PALAVRA COM SENTIDO

PALAVRA COM SENTIDO

“…Hás-de temer o Senhor, teu Deus…” (cf. Deuteronómio 6, 2)

Só Deus é Deus e Senhor. E não há outro Deus a quem amar, servir, adorar, acreditar, rezar, agradecer… Temer o Senhor não é ‘ter medo de Deus’. Não precisamos ter medo de Deus: Ele é amor, perdão, misericórdia, alegria, paz, salvação e esperança… Temer o Senhor é reconhecer a grandeza do seu poder; a santidade do seu nome; a ternura que nos dedica; a alegria da vida que nos oferece. Temer o Senhor é acolher a sua Palavra; cumprir os seus mandamentos; responder com fidelidade aos seus apelos; confiar na sua promessa e anunciá-la com a bondade dos nossos gestos. Quem ‘teme a Deus’ procura fazer tudo para não pecar contra ele; fazer nascer no coração o receio e a tristeza de o poder ofender. O apelo feito pela palavra de Deus aponta-nos o caminho da verdade, da justiça, da caridade, da compaixão. Uma grande exigência que nos trará a felicidade e a bênção.

domingo, 24 de fevereiro de 2013

ÚLTIMO “ANGELUS” DO PAPA BENTO XVI



Às 12h horas deste Domingo, 24 de Fevereiro, o Santo Padre Bento XVI presidiu à oração do seu último “Angelus” com os fiéis que se reuniram para rezar e agradecer o seu Ministério Apostólico, na aproximação da sua despedida. Antes da oração, o Papa dirigiu-se à multidão de féis que enchia, por completo, a Praça de São Pedro, em Roma:

“Queridos irmãos e irmãs!
No segundo domingo da Quaresma, a liturgia sempre nos apresenta o Evangelho da Transfiguração do Senhor. O evangelista Lucas coloca especial atenção no facto de que Jesus foi transfigurado enquanto orava. Esta sua oração é uma profunda experiência de relacionamento com o Pai vivida durante uma espécie de retiro espiritual, num alto monte, na companhia de Pedro, Tiago e João , os três discípulos sempre presentes nos momentos da manifestação divina do Mestre. O Senhor, que pouco antes havia predito a sua morte e ressurreição, oferece aos seus discípulos uma antecipação da sua glória. E também na Transfiguração - como no baptismo - ouvimos a voz do Pai Celeste: "Este é o meu filho; o meu eleito; escutai-o". A presença de Moisés e Elias, representando a Lei e os Profetas da Antiga Aliança, é muito significativa: toda a história da Aliança está focada Nele, o Cristo, que faz um novo "êxodo", não para a terra prometida, como no tempo de Moisés, mas para o céu. A ntervenção de Pedro: "Mestre, como é bom estarmos aqui" representa a tentativa impossível de parar esta experiência mística. Santo Agostinho diz: "[Pedro] ... no monte... tinha Cristo como alimento da alma. Por que deveria descer para voltar aos trabalhos e dores, enquanto lá em cima estava cheio de sentimentos de santo amor por Deus e que inspiravam-lhe uma santa conduta? " Meditando sobre esta passagem do Evangelho, podemos tirar um ensinamento muito importante. Primeiro, o primado da oração, sem a qual todo o trabalho do apostolado e da caridade é reduzido ao activismo. Na Quaresma, aprendemos a dar o justo tempo à oração, pessoal e comunitária, que dá fôlego à nossa vida espiritual. Além disso, a oração não é um isolar-se do mundo e das suas contradições, como Pedro quis fazer no Tabor, mas a oração traz- nos de volta para o caminho, para a acção. "A existência cristã – como escrevi na Mensagem para esta Quaresma – consiste num contínuo subir ao monte do encontro com Deus, para depois descer trazendo o amor e a força que provém dele, a fim de servir os nossos irmãos e irmãs com o mesmo amor de Deus " Queridos irmãos e irmãs, sinto essa Palavra de Deus especialmente dirigida a mim, neste momento da minha vida. O Senhor chama-me para “subir ao monte”, para me dedicar ainda mais à oração e à meditação. Mas isto não significa abandonar a Igreja; pelo contrário, se Deus me pede isso é para que eu a possa continuar a servir com a mesma dedicação e o mesmo amor, como o fiz até hoje, mas de um modo mais adequado à minha idade e às minhas forças. Invoquemos a intercessão da Virgem Maria: que ela nos ajude a seguir, sempre, o Senhor Jesus, na oração e nas obras de caridade”.

Depois da oração do “Angelus” o Santo Padre dirigiu, aos peregrinos de língua portuguesa, as seguintes palavras:

“Queridos peregrinos de língua portuguesa que viestes rezar comigo o “Angelus”: obrigado pela vossa presença e por todas as manifestações de afecto e de solidariedade e, em particular, pelas orações com que me estais a acompanhar nestes dias. Que o bom Deus vos cumule de todas as bênçãos.”

RENÚNCIA DO PAPA BENTO XVI



Na próxima Quinta-Feira, dia 28 de Fevereiro, chega ao fim o pontificado de Bento XVI. Por razões de saúde e do peso da sua já frágil idade, Bento XVI renunciou ao mandato que lhe foi conferido pelo Espírito, na Igreja. O último gesto público do pontificado de Bento XVI será a saudação à população, na residência de Castel Gandolfo, nos arredores de Roma, na tarde deste dia. Bento XVI ficará a residir neste Palácio Apostólico - habitualmente usado pelo papa como residência de férias - até que esteja pronto o Mosteiro, dentro do Vaticano, que será o lugar do seu recolhimento. Bento XVI vai ser recebido em Castel Gandolfo pelo presidente e pelo secretário do governo do Estado da Cidade do Vaticano, respectivamente cardeal Giuseppe Bertello e D. Giuseppe Sciacca, assim como pelo presidente do Município e outras autoridades civis.
A saudação na varanda do palácio apostólico conclui este momento público, que antecede o final do pontificado, marcado para as 20h00 locais (19h00 de Portugal). Durante a Sede Vacante, cessam as suas funções o Secretário de Estado da Santa Sé, os Prefeitos, os Presidentes dos Dicastérios e todos os seus membros. O governo da Igreja ficará ao cuidado do Colégio dos Cardeais. O exercício deste governo faz-se, colegialmente, através de dois tipos de reunião dos cardeais: a “congregação geral”, em que todos participam; e a “congregação particular”, reservada a questões de menor importância, composta pelo cardeal camerlengo e mais três prelados, sorteados a cada três dias e de cada uma das ordens cardinalícias (diaconal, presbiteral e episcopal). Depois da efectivação da sua renúncia, Bento XVI continuará a poder ser chamado de “Santidade” mas terá o título de “Bispo Emérito de Roma”, já que o papa é o Bispo de Roma.

PALAVRAS DO PAPA



- na Homilia de 25 de Janeiro de 2013, memória da Conversão de São Paulo

“…Na sociedade contemporânea, parece que a mensagem cristã incide cada vez menos na vida pessoal e comunitária; e isto representa um desafio para todas as Igrejas e Comunidades eclesiais. A unidade é em si mesmo um instrumento privilegiado, como que um pressuposto para anunciar, de modo cada vez mais credível, a fé a quantos ainda não conhecem o Salvador ou que, embora tendo recebido o anúncio do Evangelho, quase esqueceram este dom inestimável. O escândalo da divisão que impedia a actividade missionária foi o impulso que depois deu início ao movimento ecuménico como hoje o conhecemos. Com efeito, a comunhão plena e visível entre os cristãos deve ser entendida como uma característica fundamental para um testemunho ainda mais claro. Então, enquanto nos encontramos a caminho da unidade plena, é necessário fomentar uma colaboração concreta entre os discípulos de Cristo em prol da causa da transmissão da fé ao mundo contemporâneo. Hoje, há grande necessidade de reconciliação, de diálogo e de compreensão recíproca, numa perspectiva não moralista, mas precisamente em nome da autenticidade cristã, para uma presença mais incisiva na realidade do nosso tempo… A nossa busca de unidade na verdade e no amor nunca deve perder de vista a percepção de que a unidade dos cristãos constitui uma obra e um dom do Espírito Santo, e vai muito além dos nossos esforços. Por conseguinte, o ecumenismo espiritual, especialmente a oração, é o coração do compromisso ecuménico (cf. Decreto Unitatis redintegratio, 8). Todavia, o ecumenismo não dará frutos duradouros, se não for acompanhado por gestos concretos de conversão que despertem as consciências e favoreçam a purificação das recordações e das relações. Como afirma o Decreto do Concílio Vaticano II sobre o ecumenismo, «não existe um ecumenismo verdadeiro sem a conversão interior». Uma conversão autêntica, como a que o profeta Miqueias sugere e da qual o apóstolo Paulo é um exemplo significativo, levar-nos-á para mais perto de Deus, do centro da nossa vida, de maneira a aproximar-nos, em maior medida, também uns dos outros. Trata-se de um elemento fundamental do nosso compromisso ecuménico. A renovação da vida interior do nosso coração e da nossa mente, que se reflecte na vida quotidiana, é crucial em cada diálogo e caminho de reconciliação, fazendo do ecumenismo um compromisso recíproco de compreensão, respeito e amor, «a fim de que o mundo creia» (Jo 17, 21)…”

 

PARA REZAR



SALMO 27

O Senhor é minha luz e salvação:
de quem terei medo?
O Senhor é o baluarte da minha vida:
quem me assustará?

Ouve, Senhor, a voz da minha súplica,
tem compaixão de mim e responde-me.
O meu coração murmura por ti,
os meus olhos te procuram;
é a tua face que eu procuro, Senhor.

Não desvies de mim o teu rosto,
nem afastes, com ira, o teu servo.
Tu és o meu amparo: não me rejeites nem abandones,
ó Deus, meu salvador!

Creio, firmemente, vir a contemplar
a bondade do Senhor, na terra dos vivos.
Confia no Senhor!
Sê forte e corajoso, e confia no Senhor!

SANTOS POPULARES



SANTA INÊS DA BOÉMIA

Inês (Anezka) era filha de Premysl Otocar I, um rei forte e ambicioso, e de Constância, da dinastia Arpad, da Hungria. Por parte do pai, Inês era descendente da famosa família dos Santos Ludmila e Venceslau. Santa Isabel da Hungria era sua prima; Santa Edviges foi sua tia-avó, e Santa Margarida da Hungria foi sua sobrinha. Inês nasceu, em 1202, na cidade de Praga, actual capital da Checa. Como era costume na época medieval, os casamentos eram tratados entre as famílias, garantindo alianças, interesses, poder. Ainda criança, Inês foi prometida em casamento a Henrique VII, rei da Silésia e da Alemanha. Com três anos de idade, foi enviada – juntamente com Ana, a sua irmã mais velha – para o Mosteiro de Trebnica, em Breslau, onde era monja a sua tia Edviges ( Santa Edviges ) que se tornou sua educadora. Aos seis anos, foi transferida para o Mosteiro de Doksany, onde aprendeu a escrever. O compromisso matrimonial com o filho do Imperador Frederico II, tirou Inês, aos oito anos, da tranquilidade do Mosteiro e transferiu-a para o ambiente mundano da Corte de Viena, onde deveria receber a educação digna de uma futura imperatriz. Mais tarde, com o seu noivado desfeito, por razões de desentendimentos políticos do seu pai, foi objecto de interesse de vários pretendentes nobres, e inclusive, do próprio Imperador Frederico II, que ficara viúvo. Porém, Inês havia já decidido consagrar a sua vida a Jesus Cristo e, com decisão e firmeza, não aceitou casar-se. Inês – que ouvira falar das novas formas de vida religiosa que estavam a surgir naquela época, em Itália, com São Francisco e Santa Clara de Assis - sentiu-se profundamente atraída pelo movimento franciscano. Às suas custas, a nobre princesa mandou construir uma igreja para os Frades Menores (franciscanos) e um hospital para os doentes pobres, onde ela mesma se dedicava a cuidar deles. As duas construções foram dedicadas a São Francisco. O hospital foi confiado aos Crucíferos da Estrela Vermelha, que depois se tornou numa ordem religiosa com a regra de santo Agostinho e que, segundo consta, ela teria ajudado nas fases iniciais; esta Ordem, por causa de conflitos políticos e sociais, foi extinta em meados do século XVII. Inês renunciou à administração direta do hospital para optar por uma vida de clausura e de pobreza absoluta. Em 1234 - com o desejo de que houvesse na sua cidade um convento de vida contemplativa, semelhante à experiência de Clara e das primeiras Clarissas de Assis - construiu, junto da Igreja de São Francisco, o Mosteiro das Damas Pobres de São Damião de Praga. Com cinco Clarissas provindas de Trento (Itália) e algumas jovens das famílias nobres da Boémia, Inês iniciou e organizou a vida religiosa deste Mosteiro: era a festa de Pentecostes de 1234. Inês, com trinta e dois anos, entrou neste mosteiro de clausura e aí viveu até ao fim da sua vida. Distribuiu todos os seus bens pelos pobres e conseguiu que o Papa Gregório IX aprovasse, para este Mosteiro, a mesma Regra que se vivia, naquela época, no Mosteiro das Clarissas de Assis. Foram tantas as jovens que se sentiram chamadas a viver este mesmo ideal que, em poucos anos, o número de Irmãs chegou à centena. Foi necessário construir um mosteiro maior para acolher todas as vocacionadas. Também noutros lugares da Boémia, Polónia, Morávia, o exemplo da ilustre princesa foi acolhido por muitas mulheres e se fizeram monjas e os mosteiros começaram a multiplicar-se. Inês foi a grande impulsionadora da Ordem de Santa Clara nos países checo eslovacos. Inês mandou construir, junto do Mosteiro das Damas Pobres, um mosteiro para os Frades Menores, com o objectivo de receber deles a assistência espiritual; isto fez realçar o sentido de pertença destas monjas ao movimento franciscano, que ela tanto amava. Como abadessa das Clarissas de Praga, foi muito activa e dinâmica na tarefa de implementar a autêntica vivência evangélica da pobreza, no espírito dos fundadores, Francisco e Clara. Manteve um constante contacto com a Santa Sé e obteve um bom número de documentos e de cartas papais, como resposta às solicitações que fazia. A escolha e a vivência da “Forma de Vida de Santa Clara” - baseada explicitamente na pobreza absoluta - foram, para Inês, uma luta de toda a vida. A maior parte das cartas e documentos estão relacionados com o problema crucial de manter vivo o ideal de vida pobre e recolhida, dedicada à contemplação, conforme as primeiras monjas de São Damião (clarissas de Assis). Inês exerceu uma notável obra pacificadora entre os membros da sua própria família e da comunidade religiosa à qual pertencia. Sugeria sempre soluções inspiradas nos princípios cristãos. Procurou também uma paz duradoura entre o rei da Boémia e a Cúria papal e, assim, pôde reerguer-se como baluarte de paz frente à política prepotente de outros reis. A sua vida foi sempre marcada por cruzes e sofrimentos. Grandes problemas e intrigas da corte, perseguições, guerras, mortes, abateram-se sobre o reinado do seu irmão Wenceslau e do seu sobrinho Otocar II. Inês foi sempre de uma fortaleza extraordinária e ajudou-os com a força da oração e da palavra confortadora. A sua velhice foi entristecida pela morte cruel do rei Otocar, no ano de 1278, que ela previra interiormente. Inês da Boémia morreu em 1282, depois de ter vivido com muita radicalidade a sua vocação e de ter consolidado fortemente a fundação de Praga, com o seu exemplo de doação e com as suas virtudes. Foi beatificada pelo Papa Pio IX, em 1874, e canonizada pelo Papa João Paulo II, em 12 de Novembro de 1989. A memória litúrgica de Santa Inês da Boémia faz-se no dia 2 de Março.

segunda-feira, 18 de fevereiro de 2013

QUARESMA 2013


- da mensagem de D. Manuel Clemente, Bispo do Porto

“…Começamos esta Quaresma particularmente necessitados dela, por nós e por todos, na Igreja e na sociedade que integramos. Na sociedade portuguesa, antes de mais, onde dificuldades persistentes como que reduziram a cinzas muitas viabilidades que pareciam seguras e muitas previsões que se criam certas. Com maior ou menor inadvertência nossa, com maior ou menor inadvertência alheia, o resultado não foi o esperado e ainda há muito a resolver no âmbito particular e público, para que os inegáveis esforços de quem pode e deve e a notável persistência de quem não se resigna dêem o resultado pretendido. Lá chegaremos, decerto, se formos todos a chegar, com justiça e solidariedade reforçadas. E, no entanto, perdura o sentimento de que não se trata de algo episódico, nem que episodicamente se resolva. Entre más notícias e outras mais esperançosas, poderíamos cair numa relativa indiferença, que apenas se aguentasse porque, ao fim e ao cabo, alguma entidade nos seguraria em casos extremos, a raiar a penúria. Entretanto, quem pudesse partiria e outros ficariam, vendo a marcha da história passar ao lado, muito ao lado. Não é justo este sentimento, nem faz jus a muito trabalho de quem não cruza os braços. Mas é, ainda assim, um sentimento que aflora em comentários recorrentes, na praça e nos media, qual negativismo de raiz, que desmotiva à partida. Ora, quando falamos de realidades assim, indicamos uma “crise” mais profunda do que meramente económica ou política que fosse. Estamos a falar de humanidade, estamos a falar de nós, onde mal nos sondamos e certamente sofremos. A Quaresma é do calendário cristão e aos cristãos primeiramente interessa e incumbe. Lembrando ao vivo os quarenta anos do Povo de Deus no deserto, em duríssima libertação que só poucos alcançaram; lembrando ainda mais os quarenta dias de Jesus, no deserto, em que venceu todas as tentações principais, é oportunidade maior para fazermos nossa a sua vitória sobre quanto nos afasta de Deus, dos outros e do melhor de nós mesmos. Os exercícios quaresmais são a obra e o fruto duma fé verdadeira. Oração, esmola e jejum, na designação tradicional, podem traduzir-se por exercício espiritual de filiação autêntica, aproximação concreta das necessidades alheias e domínio de apetites vários que nos distraem do essencial. Conjugam-se aliás e muito bem, porque quem procura antes de mais o reino de Deus e a sua justiça compreende melhor o que deve aos outros e consequentemente partilha do que tem e do que poupa. Não precisamos de grandes cogitações para concluir da oportunidade redobrada de Quaresmas sérias. Os discípulos de Jesus Cristo admiram-lhe a plena liberdade sobre si próprio, percorrendo a estreita senda que, nele mesmo, Deus abria ao mundo. Estreita senda, que a sua Ressurreição transformou em viabilidade garantida para quem a queira percorrer, no mesmo Espírito e com a sua graça. Se olharmos em redor, para outras possibilidades que porventura nos apresentem, continuaremos a responder com as palavras de Pedro, apesar de tudo e até apesar de nós: «A quem iremos, Senhor? Tu tens palavras de vida eterna!» (Jo 6, 68). Irmãos caríssimos, diocesanos do Porto: Acolhamos de coração entregue as palavras de Paulo, no trecho que ouvimos: «Como colaboradores de Deus, nós vos exortamos a que não recebais em vão a sua graça. […] Este é o tempo favorável, este é o dia da salvação!» (…)Ouvido o Conselho Presbiteral, continuaremos a entregar a renúncia quaresmal que fizermos ao Fundo Social Diocesano, que a aplicará a várias necessidades, sobretudo no campo da salvaguarda e promoção da vida em todas as suas fases, da concepção à velhice. Desde a Quaresma de 2012 até ao presente, o Fundo Social Diocesano distribuiu 239 605 euros, designadamente através da Sociedade de São Vicente de Paulo, a Cáritas Diocesana, a Obra Diocesana de Promoção Social, a Associação Católica Internacional ao Serviço da Juventude Feminina e a Vida Norte”

PALAVRAS DO PAPA



- na Homilia de 4ª Feira de Cinzas, 13 de Fevereiro, Roma

“…Hoje, Quarta-feira de Cinzas, começamos um novo caminho quaresmal, um caminho que se estende por quarenta dias e nos conduz à alegria da Páscoa do Senhor, à vitória da Vida sobre a morte. Seguindo a tradição romana, muito antiga, das stationes quaresmais, reunimo- nos hoje para a Celebração da Eucaristia. A referida tradição prevê que a primeira statio tenha lugar na Basílica de Santa Sabina, na colina do Aventino. Mas as circunstâncias sugeriram que nos reuníssemos na Basílica Vaticana, atendendo ao elevado número da nossa assembleia que, nesta tarde, se juntou ao redor do Túmulo do Apóstolo Pedro, inclusive para pedir a sua intercessão em favor do caminho da Igreja neste momento particular, renovando a nossa fé no Supremo Pastor, Cristo Senhor. Para mim, constitui uma ocasião propícia para agradecer a todos, especialmente aos fiéis da diocese de Roma, no momento em que estou para concluir o meu ministério petrino, e pedir uma especial lembrança na oração. As Leituras proclamadas oferecem-nos sugestões que somos chamados a fazê-las tornar-se, com a graça de Deus, atitudes e comportamentos concretos, nesta Quaresma. A Igreja propõe-nos, em primeiro lugar, o forte apelo que o profeta Joel dirige ao povo de Israel: «Mas agora diz o Senhor, convertei-vos a mim de todo o coração com jejuns, com lágrimas, com gemidos» (2, 12). Começo por sublinhar a expressão «de todo o coração», que significa a partir do centro dos nossos pensamentos e sentimentos; a partir das raízes das nossas decisões, escolhas e acções, com um gesto de liberdade total e radical. Mas, este regresso a Deus é possível? Sim, porque há uma força que não habita no nosso coração, mas emana do próprio coração de Deus. É a força da sua misericórdia. Continua o profeta: «Convertei-vos ao Senhor, vosso Deus, porque Ele é clemente e compassivo, paciente e rico em misericórdia» (v. 13). A conversão ao Senhor é possível como «graça», já que é obra de Deus e fruto da fé que depomos na sua misericórdia. Esta conversão a Deus só se torna realidade concreta na nossa vida, quando a graça do Senhor penetra no nosso íntimo e o abala, dando-nos a força para «rasgar o coração». O mesmo profeta faz ressoar, da parte de Deus, estas palavras: «Rasgai os vossos corações e não as vossas vestes» (v. 13). Com efeito, também nos nossos dias, muitos estão prontos a «rasgarem as vestes» diante de escândalos e injustiças – naturalmente cometidos por outros – mas poucos parecem dispostos a actuar sobre o seu «coração», a sua consciência e as próprias intenções, deixando que o Senhor transforme, renove e converta. Além disso, este «convertei-vos a mim de todo o coração» é um apelo que envolve não só o indivíduo, mas também a comunidade. Na primeira Leitura, ouvimos também dizer: «Tocai a trombeta em Sião, ordenai um jejum, proclamai uma reunião sagrada. Reuni o povo, convocai a assembleia, juntai os anciãos, congregai os pequeninos e os meninos peito. Saia o esposo dos seus aposentos e a esposa do seu leito nupcial» (vv. 15-16). A dimensão comunitária é um elemento essencial na fé e na vida cristã. Cristo veio «para congregar na unidade os filhos de Deus que estavam dispersos» (Jo 11, 52). O «nós» da Igreja é a comunidade na qual Jesus nos congrega na unidade (cf. Jo 12, 32): a fé é necessariamente eclesial. É importante recordar isto e vivê-lo neste Tempo da Quaresma: cada qual esteja consciente de que não empreende o caminho penitencial sozinho, mas juntamente com muitos irmãos e irmãs, na Igreja…

PARA REZAR


1º HINO DE VÉSPERAS – TEMPO DA QUARESMA

Benigno Criador, ouvi clemente
As nossas orações e o nosso pranto;
Neste sagrado tempo da Quaresma,
Compadecido olhai-nos, ó Deus santo.

Justíssimo juiz das nossas almas,
Vós conheceis a enfermidade humana:
Voltando para Vós arrependidos,
Pedimos vossa graça soberana.

Confessamos que somos pecadores,
Mas, em vez do castigo, perdoai-nos.
Por vosso nome santo e vossa glória,
Da nossa vil miséria libertai-nos.

Aceitai o jejum e a penitência
Que em nossa própria carne suportamos;
Por eles, nossas almas se libertem
Dos erros e misérias que choramos.

Estas nossas humildes oferendas
Aceitai, ó Santíssima Trindade,
E levai-nos, no amor purificados,
Ao esplendor da vossa eternidade.

SANTOS POPULARES



SÃO PEDRO DAMIÃO

Pedro nasceu em Ravena, Itália, no ano de 1007. Os seus pais foram nobres caídos na pobreza. Quando Pedro nasceu, o seu irmão mais velho recriminou asperamente a mãe, dizendo-lhe que a família já era muito grande e muito pobre para ter mais uma boca. A senhora ficou tão abalada, que abandonou o recém-nascido à sua própria sorte, recusando-se até mesmo a amamentá-lo. Uma mulher das vizinhanças, vendo a criança morrer à míngua, teve pena dela e tomou-a sob os seus cuidados. Mais tarde, tendo ficado órfão, um dos irmãos tomou conta dele, mais como criado do que como irmão, e fazendo dele o seu guardador de porcos. Apesar das circunstâncias tão desfavoráveis, o pequeno Pedro não era um revoltado, nem se sentia um “injustiçado” ou “oprimido”, mas contentava-se com a partilha que recebera das mãos de Deus. Um dia, no campo, encontrou uma moeda de algum valor. Pensou logo em comprar algo que pudesse saciar a sua contínua fome. Mas, refletindo melhor, viu que isso lhe traria apenas um prazer passageiro. Resolveu então usar o dinheiro para mandar celebrar uma Missa pela alma dos seus falecidos pais. Foi então que um dos seus outros irmãos, chamado Damião, que era arcipreste (título honorífico conferido a um pároco em alguns países europeus) em Ravena, compadecido da sorte do seu irmão mais novo, o levou consigo e cuidou dele com amor fraternal. Percebendo as grandes qualidades do menino, deu-lhe a oportunidade de estudar. Mais tarde, agradecido, Pedro acrescentou ao seu nome o nome desse seu irmão e benfeitor. Passou a chamar-se ‘Pedro Damião’. Graças aos seus extraordinários dotes intelectuais, o jovem logo recuperou o tempo perdido para os estudos. Fez tão grandes progressos, que o irmão mandou-o estudar nas escolas de Ravena, Faença e Parma. Quando Pedro Damião tinha apenas 25 anos, já era um afamado professor. Mas não eram as glórias do mundo que ele procurava. Quanto mais popular se tornava, mais sentia a atração pela vida de clausura. Pedro Damião levava uma vida virtuosa, procurando vivê-la de acordo com as leis do Evangelho. Jejuava frequentemente; usava cilício e, sobretudo, recorria com frequência à oração. Todos os dias dava de comer a vários pobres, servindo-os ele próprio, e socorrendo os demais necessitados de acordo com as suas possibilidades. Em 1035, Pedro Damião encontrou-se com dois eremitas camaldulenses de Fonte Avellana, cuja regra, muito restrita, fora escrita por São Romualdo. Ficou tão encantado com a sua espiritualidade e desapego do mundo, que logo pensou em tornar-se um deles. Dois meses depois, apresentou-se nesse mosteiro, localizado aos pés dos Apeninos, e pediu a sua admissão. Conhecedor da sua fama de pessoa íntegra e piedosa, o prior ordenou-lhe que vestisse o hábito beneditino sem passar pelo tempo do postulantado, prescrito pela regra. Pedro Damião entregou-se com tal fervor à nova vida que, mesmo eremitas já avançados em anos e virtude, o tomavam como um exemplo. Segundo a regra, esses eremitas jejuavam, a pão e água, quatro dias por semana. Nos demais dias, acrescentavam apenas um pouco de legumes cozidos. Andavam, por penitência, sempre descalços; rezavam por tempo prolongado e flagelavam-se em alguns dias da semana. Pedro Damião entregou-se também ao estudo das Sagradas Escrituras e da doutrina da Igreja, de modo que, pouco depois, o Superior ordenou-lhe que pregasse aos religiosos da comunidade. Como o sucesso foi grande, a notícia espalhou-se por outros mosteiros vizinhos, e todos pediam ao prior que lhes enviasse Frei Pedro Damião para pregar também para eles. Vendo a prudência, a competência e o bom senso de Pedro Damião, o prior nomeou-o ecónomo do mosteiro e seu sucessor. Quando o prior faleceu, em 1043, Pedro Damião sucedeu-lhe no governo do mosteiro. A sua gestão levou o mosteiro a uma era de prosperidade espiritual e material. A afluência de noviços foi tal, que teve de fundar outros mosteiros para poder recebê-los. Entre as práticas de piedade que Pedro Damião estabeleceu nos mosteiros sob sua jurisdição estão a recitação do Ofício Breve de Nossa Senhora, a dedicação das segundas-feiras às almas do Purgatório, das sextas-feiras à Paixão de Nosso Senhor e dos sábados a Nossa Senhora. Mas era necessário que essa luz brilhasse também em toda a Igreja. Aquela época foi tão conturbada que, durante os 65 anos da sua vida, governaram a Igreja nada menos que 16 papas. Por outro lado, por abuso de poder, os príncipes distribuíam abadias e bispados entre os seus favoritos, sem ciência nem virtude, havendo assim inúmeros bispos e sacerdotes indignos, ignorantes e luxuriosos. Em1045, o indigno Papa Bento IX resignou do seu pontificado, entregando o governo da Igreja nas mãos do arcipreste João Graciano, que se tornou o Papa Gregório VI. Pedro Damião viu essa mudança com alegria, e escreveu ao novo pontífice referindo a necessidade urgente de tratar dos escândalos na Igreja. Mas o novo Papa, sentindo-se impotente para enfrentar tantos males, abdicou um ano depois. Outros papas lhe seguiram, mas a missão de procurar remédio eficaz para as desordens na Igreja estava reservada a São Leão IX, elevado ao papado no início de1049. Para poder realizar esta missão, o Papa nomeou para seu conselheiro e seu colaborador directo o monge de Cluny, Hildebrando, futuro Gregório VII, que se tornou uma das maiores glórias da Igreja. Nesta altura, Pedro Damião escreveu o seu “Livro de Gomorra”, dedicado ao Papa santo, no qual fustigava, com vigor, os desmandos da época, sobretudo dos eclesiásticos. O Papa Estêvão IX, seguindo os conselhos do monge Hildebrando, nomeou Pedro Damião, em 1057, cardeal-bispo de Óstia. Confiou-lhe também a administração provisória da diocese de Gúbio. Tendo Estêvão IX morrido, prematuramente, em 1058, alguns membros da nobreza romana, através do suborno e da corrupção, elegeram papa o bispo João Mincius, de Velletri, que assumiu o nome de Bento X. Pedro Damião e outros cardeais protestaram contra esta intrusão da nobreza romana e denunciaram-no por ter comprado o cargo. Bento X foi considerado antipapa. Retornando de uma viagem à Alemanha, o monge Hildebrando, de grande renome na Igreja, conseguiu que se elegesse Nicolau II como legítimo Pontífice. Nicolau II enviou o cardeal Pedro Damião a Milão, como seu legado, para pacificar a cidade, conturbada por grandes desordens. Era tal a brutalidade vivida nesta cidade que, por pouco, Pedro Damião não foi martirizado. Com a sua prudência e sabedoria, conseguiu acalmar o tumulto provocado por padres pouco virtuosos e reorganizar a vida da Igreja na paz e na fidelidade à verdadeira autoridade e aos valores da fé cristã. Ao deixar Milão, o seu trabalho apostólico foi louvado por todo o povo. Foi grande o seu serviço à Igreja, realizado com frontalidade, firmeza de ânimo e espírito de amor. Nas horas conturbadas do seu tempo, Pedro Damião foi um baluarte seguro da fidelidade da Igreja ao seu divino mestre, Jesus. Em 1072, no dia 21 de Fevereiro - véspera da festa da Cátedra de São Pedro, da qual era muito devoto – ao retornar de uma das suas missões, Pedro Damião faleceu, nas proximidades de Faença. Logo a seguir ao seu falecimento, começou a ser venerado como santo. O Papa Leão XII estendeu o seu culto à Igreja universal, em 1828, declarando-o Doutor da Igreja. A sua memória litúrgica faz-se no dia 21 de Fevereiro, dia do seu falecimento.

sexta-feira, 15 de fevereiro de 2013

O PAPA BENTO XVI APRESENTA A SUA RENÚNCIA



Foi com surpresa, incredulidade e estupefacção que os católicos e o mundo tomaram conhecimento, no dia 11 de Fevereiro de 2013, da decisão de resignar, tomada pelo Papa Bento XVI. Não sendo um caso inédito da História da Igreja, tal não acontecia há quase 600 anos. Para a validade da renúncia do Papa – de acordo com o cân. 332 § 2. – esta deve ser feita livremente e devidamente manifestada. Lembramos as palavras de Bento XVI, na sua comunicação ao Consistório, à Igreja e ao mundo: “…Depois de ter examinado repetidamente a minha consciência diante de Deus, cheguei à certeza de que as minhas forças, devido à idade avançada, já não são idóneas para exercer adequadamente o ministério petrino. Estou bem consciente de que este ministério, pela sua essência espiritual, deve ser cumprido não só com as obras e com as palavras, mas também e igualmente sofrendo e rezando. Todavia, no mundo de hoje, sujeito a rápidas mudanças e agitado por questões de grande relevância para a vida da fé, para governar a barca de São Pedro e anunciar o Evangelho, é necessário também o vigor quer do corpo quer do espírito; vigor este que, nos últimos meses, foi diminuindo de tal modo em mim que tenho de reconhecer a minha incapacidade para administrar bem o ministério que me foi confiado. Por isso, bem consciente da gravidade deste acto, com plena liberdade, declaro que renuncio ao ministério de Bispo de Roma, Sucessor de São Pedro, que me foi confiado pela mão dos Cardeais, em 19 de Abril de 2005, pelo que, a partir de 28 de Fevereiro de 2013, às 20,00 horas, a sede de Roma, a sede de São Pedro, ficará vacante e deverá ser convocado, por aqueles a quem tal compete, o Conclave para a eleição do novo Sumo Pontífice…” Este Papa, na sua simplicidade, profundidade de pensamento, frontalidade de mensagem, clareza no anúncio do Evangelho, tornou-se um marco incontornável da história do mundo. Respondendo ao seu apelo, os cristãos católicos devem rezar pelo Papa e por aquele que será o escolhido para ocupar a “Cadeira de Pedro”. De acordo com as notícias, o Conclave – reunião dos cardeais para escolherem o papa – reunir-se-á a partir do dia 15 de Março. Viva o Papa!...

segunda-feira, 11 de fevereiro de 2013

INÍCIO DA QUARESMA



QUARTA-FEIRA DE CINZAS

“…Iniciamos o tempo litúrgico da Quaresma com o rito sugestivo da imposição das cinzas, através do qual queremos assumir o compromisso de converter o nosso coração para os horizontes da Graça. Em geral, na opinião comum, este tempo corre o risco de ser conotado pela tristeza, pela desolação da vida. Ao contrário, ela é dom precioso de Deus, é tempo forte e denso de significados no caminho da Igreja, é o itinerário rumo à Páscoa do Senhor… O período quaresmal propõe-nos(…)um caminho de quarenta dias durante os quais deveríamos experimentar, de modo eficaz, o amor misericordioso de Deus. Continua a ressoar para nós o apelo: «Convertei-vos a Mim de todo o vosso coração». Hoje, quem é chamado a converter o coração a Deus somos nós, sempre conscientes de não poder realizar a nossa conversão sozinhos, unicamente com as nossas forças, porque é Deus quem nos converte. Ele oferece-nos o seu perdão, convidando-nos a voltar para Ele para que nos dê um coração novo, purificado do mal que o oprime, para fazer com que participemos da sua glória. O nosso mundo precisa de ser convertido por Deus, tem necessidade do seu perdão, do seu amor, precisa de um coração novo…
…Iniciemos confiantes o itinerário quaresmal. Quarenta dias separam-nos da Páscoa. Este tempo «forte» do ano litúrgico é um tempo propício que nos é dado para corresponder, com maior empenho, à nossa conversão, para intensificar a escuta da Palavra de Deus, a oração e a penitência, abrindo o coração à aceitação dócil da vontade divina, para uma prática mais generosa da mortificação, graças à qual ir mais amplamente em ajuda do próximo necessitado: um itinerário espiritual que nos prepara para reviver o Mistério pascal…”
(Homilia do Papa Bento XVI, na Missa de 4º feira de cinzas de 2011)

PALAVRAS DO PAPA



- na Audiência geral, 6 de Fevereiro, Roma

“…No Credo, confessamos que Deus é o «criador do céu e da terra», como se lê no Génesis. Deus cria através da sua palavra: a vida surge, porque tudo obedece à Palavra divina. No vértice da criação, aparece o homem e a mulher: formados do pó da terra, possuem o sopro vital de Deus, e cada vida humana está sob a sua protecção. Esta é a razão mais profunda da inviolabilidade da dignidade humana. Viver na fé quer dizer reconhecer a grandeza de Deus e aceitar a nossa condição de criaturas. Por vezes, somos tentados a ver esta dependência do amor criador de Deus como um peso do qual libertar-se. Mas, indo contra o seu Criador, o ser humano renega a sua origem e a sua verdade, e o mal entra no mundo com a sua penosa cadeia de sofrimentos e morte. E, sozinhos, não podemos sair dela… As justas relações só podem ser reatadas, se Aquele, de quem nos afastamos, vier até nós e nos estender a mão. É o que faz Cristo! Percorre o caminho do amor, humilhando-Se até à morte de Cruz, para repor em ordem as nossas relações com Deus e com os outros. A Cruz torna-se a nova árvore da vida…”

ANO DA FÉ

 - Educar para a Fé
Na Igreja Matriz de Santa Maria da Feira, sob proposta da Assessoria Vicarial da Pastoral Familiar, realizou-se, no dia 8 de Fevereiro, um encontro de formação ( o último de três programados: São Jorge, Santa Maria de Lamas ) com o tema: Educar para a fé. Como já havíamos informado, orientou este trabalho o Dr. Daniel Bastos, Diácono permanente da Paróquia de Matosinhos e psicólogo de profissão. Estiveram presentes numerosos casais que, no espaço do diálogo, interpelaram o conferencista acerca dos desafios da educação da fé, num mundo tão marcadamente secularista. O encontro teve, também, momentos de carácter artístico - cultural, animados pela Mafalda Campos e pelo João Carlos Soares que tocaram e cantaram para admiração e deleite dos participantes. Um abrigado sincero pela disponibilidade de todos os intervenientes.


  - Formação de catequistas

 
Por propostas dos Secretariados Paroquiais da Catequese das Paróquias de Escapães e Santa Maria da Feira (pólo da Igreja Matriz), realizou-se, no dia 9 de Fevereiro, na Casa do Povo de Santa Maria da Feira, um encontro de formação, com o tema: “Revitalizar e professar a fé: conhecer a proposta da ‘Porta da Fé’…” As paróquias mobilizaram os seus catequistas, que estiveram presentes, em grande número. O trabalho foi orientado pelo pároco de ambas as paróquias.

 



- Bento XVI, na mensagem para a Quaresma 2013

“… A fé como resposta ao amor de Deus
Na minha primeira Encíclica, deixei já alguns elementos que permitem individuar a estreita ligação entre estas duas virtudes teologais: a fé e a caridade. Partindo duma afirmação fundamental do apóstolo João: «Nós conhecemos o amor que Deus nos tem, pois cremos nele» (1 Jo 4, 16), recordava que, «no início do ser cristão, não há uma decisão ética ou uma grande ideia, mas o encontro com um acontecimento, com uma Pessoa que dá à vida um novo horizonte e, desta forma, o rumo decisivo. (...) Dado que Deus foi o primeiro a amar-nos (cf. 1 Jo 4, 10), agora o amor já não é apenas um “mandamento”, mas é a resposta ao dom do amor com que Deus vem ao nosso encontro» (Deus caritas est, 1). A fé constitui aquela adesão pessoal – que engloba todas as nossas faculdades - à revelação do amor gratuito e «apaixonado» que Deus tem por nós e que se manifesta plenamente em Jesus Cristo. O encontro com Deus Amor envolve não só o coração, mas também o intelecto: «O reconhecimento do Deus vivo é um caminho para o amor, e o sim da nossa vontade à d’Ele une intelecto, vontade e sentimento no acto globalizante do amor. Mas isto é um processo que permanece continuamente a caminho: o amor nunca está "concluído" e completado» (ibid., 17). Daqui deriva, para todos os cristãos e em particular para os «agentes da caridade», a necessidade da fé, daquele «encontro com Deus em Cristo que suscite neles o amor e abra o seu íntimo ao outro, de tal modo que, para eles, o amor do próximo já não seja um mandamento por assim dizer imposto de fora, mas uma consequência resultante da sua fé que se torna operativa pelo amor» (ibid., 31). O cristão é uma pessoa conquistada pelo amor de Cristo e, movido por este amor - «caritas Christi urget nos» (2 Cor 5, 14) -, está aberto de modo profundo e concreto ao amor do próximo (cf. ibid., 33). Esta atitude nasce, antes de tudo, da consciência de ser amados, perdoados e mesmo servidos pelo Senhor, que Se inclina para lavar os pés dos Apóstolos e Se oferece a Si mesmo na cruz para atrair a humanidade ao amor de Deus. «A fé mostra-nos o Deus que entregou o seu Filho por nós e assim gera em nós a certeza vitoriosa de que isto é mesmo verdade: Deus é amor! (...) A fé, que toma consciência do amor de Deus revelado no coração trespassado de Jesus na cruz, suscita por sua vez o amor. Aquele amor divino é a luz – fundamentalmente, a única – que ilumina incessantemente um mundo às escuras e nos dá a coragem de viver e agir» (ibid., 39). Tudo isto nos faz compreender como o procedimento principal que distingue os cristãos é precisamente «o amor fundado sobre a fé e por ela plasmado»…”

PARA REZAR

SALMO 138

Dou-te graças, Senhor, de todo o coração,
na presença dos poderosos te hei-de louvar.
Inclino-me voltado para o teu santo templo
e louvarei o teu nome,
pela tua bondade e pela tua fidelidade,
porque foste mais além das tuas promessas.
Quando te invoquei, atendeste-me
e aumentaste as forças da minha alma.
Todos os reis da terra te louvarão, Senhor,
ao ouvirem as palavras da tua boca.
Celebrarão os caminhos do Senhor,
pois grande é a sua glória.
O Senhor é excelso, mas repara no humilde
e reconhece de longe o soberbo.
Quando estou em angústia, conservas-me a vida;
estendes a mão contra a ira dos meus inimigos,
e a tua mão direita me salva.
O Senhor tudo fará por mim!
Ó Senhor, o teu amor é eterno!
Não abandones a obra das tuas mãos!

SANTOS POPULARES



SÃO VALENTIM

Valentim foi um sacerdote romano, no tempo do imperador Cláudio II. Embora este imperador não perseguisse abertamente a religião cristã, muitos cristãos sofreram o martírio pela intolerância e exigências de certos governadores, a quem Cláudio deixava toda a liberdade de agir. Assim aconteceu com Valentim. Tendo sido acusado do crime de ser cristão e sacerdote, foi levado à presença do imperador. A franqueza e a frontalidade com que este servo de Cristo se defendeu agradaram a Cláudio que, com muito interesse, lhe ouviu as exposições da doutrina cristã. Entretanto, Valentim permaneceu sob as ordens do governador Calpúrnio que o entregou ao juiz Astério. Este, propondo-se convencer Valentim da inutilidade e irrelevância da religião de Cristo, levou-o para a sua própria casa. Ao entrar na residência deste magistrado, Valentim pôs-se de joelhos e pediu a Deus que desse aos habitantes daquela casa o conhecimento da luz verdadeira. Astério ouvindo Valentim a falar em luz e não compreendendo o sentido em que empregava este termo, disse-lhe: “Tenho aqui em casa uma menina, minha filha adoptiva que, há dois anos, está privada da vista. Se, como dizes, o teu Deus é um Deus de luz, invoca-o para que ela veja. Se isto acontecer, eu mesmo me curvarei diante de teu Deus”. Valentim impôs as mãos à menina e pronunciou as seguintes palavras: “Senhor Jesus Cristo, Deus verdadeiro e verdadeira luz, daí à vossa serva a luz dos olhos!” A oração do Sacerdote Valentim foi ouvida pelo Senhor… A menina recuperou a vista, imediatamente. Abriram-se também os olhos de Astério que se converteu a Jesus e, com ele, mais quarenta pessoas, que receberam o Baptismo das mãos de Valentim. Poucos dias depois, o Papa Calixto administrou-lhes o Sacramento da Confirmação. Astério, que tinha sob a sua guarda outros cristãos, deu-lhes a liberdade. O imperador Cláudio, tendo conhecimento da conversão de Astério, fê-lo comparecer perante o tribunal, juntamente com Valentim e todos os outros que tinham sido baptizados naquela ocasião. A ira do imperador voltou-se para Valentim, que foi castigado com o suplício da flagelação. Não conseguindo que Valentim renegasse Cristo e o seu Evangelho, condenou- o à morte. Valentim sofreu o martírio, ao fio da espada, no dia 14 de Fevereiro do ano 270. O seu corpo foi sepultado na via Flaminia e muitos milagres aconteceram por intercessão deste santo Mártir. O Papa Júlio I mandou construir, perto da Ponte Mílvio, em Roma – em italiano, Ponte Molle, uma Igreja dedicada a São Valentim. Esta igreja já não existe. A chamada ‘Porta del Popolo’, em Roma, tinha antigamente o nome de São Valentim. Antigamente, aí faziam- se solenes procissões em honra deste Santo, cujas relíquias se encontram nas Igrejas de Santa Praxedes e de São Sebastião. A memória litúrgica de São Valentim faz-se no dia 14 de Fevereiro, data da sua morte.

segunda-feira, 4 de fevereiro de 2013

FORMAÇÃO DE CATEQUISTAS



No próximo Sábado, 9 de Fevereiro, às 21,00 horas, na Casa do Povo, os catequistas da Paróquia da Feira/Igreja Matriz e da Paróquia de Escapães realizam um encontro, inserido no esforço de formação permanente, que versará a temática da fé e das suas implicações na vida. A reflexão será orientada pelo P. Eleutério, pároco da ambas as paróquias.

PALAVRAS DO PAPA



- na Audiência geral, 30 de Janeiro, Roma

“…Quando dizemos "Creio em Deus Pai Todo-Poderoso", expressamos a nossa fé no poder do amor de Deus, que, em seu filho, morto e ressuscitado, derrota o ódio, o pecado, o mal, e nos dá a vida eterna, aquela dos filhos que desejam estar para sempre na "casa do pai". Dizer "Creio em Deus Pai Todo-Poderoso", no seu poder, no seu modo de ser pai, é sempre um acto de fé, de conversão, de transformação dos nossos pensamentos, de todo o nosso afecto, de todo o nosso modo de viver…

ANO DA FÉ



Da mensagem do Papa Bento XVI para a Quaresma de 2013

“…A caridade como vida na fé

Toda a vida cristã consiste em responder ao amor de Deus. A primeira resposta é precisamente a fé como acolhimento, cheio de admiração e gratidão, de uma iniciativa divina inaudita que nos precede e solicita; e o «sim» da fé assinala o início de uma luminosa história de amizade com o Senhor, que enche e dá sentido pleno a toda a nossa vida. Mas Deus não se contenta com o nosso acolhimento do seu amor gratuito; não Se limita a amar-nos, mas quer atrair-nos a Si, transformar-nos de modo tão profundo que nos leve a dizer, como São Paulo: ‘Já não sou eu que vivo, é Cristo que vive em mim’ (cf. Gl 2, 20). Quando damos espaço ao amor de Deus, tornamo-nos semelhantes a Ele, participantes da sua própria caridade. Abrirmo-nos ao seu amor significa deixar que Ele viva em nós e nos leve a amar com Ele, n'Ele e como Ele; só então a nossa fé se torna verdadeiramente uma ‘fé que actua pelo amor’ (Gl 5, 6) e Ele vem habitar em nós (cf. 1 Jo 4, 12). A fé é conhecer a verdade e aderir a ela (cf. 1 Tm 2, 4); a caridade é «caminhar» na verdade (cf.Ef 4, 15). Pela fé, entra-se na amizade com o Senhor; pela caridade, vive-se e cultiva-se esta amizade (cf. Jo 15, 14-15). A fé faz-nos acolher o mandamento do nosso Mestre e Senhor; a caridade dá-nos a felicidade de pô-lo em prática (cf. Jo 13, 13-17). Na fé, somos gerados como filhos de Deus (cf. Jo 1, 12-13); a caridade faz-nos perseverar na filiação divina de modo concreto, produzindo o fruto do Espírito Santo (cf. Gl 5, 22). A fé faz-nos reconhecer os dons que o Deus bom e generoso nos confia; a caridade fá-los frutificar (cf. Mt 25, 14-30)…”

 

PARA REZAR



SALMO 71

Em Vós, Senhor, me refugio,
jamais serei confundido.
Pela vossa justiça, defendei-me e salvai-me,
prestai ouvidos e libertai-me.

Sede para mim um refúgio seguro,
a fortaleza da minha salvação.
Vós sois a minha defesa e o meu refúgio:
meu Deus, salvai-me do pecador.

Sois Vós, Senhor, a minha esperança,
a minha confiança desde a juventude.
Desde o nascimento Vós me sustentais,
desde o seio materno sois o meu protector.

A minha boca proclamará a vossa justiça,
dia após dia a vossa infinita salvação.
Desde a juventude Vós me ensinais,
e até hoje anunciei sempre os vossos prodígios.

SANTOS POPULARES



RECORDAR SÃO JOÃO DE BRITO

João de Brito, filho de Salvador Pereira de Brito e Brites Pereira, nasceu no dia 1 de Março de 1647, em Lisboa. O seu pai era um grande fidalgo e foi governador do Rio de Janeiro; a sua mãe era descendente de D. Nuno Álvares Pereira. Aos quatro anos ficou órfão de pai, mas a sua mãe deu-lhe, assim como aos seus irmãos Cristóvão e Fernão, uma verdadeira educação cristã. Ainda criança entrou a fazer parte dos pajens do Rei D. João IV; na Corte distinguiu-se sempre pela sua delicadeza no modo de tratar as pessoas e pela limpidez da sua consciência. No seu coração germinava o desejo de oferecer a Deus uma vida sempre mais perfeita, pela observância dos conselhos evangélicos. Ao mesmo tempo, crescia nele a vontade de gastar a sua vida no serviço missionário. A Índia exercia nele uma atracção e um fascínio irrecusáveis. Aos 11 anos, João de Brito ficou doente com tal gravidade que, nas suas preces para recuperar a saúde, invocava São Francisco Xavier. Acreditando ter ficado bom através das suas preces, veste-se com o hábito de Santo Inácio, da Companhia de Jesus, tal como tinha prometido, durante um ano. Após o período da promessa, João de Brito revelou à sua mãe a intenção de entrar para a Companhia de Jesus. Aos 14 anos, entra no noviciado de Lisboa, onde permanece durante dois anos. Depois de cumprido o noviciado, parte para Évora onde, durante cinco anos, estuda Humanidades e Filosofia. No entanto, devido ao clima da cidade, adoece e muda-se para Coimbra, para o Colégio das Artes, onde estuda Filosofia. Nesta altura, faz o pedido ao Padre Geral da Companhia - primeiro em 1668, e depois em 1669 - para que seja enviado para a Índia. Contudo, após terminar o curso de Filosofia, é nomeado para leccionar a cadeira de gramática, no colégio de S. Antão (actual Hospital de S. José), em Lisboa. Entretanto, recebe a notícia de que o seu pedido para ir para a Índia tinha sido aceite. Influenciado pelo Governador-geral de Madurai, que se encontrava em Lisboa a procurar membros para a missão, João de Brito decide- se por esta. Entre 1671 e 1673, estuda Teologia, condição necessária para ser ordenado sacerdote e ir para as missões. Quando informa a sua mãe sobre esta sua decisão, ela tenta, por todos os meios, demovê-lo pois receava não o voltar a ver. Ordenado sacerdote, teve grande satisfação de ser mandado para as Missões da Índia. Em Goa, deteve-se alguns anos, completando os estudos teológicos. Terminados estes, iniciou a sua vida de missionário activo, na região do Maduré. Qual outro Francisco Xavier, cujo apostolado glorioso era o seu modelo e o seu ideal, deu-se de corpo e alma aos múltiplos trabalhos da sua Missão, conservando-se sempre fiel no espírito do temor de Deus, na rigorosa observância das constituições e no amor pelas almas imortais. Deus abençoou visivelmente o apostolado deste seu servo. Aos milhares, os hindus vieram aos pés do missionário jesuíta, professar-lhe a fé em Jesus Cristo e a pedir o santo baptismo. Os sacrifícios que, durante 20 anos, acompanharam o seu trabalho missionário, começaram a ser compensados, tal o número dos que se tinham convertido a Jesus Cristo. Quando menos o esperava, foi preso, juntamente com os seus companheiros. Foram maltratados, torturados e mortos, passados ao fio da espada. A João de Brito amputaram-lhe as mãos e os pés e o seu corpo, cravado num tronco de madeira, foi exposto num lugar público para alegria dos seus perseguidores. Os seus restos mortais foram depositados na igreja do Colégio dos Jesuítas, em Goa, onde se encontra, também, o corpo de São Francisco Xavier. São João de Brito foi beatificado no dia 17 de Fevereiro de 1853, pelo Papa Pio IX. Em 27 de Junho de 1947, foi canonizado pelo Papa Pio XII. A sua memória litúrgica faz-se a 4 de Fevereiro.