PALAVRA COM SENTIDO

PALAVRA COM SENTIDO

“…Hás-de temer o Senhor, teu Deus…” (cf. Deuteronómio 6, 2)

Só Deus é Deus e Senhor. E não há outro Deus a quem amar, servir, adorar, acreditar, rezar, agradecer… Temer o Senhor não é ‘ter medo de Deus’. Não precisamos ter medo de Deus: Ele é amor, perdão, misericórdia, alegria, paz, salvação e esperança… Temer o Senhor é reconhecer a grandeza do seu poder; a santidade do seu nome; a ternura que nos dedica; a alegria da vida que nos oferece. Temer o Senhor é acolher a sua Palavra; cumprir os seus mandamentos; responder com fidelidade aos seus apelos; confiar na sua promessa e anunciá-la com a bondade dos nossos gestos. Quem ‘teme a Deus’ procura fazer tudo para não pecar contra ele; fazer nascer no coração o receio e a tristeza de o poder ofender. O apelo feito pela palavra de Deus aponta-nos o caminho da verdade, da justiça, da caridade, da compaixão. Uma grande exigência que nos trará a felicidade e a bênção.

segunda-feira, 27 de julho de 2015

INFORMAÇÃO PAROQUIAL


De 28 de Julho a 9 de Agosto - como é costume durante a Viagem Medieval - na Igreja Matriz, não haverá, nos dias da semana, a celebração habitual da Eucaristia. A Missa será celebrada somente nos fins-de-semana: Sábado – 1 e 8 de Agosto, às 18,30h;
Domingo – 2 e 9 de Agosto, às 8h e 19h.

BOAS FÉRIAS


O tempo de Verão é o mais escolhido para fazer um merecido tempo de férias. Há muita gente a deslocar-se: para as praias; para as aldeias natais; para o encontro das famílias; para repousar…
Os cristãos sabem viver esta possibilidade com civismo, alegria, partilha e festa. Que todos possam retornar à vida ‘normal’ cheios de frescura e vitalidade. Mas, não pode haver férias de Deus. Ele continua sempre presente na nossa vida e no nosso coração. Talvez fosse muito bom aproveitar este tempo de ócio para nos encontrarmos mais intimamente com o Senhor. O Domingo, o dia do Senhor, deve continuar a ser o ‘Dia do Senhor’ pela valorização do descanso, da participação na Eucaristia, do encontro familiar, da oração… Onde quer que cada um se encontre está Deus…
Boas férias para todos aqueles que podem ter férias.

PALAVRA DO PAPA FRANCISCO


- na oração do Angelus, no dia 19 de Julho de 2015, na Praça de São Pedro – Roma

Caros irmãos e irmãs, bom dia!

Vejo que tendes a coragem de estar na Praça com este calor. Parabéns!
O Evangelho de hoje recorda-nos que, depois da experiência da missão, os Apóstolos voltaram felizes mas também cansados. E Jesus, cheio de compreensão, deseja dar-lhes um pouco de alívio; então, retira-se com eles para um lugar deserto, a fim de que possam descansar um pouco (cf. Mc 6, 31). «Mas viram-nos partir e perceberam para onde iam... e assim precederam-nos» (v. 32). E nesta altura o evangelista oferece-nos uma imagem singularmente intensa de Jesus, «fotografando» por assim dizer os seus olhos e captando os sentimentos do seu Coração; assim diz o evangelista: «Ao descer da barca, Jesus viu uma grande multidão e compadeceu-se dela, porque eram como ovelhas sem pastor. E começou a ensinar-lhes muitas coisas» (v. 34).
Retomemos os três verbos deste fotograma sugestivo: ver, sentir compaixão, ensinar. Podemos denominá-los os verbos do Pastor. Ver, sentir compaixão, ensinar. O primeiro e o segundo, ver e sentir compaixão, estão sempre associados na atitude de Jesus: com efeito, o seu olhar não é de um sociólogo, nem de um repórter fotográfico, porque ele vê sempre com «os olhos do coração». Estes dois verbos, ver e sentir compaixão, configuram Jesus como Bom Pastor. Também a sua compaixão não é apenas um sentimento humano, mas constitui a comoção do Messias, no qual se fez carne a ternura de Deus. É desta compaixão que nasce o desejo de Jesus, de alimentar a multidão com o pão da sua Palavra, ou seja, de ensinar a Palavra de Deus ao povo. Jesus vê, Jesus sente compaixão, Jesus ensina-nos. Isto é bonito!
E pedi ao Senhor que o Espírito de Jesus, Bom Pastor, que este Espírito me guiasse durante a Viagem apostólica que nos dias passados realizei à América Latina, e que me permitiu visitar o Equador, a Bolívia e o Paraguai. Dou graças a Deus de todo o coração por esta dádiva, Agradeço aos povos destes três países a sua carinhosa e calorosa hospitalidade e entusiasmo. Renovo o meu reconhecimento às Autoridades daqueles países pelo seu acolhimento e pela sua colaboração. É com profundo afecto que agradeço aos meus irmãos Bispos, aos sacerdotes, às pessoas consagradas e a todas as populações, o entusiasmo com que participaram. Juntamente com estes irmãos e irmãs louvei ao Senhor pelas maravilhas que Ele realizou no Povo de Deus a caminho naquelas terras, pela fé que animou e anima a sua vida e a sua cultura. E pudemos louvá-lo inclusive pelas belezas naturais com as quais enriqueceu aqueles países. O Continente latino-americano possui enormes capacidades humanas e espirituais, preserva valores cristãos profundamente arraigados, mas vive também graves problemas sociais e económicos. A fim de contribuir para a sua solução, a Igreja está comprometida em mobilizar as forças espirituais e morais das suas comunidades, colaborando com todos os componentes da sociedade. Perante os grandes desafios que o anúncio do Evangelho deve enfrentar, convidei a haurir de Cristo Senhor a graça que salva e que confere força ao compromisso do testemunho cristão, a promover a propagação da Palavra de Deus, a fim de que a acentuada religiosidade daquelas populações possa constituir sempre um testemunho fiel do Evangelho.
À intercessão maternal da Virgem Maria, que toda a América Latina venera como Padroeira com o título de Nossa Senhora de Guadalupe, confio os frutos desta inesquecível Viagem apostólica. (cf. Santa Sé)

PARA REZAR


SALMO 144

Refrão: Vós abris, Senhor, a vossa mão e saciais a nossa fome.

Graças Vos dêem, Senhor, todas as criaturas
e bendigam-Vos os vossos fiéis.
Proclamem a glória do vosso reino
e anunciem os vossos feitos gloriosos.

 
Todos têm os olhos postos em Vós,
e a seu tempo lhes dais o alimento.
Abris as vossas mãos
e todos saciais generosamente.

 
O Senhor é justo em todos os seus caminhos
e perfeito em todas as suas obras.
O Senhor está perto de quantos O invocam,
de quantos O invocam em verdade.

SANTOS POPULARES


BEATOS LUÍS MATIN
E ZÉLIA GUÉRIN

Luís Martin nasceu em Bordéus - França, no dia 22 de Agosto de 1823. Era o terceiro dos cinco filhos de Maria Ana Boureau e de Pedro Francisco Martin, oficial do exército napoleónico. Depois do capitão Martin se ter reformado, a família foi morar em Alençon, em 1830, onde Luís foi educado com os Irmãos das Escolas Cristãs. Em 1842, Luís começou a aprender o ofício de relojoeiro. Durante três anos, esteve em Paris para aperfeiçoamento profissional, período em que frequentou, assiduamente, o santuário de Nossa Senhora das Vitórias. Por volta dos vinte anos, tentou ser admitido entre os cónegos regulares de Santo Agostinho do hospício do Grande São Bernardo nos Alpes suíços, mas não foi admitido por não saber latim. De volta a Alençon, instalou-se, em 1850, como relojoeiro e joalheiro. Tranquilo e piedoso, Luís dedicava-se, com afinco, ao trabalho e, nas horas livres, as suas principais actividades eram a pesca e as conversas com os jovens do Círculo Católico, fundado pelo seu amigo, Vital Romet.                                                          

Zélia Guérin nasceu no dia 23 de Dezembro de 1831, em Gandelain, na Normandia, e teve dois irmãos: Maria Luísa, dois anos mais velha, que aos 29 anos entrou para o Convento da Visitação de Mans, onde recebeu o nome de Irmã Maria Dositeia, e Isidoro, dez anos mais novo. Os seus pais, Luísa Joana Macè e Isidoro Guérin, rudes e severos, talvez não conseguissem traduzir em afecto o zelo que tinham para com os seus filhos. Zélia define a sua infância e a sua juventude como períodos “tristes como um sudário” Enquanto o irmão mais novo era alvo de todos os mimos, a ela e à irmã Maria Luísa - que seria ao longo da sua vida a sua grande conselheira espiritual - nunca foi permitido sequer brincar com bonecas. A família estabeleceu-se em Alençon, em 1844, após a reforma do pai de Zélia. Nesta cidade, Zélia estudou no convento da Adoração Perpétua, tendo sido sempre uma aluna excelente. Desde muito cedo, sentia-se inclinada à vida religiosa. Chegou a pedir a admissão nas Irmãs da Caridade de São Vicente de Paulo, mas a superiora julgou que ela não tinha vocação para o claustro. Quase a completar vinte anos, fez uma novena à Virgem Imaculada pedindo conselho para a escolha da profissão e teve a inspiração que a levou a tornar-se rendeira, especializando-se no famoso “Ponto de Alençon”. Habilidosa e empreendedora, aos 22 anos abriu, com a irmã, um pequeno atelier que se tornou famoso, graças à excelência dos produtos ali confeccionados. Zélia, com a receita da sua empresa, manteve toda a família, vendendo rendas para a alta sociedade parisiense.

O encontro entre os dois aconteceu em 1858, na ponte de São Leonardo, em Alençon. Ao ver Luís, Zélia percebeu distintamente que ele seria o homem da sua vida.
Após poucos meses de noivado, casam. Conduzem uma vida conjugal no seguimento do Evangelho, ritmada pela missa quotidiana, pela oração pessoal e comunitária, pela confissão frequente, pela participação na vida paroquial. Da sua união nascem nove filhos, quatro dos quais morrem prematuramente. Entre as cinco filhas que sobreviveram, está Teresa, a futura santa, que nasceu em 1873. As recordações da carmelita sobre os seus pais são uma fonte preciosa para compreender a sua santidade. A família Martin educou as suas filhas a tornar-se não só boas cristãs mas também honestas cidadãs. Aos 45 anos, Zélia recebe a terrível notícia de que tinha um tumor no seio. Viveu a doença com firme esperança cristã até à morte ocorrida em Agosto de 1877.
Com 54 anos, Luís teve de ocupar-se sozinho da família. A primogénita tem 17 anos e a última, Teresa, tem 4 e meio. Então, transferiu-se para Lisieux, onde morava o irmão de Zélia. Deste modo, as filhas receberam os cuidados da tia Celina. Entre os anos de 1882 e 1887, Luís acompanhou as três filhas ao Carmelo. O sacrifício maior para ele foi afastar-se de Teresa que entra para as carmelitas com apenas 15 anos. Luís foi atingido por uma enfermidade que o tornou inválido e que o levou à perda das faculdades mentais. Foi internado no sanatório de Caen. Morreu em Julho de 1894.
Foram beatificados pelo Papa Bento XVI, no dia 19 de Outubro de 2008.
A sua memória litúrgica celebra-se, respectivamente, no dia 29 de Julho e no dia 28 de Agosto.

 

terça-feira, 21 de julho de 2015

EM DESTAQUE:

 
 

ORDENAÇÕES NA SÉ
– PORTO

- homilia do Sr. Bispo,
D. António Francisco dos Santos,
no dia 12 de Julho

“… 1. “Vai, profeta, ao meu povo”(Am 7, 15). Assim nos diz a bela mensagem de Amós, hoje aqui recordada na primeira leitura. Amós não era profeta, nem filho de profeta. Era apenas pastor, habituado à vida simples dos campos, ao cuidado dos rebanhos e ao trabalho dos sicómoros. Para responder a Deus não reclamou direitos. Não usurpou pergaminhos antigos. Acolheu a surpresa do chamamento de Deus. Disse sim a Deus, sem pedir explicações acrescidas.
O mesmo chamamento sentiu Paulo, mais tarde. Também ele estranhou o modo e o momento do chamamento divino. Ia a caminho de Damasco. Levava consigo a missão de repor a ordem do judaísmo e de retirar os cristãos da cidade. Paulo percebeu que - neste encontro com Deus que intercetou o seu caminho - começava para ele uma vida totalmente nova.
O mesmo já se tinha passado com os discípulos de Jesus. Os doze mais próximos de Jesus, os apóstolos, acompanhavam Jesus, em permanência. Conheciam as mesmas aldeias e cidades, aprenderam os hábitos e ouviram os ensinamentos do Mestre. Agora começava para eles o tempo novo da missão. E os apóstolos partiram para onde Jesus os enviara. Realizaram obra notável aos seus próprios olhos. E regressaram felizes a contar a Jesus o bem realizado.
A Palavra de Deus, que hoje aqui escutamos, é para todos nós. Foi proclamada, rezada, contemplada e reflectida em todas as comunidades e celebrações da nossa diocese. Convenhamos, todavia, que nesta Sé Catedral, ela tem uma ressonância diferente e encontra como principais destinatários o Diogo, o Dinis e o Vítor, que vão ser ordenados diáconos, rumo ao presbiterado, e o João Emanuel, o José Joaquim, o Mário, o Prabesh, o André, o Igor e o Jorge, que vão ser ordenados presbíteros.

2. Partilho convosco, caríssimos ordinandos, a surpresa sempre nova de ser chamado pelo Senhor. Esta surpresa possui um contexto concreto com nome de pessoas, de lugares e de tempos, que Deus e vós conheceis.
Convido-vos, por isso, a agradecer-lhes o dom da vida, a graça da fé, a surpresa da vocação, o encanto do sonho e o caminho percorrido desde a família, às comunidades cristãs, aos Seminários e à Universidade Católica. Esta é uma hora de gratidão, que traduzo em oração, por vós, ao bom jeito de Paulo, na segunda leitura: “Bendito seja Deus porque vos abençoou em Cristo. N’Ele vos escolheu, antes da criação do mundo. Ele vos predestinou… e deu-vos a conhecer o mistério da sua vontade” ( Ef 1, 3-10).
Sede, a partir de hoje, profetas de Deus, para falar sempre e só em nome d’Ele. Sois voz de Deus. Sois, também, mãos de Deus, trabalhadores incansáveis deste encontro de Deus com o seu povo, alavancas de Deus que erguem o mundo e mesas de  Deus que multiplicam a fraternidade sempre que repartem o pão aos pobres.
O Senhor Jesus escolheu-vos para dardes continuidade à Sua missão de Mestre, de Sacerdote e de Pastor. Para isso, procurai ser livres, felizes e transparentes, na cor límpida da vossa alma; generosos no ardor missionário do vosso coração; serenos na obediência, que é fonte de comunhão com Deus e com a Igreja. Sede perseverantes na oração e na contemplação de Deus, porque aí mora o segredo da vossa fidelidade. A oração é, sempre, a escola do amor que sentimos por Deus, pelos outros, pelo mundo.
Vivei, com o presbitério diocesano ou na vossa Ordem e Congregação religiosas, a beleza da fraternidade; o gosto de ser sacerdotes com os outros e também para os outros; o encanto de seguir Jesus em companhia, não individualmente mas juntos, na variedade dos vossos dons, na beleza dos vossos carismas e na diversidade das vossas personalidades.
Peço para vós a paz, sempre, em tudo e com todos. Paz convosco, com Deus e com o povo a quem ides servir. Só a paz que Deus dá vence o medo, sustenta a eficácia, afirma a verdade e espelha a beleza da nossa missão.
Caminhai com o povo, caríssimos ordinandos, como profetas de Deus e como discípulos de Jesus, com simplicidade e com humildade. Deixai-vos trabalhar pela pedagogia pastoral que Jesus nos ensinou, agora renovada e continuada no horizonte alargado da missão. Esta é uma hora de bênção para a Igreja do Porto, para a Ordem Beneditina e para a Congregação dos Sacerdotes Dehonianos.
O Senhor cuida de nós. Só Ele basta. Ele acalenta os nossos sonhos e alivia os nossos cansaços. Ele nem sequer recusa lavar os nossos pés, para que diariamente possamos caminhar com novas forças. O Senhor lava-nos e purifica-nos, se recorrermos também nós à sua misericórdia. Vivei sem medo e sem culpas para servirdes na alegria o povo que Ele vos confiará. Deus estará convosco sempre até ao fim dos tempos.

3. Uma celebração de ordenações é sempre um convite a olhar em frente. Os primeiros dias de Julho são marcados, na Igreja do Porto, pela celebração do aniversário de muitas ordenações. Muitos sacerdotes têm vindo aqui a esta mesma Sé, reunidos à volta deste único altar, para recordar a hora primeira do seu ministério sacerdotal. Trazem consigo muita gratidão a esta Catedral e à Igreja que ela significa e congrega. Vêm sobretudo com o desejo de daqui repartirem para caminhar sempre em frente com o brilho do primeiro olhar e com as forças retemperadas para novos desígnios de missão. Agradeço-vos o bem que me tem feito este vosso testemunho, caríssimos irmãos sacerdotes do nosso presbitério do Porto.
Se olhardes e caminhardes em frente, também vós, caríssimos ordinandos, a exemplo de tantos que aqui foram ordenados, antes de vós, e que hoje vos acolhem em tão grande número, com tanto afecto e com expressiva beleza fraterna, encontrareis, como eles, a mesma alegria da missão recebida de Jesus.
Só é possível olhar em frente se partirmos do encontro pessoal com Jesus, vivo e ressuscitado, e nos deixarmos olhar pelo olhar de Deus. Peço-vos que, diariamente, façais experiência deste encontro com Cristo. E aí, neste encontro pessoal com Ele, diante do sacrário, ou na celebração da Eucaristia e dos outros sacramentos, nasce a disponibilidade para a missão, neste treino pastoral que faz de vós discípulos missionários, homens livres, generosos e felizes.

4. Sois ordenados diáconos e presbíteros para levardes a Alegria do Evangelho ao nosso mundo, tantas vezes triste e crispado. Anunciai a Alegria do Evangelho como mensagem válida, plena de novidade e de encanto. O mundo só muda quando se transformar por dentro.
A este esforço da humanidade e de transformação do mundo - concretamente no nosso País, a braços com inúmeras dificuldades, e na Europa, marcada por novos e inesperados conflitos e incertezas face ao futuro - é imprescindível o testemunho da sobriedade, da justiça, da solidariedade e da limpidez da alma cristã, nesta matriz cultural onde o futuro da Europa se deve enraizar de novo.
Queremos todos fazer da alegria, da esperança e da misericórdia a nossa missão não só inscrita no Plano diocesano de Pastoral anteontem apresentado para a nossa diocese mas impressa nos nossos pés para que deixemos marcas de rumo no caminho que percorremos. É esta suave alegria de evangelizar, a que o Papa Francisco nos vai habituando com nova linguagem e gestos proféticos, que queremos viver no Porto.
Desejamos partilhar a bênção deste dia com outras Igrejas vizinhas e irmãs que, também hoje, celebram Ordenações de novos presbíteros. Vivemos, igualmente, esta hora em comunhão com o Papa Francisco e acompanhamo-lo com a nossa oração e gratidão nesta corajosa visita pastoral à América Latina. O Papa Francisco foi ao encontro do seu continente natal para dizer que a alegria, a esperança e a misericórdia, nascidas no Evangelho das bem-aventuranças e concretizadas nas Obras de misericórdia podem mudar o mundo.

5. Um dia de ordenações abre caminho para a profecia, para a conversão de vidas por inteiro, para a certeza de que novos servidores da Alegria do Evangelho nascem em cada dia nas nossas comunidades. Esta é uma hora de esperança, de encanto e de empenho na pastoral vocacional na nossa Diocese e de gratidão pelo belo trabalho realizado pelos nossos Seminários.
Confio-vos, caríssimos ordinandos, assim como as vossas famílias, comunidades e Seminários a Nossa Senhora, Mãe de Deus e nossa Mãe. Ela, tudo pode, é Mãe de Deus! Ela, tudo deve, é nossa Mãe!
Ides receber, depois da ordenação e antes de partirdes em missão, a bênção de Deus, a bênção solene desta celebração. Peço-vos que me abençoeis também a mim e a esta amada Igreja do Porto…

PALAVRA DO PAPA FRANCISCO


- palavra dirigida aos jovens, na visita ao Paraguai, em Asunción, 12 de Julho de 2015

Queridos jovens!

Enche-me de alegria poder encontrar-me convosco, neste clima de festa: poder ouvir os vossos testemunhos e partilhar o vosso entusiasmo e o vosso amor a Jesus.
Obrigado, D. Ricardo Valenzuela, responsável da pastoral juvenil, pelas suas palavras! Obrigado, Manuel e Liz, pela coragem de partilhardes as vossas vidas, oferecendo o vosso testemunho neste encontro. Não é fácil falar das nossas coisas, e muito menos, ainda, diante de tantas pessoas. E vós partilhastes o vosso maior tesouro: as vossas vicissitudes, as vossas vidas e como Jesus, pouco a pouco, entrou nelas.
Para responder às vossas perguntas, gostaria de realçar algumas das coisas que partilhastes.
Manuel: falaste mais ou menos assim: «Hoje, sinto, muito profundamente, a vontade de servir os outros; tenho vontade de me vencer». Passaste por momentos muito difíceis; por situações muito dolorosas mas, hoje, tens grande desejo de servir, de sair, de partilhar a tua vida com os outros.
Liz: não é nada fácil ser mãe dos próprios pais, sobretudo quando se é jovem; mas que grande sabedoria e maturidade encerram as tuas palavras, quando nos dizias: «Hoje, jogo com ela, mudo-lhe as fraldas… Tudo isto, hoje, ofereço-o a Deus; e estou apenas a compensar o que a minha mãe fez por mim».
Vós, jovens paraguaios, sois corajosos de verdade.
Partilhastes, também, como conseguistes continuar; onde encontrastes forças. Na paróquia – dissestes ambos –, nos amigos da paróquia e nos retiros espirituais que lá se organizavam. Duas chaves muito importantes: os amigos e os retiros espirituais.
Os amigos. A amizade é um dos presentes maiores que uma pessoa, um jovem pode ter e pode oferecer. É verdade! Como é difícil viver sem amigos. Vede se esta não é uma das coisas mais belas que Jesus disse: «Chamei-vos amigos, porque vos dei a conhecer tudo o que ouvi a meu Pai» (Jo 15, 15). Um dos maiores segredos do cristão radica-se no facto de ser amigo, amigo de Jesus. Quando uma pessoa ama alguém, permanece a seu lado, cuida dele, ajuda-o, diz-lhe o que pensa, mas sem o deixar caído por terra. Assim faz Jesus connosco: nunca nos deixa caídos por terra. Os amigos apoiam-se, fazem-se companhia, protegem-se. Assim procede o Senhor connosco. Serve-nos de apoio.
Os retiros espirituais. Santo Inácio tem uma meditação famosa, chamada “das duas bandeiras”. Nela, descreve, por um lado, a bandeira do demónio e, por outro, a bandeira de Cristo. Seria como as camisolas de duas equipas; e pergunta-nos em qual delas gostaríamos de jogar. Com aquela meditação, leva-nos a imaginar como seria pertencer a uma ou a outra equipa. Seria como perguntar: Com quem queres jogar na vida? E, Santo Inácio diz que o demónio, para recrutar jogadores, promete - àqueles que jogam com ele - riqueza, honras, glória e poder. Serão famosos. Serão endeusados por todos.
No outro lado, apresenta-nos o jogo de Jesus. Não como algo fantástico. Jesus não nos apresenta uma vida de “estrelas”, famosos; pelo contrário, jogar com Ele é um convite à humildade, ao amor, ao serviço aos outros. Jesus não nos mente. Toma-nos a sério.
Na Bíblia, o demónio é chamado o pai da mentira. Ele prometia ou, melhor, fazia-te crer que, se fizesses certas coisas, serias feliz; mas depois dás-te conta de que não és nada feliz; foste atrás de algo que, longe de te dar a felicidade, fez-te sentir mais vazio, mais triste.
Amigos: o diabo, é um «vende fumaça». Promete-te, promete-te, mas não te dá nada; nunca cumpre nada do que diz. É um mau pagador. Faz-te desejar coisas que não dependem dele que tu as obtenhas ou não. Faz-te depositar a esperança em algo que nunca te fará feliz. Este é o seu jogo, esta é a sua estratégia: falar muito, oferecer muito e não fazer nada. É um grande «vende fumaça» porque tudo o que nos propõe é fruto da divisão, de nos compararmos com os outros, de pisar a cabeça aos outros para conseguirmos as nossas coisas. É um «vende fumaça» porque o único caminho para alcançar tudo isso é pôr de lado os teus amigos, não dar apoio a ninguém. Porque tudo se baseia na aparência. Faz-te crer que o teu valor depende de quanto possuis.
Do lado contrário, temos Jesus que nos oferece o seu jogo. Não nos vende fumaça; não nos promete, aparentemente, grandes coisas. Não nos diz que a felicidade está na riqueza, no poder, no orgulho. Antes pelo contrário, mostra-nos que o caminho é outro. Este “treinador” diz aos seus jogadores: bem-aventurados, felizes, os pobres em espírito, os que choram, os mansos, os que têm fome e sede de justiça, os misericordiosos, os puros de coração, os que trabalham pela paz, os perseguidos por causa da justiça. E conclui dizendo: Alegrai-vos com tudo isto.
Por que motivo? Porque Jesus não nos mente. Mostra-nos um caminho que é vida, que é verdade. Ele mesmo é a grande prova disso. É o seu estilo, a sua maneira de viver a existência, a amizade, a relação com o seu Pai. E a isto nos convida: a sentirmo-nos filhos, filhos amados.
Jesus não te vende fumaça. Porque sabe que a felicidade verdadeira, a felicidade que enche o coração, não está nos trapos que vestimos, nos sapatos que calçamos, na etiqueta de determinada marca. Ele sabe que a verdadeira felicidade encontra-se em sermos sensíveis, em aprender a chorar com os que choram, em aproximarmo-nos de quem está triste, em deixar chorar sobre o próprio ombro, em dar um abraço. Quem não sabe chorar, não sabe rir e, consequentemente, não sabe viver. Jesus sabe que, neste mundo de tanta concorrência, inveja e agressividade, a verdadeira felicidade passa por aprender a ser pacientes, a respeitar os outros, a não condenar nem julgar ninguém. Quem se irrita já perdeu: diz o ditado. Não abandoneis o vosso coração à ira, ao rancor. Felizes os que têm misericórdia. Felizes os que sabem colocar-se no lugar de outro, os que têm a capacidade de abraçar, de perdoar. Todos já experimentámos isto alguma vez. Todos, em determinados momentos, sentimo-nos perdoados: como é bom! É como reaver a vida, ter uma nova oportunidade. Não há nada mais belo do que ter nova oportunidade. É como se a vida voltasse a começar. Por isso, felizes aqueles que são portadores de nova vida, de novas oportunidades. Felizes os que trabalham para isso; aqueles que lutam para isso. Erros, todos cometemos; as equivocações, não têm conta. Por isso, felizes aqueles que são capazes de ajudar os outros a sair dos seus erros, das suas equivocações. São verdadeiros amigos e não deixam ninguém caído por terra. Os puros de coração são aqueles que, conseguindo ver mais além da simples nódoa, superam as dificuldades. Felizes aqueles que se fixam especialmente na parte boa dos outros.
Liz: tu nomeaste Chikitunga *, uma Serva de Deus paraguaia. Disseste que era como tua irmã, tua amiga, teu modelo. Ela, como muitos outros, mostra-nos que o caminho das bem-aventuranças é um caminho de plenitude, um caminho possível, real; que enche o coração. Os Santos são nossos amigos e modelos que já deixaram de jogar neste campo, mas transformaram-se naqueles jogadores indispensáveis para quem sempre se olha a fim de darmos o melhor de nós mesmos. Eles são a prova de que Jesus não é um «vende fumaça», mas que a sua proposta é mesmo de plenitude. Acima de tudo, é uma proposta de amizade: amizade verdadeira, amizade de que todos precisamos. Amigos, segundo o estilo de Jesus. Não para ficarmos entre nós, mas para sairmos pelo campo; irmos fazer mais amigos. Para contagiar, com a amizade de Jesus, toda a gente, onde quer que esteja: no trabalho, no estudo, na noitada, por whastapp, no facebook ou no twitter; quando saem para dançar, ou estão a tomar um bom tereré [Tereré é uma bebida típica sul-americana feita com a infusão da erva-mate em água fria. De origem guarani, pode ser consumido com limão, hortelã, entre outros - NR]; na praça ou jogando uma partida no campo do bairro. É aí que estão os amigos de Jesus. Não vendendo fumaça, mas dando apoio; o apoio de saber que somos felizes, porque temos um Pai que está no Céu.  (cf. Radiovaticano)

* [Nota da redacção: Maria Felicia Guggiari, conhecida como Chiquitunga (Chikitunga), nasceu em Villarrica, Paraguai, no dia 12 de Janeiro de 1925 e faleceu no dia 28 de Abril de 1959, com 34 anos de idade. Foi religiosa da Ordem das Carmelitas Descalças. O processo da sua beatificação foi iniciado em 13 de Dezembro de 1997 e a presença do Papa no Paraguai foi uma ocasião para que os fiéis gritassem seu nome, mostrassem as graças recebidas por sua intercessão e pedissem que fosse beatificada. Em 2010, o Papa Bento XVI reconheceu as "virtudes heróicas" desta religiosa e, por isso, é chamada “serva de Deus”.]

PARA REZAR


SALMO 22

Refrão: O Senhor é meu pastor: nada me faltará.

 
O Senhor é meu pastor: nada me falta.
Leva-me a descansar em verdes prados,
conduz-me às águas refrescantes
e reconforta a minha alma.

 
Ele me guia por sendas direitas por amor do seu nome.
Ainda que tenha de andar por vales tenebrosos,
não temerei nenhum mal, porque Vós estais comigo:
o vosso cajado e o vosso báculo me enchem de confiança.

 
Para mim preparais a mesa
à vista dos meus adversários;
com óleo me perfumais a cabeça,
e o meu cálice transborda.

 
A bondade e a graça hão-de acompanhar-me
todos os dias da minha vida,
e habitarei na casa do Senhor
para todo o sempre.

SANTOS POPULARES


SANTA BRÍGIDA DA SUÉCIA (relembrando…)
- na palavra do Papa Bento XVI, na Audiência-geral, na Praça de São Pedro - Roma, no dia 27 de Outubro de 2010  

“…Hoje, gostaria de vos falar de Santa Brígida; de apresentar a sua figura, a sua mensagem e os motivos pelos quais esta santa mulher tem muito a ensinar — ainda hoje — à Igreja e ao mundo.
Conhecemos bem os acontecimentos da vida de Santa Brígida, porque os seus padres espirituais redigiram a sua biografia, para promover o seu processo de canonização imediatamente depois da sua morte, ocorrida em 1373. Brígida nasceu setenta anos antes, em 1303, em Finster, na Suécia, uma nação do norte da Europa que, havia três séculos, tinha acolhido a fé cristã com o mesmo entusiasmo com que a Santa a recebera dos seus pais, pessoas muito piedosas, pertencentes a nobres famílias próximas da Casa reinante.
Podemos distinguir dois períodos na vida desta Santa.
O primeiro é caracterizado pela sua condição de mulher casada e feliz. O marido chamava-se Ulf e era governador de um importante distrito do Reino da Suécia. O matrimónio durou vinte e oito anos, até à morte de Ulf. Nasceram oito filhos, dos quais a segunda, Karin (Catarina), é venerada como Santa. Isto é um sinal eloquente do compromisso educativo de Brígida em relação aos seus próprios filhos. De resto, a sua sabedoria pedagógica foi apreciada a tal ponto, que o rei da Suécia, Magnus, a chamou à corte, por um certo período, com a finalidade de introduzir a sua jovem esposa, Bianca de Namur, na cultura sueca.
Brígida, espiritualmente guiada por um douto religioso que a iniciou no estudo das Escrituras, exerceu uma influência muito positiva sobre a própria família que, graças à sua presença, se tornou uma verdadeira «igreja doméstica». Juntamente com o marido, adoptou a Regra dos Terciários franciscanos. Praticava com generosidade obras de caridade em prol dos indigentes; fundou também um hospital. Ao lado da sua esposa, Ulf aprendeu a melhorar a sua índole e a progredir na vida cristã. Quando regressou de uma longa peregrinação a Santiago de Compostela, realizada em 1341, juntamente com outros membros da família, os cônjuges amadureceram o projecto de viver em continência; mas pouco tempo mais tarde, na paz de um mosteiro onde se tinha retirado, Ulf concluiu a sua vida terrena.
Este primeiro período da vida de Brígida ajuda-nos a apreciar aquela que hoje poderíamos definir uma autêntica «espiritualidade conjugal»: juntos, os cônjuges cristãos podem percorrer um caminho de santidade, sustentados pela graça do Sacramento do Matrimónio. Não poucas vezes, precisamente como aconteceu na vida de Santa Brígida e de Ulf, é a mulher que, com a sua sensibilidade religiosa, com a delicadeza e a docilidade consegue levar o marido a percorrer um caminho de fé. Penso com reconhecimento em muitas mulheres que, dia após dia, ainda hoje iluminam as próprias famílias com o seu testemunho de vida cristã. Possa o Espírito do Senhor suscitar também nos dias de hoje a santidade dos cônjuges cristãos, para mostrar ao mundo a beleza do matrimónio vivido segundo os valores do Evangelho: o amor, a ternura, a ajuda recíproca, a fecundidade na geração e na educação dos filhos, a abertura e a solidariedade para com o mundo e a participação na vida da Igreja.
Quando Brígida ficou viúva, teve início o segundo período da sua vida. Renunciou a outras bodas para aprofundar a união com o Senhor através da oração, da penitência e das obras de caridade. Portanto, também as viúvas cristãs podem encontrar nesta Santa um modelo a seguir. Com efeito, após a morte do marido, Brígida distribuiu os seus próprios bens aos pobres e, mesmo sem jamais aceder à consagração religiosa, estabeleceu-se no mosteiro cisterciense de Alvastra. Ali tiveram início as revelações divinas, que a acompanharam durante o resto da sua vida. Elas foram ditadas por Brígida aos seus secretários-confessores, que as traduziram do sueco para o latim e as reuniram numa edição de oito livros, intitulados Revelationes (Revelações). A estes livros acrescenta-se um suplemento, que tem como título precisamente Revelationes extravagantes (Revelações suplementares).
As Revelações de Santa Brígida apresentam um conteúdo e um estilo muito diversificados. Às vezes a revelação apresenta-se sob a forma de diálogos entre as Pessoas divinas, a Virgem, os Santos e até os demónios; diálogos em que também Brígida intervém. Outras vezes, ao contrário, trata-se da narração de uma visão particular; e noutras ainda narra-se aquilo que a Virgem Maria lhe revela acerca da vida e dos mistérios do Filho. O valor das Revelações de Santa Brígida, por vezes objecto de algumas dúvidas, foi especificado pelo Venerável  João Paulo II, na Carta Spes aedificandi: «A Igreja, ao reconhecer a santidade de Brígida, mesmo sem se pronunciar sobre cada uma das revelações, acolheu a autenticidade do conjunto da sua experiência interior» (n. 5).
Com efeito, lendo estas Revelações somos interpelados sobre muitos temas importantes. Por exemplo, volta-se a descrever frequentemente, com pormenores bastante realistas, a Paixão de Cristo, pela qual Brígida teve sempre uma devoção privilegiada, contemplando nela o amor infinito de Deus pelos homens. Nos lábios do Senhor que lhe fala, ela põe com audácia estas palavras comovedoras: «Ó, meus amigos, Eu amo tão ternamente as minhas ovelhas que, se fosse possível, gostaria de morrer muitas outras vezes, por cada uma delas, daquela mesma morte que padeci pela redenção de todas elas» (Revelationes, Livro I, C. 59). Também a dolorosa maternidade de Maria, que a tornou Mediadora e Mãe de misericórdia, é um argumento que aparece com frequência nas Revelações.
Ao receber estes carismas, Brígida estava consciente de ser destinatária de um dom de grande predilecção da parte do Senhor: «Minha filha — lemos no primeiro Livro das Revelações — Eu escolhi-te para mim; ama-me com todo o seu coração... mais do que tudo quanto existe no mundo» (c. 1). De resto, Brígida sabia bem, e disto estava firmemente convencida, que cada carisma está destinado a edificar a Igreja. Precisamente por este motivo, não poucas das suas revelações eram dirigidas, em forma de admoestações até severas, aos fiéis do seu tempo, também às Autoridades religiosas e políticas, a fim de que vivessem coerentemente a sua vida cristã; mas fazia isto sempre com uma atitude de respeito e de fidelidade integral ao Magistério da Igreja, de modo particular ao Sucessor do Apóstolo Pedro.
Em 1349, Brígida deixou para sempre a Suécia e veio em peregrinação a Roma. Não só tencionava participar no Jubileu de 1350, mas também desejava obter do Papa a aprovação da Regra de uma Ordem religiosa que ela queria fundar, intitulada ao Santo Salvador, e composta por monges e monjas sob a autoridade da abadessa. Trata-se de um elemento que não nos deve surpreender: na Idade Média existiam fundações monásticas com um ramo masculino e outro feminino, mas com a prática da mesma regra monástica, que previa a direcção de uma abadessa. Com efeito, na grande tradição cristã, à mulher são reconhecidos a própria dignidade e — sempre a exemplo de Maria, Rainha dos Apóstolos — o próprio lugar na Igreja que, sem coincidir com o sacerdócio ordenado, é igualmente importante para o crescimento espiritual da Comunidade. Além disso, a colaboração de consagrados e de consagradas, sempre no respeito pela sua vocação específica, tem uma grande importância no mundo contemporâneo.
Em Roma, acompanhada pela filha Karin, Brígida dedicou-se a uma vida de intenso apostolado e de oração. E de Roma partiu em peregrinação a vários santuários italianos, em particular a Assis, pátria de São Francisco, por quem Brígida nutriu sempre uma grande devoção. Finalmente, em 1371, coroou a sua maior aspiração: a viagem à Terra Santa, aonde foi em companhia dos seus filhos espirituais, um grupo ao qual Brígida chamava «os amigos de Deus».
Durante aqueles anos, os Pontífices encontravam-se em Avinhão, longe de Roma: Brígida dirigiu-se sentidamente a eles, a fim de que voltassem para a Sé de Pedro, na Cidade Eterna.
Faleceu em 1373, antes que o Papa Gregório XI tivesse voltado definitivamente para Roma. Foi sepultada provisoriamente na igreja romana de São Lourenço «in Panisperna», mas em 1374 os seus filhos Birger e Karin trasladaram-na para a pátria, para o mosteiro de Vadstena, sede da Ordem religiosa fundada por Santa Brígida, que conheceu imediatamente uma expansão notável. Em 1391 o Papa Bonifácio IX canonizou-a solenemente.
A santidade de Brígida, caracterizada pela multiplicidade dos dons e das experiências que eu quis recordar neste breve perfil biográfico-espiritual, faz dela uma figura eminente na história da Europa. Proveniente da Escandinávia, Santa Brígida testemunha como o cristianismo permeou profundamente a vida de todos os povos deste Continente. Declarando-a co-Padroeira da Europa, o Papa  João Paulo II fez votos por que Santa Brígida – que viveu no século XIV, quando a cristandade ocidental ainda não estava ferida pela divisão — possa interceder junto de Deus, para obter a graça tão almejada da plena unidade de todos os cristãos. Por esta mesma intenção - que é por nós muito desejada, e para que a Europa saiba alimentar-se sempre a partir das suas raízes cristãs - queremos rezar, caros irmãos e irmãs, invocando a poderosa intercessão de Santa Brígida da Suécia, discípula fiel de Deus e co-Padroeira da Europa. Obrigado pela atenção!...”
A memória litúrgica de Santa Brígida da Suécia faz-se no dia 23 de Julho.

 

segunda-feira, 13 de julho de 2015

EM DESTAQUE:



- APRESENTAÇÃO DO
PLANO PASTORAL
2015-2020
DA DIOCESE DO PORTO

        

- Mensagem do Bispo do Porto e seus Bispos Auxiliares

O Plano Pastoral 2015-2020, que aqui apresentamos e queremos para a nossa Diocese, tem por base uma nova perspetiva eclesial, ao ser projetado num horizonte de cinco anos: um Plano Pastoral com metas traçadas, objetivos definidos, caminhos propostos, atividades programadas.
Abre este Plano um novo horizonte pastoral de trabalho eclesial e afirma a importância de assumirmos, na corresponsabilidade pastoral, um espírito sinodal que a todos envolva, mobilize e coloque em permanente «estado de missão» (EG 25) e sempre em comunhão com a Igreja Universal, atentos ao Magistério do Papa Francisco.
Este Plano Pastoral procura dar rosto à «Alegria do Evangelho» de que fazemos «nossa missão». Este Plano quer assumir a «Alegria do Evangelho» no espírito evangélico das Bem-aventuranças (Mt 5,1-12), que Jesus proclamou e que se realizam sempre que vivemos as Obras de Misericórdia (Mt 25, 35-40).
Assim concebido, este Plano quinquenal tem necessariamente de se desdobrar em etapas anuais, através de um Plano Anual, de uma Programação para cada ano pastoral e de um Calendário Diocesano de Pastoral, que integrem os objetivos específicos, as áreas pastorais priorizadas, as atividades propostas e a sua forma de concretização em cada tempo.
O Plano Diocesano de Pastoral deve inspirar e nunca cercear a atividade e a criatividade das vigararias e paróquias, dos secretariados e serviços diocesanos, das comunidades religiosas e institutos de vida consagrada, dos movimentos e obras, das instituições e associações da Diocese.
À comunhão de todos, traduzida em unidade criativa, vivida com espírito sinodal e sentida no acolhimento dos sacerdotes, diáconos, consagrados e leigos da Diocese, se ficará a dever a eficácia e o dinamismo da nossa ação pastoral, procurando levar a todos os membros da Igreja diocesana e a tantos outros que vivem distantes da Igreja o anúncio feliz do Evangelho.
A elaboração do texto, agora apresentado, procurou integrar os contributos da reflexão feita nas várias sessões do Conselho Episcopal, do Cabido Portucalense, do Conselho Presbiteral, do Conselho Diocesano de Pastoral, nas reuniões de Vigários, assim como as sugestões recebidas dos secretariados e serviços diocesanos, das comunidades religiosas e dos movimentos apostólicos.
Um Plano Diocesano de Pastoral será tanto mais motivador de todos nós, sacerdotes, diáconos, consagrados e leigos, e mobilizador de todas as nossas  comunidades, quanto mais formos chamados a trabalhar na sua elaboração, a implicarmo-nos na sua redação, a sentirmo-nos envolvidos na sua realização e a sabermo-nos convocados para a sua avaliação.
Este envolvimento de todos foi uma bela experiência de vida da nossa Igreja diocesana e permitiu-nos descobrir e valorizar o sentido de corresponsabilidade eclesial que em todos encontramos. É muito o bem que na nossa Igreja diocesana se realiza e, por ela, está presente a vivificar o mundo do nosso tempo.
Neste contexto, merecem assim destaque especial as várias etapas de diálogo, de partilha, de comunhão e de programação, que percorremos com serenidade, alegria e benefício pastoral em todas as instâncias de corresponsabilidade diocesana. Acolhemos em cada momento vivido, e em cada etapa percorrida, neste  tempo de preparação do Plano Diocesano de Pastoral, o contributo de todos, para que agora, cada um pessoalmente e todos em conjunto, nos grupos, movimentos apostólicos e comunidades cristãs de que fazemos parte, nos deixemos guiar pelo Espírito de Deus e a missão da Igreja se cumpra no Porto, em cada tempo e em cada lugar.
É esta, por isso, mais uma bela etapa, que queremos percorrer, neste início do mês de julho, ao apresentarmos à Diocese o Plano Diocesano de Pastoral quinquenal, com uma concretização muito específica para o Ano Pastoral 2015-2016.
O Espírito Santo é a alma da Igreja e Seu grande e primeiro protagonista e, embora de maneira mais discreta, da sociedade humana. Ele é a fonte da novidade perene que, em cada geração, em cada tempo e em cada lugar, permanentemente nos encanta, surpreende, suscita e anima.
A Igreja, por si e em constante sintonia de fidelidade, procura corresponder às inspirações do Espírito Santo, promovendo as iniciativas que julga mais adequadas para cada tempo e lugar.
Deixaremos, pois, à inspiração do Espírito e à vontade de prosseguirmos o caminho agora iniciado, o trabalho de, numa gradualidade contínua, desenvolvermos este Plano Diocesano, segundo os temas desde já propostos e em ordem a alcançarmos os objetivos que sonhamos.
Estão em curso presentemente na Igreja, como é sabido, iniciativas, propostas e realizações de grande projeção, designadamente o Ano da Vida Consagrada, o Sínodo da Família e o Jubileu da Misericórdia. O Ano da Vida Consagrada iniciou-se no primeiro domingo do Advento do presente ano litúrgico e prolongar-se-á até ao próximo dia 2 de fevereiro de 2016. O Sínodo da Família teve uma primeira sessão, a Assembleia Extraordinária em outubro de 2014 e preparamos agora a Assembleia Ordinária a decorrer em Roma, de 4 a 25 de outubro próximo.
O Jubileu da Misericórdia, anunciado pelo Papa Francisco, a 13 de março passado, no segundo aniversário da sua eleição, foi convocado pela Bula “Misericordiae Vultus”, no passado dia 11 de abril, Domingo da Misericórdia, e decorrerá de 8 de dezembro deste ano até ao domingo de Cristo Rei, a 20 de novembro de 2016.
Constituem estes acontecimentos três acrescidas razões para vivermos uma comunhão intensa com o Papa Francisco, a quem se devem estas iniciativas e realizações da Igreja. Agradecemos a Deus o dom da vida consagrada e as 109 comunidades religiosas presentes na nossa Diocese e tantas formas de vida consagrada no meio do mundo, assim como as muitas vocações para a vida sacerdotal, religiosa e missionária, nascidas neste chão fecundo da Igreja do Porto. Queremos acompanhar pela oração, pela reflexão do texto agora publicado, no “Instrumento de Trabalho” do próximo Sínodo, e pela abertura às orientações do Magistério da Igreja, tudo quanto à família se deve nestes tempos. Urge afirmar a beleza da família e o valor do matrimónio e do amor, mas também saber acolher, acompanhar e integrar as famílias que vivem horas de sofrimento ou de rutura.
Queremos dar ao Jubileu da Misericórdia espaço na nossa vida, no nosso coração e na nossa ação, para que sejamos protagonistas da Misericórdia, como filhos do Deus da Misericórdia, discípulos missionários desse Jesus, que é o «rosto da Misericórdia», e presenças atuantes de uma Igreja, Mãe de Misericórdia.
A alegria, a esperança e a misericórdia serão o motor e a força propulsora, que nos conduzirão ao longo deste Plano Diocesano de Pastoral.
Progredindo no conhecimento e no amor à Palavra de Deus e centrando-nos sempre no encontro pessoal com Jesus Cristo, em quem Deus e o homem se unem em admirável harmonia, formando uma só pessoa, queremos viver o próximo quinquénio pastoral, sob o impulso renovador da alegria do Evangelho, da esperança cristã e da misericórdia divina, que possam abrir-nos a um caminho sinodal e a uma experiência viva de uma Igreja que faz da alegria, da esperança e da misericórdia o seu caminho diário.
O mundo de hoje precisa deste testemunho contagiante da alegria, da esperança e da misericórdia. Ao fazermos da alegria do Evangelho a nossa missão, da esperança cristã a presença irradiante que renova e anima, e da misericórdia o rosto terno e materno da Igreja, estamos a traduzir as bem-aventuranças do Evangelho para o nosso tempo, para que a Igreja do Porto seja pátria das bem-aventuranças.
Que Nossa Senhora de Vandoma e da Assunção, Senhora da Alegria, Estrela da Esperança e Mãe de Misericórdia, que veio trazer em Fátima um convite à oração e à reparação do mal e do pecado, e uma mensagem de esperança e de paz, abençoe e proteja, guie e acompanhe, com a Sua ternura de Mãe, a Igreja do Porto.

Porto, 24 de junho, na Solenidade litúrgica do nascimento de S. João Batista, do ano de 2015.
D. António Francisco dos Santos, Bispo do Porto
D. António Taipa, Bispo Auxiliar do Porto
D. João Lavrador, Bispo Auxiliar do Porto
D. Pio Alves, Bispo Auxiliar do Porto 
(cf. Diocese do Porto)

PALAVRA DO PAPA FRANCISCO


- do discurso aos Movimentos Populares reunidos na Bolívia, em Santa Cruz – Expo Feira, 9 de Julho de 2015

Boa tarde a todos!
Há alguns meses, reunimo-nos em Roma e não esqueço aquele nosso primeiro encontro. Durante este tempo, trouxe-vos no meu coração e nas minhas orações. Alegra-me vê-vos de novo aqui, debatendo os melhores caminhos para superar as graves situações de injustiça que padecem os excluídos em todo o mundo. Obrigado Senhor Presidente Evo Morales, por sustentar tão decididamente este Encontro.
Então, em Roma, senti algo muito belo: fraternidade, paixão, entrega, sede de justiça. Hoje, em Santa Cruz de la Sierra, volto a sentir o mesmo. Obrigado! Soube também, pelo Pontifício Conselho «Justiça e Paz» presidido pelo Cardeal Turkson, que são muitos na Igreja aqueles que se sentem mais próximos dos movimentos populares. Muito me alegro por isso! Ver a Igreja com as portas abertas a todos vós, que se envolve, acompanha e consegue sistematizar em cada diocese, em cada comissão «Justiça e Paz», uma colaboração real, permanente e comprometida com os movimentos populares. Convido-vos a todos, bispos, sacerdotes e leigos, juntamente com as organizações sociais das periferias urbanas e rurais a aprofundar este encontro.
Deus permitiu que nos voltássemos a ver hoje. A Bíblia lembra-nos que Deus escuta o clamor do seu povo e também eu quero voltar a unir a minha voz à vossa: terra, tecto e trabalho para todos os nossos irmãos e irmãs. Disse-o e repito: são direitos sagrados. Vale a pena, vale a pena lutar por eles. Que o clamor dos excluídos seja escutado na América Latina e em toda a terra.

1. Comecemos por reconhecer que precisamos duma mudança. Quero esclarecer, para que não haja mal-entendidos, que falo dos problemas comuns de todos os latino-americanos e, em geral, de toda a humanidade. Problemas que têm uma matriz global e que actualmente nenhum Estado pode resolver por si mesmo. Feito este esclarecimento, proponho que nos coloquemos estas perguntas:
- Reconhecemos nós que as coisas não andam bem num mundo onde há tantos camponeses sem terra, tantas famílias sem tecto, tantos trabalhadores sem direitos, tantas pessoas feridas na sua dignidade?
- Reconhecemos nós que as coisas não andam bem, quando explodem tantas guerras sem sentido e a violência fratricida se apodera até dos nossos bairros? Reconhecemos nós que as coisas não andam bem, quando o solo, a água, o ar e todos os seres da criação estão sob ameaça constante?
Então digamo-lo sem medo: Precisamos e queremos uma mudança.
Nas vossas cartas e nos nossos encontros, relataram-me as múltiplas exclusões e injustiças que sofrem em cada actividade laboral, em cada bairro, em cada território. São tantas e tão variadas como muitas e diferentes são as formas próprias de as enfrentar. Mas há um elo invisível que une cada uma destas exclusões: conseguimos nós reconhecê-lo? É que não se trata de questões isoladas. Pergunto-me se somos capazes de reconhecer que estas realidades destrutivas correspondem a um sistema que se tornou global. Reconhecemos nós que este sistema impôs a lógica do lucro a todo o custo, sem pensar na exclusão social nem na destruição da natureza?

Se é assim – insisto – digamo-lo sem medo: Queremos uma mudança, uma mudança real, uma mudança de estruturas. Este sistema é insuportável: não o suportam os camponeses, não o suportam os trabalhadores, não o suportam as comunidades, não o suportam os povos... E nem sequer o suporta a Terra, a irmã Mãe Terra, como dizia São Francisco.
Queremos uma mudança nas nossas vidas, nos nossos bairros, no vilarejo, na nossa realidade mais próxima; mas uma mudança que toque também o mundo inteiro, porque hoje a interdependência global requer respostas globais para os problemas locais. A globalização da esperança, que nasce dos povos e cresce entre os pobres, deve substituir esta globalização da exclusão e da indiferença.
Hoje quero reflectir convosco sobre a mudança que queremos e precisamos. Como sabem, recentemente escrevi sobre os problemas da mudança climática. Mas, desta vez, quero falar duma mudança noutro sentido. Uma mudança positiva, uma mudança que nos faça bem, uma mudança – poderíamos dizer – redentora. Porque é dela que precisamos. Sei que buscais uma mudança e não apenas vós: nos diferentes encontros, nas várias viagens, verifiquei que há uma expectativa, uma busca forte, um anseio de mudança em todos os povos do mundo. Mesmo dentro da minoria cada vez mais reduzida que pensa sair beneficiada deste sistema, reina a insatisfação e sobretudo a tristeza. Muitos esperam uma mudança que os liberte desta tristeza individualista que escraviza.

O tempo, irmãos e irmãs, o tempo parece exaurir-se; já não nos contentamos com lutar entre nós, mas chegamos até a assanhar-nos contra a nossa casa. Hoje, a comunidade científica aceita aquilo que os pobres já há muito denunciam: estão a produzir-se danos talvez irreversíveis no ecossistema. Está-se a castigar a terra, os povos e as pessoas de forma quase selvagem. E por trás de tanto sofrimento, tanta morte e destruição, sente-se o cheiro daquilo que Basílio de Cesareia chamava «o esterco do diabo»: reina a ambição desenfreada de dinheiro. O serviço ao bem comum fica em segundo plano. Quando o capital se torna um ídolo e dirige as opções dos seres humanos, quando a avidez do dinheiro domina todo o sistema socioecónomico, arruína a sociedade, condena o homem, transforma-o em escravo, destrói a fraternidade inter-humana, faz lutar povo contra povo e até, como vemos, põe em risco esta nossa casa comum.
Não quero alongar-me na descrição dos efeitos malignos desta ditadura subtil: vós conhecei-los! Mas também não basta assinalar as causas estruturais do drama social e ambiental contemporâneo. Sofremos de um certo excesso de diagnóstico, que às vezes nos leva a um pessimismo charlatão ou a rejubilar com o negativo. Ao ver a crónica negra de cada dia, pensamos que não haja nada que se possa fazer para além de cuidar de nós mesmos e do pequeno círculo da família e dos amigos.
Que posso fazer eu, recolhedor de papelão, catador de lixo, limpador, reciclador, frente a tantos problemas, se mal ganho para comer? Que posso fazer eu, artesão, vendedor ambulante, carregador, trabalhador irregular, se não tenho sequer direitos laborais? Que posso fazer eu, camponesa, indígena, pescador que dificilmente consigo resistir à propagação das grandes corporações? Que posso fazer eu, a partir da minha comunidade, do meu barraco, da minha povoação, da minha favela, quando sou diariamente discriminado e marginalizado? Que pode fazer aquele estudante, aquele jovem, aquele militante, aquele missionário que atravessa as favelas e os paradeiros com o coração cheio de sonhos, mas quase sem nenhuma solução para os meus problemas? Muito! Podem fazer muito. Vós, os mais humildes, os explorados, os pobres e excluídos, podeis e fazeis muito. Atrevo-me a dizer que o futuro da humanidade está, em grande medida, nas vossas mãos, na vossa capacidade de vos organizar e promover alternativas criativas na busca diária dos “3 T” (trabalho, tecto, terra), e também na vossa participação como protagonistas nos grandes processos de mudança nacionais, regionais e mundiais. Não se acanhem!

2. Vós sois semeadores de mudança. Aqui, na Bolívia, ouvi uma frase de que gosto muito: «processo de mudança». A mudança concebida, não como algo que um dia chegará porque se impôs esta ou aquela opção política ou porque se estabeleceu esta ou aquela estrutura social. Sabemos, amargamente, que uma mudança de estruturas, que não seja acompanhada por uma conversão sincera das atitudes e do coração, acaba a longo ou curto prazo por burocratizar-se, corromper-se e sucumbir. Por isso gosto tanto da imagem do processo, onde a paixão por semear, por regar serenamente o que outros verão florescer, substitui a ansiedade de ocupar todos os espaços de poder disponíveis e de ver resultados imediatos. Cada um de nós é apenas uma parte de um todo complexo e diversificado interagindo no tempo: povos que lutam por uma afirmação, por um destino, por viver com dignidade, por «viver bem».
Vós, a partir dos movimentos populares, assumis as tarefas comuns motivados pelo amor fraterno, que se rebela contra a injustiça social. Quando olhamos o rosto dos que sofrem, o rosto do camponês ameaçado, do trabalhador excluído, do indígena oprimido, da família sem tecto, do imigrante perseguido, do jovem desempregado, da criança explorada, da mãe que perdeu o seu filho num tiroteio porque o bairro foi tomado pelo narcotráfico, do pai que perdeu a sua filha porque foi sujeita à escravidão; quando recordamos estes «rostos e nomes» estremecem-nos as entranhas diante de tanto sofrimento e comovemo-nos…. Porque «vimos e ouvimos», não a fria estatística, mas as feridas da humanidade dolorida, as nossas feridas, a nossa carne. Isto é muito diferente da teorização abstracta ou da indignação elegante. Isto comove-nos, move-nos e procuramos o outro para nos movermos juntos. Esta emoção feita acção comunitária é incompreensível apenas com a razão: tem um ‘plus’ de sentido que só os povos entendem e que confere a sua mística particular aos verdadeiros movimentos populares.

Vós viveis, cada dia, imersos na crueza da tormenta humana. Falastes-me das vossas causas, partilhastes comigo as vossas lutas. E agradeço-vos. Queridos irmãos, muitas vezes trabalhais no insignificante, no que aparece ao vosso alcance, na realidade injusta que vos foi imposta e a que não vos resignais opondo uma resistência activa ao sistema idólatra que exclui, degrada e mata. Vi-vos trabalhar incansavelmente pela terra e a agricultura camponesa, pelos vossos territórios e comunidades, pela dignificação da economia popular, pela integração urbana das vossas favelas e agrupamentos, pela auto-construção de moradias e o desenvolvimento das infra-estruturas do bairro e em muitas actividades comunitárias que tendem à reafirmação de algo tão elementar e inegavelmente necessário como o direito aos “3 T”: terra, tecto e trabalho.
Este apego ao bairro, à terra, ao território, à profissão, à corporação, este reconhecer-se no rosto do outro, esta proximidade no dia-a-dia, com as suas misérias e os seus heroísmos quotidianos, é o que permite realizar o mandamento do amor, não a partir de ideias ou conceitos, mas a partir do genuíno encontro entre pessoas, porque não se amam os conceitos nem as ideias; amam-se as pessoas. A entrega, a verdadeira entrega nasce do amor pelos homens e mulheres, crianças e idosos, vilarejos e comunidades... Rostos e nomes que enchem o coração. A partir destas sementes de esperança semeadas pacientemente nas periferias esquecidas do planeta, destes rebentos de ternura que lutam por subsistir na escuridão da exclusão, crescerão grandes árvores, surgirão bosques densos de esperança para oxigenar este mundo.
Vejo, com alegria, que trabalhais no que aparece ao vosso alcance, cuidando dos rebentos; mas, ao mesmo tempo, com uma perspectiva mais ampla, protegendo o arvoredo. Trabalhais numa perspectiva que não só aborda a realidade sectorial que cada um de vós representa e na qual felizmente está enraizada, mas procurais também resolver, na sua raiz, os problemas gerais de pobreza, desigualdade e exclusão.
Felicito-vos por isso. É imprescindível que, a par da reivindicação dos seus legítimos direitos, os povos e as suas organizações sociais construam uma alternativa humana à globalização exclusiva. Vós sois semeadores de mudança. Que Deus vos dê coragem, alegria, perseverança e paixão para continuar a semear. Podeis ter a certeza de que, mais cedo ou mais tarde, vamos ver os frutos. Peço aos dirigentes: sede criativos e nunca percais o apego às coisas próximas, porque o pai da mentira sabe usurpar palavras nobres, promover modas intelectuais e adoptar posições ideológicas, mas se construirdes sobre bases sólidas, sobre as necessidades reais e a experiência viva dos vossos irmãos, dos camponeses e indígenas, dos trabalhadores excluídos e famílias marginalizadas, de certeza não vos equivocareis.

A Igreja não pode nem deve ser alheia a este processo no anúncio do Evangelho. Muitos sacerdotes e agentes pastorais realizam uma tarefa imensa acompanhando e promovendo os excluídos em todo o mundo, ao lado de cooperativas, dando impulso a empreendimentos, construindo casas, trabalhando abnegadamente nas áreas da saúde, desporto e educação. Estou convencido de que a cooperação amistosa com os movimentos populares pode robustecer estes esforços e fortalecer os processos de mudança.
No coração, tenhamos sempre a Virgem Maria, uma jovem humilde duma pequena aldeia perdida na periferia dum grande império, uma mãe sem tecto que soube transformar um curral de animais na casa de Jesus com uns pobres paninhos e uma montanha de ternura. Maria é sinal de esperança para os povos que sofrem dores de parto até que brote a justiça. Rezo à Virgem do Carmo, padroeira da Bolívia, para fazer com que este nosso Encontro seja fermento de mudança.

3. Por último, gostaria que reflectíssemos, juntos, sobre algumas tarefas importantes neste momento histórico, pois queremos uma mudança positiva em benefício de todos os nossos irmãos e irmãs. Disto estamos certos! Queremos uma mudança que se enriqueça com o trabalho conjunto de governos, movimentos populares e outras forças sociais. Sabemos isto também! Mas não é tão fácil definir o conteúdo da mudança, ou seja, o programa social que reflicta este projecto de fraternidade e justiça que esperamos. Neste sentido, não esperem uma receita deste Papa. Nem o Papa nem a Igreja têm o monopólio da interpretação da realidade social e da proposta de soluções para os problemas contemporâneos. Atrever-me-ia a dizer que não existe uma receita. A história é construída pelas gerações que se vão sucedendo no horizonte de povos que avançam individuando o próprio caminho e respeitando os valores que Deus colocou no coração.

Gostaria, no entanto, de vos propor três grandes tarefas que requerem a decisiva contribuição do conjunto dos movimentos populares:

3.1 A primeira tarefa é pôr a economia ao serviço dos povos.

Os seres humanos e a natureza não devem estar ao serviço do dinheiro. Digamos NÃO a uma economia de exclusão e desigualdade, onde o dinheiro reina em vez de servir. Esta economia mata. Esta economia exclui. Esta economia destrói a Mãe Terra.
A economia não deveria ser um mecanismo de acumulação, mas a condigna administração da casa comum. Isto implica cuidar zelosamente da casa e distribuir adequadamente os bens entre todos. A sua finalidade não é unicamente garantir o alimento ou um «decoroso sustento». Não é sequer, embora fosse já um grande passo, garantir o acesso aos “3 T” pelos quais combateis. Uma economia verdadeiramente comunitária – poder-se-ia dizer, uma economia de inspiração cristã – deve garantir aos povos dignidade, «prosperidade e civilização em seus múltiplos aspectos». Isto envolve os “3 T” mas também acesso à educação, à saúde, à inovação, às manifestações artísticas e culturais, à comunicação, ao desporto e à recreação. Uma economia justa deve criar as condições para que cada pessoa possa gozar duma infância sem privações, desenvolver os seus talentos durante a juventude, trabalhar com plenos direitos durante os anos de actividade e ter acesso a uma digna aposentação na velhice. É uma economia onde o ser humano, em harmonia com a natureza, estrutura todo o sistema de produção e distribuição de tal modo que as capacidades e necessidades de cada um encontrem um apoio adequado no ser social. Vós – e outros povos também – resumis este anseio duma maneira simples e bela: «viver bem».
Esta economia é não apenas desejável e necessária, mas também possível. Não é uma utopia, nem uma fantasia. É uma perspectiva extremamente realista. Podemos consegui-la. Os recursos disponíveis no mundo, fruto do trabalho intergeneracional dos povos e dos dons da criação, são mais que suficientes para o desenvolvimento integral de «todos os homens e do homem todo». Mas o problema é outro. Existe um sistema com outros objectivos. Um sistema que, apesar de acelerar irresponsavelmente os ritmos da produção, apesar de implementar métodos na indústria e na agricultura que sacrificam a Mãe Terra na ara da «produtividade», continua a negar a milhares de milhões de irmãos os mais elementares direitos económicos, sociais e culturais. Este sistema atenta contra o projecto de Jesus.

A justa distribuição dos frutos da terra e do trabalho humano não é mera filantropia. É um dever moral. Para os cristãos, o encargo é ainda mais forte: é um mandamento. Trata-se de devolver aos pobres e às pessoas o que lhes pertence. O destino universal dos bens não é um adorno retórico da doutrina social da Igreja. É uma realidade anterior à propriedade privada. A propriedade, sobretudo quando afecta os recursos naturais, deve estar sempre em função das necessidades das pessoas. E estas necessidades não se limitam ao consumo. Não basta deixar cair algumas gotas, quando os pobres agitam este copo que, por si só, nunca derrama. Os planos de assistência que acodem a certas emergências deveriam ser pensados apenas como respostas transitórias. Nunca poderão substituir a verdadeira inclusão: a inclusão que dá o trabalho digno, livre, criativo, participativo e solidário.
Neste caminho, os movimentos populares têm um papel essencial, não apenas exigindo e reclamando, mas fundamentalmente criando. Vós sois poetas sociais: criadores de trabalho, construtores de casas, produtores de alimentos, sobretudo para os descartados pelo mercado global.
Conheci de perto várias experiências, onde os trabalhadores, unidos em cooperativas e outras formas de organização comunitária, conseguiram criar trabalho onde só havia sobras da economia idólatra. As empresas recuperadas, as feiras francas e as cooperativas de catadores de papelão são exemplos desta economia popular que surge da exclusão e que pouco a pouco, com esforço e paciência, adopta formas solidárias que a dignificam. Quão diferente é isto do facto de os descartados pelo mercado formal serem explorados como escravos!
Os governos que assumem como própria a tarefa de colocar a economia ao serviço das pessoas devem promover o fortalecimento, melhoria, coordenação e expansão destas formas de economia popular e produção comunitária. Isto implica melhorar os processos de trabalho, prover de adequadas infra-estruturas e garantir plenos direitos aos trabalhadores deste sector alternativo. Quando Estado e organizações sociais assumem, juntos, a missão dos “3 T”, activam-se os princípios de solidariedade e subsidiariedade que permitem construir o bem comum numa democracia plena e participativa.

3.2 A segunda tarefa é unir os nossos povos no caminho da paz e da justiça.

Os povos do mundo querem ser artífices do seu próprio destino. Querem caminhar em paz para a justiça. Não querem tutelas nem interferências, onde o mais forte subordina o mais fraco. Querem que a sua cultura, o seu idioma, os seus processos sociais e tradições religiosas sejam respeitados. Nenhum poder efectivamente constituído tem direito de privar os países pobres do pleno exercício da sua soberania e, quando o fazem, vemos novas formas de colonialismo que afectam seriamente as possibilidades de paz e justiça, porque «a paz funda-se não só no respeito pelos direitos do homem, mas também no respeito pelo direito dos povos, sobretudo o direito à independência».
Os povos da América Latina alcançaram, com um parto doloroso, a sua independência política e, desde então, viveram já quase dois séculos duma história dramática e cheia de contradições procurando conquistar uma independência plena.
Nos últimos anos, depois de tantos mal-entendidos, muitos países latino-americanos viram crescer a fraternidade entre os seus povos. Os governos da região juntaram seus esforços para fazer respeitar a sua soberania, a de cada país e a da região como um todo que, de forma muito bela como faziam os nossos antepassados, chamam a «Pátria Grande». Peço-vos, irmãos e irmãs dos movimentos populares, que cuidem e façam crescer esta unidade. É necessário manter a unidade contra toda a tentativa de divisão, para que a região cresça em paz e justiça.
Apesar destes avanços, ainda subsistem factores que atentam contra este desenvolvimento humano equitativo e coarctam a soberania dos países da «Pátria Grande» e doutras latitudes do Planeta. O novo colonialismo assume variadas fisionomias. Às vezes, é o poder anónimo do ídolo dinheiro: corporações, credores, alguns tratados denominados «de livre comércio» e a imposição de medidas de «austeridade» que sempre apertam o cinto dos trabalhadores e dos pobres. Os bispos latino-americanos denunciam-no muito claramente, no documento de Aparecida, quando afirmam que «as instituições financeiras e as empresas transnacionais se fortalecem ao ponto de subordinar as economias locais, sobretudo debilitando os Estados, que aparecem cada vez mais impotentes para levar adiante projetos de desenvolvimento a serviço de suas populações». Noutras ocasiões, sob o nobre disfarce da luta contra a corrupção, o narcotráfico ou o terrorismo – graves males dos nossos tempos que requerem uma acção internacional coordenada – vemos que se impõem aos Estados medidas que pouco têm a ver com a resolução de tais problemáticas e muitas vezes tornam as coisas piores.
Da mesma forma, a concentração monopolista dos meios de comunicação social que pretende impor padrões alienantes de consumo e certa uniformidade cultural é outra das formas que adopta o novo colonialismo. É o colonialismo ideológico. Como dizem os bispos da África, muitas vezes pretende-se converter os países pobres em «peças de um mecanismo, partes de uma engrenagem gigante».
Temos de reconhecer que nenhum dos graves problemas da humanidade pode ser resolvido sem a interacção dos Estados e dos povos a nível internacional. Qualquer acto de envergadura realizado numa parte do Planeta repercute-se no todo em termos económicos, ecológicos, sociais e culturais. Até o crime e a violência se globalizaram. Por isso, nenhum governo pode actuar à margem duma responsabilidade comum. Se queremos realmente uma mudança positiva, temos de assumir humildemente a nossa interdependência. Mas interacção não é sinónimo de imposição, não é subordinação de uns em função dos interesses dos outros. O colonialismo, novo e velho, que reduz os países pobres a meros fornecedores de matérias-primas e mão-de-obra barata, gera violência, miséria, emigrações forçadas e todos os males que vêm juntos... precisamente porque, ao pôr a periferia em função do centro, nega-lhes o direito a um desenvolvimento integral. Isto é desigualdade, e a desigualdade gera violência que nenhum recurso policial, militar ou dos serviços secretos será capaz de deter.
Digamos NÃO às velhas e novas formas de colonialismo. Digamos SIM ao encontro entre povos e culturas. Bem-aventurados os que trabalham pela paz.
Aqui quero deter-me num tema importante. É que alguém poderá, com direito, dizer: «Quando o Papa fala de colonialismo, esquece-se de certas acções da Igreja». Com pesar, vo-lo digo: Cometeram-se muitos e graves pecados contra os povos nativos da América, em nome de Deus. Reconheceram-no os meus antecessores, afirmou-o o CELAM e quero reafirmá-lo eu também. Como São João Paulo II, peço que a Igreja «se ajoelhe diante de Deus e implore o perdão para os pecados passados e presentes dos seus filhos». E eu quero dizer-vos, quero ser muito claro, como foi São João Paulo II: Peço humildemente perdão, não só para as ofensas da própria Igreja, mas também para os crimes contra os povos nativos durante a chamada conquista da América.

Peço-vos também a todos, crentes e não crentes, que se recordem de tantos bispos, sacerdotes e leigos que pregaram e pregam a boa nova de Jesus com coragem e mansidão, respeito e em paz; que, na sua passagem por esta vida, deixaram impressionantes obras de promoção humana e de amor, pondo-se muitas vezes ao lado dos povos indígenas ou acompanhando os próprios movimentos populares mesmo até ao martírio. A Igreja, os seus filhos e filhas, fazem parte da identidade dos povos na América Latina. Identidade que alguns poderes, tanto aqui como noutros países, se empenham por apagar, talvez porque a nossa fé é revolucionária, porque a nossa fé desafia a tirania do ídolo dinheiro. Hoje vemos, com horror, como no Médio Oriente e noutros lugares do mundo se persegue, tortura, assassina a muitos irmãos nossos pela sua fé em Jesus. Isto também devemos denunciá-lo: dentro desta terceira guerra mundial em parcelas que vivemos, há uma espécie de genocídio em curso que deve cessar.
Aos irmãos e irmãs do movimento indígena latino-americano, deixem-me expressar a minha mais profunda estima e felicitá-los por procurarem a conjugação dos seus povos e culturas segundo uma forma de convivência, a que eu chamo poliédrica, onde as partes conservam a sua identidade construindo, juntas, uma pluralidade que não atenta contra a unidade, mas fortalece-a. A sua procura desta interculturalidade que conjuga a reafirmação dos direitos dos povos nativos com o respeito à integridade territorial dos Estados enriquece-nos e fortalece-nos a todos.

3.3 A terceira tarefa, e talvez a mais importante que devemos assumir hoje, é defender a Mãe Terra.

A casa comum de todos nós está a ser saqueada, devastada, vexada impunemente. A covardia em defendê-la é um pecado grave. Vemos, com crescente decepção, sucederem-se, uma após outra, cimeiras internacionais sem qualquer resultado importante. Existe um claro, definitivo e inadiável imperativo ético de actuar que não está a ser cumprido. Não se pode permitir que certos interesses – que são globais, mas não universais – se imponham, submetendo Estados e organismos internacionais, e continuem a destruir a criação. Os povos e os seus movimentos são chamados a clamar, mobilizar-se, exigir – pacífica mas tenazmente – a adopção urgente de medidas apropriadas. Peço-vos, em nome de Deus, que defendais a Mãe Terra. Sobre este assunto, expressei-me devidamente na carta encíclica Laudato si’.

4. Para concluir, quero dizer-lhes novamente: O futuro da humanidade não está unicamente nas mãos dos grandes dirigentes, das grandes potências e das elites. Está fundamentalmente nas mãos dos povos; na sua capacidade de se organizarem e também nas suas mãos que regem, com humildade e convicção, este processo de mudança. Estou convosco. Digamos juntos do fundo do coração: nenhuma família sem tecto, nenhum camponês sem terra, nenhum trabalhador sem direitos, nenhum povo sem soberania, nenhuma pessoa sem dignidade, nenhuma criança sem infância, nenhum jovem sem possibilidades, nenhum idoso sem uma veneranda velhice. Continuai com a vossa luta e, por favor, cuidai bem da Mãe Terra. Rezo por vós, rezo convosco e quero pedir a nosso Pai Deus que vos acompanhe e abençoe, que vos cumule do seu amor e defenda no caminho concedendo-vos, em abundância, aquela força que nos mantém de pé: esta força é a esperança, a esperança que não decepciona. Obrigado! E peço-vos, por favor, que rezeis por mim. (cf. Radiovaticano)