Amados irmãos e irmãs: Cristo morreu e ressuscitou de uma vez para sempre e para todos, mas a força da Ressurreição - esta passagem da escravidão do mal à liberdade do bem - deve realizar-se em todos os tempos, nos espaços concretos da nossa existência, na nossa vida de cada dia. Quantos desertos o ser humano tem de atravessar, ainda hoje! Sobretudo o deserto que existe dentro dele, quando falta o amor de Deus e o amor ao próximo; quando falta a consciência de ser guardião de tudo o que o Criador nos deu e continua a dar. Mas a misericórdia de Deus pode fazer florir mesmo a terra mais árida, pode devolver a vida aos ossos ressequidos (cf. Ez 37, 1-14). Eis, portanto, o convite que dirijo a todos: acolhamos a graça da Ressurreição de Cristo! Deixemo-nos renovar pela misericórdia de Deus; deixemo-nos amar por Jesus; deixemos que a força do Seu amor transforme também a nossa vida, tornando-nos instrumentos desta misericórdia, canais através dos quais Deus possa irrigar a terra, guardar a criação inteira e fazer florir a justiça e a paz.
E assim, a Jesus ressuscitado que transforma a morte em vida, peçamos para mudar o ódio em amor, a vingança em perdão, a guerra em paz. Sim, Cristo é a nossa paz e, por Seu intermédio, imploramos a paz para o mundo inteiro. Paz para o Médio Oriente, especialmente entre israelitas e palestinos, que sentem dificuldade em encontrar o caminho da concórdia, a fim de que retomem, com coragem e disponibilidade, as negociações para pôr termo a um conflito que já dura há demasiado tempo. Paz para o Iraque, para que cesse definitivamente toda a violência; paz para a amada Síria, para a sua população vítima do conflito e para os numerosos refugiados, que esperam ajuda e conforto. Já foi derramado tanto sangue… Quantos sofrimentos deverão ainda atravessar, antes de se conseguir encontrar uma solução política para a crise? Paz para a África, cenário de sangrentos conflitos: para o Mali, para que reencontre unidade e estabilidade; para Nigéria, onde infelizmente não cessam os atentados, que ameaçam gravemente a vida de tantos inocentes, e onde muitas pessoas, incluindo crianças, são mantidas como reféns por grupos terroristas; paz para o leste da República Democrática do Congo e para a República Centro-Africana, onde muitos se vêem forçados a deixar as suas casas e vivem ainda no medo. Paz para a Ásia, sobretudo para a península coreana, para que sejam superadas as divergências e amadureça um renovado espírito de reconciliação. Paz para o mundo inteiro, ainda tão dividido pela ganância de quem procura lucros fáceis; ferido pelo egoísmo que ameaça a vida humana e a família: um egoísmo que faz continuar o tráfico de pessoas, a escravatura mais extensa, neste século vinte e um. O tráfico de pessoas é realmente a escravatura mais extensa neste século vinte e um! Paz para todo o mundo dilacerado pela violência ligada ao narcotráfico e por uma iníqua exploração dos recursos naturais. Paz para esta nossa Terra! Jesus ressuscitado leve conforto a quem é vítima das calamidades naturais e nos torne guardiões responsáveis da criação.
Amados irmãos e irmãs, originários de Roma ou de qualquer outra parte do mundo: a todos vós que me ouvis, dirijo este convite do Salmo 117: «Dai graças ao Senhor, porque Ele é bom, porque é eterno o seu amor. Diga a casa de Israel: É eterno o seu amor» (vv. 1-2).






















