PALAVRA COM SENTIDO

PALAVRA COM SENTIDO

“…Hás-de temer o Senhor, teu Deus…” (cf. Deuteronómio 6, 2)

Só Deus é Deus e Senhor. E não há outro Deus a quem amar, servir, adorar, acreditar, rezar, agradecer… Temer o Senhor não é ‘ter medo de Deus’. Não precisamos ter medo de Deus: Ele é amor, perdão, misericórdia, alegria, paz, salvação e esperança… Temer o Senhor é reconhecer a grandeza do seu poder; a santidade do seu nome; a ternura que nos dedica; a alegria da vida que nos oferece. Temer o Senhor é acolher a sua Palavra; cumprir os seus mandamentos; responder com fidelidade aos seus apelos; confiar na sua promessa e anunciá-la com a bondade dos nossos gestos. Quem ‘teme a Deus’ procura fazer tudo para não pecar contra ele; fazer nascer no coração o receio e a tristeza de o poder ofender. O apelo feito pela palavra de Deus aponta-nos o caminho da verdade, da justiça, da caridade, da compaixão. Uma grande exigência que nos trará a felicidade e a bênção.

domingo, 6 de janeiro de 2013

SANTOS POPULARES



SÃO LOURENÇO JUSTINIANO

Lourenço nasceu em Veneza, no dia 1 de Julho de 1380, numa família ilustre e nobre: a família Giustiniani. Desde criança, manifestou apreço pelas virtudes da humildade, do desapego às coisas materiais, de transparente honestidade no corpo, na alma e no uso dos bens que possuía. O que mais o fazia sofrer era saber que a vida dos homens e mulheres da sua cidade era dominada pelo orgulho, pela ganância, pela ambição desmedida e pela corrupção. Já adolescente, viveu uma experiência mística que o marcou para sempre: teve a visão da Sabedoria Eterna - Jesus Cristo, Palavra viva do Pai – e, desde então, decidiu dedicar-se à vida religiosa.  O seu único desejo era amar e servir a Deus. Procurando crescer na perfeição da vida espiritual, tornou-se mendigo na sua própria cidade, chegando mesmo a pedir esmola à porta da casa dos seus próprios pais. Os seus familiares sentiam-se provocados e envergonhados com esta sua atitude e, muitas vezes, tentaram demovê-lo e até desviarem-no do caminho da vida religiosa. As comunidades cristãs da Veneza do século XV eram comunidades cheias de vitalidade e de fervor religioso, abertas a uma verdadeira reforma católica e desejosas de dar prova do seu amor a Cristo, dando frutos de testemunho e de boas obras. Lourenço Justiniano é uma prova de que a renovação da vida de fé e a transformação do coração dá muitos frutos.  Com apenas dezanove anos de idade, já era considerado um modelo de virtude, de austeridade e de humildade. Em 1404, foi ordenado Diácono e uniu-se a outros sacerdotes, entrando para Mosteiro de São Jorge, em Alga, para viver, com eles, em comunidade. Este grupo foi conhecido como "Companhia dos Cónegos Seculares", pioneiros do esforço reformador da Igreja Católica. Eram sacerdotes seculares ( ligados ao mundo no seu apostolado, sobretudo o do ensino e da pregação) mas viviam em comunidade, para se ajudarem mutuamente no esforço da santificação . Para isso, criaram regras muito próprias para a organização da sua vida comunitária e apostólica. Lourenço foi ordenado sacerdote, em 1407 e, dois anos depois, foi eleito superior da Comunidade de São Jorge de Alga. Não sendo um bom orador, tornava a sua pregação eficiente com a sua dedicação ao ministério do confessionário, com o seu exemplo de humilde mendicante e com o seu trabalho de escritor incansável. A sua obra inclui livros para doutores e leigos, incluindo tratados teológicos e simples manuais de catequese. Os seus escritos trazem a matriz da sua revelação original: a ideia da "Sabedoria Eterna", eixo da sua mística, tanto para a perfeição interior como para a rectidão da vida. Apesar de não ser seu desejo, em 1433, foi ordenado bispo de Castello, uma pequena diocese perto de Veneza, pelo Papa Eugénio IV. Em 1451, o papa Nicolau V extinguiu esta diocese e nomeou Lourenço Justiniano para primeiro patriarca de Veneza. Nestas funções, deixou uma marca muito particular, impressa com as suas virtudes. Era considerado um homem sábio, prudente, piedoso e, sobretudo, um homem de caridade, principalmente com os mais pecadores. Mandou construir mais de quinze conventos e inúmeras igrejas, possibilitando que muitas pessoas se aproximassem de Deus e vivessem a verdade da fé com entusiasmo e dedicação. A sua acção apostólica levou a um aumento considerável de crentes, na diocese de Veneza e nos arredores. Foi um modelo e um exemplo de pastor, amado por todos os seus fiéis, que obedeciam à sua pregação e ao seu exemplo no seguimento de Cristo. A sua mensagem acentuava, sobretudo, o dever da fidelidade aos mandamentos do Senhor. Lourenço Justiniano morreu no dia 8 de Janeiro de 1456, com setenta e seis anos. Depois da sua morte, muitos milagres foram atribuídos à sua intercessão, Foi canonizado, em 1690, pelo Papa Alexandre VIII.

Na Igreja Matriz de Santa Maria da Feira, no retábulo-mor, encontra-se uma imagem de São Lourenço Justiniano. Os Cónegos seculares de São João Evangelista, ou “frades lóios” - versão portuguesa dos Cónegos Seculares de São Jorge de Alga, de quem Lourenço Justiniano foi superior e impulsionador – eram muito devotos de São Lourenço Justiniano a quem consideravam como fundador do espírito que os motivava e unia. Esta imagem, agora em restauro, mostra o modo de trajar dos “Frades Lóios” ou “frades azuis” por causa da cor das suas vestes. A sua memória litúrgica já esteve marcada no dia 5 de Setembro, data em que fora nomeado bispo. Depois da reforma litúrgica do Concílio Vaticano II, esta memória é celebrada no dia 8 de Janeiro, data da sua morte.

domingo, 30 de dezembro de 2012

BOAS FESTAS


FESTA DA SAGRADA FAMÍLIA



A festa da Sagrada Família tem as suas origens no fim do século XIX. A Igreja inquietava-se então com o que considerava a decadência moral: o progresso do “naturalismo” devido aos avanços da ciência, a penetração do ateísmo e a autonomia cada vez maior da política e do direito em relação à Igreja. Certos Estados chegaram mesmo a aprovar legislação que permitia o casamento civil. E viam-se cada vez mais casais compostos por católicos e não católicos.
Por isso os papas tentaram valorizar a comunidade familiar como instituição propriamente cristã, fundada sobre o Evangelho. Assim, a 26 de Outubro de 1921, o Papa Bento XV instituiu um dia consagrado especificamente à Sagrada Família. Na liturgia renovada pelo Concílio Vaticano II, esta festa celebra-se no Domingo a seguir ao Natal. Na Festa da Sagrada Família, em 27 de Dezembro de 2009, disse o Papa Bento XVI: “…Como não recordar o verdadeiro significado desta festa? Deus, que veio ao mundo no seio de uma família, manifesta que esta instituição é caminho certo para O encontrar e conhecer, assim como uma chamada permanente para trabalhar pela unidade de todos em redor do amor. Portanto, um dos maiores serviços que nós, cristãos, podemos prestar aos nossos semelhantes é oferecer-lhes o nosso testemunho sereno e firme da família fundada no matrimónio entre um homem e uma mulher, salvaguardando-a e promovendo-a, porque ela é de máxima importância para o presente e para o futuro da humanidade. De facto, a família é a melhor escola na qual se aprende a viver aqueles valores que dignificam a pessoa e tornam grandes os povos. Nela também se partilham os sofrimentos e as alegrias, sentindo-se todos protegidos pelo carinho que reina em casa pelo simples facto de ser membros da mesma família. Peço a Deus que nos vossos lares se respire sempre este amor de entrega e fidelidade total que Jesus trouxe ao mundo com o seu nascimento, alimentando-o e fortalecendo-o com a oração quotidiana, a prática constante das virtudes, a compreensão recíproca e o respeito mútuo. Portanto, estimulo-vos a que vos dediqueis incansavelmente a esta bonita missão que o Senhor vos recomendou, confiando na materna intercessão de Maria Santíssima, Rainha das Famílias, e na poderosa protecção de São José, seu esposo…”


PALAVRA DO PAPA



- da Homilia da Missa do galo, 24 de Dezembro, em Roma

“…Onde não se dá glória a Deus, onde Ele é esquecido ou até mesmo negado, também não há paz. Hoje, porém, há correntes generalizadas de pensamento que afirmam o contrário: as religiões, mormente o monoteísmo, seriam a causa da violência e das guerras no mundo; primeiro seria preciso libertar a humanidade das religiões, para se criar então a paz; o monoteísmo, a fé no único Deus, seria prepotência, causa de intolerância, porque pretenderia, fundamentado na sua própria natureza, impor-se a todos com a pretensão da verdade única. É verdade que, na história, o monoteísmo serviu de pretexto para a intolerância e a violência. É verdade que uma religião pode adoecer e chegar a contrapor-se à sua natureza mais profunda, quando o homem pensa que deve ele mesmo deitar mão à causa de Deus, fazendo assim de Deus uma sua propriedade privada. Contra estas deturpações do sagrado, devemos estar vigilantes. Se é incontestável algum mau uso da religião na história, não é verdade que o «não» a Deus restabeleceria a paz. Se a luz de Deus se apaga, apaga-se também a dignidade divina do homem. Então, este deixa de ser a imagem de Deus, que devemos honrar em todos e cada um, no fraco, no estrangeiro, no pobre. Então deixamos de ser, todos, irmãos e irmãs, filhos do único Pai que, a partir do Pai, se encontram interligados uns aos outros. Os tipos de violência arrogante que aparecem então com o homem a desprezar e a esmagar o homem, vimo-los, em toda a sua crueldade, no século passado. Só quando a luz de Deus brilha sobre o homem e no homem, só quando cada homem é querido, conhecido e amado por Deus, só então, por mais miserável que seja a sua situação, a sua dignidade é inviolável. Na Noite Santa, o próprio Deus Se fez homem, como anunciara o profeta Isaías: o menino nascido aqui é «Emmanuel – Deus-connosco» (cf. Is 7, 14). E verdadeiramente, no decurso de todos estes séculos, não houve apenas casos de mau uso da religião; mas, da fé no Deus que Se fez homem, nunca cessou de brotar forças de reconciliação e magnanimidade. Na escuridão do pecado e da violência, esta fé fez entrar um raio luminoso de paz e bondade que continua a brilhar…”

ANO DA FÉ



- DA MENSAGEM DO PAPA PARA O DIA MUNDIAL DA PAZ: 1 DE JANEIRO

“… Obreiros da paz são aqueles que amam, defendem e promovem a vida na sua integridade
Caminho para a consecução do bem comum e da paz é, antes de mais nada, o respeito pela vida humana, considerada na multiplicidade dos seus aspectos, a começar da concepção, passando pelo seu desenvolvimento até ao fim natural. Assim, os verdadeiros obreiros da paz são aqueles que amam, defendem e promovem a vida humana em todas as suas dimensões: pessoal, comunitária e transcendente. A vida em plenitude é o ápice da paz. Quem deseja a paz não pode tolerar atentados e crimes contra a vida.
Aqueles que não apreciam suficientemente o valor da vida humana, chegando a defender, por exemplo, a liberalização do aborto, talvez não se dêem conta de que assim estão a propor a prossecução duma paz ilusória. A fuga das responsabilidades, que deprecia a pessoa humana, e mais ainda o assassinato de um ser humano indefeso e inocente nunca poderão gerar felicidade nem a paz. Na verdade, como se pode pensar em realizar a paz, o desenvolvimento integral dos povos ou a própria salvaguarda do ambiente, sem estar tutelado o direito à vida dos mais frágeis, a começar pelos nascituros? Qualquer lesão à vida, de modo especial na sua origem, provoca inevitavelmente danos irreparáveis ao desenvolvimento, à paz, ao ambiente. Tão pouco é justo codificar ardilosamente falsos direitos ou opções que, baseados numa visão redutiva e relativista do ser humano e com o hábil recurso a expressões ambíguas tendentes a favorecer um suposto direito ao aborto e à eutanásia, ameaçam o direito fundamental à vida.
Também a estrutura natural do matrimónio, como união entre um homem e uma mulher, deve ser reconhecida e promovida contra as tentativas de a tornar, juridicamente, equivalente a formas radicalmente diversas de união que, na realidade, a prejudicam e contribuem para a sua desestabilização, obscurecendo o seu carácter peculiar e a sua insubstituível função social.
Estes princípios não são verdades de fé, nem uma mera derivação do direito à liberdade religiosa; mas estão inscritos na própria natureza humana – sendo reconhecíveis pela razão – e consequentemente comuns a toda a humanidade. Por conseguinte, a acção da Igreja para os promover não tem carácter confessional, mas dirige-se a todas as pessoas, independentemente da sua filiação religiosa. Tal acção é ainda mais necessária quando estes princípios são negados ou mal entendidos, porque isso constitui uma ofensa contra a verdade da pessoa humana, uma ferida grave infligida à justiça e à paz.
Por isso, uma importante colaboração para a paz é dada também pelos ordenamentos jurídicos e a administração da justiça quando reconhecem o direito ao uso do princípio da objecção de consciência face a leis e medidas governamentais que atentem contra a dignidade humana, como o aborto e a eutanásia.
Entre os direitos humanos basilares mesmo para a vida pacífica dos povos, conta-se o direito dos indivíduos e comunidades à liberdade religiosa. Neste momento histórico, torna-se cada vez mais importante que este direito seja promovido não só negativamente, como liberdade de – por exemplo, de obrigações e coacções quanto à liberdade de escolher a própria religião –, mas também positivamente, nas suas várias articulações, como liberdade para, por exemplo, testemunhar a própria religião, anunciar e comunicar a sua doutrina; para realizar actividades educativas, de beneficência e de assistência que permitem aplicar os preceitos religiosos; para existir e actuar como organismos sociais, estruturados de acordo com os princípios doutrinais e as finalidades institucionais que lhe são próprias. Infelizmente vão-se multiplicando, mesmo em países de antiga tradição cristã, os episódios de intolerância religiosa, especialmente contra o cristianismo e aqueles que se limitam a usar os sinais identificadores da própria religião.
O obreiro da paz deve ter presente também que as ideologias do liberalismo radical e da tecnocracia insinuam, numa percentagem cada vez maior da opinião pública, a convicção de que o crescimento económico se deve conseguir mesmo à custa da erosão da função social do Estado e das redes de solidariedade da sociedade civil, bem como dos direitos e deveres sociais. Ora, há que considerar que estes direitos e deveres são fundamentais para a plena realização de outros, a começar pelos direitos civis e políticos.
E, entre os direitos e deveres sociais actualmente mais ameaçados, conta-se o direito ao trabalho. Isto é devido ao facto, que se verifica cada vez mais, de o trabalho e o justo reconhecimento do estatuto jurídico dos trabalhadores não serem adequadamente valorizados, porque o crescimento económico dependeria sobretudo da liberdade total dos mercados. Assim o trabalho é considerado uma variável dependente dos mecanismos económicos e financeiros. A propósito disto, volto a afirmar que não só a dignidade do homem mas também razões económicas, sociais e políticas exigem que se continue « a perseguir como prioritário o objectivo do acesso ao trabalho para todos, ou da sua manutenção ». Para se realizar este ambicioso objectivo, é condição preliminar uma renovada apreciação do trabalho, fundada em princípios éticos e valores espirituais, que revigore a sua concepção como bem fundamental para a pessoa, a família, a sociedade. A um tal bem corresponde um dever e um direito, que exigem novas e ousadas políticas de trabalho para todos…”


PARA REZAR



SALMO 128

Feliz de ti, que temes o Senhor
e andas nos seus caminhos.
Comerás do trabalho das tuas mãos,
serás feliz e tudo te correrá bem.

Tua esposa será como videira fecunda,
no íntimo do teu lar;
teus filhos serão como ramos de oliveira,
ao redor da tua mesa.

Assim será abençoado o homem que teme o Senhor.
De Sião te abençoe o Senhor:
vejas a prosperidade de Jerusalém,
                todos os dias da tua vida.

SANTOS POPULARES



SÃO BASÍLIO

Basílio nasceu no ano 330, na cidade de Cesareia, na Capadócia, actual Turquia. Foi o mais velho de nove irmãos: quatro rapazes e cinco raparigas. Três dos irmãos alcançaram a dignidade episcopal. Das cinco irmãs, a mais velha, Macrina, dedicou a sua vida a Deus. Os seus pais, Basílio e Emélia, eram ricos e gozavam de grande estima entre os seus concidadãos. Ainda criança, Basílio foi acometido de uma doença grave. A oração persistente e confiada do seu pai obteve um verdadeiro milagre de Deus: a cura. Entregue aos cuidados de sua avó, Basílio recebeu os primeiros ensinamentos da vida cristã. Mais tarde, iniciou os estudos em Cesareia, completando-os em Constantinopla. Aí conheceu aquele que foi o seu maior amigo: Gregório, de Nazianzo que, no amor a Jesus encontrou o caminho da santidade. A este amigo chamamos, também, São Gregório Nazianzeno. Quando Basílio voltou a Cesareia, seu pai já havia morrido. O exemplo, as palavras animadoras e o testemunho da sua avó Macrina despertaram nele o desejo de abandonar o mundo e levar uma vida de penitência, de renúncia às coisa mundanas e de entrega total a Jesus. Com este objectivo, visitou diversos eremitas no Egipto, na Síria, na Palestina e na Mesopotâmia. Depois desta peregrinação, voltou a Cesareia determinado a concretizar o seu sonho. O bispo Diânio, conferiu-lhe o leitorado. Entretanto, Diânio, embora fiel aos ideais do cristianismo, proferiu, nos concílios de Antioquia e de Sárdica ( hoje, Sófia, capital da Bulgária), declarações que abalaram a Igreja e fizeram com que a ortodoxia fosse posta em dúvida. Basílio, profundamente entristecido com este facto e para não se expor e perder a fé, com grande pesar, afastou-se do bispo, a quem dedicava grande amizade, e dirigiu-se para o Ponto, onde a sua santa mãe e a sua irmã mais velha tinham fundado um convento para donzelas cristãs. Basílio, imitando o seu exemplo, fundou um convento para homens, cuja direcção foi, mais tarde, entregue ao seu irmão, Pedro: São Pedro de Sebaste. A estas duas fundações, seguiram-se outras e cresceu, consideravelmente, o número de conventos, no Ponto. Foi nesta época que Basílio escreveu obras belíssimas sobre a vida religiosa, compôs a regra da vida monástica que até hoje é observada pelos monges da Igreja Oriental. Basílio é considerado o pai do monaquismo na Igreja Oriental. A vida de Basílio era regida por uma austeridade que causava admiração a todos. Ele, fundador da Ordem - chamada Ordem de São Basílio - era a regra viva, dando a todos os religiosos um verdadeiro exemplo de todas as virtudes monásticas. O rigor da sua penitência deixara-o tão magro e frágil que parecia ter só pele e osso. Entretanto, o bispo Diânio, estando gravemente enfermo, mandou chamar para perto de si o seu santo amigo que o acompanhou até ao último suspiro. Para suceder a Diânio, no bispado de Cesareia, foi escolhido Eusébio: foi das suas mãos que Basílio recebeu o presbiterado, com a missão de pregar. Basílio continuou a sua vida austera, como se estivesse no meio dos seus confrades. Como, porém, a fama de santidade e sabedoria do santo servo de Deus começasse a incomodar e a irritar o bispo Eusébio, Basílio retirou-se para viver na solidão. Porém, Eusébio, intimidado pelas reclamações e ameaças do povo, chamou Basílio a Cesareia e encarregou-o de rebater a propaganda herética do arianismo; de cuidar dos pobres atingidos pela miséria provocada por uma grande carestia de vida; de orientar diversos conventos, de ambos os sexos, que precisavam de um guia espiritual da envergadura de Basílio. Os serviços que, naquela ocasião, prestou à população, quer como pregador, quer como confessor, foram tantos e tão dedicados que o próprio bispo, mudando de atitude e de sentimentos, se tornou um seu dedicado amigo e nada fazia sem antes se aconselhar com Basílio. O Bispo Eusébio morreu no ano 370. O seu sucessor foi Basílio. Como bispo de Cesareia, Basílio veio a ser um astro luminoso da Igreja do Oriente. Cumpridor dos deveres episcopais, modelo exemplaríssimo em todas as virtudes, Basílio tornou-se um baluarte do cristianismo contra os contínuos e rudes ataques da heresia ariana, cujos defensores mais ardentes e poderosos se encontravam ao redor do imperador Valente que era um adepto fanático daquela seita. O imperador Valente não via com bons olhos o trabalho apostólico de Basílio e o rumo comprometido que a diocese de Cesareia tomava, sob a direcção do seu santo pastor. Uma comissão imperial, chefiada pelo valente capitão Modesto, foi enviada a Cesareia com ordens especiais para pôr fim à actividade apostólica de Basílio. Esta comissão não obteve nenhum êxito. Apesar das instruções de que eram portadores, das lisonjas e das ameaças, das argumentações subtis e sofísticas, não puderam impedir que o espírito, a inteligência, a coragem e a intrepidez do santo bispo se mostrassem de uma superioridade admirável. Nas três audiências, para as quais convidaram Basílio, este respondeu com tanta mansidão, clareza e energia, que no relatório que apresentaram ao imperador, confessaram redondamente a sua derrota. O imperador Valente, em consequência deste fracasso, não mais importunou os cristãos. Por ocasião da Festa da Epifania, ele mesmo foi a Cesareia assistir ao Santo Sacrifício, celebrado por Basílio. Ficou tão admirado com a majestade e o esplendor daquele acto sagrado que, embora não se atrevesse a receber a sagrada comunhão das mãos do bispo foi, com os fiéis, levar as oferendas ao altar. O Bispo Basílio, por motivos de sabedoria e de prudência, julgou conveniente dispensar, por esta vez, o rigor das leis disciplinares da Igreja. O imperador Valente caiu em si e começou a tratar os cristãos com mais clemência e tolerância. Alguns dos seus cortesãos não concordavam com a nova atitude do imperador e, lançando mão de todos os meios, conseguiram, por fim, fazer aprovar um decreto que ordenava a expatriação de Basílio. No dia em que devia ser executada a iniqua sentença, caiu gravemente enfermo o único filho do imperador. O estado de saúde da imperatriz foi muito afectado e ficou com perturbações sérias e preocupantes. Entre as dores e os desesperos, a imperatriz dizia que tudo o que se estava a passar era um justo castigo de Deus pelo mal feito a Basílio. O Bispo Basílio foi reabilitado e recebido, no palácio imperial, com grandes honras. Valente prometeu, ao bispo, a educação do príncipe herdeiro na religião cristã, se lhe alcançasse de Deus o restabelecimento do seu filho. De facto, o príncipe sarou mas o imperador, não cumprindo depois a palavra, teve o desgosto de perder o filho. Recomeçaram, então, as maquinações contra Basílio. Estava já lavrada a acta que ordenava seu o exílio. Por três vezes, o imperador se dispôs a pôr-lhe a sua assinatura e, por três vezes, se lhe quebrou a pena. Assustado com este facto, Valente pegou no papel e, com mãos trémulas, rasgou o documento. Nunca mais se organizou qualquer campanha contra o santo. O capitão Modesto fez as pazes com Basílio. Um outro oficial, chamado Eusébio e que tinha dado ordem de prisão ao bispo, retirou-a diante da atitude ameaçadora do povo, em defesa do seu pastor. À tempestade, seguiu a bonança. Basílio pôde, por fim, com tranquilidade e paz, dedicar-se aos trabalhos do apostolado. Foram tantos os rigores da sua vida que aos 49 anos, já era um velho. Mas, apesar de fraco de corpo, era um herói de espírito. Morreu no ano de 379, com 49 anos de idade. Figura entre os quatro grandes doutores da Igreja do Oriente. A sua memória litúrgica faz-se no dia 2 de Janeiro.

terça-feira, 25 de dezembro de 2012

MENSAGEM DE NATAL



- do Pároco de Santa Maria da Feira

A quadra do Natal é, em todo o mundo, um tempo de alegria, de festa, de convivência fraterna, com apelos à partilha, à solidariedade, à atenção aos mais desfavorecidos. Tudo isto é um bem; um sinal de Deus; um caminho de transformação. Mas, para os cristãos, este tempo é tempo de Deus. Em Jesus, Deus faz-se próximo; encontra-se com cada um de nós; oferece-nos o seu amor e a sua paz; partilha connosco a alegria; senta-se à nossa mesa de comunhão. Em Jesus, o Natal vive-se de liberdade, de compromisso, de ternura, de presença, de esperança. Neste ‘Ano da Fé’, somos convidados a ser inteiramente para Jesus e, por Ele, a testemunhar - com as nossas obras e renovada alegria - o encanto de O guardar no coração. A todos, desejo - do íntimo da alma - um Santo e Feliz Natal. 

MENSAGEM DE NATAL DO PAPA



DA BÊNCÃO URBI ET ORBI EM 25 DE DEZEMBRO DE 2012

Amados irmãos e irmãs de Roma e do mundo inteiro, boas-festas de Natal para todos vós e vossas famílias!
Os meus votos de Natal, neste Ano da Fé, exprimo-os com as palavras  tiradas de um Salmo: «A verdade germinou da terra». Realmente, no texto do Salmo, a frase está no futuro: «A verdade germinará da terra»: é um anúncio, uma promessa, acompanhada por outras expressões que, juntas, ecoam assim: «O amor e a verdade vão encontrar-se. / Vão beijar-se a justiça e a paz. / A verdade germinará da terra / e a justiça descerá do céu. / O próprio Senhor nos dará os seus bens / e a nossa terra produzirá os seus frutos. / A justiça caminhará diante dele / e a paz, no rasto dos seus pés» (Sal 85, 11-14).
Hoje cumpriu-se esta palavra profética! Em Jesus, nascido da Virgem Maria em Belém, encontraram-se realmente o amor e a verdade, beijaram-se a justiça e a paz; a verdade germinou da terra e a justiça desceu do céu.(… ) “A verdade germinou da terra e a justiça desceu do céu”. A Verdade, que está no seio do Pai, germinou da terra, para estar também no seio de uma mãe. A Verdade que segura o mundo inteiro germinou da terra, para ser segurado pelas mãos de uma mulher. (...) A Verdade, que o céu não consegue conter, germinou da terra, para se reclinar numa manjedoura. Para benefício de quem Se fez assim humilde um Deus tão sublime? Certamente sem nenhum benefício para Ele mesmo, mas com grande proveito para nós, se acreditarmos» (Santo Agostinho, in Sermones 185, 1).
«Se acreditarmos…». Que grande poder tem a fé! Deus fez tudo, fez o impossível: fez-Se carne. A sua amorosa omnipotência realizou algo que ultrapassa a compreensão humana: o Infinito tornou-se menino, entrou na humanidade. E, no entanto, este mesmo Deus não pode entrar no meu coração, se não Lhe abro a porta. Porta fidei! A porta da fé! Poderíamos ficar assustados com a possibilidade desta nossa omnipotência invertida; este poder que o homem tem de se fechar a Deus, pode meter-nos medo. Mas, eis a realidade que afugenta este pensamento tenebroso, a esperança que vence o medo: a verdade germinou! Deus nasceu! «A terra produziu o seu fruto» (Sal 67, 7). Sim! Há uma terra boa, uma terra saudável, livre de todo o egoísmo e entrincheiramento. Há, no mundo, uma terra que Deus preparou para vir habitar no meio de nós; uma morada, para a sua presença no mundo. Esta terra existe; e também hoje, no ano de 2012, desta terra germinou a verdade! Por isso, há esperança no mundo, uma esperança fidedigna, mesmo nos momentos e situações mais difíceis. A verdade germinou, trazendo amor, justiça e paz.
Sim, que a paz germine para o povo da Síria, profundamente ferido e dividido por um conflito que não poupa sequer os inermes, ceifando vítimas inocentes. Uma vez mais faço apelo para que cesse o derramamento de sangue, se facilite o socorro aos prófugos e deslocados e se procure, através do diálogo, uma solução para o conflito.
A paz germine na Terra onde nasceu o Redentor; que Ele dê aos Israelitas e Palestinianos a coragem de por termo a tantos, demasiados, anos de lutas e divisões e empreender, com decisão, o caminho das negociações.
Nos países do norte de África, em profunda transição à procura de um novo futuro – nomeadamente o Egipto, terra amada e abençoada pela infância de Jesus –, que os cidadãos construam, juntos, sociedades baseadas na justiça, no respeito da liberdade e da dignidade de cada pessoa.
A paz germine no vasto continente asiático. Jesus Menino olhe com benevolência para os numerosos povos que habitam naquelas terras e, de modo especial, para quantos creem n’Ele. Que o Rei da Paz pouse o seu olhar também sobre os novos dirigentes da República Popular da China pela alta tarefa que os aguarda. Espero que, no desempenho da mesma, se valorize o contributo das religiões, no respeito de cada uma delas, de modo que as mesmas possam contribuir para a construção duma sociedade solidária, para beneficio daquele nobre povo e do mundo inteiro.
Que o Natal de Cristo favoreça o retorno da paz ao Mali e da concórdia à Nigéria, onde horrendos atentados terroristas continuam a ceifar vítimas, nomeadamente entre os cristãos. O Redentor proporcione auxílio e conforto aos prófugos do leste da República Democrática do Congo e conceda paz ao Quénia, onde sangrentos atentados se abateram sobre a população civil e os lugares de culto.
O Jesus Menino abençoe os inúmeros fiéis que O celebram na América Latina. Faça crescer as suas virtudes humanas e cristãs, sustente quanto se veem obrigados a emigrar para longe da própria família e da sua terra, revigore os governantes no seu empenho pelo desenvolvimento e na luta contra a criminalidade.
Amados irmãos e irmãs! Amor e verdade, justiça e paz encontraram-se, encarnaram no homem nascido de Maria, em Belém. Aquele homem é o Filho de Deus, é Deus que apareceu na história. O seu nascimento é um rebento de vida nova para toda a humanidade. Possa cada terra tornar-se uma terra boa, que acolhe e faz germinar o amor, a verdade, a justiça e a paz. Bom Natal para todos!
Bento XVI

ANO DA FÉ



Dos Sermões de São Leão Magno, papa ( Séc. V )

Hoje, caríssimos irmãos, nasceu o nosso Salvador. Alegre­mo-nos. Não pode haver tristeza no dia em que nasce a vida, uma vida que destrói o temor da morte e nos infunde a alegria da eternidade prometida. Ninguém é excluído desta felicidade, porque é comum a todos os homens a causa desta alegria: Nosso Senhor, vencedor do pecado e da morte, não tendo encontrado ninguém isento de culpa, veio para nos libertar a todos. Alegre-se o santo, porque se aproxima a vitória; alegre-se o pecador, porque lhe é oferecido o perdão; anime-se o gentio, porque é chamado para a vida. Ao chegar a plenitude dos tempos, segundo os insondáveis desígnios divinos, o Filho de Deus assumiu a natureza do gé­nero humano para a reconciliar com o seu Criador, de maneira que o demónio, autor da morte, fosse vencido pela mesma natureza que ele tinha vencido. Por isso, quando nasce o Senhor, os Anjos cantam jubilo­sos: Glória a Deus nas alturas; e anunciam: Paz na terra aos homens por Ele amados. Eles vêem, com efeito, como se le­vanta a Jerusalém celeste, formada pelos povos de toda a terra. Perante esta obra inefável da misericórdia divina, como não há-de alegrar-se o mundo humilde dos homens, se ela provoca tão grande júbilo nos coros sublimes dos Anjos? Caríssimos irmãos, dêmos graças a Deus Pai, por meio de seu Filho, no Espírito Santo, porque na sua infinita misericór­dia nos amou e teve piedade de nós: estando nós mortos pelo pecado, fez-nos viver com Cristo, para que fôssemos n’Ele uma nova criatura, uma nova obra das suas mãos. Deponhamos, portanto, o homem velho com suas más ac­ções e, já que fomos admitidos a participar do nascimento de Cristo, renunciemos às obras da carne. Reconhece, ó cristão, a tua dignidade. Uma vez constituído participante da natureza divina, não penses em voltar às antigas misérias com um comportamento indigno da tua geração. Lem­bra-te de que cabeça e de que corpo és membro. Não esqueças que foste libertado do poder das trevas e transferido para a luz do reino de Deus…  (Sermo 1 in Nativitate Domini, 1-3: PL 54, 190-193) do Ofício de Leituras, dia de Natal.

PARA REZAR



HINO DE NATAL

Cristo Jesus, ó Sol da Redenção,
À vossa luz se extingue todo o erro:
Acaba-se no mundo a solidão
Das almas em desterro.

Os Anjos cantam a Jesus nascido,
Adormecem na selva as feras más:
O universo repousa agradecido
               Na alegria da paz.

Senhor do mundo, Vós sois o Menino
Da Virgem pura, Mãe Imaculada:
Cai das alturas um luar divino
Sobre a terra admirada.

Nossa Senhora Vos embala e canta,
No coração guardando quanto escuta:
O mistério daquela noite santa
No silêncio da gruta.

Louve o Senhor a natureza humana
Que no mundo jamais subira tanto;
Glória ao Pai, glória ao Filho, glória, hossana
               Ao Espírito Santo.

domingo, 16 de dezembro de 2012

PALAVRAS DO PAPA



- na oração do Angelus, dia 9 de Dezembro, na Praça de São Pedro, em Roma.

“…No tempo do Advento, a liturgia realça, de modo particular, duas figuras que preparam a vinda do Messias: a Virgem Maria e João Baptista. Hoje, São Lucas apresenta-nos este último e fá-lo com características diferentes das dos outros Evangelistas. “Todos os quatro Evangelhos colocam, no início do ministério de Jesus, a figura de João Baptista e apresentam-no como o Seu precursor. Contudo, São Lucas privilegia a conexão entre as duas figuras e as suas respectivas missões [...] Já na concepção e no nascimento, Jesus e João colocaram-se em relação entre si” (A infância de Jesus, 23). Essa configuração ajuda a entender que João, enquanto filho de Zacarias e Isabel - ambos de famílias sacerdotais - não é apenas o último dos profetas, mas representa também todo o sacerdócio da Antiga Aliança e, por isso, prepara os homens para o culto espiritual da Nova Aliança, inaugurado por Jesus (cf. ibid. 27-28). Lucas também afasta qualquer leitura mítica que, às vezes, é feita dos Evangelhos e situa historicamente a vida do Baptista: "No décimo quinto ano do império de Tibério César, quando Pôncio Pilatos era governador [...] e quando eram sumos-sacerdotes Anás e Caifás” (Lc 3, 1-2). Dentro deste quadro histórico, encontra-se o verdadeiro grande acontecimento - o nascimento de Cristo – que os seus contemporâneos não vão perceber. Para Deus, os grandes homens da história formam o pano de fundo para os pequenos! João Baptista define-se como a “voz que clama no deserto: preparai o caminho do Senhor, endireitai as suas veredas" (Lc 3, 4). A voz proclama a palavra, mas, neste caso, a Palavra de Deus é anterior, por que é ela mesma que desce sobre João, Filho de Zacarias, no deserto (cf. Lc 3, 2). Ele desempenha um grande papel, mas sempre em relação a Cristo. Santo Agostinho comenta: "João é a voz. Do Senhor, ao contrário, diz-se: "No princípio era o Verbo" (João 1, 1). João é a voz que passa, Cristo é o Verbo eterno, que existia no princípio. Se tiras a voz da palavra, o que é que resta? Um som fraco. A voz sem palavra atinge o ouvido, mas não edifica o coração” (Sermão 293, 3). O nosso objectivo é dar, hoje, ouvidos à essa voz para dar espaço e acolher no coração a Jesus, Palavra que nos salva. Neste Tempo de Advento, preparemo-nos para ver, com os olhos da fé, na humilde gruta de Belém, a salvação de Deus (cf. Lc 3, 6). Na sociedade de consumo, em que se busca a alegria nas coisas, o Baptista ensina-nos a viver de uma forma essencial, para que o Natal seja vivido não só como uma festa exterior, mas como a festa do Filho de Deus que veio para trazer aos homens a paz, a vida e a alegria verdadeira. À materna intercessão de Maria, Virgem do Advento, confiamos o nosso caminho de encontro com o Senhor que vem, para estarmos prontos para acolher, no coração e em toda a vida, o Emanuel, o Deus-connosco…”

 

ANO DA FÉ



MENSAGEM DE NATAL
da Conferência Episcopal Portuguesa

Neste tempo de Natal, queremos levar a cada um dos nossos concidadãos, especialmente aos cristãos das nossas dioceses, uma mensagem de solidariedade e de esperança. Celebramos o nascimento de Cristo, Deus infinito que Se fez um de nós, assumindo todas as vicissitudes dos seres humanos. Nasceu numa gruta da periferia de Belém, pois Maria e José não conseguiram encontrar uma casa na cidade para os acolher. O presente clima social não sugere muito «Boas Festas». Escasseiam empregos e bens materiais. É urgente estreitar os laços da família e dos vários círculos de relações e solidariedades; é fundamental comunicarmos com Deus, que em Jesus se torna o mais próximo dos nossos próximos. Contemplar o mistério da encarnação de Jesus é acolher o pobre, como nos recorda a Mensagem enviada pelo recente Sínodo dos Bispos: «Nas nossas comunidades, deve dar-se um lugar privilegiado aos pobres, um lugar que não exclui ninguém, mas pretende ser um reflexo de como Jesus Se ligou a eles. A presença do pobre nas nossas comunidades é misteriosamente poderosa: muda as pessoas, mais do que um discurso; ensina fidelidade, permite compreender a fragilidade da vida, pede oração; em suma, leva a Cristo. O gesto da caridade, por sua vez, exige ser acompanhado pelo empenho em favor da justiça, com um apelo que a todos envolve, pobres e ricos» (n. 12). Só quem oferece Natal aos outros pode ter Natal para si. Que os gestos de entreajuda, solidariedade e partilha se multipliquem. A autêntica alegria das Boas Festas está na dádiva altruísta e generosa. Haverá Boas Festas se o outro for o centro das nossas atenções e serviços, vencendo confortos e rotinas egoístas, tal como Deus que fez de nós o seu centro, oferecendo se em pessoa no Jesus do Natal, em Belém.Haverá Boas Festas se soubermos presentear tempo, carinho e ofertas a pessoas que vivem sozinhas, a doentes, crianças ou idosos, e a obras de serviço social. Que a tradicional troca de prendas seja aproveitada para escolher ofertas que sejam ajuda para quem precisa. Haverá Boas Festas se deixarmos que Jesus nasça no melhor dos presépios, que é o nosso coração, e, neste Ano da Fé, aderirmos mais, de alma e coração, à pessoa de Jesus. Ele será a nossa força para «intensificar o testemunho de caridade» (Bento XVI, Porta Fidei, 14). Como recordou, também recentemente, o Santo Padre, falando a nossa língua, «a fé não é um peso, mas uma profunda alegria que transforma toda a vida» (2012.11.28). O Natal é também uma especial festa da família. Tudo o que possamos fazer para reforçar os laços familiares será humanamente louvável e agradável a Deus, que Se fez da nossa família pelo seu nascimento, nosso irmão universal. Em tempos de crise, mais essencial se torna a solidariedade familiar, o acolhimento e ajuda aos membros que passam por maiores dificuldades. Queremos fazer eco do cântico dos anjos na noite de Natal: «Glória a Deus nas alturas e paz na terra aos homens que Ele ama», independentemente de culturas, ideologias e credos. A cada um de vós e às vossas famílias, desejamos um santo Natal. Fátima, 11 de dezembro de 2012
Conselho Permanente da Conferência Episcopal Portuguesa

PARA REZAR




HINO DE ADVENTO

Não demoreis, ó Salvador do mundo,
Erguei-vos, ó divina Claridade;
Ó Sol do novo dia, Luz, Verdade,
Vencei da noite o sono tão profundo.

O vosso nascimento em nossa história
Transforme em alegria o sofrimento;
Chegue depressa o tão feliz momento
e contemplar a luz da vossa glória!

Olhai a humanidade pecadora,
Olhai as suas dores, seus pecados;
De tantos males somos esmagados!
Abri a vossa mão libertadora!

SANTOS POPULARES


SÃO PEDRO CANÍSIO
- da catequese do Papa Bento XVI, em 9 de Fevereiro de 2011

Hoje, gostaria de vos falar de Pedro Canísio, uma figura importante na Igreja Católica do século XVI. Nasceu no dia 8 de Maio de 1521, em Nijmegen, na Holanda. O seu pai era o Presidente da Câmara daquela cidade. Enquanto estudava na Universidade de Colónia, na Alemanha, visitava os monges cartuxos de Santa Bárbara - um centro dinamizador da vida católica – e contactava com outros homens piedosos que cultivavam a espiritualidade chamada devotio moderna. Entrou na Companhia de Jesus a 8 de Maio de 1543, em Mainz (Renânia-Palatinado), depois ter frequentado um curso de exercícios espirituais sob a supervisão do Beato Pedro Faber, um dos primeiros companheiros de Santo Inácio de Loyola. Foi ordenado sacerdote, em Junho 1546, em Colónia, e, no ano seguinte, esteve presente no Concílio de Trento, como teólogo do Bispo da Áustria, o cardeal Otto Truchsess von Waldburg, onde trabalhou com outros dois jesuitas, Diego Lainez e Alfonso Salmeron. Em 1548, Inácio de Loyola mandou-o para Roma, para completar a sua formação espiritual no Colégio de Messina, onde realizou humildes serviços domésticos. Em Bologna, obteve o doutoramento em teologia, no dia 4 de Outubro de 1549. Logo de seguida, foi enviado por Santo Inácio à Alemanha, para se dedicar ao apostolado. Em 2 de Setembro daquele ano, 1549, visitou o Papa Paulo III, em Castel Gandolfo. Depois disso, foi à Basílica de São Pedro para rezar. Aí, implorou a ajuda dos grandes apóstolos Pedro e Paulo, para que dessem uma eficácia permanente à bênção apostólica - que tinha recebido do Papa - para poder cumprir o desígnio de Deus e realizar plenamente a missão que lhe foi confiada. No seu diário, escreveu algumas das palavras da oração que fez: "Lá, senti um grande consolo e a presença da graça que me foram concedidos por meio desses intercessores (Pedro e Paulo). Eles confirmaram a minha missão na Alemanha e pareciam transmitir-me, como apóstolo da Alemanha, o apoio da sua benevolência. Senhor, tu conheces de que maneira e quantas vezes, nesse mesmo dia, me confiaste a Alemanha; quero cuidar dela e por ela desejo viver e morrer". Devemos lembrar que estamos na época da Reforma luterana, no momento em que a fé católica - nos países de língua germânica - diante do fascínio da Reforma, parecia estar a apagar-se. Era uma tarefa quase impossível para Pedro Canísio, responsável pela revitalização e pela renovação da fé católica nos países germânicos. Isso só seria possível com a força da oração; só seria possível apenas a partir de uma profunda amizade com Jesus Cristo; a partir da amizade com Cristo no seu Corpo, a Igreja, que é alimentada na Eucaristia, sua presença real. Fiel à missão que recebeu de Inácio e do Papa Paulo III, Pedro Canísio partiu para a Alemanha. Foi, em primeiro lugar, ao Ducado da Baviera, que durante muitos anos foi a sede do seu ministério. Como decano, reitor e vice-chanceler da Universidade de Ingolstadt, cuidou da vida acadêmica do Instituto e da reforma religiosa e moral do povo. Em Viena - onde, por um breve tempo, foi administrador da diocese - desenvolveu o seu ministério pastoral nos hospitais e nas prisões, tanto na cidade como no campo, e preparou a publicação do Catecismo. Em 1556, fundou o Colégio de Praga e, até 1569, foi o primeiro superior da Província Jesuíta da Alta Alemanha. Entre outras tarefas, estabeleceu - nos países germânicos - uma densa rede de comunidades da sua Ordem, especialmente colégios, que foram pontos de partida para a reforma católica, para a renovação da fé católica… Em 1580, retirou-se para Friburgo, na Suíça, dedicando-se inteiramente à pregação e à composição das suas obras… Foi editor das obras completas de São Cirilo de Alexandria e de São Leão Magno, das Cartas de São Jerónimo e das Orações de São Nicolau de Flüe. Publicou livros de devoção em vários idiomas, biografias de alguns santos suíços e muitos textos de homilética. Mas os seus escritos mais populares foram os três Catecismos elaborados entre 1555 e 1558. O primeiro foi desenvolvido para estudantes que já tinham um nível de compreensão das noções elementares de teologia; o segundo, para as crianças, para o início da instrução religiosa; o terceiro, para jovens com uma formação escolar média ou superior. A doutrina católica foi exposta em forma de perguntas e respostas breves, usando os termos bíblicos de forma muito clara e simples. Morreu na Suíça, em 21 de Dezembro de 1597. Foi beatificado pelo Beato Pio IX, em 1864; proclamado, em 1897, o segundo Apóstolo da Alemanha pelo Papa Leão XIII. Foi canonizado pelo Papa Pio XI e proclamado Doutor da Igreja, em 1925. A sua memória litúrgica faz-se no dia 21 de Dezembro.

sábado, 8 de dezembro de 2012

PALAVRAS DO PAPA



- na Audiência geral, no dia 5 de Dezembro, em Roma.

“…O que é então o acto da fé? É a resposta do homem à Revelação de Deus, que se faz conhecer, que manifesta o seu desígnio de benevolência; é, para usar uma expressão agostiniana, deixar-se prender pela Verdade que é Deus, uma Verdade que é Amor. Por isso, São Paulo salienta que a Deus - que revelou o seu mistério - deve-se “a obediência da fé” : atitude com a qual “o homem, livremente, se abandona inteiramente a Ele, aderindo plenamente - de intelecto e de vontade - a Deus que se revela e acolhendo, voluntariamente, a revelação que Ele dá”. Tudo isto leva a uma mudança fundamental do modo de relacionar-se com toda a realidade; tudo aparece numa nova luz. Trata-se então de uma verdadeira “conversão” à fé; de uma “mudança de mentalidade”, porque o Deus que se revelou em Cristo e fez conhecer o seu desígnio de amor, nos prende, nos atrai para Si, transforma o sentido que sustenta a vida, a rocha sobre a qual ela pode encontrar estabilidade. No Antigo Testamento, encontramos uma profunda referência sobre a fé e que Deus confia ao profeta Isaías para que a comunique ao rei de Judá, Acaz. Deus afirma: “Se não acreditardes – isto é, se não vos mantiverdes fiéis a Deus – não subsistireis” (Is 7,9b). Existe, então, uma ligação entre o estar e o compreender, que exprime bem que a fé é acolher, na vida, a visão de Deus sobre a realidade; deixar que seja Deus a conduzir-nos com a sua Palavra e os Sacramentos; entender o que devemos fazer e qual é o caminho que devemos seguir para sobreviver. Ao mesmo tempo, porém, é o compreender à maneira de Deus, o ver com os Seus olhos que dá solidez à vida e que nos permite “estar em pé”, sem cair…”

ANO DA FÉ


NOTA DA VIGARARIA-GERAL DA DIOCESE DO PORTO

Disposições para alcançar as indulgências, na Diocese do Porto, propostas pelo
Papa Bento XVI por ocasião do Ano da Fé

Ao comemorarmos o cinquentenário da abertura solene do Concílio Ecuménico Vaticano II, o Papa Bento XVI, instituiu um Ano da Fé - iniciado a 11 de Outubro de 2012 e que terminará a 24 de Novembro de 2013 – concedendo a possibilidade de alcançar indulgências para o bem espiritual dos fiéis.

Durante este Ano “poderão obter a Indulgência plenária da pena temporal para os próprios pecados concedida pela misericórdia de Deus, aplicável em sufrágio das almas dos defuntos, todos os fiéis sinceramente arrependidos, confessando-se devidamente, comungando sacramentalmente, e que rezem segundo as intenções do Santo Padre” (Decreto da Penitenciaria Apostólica de 14 de Setembro de 2012).

Igrejas designadas pelo Senhor Bispo onde se poderá obter a Indulgência Plenária:
I. Igreja Catedral
II. Igreja de S. Gonçalo (Amarante)
III. Igreja Matriz de Santa Maria da Feira
IV. Santuário de Nossa Senhora da Assunção (Santo Tirso)
V. Santuário de Nossa Senhora da Piedade (Penafiel)
VI. Santuário de Nossa Senhora da La Salette (Oliveira de Azeméis)
VII. Santuário de Santa Quitéria (Felgueiras)
VIII. Santuário Diocesano de Santa Rita (Ermesinde)
IX. Santuário do Menino Jesus de Praga (Avessadas - Marco de Canaveses)
X. Santuário do Monte da Virgem (Vila Nova de Gaia)

Porto e Domingo I do Advento, 2 de Dezembro de 2012,
P Américo Aguiar, Vigário Geral
P António Coelho, Vigário Geral

PARA REZAR



Bem eu sei a fonte que mana e corre,
Embora seja noite.

Aquela eterna fonte não a vê ninguém
E bem sei onde é e donde vem,
Embora seja noite.

Não sei a fonte dela, que não há,
Mas sei que toda a fonte vem de lá,
Embora seja noite.

Não pode haver, eu sei, coisa tão bela
E céus e terra beleza bebem dela,
Embora seja noite.

Porque não pode ali o fundo achar,
Eu sei que ninguém a pode atravessar,
Embora seja noite.

A claridade sua não escurece
E sei que toda a luz dela amanhece,
Embora seja noite.

Tão caudalosas são suas correntes
Que regam céus, infernos e as gentes,
Embora seja noite.

E desta fonte nasce uma corrente
E bem sei eu que é forte e omnipotente,
Embora seja noite.

E das duas a corrente que procede
Sei que nenhuma delas a precede,
Embora seja noite.

E esta eterna fonte está escondida
Em este vivo pão a dar-nos vida,
Embora seja noite.

Aqui está a chamar as criaturas
Que bebem desta água, e às escuras,
Porque é de noite.

Esta viva fonte que desejo,
Em este pão de vida, aí a vejo,
Embora de noite.

                              ( Poema de São João da Cruz )

SANTOS POPULARES



SÃO JOÃO DA CRUZ

Juan de Yepes nasceu em 1542, provavelmente no dia 24 de Junho, em Fontiveros, perto de Ávila, na Velha Castela. Era o terceiro filho de Gonzalo de Yepes e de Catalina Alvarez. A família era extremamente pobre porque o pai, de uma nobre família de Toledo, tinha sido expulso de casa e deserdado por ter casado com Catalina, que era uma humilde tecelã de seda. Órfão de pai em tenra idade, com nove anos, transferiu-se, com a mãe e o irmão Francisco, para Medina del Campo, perto de Valladolid. Ali, frequentou o Colegio de los Doctrinos, um colégio para crianças pobres, desempenhando, também, alguns trabalhos humildes para as irmãs da igreja-convento da Madalena. Em seguida, tendo em conta as suas qualidades humanas e os seus resultados nos estudos, foi admitido como enfermeiro no Hospital da Conceição e, depois, no Colégio dos Jesuítas, recém-fundado em Medina del Campo. Neste colégio, João, com dezoito anos de idade, estudou ciências humanas, retórica e línguas clássicas, durante três anos. No final da formação, percebeu claramente qual era a sua vocação: entrar na vida religiosa. Entre as muitas ordens religiosas presentes em Medina, sentiu-se chamado ao Carmelo. No Verão de 1563, começou o noviciado com os Carmelitas da cidade, assumindo o nome religioso de João de São Matias. No ano seguinte, foi destinado à prestigiosa Universidade de Salamanca onde, durante três anos, estudou artes e filosofia. Em 1567, foi ordenado sacerdote. Voltou a Medina del Campo para celebrar a sua primeira Missa, rodeado pelo carinho dos seus familiares. Foi precisamente ali que teve lugar o primeiro encontro entre João e Teresa de Jesus. O encontro foi decisivo para ambos: Teresa expôs-lhes o seu plano de reforma do Carmelo, também no ramo masculino da Ordem, e propôs a João que se adaptasse «para maior glória de Deus»; o jovem sacerdote ficou fascinado pelas ideias de Teresa, a ponto de se tornar um grande defensor do projecto. Os dois trabalharam juntos alguns meses, compartilhando ideais e propostas para inaugurar, quanto antes, a primeira casa de Carmelitas Descalços. A abertura ocorreu a 28 de Dezembro de 1568, em Duruelo, lugar solitário da província de Ávila. Com João, formavam esta primeira comunidade masculina reformada, outros três companheiros. Ao renovar a sua profissão religiosa segundo a Regra primitiva, os quatro assumiram um novo nome. Então, João denominou-se «da Cruz», como depois viria a ser conhecido universalmente. No final de 1572, a pedido de Teresa de Jesus (Santa Teresa de Ávila), tornou-se confessor e vigário do mosteiro da Encarnação, em Ávila, onde ela era prioresa. Foram anos de estreita colaboração e amizade espiritual, que a ambos enriqueceram. A esse período remontam inclusive as mais importantes obras teresianas e os primeiros escritos de João. A adesão à reforma carmelita não foi fácil, e causou a João, também, graves sofrimentos. O episódio mais traumático foi, em 1577: o seu rapto e aprisionamento no convento dos Carmelitas de Antiga Observância de Toledo, devido a uma acusação injusta. O santo permaneceu preso durante meses, submetido a privações e constrições físicas e morais. Ali compôs, além de outras poesias, o célebre Cântico espiritual. Finalmente, na noite de 16 para 17 de Agosto de 1578, conseguiu fugir, de forma rocambolesca, e refugiou-se no mosteiro das Carmelitas Descalças da cidade. Teresa de Jesus e os companheiros reformados celebraram com imensa alegria a sua libertação. Após um breve período de recuperação de forças, João foi destinado para a Andaluzia, onde viveu dez anos, em vários conventos, com realce para a sua estada em Granada. Assumiu cargos cada vez mais importantes na Ordem, até se tornar Vigário provincial, e completou a redacção dos seus tratados espirituais. Depois, voltou para a sua terra natal, como membro do governo-geral da família religiosa teresiana, que já gozava de plena autonomia jurídica. Habitou no Carmelo de Segóvia, desempenhando a função de superior daquela comunidade. Em 1591, foi exonerado de qualquer responsabilidade e foi destinado à nova Província religiosa do México. Enquanto se preparava para a longa viagem com outros dez companheiros, retirou-se para um convento solitário perto de Jaén, onde adoeceu gravemente. João enfrentou com exemplar serenidade e paciência os enormes sofrimentos que a doença lhe provocava. Faleceu na noite 13 para 14 de Dezembro de 1591, enquanto os irmãos de hábito recitavam o Ofício matutino. Despediu-se deles, dizendo: «Hoje vou cantar o Ofício no Céu». Os seus restos mortais foram trasladados para Segóvia. Foi beatificado pelo Papa Clemente X, em 1675, e canonizado pelo Papa Bento XIII, em 1726. São João da Cruz é considerado um dos mais importantes poetas líricos da literatura espanhola. As suas obras principais são quatro: Subida ao Monte Carmelo, Noite obscura, Cântico espiritual e Chama de amor viva. Em 1926, foi proclamado Doutor da Igreja, pelo Papa Pio XI. A sua memória litúrgica faz-se no dia 14 de Dezembro. ( extraído da catequese do Papa Bento XVI – Audiência geral de 16 de Fevereiro de 2011)

segunda-feira, 3 de dezembro de 2012

A PARÓQUIA DA FEIRA ASSINALA O ANO DA FÉ






Com o objectivo de abrir caminhos de fé, de encontro com a beleza de Deus, de acolhimento dos que andam dispersos - fazendo da Casa da Igreja a Casa de Irmãos, a Casa da Alegria e da Esperança - a Paróquia de Santa Maria da Feira promove, em comunhão com associações e grupos culturais da freguesia, um conjunto de iniciativas e actividades culturais, respondendo aos apelos lançados pelo Papa Bento XVI.
A programação para o mês de Dezembro, integra os seguintes eventos:

9 de Dezembro de 2012
Concerto de Natal – Coro do Orfeão da Feira
16h00H | Igreja Matriz

15 de Dezembro de 2012
Concerto de Natal – Academia de Música de Santa Maria da Feira: Coro Infantil, Coro Juvenil e Orquestra
21H00 | Igreja Matriz

23 de Dezembro
Apoio à presentação do livro “O Credo em Imagens”: texto de D. Carlos Azevedo e Pinturas de Isabel Nunes.
17H00 | Centro de Cultura e Recreio do Orfeão da Feira

ADVENTO



O tempo do Advento celebra a expectativa da vinda do Senhor. Tem uma duração de quatro semanas: de 2 a 24 de Dezembro. Ao longo deste tempo, queremos reavivar a esperança da vinda do Senhor: da Sua vinda, no fim dos tempos; da Sua vinda em cada hora, de cada dia; a Sua vinda há cerca de dois mil anos. Ao prepararmos o Natal, somos convidados a viver com mais alegria, com mais fidelidade, com mais caridade dando testemunho da nossa fé em tudo o que o Senhor fez para nos salvar. A liturgia do Advento mostra, através de vários sinais, a dinâmica da espera que desemboca na alegria do Natal: nas orações e na palavra de cada Domingo, repetem-se, muitas vezes, expressões como: “vem, Senhor Jesus”, “a salvação está próxima”, “preparai os caminhos do Senhor”; não se reza ou canta o “Glória”; a música torna- se mais sóbria; reduz-se a decoração dos altares; as vestes litúrgicas tomam a cor roxa. Acerca do Advento, disse o Papa Bento XVI:

“…O Advento, este tempo litúrgico forte que estamos a começar, convida-nos a determo-nos para captar uma presença. É um convite a compreender que os acontecimentos de cada dia são gestos que Deus nos dirige, sinais da atenção que Ele tem por cada um de nós. Quantas vezes, Deus nos faz sentir algo do seu amor! Escrever, por assim dizer, um "diário interior" deste amor seria uma tarefa bonita e saudável para a nossa vida! O Advento convida-nos e estimula-nos a contemplar o Senhor que está presente. A certeza da sua presença não deveria ajudar-nos a ver o mundo com olhos diferentes? Não deveria ajudar-nos a considerar toda a nossa existência como uma "visita", um modo em que Ele pode vir ter connosco e estar ao nosso lado em cada situação? ...”

SÃO NICOLAU



No próximo dia 6 de Dezembro, a Paróquia de Santa Maria da Feira celebra a memória do seu padroeiro: São Nicolau. Desde criança, soube experimentar a alegria da solidariedade. A sua vida foi um contínuo repartir-se. Tudo o que ia tendo repartia-o pelos pobres. Filho de pais cristãos, foi educado por um dos seus tios que era bispo. Foi este que o ordenou sacerdote. Depois do falecimento dos seus pais, repartiu todas as suas riquezas pelos pobres e entrou num mosteiro. Segundo diz a tradição, na cidade de Mira, na Turquia, os bispos e sacerdotes estavam reunidos para a escolha de um novo bispo; o anterior tinha morrido e era necessário preencher aquele lugar. Como não se entendiam quanto à pessoa a escolher, decidiram que nomeariam bispo de Mira “o primeiro sacerdote que entre no templo". Nesse momento, sem saber o que ocorria, entrou Nicolau e, por aclamação de todos, foi eleito bispo. Foi muito amado, em toda a região, pela sua pregação, pela sua caridade e pela fama dos milagres que lhe atribuíam. Na época de Licínio ( foi imperador romano do Oriente entre 308 e 324 ; no Ocidente governava Constantino )- que decretou uma perseguição contra os cristãos - Nicolau foi preso e torturado. Com a vitória de Constantino sobre as legiões de Licínio, foram libertados muitos prisioneiros cristãos e, entre eles, também o Bispo Nicolau. Nicolau morreu no dia 6 de Dezembro, do ano 345. Considerado santo, era invocado pelos fiéis nos perigos, nos naufrágios, nos incêndios e nas dificuldades económicas. Por ter sido tão amigo das crianças e dos pobres, surgiu o costume de, na sua festa, repartirem doces e presentes às crianças. A vida de São Nicolau tornou-se conhecida, sobretudo, a partir da publicação da sua biografia, escrita pelo Arcebispo de Constantinopla, São Metódio. São Nicolau é o padroeiro de inúmeras paróquias, entre elas a de Santa Maria da Feira. É, também, o Padroeiro da Rússia, da Grécia e da Turquia. A Igreja faz a sua memória litúrgica no dia 6 de Dezembro.

PALAVRAS DO PAPA



- na Audiência geral, no dia 28 de Novembro, em Roma.

“…O anúncio que leva ao encontro com Deus-Amor, revelado de modo único em Jesus crucificado, é destinado a todos: não há salvação fora de Jesus Cristo. Como podemos falar de Deus hoje? O Ano da Fé é ocasião de buscar novos caminhos, sob a inspiração do Espírito Santo, para transmitir a Boa Nova da salvação. Neste sentido, o primeiro passo é procurar crescer na fé, na familiaridade com Jesus e com o seu Evangelho, aprendendo da forma como Deus se comunica ao longo da história humana, sobretudo com a Encarnação: através da simplicidade. É necessário retornar ao aspecto essencial do anúncio, olhando para o exemplo de Jesus. N’Ele, o anúncio e a vida se entrelaçam: Jesus actua e ensina, partindo sempre da sua relação íntima com Deus Pai. De facto, comunicar a fé não significa levar-se a si mesmo aos demais, mas transmitir publicamente a experiência do encontro com Cristo, a começar pela própria família. Esta é um lugar privilegiado para falar de Deus, onde se deve procurar fazer entender que a fé não é um peso, mas uma profunda alegria que transforma a vida...”

ANO DA FÉ


 
“…Também no nosso tempo, um lugar privilegiado para falar de Deus é a família, a primeira escola para comunicar a fé às novas gerações. O Concílio Vaticano II fala dos pais como os primeiros mensageiros de Deus, chamados a redescobrir esta sua missão, assumindo a responsabilidade no educar, no abrir a consciência dos mais pequenos ao amor de Deus como um serviço fundamental para as suas vidas; chamados a ser os primeiros catequistas e mestres da fé para os seus filhos. E, nesta tarefa, é importante a vigilância, que significa saber entender as ocasiões favoráveis para introduzir na família o discurso da fé e para amadurecer uma reflexão crítica a respeito dos numerosos condicionamentos aos quais são submetidos os filhos. Esta atenção dos pais é também sensibilidade em reconhecer as possíveis questões religiosas presentes na mente dos filhos, às vezes evidentes, às vezes escondidas. Depois, a alegria… A comunicação da fé deve ter sempre uma tonalidade de alegria. É a alegria pascal, que não silencia ou esconde a realidade da dor, do sofrimento, do cansaço, da dificuldade, da incompreensão e da própria morte, mas sabe oferecer os critérios para interpretar tudo na perspectiva da esperança cristã. A vida boa do Evangelho é exactamente este olhar novo, esta capacidade de ver com os olhos de Deus cada situação. É importante ajudar todos os membros da família a compreender que a fé não é um peso, mas uma fonte de alegria profunda; é perceber a acção de Deus; reconhecer a presença do bem, que não faz barulho; é oferecer orientações preciosas para viver bem a própria existência. Enfim, a capacidade de escuta e de diálogo: a família deve ser um ambiente onde se aprende a estar juntos; a conciliar os conflitos no diálogo recíproco, que é feito de escuta e de palavra; a compreender-se e a amar-se, para ser um sinal, um para o outro, do amor misericordioso de Deus…” ( Bento XVI )

PARA REZAR



HINO DO TEMPO DO ADVENTO

De novo a nossa terra, sequiosa, anseia pelas águas da alegria.
A esperança é força luminosa: quem sofre a longa noite atrai o dia.

De novo a nossa terra, prisioneira, abriu as portas para a liberdade.
A esperança é força verdadeira: quem sofre o mar domina a tempestade.

De novo a nossa terra, adormecida, desperta e para a festa se prepara.
Renasce do silêncio a flor da vida: quem morre como o trigo faz seara.

De novo está um povo peregrino buscando em pleno tempo a eternidade.
De novo a Igreja santa entoa um hino à glória da Santíssima Trindade.

SANTOS POPULARES



SÃO FRANCISCO XAVIER

Francisco Xavier nasceu perto de Pamplona, em Espanha, no dia 7 de Abril de 1506. Era o quinto filho de D. João de Jassu, senhor de Xavier e Ydocin, e de Dona Maria de Azpilcueta e Xavier. Aos 19 anos, foi para Paris para estudar Humanidades, no Colégio de Santa Bárbara. Depois, formou-se em Filosofia e Teologia, na Sorbonne, uma das universidades mais conceituadas do seu tempo. Em Paris, conheceu Inácio de Loyola. Tornou-se seu amigo e, também, seu seguidor fazendo parte do primeiro grupo da Companhia de Jesus, fundada por Inácio de Loyola. No dia 15 de Agosto de 1534, na Capela de Montmartre, em Paris, fez votos de pobreza e decastidade perpétua. Foi ordenado sacerdote, em Veneza, no dia 24 de Junho de 1537, indo depois para Roma, onde se colocou à disposição do Papa para o serviço da Igreja, de acordo com a regra da Companhia de Jesus. No dia 15 de Março de 1540, partiu com destino a Lisboa, onde chegou três meses depois. Enviado pelo Papa Paulo III, foi a resposta de Roma aos apelos veementes do Rei de Portugal, D. João III, preocupado com a evangelização da Índia e a dilatação da Fé, no Oriente. Em Lisboa, o Pe. Francisco Xavier foi residir no Hospital de Todos- os-Santos onde, de imediato, se dedicou aos enfermos e ao ensino da doutrina cristã. Em pouco tempo, apercebeu-se da alma universal dos portugueses e, de Lisboa, embarca, no dia 7 de Abril de 1541, na Armada das Índias, para anunciar o evangelho no Oriente. Antes da partida, o Rei D. João III entregou-lhe o documento em que o Papa o nomeava Núncio Apostólico na Índia, com amplos poderes para estabelecer e manter a Fé em todo o Oriente. Depois de uma breve passagem por Moçambique, chegou a Goa, no dia 6 de Maio de 1542. Imediatamente, ofereceu os seus serviços a D. João de Albuquerque que pastoreava a Diocese de Goa, na altura a maior diocese da Cristandade. Logo se apercebeu de que a vida religiosa e espiritual daquela região era muito precária e necessitada de verdadeira e eficaz assistência. A sua vida tornou-se um frenesim: sempre a correr de um lado para outro, por terra e por mar, para poder anunciar a todos a boa nova de Jesus. Percorreu grande parte da India no afã de converter a Jesus todos os que encontrasse no seu caminho. Em Outubro de 1543, regressou a Goa. Fundada canonicamente a Companhia de Jesus, o Padre Francisco Xavier foi nomeado Superior de toda a Missão da Índia Oriental, desde o Cabo da Boa Esperança até à China. Nos dez anos vividos na Índia, ensina, baptiza e reconcilia príncipes desavindos. Em 15 de Agosto de 1549, via Cochim e Malaca e navegando pelos mares da China, chegou a Kagochima, na costa meridional do Japão. De regresso a Cochim, enviou cartas ao Rei D. João III, solicitando o envio de reforços missionários. Sonhando evangelizar a China, para lá se dirigiu, a bordo da nau Santa Cruz. Em Singapura voltou a escrever a D. João III. Em Setembro de 1552, desembarcou na Ilha de Sanchoão, a dez léguas da Ilha de Macau, na China. Aí adoece gravemente. Sofrendo de vertigens e convulsões, minado por febres devoradoras, cheio de privações, morre de exaustão, só e pobre, na noite de 2 para 3 de Dezembro de 1552. O Padre Francisco Xavier percorreu milhares de quilómetros, cruzou várias vezes os mares do Índico e do Pacífico, visitando mais de cinco dezenas de reinos, fundando Igrejas, reorganizando as missões. A sua vida foi um exemplo de humildade e de solidariedade cristã, de amor ao próximo e de evangélica pobreza: era venerado por milhões de pessoas de todas as condições sociais, de todas as idades, de todas as etnias. A fama de santo - o "Santo de Goa" - tinha chegado a toda a parte e as suas virtudes eram exaltadas por todos. Em 17 de Fevereiro de 1553, o seu corpo foi trasladado para Malaca e dali para Goa, onde chegou no dia 16 de Março de 1554. A recebê-lo, numa impressionante manifestação de fé, estavam o Vice-Rei, o clero, a nobreza e o imenso povo. A fama da sua santidade cresceu extraordinariamente depois da morte. Os milagres, que lhe são atribuídos, tornam-se conhecidos e aumenta a devoção ao “santo de Goa”. No dia 25 de Outubro de 1605, Francisco Xavier foi beatificado pelo Papa Paulo V e o Papa Gregório XV canonizou-o no dia 12 de Março de 1622. No dia 24 de Fevereiro de 1748, o Papa Bento XIV proclamou-o Padroeiro do Oriente e, em 1904, o Papa Pio X coloca sob a sua protecção a Sagrada Congregação da Propagação da Fé. Em 1927, Pio XI constitui-o, juntamente com Santa Teresinha do Menino Jesus, padroeiro de todas as obras missionárias. O seu corpo repousa numa riquíssima urna de prata, na Basílica do Bom Jesus, na Velha Goa, na Índia. Todos os anos, milhares de peregrinos, crentes e não crentes, dirigem-se ao seu túmulo, venerando o "Homem Bom", o “Apóstolo incansável da Índia” A Igreja faz a sua memória litúrgica no dia 3 de Dezembro.