PALAVRA COM SENTIDO

PALAVRA COM SENTIDO

“…Hás-de temer o Senhor, teu Deus…” (cf. Deuteronómio 6, 2)

Só Deus é Deus e Senhor. E não há outro Deus a quem amar, servir, adorar, acreditar, rezar, agradecer… Temer o Senhor não é ‘ter medo de Deus’. Não precisamos ter medo de Deus: Ele é amor, perdão, misericórdia, alegria, paz, salvação e esperança… Temer o Senhor é reconhecer a grandeza do seu poder; a santidade do seu nome; a ternura que nos dedica; a alegria da vida que nos oferece. Temer o Senhor é acolher a sua Palavra; cumprir os seus mandamentos; responder com fidelidade aos seus apelos; confiar na sua promessa e anunciá-la com a bondade dos nossos gestos. Quem ‘teme a Deus’ procura fazer tudo para não pecar contra ele; fazer nascer no coração o receio e a tristeza de o poder ofender. O apelo feito pela palavra de Deus aponta-nos o caminho da verdade, da justiça, da caridade, da compaixão. Uma grande exigência que nos trará a felicidade e a bênção.

segunda-feira, 22 de junho de 2015

EM DESTAQUE:



- LAUDATO SI
(Louvado sejas…)

O Papa Francisco publicou uma nova encíclica: ‘Laudato si’. O Papa, tendo como modelo São Francisco de Assis, propõe uma profunda reflexão sobre o presente e o futuro da nossa terra, apontando a necessidade de uma radical mudança na relação da humanidade com o meio ambiente e alertando para as consequências, já visíveis, do aquecimento global e das alterações climáticas. O Papa fala da crise ecológica, do sobreaquecimento da terra, de um novo modelo de desenvolvimento, da responsabilidade humana na alteração de meio ambiente, do necessário equilíbrio na natureza. O Papa afirma a necessidade de se procurar outras maneiras de entender a economia e o progresso, novos estilos de vida, redobrada responsabilidade frente aos atentados contra a vida humana. (cf. Agência Ecclesia)

PALAVRA DO PAPA FRANCISCO



-na Audiência-Geral, na Praça de São Pedro, em Roma, no dia 17 de Junho

“ …Caríssimos irmãos e irmãs, bom dia!

No percurso de catequeses sobre a família, hoje inspiramo-nos directamente no episódio narrado pelo evangelista Lucas, que há pouco ouvimos (cf. Lc 7, 11-15). Trata-se de uma cena muito comovedora, que nos mostra a compaixão de Jesus por quantos sofrem — neste caso, uma viúva que perdeu o seu único filho — e nos manifesta também o poder de Jesus sobre a morte.

A morte é uma experiência que diz respeito a todas as famílias, sem excepção alguma. Faz parte da vida; e no entanto, quando atinge os afectos familiares, a morte nunca consegue parecer-nos natural. Para os pais, sobreviver aos próprios filhos é algo de particularmente desolador, que contradiz a natureza elementar das relações que dão sentido à própria família. A perda de um filho ou de uma filha é como se o tempo parasse: abre-se um abismo que engole o passado e também o futuro. A morte, que leva embora o filho pequeno ou jovem, é uma bofetada às promessas, aos dons e aos sacrifícios de amor jubilosamente confiados à vida que fizemos nascer. Muitas vezes vêm à Missa em Santa Marta pais com a fotografia de um filho, filha, criança, rapaz, moça, e dizem-me: «Ele foi-se, ela foi-se!». E o seu olhar está cheio de dor. A morte acontece, e quando se trata de um filho, fere profundamente. A família inteira permanece como que paralisada, emudecida. E algo semelhante padece também a criança que permanece sozinha, com a perda de um dos pais, ou de ambos. E pergunta: «Mas onde está o meu pai? Onde está a minha mãe?» — Está no Céu!» — «Mas por que não o vejo?». Esta pergunta oculta uma angústia no coração da criança que permanece sozinha. O vazio do abandono que se abre dentro dela é ainda mais angustiante porque ela nem sequer tem a experiência suficiente para «dar um nome» àquilo que lhe aconteceu. «Quando volta o meu pai? Quando volta a minha mãe?». Que responder, quando a criança sofre? Assim é a morte em família.

Nestes casos, a morte é como um buraco negro que se abre na vida das famílias e ao qual não sabemos dar explicação alguma. E às vezes chega-se até a dar a culpa a Deus! Quantas pessoas — entendo-as — ficam com raiva de Deus e blasfemam: «Por que me tiraste o filho, a filha? Não há Deus, Deus não existe! Por que me fez Ele isto?». Muitas vezes ouvimos frases como esta. Mas a raiva é um pouco aquilo que provém do cerne de uma grande dor; a perda de um filho ou de uma filha, do pai ou da mãe, é uma dor enorme! Isto acontece continuamente nas famílias. Em tais casos, como eu disse, a morte é como que um buraco. Mas a morte física possui «cúmplices» que são até piores do que ela, e que se chamam ódio, inveja, soberba, avareza; em síntese, o pecado do mundo que trabalha para a morte, tornando-a ainda mais dolorosa e injusta. Os afectos familiares parecem as vítimas predestinadas e inermes destes poderes auxiliares da morte, que acompanham a história do homem. Pensemos na absurda «normalidade» com que, em certos momentos e lugares, os acontecimentos que acrescentam horror à morte são provocados pelo ódio e pela indiferença de outros seres humanos. O Senhor nos livre de nos habituarmos a isto!

No povo de Deus, com a graça da sua compaixão conferida em Jesus, muitas famílias demonstram concretamente que a morte não tem a última palavra: trata-se de um verdadeiro acto de fé. Todas as vezes que a família em luto — até terrível — encontra a força de conservar a fé e o amor que nos unem a quantos amamos, ela impede desde já que a morte arrebate tudo. A escuridão da morte deve ser enfrentada com um esforço de amor mais intenso. «Meu Deus, ilumina as minhas trevas!», é a invocação de liturgia da noite. À luz da Ressurreição do Senhor, que não abandona nenhum daqueles que o Pai lhe confiou, nós podemos privar a morte do seu «aguilhão», como dizia o apóstolo Paulo (1 Cor 15, 55); podemos impedir que ela envenene a nossa vida, que torne vãos os nossos afectos, que nos leve a cair no vazio mais obscuro.

Nesta fé, podemos consolar-nos uns aos outros, conscientes de que o Senhor venceu a morte de uma vez para sempre. Os nossos entes queridos não desapareceram nas trevas do nada: a esperança assegura-nos que eles estão nas mãos bondosas e vigorosas de Deus. O amor é mais forte do que a morte. Por isso, o caminho consiste em fazer aumentar o amor, em torná-lo mais sólido, e o amor preservar-nos-á até ao dia em que todas as lágrimas serão enxugadas, quando «já não haverá morte, nem luto, nem grito, nem dor» (Ap 21, 4). Se nos deixarmos amparar por esta fé, a experiência do luto poderá gerar uma solidariedade de vínculos familiares mais forte, uma renovada abertura ao sofrimento das outras famílias, uma nova fraternidade com as famílias que nascem e renascem na esperança. Nascer e renascer na esperança, é isto que nos propicia a fé. Contudo, gostaria de ressaltar a última frase do Evangelho que ouvimos hoje (cf. Lc 7, 11-15). Depois que Jesus restituiu à vida este jovem, filho da mãe que era viúva, o Evangelho reza: «Jesus entregou-o à sua mãe». Esta é a nossa esperança! O Senhor restituir-nos-á todos os nossos entes queridos que já partiram, e encontrar-nos-emos todos juntos. Esta esperança não desilude! Recordemos bem este gesto de Jesus: «Jesus entregou-o à sua mãe», assim fará o Senhor com todos os nossos amados familiares!

Esta fé protege-nos da visão niilista da morte, assim como das falsas consolações do mundo, de tal maneira que a verdade cristã «não corra o risco de se misturar com mitologias de vários tipos», cedendo aos ritos da superstição, antiga ou moderna» (Bento XVI, Angelus de 2 de Novembro de 2008). Hoje é necessário que os Pastores e todos os cristãos exprimam de modo mais concreto o sentido da fé em relação à experiência familiar do luto. Não se deve negar o direito de chorar — devemos chorar no luto — pois até Jesus «começou a chorar» e sentiu-se «intensamente comovido» pelo grave luto de uma família que Ele amava (Jo 11, 33-37). Ao contrário, podemos haurir do testemunho simples e vigoroso de numerosas famílias que souberam ver, na dificílima passagem da morte, também a passagem certa do Senhor, crucificado e ressuscitado, com a sua promessa irrevogável da ressurreição dos mortos. O esforço amoroso de Deus é mais forte do que a obra da morte. É deste amor, precisamente deste amor, que nos devemos tornar «cúmplices» laboriosos, com a nossa fé! E recordemos aquele gesto de Jesus: «Jesus entregou-o à sua mãe»; assim fará Ele com todos os nossos entes queridos e também connosco, quando nos encontrarmos, quando a morte for derrotada definitivamente em nós. Ela é vencida pela cruz de Jesus. Jesus restituir-nos-á todos à família!...” (cf. Santa Sé)

PARA REZAR


SALMO 106


Refrão: Cantai ao Senhor, porque é eterno o seu amor. Cantai ao Senhor! Cantai!

 
Os que se fizeram ao mar em seus navios,
a fim de labutar na imensidão das águas,
esses viram os prodígios do Senhor
e as suas maravilhas no alto mar.

 
À sua palavra, soprou um vento de tempestade,
que fez encapelar as ondas:
subiam até aos céus, desciam até ao abismo,
lutavam entre a vida e a morte.

 
Na sua angústia invocaram o Senhor
e Ele salvou-os da aflição.
Transformou o temporal em brisa suave
e as ondas do mar amainaram.

 
Alegraram-se ao vê-las acalmadas,
e Ele conduziu-os ao porto desejado.
Graças ao Senhor pela sua misericórdia,
pelos seus prodígios em favor dos homens.

SANTOS POPULARES


BEATA MARIA RAFAELA CIMATTI

Santina Cimatti nasceu no dia 6 de Junho de 1861, em Faenza, na província da Romagna – Itália. O seu pai era um humilde lavrador; a sua mãe trabalhava como tecedeira. A natureza dotou-a com um rosto sorridente, sereno e bonito, iluminado por olhos profundos e calmos. Vivendo no seio de uma família pobre, Santina não teve oportunidade de estudar: a sua família precisava do seu trabalho para ajudar no orçamento familiar. Por isso, começou a ajudar a mãe nos trabalhos de tecelagem e a cuidar dos afazeres domésticos. Teve vários irmãos, mas os únicos que sobreviveram, Luís e Vicente, entraram, ainda muito jovens, para a Congregação Salesiana. Então, Santina considerou importante ficar junto da sua mãe para a ajudar e cuidar dela. Entretanto, surgiu a oportunidade de ir trabalhar para casa de um sacerdote, como empregada doméstica.
Em Novembro de 1889, com 28 anos de idade, entrou para a Congregação das Irmãs Hospitaleiras da Misericórdia, na Casa-Mãe da congregação, em São João de Latrão, Roma. Como era costume, naquela época, adoptou o nome de Maria Rafaela. Em 1893, foi enviada para o Hospital de São Bento, em Alatri, onde começou a exercer a sua profissão de enfermeira. Depois, foi enviada para o Hospital Humberto I, em Frosinone, onde, a partir de 1921, exerceu, também, a missão de superiora da Comunidade. Entre 1928 e 1940, desempenhou a missão de superiora, na Comunidade de Alatri.
Em 1943, contraiu uma doença que se viria a manifestar incurável. A Irmã Maria Rafaela Cimatti faleceu no dia 23 de Junho de 1945.
O principal campo de apostolado da Irmã Rafaela foi a farmácia, onde trabalhou durante 34 anos. No entanto, quando era necessário, estava sempre disponível para os doentes e para qualquer serviço da sua comunidade. O trabalho da farmácia - entre pílulas, xaropes e preparados no almofariz – foi, para Rafaela, um dom de Deus: através deste compromisso, simples e contínuo, vivido no dia-a-dia, ela pôde realizar, com exemplar dedicação, o verdadeiro amor ao próximo.
Quando a doença bateu, fortemente, à sua porta, encontrou, na oração, o seu grande apoio e a sua fortaleza. Dias difíceis e dramáticos foram vividos pela Irmã Rafaela, em Frosinone, durante o tempo da guerra. Visitou e confortou os doentes. Quando percebeu - através da agitação e inquietação do pessoal do Hospital – que a cidade de Alatri poderia ser bombardeada, a fim de suster o avanço das forças aliadas, Rafaela – usando todas as suas últimas energias – pediu ao Bispo que a acompanhasse até ao General Kesselring, a fim de o pressionarem a mudar o plano estratégico dos alemães. Com esta acção, conseguiu que Alatri fosse preservada. "Milagre” – ouviu-se gritar por toda a parte – “Um anjo salvou a nossa cidade."
Todos os dias, a irmã Rafaela experimentava a presença de Deus naqueles que sofriam: nunca se esquecia que o homem precisava de um amor concreto, mesmo nos pequenos acontecimentos diários. Uma sua paciente contou: "…Era muito jovem, mas já sofria de várias doenças. Então, fui internada no Hospital para uma operação ao apêndice. Estava muito preocupada e senti-me perdida com a ausência da minha mãe… Comecei a chorar convulsivamente, como nunca tinha chorado antes. A Irmã Rafaela notou minha profunda prostração moral e perguntou-me: ‘Porque estás a chorar?’ Eu respondi: ‘Eu estou mal e não tenho aqui a minha mãe!...’ Num tom cheio de carinho e de compreensão, disse-me: ‘E eu não sou a mãe? Porque estou aqui? Cada irmã hospitaleira deve ser a mãe de quem sofre…’."
A Irmã Rafaela soube ser, para as irmãs da sua comunidade, uma superiora atenta e gentil. Nunca quis ser servida mas, que cada uma servisse a comunidade. Uma das Irmãs escreveu: "Não exibia a importância do cargo que desempenhava… Considerava-se a serva das Irmãs, ajudando-as no seu trabalho. Se fosse necessário, também ela ajudava a remendar e a confecionar as meias das outras Irmãs.
A Irmã Maria Rafaela Cimatti foi beatificada, pelo Papa João Paulo II, no dia 12 de Maio de 1996. Na homilia, disse o Papa: “ … A Misericórdia divina é a chave de leitura da espiritualidade simples e profunda de Maria Rafaela Cimatti, religiosa das Irmãs Hospitaleiras da Misericórdia. Na infinita misericórdia de Deus, de que fala o salmista, ela encontrou inspiração para a sua acção, especialmente no serviço aos pobres e aos sofredores. Esta mulher, que hoje é elevada à glória dos altares, gastou a sua vida numa total consagração a Deus e no silencioso e diário serviço aos doentes. Viveu com espírito de sacrifício e sempre com pronta disponibilidade quer nas humildes tarefas diárias, quer na escuta e no acolhimento de quantos a ela recorriam à procura de conselho ou conforto, quer nas funções de responsabilidade a que, repetidamente, foi chamada. No nosso tempo, marcado frequentemente pela indiferença e pela tentação de se fechar, frente às necessidades do próximo, esta humilde religiosa é um luminoso exemplo de feminilidade plenamente realizada no dom de si. Ela anuncia e testemunha a esperança evangélica, manifestando a quantos sofrem, no corpo ou no espírito, o rosto de ‘Deus, Pai de misericórdia e Deus de toda a consolação, que nos consola em todas as nossas tribulações’ (cf. 2 Cor. 1,4).
A sua memória litúrgica celebra-se no dia 23 de Junho.

quinta-feira, 18 de junho de 2015

FESTA DA VIDA



No sábado, dia 13 de Junho, o 8º ano da catequese da Igreja Matriz celebrou a Festa da Vida. A liturgia convidava-os a olhar para a vida e para o mundo com confiança e esperança. A observarem Deus, fiel ao seu plano de salvação e, que continua, hoje como sempre, a conduzir a história humana para uma meta de vida plena e de felicidade sem fim. Os adolescentes verificaram que como a semente, querem dar muito fruto; como o grão de mostarda, querem crescer no testemunho de amor pela Vida e colocarem-se, sempre ao serviço da Vida. Descobriram que “a vida com Jesus é mais feliz”. Por isso, pediram-Lhe: Fazei-nos portadores da Vossa Mensagem, construtores do Vosso Reino, testemunhas do Vosso projecto de Vida.

 

segunda-feira, 15 de junho de 2015

EM DESTAQUE:


 
 
- 1º CICLO DE MÚSICA SACRA DAS TERRAS DE SANTA MARIA
 
Sábado, dia 20 de Junho, às 21,30 horas, na Igreja Matriz de Santa Maria da Feira, dá-se início ao 1º Ciclo de Música Sacra das Terras de Santa Maria. O Concerto será da responsabilidade do Coro do Mosteiro de Grijó. Esta iniciativa, que envolve Paróquias, Coros, Escolas de Música Sacra, procura promover, junto das populações, o apreço pela boa música e despertar para a necessidade da formação coral litúrgica que dê às celebrações paroquiais a dignidade e a beleza que a música confere. A entrada é livre e gratuita.

PALAVRA DO PAPA FRANCISCO


-na Audiência-Geral, na Praça de São Pedro, em Roma, no dia 10 de Junho

“ …Caríssimos irmãos e irmãs, bom dia!
Continuemos com as catequeses sobre a família, e nesta audiência gostaria de me referir a um aspecto muito comum na vida das nossas famílias: a doença. Trata-se de uma experiência da nossa fragilidade, que vivemos principalmente em família, desde a infância e depois, sobretudo, na velhice, quando chegam os achaques. No âmbito dos vínculos familiares, a enfermidade das pessoas que amamos é padecida com um «suplemento» de dor e de angústia. É o amor que nos faz sentir este «suplemento». Muitas vezes, para um pai e uma mãe é mais difícil suportar o mal de um filho, de uma filha, do que uma dor pessoal. Podemos dizer que a família foi, desde sempre, o «hospital» mais próximo. Ainda hoje, em muitas regiões do mundo, o hospital é um privilégio para poucos e, muitas vezes, fica distante. São a mãe, o pai, os irmãos, as irmãs, as avós que garantem os cuidados e ajudam a curar.
Nos Evangelhos, muitas páginas narram os encontros de Jesus com os doentes e o seu compromisso em cuidar deles. Ele apresenta-se publicamente como alguém que luta contra a enfermidade e que veio para curar o homem de todos os males: o mal do espírito e o mal do corpo. É verdadeiramente comovedora a cena evangélica, recém-narrada pelo Evangelho de Marcos. Reza assim: «À tarde, depois do pôr-do-sol, levaram-lhe todos os enfermos e endemoninhados» (1, 32). Se penso nas grandes cidades contemporâneas, pergunto-me onde estão as portas a onde levar os enfermos, na esperança de que sejam curados? Jesus nunca se subtraiu aos seus cuidados. Jamais passou além, nunca virou o rosto para o outro lado. E, quando um pai ou uma mãe, ou então até simplesmente pessoas amigas traziam um doente à sua presença para que o tocasse e curasse, não perdia tempo; a cura vinha antes da lei, até daquela tão sagrada como era a do descanso do Sábado (cf. Mc 3, 1-6). Os doutores da lei repreendiam Jesus porque Ele curava no dia de sábado; fazia o bem no dia de sábado. Mas o amor de Jesus consistia em dar a saúde, em fazer o bem: e isto vem sempre em primeiro lugar!
Jesus manda os discípulos realizar a obra que Ele mesmo faz, conferindo-lhes o poder de curar, ou seja, de se aproximar dos enfermos e de cuidar deles até ao fim (cf. Mt 10, 1). Devemos ter presente aquilo que Ele disse aos discípulos, no episódio do cego de nascença (cf. Jo 9, 1-5). Os discípulos — com o cego ali em frente! — debatiam sobre quem tinha pecado para ter nascido cego - ele ou os seus pais? -, para ter provocado a sua cegueira. O Senhor disse claramente: nem ele, nem os seus pais; é assim para que nele se manifestem as obras de Deus. E curou-o. Eis a glória de Deus! Eis a tarefa da Igreja! Ajudar os doentes - sem se perder em bisbilhotices - assistir sempre, consolar, aliviar, estar próximo dos doentes… Esta é a sua tarefa.
A Igreja convida à oração incessante pelos nossos entes queridos, atingidos pelo mal. A prece pelos doentes nunca deve faltar. Aliás, temos de rezar ainda mais, quer pessoalmente, quer como em comunidade. Pensemos no episódio evangélico da mulher cananeia (cf. Mt 15, 21-28). Trata-se de uma mulher pagã, não pertence ao povo de Israel, mas é uma pagã que suplica a Jesus a cura da própria filha. Para pôr à prova a sua fé, Jesus primeiro responde duramente: «Não posso, devo pensar primeiro nas ovelhas de Israel!». A mulher não desiste — quando pede ajuda para a sua criatura, uma mãe nunca cede; todos nós sabemos que as mães lutam pelos seus filhos — e responde: «Até os cachorrinhos comem as migalhas que caem da mesa dos seus donos!», como se dissesse: «Trata-me pelo menos como uma cachorrinha!». Então, Jesus diz-lhe: «Ó mulher, grande é a tua fé! Seja feito como tu desejas» (v. 28).

Diante da doença, até em família, surgem dificuldades, por causa da debilidade humana. Mas, em geral, o tempo da enfermidade faz aumentar a força dos vínculos familiares. E penso como é importante educar, desde crianças, os filhos para a solidariedade na hora da doença. Uma educação que mantenha à distância a sensibilidade pela enfermidade humana torna árido o coração; e leva os jovens a ser «anestesiados» em relação ao sofrimento do próximo, incapazes de se confrontar com o sofrimento e de viver a experiência do limite. Quantas vezes nós vemos chegar ao trabalho um homem, uma mulher com o rosto cansado, com uma atitude fatigada, e quando lhe perguntamos: «O que aconteceu?», responde: «Eu dormi só duas horas, porque em casa nos revezamos para estar próximos do filho, da filha, do doente, do avô, da avó». E o dia continua com o trabalho. São coisas heróicas: é a heroicidade das famílias! Estas formas de heroicidade escondida verificam-se com ternura e com coragem, quando em casa alguém está doente.
A debilidade e o sofrimento dos nossos afectos mais queridos e mais sagrados podem ser, para os nossos filhos e os nossos netos, uma escola de vida — é importante educar os filhos, os netos, para que compreendam esta proximidade na doença em família — e tornam-se isso quando os momentos de enfermidade são acompanhados pela oração e pela proximidade carinhosa e cheia de esmero dos familiares. A comunidade cristã sabe bem que, na prova da doença, a família não deve ser deixada sozinha. E temos de dar graças ao Senhor pelas lindas experiências de fraternidade eclesial que ajudam as famílias a atravessar o árduo momento da dor e do sofrimento. Esta proximidade cristã, de uma família em relação à outra, é um verdadeiro tesouro para a paróquia; um tesouro de sabedoria, que assiste as famílias nas fases difíceis, levando-as a compreender o Reino de Deus melhor do que muitos discursos! São carícias de Deus!

PARA REZAR

SALMO 91

 
Refrão: É bom louvar-Vos, Senhor.
 

É bom louvar o Senhor
e cantar salmos ao vosso nome, ó Altíssimo,
proclamar pela manhã a vossa bondade
e durante a noite a vossa fidelidade.


O justo florescerá como a palmeira,
crescerá como o cedro do Líbano;
plantado na casa do Senhor,
florescerá nos átrios do nosso Deus.

 
Mesmo na velhice dará o seu fruto,
cheio de seiva e de vigor,
para proclamar que o Senhor é justo:
n’Ele, que é o meu refúgio, não há iniquidade.

SANTOS POPULARES


BEATO JOSÉ MARIA CASSANT

José Maria Cassant nasceu em Casseneuil, França, no dia 6 de Março de 1878, de pais camponeses e muito católicos. Recebeu uma sólida educação cristã e, desde pequeno, sentiu uma grande identificação com a Missa e a liturgia, manifestando o desejo de ser sacerdote. Sempre preferiu o silêncio e a solidão da capela às brincadeiras de criança. Estudou no colégio dos Irmãos de São João Baptista de la Salle, revelando muita dificuldade em aprender e memorizar o conteúdo das aulas, embora a elas se aplicasse com afinco. Aos quinze anos ainda estudava no meio de meninos de oito a dez anos. Este obstáculo intelectual impediu-o de ser aceite no Seminário Diocesano, após ter manifestado aos seus familiares o desejo de ser padre. O seu director espiritual sugeriu-lhe que fosse para o Mosteiro da Trapa. Depois de ter contactado com o orientador vocacional do Mosteiro, foi admitido, no dia 5 de dezembro de 1894, na abadia cisterciense de Santa Maria do Deserto, na Diocese de Toulouse. Durante o tempo de noviciado, desenvolveu uma profunda espiritualidade contemplativa, a partir da sua devoção ao Sagrado Coração de Jesus e o seu lema era: “Tudo para Jesus, tudo por Maria”. Contemplando Jesus na sua Paixão, o jovem monge deixou-se impregnar pelo amor de Cristo. Consciente das suas lacunas e debilidades, confiava única e totalmente em Jesus, que era a sua força. Pronunciou os votos perpétuos na Solenidade da Ascensão e começou a preparação definitiva para o sacerdócio, que considerava em função da Eucaristia, em que Cristo Salvador se entrega inteiramente aos homens, e em cujo Coração traspassado na cruz, recebe todos os que a Ele recorrem com confiança.
Apesar das dificuldades em concluir os estudos teológicos na Abadia, foi aprovado satisfatoriamente no exame final e recebeu a Ordenação Diaconal no dia 22 de Fevereiro de 1902. Foi ordenado Presbítero no dia 12 de Outubro de 1902.
Atingido pela tuberculose, o jovem presbítero só revelou os seus sofrimentos quando já não os podia esconder, oferecendo-os sempre por Cristo e pela Igreja e meditando assiduamente sobre a Via-Sacra do Salvador. Esta doença tornou a sua vida, a cada dia, mais difícil. No leito de morte, afirmou: "Quando já não puder celebrar a Santa Missa, Jesus poderia levar-me deste mundo".
O Padre José Maria faleceu na madrugada do dia 17 de Junho de 1903, depois de ter recebido a Sagrada Comunhão. Tinha 25 anos de idade, dos quais 16 transcorridos na discrição, em Casseneuil, e 9 no claustro de um Mosteiro, dedicando-se às coisas mais simples: oração, estudo e trabalho. Coisas ordinárias, porém, que ele soube viver de maneira extraordinária, com uma generosidade incondicional. Por isso, a mensagem do Padre José Maria é muito actual: num mundo em que reina a desconfiança, que muitas vezes é vítima do desespero, mas que é sequioso de amor e de ternura, a sua vida pode ser uma resposta para quem, sobretudo entre os jovens, se põe em busca de um sentido para a sua vida.
João Paulo II reconheceu a heroicidade das suas virtudes, no dia 19 de Junho de 1984.
O Padre José Maria Cassant foi beatificado pelo Papa João Paulo II, no dia 3 de Outubro de 2004. Na homilia da missa da beatificação, disse o Papa: “…O Padre José Maria depositou sempre a sua confiança em Deus, na contemplação do mistério da Paixão e na união com Cristo presente na Eucaristia. Assim, ele impregnava-se do amor de Deus, abandonando-se a Ele, "a única felicidade da terra", e desapegando-se dos bens do mundo, no silêncio da Trapa. No meio das provações, com o olhar fixo em Cristo, oferecia os seus sofrimentos pelo Senhor e pela Igreja. Possam os nossos contemporâneos, especialmente os contemplativos e os doentes, descobrir, no seu exemplo, o mistério da oração que eleva o mundo a Deus e que revigora nos momentos de prova!...”
A sua memória litúrgica celebra-se no dia 17 de Junho.

quarta-feira, 10 de junho de 2015

EM DESTAQUE:



- O PAPA FRANCISCO
EM VISITA
À BÓSNIA-HERZEGÓVINA

O Papa Francisco esteve, neste Sábado, 6 de Junho, na Bósnia-Herzegóvina, numa visita pastoral dedicada a confirmar a fé desta Igreja Mártir. O Papa fez um apelo forte à reconciliação das várias etnias e confissões, para a construção de uma paz duradoura. Infelizmente, após vinte anos do fim da guerra civil, o país continua dividido étnica e religiosamente.
Com esta sua visita, de um dia, a Sarajevo, a capital da Bósnia, o Papa quis ajudar a abrir caminho a um novo esforço de diálogo e entreajuda entre a Bósnia e a União Europeia, para que sejam efectivas as mudanças necessárias, num país ainda marcado pelo fantasma da uma guerra que custou mais de 100 mil vidas, na luta pela independência da Bósnia da Jugoslávia.

 

- DIA DIOCESANO
DA FAMÍLIA:
SANTO TIRSO,
31 DE MAIO

- da Homilia do Sr. Bispo do Porto
 
. “…Abri o vosso coração, o coração das vossas famílias e tocai de perto a alegria desta presença do Deus único, uno e trino, na vossa vida de família. O coração da família tem tantas portas a abrir, para que aí se sinta o pulsar do coração de Deus na vida dos esposos, dos pais, dos filhos, dos irmãos, dos avós e dos netos.
O testemunho das famílias cristãs é uma das melhores e maiores portas para abrir o coração da Igreja do Porto, convocada para anunciar a doce e reconfortante alegria de evangelizar e para fazer hoje e sempre “da alegria do Evangelho a nossa missão”.
Procurai com o vosso testemunho de vida e com a vossa disponibilidade para a missão, abrir o coração da sociedade, para que se respeite sempre na nossa terra o valor sagrado da família e o dom inviolável da vida, desde a conceção até à morte.
. Abrir a família à alegria do evangelho significa voltar o olhar das famílias para Deus, como sempre fazem os filhos quando se voltam na direção da sua casa e dizem sem medo da distância, confiantes na bondade do pai e na ternura da mãe: “ Levantar-me-ei e irei para meu pai” (Luc 15, 18 ).
Abrir a família à alegria do evangelho implica aprender a olhar a família com o olhar de Deus. O olhar de Deus amplia o horizonte do nosso olhar e permite ver mais longe, ajuda a ver melhor e faz ver mais claro.
Abrir a família à alegria do evangelho consiste em descobrir o melhor de cada membro, encontrar a dignidade intacta de cada um, reavivar a chama da esperança que habita os nossos lares e reacender, a partir da família, a luz de novos dias para a Humanidade.
. Convido-vos, queridas famílias, ao celebrardes 10, 25, 50 e 60 anos do vosso matrimónio, a regressardes, em pensamento e em missão, à vossa casa e, neste regresso a casa, sentai-vos à mesa de família, dai graças a Deus, abeirai-vos do berço dos vossos filhos e netos e escutai a voz do tempo que vos diz quanto Deus realizou em vós.
Recordai e refazei serenamente, em diálogo de família, este belo caminho que percorrestes e redescobrireis tantos sinais da presença de Deus e a força do seu amor que tudo vence e tudo transforma. Encontrareis em vós, através da memória do tempo que passou, essa reserva espiritual que sempre vos habitou, esse suplemento de alma que continuamente vos animou no caminho e essa bênção divina que, em permanência, vos fortaleceu nas horas mais difíceis.
Reavivai, também, neste encontro com a família que sois e com a casa que edificais, os valores sagrados da humilde casa de Nazaré, a casa de Maria, de Jesus e de José.
Casa de família, a exemplo da casa de Nazaré, é bálsamo de unção onde se curam tantas feridas, que pela vida os caminhos ásperos nos vão fazendo! Casa de família é átrio do Cenáculo, onde Jesus nos serve, no lava-pés, e nos antecipa em promessa a certeza das bem-aventuranças!
Casa de família, de portas abertas à alegria do evangelho, é santuário onde se escuta a Palavra de Deus, se reza em comum e se partilha o banquete do pão repartido e da Eucaristia celebrada. Parabéns, queridas famílias! Que Deus vos prolongue a vida, vos conceda saúde e vos dê a sua bênção!...” (cf. Diocese do Porto)

PALAVRA DO PAPA FRANCISCO


-na Solenidade do Corpo de Deus: Quinta-Feira, 4 de Junho, Roma

Ouvimos, no evangelho: Na [última] Ceia, Jesus dá o seu Corpo e o seu Sangue através do pão e do vinho, para nos deixar o memorial do seu sacrifício de amor infinito. E, com este "viático" (alimento para o caminho-NR) cheio de graça, os discípulos têm tudo o que é necessário para sua longa jornada através da história, para levar a todos o reino de Deus. Luz e força será para eles o dom que Jesus fez de si mesmo, imolando-se voluntariamente na cruz. E este Pão da Vida chegou até nós! Não acaba nunca a admiração da Igreja diante desta realidade. Uma admiração que alimenta sempre a contemplação, a adoração e a memória. Demonstra-o um texto, muito belo, da liturgia de hoje - o Responsório da segunda leitura do Ofício de Leitura - que diz assim: “Reconhecei neste pão, Aquele que esteve pregado na Cruz; reconhecei neste cálice, o sangue que brotou do seu lado. Tomai e comei o corpo de Cristo; tomai e bebei o sangue de Cristo: agora, sois membros de Cristo. Para não vos desagregardes, comei o vínculo da vossa união; para não vos desprezardes, bebei o preço da vossa redenção. "
Há um perigo, uma ameaça: desagregarmo-nos, desprezarmo-nos. O que significa, hoje, este "desagregarmo-nos" e "desprezarmo-nos"?
Desagregamo-nos quando não somos dóceis à Palavra do Senhor; quando não vivemos a fraternidade entre nós; quando competimos para ocupar os primeiros lugares – os trepadores -; quando não encontramos coragem para testemunhar a caridade; quando não somos capazes de oferecer esperança. Assim, desagregamo-nos. A Eucaristia permite-nos não nos desagregarmos, por que é vínculo de comunhão; é cumprimento da Aliança, sinal vivo do amor de Cristo que se humilhou e se aniquilou para que permanecêssemos unidos. Participando na Eucaristia e alimentando-nos dela, somos inseridos num caminho que não admite divisões. O Cristo presente no meio de nós, no sinal do pão e do vinho, exige que a força do amor supere todas as feridas e ao mesmo tempo se torne, também, comunhão com o mais pobre, sustento para o frágil, atenção fraterna para com aqueles que fazem esforço para suportar o peso da vida quotidiana e estão em perigo de perder a fé.
E, em seguida, a outra palavra: o que significa para nós, hoje, "desprezarmo-nos", ou seja, adulterar a nossa dignidade cristã? Significa deixar-se corromper pelas idolatrias do nosso tempo: a aparência, o consumismo, o egocentrismo; mas, também, a competição, a arrogância como atitude vencedora, o nunca admitir ter-se enganado ou ter necessidade. Tudo isto nos avilta, e torna-nos cristãos medíocres, mornos, insípidos, pagãos.
Jesus derramou o seu sangue como preço e como purificação, para que fôssemos purificados de todos os pecados: para não nos aviltarmos, olhemos para Ele; bebamos da sua fonte, para sermos preservados do risco de corrupção. E, então, experimentaremos a graça de uma transformação: permaneceremos sempre pobres pecadores mas, o Sangue de Cristo nos livrará dos nossos pecados e restituir-nos-á a nossa dignidade. Libertar-nos-á da corrupção. Sem mérito nosso, com sincera humildade, poderemos levar aos seus irmãos o amor do nosso Senhor e Salvador. Seremos os seus olhos que vão à procura de Zaqueu e da Madalena; seremos a sua mão que socorre os doentes do corpo e do espírito; seremos o seu coração que ama os necessitados de reconciliação, de misericórdia e de compreensão.
Assim, a Eucaristia actualiza a Aliança que nos santifica, nos purifica e nos une em comunhão admirável com Deus. Assim, compreendemos que a Eucaristia não é um prémio para os bons, mas é a força para os fracos, para os pecadores. É o perdão; é o viático que nos ajuda a andar, a caminhar.
Hoje, Festa de Corpo de Deus, temos a alegria não só de celebrar este mistério, mas também de louvá-lo e cantá-lo nas ruas da nossa cidade. A procissão vamos fazer no final da missa, possa exprimir a nossa gratidão por todo o caminho que Deus nos fez percorrer através o deserto da nossa pobreza, para nos fazer sair da condição servil, alimentando-nos com o seu Amor, por meio do Sacramento do seu Corpo e do seu Sangue.
Daqui a pouco, enquanto caminharmos ao longo do caminho, sintamo-nos em comunhão com todos os nossos irmãos e irmãs que não têm a liberdade de expressar a sua fé no Senhor Jesus. Sintamo-nos unido a eles; cantemos com eles; louvemos com eles; adoremos com eles. E veneremos no nosso coração aqueles irmãos e irmãs a quem foi pedido o sacrifício da vida por fidelidade a Cristo: o seu sangue, unido ao do Senhor, seja penhor de paz e de reconciliação para o mundo inteiro.
E não esqueçamos: "Para não vos desagregardes, comei o vínculo da vossa união; para não vos desprezardes, bebei o preço da vossa redenção. "

 

PARA REZAR


SALMO 115

 

Refrão: Tomarei o cálice da salvação e invocarei o nome do Senhor.

 

Como agradecerei ao Senhor

tudo quanto Ele me deu?

Elevarei o cálice da salvação,

invocando o nome do Senhor.

 

É preciosa aos olhos do Senhor

a morte dos seus fiéis.

Senhor, sou vosso servo, filho da vossa serva:

quebrastes as minhas cadeias.

 

Oferecer-Vos-ei um sacrifício de louvor,

invocando, Senhor, o vosso nome.

Cumprirei as minhas promessas ao Senhor,

na presença de todo o povo.

 

SANTOS POPULARES


SANTO ANTÓNIO (recordando…)

Fernando Martins de Bulhões, filho de ricos comerciantes portugueses, nasceu em Lisboa, entre 1191 e 1195. Viveu os primeiros anos da sua vida a dois passos da Catedral de Lisboa, onde frequentou os primeiros estudos, nas aulas de Gramática. Próximo dali, a cerca de um quilómetro, ficava o Mosteiro de São Vicente de Fora, dos Cónegos Regrantes de Santo Agostinho. Com cerca de 15 anos de idade, Fernando pediu aos seus pais que o deixassem entrar neste Mosteiro e ali fez o noviciado. Aos 19 ou 20 anos, foi terminar a sua formação intelectual no Mosteiro de Santa Cruz de Coimbra, onde foi ordenado Sacerdote.
Em Coimbra, teve a oportunidade de conhecer os Frades Menores de São Francisco, que viviam no eremitério de Santo Antão, nos Olivais. Por essa altura, passaram por Portugal, a cominho de Marrocos, cinco Frades Franciscanos, para aí pregarem a fé cristã. Mal recebidos em Marrocos, acabaram por ser barbaramente martirizados.
O testemunho destes mártires franciscanos, despertou em Fernando de Bulhões o desejo de se tornar franciscano. Aos 30 anos, pediu para entrar na Ordem dos Frades Menores e, aí, recebeu o nome de António, sendo-lhe concedida imediata permissão para partir para o norte de África.
Desembarcou, no inverno de 1220. Mas, uma persistente doença obrigou-o a voltar para a Portugal. No regresso, o navio foi desviado por uma violenta tempestade e foi parar às costas da Sicília, na Itália. Frei António foi recolhido pelos seus irmãos franciscanos italianos, que o levaram para a cidade de Messina, onde foi tratado até recuperar a saúde.
Em fins de Maio de 1221, realizou-se, em Assis, o Capítulo Geral da Ordem dos Frades Menores, para o qual todos os religiosos foram convidados. Foi aí que António conheceu Francisco de Assis. Terminado o Capítulo, foi enviado para o pequeno eremitério de Montepaolo, perto de Forli, no Norte de Itália, onde residiam seis Frades. Foi-lhe atribuído a tarefa de presidir à celebração da Santa Missa para os seus irmãos e de ajudar nos trabalhos domésticos. Desejando preservar a humildade, António nunca revelou os seus conhecimentos e raramente era visto com livros, além do breviário e do missal.
Na cidade de Forli havia um convento de estudos da Ordem de São Domingos. Em Setembro de 1222, os Dominicanos convidaram os Franciscanos para participarem na cerimónia das ordenações sacerdotais, naquele convento. Na hora própria, o superior dos Dominicanos dirigiu-se aos Franciscanos, para que um deles fizesse a pregação. O Superior do eremitério de Montepaolo pediu ao irmão António que subisse ao púlpito e dissesse «tudo o que lhe fosse sugerido pelo Espírito Santo». As primeiras palavras foram simples, mas, em seguida, tornam-se firmes, seguras e convincentes, a ponto de impressionarem todos os presentes. A notícia deste facto percorreu toda a região e, em pouco tempo, António foi nomeado pregador oficial da Ordem.
Naquela época, surgiram alguns movimentos heréticos, entre os quais os Cátaros e os Albigenses, que renovavam as antigas correntes gnósticas e maniqueístas. António foi enviado a pregar às populações heréticas, procurando esclarecê-las acerca da verdadeira doutrina. O conhecimento profundo das Escrituras dava às suas palavras uma autoridade invulgar, lançando no coração de ouvintes raízes tão fundas, que a todos arrebatava e reconduzia à verdade. Tanto pregou no Norte da Itália, como no sul da França, onde se destacam Montpellier, Le Puy, Arles, Toulouse, Limoges, Bourges, entre outras cidades. O seu ofício de pregador valeu-lhe o título de «Arca do Testamento». António foi também director de estudos e professor de teologia. Segundo algumas fontes, o próprio São Francisco o teria incumbido dessas funções. Em Bolonha, fundou e dirigiu a primeira escola da Ordem Franciscana.
Em 1226, foi nomeado Custódio dos Frades Menores da região de Limoges e, em 1227, é nomeado Superior Maior da província da Romagna, que abrangia todo o norte da Itália. António exerceu este cargo até Maio de 1230. Depois, foi para Pádua, pregando sucessivamente nas 55 igrejas da região. Em fins de 1231, com a saúde muito abalada, António retira-se para o castelo de Camposampiero, perto de Pádua. Aí, escreveu e reviu os seus Sermões, dedicando longas horas à meditação espiritual.
Um dia, estando em Camposampiero, sentiu-se mal à mesa e pediu a um dos irmãos que o levasse para Pádua. No caminho, sentindo-se desfalecer, teve de ficar no mosteiro das clarissas, em Arcella. António só teve tempo para se confessar e receber a unção. Morreu dizendo: «Vejo o meu Senhor». Era o dia 13 de Junho de 1231.
Dada a sua fama de santidade, no dia da sua morte, todos queriam fazer-se guardas dos seus restos mortais. As monjas Clarissas do Mosteiro onde morreu, de acordo com os Franciscanos de Arcella, tentaram ocultar o seu falecimento. Mas, as crianças de Arcella, ao saberem da notícia, saíram por todos os lados a gritar: «Morreu o Santo! Morreu o padre-santo». O povo da região acorreu todo a Arcella. Como a última vontade do Santo tinha sido ir para Pádua, o seu corpo acabou por ser para aí conduzido, 4 dias depois da sua morte, no dia 17 de Junho de 1231, que era uma Terça-Feira.
A devoção por aquele homem, verdadeiramente eleito pelo Céu, era geral. Todos queriam vê-lo, ficar junto do seu caixão, tocar de alguma forma o corpo de António, já canonizado pelo povo em vida e proclamado logo após a sua morte. Os primeiros milagres surgem no dia do seu enterro, em Pádua. Nos dias seguintes, toda a gente se encaminha para o túmulo do bem-aventurado António.
Os populares de Pádua, representados pelas autoridades civis e religiosos, apresentaram na Cúria Pontifícia, então em Rieti, uma delegação a pedir a canonização do irmão António. O processo foi aberto no início de Julho de 1231, ainda não tinha passado um mês da morte do Servo de Deus. E a cerimónia de canonização ocorreu no dia 30 de Maio de 1232, solenidade do Pentecostes, na catedral de Espoleto. Em menos de um ano, o processo ficou concluído. O nome de António foi inscrito no catálogo dos Santos, pela bula da canonização “Cum dicat Dominus”, que manda celebrar a sua festa todos os anos, no dia 13 de Junho.  (cf.SNPC)

 

quarta-feira, 3 de junho de 2015

EM DESTAQUE:








- PROCISSÃO
DO CORPO DE DEUS







No próximo Domingo, 7 de Junho, celebramos a Solenidade do Santíssimo Corpo e Sangue do Senhor, tradicionalmente denominada “Festa do Corpo de Deus”. Na Igreja Matriz, fazemos, às 11h., a “Festa da Eucaristia” de um pequeno grupo de crianças que, aqui, frequentam o 3º ano da catequese. Da parte da tarde, como é já habitual, faremos a Procissão do Corpo de Deus, presidida pelo Sr. D. João Lavrador, Bispo-Auxiliar do Porto.

PALAVRA DO PAPA FRANCISCO


- na Audiência- Geral de Quarta-Feira, dia 27 de Maio, na Praça de São Pedro - Roma

“ Caríssimos irmãos e irmãs,
Prosseguindo estas catequeses sobre a família, gostaria de falar hoje do noivado. O noivado — percebe-se pela palavra — relaciona-se com a confiança, a confidência, a fiabilidade. Confidência com a vocação que Deus concede, porque o matrimónio é antes de tudo a descoberta de uma chamada de Deus. Certamente é positivo que os jovens hoje possam optar por casar com base num amor recíproco. Mas precisamente a liberdade do vínculo exige uma harmonia consciente da decisão, não só um simples entendimento da atracção ou do sentimento, de um momento, de um tempo breve... requer um caminho.
Por outras palavras, o noivado é o tempo durante o qual os dois estão chamados a fazer um bom trabalho sobre o amor, um trabalho partícipe e partilhado, que vai em profundidade. Descobrimo-nos a-pouco-e pouco reciprocamente: ou seja, o homem «aprende» a mulher aprendendo esta mulher, a sua noiva; e a mulher «aprende» o homem aprendendo este homem, o seu noivo. Não subestimemos a importância desta aprendizagem: é um compromisso bom, e o próprio amor o exige, porque não é apenas uma felicidade despreocupada, uma emoção encantada... A narração bíblica fala da criação inteira como de um bom trabalho de amor de Deus; o livro do Génesis diz que «Deus viu o que fizera, e era coisa muito boa» (Gn 1, 31). Só no final, Deus «repousou». Desta imagem compreendemos que o amor de Deus, que deu origem ao mundo, não foi uma decisão extemporânea. Não! Foi um trabalho bom. O amor de Deus criou as condições concretas de uma aliança irrevogável, sólida, destinada a durar.
A aliança de amor entre o homem e a mulher, aliança para a vida, não se improvisa, não se faz de um dia para outro. Não há o matrimónio rápido: é preciso trabalhar sobre o amor, é necessário caminhar. A aliança do amor do homem e da mulher aprende-se e aperfeiçoa-se. Permiti que eu diga que é uma aliança artesanal. Fazer de duas vidas uma só, é quase um milagre, um milagre da liberdade e do coração, confiado à fé. Talvez devêssemos comprometer-nos mais neste ponto, porque as nossas «coordenadas sentimentais» entraram um pouco em confusão. Quem pretende tudo e imediatamente, depois também cede sobre tudo — e já — na primeira dificuldade (ou na primeira ocasião). Não há esperança para a confiança e a fidelidade da doação de si, se prevalece o hábito de consumir o amor como uma espécie de «integrador» do bem-estar psicofísico. Não é isto o amor! O noivado focaliza a vontade de preservar juntos algo que nunca deverá ser comprado ou vendido, atraiçoado ou abandonado, por muito aliciadora que seja a oferta. Mas também Deus, quando fala da aliança com o seu povo, algumas vezes fá-lo em termos de noivado. No Livro de Jeremias, ao falar ao povo que se tinha afastado d’Ele, recorda-lhe quando o povo era a «noiva» de Deus e diz assim: «Lembro-me da tua afeição quando eras jovem, de teu amor de noivado» (2, 2). E Deus fez este percurso de noivado; depois faz também uma promessa: ouvimo-la no início da audiência, no Livro de Oseias: «Então te desposarei para sempre; desposar-te-ei conforme a justiça e o direito, com misericórdia e amor» (2, 21-22). É um longo caminho o que o Senhor faz com o seu povo neste percurso de noivado. No final Deus desposa o seu povo em Jesus Cristo: em Jesus desposa a Igreja. O Povo de Deus é a esposa de Jesus. Mas quanto caminho! E vós, italianos, na vossa literatura tendes uma obra-prima sobre o noivado [Os Noivos]. É necessário que os jovens a conheçam, que a leiam; é uma obra-prima na qual se narra a história dos noivos que sofreram tanto, percorreram um caminho cheio de tantas dificuldades até chegar, no final, ao matrimónio. Não ponhais de parte esta obra-prima sobre o noivado que a literatura italiana ofereceu precisamente a vós. Ide em frente, lei-a e vereis a beleza, o sofrimento, mas também a fidelidade dos noivos.
A Igreja, na sua sabedoria, conserva a distinção entre ser noivos e ser esposos — não é o mesmo — precisamente em vista da delicadeza e da profundidade desta verificação. Estejamos atentos a não desprezar com superficialidade este ensinamento sábio, que se nutre também da experiência do amor conjugal felizmente vivido. Os símbolos fortes do corpo possuem as chaves da alma: não podemos tratar os vínculos da carne com superficialidade, sem causar ao espírito alguma ferida perene (1 Cor 6, 15-20).
Sem dúvida, a cultura e a sociedade de hoje tornaram-se bastante indiferentes à delicadeza e à seriedade desta passagem. E por outro lado, não se pode dizer que sejam generosas com os jovens que estão seriamente intencionados a constituir uma família e a ter filhos! Ao contrário, muitas vezes levantam numerosos impedimentos, mentais e práticos. O noivado é um percurso de vida que deve maturar como a fruta, é um caminho de maturação no amor, até ao momento que se torna matrimónio.
Os cursos pré-matrimoniais são uma expressão especial da preparação. E nós vemos tantos casais, que talvez chegam ao curso um pouco contra a vontade, «Mas estes padres obrigam-nos a fazer um curso! Mas porquê? Nós sabemos!»... e vão contra a vontade. Mas depois ficam contentes e agradecem, porque com efeito encontraram ali a ocasião — muitas vezes única — para reflectir sobre a sua experiência em termos não banais. Sim, muitos casais estão juntos muito tempo, talvez até na intimidade, por vezes convivendo, mas não se conhecem deveras. Parece estranho, mas a experiência demonstra que é assim. Por isso deve ser reavaliado o noivado como tempo de conhecimento recíproco e de partilha de um projecto. O caminho de preparação para o matrimónio deve ser organizado nesta perspectiva, servindo-se também do testemunho simples mas intenso de casais cristãos. E apostando também aqui no essencial: a Bíblia, que deve ser redescoberta juntos, de modo consciente; a oração, na sua dimensão litúrgica, mas também na «oração doméstica», vivida em família, nos sacramentos, na vida sacramental — a Confissão... na qual o Senhor vem habitar nos noivos e os prepara para se acolherem deveras um ao outro «com a graça de Cristo»; e a fraternidade com os pobres, com os necessitados, que nos chamam à sobriedade e à partilha. Os noivos que se comprometem nisto crescem ambos e tudo isto leva a preparar uma boa celebração do Matrimónio de maneira diversa, não mundana mas cristã! Pensemos nestas palavras de Deus que ouvimos quando Ele fala ao seu povo como o noivo à noiva: «Então te desposarei para sempre; desposar-te-ei conforme a justiça e o direito, com misericórdia e amor. Desposar-te-ei com fidelidade e tu conhecerás o Senhor» (Os 2, 21-22). Cada casal de noivos pense nisto e diga um ao outro: «Desposar-te-ei com fidelidade». Esperar aquele momento; é um momento, um percurso que vai em frente lentamente, mas é um percurso de maturação. As etapas do caminho não devem ser queimadas. A maturação faz-se assim, passo a passo.
O tempo do noivado pode tornar-se deveras um tempo de iniciação, no quê? Na surpresa! Na surpresa dos dons espirituais com os quais o Senhor, através da Igreja, enriquece o horizonte da nova família que se predispõe para viver na sua bênção. Agora convido-vos a rezar à Sagrada Família de Nazaré: Jesus, José e Maria. Rezai para que a família percorra este caminho de preparação; rezai pelos noivos. Peçamos a Nossa Senhora todos juntos uma Ave-Maria por todos os noivos, para que possam compreender a beleza deste caminho rumo ao Matrimónio Ave-Maria... E aos noivos que estão aqui na praça: «Bom percurso de noivado!».   (cf. Santa Sé)

 

PARA REZAR


* SALMO 32

 

Refrão: Feliz o povo que o Senhor escolheu para sua herança.

  

A palavra do Senhor é recta,

da fidelidade nascem as suas obras.

Ele ama a justiça e a rectidão:

a terra está cheia da bondade do Senhor.

 

A palavra do Senhor criou os céus,

o sopro da sua boca os adornou.

Ele disse e tudo foi feito,

Ele mandou e tudo foi criado.

 

Os olhos do Senhor estão voltados para os que O temem,

para os que esperam na sua bondade,

para libertar da morte as suas almas

e os alimentar no tempo da fome.

 

A nossa alma espera o Senhor:

Ele é o nosso amparo e protector.

Venha sobre nós a vossa bondade,

porque em Vós esperamos, Senhor.

 

* HINO À SANTÍSSIMA TRINDADE – Hora intermédia

 

Adoremos o Pai e o Verbo Eterno

E o Espírito Divino, não criado.

Elevemos ao Céu o nosso canto

Com alegria.

 

Ninguém pode entender este mistério

Da indivisa e santíssima Trindade,

Mas os Anjos e os Santos a celebram

Na glória eterna.

 

Senhor dos mundos, Criador supremo

De tudo quanto tem sopro de vida,

Aquecei ao calor do vosso fogo

Os corações.

 

Com os Anjos e os Santos nas alturas

Nós Vos cantamos fervorosamente,

Até que um dia entremos na alegria

Da paz sem fim.

SANTOS POPULARES


BEATA HILDEGARDA BURJAN

Hildegarda Burjan nasceu no dia 30 de Janeiro de 1883, em Görlitz, Neisse, na província prussiana da Silésia. Foi a segunda filha do casal Abraão e Berta Freund que sentiram uma grande alegria com o nascimento desta filha. A jovem Hildegarda cresceu numa família de classe média burguesa, de origem judaica, mas sem qualquer prática religiosa. Por motivos profissionais, em 1895, a família mudou-se para Berlim e, em 1899, para a Suíça. Hildegarda desenvolveu uma personalidade forte, inclinada para altos ideais. Como muitos jovens do século XIX, que estava a terminar, ela procurava valores, ideais, algo de grande. Em 1903, terminou a licenciatura na universidade de Basileia e começou a curso de Literatura alemã, na Universidade de Zurique. Ao mesmo tempo, começou a frequentar aulas de Filosofia; estava interessada em encontrar respostas para muitas questões: o sentido da vida, a verdade... Através da obra do filósofo Robert Saitschik e do estudioso da paz Friedrich Förster, confrontou-se, pela primeira vez, com o património do pensamento cristão. Começou a surgir, no pensamento de Hildegarda, a ideia de que o esforço absoluto de ser homem perfeito, será sempre imperfeito, se Deus não for a meta de todo o agir, de todo o fazer. Ela percebeu que tinha de tomar uma decisão para o resto da sua vida, mas tinha, ainda, de superar muitos obstáculos dentro do seu coração. A graça de poder acreditar ainda não lhe tinha sido concedida.
Durante o tempo de estudos, conheceu o estudante de técnica, Alexandre Burjan, de origem húngara e de família judia. Casaram-se no dia 2 de Maio de 1907 e foram viver para Berlim. Hildegarda, naquela altura, estava a concluir os seus estudos.
Em 9 de Outubro de 1908, a jovem esposa entrou no hospital católico de Santa Hedwige por causa de uma cólica renal. O seu estado de saúde agravou-se e teve de se submeter a várias intervenções. Durante a Semana Santa de 1909, o seu estado de saúde piorou drasticamente a ponto de julgarem que a sua vida tinha chegado ao fim: os médicos tinham perdido toda a esperança na sua cura e resolveram aplicar-lhe morfina para aliviar as suas dores. Na manhã da Festa da Páscoa aconteceu uma coisa incompreensível: o estado de saúde da moribunda melhorou significativamente e a ferida começou a cicatrizar. Depois de sete meses de permanência no hospital, deram-lhe alta e pôde voltar para casa. Porém, ao longo de toda a sua vida, sofreu as consequências desta doença grave.
A experiência desta doença deu uma volta total à sua vida. Hildegarda foi profundamente abalada e perturbada ao perceber que era Deus a guiar a sua vida. Então, descobre em si a força para poder acreditar. Tinha desempenhado um papel importante, nesta sua vivência, o exemplo cristão das Irmãs da ordem religiosa que tinham cuidado dela: as irmãs de São Carlos Borromeo. O que ela não tinha compreendido com a racionalidade, com o intelecto, compreendeu-o com o coração. No dia 11 de Agosto de 1909, recebeu o sacramento do baptismo.
Hildegarda começou a ouvir uma voz interior que, continuamente, lhe sussurrava: o que é que Deus quereria dela? Ela tinha consciência de que a vida que lhe tinha sido devolvida pertencia unicamente a Deus e aos outros. No decorrer desse ano, o casal Burjan mudou-se para Viena, onde Alexandre teve uma oferta de um trabalho de direcção.
Hildegarda entrou imediatamente em contacto com os círculos católicos de Viena, especialmente com grupos que reflectiam a mensagem da primeira encíclica social, a "Rerum Novarum", do Papa Leão XIII (1891).
No que respeita ao seu compromisso social, Hildegarda teve de se conter-se, porque estava à espera de um filho. Para a sua saúde debilitada, a gravidez revestia-se de algum risco. Os médicos, de acordo com as indicações terapêuticas da época, aconselharam-na a fazer um aborto. Mas, ela opôs-se decisivamente. No dia 27 de Agosto de 1910, deu à luz uma menina a quem deu o nome de Lisa. O parto provocou grandes mazelas na mãe, que reviveu os problemas tidos anteriormente. Ficou muito abalada e teve de ficar no hospital, para recuperação, durante muito tempo.
Nos anos seguintes, Hildegarda Burjan começou a desenvolver, de forma consistente, o seu "conceito social" e a tentar realizar o sonho da sua vida: a fundação de uma comunidade religiosa feminina a que chamou “Congregação das Irmãs da ‘Caritas Socialis’ - dedicada à assistência de pessoas convalescentes, doentes e portadores de distúrbios mentais. Também fundou abrigos para mães solteiras, jovens e mulheres sem casa; abriu, também, espaços onde era distribuída comida aos pobres.
As suas multifacetadas actividades de caridade e, posteriormente, da política, que exigiam muita disponibilidade de tempo, faziam com que ela -como com qualquer outra mulher e mãe comprometida – estivesse fora da família, mesmo em situações de conflito. Hildegarda, com a sua força de vontade e a sua criatividade, procurou equilibrar as suas actividades, para responder às exigências quer da sua vida pública, quer da sua vida familiar.
Os Brujan tinham uma casa grande. Alexandre chegou ao cargo de director geral de uma grande empresa industrial. Devido às suas múltiplas actividades no sector público, o nome de Hildegarda tornou-se rapidamente digno de consideração. Os responsáveis da vida económica e política eram convidados frequentes da casa Burjan. Para Hildegarda isto significava viver em dois mundos diametralmente opostos: esposa de um director geral e, ao mesmo tempo, defensora dos oprimidos e espoliados.
A exigência das suas actividades consumiu a sua energia. À sua doença crónica juntou-se o problema da diabetes e o da pressão arterial elevada.
Num muito curto espaço de tempo, realizou tudo quanto tinha idealizado quer de ordem social, quer política, quer religiosa, tornando-se pioneira na dinamização de verdadeiras políticas de assistência aos mais desfavorecidos. Movia-a uma profunda confiança e comunhão com Deus. Hildegarda estava convencida de que a sua missão era proclamar o amor de Deus através da sua acção social. Ouvindo a vontade de Deus e as necessidades dos homens, ela tentou cumprir, fielmente, esta missão. Hildegarda foi a primeira mulher a tornar-se membro do Conselho Municipal de Viena, em 1918, pelo Partido Social Cristão e, no ano seguinte, tornou-se deputada no Conselho Nacional da Áustria.
Consciente da brevidade da sua vida, deu início à construção de uma igreja, em Viena, em memória do seu amigo e guia espiritual, o Bispo Dr. Ignaz Seipel. No actual Bairro de "Neu-Fünfhaus", mesmo ao lado da igreja, deveria ser construído um centro comunitário: uma ideia inovadora para época. Porém, ela não sobreviveu à bênção da primeira pedra. No dia 11 de Junho de 1933, Hildegarda Burjan morreu: tinha apenas 50 anos.
Na lápide da sua sepultura, no Cemitério Central de Viena, está escrita a palavra que ela mesma escolheu: In te, Domine, speravi, non confundar in aeternum. (Esperei em Ti, Senhor. Jamais serei confundido).
Hildegarda Burjan foi beatificada, na Catedral de Santo Estêvão, em Viena de Áustria, no dia 29 de Janeiro de 2012, numa celebração presidida pelo Cardeal Amato, presidente da Congregação para as Causas dos Santos, em representação do Papa Bento XVI.
A sua memória litúrgica faz-se no dia 1 de Junho.

segunda-feira, 25 de maio de 2015

EM DESTAQUE:


 

- PENTECOSTES

Celebramos, neste Domingo, o mistério do Pentecostes. Cinquenta dias depois da Páscoa, a Igreja faz a memória da vinda do Espírito Santo sobre Maria e os Apóstolos reunidos em oração, no cenáculo. Recordamos que, logo a seguir, todos ficaram maravilhados quando os Apóstolos apareceram irreconhecíveis pelo testemunho que davam de Cristo ressuscitado, pela justeza das suas ideias, pela clareza e coragem da sua pregação, pela abundância imediata dos frutos da sua acção. A propósito desta festa cristã, o Papa Francisco, no Pentecostes de 2014, disse: “…o Espírito Santo ensina-nos o caminho; recorda-nos e explica-nos as palavras de Jesus; leva-nos a rezar e a dizer «Pai» a Deus; faz-nos falar aos homens no diálogo fraterno e leva-nos a falar na profecia. No dia de Pentecostes, quando os discípulos «se tornaram cheios do Espírito Santo», teve lugar o baptismo da Igreja, que nasceu «em saída», «em partida», para anunciar a Boa Notícia a todos. A Mãe Igreja parte para servir. Recordemos também a outra Mãe, a nossa Mãe que partiu com prontidão para servir. A Mãe Igreja e a Mãe Maria: ambas são virgens, ambas são mães, são ambas mulheres. Jesus foi peremptório com os Apóstolos: eles não deviam afastar-se de Jerusalém antes de ter recebido do alto a força do Espírito Santo (cf. Act 1, 4.8). Sem Ele não existe a missão, e nem sequer a evangelização. Por isso, juntamente com a Igreja inteira, com a nossa Mãe Igreja católica, invoquemos: Vinde, Espírito Santo!...”

 

- 14º DIA DIOCESANO DA FAMÍLIA

A Diocese do Porto celebra, no próximo Domingo, 31 de Maio – Solenidade da Santíssima Trindade – o Dia Diocesano da Família, sob o lema: Abri a vossa família à alegria do Evangelho. Neste encontro das famílias - festa das famílias - pretende-se, também, prestar homenagem aos casais que, ao longo deste ano, perfazem 10, 25, 50 e 60 anos de vida matrimonial. O encontro realiza-se no Pavilhão Municipal de Santo Tirso, com o seguinte programa:
- 14.00 / 15.30 h - Acolhimento
e acomodação dos jubilados
- 15.30 - Preparação da Eucaristia
- 16.00 h - Concelebração Eucarística,
presidida pelo Sr. Bispo do Porto, D. António Francisco dos Santos, e entrega de bênçãos matrimoniais aos casais jubilados.

 

PALAVRA DO PAPA FRANCISCO



- na Audiência- Geral de Quarta-Feira, dia 20 de Maio, na Praça de São Pedro - Roma

“ Caríssimos irmãos e irmãs, hoje quero dar-vos as boas-vindas porque vi, entre vós, numerosas famílias: bom dia a todas as famílias!

Continuamos a meditar sobre a família. Hoje, reflectiremos sobre uma característica essencial da família: a sua vocação natural para educar os filhos para que cresçam na responsabilidade por si mesmos e pelo próximo. O que ouvimos do Apóstolo Paulo, no início, é muito bonito: «Filhos, obedecei em tudo aos vossos pais, porque isto agrada ao Senhor. Pais, não irriteis os vossos filhos, para que eles não desanimem» (Cl 3, 20-21). Trata-se de uma regra sábia: o filho é educado a ouvir e a obedecer aos pais, que não devem mandar de maneira inoportuna, para não desencorajarem os filhos. Com efeito, os filhos devem crescer passo a passo, sem desanimar. Se vós, pais, dizeis aos vossos filhos: «Subamos por esta escada» e pegais na sua mão, ajudando-os a subir passo a passo, as coisas correrão bem. Mas, se vós dizeis: «Sobe!» — «Mas não consigo» — «Vai!», isto chama-se exasperar os filhos, pedindo-lhes aquilo que eles não são capazes de fazer. Por isso, a relação entre pais e filhos deve ser sábia, profundamente equilibrada. Filhos, obedecei aos vossos pais, porque isto agrada a Deus. E vós, pais, não exaspereis os vossos filhos, pedindo-lhes coisas que eles não conseguem fazer. É preciso agir assim, para que os filhos cresçam na responsabilidade por si mesmos e pelo próximo.
Poderia parecer uma constatação óbvia pois, também na nossa época, não faltaram problemas. É difícil, para os pais educar, quando se encontram com os filhos somente à noite, quando voltam para casa, cansados do trabalho. Aqueles que têm a sorte de dispor de um trabalho! É ainda mais difícil para os pais separados, e que vivem sob o peso desta sua condição. Coitados!… Enfrentaram dificuldades, separaram-se e muitas vezes o filho torna-se um refém: o pai fala-lhe mal da mãe; a mãe fala-lhe mal do pai… Assim ferem-se muito. Mas, aos pais separados digo: nunca tomeis os vossos filhos como reféns! Separastes-vos devido a muitas dificuldades e motivos; a vida deu-vos esta provação, mas os filhos não devem carregar o fardo desta separação; que eles não sejam usados, como reféns, contra o outro cônjuge; mas, cresçam ouvindo a mãe falar bem do pai, embora já não estejam juntos; e o pai a falar bem da mãe. Para os pais separados, isto é muito importante e deveras difícil, mas podem fazê-lo.
Mas, há uma pergunta a fazer: como educar? Que tradições temos, hoje, para transmitir aos nossos filhos?
Intelectuais «críticos» de todos os tipos silenciaram os pais de mil maneiras, para defender as jovens gerações contra os danos — verdadeiros ou presumidos — da educação familiar. A família foi acusada, entre outras coisas, de autoritarismo, favoritismo, conformismo e repressão afectiva que gera conflitos.
Com efeito, abriu-se uma ruptura entre família e sociedade, entre família e escola; hoje, o pacto educativo interrompeu-se; e, assim, a aliança educativa da sociedade com a família entrou em crise, porque foi minada a confiança recíproca. Os sintomas são numerosos. Por exemplo, na escola comprometeram-se as relações entre os pais e os professores. Às vezes, existem tensões e desconfiança mútua; e, naturalmente, as consequências recaem sobre os filhos. Por outro lado, multiplicaram-se os chamados «peritos», que passaram a ocupar o papel dos pais, até nos aspectos mais íntimos da educação. Sobre a vida afectiva, a personalidade e o desenvolvimento; sobre os direitos e os deveres, os «peritos» sabem tudo: finalidades, motivações, técnicas. E os pais só devem ouvir, aprender a adaptar-se. Privados da sua função, tornam-se, muitas vezes, excessivamente apreensivos e possessivos em relação aos seus filhos, a ponto de nunca os corrigir: «Tu não podes corrigir o teu filho!». Tendem a confiá-los, cada vez mais, aos «peritos», até nos aspectos mais delicados e pessoais da sua vida, ficando isolados, à parte; e, assim, hoje, os pais correm o risco de se auto-excluir da vida dos seus filhos. E isto é gravíssimo! Hoje, existem casos deste tipo. Não digo que acontece sempre, mas existem. Na escola, a professora repreende a criança e manda uma nota aos pais. Recordo-me de um acontecimento caricato. Certa vez, quando andava na quarta classe, disse uma palavra feia à professora e ela – uma boa mulher - mandou chamar a minha mãe. No dia seguinte, a minha mãe foi à escola; conversaram entre elas e depois chamaram-me. Diante da professora, a minha mãe explicou-me que aquilo que eu tinha feito era feio, algo que não se devia fazer… Mas, a minha mãe fê-lo com muita delicadeza, dizendo-me que devia pedir desculpa à professora, ali à sua frente. Fi-lo e depois senti-me feliz; e pensei: a história acabou bem! Mas, aquele era o primeiro capítulo! Quando voltei para casa, teve início o segundo... Agora, imaginai que, hoje, uma professora faz algo assim; no dia seguinte, encontra os pais, ou um deles, que vêm insultá-la, porque os «peritos» dizem que as crianças não devem ser repreendidas assim... A situação mudou! Portanto, os pais não devem auto-excluir-se da educação dos seus filhos.
É evidente que este modo de actuar não é bom: não é harmonioso, nem dialógico; e, em vez de favorecer a colaboração entre a família e as demais agências educativas, as escolas, os ginásios...contrapõe-nas.
Como pudemos chegar a este ponto? Não há dúvida de que os pais, ou melhor, certos modelos educativos do passado, tinham alguns limites. Não há dúvida! Mas, também é verdade que alguns erros só os pais são autorizados a fazê-los, porque podem compensá-los de um modo que é impossível a qualquer outra pessoa. Por outro lado, como bem sabemos, a vida tornou-se avara de tempo para falar, meditar, confrontar-se. Muitos pais são «raptados» pelo trabalho — o pai e a mãe devem trabalhar — e por outras preocupações, confusos com as novas exigências dos filhos e com a complexidade da vida moderna — que é assim!...devemos aceitá-la como é — e encontram-se como que paralisados pelo medo de errar. Mas, o problema não é só falar. Aliás, um «dialogismo» superficial não leva a um encontro genuíno entre a mente e o coração. Ao contrário, perguntemo-nos: procuramos entender «onde» estão, deveras, os filhos no seu caminho? Sabemos onde realmente está a sua alma? E sobretudo: queremos sabê-lo? Estamos convictos de que eles, na realidade, não estão à espera de algo mais?
As comunidades cristãs são chamadas a oferecer ajuda à missão educativa das famílias, e fazem-no principalmente à luz da Palavra de Deus. O Apóstolo Paulo recorda a reciprocidade dos deveres entre pais e filhos: «Filhos, obedecei em tudo aos vossos pais, porque isto agrada ao Senhor. Pais, não irriteis os vossos filhos, para que eles não desanimem» (Cl 3, 20-21). Na base de tudo está o amor, a caridade que Deus nos concede, a qual «não é arrogante, não busca os seus próprios interesses, não se irrita, não guarda rancor... Tudo desculpa, tudo crê, tudo espera, tudo suporta» (1 Cor 13, 5-7). Até nas melhores famílias, é preciso suportar-se uns aos outros, e é necessária muita paciência para isso! Mas a vida é mesmo assim. A vida não se faz no laboratório, mas na realidade. O próprio Jesus passou através da educação familiar.
Também neste caso, a graça do amor de Cristo cumpre aquilo que está inscrito na natureza humana. Quantos exemplos maravilhosos temos de pais cristãos cheios de sabedoria humana! Eles demonstram que a boa educação familiar é a coluna vertebral do humanismo. A sua propagação social constitui o recurso que permite compensar as lacunas, as feridas, os vazios de paternidade e maternidade que atingem os filhos menos felizardos. Esta irradiação pode fazer autênticos milagres. E na Igreja estes milagres acontecem todos os dias!
Faço votos de que o Senhor conceda às famílias cristãs a fé, a liberdade e a coragem necessários para a sua missão. Se a educação familiar resgatar o orgulho do seu protagonismo, os pais incertos e os filhos decepcionados serão grandemente beneficiados. Chegou a hora de os pais e as mães voltarem do seu exílio — porque se auto-exilaram da educação dos próprios filhos — e recuperarem a sua função educativa. Oremos para que o Senhor conceda aos pais esta graça: a de não se auto-exilarem da educação dos seus filhos. E isto só pode ser feito com amor, ternura e paciência. (cf. Santa Sé)