PALAVRA COM SENTIDO
“…Hás-de temer o Senhor, teu Deus…” (cf. Deuteronómio 6, 2)
Só Deus é Deus e Senhor. E não há outro Deus a quem amar, servir, adorar, acreditar, rezar, agradecer… Temer o Senhor não é ‘ter medo de Deus’. Não precisamos ter medo de Deus: Ele é amor, perdão, misericórdia, alegria, paz, salvação e esperança… Temer o Senhor é reconhecer a grandeza do seu poder; a santidade do seu nome; a ternura que nos dedica; a alegria da vida que nos oferece. Temer o Senhor é acolher a sua Palavra; cumprir os seus mandamentos; responder com fidelidade aos seus apelos; confiar na sua promessa e anunciá-la com a bondade dos nossos gestos. Quem ‘teme a Deus’ procura fazer tudo para não pecar contra ele; fazer nascer no coração o receio e a tristeza de o poder ofender. O apelo feito pela palavra de Deus aponta-nos o caminho da verdade, da justiça, da caridade, da compaixão. Uma grande exigência que nos trará a felicidade e a bênção.
segunda-feira, 27 de julho de 2015
BOAS FÉRIAS
Boas férias para todos aqueles que podem ter férias.
PALAVRA DO PAPA FRANCISCO
Retomemos os três verbos deste fotograma sugestivo: ver, sentir compaixão, ensinar. Podemos denominá-los os verbos do Pastor. Ver, sentir compaixão, ensinar. O primeiro e o segundo, ver e sentir compaixão, estão sempre associados na atitude de Jesus: com efeito, o seu olhar não é de um sociólogo, nem de um repórter fotográfico, porque ele vê sempre com «os olhos do coração». Estes dois verbos, ver e sentir compaixão, configuram Jesus como Bom Pastor. Também a sua compaixão não é apenas um sentimento humano, mas constitui a comoção do Messias, no qual se fez carne a ternura de Deus. É desta compaixão que nasce o desejo de Jesus, de alimentar a multidão com o pão da sua Palavra, ou seja, de ensinar a Palavra de Deus ao povo. Jesus vê, Jesus sente compaixão, Jesus ensina-nos. Isto é bonito!
E pedi ao Senhor que o Espírito de Jesus, Bom Pastor, que este Espírito me guiasse durante a Viagem apostólica que nos dias passados realizei à América Latina, e que me permitiu visitar o Equador, a Bolívia e o Paraguai. Dou graças a Deus de todo o coração por esta dádiva, Agradeço aos povos destes três países a sua carinhosa e calorosa hospitalidade e entusiasmo. Renovo o meu reconhecimento às Autoridades daqueles países pelo seu acolhimento e pela sua colaboração. É com profundo afecto que agradeço aos meus irmãos Bispos, aos sacerdotes, às pessoas consagradas e a todas as populações, o entusiasmo com que participaram. Juntamente com estes irmãos e irmãs louvei ao Senhor pelas maravilhas que Ele realizou no Povo de Deus a caminho naquelas terras, pela fé que animou e anima a sua vida e a sua cultura. E pudemos louvá-lo inclusive pelas belezas naturais com as quais enriqueceu aqueles países. O Continente latino-americano possui enormes capacidades humanas e espirituais, preserva valores cristãos profundamente arraigados, mas vive também graves problemas sociais e económicos. A fim de contribuir para a sua solução, a Igreja está comprometida em mobilizar as forças espirituais e morais das suas comunidades, colaborando com todos os componentes da sociedade. Perante os grandes desafios que o anúncio do Evangelho deve enfrentar, convidei a haurir de Cristo Senhor a graça que salva e que confere força ao compromisso do testemunho cristão, a promover a propagação da Palavra de Deus, a fim de que a acentuada religiosidade daquelas populações possa constituir sempre um testemunho fiel do Evangelho.
À intercessão maternal da Virgem Maria, que toda a América Latina venera como Padroeira com o título de Nossa Senhora de Guadalupe, confio os frutos desta inesquecível Viagem apostólica. (cf. Santa Sé)
PARA REZAR
e bendigam-Vos os vossos fiéis.
Proclamem a glória do vosso reino
e anunciem os vossos feitos gloriosos.
e a seu tempo lhes dais o alimento.
Abris as vossas mãos
e todos saciais generosamente.
e perfeito em todas as suas obras.
O Senhor está perto de quantos O invocam,
de quantos O invocam em verdade.
SANTOS POPULARES
Luís Martin nasceu em Bordéus - França, no dia 22 de Agosto de 1823. Era o terceiro dos cinco filhos de Maria Ana Boureau e de Pedro Francisco Martin, oficial do exército napoleónico. Depois do capitão Martin se ter reformado, a família foi morar em Alençon, em 1830, onde Luís foi educado com os Irmãos das Escolas Cristãs. Em 1842, Luís começou a aprender o ofício de relojoeiro. Durante três anos, esteve em Paris para aperfeiçoamento profissional, período em que frequentou, assiduamente, o santuário de Nossa Senhora das Vitórias. Por volta dos vinte anos, tentou ser admitido entre os cónegos regulares de Santo Agostinho do hospício do Grande São Bernardo nos Alpes suíços, mas não foi admitido por não saber latim. De volta a Alençon, instalou-se, em 1850, como relojoeiro e joalheiro. Tranquilo e piedoso, Luís dedicava-se, com afinco, ao trabalho e, nas horas livres, as suas principais actividades eram a pesca e as conversas com os jovens do Círculo Católico, fundado pelo seu amigo, Vital Romet.
Com 54 anos, Luís teve de ocupar-se sozinho da família. A primogénita tem 17 anos e a última, Teresa, tem 4 e meio. Então, transferiu-se para Lisieux, onde morava o irmão de Zélia. Deste modo, as filhas receberam os cuidados da tia Celina. Entre os anos de 1882 e 1887, Luís acompanhou as três filhas ao Carmelo. O sacrifício maior para ele foi afastar-se de Teresa que entra para as carmelitas com apenas 15 anos. Luís foi atingido por uma enfermidade que o tornou inválido e que o levou à perda das faculdades mentais. Foi internado no sanatório de Caen. Morreu em Julho de 1894.
Foram beatificados pelo Papa Bento XVI, no dia 19 de Outubro de 2008.
A sua memória litúrgica celebra-se, respectivamente, no dia 29 de Julho e no dia 28 de Agosto.
terça-feira, 21 de julho de 2015
EM DESTAQUE:
– PORTO
O mesmo já se tinha passado com os discípulos de Jesus. Os doze mais próximos de Jesus, os apóstolos, acompanhavam Jesus, em permanência. Conheciam as mesmas aldeias e cidades, aprenderam os hábitos e ouviram os ensinamentos do Mestre. Agora começava para eles o tempo novo da missão. E os apóstolos partiram para onde Jesus os enviara. Realizaram obra notável aos seus próprios olhos. E regressaram felizes a contar a Jesus o bem realizado.
A Palavra de Deus, que hoje aqui escutamos, é para todos nós. Foi proclamada, rezada, contemplada e reflectida em todas as comunidades e celebrações da nossa diocese. Convenhamos, todavia, que nesta Sé Catedral, ela tem uma ressonância diferente e encontra como principais destinatários o Diogo, o Dinis e o Vítor, que vão ser ordenados diáconos, rumo ao presbiterado, e o João Emanuel, o José Joaquim, o Mário, o Prabesh, o André, o Igor e o Jorge, que vão ser ordenados presbíteros.
Sede, a partir de hoje, profetas de Deus, para falar sempre e só em nome d’Ele. Sois voz de Deus. Sois, também, mãos de Deus, trabalhadores incansáveis deste encontro de Deus com o seu povo, alavancas de Deus que erguem o mundo e mesas de Deus que multiplicam a fraternidade sempre que repartem o pão aos pobres.
O Senhor Jesus escolheu-vos para dardes continuidade à Sua missão de Mestre, de Sacerdote e de Pastor. Para isso, procurai ser livres, felizes e transparentes, na cor límpida da vossa alma; generosos no ardor missionário do vosso coração; serenos na obediência, que é fonte de comunhão com Deus e com a Igreja. Sede perseverantes na oração e na contemplação de Deus, porque aí mora o segredo da vossa fidelidade. A oração é, sempre, a escola do amor que sentimos por Deus, pelos outros, pelo mundo.
Vivei, com o presbitério diocesano ou na vossa Ordem e Congregação religiosas, a beleza da fraternidade; o gosto de ser sacerdotes com os outros e também para os outros; o encanto de seguir Jesus em companhia, não individualmente mas juntos, na variedade dos vossos dons, na beleza dos vossos carismas e na diversidade das vossas personalidades.
Peço para vós a paz, sempre, em tudo e com todos. Paz convosco, com Deus e com o povo a quem ides servir. Só a paz que Deus dá vence o medo, sustenta a eficácia, afirma a verdade e espelha a beleza da nossa missão.
Caminhai com o povo, caríssimos ordinandos, como profetas de Deus e como discípulos de Jesus, com simplicidade e com humildade. Deixai-vos trabalhar pela pedagogia pastoral que Jesus nos ensinou, agora renovada e continuada no horizonte alargado da missão. Esta é uma hora de bênção para a Igreja do Porto, para a Ordem Beneditina e para a Congregação dos Sacerdotes Dehonianos.
O Senhor cuida de nós. Só Ele basta. Ele acalenta os nossos sonhos e alivia os nossos cansaços. Ele nem sequer recusa lavar os nossos pés, para que diariamente possamos caminhar com novas forças. O Senhor lava-nos e purifica-nos, se recorrermos também nós à sua misericórdia. Vivei sem medo e sem culpas para servirdes na alegria o povo que Ele vos confiará. Deus estará convosco sempre até ao fim dos tempos.
Só é possível olhar em frente se partirmos do encontro pessoal com Jesus, vivo e ressuscitado, e nos deixarmos olhar pelo olhar de Deus. Peço-vos que, diariamente, façais experiência deste encontro com Cristo. E aí, neste encontro pessoal com Ele, diante do sacrário, ou na celebração da Eucaristia e dos outros sacramentos, nasce a disponibilidade para a missão, neste treino pastoral que faz de vós discípulos missionários, homens livres, generosos e felizes.
Queremos todos fazer da alegria, da esperança e da misericórdia a nossa missão não só inscrita no Plano diocesano de Pastoral anteontem apresentado para a nossa diocese mas impressa nos nossos pés para que deixemos marcas de rumo no caminho que percorremos. É esta suave alegria de evangelizar, a que o Papa Francisco nos vai habituando com nova linguagem e gestos proféticos, que queremos viver no Porto.
Desejamos partilhar a bênção deste dia com outras Igrejas vizinhas e irmãs que, também hoje, celebram Ordenações de novos presbíteros. Vivemos, igualmente, esta hora em comunhão com o Papa Francisco e acompanhamo-lo com a nossa oração e gratidão nesta corajosa visita pastoral à América Latina. O Papa Francisco foi ao encontro do seu continente natal para dizer que a alegria, a esperança e a misericórdia, nascidas no Evangelho das bem-aventuranças e concretizadas nas Obras de misericórdia podem mudar o mundo.
Ides receber, depois da ordenação e antes de partirdes em missão, a bênção de Deus, a bênção solene desta celebração. Peço-vos que me abençoeis também a mim e a esta amada Igreja do Porto…”
PALAVRA DO PAPA FRANCISCO
- palavra dirigida aos jovens, na visita ao Paraguai, em Asunción, 12 de Julho de 2015
Para responder às vossas perguntas, gostaria de realçar algumas das coisas que partilhastes.
Manuel: falaste mais ou menos assim: «Hoje, sinto, muito profundamente, a vontade de servir os outros; tenho vontade de me vencer». Passaste por momentos muito difíceis; por situações muito dolorosas mas, hoje, tens grande desejo de servir, de sair, de partilhar a tua vida com os outros.
Liz: não é nada fácil ser mãe dos próprios pais, sobretudo quando se é jovem; mas que grande sabedoria e maturidade encerram as tuas palavras, quando nos dizias: «Hoje, jogo com ela, mudo-lhe as fraldas… Tudo isto, hoje, ofereço-o a Deus; e estou apenas a compensar o que a minha mãe fez por mim».
Vós, jovens paraguaios, sois corajosos de verdade.
Partilhastes, também, como conseguistes continuar; onde encontrastes forças. Na paróquia – dissestes ambos –, nos amigos da paróquia e nos retiros espirituais que lá se organizavam. Duas chaves muito importantes: os amigos e os retiros espirituais.
Os amigos. A amizade é um dos presentes maiores que uma pessoa, um jovem pode ter e pode oferecer. É verdade! Como é difícil viver sem amigos. Vede se esta não é uma das coisas mais belas que Jesus disse: «Chamei-vos amigos, porque vos dei a conhecer tudo o que ouvi a meu Pai» (Jo 15, 15). Um dos maiores segredos do cristão radica-se no facto de ser amigo, amigo de Jesus. Quando uma pessoa ama alguém, permanece a seu lado, cuida dele, ajuda-o, diz-lhe o que pensa, mas sem o deixar caído por terra. Assim faz Jesus connosco: nunca nos deixa caídos por terra. Os amigos apoiam-se, fazem-se companhia, protegem-se. Assim procede o Senhor connosco. Serve-nos de apoio.
Os retiros espirituais. Santo Inácio tem uma meditação famosa, chamada “das duas bandeiras”. Nela, descreve, por um lado, a bandeira do demónio e, por outro, a bandeira de Cristo. Seria como as camisolas de duas equipas; e pergunta-nos em qual delas gostaríamos de jogar. Com aquela meditação, leva-nos a imaginar como seria pertencer a uma ou a outra equipa. Seria como perguntar: Com quem queres jogar na vida? E, Santo Inácio diz que o demónio, para recrutar jogadores, promete - àqueles que jogam com ele - riqueza, honras, glória e poder. Serão famosos. Serão endeusados por todos.
No outro lado, apresenta-nos o jogo de Jesus. Não como algo fantástico. Jesus não nos apresenta uma vida de “estrelas”, famosos; pelo contrário, jogar com Ele é um convite à humildade, ao amor, ao serviço aos outros. Jesus não nos mente. Toma-nos a sério.
Na Bíblia, o demónio é chamado o pai da mentira. Ele prometia ou, melhor, fazia-te crer que, se fizesses certas coisas, serias feliz; mas depois dás-te conta de que não és nada feliz; foste atrás de algo que, longe de te dar a felicidade, fez-te sentir mais vazio, mais triste.
Amigos: o diabo, é um «vende fumaça». Promete-te, promete-te, mas não te dá nada; nunca cumpre nada do que diz. É um mau pagador. Faz-te desejar coisas que não dependem dele que tu as obtenhas ou não. Faz-te depositar a esperança em algo que nunca te fará feliz. Este é o seu jogo, esta é a sua estratégia: falar muito, oferecer muito e não fazer nada. É um grande «vende fumaça» porque tudo o que nos propõe é fruto da divisão, de nos compararmos com os outros, de pisar a cabeça aos outros para conseguirmos as nossas coisas. É um «vende fumaça» porque o único caminho para alcançar tudo isso é pôr de lado os teus amigos, não dar apoio a ninguém. Porque tudo se baseia na aparência. Faz-te crer que o teu valor depende de quanto possuis.
Do lado contrário, temos Jesus que nos oferece o seu jogo. Não nos vende fumaça; não nos promete, aparentemente, grandes coisas. Não nos diz que a felicidade está na riqueza, no poder, no orgulho. Antes pelo contrário, mostra-nos que o caminho é outro. Este “treinador” diz aos seus jogadores: bem-aventurados, felizes, os pobres em espírito, os que choram, os mansos, os que têm fome e sede de justiça, os misericordiosos, os puros de coração, os que trabalham pela paz, os perseguidos por causa da justiça. E conclui dizendo: Alegrai-vos com tudo isto.
Por que motivo? Porque Jesus não nos mente. Mostra-nos um caminho que é vida, que é verdade. Ele mesmo é a grande prova disso. É o seu estilo, a sua maneira de viver a existência, a amizade, a relação com o seu Pai. E a isto nos convida: a sentirmo-nos filhos, filhos amados.
Jesus não te vende fumaça. Porque sabe que a felicidade verdadeira, a felicidade que enche o coração, não está nos trapos que vestimos, nos sapatos que calçamos, na etiqueta de determinada marca. Ele sabe que a verdadeira felicidade encontra-se em sermos sensíveis, em aprender a chorar com os que choram, em aproximarmo-nos de quem está triste, em deixar chorar sobre o próprio ombro, em dar um abraço. Quem não sabe chorar, não sabe rir e, consequentemente, não sabe viver. Jesus sabe que, neste mundo de tanta concorrência, inveja e agressividade, a verdadeira felicidade passa por aprender a ser pacientes, a respeitar os outros, a não condenar nem julgar ninguém. Quem se irrita já perdeu: diz o ditado. Não abandoneis o vosso coração à ira, ao rancor. Felizes os que têm misericórdia. Felizes os que sabem colocar-se no lugar de outro, os que têm a capacidade de abraçar, de perdoar. Todos já experimentámos isto alguma vez. Todos, em determinados momentos, sentimo-nos perdoados: como é bom! É como reaver a vida, ter uma nova oportunidade. Não há nada mais belo do que ter nova oportunidade. É como se a vida voltasse a começar. Por isso, felizes aqueles que são portadores de nova vida, de novas oportunidades. Felizes os que trabalham para isso; aqueles que lutam para isso. Erros, todos cometemos; as equivocações, não têm conta. Por isso, felizes aqueles que são capazes de ajudar os outros a sair dos seus erros, das suas equivocações. São verdadeiros amigos e não deixam ninguém caído por terra. Os puros de coração são aqueles que, conseguindo ver mais além da simples nódoa, superam as dificuldades. Felizes aqueles que se fixam especialmente na parte boa dos outros.
Liz: tu nomeaste Chikitunga *, uma Serva de Deus paraguaia. Disseste que era como tua irmã, tua amiga, teu modelo. Ela, como muitos outros, mostra-nos que o caminho das bem-aventuranças é um caminho de plenitude, um caminho possível, real; que enche o coração. Os Santos são nossos amigos e modelos que já deixaram de jogar neste campo, mas transformaram-se naqueles jogadores indispensáveis para quem sempre se olha a fim de darmos o melhor de nós mesmos. Eles são a prova de que Jesus não é um «vende fumaça», mas que a sua proposta é mesmo de plenitude. Acima de tudo, é uma proposta de amizade: amizade verdadeira, amizade de que todos precisamos. Amigos, segundo o estilo de Jesus. Não para ficarmos entre nós, mas para sairmos pelo campo; irmos fazer mais amigos. Para contagiar, com a amizade de Jesus, toda a gente, onde quer que esteja: no trabalho, no estudo, na noitada, por whastapp, no facebook ou no twitter; quando saem para dançar, ou estão a tomar um bom tereré [Tereré é uma bebida típica sul-americana feita com a infusão da erva-mate em água fria. De origem guarani, pode ser consumido com limão, hortelã, entre outros - NR]; na praça ou jogando uma partida no campo do bairro. É aí que estão os amigos de Jesus. Não vendendo fumaça, mas dando apoio; o apoio de saber que somos felizes, porque temos um Pai que está no Céu. (cf. Radiovaticano)
PARA REZAR
Leva-me a descansar em verdes prados,
conduz-me às águas refrescantes
e reconforta a minha alma.
Ainda que tenha de andar por vales tenebrosos,
não temerei nenhum mal, porque Vós estais comigo:
o vosso cajado e o vosso báculo me enchem de confiança.
à vista dos meus adversários;
com óleo me perfumais a cabeça,
e o meu cálice transborda.
todos os dias da minha vida,
e habitarei na casa do Senhor
para todo o sempre.
SANTOS POPULARES
Podemos distinguir dois períodos na vida desta Santa.
O primeiro é caracterizado pela sua condição de mulher casada e feliz. O marido chamava-se Ulf e era governador de um importante distrito do Reino da Suécia. O matrimónio durou vinte e oito anos, até à morte de Ulf. Nasceram oito filhos, dos quais a segunda, Karin (Catarina), é venerada como Santa. Isto é um sinal eloquente do compromisso educativo de Brígida em relação aos seus próprios filhos. De resto, a sua sabedoria pedagógica foi apreciada a tal ponto, que o rei da Suécia, Magnus, a chamou à corte, por um certo período, com a finalidade de introduzir a sua jovem esposa, Bianca de Namur, na cultura sueca.
Brígida, espiritualmente guiada por um douto religioso que a iniciou no estudo das Escrituras, exerceu uma influência muito positiva sobre a própria família que, graças à sua presença, se tornou uma verdadeira «igreja doméstica». Juntamente com o marido, adoptou a Regra dos Terciários franciscanos. Praticava com generosidade obras de caridade em prol dos indigentes; fundou também um hospital. Ao lado da sua esposa, Ulf aprendeu a melhorar a sua índole e a progredir na vida cristã. Quando regressou de uma longa peregrinação a Santiago de Compostela, realizada em 1341, juntamente com outros membros da família, os cônjuges amadureceram o projecto de viver em continência; mas pouco tempo mais tarde, na paz de um mosteiro onde se tinha retirado, Ulf concluiu a sua vida terrena.
Este primeiro período da vida de Brígida ajuda-nos a apreciar aquela que hoje poderíamos definir uma autêntica «espiritualidade conjugal»: juntos, os cônjuges cristãos podem percorrer um caminho de santidade, sustentados pela graça do Sacramento do Matrimónio. Não poucas vezes, precisamente como aconteceu na vida de Santa Brígida e de Ulf, é a mulher que, com a sua sensibilidade religiosa, com a delicadeza e a docilidade consegue levar o marido a percorrer um caminho de fé. Penso com reconhecimento em muitas mulheres que, dia após dia, ainda hoje iluminam as próprias famílias com o seu testemunho de vida cristã. Possa o Espírito do Senhor suscitar também nos dias de hoje a santidade dos cônjuges cristãos, para mostrar ao mundo a beleza do matrimónio vivido segundo os valores do Evangelho: o amor, a ternura, a ajuda recíproca, a fecundidade na geração e na educação dos filhos, a abertura e a solidariedade para com o mundo e a participação na vida da Igreja.
Quando Brígida ficou viúva, teve início o segundo período da sua vida. Renunciou a outras bodas para aprofundar a união com o Senhor através da oração, da penitência e das obras de caridade. Portanto, também as viúvas cristãs podem encontrar nesta Santa um modelo a seguir. Com efeito, após a morte do marido, Brígida distribuiu os seus próprios bens aos pobres e, mesmo sem jamais aceder à consagração religiosa, estabeleceu-se no mosteiro cisterciense de Alvastra. Ali tiveram início as revelações divinas, que a acompanharam durante o resto da sua vida. Elas foram ditadas por Brígida aos seus secretários-confessores, que as traduziram do sueco para o latim e as reuniram numa edição de oito livros, intitulados Revelationes (Revelações). A estes livros acrescenta-se um suplemento, que tem como título precisamente Revelationes extravagantes (Revelações suplementares).
As Revelações de Santa Brígida apresentam um conteúdo e um estilo muito diversificados. Às vezes a revelação apresenta-se sob a forma de diálogos entre as Pessoas divinas, a Virgem, os Santos e até os demónios; diálogos em que também Brígida intervém. Outras vezes, ao contrário, trata-se da narração de uma visão particular; e noutras ainda narra-se aquilo que a Virgem Maria lhe revela acerca da vida e dos mistérios do Filho. O valor das Revelações de Santa Brígida, por vezes objecto de algumas dúvidas, foi especificado pelo Venerável João Paulo II, na Carta Spes aedificandi: «A Igreja, ao reconhecer a santidade de Brígida, mesmo sem se pronunciar sobre cada uma das revelações, acolheu a autenticidade do conjunto da sua experiência interior» (n. 5).
Com efeito, lendo estas Revelações somos interpelados sobre muitos temas importantes. Por exemplo, volta-se a descrever frequentemente, com pormenores bastante realistas, a Paixão de Cristo, pela qual Brígida teve sempre uma devoção privilegiada, contemplando nela o amor infinito de Deus pelos homens. Nos lábios do Senhor que lhe fala, ela põe com audácia estas palavras comovedoras: «Ó, meus amigos, Eu amo tão ternamente as minhas ovelhas que, se fosse possível, gostaria de morrer muitas outras vezes, por cada uma delas, daquela mesma morte que padeci pela redenção de todas elas» (Revelationes, Livro I, C. 59). Também a dolorosa maternidade de Maria, que a tornou Mediadora e Mãe de misericórdia, é um argumento que aparece com frequência nas Revelações.
Ao receber estes carismas, Brígida estava consciente de ser destinatária de um dom de grande predilecção da parte do Senhor: «Minha filha — lemos no primeiro Livro das Revelações — Eu escolhi-te para mim; ama-me com todo o seu coração... mais do que tudo quanto existe no mundo» (c. 1). De resto, Brígida sabia bem, e disto estava firmemente convencida, que cada carisma está destinado a edificar a Igreja. Precisamente por este motivo, não poucas das suas revelações eram dirigidas, em forma de admoestações até severas, aos fiéis do seu tempo, também às Autoridades religiosas e políticas, a fim de que vivessem coerentemente a sua vida cristã; mas fazia isto sempre com uma atitude de respeito e de fidelidade integral ao Magistério da Igreja, de modo particular ao Sucessor do Apóstolo Pedro.
Em 1349, Brígida deixou para sempre a Suécia e veio em peregrinação a Roma. Não só tencionava participar no Jubileu de 1350, mas também desejava obter do Papa a aprovação da Regra de uma Ordem religiosa que ela queria fundar, intitulada ao Santo Salvador, e composta por monges e monjas sob a autoridade da abadessa. Trata-se de um elemento que não nos deve surpreender: na Idade Média existiam fundações monásticas com um ramo masculino e outro feminino, mas com a prática da mesma regra monástica, que previa a direcção de uma abadessa. Com efeito, na grande tradição cristã, à mulher são reconhecidos a própria dignidade e — sempre a exemplo de Maria, Rainha dos Apóstolos — o próprio lugar na Igreja que, sem coincidir com o sacerdócio ordenado, é igualmente importante para o crescimento espiritual da Comunidade. Além disso, a colaboração de consagrados e de consagradas, sempre no respeito pela sua vocação específica, tem uma grande importância no mundo contemporâneo.
Em Roma, acompanhada pela filha Karin, Brígida dedicou-se a uma vida de intenso apostolado e de oração. E de Roma partiu em peregrinação a vários santuários italianos, em particular a Assis, pátria de São Francisco, por quem Brígida nutriu sempre uma grande devoção. Finalmente, em 1371, coroou a sua maior aspiração: a viagem à Terra Santa, aonde foi em companhia dos seus filhos espirituais, um grupo ao qual Brígida chamava «os amigos de Deus».
Durante aqueles anos, os Pontífices encontravam-se em Avinhão, longe de Roma: Brígida dirigiu-se sentidamente a eles, a fim de que voltassem para a Sé de Pedro, na Cidade Eterna.
Faleceu em 1373, antes que o Papa Gregório XI tivesse voltado definitivamente para Roma. Foi sepultada provisoriamente na igreja romana de São Lourenço «in Panisperna», mas em 1374 os seus filhos Birger e Karin trasladaram-na para a pátria, para o mosteiro de Vadstena, sede da Ordem religiosa fundada por Santa Brígida, que conheceu imediatamente uma expansão notável. Em 1391 o Papa Bonifácio IX canonizou-a solenemente.
A santidade de Brígida, caracterizada pela multiplicidade dos dons e das experiências que eu quis recordar neste breve perfil biográfico-espiritual, faz dela uma figura eminente na história da Europa. Proveniente da Escandinávia, Santa Brígida testemunha como o cristianismo permeou profundamente a vida de todos os povos deste Continente. Declarando-a co-Padroeira da Europa, o Papa João Paulo II fez votos por que Santa Brígida – que viveu no século XIV, quando a cristandade ocidental ainda não estava ferida pela divisão — possa interceder junto de Deus, para obter a graça tão almejada da plena unidade de todos os cristãos. Por esta mesma intenção - que é por nós muito desejada, e para que a Europa saiba alimentar-se sempre a partir das suas raízes cristãs - queremos rezar, caros irmãos e irmãs, invocando a poderosa intercessão de Santa Brígida da Suécia, discípula fiel de Deus e co-Padroeira da Europa. Obrigado pela atenção!...”
A memória litúrgica de Santa Brígida da Suécia faz-se no dia 23 de Julho.
segunda-feira, 13 de julho de 2015
EM DESTAQUE:
PLANO PASTORAL
2015-2020
- Mensagem do Bispo do Porto e seus Bispos Auxiliares
Este Plano Pastoral procura dar rosto à «Alegria do Evangelho» de que fazemos «nossa missão». Este Plano quer assumir a «Alegria do Evangelho» no espírito evangélico das Bem-aventuranças (Mt 5,1-12), que Jesus proclamou e que se realizam sempre que vivemos as Obras de Misericórdia (Mt 25, 35-40).
Assim concebido, este Plano quinquenal tem necessariamente de se desdobrar em etapas anuais, através de um Plano Anual, de uma Programação para cada ano pastoral e de um Calendário Diocesano de Pastoral, que integrem os objetivos específicos, as áreas pastorais priorizadas, as atividades propostas e a sua forma de concretização em cada tempo.
O Plano Diocesano de Pastoral deve inspirar e nunca cercear a atividade e a criatividade das vigararias e paróquias, dos secretariados e serviços diocesanos, das comunidades religiosas e institutos de vida consagrada, dos movimentos e obras, das instituições e associações da Diocese.
À comunhão de todos, traduzida em unidade criativa, vivida com espírito sinodal e sentida no acolhimento dos sacerdotes, diáconos, consagrados e leigos da Diocese, se ficará a dever a eficácia e o dinamismo da nossa ação pastoral, procurando levar a todos os membros da Igreja diocesana e a tantos outros que vivem distantes da Igreja o anúncio feliz do Evangelho.
A elaboração do texto, agora apresentado, procurou integrar os contributos da reflexão feita nas várias sessões do Conselho Episcopal, do Cabido Portucalense, do Conselho Presbiteral, do Conselho Diocesano de Pastoral, nas reuniões de Vigários, assim como as sugestões recebidas dos secretariados e serviços diocesanos, das comunidades religiosas e dos movimentos apostólicos.
Um Plano Diocesano de Pastoral será tanto mais motivador de todos nós, sacerdotes, diáconos, consagrados e leigos, e mobilizador de todas as nossas comunidades, quanto mais formos chamados a trabalhar na sua elaboração, a implicarmo-nos na sua redação, a sentirmo-nos envolvidos na sua realização e a sabermo-nos convocados para a sua avaliação.
Este envolvimento de todos foi uma bela experiência de vida da nossa Igreja diocesana e permitiu-nos descobrir e valorizar o sentido de corresponsabilidade eclesial que em todos encontramos. É muito o bem que na nossa Igreja diocesana se realiza e, por ela, está presente a vivificar o mundo do nosso tempo.
Neste contexto, merecem assim destaque especial as várias etapas de diálogo, de partilha, de comunhão e de programação, que percorremos com serenidade, alegria e benefício pastoral em todas as instâncias de corresponsabilidade diocesana. Acolhemos em cada momento vivido, e em cada etapa percorrida, neste tempo de preparação do Plano Diocesano de Pastoral, o contributo de todos, para que agora, cada um pessoalmente e todos em conjunto, nos grupos, movimentos apostólicos e comunidades cristãs de que fazemos parte, nos deixemos guiar pelo Espírito de Deus e a missão da Igreja se cumpra no Porto, em cada tempo e em cada lugar.
É esta, por isso, mais uma bela etapa, que queremos percorrer, neste início do mês de julho, ao apresentarmos à Diocese o Plano Diocesano de Pastoral quinquenal, com uma concretização muito específica para o Ano Pastoral 2015-2016.
O Espírito Santo é a alma da Igreja e Seu grande e primeiro protagonista e, embora de maneira mais discreta, da sociedade humana. Ele é a fonte da novidade perene que, em cada geração, em cada tempo e em cada lugar, permanentemente nos encanta, surpreende, suscita e anima.
A Igreja, por si e em constante sintonia de fidelidade, procura corresponder às inspirações do Espírito Santo, promovendo as iniciativas que julga mais adequadas para cada tempo e lugar.
Deixaremos, pois, à inspiração do Espírito e à vontade de prosseguirmos o caminho agora iniciado, o trabalho de, numa gradualidade contínua, desenvolvermos este Plano Diocesano, segundo os temas desde já propostos e em ordem a alcançarmos os objetivos que sonhamos.
Estão em curso presentemente na Igreja, como é sabido, iniciativas, propostas e realizações de grande projeção, designadamente o Ano da Vida Consagrada, o Sínodo da Família e o Jubileu da Misericórdia. O Ano da Vida Consagrada iniciou-se no primeiro domingo do Advento do presente ano litúrgico e prolongar-se-á até ao próximo dia 2 de fevereiro de 2016. O Sínodo da Família teve uma primeira sessão, a Assembleia Extraordinária em outubro de 2014 e preparamos agora a Assembleia Ordinária a decorrer em Roma, de 4 a 25 de outubro próximo.
O Jubileu da Misericórdia, anunciado pelo Papa Francisco, a 13 de março passado, no segundo aniversário da sua eleição, foi convocado pela Bula “Misericordiae Vultus”, no passado dia 11 de abril, Domingo da Misericórdia, e decorrerá de 8 de dezembro deste ano até ao domingo de Cristo Rei, a 20 de novembro de 2016.
Constituem estes acontecimentos três acrescidas razões para vivermos uma comunhão intensa com o Papa Francisco, a quem se devem estas iniciativas e realizações da Igreja. Agradecemos a Deus o dom da vida consagrada e as 109 comunidades religiosas presentes na nossa Diocese e tantas formas de vida consagrada no meio do mundo, assim como as muitas vocações para a vida sacerdotal, religiosa e missionária, nascidas neste chão fecundo da Igreja do Porto. Queremos acompanhar pela oração, pela reflexão do texto agora publicado, no “Instrumento de Trabalho” do próximo Sínodo, e pela abertura às orientações do Magistério da Igreja, tudo quanto à família se deve nestes tempos. Urge afirmar a beleza da família e o valor do matrimónio e do amor, mas também saber acolher, acompanhar e integrar as famílias que vivem horas de sofrimento ou de rutura.
Queremos dar ao Jubileu da Misericórdia espaço na nossa vida, no nosso coração e na nossa ação, para que sejamos protagonistas da Misericórdia, como filhos do Deus da Misericórdia, discípulos missionários desse Jesus, que é o «rosto da Misericórdia», e presenças atuantes de uma Igreja, Mãe de Misericórdia.
A alegria, a esperança e a misericórdia serão o motor e a força propulsora, que nos conduzirão ao longo deste Plano Diocesano de Pastoral.
Progredindo no conhecimento e no amor à Palavra de Deus e centrando-nos sempre no encontro pessoal com Jesus Cristo, em quem Deus e o homem se unem em admirável harmonia, formando uma só pessoa, queremos viver o próximo quinquénio pastoral, sob o impulso renovador da alegria do Evangelho, da esperança cristã e da misericórdia divina, que possam abrir-nos a um caminho sinodal e a uma experiência viva de uma Igreja que faz da alegria, da esperança e da misericórdia o seu caminho diário.
O mundo de hoje precisa deste testemunho contagiante da alegria, da esperança e da misericórdia. Ao fazermos da alegria do Evangelho a nossa missão, da esperança cristã a presença irradiante que renova e anima, e da misericórdia o rosto terno e materno da Igreja, estamos a traduzir as bem-aventuranças do Evangelho para o nosso tempo, para que a Igreja do Porto seja pátria das bem-aventuranças.
Que Nossa Senhora de Vandoma e da Assunção, Senhora da Alegria, Estrela da Esperança e Mãe de Misericórdia, que veio trazer em Fátima um convite à oração e à reparação do mal e do pecado, e uma mensagem de esperança e de paz, abençoe e proteja, guie e acompanhe, com a Sua ternura de Mãe, a Igreja do Porto.
D. António Taipa, Bispo Auxiliar do Porto
D. João Lavrador, Bispo Auxiliar do Porto
D. Pio Alves, Bispo Auxiliar do Porto
(cf. Diocese do Porto)
PALAVRA DO PAPA FRANCISCO
Então, em Roma, senti algo muito belo: fraternidade, paixão, entrega, sede de justiça. Hoje, em Santa Cruz de la Sierra, volto a sentir o mesmo. Obrigado! Soube também, pelo Pontifício Conselho «Justiça e Paz» presidido pelo Cardeal Turkson, que são muitos na Igreja aqueles que se sentem mais próximos dos movimentos populares. Muito me alegro por isso! Ver a Igreja com as portas abertas a todos vós, que se envolve, acompanha e consegue sistematizar em cada diocese, em cada comissão «Justiça e Paz», uma colaboração real, permanente e comprometida com os movimentos populares. Convido-vos a todos, bispos, sacerdotes e leigos, juntamente com as organizações sociais das periferias urbanas e rurais a aprofundar este encontro.
Deus permitiu que nos voltássemos a ver hoje. A Bíblia lembra-nos que Deus escuta o clamor do seu povo e também eu quero voltar a unir a minha voz à vossa: terra, tecto e trabalho para todos os nossos irmãos e irmãs. Disse-o e repito: são direitos sagrados. Vale a pena, vale a pena lutar por eles. Que o clamor dos excluídos seja escutado na América Latina e em toda a terra.
- Reconhecemos nós que as coisas não andam bem, quando explodem tantas guerras sem sentido e a violência fratricida se apodera até dos nossos bairros? Reconhecemos nós que as coisas não andam bem, quando o solo, a água, o ar e todos os seres da criação estão sob ameaça constante?
Então digamo-lo sem medo: Precisamos e queremos uma mudança.
Nas vossas cartas e nos nossos encontros, relataram-me as múltiplas exclusões e injustiças que sofrem em cada actividade laboral, em cada bairro, em cada território. São tantas e tão variadas como muitas e diferentes são as formas próprias de as enfrentar. Mas há um elo invisível que une cada uma destas exclusões: conseguimos nós reconhecê-lo? É que não se trata de questões isoladas. Pergunto-me se somos capazes de reconhecer que estas realidades destrutivas correspondem a um sistema que se tornou global. Reconhecemos nós que este sistema impôs a lógica do lucro a todo o custo, sem pensar na exclusão social nem na destruição da natureza?
Hoje quero reflectir convosco sobre a mudança que queremos e precisamos. Como sabem, recentemente escrevi sobre os problemas da mudança climática. Mas, desta vez, quero falar duma mudança noutro sentido. Uma mudança positiva, uma mudança que nos faça bem, uma mudança – poderíamos dizer – redentora. Porque é dela que precisamos. Sei que buscais uma mudança e não apenas vós: nos diferentes encontros, nas várias viagens, verifiquei que há uma expectativa, uma busca forte, um anseio de mudança em todos os povos do mundo. Mesmo dentro da minoria cada vez mais reduzida que pensa sair beneficiada deste sistema, reina a insatisfação e sobretudo a tristeza. Muitos esperam uma mudança que os liberte desta tristeza individualista que escraviza.
Que posso fazer eu, recolhedor de papelão, catador de lixo, limpador, reciclador, frente a tantos problemas, se mal ganho para comer? Que posso fazer eu, artesão, vendedor ambulante, carregador, trabalhador irregular, se não tenho sequer direitos laborais? Que posso fazer eu, camponesa, indígena, pescador que dificilmente consigo resistir à propagação das grandes corporações? Que posso fazer eu, a partir da minha comunidade, do meu barraco, da minha povoação, da minha favela, quando sou diariamente discriminado e marginalizado? Que pode fazer aquele estudante, aquele jovem, aquele militante, aquele missionário que atravessa as favelas e os paradeiros com o coração cheio de sonhos, mas quase sem nenhuma solução para os meus problemas? Muito! Podem fazer muito. Vós, os mais humildes, os explorados, os pobres e excluídos, podeis e fazeis muito. Atrevo-me a dizer que o futuro da humanidade está, em grande medida, nas vossas mãos, na vossa capacidade de vos organizar e promover alternativas criativas na busca diária dos “3 T” (trabalho, tecto, terra), e também na vossa participação como protagonistas nos grandes processos de mudança nacionais, regionais e mundiais. Não se acanhem!
Vejo, com alegria, que trabalhais no que aparece ao vosso alcance, cuidando dos rebentos; mas, ao mesmo tempo, com uma perspectiva mais ampla, protegendo o arvoredo. Trabalhais numa perspectiva que não só aborda a realidade sectorial que cada um de vós representa e na qual felizmente está enraizada, mas procurais também resolver, na sua raiz, os problemas gerais de pobreza, desigualdade e exclusão.
Felicito-vos por isso. É imprescindível que, a par da reivindicação dos seus legítimos direitos, os povos e as suas organizações sociais construam uma alternativa humana à globalização exclusiva. Vós sois semeadores de mudança. Que Deus vos dê coragem, alegria, perseverança e paixão para continuar a semear. Podeis ter a certeza de que, mais cedo ou mais tarde, vamos ver os frutos. Peço aos dirigentes: sede criativos e nunca percais o apego às coisas próximas, porque o pai da mentira sabe usurpar palavras nobres, promover modas intelectuais e adoptar posições ideológicas, mas se construirdes sobre bases sólidas, sobre as necessidades reais e a experiência viva dos vossos irmãos, dos camponeses e indígenas, dos trabalhadores excluídos e famílias marginalizadas, de certeza não vos equivocareis.
A Igreja não pode nem deve ser alheia a este processo no anúncio do Evangelho. Muitos sacerdotes e agentes pastorais realizam uma tarefa imensa acompanhando e promovendo os excluídos em todo o mundo, ao lado de cooperativas, dando impulso a empreendimentos, construindo casas, trabalhando abnegadamente nas áreas da saúde, desporto e educação. Estou convencido de que a cooperação amistosa com os movimentos populares pode robustecer estes esforços e fortalecer os processos de mudança.
No coração, tenhamos sempre a Virgem Maria, uma jovem humilde duma pequena aldeia perdida na periferia dum grande império, uma mãe sem tecto que soube transformar um curral de animais na casa de Jesus com uns pobres paninhos e uma montanha de ternura. Maria é sinal de esperança para os povos que sofrem dores de parto até que brote a justiça. Rezo à Virgem do Carmo, padroeira da Bolívia, para fazer com que este nosso Encontro seja fermento de mudança.
Esta economia é não apenas desejável e necessária, mas também possível. Não é uma utopia, nem uma fantasia. É uma perspectiva extremamente realista. Podemos consegui-la. Os recursos disponíveis no mundo, fruto do trabalho intergeneracional dos povos e dos dons da criação, são mais que suficientes para o desenvolvimento integral de «todos os homens e do homem todo». Mas o problema é outro. Existe um sistema com outros objectivos. Um sistema que, apesar de acelerar irresponsavelmente os ritmos da produção, apesar de implementar métodos na indústria e na agricultura que sacrificam a Mãe Terra na ara da «produtividade», continua a negar a milhares de milhões de irmãos os mais elementares direitos económicos, sociais e culturais. Este sistema atenta contra o projecto de Jesus.
Conheci de perto várias experiências, onde os trabalhadores, unidos em cooperativas e outras formas de organização comunitária, conseguiram criar trabalho onde só havia sobras da economia idólatra. As empresas recuperadas, as feiras francas e as cooperativas de catadores de papelão são exemplos desta economia popular que surge da exclusão e que pouco a pouco, com esforço e paciência, adopta formas solidárias que a dignificam. Quão diferente é isto do facto de os descartados pelo mercado formal serem explorados como escravos!
Os governos que assumem como própria a tarefa de colocar a economia ao serviço das pessoas devem promover o fortalecimento, melhoria, coordenação e expansão destas formas de economia popular e produção comunitária. Isto implica melhorar os processos de trabalho, prover de adequadas infra-estruturas e garantir plenos direitos aos trabalhadores deste sector alternativo. Quando Estado e organizações sociais assumem, juntos, a missão dos “3 T”, activam-se os princípios de solidariedade e subsidiariedade que permitem construir o bem comum numa democracia plena e participativa.
Nos últimos anos, depois de tantos mal-entendidos, muitos países latino-americanos viram crescer a fraternidade entre os seus povos. Os governos da região juntaram seus esforços para fazer respeitar a sua soberania, a de cada país e a da região como um todo que, de forma muito bela como faziam os nossos antepassados, chamam a «Pátria Grande». Peço-vos, irmãos e irmãs dos movimentos populares, que cuidem e façam crescer esta unidade. É necessário manter a unidade contra toda a tentativa de divisão, para que a região cresça em paz e justiça.
Apesar destes avanços, ainda subsistem factores que atentam contra este desenvolvimento humano equitativo e coarctam a soberania dos países da «Pátria Grande» e doutras latitudes do Planeta. O novo colonialismo assume variadas fisionomias. Às vezes, é o poder anónimo do ídolo dinheiro: corporações, credores, alguns tratados denominados «de livre comércio» e a imposição de medidas de «austeridade» que sempre apertam o cinto dos trabalhadores e dos pobres. Os bispos latino-americanos denunciam-no muito claramente, no documento de Aparecida, quando afirmam que «as instituições financeiras e as empresas transnacionais se fortalecem ao ponto de subordinar as economias locais, sobretudo debilitando os Estados, que aparecem cada vez mais impotentes para levar adiante projetos de desenvolvimento a serviço de suas populações». Noutras ocasiões, sob o nobre disfarce da luta contra a corrupção, o narcotráfico ou o terrorismo – graves males dos nossos tempos que requerem uma acção internacional coordenada – vemos que se impõem aos Estados medidas que pouco têm a ver com a resolução de tais problemáticas e muitas vezes tornam as coisas piores.
Da mesma forma, a concentração monopolista dos meios de comunicação social que pretende impor padrões alienantes de consumo e certa uniformidade cultural é outra das formas que adopta o novo colonialismo. É o colonialismo ideológico. Como dizem os bispos da África, muitas vezes pretende-se converter os países pobres em «peças de um mecanismo, partes de uma engrenagem gigante».
Temos de reconhecer que nenhum dos graves problemas da humanidade pode ser resolvido sem a interacção dos Estados e dos povos a nível internacional. Qualquer acto de envergadura realizado numa parte do Planeta repercute-se no todo em termos económicos, ecológicos, sociais e culturais. Até o crime e a violência se globalizaram. Por isso, nenhum governo pode actuar à margem duma responsabilidade comum. Se queremos realmente uma mudança positiva, temos de assumir humildemente a nossa interdependência. Mas interacção não é sinónimo de imposição, não é subordinação de uns em função dos interesses dos outros. O colonialismo, novo e velho, que reduz os países pobres a meros fornecedores de matérias-primas e mão-de-obra barata, gera violência, miséria, emigrações forçadas e todos os males que vêm juntos... precisamente porque, ao pôr a periferia em função do centro, nega-lhes o direito a um desenvolvimento integral. Isto é desigualdade, e a desigualdade gera violência que nenhum recurso policial, militar ou dos serviços secretos será capaz de deter.
Digamos NÃO às velhas e novas formas de colonialismo. Digamos SIM ao encontro entre povos e culturas. Bem-aventurados os que trabalham pela paz.
Aqui quero deter-me num tema importante. É que alguém poderá, com direito, dizer: «Quando o Papa fala de colonialismo, esquece-se de certas acções da Igreja». Com pesar, vo-lo digo: Cometeram-se muitos e graves pecados contra os povos nativos da América, em nome de Deus. Reconheceram-no os meus antecessores, afirmou-o o CELAM e quero reafirmá-lo eu também. Como São João Paulo II, peço que a Igreja «se ajoelhe diante de Deus e implore o perdão para os pecados passados e presentes dos seus filhos». E eu quero dizer-vos, quero ser muito claro, como foi São João Paulo II: Peço humildemente perdão, não só para as ofensas da própria Igreja, mas também para os crimes contra os povos nativos durante a chamada conquista da América.












