PALAVRA COM SENTIDO

PALAVRA COM SENTIDO

“…Hás-de temer o Senhor, teu Deus…” (cf. Deuteronómio 6, 2)

Só Deus é Deus e Senhor. E não há outro Deus a quem amar, servir, adorar, acreditar, rezar, agradecer… Temer o Senhor não é ‘ter medo de Deus’. Não precisamos ter medo de Deus: Ele é amor, perdão, misericórdia, alegria, paz, salvação e esperança… Temer o Senhor é reconhecer a grandeza do seu poder; a santidade do seu nome; a ternura que nos dedica; a alegria da vida que nos oferece. Temer o Senhor é acolher a sua Palavra; cumprir os seus mandamentos; responder com fidelidade aos seus apelos; confiar na sua promessa e anunciá-la com a bondade dos nossos gestos. Quem ‘teme a Deus’ procura fazer tudo para não pecar contra ele; fazer nascer no coração o receio e a tristeza de o poder ofender. O apelo feito pela palavra de Deus aponta-nos o caminho da verdade, da justiça, da caridade, da compaixão. Uma grande exigência que nos trará a felicidade e a bênção.

segunda-feira, 8 de abril de 2013

SANTOS POPULARES



SANTO ESTANISLAU

Estanislau nasceu em Sézépanow, pequena cidade da Polónia, perto de Cracóvia, no dia 26 de Julho de 1030. O seu pai, Wielislas, era um dos principais senhores do país; a sua mãe, Bogna, pertencia, também, a uma ilustre família. Ambos eram muito piedosos e amigos dos pobres, a quem acolhiam e ajudavam. O testemunho dos seus pais foi de grande influência para a formação do carácter de Estanislau que, já de si, era propenso à virtude. Dotado de grande inteligência, Estanislau estudou na universidade de Gniezno - então a mais famosa universidade da Polónia - e, depois, na mundialmente célebre Universidade de Paris, onde estudou direito canónico e teologia. Quando voltou à sua pátria, herdou, pela morte dos seus pais, uma grande fortuna. Então, vendeu tudo, repartiu o dinheiro pelos pobres e decidiu seguir a carreira eclesiástica. Foi ordenado sacerdote pelo bispo de Cracóvia, Lamberto Zula, que o fez cónego da sua catedral.
Rapidamente, adquiriu fama de pregador, sendo também muito procurado como director espiritual. Muitos eclesiásticos e leigos vinham de todas as partes da Polónia para o ouvir e para o consultar sobre problemas de consciência e sobre questões da lei canónica. De fé profunda, de grande sensatez e prudência, de sólida formação humana e teológica, de fácil erudição, tornou-se muito conhecido. Por isso, quando faleceu o bispo de Cracóvia, D. Lamberto, todos - rei, nobres, clero e povo – escolheram-no para ficar à frente dos destinos da diocese. Ele, porém, recusou aceitar o cargo. Foi preciso uma ordem formal do Papa Alexandre II para que cedesse. Foi sagrado bispo no ano de 1072, aos 42 anos de idade. A partir de então, dedicou-se com energia à reforma da Igreja - tão desejada pelo Sumo Pontífice - exigindo que o seu clero tivesse vida edificante e agradável a Deus, não só para servir de modelo mas, sobretudo, para oferecer, com mãos puras, o santo sacrifício da Missa. Ele próprio era exemplo de profunda piedade e de total abnegação. Todos os anos visitava as diversas partes da diocese, corrigindo abusos, promovendo o sacramento do crisma, reconciliando os inimigos e os casais separados. Elaborou uma lista dos pobres e viúvas da sua diocese, para melhor poder socorrê-los. No ano de 1058, Boleslau II subiu ao trono ducal da Polónia, cuja capital era Cracóvia. Boleslau II era um príncipe ambicioso e valente. Dizem os historiadores que ninguém era mais atrevido no combate, mais ágil e destro no manejo da lança e da espada, mais sofrido no campo de batalha. Por isso, alcançou grandes vitórias quer nas planícies da Hungria, quer nas estepes russas e nos pântanos da Pomerânia. Tornou-se tão forte, que separou o seu ducado do Sacro Império Romano-Germânico. No Natal de 1076, coroou-se como Rei da Polónia. O país tornou-se, então, refúgio seguro para outros príncipes caídos em desgraça, como Bela da Hungria, Jaromir da Boémia e Isaslao da Rússia, que aí encontraram amparo e apoio. O sucesso subiu-lhe à cabeça e tornou-se soberbo e dado aos prazeres mundanos. O seu palácio transformou-se num harém; e, como um vício atrai outro vício, tornou-se déspota, perseguindo a nobreza e espezinhando o povo. Tornou-se tão temível que ninguém ousava levantar a voz contra ele. O Bispo, Estanislau, não conhecia temores. Numa assembleia plenária de clero e de nobres, na presença do rei, começou a pregar as verdades da moral católica e a defender os direitos da justiça e da virtude. Falou dos juízos de Deus, da perda das almas, dos castigos eternos, da continência, da santidade do matrimónio e dos direitos de súbditos e vassalos em qualquer reino. Isso atingia directamente o rei que respondeu irado, com uma série de injúrias e insultos, chamando ao Bispo hipócrita e soberbo. Foi o início de uma batalha sem quartel entre o bispo e o rei, que só terminaria com o assassinato do bispo.
Um facto foi além de todas as medidas despóticas de Boleslau. Um dos seus vassalos, Miécislas, era casado com uma mulher notável pela sua virtude e pela sua beleza. Era considerada a mulher mais bela do reino. Boleslau mandou raptá-la e levá-la r para o seu palácio. Este acto escandaloso e imoral revoltou toda a nobreza, que se dirigiu ao arcebispo de Gniezno - então primaz da Polónia - e aos outros bispos do reino, pedindo-lhes que fossem falar ao Rei, mostrando-lhe a iniquidade da sua acção. Mas, os prelados temeram irritar o monarca e mostraram-se muito renitentes a tal acção. Então, a nobreza vingou-se deles, fazendo publicar, por toda parte, que eles eram mercenários e que tinham muito menos em conta a causa de Deus do que a sua própria fortuna e ambição. O Bispo Estanislau, porém, não se calou. Com voz respeitosa, mas firme, disse a Boleslau o que outrora São João Batista dissera ao rei Herodes: “Não te é permitido tomá-la por mulher!” Censurou, também, o soberano pelas suas desordens, e alertou-o de que, se não se corrigisse, expunha-se às censuras da Igreja. Arrogante, Boleslau insultou o bispo, dizendo com grosseria: “Quando se fala assim de maneira tão pouco conveniente a um rei, dever-se-ia ser guardador de porcos”. A “guerra” entre os dois chegava ao seu ponto mais forte. Não encontrando na vida privada do prelado nada que o desabonasse, Boleslau recorreu à calúnia, chamando-o de usurpador do bem alheio. Era uma alusão ao seguinte facto: o bispo tinha comprado um terreno em Piotrawin, a um tal Pedro. Havia pago o preço na presença de testemunhas, confiando na boa-fé das mesmas. Como, naquele tempo, a palavra dada tinha força de lei, o Bispo Estanislau não se importou em ter um recibo do pagamento feito. Ora, aconteceu que o tal Pedro faleceu. Então, o rei Boleslau procurou os sobrinhos e herdeiros de Pedro, pedindo-lhes que reclamassem novamente o pagamento, pois ele, rei, faria calar as testemunhas.
Estanislau teve de comparecer num julgamento presidido pelo rei, com vários juízes, diante das testemunhas intimidadas que não quiseram declarar-se em seu favor. Vendo que não podia contar com os homens, pediu a Deus que fosse sua testemunha. Inspirado pelo Céu, pediu aos juízes um prazo de três dias, findo o qual traria como testemunha o próprio vendedor, Pedro. Ora, este havia falecido três anos antes. Por isso, como zombaria, os juízes aceitaram.
Nos dois dias seguintes, o santo jejuou e celebrou a santa Missa, pedindo a Nosso Senhor que defendesse a sua causa. No terceiro, depois de celebrar, foi ao cemitério revestido com as vestes episcopais, escoltado pelos seus clérigos e muitos fiéis. Pediu que abrissem o túmulo de Pedro e tocou os seus restos mortais com o báculo. Imediatamente, o corpo do falecido se recompôs e Santo Estanislau pôde ir com o ressuscitado ao tribunal, e diante dos presentes aterrorizados, comprovou a inocência do santo. Como o monarca prosseguisse com as suas iniquidades, o Bispo Estanislau excomungou-o publicamente e interditou-lhe a entrada na catedral. Mas, Boleslau continuou a assistir ao divino sacrifício, sem se importar com a excomunhão. O bispo, então, ordenou ao clero que interrompesse a missa logo que o rei entrasse no recinto sagrado. O rei jurou vingança. No dia 8 de Maio de 1079, Estanislau celebrava a santa Missa, na igreja de São Miguel, nos arredores da cidade. Ouviu o tropel de gente de guerra, mas não interrompeu o santo sacrifício. Era o rei Boleslau, acompanhado dos seus soldados, que vinha para se vingar. Mandou que alguns soldados entrassem na igreja e matassem o Bispo. Os soldados, porém, não ousaram levantar a mão contra o seu pastor. Então, o próprio rei entrou no santuário e desferiu um violento golpe na cabeça de Estanislau e, em seguida, trespassou-lhe o coração e desfigurou o rosto. Mandou, em seguida, retalhar o corpo do Bispo e espalhá-lo pela cidade. Alguns fiéis, desobedecendo à ordem do rei, reuniram os restos mutilados do mártir e enterraram-nos em frente da igreja de São Miguel. Mais tarde, os seus restos mortais foram transferidos para a catedral.
O Papa São Gregório VII, ao saber do horrendo crime, decretou a interdição do reino da Polónia; excomungou e depôs o rei, que acabou por abdicar do trono.
O mártir Santo Estanislau foi canonizado em 1253, pelo Papa Inocêncio IV. É ele um dos padroeiros da Polónia venerado, sobretudo, em Cracóvia, a sua cidade episcopal. A sua memória litúrgica faz-se no dia 11 de Abril.

 

 

 

quinta-feira, 4 de abril de 2013

VISITA PASCAL


A visita pascal decorreu este fim de semana na nossa paróquia e levou aos fiéis o solene anúncio da Ressurreição de Cristo. De casa em casa, a mensagem percorreu lugares, caminhos, famílias chamando para a alegria e para o testemunho de Cristo, na vida. A tradição continua enraizada e marca a vida da comunidade com um sinal de fé que, contrariando a mentalidade dominante, caracteriza o povo na sua busca de Deus, de sentido e de esperança.

domingo, 31 de março de 2013

SANTA E FELIZ PÁSCOA


São os votos do Pároco de Santa Maria da Feira.
Que a bênção de Deus a todos conceda Alegria e Paz
em união com Maria, Mãe de Jesus e nossa Mãe.

 

PARA REZAR



PÁSCOA 2013

ANO DA FÈ

 
“…Senhor Jesus Cristo, Deus e homem verdadeiro:
na força da Tua ressurreição, encontramos a Vida, a Paz e a Alegria.
Nesta Páscoa, somos desafiados a testemunhar
os valores que nascem do Teu Evangelho.
O mundo em que vivemos precisa dos sinais da nossa fé
para despertar para o amor, para a misericórdia e para o perdão.
Lembra-Te de quantos vivem no sofrimento,
na angústia e no desespero,
e concede-lhes a serenidade e a esperança de que precisam.
Lembra-Te das famílias
para que vivam na harmonia, no respeito e na comunhão.
Dá-lhes a Tua bênção
para que se tornem Igreja de ternura e de partilha.
Neste Ano da Fé,
purifica os nossos corações e os nossos gestos
para que sejamos capazes de construir
um mundo novo de autêntica fraternidade.
Perdoa as nossas fragilidades
e concede-nos a graça de anunciar
que só Tu és o Salvador do mundo. Amém…”

 
 


SALMO 118: da liturgia da Ressurreição do Senhor

Dai graças ao Senhor, porque Ele é bom,
porque é eterna a sua misericórdia.
Diga a casa de Israel:
é eterna a sua misericórdia.
 
A mão do Senhor fez prodígios,
a mão do Senhor foi magnífica.
Não morrerei, mas hei-de viver,
para anunciar as obras do Senhor.

A pedra que os construtores rejeitaram
tornou-se pedra angular.
Tudo isto veio do Senhor:
é admirável aos nossos olhos.

PALAVRAS DO PAPA FRANCISCO




- na homilia de Domingo de Ramos: XXVIII Jornada Mundial da Juventude

“…Com Cristo, o coração nunca envelhece. Entretanto todos sabemos – e bem o sabeis vós – que o Rei que seguimos e nos acompanha é muito especial: é um Rei que ama até à cruz e nos ensina a servir, a amar. E vós não tendes vergonha da sua Cruz; antes, abraçai-la, porque compreendestes que é no dom de si, no sair de si mesmo, que se alcança a verdadeira alegria e que, com o amor de Deus, Ele venceu o mal. Vós levais a Cruz peregrina por todos os continentes, pelas estradas do mundo. Levai-la, correspondendo ao convite de Jesus: «Ide e fazei discípulos entre as nações» (cf. Mt 28, 19), que é o tema da Jornada da Juventude deste ano. Levai-la para dizer a todos que, na cruz, Jesus abateu o muro da inimizade que separa os homens e os povos, e trouxe a reconciliação e a paz…”

 

- no final da Via-Sacra, no Coliseu – Roma, na Sexta-Feira Santa

“Amados irmãos e irmãs,
Agradeço-vos por terdes participado, em tão grande número, neste momento de intensa oração. E agradeço também a todos aqueles que se uniram a nós através dos meios de comunicação, especialmente aos doentes e aos idosos.
Não quero acrescentar muitas palavras. Nesta noite, deve prevalecer uma única palavra, que é a própria Cruz. A Cruz de Jesus é a Palavra com que Deus respondeu ao mal do mundo. Às vezes, parece-nos que Deus não responde ao mal, que permanece calado. Na realidade, Deus falou, respondeu, e a sua resposta é a Cruz de Cristo: uma Palavra que é amor, misericórdia, perdão. Mas, é também julgamento: Deus julga, amando-nos. Se acolho o seu amor, estou salvo… Se o recuso, estou condenado, não por Ele, mas por mim mesmo, porque Deus não condena. Ele,  unicamente, ama e salva.
Amados irmãos, a palavra da Cruz é também a resposta dos cristãos ao mal que continua a agir em nós e ao nosso redor. Os cristãos devem responder ao mal com o bem, tomando sobre  si a cruz, como Jesus. Nesta noite, ouvimos o testemunho dos nossos irmãos do Líbano: foram eles que prepararam estas belas meditações e estas preces. De coração lhes agradecemos por este  serviço e, sobretudo, pelo testemunho que nos dão. Vimo-lo quando o Papa Bento foi ao Líbano: vimos a beleza e a força da comunhão dos cristãos naquela nação e da amizade de tantos irmãos muçulmanos e muitos outros. Foi um sinal para todo o Médio Oriente e para o mundo inteiro: um sinal de esperança.  Então, continuemos esta Via-Sacra na vida de todos os dias. Caminhemos juntos pela senda da Cruz; caminhemos levando no coração esta Palavra de amor e de perdão. Caminhemos esperando a Ressurreição de Jesus.”

 

SANTOS POPULARES




Isidoro, o mais novo de quatro irmãos, nasceu em 560, em Cartagena, Andaluzia, numa família hispano-romana muito cristã. O seu pai, Severiano, era aí governador. Geria a cidade dentro dos mais disciplinados preceitos cristãos. A sua mãe, Teodora, educou os filhos na fidelidade aos valores do cristianismo. Como fruto desta dedicação e cuidado, colheu a alegria de ter quatro deles - Isidoro, Fulgêncio, Leandro e Florentina - elevados à máxima veneração da Igreja, na declaração da sua santidade: Leandro foi bispo de Sevilha; Fulgêncio foi bispo de Écija; Florentina foi religiosa e teve ao seu cuidado mais de 40 conventos, com cerca de mil religiosas. O pai faleceu muito cedo. Isidoro, desde muito pequeno, estudou – na escola da Catedral de Sevilha - as verdades da religião tendo, na pessoa do seu irmão mais velho, Leandro, o carinho e a exigência de um pai. Diz a tradição que, na escola, Isidoro começou por ter muitas dificuldades de aprendizagem, chegando a preocupar a família e os professores; mas, rapidamente, superou tudo com a dedicação da família, com o estudo e com a ajuda de Deus. Formou-se em Sevilha, onde, além do latim, aprendeu também grego e hebraico. Em Sevilha, foi ordenado sacerdote. O seu amor a Jesus, a sua capacidade intelectual, o seu fervor apostólico contribuíram para que se dedicasse à conversão dos visigodos arianos, a começar pelo próprio rei. Isidoro foi, também, responsável pela conversão de muitos judeus espanhóis. Mais tarde, foi nomeado arcebispo de Sevilha, sucedendo ao seu irmão Leandro. Desempenhou este ministério durante quase quatro décadas. Desde o início do seu bispado, Isidoro organizou núcleos escolares nas casas religiosas, considerados os embriões dos actuais seminários. Foi muito grande a sua influência cultural, pois era possuidor de uma das maiores e mais bem abastecidas bibliotecas. O seu exemplo levou muita gente a dedicar os seus tempos livres ao estudo e às boas leituras. Mais tarde, renunciou ao seu cargo e retirou-se para um convento, onde cumpria, fielmente, as suas obrigações religiosas e se dedicava intensamente aos estudos. Pelos seus profundos conhecimentos, presidiu ao II Concílio de Sevilha, em 619, e ao IV Concílio de Toledo, em 633, dos quais saíram leis muito importantes para a Igreja, de modo que a religiosidade se enraizou no país. Por isso, foi chamado "Pai dos Concílios" e "mestre da Igreja" da Idade Média. Isidoro foi um verdadeiro exemplo de dedicação aos outros e à caridade. A casa onde vivia estava sempre cheia de mendigos e necessitados. No dia 4 de Abril de 636, sentindo que a morte estava próxima, dividiu todos os seus bens pelos pobres; publicamente pediu perdão dos seus pecados; recebeu a unção dos enfermos e, pela última vez, a eucaristia; e, enquanto rezava aos pés do altar, ali morreu. Isidoro deixou escrita uma grande obra sobre cultura, filosofia e teologia. Foi considerada a mais valiosa do século VII. Dos seus escritos é importante destacar uma enciclopédia - em vinte e um volumes, chamada Etimologias - considerada como sendo o primeiro dicionário escrito; um livro com a biografia dos principais homens e mulheres da Bíblia; regras para mosteiros e conventos; muitos comentários acerca de cada um dos livros da Bíblia. Foi canonizado, em 1598, pelo Papa Clemente VIII. Em 1722, o Papa Bento XIV proclamou Santo Isidoro de Sevilha doutor da Igreja. A memória litúrgica de Santo Isidoro de Sevilha faz-se no dia 4 de Abril.

 

sábado, 23 de março de 2013

SEMANA SANTA



A liturgia da Igreja celebra, na Semana Santa, os mistérios da Redenção operada por Jesus para salvar o homem do pecado e da morte. Esta semana, a mais importante da liturgia, começa com o Domingo de Ramos, lembrando a entrada triunfal de Jesus em Jerusalém.
A manhã de Quinta-Feira Santa é marcada pela celebração da Missa Crismal, assim chamada porque o Bispo, reunido com todo o clero diocesano na Catedral, abençoa os óleos dos catecúmenos e dos enfermos, e consagra o Óleo do Crisma. O tríduo pascal começa com a celebração da Missa da Ceia do Senhor, ao fim da tarde. Nesta celebração faz-se a memória da instituição da Eucaristia e da Ordem e a dádiva do mandamento novo do Amor.
Na Sexta-Feira Santa celebra-se a morte do Senhor, com a adoração da cruz. Neste dia, a Igreja não celebra a Eucaristia. A celebração, da parte tarde, faz a memória da Paixão e Morte de Cristo. A adoração da Cruz manifesta a adesão plena à proposta de Jesus, reconhecendo na Cruz o sinal da grandeza do amor que salva.
No Sábado Santo, a Igreja fica em silêncio, contemplando o mistério da morte do Senhor, meditando e rezando. À noite, na Vigília Pascal - a maior e mais importante celebração cristã - a Igreja celebra-se a Ressurreição de Jesus Cristo.
No Domingo de Páscoa, celebramos Cristo Ressuscitado, presente nas nossas vidas e peregrino ao encontro do mundo para o convidar a crer e a viver a vida nova que brota da Páscoa. Entre nós, faz-se a Visita Pascal: anúncio, de casa em casa, da vitória de Cristo e convite à alegria e à esperança.

Horário das celebrações:
Quinta-Feira Santa: Missa da Ceia do Senhor – às 20,30 h., na Igreja da Misericórdia.
Sexta-Feira Santa: celebração da Paixão do Senhor – às 19,00 h., na Igreja Matriz
Sábado: Vigília Pascal – às 20,30 h., na Igreja Matriz
Domingo da Páscoa do Senhor: celebração da Eucaristia – às 8,00 e 19,00h., na Igreja Matriz.

VISITA PASCAL




A visita pascal - uma tradição muito antiga - quer levar aos fiéis o solene anúncio da Ressurreição de Cristo. De casa em casa, a mensagem percorre lugares, caminhos, famílias chamando para a alegria e para o testemunho de Cristo, na vida. A tradição continua enraizada e marca a vida da comunidade com um sinal de fé que, contrariando a mentalidade dominante, caracteriza o povo na sua busca de Deus, de sentido e de esperança.
Na nossa paróquia de Santa Maria da Feira, a visita pascal (o compasso) faz-se no Domingo e na Segunda-Feira de Páscoa, seguindo os itinerários habituais. Receber o compasso não é uma obrigação, mas sim um convite a acolher Jesus e a Vida que Ele nos oferece.

PARA REZAR



SALMO 22

Todos os que me vêem escarnecem de mim,
estendem os lábios e meneiam a cabeça:
«Confiou no Senhor, Ele que o livre,
Ele que o salve, se é seu amigo».

Matilhas de cães me rodearam,
cercou-me um bando de malfeitores.
Trespassaram as minhas mãos e os meus pés,
posso contar todos os meus ossos.

Repartiram entre si as minhas vestes
e deitaram sortes sobre a minha túnica.
Mas Vós, Senhor, não Vos afasteis de mim,
sois a minha força, apressai-Vos a socorrer-me.

Hei-de falar do vosso nome aos meus irmãos,
hei-de louvar-Vos no meio da assembleia.
Vós que temeis o Senhor, louvai-O,
glorificai-O, vós todos os filhos de Jacob,
reverenciai-O, vós todos os filhos de Israel.

PALAVRA DO PAPA



- no discurso proferido pelo Papa Francisco aos delegados fraternos das Igrejas, Comunidades Eclesiais e Organismos Ecuménicos Internacionais, representantes do povo judeu e de religiões não cristãs, reunidos em Roma para a celebração do início oficial do Seu ministério petrino.

“…A Igreja Católica está ciente da importância que tem  a promoção da amizade e do respeito entre os homens e mulheres de diferentes tradições religiosas; quero repetir isso: promoção da amizade e do respeito entre homens e mulheres de diferentes tradições religiosas. Confirma-o, também, o valioso trabalho realizado pelo Pontifício Conselho para o Diálogo Inter-religioso. Ela, também, está ciente da responsabilidade que todos nós temos em relação ao nosso  mundo, - a toda a criação - que devemos amar e proteger. Podemos fazer muito pelo bem de quem é mais pobre, de quem é fraco e de quem sofre, para favorecer a justiça, para promover a reconciliação, para construir a paz. Mas, especialmente, devemos manter viva, no mundo, a sede do absoluto, não permitindo que prevaleça uma visão da pessoa humana com uma só dimensão, segundo a qual o homem se reduz ao que produz e ao que consome: esta é uma das armadilhas mais perigosas do nosso tempo.
Sabemos quanta violência produziu, na história recente, a tentativa de eliminar Deus, o divino, do horizonte da humanidade, e chamamos a atenção para o valor de testemunhar, nas nossas sociedades, a originária abertura à transcendência que é inerente ao coração humano. Nisto, sentimo-nos perto de todos aqueles homens e mulheres que - ainda não se reconhecendo pertencentes de nenhuma tradição religiosa - sentem-se, porém, em busca da verdade, da bondade e da beleza - verdade, bondade e beleza de Deus - e que são nossos valiosos aliados no compromisso da defesa da dignidade do homem, na construção de uma convivência pacífica entre os povos e na guarda cuidadosa da criação…”

terça-feira, 19 de março de 2013

HABEMUS PAPAM



- VIVA O PAPA!

- DA HOMILIA DO PAPA FRANCISCO – Roma, 19 de Março, Festa de São José

“…Como vive José a sua vocação de guardião de Maria, de Jesus, da Igreja? Numa constante atenção a Deus, aberto aos seus sinais, disponível mais ao projecto d’Ele que ao seu. E isto mesmo é o que Deus pede a David, como ouvimos na primeira Leitura: Deus não deseja uma casa construída pelo homem, mas quer a fidelidade à sua Palavra, ao seu desígnio; e é o próprio Deus que constrói a casa, mas de pedras vivas marcadas pelo seu Espírito. E José é «guardião», porque sabe ouvir a Deus, deixa-se guiar pela sua vontade e, por isso mesmo, se mostra ainda mais sensível com as pessoas que lhe estão confiadas, sabe ler com realismo os acontecimentos, está atento àquilo que o rodeia, e toma as decisões mais sensatas. Nele, queridos amigos, vemos como se responde à vocação de Deus: com disponibilidade e prontidão; mas vemos também qual é o centro da vocação cristã: Cristo. Guardemos Cristo na nossa vida, para guardar os outros, para guardar a criação!
Entretanto a vocação de guardião não diz respeito apenas a nós, cristãos, mas tem uma dimensão antecedente, que é simplesmente humana e diz respeito a todos: é a de guardar a criação inteira, a beleza da criação, como se diz no livro de Génesis e nos mostrou São Francisco de Assis: é ter respeito por toda a criatura de Deus e pelo ambiente onde vivemos. É guardar as pessoas, cuidar carinhosamente de todas elas e cada uma, especialmente das crianças, dos idosos, daqueles que são mais frágeis e que muitas vezes estão na periferia do nosso coração. É cuidar uns dos outros na família: os esposos guardam-se reciprocamente, depois, como pais, cuidam dos filhos, e, com o passar do tempo, os próprios filhos tornam-se guardiões dos pais. É viver com sinceridade as amizades, que são um mútuo guardar-se na intimidade, no respeito e no bem. Fundamentalmente tudo está confiado à guarda do homem, e é uma responsabilidade que nos diz respeito a todos. Sede guardiões dos dons de Deus!
E quando o homem falha nesta responsabilidade, quando não cuidamos da criação e dos irmãos, então encontra lugar a destruição e o coração fica ressequido. Infelizmente, em cada época da história, existem «Herodes» que tramam desígnios de morte, destroem e deturpam o rosto do homem e da mulher.
Queria pedir, por favor, a quantos ocupam cargos de responsabilidade em âmbito económico, político ou social, a todos os homens e mulheres de boa vontade: sejamos «guardiões» da criação, do desígnio de Deus inscrito na natureza, guardiões do outro, do ambiente; não deixemos que sinais de destruição e morte acompanhem o caminho deste nosso mundo! Mas, para «guardar», devemos também cuidar de nós mesmos. Lembremo-nos de que o ódio, a inveja, o orgulho sujam a vida; então guardar quer dizer vigiar sobre os nossos sentimentos, o nosso coração, porque é dele que saem as boas intenções e as más: aquelas que edificam e as que destroem. Não devemos ter medo de bondade, ou mesmo de ternura.
A propósito, deixai-me acrescentar mais uma observação: cuidar, guardar requer bondade, requer ser praticado com ternura. Nos Evangelhos, São José aparece como um homem forte, corajoso, trabalhador, mas, no seu íntimo, sobressai uma grande ternura, que não é a virtude dos fracos, antes pelo contrário denota fortaleza de ânimo e capacidade de solicitude, de compaixão, de verdadeira abertura ao outro, de amor. Não devemos ter medo da bondade, da ternura!..”


 

JORNADAS VICARIAIS DO ANO DA FÉ





Nos dias 16 e 17 de Março, realizaram-se as Jornadas Vicariais do Ano da Fé da Vigararia de Santa Maria da Feira, no Ginásio do Colégio de Santa Maria de Lamas. Com a presidência do Sr. Bispo do Porto, D. Manuel Clemente, e a presença do Sr. D. João Lavrador, Bispo Auxiliar e delegado para a Região Pastoral Sul, as jornadas decorreram cheias de festa, de testemunho e de compromisso manifestados nas palavras e nos gestos dos que dinamizaram este evento. O Pavilhão encheu-se de fiéis que quiseram afirmar a sua fé em Jesus Cristo e a sua disponibilidade para servir a Igreja e o mundo na bondade, na verdade e na beleza, como tem dito o Santo Padre Francisco. Gostaríamos que estas Jornadas fossem ponto de partida para um empenhamento maior de todos na construção, entre nós, do Reino de Jesus Cristo.


domingo, 17 de março de 2013

HABEMUS PAPAM



- VIVA O PAPA!

Francisco foi o nome escolhido pelo Cardeal Jorge Mário Bergoglio, eleito pelos cardeais eleitores para suceder a Bento XVI que renunciou ao ministério petrino. É o primeiro Papa latino -americano e não europeu da história. O fumo branco saiu da chaminé colocada sobre a Capela Sistina às 19h06 locais (menos uma em Portugal) do dia 13 de Março de 2013. 

Na sua primeira aparição pública, o Papa disse: "Queridos irmãos e irmãs, boa tarde!... Como sabeis, os cardeais no Conclave têm que escolher um bispo para Roma. Parece que os irmãos cardeais o foram procurar quase no fim do mundo. Mas, aqui estamos. Agradeço à comunidade diocesana de Roma o acolhimento que presta ao seu bispo.
Antes de mais, queria fazer uma oração pelo nosso bispo emérito, Bento XVI. Rezemos todos juntos para que o Senhor o abençoe e a Virgem o proteja. Desejo que este caminho de Igreja, que hoje começamos e no qual me ajudará o cardeal vigário aqui presente, seja fecundo para a evangelização. Agora, gostaria de dar a bênção …mas, antes disso, peço-vos um favor: antes que o bispo abençoe o povo, peço-vos que rezem ao Senhor para que me abençoe. É a oração do povo pedindo a bênção para o seu bispo. Façamos, em silêncio, a vossa oração por mim…
Agora dar-vos-ei a bênção, a vós e a todos os homens e mulheres de boa vontade…
Irmãos e irmãs, deixo-vos… Muito obrigado pelo vosso acolhimento… rezai por mim e até logo. Ver-nos-emos em breve…Amanhã quero rezar a Nossa Senhora, para que proteja a cidade de Roma. Boa noite e bom descanço".

O Cardeal Bergoglio ( Papa Francisco ) nasceu em Buenos Aires, na Argentina, a 17 Dezembro de 1936, de uma modesta família de origem italiana. Entrou, em 1958, na Companhia de Jesus. Foi ordenado padre em 1969. Fez a profissão perpétua em 1973. Foi mestre de noviços, professor de Teologia, Provincial dos Jesuítas da Argentina. Em 1992, foi nomeado por João Paulo II bispo auxiliar de Buenos Aires, de que se tornou Arcebispo em 1998. Foi criado cardeal por João Paulo II, em 2001.

PALAVRA DO PAPA



- 1ª Homilia do Papa Francisco: na Santa Missa com os Cardeais – 14 de Março de 2013

Vejo que estas três Leituras têm algo em comum: é o movimento. Na primeira Leitura, o movimento no caminho; na segunda Leitura, o movimento na edificação da Igreja; na terceira, no Evangelho, o movimento na confissão. Caminhar, edificar, confessar.
Caminhar. «Vinde, Casa de Jacob! Caminhemos à luz do Senhor» (Is 2, 5). Trata-se da primeira coisa que Deus disse a Abraão: caminha na minha presença e sê irrepreensível. Caminhar: a nossa vida é um caminho e, quando nos detemos, está errado. Caminhar sempre, na presença do Senhor, à luz do Senhor, procurando viver com aquela irrepreensibilidade que Deus pedia a Abraão, na sua promessa.
Edificar. Edificar a Igreja. Fala-se de pedras: as pedras têm consistência; mas pedras vivas, pedras ungidas pelo Espírito Santo. Edificar a Igreja, a Esposa de Cristo, sobre aquela pedra angular que é o próprio Senhor. Aqui temos outro movimento da nossa vida: edificar.
Terceiro, confessar. Podemos caminhar o que quisermos, podemos edificar um monte de coisas, mas se não confessarmos Jesus Cristo, está errado. Tornar-nos-emos uma ONG sócio-caritativa, mas não a Igreja, Esposa do Senhor. Quando não se caminha, ficamos parados. Quando não se edifica sobre as pedras, que acontece? Acontece o mesmo que às crianças na praia quando fazem castelos de areia: tudo se desmorona, não tem consistência. Quando não se confessa Jesus Cristo, faz-me pensar nesta frase de Léon Bloy: «Quem não reza ao Senhor, reza ao diabo». Quando não confessa Jesus Cristo, confessa o mundanismo do diabo, o mundanismo do demónio.
Caminhar, edificar-construir, confessar. Mas a realidade não é tão fácil, porque às vezes, quando se caminha, constrói ou confessa, sentem-se abalos, há movimentos que não são os movimentos próprios do caminho, mas movimentos que nos puxam para trás.
Este Evangelho continua com uma situação especial. O próprio Pedro que confessou Jesus Cristo com estas palavras: “Tu és Cristo, o Filho de Deus vivo, diz-lhe: Eu sigo-Te, mas de Cruz não se fala. Isso não vem a propósito. Sigo-Te com outras possibilidades, sem a Cruz”. Quando caminhamos sem a Cruz, edificamos sem a Cruz ou confessamos um Cristo sem Cruz, não somos discípulos do Senhor: somos mundanos, somos bispos, padres, cardeais, papas, mas não discípulos do Senhor.
Eu queria que, depois destes dias de graça, todos nós tivéssemos a coragem, sim a coragem, de caminhar na presença do Senhor, com a Cruz do Senhor; de edificar a Igreja sobre o sangue do Senhor, que é derramado na Cruz; e de confessar como nossa única glória Cristo Crucificado. E assim a Igreja vai para diante.
Faço votos de que, pela intercessão de Maria, nossa Mãe, o Espírito Santo conceda a todos nós esta graça: caminhar, edificar, confessar Jesus Cristo Crucificado. Assim seja.

PARA REZAR



Senhor meu Deus, humildemente peço
O teu amor de Pai e o teu perdão,
Embora eu saiba que o não mereço.

Defende e acolhe a humilde devoção,
Reforma sempre na verdade santa
O antigo pensamento errado e vão.

Louvado seja Deus, minha esperança:
Ao cair sobre a terra a noite escura,
Renova em mim a paz e a confiança.

 
Louvor se dê ao Pai omnipotente,
Ao Filho, imagem sua e formosura,
E ao Espírito de ambos procedente.

SANTOS POPULARES



SÃO CIRILO DE JERUSALÉM

 

Cirilo nasceu no ano de 315 numa família cristã. Recebeu toda a sua educação em Jerusalém. Em 345, foi ordenado sacerdote e o seu apostolado principal foi preparar os catecúmenos para receberem o baptismo, ensinando-lhes o catecismo. No ano de 350, foi ordenado Bispo de Jerusalém. Durante o seu ministério episcopal, passou por muitas dificuldades, mas sempre demonstrou uma fé firme e muita paciência diante das tribulações. O período em que viveu – entre meados dos séculos IV e V – foi bastante conturbado pelas heresias que queriam dividir Cristo em duas pessoas: a do filho de Maria e a do Filho de Deus, apontando como antagónicas as naturezas humana e divina de Cristo. Isso dificultava a evangelização dos pagãos e causava divisões profundas nas comunidades eclesiais. Mas, São Cirilo, pela acção do Espírito, aparece como resposta para aquele momento: com suas pregações, ensinos, homilias e catequeses consegue dar uma resposta às questões levantadas pelas heresias. Cirilo participou do Concílio de Constantinopla, que deu resposta às heresias contra a divindade de Cristo. Foi Bispo da paz diante das divisões que surgiam na Igreja. Revoltados, os hereges que não aceitavam as decisões do Concílio, exilaram, por três vezes, este Bispo de paz. Durante dezasseis anos foi impedido de exercer o seu ministério, em Jerusalém. Grande defensor da verdadeira doutrina, foi um grande catequista. Preparava, com toda a dedicação, os recém-convertidos para receberem o baptismo, ensinando-lhes, sobretudo, a moral cristã. Ao explicar-lhes a santa missa, ensinava com que veneração e amor deveriam receber o corpo do Senhor, na Eucaristia, dizendo-lhes: “Ao aproximar-vos, não o façais com as mãos estendidas nem com os dedos separados, mas fazei-o com a esquerda um trono no qual se assente a direita, que vai conter o Rei. E, no côncavo da palma, recebei o corpo de Cristo, respondendo: ‘Amém’. Com segurança, então, depois de santificados os vossos olhos pelo contacto do santo corpo, recebei-O, cuidando para nada perderdes. Porque senão seria como se perdêsseis um de vossos próprios membros. Dizei-me com efeito: se alguém vos oferecesse palhetas de ouro, não as tomaríeis com todo o cuidado, velando para nada perderdes em vosso prejuízo? Deixareis, então, de vos esforçardes, ainda mais, para que nada tombe do que é muito mais precioso que o ouro e as pedras preciosas?”
Ainda sacerdote, escreveu várias catequeses e grandes sermões - pregados na Igreja do Santo Sepulcro, no tempo da Quaresma e da Páscoa - sobre os Sacramentos do baptismo, do crisma e da eucaristia.
Cirilo faleceu no ano de 386, no dia 18 de Março, sendo Bispo titular de Jerusalém. A sua festa litúrgica, agora no dia 18 de Março, começou a celebrar-se somente em 1882. O Papa Leão XIII concedeu-lhe o título de doutor da Igreja.

domingo, 10 de março de 2013

JORNADAS VICARIAIS DA FÉ

Nos próximos Sábado e Domingo, 16 e 17 de Março, realizar-se-ão as Jornadas Vicariais da Fé, no Pavilhão Desportivo do Colégio de Santa Maria de Lamas. Com a presença do Bispo diocesano, D. Manuel Clemente, e do Bispo Auxiliar destacado para esta Região Pastoral, D. João Lavrador, as jornadas têm o seguinte programa: Sábado - às 15 h., Partilha de testemunhos; às 21 h, Vigília de Oração com a adoração do Santíssimo Sacramento; Domingo, às 15 h., Celebração Eucarística. Estes encontros, de partilha, de reflexão e de festa requerem a presença de todos os cristãos desta Vigararia. Será uma oportunidade para testemunharmos a nossa fé em Deus que, em Jesus, se faz presente para encher a nossa vida de alegria e de esperança. Participa! Não faltes…

CONCLAVE



Está marcado para a próxima Terça-Feira, dia 12 de Março, o início do Conclave para a eleição do Papa. A missa, denominada em latim "Pro eligendo Romano Pontifice" e que antecede o início do Conclave, vai ser celebrada às 10h (menos uma hora em Portugal), na Basílica de São Pedro e será presidida pelo cardeal decano, D. Angelo Sodano. O fumo negro ou branco que sairá da chaminé da Capela Sistina para indicar, respetivamente, se a eleição prossegue ou se foi escolhido o novo Papa, deve ser esperado pelo meio-dia e às 19h00. O fumo branco, indicativo da eleição do Papa, é acompanhado pelo repicar dos sinos, aguardando-se que entre a aceitação da eleição pelo novo Papa e o seu aparecimento público na varanda central da Basílica de São Pedro passem cerca de 45 minutos. Na terça-feira, pelas 16h30, está agendada a procissão dos cardeais da Capela Paulina do Palácio Apostólico para a Capela Sistina, seguida do juramento, momentos que vão ser transmitidos em direto pela televisão e internet. Após o juramento, todas as pessoas que não podem participar na eleição saem da Capela Sistina, à excepção do cardeal maltês Prospero Grech, especialista na vida e obra de autores dos primeiros séculos do cristianismo, que dirige uma meditação. Após a saída do prelado, impedido de eleger o Papa por ter mais de 80 anos à data do início da Sede Vacante (28 de Fevereiro), poderá decorrer o primeiro escrutínio, se os cardeais eleitores assim o entenderem. Os Cardeais eleitores ficam alojados na Casa de Santa Marta, junto do Vaticano. Nos dias seguintes e até à eleição do Papa, os cardeais deslocam-se às 07h45 para o Palácio Apostólico, e das 08h15 às 09h15 celebram missa na Capela Paulina, espaço de todas as eucaristias durante o Conclave. Às 9h30 entram na Capela Sistina e rezam a Hora Intermédia, seguindo-se os escrutínios e o regresso, às 12h30, à Casa de Santa Marta, onde almoçam pelas 13h00. Pelas 16h00, os prelados voltam à Capela Sistina, prevendo-se que os escrutínios recomecem às 16h50, antes da oração de Vésperas às 19h15, e regresso, 15 minutos depois, à Casa de Santa Marta
O Conclave - palavra com origem no latim 'cum clavis' (fechado à chave) - pode ser definido como o lugar onde os cardeais se reúnem, em clausura, para eleição do Papa.

PARA REZAR



SALMO 34

A toda a hora bendirei o Senhor,
o seu louvor estará sempre na minha boca.
A minha alma gloria-se no Senhor:
escutem e alegrem-se os humildes.

Enaltecei comigo ao Senhor
e exaltemos juntos o seu nome.
Procurei o Senhor e Ele atendeu-me,
libertou-me de toda a ansiedade.

Voltai-vos para Ele e ficareis radiantes,
o vosso rosto não se cobrirá de vergonha.
Este pobre clamou e o Senhor o ouviu,
salvou-o de todas as angústias.

SANTOS POPULARES


SANTA LUÍSA DE MARILLAC

Luísa de Marillac nasceu no dia 12 de agosto de 1591, filha de Luís de Marillac e de Margarida Le Camus. Aos quatro anos quando ficou órfã de mãe e, por isso, sofreu as consequências da falta de um lar carinhoso, do desprezo dos parentes e, naturalmente, de muitos conflitos afectivos. Era de constituição frágil, de baixa estatura, magra, bonita, nariz afilado, olhos expressivos, boca pequena. Era dotada de grande capacidade intelectual e de uma vontade enérgica. Era muito sensível e inclinada ao escrúpulo, à timidez, à insegurança. Era minuciosa e perfeccionista, e muito aberta às coisas de Deus e do próximo. A sua infância e a sua adolescência foram marcadas por acontecimentos dolorosos que marcaram profundamente a sua personalidade e o seu modo de ser. Ainda criança, o seu pai, Luís de Marillac, colocou-a no Convento de Poissy, onde recebeu uma esmerada educação. Aí permaneceu enquanto ele viveu. Depois, foi morar numa pensão familiar. Ali, adquiriu conhecimentos para a vida prática como cozinhar, costurar, bordar, sentido de responsabilidade e de organização. A sua estada no Convento de Poissy tinha-lhe proporcionado uma grande bagagem de piedade, de ciência e de instrução: uma educação de elite. Luísa quis ser religiosa Capuchinha, entre as Filhas da Cruz, mas não foi aceite porque a sua saúde não suportaria os rigores da penitência que caracterizava aquela Ordem. Em privado, fez o voto de consagrar-se à Deus, na penitência e na oração. Em 1613, casa-se com António Legras; foi um casamento “combinado”, como era costume na época. Desse casamento, nasceu um filho que recebeu o nome de Miguel, em homenagem ao seu tio. Luísa foi sempre fiel e dedicada ao seu esposo, sendo também uma mãe carinhosa, uma “super mãe”. Em 1621-1622, António Legras contraiu uma enfermidade que afectou até o seu comportamento. Luísa foi extremamente carinhosa para com ele. Entretanto, grandes dúvidas invadem a sua alma e ela chega a pensar estar a ser vítima de castigos de Deus. Sente-se rejeitada por todos, mesmo pelo próprio Deus. Envolvem-na densas trevas… No dia 4 de Junho de 1623, na Igreja de São Nicolau dos Campos, recebe a célebre “Luz de Pentecostes”. Liberta-se, então, das suas penas e incertezas e começa a descobrir, ainda que não muito claramente, os planos divinos a seu respeito.
Em 1625, depois de muita revolta e intranquilidade, o seu marido faleceu em paz. Quando Luísa encontrou o Padre Vicente de Paulo, tinha 34 anos; era uma viúva angustiada e inquieta na busca da vontade de Deus, com uma vida de oração toda estruturada em exercícios, em devoções, em jejuns e disciplinas. O Padre Vicente de Paulo descobriu as marcas que a dureza da vida deixou nesta mulher super-sensível e sofrida. Acolheu o seu sofrimento e, com muita paciência, começou a trabalhar sobre esta inquietude de Luísa, desdramatizando as coisas e apontando-lhe o amor de Deus que liberta. Recomendou-lhe muito a meditação da Palavra de Deus Descobrindo a rica personalidade de Luísa e a solidez da sua fé, orientou a sua inteligência e o seu coração para os pobres. Com frequência, pedia a sua colaboração para preparar roupas para os pobres, para visitá-los; pedia-lhe pequenos serviços nas confrarias e Luísa vai recuperando pouco a pouco a confiança em si mesma. Apreciando a sua disponibilidade, o seu juízo recto e seguro, o seu sentido de organização e intuição feminina, o Padre Vicente de Paulo fez dela a sua principal colaboradora e confiou-lhe a animação das Confrarias da Caridade. Chegando às aldeias, Luísa informa-se acerca das pessoas que pertencem à Confraria; reúne as senhoras da Caridade e dirige-lhes a palavra. Observa como funciona a Confraria, o estado financeiro das coisas, o papel de cada um dos membros; informa-se sobre a vida espiritual, visita pessoalmente os pobres, interessa-se pela instrução dos jovens. Terminada a visita, reúne as responsáveis, dá orientação segura e envia ao Padre Vicente um relatório minucioso com sua própria apreciação.
No trabalho das Confrarias, o Padre Vicente intervém quando necessário, mas deixa toda a liberdade de acção à sua colaboradora e recorre muitas vezes ao seu espírito de organização.
Com o tempo, as necessidades aumentam, as consequências da guerra fazem-se sentir e Vicente e Luísa interrogam-se sobre o futuro do serviço dos pobres. Entretanto, em 29 de Novembro de 1633, apresentou-se uma camponesa, Margarida Naseau e, com ela, outras camponesas que querem seguir o exemplo de Luísa e dedicar a sua vida ao serviço dos mais pobres. Estas jovens são camponesas rudes, que não têm instrução nem sequer a elementar; a maioria não sabe ler. Então, Luísa dá formação espiritual às jovens, ensina-as a ler, a escrever, a costurar, como cuidar dos doentes, a fazer chás caseiros, como ensinar o catecismo. Juntas, reflectem e enfrentam as dificuldades que aparecem nos mais variados serviços. A experiência sofrida da sua infância e a educação diversificada que recebera muito contribuíram para a organização da Companhia das Filhas da Caridade. A maneira de viver, as virtudes, a vida fraterna e o serviço dos pobres são frutos da sua experiência humana e fidelidade à graça de Deus. Luísa, com a ajuda do Padre Vicente de Paulo - que soube ouvi-la e compreendê-la - lutou contra os seus defeitos e chegou a ser a fervorosa imitadora de Jesus Crucificado, desapegada de si mesma, zelosa para com a Comunidade e o serviço dos pobres. Luísa de Marillac morreu em 15 de Março de 1660. As suas últimas recomendações, ou seja, o testamento espiritual que deixou às “suas filhas” é um legado de fidelidade a Deus, à Virgem Maria, à vida fraterna e aos pobres. Disse: “Tende muito cuidado com o serviço dos pobres, vivei juntas em grande cordialidade para imitar a união e a vida de Nosso Senhor e tende a Santíssima Virgem por vossa única Mãe.” Luísa de Marillac foi beatificada no dia 9 de Maio de 1920, pelo Papa Bento XV; foi canonizada no dia 11 de Março de 1934, pelo Papa Pio XI. Em 1960, foi proclamada padroeira das Obras Sociais pelo bem-aventurado Papa João XXIII. A sua memória litúrgica faz-se no dia 15 de Março, aniversário do seu falecimento.

 

 

 

domingo, 3 de março de 2013

ÚLTIMA AUDIÊNCIA DE BENTO XVI



- na Praça de São Pedro, Roma, dia 27 de Fevereiro

“…Agradeço-vos por terem vindo em tão grande número a esta minha última Audiência geral.
Obrigado do coração! Estou realmente tocado! E vejo a Igreja viva! E penso que devemos também dizer um obrigado ao Criador pelo tempo maravilhoso que nos concedeu hoje, apesar de ainda ser inverno. Como o apóstolo Paulo, no texto bíblico que ouvimos, também eu sinto no meu coração o dever de agradecer sobretudo a Deus, que guia e faz crescer a Igreja; que semeia a sua Palavra e, assim, alimenta a fé do seu Povo. Neste momento, a minha alma expande-se para abraçar toda a Igreja espalhada pelo mundo. Dou graças a Deus pelas “notícias” que nestes anos do ministério petrino pude receber sobre a fé no Senhor Jesus Cristo; e da caridade que circula realmente no Corpo da Igreja e o faz viver no amor; e da esperança que nos abre e nos orienta para a vida em plenitude, rumo à pátria do Céu... Tudo e todos acolho na oração para confiá-los ao Senhor: para que tenhamos plena consciência da sua vontade, com toda a sabedoria e inteligência espiritual, e para que possamos agir de maneira digna d’Ele, do seu amor, dando frutos em cada boa obra (cfr Col 1,9-10).
Neste momento, há em mim uma grande confiança, porque sei - todos nós sabemos - que a Palavra de verdade do Evangelho é a força da Igreja, é a sua vida. O Evangelho purifica e renova; traz frutos, onde quer que a comunidade de crentes o escuta, acolhe a graça de Deus na verdade e viva na caridade. Esta é a minha confiança, esta é a minha alegria…”

MENSAGEM DE DESPEDIDA DE BENTO XVI



- em Castel Gandolfo, no dia 28 de Fevereiro, última acção do seu Pontificado

“Obrigado! Obrigado do coração.
Caros amigos, estou feliz por estar convosco, circundado pela beleza do criado e pela vossa simpatia que me faz muito bem, obrigado pela vossa amizade, pelo vosso afecto. Sabeis que este meu dia é diferente dos precedentes, já não sou Sumo Pontífice da Igreja Católica, até às 8 horas da noite sou ainda, depois não. Sou simplesmente um peregrino que inicia a última etapa da sua peregrinação nesta terra. Mas gostaria ainda, de trabalhar, com o meu coração, com o meu amor, com a minha oração, com a minha reflexão, com todas as minhas forças interiores, para o bem comum e o bem da Igreja, da humanidade. E sinto-me muito apoiado pela vossa simpatia. Vamos para a frente juntos com o Senhor para o bem da Igreja e do mundo. Obrigado. Abençoo-vos de todo o coração. Seja bendito Deus omnipotente, Pai, Filho e Espírito Santo. Obrigado, boa noite Obrigado a todos vós.”

PARA REZAR



 
II Hino de Laudes – Quaresma

A clemência de Deus é infinita,
Ele perdoa as culpas do seu povo:
Dá luz ao cego, dá ouvido ao surdo,
Dá voz ao mudo, os mortos ressuscita,
E faz do mundo antigo um mundo novo.

Com poderosas armas se levanta
A negra morte sobre toda a terra;
A palavra de Deus é esquecida,
Cercam as trevas a Cidade Santa,
Em vez da paz é construída a guerra.

Acolhei esta nossa penitência,
Fazei-nos testemunhas da esperança,
Semente duma nova humanidade,
Sinal da vossa eterna complacência,
Povo de Deus que pelo mundo avança.

O vosso Filho nos salvou da morte,
A morte mais infame suportando;
Presos, porém, ainda do pecado,
Vossa misericórdia nos conforte,
No tempo da Quaresma nos guiando.

Deus, nosso Pai, é clemente e compassivo.
Ele nos corrige;  Ele nos dá o seu perdão.

SANTOS POPULARES



SÃO DOMINGOS SÁVIO

Domingos Sávio nasceu no dia 2 de abril de 1842, em Riva, uma pequena povoação perto da cidade italiana de Chieri. Foi aluno de São João Bosco e toda a sua vida foi marcada pela constante busca da santidade, segundo a fé católica. O amado e jovem Domingos Sávio teve uma vida de muita sensibilidade e, em pouco tempo, percorreu um longo caminho de santidade, obra mestra do Espírito Santo e fruto da pedagogia de São João Bosco. Nasceu numa família pobre em bens materiais. O seu pai era ferreiro e a sua mãe era costureira; porém, era uma família rica de fé. A sua infância ficou marcada pela primeira comunhão que, na altura, se fazia por volta dos doze anos. Mas, Domingos fez a sua primeira comunhão aos sete anos, reconhecido que era o seu fervor e a sua entrega ao amor de Jesus. Este menino distinguia-se pelo cumprimento do seu dever, expresso no seu lema: "Prefiro antes morrer do que pecar". Aos doze anos de idade aconteceu um facto decisivo na sua vida: o seu encontro com São João Bosco, que o acolhe, como padre e director, em Valdocco (Turim), convidando-o para fazer os estudos secundários. Ao descobrir, então, os altos ideais da sua vida como filho de Deus, apoiando-se na amizade de Jesus e de Maria, lança-se na aventura da santidade, entendida como entrega total a Deus, por amor. Reza, coloca grande empenho nos estudos, torna-se o companheiro mais amável. Sensibilizado pelos ideais de São João Bosco, deseja salvar a alma de todos e funda a “Companhia da Imaculada”, da qual sairão os melhores colaboradores do fundador dos salesianos. Tomado por uma grave enfermidade, aos quinze anos, regressa ao lar paterno, na aldeia de Mondonio, município de Castelnuovo d'Asti, onde morre serenamente, no dia 9 de Março de 1857, com a alegria de ir ao encontro do Senhor e dizendo aos seus pais: " Adeus queridos pais, estou tendo uma visão linda! Que lindo!" Foi declarado “Venerável” pelo Papa Pio XI, em 1933. Foi beatificado por Pio XII, em 1950, e canonizado pelo Papa Pio XII no dia 12 de Junho de 1954, centenário de sua entrada no Colégio de Dom Bosco, em Turim. A sua memória litúrgica faz-se a 9 de Março.

domingo, 24 de fevereiro de 2013

ÚLTIMO “ANGELUS” DO PAPA BENTO XVI



Às 12h horas deste Domingo, 24 de Fevereiro, o Santo Padre Bento XVI presidiu à oração do seu último “Angelus” com os fiéis que se reuniram para rezar e agradecer o seu Ministério Apostólico, na aproximação da sua despedida. Antes da oração, o Papa dirigiu-se à multidão de féis que enchia, por completo, a Praça de São Pedro, em Roma:

“Queridos irmãos e irmãs!
No segundo domingo da Quaresma, a liturgia sempre nos apresenta o Evangelho da Transfiguração do Senhor. O evangelista Lucas coloca especial atenção no facto de que Jesus foi transfigurado enquanto orava. Esta sua oração é uma profunda experiência de relacionamento com o Pai vivida durante uma espécie de retiro espiritual, num alto monte, na companhia de Pedro, Tiago e João , os três discípulos sempre presentes nos momentos da manifestação divina do Mestre. O Senhor, que pouco antes havia predito a sua morte e ressurreição, oferece aos seus discípulos uma antecipação da sua glória. E também na Transfiguração - como no baptismo - ouvimos a voz do Pai Celeste: "Este é o meu filho; o meu eleito; escutai-o". A presença de Moisés e Elias, representando a Lei e os Profetas da Antiga Aliança, é muito significativa: toda a história da Aliança está focada Nele, o Cristo, que faz um novo "êxodo", não para a terra prometida, como no tempo de Moisés, mas para o céu. A ntervenção de Pedro: "Mestre, como é bom estarmos aqui" representa a tentativa impossível de parar esta experiência mística. Santo Agostinho diz: "[Pedro] ... no monte... tinha Cristo como alimento da alma. Por que deveria descer para voltar aos trabalhos e dores, enquanto lá em cima estava cheio de sentimentos de santo amor por Deus e que inspiravam-lhe uma santa conduta? " Meditando sobre esta passagem do Evangelho, podemos tirar um ensinamento muito importante. Primeiro, o primado da oração, sem a qual todo o trabalho do apostolado e da caridade é reduzido ao activismo. Na Quaresma, aprendemos a dar o justo tempo à oração, pessoal e comunitária, que dá fôlego à nossa vida espiritual. Além disso, a oração não é um isolar-se do mundo e das suas contradições, como Pedro quis fazer no Tabor, mas a oração traz- nos de volta para o caminho, para a acção. "A existência cristã – como escrevi na Mensagem para esta Quaresma – consiste num contínuo subir ao monte do encontro com Deus, para depois descer trazendo o amor e a força que provém dele, a fim de servir os nossos irmãos e irmãs com o mesmo amor de Deus " Queridos irmãos e irmãs, sinto essa Palavra de Deus especialmente dirigida a mim, neste momento da minha vida. O Senhor chama-me para “subir ao monte”, para me dedicar ainda mais à oração e à meditação. Mas isto não significa abandonar a Igreja; pelo contrário, se Deus me pede isso é para que eu a possa continuar a servir com a mesma dedicação e o mesmo amor, como o fiz até hoje, mas de um modo mais adequado à minha idade e às minhas forças. Invoquemos a intercessão da Virgem Maria: que ela nos ajude a seguir, sempre, o Senhor Jesus, na oração e nas obras de caridade”.

Depois da oração do “Angelus” o Santo Padre dirigiu, aos peregrinos de língua portuguesa, as seguintes palavras:

“Queridos peregrinos de língua portuguesa que viestes rezar comigo o “Angelus”: obrigado pela vossa presença e por todas as manifestações de afecto e de solidariedade e, em particular, pelas orações com que me estais a acompanhar nestes dias. Que o bom Deus vos cumule de todas as bênçãos.”

RENÚNCIA DO PAPA BENTO XVI



Na próxima Quinta-Feira, dia 28 de Fevereiro, chega ao fim o pontificado de Bento XVI. Por razões de saúde e do peso da sua já frágil idade, Bento XVI renunciou ao mandato que lhe foi conferido pelo Espírito, na Igreja. O último gesto público do pontificado de Bento XVI será a saudação à população, na residência de Castel Gandolfo, nos arredores de Roma, na tarde deste dia. Bento XVI ficará a residir neste Palácio Apostólico - habitualmente usado pelo papa como residência de férias - até que esteja pronto o Mosteiro, dentro do Vaticano, que será o lugar do seu recolhimento. Bento XVI vai ser recebido em Castel Gandolfo pelo presidente e pelo secretário do governo do Estado da Cidade do Vaticano, respectivamente cardeal Giuseppe Bertello e D. Giuseppe Sciacca, assim como pelo presidente do Município e outras autoridades civis.
A saudação na varanda do palácio apostólico conclui este momento público, que antecede o final do pontificado, marcado para as 20h00 locais (19h00 de Portugal). Durante a Sede Vacante, cessam as suas funções o Secretário de Estado da Santa Sé, os Prefeitos, os Presidentes dos Dicastérios e todos os seus membros. O governo da Igreja ficará ao cuidado do Colégio dos Cardeais. O exercício deste governo faz-se, colegialmente, através de dois tipos de reunião dos cardeais: a “congregação geral”, em que todos participam; e a “congregação particular”, reservada a questões de menor importância, composta pelo cardeal camerlengo e mais três prelados, sorteados a cada três dias e de cada uma das ordens cardinalícias (diaconal, presbiteral e episcopal). Depois da efectivação da sua renúncia, Bento XVI continuará a poder ser chamado de “Santidade” mas terá o título de “Bispo Emérito de Roma”, já que o papa é o Bispo de Roma.

PALAVRAS DO PAPA



- na Homilia de 25 de Janeiro de 2013, memória da Conversão de São Paulo

“…Na sociedade contemporânea, parece que a mensagem cristã incide cada vez menos na vida pessoal e comunitária; e isto representa um desafio para todas as Igrejas e Comunidades eclesiais. A unidade é em si mesmo um instrumento privilegiado, como que um pressuposto para anunciar, de modo cada vez mais credível, a fé a quantos ainda não conhecem o Salvador ou que, embora tendo recebido o anúncio do Evangelho, quase esqueceram este dom inestimável. O escândalo da divisão que impedia a actividade missionária foi o impulso que depois deu início ao movimento ecuménico como hoje o conhecemos. Com efeito, a comunhão plena e visível entre os cristãos deve ser entendida como uma característica fundamental para um testemunho ainda mais claro. Então, enquanto nos encontramos a caminho da unidade plena, é necessário fomentar uma colaboração concreta entre os discípulos de Cristo em prol da causa da transmissão da fé ao mundo contemporâneo. Hoje, há grande necessidade de reconciliação, de diálogo e de compreensão recíproca, numa perspectiva não moralista, mas precisamente em nome da autenticidade cristã, para uma presença mais incisiva na realidade do nosso tempo… A nossa busca de unidade na verdade e no amor nunca deve perder de vista a percepção de que a unidade dos cristãos constitui uma obra e um dom do Espírito Santo, e vai muito além dos nossos esforços. Por conseguinte, o ecumenismo espiritual, especialmente a oração, é o coração do compromisso ecuménico (cf. Decreto Unitatis redintegratio, 8). Todavia, o ecumenismo não dará frutos duradouros, se não for acompanhado por gestos concretos de conversão que despertem as consciências e favoreçam a purificação das recordações e das relações. Como afirma o Decreto do Concílio Vaticano II sobre o ecumenismo, «não existe um ecumenismo verdadeiro sem a conversão interior». Uma conversão autêntica, como a que o profeta Miqueias sugere e da qual o apóstolo Paulo é um exemplo significativo, levar-nos-á para mais perto de Deus, do centro da nossa vida, de maneira a aproximar-nos, em maior medida, também uns dos outros. Trata-se de um elemento fundamental do nosso compromisso ecuménico. A renovação da vida interior do nosso coração e da nossa mente, que se reflecte na vida quotidiana, é crucial em cada diálogo e caminho de reconciliação, fazendo do ecumenismo um compromisso recíproco de compreensão, respeito e amor, «a fim de que o mundo creia» (Jo 17, 21)…”

 

PARA REZAR



SALMO 27

O Senhor é minha luz e salvação:
de quem terei medo?
O Senhor é o baluarte da minha vida:
quem me assustará?

Ouve, Senhor, a voz da minha súplica,
tem compaixão de mim e responde-me.
O meu coração murmura por ti,
os meus olhos te procuram;
é a tua face que eu procuro, Senhor.

Não desvies de mim o teu rosto,
nem afastes, com ira, o teu servo.
Tu és o meu amparo: não me rejeites nem abandones,
ó Deus, meu salvador!

Creio, firmemente, vir a contemplar
a bondade do Senhor, na terra dos vivos.
Confia no Senhor!
Sê forte e corajoso, e confia no Senhor!

SANTOS POPULARES



SANTA INÊS DA BOÉMIA

Inês (Anezka) era filha de Premysl Otocar I, um rei forte e ambicioso, e de Constância, da dinastia Arpad, da Hungria. Por parte do pai, Inês era descendente da famosa família dos Santos Ludmila e Venceslau. Santa Isabel da Hungria era sua prima; Santa Edviges foi sua tia-avó, e Santa Margarida da Hungria foi sua sobrinha. Inês nasceu, em 1202, na cidade de Praga, actual capital da Checa. Como era costume na época medieval, os casamentos eram tratados entre as famílias, garantindo alianças, interesses, poder. Ainda criança, Inês foi prometida em casamento a Henrique VII, rei da Silésia e da Alemanha. Com três anos de idade, foi enviada – juntamente com Ana, a sua irmã mais velha – para o Mosteiro de Trebnica, em Breslau, onde era monja a sua tia Edviges ( Santa Edviges ) que se tornou sua educadora. Aos seis anos, foi transferida para o Mosteiro de Doksany, onde aprendeu a escrever. O compromisso matrimonial com o filho do Imperador Frederico II, tirou Inês, aos oito anos, da tranquilidade do Mosteiro e transferiu-a para o ambiente mundano da Corte de Viena, onde deveria receber a educação digna de uma futura imperatriz. Mais tarde, com o seu noivado desfeito, por razões de desentendimentos políticos do seu pai, foi objecto de interesse de vários pretendentes nobres, e inclusive, do próprio Imperador Frederico II, que ficara viúvo. Porém, Inês havia já decidido consagrar a sua vida a Jesus Cristo e, com decisão e firmeza, não aceitou casar-se. Inês – que ouvira falar das novas formas de vida religiosa que estavam a surgir naquela época, em Itália, com São Francisco e Santa Clara de Assis - sentiu-se profundamente atraída pelo movimento franciscano. Às suas custas, a nobre princesa mandou construir uma igreja para os Frades Menores (franciscanos) e um hospital para os doentes pobres, onde ela mesma se dedicava a cuidar deles. As duas construções foram dedicadas a São Francisco. O hospital foi confiado aos Crucíferos da Estrela Vermelha, que depois se tornou numa ordem religiosa com a regra de santo Agostinho e que, segundo consta, ela teria ajudado nas fases iniciais; esta Ordem, por causa de conflitos políticos e sociais, foi extinta em meados do século XVII. Inês renunciou à administração direta do hospital para optar por uma vida de clausura e de pobreza absoluta. Em 1234 - com o desejo de que houvesse na sua cidade um convento de vida contemplativa, semelhante à experiência de Clara e das primeiras Clarissas de Assis - construiu, junto da Igreja de São Francisco, o Mosteiro das Damas Pobres de São Damião de Praga. Com cinco Clarissas provindas de Trento (Itália) e algumas jovens das famílias nobres da Boémia, Inês iniciou e organizou a vida religiosa deste Mosteiro: era a festa de Pentecostes de 1234. Inês, com trinta e dois anos, entrou neste mosteiro de clausura e aí viveu até ao fim da sua vida. Distribuiu todos os seus bens pelos pobres e conseguiu que o Papa Gregório IX aprovasse, para este Mosteiro, a mesma Regra que se vivia, naquela época, no Mosteiro das Clarissas de Assis. Foram tantas as jovens que se sentiram chamadas a viver este mesmo ideal que, em poucos anos, o número de Irmãs chegou à centena. Foi necessário construir um mosteiro maior para acolher todas as vocacionadas. Também noutros lugares da Boémia, Polónia, Morávia, o exemplo da ilustre princesa foi acolhido por muitas mulheres e se fizeram monjas e os mosteiros começaram a multiplicar-se. Inês foi a grande impulsionadora da Ordem de Santa Clara nos países checo eslovacos. Inês mandou construir, junto do Mosteiro das Damas Pobres, um mosteiro para os Frades Menores, com o objectivo de receber deles a assistência espiritual; isto fez realçar o sentido de pertença destas monjas ao movimento franciscano, que ela tanto amava. Como abadessa das Clarissas de Praga, foi muito activa e dinâmica na tarefa de implementar a autêntica vivência evangélica da pobreza, no espírito dos fundadores, Francisco e Clara. Manteve um constante contacto com a Santa Sé e obteve um bom número de documentos e de cartas papais, como resposta às solicitações que fazia. A escolha e a vivência da “Forma de Vida de Santa Clara” - baseada explicitamente na pobreza absoluta - foram, para Inês, uma luta de toda a vida. A maior parte das cartas e documentos estão relacionados com o problema crucial de manter vivo o ideal de vida pobre e recolhida, dedicada à contemplação, conforme as primeiras monjas de São Damião (clarissas de Assis). Inês exerceu uma notável obra pacificadora entre os membros da sua própria família e da comunidade religiosa à qual pertencia. Sugeria sempre soluções inspiradas nos princípios cristãos. Procurou também uma paz duradoura entre o rei da Boémia e a Cúria papal e, assim, pôde reerguer-se como baluarte de paz frente à política prepotente de outros reis. A sua vida foi sempre marcada por cruzes e sofrimentos. Grandes problemas e intrigas da corte, perseguições, guerras, mortes, abateram-se sobre o reinado do seu irmão Wenceslau e do seu sobrinho Otocar II. Inês foi sempre de uma fortaleza extraordinária e ajudou-os com a força da oração e da palavra confortadora. A sua velhice foi entristecida pela morte cruel do rei Otocar, no ano de 1278, que ela previra interiormente. Inês da Boémia morreu em 1282, depois de ter vivido com muita radicalidade a sua vocação e de ter consolidado fortemente a fundação de Praga, com o seu exemplo de doação e com as suas virtudes. Foi beatificada pelo Papa Pio IX, em 1874, e canonizada pelo Papa João Paulo II, em 12 de Novembro de 1989. A memória litúrgica de Santa Inês da Boémia faz-se no dia 2 de Março.