PALAVRA COM SENTIDO
“…Hás-de temer o Senhor, teu Deus…” (cf. Deuteronómio 6, 2)
Só Deus é Deus e Senhor. E não há outro Deus a quem amar, servir, adorar, acreditar, rezar, agradecer… Temer o Senhor não é ‘ter medo de Deus’. Não precisamos ter medo de Deus: Ele é amor, perdão, misericórdia, alegria, paz, salvação e esperança… Temer o Senhor é reconhecer a grandeza do seu poder; a santidade do seu nome; a ternura que nos dedica; a alegria da vida que nos oferece. Temer o Senhor é acolher a sua Palavra; cumprir os seus mandamentos; responder com fidelidade aos seus apelos; confiar na sua promessa e anunciá-la com a bondade dos nossos gestos. Quem ‘teme a Deus’ procura fazer tudo para não pecar contra ele; fazer nascer no coração o receio e a tristeza de o poder ofender. O apelo feito pela palavra de Deus aponta-nos o caminho da verdade, da justiça, da caridade, da compaixão. Uma grande exigência que nos trará a felicidade e a bênção.
domingo, 31 de março de 2013
SANTOS POPULARES
sábado, 23 de março de 2013
SEMANA SANTA
Na Sexta-Feira Santa celebra-se a morte do Senhor, com a adoração da cruz. Neste dia, a Igreja não celebra a Eucaristia. A celebração, da parte tarde, faz a memória da Paixão e Morte de Cristo. A adoração da Cruz manifesta a adesão plena à proposta de Jesus, reconhecendo na Cruz o sinal da grandeza do amor que salva.
No Sábado Santo, a Igreja fica em silêncio, contemplando o mistério da morte do Senhor, meditando e rezando. À noite, na Vigília Pascal - a maior e mais importante celebração cristã - a Igreja celebra-se a Ressurreição de Jesus Cristo.
No Domingo de Páscoa, celebramos Cristo Ressuscitado, presente nas nossas vidas e peregrino ao encontro do mundo para o convidar a crer e a viver a vida nova que brota da Páscoa. Entre nós, faz-se a Visita Pascal: anúncio, de casa em casa, da vitória de Cristo e convite à alegria e à esperança.
Sexta-Feira Santa: celebração da Paixão do Senhor – às 19,00 h., na Igreja Matriz
Sábado: Vigília Pascal – às 20,30 h., na Igreja Matriz
Domingo da Páscoa do Senhor: celebração da Eucaristia – às 8,00 e 19,00h., na Igreja Matriz.
VISITA PASCAL
PARA REZAR
«Confiou no Senhor, Ele que o livre,
Ele que o salve, se é seu amigo».
Trespassaram as minhas mãos e os meus pés,
posso contar todos os meus ossos.
Mas Vós, Senhor, não Vos afasteis de mim,
sois a minha força, apressai-Vos a socorrer-me.
Vós que temeis o Senhor, louvai-O,
glorificai-O, vós todos os filhos de Jacob,
reverenciai-O, vós todos os filhos de Israel.
PALAVRA DO PAPA
terça-feira, 19 de março de 2013
HABEMUS PAPAM
- DA HOMILIA DO PAPA FRANCISCO – Roma, 19 de Março, Festa de São José
E quando o homem falha nesta responsabilidade, quando não cuidamos da criação e dos irmãos, então encontra lugar a destruição e o coração fica ressequido. Infelizmente, em cada época da história, existem «Herodes» que tramam desígnios de morte, destroem e deturpam o rosto do homem e da mulher.
Queria pedir, por favor, a quantos ocupam cargos de responsabilidade em âmbito económico, político ou social, a todos os homens e mulheres de boa vontade: sejamos «guardiões» da criação, do desígnio de Deus inscrito na natureza, guardiões do outro, do ambiente; não deixemos que sinais de destruição e morte acompanhem o caminho deste nosso mundo! Mas, para «guardar», devemos também cuidar de nós mesmos. Lembremo-nos de que o ódio, a inveja, o orgulho sujam a vida; então guardar quer dizer vigiar sobre os nossos sentimentos, o nosso coração, porque é dele que saem as boas intenções e as más: aquelas que edificam e as que destroem. Não devemos ter medo de bondade, ou mesmo de ternura.
A propósito, deixai-me acrescentar mais uma observação: cuidar, guardar requer bondade, requer ser praticado com ternura. Nos Evangelhos, São José aparece como um homem forte, corajoso, trabalhador, mas, no seu íntimo, sobressai uma grande ternura, que não é a virtude dos fracos, antes pelo contrário denota fortaleza de ânimo e capacidade de solicitude, de compaixão, de verdadeira abertura ao outro, de amor. Não devemos ter medo da bondade, da ternura!..”
JORNADAS VICARIAIS DO ANO DA FÉ
domingo, 17 de março de 2013
HABEMUS PAPAM
Agora dar-vos-ei a bênção, a vós e a todos os homens e mulheres de boa vontade…
Irmãos e irmãs, deixo-vos… Muito obrigado pelo vosso acolhimento… rezai por mim e até logo. Ver-nos-emos em breve…Amanhã quero rezar a Nossa Senhora, para que proteja a cidade de Roma. Boa noite e bom descanço".
PALAVRA DO PAPA
Vejo que estas três Leituras têm algo em comum: é o movimento. Na primeira Leitura, o movimento no caminho; na segunda Leitura, o movimento na edificação da Igreja; na terceira, no Evangelho, o movimento na confissão. Caminhar, edificar, confessar.
Caminhar. «Vinde, Casa de Jacob! Caminhemos à luz do Senhor» (Is 2, 5). Trata-se da primeira coisa que Deus disse a Abraão: caminha na minha presença e sê irrepreensível. Caminhar: a nossa vida é um caminho e, quando nos detemos, está errado. Caminhar sempre, na presença do Senhor, à luz do Senhor, procurando viver com aquela irrepreensibilidade que Deus pedia a Abraão, na sua promessa.
Edificar. Edificar a Igreja. Fala-se de pedras: as pedras têm consistência; mas pedras vivas, pedras ungidas pelo Espírito Santo. Edificar a Igreja, a Esposa de Cristo, sobre aquela pedra angular que é o próprio Senhor. Aqui temos outro movimento da nossa vida: edificar.
Terceiro, confessar. Podemos caminhar o que quisermos, podemos edificar um monte de coisas, mas se não confessarmos Jesus Cristo, está errado. Tornar-nos-emos uma ONG sócio-caritativa, mas não a Igreja, Esposa do Senhor. Quando não se caminha, ficamos parados. Quando não se edifica sobre as pedras, que acontece? Acontece o mesmo que às crianças na praia quando fazem castelos de areia: tudo se desmorona, não tem consistência. Quando não se confessa Jesus Cristo, faz-me pensar nesta frase de Léon Bloy: «Quem não reza ao Senhor, reza ao diabo». Quando não confessa Jesus Cristo, confessa o mundanismo do diabo, o mundanismo do demónio.
Caminhar, edificar-construir, confessar. Mas a realidade não é tão fácil, porque às vezes, quando se caminha, constrói ou confessa, sentem-se abalos, há movimentos que não são os movimentos próprios do caminho, mas movimentos que nos puxam para trás.
Este Evangelho continua com uma situação especial. O próprio Pedro que confessou Jesus Cristo com estas palavras: “Tu és Cristo, o Filho de Deus vivo, diz-lhe: Eu sigo-Te, mas de Cruz não se fala. Isso não vem a propósito. Sigo-Te com outras possibilidades, sem a Cruz”. Quando caminhamos sem a Cruz, edificamos sem a Cruz ou confessamos um Cristo sem Cruz, não somos discípulos do Senhor: somos mundanos, somos bispos, padres, cardeais, papas, mas não discípulos do Senhor.
Eu queria que, depois destes dias de graça, todos nós tivéssemos a coragem, sim a coragem, de caminhar na presença do Senhor, com a Cruz do Senhor; de edificar a Igreja sobre o sangue do Senhor, que é derramado na Cruz; e de confessar como nossa única glória Cristo Crucificado. E assim a Igreja vai para diante.
Faço votos de que, pela intercessão de Maria, nossa Mãe, o Espírito Santo conceda a todos nós esta graça: caminhar, edificar, confessar Jesus Cristo Crucificado. Assim seja.
PARA REZAR
Embora eu saiba que o não mereço.
O antigo pensamento errado e vão.
Renova em mim a paz e a confiança.
Ao Filho, imagem sua e formosura,
E ao Espírito de ambos procedente.
SANTOS POPULARES
Ainda sacerdote, escreveu várias catequeses e grandes sermões - pregados na Igreja do Santo Sepulcro, no tempo da Quaresma e da Páscoa - sobre os Sacramentos do baptismo, do crisma e da eucaristia.
Cirilo faleceu no ano de 386, no dia 18 de Março, sendo Bispo titular de Jerusalém. A sua festa litúrgica, agora no dia 18 de Março, começou a celebrar-se somente em 1882. O Papa Leão XIII concedeu-lhe o título de doutor da Igreja.
domingo, 10 de março de 2013
JORNADAS VICARIAIS DA FÉ
CONCLAVE
PARA REZAR
A toda a hora bendirei o Senhor,
o seu louvor estará sempre na minha boca.
A minha alma gloria-se no Senhor:
escutem e alegrem-se os humildes.
Procurei o Senhor e Ele atendeu-me,
libertou-me de toda a ansiedade.
Este pobre clamou e o Senhor o ouviu,
salvou-o de todas as angústias.
SANTOS POPULARES
Luísa de Marillac nasceu no dia 12 de agosto de 1591, filha de Luís de Marillac e de Margarida
Le Camus. Aos quatro anos quando ficou órfã de mãe e, por isso, sofreu as consequências
da falta de um lar carinhoso, do desprezo dos parentes e, naturalmente, de
muitos conflitos afectivos. Era de constituição frágil, de baixa estatura,
magra, bonita, nariz afilado, olhos expressivos, boca pequena. Era dotada de
grande capacidade intelectual e de uma vontade enérgica. Era muito sensível e
inclinada ao escrúpulo, à timidez, à insegurança. Era minuciosa e
perfeccionista, e muito aberta às coisas de Deus e do próximo. A sua infância e
a sua adolescência foram marcadas por acontecimentos dolorosos que marcaram profundamente
a sua personalidade e o seu modo de ser. Ainda criança, o seu pai, Luís de
Marillac, colocou-a no Convento de Poissy, onde recebeu uma esmerada educação.
Aí permaneceu enquanto ele viveu. Depois, foi morar numa pensão familiar. Ali, adquiriu
conhecimentos para a vida prática como cozinhar, costurar, bordar, sentido de
responsabilidade e de organização. A sua estada no Convento de Poissy tinha-lhe
proporcionado uma grande bagagem de piedade, de ciência e de instrução: uma
educação de elite. Luísa quis ser religiosa Capuchinha, entre as Filhas da
Cruz, mas não foi aceite porque a sua saúde não suportaria os rigores da
penitência que caracterizava aquela Ordem. Em privado, fez o voto de consagrar-se
à Deus, na penitência e na oração. Em 1613, casa-se com António Legras; foi um
casamento “combinado”, como era costume na época. Desse casamento, nasceu um
filho que recebeu o nome de Miguel, em homenagem ao seu tio. Luísa foi sempre fiel
e dedicada ao seu esposo, sendo também uma mãe carinhosa, uma “super mãe”. Em
1621-1622, António Legras contraiu uma enfermidade que afectou até o seu
comportamento. Luísa foi extremamente carinhosa para com ele. Entretanto,
grandes dúvidas invadem a sua alma e ela chega a pensar estar a ser vítima de
castigos de Deus. Sente-se rejeitada por todos, mesmo pelo próprio Deus. Envolvem-na
densas trevas… No dia 4 de Junho de 1623, na Igreja de São Nicolau dos Campos,
recebe a célebre “Luz de Pentecostes”. Liberta-se, então, das suas penas e
incertezas e começa a descobrir, ainda que não muito claramente, os planos
divinos a seu respeito.No trabalho das Confrarias, o Padre Vicente intervém quando necessário, mas deixa toda a liberdade de acção à sua colaboradora e recorre muitas vezes ao seu espírito de organização.
Com o tempo, as necessidades aumentam, as consequências da guerra fazem-se sentir e Vicente e Luísa interrogam-se sobre o futuro do serviço dos pobres. Entretanto, em 29 de Novembro de 1633, apresentou-se uma camponesa, Margarida Naseau e, com ela, outras camponesas que querem seguir o exemplo de Luísa e dedicar a sua vida ao serviço dos mais pobres. Estas jovens são camponesas rudes, que não têm instrução nem sequer a elementar; a maioria não sabe ler. Então, Luísa dá formação espiritual às jovens, ensina-as a ler, a escrever, a costurar, como cuidar dos doentes, a fazer chás caseiros, como ensinar o catecismo. Juntas, reflectem e enfrentam as dificuldades que aparecem nos mais variados serviços. A experiência sofrida da sua infância e a educação diversificada que recebera muito contribuíram para a organização da Companhia das Filhas da Caridade. A maneira de viver, as virtudes, a vida fraterna e o serviço dos pobres são frutos da sua experiência humana e fidelidade à graça de Deus. Luísa, com a ajuda do Padre Vicente de Paulo - que soube ouvi-la e compreendê-la - lutou contra os seus defeitos e chegou a ser a fervorosa imitadora de Jesus Crucificado, desapegada de si mesma, zelosa para com a Comunidade e o serviço dos pobres. Luísa de Marillac morreu em 15 de Março de 1660. As suas últimas recomendações, ou seja, o testamento espiritual que deixou às “suas filhas” é um legado de fidelidade a Deus, à Virgem Maria, à vida fraterna e aos pobres. Disse: “Tende muito cuidado com o serviço dos pobres, vivei juntas em grande cordialidade para imitar a união e a vida de Nosso Senhor e tende a Santíssima Virgem por vossa única Mãe.” Luísa de Marillac foi beatificada no dia 9 de Maio de 1920, pelo Papa Bento XV; foi canonizada no dia 11 de Março de 1934, pelo Papa Pio XI. Em 1960, foi proclamada padroeira das Obras Sociais pelo bem-aventurado Papa João XXIII. A sua memória litúrgica faz-se no dia 15 de Março, aniversário do seu falecimento.
domingo, 3 de março de 2013
ÚLTIMA AUDIÊNCIA DE BENTO XVI
Neste momento, há em mim uma grande confiança, porque sei - todos nós sabemos - que a Palavra de verdade do Evangelho é a força da Igreja, é a sua vida. O Evangelho purifica e renova; traz frutos, onde quer que a comunidade de crentes o escuta, acolhe a graça de Deus na verdade e viva na caridade. Esta é a minha confiança, esta é a minha alegria…”
MENSAGEM DE DESPEDIDA DE BENTO XVI
PARA REZAR
Dá luz ao cego, dá ouvido ao surdo,
Dá voz ao mudo, os mortos ressuscita,
E faz do mundo antigo um mundo novo.
Com poderosas armas se levanta
A negra morte sobre toda a terra;
A palavra de Deus é esquecida,
Cercam as trevas a Cidade Santa,
Em vez da paz é construída a guerra.
Acolhei esta nossa penitência,
Fazei-nos testemunhas da esperança,
Semente duma nova humanidade,
Sinal da vossa eterna complacência,
Povo de Deus que pelo mundo avança.
O vosso Filho nos salvou da morte,
A morte mais infame suportando;
Presos, porém, ainda do pecado,
Vossa misericórdia nos conforte,
No tempo da Quaresma nos guiando.
Deus, nosso Pai, é clemente e compassivo.
Ele nos corrige; Ele nos dá o seu perdão.
SANTOS POPULARES
Domingos Sávio nasceu no dia 2 de abril de 1842, em Riva, uma pequena povoação perto da cidade italiana de Chieri. Foi aluno de São João Bosco e toda a sua vida foi marcada pela constante busca da santidade, segundo a fé católica. O amado e jovem Domingos Sávio teve uma vida de muita sensibilidade e, em pouco tempo, percorreu um longo caminho de santidade, obra mestra do Espírito Santo e fruto da pedagogia de São João Bosco. Nasceu numa família pobre em bens materiais. O seu pai era ferreiro e a sua mãe era costureira; porém, era uma família rica de fé. A sua infância ficou marcada pela primeira comunhão que, na altura, se fazia por volta dos doze anos. Mas, Domingos fez a sua primeira comunhão aos sete anos, reconhecido que era o seu fervor e a sua entrega ao amor de Jesus. Este menino distinguia-se pelo cumprimento do seu dever, expresso no seu lema: "Prefiro antes morrer do que pecar". Aos doze anos de idade aconteceu um facto decisivo na sua vida: o seu encontro com São João Bosco, que o acolhe, como padre e director, em Valdocco (Turim), convidando-o para fazer os estudos secundários. Ao descobrir, então, os altos ideais da sua vida como filho de Deus, apoiando-se na amizade de Jesus e de Maria, lança-se na aventura da santidade, entendida como entrega total a Deus, por amor. Reza, coloca grande empenho nos estudos, torna-se o companheiro mais amável. Sensibilizado pelos ideais de São João Bosco, deseja salvar a alma de todos e funda a “Companhia da Imaculada”, da qual sairão os melhores colaboradores do fundador dos salesianos. Tomado por uma grave enfermidade, aos quinze anos, regressa ao lar paterno, na aldeia de Mondonio, município de Castelnuovo d'Asti, onde morre serenamente, no dia 9 de Março de 1857, com a alegria de ir ao encontro do Senhor e dizendo aos seus pais: " Adeus queridos pais, estou tendo uma visão linda! Que lindo!" Foi declarado “Venerável” pelo Papa Pio XI, em 1933. Foi beatificado por Pio XII, em 1950, e canonizado pelo Papa Pio XII no dia 12 de Junho de 1954, centenário de sua entrada no Colégio de Dom Bosco, em Turim. A sua memória litúrgica faz-se a 9 de Março.
domingo, 24 de fevereiro de 2013
ÚLTIMO “ANGELUS” DO PAPA BENTO XVI
RENÚNCIA DO PAPA BENTO XVI
PALAVRAS DO PAPA
PARA REZAR
O Senhor é o baluarte da minha vida:
quem me assustará?
O meu coração murmura por ti,
os meus olhos te procuram;
é a tua face que eu procuro, Senhor.
Tu és o meu amparo: não me rejeites nem abandones,
ó Deus, meu salvador!
Confia no Senhor!
Sê forte e corajoso, e confia no Senhor!
SANTOS POPULARES
segunda-feira, 18 de fevereiro de 2013
QUARESMA 2013
- da mensagem de D. Manuel Clemente, Bispo do Porto
“…Começamos esta Quaresma particularmente necessitados dela, por nós e por todos, na Igreja e na sociedade que integramos. Na sociedade portuguesa, antes de mais, onde dificuldades persistentes como que reduziram a cinzas muitas viabilidades que pareciam seguras e muitas previsões que se criam certas. Com maior ou menor inadvertência nossa, com maior ou menor inadvertência alheia, o resultado não foi o esperado e ainda há muito a resolver no âmbito particular e público, para que os inegáveis esforços de quem pode e deve e a notável persistência de quem não se resigna dêem o resultado pretendido. Lá chegaremos, decerto, se formos todos a chegar, com justiça e solidariedade reforçadas. E, no entanto, perdura o sentimento de que não se trata de algo episódico, nem que episodicamente se resolva. Entre más notícias e outras mais esperançosas, poderíamos cair numa relativa indiferença, que apenas se aguentasse porque, ao fim e ao cabo, alguma entidade nos seguraria em casos extremos, a raiar a penúria. Entretanto, quem pudesse partiria e outros ficariam, vendo a marcha da história passar ao lado, muito ao lado. Não é justo este sentimento, nem faz jus a muito trabalho de quem não cruza os braços. Mas é, ainda assim, um sentimento que aflora em comentários recorrentes, na praça e nos media, qual negativismo de raiz, que desmotiva à partida. Ora, quando falamos de realidades assim, indicamos uma “crise” mais profunda do que meramente económica ou política que fosse. Estamos a falar de humanidade, estamos a falar de nós, onde mal nos sondamos e certamente sofremos. A Quaresma é do calendário cristão e aos cristãos primeiramente interessa e incumbe. Lembrando ao vivo os quarenta anos do Povo de Deus no deserto, em duríssima libertação que só poucos alcançaram; lembrando ainda mais os quarenta dias de Jesus, no deserto, em que venceu todas as tentações principais, é oportunidade maior para fazermos nossa a sua vitória sobre quanto nos afasta de Deus, dos outros e do melhor de nós mesmos. Os exercícios quaresmais são a obra e o fruto duma fé verdadeira. Oração, esmola e jejum, na designação tradicional, podem traduzir-se por exercício espiritual de filiação autêntica, aproximação concreta das necessidades alheias e domínio de apetites vários que nos distraem do essencial. Conjugam-se aliás e muito bem, porque quem procura antes de mais o reino de Deus e a sua justiça compreende melhor o que deve aos outros e consequentemente partilha do que tem e do que poupa. Não precisamos de grandes cogitações para concluir da oportunidade redobrada de Quaresmas sérias. Os discípulos de Jesus Cristo admiram-lhe a plena liberdade sobre si próprio, percorrendo a estreita senda que, nele mesmo, Deus abria ao mundo. Estreita senda, que a sua Ressurreição transformou em viabilidade garantida para quem a queira percorrer, no mesmo Espírito e com a sua graça. Se olharmos em redor, para outras possibilidades que porventura nos apresentem, continuaremos a responder com as palavras de Pedro, apesar de tudo e até apesar de nós: «A quem iremos, Senhor? Tu tens palavras de vida eterna!» (Jo 6, 68). Irmãos caríssimos, diocesanos do Porto: Acolhamos de coração entregue as palavras de Paulo, no trecho que ouvimos: «Como colaboradores de Deus, nós vos exortamos a que não recebais em vão a sua graça. […] Este é o tempo favorável, este é o dia da salvação!» (…)Ouvido o Conselho Presbiteral, continuaremos a entregar a renúncia quaresmal que fizermos ao Fundo Social Diocesano, que a aplicará a várias necessidades, sobretudo no campo da salvaguarda e promoção da vida em todas as suas fases, da concepção à velhice. Desde a Quaresma de 2012 até ao presente, o Fundo Social Diocesano distribuiu 239 605 euros, designadamente através da Sociedade de São Vicente de Paulo, a Cáritas Diocesana, a Obra Diocesana de Promoção Social, a Associação Católica Internacional ao Serviço da Juventude Feminina e a Vida Norte”
PALAVRAS DO PAPA
PARA REZAR
Neste sagrado tempo da Quaresma,
Compadecido olhai-nos, ó Deus santo.
Voltando para Vós arrependidos,
Pedimos vossa graça soberana.
Por vosso nome santo e vossa glória,
Da nossa vil miséria libertai-nos.
Por eles, nossas almas se libertem
Dos erros e misérias que choramos.
E levai-nos, no amor purificados,
Ao esplendor da vossa eternidade.



























