PALAVRA COM SENTIDO

PALAVRA COM SENTIDO

“…Hás-de temer o Senhor, teu Deus…” (cf. Deuteronómio 6, 2)

Só Deus é Deus e Senhor. E não há outro Deus a quem amar, servir, adorar, acreditar, rezar, agradecer… Temer o Senhor não é ‘ter medo de Deus’. Não precisamos ter medo de Deus: Ele é amor, perdão, misericórdia, alegria, paz, salvação e esperança… Temer o Senhor é reconhecer a grandeza do seu poder; a santidade do seu nome; a ternura que nos dedica; a alegria da vida que nos oferece. Temer o Senhor é acolher a sua Palavra; cumprir os seus mandamentos; responder com fidelidade aos seus apelos; confiar na sua promessa e anunciá-la com a bondade dos nossos gestos. Quem ‘teme a Deus’ procura fazer tudo para não pecar contra ele; fazer nascer no coração o receio e a tristeza de o poder ofender. O apelo feito pela palavra de Deus aponta-nos o caminho da verdade, da justiça, da caridade, da compaixão. Uma grande exigência que nos trará a felicidade e a bênção.

segunda-feira, 15 de abril de 2013

SANTOS POPULARES



 
SÃO DAMIÃO DE VEUSTER  ( PADRE DAMIÃO, O APÓSTOLO DOS LEPROSOS)

Josef de Veuster-Wouters nasceu no dia 3 de Janeiro de 1840, numa pequena cidade ao norte de Bruxelas, na Bélgica. Aos dezanove anos de idade, entrou para a Ordem dos Padres do Sagrado Coração e tomou o nome de Damião. Em seguida, foi enviado para terminar os seus estudos num colégio teológico, em Paris. A vida de Damião começou a mudar quando completou vinte e um anos de idade. Um Bispo do Havai, arquipélago do Pacífico, passou por Paris, onde fez algumas palestras com o desejo de conseguir missionários para a sua diocese. Expôs os problemas daquela região, onde sobressaíam os referentes aos doentes de lepra, que eram exilados e abandonados numa ilha chamada Molokai, por determinação do governo. Damião interessou-se logo por esta questão e disponibilizou-se para ir como missionário para o Havai. Ainda não era sacerdote, mas estava disposto a insistir que o aceitassem na missão rumo a Molokai. Escreveu uma carta ao superior da Ordem do Sagrado Coração, que, inspirado por Deus, permitiu a sua partida. Assim, em 1863, Damião embarcou para o Havai, logo após ter sido ordenado sacerdote. Quando chegou ao arquipélago, Damião colocou-se a par da situação. A região recebera imigrantes chineses e, com eles, a lepra. Em 1865, temendo a disseminação da doença, o governo local decidiu isolar os doentes na ilha de Molokai. Nessa ilha, existia uma península cujo acesso era impossível, excepto pelo mar. Assim, aquela península, chamada Kalauapa, tornou-se a prisão dos leprosos. Damião foi para lá, juntamente com mais três missionários que iriam revezar-se nos cuidados com os leprosos. Os leprosos não tinham como trabalhar; roubavam-se entre si; matavam-se por um punhado de arroz. Damião sabia que ficaria ali para sempre, pois grande era o seu coração. Naquele lugar abandonado, o padre começou a trabalhar. O primeiro passo foi recuperar o cemitério e enterrar os mortos. Com frequência, ia à capital comprar ligaduras, remédios, lençóis e roupa para todos. Começou a escrever para o jornal local, contando os terrores da ilha de Molokai. Essas notícias espalharam-se por todo o mundo e abalaram as consciências e os corações de muita gente. De todo o lado, começou a chegar todo o tipo de ajuda humanitária. Um médico, que contraíra a lepra ao cuidar dos doentes, ouviu falar de Damião e viajou para Molokai, a fim de ajudar. No tempo que passou na ilha, Damião construiu uma igrejinha de alvenaria, onde passou a celebrar as missas. Construiu, também, um pequeno hospital, onde ele e o médico cuidavam dos doentes mais graves. Para que não faltasse água potável, construiu ainda dois aquedutos, completando a estrutura sanitária tão necessária à vida daquele povoado. Porém, a obra do Padre Damião foi muito além do empenhamento em cuidar da melhoria física do local. Padre Damião trouxe àquele lugar uma nova esperança e deu alívio aos doentes que, ali, eram abandonados. O Padre Damião era conhecido como o Apóstolo dos leprosos. Numa noite de 1885, inadvertidamente, Damião colocou o pé esquerdo numa bacia com água muito quente e não sentiu nenhuma dor. Percebeu, então, que tinha contraído a lepra. Havia dez anos que Padre Damião tinha chegado à ilha e, milagrosamente, não havia contraído a doença até então. Com o passar do tempo, a doença tomou-o por inteiro. O Padre Damião, o Apóstolo dos leprosos, morreu no dia 15 de Abril de 1889. Conta-se que, após a sua morte, o seu corpo, que estava cheio de feridas da lepra, apareceu limpo e sadio. Em 1936, os seus restos mortais foram transladados para a Bélgica, seu país de origem, onde foram sepultados com honras de Estado. 
O Padre Damião é conhecido e venerado em todo o mundo, especialmente pelos habitantes do arquipélago do Havai, por ter dedicado toda a sua vida ao cuidado dos leprosos de Molokai. Foi beatificado, em 1995, pelo Papa João Paulo II e canonizado, em 11 de Outubro de 2009, pelo Papa Bento XVI. Foi declarado patrono espiritual dos leprosos e dos marginalizados, incluindo os doentes de SIDA; é, também, o patrono do Estado do Havai. A sua festividade litúrgica é celebrada no dia 15 de Abril.