PALAVRA COM SENTIDO

PALAVRA COM SENTIDO

“…Hás-de temer o Senhor, teu Deus…” (cf. Deuteronómio 6, 2)

Só Deus é Deus e Senhor. E não há outro Deus a quem amar, servir, adorar, acreditar, rezar, agradecer… Temer o Senhor não é ‘ter medo de Deus’. Não precisamos ter medo de Deus: Ele é amor, perdão, misericórdia, alegria, paz, salvação e esperança… Temer o Senhor é reconhecer a grandeza do seu poder; a santidade do seu nome; a ternura que nos dedica; a alegria da vida que nos oferece. Temer o Senhor é acolher a sua Palavra; cumprir os seus mandamentos; responder com fidelidade aos seus apelos; confiar na sua promessa e anunciá-la com a bondade dos nossos gestos. Quem ‘teme a Deus’ procura fazer tudo para não pecar contra ele; fazer nascer no coração o receio e a tristeza de o poder ofender. O apelo feito pela palavra de Deus aponta-nos o caminho da verdade, da justiça, da caridade, da compaixão. Uma grande exigência que nos trará a felicidade e a bênção.

segunda-feira, 5 de outubro de 2015

SANTOS POPULARES


SÃO BRUNO

Bruno nasceu por volta de 1030, em Colónia, na Alemanha. Quase nada se sabe acerca da sua família, nem sequer o seu apelido, mas alguns elementos conhecidos indicam que era uma família com uma certa posição social, na época e no meio.
A única notícia biográfica de S. Bruno - redigida na Cartuxa, na primeira metade do séc. XII - não é muito extensa. Diz, sucintamente, que «Mestre Bruno, alemão, originário da ilustre Cidade de Colónia, nasceu de pais não desconhecidos. Tendo recebido uma sólida formação nas letras profanas e sagradas, tornou-se Cónego e Reitor da Escola da Igreja de Reims que não cede o primeiro lugar a nenhuma nas Gálias. Mestre Bruno deixou o mundo e fundou o Eremitério da Cartuxa que governou durante seis anos. O Papa Urbano II, de quem outrora havia sido professor, chamou-o para a Cúria Romana como preceptor e conselheiro nas coisas eclesiásticas. Mas, como ele não suportava nem a agitação nem o género de vida da Cúria; como ele ardia de amor pela solidão e quietudes perdidas, deixou a Cúria. Renunciando ao Arcebispado de Reggio, para onde havia sido eleito sob ordem do Papa, Mestre Bruno retirou-se para a Calábria, para um eremitério chamado ‘A Torre’. Rodeado por um grande número de leigos e clérigos realizou o seu propósito de vida solitária em todo o tempo que viveu. Morreu e foi sepultado aí cerca de dez anos depois do seu retiro, na Chartreuse».
Os primeiros anos de Bruno parecem ter sido vividos em Colónia; depois mudou-se para Reims, em França. Fez os seus primeiros estudos em Colónia, possivelmente na Escola Capitular de S. Cuniberto, da qual, mais tarde, veio a ser Cónego Honorário.
Ainda jovem, Bruno chegou a Reims. As escolas de Reims, sobretudo a Escola Catedral, tinham muita fama havia já alguns séculos, atraindo a si estudantes de toda a Europa. Gerbert, que um dia seria o Papa Silvestre II, tinha sido seu Reitor, entre 979 e 990, iluminando-a com o seu verdadeiro génio. Quando Bruno chegou, as escolas de Reims estavam no seu apogeu.
Em 1049 - Bruno era ainda estudante - aconteceu algo que marcaria para sempre o seu carácter: o Papa Leão IX, no contexto da sua reforma eclesial, convocou um Concílio, em Reims, que teve início no dia 3 de Outubro, com a presença do Papa Leão IX. O Concílio e o Sumo Pontífice empreendem, sobretudo, uma acção contra a simonia (compra e venda das coisas sagradas), promoção escandalosa de bispos, abades e beneficiados que permitia também a intromissão de “leigos” nos lugares, bens e assuntos da Igreja. O Papa e o Concílio depuseram e excomungaram alguns deles.
Em tempo de estudo e formação, ao despertar para a vida de acção, Bruno foi confrontado com esta realidade eclesial, através do Concílio. Profundamente religioso e recto, penetrado do espírito nobre da Sagrada Escritura e dos grandes princípios da Fé, reflectindo a situação da Igreja e a necessidade de reforma, Bruno depressa sintonizou com os sentimentos do Concílio de Reims neste esforço. Ele próprio, um dia, entraria na “luta” a que a necessidade de reforma das estruturas daria ocasião.
Entretanto, Bruno passou longos anos em Reims: primeiramente como estudante; depois, como professor e Mestre da Escola Catedral e, depois, acumulando com a sua nomeação para membro do Cabido da Catedral e seu Chanceler.
Entretanto, a reputação de Bruno era excelente e, em 1056, substituindo Mestre Hérimann, foi nomeado Mestre da Escola de Reims. O agora Mestre Bruno teria, nesta altura, cerca de 28 anos de idade o que, a priori, faz sobressair as suas qualidades de estudante e de professor. Os testemunhos dos contemporâneos de Bruno atestam isso mesmo; Guibert de Nogent afirmou ter sido Bruno ‘um magnífico professor da Escola da Catedral de Reims’.
O Arcebispo Gervais, que o tinha escolhido e nomeado, morreu, em 1067, com fama de santidade. Sucedeu-lhe Manassés de Gournay, com o nome de Manassés I. Foi um Arcebispo que Reims não nunca poderá esquecer e que esteve profundamente relacionado com a evolução da vida e da vocação Bruno. Manassés só foi ordenado Bispo de Reims, em 1068 ou 1069, apesar do seu antecessor ter falecido já em 1067. A história do Arcebispo Manassés I de Reims não é simples. Tendo comprado a Sede de Reims, em cumplicidade com o Rei de França, Filipe I, começou por administrar a Diocese de forma tranquila, o que fazia esperar uma governação normal. Homem nobre, Manassés carecia, contudo, do equilíbrio necessário para proceder com rectidão. O Arcebispo era um ‘homem de armas’, que esquecia o seu estado clerical. A tradição consagrou uma frase que lhe é atribuída: “Reims seria um bom bispado se não se tivesse de cantar missa”.
É no contexto da Reforma Gregoriana que se inicia a grande luta com o Arcebispo Manassés. De um lado, vai estar o Papa Gregório VII, o seu Legado em França, Hugues de Die, e os Cónegos de Reims; do outro, vai estar o Arcebispo Manassés. Em 27 de Dezembro de 1080, o Papa Gregório VII depôs o Arcebispo Manassés que, segundo a tradição, se refugiou junto de Henrique IV, o excomungado Imperador da Alemanha. Entretanto, e findo o processo da deposição do Arcebispo Manassés, que trouxe nova paz à Igreja de Reims, foi dada ao Clero desta diocese a missão de eleger um novo Arcebispo. É no contexto da eleição do novo Arcebispo que as atenções se voltam para o discreto Mestre Bruno a quem, apesar da sua discrição e modéstia, os acontecimentos puseram em evidência. E, mesmo não tendo voltado a exercer os seus cargos de Mestre-Escola ou de Chanceler, caíram sobre ele os olhares de toda a Igreja de Reims. Mestre Bruno, contudo, recusou a nomeação. Começou, então, um novo período na vida de Bruno: decidiu romper com todos os laços do mundo e consagrar-se inteiramente a Deus, na solidão. A solidão não foi, para Bruno, um desterro, mas a plenitude da fé viva e da caridade. Numa data que não se pode indicar com grande precisão, mas que se situará entre 1081 e 1083, Bruno deixou Reims. Dirigiu-se, com dois companheiros, Pedro e Lamberto, para Troyes. Aí perto, em Molesmes, existia uma Abadia Beneditina, para a qual Bruno e seus companheiros se dirigiram. O seu Abade era Roberto de Molesmes.
Foi em terrenos cedidos por esta Abadia que Bruno e os seus companheiros se instalaram: um local denominado Séche-Fontaine, que ficava localizado na floresta de Fiel, a uns 40 Kms a sudeste de Troyes e a 8 Kms do Mosteiro de Molesmes. Aí viveram - segundo uma Carta de Molesmes, que relata o início da experiência de Séche-Fontaine - uma vida verdadeiramente eremítica. Esta seria, contudo, uma breve etapa no itinerário espiritual de Bruno.
Pouco tempo depois, Pedro e Lamberto escolheram ir viver para um mosteiro. Bruno partiu, então, para Grenoble. A data da sua chegada à Chartreuse (montanhas junto de Grenoble) está fixada com precisão: Junho de 1084, por ocasião da Festa de S. João Baptista; a biografia de S. Hugo, Bispo de Grenoble, escrita por Guigo I (+ 1136), contém a narração da entrada de Mestre Bruno e dos seus novos companheiros no vale de Chartreuse.
O local agora escolhido situa-se a 1175 metros de altitude, no fundo de um estreito vale, no coração do maciço da Chartreuse, uma região montanhosa e de difícil acesso, de rigorosos nevões de inverno. Em todas essas características e circunstâncias, Bruno vai encontrar francas vantagens. No fundo, Bruno procura a solidão, uma vida estritamente eremítica, e essas circunstâncias favorecem-na. O acesso ao local é feito por uma estreita garganta, entre desfiladeiros, que isola o vale. Verdadeiramente esta era a ‘porta’ da clausura.
A Cartuxa, com os seus eremitérios, vai ser construída ainda mais acima, a cerca de quatro quilómetros desta ‘porta’. Os novos eremitas vão, desde logo, ocupar-se da construção da Igreja e das celas, bem como pôr em prática uma observância concreta e muito rigorosa. A construção do primeiro Mosteiro iniciou-se no Verão de 1084. Esta construção resistiria até 1132, quando uma avalanche destruiu o Mosteiro, matando sete monges. Era, então, Prior do Mosteiro Guigo I que mandou construir outro Mosteiro, mais abaixo, cerca de uns dois quilómetros e num local menos propício a gelos e avalanches. As celas dos eremitas foram agrupadas ao redor de uma fonte que, ainda hoje, alimenta o actual Mosteiro da Cartuxa. As primeiras celas foram construídas com troncos de madeira, à maneira das cabanas dos pastores ou lenhadores. No primitivo Mosteiro apenas a Igreja foi construída em pedra. Foi consagrada pelo Bispo Hugo de Grenoble em 2 de Setembro de 1085 e dedicada à Santíssima Virgem e a São João Baptista. Mais tarde, as celas foram edificadas ao longo de um Claustro, muito semelhante ao dos Mosteiros Cenobitas, mas cujo papel, contudo, é diferente. A razão de ser desta distribuição tem a ver com a própria protecção do rigoroso clima. As celas, ligadas pelo dito Claustro, estão ligadas também pelo mesmo Claustro à Igreja do Mosteiro.
Os monges cartuxos recitam uma parte dos seus ofícios na solidão da cela e não se reúnem senão para Vésperas e Matinas. É, também, na cela que permanecem em oração, estudam, lêem e fazem os seus trabalhos manuais. As refeições são feitas, igualmente, de forma solitária, com a excepção do domingo e festas, em que são realizadas num refeitório comum. Nas circunstâncias que exigem uma liturgia mais solene, a oração é feita em comum. Os trabalhos necessários à subsistência da comunidade eram realizados por conversos (irmãos leigos) que se instalaram um pouco mais abaixo, mas ainda dentro da clausura.
No Ocidente cristão, esta forma de vida religiosa é uma total novidade. A sua inspiração alimenta-se especificamente nos Padres do Deserto, do Oriente. Um dos primeiros dados que sobressai quando se olha para este género de vida é que ele não tem nada em comum com o tipo de vida eremítica de um mosteiro cenobítico. Bruno desejava uma vida eremítica pura, em estrita solidão, ainda que temperada com alguma vida comunitária. A especificidade desta experiência monástica faz com que a vida comunitária não seja habitual.
Depois de algum tempo ao serviço do Papa Urbano II, em Roma, Bruno retirou-se para o Sul de Itália, para a região de Calábria. O lugar onde se instalou chamava-se ‘Santa Maria da Torre’ e era um enorme “deserto”, situado a 850 metros de altitude, um planalto não habitado, rodeado de colinas e florestas que, em certa medida, fazia lembrar a Chartreuse.
Bruno faleceu, com fama de sanato, no dia 6 de Outubro de 1101, com pouco mais de 70 anos, após ter pronunciado a sua “Profissão de Fé”: "Eu creio nos Santos Sacramentos da Igreja Católica, em particular, creio que o pão e o vinho consagrados, na Santa Missa, são o Corpo e o Sangue, verdadeiros, de Jesus Cristo". A população da Calábria tinha tão grande respeito e veneração por Bruno que os Monges tiveram de deixar, durante três dias, o seu corpo em exposição, para sentida homenagem que o povo lhe queria prestar.
Em 1514, o Papa Leão X autorizou que os monges cartuxos celebrassem o culto de São Bruno. Em 1623, o Papa Gregório XV estendeu o culto de São Bruno a toda a Igreja. A sua memória litúrgica faz-se no dia 6 de Outubro.

segunda-feira, 28 de setembro de 2015

EM DESTAQUE


 
- INÍCIO DA CATEQUESE, NA IGREJA MATRIZ

A catequese, na Igreja Matriz, terá início no próximo dia 3 de Outubro. Como é habitual, as crianças, adolescentes e jovens devem encontrar-se com os seus catequistas no lugar e no horário do ano passado. O 1º ano reúne-se às 17,00 horas. Neste primeiro encontro de apresentação serão acertadas as regras e os horários a vigorar durante este ano de 2015/2016.

HORÁRIOS DA CATEQUESE

ANO 2015 / 2016

1º ANO – 17,00 h.

2º ANO – 17,00 h.

3º ANO – 17,00 h.

4º ANO – 17,00 h.

5ª ANO – 14,30 h.

6º ANO – 17,00 h.

7º ANO – 14,30 h.

8º ANO – 17,00 h.

9º ANO – 10,30 h.

10 ANO – 10,00 h.

 

 

- MENSAGEM DO
SR. BISPO DO PORTO

DA MEMÓRIA À GRATIDÃO

O próximo dia 29 de Setembro traz-nos à memória o dia da morte do último Bispo do Porto, já falecido, D. Armindo Lopes Coelho. Queremos, nesse dia, a exemplo do ano passado, celebrar a gratidão pelos bispos, presbíteros e diáconos que, no ministério ordenado, serviram a Igreja do Porto. Logo no início do novo ano pastoral desejamos traduzir a memória da Diocese em gratidão de todos os diocesanos e transformar este sentimento humano, tão natural e tão necessário nos tempos em que vivemos, em acção de graças a Deus pela vida que nos ofereceram os nossos bispos, presbíteros e diáconos e pelo bem por eles realizado.
Ao longo deste tempo de verão, Deus ofereceu-me múltiplas ocasiões para testemunhar a memória viva das comunidades cristãs da nossa Diocese aos sacerdotes que as serviram, ao longo do tempo mais distante ou mais próximo, sem a ninguém esquecer ou a ninguém ignorar. Sabemos todos, desde o berço da família até ao cerne da história dos povos, que só a memória agradecida do tempo que passou e das vidas que deram alma e sentido de missão a esse tempo nos pode abrir caminhos do futuro. Assim acontece nas famílias, nas instituições, nas comunidades e nos povos. Assim deve acontecer na Igreja que, dia a dia, faz memorial vivo de Jesus Cristo na Eucaristia e nos sacramentos celebrados, na Palavra escutada, rezada e testemunhada e na história concreta de todos quantos, no decurso dos séculos, nos ofereceram o dom da vida e nos legaram o testemunho da santidade.
Durante o anterior ano pastoral, Deus chamou ao Seu encontro os sacerdotes do nosso Presbitério: António de Almeida Garrido, António José Pacheco Gonçalves, António Alves Roriz, José Maria de Sousa Barbosa e Manuel Agostinho Pereira de Moura.
Queremos igualmente lembrar e trazer à nossa oração os sacerdotes das Congregações Religiosas que aqui trabalharam e aqui faleceram neste último ano: Padres Alberto Moreira (OFM), Pedro António Pinto (CM), Joaquim Monteiro (OFM.Cap) e Manuel dos Santos Neves (SMBN).
Venho, deste modo e com este sentido de memória e de gratidão, convidar toda a Igreja Diocesana, para a celebração da Eucaristia, na Sé Catedral, no próximo dia 29 de Setembro, às 19 horas. Esta hora de acção de graças é, também, hora de confiança no futuro e de esperança vocacional, certos e crentes que estamos de que o grão de trigo lançado à terra germinará a seu tempo e se transformará em colheita abundante. Sempre que acompanho um sacerdote no momento de encontro definitivo com Deus rezo e confio que novas vocações hão-de surgir neste chão fecundo da nossa Diocese, semeado pela vida e pelo testemunho dos sacerdotes de ontem e de hoje.
Junto de Deus, aqueles que partem continuarão a ser para todos nós uma presença e uma bênção.

Porto, 21 de setembro de 2015
(cf. Diocese do Porto)

PALAVRA DO PAPA FRANCISCO


DISCURSO DO PAPA, NO ENCONTRO INTER-RELIGIOSO, NO MEMORIAL GROUND ZERO: Sexta-feira, 25 de Setembro de 2015 – Nova Iorque

Vários sentimentos e emoções desperta em mim a presença aqui no Ground Zero, onde milhares de vidas foram arrancadas num acto insensato de destruição. Aqui, a dor é palpável. A água, que vemos correr para este centro vazio, lembra-nos todas aquelas vidas que estavam sob o poder daqueles que crêem que a destruição seja o único modo de resolver os conflitos. É o grito silencioso de quantos sofreram na sua carne a lógica da violência, do ódio, da vingança. Uma lógica, que só pode causar angústia, sofrimento, destruição, lágrimas. A água que desce é símbolo também das nossas lágrimas; lágrimas pela destruição de ontem, que se unem às lágrimas por tantas destruições de hoje. Este é um lugar onde choramos; choramos a angústia provocada por nos sentirmos impotentes perante a injustiça, perante o fratricídio, perante a incapacidade de resolver as nossas diferenças dialogando. Neste lugar choramos pela perda injusta e gratuita de inocentes, por não poder encontrar soluções para o bem comum. É água que nos recorda o pranto de ontem e o pranto de hoje.
Há poucos minutos, encontrei algumas famílias dos primeiros socorristas caídos em serviço. No encontro, pude constatar uma vez mais como a destruição nunca é impessoal, abstracta ou apenas de coisas; mas que antes de tudo tem um rosto e uma história, é concreta, tem nomes. Nos familiares, pode-se ver o rosto da angústia; uma angústia que nos deixa atónitos e brada ao céu.
Mas eles, por sua vez, souberam mostrar-me a outra face deste atentado, a outra face da sua angústia: o poder do amor e da recordação. Uma recordação que não nos deixa vazios. Os nomes de tantas pessoas queridas encontram-se escritos aqui, onde estavam as bases das torres; e, assim, podemos vê-los, tocá-los e nunca mais esquecê-los.
Aqui, no meio duma angústia lancinante, podemos palpar a bondade heróica de que também é capaz o ser humano, a força escondida a que sempre devemos recorrer. No momento de maior angústia, sofrimento, fostes testemunhas dos maiores actos de dedicação e de ajuda. Mãos estendidas, vidas oferecidas. Numa metrópole que pode parecer impessoal, anónima, de grandes solidões, fostes capazes de mostrar a poderosa solidariedade da ajuda mútua, do amor e do sacrifício pessoal. Naquele momento, não era uma questão de sangue, de origem, de bairro, de religião ou de opção política; era questão de solidariedade, de emergência, de fraternidade. Era questão de humanidade. Os bombeiros de Nova Iorque entraram nas torres que estavam a ruir sem dar muita atenção à sua própria vida. Muitos caíram em serviço e, com o seu sacrifício, salvaram a vida de muitos outros.
E este lugar de morte transforma-se também num lugar de vida, de vidas salvas, numa canção que nos leva a afirmar que a vida está destinada sempre a triunfar sobre os profetas da destruição, sobre a morte, que o bem prevalece sempre sobre o mal, que a reconciliação e a unidade sairão vencedores sobre o ódio e a divisão.
Neste lugar de angústia e recordação, enche-me de esperança a oportunidade de me associar aos líderes que representam as numerosas religiões que enriquecem a vida desta cidade. Espero que a nossa presença aqui seja um sinal vigoroso das nossas vontades de compartilhar e reiterar o desejo de sermos forças de reconciliação, forças de paz e justiça nesta comunidade e em todo o mundo. Apesar das diferenças, das discrepâncias, é possível viver um mundo de paz. Perante qualquer tentativa de uniformizar, é possível e necessário que nos reunamos, das diferentes línguas, culturas, religiões, para dar voz a tudo aquilo que o quer impedir. Juntos, hoje, somos convidados a dizer «não» a qualquer tentativa de uniformização e «sim» a uma diferença acolhida e reconciliada.
E, com tal finalidade, precisamos de banir os nossos sentimentos de ódio, vingança, rancor. Mas sabemos que isto só é possível como dom do Céu. Aqui, neste lugar da memória, proponho a cada um de vós que faça, à sua maneira mas juntos, um momento de silêncio e oração. Peçamos ao Céu o dom de nos comprometermos pela causa da paz. Paz nas nossas casas, nas nossas famílias, nas nossas escolas, nas nossas comunidades. Paz naqueles lugares onde a guerra parece não ter fim. Paz naqueles rostos que nada mais conheceram senão angústia. Paz neste vasto mundo que Deus nos deu como casa de todos e para todos. Somente, paz. Rezemos em silêncio.

[alguns momentos de silêncio]

Assim, a vida de nossos entes queridos não será uma vida que vai acabar no esquecimento, mas estará presente todas as vezes que lutarmos por ser profetas de reconstrução, profetas de reconciliação, profetas de paz.   (cf. Santa Sé)

PARA REZAR


SALMO 18

Refrão: Os preceitos do Senhor alegram o coração.

A lei do Senhor é perfeita,
ela reconforta a alma.
As ordens do Senhor são firmes,
dão sabedoria aos simples.

O temor do Senhor é puro
e permanece eternamente;
Os juízos do Senhor são verdadeiros,
todos eles são rectos.

Embora o vosso servo se deixe guiar por eles
e os observe com cuidado,
quem pode, entretanto, reconhecer os seus erros?
Purificai-me dos que me são ocultos.

Preservai também do orgulho o vosso servo,
para que não tenha poder algum sobre mim:
então serei irrepreensível
e imune de culpa grave.

SANTOS POPULARES


SÃO JERÓNIMO

- na Palavra do Papa Bento XVI, na Audiência-Geral de 7 de Novembro de 2007

Detemos hoje a nossa atenção sobre São Jerónimo, um Padre da Igreja que colocou no centro da sua vida a Bíblia: traduziu-a em língua latina, comentou-a nas suas obras, e sobretudo empenhou-se em vivê-la concretamente na sua longa existência terrena, não obstante o conhecido carácter difícil e impetuoso que recebeu da natureza.
Jerónimo nasceu em Strídon por volta de 347 de uma família cristã, que lhe garantiu uma cuidadosa formação, enviando-o também a Roma para aperfeiçoar os seus estudos. Desde jovem sentiu atracção pela vida mundana (cf. Ep. 22, 7), mas prevaleceram nele o desejo e a intercessão pela religião cristã. Tendo recebido o baptismo por volta de 336, orientou-se para a vida ascética e, tendo ido a Aquileia, inseriu-se num grupo de cristãos fervorosos por ele definido quase "um coro de beatos" (Chron. ad ann. 374) reunido em volta do Bispo Valeriano. Partiu depois para o Oriente e viveu como eremita no deserto de Calcide, a sul de Alepo (cf. Ep. 14, 10), dedicando-se seriamente aos estudos. Aperfeiçoou o seu conhecimento do grego, iniciou o estudo do hebraico (cf. Ap. 125, 12), transcreveu códices e obras patrísticas (cf. Ep. 5, 2). A meditação, a solidão, o contacto com a Palavra de Deus fizeram amadurecer a sua sensibilidade cristã. Sentiu mais incómodo o peso dos anos juvenis (cf. Ep. 22, 7), e advertiu vivamente o contraste entre mentalidade pagã e vida cristã: um contraste que se tornou célebre pela "visão" dramática e vivaz, da qual nos deixou uma narração. Nela pareceu-lhe ser flagelado diante de Deus, porque "ciceroniano e não-cristão" (cf. Ep 22, 30).
Em 382 transferiu-se para Roma: aqui o Papa Dâmaso, conhecendo a sua fama de asceta e a sua competência de estudioso, assumiu-o como secretário e conselheiro; encorajou-o a empreender uma nova tradução latina dos textos bíblicos por motivos pastorais e culturais. Algumas pessoas da aristocracia romana, sobretudo fidalgas como Paula, Marcela, Asella, Lea e outras, desejosas de se empenharem no caminho da perfeição cristã e de aprofundarem o seu conhecimento da Palavra de Deus, escolheram-no como sua guia espiritual e mestre na abordagem metódica aos textos sagrados. Estas fidalgas aprenderam também grego e hebraico.
Depois da morte do Papa Dâmaso, Jerónimo deixou Roma em 385, e empreendeu uma peregrinação, primeiro à Terra Santa, testemunha silenciosa da vida terrena de Cristo, depois ao Egipto, terra de eleição de muitos monges (cf. Contra Rufinum 3, 22; Ep. 108, 6-14). Em 386 permaneceu em Belém onde, por generosidade da fidalga Paula, foram construídos um mosteiro masculino, um feminino e uma estalagem para os peregrinos que iam à Terra Santa, "pensando que Maria e José não tinham encontrado onde repousar" (Ep. 108, 14). Permaneceu em Belém até à morte, continuando a desempenhar uma intensa actividade: comentou a Palavra de Deus; defendeu a fé, opondo-se vigorosamente a várias heresias; exortou os monges à perfeição; ensinou a cultura clássica e cristã a jovens alunos; acolheu com alma pastoral os peregrinos que visitavam a Terra Santa. Faleceu na sua cela, perto da gruta da Natividade, a 30 de Setembro de 419/420.
A preparação literária e a ampla erudição permitiram que Jerónimo fizesse a revisão e a tradução de muitos textos bíblicos: um precioso trabalho para a Igreja latina e para a cultura ocidental. Com base nos textos originais em grego e em hebraico e graças ao confronto com versões anteriores, ele realizou a revisão dos quatro Evangelhos em língua latina, depois o Saltério e grande parte do Antigo Testamento. Tendo em conta o original hebraico e grego, dos Setenta, a versão grega clássica do Antigo Testamento que remontava ao tempo pré-cristão, e as precedentes versões latinas, Jerónimo, com a ajuda de outros colaboradores, pôde oferecer uma tradução melhor: ela constitui a chamada "Vulgata", o texto "oficial" da Igreja latina, que foi reconhecido como tal pelo Concílio de Trento e que, depois da recente revisão, permanece o texto "oficial" da Igreja de língua latina. É interessante ressaltar os critérios aos quais o grande biblista se ateve na sua obra de tradutor. Revela-o ele mesmo quando afirma respeitar até a ordem das palavras das Sagradas Escrituras, porque nelas, diz, "até a ordem das palavras é um mistério" (Ep. 57, 5), isto é, uma revelação. Reafirma ainda a necessidade de recorrer aos textos originários: "Quando surge um debate entre os Latinos sobre o Novo Testamento, para as relações discordantes dos manuscritos, recorremos ao original, isto é, ao texto grego, no qual foi escrito o Novo Pacto. Do mesmo modo para o Antigo Testamento, se existem divergências entre os textos gregos e latinos, apelamos ao texto original, o hebraico; assim tudo o que brota da nascente, podemo-lo encontrar nos ribeiros" (Ep. 106, 2). Além disso, Jerónimo comentou também muitos textos bíblicos. Para ele os comentários devem oferecer numerosas opiniões, "de modo que o leitor cauteloso, depois de ter lido as diversas explicações e conhecido numerosas opiniões para aceitar ou rejeitar julgue qual seja a mais fidedigna e, como um perito de câmbios, rejeite a moeda falsa" (Contra Rufinum 1, 16).
Contestou enérgica e vivazmente os hereges que recusavam a tradição e a fé da Igreja. Demonstrou também a importância e a validade da literatura cristã, que se tornou uma verdadeira cultura já digna de ser posta em confronto com a clássica: fê-lo compondo o De viris illustribus, uma obra na qual Jerónimo apresenta as biografias de mais de uma centena de autores cristãos. Escreveu também biografias de monges, ilustrando ao lado de outros percursos espirituais também o ideal monástico; traduziu também várias obras de autores gregos. Por fim, no importante Epistolário, uma obra-prima da literatura latina, Jerónimo sobressai com as suas características de homem culto, de asceta e de guia das almas.
Que podemos nós aprender de São Jerónimo? Sobretudo, penso, o seguinte: amar a Palavra de Deus na Sagrada Escritura. Diz São Jerónimo: "Ignorar as Escrituras é ignorar Cristo". Por isso é importante que cada cristão viva em contacto e em diálogo pessoal com a palavra de Deus, que nos é dada na Sagrada Escritura. Este nosso diálogo com ela deve ter sempre duas dimensões: por um lado, deve ser um diálogo realmente pessoal, porque Deus fala com cada um de nós através da Sagrada Escritura e cada um tem uma mensagem. Devemos ler a Sagrada Escritura não como palavra do passado, mas como Palavra de Deus que se dirige também a nós e procurar compreender o que o Senhor nos quer dizer. Mas para não cair no individualismo devemos ter presente que a Palavra de Deus nos é dada precisamente para construir comunhão, para nos unir na verdade no nosso caminho para Deus. Portanto, ela, mesmo sendo sempre uma palavra pessoal, é também uma Palavra que constrói comunidade, que constrói a Igreja. Por isso, devemos lê-la em comunhão com a Igreja viva. O lugar privilegiado da leitura e da escuta da Palavra de Deus é a liturgia, na qual, celebrando a Palavra e tornando presente no Sacramento o Corpo de Cristo, actualizamos a Palavra na nossa vida e tornámo-la presente entre nós. Nunca devemos esquecer que a Palavra de Deus transcende os tempos. As opiniões humanas vão e voltam. O que hoje é muito moderno, amanhã será velho. A Palavra de Deus, ao contrário, é Palavra de vida eterna, tem em si a eternidade, ou seja, é válida para sempre. Trazendo em nós a Palavra de Deus, trazemos também em nós o eterno, a vida eterna.
E concluo com uma palavra de São Jerónimo a São Paulino de Nola. Nela o grande exegeta expressa precisamente esta realidade, isto é, que na Palavra de Deus recebemos a eternidade, a vida eterna. Diz São Jerónimo: "Procuremos aprender na terra aquelas verdades cuja consistência persistirá também no céu" (Ep. 53, 10). (cf. Santa Sé)
A memória litúrgica de São Jerónimo celebra-se no dia 30 de Setembro

segunda-feira, 21 de setembro de 2015

EM DESTAQUE



- PAPA FRANCISCO
VISITA CUBA
E ESTADOS UNIDOS

 De 19 a 28 de Setembro, o Papa Francisco visitará Cuba e os Estados Unidos da América. Do programa da visita consta o encontro com o Presidente de Cuba, Raul Castro, e o Presidente dos EUA, Barack Obama. Está, também, prevista uma passagem pela sede das Nações Unidas, em Nova Iorque, e a participação no 8.º Encontro Mundial das Famílias, em Filadélfia.
O Papa vai encontrar-se com as comunidades católicas destes países, chamando-as ao testemunho da fé, à partilha da caridade e à fidelidade radical a Jesus e ao Seu Evangelho. Na bagagem, o Papa leva a mensagem da sua encíclica ‘Laudato si’ como apelo forte à mudança de estilos de vida, ao respeito pela fragilidade do planeta Terra, à verdadeira preocupação ecológica.
Numa mensagem enviada aos cristãos cubanos, o Papa disse: “… Quero estar entre vós como um missionário da misericórdia e da ternura de Deus, mas permiti-me que vos anime a serdes, também vós, missionários desse amor infinito de Deus (…) Que nada falte ao testemunho da nossa fé, no nosso amor. Que todo o mundo saiba que Deus sempre perdoa, que Deus está sempre ao nosso lado e que Deus nos ama (…) Faz-me muito bem - e ajuda-me muito - pensar na vossa fidelidade ao Senhor, na coragem com que enfrentais as dificuldades de cada dia, no amor com que vos ajudais e sustentais no caminho da vida. Obrigado por esse testemunho tão valioso…”.
O Papa ficará em Cuba durante três dias e, na Terça-Feira, partirá para os Estados Unidos.
Respondendo ao apelo do Papa, rezamos ao Senhor pelo êxito apostólico da presença do Papa nesta região do Mundo e para que a sua mensagem possa abrir caminho à paz, à esperança e à tolerância na Igreja e na sociedade. ( cf. Santa Sé / RR / A. Eccl.)

PALAVRA DO PAPA FRANCISCO


- na Audiência-Geral,  no dia 16 de Setembro de 2015, na Praça de São Pedro – Roma

Queridos irmãos e irmãs, bom dia!
Esta é a nossa reflexão conclusiva sobre o tema do matrimónio e da família. Estamos na vigília de eventos bons e exigentes, que estão directamente ligados a este grande tema: o encontro mundial das famílias em Filadélfia e o Sínodo dos Bispos aqui em Roma. Ambos têm uma importância mundial, que corresponde à dimensão universal do cristianismo, mas também ao alcance universal desta comunidade humana fundamental e insubstituível, que é a família.
Esta passagem de civilização está marcada pelos efeitos a longo prazo de uma sociedade administrada pela tecnocracia económica. A subordinação da ética à lógica do lucro dispõe de meios consideráveis e de um enorme apoio mediático. Neste cenário, uma nova aliança do homem e da mulher torna-se não apenas necessária, mas estratégica para a emancipação dos povos da colonização do dinheiro. Esta aliança deve voltar a orientar a política, a economia e a convivência civil! Ela decide a habitabilidade da terra, a transmissão do sentimento da vida, os vínculos da memória e da esperança.
Desta aliança, a comunidade conjugal-familiar do homem e da mulher é a gramática generativa, o «nó de ouro», poderíamos dizer. A fé obtém-na da sabedoria da criação de Deus, que confiou à família não o cuidado de uma intimidade com o fim em si mesma, mas o emocionante desígnio de tornar o mundo «doméstico». A família está no início, na base desta cultura mundial que nos salva; ela salva-nos de muitos ataques, destruições e colonizações, como a do dinheiro ou das ideologias que ameaçam em grande medida o mundo. A família é a base para se defender!
Da Palavra bíblica da criação tiramos a nossa inspiração essencial, nas breves meditações de quarta-feira sobre a família. Desta Palavra podemos e devemos haurir novamente, com amplitude e profundidade. É um grande trabalho que nos espera, mas também muito entusiasmante. A criação de Deus não é uma simples premissa filosófica: é o horizonte universal da vida e da fé! Não existe um desígnio divino diferente da criação e da sua salvação. Foi para a salvação da criatura — de cada criatura — que Deus se fez homem: «Para nós, homens, e para a nossa salvação», como reza o Credo. E Jesus ressuscitado é «o primogénito de toda a criação» (Cl 1, 15).
O mundo criado foi confiado ao homem e à mulher: o que acontece entre eles marca tudo. A rejeição da bênção de Deus chega fatalmente a um delírio de omnipotência que arruína tudo. A isto chamamos «pecado original». E todos vimos ao mundo na herança desta doença.
Não obstante isto, não somos malditos, nem estamos abandonados a nós mesmos. A este propósito, a antiga narração do primeiro amor de Deus pelo homem e pela mulher já continha páginas escritas com o fogo! «Porei ódio entre ti e a mulher, entre a tua descendência e a dela» (Gn 3, 15a). Sãs as palavras que Deus dirige à serpente enganadora, encantadora. Mediante estas palavras, Deus marca a mulher com uma barreira protectora contra o mal, à qual ela pode recorrer — se quiser — em cada geração. Quer dizer que a mulher traz consigo uma bênção secreta e especial, para a defesa da sua criatura do Maligno! Assim como a Mulher do Apocalipse, que se apressa a esconder do Dragão o próprio filho. E Deus protege-a (cf. Ap 12, 6).
Pensai na profundidade que aqui se abre! Existem muitos lugares-comuns, às vezes até ofensivos, sobre a mulher tentadora que inspira o mal. Mas há espaço para uma teologia da mulher, à altura desta bênção de Deus, para ela e para a geração!
Contudo, a misericordiosa tutela de Deus em relação ao homem e à mulher nunca falta a ambos. Não nos esqueçamos disto! A linguagem simbólica da Bíblia diz-nos que antes de os afastar do jardim do Éden, Deus fez vestes de pele para o homem e para a mulher, e cobriu-os (cf. Gn 3, 21). Este gesto de ternura significa que até nas dolorosas consequências do nosso pecado Deus não quer que permaneçamos nus e abandonados ao nosso destino de pecadores. Esta ternura divina, este esmero por nós, vemo-lo encarnado em Jesus de Nazaré, Filho de Deus «nascido de mulher» (Gl 4, 4). E são Paulo diz ainda: «Quando ainda éramos pecadores, Cristo morreu por nós» (Rm 5, 8). Cristo, nascido de mulher, de uma mulher! É a carícia de Deus sobre as nossas feridas, erros e pecados. Mas Deus ama-nos tal como somos e quer fazer-nos progredir neste projecto; a mulher é mais forte e leva em frente este projecto.
A promessa que Deus faz ao homem e à mulher, na origem da história, inclui todos os seres humanos, até ao fim da história. Se tivermos fé suficiente, as famílias dos povos da terra reconhecer-se-ão nesta bênção. Contudo, quem se deixar comover por esta visão, independentemente do povo, nação ou religião de pertença, que se ponha a caminho connosco. Será nosso irmão e irmã, sem fazer proselitismo. Caminhemos juntos com esta bênção e com esta finalidade de Deus, de nos tornarmos todos irmãos na vida, num mundo que caminha em frente e que nasce precisamente da família, da união entre o homem e a mulher. Deus vos abençoe, famílias de todos os cantos da terra! Deus abençoe todos vós!  (cf. Santa Sé)

PARA REZAR


SALMO 53

Refrão: O Senhor receberá a minha vida.

Senhor, salvai-me pelo vosso nome,
pelo vosso poder fazei-me justiça.
Senhor, ouvi a minha oração,
atendei às palavras da minha boca.

Levantaram-se contra mim os arrogantes
e os violentos atentaram contra a minha vida.
Não têm a Deus na sua presença.

Deus vem em meu auxílio,
o Senhor sustenta a minha vida.
De bom grado oferecerei sacrifícios,
cantarei a glória do vosso nome, Senhor.

SANTOS POPULARES


SÃO PIO DE PIETRELCINA
( recordando )

Francesco Forgione nasceu em 25 de Maio de 1887, na localidade de Pietrelcina, muito próxima da cidade de Benevento, Itália. Foi um dos sete filhos de Grazio Forgione e Maria Giuseppa De Nunzio. No dia seguinte, foi baptizado com o nome de Francisco. Ainda criança era muito dado às coisas de Deus, tendo uma grande admiração por Nossa Senhora e por Jesus. Nasceu nele, também, uma grande devoção ao seu Santo Anjo da Guarda, a quem recorria, muitas vezes, para que o ajudasse a ser fiel ao Evangelho de Jesus.
Aos doze anos, recebeu os sacramentos da Primeira Comunhão e do Crisma.
Com dezasseis anos de idade, no dia 6 de Janeiro de 1903, entrou no noviciado da Ordem dos Frades Menores Capuchinhos, em Morcone, tendo aí vestido o hábito franciscano no dia 22 do mesmo mês, e ficou a chamar-se Frei Pio. Terminado o ano de noviciado, fez a profissão dos votos simples e, no dia 27 de Janeiro de 1907, a dos votos solenes. Foi ordenado padre no dia 10 de Agosto de 1910, na Catedral de Benevento.
Durante os primeiros anos como frade capuchinho, frequentes problemas de saúde obrigaram-no a fazer visitas regulares à sua casa paterna, para receber cuidados da sua mãe, a quem chamava carinhosamente "Mama Peppa". Sofria de intensas dores no peito e nas costas, frequentes dores de cabeça, febres altas, problemas pulmonares e estomacais. Inexplicavelmente, estes sintomas desapareciam quando ele voltava de casa. Depois da sua ordenação, os seus problemas de saúde obrigaram-no a permanecer em casa até 1916. Quando voltou, nesse ano, foi mandado para o Convento de San Giovanni Rotondo, lugar onde viveu até à morte.
Percebendo que a sua missão era acolher em si o sofrimento do povo, recebeu no seu próprio corpo, como confirmação de Cristo, os sinais da Paixão. Estava marcado, no seu próprio corpo, a sua missão. Deus precisava dele para aliviar o sofrimento do seu povo.
Tal como o apóstolo Paulo, o Padre Pio de Pietrelcina colocou, no vértice da sua vida e do seu apostolado, a Cruz do seu Senhor como sua força, sabedoria e glória. Abrasado de amor por Jesus Cristo, com Ele se configurou imolando-se pela salvação do mundo. Foi tão generoso e perfeito no seguimento e imitação de Cristo Crucificado, que poderia ter dito: «Estou crucificado com Cristo; já não sou eu que vivo, é Cristo que vive em mim» (Gál 2, 19). E os tesouros de graça que Deus lhe concedera com singular abundância, dispensou-os ele incessantemente com o seu ministério, servindo os homens e mulheres que a ele acorriam em número sempre maior e gerando uma multidão de filhos e filhas espirituais.  
O Padre Pio entregou-se inteiramente ao ministério da Confissão: procurava, através deste sacramento, aliviar os sofrimentos atrozes do coração dos seus fiéis e libertá-los das garras do Demónio, a quem ele chamava "barba azul". Torturado, tentado e testado muitas vezes por ele, Padre Pio sabia muito da sua astúcia no seu afã de desviar os filhos de Deus do caminho da fé.
Percebendo que a sua missão ia para além do aliviar o sofrimento espiritual, recebeu de Deus a inspiração de construir um grande hospital, o tão conhecido "Casa Alívio do Sofrimento", que viria a ser uma referência em toda a Europa. Mesmo com o seu ministério sacerdotal prejudicado por calúnias injustificáveis, não arrefeceu o seu coração no amor para com a Igreja, por quem tinha grande apreço e admiração. Sabia muito bem distinguir de onde provinham as calúnias: de alguns da Igreja, mas nunca da Igreja mãe e mestra a quem tanto amava. Quando o seu serviço sacerdotal esteve submetido a investigações, sofreu muito, mas aceitou tudo com profunda humildade e resignação. Frente às acusações e às calúnias, permaneceu calado, sempre confiando no julgamento de Deus, dos seus superiores directos e da sua própria consciência.
Recorria habitualmente à mortificação para conseguir a virtude da temperança, conforme o estilo franciscano. Era temperante na mentalidade e no modo de viver.
Consciente dos compromissos assumidos com a vida consagrada, observou com generosidade os votos professados. Foi obediente em tudo às ordens dos seus Superiores, mesmo quando eram gravosas. A sua obediência era sobrenatural na intenção, universal na extensão e integral no cumprimento. Exercitou o espírito de pobreza, com total desapego de si próprio, dos bens terrenos, das comodidades e das honrarias. Sempre teve uma grande predilecção pela virtude da castidade. O seu comportamento era, em todo o lado e para com todos, modesto. Considerava-se sinceramente inútil, indigno dos dons de Deus, cheio de misérias e ao mesmo tempo de favores divinos. No meio de tanta admiração do mundo, ele repetia: «Quero ser apenas um pobre frade que reza».
A pedido do Santo Padre, devido aos horrores provocados pela Segunda Guerra Mundial, criou os grupos de Oração, verdadeiras células catalisadoras do amor e da paz de Deus.
Na ocasião do aniversário dos 50 anos dos grupos de oração, celebrou uma Missa de acção de graças e pelas intenções dos membros deste grupo. Esta seria a sua última missa.
Na madrugada do dia 23 de Setembro de 1968, no seu quarto conventual e com o terço entre os dedos, repetindo o nome de Jesus e de Maria, o Padre Pio faleceu, descansando em paz aquele que tinha abraçado a cruz do Cristo, fazendo desta a ponte de ligação entre a terra e o céu.
O Padre Pio foi muito enérgico na confissão, a ponto de chegar a negar a absolvição a muitos, quando percebia que a pessoa não estava arrependida. Um dia, um jovem disse-lhe que chorava porque o Padre Pio não lhe tinha dado a absolvição. Então, o Padre Pio explicou-lhe que estava a proceder assim para que ele fosse para o céu; para que se arrependesse de verdade, porque ele não se tinha, ainda, arrependido. As pessoas que eram repreendidas pelo Padre Pio sentiam compulsão no coração. Depois, voltavam e eram profundamente tocadas no coração pela graça de Deus. A não-absolvição trazia ao seu coração o desejo de mudança de vida e de autenticidade.
No dia 2 de Maio de 1999, durante uma solene Celebração Eucarística, na Praça de São Pedro, Sua Santidade, o Papa João Paulo II, com sua autoridade apostólica, declarou-o Beato, estabelecendo o dia 23 de Setembro como data da sua festa litúrgica.
O Beato Padre Pio de Pietrelcina foi canonizado pelo Papa João Paulo II, no dia 16 de Junho de 2002. Na homilia da celebração eucarística da canonização, o Papa disse: “…a razão última da eficácia apostólica do Padre Pio, a raiz profunda de tanta fecundidade espiritual encontra-se na íntima e constante união com Deus de que eram testemunhas eloquente as longas horas passadas em oração. Gostava de repetir: "Sou um pobre frade que reza", convencido de que "a oração é a melhor arma que possuímos, uma chave que abre o coração de Deus". Esta característica fundamental da sua espiritualidade continua nos "Grupos de Oração" por ele fundados, que oferecem à Igreja e à sociedade o admirável contributo de uma oração incessante e confiante. O Padre Pio unia à oração também uma intensa actividade caritativa, da qual é uma extraordinária expressão a "Casa Alívio do Sofrimento". Oração e caridade, eis uma síntese muito concreta do ensinamento do Padre Pio, que hoje é proposto a todos…” (cf. Santa Sé)

segunda-feira, 14 de setembro de 2015

EM DESTAQUE



- MENSAGEM DO BISPO DO PORTO (e dos seus auxiliares)

 

Queridos Diocesanos

1. De Roma, onde nos encontramos juntamente com todos os bispos portugueses, reunidos em visita “ad limina”, saudamos a Diocese que Deus nos chamou a servir.
Na manhã desta segunda-feira celebrámos, junto do túmulo de Pedro e dos seus Sucessores, no altar erguido sobre aquele que foi escolhido por Jesus para ser pedra sólida sobre a qual se edifica a Igreja.
Depois, nesta mesma manhã, encontrámo-nos com o Sucessor de Pedro, o Papa Francisco, que nos acolheu com fraterna alegria. Pediu-nos que levemos a todos os membros da nossa Diocese as suas “saudações cordiais, com votos de grande serenidade e confiança no Senhor”.
No nosso encontro com o Papa e na nossa oração com ele e junto dele esteve e está presente toda a Diocese: leigos, consagrados, seminaristas, diáconos, presbíteros e bispos. Fizemos presente junto do Santo Padre as intenções de todos os diocesanos e somos portadores da sua bênção a favor de todos, sobretudo dos mais pobres e dos que mais sofrem.

2. Esta primeira manhã com o Papa Francisco permitiu-nos viver, na simplicidade e na proximidade, a alegria da comunhão com o Sucessor de Pedro, que confirma a nossa fé e dá sentido à nossa esperança.
O diálogo estabelecido na espontaneidade, a partilha fraterna entre irmãos bispos com o Bispo de Roma e Pastor Universal da Igreja e o sentido comum da missão evangelizadora testemunham o compromisso de todos nós pelo bem comum da Humanidade, em comunhão com o Papa.
A mensagem que o Papa Francisco nos confiou é um convite a agradecermos a Deus o bem realizado pela Igreja em Portugal; a valorizarmos o que em nós portugueses é bom; a prosseguirmos com serenidade mas com determinação o anúncio da Alegria do Evangelho como nossa missão.
Foi insistente o conselho do Papa Francisco no diálogo que teve connosco para que, sobretudo nós bispos e sacerdotes, demos prioridade à oração e à pregação: pela palavra e pelo testemunho de vida.

3. No dia 9 deste mês de setembro, celebraremos a dedicação da nossa Catedral.
Somos convidados a celebrar este dia em íntima comunhão com o Papa Francisco. Com o seu testemunho e com a sua palavra, ele incentiva-nos a vivermos também nós, no Porto, esta hora de renovação da Igreja.
O Papa Francisco, consciente de que carrega sobre os seus ombros o peso do mundo nesta hora difícil, confia na oração de todos. Disse-nos que o seu permanente pedido de oração não é um “slogan” mas resulta da consciência de que só em Deus e com Deus encontraremos as respostas para os desafios de hoje e para os graves problemas da Humanidade.
Juntamos a nossa bênção de pastores à bênção que imploramos ao Papa Francisco para a nossa Diocese e colocamos no coração de Nossa Senhora da Assunção, Mãe da Igreja e Padroeira da Diocese e da Catedral, as nossas alegrias, esperanças e projetos.

Roma, 7 de setembro de 2015
(cf. Diocese do Porto)

PALAVRA DO PAPA FRANCISCO


- na Audiência-Geral,  no dia 9 de Setembro de 2015, na Praça de São Pedro – Roma

Queridos irmãos e irmãs, bom dia!
Hoje, quero fixar a nossa atenção na relação entre a família e a comunidade cristã. É uma ligação, por assim dizer, "natural", porque a Igreja é uma família espiritual e a família é uma pequena Igreja (cf. Lumen Gentium, 9).
A comunidade cristã é a casa daqueles que creem em Jesus como a fonte da fraternidade entre todos os homens. A Igreja caminha no meio dos povos, na história dos homens e das mulheres, dos pais e das mães, dos filhos e das filhas: esta é a história que conta para o Senhor. Os grandes acontecimentos das potências do mundo escrevem-se nos livros de história e, aí, permanecem. Mas a história dos afectos humanos escreve-se directamente no coração de Deus; e é a história que permanece para sempre. É este o lugar da vida e da fé. A família é o lugar da nossa iniciação - insubstituível, indelével - nesta história. Esta história de vida plena, que terminará na contemplação de Deus por toda a eternidade no Céu, começa na família! E é por isto que a família é muito importante.
O Filho de Deus aprendeu a história humana através desta via e percorreu-a até ao fim (cf. Heb 2, 18; 5, 8). É belo voltar a contemplar Jesus e os sinais desta relação! Ele nasceu numa família e, aí, "aprendeu o mundo": uma oficina, quatro casas, uma terreola de nada. No entanto, vivendo durante trinta anos esta experiência, Jesus assumiu a condição humana, acolhendo-a na sua comunhão com o Pai e na sua própria missão apostólica. Depois, quando deixou Nazaré e começou a vida pública, Jesus formou, à sua volta, uma comunidade, uma "assembleia", isto é, uma convocação de pessoas. Este é o significado da palavra "Igreja".
Nos Evangelhos, a assembleia de Jesus tem a forma de uma família e de uma família hospitaleira e não a forma de uma seita de exclusão, fechada: encontramos Pedro e João, mas, também, o faminto e o sedento, o estrangeiro e perseguido, a pecadora e o publicano, os fariseus e as multidões. E Jesus não cessa de acolher e de falar com todos, mesmo com aqueles de quem já não se espera encontrar Deus na sua vida. É uma grande lição para a Igreja! Os discípulos foram escolhidos para cuidar desta assembleia, desta família dos hóspedes de Deus.
Para que hoje seja viva esta realidade da assembleia de Jesus, é indispensável reavivar a aliança entre a família e a comunidade cristã. Podemos dizer que a família e a paróquia são os dois lugares onde se realiza aquela comunhão de amor que encontra a sua fonte última no próprio Deus. Uma Igreja realmente segundo o Evangelho só pode ter a forma de uma casa acolhedora, sempre com as portas abertas. As igrejas, as paróquias, as instituições com as portas fechadas não devem chamar-se igrejas; devem chamar-se museus!
Hoje, esta aliança é crucial. "Contra os ‘centros de poder’ ideológicos, políticos e financeiros, colocamos as nossas esperanças nestes centros de amor evangelizadores, ricos de calor humano, alicerçados na solidariedade e na participação" (Pont. Cons. para Família, Os ensinamento de J. M. Bergoglio - Papa Francisco sobre a Família e sobre a Vida 1999-2014, LEV 2014, 189), e também no perdão entre nós.
Reforçar os laços entre família e comunidade cristã é, hoje, indispensável e urgente. Claro, é preciso uma fé generosa para encontrar a inteligência e a coragem para renovar esta aliança. As famílias, por vezes, retraem-se dizendo que não estão à altura disso: "Padre: somos uma família pobre e um pouco “desengonçada” … "Não nos sentimos capazes"… "Já temos tantos problemas em casa "… "Faltam-nos forças"… Isto é verdade. Mas ninguém é digno; ninguém está à altura; ninguém tem as forças!... Sem a graça de Deus, não podemos fazer nada. Tudo nos é dado; dado gratuitamente! E o Senhor nunca entra numa nova família sem fazer algum milagre. Lembremo-nos do que Ele fez nas bodas de Caná! Sim!... O Senhor, se nos colocarmos nas suas mãos, faz-nos realizar milagres - mas os milagres de todos os dias! - quando o Senhor está ali, naquela família.
Naturalmente, também a comunidade cristã deve fazer a sua parte. Por exemplo, procurar superar atitudes demasiado directivas e demasiado funcionais; favorecer o diálogo interpessoal, a compreensão e a estima recíproca. As famílias tomem a iniciativa e sintam a responsabilidade de partilhar os seus dons, preciosos para a comunidade. Todos devemos estar conscientes de que a fé cristã se joga no campo aberto da vida, compartilhada com todos; a família e a paróquia devem realizar o milagre de uma vida mais comunitária para a sociedade inteira.
Em Caná, estava a Mãe de Jesus, a "Mãe do Bom Conselho". Escutemos as suas palavras: "Fazei o que Ele vos disser" (Jo 2,5). Queridas famílias, queridas comunidades paroquiais, deixemo-nos inspirar por esta Mãe; façamos tudo o que Jesus nos disser e encontrar-nos-emos diante do milagre: o milagre de cada dia! Obrigado…  (cf. Santa Sé)

PARA REZAR


SALMO 114

Refrão: Caminharei na terra dos vivos na presença do Senhor.

Amo o senhor,
porque ouviu a voz da minha súplica.
Ele me atendeu
no dia em que O invoquei.

Apertaram-me os laços da morte,
caíram sobre mim as angústias do além, vi-me na aflição e na dor.
Então invoquei o Senhor:
«Senhor, salvai a minha alma».

 Justo e compassivo é o Senhor,
o nosso Deus é misericordioso.
O Senhor guarda os simples:
estava sem forças e o Senhor salvou-me.

Livrou da morte a minha alma,
das lágrimas os meus olhos, da queda os meus pés.
Andarei na presença do Senhor,
sobre a terra dos vivos.

SANTOS POPULARES



SÃO JOÃO DE MACIAS

João de Arcas Sanchez, filho de Pedro de Arcas e Juana Sánchez, nasceu em Rivera del Fresno, diocese de Badajoz, na agreste Extremadura espanhola, no tempo do Rei Felipe II de Espanha e Primeiro de Portugal, e do Papa Gregório XIII. A sua família era pobre e modesta, mas rica em bens espirituais e dons da graça.

Ficou órfão aos quatro anos de idade e, juntamente com a irmã, foi criado por um tio. Assim que atingiu a idade da razão, começou a cuidar do rebanho da sua casa. Dedicado às coisas espirituais, desde pequenino ocupava o seu tempo a rezar e meditar. Contam que, certo dia, apareceu-lhe um menino, de extraordinária beleza, que lhe disse: “Eu sou João Evangelista. Deus confiou-te à minha guarda por causa da tua piedade. Não tenhas medo de nada”. O Evangelista disse-lhe, também, que um dia partiria para terras longínquas, onde seriam levantados templos e altares em sua memória. Como João Macias não sabia quem era São João Evangelista, este apareceu-lhe, novamente, alguns dias depois, e transportou-o ao Céu, dizendo que era a sua pátria. Depois disso continuou a aparecer-lhe com frequência e conversava com ele. Entretido com Deus e o seu santo, levava uma vida recolhida, virtuosa, calma e aprazível.
Ao completar 20 anos de idade, em 1619, levado por um impulso interior, João Macias foi para Jerez de la Frontera e depois para Sevilha, então a cidade comercial mais inquieta da Espanha, de onde partiam as grandes empresas para o Novo Mundo. Ali, entrou ao serviço de um mercador que fazia negócios nas Américas e, como primeira tarefa, acompanhou-o numa das suas viagens às Américas. Ao fim de 49 dias, o navio atracou, finalmente, no porto de Cartagena das Índias, ao norte da Colômbia. Ali, o mercador, sob o pretexto de que João Macias não era suficientemente instruído para o serviço de que necessitava, abandonou-o à sua própria sorte. O que fazer, então? Não tendo outra profissão a não ser a de pastor, pouco comum na América, João Macias ficou “ao Deus dará”. Levado, mais uma vez, por um impulso interior, decidiu ir para Lima, a capital do vice-reinado do Peru. Foram 900 léguas - percorridas a pé ou montado num burro - através das solidões, passando por privações incríveis, até chegar ao seu destino, depois de quatro meses e meio de viagem. Começou, então, a trabalhar nos campos dos arredores de Lima. Este seu trabalho durou dois anos. Entretanto tempo passava. João Macias estava para fazer 36 anos e ainda não tinha definido o rumo a dar à sua vida. Foi então que o Céu o inspirou a entrar na Ordem dominicana, como irmão leigo.
Na capital do vice-reinado do Peru, as vocações eram tantas que existiam dois conventos dominicanos - o de Santa Maria Madalena e o de Nossa Senhora do Rosário -, ambos com uma centena de frades. João Macias tornar-se-ia a glória do primeiro, enquanto no de Nossa Senhora do Rosário, São Martinho de Porres já brilhava pelos seus milagres.
No noviciado, João Macias foi um verdadeiro modelo de observância. Julgado digno de fazer a profissão solene, esta ocorreu no dia 23 de Janeiro de 1623. Foi, então, designado para a portaria do convento, apesar da sua inclinação natural para a vida contemplativa. Durante 20 anos, o cuidar da portaria foi o palco da sua ardente caridade. Começou a trilhar a via das mortificações e austeridades. Não concedia ao seu corpo senão o absolutamente necessário para não morrer. Disciplinava-se diariamente; passava em oração quase todas as noites. A sua cela era muito pobre: a sua cama era um estrado de madeira coberto com couro de boi; equipava-a, ainda, uma cadeira rústica e uma arca. O único adorno do seu aposento era uma tela representando Nossa Senhora de Belém.
A íntima união com Deus deste irmão leigo manifestava-se em factos extraordinários. Certa noite em que a comunidade rezava o ofício no coro, o convento foi sacudido por um violento terremoto. Os religiosos correram para o jardim do claustro, considerado como o lugar mais seguro. Frei João corria também quando uma voz, vinda do altar de Nossa Senhora do Rosário, chamou-o pelo nome: “Frei João, aonde vais?”. Respondeu ele: “Estou a fugir, como os demais, dos rigores do vosso divino Filho”. Então, Nossa Senhora, disse-lhe: “Regressa e fica tranquilo, pois Eu estou aqui”. Voltando para junto do altar, Frei João Macias pediu fervorosamente à Virgem que se compadecesse do povo cristão. Imediatamente cessou o tremor de terra.
Certa noite, um noviço, impressionado com o cadáver de Dom Pedro de Castilha, que havia sido enterrado naquela manhã, no convento, dirigiu-se à igreja para acender as velas para o Ofício nocturno. Quando chegou perto do altar, deparou-se com as sandálias de Frei João. Este encontrava-se elevado acima do solo, em êxtase. Não distinguindo, na obscuridade, do que se tratava, julgou ser o fantasma do defunto que lhe aparecia. Dando um grito, começou a correr, tropeçou e caiu. Os religiosos acudiram e encontraram-no estendido no solo com o hábito em chamas, devido à vela que levava. Nem toda essa confusão conseguiu tirar o santo do seu êxtase. O noviço ficou gravemente enfermo, sendo curado pelas orações de São João Macias.

Para poder socorrer o convento e os seus pobres, Frei João Macias servia-se de um expediente muito prático: enviava todos os dias às ruas de Lima um burrinho carregado com dois grandes cestos para recolher esmolas, sem condutor nem guia. O animal desempenhava exemplarmente este ofício, dirigindo-se aos lugares a que estava acostumado. Ao chegar à porta da mercearia ou a alguma casa particular onde deveria receber esmola, parava e não se movia até que alguém pusesse no cesto a esmola combinada. Desse modo, o burrinho atravessava toda a cidade. Como todos já o conheciam, enchiam os cestos com esmolas. Ninguém se atrevia a tirar nada, pois o animal sabia defender com mordidelas e coices as doações recebidas.
Todos os dias, às cinco da manhã, depois de tocar a alvorada, Frei João Macias levava para a cozinha os alimentos destinados à comida dos pobres. Quando faltava algo, saía esmolando até conseguir. Depois, por volta do meio-dia, começava a distribuir as refeições aos necessitados. Para os sacerdotes e pessoas gradas, caídas em pobreza, havia um refeitório reservado, onde o santo os servia ajoelhado. Aos pobres “envergonhados” (em geral pessoas de alta condição social que haviam caído na miséria) enviava, secretamente, a comida com alguma esmola. Não descuidava também dos enfermos, aos quais, além da comida, enviava remédios. A sua imensa caridade estendia-se às viúvas, aos órfãos e a outros desamparados.
Apesar da multidão crescente de pobres, e de o convento não ser rico para atender a tantas demandas, nunca faltava comida, pois esta era milagrosamente aumentada segundo as necessidades.
João Macias dividia a reza do Rosário em três partes: uma pelas almas do Purgatório, outra pelos religiosos do convento e a terceira pelos seus parentes.
O vice-rei, D. Pedro de Toledo y Leyva, Marquês de Mancera, consagrou, em 1643, os Reinos do Peru à Virgem do Rosário, escolhendo-A como Patrona e Protectora daquelas terras.
Embora sem nenhuma instrução, Frei João de Macias possuía a verdadeira sabedoria de Deus, sendo consultado pelas principais pessoas da cidade, inclusive pelo vice-rei.
Ao final da tarde do dia 17 de Setembro de 1645, depois de uma vida dedicada ao silêncio, à oração e à caridade para com todos, frei João Macias entregava a sua alma ao criador. Na sua cela os irmãos, vestidos de hábito branco e de capa negra, cantavam a Salvé Rainha e, enquanto se ouvia o verso “Advogada nossa esses vossos olhos misericordiosos a nós volvei”, João Macias expirava confiante dessa misericórdia de Deus que havia pedido no momento da sua profissão e tinha procurado viver através da caridade e solidariedade para com todos.
João de Macias faleceu com 60 anos de idade.
Foi beatificado, em 1837, pelo Papa Gregório XVI e canonizado pelo Papa Paulo VI, no dia 28 de Setembro de 1975. A sua memória litúrgica celebra-se no dia 18 de Setembro.

segunda-feira, 31 de agosto de 2015

PALAVRA DO PAPA FRANCISCO


- na Audiência-Geral,  no dia 26 de Agosto de 2015, na Praça de São Pedro – Roma

Queridos irmãos e irmãs, bom dia!

Depois de ter reflectido sobre o modo como a família vive os tempos da festa e do trabalho, reflectiremos, agora, sobre o tempo da oração. O lamento mais frequente dos cristãos diz respeito ao tempo: “Deveria rezar mais…; queria fazê-lo mas, muitas vezes, falta-me tempo”. Ouvimos isto continuamente. A tristeza é sincera, certamente, porque o coração humano procura sempre a oração, mesmo sem o saber; e, se não a encontra, não tem paz. Mas para que a encontre, é preciso cultivar, no coração, um amor “quente” por Deus, um amor afectivo.
Podemos fazer-nos uma pergunta muito simples. É bom acreditar em Deus com todo o coração… esperar que nos ajude nas dificuldades… sentir-se no dever de Lhe agradecer. É tudo verdade!... Mas, também queremos bem ao Senhor? Pensar em Deus comove-nos, surpreende-nos, enche-nos de ternura?
Pensemos na formulação do grande mandamento que sustenta todos os outros: “Amarás o Senhor, teu Deus, com todo o teu coração, com toda a tua alma e com todas as tuas forças” (Dt 6, 5; cfr Mt 22, 37). A fórmula usa a linguagem intensiva do amor, dirigindo-o para Deus. Bem!...O espírito de oração habita, antes de mais, aqui. E se habita aqui, habita todo o tempo e não sai nunca. Conseguimos pensar em Deus como a carícia que nos dá vida, antes da qual não há nada? Uma carícia da qual nada, nem sequer a morte, nos pode separar? Ou então pensamos Nele apenas como o grande Ser, o Onipotente que fez todas as coisas, o Juiz que controla cada acção? É tudo verdade, naturalmente. Mas só quando Deus é o afecto de todos os nossos afectos, o significado destas palavras torna-se pleno. Então, sentimo-nos felizes e, também, um pouco confusos, porque Ele pensa em nós e, sobretudo, nos ama! Isto não é impressionante? Não é impressionante que Deus nos acaricie com amor de pai? É tão belo! Podia, simplesmente, fazer-se reconhecer como o Ser supremo; dar as suas ordens e esperar os resultados. Em vez disso, Deus fez e faz infinitamente mais do que isto. Acompanha-nos nos caminhos da vida, protege-nos, ama-nos.
Se o afecto por Deus não acende o fogo, o espírito da oração não aquece o tempo. Podemos, também, multiplicar as nossas palavras, “como fazem os pagãos”, diz Jesus; ou, também, exibir os nossos ritos, “como fazem os fariseus” (cfr Mt 6, 5.7). Um coração habitado pelo afecto por Deus faz tornar-se oração mesmo um pensamento sem palavras, ou uma invocação diante de uma imagem sagrada, ou um beijo atirado para a igreja. É bonito quando as mães ensinam os filhos pequenos a mandar um beijo a Jesus ou a Nossa Senhora. Quanta ternura há nisso! Naquele momento, o coração das crianças transforma-se em lugar de oração. E é um dom do Espírito Santo. Nunca nos esqueçamos de pedir este dom para cada um de nós! Porque o Espírito de Deus tem aquele seu modo especial de dizer nos nossos corações “Abbà” – “Pai”; Ele ensina-nos a dizer “Pai” exactamente como Jesus o dizia, um jeito que nunca poderemos encontrar sozinhos (cfr Gal 4, 6). É na família que se aprende a pedir e a apreciar este dom do Espírito. Se se aprende com a mesma espontaneidade com a qual se aprende a dizer “papa” e “mamã”, aprendeu-se para sempre. Quando isto acontece, o tempo de toda a vida familiar é envolvido no regaço do amor de Deus e procura, espontaneamente, o tempo da oração.
O tempo da família, sabemo-lo bem, é um tempo complicado e apertado, ocupado e preocupado. É sempre pouco, nunca chega, há tantas coisas para fazer. Quem tem uma família aprende, rapidamente, a resolver uma equação que nem sequer os grandes matemáticos sabem resolver: as vinte e quatro horas do dia parecem o dobro! Há mães e pais que poderiam vencer o prémio Nobel, por isso. De 24 horas fazem 48: não sei como o fazem, mas movem-se e fazem-no! Há tanto trabalho na família!
O espírito da oração confia o tempo a Deus; sai da obsessão de uma vida à qual falta sempre o tempo; reencontra a paz das coisas necessárias e descobre a alegria de dons inesperados. Bons exemplos disto são as duas irmãs, Marta e Maria, de quem fala o Evangelho que escutámos; elas aprendem de Deus a harmonia dos ritmos familiares: a beleza da festa, a serenidade do trabalho, o espírito da oração (cfr Lc 10, 38-42). A visita de Jesus, a quem queriam bem, era a sua festa. Um dia, porém, Marta compreendeu que o trabalho da hospitalidade, mesmo sendo importante, não é tudo; mas que escutar o Senhor, como fazia Maria, era realmente o essencial, a “melhor parte” do tempo. A oração brota da escuta de Jesus, da leitura do Evangelho. Não se esqueçam de ler, todos os dias, um trecho do Evangelho. A oração brota da familiaridade com a Palavra de Deus. Há esta intimidade na nossa família? Temos em casa o Evangelho? Abrimo-lo, algumas vezes, para o lermos juntos? Meditamo-lo rezando o Rosário? O Evangelho lido e meditado em família é como um bom pão que alimenta o coração de todos. E de manhã e à noite, e quando nos sentamos à mesa, aprendamos a dizer juntos uma oração, com muita simplicidade: é Jesus que vem a nós, como ia à família de Marta, de Maria e de Lázaro. Uma coisa que tenho muito presente no coração e que vi em muitos lugares: há crianças que não sabem fazer o sinal da cruz! Mas, tu, mãe, pai, ensina os teus filhos a rezar, a fazer o sinal da cruz: esta é uma tarefa bela das mães e dos pais!
Na oração da família, nos seus momentos fortes e nas suas circunstâncias difíceis, confiemo-nos uns aos outros, para que cada um de nós, em família, seja guardado pelo amor de Deus. (cf. Santa Sé)

PARA REZAR


SALMO 14

Refrão: Ensinai-me, Senhor: quem habitará na vossa casa?

O que vive sem mancha e pratica a justiça
e diz a verdade que tem no seu coração
e guarda a sua língua da calúnia.

O que não faz mal ao seu próximo nem ultraja o seu semelhante,
o que tem por desprezível o ímpio,
mas estima os que temem o Senhor.

O que não falta ao juramento, mesmo em seu prejuízo,
e não empresta dinheiro com usura,
nem aceita presentes para condenar o inocente.
Quem assim proceder jamais será abalado

SANTOS POPULARES


BEATA MARIA MADALENA DA PAIXÃO

Constância Starace nasceu em Castellammare di Stabia, província de Nápoles, Itália, no dia 5 de Setembro de 1845. A sua mãe, muito piedosa, consagrou-a a Nossa Senhora das Dores. Com 4 anos de idade começou a frequentar a escola, onde se relacionou com meninas pobres, experiência que deixou uma marca muito profunda no seu coração.
Em 1850, as Irmãs “Filhas da Caridade” estabeleceram-se em Castellammare, para dar assistência aos doentes do Hospital São Leonardo; em seguida, abriram um orfanato e um internato para meninas. Constança foi admitida nesse internato e começou a viver um clima de oração e de dedicação que acendeu nela o desejo de se consagrar ao Senhor. Fez a Primeira Comunhão e, na idade de 10 anos, recebeu o Sacramento da Confirmação.
Por motivos de saúde, teve de voltar para a sua família e prosseguiu os estudos em casa, continuando a viver em espírito de piedade, cuidando, sobretudo, da assiduidade na oração. Entretanto, começou a frequentar o Conservatório das Teresianas, de Vico Equense; contudo, sempre devido à sua saúde delicada, não pôde continuar o Conservatório e teve de regressar a casa. Depois de ter melhorado, sentiu o desejo de entrar num convento de clausura, mas os seus pais opuseram-se, conhecendo a dureza da vida conventual. Para a consolar, o confessor concedeu-lhe a comunhão quotidiana e, aos 15 anos, permitiu que se consagrasse ao Senhor com os três votos perpétuos, aconselhando-a a tornar-se "monja em casa".
No dia 8 de Junho de 1867, emitiu a sua profissão entre as Terciárias dos Servos de Maria, assumindo o nome de Irmã Maria Madalena da Paixão. O Bispo de Castellammare, Mons. Francisco Xavier Petagna, confiou-lhe a direcção da “Pia União das Filhas de Maria” e a catequese das meninas da cidade.
As várias epidemias de cólera que se abateram sobre Castellammare impeliram a jovem a fundar, naquela altura, o “Instituto das Irmãs Compassionistas” (1869), que, segundo as suas próprias palavras, deveria "compadecer-se de Jesus apaixonado e de Nossa Senhora das Dores, e, a partir deles, do próximo em todas as suas necessidades, tanto do espírito como do corpo".
As suas companheiras também vestiram o hábito das Terciárias Servitas, e, em 27 de Maio de 1871, D. Petagna aprovou o Instituto, concedendo-lhe identidade canónica. Em 10 de Novembro de 1893, o Geral dos Servitas assinou o decreto que agregava o Instituto à Ordem, e em 10 de Julho de 1928, o Papa Pio XI aprovou o Instituto, concedendo-lhe reconhecimento pontifício.
As inúmeras provações físicas e espirituais que a Madre Maria Madalena teve de suportar no seu caminho para a santidade contribuíram para fortalecer a sua fé. Nada diminuiu a seu empenho na obra por ela iniciada, à qual se dedicou incansavelmente.
A Madre Maria Madalena morreu de pneumonia, no dia 13 de Dezembro de 1921. No dia 19 de Agosto de 1929, os seus restos mortais foram transladados para o Santuário do Sagrado Coração, em Scanzano, que ela tinha mandado construir.
A Congregação das Irmãs Compassionistas Servas de Maria, fundada pela Madre Maria Madalena da Paixão, desempenha uma grande obra em favor da infância através de escolas, de semi-internatos e de casas-família. A semente lançada pela Madre Maria Madalena da Paixão converteu-se, hoje, numa grande árvore, cujos ramos se estenderam às terras que acolheram as suas raízes. Actualmente, existem 24 comunidades, na Itália; 14 no Canadá, Chile, Índia, Filipinas, Indonésia e México. Constituem a Congregação cerca de 350 religiosas, 34 noviças e 35 postulantes.
Maria Madalena da Paixão foi beatificada no dia 15 de Abril de 2007, pelo Papa Bento XVI, em cerimónia presidida pela Cardeal José Saraiva Martins, Prefeito da Congregação para a Causa dos Santos. Na homilia da missa, o Cardeal disse: “…Para a Madre Maria Madalena Starace, Jesus era verdadeiramente "o Primeiro e o Último, o Vivente"; basta pensar que dedicava num só dia, por vezes oito horas, outras vezes cinco horas contínuas ao diálogo com Deus. Ela dirigia o seu Instituto ajoelhada diante do altar, falando primeiro ao Senhor da vida de cada uma das fundações e dos problemas individuais das suas filhas. Desde os anos da infância, vivida à sombra da mãe tão devota da Virgem das Dores, foi-se radicando no coração de Constância (assim se chamava no século a nossa Beata), o estímulo a uma relação interior com Jesus cada vez mais forte. Quem a orientou para as necessidades de se ocupar das necessidades da juventude foi o Pastor da Diocese, animado por santo zelo, D. Petagna, que não duvidou em lhe confiar a tarefa quer de dirigir um pequeno grupo de jovens da Piedosa União das Filhas de Maria, quer de ensinar o catecismo às crianças. O pequeno grupo cresceu, aumentaram as órfãs e também as jovens dispostas a unir-se ao apostolado realizado pela irmã Starace, até chegar à aprovação do novo Instituto das "Compassionistas" em 1871. (…)Ao espírito de sacrifício e de disponibilidade para ser vítima do amor divino, a Beata Maria Madalena tinha sido predisposta pelo exemplo luminoso de Santa Margarida Alacoque beatificada por Pio IX em 1864, com 19 anos de idade. O Coração de Jesus, vítima sacrificada por nós, juntamente com a dor do Coração da Mãe aos pés da Cruz, tornou-se o tema constante da reflexão espiritual da Madre Starace. Falava disto, podemos dizer, quotidianamente às suas Filhas, para as exortar à generosidade ao enfrentar os sacrifícios exigidos para realizar a união profunda com Deus. Às provações Madre Starace opunha a arma da oração, a aceitação da cruz e o abandono à vontade de Deus. "Da Cruz não se desce, escreveu ela, mas ressuscita-se quando tudo está cumprido".(…) A nova Beata Maria Madalena,(…) mostra-nos que força exercem no coração de Deus a fé, a humildade, o sacrifício de si, a total abnegação pessoal, a pobreza e a caridade vividas evangelicamente. Aprendamos dela a elevar o olhar para o alto, para Aquele que é o Primeiro e o Último, o Vivo, em cujo nome sacrificou a vida em benefício dos pobres, das crianças, dos idosos e em cujo espírito educou as suas filhas, com a certeza de que só vivendo assim se consegue ser felizes também na terra…”

A memória litúrgica da Beata Maria Madalena da Paixão celebra-se a 5 de Setembro.