PALAVRA COM SENTIDO

PALAVRA COM SENTIDO

“…Hás-de temer o Senhor, teu Deus…” (cf. Deuteronómio 6, 2)

Só Deus é Deus e Senhor. E não há outro Deus a quem amar, servir, adorar, acreditar, rezar, agradecer… Temer o Senhor não é ‘ter medo de Deus’. Não precisamos ter medo de Deus: Ele é amor, perdão, misericórdia, alegria, paz, salvação e esperança… Temer o Senhor é reconhecer a grandeza do seu poder; a santidade do seu nome; a ternura que nos dedica; a alegria da vida que nos oferece. Temer o Senhor é acolher a sua Palavra; cumprir os seus mandamentos; responder com fidelidade aos seus apelos; confiar na sua promessa e anunciá-la com a bondade dos nossos gestos. Quem ‘teme a Deus’ procura fazer tudo para não pecar contra ele; fazer nascer no coração o receio e a tristeza de o poder ofender. O apelo feito pela palavra de Deus aponta-nos o caminho da verdade, da justiça, da caridade, da compaixão. Uma grande exigência que nos trará a felicidade e a bênção.

segunda-feira, 26 de novembro de 2012

SOLENIDADE DE JESUS CRISTO, REI E SENHOR DO UNIVERSO



No último Domingo do ano litúrgico, a Igreja celebra a festa de Cristo Rei. É uma das festas mais importantes no calendário católico, pois nela celebramos Cristo, Rei do universo. O Seu reino não é deste mundo, mas começa a construir-se aqui, na nossa realidade de todos os dias: reino da verdade e da vida, da santidade e da graça, da justiça, do amor e da paz. Esta festa foi estabelecida pelo Papa Pio XI, em 11 de Março de 1925. O Papa queria motivar os católicos para darem público testemunho de Jesus, centro da vida da Igreja e centro da história universal. O Papa Bento XVI disse, na oração do Angelus, no dia 30 de Novembro de 2005: “…Hoje, último domingo do Ano litúrgico, celebra-se a solenidade de Cristo Rei do universo. Desde o anúncio do seu nascimento, o Filho unigénito do Pai, que nasceu da Virgem Maria, é definido "rei" no sentido messiânico, ou seja, herdeiro do trono de David, segundo as promessas dos profetas, para um reino que não terá fim (cf. Lc 1, 32-33). A realeza de Cristo permaneceu totalmente escondida, até aos seus trinta anos, transcorridos numa existência comum em Nazaré. Depois, durante a vida pública, Jesus inaugurou o novo Reino, que "não é deste mundo" (Jo 18, 36) e no final realizou-o plenamente com a Sua morte e ressurreição. Ao aparecer ressuscitado aos Apóstolos, disse: "Toda a autoridade me foi dada no céu e sobre a terra" (Mt 28, 18): esta autoridade brota do amor, que Deus manifestou plenamente no sacrifício do seu Filho. O Reino de Cristo é dom oferecido aos homens de todos os tempos, para que todo aquele que acredita no Verbo encarnado "não morra, mas tenha a vida eterna" (Jo 3, 16). Por isso, precisamente no último Livro da Bíblia, o Apocalipse, Ele proclama: "Eu sou o Alfa e o Ómega, o princípio e o fim" (Ap 22, 13). "Cristo Alfa e Ómega", assim se intitula o parágrafo que conclui a primeira parte da Constituição pastoral Gaudium et spes, do Concílio Vaticano II, promulgada há quarenta anos. Naquela bela página, que retoma algumas palavras do servo de Deus o Papa Paulo VI, lemos: "O Senhor é o fim da história humana, o ponto para onde tendem os desejos da história e da civilização, o centro do género humano, a alegria de todos os corações e a plenitude das suas aspirações". E assim continua: "Vivificados e reunidos no seu Espírito, caminhamos em direcção à perfeição final da história humana, que corresponde plenamente ao seu desígnio de amor: "recapitular todas as coisas em Cristo, tanto as do céu como as da terra" (Ef 1, 10)…"

PALAVRAS DO PAPA



- na Audiência geral, no dia 21 de Novembro, em Roma.

“…Continuamos a avançar neste Ano da Fé carregando no coração a esperança de redescobrir a grande alegria que existe no acto de acreditar, bem como a esperança de reencontrar o entusiasmo para comunicar, a todos, as verdades da fé. Verdades que não são uma simples mensagem sobre Deus, uma informação a seu respeito. Verdades que expressam o acontecimento extraordinário do encontro de Deus com os homens, encontro salvífico e libertador, que realiza as aspirações mais profundas do homem, o seu anseio de paz, fraternidade e amor. A fé leva-nos a descobrir que o encontro com Deus melhora, aperfeiçoa e eleva o que há de verdadeiro, de bom e de belo no homem. Acontece que, enquanto Deus se revela e se deixa conhecer, o homem vem a saber quem é Deus e, conhecendo-o, descobre-se a si mesmo, a sua origem, o seu destino, a grandeza e a dignidade da vida humana. A fé permite um conhecimento autêntico de Deus, que envolve toda a pessoa: é um saber no sentido latino de "sàpere" [degustar], um conhecimento que dá “sabor” à vida, um novo sabor de existir, uma maneira alegre de estar no mundo. A fé exprime-se no dom de si mesmo aos outros, na fraternidade que nos torna solidários, capazes de amar, vencedores da solidão que nos deixa tristes. Esse conhecimento de Deus através da fé não é só intelectual, mas vital. É o conhecimento do Deus-Amor, graças ao seu próprio amor. O amor de Deus mostra-nos, abre- nos os olhos, permite-nos conhecer toda a realidade, indo além das perspectivas estreitas do individualismo e do subjetivismo, que desorientam as consciências. O conhecimento de Deus é uma experiência de fé que implica, ao mesmo tempo, um caminho intelectual e moral: profundamente tocados pela presença do Espírito de Jesus em nós, superamos os horizontes do nosso egoísmo e abrimo-nos aos verdadeiros valores da existência…”

 

ANO DA FÉ



PARA REZAR

HINO DE VÉSPERAS I, SOLENIDADE DE CRISTO REI

Senhor do mundo e Rei dos corações,
A Vós louvor e glória eternamente!

Cristo, Filho Unigénito do Pai,
Seu esplendor, sua perfeita imagem,
Por Vós e para Vós tudo foi feito,
Sois o centro da história e do universo.

Deus de Deus, Luz de Luz, Verbo Divino,
Triunfador da morte e do pecado,
Ao vosso nome todos se ajoelham
Nas alturas, na terra e nos abismos.

Cruz é vosso trono verdadeiro,
Morrendo conquistastes nossas almas,
Reinais na santidade e na justiça,
Reinais no amor, na paz e na verdade.

Rei dos séculos, Príncipe da paz,
É vosso reino toda a Igreja santa,
Alimentai-nos com o vosso Corpo
E levai-nos ao Reino prometido.

SANTOS POPULARES



SANTO ELÓI

Elói (ou Elígio) nasceu na cidade de Chaptelat, perto de Limoges, em 588, na França.
Os seus pais, de origem franco-italiana, eram modestos camponeses cristãos, com princípios rígidos de honestidade e lealdade. Cuidaram de transmitir estes valores, com eficiência, ao seu filho. Com sabedoria e muito sacrifício, fizeram questão que ele estudasse, pois a sua única herança seria ter uma profissão. Por isso, ainda jovem, Elói começou a frequentar a escola de ourives de Limoges que era a mais conceituada da Europa daquela época e muito respeitada, ainda hoje. Quando concluiu a formação profissional, no grau de mestre, já era muito conhecido pela sua competência, integridade e honestidade. Tinha uma alma de monge e de artista, dedicando muito tempo ao silêncio, à contemplação e esmerava-se na perfeição do seu trabalho que encantava a todos. Fugia dos gastos com jogos e diversões; muito do que ganhava repartia com os pobres. Levava uma vida simples, austera e de muita oração. Por isso, os seus conterrâneos deram-lhe o apelido de "o Monge". A sua fama de honestidade profissional e simplicidade de vida chegou à Corte e aos ouvidos do rei Clotário II, em Paris. O rei decidiu contratar Elói para lhe fazer um trono de ouro e lhe deu a quantidade de metal que julgava ser suficiente. Mas, com aquela quantidade, Elói fez dois tronos e entregou-os ao rei. Admirado com a honestidade do artista, o rei convidou-o para ser guardião e administrador do tesouro real. Então, Elói foi residir na Corte, em Paris. Assumiu estes cargos e também o de mestre dos ourives do rei. Permaneceu nestes cargos mesmo depois da morte do soberano. Quando o herdeiro real, Dagoberto II, assumiu o trono, quis manter Elói na corte como seu colaborador, pois tinha por ele uma grande estima. Então, porque confiava nas suas capacidades e virtudes, nomeou-o seu conselheiro e seu embaixador. Elói, no exercício da sua profissão, realizou obras de arte importantes: o túmulo de São Martinho de Tours, o mausoléu de São Dionísio em Paris, o cálice de Cheles e outros trabalhos artísticos de cunho religioso. Mas, acima de tudo, Elói era um homem profundamente religioso. Nunca lhe faltou tempo e inspiração para as suas grandes obras de caridade, nem arte para se dedicar ao próximo, especialmente aos pobres e abandonados. O dinheiro que recebia pelos trabalhos na Corte, usava-o para resgatar prisioneiros de guerra; fundar e reconstruir mosteiros, masculinos e femininos; construir igrejas e para contribuir para o bem-estar espiritual e material dos mais necessitados. Em 639, o rei Dagoberto II morreu. Elói, então, deixou a Corte e entrou para a vida religiosa. Dois anos depois, foi consagrado bispo de Noyon, na região da Flandres. Como bispo, dedicou-se empenhadamente na evangelização e reevangelização do norte da França, da Holanda e da Alemanha, onde se tornou um dos protagonistas e se revelou um grande e zeloso pastor ao serviço da Igreja de Cristo. Durante os últimos dezanove anos da sua vida, o Bispo Elói viveu na pobreza e na piedade. Foi um incansável exemplo de humildade, de caridade e de mortificação. Antes dele, a região da sua diocese estava entregue ao paganismo e à idolatria. Com as suas pregações e as visitas que, frequentemente, fazia a todas as paróquias, o povo foi- se convertendo até que, um dia, todos estavam baptizados. Santo Elói morreu no dia 1 de Dezembro de 660, na Holanda, durante uma missão evangelizadora. A história da sua vida e da sua santidade espalhou-se rapidamente por toda a França, Itália, Holanda e Alemanha, graças ao seu amigo, bispo Aldoeno, que escreveu a sua biografia. A Igreja declarou-o santo e autorizou o seu culto, um dos mais antigos da cristandade. Santo Elói é o padroeiro dos joalheiros, dos ourives, dos cuteleiros, dos ferreiros, dos garagistas e dos metalúrgicos. Na Igreja Matriz de Santa Maria da Feira, há uma imagem de Santo Elói. Os “frades lóios” eram também conhecidos por “frades de Santo Elói”. A sua memória litúrgica faz-se no dia 1 de Dezembro.

segunda-feira, 19 de novembro de 2012

PALAVRAS DO PAPA



- na Audiência geral, no dia 14 de Novembro, em Roma.

No nosso tempo verifica-se um fenómeno particularmente perigoso para a fé: há uma forma de ateísmo que se define, precisamente, como "prático", que não nega as verdades da fé nem os rituais religiosos, mas, simplesmente, os considera irrelevantes para a existência quotidiana, desligados da vida, inúteis. Muitas vezes, acredita-se em Deus de modo superficial, e vive- se "como se Deus não existisse" . Este modo de vida leva à indiferença quanto à fé e quanto à questão de Deus. Na realidade, o homem separado de Deus reduz-se a uma única dimensão, a horizontal, e esse reducionismo é justamente uma das causas fundamentais dos totalitarismos que tiveram consequências trágicas no século passado, e da crise de valores que testemunhamos na realidade actual. Obscurecendo a referência a Deus, foi obscurecido também o horizonte ético, para dar espaço ao relativismo e a uma concepção ambígua de liberdade, que, em vez de ser libertadora, acaba por amarrar o homem a ídolos. As tentações que Jesus enfrentou no deserto, antes do seu ministério público, representam bem os "ídolos" que fascinam o homem quando ele não vai além de si mesmo. Quando Deus perde a centralidade, o homem perde o seu lugar, não encontra mais o seu lugar na criação, no relacionamento com os outros. Não desapareceu o que a sabedoria antiga evocava com o mito de Prometeu: o homem pensa que pode tornar-se "deus", mestre da vida e da morte. Diante deste quadro, a Igreja, fiel a Cristo, não deixa jamais de afirmar a verdade sobre o homem e sobre o seu destino. O Concílio Vaticano II afirma de forma sucinta: "A razão mais alta da dignidade do homem consiste na sua vocação à comunhão com Deus. Desde o seu nascimento, o homem já está convidado a conversar com Deus. Ele não existe, aliás, a não ser porque, criado por Deus por amor, é mantido por Ele também por amor, nem pode viver plenamente segundo a verdade se não O reconhecer livremente e não se confiar ao seu Criador "(Gaudium et Spes, 19).

ANO DA FÉ



Mensagem de Bento XVI aos participantes no Átrio dos Gentios em Portugal

Queridos amigos,
Com viva gratidão e afecto, saúdo todos os congregados no «Átrio dos Gentios», que se inaugura em Portugal, nos dias 16 e 17 de Novembro de 2012, reunindo crentes e não-crentes ao redor da aspiração comum de afirmar o valor da vida humana sobre a maré crescente da cultura da morte. Na realidade, a consciência da sacralidade da vida que nos foi confiada, não como algo de que se possa dispor livremente, mas como dom a guardar fielmente, pertence à herança moral da humanidade. «Mesmo entre dificuldades e incertezas, cada homem sinceramente aberto à verdade e ao bem, com a luz da razão e não sem o secreto influxo da graça, pode chegar a reconhecer na lei natural inscrita no coração (cf. Rm 2, 14-15) o valor sagrado da vida humana desde o primeiro momento do seu início até ao seu termo» (Enc. Evangelium vitæ, 2). Não somos produto casual da evolução, mas cada um de nós é fruto de um pensamento de Deus: somos amados por Ele. Mas, se a razão pode alcançar tal valor da vida, porquê invocar Deus nesta questão? Respondo citando uma experiência humana. A morte da pessoa amada é, para quem a ama, o acontecimento mais absurdo que se possa imaginar: aquela é incondicionalmente digna de viver, é bom e belo que exista (o ser, o bem e o belo, como diria um metafísico, equivalem-se transcendentalmente). Entretanto, a morte daquela mesma pessoa aparece, aos olhos de quem não ama, como um acontecimento natural, lógico (não absurdo). Quem tem razão? Aquele que ama («a morte desta pessoa é absurda») ou aquele que não ama («a morte desta pessoa é lógica»)? A primeira posição só é defensável, se cada pessoa for amada por um Poder infinito; e aqui está o motivo por que foi preciso apelar a Deus. De facto, quem ama não quer que a pessoa amada morra; e, se pudesse, impedi-lo-ia sempre. Se pudesse!… O amor finito é impotente; o Amor infinito é omnipotente. Ora, esta é a certeza que a Igreja anuncia: «Tanto amou Deus o mundo, que lhe entregou o seu Filho Unigénito, a fim de que todo o que nele crê não se perca, mas tenha a vida eterna» (Jo 3, 16). Sim! Deus ama cada pessoa e, por isso, é incondicionalmente digna de viver. «O sangue de Cristo, ao mesmo tempo que revela a grandeza do amor do Pai, manifesta como o homem é precioso aos olhos de Deus e como é inestimável o valor da sua vida» (Enc. Evangelium vitæ, 25). Na modernidade, porém, o homem quis subtrair-se ao olhar criador e redentor do Pai (cf. Gn 4, 14), fundando-se sobre si mesmo e não sobre o Poder divino. Quase como sucede nos edifícios de cimento armado sem janelas, onde é o homem que provê ao clima e à luz; e, no entanto, mesmo em tal mundo autoconstruído, vai-se beber aos «recursos» de Deus, que são transformados em produtos nossos. Que dizer então? É preciso tornar a abrir as janelas, olhar de novo a vastidão do mundo, o céu e a terra e aprender a usar tudo isto de modo justo. De facto, o valor da vida só se torna evidente, se Deus existe. Por isso, seria bom se os não-crentes quisessem viver «como se Deus existisse». Ainda que não tenham a força para acreditar, deviam viver na base desta hipótese; caso contrário, o mundo não funciona. Há tantos problemas que devem ser resolvidos, mas nunca o serão de todo, se Deus não for colocado no centro, se Deus não se tornar de novo visível no mundo e determinante na nossa vida. Aquele que se abre a Deus não se alheia do mundo e dos homens, mas encontra irmãos: em Deus caem os nossos muros de separação, somos todos irmãos, fazemos parte uns dos outros. Meus amigos, gostava de concluir com estas palavras do Concílio Vaticano II aos homens de pensamento e de ciência: «Felizes os que, possuindo a verdade, a procuram ainda a fim de a renovar, de a aprofundar, de a dar aos outros» (Mensagem, 8 de Dezembro de 1965). Tal é o espírito e a razão de ser do «Átrio dos Gentios». A vós, comprometidos de várias maneiras neste significativo empreendimento, manifesto o meu apoio e dirijo o meu mais sentido encorajamento. O meu afecto e a minha bênção vos acompanham hoje e no futuro.

Vaticano, 13 de novembro de 2012.

PARA REZAR



DO SALMO 16

Senhor, porção da minha herança e do meu cálice,
está nas vossas mãos o meu destino.
O Senhor está sempre na minha presença,
com Ele a meu lado não vacilarei.

Por isso o meu coração se alegra, e a minha alma exulta,
e até o meu corpo descansa tranquilo.
Vós não abandonareis a minha alma
na mansão dos mortos,
nem deixareis o vosso fiel sofrer a corrupção.

Dar-me-eis a conhecer os caminhos da vida,
alegria plena em vossa presença,
delícias eternas à vossa direita.

SANTOS POPULARES



BEATO MIGUEL PRÓ

Miguel Augustin Pró nasceu em Guadalupe de Zacatecas, no México, no dia 13 de Janeiro de 1891. Nasceu numa família simples de mineiros e foi o terceiro de onze filhos. Em casa era tratado por "Cocol". A sua família tinha profundos sentimentos religiosos e os pais transmitiram- nos aos seus filhos. Duas das suas irmãs tornaram-se religiosas conventuais. Miguel, desde criança, desejava ser sacerdote e, por isso, aos 20 anos entrou no noviciado da Companhia de Jesus, em El Lhano. Em 1914, por causa da perseguição religiosa promovida pelo governo mexicano, teve de fugir, refugiando-se na Califórnia, Estados Unidos da América. Logo de seguida, partiu para Granada, em Espanha, onde viveu de 1915 até 1919 e onde concluiu os seus estudos. Nos anos de 1919 a 1922, foi professor na Nicarágua. De volta ao México, defrontou- se com as tentativas do governo de exterminar a Igreja Católica, cujas escolas foram fechadas. A Igreja não mais poderia participar na educação dos mexicanos. Os padres perderam os seus direitos civis; foram proibidos de usar hábitos religiosos; perderam o seu direito ao voto e não poderiam, sob pena de prisão, dar entrevistas. Muitas destas disposições, foram caindo em desuso, mas só foram revogadas da legislação mexicana em 1998. Sendo impossível estudar teologia no México, Miguel partiu para a Bélgica onde terminou o seu curso teológico. Neste período, e por ser de frágil constituição física, a sua saúde deteriorou-se. Na Bélgica, foi ordenado sacerdote, em 31 de Agosto de 1925, e iniciou o seu ministério sacerdotal entre os mineiros de Charleroi. Três meses depois de ordenado, foi submetido a várias cirurgias por causa de problemas de úlcera no estômago. Depois de restabelecido, retornou ao México, em 1926. Alguns Estados mexicanos, como o Estado de Tabasco, tinham fechado todas as Igrejas e afastado todos os sacerdotes de qualquer serviço público, principalmente do ensino e das capelanias militares. Muitos sacerdotes foram forçados a casar- se e, por medo da morte ou da prisão, submeteram-se a esta imposição governamental. As missas estavam proibidas e, mesmo assim, o Padre Pró celebrava-as clandestinamente, usando roupas de operário: não tinha paramentos nem outros objectos sagrados. Usar a batina em público era denunciar a sua condição e correr o risco de ser preso. Celebrava a Eucaristia com pequenos grupos de católicos, escondidos em residências. A Igreja Católica do México tinha voltado à época do início da Igreja no Império Romano: às catacumbas. A vida cristã e o ministério do Padre Pró tinham-se tornado "subterrâneos". Nesse mesmo ano, 1926, foi preso pela polícia. Depois de rigoroso interrogatório, foi solto mas mantido sob vigilância apertada. Por essa altura, houve um atentado contra o ex-presidente Obregon que ficou levemente ferido. Um dos participante no atentado foi apanhado e preso. No interrogatório, confessou que o Padre Pró e dois dos seus irmãos, Humberto e Roberto, teriam participado no atentado. Nunca se soube como é que esse depoimento foi obtido. Na verdade, havia indícios de que os dois irmãos teriam participado do planeamento do atentado mas, reconhecidamente, o Padre Pró não sabia de nada. As autoridades mexicanas aproveitaram esta oportunidade para o eliminar, juntamente com os irmãos. Em processo sumário, sem julgamento legal e sem defesa, o ditador Elias Calles - fundador do Partido Nacional Revolucionário, de bases marxistas-leninistas e que governou o México de Dezembo de 1924 a 30 de Novembro de 1928 – determinou, no dia 13 de Novembro de 1927, que o Padre Pró fosse executado, sob o pretexto de ter participado no atentado. Mas, todos sabiam que, para o regime, o seu crime era o facto de ser sacerdote católico. Calles mandou fotografar todos os momentos da sua execução, pretendendo com isso intimidar os cristeros: cristãos que se tinham revoltado, em luta armada, contra os desmandos do regime totalitário e anti-cristão que vigorava no México. Estas fotografias acabaram por ser verdadeiros documentos comprovativos da tirania deste presidente. O Padre Pró abençoou os soldados que estavam encarregados de o executar. Estes ajoelharam-se e pediram-lhe perdão. O Padre tinha um crucifixo numa das mãos e um terço na outra. "Sei e vocês sabem que eu estou inocente. Mas que Deus os perdoe!", foram as suas palavras antes de abrir os braços em cruz, como Jesus no Gólgota, e gritar: "Viva Cristo, Rei”! Recebeu as rajadas no peito e caiu morto. Isto aconteceu no dia 23 de Novembro de 1927, na cidade do México. O Padre Miguel Pró tinha 36 anos e era sacerdote jesuíta. Os seus restos mortais repousam na Igreja da Sagrada Família, na cidade do México. Foi beatificado, como mártir da Igreja Católica, pelo papa João Paulo II, no dia 25 de Setembro de 1988. A sua memória litúrgica faz-se no dia 23 de Novembro, dia de sua execução.

segunda-feira, 12 de novembro de 2012

SEMANA DOS SEMINÁRIOS



- da Mensagem da Comissão Episcopal das Vocações e Ministérios

“ A Semana dos Seminários, de 11 a 18 de Novembro de 2012, oferece aos fiéis uma
oportunidade de aprofundamento sobre o mistério do padre e sobre o ministério que ele realiza na Igreja.
No contexto do Ano da Fé, somos convidados a avivar a nossa consciência acerca da condição sacerdotal de todo o Povo de Deus, radicada no mistério pascal de Jesus Cristo, que assumimos pelo Baptismo; ao mesmo tempo, afirmamos a teologia da Igreja acerca do sacerdócio ministerial, pelo qual alguns homens são associados à pessoa e missão de Cristo, Cabeça da Igreja (…).
A crise das vocações sacerdotais a que se assiste na Igreja é, sem dúvida, uma das consequências da erosão da fé cristã que, de forma errada, tem sido considerada “um pressuposto óbvio da vida diária”. Com razão nos incentiva o Papa Bento XVI “a redescobrir o caminho da fé para fazer brilhar, com evidência sempre maior, a alegria e o renovado entusiasmo do encontro com Cristo”. Toda a pastoral das vocações sacerdotais estará ao serviço da redescoberta do caminho da fé, em ordem ao encontro com Cristo. Quando este encontro se dá na alegria e no entusiasmo, surge a disponibilidade vocacional, pois, o que importa, nessa altura é a vivência fiel da fé e o serviço à comunidade cristã. Convidamos as comunidades cristãs a intensificar a oração pelas vocações sacerdotais, não somente na Semana dos Seminários, mas regular e longamente, numa corrente contínua que envolva todas as faixas etárias e todos os membros activos da Igreja. É pela oração que manifestamos a fé e a disponibilidade para aceitar a vocação e a vontade de Deus, especialmente na liturgia da Missa, participação sacramental no mistério de Cristo e na adoração eucarística, que lhe dá continuidade (…) Aos jovens que sentem o apelo no sentido do sacerdócio, encorajamos a avançar sem medo, confiados no amor que o Senhor lhes tem e abertos à urgência de pastores, ue sejam irmãos na fé e servidores da fé dos irmãos…”

PALAVRAS DO PAPA



- na Audiência geral, no dia 7 de Novembro, em Roma.

“… cada bem experimentado pelo homem conduz ao mistério que envolve o próprio homem; cada desejo que nasce no coração humano é eco de um desejo fundamental que jamais será plenamente satisfeito. É verdade que este desejo profundo - que esconde também algo de enigmático - não faz chegar directamente à fé. O homem conhece bem o que o não satisfaz, mas não pode imaginar ou definir o que é que o levaria a experimentar a autêntica felicidade que o seu coração anseia e deixa nele um vazio de saudade. Não é possível conhecer Deus apenas a partir do desejo do homem. Deste ponto de vista surge o mistério: o homem é um buscador do Absoluto, um buscador com passos pequenos e incertos. E, todavia, a experiência do desejo, do “coração inquieto” como o chamava Santo Agostinho, já é significativa. Isso atesta que o homem é, no fundo, um ser religioso (cfr Catecismo da Igreja Católica, 28), um “mendigo de Deus”. Podemos dizer com as palavras de Pascal: “O homem supera infinitamente o homem” (Pensamentos, Ed Chevalier 438; Ed Brunschvicg 434). Os olhos reconhecem os objectos quando estes são iluminados pela luz. Daí o desejo de conhecer a própria luz, que faz brilhar as coisas do mundo e com ela acende o sentido da beleza…”

ANO DA FÉ


“…Possa este Ano da Fé tornar cada vez mais firme a relação com Cristo Senhor, dado que só n’Ele temos a certeza para olhar o futuro e a garantia dum amor autêntico e duradouro. As seguintes palavras do apóstolo Pedro lançam um último jorro de luz sobre a fé: «É por isso que exultais de alegria, se bem que, por algum tempo, tenhais de andar aflitos por diversas provações; deste modo, a qualidade genuína da vossa fé – muito mais preciosa do que o ouro perecível, por certo também provado pelo fogo – será achada digna de louvor, de glória e de honra, na altura da manifestação de Jesus Cristo. Sem O terdes visto, vós O amais; sem O ver ainda, credes n’Ele e vos alegrais com uma alegria indescritível e irradiante, alcançando assim a meta da vossa fé: a salvação das almas» (1 Ped 1, 6-9). A vida dos cristãos conhece a experiência da alegria e a do sofrimento. Quantos Santos viveram na solidão! Quantos crentes, mesmo nos nossos dias, provados pelo silêncio de Deus, cuja voz consoladora queriam ouvir! As provas da vida, ao mesmo tempo que permitem compreender o mistério da Cruz e participar nos sofrimentos de Cristo (cf. Cl 1, 24), são prelúdio da alegria e da esperança a que a fé conduz: «Quando sou fraco, então é que sou forte» (2 Cor 12, 10). Com firme certeza, acreditamos que o Senhor Jesus derrotou o mal e a morte. Com esta confiança segura, confiamo-nos a Ele: Ele, presente no meio de nós, vence o poder do maligno (cf. Lc 11, 20); e a Igreja, comunidade visível da sua misericórdia, permanece n’Ele como sinal da reconciliação definitiva com o Pai…” (Bento XVI, Porta Fidei, nº 15)

PARA REZAR



DO SALMO 146

Feliz de quem tem por auxílio o Deus de Jacob,
de quem põe a sua esperança no Senhor, seu Deus.
Ele criou os céus, a terra e o mar
e tudo o que neles existe.
Ele é eternamente fiel à sua palavra;
salva os oprimidos, dá pão aos que têm fome;
o Senhor liberta os prisioneiros.
O Senhor dá vista aos cegos,
o Senhor levanta os abatidos;
o Senhor ama o homem justo.

O Senhor protege os que vivem em terra estranha
e ampara o órfão e a viúva,
mas entrava o caminho aos pecadores.
O Senhor reinará eternamente!
O teu Deus, ó Sião, reinará por todas as gerações!

 

SANTOS POPULARES



SANTA ISABEL DA HUNGRIA

Isabel era a filha do rei André II, da Hungria, e da rainha Gertrudes, de Merano, actualmente território da Itália. Nasceu no ano de 1207, e naquele momento foi dada como esposa a Luís, príncipe da Turíngia, actual Alemanha. Desde os quatro anos viveu no castelo do futuro marido, onde foram educados juntos. O jovem príncipe Luís amava verdadeiramente Isabel, que se tornava cada dia mais bonita, amável e modesta. Ambos eram católicos fervorosos. Luís admirava a noiva, amável nas palavras e atitudes, que vivia em orações e era generosa em caridade com pobres e doentes. A mãe de Luís não gostava da devoção da sua futura nora, e tentou convencer o filho a desistir do casamento, alegando que Isabel seria uma rainha inadequada politicamente. A própria corte a perseguia por causa do seu desapego e simplicidade cristã. Mas Luís foi categórico ao dizer preferir abdicar do trono a desistir de Isabel. Certamente, amava-a muito. No castelo de Wartenburg, quando atingiu a maioridade, foi corado rei e casou- se com Isabel, que se tornou rainha aos catorze anos de idade. Ela foi a única soberana que se recusou a usar a coroa, símbolo da realeza, durante a cerimónia realizada na Igreja. Alegou que, diante do nosso Rei coroado de espinhos, não poderia usar uma coroa tão preciosa. Foi assim que, o próprio rei Luís IV, solidário com esta sua decisão, tornou-se rei decidindo, também, não usar a sua coroa diante de Cristo. Foi um casamento muito feliz. O Rei era sincero, paciente, inspirava confiança e era amado pelo seu povo. Nunca colocou obstáculos à vida de oração, penitência e caridade da rainha Isabel, sendo, ao contrário, seu incentivador. Em Marburg, Isabel construiu o Hospital de São Francisco de Assis para os pobres e os doentes leprosos. Além disso, ajudava, com o seu próprio dinheiro, muitos asilos e orfanatos, os quais visitava com frequência. Aos seis anos de casamento, a rainha Isabel ficou viúva e com três filhos pequenos. O rei Luís IV, participando numa das cruzadas, morreu antes de poder voltar para a Alemanha. A partir de então, as perseguições da Corte contra ela aumentaram. A tolerância quanto à sua caridade e dedicação religiosa acabou de vez. E o cunhado, para assumir o poder, expulsou-a do palácio, juntamente com os seus três filhos, ainda crianças e reais herdeiros do trono da Turíngia. Então, Isabel ingressou na Ordem Terceira de São Francisco e dedicou-se à vida de religião e à assistência aos leprosos, no hospital que ela mesma havia construído. Quando os cruzados, que acompanhavam o seu marido, retornaram à Alemanha, ficaram indignados ao constatar como a rainha viúva e os herdeiros haviam sido tratados. Conseguiram que a rainha Isabel reassumisse o trono, que depois entregou ao seu filho, na maioridade. Isabel da Hungria, tia avó da Rainha Santa Isabel de Portugal, faleceu no dia 17 de Novembro de 1231, em Marburg, Alemanha, com apenas vinte e quatro anos de idade. Quatro anos depois, em 1235, foi canonizada pelo papa Gregório IX. A sua memória litúrgica faz-se a 17 de Novembro.

quarta-feira, 7 de novembro de 2012

OBRAS NA IGREJA MATRIZ


 Depois das obras de consolidação e restauro da estrutura da Igreja Matriz de Santa Maria da Feira, era urgente dar uma atenção especial aos altares, talhas e imagens que precisam de profundas e cuidadas obras de restauro. O nosso projecto contempla o restauro dos 9 (nove!) altares da Igreja Matriz. Começamos pelo Altar-Mor. Estão a decorrer os trabalhos que foram confiados à Escola das Artes da Universidade Católica do Porto. Estas obras exigem, de todos os intervenientes, grande qualidade profissional, técnica e artística. A Escola das Artes responde aos requisitos necessários e merece a maior credibilidade. Para podermos concretizar este projecto, precisamos da ajuda e colaboração de todos. Contamos com a vossa generosidade. A vossa oferta pode ser enviada à Paróquia de Santa Maria da Feira. Os nossos agradecimentos e as nossas orações.

CENTRO DE PREPARAÇÃO PARA O MATRIMÓNIO




SANTA MARIA DA FEIRA
 
O matrimónio católico é um projecto de grande beleza e elevação. Quando vivido no amor fiel, torna-se fonte de felicidade para os cônjuges, para as suas famílias e para os filhos que, porventura, vierem a nascer do casal.
O matrimónio é um acontecimento que precisa de ser pensado e preparado.
O Centro de Preparação para o Matrimónio de Santa Maria da Feira é constituído por um grupo de casais que pretende ajudar os noivos a tomar consciência da verdadeira dimensão do matrimónio.
O trabalho da equipa de casais com os noivos tem como objetivos:
Provocar o diálogo entre os noivos;
Testemunhar que é possível a duas pessoas diferentes que se amam:
• vencerem todas as dificuldade da vida
• superarem as eventuais crises
• viverem um matrimónio uno e indissolúvel
Evidenciar a importância do Sacramento do matrimónio, através do qual Deus concede ao casal os auxílios necessários, não dispensando, porém, a colaboração de cada um.
Próximo CPM : Dias 19, 20 e 21 de Abril de 2013
Os interessados deverão efectuar a sua inscrição, solicitando uma ficha de inscrição para o e-
mail: cpmfeira@gmail.com.
O Casal Responsável: M.ª Emília Melo e Mário Coelho

segunda-feira, 5 de novembro de 2012

PALAVRAS DO PAPA



- na Audiência geral, no dia 31 de Outubro, em Roma.

“…Hoje gostaria de dar outro passo na nossa reflexão, começando, mais uma vez, por algumas perguntas: a fé tem um carácter somente pessoal, individual? Interessa somente à minha pessoa? Vivo a minha fé sozinho? Vejamos: O acto de fé é um acto eminentemente pessoal, que vem do íntimo mais profundo e sinaliza uma troca de direcção, uma conversão pessoal: é a minha existência que recebe uma mudança, uma orientação nova. Na Liturgia do Baptismo, no momento das promessas, o celebrante pede para manifestar a fé católica e formula três perguntas: crês em Deus, Pai omnipotente? Crês em Jesus Cristo, seu único Filho? Crês no Espírito Santo? Antigamente, estas perguntas eram feitas pessoalmente àqueles quem iam receber o Baptismo, antes que imergissem, por três vezes, na água. E, também hoje, a resposta é no singular: ‘Creio”. Mas, este meu crer não é resultado de uma reflexão minha, solitária; não é o produto de um pensamento meu, mas é fruto de uma relação, de um diálogo, no qual há um escutar, um receber e um responder; é o comunicar com Jesus que me faz sair do meu “eu”, fechado em mim mesmo, para abrir-me ao amor de Deus Pai. É como um renascimento no qual me descubro unido não somente a Jesus, mas também a todos aqueles que caminharam e caminham pela mesma via; e este novo nascimento, que inicia com o Baptismo, continua ao longo de todo o percurso da existência. Não posso construir a minha fé pessoal num diálogo privado com Jesus, porque a fé é-me dada por Deus através de uma comunidade que crê, que é a Igreja, e me insere, assim, na multidão dos crentes, numa comunhão que não é somente sociológica, mas enraizada no amor eterno de Deus que, em Si mesmo, é comunhão do Pai, do Filho e do Espírito Santo; é Amor trinitário. A nossa fé é realmente pessoal na medida em que for também comunitária: a “minha” fé só existe e tem sentido se for vivida e testemunhada no “nós” da Igreja; a “minha” fé só é verdadeira fé católica se for expressão da fé comum da única Igreja…” ( Zenit )

ANO DA FÉ



Ao longo deste tempo, manteremos o olhar fixo em Jesus Cristo, «autor e consumador da fé» (Heb 12, 2): n’Ele, encontra plena realização toda a ânsia e anélito do coração humano. A alegria do amor, a resposta ao drama da tribulação e do sofrimento, a força do perdão face à ofensa recebida e a vitória da vida sobre o vazio da morte, tudo isto encontra plena realização no mistério da sua Encarnação, do seu fazer-Se homem, do partilhar connosco a fragilidade humana para a transformar com a força da sua ressurreição. N’Ele, morto e ressuscitado para a nossa salvação, encontram plena luz os exemplos de fé que marcaram estes dois mil anos da nossa história de salvação. Pela fé, Maria acolheu a palavra do Anjo e acreditou no anúncio de que seria Mãe de Deus na obediência da sua dedicação (cf. Lc 1, 38). Ao visitar Isabel, elevou o seu cântico de louvor ao Altíssimo pelas maravilhas que realizava em quantos a Ele se confiavam (cf. Lc 1, 46-55). Com alegria e trepidação, deu à luz o seu Filho unigénito, mantendo intacta a sua virgindade (cf. Lc 2, 6-7). Confiando em José, seu Esposo, levou Jesus para o Egipto a fim de O salvar da perseguição de Herodes (cf. Mt 2, 13-15). Com a mesma fé, seguiu o Senhor na sua pregação e permaneceu ao seu lado mesmo no Gólgota (cf. Jo 19, 25- 27). Com fé, Maria saboreou os frutos da ressurreição de Jesus e, conservando no coração a memória de tudo (cf. Lc 2, 19.51), transmitiu-a aos Doze reunidos com Ela no Cenáculo para receberem o Espírito Santo (cf. Act 1, 14; 2, 1-4). Pela fé, os Apóstolos deixaram tudo para seguir o Mestre (cf. Mc 10, 28). Acreditaram nas palavras com que Ele anunciava o Reino de Deus presente e realizado na sua Pessoa (cf. Lc 11, 20). Viveram em comunhão de vida com Jesus, que os instruía com a sua doutrina, deixando-lhes uma nova regra de vida pela qual haveriam de ser reconhecidos como seus discípulos depois da morte d’Ele (cf. Jo 13, 34-35). Pela fé, foram pelo mundo inteiro, obedecendo ao mandato de levar o Evangelho a toda a criatura (cf. Mc 16, 15) e, sem temor algum, anunciaram a todos a alegria da ressurreição, de que foram fiéis testemunhas. Pela fé, os discípulos formaram a primeira comunidade reunida à volta do ensino dos Apóstolos, na oração, na celebração da Eucaristia, pondo em comum aquilo que possuíam para acudir às necessidades dos irmãos (cf. Act 2, 42-47). Pela fé, os mártires deram a sua vida para testemunhar a verdade do Evangelho que os transformara, tornando-os capazes de chegar até ao dom maior do amor com o perdão dos seus próprios perseguidores. Pela fé, homens e mulheres consagraram a sua vida a Cristo, deixando tudo para viver em simplicidade evangélica a obediência, a pobreza e a castidade, sinais concretos de quem aguarda o Senhor, que não tarda a vir. Pela fé, muitos cristãos se fizeram promotores de uma acção em prol da justiça, para tornar palpável a palavra do Senhor, que veio anunciar a libertação da opressão e um ano de graça para todos (cf. Lc 4, 18-19). Pela fé, no decurso dos séculos, homens e mulheres de todas as idades, cujo nome está escrito no Livro da vida (cf. Ap 7, 9; 13, 8), confessaram a beleza de seguir o Senhor Jesus nos lugares onde eram chamados a dar testemunho do seu ser cristão: na família, na profissão, na vida pública, no exercício dos carismas e ministérios a que foram chamados. Pela fé, vivemos também nós, reconhecendo o Senhor Jesus vivo e presente na nossa vida e na história. (Bento XVI, Porta Fidei, nº 13)

PARA REZAR



DO SALMO 18

Eu te amo, ó Senhor, minha força.
O Senhor é a minha rocha, fortaleza e protecção;
o meu Deus é o abrigo em que me refugio,
o meu escudo, o meu baluarte de defesa.
 
Invoquei o Senhor, que é digno de louvor,
e fui salvo dos meus inimigos
Viva o Senhor! Bendito seja o meu protector!
Glorificado seja o Deus que é a minha salvação!
Por isso, eu te louvarei, Senhor, entre os povos
e cantarei hinos ao teu nome.
Deus dá grandes vitórias ao seu rei
e usa de bondade com o seu ungido.

 

SANTOS POPULARES



SÃO NUNO DE SANTA MARIA ( SANTO CONDESTÁVEL )

Nuno Álvares Pereira nasceu em Portugal a 24 de Junho de 1360, muito provavelmente em Cernache do Bonjardim. Era filho ilegítimo de fr. Álvaro Gonçalves Pereira, cavaleiro dos Hospitalários de S. João de Jerusalém e Prior do Crato, e de D. Iria Gonçalves do Carvalhal. Cerca de um ano após o seu nascimento, o menino foi legitimado por decreto real, podendo assim receber a educação cavalheiresca típica dos filhos das famílias nobres do seu tempo. Aos treze anos torna-se pajem da rainha D. Leonor, tendo sido bem recebido na Corte e acabando por ser, pouco depois, armado cavaleiro. Aos dezasseis anos casa-se, por vontade do seu pai, com uma jovem e rica viúva, D. Leonor de Alvim. Da sua união nascem três filhos: dois do sexo masculino - que morrem em tenra idade - e uma do sexo feminino, Beatriz, a qual, mais tarde, viria a desposar o filho do rei D. João I, D. Afonso, primeiro duque de Bragança. Quando o rei D. Fernando I morreu, a 22 de Outubro de 1383, sem ter deixado filhos varões, o seu irmão D. João, Mestre de Avis, viu-se envolvido na luta pela coroa lusitana, que lhe era disputada pelo rei de Castela por ter desposado a filha do falecido rei. Nuno tomou o partido de D. João, que o nomeou Condestável do reino, isto é, Comandante supremo do exército. Nuno conduziu o exército português, repetidas vezes, à vitória, até se ter consagrado na batalha de Aljubarrota (14 de Agosto de 1385), a qual acaba por determinar à resolução do conflito. Os dotes militares de Nuno eram, no entanto, acompanhados por uma espiritualidade sincera e profunda. O amor pela Eucaristia e pela Virgem Maria são a trave-mestra da sua vida interior. Assíduo à oração mariana, jejuava em honra da Virgem Maria às quartas-feiras, às sextas, aos sábados e nas vigílias das suas festas. Assistia diariamente à missa, embora só pudesse receber a eucaristia por ocasião das maiores solenidades. O estandarte que elegeu como insígnia pessoal traz as imagens do Crucificado, de Maria e dos cavaleiros S. Tiago e S. Jorge. Fez ainda construir, às suas próprias custas, numerosas igrejas e mosteiros, entre os quais se contam o Convento do Carmo, em Lisboa, e a Igreja de S. Maria da Vitória, na Batalha. Com a morte da esposa, em 1387, Nuno recusa contrair novas núpcias, tornando-se um modelo de pureza de vida. Quando, finalmente, se alcançou a paz, distribui grande parte dos seus bens entre os seus companheiros, antigos combatentes, e acabou por se desfazer totalmente daqueles que lhe restavam em 1423, quando decide entrar no convento carmelita por ele fundado, tomando então o nome de frei Nuno de Santa Maria. Impelido pelo Amor, abandona as armas e o poder para revestir-se da armadura do Espírito recomendada pela Regra do Carmo: era a opção por uma mudança radical de vida em que sela o percurso da fé autêntica que sempre o tinha norteado. Embora tivesse preferido retirar-se para uma longínqua comunidade de Portugal, o filho do rei, D. Duarte, de tal o impediu. Mas ninguém pode proibir-lhe que se dedicasse a pedir esmola em favor do convento e sobretudo dos pobres, os quais continuou sempre a assistir e a servir. Em seu favor organiza a distribuição quotidiana de alimentos, nunca voltando as costas a um pedido. O Condestável do rei de Portugal, o Comandante supremo do exército e seu guia vitorioso, o fundador e benfeitor da comunidade carmelita, ao entrar no convento recusa todos os privilégios e assume como própria a condição mais humilde, a de frade Donato, dedicando-se totalmente ao serviço do Senhor, de Maria - a sua terna Padroeira que sempre venerou -, e dos pobres, nos quais reconhece o rosto de Jesus. Significativo foi o dia da morte de frei Nuno de Santa Maria: o domingo de Páscoa, 1 de Abril de 1431. Passou imediatamente a ser chamado de “santo” pelo povo, que desde então o começa a invocar como o “Santo Condestável”. Em 1894, o Pe. Anastasio Ronci, postulador geral dos Carmelitas, consegue introduzir o processo para o reconhecimento do culto do Beato Nuno “desde tempos imemoriais”, acabando este por ser felizmente concluído, apesar das dificuldades próprias do tempo em que decorre, no dia 23 de Dezembro de 1918 com o decreto Clementissimus Deus do Papa Bento XV. Foi canonizado pelo Papa Bento XVI, no dia 26 de Abril de 2009. Na homilia da Missa, disse o Papa: «… "Sabei que o Senhor me fez maravilhas. Ele me ouve, quando eu o chamo" (Sl 4, 4). Estas palavras do Salmo Responsorial exprimem o segredo da vida do bem-aventurado Nuno de Santa Maria, herói e santo de Portugal. Os setenta anos da sua vida situam-se na segunda metade do século XIV e primeira do século XV, que viram aquela nação consolidar a sua independência de Castela e estender-se depois pelos Oceanos – não sem um desígnio particular de Deus – abrindo novas rotas que haviam de propiciar a chegada do Evangelho de Cristo até aos confins da terra. São Nuno sente-se instrumento deste desígnio superior e alistado na militia Christi, ou seja, no serviço de testemunho que cada cristão é chamado a dar no mundo. Características dele são uma intensa vida de oração e absoluta confiança no auxílio divino. Embora fosse um óptimo militar e um grande chefe, nunca deixou os dotes pessoais sobreporem-se à acção suprema que vem de Deus. São Nuno esforçava-se por não pôr obstáculos à acção de Deus na sua vida, imitando Nossa Senhora, de Quem era devotíssimo e a Quem atribuía publicamente as suas vitórias. No ocaso da sua vida, retirou-se para o Convento do Carmo por ele mandado construir. Sinto-me feliz por apontar à Igreja inteira esta figura exemplar nomeadamente pela presença duma vida de fé e oração em contextos aparentemente pouco favoráveis à mesma, sendo a prova de que em qualquer situação, mesmo de carácter militar e bélico, é possível actuar e realizar os valores e princípios da vida cristã, sobretudo se esta é colocada ao serviço do bem comum e da glória de Deus. » (vatican.va)

quarta-feira, 31 de outubro de 2012

CATEQUESE





FESTA DO ACOLHIMENTO

As crianças do 1º ano da catequese da Igreja Matriz foram acolhidas pela comunidade, na celebração da Eucaristia deste Sábado, dia 27 de Outubro. Na simplicidade deste acolhimento, quisemos manifestar a nossa alegria porque Deus, nosso Pai, continua a impulsionar as famílias para o testemunho da fé, para a formação cristã dos seus filhos e para a corresponsabilidade na educação integral das crianças. A presença dos pais é fundamental para a transmissão da fé às gerações mais jovens. No abraço deste acolhimento, confiamos a Jesus a decisão destas crianças, que querem conhecê-l’O melhor para viverem de acordo com os Seus ensinamentos.