PALAVRA COM SENTIDO

PALAVRA COM SENTIDO

“…Hás-de temer o Senhor, teu Deus…” (cf. Deuteronómio 6, 2)

Só Deus é Deus e Senhor. E não há outro Deus a quem amar, servir, adorar, acreditar, rezar, agradecer… Temer o Senhor não é ‘ter medo de Deus’. Não precisamos ter medo de Deus: Ele é amor, perdão, misericórdia, alegria, paz, salvação e esperança… Temer o Senhor é reconhecer a grandeza do seu poder; a santidade do seu nome; a ternura que nos dedica; a alegria da vida que nos oferece. Temer o Senhor é acolher a sua Palavra; cumprir os seus mandamentos; responder com fidelidade aos seus apelos; confiar na sua promessa e anunciá-la com a bondade dos nossos gestos. Quem ‘teme a Deus’ procura fazer tudo para não pecar contra ele; fazer nascer no coração o receio e a tristeza de o poder ofender. O apelo feito pela palavra de Deus aponta-nos o caminho da verdade, da justiça, da caridade, da compaixão. Uma grande exigência que nos trará a felicidade e a bênção.

segunda-feira, 30 de novembro de 2015

SÃO NICOLAU


PADROEIRO
DA PARÓQUIA DE
SANTA MARIA DA FEIRA

No próximo Domingo, 6 de Dezembro, a Igreja faz a memória de São Nicolau.
Padroeiro da Paróquia de Santa Maria da Feira, queremos dar graças a Deus pelo testemunho da sua vida e pela graça da sua intercessão. Lembramos, para que fique gravado no coração, alguns elementos da sua biografia.
“…Nicolau, cujo nome significa "protector e defensor dos povos" foi muito popular na antiguidade. Era invocado pelos fiéis nos perigos, nos naufrágios, nos incêndios e quando a situação económica se tornava  mais difícil. Muitos testemunham ter recebido imensas graças de Deus pela intercessão de São Nicolau.
Por ter sido muito amigo, terno e cuidador das crianças, nos países do norte da Europa repartem-se, no dia a ele dedicado, doces e presentes pelas crianças.
Nicolau, desde criança, caracterizou-se pela sua caridade: tudo o que tinha ou conseguia,  repartia-o pelos pobres. Foi ordenado sacerdote por um dos seus tios que era bispo. Porém, depois da morte dos seus pais, Nicolau  repartiu todas as suas riquezas pelos pobres e entrou para um monastério.
Segundo a tradição, na cidade de Mira, na actual Turquia, os bispos e os sacerdotes estavam reunidos para a eleição de um novo bispo, já que o anterior tinha morrido. Como estivesse muito difícil a escolha - já que os presentes não se entendiam -, ao fim de algum tempo, disseram: "…Escolheremos, para Bispo, o próximo sacerdote que entrar no templo". Nesse momento, sem saber o que estava a acontecer, entrou Nicolau e, por aclamação de todos, foi eleito bispo.
No tempo do imperador Licino, foi decretada uma perseguição contra os cristãos. Nicolau foi preso e maltratado. Com Constantino, novo imperador romano, os cristãos foram libertados e, entre eles, o bispo Nicolau.
Nicolau, om santo bispo,  morreu no dia 6 de Dezembro do ano 345. No oriente, chamam-lhe São Nicolau de Mira, cidade onde foi bispo. No ocidente, chamam-lhe São Nicolau de Bari, porque - quando os mussulmanos invadiram e dominaram a Turquia - um grupo de católicos conseguiu retirar  dali, em segredo, as suas relíquias e levou-as para a cidade de Bari, na Itália, onde repousa até hoje.
São Nicolau é, também, Padroeiro da Rússia, da Grécia e da Turquia…”

TEMPO DO ADVENTO


PALAVRA DO SENHOR

- da Liturgia 1º Domingo do Advento

- …Tende cuidado convosco, não suceda que os vossos corações se tornem pesados
pela intemperança, a embriaguez e as preocupações da vida, e esse dia não vos surpreenda subitamente como uma armadilha…
- … O Senhor confirme os vossos corações numa santidade irrepreensível…
- … ‘O Senhor é a nossa justiça’…

EM DESTAQUE



- PALAVRAS DO SR. BISPO DO PORTO NA SOLENE DESPEDIDA DE D. JOÃO LAVRADOR

- na Homilia da Solenidade de Cristo Rei, na Sé Catedral do Porto

“…É com este mesmo sentido de serviço e com este igual exemplo de obediência que hoje vivemos esta celebração como momento maior e público de acção de graças a Deus e de gratidão a D. João Lavrador, antes de partir para os Açores.
Queremos dizer-lhe a nossa comunhão de irmãos; expressar-lhe o nosso reconhecimento pelo bem que nos deixa nestes mais de sete anos de ministério episcopal no Porto; afirmar-lhe o reconhecimento pelo exemplo que a todos nos oferece ao assumir com serenidade e prontidão a bela e exigente missão a que a Igreja o chama e que o Papa Francisco lhe confia.
A nossa vida como pessoas e a nossa história como Igreja são tecidas dos momentos em que sabemos juntar a alegria que nos dão os que em cada dia chegam, em passos significativos de disponibilidade para novos ministérios, à gratidão e pelo testemunho a cada hora recebidos dos que partem com liberdade e coragem para a nova missão.
Esta é a bela experiência de uma Igreja de portas abertas, que diariamente acolhe com alegria os que entram na Igreja, lhes confia serviços e ministérios e sabe acompanhar com igual dedicação os que partem para novos horizontes, como se a sua vida cristã e a sua missão eclesial aí começassem de novo com o encanto da primeira hora e o entusiasmo dos primeiros passos.
Assim se constrói a história de cada tempo e de cada terra. A Igreja do Porto não seria o que hoje é sem o testemunho, a dedicação, a alegria, a disponibilidade e a entrega, numa palavra, sem a vida dada por inteiro, de todos quantos, de forma mais sentida ou de modo mais discreto, edificam o reino de Deus, como reino de verdade e de vida, de santidade e de graça, de justiça, de amor e de paz (Prefácio da Missa de hoje).
Entre muitas referências de construtores do reino de Deus e nesta proximidade e comunhão da Igreja do Porto com a Igreja dos Açores, que a partir de agora mais se fortalece e estreita, quero evocar a memória de D. António Augusto de Castro Meireles, membro do nosso presbitério diocesano, que foi ordenado presbítero e bispo, nesta Catedral, e daqui partiu para os Açores, em 1924, como Bispo de Angra.
D. João Lavrador vai encontrar na vida e na história da Igreja dos Açores a memória, a bênção e a acção pastoral deste grande bispo, que também foi nosso bispo desde 1929 a 1942, ano em que faleceu, com apenas 57 anos.
Aí te acompanharemos, caríssimo D. João, com a oração e na comunhão da Igreja que serviste. Pedimos-te que rezes também por nós, teus irmãos bispos, por esta amada Igreja do Porto, com os seus presbíteros, diáconos, seminaristas, consagrados e leigos, com os seus sonhos, projectos e esperanças e pela acolhedora Comunidade humana que aqui encontraste nos caminhos da missão…”

 

- O PAPA EM ÁFRICA

O Papa Francisco encontra-se em África, realizando a sua primeira viagem a este continente. O Papa já visitou o Quénia; prossegue a sua visita no Uganda; e partirá para a República Centro-Africana, onde terminará a visita a África. O Papa Francisco tem no coração a preocupação pelo desenvolvimento, a salvaguarda do meio ambiente, a educação, a paz e o diálogo entre religiões.
A visita do Papa começou em Nairobi, capital do Quénia, onde foram mortos cerca de 150 universitários cristãos, num ataque da milícia islamita Al-Shabab, em Garissa, no dia 2 de Abril.
Na sexta-feira, o Papa Francisco visitou o bairro pobre de Cangemi, junto da comunidade jesuíta da Paróquia de São José operário, e encontrou-se com jovens no Estádio Kasarani, seguindo-se uma reunião privada com os bispos católicos do Quénia.
No Uganda, o Papa visitou, à chegada, o memorial dos mártires ugandeses para uma saudação a catequistas e professores Neste sábado, deslocou-se aos dois santuários dedicados aos mártires ugandeses e presidiu à Missa pelos Mártires do Uganda. O Papa encontrar-se-á, ainda, com cerca de 200 mil pessoas, junto destes santuários. Depois, terá um encontro com os jovens, em Campala, a capital do Uganda, e visitará à Casa de Caridade Nalukolongo. O Papa Francisco terá, também, encontros com os bispos de Uganda, os membros do clero e dos institutos religiosos.
Domingo, dia 29 de Novembro, o Papa parte para Bangui, na República Centro-Africana. O Papa visitará um campo de refugiados, com cerca de duas mil pessoas. Na tarde de domingo, o Papa encontrar-se-á com os bispos centro-africanos e as comunidades evangélicas, empenhadas na promoção da paz junto dos muçulmanos; celebrará uma Missa com religiosas, catequistas e jovens, na Catedral de Bangui, com a abertura da Porta Santa; confessará alguns jovens e presidirá a uma vigília de oração, na esplanada diante da Sé. Na segunda-feira, o Papa encontrar-se-á com a comunidade muçulmana, na Mesquita Central de Koudouko, em Bangui, e presidirá à Missa no Estádio do complexo desportivo Barthélémy Boganda, com a presença de cerca de 35 mil pessoas.

PALAVRA DO PAPA FRANCISCO


- na Homilia da Santa Missa pelos Mártires Ugandeses no Santuário Católico dos Mártires de Namugongo (Uganda), 28 de Novembro de 2015

«Ides receber uma força, a do Espírito Santo, que descerá sobre vós, e sereis minhas testemunhas em Jerusalém, por toda a Judeia e Samaria e até aos confins do mundo» (Act 1, 8).

Desde a Idade Apostólica até aos nossos dias, surgiu um grande número de testemunhas que proclamam Jesus e manifestam a força do Espírito Santo. Hoje lembramos, com gratidão, o sacrifício dos mártires ugandeses, cujo testemunho de amor a Cristo e à sua Igreja chegou, justamente, até «aos confins do mundo». Recordamos também os mártires anglicanos, cuja morte por Cristo dá testemunho do ecumenismo do sangue. Todas estas testemunhas cultivaram o dom do Espírito Santo na sua vida e, livremente, deram testemunho da sua fé em Jesus Cristo, mesmo a preço da vida, e vários deles numa idade muito jovem.
Também nós recebemos o dom do Espírito para nos fazer filhos e filhas de Deus, mas também para dar testemunho de Jesus e torná-Lo conhecido e amado em todos os lugares. Recebemos o Espírito, quando renascemos no Baptismo e quando fomos reforçados com os seus dons na Confirmação. Cada dia somos chamados a aprofundar a presença do Espírito Santo na nossa vida, a «reavivar» o dom do seu amor divino para sermos, por nossa vez, fonte de sabedoria e de força para os outros.
O dom do Espírito Santo é-nos concedido para ser partilhado. Une-nos uns aos outros como fiéis e membros vivos do Corpo místico de Cristo. Não recebemos o dom do Espírito só para nós mesmos, mas para nos edificarmos uns aos outros na fé, na esperança e no amor. Penso nos Santos José Mkasa e Carlos Lwanga que, depois de ter sido instruídos na fé pelos outros, quiseram transmitir o dom que receberam. Fizeram-no em tempos perigosos: não só a vida deles estava ameaçada, mas também a vida dos mais novos, confiados aos seus cuidados. Dado que tinham cultivado a fé e crescido no amor a Deus, não tiveram medo de levar Cristo aos outros, inclusive a preço da vida. A fé deles tornou-se testemunho; venerados hoje como mártires, o seu exemplo continua a inspirar muitas pessoas no mundo. Continuam a proclamar Jesus Cristo e a força da Cruz.
Se nós, como os mártires, reavivarmos diariamente o dom do Espírito que habita nos nossos corações, tornar-nos-emos certamente naqueles discípulos-missionários que Cristo nos chama a ser. Sê-lo-emos sem dúvida para as nossas famílias e os nossos amigos, mas também para aqueles que não conhecemos, especialmente para quantos poderiam ser pouco benévolos e até mesmo hostis para connosco. Esta abertura aos outros começa na família, nos nossos lares, onde se aprende a caridade e o perdão, e onde, no amor dos nossos pais, se aprende a conhecer a misericórdia e o amor de Deus. A referida abertura exprime-se também no cuidado pelos idosos e os pobres, as viúvas e os órfãos.
O testemunho dos mártires mostra a quantos, ontem e hoje, ouviram a sua história que os prazeres mundanos e o poder terreno não dão alegria e paz duradouras. Mas são a fidelidade a Deus, a honestidade e integridade da vida e uma autêntica preocupação pelo bem dos outros que nos trazem aquela paz que o mundo não pode oferecer. Isto não diminui a nossa solicitude por este mundo, como se nos limitássemos a olhar para a vida futura; pelo contrário, dá uma finalidade à vida neste mundo e ajuda-nos a ir ter com os necessitados, a cooperar com os outros em prol do bem comum e a construir uma sociedade mais justa, que promova a dignidade humana, sem excluir ninguém, que defenda a vida, dom de Deus, e proteja as maravilhas da natureza, a criação, a nossa casa comum.
Queridos irmãos e irmãs, esta é a herança que recebestes dos mártires ugandeses: vidas marcadas pela força do Espírito Santo, vidas que ainda hoje testemunham o poder transformador do Evangelho de Jesus Cristo. Não tomamos posse desta herança com uma comemoração passageira ou conservando-a num museu como se fosse uma jóia preciosa. Mas honramo-la verdadeiramente, como honramos todos os Santos, quando levamos o seu testemunho de Cristo para os nossos lares e a nossa vizinhança, para os locais de trabalho e a sociedade civil, quer permaneçamos em nossas casas, quer tenhamos de ir até ao canto mais remoto do mundo.
Que os mártires ugandeses juntamente com Maria, Mãe da Igreja, intercedam por nós, e o Espírito Santo acenda em nós o fogo do amor divino.
Omukama Abawe Omukisa!    [Deus vos abençoe!] (cf. Santa Sé)

PARA REZAR


SALMO 24

Refrão: Para Vós, Senhor, elevo a minha alma.

Mostrai-me, Senhor, os vossos caminhos,
ensinai-me as vossas veredas.
Guiai-me na vossa verdade e ensinai-me,
porque Vós sois Deus, meu Salvador.

O Senhor é bom e recto,
ensina o caminho aos pecadores.
Orienta os humildes na justiça
e dá-lhes a conhecer os seus caminhos.

Os caminhos do Senhor são misericórdia e fidelidade
para os que guardam a sua aliança e os seus preceitos.
O Senhor trata com familiaridade os que O temem
e dá-lhes a conhecer a sua aliança

 

SANTOS POPULARES


BEATA MARIA CLARA DO MENINO JESUS

Libânia do Carmo Galvão Mexia de Moura Telles e Albuquerque nasceu na Amadora em 15 de Junho de 1843, tendo sido batizada na Igreja de Nossa Senhora do Amparo, Benfica, em 2 de Setembro do mesmo ano. Órfã aos 14 anos, foi acolhida no Asilo Real da Ajuda, no qual recebeu, desde logo, uma formação humana e espiritual condizente com a sua posição social, pois era de uma família nobre. Em 1862, deixou a referida instituição e foi acolhida como dama de companhia na família dos Marqueses de Valada, seus parentes.
Em 1867, intuindo no seu íntimo o chamamento do Senhor para a vida religiosa, transferiu-se para o pensionato de São Patrício, em Lisboa, junto das Terceiras Capuchinhas de Nossa Senhora da Conceição e em 1869, vestiu o hábito de terceira e assumiu o nome de Irmã Maria Clara do Menino Jesus.
Para poder superar alguns obstáculos postos pelas leis portuguesas, que proibiam qualquer forma de vida religiosa, a Irmã Maria Clara do Menino Jesus foi enviada, pelo orientador espiritual da Fraternidade das Capuchinhas, Padre Raimundo dos Anjos Beirão, para França, onde no Mosteiro das Irmãs Franciscanas Hospitaleiras e Mestras de Calais, fez o noviciado e, em 1871, emitiu os votos.
Logo após o seu regresso a Portugal, a Irmã Maria Clara foi nomeada Superiora do Convento de São Patrício e, sob a segura orientação do Padre Raimundo Beirão, iniciou um processo de reforma da comunidade das Capuchinhas, transformando-a no berço das Irmãs Hospitaleiras Portuguesas, com o nome de Irmãs Hospitaleiras dos Pobres pelo Amor de Deus. Em 1874, esta instituição foi reconhecida pelo governo português, como Associação de Beneficência e, em 1876, obteve a plena aprovação do Papa Pio IX, assumindo a denominação de Congregação das Irmãs Franciscanas Hospitaleiras da Imaculada Conceição.
A Congregação nascente teve, desde o início, um grande florescimento de vocações e de obras, mas, ao mesmo tempo, foi alvo de muitas calúnias e oposições. Apesar das muitas dificuldades, a Mãe Clara continuou serenamente a sua obra de apostolado, repetindo muitas vezes que “Nada acontece no mundo sem a permissão de Deus”. Na verdade, ela permaneceu sempre totalmente fiel ao Senhor e à sua vontade, dedicando-se por inteiro ao crescimento espiritual das suas irmãs e à realização de muitas obras de apostolado para bem de todas as almas.
Ao longo de 28 anos, presidindo aos destinos da Congregação, recebeu cerca de 1000 irmãs e com elas tornou-se, podemos dizê-lo com toda a segurança, pioneira da acção social em Portugal, fundando mais de 142 obras, distribuídas por hospitais, enfermagem ao domicílio, creches, escolas, colégios, assistência a crianças e idosos, cozinhas económicas, entre outras. Nestas instituições o pobre, o doente, o desvalido de toda a sorte, a massa sobrante do seu tempo, puderam conhecer o amor e os cuidados de mulheres dedicadas inteiramente ao serviço dos mais necessitados, experimentando assim a ternura e a misericórdia de Deus.
A exortação frequente: “Trabalhemos com amor e por amor” era a síntese do seu viver. Só a caridade a norteava. Toda a sua vida foi um gastar-se no labor contínuo de “fazer o bem, onde houver o bem a fazer", lema de acção do Instituto por ela fundado. Esta mesma acção foi estendida, progressivamente, a Angola, Goa, Guiné e Cabo Verde.
A Irmã Maria Clara do Menino Jesus faleceu no Convento das Trinas, em Lisboa, no dia 1 de Dezembro de 1899, com 56 anos, vítima de doença cardíaca, asma e lesão pulmonar. Foi sepultada três dias depois, no cemitério dos Prazeres, acompanhada de enorme multidão de fiéis que reconheciam a sua santidade.
Sepultada no Cemitério dos Prazeres, foi trasladada, em 1954, para o Convento de Santo António, em Caminha, e repousa, a partir de 1988, na cripta da Capela da Casa-Mãe da Congregação, em Linda-a-Pastora, Queijas, Patriarcado de Lisboa, onde acorrem inúmeros devotos a implorar a sua intercessão junto de Deus.
Foi beatificada no dia 21 de Maio de 2011, no Estádio do Restelo, em Lisboa, em cerimónia presidida, pelo Cardeal-Patriarca de Lisboa, D. José Policarpo, e contou com a presença do Cardeal Ângelo Amato, Prefeito da Congregação para as causas dos Santos, que leu a Carta Apostólica da beatificação, em representação do Papa Bento XVI.
Na homilia da Missa, o Patriarca de Lisboa disse: “Libânia do Carmo, que tomou em religião o nome de Clara do Menino Jesus, nasceu num tempo singular e sentiu os desafios de ser cristã e de ser Igreja, numa sociedade cultural e politicamente a afastar-se do ideal cristão. As crises sociais e as epidemias da peste indicaram-lhe os pobres como destinatários do seu amor. Mas não esqueçamos a sua ousadia missionária e a sua firmeza, mostrada perante todas as dificuldades com que se foi deparando. E as que encontrou no seio da sua própria família religiosa não foram, certamente, as mais fáceis. Mas não desistir é apanágio dos santos”.
A memória litúrgica da Beata Maria Clara do Menino Jesus celebra-se no dia 1 de Dezembro.

domingo, 22 de novembro de 2015

EM DESTAQUE



- CAPELÃO DO HOSPITAL DE SÃO SEBASTIÃO

Finalmente temos capelão no Hospital. Foram ultrapassados os obstáculos que, durante os 15 anos de funcionamento, impediram que os seus doentes, profissionais de saúde e demais funcionários, tivessem uma verdadeira e eficaz assistência espiritual e religiosa. De acordo com o sítio diocesano, na Internet, o Sr. Bispo do Porto, D. António Francisco dos Santos, nomeou capelão do Hospital da Feira o Padre Artur Manuel Monteiro Pinto, pároco de Espinho. O P. Monteiro Pinto foi, até ao Verão passado, pároco de Carregosa – Oliveira de Azeméis. Nomeado pároco de Espinho, em 25 de Julho de 2015, assume agora, também, a missão da assistência espiritual e religiosa à comunidade hospitalar, no Hospital de Feira. Desejamos ao P. Artur um profícuo apostolado neste serviço tão importante da presença da Igreja no meio dos mais débeis e dos que lhes prestam cuidados.

 

- VEM AÍ O ADVENTO

A Igreja inicia, no próximo dia 29 de Novembro, um novo Ano litúrgico com o “Tempo do Advento”: tempo que prepara o Natal de Jesus e abre o nosso coração para a expectativa da vinda do Senhor, no final dos tempos. Este tempo de Advento é formado pelas quatro semanas que antecedem o Natal.
A palavra «advento» significa presença, vinda, chegada… No mundo antigo, indicava a visita do rei ou do imperador; na linguagem cristã, refere-se à vinda de Deus, à sua presença no mundo. Conscientes da vinda misteriosa do Senhor, os cristãos são chamados a preparar o coração e a vida para acolher o Senhor que vem visitar o seu povo. O Advento deverá ser um tempo de espera, de sobriedade, de oração, de conversão interior, de comunhão fraterna e de alegria.
Este tempo, que nos conduz ao Presépio de Belém, ajude cada um a receber Jesus na casa do seu coração, para que Jesus o receba, também, um dia, na casa do Céu, na casa da eternidade.

PALAVRA DO PAPA FRANCISCO



- na Audiência-Geral, no dia 11 de Novembro, na Praça de São Pedro – Roma.

Estimados irmãos e irmãs, bom dia!
Com esta reflexão chegamos ao limiar do Jubileu; está iminente. À nossa frente está a porta; mas não só a porta santa; a outra: a grande porta da Misericórdia de Deus — e é uma porta bonita! — que recebe o nosso arrependimento, oferecendo a graça do seu perdão. A porta está generosamente aberta, e devemos ter coragem para cruzar o seu limiar. Cada um de nós tem, dentro de si, situações que pesam. Todos somos pecadores! Aproveitemos o momento que está a chegar e cruzemos o limiar desta misericórdia de Deus, que nunca se cansa de perdoar; nunca se cansa de nos esperar! Observa-nos; está sempre ao nosso lado. Coragem! Entremos por esta porta!
Do Sínodo dos Bispos, que celebrámos no passado mês de Outubro, todas as famílias e a Igreja inteira receberam um grande encorajamento a encontrar-se no limiar desta porta aberta. A Igreja foi animada a abrir as suas portas, para sair com o Senhor ao encontro dos filhos e das filhas a caminho - às vezes incertos, por vezes confusos - nestes tempos difíceis. As famílias cristãs, em particular, foram encorajadas a abrir a porta ao Senhor que espera entrar, trazendo a sua bênção e a sua amizade. E se a porta da misericórdia de Deus está sempre aberta, também as portas das nossas igrejas, das nossas comunidades, das nossas paróquias, das nossas instituições e das nossas dioceses devem estar abertas, a fim de que todos possamos sair para levar esta misericórdia de Deus. O Jubileu significa a grande porta da misericórdia de Deus, mas também as pequenas portas das nossas igrejas, abertas para permitir que o Senhor entre — ou muitas vezes que o Senhor saia — prisioneiro das nossas estruturas, do nosso egoísmo e de tantas situações.
O Senhor nunca força a porta: até Ele pede autorização para entrar. O Livro do Apocalipse diz: «Estou à porta e bato, se alguém ouvir a minha voz e me abrir a porta, entrarei na sua casa e cearemos, eu com ele e ele comigo» (3, 20). Imaginemos o Senhor a bater à porta do nosso coração! Na última grande visão do Livro do Apocalipse, assim se profetiza sobre a Cidade de Deus: «As suas portas não se fecharão de dia», o que significa para sempre, porque «já não haverá noite» (21, 25). No mundo, ainda há lugares onde não se fecham as portas à chave. Mas existem muitos onde as portas blindadas se tornaram normais. Não devemos render-nos à ideia de ter que aplicar este sistema à nossa vida inteira, à vida da família, da cidade, da sociedade. E muito menos à vida da Igreja. Seria terrível! Uma Igreja inóspita, assim como uma família fechada em si mesma, mata o Evangelho e torna o mundo árido. Não às portas blindadas na Igreja!... Não! Tudo aberto!...
A gestão simbólica das «portas» — dos umbrais, das passagens, das fronteiras — tornou-se crucial. Sem dúvida, a porta deve preservar, mas não rejeitar. A porta não deve ser forçada; ao contrário, é preciso pedir autorização, porque a hospitalidade resplandece na liberdade do acolhimento e ofusca-se na prepotência da invasão. A porta abre-se frequentemente para ver se, fora, há alguém que aguarda e talvez não tenha a coragem, nem sequer a força, para bater. Quantas pessoas perderam a confiança e não têm a coragem de bater à porta do nosso coração cristão, à porta das nossas igrejas?... E estão ali, sem coragem, porque os privamos da confiança!... Por favor, que isto nunca se verifique! A porta diz muito da casa, e também da Igreja. A gestão da porta requer um discernimento atento e, ao mesmo tempo, deve inspirar grande confiança. Gostaria de dedicar uma palavra de gratidão a todos os guardiões das portas: dos nossos condomínios, das instituições cívicas, das próprias igrejas. Muitas vezes, a prudência e a gentileza da portaria são capazes de conferir uma imagem de humanidade e de hospitalidade à casa inteira, já a partir da entrada. É preciso aprender destes homens e mulheres, que são guardiões dos lugares de encontro e de acolhimento da cidade do homem! Muito obrigado a todos vós, guardiões de tantas portas, quer sejam portas de habitações, quer de igrejas! Mas sempre com um sorriso, sempre mostrando a hospitalidade desta casa, dessa igreja, e assim as pessoas sentem-se felizes e bem-vindas naquele lugar.

Na verdade, sabemos que nós mesmos somos os guardiões e os servos da Porta de Deus; mas, como se chama a Porta de Deus? Jesus! Ele ilumina-nos em todas as portas da vida, inclusive nas portas do nosso nascimento e da nossa morte. Ele mesmo afirmou: «Eu sou a porta: se alguém entrar por mim será salvo; tanto entrará como sairá, e encontrará pastagem» (Jo 10, 9). Jesus é a porta que nos faz entrar e sair, porque o redil de Deus é um abrigo, não uma prisão! A casa de Deus é um abrigo, não uma prisão, e a porta chama-se Jesus! E se a porta estiver fechada, digamos: «Senhor, abre a porta!». Jesus é a porta e faz-nos entrar e sair. São ladrões aqueles que procuram evitar a porta… É curioso: os ladrões procuram sempre entrar por outro lado, pela janela, pelo telhado, mas evitam a porta, porque têm más intenções e entram sorrateiramente no aprisco para enganar as ovelhas, para se aproveitar delas. Devemos passar pela porta e ouvir a voz de Jesus: se ouvirmos o tom da sua voz, estaremos seguros, seremos salvos. Podemos entrar sem medo e sair sem perigo. Neste bonito discurso de Jesus, fala-se também do guardião, que tem a tarefa de abrir ao bom Pastor (cf. Jo 10, 2). Quando o guardião ouve a voz do Pastor, então abre e faz entrar as ovelhas que o Pastor traz consigo – todas -, inclusive aquelas que se perderam nos bosques e que o bom Pastor foi resgatar. As ovelhas não são escolhidas pelo guardião, nem pelo secretário paroquial, nem sequer pela secretária da paróquia; as ovelhas são todas convidadas, escolhidas pelo bom Pastor. O guardião - também ele - obedece à voz do Pastor. Assim, poderíamos dizer que devemos ser como aquele guardião. A Igreja é a porteira da casa do Senhor, não a dona da casa do Senhor!
A Sagrada Família de Nazaré sabe bem o que significa uma porta aberta ou fechada, para quem espera um filho, para quantos não têm abrigo, para quem deve fugir do perigo! As famílias cristãs façam da soleira da sua casa um pequeno “grande sinal” da Porta da misericórdia e da hospitalidade de Deus. É precisamente assim que a Igreja deverá ser reconhecida em todos os recantos da terra: como a sentinela de um Deus que bate à porta; como o acolhimento de um Deus que não nos fecha a porta na cara, com a desculpa de que não somos de casa. Aproximemo-nos do Jubileu com este espírito: haverá a porta santa, mas também a porta da grande misericórdia de Deus! Haja, também, a porta do nosso coração, para recebermos todos o perdão de Deus e, por nossa vez, darmos o nosso perdão, recebendo todos aqueles que batem à nossa porta.
(cf. Santa Sé)

PARA REZAR


HINO A CRISTO-REI (Liturgia das Horas: Vésperas II)

Dominador dos séculos, Senhor,
Rei de todas as gentes e nações:
A Vós a aclamação das multidões,
A Vós o nosso cântico de amor.

Adoram-Vos os Anjos das Alturas,
Entre coros de júbilo, nos Céus,
Só ao poder das vossas mãos, ó Deus,
Se renda o coração das criaturas.

Sois o Rei da bondade e do perdão,
O Príncipe da paz, que afasta a guerra
E veio irmanar em toda a terra
Os homens em divina comunhão.

Faça-se a voz das almas um só hino
Nos tempos e através da eternidade.
Louvemos a Santíssima Trindade:
O Pai, o Filho, o Espírito divino.

 

 


SALMO 92

Refrão: O Senhor é rei num trono de luz.

O Senhor é rei,
revestiu-Se de majestade,
revestiu-Se e cingiu-Se de poder.

Firmou o universo, que não vacilará.
É firme o vosso trono desde sempre,
Vós existis desde toda a eternidade.

Os vossos testemunhos são dignos de toda a fé,
a santidade habita na vossa casa
por todo o sempre.

SANTOS POPULARES


SANTA CECÍLIA YU SO-SA

Cecília nasceu em Seul, a actual capital da Coreia do Sul, em 1761. Ainda jovem, casou com o viúvo Agostinho Yak-jong, um dos primeiros cristãos da Coreia. Com ele foi para a capital e, ali, recebeu o sacramento do baptismo das mãos do Pe. Chu Mun-mo, missionário chinês na Coreia. O seu marido, Agostinho, foi martirizado em 1801, juntamente com Carlos Chong Chol-sang, filho do primeiro casamento do seu marido. Nessa altura, Cecília foi presa e libertada algum tempo depois. Mas, todos os seus bens foram confiscados. Cecília, viúva e privada dos seus bens, viu-se tocada pela pobreza e decidiu regressar, com os seus filhos, a Majae, a região da família do seu marido. Ali, foi recebida friamente pelo seu cunhado, pessoa avessa ao cristianismo. Foi um amigo do seu falecido marido que teve compaixão dela e lhe ofereceu uma casa para morar. A frieza dos antigos amigos e parentes trouxe-lhe muita tristeza e inquietação.
Enfrentou, corajosamente, a morte da viúva de Carlos, o filho do seu marido, martirizado; do filho daquele casal; e da sua própria filha mais velha. No meio de toda esta desgraça, Cecília permaneceu firme na fé; conservou viva a fortaleza da paciência. Frente à hostilidade de que era objecto, manteve sempre uma conduta prudente, não fazendo alarde do cristianismo, mas não deixando de transmitir a doutrina cristã aos seus filhos, no âmbito do seu lar. Quando o seu filho, Paulo, atingiu a idade dos 20 anos, sugeriu que ele se casasse. Ele, porém, disse-lhe que queria dedicar a sua vida a continuar a obra evangelizadora do seu pai mártir. Decidiu, então, partir para a capital, deixando a mãe e a irmã, em Majae. Cecília temia os perigos pelos quais o seu filho passaria para reorganizar o ressurgimento do cristianismo; mas, aceitou, serenamente, a sua decisão, sabendo que ele não a poderia ajudar nas necessidades da sua família. Em 1827, o Bispo de Pequim recriminou Paulo por não prestar ajuda à sua mãe. Então, Paulo trouxe-a consigo para a capital, juntamente com a sua irmã Isabel. A vida, na capital, era muito difícil e, por isso, Cecília resolveu voltar para Majae. Porém, convenceram-na a ficar, para ajudar os missionários que recomeçaram a chegar à Coreia. Nesta tarefa, Cecília assistia diariamente à Missa e dedicava-se a ajudar os católicos mais pobres. 
Em 1839, recomeçou a perseguição aos cristãos e foi aconselhada a partir para Majae, mas ela preferiu ficar. No íntimo do coração, ela e a filha, Isabel, sentiram que deviam começar a preparar-se para o martírio.
No dia 1 de Junho, estando o seu filho ausente, foi presa. Quando lhe perguntaram se era verdade que era católica, respondeu que sim. Quando foi intimada a abandonar a sua religião e a denunciar os demais católicos, disse que não sabia onde os outros cristãos moravam e que estava disposta a morrer para conservar a sua fé
Foi interrogada cinco vezes e cada interrogatório era acompanhado de agressões físicas, com golpes de cana de bambu, que a deixaram às portas da morte. Em seguida, foi levada para a prisão de Bo-jeong, onde morreu no dia 23 de Novembro de 1839, com quase oitenta anos de idade.
Cecília Yu So-Sa foi canonizada no dia 6 de Maio de 1984, em Seul, capital da Coreia do Sul, pelo Papa João Paulo II, juntamente com mais 102 mártires coreanos. Entre estes, contam-se, também, os seus dois filhos mártires: São Paulo Chong Ha-sang e Santa Isabel Chong Chong-hye. Na homilia da celebração eucarística, o Papa disse: “… Os mártires da Coreia deram testemunho de Cristo, morto e ressuscitado. No sacrifício da própria vida, tornaram-se, de um modo muito especial, semelhantes a Cristo. Na verdade, eles puderam fazer suas as palavras de São Paulo: ‘Trazemos sempre no nosso corpo os traços da morte de Jesus, para que também a vida de Jesus se manifeste no nosso corpo… somos, a toda a hora, entregues à morte por causa de Jesus, para que, também, a vida de Jesus apareça na nossa carne mortal’. (2 Cor.4, 10-11) A morte dos mártires é semelhante à morte de Cristo na cruz porque, como a morte de Cristo, também a sua se tornou o início de uma nova vida. Esta nova vida não foi manifestada unicamente neles, isto é, naqueles que sofreram uma morte como a de Cristo, mas foi estendida a outros. Tornou-se fermento da Igreja como comunidade viva de discípulos e de testemunhas de Jesus Cristo. ‘O sangue dos mártires é fermento de cristãos’: estas palavras do primeiro século do cristianismo encontram confirmação aqui, diante dos nossos olhos…”
A memória litúrgica de Santa Cecília Yu So-Sa celebra-se no dia 23 de Novembro.

terça-feira, 17 de novembro de 2015

EM DESTAQUE


 
- ATENTADOS EM PARIS

Uma notícia triste… Mais de 130 mortos e dezenas de feridos graves!... Uma realidade triste e sofredora que toca profundamente os nossos corações. Partilhamos a nossa revolta, a nossa solidariedade e a nossa oração. A barbárie não pode ser o futuro do mundo e da vida. O respeito, a tolerância, a paz, a lealdade e a comunhão fraterna entre os povos farão florir a vida sem violência, sem rancor, sem divisão, sem medo. Esta Sexta-Feira, dia 13 de Novembro de 2015, possa ser, para o mundo inteiro, um clamor de sofrimento e de dor que anuncie a urgência de abrir o coração ao Deus do Amor, da Paz e da Vida.
O Cardeal Parolin, Secretário de Estado da Santa Sé, enviou, em nome do Papa Francisco, ao Arcebispo de Paris, a seguinte carta:
“Tendo conhecimento dos horríveis ataques terroristas, ocorridos em Paris e junto do Estádio de França, que causaram a morte a muitíssimas pessoas e feriram muitas outras, Sua Santidade, o Papa francisco, associa-se, pela oração, ao sofrimento das famílias atingidas por este drama e, também, à dor do povo francês. Invoca Deus, Pai de misericórdia, para que acolha as vítimas na paz da Sua luz e dê conforto e esperança aos feridos e às suas famílias. O Papa assegura-lhes, como a todas as pessoas que os socorreram, a sua proximidade espiritual. Uma vez mais, o Santo Padre condena, vigorosamente, a violência que nada pode resolver e pede a Deus que inspire, em todos, pensamentos de paz e de solidariedade, derramando sobre as famílias em provação, e sobre todos os franceses, a abundância das Suas bênçãos.”

 

- SEMANA DOS SEMINÁRIOS

Termina neste Domingo, dia 15 de Novembro, a Semana dos Seminários, cujo tema foi: “Olhou-os com misericórdia…” O Senhor olha para todos com misericórdia mas, alguns são tocados, mais fortemente, pelo mistério do amor de Deus e decidem seguir um caminho de entrega, de doação, de serviço que os aproxima mais dos passos de Cristo. O Senhor olhou-os com misericórdia e eles deixaram tudo e seguiram-no…
Damos a conhecer um pouco dos nossos seminários:

- PRÉ-SEMINÁRIO: Comunidade não residente do Seminário do Bom Pastor
O Pré-Seminário, comunidade não residente do Seminário do Bom Pastor em simultâneo com a apresentação do ideal do Sacerdócio Ministerial, cultiva a disponibilidade para a resposta à vocação. O seu projecto formativo compreende um acompanhamento diferenciado: desde o segundo ciclo básico (5º ano de escolaridade) até à Universidade/trabalho. É frequentado por 29 jovens até ao final do 3º ciclo, a que se acrescentam 28 a frequentar o Secundário, na Universidade ou já a trabalhar, num total de 57.

- SEMINÁRIO DO BOM PASTOR: Comunidade residente
O Seminário do Bom Pastor é frequentado por 26 seminaristas, provenientes das comunidades paroquiais. A formação desenvolve-se em quatro anos: os três primeiros correspondem aos anos do Ensino Secundário e são de preparação vocacional. O quarto ano desenvolve as características propedêuticas e de fundamentação presentes em todo o processo formativo, tendo por objectivo primeiro o discernimento da vocação sacerdotal.

 - SEMINÁRIO DE NOSSA SENHORA DA CONCEIÇÃO: Seminário Maior
O Seminário Maior de Nossa Senhora da Conceição do Porto (Seminário da Sé) é frequentado por 29 seminaristas, 5 deles em estágio. A comunidade completa-se com a presença de seminaristas das dioceses de Coimbra e de Vila Real.

- SEMINÁRIO MISSIONÁRIO DIOCESANO “REDEMPTORIS MATER” DO PORTO: Seminário de Santa Teresa do Menino Jesus
O Seminário “Redemptoris Mater” é frequentado por 15 seminaristas, provenientes das comunidades Neocatecumenais. (cf. Guião da Semana dos Seminários…)



- SOLENIDADE DE CRISTO-REI

No próximo Domingo, dia 22 de Novembro, a Igreja celebra a Solenidade de Cristo, Rei e Senhor do Universo. Para compreendermos melhor o sentido desta celebração, apresentamos a mensagem do Papa Bento XVI, na Oração do Ângelus, do dia 22 de Novembro de 2009, na Praça de São Pedro, em Roma:
“…Neste último domingo do Ano litúrgico celebramos a solenidade de Jesus Cristo Rei do universo, uma festa instituída recentemente, mas que tem contudo profundas raízes bíblicas e teológicas. O título "rei", referido a Jesus, é muito importante nos Evangelhos e permite fazer uma leitura completa da sua figura e da sua missão de salvação. Pode-se observar a este propósito uma progressão:  parte-se da expressão "rei de Israel" e chega-se à de rei universal, Senhor da criação e da história, portanto muito além das expectativas do próprio povo judeu. No centro deste percurso de revelação da realeza de Jesus Cristo está mais uma vez o mistério da sua morte e ressurreição. Quando Jesus é crucificado, os sacerdotes, os escribas e os idosos escarnecem-no dizendo:  "Se é o rei de Israel, desça da cruz, e acreditaremos n'Ele" (Mt 27, 42). Na realidade, precisamente porque é o Filho de Deus Jesus entregou-se livremente à sua paixão, e a cruz é o sinal paradoxal da sua realeza, que consiste na vontade do amor de Deus Pai sobre a desobediência do pecado. É precisamente oferecendo-se a si mesmo no sacrifício de expiação que Jesus se torna o Rei universal, como Ele mesmo declarará ao aparecer aos Apóstolos depois da ressurreição:  "Foi-Me dado todo o poder no céu e na terra" (Mt 28, 18). Mas em que consiste o "poder" de Jesus Cristo Rei? Não é o dos reis e dos grandes deste mundo; é o poder divino de dar a vida eterna, de libertar do mal, de derrotar o domínio da morte. É o poder do Amor, que do mal sabe obter o bem, enternecer um coração endurecido, levar paz ao conflito mais áspero,  acender  a  esperança  na  escuridão mais  cerrada.  Este  Reino da Graça nunca se impõe, e respeita sempre a nossa liberdade. Cristo veio para "dar testemunho da verdade" (Jo 18, 37) – como declarou diante de Pilatos –:  quem acolhe o seu testemunho, coloca-se sob a sua "bandeira", segundo a imagem querida a Santo Inácio de Loyola. Portanto, torna-se necessária – sem dúvida – para cada consciência uma opção:  quem quero seguir? Deus ou o maligno? A verdade ou a mentira? Escolher Cristo não garante o sucesso segundo os critérios do mundo, mas assegura aquela paz e alegria que só Ele pode dar. Demonstra isto, em todas as épocas, a experiência de tantos homens e mulheres que, em nome de Cristo, em nome da verdade e da justiça, souberam opor-se às lisonjas dos poderes terrenos com as suas diversas máscaras, até selar com o martírio esta sua fidelidade. Queridos irmãos e irmãs, quando o Anjo Gabriel levou o anúncio a Maria, prenunciou-lhe que o seu Filho teria herdado o trono de David e reinado para sempre (cf. Lc 1, 32-33). E a Virgem Santa acreditou ainda antes de O dar ao mundo. Depois, sem dúvida, teve que se interrogar sobre qual novo género de realeza era a de Jesus, e compreendeu-o ouvindo as suas palavras e sobretudo participando intimamente do mistério da sua morte e ressurreição. Peçamos a Maria que nos ajude também a nós a seguir Jesus, nosso Rei, como ela fez, e a dar testemunho dele com toda a nossa existência.”

PALAVRA DO PAPA FRANCISCO



- na Audiência-Geral, no dia 11 de Novembro, na Praça de São Pedro – Roma.

Estimados irmãos e irmãs, bom dia!
Hoje reflectiremos sobre uma qualidade característica da vida familiar que se aprende desde os primeiros anos de vida: a convivência, isto é, a atitude que leva a partilhar os bens da vida e a sentir-se feliz por poder fazê-lo. Partilhar - saber partilhar - é uma virtude preciosa! O seu símbolo, o seu «ícone», é a família reunida ao redor da sua mesa. A partilha da refeição – e muito mais do que a partilha do alimento, mas também dos afectos, das conversas, dos acontecimentos... - é uma experiência fundamental. Quando há uma festa, um aniversário, todos se reúnem à volta da mesa. Em algumas culturas é costume fazê-lo inclusive no luto, para se estar próximo de quem sofre pela perda de um familiar. A convivência é um termómetro seguro para medir a saúde das relações: se na família há algum problema, ou alguma ferida escondida, à mesa compreende-se imediatamente. Uma família que raramente come junta, ou na qual à mesa não se fala mas se vê televisão ou o smartphone, é uma família «pouco família». Quando os filhos, à mesa, estão ligados ao computador, ao telemóvel, e não se escutam entre si, isto não é família, é uma pensão. Todos sabem que o Cristianismo tem uma especial vocação para a convivência. O Senhor Jesus ensinava, de bom grado, à mesa, e, às vezes, representava o reino de Deus como um banquete festivo. Jesus escolheu a mesa também para confiar aos discípulos o seu testamento espiritual - fê-lo numa ceia - condensado no gesto memorial do seu Sacrifício: dom do seu Corpo e do seu Sangue como Alimento e Bebida de salvação, que nutrem o amor verdadeiro e duradouro. Nesta perspectiva, podemos dizer que, na Missa, a família está «em casa», precisamente porque leva para a Eucaristia a própria experiência de convivência familiar e a abre à graça de uma convivência universal, do amor de Deus pelo mundo. Participando na Eucaristia, a família é purificada da tentação de se fechar em si mesma, fortalecida no amor e na fidelidade, e alarga a fronteira da fraternidade, segundo o coração de Cristo.
Neste nosso tempo, marcado por tantos fechamentos e por demasiados muros, a convivência, gerada pela família e dilatada pela Eucaristia, torna-se uma oportunidade crucial. A Eucaristia e as famílias, por ela nutridas, podem vencer os isolamentos e construir pontes de acolhimento e de caridade. Sim, a Eucaristia de uma Igreja de famílias, capazes de restituir à comunidade o fermento activo da convivência e da hospitalidade recíproca, é uma escola de inclusão humana que não teme os confrontos! Não há pequenos, órfãos, débeis, indefesos, feridos e desiludidos, desesperados e abandonados que a convivência eucarística das famílias não possa nutrir, fortalecer, proteger e acolher. A memória das virtudes familiares ajuda-nos a compreender. Nós mesmos tivemos conhecimento, e ainda conhecemos, quantos milagres podem acontecer quando uma mãe, para além de tomar conta dos seus filhos, toma conta e dá atenção, assistência e cuidado aos filhos dos outros. Até há pouco tempo, bastava uma mãe para tomar conta de todas as crianças do pátio! E ainda: sabemos bem a força que tem um povoado cujos pais estão prontos a acorrer para proteger os filhos uns dos outros, porque consideram os filhos um bem indivisível; e sentem-se felizes e orgulhosos de os proteger. Hoje, muitos contextos sociais põem obstáculos à convivência familiar. É verdade!... Hoje não é fácil. Devemos encontrar o modo de a recuperar. À mesa fala-se; à mesa ouve-se. Nada de silêncio; nada daquele silêncio que não é o silêncio das monjas, mas o silêncio do egoísmo, onde cada um faz o que quer, ou vê a televisão ou brinca com o computador... E não se fala!... Não!... Nada de silêncio. É preciso recuperar a convivência familiar, adaptando-a aos tempos. A convivência parece que se tornou algo que se compra e se vende; mas assim é outra coisa. E a comida nem sempre é o símbolo de uma partilha justa dos bens, capaz de chegar àqueles que não têm pão nem afectos. Nos países ricos, somos induzidos a gastar numa alimentação excessiva e, depois, somos, de novo, induzidos a remediar o excesso. E este «negócio» insensato desvia a nossa atenção da fome verdadeira, do corpo e da alma. Quando não há convivência há egoísmo e cada um pensa em si mesmo. E isto é tão verdade que a publicidade a reduziu a uma languidez de merendinhas e a um desejo de docinhos. Enquanto isto, há tantos, demasiados, irmãos e irmãs que permanecem longe da mesa. Isto é vergonhoso!
Olhemos para o mistério do Banquete eucarístico. O Senhor parte o seu Corpo e derrama o seu Sangue por todos. Em verdade, não há divisão que possa resistir a este Sacrifício de comunhão; só a atitude de falsidade, de cumplicidade com o mal pode excluir-nos dele. Qualquer outro afastamento não pode resistir ao poder indefeso deste pão partido e deste vinho derramado, Sacramento do único Corpo do Senhor. A aliança viva e vital das famílias cristãs - que precede, apoia e abraça, no dinamismo da sua hospitalidade, as dificuldades e as alegrias diárias - coopera com a graça da Eucaristia, que é capaz de criar comunhão sempre nova com a sua força que inclui e salva. A família cristã mostrará, precisamente assim, a amplidão do seu verdadeiro horizonte, que é o horizonte da Igreja-Mãe de todos os homens, de todos os abandonados e excluídos, em todos os povos. Rezemos para que esta convivência familiar possa crescer e amadurecer no tempo de graça do próximo Jubileu da Misericórdia.  (cf. Santa Sé)

PARA REZAR


SALMO 15

Refrão: Defendei-me, Senhor: Vós sois o meu refúgio.

Senhor, porção da minha herança e do meu cálice,
está nas vossas mãos o meu destino.
O Senhor está sempre na minha presença,
com Ele a meu lado não vacilarei.

Por isso o meu coração se alegra e a minha alma exulta
e até o meu corpo descansa tranquilo.
Vós não abandonareis a minha alma na mansão dos mortos,
nem deixareis o vosso fiel sofrer a corrupção.

Dar-me-eis a conhecer os caminhos da vida,
alegria plena em vossa presença,
delícias eternas à vossa direita.

SANTOS POPULARES


SANTA MATILDE DE HACKEBORN

            - na palavra do Papa Bento XVI, Audiência-Geral, na Praça de São Pedro, no dia 29 de Setembro de 2010

“…Estimados irmãos e irmãs
Hoje gostaria de falar-vos de Santa Matilde de Hackeborn, uma das grandes figuras do Mosteiro de Helfta, que viveu no século XIII. A sua irmã de hábito, Santa Gertrudes, a Grande, no livro VI da obra Liber specialis gratiae (O livro da graça especial), em que são narradas as graças especiais que Deus concedeu a Santa Matilde, afirma assim: «O que escrevemos é muito pouco em comparação com o que omitimos. Publicamos estas coisas só para a glória de Deus e a utilidade do próximo, porque nos pareceria injusto manter o silêncio sobre as numerosas graças que Matilde recebeu de Deus, não tanto para si mesma, na nossa opinião, mas para nós e para aqueles que vierem depois de nós» (Mechthild von Hackeborn, Liber specialis gratiae, VI, 1). Esta obra foi redigida por Santa Gertrudes e por outra irmã de hábito, de Helfta, e contém uma história singular. Matilde, com cinquenta anos de idade, atravessava uma grave crise espiritual, unida a sofrimentos físicos. Nesta condição, confiou às duas irmãs de hábito amigas, as graças especiais com que Deus a tinha guiado desde a infância, mas não sabia que elas anotavam tudo. Quando o veio a saber, ficou profundamente angustiada e perturbada. Porém, o Senhor tranquilizou-a, fazendo-lhe compreender que quanto estava a ser escrito era para a glória de Deus e a vantagem do próximo (cf. ibid., II, 25; V, 20). Assim, esta obra é a fonte principal da qual haurir as informações sobre a vida e a espiritualidade da nossa Santa.
Com ela, somos introduzidos na família do Barão de Hackeborn, uma das mais nobres, ricas e poderosas da Turíngia, aparentada com o imperador Frederico II, e entramos no Mosteiro de Helfta no período mais glorioso da sua história. O Barão já tinha dado ao mosteiro uma filha, Gertrudes de Hackeborn (1231/1232 -1291/1292), dotada de uma personalidade acentuada, Abadessa por quarenta anos, capaz de dar um cunho peculiar à espiritualidade do mosteiro, levando-o a um florescimento extraordinário como centro de mística e de cultura, escola de formação científica e teológica. Gertrudes ofereceu às monjas uma elevada educação intelectual, que lhes permitia cultivar uma espiritualidade fundada na Sagrada Escritura, na Liturgia, na Tradição patrística, na Regra e na espiritualidade cisterciense, com preferência especial por São Bernardo de Claraval e Guilherme de Saint-Thierry. Foi uma verdadeira mestra, exemplar em tudo, na radicalidade evangélica e no zelo apostólico. Desde a infância, Matilde acolheu e saboreou o clima espiritual e cultural criado pela irmã, oferecendo depois a sua contribuição pessoal.

Matilde nasce em 1241, ou 1242, no castelo de Helfta; é a terceira filha do Barão. Com sete anos de idade, visita, com a mãe, a irmã Gertrudes no Mosteiro de Rodersdorf. Fica tão fascinada por aquele ambiente, que deseja ardentemente fazer parte dele. Entra como educanda e, em 1258, torna-se monja no Convento que, entretanto, se tinha transferido para Helfta, na quinta dos Hackeborn. Distingue-se por humildade, fervor, amabilidade, pureza e inocência de vida, familiaridade e intensidade com que vive a relação com Deus, a Virgem e os Santos. É dotada de elevadas qualidades naturais e espirituais, como «a ciência, a inteligência, o conhecimento das letras humanas, a voz de uma suavidade maravilhosa: tudo a tornava apta para ser no mosteiro um autêntico tesouro, sob todos os aspectos» (Ibid., Introdução). Assim, «o rouxinol de Deus» - como é chamada - ainda muito jovem, torna-se directora da escola do Mosteiro, directora do coro, mestra das noviças, serviços que desempenha com talento e zelo incansável, não só em vantagem das monjas, mas de quem quer que desejasse haurir da sua sabedoria e bondade.Iluminada pelo dom divino da contemplação mística, Matilde compõe numerosas orações. É mestra de doutrina fiel e de grande humildade, conselheira, consoladora e guia no discernimento: «Ela - lê-se - transmitia a doutrina com tal abundância, que jamais se tinha visto no Mosteiro e, infelizmente, tememos que nunca mais se verá algo de semelhante. As religiosas reuniam-se ao seu redor para ouvir a palavra de Deus, como se fosse um pregador. Era o refúgio e a consoladora de todos e, como dom singular de Deus, tinha a graça de revelar livremente os segredos do coração de cada um. Muitas pessoas, não só no Mosteiro, mas também estranhos, religiosos e seculares, vindos de longe, testemunhavam que esta santa virgem os tinha libertado dos seus sofrimentos e que nunca haviam experimentado tanta consolação como nela. Além disso, compôs e ensinou tantas orações que, se fossem reunidas, excederiam o volume de um saltério» (Ibid., VI, 1). Em 1261, chegou ao convento uma criança de cinco anos, chamada Gertrudes: é confiada aos cuidados de Matilde, com apenas vinte anos, que a educa e guia na vida espiritual, a ponto de fazer dela não só a discípula excelente, mas também a sua confidente. Em 1271, ou 1272, entra no mosteiro também Matilde de Magdeburgo. Assim, o lugar acolhe quatro grandes mulheres -duas Gertrudes e duas Matildes - glória do monaquismo germânico. Na longa vida transcorrida no Mosteiro, Matilde é afligida por sofrimentos contínuos e intensos, aos quais se acrescentam as duríssimas penitências escolhidas para a conversão dos pecadores. Deste modo, participa na paixão do Senhor até ao fim da sua vida (cf. ibid., VI, 2). A oração e a contemplação são o húmus vital da sua existência: as revelações, os seus ensinamentos, o seu serviço ao próximo, o seu caminho na fé e no amor encontram aqui a sua raiz e o seu contexto. No primeiro livro da obra ‘Liber specialis gratiae’, as redactoras reúnem as confidências de Matilde, cadenciadas nas festas do Senhor, dos Santos e, de modo especial, da Bem-Aventurada Virgem. É impressionante a capacidade que esta Santa tem de viver a Liturgia nos seus vários componentes, mesmo as mais simples, levando-a na vida monástica quotidiana. Em algumas imagens, expressões e aplicações - às vezes estão longe da nossa sensibilidade mas, se se consideram a vida monástica e a sua tarefa de mestra e directora de coro - compreende-se a sua capacidade singular de educadora e formadora, que ajuda as irmãs de hábito a viver intensamente, a partir da Liturgia, cada momento da vida monástica. Na oração litúrgica, Matilde dá realce particular às horas canónicas, à celebração da Santa Missa e sobretudo à Sagrada Comunhão. Aqui, é com frequência arrebatada em êxtase, numa profunda intimidade com o Senhor, no seu Coração ardentíssimo e dulcíssimo, num diálogo maravilhoso em que pede luzes interiores, enquanto intercede, de modo especial, pela sua comunidade e pelas suas irmãs de hábito. No centro estão os mistérios de Cristo, aos quais a Virgem Maria se refere constantemente para caminhar pela vida da santidade: «Se tu desejas a verdadeira santidade, está perto do meu Filho; Ele é a própria santidade, que santifica todas as coisas» (Ibid., I, 40). Nesta sua intimidade com Deus estão presentes o mundo inteiro, a Igreja, os benfeitores e os pecadores. Para ela, Céu e terra unem-se. As suas visões, os seus ensinamentos e as vicissitudes da sua existência são descritos com expressões que evocam a linguagem litúrgica e bíblica. É assim que se entende o seu profundo conhecimento da Sagrada Escritura, que era o seu pão de cada dia. Recorre a ela continuamente, quer valorizando os textos bíblicos lidos na liturgia, quer haurindo símbolos, termos, paisagens, imagens e personagens. A sua predilecção é pelo Evangelho: «As palavras do Evangelho eram para ela um alimento maravilhoso e suscitavam no seu coração sentimentos de tanta docilidade, que muitas vezes, pelo entusiasmo, não conseguia terminar a sua leitura... O modo como lia aquelas palavras era tão fervoroso, que em todos suscitava a devoção. Assim também, quando cantava no coro, vivia totalmente absorvida em Deus, transportada por tanto ardor que às vezes manifestava os seus sentimentos com gestos... Outras vezes, como que arrebatada em êxtase, não ouvia quantos a chamavam ou a moviam, e mal conseguia retomar o sentido das coisas exteriores» (Ibid., VI, 1). Numa das visões, é o próprio Jesus quem lhe recomenda o Evangelho: abrindo-lhe a chaga do seu dulcíssimo Coração, diz-lhe: «Considera como é imenso o meu amor: se quiseres conhecê-lo bem, em nenhum lugar o encontrarás expresso mais claramente do que no Evangelho. Ninguém jamais ouviu alguém manifestar sentimentos mais fortes e mais ternos do que estes: Assim como o meu Pai me amou, também Eu vos amei (João XV, 9)» (Ibid., I, 22). Caros amigos, a oração pessoal e litúrgica, especialmente a Liturgia das Horas e a Santa Missa, estão na raiz da experiência espiritual de Santa Matilde de Hackeborn. Deixando-se guiar pela Sagrada Escritura e alimentar pelo Pão eucarístico, Ela percorreu um caminho de união íntima com o Senhor, sempre em plena fidelidade à Igreja. Isto é para nós também um forte convite a intensificar a nossa amizade com o Senhor, sobretudo através da oração quotidiana e a participação atenta, fiel e concreta na Santa Missa. A Liturgia é uma grande escola de espiritualidade. A discípula Gertrudes descreve com expressões intensas os últimos momentos da vida de Santa Matilde de Hackeborn, duríssimos mas iluminados pela presença da Beatíssima Trindade, do Senhor, da Virgem Maria e de todos os Santos, mas inclusive da irmã de sangue, Gertrudes. Quando chegou a hora em que o Senhor quis chamá-la para junto de Si, ela pediu-lhe para poder viver ainda no sofrimento, para a salvação das almas, e Jesus compadeceu-se deste ulterior sinal de amor. Matilde tinha 58 anos. Percorreu a última etapa caracterizada por oito anos de graves doenças. A sua obra e a sua fama de santidade difundiram-se amplamente. Quando chegou a sua hora, «o Deus de Majestade...única suavidade da alma que O ama...cantou-lhe: Venite vos, benedicti Patris mei... Vinde, ó vós que sois os benditos do meu Pai, vinde receber o reino... e associou-o à sua glória» (Ibid., VI, 8). Santa Matilde de Hackeborn confia-nos ao Sagrado Coração de Jesus e à Virgem Maria. Convida a louvar o Filho com o Coração da Mãe e a louvar Maria com o Coração do Filho: «Saúdo-te, ó Virgem veneradíssima, naquele orvalho dulcíssimo que do Coração da Santíssima Trindade se difundiu em ti; saúdo-te na glória e no júbilo com que agora te alegras eternamente, Tu que por preferência a todas as criaturas da terra e do Céu, foste eleita ainda antes da criação do mundo! Amém» (Ibid., I, 45)…”
Matilde de Hackeborn faleceu no dia 19 de Novembro de 1298, no Mosteiro de Helfta. A sua memória litúrgica celebra-se a 19 de Novembro.

quarta-feira, 11 de novembro de 2015

EM DESTAQUE


- MENSAGEM DO SENHOR BISPO DO PORTO

 1. Realizar o Evangelho, cumprir a Missão
Neste início do Ano Pastoral, vemos com muita alegria o interesse manifestado e a motivação sentida pelas vigararias, paróquias, secretariados, serviços diocesanos, comunidades religiosas e movimentos apostólicos ao assumirem o espírito, o lema, os objectivos e os percursos do Plano Diocesano de Pastoral da nossa Diocese.
Temos partilhado isso mesmo nas reuniões realizadas aos vários níveis do nosso percurso e nas diferentes instâncias da corresponsabilidade pastoral. Verificamos, igualmente, como os passos dados nos revelam o sentido de comunhão e o espírito de renovação que nos cumpre imprimir em todas as propostas e metas de acção pastoral.
Com este espírito e com esta pedagogia saberemos fazer da “Alegria do Evangelho a nossa missão” e proclamar “Felizes os Misericordiosos!” Assim se consolida a comunhão diocesana neste caminho sinodal e se fortalece o desígnio de missão que a todos deve envolver e mobilizar, como nos pede o Papa Francisco.
A Caminhada de Advento-Natal 2015-2016, que tem por tema: ”Há mais alegria em dar(-se): felizes os misericordiosos”, cujo texto está, a partir de hoje, já disponibilizado na página da Diocese e em formato impresso, constitui mais uma etapa a cumprir este desígnio de missão e esta metodologia pastoral. Convidamos todas as comunidades cristãs, comunidades religiosas, movimentos e grupos apostólicos a aproveitar este contributo pastoral para mobilizar todos os seus membros para a preparação e celebração do nascimento de Jesus.

 2. Semana dos Seminários: Olhou-os com misericórdia…
Compreendemos que a Semana dos Seminários, que decorre de 8 a 15 deste mês de Novembro, se inspire no valor evangélico da misericórdia de Deus e seja vivida em sintonia com a Igreja Universal, que se prepara para celebrar o Ano da Misericórdia.
A vocação nasce sempre no coração de Deus, que olha todos os seus filhos com misericórdia e entre eles escolhe alguns para que, envolvidos e configurados sacramentalmente com Cristo, Bom Pastor e rosto de Misericórdia, O possam seguir para continuarem no tempo este ministério de amor, de bondade e de misericórdia
A Semana dos Seminários ajuda os jovens, os seminaristas, as famílias, as comunidades a voltar-se para Deus, porque Ele nos “olha com misericórdia” e continua a chamar trabalhadores para a Sua Messe, como nos lembra o lema desta Semana.
Cumpre-nos rezar com persistência para que Deus, ao chamar, encontre no coração das famílias do nosso tempo e no chão fecundo das comunidades da nossa Diocese jovens que se disponham a seguir o Mestre com alegria, generosidade e perseverança.
Dou graças a Deus pelos nossos Seminários, por quantos aí vivem e trabalham, pelos seminaristas, equipas formadoras, colaboradores, amigos e beneméritos. A Semana dos Seminários é sempre uma hora feliz de acção de graças a Deus e de gratidão às pessoas pelos Seminários que temos, pelo bem imprescindível que realizam e pela missão insubstituível que cumprem.
A missão de formar pastores é de toda a Igreja e a favor de toda a Igreja. Sabemos, porém, que a missão específica da formação está confiada, por mandato da Igreja e para bem de todo o Povo cristão, às Equipas Formadoras dos nossos Seminários e a quantos, sob a sua orientação, aí trabalham, muitas vezes de forma discreta e silenciosa. É de gratidão, também, para todos eles esta palavra, consciente da delicadeza da missão e do peso do trabalho que a Igreja lhes confia.
As comunidades paroquiais, no seu todo, com as crianças, jovens, famílias, idosos, doentes, grupos e movimentos são, assim, convidadas a fazer desta Semana tempo abençoado de oração, de comunhão e de generosidade com os nossos Seminários.
Temos na nossa Diocese uma bela iniciativa de oração, em cadeia contínua, sob o nome de “Rogai - Oração pelas Vocações”, que nos une mais intensamente ao espírito da Semana dos Seminários e da Semana de oração pelas Vocações e as amplia a todo o tempo do ano pastoral e à dimensão de toda a vida da Igreja diocesana. “Rogai – Oração pelas Vocações” é um convite à oração diária, organizada por vigararias e estendida a todas e a cada uma das paróquias da Diocese.
Aos pais, aos párocos, aos catequistas e aos educadores cristãos pedimos que atendam e acompanhem as crianças, os adolescentes e os jovens no seu itinerário de fé e no seu discernimento vocacional e aproveitem mais intensamente esta Semana dos Seminários para falar do valor e da importância da vocação sacerdotal e dar a conhecer o percurso vocacional do Pré-Seminário e a missão e vida dos Seminários.
Pertence-nos aplanar os caminhos daqueles que se sentem chamados à vida sacerdotal e agradecer a Deus os seminaristas que hoje temos. Uns e outros são um dom de Deus e uma bênção para a nossa Diocese.
Ao rezarmos pelas Vocações e pelos Seminários, estamos a implorar de Deus o olhar de misericórdia para connosco e a criar no coração dos jovens, no seio das famílias e no ambiente das comunidades uma cultura vocacional que faça de cada um de nós mediador do chamamento de Deus, que continua a dizer, hoje, como aos primeiros discípulos: “Vem e Segue-Me!” (Mt. 19, 21 ).

 3. D. João Lavrador – o nosso gesto de gratidão
A Igreja chamou o senhor D. João Lavrador, em 2008, pela voz do Papa Bento XVI, ao ministério episcopal para servir a Igreja do Porto. Agora, a mesma Igreja, pela decisão do Papa Francisco, envia-o como Bispo Coadjutor, com futura sucessão, à Igreja de Angra, nos Açores.
Agradecemos a Deus o tempo aqui vivido e a missão realizada na nossa Diocese. Só Deus conhece o zelo da sua entrega, a dedicação do seu trabalho e o exemplar testemunho que a todos nos deixa.
Desejamos expressar a D. João Lavrador a gratidão de toda a Igreja do Porto e queremos fazê-lo em gesto de comunhão fraterna e de celebração diocesana no próximo dia 22 de Novembro, solenidade de Cristo Rei e Senhor do Universo, e dia habitualmente escolhido na nossa Diocese para a Instituição dos Ministérios de Leitor e de Acólito em ordem ao Diaconado Permanente e ao Presbiterado. Para facilitar a presença de todos e possibilitar a participação dos sacerdotes vamos alterar a hora a celebração da Eucaristia das 11 horas para as 16 horas.
Convido, assim, a Igreja Diocesana para participar na celebração da Eucaristia, na Sé Catedral, no próximo dia 22, às 16 horas, com a Instituição de Ministérios e com a expressão da nossa gratidão a D. João Lavrador pelo ministério episcopal exercido ao serviço da Igreja do Porto.
O senhor D. João Lavrador entrará na Diocese de Angra, nos Açores, o seu novo campo de missão episcopal, no domingo seguinte, 29 de Novembro.
Confiemos desde já a nova missão episcopal de D. João Lavrador à protecção materna de Maria, Mãe da Igreja, para que seja nos Açores Pastor segundo o coração de Cristo, Bom Pastor.
Porto, 28 de outubro de 2015
António, Bispo do Porto



- SEMANA DOS SEMINÁRIOS

A Igreja em Portugal celebra, 8 a 15 de Novembro, a Semana dos Seminários. O tema deste ano, a partir da proposta do Papa Francisco, é “Olhou-os com misericórdia”.

Da mensagem do Presidente da Comissão Episcopal das Vocações e Ministérios, D. Virgílio Antunes, Bispo de Coimbra, destacamos:

“A Semana Nacional dos Seminários ocorre, neste ano de 2015, pouco tempo antes do início do Ano Santo da Misericórdia, proclamado pelo Papa Francisco como um ano jubilar de graça para a Igreja e para a humanidade. Em sintonia com a Igreja Universal, desejamos que o trabalho, a catequese e a oração pelas vocações sacerdotais, pelos seminários e pelos sacerdotes nasçam da certeza de que Deus é misericordioso com todos os seus filhos. A característica fundamental do agir de Deus é a misericórdia, como nos revela a Escritura, tanto no Antigo como no Novo Testamento. Toda a História da Salvação e cada uma das acções de Deus que dela fazem parte estão ao serviço da salvação da humanidade, podendo dizer-se que se trata da história da misericórdia de Deus com os homens. Ao dizer que Deus é amor, São João reafirma a centralidade da misericórdia na revelação feita por Jesus, Aquele que pelas suas palavras e acções nos deu a conhecer quem é Deus e como é Deus. A Igreja fundada por Jesus Cristo é chamada a dar corpo ao desejo misericordioso de Deus de salvar toda a humanidade, em todos os tempos da história. (…)
A vocação sacerdotal nasce do coração misericordioso de Deus, que olha para os seus filhos e escolhe alguns para que, sacramentalmente, sejam configurados com Jesus Cristo, Pastor e Cabeça da Igreja. (…)
Os Evangelhos apresentam Jesus que passa pelos mais variados lugares onde se desenvolve a vida humana, olha com predilecção para alguns, escolhe-os e chama-os para O seguirem. Sem explicações que satisfaçam a sua admiração e sem argumentos que respondam às suas interrogações, mas somente porque se sentiram tocados pelo seu amor misericordioso, deixaram tudo e seguiram-n’O. (…) O sacerdote, homem chamado e escolhido de entre os outros homens, é fruto do olhar misericordioso de Jesus, que quer salvar a todos. Não se trata de alguém perfeito, irrepreensível e santo, mas de alguém para quem o Senhor olhou com misericórdia, sem explicação nem motivação compreensíveis. A vocação sacerdotal somente se compreende no contexto deste mistério do amor de Deus, que não se explica nem se justifica, mas que simplesmente se manifesta.
Os seminaristas, desejosos de conhecer o mistério da sua vocação, entrem no mistério do amor de Deus pela humanidade e por si mesmos, sintam-se sinceramente pecadores e doentes como todos os outros homens, e darão infinitas graças a Deus por os eleger e chamar a partilhar a grandeza da Sua companhia.
Aos jovens convidamos a entrar na contemplação do rosto misericordioso de Deus que os escolhe e os chama. Aceitem humildemente a sua condição de pecadores e necessitados da misericórdia de Deus e ela manifestar-se-á como fonte de perdão e de salvação. Muitos sentirão o apelo a andar com o Senhor e a aprender d’Ele, conhecerão a vocação a que os chama e terão alegria e coragem para a seguir fielmente, porque quando alguém se deixa tocar pelo olhar misericordioso de Jesus, torna-se disponível para ficar com Ele para sempre.

Senhor Jesus, ao passares junto a nós, olhas-nos com misericórdia, chamas-nos e escolhes-nos. Concede-nos a graça de, seduzidos, nos erguermos para Te seguir.
Que o Teu olhar misericordioso dê, aos sacerdotes, a fidelidade; aos seminaristas, amor à vocação; aos jovens, alegria para o caminho.
Senhor Jesus, concede a toda a Igreja, felizes e santas vocações sacerdotais.
Ámen”