PALAVRA COM SENTIDO

PALAVRA COM SENTIDO

“…Hás-de temer o Senhor, teu Deus…” (cf. Deuteronómio 6, 2)

Só Deus é Deus e Senhor. E não há outro Deus a quem amar, servir, adorar, acreditar, rezar, agradecer… Temer o Senhor não é ‘ter medo de Deus’. Não precisamos ter medo de Deus: Ele é amor, perdão, misericórdia, alegria, paz, salvação e esperança… Temer o Senhor é reconhecer a grandeza do seu poder; a santidade do seu nome; a ternura que nos dedica; a alegria da vida que nos oferece. Temer o Senhor é acolher a sua Palavra; cumprir os seus mandamentos; responder com fidelidade aos seus apelos; confiar na sua promessa e anunciá-la com a bondade dos nossos gestos. Quem ‘teme a Deus’ procura fazer tudo para não pecar contra ele; fazer nascer no coração o receio e a tristeza de o poder ofender. O apelo feito pela palavra de Deus aponta-nos o caminho da verdade, da justiça, da caridade, da compaixão. Uma grande exigência que nos trará a felicidade e a bênção.

segunda-feira, 15 de abril de 2013

PALAVRA DO SANTO PADRE FRANCISCO




 
- na Audiência geral de 10 de Abril – Praça de São Pedro

“…Hoje gostaria de reflectir sobre o significado salvífico da Ressurreição. O que significa para as nossas vidas a Ressurreição? E por que é que a nossa fé é vã sem ela? A nossa fé tem como fundamento a Morte e Ressurreição de Cristo, assim como uma casa se apoia nos seus alicerces: se desabarem os alicerces, toda a casa cai. Na cruz, Jesus ofereceu-se a si mesmo, tomando sobre si os nossos pecados e descendo ao abismo da morte e, na Ressurreição, venceu-os; tirou os nossos pecados e abriu-nos o caminho para renascer para uma vida nova. São Pedro di-lo, resumidamente, no começo da sua Primeira Carta, como já ouvimos: “Bendito seja Deus, Pai de Nosso Senhor Jesus Cristo, que, na sua grande misericórdia, nos gerou de novo - pela ressurreição de Jesus Cristo dentre os mortos - para uma esperança viva, para uma herança incorruptível, imaculada e indefectível” (1,3-4).
O Apóstolo diz-nos que, com a Ressurreição de Jesus, algo novo acontece: somos libertados da escravidão do pecado e tornamo-nos filhos de Deus; somos gerados para uma nova vida. Quando é que isso se realiza para nós? No sacramento do Baptismo. Antigamente, ele era recebido por imersão. Aquele que era baptizado descia a um grande tanque de água, no Baptistério, deixando as suas roupas, e o Bispo ou o sacerdote derramava-lhe, por três vezes, água sobre a cabeça, baptizando-o em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo. Depois o baptizado saia da água e vestia uma veste nova, uma túnica branca: ou seja, tinha nascido para uma vida nova, mergulhando na Morte e Ressurreição de Cristo. Tinha-se tornado filho de Deus. São Paulo, na Carta aos Romanos, escreveu: vós “recebestes um espírito de filhos adoptivos, pelo qual clamamos: Abba! Pai!” (Rm 8,15). É o Espírito que recebemos no baptismo que nos ensina, nos leva a dizer a Deus: "Pai", ou melhor, "Abba!", que significa "papá". Assim é o nosso Deus: é um papá para nós. O Espírito Santo realiza em nós esta nova condição de filhos de Deus. E isso é o maior dom que recebemos do Mistério Pascal de Jesus. E Deus trata-nos como filhos, compreende-nos, perdoa-nos, abraça-nos, ama-nos, mesmo quando cometemos erros. Já no Antigo Testamento, o profeta Isaías afirmava que mesmo que uma mãe se esquecesse do filho, Deus não se esqueceria jamais de nós, em nenhum momento (cf. 49:15). E isso é lindo!
No entanto, esta relação filial com Deus não é como um tesouro que conservamos num canto da nossa vida, mas deve crescer, deve ser alimentada, todos os dias, com a escuta da Palavra de Deus, a oração, a participação nos sacramentos, especialmente da Penitência e da Eucaristia, e a caridade. Nós podemos viver como filhos! E esta é a nossa dignidade: nós temos a dignidade dos filhos. Comportar-nos como verdadeiros filhos! Isso quer dizer que, em cada dia, devemos deixar que Cristo nos transforme e nos faça como Ele; quer dizer: procurar viver como cristãos, buscar segui-lo, mesmo que vejamos os nossos limites e as nossas fraquezas. A tentação de deixar Deus de lado para colocar-nos no centro está sempre às portas e a experiência do pecado fere a nossa vida cristã, o nosso ser filhos de Deus. Por isso, devemos ter a coragem da fé e não deixar-nos levar pela mentalidade que nos fala: “Deus não é necessário, não é importante para ti”, e assim por diante. É exactamente o contrário: só comportando-nos como filhos de Deus - sem desanimar por causa das nossas quedas, pelos nossos pecados – e sentindo-nos amados por Ele, a nossa vida será nova, animada pela serenidade e pela alegria. Deus é a nossa força! Deus é a nossa esperança!...”

 

PARA REZAR



SALMO 30
 
Eu Vos glorifico, Senhor, porque me salvastes
e não deixastes que de mim se regozijassem os inimigos.
Tirastes a minha alma da mansão dos mortos,
vivificastes-me para não descer à cova.

Cantai salmos ao Senhor, vós os seus fiéis,
e dai graças ao seu nome santo.
A sua ira dura apenas um momento
e a sua benevolência a vida inteira.

Ao cair da noite vêm as lágrimas
e ao amanhecer volta a alegria.

Ouvi, Senhor, e tende compaixão de mim,
Senhor, sede Vós o meu auxílio.
Vós convertestes em júbilo o meu pranto:
 Senhor, meu Deus, eu Vos louvarei eternamente.

SANTOS POPULARES



 
SÃO DAMIÃO DE VEUSTER  ( PADRE DAMIÃO, O APÓSTOLO DOS LEPROSOS)

Josef de Veuster-Wouters nasceu no dia 3 de Janeiro de 1840, numa pequena cidade ao norte de Bruxelas, na Bélgica. Aos dezanove anos de idade, entrou para a Ordem dos Padres do Sagrado Coração e tomou o nome de Damião. Em seguida, foi enviado para terminar os seus estudos num colégio teológico, em Paris. A vida de Damião começou a mudar quando completou vinte e um anos de idade. Um Bispo do Havai, arquipélago do Pacífico, passou por Paris, onde fez algumas palestras com o desejo de conseguir missionários para a sua diocese. Expôs os problemas daquela região, onde sobressaíam os referentes aos doentes de lepra, que eram exilados e abandonados numa ilha chamada Molokai, por determinação do governo. Damião interessou-se logo por esta questão e disponibilizou-se para ir como missionário para o Havai. Ainda não era sacerdote, mas estava disposto a insistir que o aceitassem na missão rumo a Molokai. Escreveu uma carta ao superior da Ordem do Sagrado Coração, que, inspirado por Deus, permitiu a sua partida. Assim, em 1863, Damião embarcou para o Havai, logo após ter sido ordenado sacerdote. Quando chegou ao arquipélago, Damião colocou-se a par da situação. A região recebera imigrantes chineses e, com eles, a lepra. Em 1865, temendo a disseminação da doença, o governo local decidiu isolar os doentes na ilha de Molokai. Nessa ilha, existia uma península cujo acesso era impossível, excepto pelo mar. Assim, aquela península, chamada Kalauapa, tornou-se a prisão dos leprosos. Damião foi para lá, juntamente com mais três missionários que iriam revezar-se nos cuidados com os leprosos. Os leprosos não tinham como trabalhar; roubavam-se entre si; matavam-se por um punhado de arroz. Damião sabia que ficaria ali para sempre, pois grande era o seu coração. Naquele lugar abandonado, o padre começou a trabalhar. O primeiro passo foi recuperar o cemitério e enterrar os mortos. Com frequência, ia à capital comprar ligaduras, remédios, lençóis e roupa para todos. Começou a escrever para o jornal local, contando os terrores da ilha de Molokai. Essas notícias espalharam-se por todo o mundo e abalaram as consciências e os corações de muita gente. De todo o lado, começou a chegar todo o tipo de ajuda humanitária. Um médico, que contraíra a lepra ao cuidar dos doentes, ouviu falar de Damião e viajou para Molokai, a fim de ajudar. No tempo que passou na ilha, Damião construiu uma igrejinha de alvenaria, onde passou a celebrar as missas. Construiu, também, um pequeno hospital, onde ele e o médico cuidavam dos doentes mais graves. Para que não faltasse água potável, construiu ainda dois aquedutos, completando a estrutura sanitária tão necessária à vida daquele povoado. Porém, a obra do Padre Damião foi muito além do empenhamento em cuidar da melhoria física do local. Padre Damião trouxe àquele lugar uma nova esperança e deu alívio aos doentes que, ali, eram abandonados. O Padre Damião era conhecido como o Apóstolo dos leprosos. Numa noite de 1885, inadvertidamente, Damião colocou o pé esquerdo numa bacia com água muito quente e não sentiu nenhuma dor. Percebeu, então, que tinha contraído a lepra. Havia dez anos que Padre Damião tinha chegado à ilha e, milagrosamente, não havia contraído a doença até então. Com o passar do tempo, a doença tomou-o por inteiro. O Padre Damião, o Apóstolo dos leprosos, morreu no dia 15 de Abril de 1889. Conta-se que, após a sua morte, o seu corpo, que estava cheio de feridas da lepra, apareceu limpo e sadio. Em 1936, os seus restos mortais foram transladados para a Bélgica, seu país de origem, onde foram sepultados com honras de Estado. 
O Padre Damião é conhecido e venerado em todo o mundo, especialmente pelos habitantes do arquipélago do Havai, por ter dedicado toda a sua vida ao cuidado dos leprosos de Molokai. Foi beatificado, em 1995, pelo Papa João Paulo II e canonizado, em 11 de Outubro de 2009, pelo Papa Bento XVI. Foi declarado patrono espiritual dos leprosos e dos marginalizados, incluindo os doentes de SIDA; é, também, o patrono do Estado do Havai. A sua festividade litúrgica é celebrada no dia 15 de Abril.

 

 

 

segunda-feira, 8 de abril de 2013

MENSAGEM PASCAL DO SANTO PADRE FRANCISCO



 
- na bênção Urbi et Orbi, do dia de Páscoa – Roma

Amados irmãos e irmãs de Roma e do mundo inteiro, boa Páscoa! Boa Páscoa!
Que grande alegria é para mim poder dar-vos este anúncio: Cristo ressuscitou! Queria que chegasse a cada casa, a cada família e, especialmente, a onde há mais sofrimento, aos hospitais, às prisões... Sobretudo, queria que chegasse a todos os corações, porque é lá que Deus quer semear esta Boa Nova: Jesus ressuscitou! Há uma esperança que despertou para ti; já não estás sob o domínio do pecado, do mal! Venceu o amor, venceu a misericórdia! A misericórdia sempre vence! Também nós - como as mulheres discípulas de Jesus que foram ao sepulcro e o encontraram vazio - nos podemos interrogar acerca do sentido que tem este acontecimento (cf. Lc 24, 4). Que significa o facto de Jesus ter ressuscitado? Significa que o amor de Deus é mais forte que o mal e a própria morte; significa que o amor de Deus pode transformar a nossa vida, fazer florir aquelas parcelas de deserto que ainda existem no nosso coração. E isto é algo que o amor de Deus pode fazer. Este mesmo amor pelo qual o Filho de Deus Se fez homem e prosseguiu, até ao extremo, no caminho da humildade e do dom de Si mesmo, até à  morada dos mortos, ao abismo da separação de Deus; este mesmo amor misericordioso inundou de luz o corpo morto de Jesus e transfigurou-o, fê-lo passar à vida eterna. Jesus não voltou à vida que tinha antes, à vida terrena, mas entrou na vida gloriosa de Deus e o fez com a nossa humanidade, abrindo-nos um futuro de esperança. Eis o que é a Páscoa: é o êxodo, a passagem do homem da escravidão do pecado, do mal, à liberdade do amor, do bem. Porque Deus é vida, somente vida, e a sua glória somos nós: o homem vivo (cf. Ireneu, Adversus haereses, 4, 20, 5-7).
Amados irmãos e irmãs: Cristo morreu e ressuscitou de uma vez para sempre e para todos, mas a força da Ressurreição - esta passagem da escravidão do mal à liberdade do bem - deve realizar-se em todos os tempos, nos espaços concretos da nossa existência, na nossa vida de cada dia. Quantos desertos o ser humano tem de atravessar, ainda hoje! Sobretudo o deserto que existe dentro dele, quando falta o amor de Deus e o amor ao próximo; quando falta a consciência de ser guardião de tudo o que o Criador nos deu e continua a dar. Mas a misericórdia de Deus pode fazer florir mesmo a terra mais árida, pode devolver a vida aos ossos ressequidos (cf. Ez 37, 1-14). Eis, portanto, o convite que dirijo a todos: acolhamos a graça da Ressurreição de Cristo! Deixemo-nos renovar pela misericórdia de Deus; deixemo-nos amar por Jesus; deixemos que a força do Seu amor transforme também a nossa vida, tornando-nos instrumentos desta misericórdia, canais através dos quais Deus possa irrigar a terra, guardar a criação inteira e fazer florir a justiça e a paz.
E assim, a Jesus ressuscitado que transforma a morte em vida, peçamos para mudar o ódio em amor, a vingança em perdão, a guerra em paz. Sim, Cristo é a nossa paz e, por Seu intermédio, imploramos a paz para o mundo inteiro. Paz para o Médio Oriente, especialmente entre israelitas e palestinos, que sentem dificuldade em encontrar o caminho da concórdia, a fim de que retomem, com coragem e disponibilidade, as negociações para pôr termo a um conflito que já dura há demasiado tempo. Paz para o Iraque, para que cesse definitivamente toda a violência; paz para a amada Síria, para a sua população vítima do conflito e para os numerosos refugiados, que esperam ajuda e conforto. Já foi derramado tanto sangue… Quantos sofrimentos deverão ainda atravessar, antes de se conseguir encontrar uma solução política para a crise? Paz para a África, cenário de sangrentos conflitos: para o Mali, para que reencontre unidade e estabilidade; para Nigéria, onde infelizmente não cessam os atentados, que ameaçam gravemente a vida de tantos inocentes, e onde muitas pessoas, incluindo crianças, são mantidas como reféns por grupos terroristas; paz para o leste da República Democrática do Congo e para a República Centro-Africana, onde muitos se vêem forçados a deixar as suas casas e vivem ainda no medo. Paz para a Ásia, sobretudo para a península coreana, para que sejam superadas as divergências e amadureça um renovado espírito de reconciliação. Paz para o mundo inteiro, ainda tão dividido pela ganância de quem procura lucros fáceis; ferido pelo egoísmo que ameaça a vida humana e a família: um egoísmo que faz continuar o tráfico de pessoas, a escravatura mais extensa, neste século vinte e um. O tráfico de pessoas é realmente a escravatura mais extensa neste século vinte e um! Paz para todo o mundo dilacerado pela violência ligada ao narcotráfico e por uma iníqua exploração dos recursos naturais. Paz para esta nossa Terra! Jesus ressuscitado leve conforto a quem é vítima das calamidades naturais e nos torne guardiões responsáveis da criação.
Amados irmãos e irmãs, originários de Roma ou de qualquer outra parte do mundo: a todos vós que me ouvis, dirijo este convite do Salmo 117: «Dai graças ao Senhor, porque Ele é bom, porque é eterno o seu amor. Diga a casa de Israel: É eterno o seu amor» (vv. 1-2).

PARA REZAR





HINO I DA HORA INTERÉDIA – TEMPO PASCAL

Este é o dia que o Senhor nos fez,
Radiante de luz e de verdade:
O Sangue do Calvário transformou-se
Em aurora feliz de um mundo novo.

O Pródigo voltou ao lar paterno,
O Cego, deslumbrado, abriu os olhos,
O Bom Ladrão confia no Senhor,
Pois tem o Paraíso prometido.

Oh mistério da humana redenção,
Oh vitória do amor e da justiça!
Jesus Cristo, morrendo no madeiro,
Venceu a morte para todo o sempre!

Este é o dia que o Senhor nos fez:
Dêmos glória ao Senhor ressuscitado,
Cantemos a Deus Pai e ao seu Espírito,
Agora e pelos séculos sem fim.

 

SANTOS POPULARES



SANTO ESTANISLAU

Estanislau nasceu em Sézépanow, pequena cidade da Polónia, perto de Cracóvia, no dia 26 de Julho de 1030. O seu pai, Wielislas, era um dos principais senhores do país; a sua mãe, Bogna, pertencia, também, a uma ilustre família. Ambos eram muito piedosos e amigos dos pobres, a quem acolhiam e ajudavam. O testemunho dos seus pais foi de grande influência para a formação do carácter de Estanislau que, já de si, era propenso à virtude. Dotado de grande inteligência, Estanislau estudou na universidade de Gniezno - então a mais famosa universidade da Polónia - e, depois, na mundialmente célebre Universidade de Paris, onde estudou direito canónico e teologia. Quando voltou à sua pátria, herdou, pela morte dos seus pais, uma grande fortuna. Então, vendeu tudo, repartiu o dinheiro pelos pobres e decidiu seguir a carreira eclesiástica. Foi ordenado sacerdote pelo bispo de Cracóvia, Lamberto Zula, que o fez cónego da sua catedral.
Rapidamente, adquiriu fama de pregador, sendo também muito procurado como director espiritual. Muitos eclesiásticos e leigos vinham de todas as partes da Polónia para o ouvir e para o consultar sobre problemas de consciência e sobre questões da lei canónica. De fé profunda, de grande sensatez e prudência, de sólida formação humana e teológica, de fácil erudição, tornou-se muito conhecido. Por isso, quando faleceu o bispo de Cracóvia, D. Lamberto, todos - rei, nobres, clero e povo – escolheram-no para ficar à frente dos destinos da diocese. Ele, porém, recusou aceitar o cargo. Foi preciso uma ordem formal do Papa Alexandre II para que cedesse. Foi sagrado bispo no ano de 1072, aos 42 anos de idade. A partir de então, dedicou-se com energia à reforma da Igreja - tão desejada pelo Sumo Pontífice - exigindo que o seu clero tivesse vida edificante e agradável a Deus, não só para servir de modelo mas, sobretudo, para oferecer, com mãos puras, o santo sacrifício da Missa. Ele próprio era exemplo de profunda piedade e de total abnegação. Todos os anos visitava as diversas partes da diocese, corrigindo abusos, promovendo o sacramento do crisma, reconciliando os inimigos e os casais separados. Elaborou uma lista dos pobres e viúvas da sua diocese, para melhor poder socorrê-los. No ano de 1058, Boleslau II subiu ao trono ducal da Polónia, cuja capital era Cracóvia. Boleslau II era um príncipe ambicioso e valente. Dizem os historiadores que ninguém era mais atrevido no combate, mais ágil e destro no manejo da lança e da espada, mais sofrido no campo de batalha. Por isso, alcançou grandes vitórias quer nas planícies da Hungria, quer nas estepes russas e nos pântanos da Pomerânia. Tornou-se tão forte, que separou o seu ducado do Sacro Império Romano-Germânico. No Natal de 1076, coroou-se como Rei da Polónia. O país tornou-se, então, refúgio seguro para outros príncipes caídos em desgraça, como Bela da Hungria, Jaromir da Boémia e Isaslao da Rússia, que aí encontraram amparo e apoio. O sucesso subiu-lhe à cabeça e tornou-se soberbo e dado aos prazeres mundanos. O seu palácio transformou-se num harém; e, como um vício atrai outro vício, tornou-se déspota, perseguindo a nobreza e espezinhando o povo. Tornou-se tão temível que ninguém ousava levantar a voz contra ele. O Bispo, Estanislau, não conhecia temores. Numa assembleia plenária de clero e de nobres, na presença do rei, começou a pregar as verdades da moral católica e a defender os direitos da justiça e da virtude. Falou dos juízos de Deus, da perda das almas, dos castigos eternos, da continência, da santidade do matrimónio e dos direitos de súbditos e vassalos em qualquer reino. Isso atingia directamente o rei que respondeu irado, com uma série de injúrias e insultos, chamando ao Bispo hipócrita e soberbo. Foi o início de uma batalha sem quartel entre o bispo e o rei, que só terminaria com o assassinato do bispo.
Um facto foi além de todas as medidas despóticas de Boleslau. Um dos seus vassalos, Miécislas, era casado com uma mulher notável pela sua virtude e pela sua beleza. Era considerada a mulher mais bela do reino. Boleslau mandou raptá-la e levá-la r para o seu palácio. Este acto escandaloso e imoral revoltou toda a nobreza, que se dirigiu ao arcebispo de Gniezno - então primaz da Polónia - e aos outros bispos do reino, pedindo-lhes que fossem falar ao Rei, mostrando-lhe a iniquidade da sua acção. Mas, os prelados temeram irritar o monarca e mostraram-se muito renitentes a tal acção. Então, a nobreza vingou-se deles, fazendo publicar, por toda parte, que eles eram mercenários e que tinham muito menos em conta a causa de Deus do que a sua própria fortuna e ambição. O Bispo Estanislau, porém, não se calou. Com voz respeitosa, mas firme, disse a Boleslau o que outrora São João Batista dissera ao rei Herodes: “Não te é permitido tomá-la por mulher!” Censurou, também, o soberano pelas suas desordens, e alertou-o de que, se não se corrigisse, expunha-se às censuras da Igreja. Arrogante, Boleslau insultou o bispo, dizendo com grosseria: “Quando se fala assim de maneira tão pouco conveniente a um rei, dever-se-ia ser guardador de porcos”. A “guerra” entre os dois chegava ao seu ponto mais forte. Não encontrando na vida privada do prelado nada que o desabonasse, Boleslau recorreu à calúnia, chamando-o de usurpador do bem alheio. Era uma alusão ao seguinte facto: o bispo tinha comprado um terreno em Piotrawin, a um tal Pedro. Havia pago o preço na presença de testemunhas, confiando na boa-fé das mesmas. Como, naquele tempo, a palavra dada tinha força de lei, o Bispo Estanislau não se importou em ter um recibo do pagamento feito. Ora, aconteceu que o tal Pedro faleceu. Então, o rei Boleslau procurou os sobrinhos e herdeiros de Pedro, pedindo-lhes que reclamassem novamente o pagamento, pois ele, rei, faria calar as testemunhas.
Estanislau teve de comparecer num julgamento presidido pelo rei, com vários juízes, diante das testemunhas intimidadas que não quiseram declarar-se em seu favor. Vendo que não podia contar com os homens, pediu a Deus que fosse sua testemunha. Inspirado pelo Céu, pediu aos juízes um prazo de três dias, findo o qual traria como testemunha o próprio vendedor, Pedro. Ora, este havia falecido três anos antes. Por isso, como zombaria, os juízes aceitaram.
Nos dois dias seguintes, o santo jejuou e celebrou a santa Missa, pedindo a Nosso Senhor que defendesse a sua causa. No terceiro, depois de celebrar, foi ao cemitério revestido com as vestes episcopais, escoltado pelos seus clérigos e muitos fiéis. Pediu que abrissem o túmulo de Pedro e tocou os seus restos mortais com o báculo. Imediatamente, o corpo do falecido se recompôs e Santo Estanislau pôde ir com o ressuscitado ao tribunal, e diante dos presentes aterrorizados, comprovou a inocência do santo. Como o monarca prosseguisse com as suas iniquidades, o Bispo Estanislau excomungou-o publicamente e interditou-lhe a entrada na catedral. Mas, Boleslau continuou a assistir ao divino sacrifício, sem se importar com a excomunhão. O bispo, então, ordenou ao clero que interrompesse a missa logo que o rei entrasse no recinto sagrado. O rei jurou vingança. No dia 8 de Maio de 1079, Estanislau celebrava a santa Missa, na igreja de São Miguel, nos arredores da cidade. Ouviu o tropel de gente de guerra, mas não interrompeu o santo sacrifício. Era o rei Boleslau, acompanhado dos seus soldados, que vinha para se vingar. Mandou que alguns soldados entrassem na igreja e matassem o Bispo. Os soldados, porém, não ousaram levantar a mão contra o seu pastor. Então, o próprio rei entrou no santuário e desferiu um violento golpe na cabeça de Estanislau e, em seguida, trespassou-lhe o coração e desfigurou o rosto. Mandou, em seguida, retalhar o corpo do Bispo e espalhá-lo pela cidade. Alguns fiéis, desobedecendo à ordem do rei, reuniram os restos mutilados do mártir e enterraram-nos em frente da igreja de São Miguel. Mais tarde, os seus restos mortais foram transferidos para a catedral.
O Papa São Gregório VII, ao saber do horrendo crime, decretou a interdição do reino da Polónia; excomungou e depôs o rei, que acabou por abdicar do trono.
O mártir Santo Estanislau foi canonizado em 1253, pelo Papa Inocêncio IV. É ele um dos padroeiros da Polónia venerado, sobretudo, em Cracóvia, a sua cidade episcopal. A sua memória litúrgica faz-se no dia 11 de Abril.

 

 

 

quinta-feira, 4 de abril de 2013

VISITA PASCAL


A visita pascal decorreu este fim de semana na nossa paróquia e levou aos fiéis o solene anúncio da Ressurreição de Cristo. De casa em casa, a mensagem percorreu lugares, caminhos, famílias chamando para a alegria e para o testemunho de Cristo, na vida. A tradição continua enraizada e marca a vida da comunidade com um sinal de fé que, contrariando a mentalidade dominante, caracteriza o povo na sua busca de Deus, de sentido e de esperança.

domingo, 31 de março de 2013

SANTA E FELIZ PÁSCOA


São os votos do Pároco de Santa Maria da Feira.
Que a bênção de Deus a todos conceda Alegria e Paz
em união com Maria, Mãe de Jesus e nossa Mãe.

 

PARA REZAR



PÁSCOA 2013

ANO DA FÈ

 
“…Senhor Jesus Cristo, Deus e homem verdadeiro:
na força da Tua ressurreição, encontramos a Vida, a Paz e a Alegria.
Nesta Páscoa, somos desafiados a testemunhar
os valores que nascem do Teu Evangelho.
O mundo em que vivemos precisa dos sinais da nossa fé
para despertar para o amor, para a misericórdia e para o perdão.
Lembra-Te de quantos vivem no sofrimento,
na angústia e no desespero,
e concede-lhes a serenidade e a esperança de que precisam.
Lembra-Te das famílias
para que vivam na harmonia, no respeito e na comunhão.
Dá-lhes a Tua bênção
para que se tornem Igreja de ternura e de partilha.
Neste Ano da Fé,
purifica os nossos corações e os nossos gestos
para que sejamos capazes de construir
um mundo novo de autêntica fraternidade.
Perdoa as nossas fragilidades
e concede-nos a graça de anunciar
que só Tu és o Salvador do mundo. Amém…”

 
 


SALMO 118: da liturgia da Ressurreição do Senhor

Dai graças ao Senhor, porque Ele é bom,
porque é eterna a sua misericórdia.
Diga a casa de Israel:
é eterna a sua misericórdia.
 
A mão do Senhor fez prodígios,
a mão do Senhor foi magnífica.
Não morrerei, mas hei-de viver,
para anunciar as obras do Senhor.

A pedra que os construtores rejeitaram
tornou-se pedra angular.
Tudo isto veio do Senhor:
é admirável aos nossos olhos.

PALAVRAS DO PAPA FRANCISCO




- na homilia de Domingo de Ramos: XXVIII Jornada Mundial da Juventude

“…Com Cristo, o coração nunca envelhece. Entretanto todos sabemos – e bem o sabeis vós – que o Rei que seguimos e nos acompanha é muito especial: é um Rei que ama até à cruz e nos ensina a servir, a amar. E vós não tendes vergonha da sua Cruz; antes, abraçai-la, porque compreendestes que é no dom de si, no sair de si mesmo, que se alcança a verdadeira alegria e que, com o amor de Deus, Ele venceu o mal. Vós levais a Cruz peregrina por todos os continentes, pelas estradas do mundo. Levai-la, correspondendo ao convite de Jesus: «Ide e fazei discípulos entre as nações» (cf. Mt 28, 19), que é o tema da Jornada da Juventude deste ano. Levai-la para dizer a todos que, na cruz, Jesus abateu o muro da inimizade que separa os homens e os povos, e trouxe a reconciliação e a paz…”

 

- no final da Via-Sacra, no Coliseu – Roma, na Sexta-Feira Santa

“Amados irmãos e irmãs,
Agradeço-vos por terdes participado, em tão grande número, neste momento de intensa oração. E agradeço também a todos aqueles que se uniram a nós através dos meios de comunicação, especialmente aos doentes e aos idosos.
Não quero acrescentar muitas palavras. Nesta noite, deve prevalecer uma única palavra, que é a própria Cruz. A Cruz de Jesus é a Palavra com que Deus respondeu ao mal do mundo. Às vezes, parece-nos que Deus não responde ao mal, que permanece calado. Na realidade, Deus falou, respondeu, e a sua resposta é a Cruz de Cristo: uma Palavra que é amor, misericórdia, perdão. Mas, é também julgamento: Deus julga, amando-nos. Se acolho o seu amor, estou salvo… Se o recuso, estou condenado, não por Ele, mas por mim mesmo, porque Deus não condena. Ele,  unicamente, ama e salva.
Amados irmãos, a palavra da Cruz é também a resposta dos cristãos ao mal que continua a agir em nós e ao nosso redor. Os cristãos devem responder ao mal com o bem, tomando sobre  si a cruz, como Jesus. Nesta noite, ouvimos o testemunho dos nossos irmãos do Líbano: foram eles que prepararam estas belas meditações e estas preces. De coração lhes agradecemos por este  serviço e, sobretudo, pelo testemunho que nos dão. Vimo-lo quando o Papa Bento foi ao Líbano: vimos a beleza e a força da comunhão dos cristãos naquela nação e da amizade de tantos irmãos muçulmanos e muitos outros. Foi um sinal para todo o Médio Oriente e para o mundo inteiro: um sinal de esperança.  Então, continuemos esta Via-Sacra na vida de todos os dias. Caminhemos juntos pela senda da Cruz; caminhemos levando no coração esta Palavra de amor e de perdão. Caminhemos esperando a Ressurreição de Jesus.”

 

SANTOS POPULARES




Isidoro, o mais novo de quatro irmãos, nasceu em 560, em Cartagena, Andaluzia, numa família hispano-romana muito cristã. O seu pai, Severiano, era aí governador. Geria a cidade dentro dos mais disciplinados preceitos cristãos. A sua mãe, Teodora, educou os filhos na fidelidade aos valores do cristianismo. Como fruto desta dedicação e cuidado, colheu a alegria de ter quatro deles - Isidoro, Fulgêncio, Leandro e Florentina - elevados à máxima veneração da Igreja, na declaração da sua santidade: Leandro foi bispo de Sevilha; Fulgêncio foi bispo de Écija; Florentina foi religiosa e teve ao seu cuidado mais de 40 conventos, com cerca de mil religiosas. O pai faleceu muito cedo. Isidoro, desde muito pequeno, estudou – na escola da Catedral de Sevilha - as verdades da religião tendo, na pessoa do seu irmão mais velho, Leandro, o carinho e a exigência de um pai. Diz a tradição que, na escola, Isidoro começou por ter muitas dificuldades de aprendizagem, chegando a preocupar a família e os professores; mas, rapidamente, superou tudo com a dedicação da família, com o estudo e com a ajuda de Deus. Formou-se em Sevilha, onde, além do latim, aprendeu também grego e hebraico. Em Sevilha, foi ordenado sacerdote. O seu amor a Jesus, a sua capacidade intelectual, o seu fervor apostólico contribuíram para que se dedicasse à conversão dos visigodos arianos, a começar pelo próprio rei. Isidoro foi, também, responsável pela conversão de muitos judeus espanhóis. Mais tarde, foi nomeado arcebispo de Sevilha, sucedendo ao seu irmão Leandro. Desempenhou este ministério durante quase quatro décadas. Desde o início do seu bispado, Isidoro organizou núcleos escolares nas casas religiosas, considerados os embriões dos actuais seminários. Foi muito grande a sua influência cultural, pois era possuidor de uma das maiores e mais bem abastecidas bibliotecas. O seu exemplo levou muita gente a dedicar os seus tempos livres ao estudo e às boas leituras. Mais tarde, renunciou ao seu cargo e retirou-se para um convento, onde cumpria, fielmente, as suas obrigações religiosas e se dedicava intensamente aos estudos. Pelos seus profundos conhecimentos, presidiu ao II Concílio de Sevilha, em 619, e ao IV Concílio de Toledo, em 633, dos quais saíram leis muito importantes para a Igreja, de modo que a religiosidade se enraizou no país. Por isso, foi chamado "Pai dos Concílios" e "mestre da Igreja" da Idade Média. Isidoro foi um verdadeiro exemplo de dedicação aos outros e à caridade. A casa onde vivia estava sempre cheia de mendigos e necessitados. No dia 4 de Abril de 636, sentindo que a morte estava próxima, dividiu todos os seus bens pelos pobres; publicamente pediu perdão dos seus pecados; recebeu a unção dos enfermos e, pela última vez, a eucaristia; e, enquanto rezava aos pés do altar, ali morreu. Isidoro deixou escrita uma grande obra sobre cultura, filosofia e teologia. Foi considerada a mais valiosa do século VII. Dos seus escritos é importante destacar uma enciclopédia - em vinte e um volumes, chamada Etimologias - considerada como sendo o primeiro dicionário escrito; um livro com a biografia dos principais homens e mulheres da Bíblia; regras para mosteiros e conventos; muitos comentários acerca de cada um dos livros da Bíblia. Foi canonizado, em 1598, pelo Papa Clemente VIII. Em 1722, o Papa Bento XIV proclamou Santo Isidoro de Sevilha doutor da Igreja. A memória litúrgica de Santo Isidoro de Sevilha faz-se no dia 4 de Abril.

 

sábado, 23 de março de 2013

SEMANA SANTA



A liturgia da Igreja celebra, na Semana Santa, os mistérios da Redenção operada por Jesus para salvar o homem do pecado e da morte. Esta semana, a mais importante da liturgia, começa com o Domingo de Ramos, lembrando a entrada triunfal de Jesus em Jerusalém.
A manhã de Quinta-Feira Santa é marcada pela celebração da Missa Crismal, assim chamada porque o Bispo, reunido com todo o clero diocesano na Catedral, abençoa os óleos dos catecúmenos e dos enfermos, e consagra o Óleo do Crisma. O tríduo pascal começa com a celebração da Missa da Ceia do Senhor, ao fim da tarde. Nesta celebração faz-se a memória da instituição da Eucaristia e da Ordem e a dádiva do mandamento novo do Amor.
Na Sexta-Feira Santa celebra-se a morte do Senhor, com a adoração da cruz. Neste dia, a Igreja não celebra a Eucaristia. A celebração, da parte tarde, faz a memória da Paixão e Morte de Cristo. A adoração da Cruz manifesta a adesão plena à proposta de Jesus, reconhecendo na Cruz o sinal da grandeza do amor que salva.
No Sábado Santo, a Igreja fica em silêncio, contemplando o mistério da morte do Senhor, meditando e rezando. À noite, na Vigília Pascal - a maior e mais importante celebração cristã - a Igreja celebra-se a Ressurreição de Jesus Cristo.
No Domingo de Páscoa, celebramos Cristo Ressuscitado, presente nas nossas vidas e peregrino ao encontro do mundo para o convidar a crer e a viver a vida nova que brota da Páscoa. Entre nós, faz-se a Visita Pascal: anúncio, de casa em casa, da vitória de Cristo e convite à alegria e à esperança.

Horário das celebrações:
Quinta-Feira Santa: Missa da Ceia do Senhor – às 20,30 h., na Igreja da Misericórdia.
Sexta-Feira Santa: celebração da Paixão do Senhor – às 19,00 h., na Igreja Matriz
Sábado: Vigília Pascal – às 20,30 h., na Igreja Matriz
Domingo da Páscoa do Senhor: celebração da Eucaristia – às 8,00 e 19,00h., na Igreja Matriz.

VISITA PASCAL




A visita pascal - uma tradição muito antiga - quer levar aos fiéis o solene anúncio da Ressurreição de Cristo. De casa em casa, a mensagem percorre lugares, caminhos, famílias chamando para a alegria e para o testemunho de Cristo, na vida. A tradição continua enraizada e marca a vida da comunidade com um sinal de fé que, contrariando a mentalidade dominante, caracteriza o povo na sua busca de Deus, de sentido e de esperança.
Na nossa paróquia de Santa Maria da Feira, a visita pascal (o compasso) faz-se no Domingo e na Segunda-Feira de Páscoa, seguindo os itinerários habituais. Receber o compasso não é uma obrigação, mas sim um convite a acolher Jesus e a Vida que Ele nos oferece.

PARA REZAR



SALMO 22

Todos os que me vêem escarnecem de mim,
estendem os lábios e meneiam a cabeça:
«Confiou no Senhor, Ele que o livre,
Ele que o salve, se é seu amigo».

Matilhas de cães me rodearam,
cercou-me um bando de malfeitores.
Trespassaram as minhas mãos e os meus pés,
posso contar todos os meus ossos.

Repartiram entre si as minhas vestes
e deitaram sortes sobre a minha túnica.
Mas Vós, Senhor, não Vos afasteis de mim,
sois a minha força, apressai-Vos a socorrer-me.

Hei-de falar do vosso nome aos meus irmãos,
hei-de louvar-Vos no meio da assembleia.
Vós que temeis o Senhor, louvai-O,
glorificai-O, vós todos os filhos de Jacob,
reverenciai-O, vós todos os filhos de Israel.

PALAVRA DO PAPA



- no discurso proferido pelo Papa Francisco aos delegados fraternos das Igrejas, Comunidades Eclesiais e Organismos Ecuménicos Internacionais, representantes do povo judeu e de religiões não cristãs, reunidos em Roma para a celebração do início oficial do Seu ministério petrino.

“…A Igreja Católica está ciente da importância que tem  a promoção da amizade e do respeito entre os homens e mulheres de diferentes tradições religiosas; quero repetir isso: promoção da amizade e do respeito entre homens e mulheres de diferentes tradições religiosas. Confirma-o, também, o valioso trabalho realizado pelo Pontifício Conselho para o Diálogo Inter-religioso. Ela, também, está ciente da responsabilidade que todos nós temos em relação ao nosso  mundo, - a toda a criação - que devemos amar e proteger. Podemos fazer muito pelo bem de quem é mais pobre, de quem é fraco e de quem sofre, para favorecer a justiça, para promover a reconciliação, para construir a paz. Mas, especialmente, devemos manter viva, no mundo, a sede do absoluto, não permitindo que prevaleça uma visão da pessoa humana com uma só dimensão, segundo a qual o homem se reduz ao que produz e ao que consome: esta é uma das armadilhas mais perigosas do nosso tempo.
Sabemos quanta violência produziu, na história recente, a tentativa de eliminar Deus, o divino, do horizonte da humanidade, e chamamos a atenção para o valor de testemunhar, nas nossas sociedades, a originária abertura à transcendência que é inerente ao coração humano. Nisto, sentimo-nos perto de todos aqueles homens e mulheres que - ainda não se reconhecendo pertencentes de nenhuma tradição religiosa - sentem-se, porém, em busca da verdade, da bondade e da beleza - verdade, bondade e beleza de Deus - e que são nossos valiosos aliados no compromisso da defesa da dignidade do homem, na construção de uma convivência pacífica entre os povos e na guarda cuidadosa da criação…”

terça-feira, 19 de março de 2013

HABEMUS PAPAM



- VIVA O PAPA!

- DA HOMILIA DO PAPA FRANCISCO – Roma, 19 de Março, Festa de São José

“…Como vive José a sua vocação de guardião de Maria, de Jesus, da Igreja? Numa constante atenção a Deus, aberto aos seus sinais, disponível mais ao projecto d’Ele que ao seu. E isto mesmo é o que Deus pede a David, como ouvimos na primeira Leitura: Deus não deseja uma casa construída pelo homem, mas quer a fidelidade à sua Palavra, ao seu desígnio; e é o próprio Deus que constrói a casa, mas de pedras vivas marcadas pelo seu Espírito. E José é «guardião», porque sabe ouvir a Deus, deixa-se guiar pela sua vontade e, por isso mesmo, se mostra ainda mais sensível com as pessoas que lhe estão confiadas, sabe ler com realismo os acontecimentos, está atento àquilo que o rodeia, e toma as decisões mais sensatas. Nele, queridos amigos, vemos como se responde à vocação de Deus: com disponibilidade e prontidão; mas vemos também qual é o centro da vocação cristã: Cristo. Guardemos Cristo na nossa vida, para guardar os outros, para guardar a criação!
Entretanto a vocação de guardião não diz respeito apenas a nós, cristãos, mas tem uma dimensão antecedente, que é simplesmente humana e diz respeito a todos: é a de guardar a criação inteira, a beleza da criação, como se diz no livro de Génesis e nos mostrou São Francisco de Assis: é ter respeito por toda a criatura de Deus e pelo ambiente onde vivemos. É guardar as pessoas, cuidar carinhosamente de todas elas e cada uma, especialmente das crianças, dos idosos, daqueles que são mais frágeis e que muitas vezes estão na periferia do nosso coração. É cuidar uns dos outros na família: os esposos guardam-se reciprocamente, depois, como pais, cuidam dos filhos, e, com o passar do tempo, os próprios filhos tornam-se guardiões dos pais. É viver com sinceridade as amizades, que são um mútuo guardar-se na intimidade, no respeito e no bem. Fundamentalmente tudo está confiado à guarda do homem, e é uma responsabilidade que nos diz respeito a todos. Sede guardiões dos dons de Deus!
E quando o homem falha nesta responsabilidade, quando não cuidamos da criação e dos irmãos, então encontra lugar a destruição e o coração fica ressequido. Infelizmente, em cada época da história, existem «Herodes» que tramam desígnios de morte, destroem e deturpam o rosto do homem e da mulher.
Queria pedir, por favor, a quantos ocupam cargos de responsabilidade em âmbito económico, político ou social, a todos os homens e mulheres de boa vontade: sejamos «guardiões» da criação, do desígnio de Deus inscrito na natureza, guardiões do outro, do ambiente; não deixemos que sinais de destruição e morte acompanhem o caminho deste nosso mundo! Mas, para «guardar», devemos também cuidar de nós mesmos. Lembremo-nos de que o ódio, a inveja, o orgulho sujam a vida; então guardar quer dizer vigiar sobre os nossos sentimentos, o nosso coração, porque é dele que saem as boas intenções e as más: aquelas que edificam e as que destroem. Não devemos ter medo de bondade, ou mesmo de ternura.
A propósito, deixai-me acrescentar mais uma observação: cuidar, guardar requer bondade, requer ser praticado com ternura. Nos Evangelhos, São José aparece como um homem forte, corajoso, trabalhador, mas, no seu íntimo, sobressai uma grande ternura, que não é a virtude dos fracos, antes pelo contrário denota fortaleza de ânimo e capacidade de solicitude, de compaixão, de verdadeira abertura ao outro, de amor. Não devemos ter medo da bondade, da ternura!..”


 

JORNADAS VICARIAIS DO ANO DA FÉ





Nos dias 16 e 17 de Março, realizaram-se as Jornadas Vicariais do Ano da Fé da Vigararia de Santa Maria da Feira, no Ginásio do Colégio de Santa Maria de Lamas. Com a presidência do Sr. Bispo do Porto, D. Manuel Clemente, e a presença do Sr. D. João Lavrador, Bispo Auxiliar e delegado para a Região Pastoral Sul, as jornadas decorreram cheias de festa, de testemunho e de compromisso manifestados nas palavras e nos gestos dos que dinamizaram este evento. O Pavilhão encheu-se de fiéis que quiseram afirmar a sua fé em Jesus Cristo e a sua disponibilidade para servir a Igreja e o mundo na bondade, na verdade e na beleza, como tem dito o Santo Padre Francisco. Gostaríamos que estas Jornadas fossem ponto de partida para um empenhamento maior de todos na construção, entre nós, do Reino de Jesus Cristo.


domingo, 17 de março de 2013

HABEMUS PAPAM



- VIVA O PAPA!

Francisco foi o nome escolhido pelo Cardeal Jorge Mário Bergoglio, eleito pelos cardeais eleitores para suceder a Bento XVI que renunciou ao ministério petrino. É o primeiro Papa latino -americano e não europeu da história. O fumo branco saiu da chaminé colocada sobre a Capela Sistina às 19h06 locais (menos uma em Portugal) do dia 13 de Março de 2013. 

Na sua primeira aparição pública, o Papa disse: "Queridos irmãos e irmãs, boa tarde!... Como sabeis, os cardeais no Conclave têm que escolher um bispo para Roma. Parece que os irmãos cardeais o foram procurar quase no fim do mundo. Mas, aqui estamos. Agradeço à comunidade diocesana de Roma o acolhimento que presta ao seu bispo.
Antes de mais, queria fazer uma oração pelo nosso bispo emérito, Bento XVI. Rezemos todos juntos para que o Senhor o abençoe e a Virgem o proteja. Desejo que este caminho de Igreja, que hoje começamos e no qual me ajudará o cardeal vigário aqui presente, seja fecundo para a evangelização. Agora, gostaria de dar a bênção …mas, antes disso, peço-vos um favor: antes que o bispo abençoe o povo, peço-vos que rezem ao Senhor para que me abençoe. É a oração do povo pedindo a bênção para o seu bispo. Façamos, em silêncio, a vossa oração por mim…
Agora dar-vos-ei a bênção, a vós e a todos os homens e mulheres de boa vontade…
Irmãos e irmãs, deixo-vos… Muito obrigado pelo vosso acolhimento… rezai por mim e até logo. Ver-nos-emos em breve…Amanhã quero rezar a Nossa Senhora, para que proteja a cidade de Roma. Boa noite e bom descanço".

O Cardeal Bergoglio ( Papa Francisco ) nasceu em Buenos Aires, na Argentina, a 17 Dezembro de 1936, de uma modesta família de origem italiana. Entrou, em 1958, na Companhia de Jesus. Foi ordenado padre em 1969. Fez a profissão perpétua em 1973. Foi mestre de noviços, professor de Teologia, Provincial dos Jesuítas da Argentina. Em 1992, foi nomeado por João Paulo II bispo auxiliar de Buenos Aires, de que se tornou Arcebispo em 1998. Foi criado cardeal por João Paulo II, em 2001.

PALAVRA DO PAPA



- 1ª Homilia do Papa Francisco: na Santa Missa com os Cardeais – 14 de Março de 2013

Vejo que estas três Leituras têm algo em comum: é o movimento. Na primeira Leitura, o movimento no caminho; na segunda Leitura, o movimento na edificação da Igreja; na terceira, no Evangelho, o movimento na confissão. Caminhar, edificar, confessar.
Caminhar. «Vinde, Casa de Jacob! Caminhemos à luz do Senhor» (Is 2, 5). Trata-se da primeira coisa que Deus disse a Abraão: caminha na minha presença e sê irrepreensível. Caminhar: a nossa vida é um caminho e, quando nos detemos, está errado. Caminhar sempre, na presença do Senhor, à luz do Senhor, procurando viver com aquela irrepreensibilidade que Deus pedia a Abraão, na sua promessa.
Edificar. Edificar a Igreja. Fala-se de pedras: as pedras têm consistência; mas pedras vivas, pedras ungidas pelo Espírito Santo. Edificar a Igreja, a Esposa de Cristo, sobre aquela pedra angular que é o próprio Senhor. Aqui temos outro movimento da nossa vida: edificar.
Terceiro, confessar. Podemos caminhar o que quisermos, podemos edificar um monte de coisas, mas se não confessarmos Jesus Cristo, está errado. Tornar-nos-emos uma ONG sócio-caritativa, mas não a Igreja, Esposa do Senhor. Quando não se caminha, ficamos parados. Quando não se edifica sobre as pedras, que acontece? Acontece o mesmo que às crianças na praia quando fazem castelos de areia: tudo se desmorona, não tem consistência. Quando não se confessa Jesus Cristo, faz-me pensar nesta frase de Léon Bloy: «Quem não reza ao Senhor, reza ao diabo». Quando não confessa Jesus Cristo, confessa o mundanismo do diabo, o mundanismo do demónio.
Caminhar, edificar-construir, confessar. Mas a realidade não é tão fácil, porque às vezes, quando se caminha, constrói ou confessa, sentem-se abalos, há movimentos que não são os movimentos próprios do caminho, mas movimentos que nos puxam para trás.
Este Evangelho continua com uma situação especial. O próprio Pedro que confessou Jesus Cristo com estas palavras: “Tu és Cristo, o Filho de Deus vivo, diz-lhe: Eu sigo-Te, mas de Cruz não se fala. Isso não vem a propósito. Sigo-Te com outras possibilidades, sem a Cruz”. Quando caminhamos sem a Cruz, edificamos sem a Cruz ou confessamos um Cristo sem Cruz, não somos discípulos do Senhor: somos mundanos, somos bispos, padres, cardeais, papas, mas não discípulos do Senhor.
Eu queria que, depois destes dias de graça, todos nós tivéssemos a coragem, sim a coragem, de caminhar na presença do Senhor, com a Cruz do Senhor; de edificar a Igreja sobre o sangue do Senhor, que é derramado na Cruz; e de confessar como nossa única glória Cristo Crucificado. E assim a Igreja vai para diante.
Faço votos de que, pela intercessão de Maria, nossa Mãe, o Espírito Santo conceda a todos nós esta graça: caminhar, edificar, confessar Jesus Cristo Crucificado. Assim seja.

PARA REZAR



Senhor meu Deus, humildemente peço
O teu amor de Pai e o teu perdão,
Embora eu saiba que o não mereço.

Defende e acolhe a humilde devoção,
Reforma sempre na verdade santa
O antigo pensamento errado e vão.

Louvado seja Deus, minha esperança:
Ao cair sobre a terra a noite escura,
Renova em mim a paz e a confiança.

 
Louvor se dê ao Pai omnipotente,
Ao Filho, imagem sua e formosura,
E ao Espírito de ambos procedente.