PALAVRA COM SENTIDO

PALAVRA COM SENTIDO

“…Hás-de temer o Senhor, teu Deus…” (cf. Deuteronómio 6, 2)

Só Deus é Deus e Senhor. E não há outro Deus a quem amar, servir, adorar, acreditar, rezar, agradecer… Temer o Senhor não é ‘ter medo de Deus’. Não precisamos ter medo de Deus: Ele é amor, perdão, misericórdia, alegria, paz, salvação e esperança… Temer o Senhor é reconhecer a grandeza do seu poder; a santidade do seu nome; a ternura que nos dedica; a alegria da vida que nos oferece. Temer o Senhor é acolher a sua Palavra; cumprir os seus mandamentos; responder com fidelidade aos seus apelos; confiar na sua promessa e anunciá-la com a bondade dos nossos gestos. Quem ‘teme a Deus’ procura fazer tudo para não pecar contra ele; fazer nascer no coração o receio e a tristeza de o poder ofender. O apelo feito pela palavra de Deus aponta-nos o caminho da verdade, da justiça, da caridade, da compaixão. Uma grande exigência que nos trará a felicidade e a bênção.

segunda-feira, 22 de abril de 2013

SANTOS POPULARES



SANTA CATARINA DE SENA

Catarina nasceu na aldeia de Fontebranda, em Sienna, Itália, no dia 25 de Março de 1347, dia da Anunciação. Era filha de Giacomo Benincasa e de Mona Lapa. Filha duma família cristã, principiou, desde tenra idade, a sentir grande tendência para a vida de piedade. Aos 5 anos, subia as escadas de joelhos rezando, a cada degrau, uma Avé-Maria. Aos 6 anos, o Senhor quis mimoseá-la com a sua primeira manifestação sensí­vel: Cristo apareceu-lhe sentado num trono, revestido com resplandecentes ornamentos pontificais, tendo a cabeça cingida com uma tiara papal, abençoando-a com a mão direita. Aos 7 anos, fez “voto” de virgindade, e aos 12, segundo o costume do país e da época, apesar de ser muito criança, os seus pais pensaram em casá-la, mas recusou energicamente o matrimónio. No entanto, levada pelos falsos conselhos duma irmã, começou por se deixar mundanizar. Este período parece ter sido curto. Tratava-se apenas de imperfeições de criança. Mais consciente do apelo que Jesus lhe fazia a uma vida de santidade, chorou-o arrependida, durante vários anos. Depois, intensificando as suas penitências, fixou-se numa espécie de vida religiosa, fazendo, mais tarde, os três votos religiosos, que viveu intensamente, apesar de sempre ter vivido no mundo. Durante muito tempo, não tomou outro alimento, excepto pão e ervas cruas. Enquanto pensava na vida religiosa das grandes Ordens, S. Domingos apareceu-lhe e prometeu-lhe, que, mais tarde, ia ser recebida na sua grande família espiritual. Na cidade de Sienna, havia um numeroso grupo de Terceiras dominicanas, as quais, embora usassem o hábito da Ordem, (chamavam-se “mantellate”), viviam nas suas próprias casas. Aos 16 anos entrou na Ordem Terceira de S. Domingos, indo juntar-se ao grupo das “Mantellate”. As aspirações de Catarina foram, assim, realizadas em plena conformidade com o género de vida que já se havia proposto. Passou a viver fechada num pequeno quarto, que lhe fora designado, vivendo aí como eremita, unicamente ocupada das coisas de Deus e saindo, apenas, para ir à igreja. Empregava a noite e o dia em colóquios divinos para orar o mais tempo possível. Chegou a dormir apenas meia hora em cada noite. Catarina era estimulada, no meio deste ambiente, por graças sobrenaturais, sendo visitada pelo próprio Cristo. Animavam-na, também, os conselhos e exortações dos sacerdotes dominicanos. Aos 20 anos, o Senhor ordenou-lhe que se dedicasse ao apostolado e, daí em diante, levasse uma vida mais activa, sem afrouxar a sua intensa vida de oração. Desde então, multiplica as suas obras de caridade: socorre os pobres, cuida dos doentes, manifestando, sobretudo, uma grande abnegação durante o tempo em que a peste invadiu a Itália. Exorta os ímpios à emenda de vida; extingue vinganças e ódios. Depois de ter obtido a perfeição na fé, pede ao Senhor a perfeição na caridade. Desde então, quantos dela se aproximam, sem excepção de ninguém, notam que os acontecimentos exteriores, contradições e sofrimentos, de maneira alguma perturbam a sua alma. Amava a todos com um coração verdadeiramente maternal. Catarina foi uma das mais brilhantes mentes teológicas do seu tempo, embora sem qualquer educação formal. Trabalhou com êxito como moderadora entre a Santa Sé e a cidade de Florença e persuadiu o Papa, que na época vivia em Avignon - França, a voltar para Roma, tendo-o conseguido somente no pontificado do Papa Urbano VI. Mais tarde, Catarina foi para Roma, onde lutou infatigavelmente com orações, exortações e cartas para ganhar novos partidários para o Papa legítimo. Aos 26 anos, começou a sentir, no seu corpo, as dores da Paixão de Cristo. Dois anos mais tarde, em 1375, durante uma visita a Pisa, recebeu a comunhão na pequena igreja de Santa Cristina. Quando meditava e agradecia, orando aos pés do crucifixo, raios de luz furaram as suas mãos, os seus pés e o seu lado. Todos puderam ver os estigmas de Cristo, no seu corpo. Por causa de tanta dor, deixou de falar e de comer. Assim viveu durante oito anos, alimentando-se unicamente da Sagrada Comunhão. Rezou muito para que as marcas dos estigmas não fossem visíveis e o Senhor concedeu-lhe essa graça. Mas, após a sua morte, os estigmas voltaram a ficar bem visíveis no seu corpo incorrupto, como uma transparência na pele, no lugar das chagas de Cristo. Testemunhas afirmavam que, muitas vezes, quando rezava entrava em levitação. Das cartas de Santa Catarina de Sena, há uma trilogia chamada "O Diálogo", considerado o mais brilhante escrito da história da Igreja Católica. Catarina morreu jovem, aos 33 anos de idade, em 29 de Abril de 1380. Em 1430, o seu corpo foi encontrado incorrupto e conservado. Foi canonizada, em 1461, pelo Papa Pio II, e em 4 de Outubro de 1970, apesar de não ter aprendido a ler e a escrever, foi proclamada Doutora de Igreja, pelo Papa Paulo VI. A Igreja faz a sua memória litúrgica no dia 29 de Abril.