéis que se reuniram para rezar e agradecer o seu Ministério Apostólico,
na aproximação da sua despedida. Antes da oração, o Papa dirigiu-se à multidão
de féis que enchia, por completo, a Praça de São Pedro, em Roma:
“Queridos irmãos e irmãs!
No segundo domingo da
Quaresma, a liturgia sempre nos apresenta o Evangelho da Transfiguração do
Senhor. O evangelista Lucas coloca especial atenção no facto de que Jesus foi
transfigurado enquanto orava. Esta sua oração é uma profunda experiência de relacionamento
com o Pai vivida durante uma espécie de retiro espiritual, num alto monte, na
companhia de Pedro, Tiago e João , os três discípulos sempre presentes nos
momentos da manifestação divina do Mestre. O Senhor, que pouco antes havia
predito a sua morte e ressurreição, oferece aos seus discípulos uma antecipação
da sua glória. E também na Transfiguração - como no baptismo - ouvimos a voz do
Pai Celeste: "Este é o meu filho; o meu eleito; escutai-o". A
presença de Moisés e Elias, representando a Lei e os Profetas da Antiga Aliança,
é muito significativa: toda a história da Aliança está focada Nele, o Cristo,
que faz um novo "êxodo", não para a terra prometida, como no tempo de
Moisés, mas para o céu. A ntervenção de Pedro: "Mestre, como é bom
estarmos aqui" representa a tentativa impossível de parar esta experiência
mística. Santo Agostinho diz: "[Pedro] ... no monte... tinha Cristo como alimento
da alma. Por que deveria descer para voltar aos trabalhos e dores, enquanto lá
em cima estava cheio de sentimentos de santo amor por Deus e que inspiravam-lhe
uma santa conduta? " Meditando sobre esta passagem do Evangelho, podemos
tirar um ensinamento muito importante. Primeiro, o primado da oração, sem a
qual todo o trabalho do apostolado e da caridade é reduzido ao activismo. Na
Quaresma, aprendemos a dar o justo tempo à oração, pessoal e comunitária, que
dá fôlego à nossa vida espiritual. Além disso, a oração não é um isolar-se do
mundo e das suas contradições, como Pedro quis fazer no Tabor, mas a oração
traz- nos de volta para o caminho, para a acção. "A existência cristã –
como escrevi na Mensagem para esta Quaresma – consiste num contínuo subir ao monte
do encontro com Deus, para depois descer trazendo o amor e a força que provém
dele, a fim de servir os nossos irmãos e irmãs com o mesmo amor de Deus " Queridos irmãos e irmãs,
sinto essa Palavra de Deus especialmente dirigida a mim, neste momento da minha
vida. O Senhor chama-me para “subir ao monte”, para me dedicar ainda mais à
oração e à meditação. Mas isto não significa abandonar a Igreja; pelo
contrário, se Deus me pede isso é para que eu a possa continuar a servir com a
mesma dedicação e o mesmo amor, como o fiz até hoje, mas de um modo mais
adequado à minha idade e às minhas forças. Invoquemos a intercessão da Virgem
Maria: que ela nos ajude a seguir, sempre, o Senhor Jesus, na oração e nas
obras de caridade”.
Depois da oração do “Angelus”
o Santo Padre dirigiu, aos peregrinos de língua portuguesa, as seguintes
palavras:
“Queridos peregrinos de
língua portuguesa que viestes rezar comigo o “Angelus”: obrigado pela vossa
presença e por todas as manifestações de afecto e de solidariedade e, em particular,
pelas orações com que me estais a acompanhar nestes dias. Que o bom Deus vos
cumule de todas as bênçãos.”