- VIVA
O PAPA!
- DA HOMILIA DO PAPA FRANCISCO –
Roma, 19 de Março, Festa de São José
“…Como vive José a sua vocação de guardião de Maria, de Jesus,
da Igreja? Numa constante atenção a Deus, aberto aos seus sinais, disponível
mais ao projecto d’Ele que ao seu. E isto mesmo é o que Deus pede a David, como
ouvimos na primeira Leitura: Deus não deseja uma casa construída pelo homem,
mas quer a fidelidade à sua Palavra, ao seu desígnio; e é o próprio Deus que
constrói a casa, mas de pedras vivas marcadas pelo seu Espírito. E José é
«guardião», porque sabe ouvir a Deus, deixa-se guiar pela sua vontade e, por
isso mesmo, se mostra ainda mais sensível com as pessoas que lhe estão confiadas,
sabe ler com realismo os acontecimentos, está atento àquilo que o rodeia, e
toma as decisões mais sensatas. Nele, queridos amigos, vemos como se responde à
vocação de Deus: com disponibilidade e prontidão; mas vemos também qual é o
centro da vocação cristã: Cristo. Guardemos Cristo na nossa vida, para guardar
os outros, para guardar a criação!
Entretanto a vocação de guardião não diz respeito apenas a nós,
cristãos, mas tem uma dimensão antecedente, que é simplesmente humana e diz
respeito a todos: é a de guardar a criação inteira, a beleza da criação, como
se diz no livro de Génesis e nos mostrou São Francisco de Assis: é ter respeito
por toda a criatura de Deus e pelo ambiente onde vivemos. É guardar as pessoas,
cuidar carinhosamente de todas elas e cada uma, especialmente das crianças, dos
idosos, daqueles que são mais frágeis e que muitas vezes estão na periferia do
nosso coração. É cuidar uns dos outros na família: os esposos guardam-se
reciprocamente, depois, como pais, cuidam dos filhos, e, com o passar do tempo,
os próprios filhos tornam-se guardiões dos pais. É viver com sinceridade as amizades,
que são um mútuo guardar-se na intimidade, no respeito e no bem. Fundamentalmente
tudo está confiado à guarda do homem, e é uma responsabilidade que nos diz
respeito a todos. Sede guardiões dos dons de Deus!
E quando o homem falha nesta responsabilidade, quando não
cuidamos da criação e dos irmãos, então encontra lugar a destruição e o coração
fica ressequido. Infelizmente, em cada época da história, existem «Herodes» que
tramam desígnios de morte, destroem e deturpam o rosto do homem e da mulher.
Queria pedir, por favor, a quantos ocupam cargos de
responsabilidade em âmbito económico, político ou social, a todos os homens e
mulheres de boa vontade: sejamos «guardiões» da criação, do desígnio de Deus
inscrito na natureza, guardiões do outro, do ambiente; não deixemos que sinais
de destruição e morte acompanhem o caminho deste nosso mundo! Mas, para «guardar»,
devemos também cuidar de nós mesmos. Lembremo-nos de que o ódio, a inveja, o
orgulho sujam a vida; então guardar quer dizer vigiar sobre os nossos
sentimentos, o nosso coração, porque é dele que saem as boas intenções e as
más: aquelas que edificam e as que destroem. Não devemos ter medo de bondade,
ou mesmo de ternura.
A propósito, deixai-me acrescentar mais uma observação: cuidar,
guardar requer bondade, requer ser praticado com ternura. Nos Evangelhos, São
José aparece como um homem forte, corajoso, trabalhador, mas, no seu íntimo,
sobressai uma grande ternura, que não é a virtude dos fracos, antes pelo
contrário denota fortaleza de ânimo e capacidade de solicitude, de compaixão,
de verdadeira abertura ao outro, de amor. Não devemos ter medo da bondade, da
ternura!..”