PALAVRA COM SENTIDO

PALAVRA COM SENTIDO

“…Hás-de temer o Senhor, teu Deus…” (cf. Deuteronómio 6, 2)

Só Deus é Deus e Senhor. E não há outro Deus a quem amar, servir, adorar, acreditar, rezar, agradecer… Temer o Senhor não é ‘ter medo de Deus’. Não precisamos ter medo de Deus: Ele é amor, perdão, misericórdia, alegria, paz, salvação e esperança… Temer o Senhor é reconhecer a grandeza do seu poder; a santidade do seu nome; a ternura que nos dedica; a alegria da vida que nos oferece. Temer o Senhor é acolher a sua Palavra; cumprir os seus mandamentos; responder com fidelidade aos seus apelos; confiar na sua promessa e anunciá-la com a bondade dos nossos gestos. Quem ‘teme a Deus’ procura fazer tudo para não pecar contra ele; fazer nascer no coração o receio e a tristeza de o poder ofender. O apelo feito pela palavra de Deus aponta-nos o caminho da verdade, da justiça, da caridade, da compaixão. Uma grande exigência que nos trará a felicidade e a bênção.

segunda-feira, 15 de abril de 2013

PALAVRA DO SANTO PADRE FRANCISCO




 
- na Audiência geral de 10 de Abril – Praça de São Pedro

“…Hoje gostaria de reflectir sobre o significado salvífico da Ressurreição. O que significa para as nossas vidas a Ressurreição? E por que é que a nossa fé é vã sem ela? A nossa fé tem como fundamento a Morte e Ressurreição de Cristo, assim como uma casa se apoia nos seus alicerces: se desabarem os alicerces, toda a casa cai. Na cruz, Jesus ofereceu-se a si mesmo, tomando sobre si os nossos pecados e descendo ao abismo da morte e, na Ressurreição, venceu-os; tirou os nossos pecados e abriu-nos o caminho para renascer para uma vida nova. São Pedro di-lo, resumidamente, no começo da sua Primeira Carta, como já ouvimos: “Bendito seja Deus, Pai de Nosso Senhor Jesus Cristo, que, na sua grande misericórdia, nos gerou de novo - pela ressurreição de Jesus Cristo dentre os mortos - para uma esperança viva, para uma herança incorruptível, imaculada e indefectível” (1,3-4).
O Apóstolo diz-nos que, com a Ressurreição de Jesus, algo novo acontece: somos libertados da escravidão do pecado e tornamo-nos filhos de Deus; somos gerados para uma nova vida. Quando é que isso se realiza para nós? No sacramento do Baptismo. Antigamente, ele era recebido por imersão. Aquele que era baptizado descia a um grande tanque de água, no Baptistério, deixando as suas roupas, e o Bispo ou o sacerdote derramava-lhe, por três vezes, água sobre a cabeça, baptizando-o em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo. Depois o baptizado saia da água e vestia uma veste nova, uma túnica branca: ou seja, tinha nascido para uma vida nova, mergulhando na Morte e Ressurreição de Cristo. Tinha-se tornado filho de Deus. São Paulo, na Carta aos Romanos, escreveu: vós “recebestes um espírito de filhos adoptivos, pelo qual clamamos: Abba! Pai!” (Rm 8,15). É o Espírito que recebemos no baptismo que nos ensina, nos leva a dizer a Deus: "Pai", ou melhor, "Abba!", que significa "papá". Assim é o nosso Deus: é um papá para nós. O Espírito Santo realiza em nós esta nova condição de filhos de Deus. E isso é o maior dom que recebemos do Mistério Pascal de Jesus. E Deus trata-nos como filhos, compreende-nos, perdoa-nos, abraça-nos, ama-nos, mesmo quando cometemos erros. Já no Antigo Testamento, o profeta Isaías afirmava que mesmo que uma mãe se esquecesse do filho, Deus não se esqueceria jamais de nós, em nenhum momento (cf. 49:15). E isso é lindo!
No entanto, esta relação filial com Deus não é como um tesouro que conservamos num canto da nossa vida, mas deve crescer, deve ser alimentada, todos os dias, com a escuta da Palavra de Deus, a oração, a participação nos sacramentos, especialmente da Penitência e da Eucaristia, e a caridade. Nós podemos viver como filhos! E esta é a nossa dignidade: nós temos a dignidade dos filhos. Comportar-nos como verdadeiros filhos! Isso quer dizer que, em cada dia, devemos deixar que Cristo nos transforme e nos faça como Ele; quer dizer: procurar viver como cristãos, buscar segui-lo, mesmo que vejamos os nossos limites e as nossas fraquezas. A tentação de deixar Deus de lado para colocar-nos no centro está sempre às portas e a experiência do pecado fere a nossa vida cristã, o nosso ser filhos de Deus. Por isso, devemos ter a coragem da fé e não deixar-nos levar pela mentalidade que nos fala: “Deus não é necessário, não é importante para ti”, e assim por diante. É exactamente o contrário: só comportando-nos como filhos de Deus - sem desanimar por causa das nossas quedas, pelos nossos pecados – e sentindo-nos amados por Ele, a nossa vida será nova, animada pela serenidade e pela alegria. Deus é a nossa força! Deus é a nossa esperança!...”