PALAVRA COM SENTIDO

PALAVRA COM SENTIDO

“…Hás-de temer o Senhor, teu Deus…” (cf. Deuteronómio 6, 2)

Só Deus é Deus e Senhor. E não há outro Deus a quem amar, servir, adorar, acreditar, rezar, agradecer… Temer o Senhor não é ‘ter medo de Deus’. Não precisamos ter medo de Deus: Ele é amor, perdão, misericórdia, alegria, paz, salvação e esperança… Temer o Senhor é reconhecer a grandeza do seu poder; a santidade do seu nome; a ternura que nos dedica; a alegria da vida que nos oferece. Temer o Senhor é acolher a sua Palavra; cumprir os seus mandamentos; responder com fidelidade aos seus apelos; confiar na sua promessa e anunciá-la com a bondade dos nossos gestos. Quem ‘teme a Deus’ procura fazer tudo para não pecar contra ele; fazer nascer no coração o receio e a tristeza de o poder ofender. O apelo feito pela palavra de Deus aponta-nos o caminho da verdade, da justiça, da caridade, da compaixão. Uma grande exigência que nos trará a felicidade e a bênção.

segunda-feira, 11 de fevereiro de 2013

PARA REZAR

SALMO 138

Dou-te graças, Senhor, de todo o coração,
na presença dos poderosos te hei-de louvar.
Inclino-me voltado para o teu santo templo
e louvarei o teu nome,
pela tua bondade e pela tua fidelidade,
porque foste mais além das tuas promessas.
Quando te invoquei, atendeste-me
e aumentaste as forças da minha alma.
Todos os reis da terra te louvarão, Senhor,
ao ouvirem as palavras da tua boca.
Celebrarão os caminhos do Senhor,
pois grande é a sua glória.
O Senhor é excelso, mas repara no humilde
e reconhece de longe o soberbo.
Quando estou em angústia, conservas-me a vida;
estendes a mão contra a ira dos meus inimigos,
e a tua mão direita me salva.
O Senhor tudo fará por mim!
Ó Senhor, o teu amor é eterno!
Não abandones a obra das tuas mãos!

SANTOS POPULARES



SÃO VALENTIM

Valentim foi um sacerdote romano, no tempo do imperador Cláudio II. Embora este imperador não perseguisse abertamente a religião cristã, muitos cristãos sofreram o martírio pela intolerância e exigências de certos governadores, a quem Cláudio deixava toda a liberdade de agir. Assim aconteceu com Valentim. Tendo sido acusado do crime de ser cristão e sacerdote, foi levado à presença do imperador. A franqueza e a frontalidade com que este servo de Cristo se defendeu agradaram a Cláudio que, com muito interesse, lhe ouviu as exposições da doutrina cristã. Entretanto, Valentim permaneceu sob as ordens do governador Calpúrnio que o entregou ao juiz Astério. Este, propondo-se convencer Valentim da inutilidade e irrelevância da religião de Cristo, levou-o para a sua própria casa. Ao entrar na residência deste magistrado, Valentim pôs-se de joelhos e pediu a Deus que desse aos habitantes daquela casa o conhecimento da luz verdadeira. Astério ouvindo Valentim a falar em luz e não compreendendo o sentido em que empregava este termo, disse-lhe: “Tenho aqui em casa uma menina, minha filha adoptiva que, há dois anos, está privada da vista. Se, como dizes, o teu Deus é um Deus de luz, invoca-o para que ela veja. Se isto acontecer, eu mesmo me curvarei diante de teu Deus”. Valentim impôs as mãos à menina e pronunciou as seguintes palavras: “Senhor Jesus Cristo, Deus verdadeiro e verdadeira luz, daí à vossa serva a luz dos olhos!” A oração do Sacerdote Valentim foi ouvida pelo Senhor… A menina recuperou a vista, imediatamente. Abriram-se também os olhos de Astério que se converteu a Jesus e, com ele, mais quarenta pessoas, que receberam o Baptismo das mãos de Valentim. Poucos dias depois, o Papa Calixto administrou-lhes o Sacramento da Confirmação. Astério, que tinha sob a sua guarda outros cristãos, deu-lhes a liberdade. O imperador Cláudio, tendo conhecimento da conversão de Astério, fê-lo comparecer perante o tribunal, juntamente com Valentim e todos os outros que tinham sido baptizados naquela ocasião. A ira do imperador voltou-se para Valentim, que foi castigado com o suplício da flagelação. Não conseguindo que Valentim renegasse Cristo e o seu Evangelho, condenou- o à morte. Valentim sofreu o martírio, ao fio da espada, no dia 14 de Fevereiro do ano 270. O seu corpo foi sepultado na via Flaminia e muitos milagres aconteceram por intercessão deste santo Mártir. O Papa Júlio I mandou construir, perto da Ponte Mílvio, em Roma – em italiano, Ponte Molle, uma Igreja dedicada a São Valentim. Esta igreja já não existe. A chamada ‘Porta del Popolo’, em Roma, tinha antigamente o nome de São Valentim. Antigamente, aí faziam- se solenes procissões em honra deste Santo, cujas relíquias se encontram nas Igrejas de Santa Praxedes e de São Sebastião. A memória litúrgica de São Valentim faz-se no dia 14 de Fevereiro, data da sua morte.

segunda-feira, 4 de fevereiro de 2013

FORMAÇÃO DE CATEQUISTAS



No próximo Sábado, 9 de Fevereiro, às 21,00 horas, na Casa do Povo, os catequistas da Paróquia da Feira/Igreja Matriz e da Paróquia de Escapães realizam um encontro, inserido no esforço de formação permanente, que versará a temática da fé e das suas implicações na vida. A reflexão será orientada pelo P. Eleutério, pároco da ambas as paróquias.

PALAVRAS DO PAPA



- na Audiência geral, 30 de Janeiro, Roma

“…Quando dizemos "Creio em Deus Pai Todo-Poderoso", expressamos a nossa fé no poder do amor de Deus, que, em seu filho, morto e ressuscitado, derrota o ódio, o pecado, o mal, e nos dá a vida eterna, aquela dos filhos que desejam estar para sempre na "casa do pai". Dizer "Creio em Deus Pai Todo-Poderoso", no seu poder, no seu modo de ser pai, é sempre um acto de fé, de conversão, de transformação dos nossos pensamentos, de todo o nosso afecto, de todo o nosso modo de viver…

ANO DA FÉ



Da mensagem do Papa Bento XVI para a Quaresma de 2013

“…A caridade como vida na fé

Toda a vida cristã consiste em responder ao amor de Deus. A primeira resposta é precisamente a fé como acolhimento, cheio de admiração e gratidão, de uma iniciativa divina inaudita que nos precede e solicita; e o «sim» da fé assinala o início de uma luminosa história de amizade com o Senhor, que enche e dá sentido pleno a toda a nossa vida. Mas Deus não se contenta com o nosso acolhimento do seu amor gratuito; não Se limita a amar-nos, mas quer atrair-nos a Si, transformar-nos de modo tão profundo que nos leve a dizer, como São Paulo: ‘Já não sou eu que vivo, é Cristo que vive em mim’ (cf. Gl 2, 20). Quando damos espaço ao amor de Deus, tornamo-nos semelhantes a Ele, participantes da sua própria caridade. Abrirmo-nos ao seu amor significa deixar que Ele viva em nós e nos leve a amar com Ele, n'Ele e como Ele; só então a nossa fé se torna verdadeiramente uma ‘fé que actua pelo amor’ (Gl 5, 6) e Ele vem habitar em nós (cf. 1 Jo 4, 12). A fé é conhecer a verdade e aderir a ela (cf. 1 Tm 2, 4); a caridade é «caminhar» na verdade (cf.Ef 4, 15). Pela fé, entra-se na amizade com o Senhor; pela caridade, vive-se e cultiva-se esta amizade (cf. Jo 15, 14-15). A fé faz-nos acolher o mandamento do nosso Mestre e Senhor; a caridade dá-nos a felicidade de pô-lo em prática (cf. Jo 13, 13-17). Na fé, somos gerados como filhos de Deus (cf. Jo 1, 12-13); a caridade faz-nos perseverar na filiação divina de modo concreto, produzindo o fruto do Espírito Santo (cf. Gl 5, 22). A fé faz-nos reconhecer os dons que o Deus bom e generoso nos confia; a caridade fá-los frutificar (cf. Mt 25, 14-30)…”

 

PARA REZAR



SALMO 71

Em Vós, Senhor, me refugio,
jamais serei confundido.
Pela vossa justiça, defendei-me e salvai-me,
prestai ouvidos e libertai-me.

Sede para mim um refúgio seguro,
a fortaleza da minha salvação.
Vós sois a minha defesa e o meu refúgio:
meu Deus, salvai-me do pecador.

Sois Vós, Senhor, a minha esperança,
a minha confiança desde a juventude.
Desde o nascimento Vós me sustentais,
desde o seio materno sois o meu protector.

A minha boca proclamará a vossa justiça,
dia após dia a vossa infinita salvação.
Desde a juventude Vós me ensinais,
e até hoje anunciei sempre os vossos prodígios.

SANTOS POPULARES



RECORDAR SÃO JOÃO DE BRITO

João de Brito, filho de Salvador Pereira de Brito e Brites Pereira, nasceu no dia 1 de Março de 1647, em Lisboa. O seu pai era um grande fidalgo e foi governador do Rio de Janeiro; a sua mãe era descendente de D. Nuno Álvares Pereira. Aos quatro anos ficou órfão de pai, mas a sua mãe deu-lhe, assim como aos seus irmãos Cristóvão e Fernão, uma verdadeira educação cristã. Ainda criança entrou a fazer parte dos pajens do Rei D. João IV; na Corte distinguiu-se sempre pela sua delicadeza no modo de tratar as pessoas e pela limpidez da sua consciência. No seu coração germinava o desejo de oferecer a Deus uma vida sempre mais perfeita, pela observância dos conselhos evangélicos. Ao mesmo tempo, crescia nele a vontade de gastar a sua vida no serviço missionário. A Índia exercia nele uma atracção e um fascínio irrecusáveis. Aos 11 anos, João de Brito ficou doente com tal gravidade que, nas suas preces para recuperar a saúde, invocava São Francisco Xavier. Acreditando ter ficado bom através das suas preces, veste-se com o hábito de Santo Inácio, da Companhia de Jesus, tal como tinha prometido, durante um ano. Após o período da promessa, João de Brito revelou à sua mãe a intenção de entrar para a Companhia de Jesus. Aos 14 anos, entra no noviciado de Lisboa, onde permanece durante dois anos. Depois de cumprido o noviciado, parte para Évora onde, durante cinco anos, estuda Humanidades e Filosofia. No entanto, devido ao clima da cidade, adoece e muda-se para Coimbra, para o Colégio das Artes, onde estuda Filosofia. Nesta altura, faz o pedido ao Padre Geral da Companhia - primeiro em 1668, e depois em 1669 - para que seja enviado para a Índia. Contudo, após terminar o curso de Filosofia, é nomeado para leccionar a cadeira de gramática, no colégio de S. Antão (actual Hospital de S. José), em Lisboa. Entretanto, recebe a notícia de que o seu pedido para ir para a Índia tinha sido aceite. Influenciado pelo Governador-geral de Madurai, que se encontrava em Lisboa a procurar membros para a missão, João de Brito decide- se por esta. Entre 1671 e 1673, estuda Teologia, condição necessária para ser ordenado sacerdote e ir para as missões. Quando informa a sua mãe sobre esta sua decisão, ela tenta, por todos os meios, demovê-lo pois receava não o voltar a ver. Ordenado sacerdote, teve grande satisfação de ser mandado para as Missões da Índia. Em Goa, deteve-se alguns anos, completando os estudos teológicos. Terminados estes, iniciou a sua vida de missionário activo, na região do Maduré. Qual outro Francisco Xavier, cujo apostolado glorioso era o seu modelo e o seu ideal, deu-se de corpo e alma aos múltiplos trabalhos da sua Missão, conservando-se sempre fiel no espírito do temor de Deus, na rigorosa observância das constituições e no amor pelas almas imortais. Deus abençoou visivelmente o apostolado deste seu servo. Aos milhares, os hindus vieram aos pés do missionário jesuíta, professar-lhe a fé em Jesus Cristo e a pedir o santo baptismo. Os sacrifícios que, durante 20 anos, acompanharam o seu trabalho missionário, começaram a ser compensados, tal o número dos que se tinham convertido a Jesus Cristo. Quando menos o esperava, foi preso, juntamente com os seus companheiros. Foram maltratados, torturados e mortos, passados ao fio da espada. A João de Brito amputaram-lhe as mãos e os pés e o seu corpo, cravado num tronco de madeira, foi exposto num lugar público para alegria dos seus perseguidores. Os seus restos mortais foram depositados na igreja do Colégio dos Jesuítas, em Goa, onde se encontra, também, o corpo de São Francisco Xavier. São João de Brito foi beatificado no dia 17 de Fevereiro de 1853, pelo Papa Pio IX. Em 27 de Junho de 1947, foi canonizado pelo Papa Pio XII. A sua memória litúrgica faz-se a 4 de Fevereiro.

domingo, 27 de janeiro de 2013

FESTA DAS FOGACEIRAS

Apesar do mau tempo, cumpriu-se o voto a São Sebastião, na festa das Fogaceiras, em Santa Maria da Feira. A Igreja Matriz encheu-se para a celebração da Eucaristia presidida pelo Sr. D. João Lavrador, Bispo Auxiliar do Porto. Cerca de 270 meninas, provenientes de todo o Concelho, vestidas de branco, levaram o símbolo e ícone do Voto - a fogaça - como entrega de louvor, de acção de graças e de súplica, para que São Sebastião continue a proteger, com a sua intercessão, as gentes das Terras da Feira. O coro e orquestra da Academia de Música emprestaram a beleza dos seus cânticos à beleza da celebração. Da homilia, proferida pelo Senhor Bispo, destacámos:

  “…Também nós hoje, mergulhados numa cultura cheia de perplexidades, detentora de tantas frustrações humanas, coarctada nos sonhos e anseios de algo de novo, mas também esperando uma plena realização humana, somos encaminhados pela Palavra de Deus, ao encontro de Cristo que quer, com a Sua entrega total na Sua Páscoa, conduzir-nos até à festa de uma vida plenamente feliz. Há um sonho em cada homem e cada mulher que se traduz no desejo de viver na alegria total. A vida deve traduzir-se em festa para todos. Contudo nem todos sentem a alegria e poucos têm motivos para viver a festa. Há sinais preocupantes na nossa sociedade que levam a reconhecer que a esperança vai morrendo no coração de tanta gente. Diz-nos o profeta Isaías que Deus não terá repouso enquanto a justiça não despontar como a aurora e a salvação não resplandecer como a luz do archote. A pessoa exige que lhe seja salvaguardada a defesa da sua dignidade profunda através de uma autêntica justiça. Esta não é mera aplicação de leis, mas é sobretudo reconhecimento do que a cada um é, devido também à misericórdia e ao amor. Mas esta concepção de pessoa humana e da sociedade não se alcançará sem um mergulhar no mistério pascal de Cristo que nos renova e como que nos recria para uma nova visão de toda a realidade. Só aí compreenderemos que todas as criaturas são irmãs, que ninguém poderá ser excluído da festa da vida, o amor será a garantia de relações fraternas profundas e que cada um de nós não se deve restringir a uma solidariedade exterior, na partilha de bens, mas deve reconhecer que a vivência do amor fraterno leva cada um a optar por uma doação de si mesmo, das suas capacidades, dos seus dons pessoais, dos seus bens, do seu tempo e da sua esperança…
Celebrar a S. Sebastião é sem dúvida reconhecer antes de mais que no seu martírio se associou de modo exemplar ao mistério pascal do Senhor. Para usar a imagem do Evangelho, assumiu em si mesmo o vinho novo que sacia a sede de tanta gente. Por isso, ao longo dos séculos, o povo necessitado recorre a ele na esperança de ver realizada a sua suplica pela qual quer alcançar as condições de vida digna e o patamar de alegria e de felicidade que lhe são roubados pelas continuas ameaças que tem de enfrentar. Em S. Sebastião encontramos a imagem viva do que é o amor a Deus e o amor ao próximo e como as duas direcções do mesmo amor se implicam mutuamente. Saboreando quotidianamente os dons de Cristo, tornou-se testemunha do amor de Deus na vida da sociedade do seu tempo. Neste ano proclamado como ano da fé, S. Sebastião ajuda-nos a centrarmos bem o que é a verdadeira fé cristã e as implicações que ela tem na existência de cada discípulo de Jesus Cristo…”

PALAVRAS DO PAPA



- na Audiência geral, 23 de Janeiro, Roma

“…Hoje quero começar a reflectir convosco sobre o Credo, a nossa Profissão de Fé, que inicia com estas palavras: «Creio em Deus»; um Deus, que Se revela e fala aos homens, convidando-os a entrar em comunhão com Ele. Assim no-lo mostra a Bíblia na vida de muitas pessoas. Uma delas é Abraão, chamado «o pai de todos os crentes». A fé leva-o a percorrer um caminho paradoxal, pois será abençoado, mas sem os sinais visíveis da bênção. Abraão, na fé, sabe discernir a bênção divina para além das aparências, confiando na presença do Senhor mesmo quando os seus caminhos são misteriosos. Os olhos da fé são capazes de ver o invisível. Também nós, quando dizemos «Creio em Deus», afirmamos como Abraão: «Entrego-Me nas vossas mãos! Entrego-me a Vós, Senhor!», para fundar em Vós a minha vida e deixar que a vossa Palavra a oriente nas opções concretas de cada dia…”

ANO DA FÉ



A Assessoria Vicarial da Pastoral Familiar, no âmbito da vivência do Ano da Fé, promove vários momentos de reflexão e de partilha sob o lema: “Ao encontro da Família: educar para a fé”. Concretizados em vários lugares da Vigararia de Santa Maria da Feira ( Santa Maria de Lamas, Caldas de São Jorge ), a última sessão realizar-se-á na Igreja Matriz de Santa Maria da Feira, no dia 8 de Fevereiro de 2013, às 21,00 horas. Será conferente o Dr. Daniel Bastos, psicólogo e Diácono na Paróquia de Matosinhos.

PARA REZAR



SALMO 19

A lei do Senhor é perfeita, reconforta o espírito;
as ordens do Senhor são firmes,
dão sabedoria ao homem simples.

Os mandamentos do Senhor são rectos,
alegram o coração;
os preceitos do Senhor são claros,
iluminam os olhos.

O temor do Senhor é puro, permanece para sempre.
As sentenças do Senhor são verdadeiras,
todas elas são justas.

São mais desejáveis que o ouro, o ouro mais fino;
são mais doces que o mel, o puro mel dos favos.

Aceita, com bondade, as palavras da minha boca
e estejam na tua presença os murmúrios do meu coração,
ó Senhor, meu refúgio e meu libertador. 

SANTOS POPULARES



SÃO JOÃO BOSCO

João Bosco nasceu em Becchi, um povoado de Castelnuovo d'Asti, a 16 de Agosto de 1815, numa família de agricultores. Seu pai, Francisco Bosco, deixou-o órfão com apenas dois anos, e Margarida Occhiena fica só para educar António, José e João. A família passou por momentos de extrema pobreza, especialmente durante as carestias. Com firmeza delicada, combinada com uma fé sem fronteiras, Margarida, educadora sábia, superou as dificuldades e fez da sua família uma igreja doméstica, ensinando os seus filhos a rezar – de manhã e à noite – e preparando-os para a primeira confissão e comunhão. Desde criança, João começou a sentir o desejo em se tornar sacerdote. Aos nove anos teve um sonho que lhe ficou profundamente gravado na mente por toda a vida, e que lhe revelou a sua missão: «Torna-te humilde, forte e robusto», disse-lhe uma senhora tão brilhante como o sol, «e aquilo que vês acontecer a estes lobos que se transformam em cordeiros, tu o farás aos meus filhos. Serei a tua mestra. A seu tempo, tudo compreenderás». Os irmãos e a avó não deram importância à coisa, mas a sua mãe sentia misteriosamente a vontade do Senhor: «Quem sabe, talvez te tornes num padre». Desde jovem que João começou a entreter os seus amigos com truques de magia, aprendidos por treino rígido, para além do trabalho e da oração: «Eu era muito novo, mas tentava compreender as inclinações dos meus companheiros. Os meninos da minha idade gostavam muito de mim, e ao mesmo tempo respeitavam-me. [...] O que os atraia especialmente a mim e os divertia eram as minhas histórias. [...] Durante as férias, eu dava espectáculos, fazendo alguns jogos que eu tinha aprendido. Excluía dos meus espectáculos aqueles que tinham blasfemado, que tiveram conversas maldosas, e aqueles que se recusavam a rezar connosco». Para se tornar sacerdote, João sabia que tinha que estudar, mas entrou em conflito com o seu irmão António, que queria que ele fosse trabalhar nos campos. Esteve durante quase dois anos como moço de recados, trabalhando fora de casa, na quinta Moglia. Conheceu em seguida o padre Calosso, que persuadiu António a deixar livre o seu irmão. Ao viver com esse santo sacerdote, João, pela primeira vez, experimentou a paternidade sacerdotal e pode retomar os seus estudos. Com a morte do padre Calosso, Margarida decide dividir os bens da família, e João, de quinze anos, retorna à escola, agora em Chieri, com rapazes mais pequenos do que ele. Devido às suas capacidades pouco comuns de aprender, completou mais classes em poucos anos, trabalhando para pagar os estudos. Idealizou e fundou a Sociedade da Alegria, que reunia os jovens da vila, tendo o cuidado de os manter entretidos e de os aproximar da Igreja. Em 1835, entrou para o seminário. Em sete pontos, escreve um pequeno projecto de vida que o acompanhará até à sua ordenação. Em Junho de 1841, foi ordenado sacerdote. Naquele dia, a mãe Margarida disse-lhe: «Agora que és um sacerdote; estás mais perto de Jesus. Recorda-te que começar a dizer a missa significa começar a sofrer». Nos anos seguintes, o Padre João Bosco, vai entender o significado dessas palavras. O seu director espiritual, o Padre Cafasso, aconselhou-o a aperfeiçoar os seus estudos no colégio eclesiástico. Ao seu lado descobre o mundo da prisão e decide fazer algo para evitar que os jovens se tornem delinquentes. A 8 de Dezembro de 1841, na sacristia da Igreja de São Francisco de Assis, o Padre Bosco encontra Bartolomeu Garelli, um órfão de dezasseis anos. Tudo começa com uma Ave-Maria. Depois daquele encontro, reúne em torno dele os primeiros rapazes e organiza o “Oratório”, uma instituição que acolhe rapazes em risco e se torna uma oportunidade de encontro, de formação e de festa. As centenas de jovens exaltados que reúne são muitas vezes expulsos e incompreendidos. Mas o Padre Bosco ( Dom Bosco) não desanima. Uma noite, Deus envia um homem que gagueja um pouco, que o leva a visitar um armazém na propriedade do Sr. Pinardi. Assim se estabelece definitivamente o “Oratório” em Valdocco. Ao Domingo ensina-se o catecismo, joga-se e celebra-se Missa. Iniciando as primeiras classes nocturnas, Dom Bosco torna-se, para os seus rapazes, escritor e professor. Margarida, já idosa, deixa a sua casa e os seus netos e aceita ir para Turim para ajudá-lo, e torna-se para os rapazes a «mama Margarida». Começam a dar abrigo aos órfãos sem tecto. Dom Bosco ensina-lhes um trabalho e a amar o Senhor, canta, joga e reza com eles. Graças à Providência, compra o edifício da casa Pinardi para acolher um número maior de jovens. Destes rapazes surgem também alguns colaboradores, e o “Oratório” espalha-se por diversas zonas de Turim. Desenvolve-se o método educativo de Dom Bosco, o famoso «sistema preventivo»: «Estai com os jovens, evitai o pecado pela razão, religião e amabilidade. Tornai-vos santos, educadores de santos. Os nossos jovens sintam que são amados». O jovem Domingos Sávio ( depois São Domingos Sávio ) será o primeiro fruto do sistema preventivo. Dom Bosco foi muitas vezes incompreendido pelos políticos e por alguns clérigos, e os anticlericais consideravam-no como um inimigo. Tentaram muitas vezes matá-lo. Para manter e expandir a sua obra em favor dos jovens, Dom Bosco, organiza quermesses e humilha-se constantemente ao pedir esmola a ricos e a nobres. Em Janeiro de 1854, propõe a quatro jovens, incluindo Rua e Cagherò, para colaborarem mais estreitamente com ele na caridade para com o próximo com a intenção de formar uma Sociedade. Em 1859, nasce, com a ajuda do Papa Pio IX, uma Congregação que visa a salvação da juventude, combatendo toda a pobreza e actuando pelo lema: «Dai-me almas, e levai tudo o resto». Nascem as primeiras casas nos arredores de Turim e continuam a chegar novas vocações. A Providência juntou os caminhos de Dom Bosco e os da jovem Maria Mazzarello, que em Mornese, fez algo semelhante com meninas pobres. Com a ajuda de Dom Bosco, Maria fundou o Instituto das Filhas de Maria Auxiliadora. A 11 de Novembro de 1875, liderados pelo padre João Cagliero, depois bispo e cardeal, partiram para a América do Sul, os primeiros dez missionários. Seguiram-se muitos outros. Juntamente com os seus benfeitores e os leigos comprometidos, Dom Bosco deu vida aos Cooperadores Salesianos, para logo fundar o Boletim Salesiano, que ainda é lido em muitas partes do mundo. Dom Bosco era um contemplativo na acção: orava constantemente e com simplicidade, enquanto estava no lazer ou durante as viagens, ou enquanto fazia qualquer coisa.
Ensinou a amar a Eucaristia, Maria e o Papa. Confessava centenas de jovens. Um dos seus motes favoritos era: trabalho e temperança. Escreveu milhares de cartas e publicou vários trabalhos sobre diversos temas. De entre os principais recordamos «As Leituras Católicas», «A História Sagrada», «A História de Itália», «A História dos Papas». Gastas as forças, exausto pela fadiga, aproxima-se do último passo: «Digam aos meus jovens que espero por todos eles no Paraíso». Morreu no dia 31 de Janeiro de 1888, aos 72 anos. A Família Salesiana- obra criada por Dom Bosco e assim chamada pela sua devoção a São Francisco de Sales - está presente em todo o mundo. O Papa João Paulo II, por ocasião do centenário da sua morte declarou-o: "Pai e Mestre da Juventude". São João Bosco foi beatificado no dia 2 de Junho de 1929 e canonizado no dia 1 de Abril de 1934; os dois acontecimentos foram presididos pelo Papa Pio XI. A sua memória litúrgica faz-se a 31 de Janeiro, dia da sua morte.

segunda-feira, 21 de janeiro de 2013

FESTA DAS FOGACEIRAS

 



A Paróquia de Santa Maria da Feira, mais uma vez, recebe a realização da Festa das Fogaceiras, em honra do Mártir São Sebastião. Festa antiga e sempre nova, expressão da fé e da fidelidade de um povo que, em tempos de crise, de dificuldade, de morte soube confiar-se à bondade de Deus pela intercessão de São Sebastião. Fazer a festa, hoje, deveria significar entrar em luta contra a maldade do mundo; a violência que vai germinando onde menos se espera; o desespero que domina tantas almas e vidas, por causa da noite que se abateu sobre elas; a tristeza que divide as famílias pela agressão, o abandono, a indiferença; a escravização dos sentimentos ao lucro, ao gozo, à superficialidade, à corrupção. Sebastião foi, na sua vida, um lutador pela verdade, pela liberdade, pelo respeito, pela responsabilidade, pela fé em Jesus Cristo. Quanto temos a aprender com ele?...

                                                                           
A Festa faz-se no dia 20 de Janeiro.
 A Eucaristia, às 11 horas, será presidida pelo Sr. Dom João Lavrador, Bispo Auxiliar do Porto. Sebastião, como a maior parte dos leitores sabe, nasceu em meados do séc. III ( 263?..) provavelmente em Milão, terra da sua mãe; alguns apontam Narbona, terra natal do seu pai, como sendo o lugar do seu nascimento. São poucos os dados históricos acerca dele. Pelo ano 270, foi para Roma onde viveu a maior parte da sua vida e conheceu o imperador Diocleciano, de quem se tornou grande amigo. Foi soldado do exército romano, chegando a alcançar o comando de uma coorte de pretorianos, a guarda particular do imperador. Cristão convicto, a todos falava de Jesus. Pela sua acção, muitos se converteram ao Evangelho: soldados, prisioneiros e, até, o governador de Roma, Cromazio, e o seu filho, Tibúrcio, que depois deram a vida por Jesus, sofrendo, também eles, o martírio. Sebastião, por ser cristão e por testemunhar Jesus, confortando os cristãos que estavam aprisionados, foi denunciado e, também, preso. Diocleciano tentou, em vão, persuadi-lo a renegar a fé, fazendo apelo à amizade que os unia. Sebastião manteve-se fiel a Jesus e aos princípios que davam sentido à sua vida. Então, foi condenado à morte, sentença que os arqueiros se encarregaram de cumprir. Crivado de flechas, Sebastião foi encontrado por Irene (Santa Irene), uma cristã, que, ao retirá-lo da árvore onde os seus algozes o tinham amarrado, verificou que ainda estava com vida. Levando-o para sua casa, tratou das suas feridas e Sebastião restabeleceu-se em poucos dias. Insensível às súplicas dos cristãos, seus amigos, apresentou-se ao imperador, recriminando-o pela antipatia que nutria pelos cristãos e pela perseguição que promovia contra eles. Voltou a ser preso e, desta vez, condenado a ser açoitado até morrer. Isto aconteceu por volta do ano 304. O seu cadáver foi atirado para o reservatório dos esgotos de Roma ( Cloaca Massima ), para que desaparecesse para sempre. Porém, foi descoberto por uma mulher, de nome Lucina ( Santa Lucina) que o retirou da imundície, o lavou e preparou para ser sepultado. Dizem que, em sonhos, Sebastião lhe apareceu pedindo-lhe que o sepultasse nas catacumbas, ao lado da sepultura onde repousavam as relíquias dos Apóstolos Pedro e Paulo. Estas catacumbas chamam-se, agora, “catacumbas de São Sebastião”. Desde esta altura, em Roma, foi intenso o culto de São Sebastião. A devoção ao Santo Mártir espalhou-se pelo mundo e resiste ao passar dos séculos. São Sebastião, depois de São Pedro e São Paulo, é o terceiro padroeiro de Roma. Mais tarde, próximo do lugar onde foi sepultado, junto à via Ápia - que ligava Roma ao resto do mundo - foi construída uma basílica em sua honra: a Basílica de São Sebastião.

PARA REZAR



- HINO DE VÉSPERAS I: COMUM DOS MÁRTIRES

Quando pela palavra se combate,
Erguendo, não a espada mas a cruz,
Como a cruz redentora do Calvário,
Também o sangue é luz.

Quando se renuncia à própria vida,
No gesto heróico da oblação suprema,
Para glória de Deus e bem das almas,
Também o sangue é poema.

Como a água das fontes cristalinas,
Brotando do sopé de serra brava,
Se é por Jesus que se derrama o sangue,
O sangue também lava.

Em cada Mártir o Senhor Se exalta
Sobre os ódios da turba irada e cega.
Como a palavra, e mais do que a palavra,
O sangue também prega.

Honra e louvor ao Pai omnipotente
E ao Filho, que por nós morreu na cruz,
E ao Espírito que glorifica os Mártires
No Sangue de Jesus.

SANTOS POPULARES



SÃO VICENTE

Vicente de Saragoça nasceu em Huesca, em Aragão (actual Espanha). Não se sabe a data do seu nascimento. Os relatos apontam para que tenha vivido nos finais do séc. III e inícios do séc. IV. Há poucos dados documentais acerca da sua vida. Sabe-se que, ainda criança, com os seus pais, deixou Huesca e foi viver para Saragoça. Aqui, Vicente foi ordenado Diácono da Igreja. Foi contemporâneo do imperador romano Diocleciano. Roma estendia o seu vasto império até a península Ibérica. Durante o seu reinado, Diocleciano reabilitou as velhas tradições romanas, incentivando o culto dos deuses antigos e proibindo o culto do cristianismo. Este imperador deu início àquela que seria – no entendimento de muitos historiadores - a penúltima perseguição do Império Romano ao cristianismo. Em Fevereiro de 303, Diocleciano promulgou um edito imperial que ordenou a destruição de todas as igrejas e objectos de culto dos cristãos e que toda a população do Império oferecesse sacrifícios aos deuses romanos. Durante esta perseguição aos cristãos, o Diácono Vicente recusou-se a obedecer às ordens imperiais de oferecer sacrifícios aos deuses pagãos. Por causa desta recusa, foi cruelmente martirizado no ano de 304, em Valência ( Espanha ) Após o martírio, o corpo de Vicente foi atirado aos animais mas, segundo a lenda, foi protegido pelos corvos que impediram que o seu corpo fosse devorado. Esta protecção foi vista pelos cristãos como um milagre; por isso, construíram, em sua homenagem, uma igreja onde depositaram o seu corpo, e Vicente passou a ser tratado como santo. Com o fim do Império Romano, a península Ibérica sofreu a invasão dos mouros e foi inteiramente ocupada. Em 713, os muçulmanos, querendo apagar os sinais do cristianismo e fortalecer a sua autoridade, puseram o corpo de São Vicente num barco e deixaram-no à deriva no mar. O barco, levando as relíquias do santo mártir, foi dar ao Promontorium Sacrum (Promontório Sacro, Cabo de Sagres, Portugal), que se passou a chamar Cabo de São Vicente. Os cristãos que aí viviam sob o domínio dos mouros, recolheram o corpo, transportando-o para uma ermida erguida em sua homenagem. Durante alguns séculos, o culto a São Vicente alastrou-se por todo o território que seria, no futuro, o Reino de Portugal. Dom Afonso Henriques, primeiro rei de Portugal, decidiu resgatar o corpo de São Vicente aos sarracenos que dominavam Sagres, nessa época. Sob as suas ordens, as relíquias do santo foram levadas para Lisboa. Diz a tradição que, quando o corpo seguiu no barco, dois corvos o acompanharam durante todo o percurso. As relíquias, transferidas de Sagres para uma igreja fora das muralhas da cidade de Lisboa (Igreja de São Vicente de Fora), geraram uma profunda veneração por São Vicente que, em 1173, foi proclamado padroeiro de Lisboa. A sua memória litúrgica faz-se no dia 22 de Janeiro.

domingo, 6 de janeiro de 2013

EPIFANIA DO SENHOR



“…A Epifania é uma festa da luz. «Ergue-te, Jerusalém, e sê iluminada, que a tua luz desponta e a glória do Senhor está sobre ti» (Is 60, 1). Com estas palavras do profeta Isaías, a Igreja descreve o conteúdo da festa. Sim, veio ao mundo Aquele que é a Luz verdadeira, Aquele que faz com que os homens sejam luz. Dá-lhes o poder de se tornarem filhos de Deus (cf. Jo 1, 9.12). Para a liturgia, o caminho dos Magos do Oriente é só o início de uma grande procissão que continua ao longo da história inteira. Com estes homens, tem início a peregrinação da humanidade rumo a Jesus Cristo: rumo àquele Deus que nasceu num estábulo, que morreu na cruz e, Ressuscitado, permanece connosco todos os dias até ao fim do mundo (cf. Mt 28, 20). A Igreja lê a narração do Evangelho de Mateus juntamente com a visão do profeta Isaías, que escutámos na primeira leitura: o caminho destes homens é só o início. Antes, tinham vindo os pastores – almas simples que habitavam mais perto de Deus feito menino, podendo mais facilmente «ir até lá» (cf. Lc 2, 15) ter com Ele e reconhecê-Lo como Senhor. Mas agora vêm também os sábios deste mundo. Vêm grandes e pequenos, reis e servos, homens de todas as culturas e de todos os povos. Os homens do Oriente são os primeiros, seguidos de muitos outros ao longo dos séculos. Depois da grande visão de Isaías, a leitura tirada da Carta aos Efésios exprime, de modo sóbrio e simples, a mesma ideia: os gentios partilham da mesma herança (cf. 3, 6). Eis como o formulara o Salmo 2: «Eu te darei as nações por herança, e os confins da terra para teu domínio» (v. 8).
Os Magos do Oriente vão à frente. Inauguram o caminho dos povos para Cristo. Durante esta Missa, vou conferir a Ordenação Episcopal a dois sacerdotes, consagrá-los-ei Pastores do povo de Deus. Segundo palavras de Jesus, caminhar à frente do rebanho faz parte da função do Pastor (cf. Jo 10, 4). Por isso naqueles personagens, que foram os primeiros pagãos a encontrar o caminho para Cristo, talvez possamos – não obstante todas as diferenças nas respectivas vocações e tarefas – procurar indicações para a missão dos Bispos. Que tipo de homens eram os Magos? Os peritos dizem-nos que pertenciam à grande tradição astronómica que se fora desenvolvendo na Mesopotâmia no decorrer dos séculos, e era então florescente. Mas esta informação, por si só, não é suficiente. Provavelmente haveria muitos astrónomos na antiga Babilónia, mas poucos, apenas estes Magos, se puseram a caminho e seguiram a estrela que tinham reconhecido como sendo a estrela da promessa, ou seja, a que indicava o caminho para o verdadeiro Rei e Salvador. Podemos dizer que eram homens de ciência, mas não apenas no sentido de quererem saber muitas coisas; eles queriam algo mais. Queriam entender o que é que conta no facto de sermos homens. Provavelmente ouviram falar da profecia de Balaão, um profeta pagão: «Uma estrela sai de Jacob, e um cetro se levanta de Israel» (Nm 24, 17). Eles aprofundaram esta promessa. Eram pessoas de coração inquieto, que não se satisfaziam com aparências ou com a rotina da vida. Eram homens à procura da promessa, à procura de Deus. Eram homens vigilantes, capazes de discernir os sinais de Deus, a sua linguagem subtil e insistente. Mas eram também homens corajosos e, ao mesmo tempo, humildes: podemos imaginar as zombarias que tiveram de suportar quando se puseram a caminho para ir ter com o Rei dos Judeus, enfrentando canseiras sem número. Mas, não consideravam decisivo o que se pensava ou dizia deles, mesmo pelas pessoas influentes e inteligentes. Para eles o que contava era a própria verdade, não a opinião dos homens. Por isso, enfrentaram as privações e o cansaço dum caminho longo e incerto. Foi a sua coragem humilde que lhes permitiu prostrar-se diante dum menino filho de gente pobre e reconhecer n’Ele o Rei prometido, cuja busca e reconhecimento fora o objectivo do seu caminho exterior e interior…” ( da Homilia do Papa Bento XVI, na Epifania de 2012 )

PALAVRA DO PAPA



- da Homilia na Solenidade de Santa Maria, Mãe de Deus, 1 de Janeiro de 2013, em Roma

“…Queridos irmãos e irmãs, eis o fundamento da nossa paz: a certeza de contemplar em Jesus Cristo o esplendor da face de Deus, de ser filhos no Filho e ter, assim, na estrada da vida, a mesma segurança que a criança sente nos braços de um Pai bom e onipotente. O esplendor da face do Senhor sobre nós, que nos dá a paz, é a manifestação da sua paternidade; o Senhor dirige sobre nós a sua face, se mostra como Pai e nos dá a paz. Aqui está o princípio daquela paz profunda - «paz com Deus» - que está intimamente ligada à fé e à graça, como escreve São Paulo aos cristãos de Roma (Rm 5, 2). Nada pode tirar daqueles que creem esta paz, nem mesmo as dificuldades e os sofrimentos da vida. De fato, os sofrimentos, as provações e a escuridão não corroem, mas aumentam a nossa esperança, uma esperança que não decepciona, porque "o amor de Deus foi derramado em nossos corações pelo Espírito Santo que nos foi dado" (Rm 5, 5).
Que a Virgem Maria, que hoje veneramos com o título de Mãe de Deus, nos ajude a contemplar a face de Jesus, Príncipe da Paz. Que Ela nos ajude e nos acompanhe neste novo ano; que Ela obtenha para nós e para o mundo inteiro o dom da paz. Amém!...”

ANO DA FÉ



- da Homilia de D. Manuel Clemente, Bispo do Porto, no dia 1 de Janeiro de 2013, na Sé Portucalense

“…Que oportunidade, irmãos, que responsabilidade tamanha, se verdadeiramente procuramos a paz! Estando Deus aí mesmo, na vida em gestação, dentro ou já fora do ventre materno, como se torna prioritária a promoção e salvaguarda de cada vida humana, no arco total da sua existência terrena! A fragilidade da vida uterina ou a fraqueza e enfermidade que a atinjam depois, são outros tantos apelos a que acorramos céleres – como os pastores do Evangelho – ao seu cuidado preciso, solidário e eficaz. Qualquer hesitação neste ponto, qualquer amolecimento cultural ou legal em relação a ele, é absolutamente um atentado à paz. À paz das consciências, que, quanto a isto, nunca adormecerão tranquilas, antes somarão pesadelos; e à paz das famílias e de sociedades inteiras, se contemporizarem com qualquer tipo de anti natalismo ou reducionismo existencial. A tão mencionada “qualidade de vida”, deve significar, antes de mais, o reconhecimento da qualidade que ela essencialmente tem e sempre conserva, mesmo quando física ou mentalmente atingida. A paz – enquanto harmonia íntima e global de tudo quanto representa a verdade das coisas, começando pela verdade das pessoas – é obra e fruto da justiça, que nos manda dar a cada um o que lhe é devido e pertence. E a vida é a primeiríssima pertença de cada ser humano.

Também aqui não havemos de ter medo, nem de nos sentirmos esmagados por uma responsabilidade aparentemente incomportável, face à insensibilidade de outros em relação a este ponto fundamental. Quando o cristianismo nasceu, no Menino do Presépio, toda a grandeza do céu era pequeníssima na terra, e em grande contraste com o que se fazia naquele imponente Império Romano, no respeitante à vida humana. A escravatura era uma realidade geral e aceite; o aborto prática corrente; e o próprio bebé já nascido estava sujeito à vontade paterna, para continuar ou não a viver… Alguma reflexão filosófica, como a dos estoicos, já criticava estas últimas práticas; mas foi, inegavelmente foi, a progressiva expansão evangélica nas inteligências e nos costumes que, pouco a pouco, conseguiu modificar positivamente as coisas, na legislação inclusive. É por isso muito estranho que alguém se lembre de apresentar hoje em dia como “progressos civilizacionais” autênticas regressões de dois mil anos, desprotegendo a vida em todo seu verdadeiro percurso, pré e pós natal. Sobretudo, quando a ciência nos demonstra agora, com toda a evidência, o desenvolvimento duma mesma vida desde o momento da sua conceção. - Há muito o faz a liturgia cristã, celebrando a Anunciação do Senhor em cada 25 de Março, nove meses precisos antes do seu Natal!
Não tenhamos receio de, também neste ponto, «confessarmos Cristo como Senhor, sempre dispostos a dar a razão da nossa esperança a todo aquele que no-la peça; com mansidão e respeito…» (cf. 1 Pe 3, 15). Ofereçamo-la mesmo a quem não a peça ainda, certos como estamos de que a verdade que nos chama a nós também chama a todos, como os pastores o foram ao pleno presépio de Cristo. Façamo-lo com atitudes concretas de salvaguarda e protecção da vida, respondendo da melhor maneira aos casos que surjam e apoiando todas as iniciativas nesse sentido, como já existem e hão-de aumentar na nossa sociedade.
Há aqui muita urgência, semelhante à pressa com que os pastores acorreram ao pobre lugar onde Deus nascia no mundo. E convençamo-nos da verdade sempre comprovada: a decisão certa que tomamos hoje abre o amanhã que Deus nos oferece. Também aqui poderíamos aplicar a passagem bíblica: «Como deve ser santa a vossa vida e a vossa piedade, enquanto esperais e apressais a chegada do dia de Deus; […] nós esperamos uns novos céus e uma nova terra, onde habita a justiça» ( 2 Pe 3, 11-13). 

PARA REZAR



HINO DE COMPLETAS: EPIFANIA DO SENHOR

Luz terna, suave, no meio da noite,
Leva-me mais longe...
Não tenho aqui morada permanente:
Leva-me mais longe...

Que importa se é tão longe para mim
A praia aonde tenho de chegar,
Se sobre mim levar constantemente
Poisada a clara luz do teu olhar.

Nem sempre Te pedi como hoje peço
Para seres a luz que me ilumina,
Mas sei que ao fim terei abrigo e acesso
Na plenitude da tua luz divina.

Esquece os meus passos mal andados,
Meu desamor perdoa e meu pecado.
Eu sei que vai raiar a madrugada
E não me deixarás abandonado.

Se Tu me dás a mão não terei medo,
Meus passos serão firmes no andar.
Luz terna, suave, leva-me mais longe;
Basta-me um passo para a Ti chegar.

SANTOS POPULARES



SÃO LOURENÇO JUSTINIANO

Lourenço nasceu em Veneza, no dia 1 de Julho de 1380, numa família ilustre e nobre: a família Giustiniani. Desde criança, manifestou apreço pelas virtudes da humildade, do desapego às coisas materiais, de transparente honestidade no corpo, na alma e no uso dos bens que possuía. O que mais o fazia sofrer era saber que a vida dos homens e mulheres da sua cidade era dominada pelo orgulho, pela ganância, pela ambição desmedida e pela corrupção. Já adolescente, viveu uma experiência mística que o marcou para sempre: teve a visão da Sabedoria Eterna - Jesus Cristo, Palavra viva do Pai – e, desde então, decidiu dedicar-se à vida religiosa.  O seu único desejo era amar e servir a Deus. Procurando crescer na perfeição da vida espiritual, tornou-se mendigo na sua própria cidade, chegando mesmo a pedir esmola à porta da casa dos seus próprios pais. Os seus familiares sentiam-se provocados e envergonhados com esta sua atitude e, muitas vezes, tentaram demovê-lo e até desviarem-no do caminho da vida religiosa. As comunidades cristãs da Veneza do século XV eram comunidades cheias de vitalidade e de fervor religioso, abertas a uma verdadeira reforma católica e desejosas de dar prova do seu amor a Cristo, dando frutos de testemunho e de boas obras. Lourenço Justiniano é uma prova de que a renovação da vida de fé e a transformação do coração dá muitos frutos.  Com apenas dezanove anos de idade, já era considerado um modelo de virtude, de austeridade e de humildade. Em 1404, foi ordenado Diácono e uniu-se a outros sacerdotes, entrando para Mosteiro de São Jorge, em Alga, para viver, com eles, em comunidade. Este grupo foi conhecido como "Companhia dos Cónegos Seculares", pioneiros do esforço reformador da Igreja Católica. Eram sacerdotes seculares ( ligados ao mundo no seu apostolado, sobretudo o do ensino e da pregação) mas viviam em comunidade, para se ajudarem mutuamente no esforço da santificação . Para isso, criaram regras muito próprias para a organização da sua vida comunitária e apostólica. Lourenço foi ordenado sacerdote, em 1407 e, dois anos depois, foi eleito superior da Comunidade de São Jorge de Alga. Não sendo um bom orador, tornava a sua pregação eficiente com a sua dedicação ao ministério do confessionário, com o seu exemplo de humilde mendicante e com o seu trabalho de escritor incansável. A sua obra inclui livros para doutores e leigos, incluindo tratados teológicos e simples manuais de catequese. Os seus escritos trazem a matriz da sua revelação original: a ideia da "Sabedoria Eterna", eixo da sua mística, tanto para a perfeição interior como para a rectidão da vida. Apesar de não ser seu desejo, em 1433, foi ordenado bispo de Castello, uma pequena diocese perto de Veneza, pelo Papa Eugénio IV. Em 1451, o papa Nicolau V extinguiu esta diocese e nomeou Lourenço Justiniano para primeiro patriarca de Veneza. Nestas funções, deixou uma marca muito particular, impressa com as suas virtudes. Era considerado um homem sábio, prudente, piedoso e, sobretudo, um homem de caridade, principalmente com os mais pecadores. Mandou construir mais de quinze conventos e inúmeras igrejas, possibilitando que muitas pessoas se aproximassem de Deus e vivessem a verdade da fé com entusiasmo e dedicação. A sua acção apostólica levou a um aumento considerável de crentes, na diocese de Veneza e nos arredores. Foi um modelo e um exemplo de pastor, amado por todos os seus fiéis, que obedeciam à sua pregação e ao seu exemplo no seguimento de Cristo. A sua mensagem acentuava, sobretudo, o dever da fidelidade aos mandamentos do Senhor. Lourenço Justiniano morreu no dia 8 de Janeiro de 1456, com setenta e seis anos. Depois da sua morte, muitos milagres foram atribuídos à sua intercessão, Foi canonizado, em 1690, pelo Papa Alexandre VIII.

Na Igreja Matriz de Santa Maria da Feira, no retábulo-mor, encontra-se uma imagem de São Lourenço Justiniano. Os Cónegos seculares de São João Evangelista, ou “frades lóios” - versão portuguesa dos Cónegos Seculares de São Jorge de Alga, de quem Lourenço Justiniano foi superior e impulsionador – eram muito devotos de São Lourenço Justiniano a quem consideravam como fundador do espírito que os motivava e unia. Esta imagem, agora em restauro, mostra o modo de trajar dos “Frades Lóios” ou “frades azuis” por causa da cor das suas vestes. A sua memória litúrgica já esteve marcada no dia 5 de Setembro, data em que fora nomeado bispo. Depois da reforma litúrgica do Concílio Vaticano II, esta memória é celebrada no dia 8 de Janeiro, data da sua morte.

domingo, 30 de dezembro de 2012

BOAS FESTAS


FESTA DA SAGRADA FAMÍLIA



A festa da Sagrada Família tem as suas origens no fim do século XIX. A Igreja inquietava-se então com o que considerava a decadência moral: o progresso do “naturalismo” devido aos avanços da ciência, a penetração do ateísmo e a autonomia cada vez maior da política e do direito em relação à Igreja. Certos Estados chegaram mesmo a aprovar legislação que permitia o casamento civil. E viam-se cada vez mais casais compostos por católicos e não católicos.
Por isso os papas tentaram valorizar a comunidade familiar como instituição propriamente cristã, fundada sobre o Evangelho. Assim, a 26 de Outubro de 1921, o Papa Bento XV instituiu um dia consagrado especificamente à Sagrada Família. Na liturgia renovada pelo Concílio Vaticano II, esta festa celebra-se no Domingo a seguir ao Natal. Na Festa da Sagrada Família, em 27 de Dezembro de 2009, disse o Papa Bento XVI: “…Como não recordar o verdadeiro significado desta festa? Deus, que veio ao mundo no seio de uma família, manifesta que esta instituição é caminho certo para O encontrar e conhecer, assim como uma chamada permanente para trabalhar pela unidade de todos em redor do amor. Portanto, um dos maiores serviços que nós, cristãos, podemos prestar aos nossos semelhantes é oferecer-lhes o nosso testemunho sereno e firme da família fundada no matrimónio entre um homem e uma mulher, salvaguardando-a e promovendo-a, porque ela é de máxima importância para o presente e para o futuro da humanidade. De facto, a família é a melhor escola na qual se aprende a viver aqueles valores que dignificam a pessoa e tornam grandes os povos. Nela também se partilham os sofrimentos e as alegrias, sentindo-se todos protegidos pelo carinho que reina em casa pelo simples facto de ser membros da mesma família. Peço a Deus que nos vossos lares se respire sempre este amor de entrega e fidelidade total que Jesus trouxe ao mundo com o seu nascimento, alimentando-o e fortalecendo-o com a oração quotidiana, a prática constante das virtudes, a compreensão recíproca e o respeito mútuo. Portanto, estimulo-vos a que vos dediqueis incansavelmente a esta bonita missão que o Senhor vos recomendou, confiando na materna intercessão de Maria Santíssima, Rainha das Famílias, e na poderosa protecção de São José, seu esposo…”


PALAVRA DO PAPA



- da Homilia da Missa do galo, 24 de Dezembro, em Roma

“…Onde não se dá glória a Deus, onde Ele é esquecido ou até mesmo negado, também não há paz. Hoje, porém, há correntes generalizadas de pensamento que afirmam o contrário: as religiões, mormente o monoteísmo, seriam a causa da violência e das guerras no mundo; primeiro seria preciso libertar a humanidade das religiões, para se criar então a paz; o monoteísmo, a fé no único Deus, seria prepotência, causa de intolerância, porque pretenderia, fundamentado na sua própria natureza, impor-se a todos com a pretensão da verdade única. É verdade que, na história, o monoteísmo serviu de pretexto para a intolerância e a violência. É verdade que uma religião pode adoecer e chegar a contrapor-se à sua natureza mais profunda, quando o homem pensa que deve ele mesmo deitar mão à causa de Deus, fazendo assim de Deus uma sua propriedade privada. Contra estas deturpações do sagrado, devemos estar vigilantes. Se é incontestável algum mau uso da religião na história, não é verdade que o «não» a Deus restabeleceria a paz. Se a luz de Deus se apaga, apaga-se também a dignidade divina do homem. Então, este deixa de ser a imagem de Deus, que devemos honrar em todos e cada um, no fraco, no estrangeiro, no pobre. Então deixamos de ser, todos, irmãos e irmãs, filhos do único Pai que, a partir do Pai, se encontram interligados uns aos outros. Os tipos de violência arrogante que aparecem então com o homem a desprezar e a esmagar o homem, vimo-los, em toda a sua crueldade, no século passado. Só quando a luz de Deus brilha sobre o homem e no homem, só quando cada homem é querido, conhecido e amado por Deus, só então, por mais miserável que seja a sua situação, a sua dignidade é inviolável. Na Noite Santa, o próprio Deus Se fez homem, como anunciara o profeta Isaías: o menino nascido aqui é «Emmanuel – Deus-connosco» (cf. Is 7, 14). E verdadeiramente, no decurso de todos estes séculos, não houve apenas casos de mau uso da religião; mas, da fé no Deus que Se fez homem, nunca cessou de brotar forças de reconciliação e magnanimidade. Na escuridão do pecado e da violência, esta fé fez entrar um raio luminoso de paz e bondade que continua a brilhar…”

ANO DA FÉ



- DA MENSAGEM DO PAPA PARA O DIA MUNDIAL DA PAZ: 1 DE JANEIRO

“… Obreiros da paz são aqueles que amam, defendem e promovem a vida na sua integridade
Caminho para a consecução do bem comum e da paz é, antes de mais nada, o respeito pela vida humana, considerada na multiplicidade dos seus aspectos, a começar da concepção, passando pelo seu desenvolvimento até ao fim natural. Assim, os verdadeiros obreiros da paz são aqueles que amam, defendem e promovem a vida humana em todas as suas dimensões: pessoal, comunitária e transcendente. A vida em plenitude é o ápice da paz. Quem deseja a paz não pode tolerar atentados e crimes contra a vida.
Aqueles que não apreciam suficientemente o valor da vida humana, chegando a defender, por exemplo, a liberalização do aborto, talvez não se dêem conta de que assim estão a propor a prossecução duma paz ilusória. A fuga das responsabilidades, que deprecia a pessoa humana, e mais ainda o assassinato de um ser humano indefeso e inocente nunca poderão gerar felicidade nem a paz. Na verdade, como se pode pensar em realizar a paz, o desenvolvimento integral dos povos ou a própria salvaguarda do ambiente, sem estar tutelado o direito à vida dos mais frágeis, a começar pelos nascituros? Qualquer lesão à vida, de modo especial na sua origem, provoca inevitavelmente danos irreparáveis ao desenvolvimento, à paz, ao ambiente. Tão pouco é justo codificar ardilosamente falsos direitos ou opções que, baseados numa visão redutiva e relativista do ser humano e com o hábil recurso a expressões ambíguas tendentes a favorecer um suposto direito ao aborto e à eutanásia, ameaçam o direito fundamental à vida.
Também a estrutura natural do matrimónio, como união entre um homem e uma mulher, deve ser reconhecida e promovida contra as tentativas de a tornar, juridicamente, equivalente a formas radicalmente diversas de união que, na realidade, a prejudicam e contribuem para a sua desestabilização, obscurecendo o seu carácter peculiar e a sua insubstituível função social.
Estes princípios não são verdades de fé, nem uma mera derivação do direito à liberdade religiosa; mas estão inscritos na própria natureza humana – sendo reconhecíveis pela razão – e consequentemente comuns a toda a humanidade. Por conseguinte, a acção da Igreja para os promover não tem carácter confessional, mas dirige-se a todas as pessoas, independentemente da sua filiação religiosa. Tal acção é ainda mais necessária quando estes princípios são negados ou mal entendidos, porque isso constitui uma ofensa contra a verdade da pessoa humana, uma ferida grave infligida à justiça e à paz.
Por isso, uma importante colaboração para a paz é dada também pelos ordenamentos jurídicos e a administração da justiça quando reconhecem o direito ao uso do princípio da objecção de consciência face a leis e medidas governamentais que atentem contra a dignidade humana, como o aborto e a eutanásia.
Entre os direitos humanos basilares mesmo para a vida pacífica dos povos, conta-se o direito dos indivíduos e comunidades à liberdade religiosa. Neste momento histórico, torna-se cada vez mais importante que este direito seja promovido não só negativamente, como liberdade de – por exemplo, de obrigações e coacções quanto à liberdade de escolher a própria religião –, mas também positivamente, nas suas várias articulações, como liberdade para, por exemplo, testemunhar a própria religião, anunciar e comunicar a sua doutrina; para realizar actividades educativas, de beneficência e de assistência que permitem aplicar os preceitos religiosos; para existir e actuar como organismos sociais, estruturados de acordo com os princípios doutrinais e as finalidades institucionais que lhe são próprias. Infelizmente vão-se multiplicando, mesmo em países de antiga tradição cristã, os episódios de intolerância religiosa, especialmente contra o cristianismo e aqueles que se limitam a usar os sinais identificadores da própria religião.
O obreiro da paz deve ter presente também que as ideologias do liberalismo radical e da tecnocracia insinuam, numa percentagem cada vez maior da opinião pública, a convicção de que o crescimento económico se deve conseguir mesmo à custa da erosão da função social do Estado e das redes de solidariedade da sociedade civil, bem como dos direitos e deveres sociais. Ora, há que considerar que estes direitos e deveres são fundamentais para a plena realização de outros, a começar pelos direitos civis e políticos.
E, entre os direitos e deveres sociais actualmente mais ameaçados, conta-se o direito ao trabalho. Isto é devido ao facto, que se verifica cada vez mais, de o trabalho e o justo reconhecimento do estatuto jurídico dos trabalhadores não serem adequadamente valorizados, porque o crescimento económico dependeria sobretudo da liberdade total dos mercados. Assim o trabalho é considerado uma variável dependente dos mecanismos económicos e financeiros. A propósito disto, volto a afirmar que não só a dignidade do homem mas também razões económicas, sociais e políticas exigem que se continue « a perseguir como prioritário o objectivo do acesso ao trabalho para todos, ou da sua manutenção ». Para se realizar este ambicioso objectivo, é condição preliminar uma renovada apreciação do trabalho, fundada em princípios éticos e valores espirituais, que revigore a sua concepção como bem fundamental para a pessoa, a família, a sociedade. A um tal bem corresponde um dever e um direito, que exigem novas e ousadas políticas de trabalho para todos…”


PARA REZAR



SALMO 128

Feliz de ti, que temes o Senhor
e andas nos seus caminhos.
Comerás do trabalho das tuas mãos,
serás feliz e tudo te correrá bem.

Tua esposa será como videira fecunda,
no íntimo do teu lar;
teus filhos serão como ramos de oliveira,
ao redor da tua mesa.

Assim será abençoado o homem que teme o Senhor.
De Sião te abençoe o Senhor:
vejas a prosperidade de Jerusalém,
                todos os dias da tua vida.

SANTOS POPULARES



SÃO BASÍLIO

Basílio nasceu no ano 330, na cidade de Cesareia, na Capadócia, actual Turquia. Foi o mais velho de nove irmãos: quatro rapazes e cinco raparigas. Três dos irmãos alcançaram a dignidade episcopal. Das cinco irmãs, a mais velha, Macrina, dedicou a sua vida a Deus. Os seus pais, Basílio e Emélia, eram ricos e gozavam de grande estima entre os seus concidadãos. Ainda criança, Basílio foi acometido de uma doença grave. A oração persistente e confiada do seu pai obteve um verdadeiro milagre de Deus: a cura. Entregue aos cuidados de sua avó, Basílio recebeu os primeiros ensinamentos da vida cristã. Mais tarde, iniciou os estudos em Cesareia, completando-os em Constantinopla. Aí conheceu aquele que foi o seu maior amigo: Gregório, de Nazianzo que, no amor a Jesus encontrou o caminho da santidade. A este amigo chamamos, também, São Gregório Nazianzeno. Quando Basílio voltou a Cesareia, seu pai já havia morrido. O exemplo, as palavras animadoras e o testemunho da sua avó Macrina despertaram nele o desejo de abandonar o mundo e levar uma vida de penitência, de renúncia às coisa mundanas e de entrega total a Jesus. Com este objectivo, visitou diversos eremitas no Egipto, na Síria, na Palestina e na Mesopotâmia. Depois desta peregrinação, voltou a Cesareia determinado a concretizar o seu sonho. O bispo Diânio, conferiu-lhe o leitorado. Entretanto, Diânio, embora fiel aos ideais do cristianismo, proferiu, nos concílios de Antioquia e de Sárdica ( hoje, Sófia, capital da Bulgária), declarações que abalaram a Igreja e fizeram com que a ortodoxia fosse posta em dúvida. Basílio, profundamente entristecido com este facto e para não se expor e perder a fé, com grande pesar, afastou-se do bispo, a quem dedicava grande amizade, e dirigiu-se para o Ponto, onde a sua santa mãe e a sua irmã mais velha tinham fundado um convento para donzelas cristãs. Basílio, imitando o seu exemplo, fundou um convento para homens, cuja direcção foi, mais tarde, entregue ao seu irmão, Pedro: São Pedro de Sebaste. A estas duas fundações, seguiram-se outras e cresceu, consideravelmente, o número de conventos, no Ponto. Foi nesta época que Basílio escreveu obras belíssimas sobre a vida religiosa, compôs a regra da vida monástica que até hoje é observada pelos monges da Igreja Oriental. Basílio é considerado o pai do monaquismo na Igreja Oriental. A vida de Basílio era regida por uma austeridade que causava admiração a todos. Ele, fundador da Ordem - chamada Ordem de São Basílio - era a regra viva, dando a todos os religiosos um verdadeiro exemplo de todas as virtudes monásticas. O rigor da sua penitência deixara-o tão magro e frágil que parecia ter só pele e osso. Entretanto, o bispo Diânio, estando gravemente enfermo, mandou chamar para perto de si o seu santo amigo que o acompanhou até ao último suspiro. Para suceder a Diânio, no bispado de Cesareia, foi escolhido Eusébio: foi das suas mãos que Basílio recebeu o presbiterado, com a missão de pregar. Basílio continuou a sua vida austera, como se estivesse no meio dos seus confrades. Como, porém, a fama de santidade e sabedoria do santo servo de Deus começasse a incomodar e a irritar o bispo Eusébio, Basílio retirou-se para viver na solidão. Porém, Eusébio, intimidado pelas reclamações e ameaças do povo, chamou Basílio a Cesareia e encarregou-o de rebater a propaganda herética do arianismo; de cuidar dos pobres atingidos pela miséria provocada por uma grande carestia de vida; de orientar diversos conventos, de ambos os sexos, que precisavam de um guia espiritual da envergadura de Basílio. Os serviços que, naquela ocasião, prestou à população, quer como pregador, quer como confessor, foram tantos e tão dedicados que o próprio bispo, mudando de atitude e de sentimentos, se tornou um seu dedicado amigo e nada fazia sem antes se aconselhar com Basílio. O Bispo Eusébio morreu no ano 370. O seu sucessor foi Basílio. Como bispo de Cesareia, Basílio veio a ser um astro luminoso da Igreja do Oriente. Cumpridor dos deveres episcopais, modelo exemplaríssimo em todas as virtudes, Basílio tornou-se um baluarte do cristianismo contra os contínuos e rudes ataques da heresia ariana, cujos defensores mais ardentes e poderosos se encontravam ao redor do imperador Valente que era um adepto fanático daquela seita. O imperador Valente não via com bons olhos o trabalho apostólico de Basílio e o rumo comprometido que a diocese de Cesareia tomava, sob a direcção do seu santo pastor. Uma comissão imperial, chefiada pelo valente capitão Modesto, foi enviada a Cesareia com ordens especiais para pôr fim à actividade apostólica de Basílio. Esta comissão não obteve nenhum êxito. Apesar das instruções de que eram portadores, das lisonjas e das ameaças, das argumentações subtis e sofísticas, não puderam impedir que o espírito, a inteligência, a coragem e a intrepidez do santo bispo se mostrassem de uma superioridade admirável. Nas três audiências, para as quais convidaram Basílio, este respondeu com tanta mansidão, clareza e energia, que no relatório que apresentaram ao imperador, confessaram redondamente a sua derrota. O imperador Valente, em consequência deste fracasso, não mais importunou os cristãos. Por ocasião da Festa da Epifania, ele mesmo foi a Cesareia assistir ao Santo Sacrifício, celebrado por Basílio. Ficou tão admirado com a majestade e o esplendor daquele acto sagrado que, embora não se atrevesse a receber a sagrada comunhão das mãos do bispo foi, com os fiéis, levar as oferendas ao altar. O Bispo Basílio, por motivos de sabedoria e de prudência, julgou conveniente dispensar, por esta vez, o rigor das leis disciplinares da Igreja. O imperador Valente caiu em si e começou a tratar os cristãos com mais clemência e tolerância. Alguns dos seus cortesãos não concordavam com a nova atitude do imperador e, lançando mão de todos os meios, conseguiram, por fim, fazer aprovar um decreto que ordenava a expatriação de Basílio. No dia em que devia ser executada a iniqua sentença, caiu gravemente enfermo o único filho do imperador. O estado de saúde da imperatriz foi muito afectado e ficou com perturbações sérias e preocupantes. Entre as dores e os desesperos, a imperatriz dizia que tudo o que se estava a passar era um justo castigo de Deus pelo mal feito a Basílio. O Bispo Basílio foi reabilitado e recebido, no palácio imperial, com grandes honras. Valente prometeu, ao bispo, a educação do príncipe herdeiro na religião cristã, se lhe alcançasse de Deus o restabelecimento do seu filho. De facto, o príncipe sarou mas o imperador, não cumprindo depois a palavra, teve o desgosto de perder o filho. Recomeçaram, então, as maquinações contra Basílio. Estava já lavrada a acta que ordenava seu o exílio. Por três vezes, o imperador se dispôs a pôr-lhe a sua assinatura e, por três vezes, se lhe quebrou a pena. Assustado com este facto, Valente pegou no papel e, com mãos trémulas, rasgou o documento. Nunca mais se organizou qualquer campanha contra o santo. O capitão Modesto fez as pazes com Basílio. Um outro oficial, chamado Eusébio e que tinha dado ordem de prisão ao bispo, retirou-a diante da atitude ameaçadora do povo, em defesa do seu pastor. À tempestade, seguiu a bonança. Basílio pôde, por fim, com tranquilidade e paz, dedicar-se aos trabalhos do apostolado. Foram tantos os rigores da sua vida que aos 49 anos, já era um velho. Mas, apesar de fraco de corpo, era um herói de espírito. Morreu no ano de 379, com 49 anos de idade. Figura entre os quatro grandes doutores da Igreja do Oriente. A sua memória litúrgica faz-se no dia 2 de Janeiro.