PALAVRA COM SENTIDO

PALAVRA COM SENTIDO

“…Hás-de temer o Senhor, teu Deus…” (cf. Deuteronómio 6, 2)

Só Deus é Deus e Senhor. E não há outro Deus a quem amar, servir, adorar, acreditar, rezar, agradecer… Temer o Senhor não é ‘ter medo de Deus’. Não precisamos ter medo de Deus: Ele é amor, perdão, misericórdia, alegria, paz, salvação e esperança… Temer o Senhor é reconhecer a grandeza do seu poder; a santidade do seu nome; a ternura que nos dedica; a alegria da vida que nos oferece. Temer o Senhor é acolher a sua Palavra; cumprir os seus mandamentos; responder com fidelidade aos seus apelos; confiar na sua promessa e anunciá-la com a bondade dos nossos gestos. Quem ‘teme a Deus’ procura fazer tudo para não pecar contra ele; fazer nascer no coração o receio e a tristeza de o poder ofender. O apelo feito pela palavra de Deus aponta-nos o caminho da verdade, da justiça, da caridade, da compaixão. Uma grande exigência que nos trará a felicidade e a bênção.

domingo, 24 de fevereiro de 2013

ÚLTIMO “ANGELUS” DO PAPA BENTO XVI



Às 12h horas deste Domingo, 24 de Fevereiro, o Santo Padre Bento XVI presidiu à oração do seu último “Angelus” com os fiéis que se reuniram para rezar e agradecer o seu Ministério Apostólico, na aproximação da sua despedida. Antes da oração, o Papa dirigiu-se à multidão de féis que enchia, por completo, a Praça de São Pedro, em Roma:

“Queridos irmãos e irmãs!
No segundo domingo da Quaresma, a liturgia sempre nos apresenta o Evangelho da Transfiguração do Senhor. O evangelista Lucas coloca especial atenção no facto de que Jesus foi transfigurado enquanto orava. Esta sua oração é uma profunda experiência de relacionamento com o Pai vivida durante uma espécie de retiro espiritual, num alto monte, na companhia de Pedro, Tiago e João , os três discípulos sempre presentes nos momentos da manifestação divina do Mestre. O Senhor, que pouco antes havia predito a sua morte e ressurreição, oferece aos seus discípulos uma antecipação da sua glória. E também na Transfiguração - como no baptismo - ouvimos a voz do Pai Celeste: "Este é o meu filho; o meu eleito; escutai-o". A presença de Moisés e Elias, representando a Lei e os Profetas da Antiga Aliança, é muito significativa: toda a história da Aliança está focada Nele, o Cristo, que faz um novo "êxodo", não para a terra prometida, como no tempo de Moisés, mas para o céu. A ntervenção de Pedro: "Mestre, como é bom estarmos aqui" representa a tentativa impossível de parar esta experiência mística. Santo Agostinho diz: "[Pedro] ... no monte... tinha Cristo como alimento da alma. Por que deveria descer para voltar aos trabalhos e dores, enquanto lá em cima estava cheio de sentimentos de santo amor por Deus e que inspiravam-lhe uma santa conduta? " Meditando sobre esta passagem do Evangelho, podemos tirar um ensinamento muito importante. Primeiro, o primado da oração, sem a qual todo o trabalho do apostolado e da caridade é reduzido ao activismo. Na Quaresma, aprendemos a dar o justo tempo à oração, pessoal e comunitária, que dá fôlego à nossa vida espiritual. Além disso, a oração não é um isolar-se do mundo e das suas contradições, como Pedro quis fazer no Tabor, mas a oração traz- nos de volta para o caminho, para a acção. "A existência cristã – como escrevi na Mensagem para esta Quaresma – consiste num contínuo subir ao monte do encontro com Deus, para depois descer trazendo o amor e a força que provém dele, a fim de servir os nossos irmãos e irmãs com o mesmo amor de Deus " Queridos irmãos e irmãs, sinto essa Palavra de Deus especialmente dirigida a mim, neste momento da minha vida. O Senhor chama-me para “subir ao monte”, para me dedicar ainda mais à oração e à meditação. Mas isto não significa abandonar a Igreja; pelo contrário, se Deus me pede isso é para que eu a possa continuar a servir com a mesma dedicação e o mesmo amor, como o fiz até hoje, mas de um modo mais adequado à minha idade e às minhas forças. Invoquemos a intercessão da Virgem Maria: que ela nos ajude a seguir, sempre, o Senhor Jesus, na oração e nas obras de caridade”.

Depois da oração do “Angelus” o Santo Padre dirigiu, aos peregrinos de língua portuguesa, as seguintes palavras:

“Queridos peregrinos de língua portuguesa que viestes rezar comigo o “Angelus”: obrigado pela vossa presença e por todas as manifestações de afecto e de solidariedade e, em particular, pelas orações com que me estais a acompanhar nestes dias. Que o bom Deus vos cumule de todas as bênçãos.”