BEATO ALBERTO JOUBERT
Alberto Joubert nasceu em São Luís de
Mrumbi, actual Moba, na República Democrática do Congo, no dia 21 de Novembro
de 1908. Em documentos antigos sobre ele, o seu nome foi, erradamente, registado
como Atanásio; pesquisas posteriores confirmaram que, na verdade, era o nome de
um dos seus irmãos.
O seu pai, o Capitão Luís Leopoldo Joubert, era natural de Nantes, França. Serviu o exército francês e mais tarde, fez parte dos Zuavos Pontifícios [eram um batalhão de infantaria - mais tarde um regimento - dedicado à defesa dos Estados Papais. Nomeados em homenagem aos regimentos de zuavos franceses, os Zuavos Pontifícios eram formados, principalmente, por homens jovens, solteiros e católicos]. Fora enviado, em 1890, por Monsenhor Carlos Lavigerie, Arcebispo de Argel, fundador dos Padres Brancos e mais tarde cardeal, para proteger as caravanas dos missionários dos ataques dos traficantes de escravos. A ‘Sociedade dos Missionários da África’, conhecida por Padres Brancos, foi fundada, em 1868, é um instituto missionário composto por sacerdotes e religiosos que vivem em comunidade. O seu objectivo é anunciar o Evangelho aos homens do mundo africano. Desde as suas origens, esta congregação religiosa católica sempre dedicou uma atenção especial aos fiéis de origem islâmica. Estão presentes em 21 países africanos e, também, fora de África, que continua, no entanto, a ser a sua prioridade. Dedicam-se, também, a assistir migrantes africanos, na Europa e na América.
O Capitão Luís Joubert naturalizou-se
congolês, depois de se ter casado com Inês Atakae, congolesa de nascimento, em
1888. O casal teve dez filhos, todos educados de acordo com os valores
cristãos: dois morreram na infância e dois, Alberto e João, os mais novos, tornaram-se
padres. Uma das suas filhas escolheu a vida religiosa, mas teve que abandoná-la
por motivos de saúde.
Alberto passou os primeiros três anos da sua vida na sua aldeia natal, até que o flagelo da doença do sono obrigou todos os habitantes a mudarem-se para Santa Maria (actual Misenge), perto de Baudoinville (Kirungu), a oito quilómetros de distância.
Alberto recebeu o Sacramento da Confirmação, no dia 13 de Junho de 1915, naquela que foi a primeira catedral do Congo, a dois quilómetros da sua casa. Depois de frequentar a escola primária, aos doze anos, entrou no Seminário Menor, em Lusaka, a cerca de cinquenta quilómetros de Baudoinville.
Nesse mesmo ano, no dia 6 de Junho de 1920, o Papa Bento XV beatificou Carlos Lwanga e os seus companheiros, mártires de Uganda, que foram, posteriormente, canonizados em 1964. O Vigário Apostólico do Alto Congo, Monsenhor Victor Roelens, apresentou o exemplo do jovem Carlos e dos seus companheiros aos seminaristas: a sua coragem e fidelidade a Cristo impressionaram, profundamente, o jovem Alberto.
Na sua caminhada rumo à ordenação sacerdotal, o jovem dedicou-se, intensamente, à sua formação, moldando o seu carácter, tornando-se humilde e discreto. Todos o conheciam como filho do Capitão Joubert, mas ele não se interessava por honrarias e desejava crescer em obediência e disponibilidade.
Depois de entrar no Seminário Maior, no dia 23 de Novembro de 1925, para os estudos teológicos, nunca mais abandonou as suas vestes eclesiásticas que, para ele, eram um auxílio externo para viver com dignidade o dom do sacerdócio. Antes da ordenação sacerdotal, fez um ano de formação, em Lusaka, trabalhando na Missão de São Tiago, no Seminário Menor e em várias escolas.
Foi ordenado sacerdote no dia 6 de Outubro de 1935.
O Padre Joubert disponibilizou-se imediatamente para partir para as missões mais distantes. O seu primeiro destino foi Kasongo, a 750 quilómetros de Baudoinville; Ele permaneceu ali até 1937, quando foi designado para Kala, onde ficou até 1941. Em seguida, foi enviado para Lusaka, Moyo, Kabambare, Kibangula e, novamente, para Moyo, Mungombe, Kibanga e Fizi.
Para poder assistir as pessoas das aldeias mais distantes, caminhava dias inteiros para levar-lhes os Sacramentos e formar e encorajar os catequistas. Mesmo quando lhe foi atribuída a função de professor nos seminários menores de Lusaka e Mungombe, em momentos importantes, disponibilizou-se para ajudar os seus irmãos nas tarefas do ministério.
Os símbolos do seu serviço pastoral podem ser representados por alguns objectos: a Bíblia: a Palavra de Deus era a luz da qual extraía a força para as suas decisões e para a sua vida de oração, regular e constante; a caneta, sinal da sua preocupação com a educação, que ele também praticava como professor, nas aldeias para onde era enviado; ele acreditava que a educação era o alicerce de todo o desenvolvimento. Para animar os recreios dos seus alunos, frequentemente tocava violão, expressando, através da música, a sua alegria de viver em comunhão com os seus irmãos. Finalmente, a Cruz, sempre presente na sua vida, desde a sua fuga da sua aldeia natal até à sua morte.
O seu trabalho missionário não foi bem recebido pelos rebeldes Simba: inspirados pelo comunismo, opunham-se abertamente à liberdade, trazida pelos missionários, através do Evangelho. Certo dia, um grupo Simba foi a Kibanga procurar o Padre Joubert: capturaram-no e torturaram-no durante quinze dias; depois, levaram-no para Fizi, onde o libertaram. O seu ódio era alimentado pelo facto de que ele, apesar de ser negro, havia abraçado a nova religião, importada pelos "brancos".
Em Fizi, foi acolhido pelo Padre João Didonè, dos Missionários Xaverianos, que optara por permanecer, apesar das capturas e massacres, cada vez mais frequentes, de padres e religiosos. Durante dois meses, ajudou-o na sua missão.
O clima de ódio contra os missionários intensificou-se: os rebeldes acusaram-nos de esconder o "fonì", o transmissor de rádio, que alegavam usar para transmitir informações ao exército. Em 28 de Novembro de 1964, alguns Simba, liderados por Abedi Masanga, assassinaram dois religiosos xaverianos em Baraka: o Irmão Vitório Faccin e o Padre Luís Carrara. Na mesma noite, dirigiram-se para Fizi: foi a vez do Padre João Didonè, atingido, na testa, por uma bala. O Padre Alberto Joubert mal teve tempo de se aperceber o que estava a acontecer quando, também, foi atingido: caiu morto a dois metros do Padre Didonè, a poucos passos da casa religiosa.
Os Padres Xaverianos [são os membros da Pia Sociedade de São Francisco Xavier para as Missões Estrangeiras, uma congregação religiosa católica fundada por Guido Maria Conforti em 1895. A sua principal missão é anunciar o Evangelho a povos não-cristãos em todo o mundo, seguindo o exemplo de São Francisco Xavier] sempre consideraram os seus irmãos e o Padre Joubert como mártires.
Estes padre Xaverianos e o Padre Alberto Joubert foram beatificados, em Uvira, no dia 18 de Agosto de 2024, pelo Papa Francisco, em cerimónia presidida pelo Cardeal Fridolin Ambongo Besungu, Arcebispo de Kinshasa, como delegado do Santo Padre.
Os restos mortais do Padre Alberto Joubert repousam na nova igreja de Fizi, no mesmo túmulo do Padre João Didonè.
A memória litúrgica do Beato Alberto Joubert é celebrada no dia 28 de Novembro.
O seu pai, o Capitão Luís Leopoldo Joubert, era natural de Nantes, França. Serviu o exército francês e mais tarde, fez parte dos Zuavos Pontifícios [eram um batalhão de infantaria - mais tarde um regimento - dedicado à defesa dos Estados Papais. Nomeados em homenagem aos regimentos de zuavos franceses, os Zuavos Pontifícios eram formados, principalmente, por homens jovens, solteiros e católicos]. Fora enviado, em 1890, por Monsenhor Carlos Lavigerie, Arcebispo de Argel, fundador dos Padres Brancos e mais tarde cardeal, para proteger as caravanas dos missionários dos ataques dos traficantes de escravos. A ‘Sociedade dos Missionários da África’, conhecida por Padres Brancos, foi fundada, em 1868, é um instituto missionário composto por sacerdotes e religiosos que vivem em comunidade. O seu objectivo é anunciar o Evangelho aos homens do mundo africano. Desde as suas origens, esta congregação religiosa católica sempre dedicou uma atenção especial aos fiéis de origem islâmica. Estão presentes em 21 países africanos e, também, fora de África, que continua, no entanto, a ser a sua prioridade. Dedicam-se, também, a assistir migrantes africanos, na Europa e na América.
Alberto passou os primeiros três anos da sua vida na sua aldeia natal, até que o flagelo da doença do sono obrigou todos os habitantes a mudarem-se para Santa Maria (actual Misenge), perto de Baudoinville (Kirungu), a oito quilómetros de distância.
Alberto recebeu o Sacramento da Confirmação, no dia 13 de Junho de 1915, naquela que foi a primeira catedral do Congo, a dois quilómetros da sua casa. Depois de frequentar a escola primária, aos doze anos, entrou no Seminário Menor, em Lusaka, a cerca de cinquenta quilómetros de Baudoinville.
Nesse mesmo ano, no dia 6 de Junho de 1920, o Papa Bento XV beatificou Carlos Lwanga e os seus companheiros, mártires de Uganda, que foram, posteriormente, canonizados em 1964. O Vigário Apostólico do Alto Congo, Monsenhor Victor Roelens, apresentou o exemplo do jovem Carlos e dos seus companheiros aos seminaristas: a sua coragem e fidelidade a Cristo impressionaram, profundamente, o jovem Alberto.
Na sua caminhada rumo à ordenação sacerdotal, o jovem dedicou-se, intensamente, à sua formação, moldando o seu carácter, tornando-se humilde e discreto. Todos o conheciam como filho do Capitão Joubert, mas ele não se interessava por honrarias e desejava crescer em obediência e disponibilidade.
Depois de entrar no Seminário Maior, no dia 23 de Novembro de 1925, para os estudos teológicos, nunca mais abandonou as suas vestes eclesiásticas que, para ele, eram um auxílio externo para viver com dignidade o dom do sacerdócio. Antes da ordenação sacerdotal, fez um ano de formação, em Lusaka, trabalhando na Missão de São Tiago, no Seminário Menor e em várias escolas.
Foi ordenado sacerdote no dia 6 de Outubro de 1935.
O Padre Joubert disponibilizou-se imediatamente para partir para as missões mais distantes. O seu primeiro destino foi Kasongo, a 750 quilómetros de Baudoinville; Ele permaneceu ali até 1937, quando foi designado para Kala, onde ficou até 1941. Em seguida, foi enviado para Lusaka, Moyo, Kabambare, Kibangula e, novamente, para Moyo, Mungombe, Kibanga e Fizi.
Para poder assistir as pessoas das aldeias mais distantes, caminhava dias inteiros para levar-lhes os Sacramentos e formar e encorajar os catequistas. Mesmo quando lhe foi atribuída a função de professor nos seminários menores de Lusaka e Mungombe, em momentos importantes, disponibilizou-se para ajudar os seus irmãos nas tarefas do ministério.
Os símbolos do seu serviço pastoral podem ser representados por alguns objectos: a Bíblia: a Palavra de Deus era a luz da qual extraía a força para as suas decisões e para a sua vida de oração, regular e constante; a caneta, sinal da sua preocupação com a educação, que ele também praticava como professor, nas aldeias para onde era enviado; ele acreditava que a educação era o alicerce de todo o desenvolvimento. Para animar os recreios dos seus alunos, frequentemente tocava violão, expressando, através da música, a sua alegria de viver em comunhão com os seus irmãos. Finalmente, a Cruz, sempre presente na sua vida, desde a sua fuga da sua aldeia natal até à sua morte.
O seu trabalho missionário não foi bem recebido pelos rebeldes Simba: inspirados pelo comunismo, opunham-se abertamente à liberdade, trazida pelos missionários, através do Evangelho. Certo dia, um grupo Simba foi a Kibanga procurar o Padre Joubert: capturaram-no e torturaram-no durante quinze dias; depois, levaram-no para Fizi, onde o libertaram. O seu ódio era alimentado pelo facto de que ele, apesar de ser negro, havia abraçado a nova religião, importada pelos "brancos".
Em Fizi, foi acolhido pelo Padre João Didonè, dos Missionários Xaverianos, que optara por permanecer, apesar das capturas e massacres, cada vez mais frequentes, de padres e religiosos. Durante dois meses, ajudou-o na sua missão.
O clima de ódio contra os missionários intensificou-se: os rebeldes acusaram-nos de esconder o "fonì", o transmissor de rádio, que alegavam usar para transmitir informações ao exército. Em 28 de Novembro de 1964, alguns Simba, liderados por Abedi Masanga, assassinaram dois religiosos xaverianos em Baraka: o Irmão Vitório Faccin e o Padre Luís Carrara. Na mesma noite, dirigiram-se para Fizi: foi a vez do Padre João Didonè, atingido, na testa, por uma bala. O Padre Alberto Joubert mal teve tempo de se aperceber o que estava a acontecer quando, também, foi atingido: caiu morto a dois metros do Padre Didonè, a poucos passos da casa religiosa.
Os Padres Xaverianos [são os membros da Pia Sociedade de São Francisco Xavier para as Missões Estrangeiras, uma congregação religiosa católica fundada por Guido Maria Conforti em 1895. A sua principal missão é anunciar o Evangelho a povos não-cristãos em todo o mundo, seguindo o exemplo de São Francisco Xavier] sempre consideraram os seus irmãos e o Padre Joubert como mártires.
Estes padre Xaverianos e o Padre Alberto Joubert foram beatificados, em Uvira, no dia 18 de Agosto de 2024, pelo Papa Francisco, em cerimónia presidida pelo Cardeal Fridolin Ambongo Besungu, Arcebispo de Kinshasa, como delegado do Santo Padre.
Os restos mortais do Padre Alberto Joubert repousam na nova igreja de Fizi, no mesmo túmulo do Padre João Didonè.
A memória litúrgica do Beato Alberto Joubert é celebrada no dia 28 de Novembro.
