PALAVRA COM SENTIDO

PALAVRA COM SENTIDO

“…Hás-de temer o Senhor, teu Deus…” (cf. Deuteronómio 6, 2)

Só Deus é Deus e Senhor. E não há outro Deus a quem amar, servir, adorar, acreditar, rezar, agradecer… Temer o Senhor não é ‘ter medo de Deus’. Não precisamos ter medo de Deus: Ele é amor, perdão, misericórdia, alegria, paz, salvação e esperança… Temer o Senhor é reconhecer a grandeza do seu poder; a santidade do seu nome; a ternura que nos dedica; a alegria da vida que nos oferece. Temer o Senhor é acolher a sua Palavra; cumprir os seus mandamentos; responder com fidelidade aos seus apelos; confiar na sua promessa e anunciá-la com a bondade dos nossos gestos. Quem ‘teme a Deus’ procura fazer tudo para não pecar contra ele; fazer nascer no coração o receio e a tristeza de o poder ofender. O apelo feito pela palavra de Deus aponta-nos o caminho da verdade, da justiça, da caridade, da compaixão. Uma grande exigência que nos trará a felicidade e a bênção.

domingo, 10 de março de 2013

SANTOS POPULARES


SANTA LUÍSA DE MARILLAC

Luísa de Marillac nasceu no dia 12 de agosto de 1591, filha de Luís de Marillac e de Margarida Le Camus. Aos quatro anos quando ficou órfã de mãe e, por isso, sofreu as consequências da falta de um lar carinhoso, do desprezo dos parentes e, naturalmente, de muitos conflitos afectivos. Era de constituição frágil, de baixa estatura, magra, bonita, nariz afilado, olhos expressivos, boca pequena. Era dotada de grande capacidade intelectual e de uma vontade enérgica. Era muito sensível e inclinada ao escrúpulo, à timidez, à insegurança. Era minuciosa e perfeccionista, e muito aberta às coisas de Deus e do próximo. A sua infância e a sua adolescência foram marcadas por acontecimentos dolorosos que marcaram profundamente a sua personalidade e o seu modo de ser. Ainda criança, o seu pai, Luís de Marillac, colocou-a no Convento de Poissy, onde recebeu uma esmerada educação. Aí permaneceu enquanto ele viveu. Depois, foi morar numa pensão familiar. Ali, adquiriu conhecimentos para a vida prática como cozinhar, costurar, bordar, sentido de responsabilidade e de organização. A sua estada no Convento de Poissy tinha-lhe proporcionado uma grande bagagem de piedade, de ciência e de instrução: uma educação de elite. Luísa quis ser religiosa Capuchinha, entre as Filhas da Cruz, mas não foi aceite porque a sua saúde não suportaria os rigores da penitência que caracterizava aquela Ordem. Em privado, fez o voto de consagrar-se à Deus, na penitência e na oração. Em 1613, casa-se com António Legras; foi um casamento “combinado”, como era costume na época. Desse casamento, nasceu um filho que recebeu o nome de Miguel, em homenagem ao seu tio. Luísa foi sempre fiel e dedicada ao seu esposo, sendo também uma mãe carinhosa, uma “super mãe”. Em 1621-1622, António Legras contraiu uma enfermidade que afectou até o seu comportamento. Luísa foi extremamente carinhosa para com ele. Entretanto, grandes dúvidas invadem a sua alma e ela chega a pensar estar a ser vítima de castigos de Deus. Sente-se rejeitada por todos, mesmo pelo próprio Deus. Envolvem-na densas trevas… No dia 4 de Junho de 1623, na Igreja de São Nicolau dos Campos, recebe a célebre “Luz de Pentecostes”. Liberta-se, então, das suas penas e incertezas e começa a descobrir, ainda que não muito claramente, os planos divinos a seu respeito.
Em 1625, depois de muita revolta e intranquilidade, o seu marido faleceu em paz. Quando Luísa encontrou o Padre Vicente de Paulo, tinha 34 anos; era uma viúva angustiada e inquieta na busca da vontade de Deus, com uma vida de oração toda estruturada em exercícios, em devoções, em jejuns e disciplinas. O Padre Vicente de Paulo descobriu as marcas que a dureza da vida deixou nesta mulher super-sensível e sofrida. Acolheu o seu sofrimento e, com muita paciência, começou a trabalhar sobre esta inquietude de Luísa, desdramatizando as coisas e apontando-lhe o amor de Deus que liberta. Recomendou-lhe muito a meditação da Palavra de Deus Descobrindo a rica personalidade de Luísa e a solidez da sua fé, orientou a sua inteligência e o seu coração para os pobres. Com frequência, pedia a sua colaboração para preparar roupas para os pobres, para visitá-los; pedia-lhe pequenos serviços nas confrarias e Luísa vai recuperando pouco a pouco a confiança em si mesma. Apreciando a sua disponibilidade, o seu juízo recto e seguro, o seu sentido de organização e intuição feminina, o Padre Vicente de Paulo fez dela a sua principal colaboradora e confiou-lhe a animação das Confrarias da Caridade. Chegando às aldeias, Luísa informa-se acerca das pessoas que pertencem à Confraria; reúne as senhoras da Caridade e dirige-lhes a palavra. Observa como funciona a Confraria, o estado financeiro das coisas, o papel de cada um dos membros; informa-se sobre a vida espiritual, visita pessoalmente os pobres, interessa-se pela instrução dos jovens. Terminada a visita, reúne as responsáveis, dá orientação segura e envia ao Padre Vicente um relatório minucioso com sua própria apreciação.
No trabalho das Confrarias, o Padre Vicente intervém quando necessário, mas deixa toda a liberdade de acção à sua colaboradora e recorre muitas vezes ao seu espírito de organização.
Com o tempo, as necessidades aumentam, as consequências da guerra fazem-se sentir e Vicente e Luísa interrogam-se sobre o futuro do serviço dos pobres. Entretanto, em 29 de Novembro de 1633, apresentou-se uma camponesa, Margarida Naseau e, com ela, outras camponesas que querem seguir o exemplo de Luísa e dedicar a sua vida ao serviço dos mais pobres. Estas jovens são camponesas rudes, que não têm instrução nem sequer a elementar; a maioria não sabe ler. Então, Luísa dá formação espiritual às jovens, ensina-as a ler, a escrever, a costurar, como cuidar dos doentes, a fazer chás caseiros, como ensinar o catecismo. Juntas, reflectem e enfrentam as dificuldades que aparecem nos mais variados serviços. A experiência sofrida da sua infância e a educação diversificada que recebera muito contribuíram para a organização da Companhia das Filhas da Caridade. A maneira de viver, as virtudes, a vida fraterna e o serviço dos pobres são frutos da sua experiência humana e fidelidade à graça de Deus. Luísa, com a ajuda do Padre Vicente de Paulo - que soube ouvi-la e compreendê-la - lutou contra os seus defeitos e chegou a ser a fervorosa imitadora de Jesus Crucificado, desapegada de si mesma, zelosa para com a Comunidade e o serviço dos pobres. Luísa de Marillac morreu em 15 de Março de 1660. As suas últimas recomendações, ou seja, o testamento espiritual que deixou às “suas filhas” é um legado de fidelidade a Deus, à Virgem Maria, à vida fraterna e aos pobres. Disse: “Tende muito cuidado com o serviço dos pobres, vivei juntas em grande cordialidade para imitar a união e a vida de Nosso Senhor e tende a Santíssima Virgem por vossa única Mãe.” Luísa de Marillac foi beatificada no dia 9 de Maio de 1920, pelo Papa Bento XV; foi canonizada no dia 11 de Março de 1934, pelo Papa Pio XI. Em 1960, foi proclamada padroeira das Obras Sociais pelo bem-aventurado Papa João XXIII. A sua memória litúrgica faz-se no dia 15 de Março, aniversário do seu falecimento.