PALAVRA COM SENTIDO

PALAVRA COM SENTIDO

“…Hás-de temer o Senhor, teu Deus…” (cf. Deuteronómio 6, 2)

Só Deus é Deus e Senhor. E não há outro Deus a quem amar, servir, adorar, acreditar, rezar, agradecer… Temer o Senhor não é ‘ter medo de Deus’. Não precisamos ter medo de Deus: Ele é amor, perdão, misericórdia, alegria, paz, salvação e esperança… Temer o Senhor é reconhecer a grandeza do seu poder; a santidade do seu nome; a ternura que nos dedica; a alegria da vida que nos oferece. Temer o Senhor é acolher a sua Palavra; cumprir os seus mandamentos; responder com fidelidade aos seus apelos; confiar na sua promessa e anunciá-la com a bondade dos nossos gestos. Quem ‘teme a Deus’ procura fazer tudo para não pecar contra ele; fazer nascer no coração o receio e a tristeza de o poder ofender. O apelo feito pela palavra de Deus aponta-nos o caminho da verdade, da justiça, da caridade, da compaixão. Uma grande exigência que nos trará a felicidade e a bênção.

segunda-feira, 28 de dezembro de 2015

SANTOS POPULARES

 
SÃO CIRÍACO ELIAS CHAVARA
Ciríaco Elias Chavara, nasceu no dia 10 de Fevereiro de  1805. Filho  de pais piedosos, foi baptizado na Igreja Sírio-Malabar, em Kainakary, Kerala -Índia, no oitavo dia após o seu nascimento, conforme o costume local.  
Frequentou o ensino primário numa escola de aldeia, Kalari, onde foi  educado e aprendeu as línguas e  os dialetos locais, bem como as ciências elementares. Foi seu orientador um professor hindu, de nome Asan.  Sentindo o chamamento de Deus para ser sacerdote,  começou a preparar-se, sob a orientação do Pároco da Igreja de  São José,  frequentando, na escola paroquial, algumas disciplinas que poderiam abrir-lhe as portas do Seminário.  
Em 1818, quando tinha 13  anos de idade, Ciríaco entrou no Seminário de Pallipuran, onde fez toda a preparação e formação doutrinal e teológica para ser Padre.
Foi ordenado presbítero no dia 29 de Novembro de 1829, quando tinha 24 anos de idade. A sua missa nova – a sua primeira missa - foi celebrada na igreja de Chennankari. 
Logo após a sua ordenação, foi nomeado pároco, dedicando-se ao seu ministério pastoral. Mais tarde, foi chamado para o Seminário, para ser professor e vice-reitor, com a missão de substituir o reitor, Padre Tomás Palackal, nas suas ausências.  O Padre Palackal e o seu amigo e colega, Padre Tomás Porukara, tinham um projecto: a formação de uma congregação religiosa. O Padre Ciríaco aderiu a este projecto, assumindo-o, também, como seu. Assim, em 1830, assumiu a responsabilidade de construir a primeira casa da nova congregação, em Mannanam. A primeira pedra desta obra foi lançada no dia 11 de Maio de 1831. Com a morte do Padre Palackal e do Padre Porukara, idealizadores da congregação, o Padre Ciríaco assumiu, com empenho resoluto, a liderança da congregação. No dia 8 de Dezembro de 1855, festa da Imaculada Conceição, fez  a profissão religiosa, juntamente com outros dez companheiros. Estava assim,  consolidada,  a Ordem Carmelita de Maria Imaculada. 
O Padre Chavara foi prior-geral da Ordem Carmelita de Maria Imaculada, para todos os mosteiros da congregação, de 1856 a 1871, ano da sua morte.
Lutou heroicamente pela unidade da Igreja quando um grande cisma atingiu a Igreja daquela região de Kerala, em 1861.  Com a supressão das  dioceses de Cranganor e Cochin - por decisão do Papa Gregório XVI, muitos anos antes (1838) - todos os  católicos malabares passaram a fazer parte da Diocese de Verapoli. Durante este período, cismáticos que defendiam a manutenção de ritos indianos/orientais nas cerimónias da Igreja, tiveram de suportar, contrariados, as ordens da autoridade eclesiástica de rito latino. Tentaram, então, estabelecer um bispado próprio, por intermédio do patriarca caldeu, José Audo VI. Este mandou-lhes, em 1861,  um bispo caldeu, de nome Tomás Rokos, que, sem autoridade eclesiástica reconhecida por Roma,  tentou impor-se, como liderança e autoridade, à comunidade católica local, enganando a comunidade dizendo que vinha em nome do Papa de Roma. Pela resistência que encontrou, principalmente pela actuação brilhante do Padre Ciríaco - que manteve e difundiu a fidelidade a Roma - a  autoridade de Tomás Rokos não foi reconhecida, o que o obrigou a retornar ao seu local de origem. Como consequência destes acontecimentos, o Padre Ciríaco Chavara foi nomeado Vigário-Geral da Igreja Sírio-Malabar, pelo Arcebispo de Verapoli.  Por isso, até hoje, o Padre Chavara é reconhecido, pela  comunidade católica e pelos mais altos dignitários da Igreja, como defensor da Igreja de Cristo, pela sua incansável e árdua luta pelo  respeito e fidelidade a Roma, e pela sua histórica  liderança,  rápida e  eficaz, no combate à infiltração cismática de Tomás Rokos.  
Apesar de tudo, a tentativa frustrada do cisma deixou marcas de divisão que perduram, ainda hoje, na região. Três anos após a morte do Padre Ciríaco (1874),  um bispo, de nome Mar Elias Mellus, recusando-se a  obedecer às ordens  de Roma, formou uma comunidade  independente, denominada "melusinos": esta comunidade conta, nos nossos dias, com cerca de 5 mil seguidores. Se a Igreja Católica  continua presente nesta região indiana, isso deve-se  à acção e dinamismo do Padre Chavara. Se não fosse o seu empenho e  o apoio de católicos iluminados por Deus, certamente o catolicismo estaria, hoje, extinto na região. 
Aos 66 anos de idade e ao fim de muitos anos de acção apostólica e de muitos sofrimentos, o Padre Ciríaco Elias adoeceu gravemente: uma doença de curta duração mas extremamente dolorosa. Morreu em Koonammavu, localidade indiana próxima de Kochin, no dia 3 de Janeiro de 1871. Foi beatificado pelo Papa João Paulo II, no dia 8 de Fevereiro de 1986 e canonizado, pelo Papa Francisco, no dia 23 de Novembro de 2014. Na homilia da Missa, o Papa disse:”… A salvação não começa pela confissão da realeza de Cristo, mas pela imitação das obras de misericórdia mediante as quais Ele realizou o Reino. Quem as cumpre demonstra que acolheu a realeza de Jesus, porque deu espaço no seu coração à caridade de Deus. Na noite da vida, seremos julgados sobre o amor, sobre a proximidade e sobre a ternura para com os irmãos. Disto dependerá a nossa entrada, ou não, no reino de Deus, a nossa colocação de um lado ou do outro. Jesus, com a sua vitória, abriu-nos o seu reino, mas depende de cada um de nós entrar nele, já desde esta vida — o Reino começa agora — tornando-nos concretamente próximos do irmão que pede pão, roupa, acolhimento, solidariedade, catequese. E se amamos deveras aquele irmão ou irmã, seremos levados a compartilhar com ele ou com ela o que temos de mais precioso, ou seja, o próprio Jesus e o seu Evangelho!
Hoje a Igreja põe à nossa frente modelos como os novos Santos que, precisamente mediante as obras de uma generosa dedicação a Deus e aos irmãos, serviram, cada um no seu âmbito, o reino de Deus e dele se tornaram herdeiros. Cada um deles respondeu com extraordinária criatividade ao mandamento do amor de Deus e do próximo. Dedicaram-se incansavelmente ao serviço dos últimos, assistindo indigentes, doentes, idosos e peregrinos. A sua predilecção pelos pequeninos e pelos pobres era o reflexo e a medida do amor incondicional a Deus. Com efeito, procuraram e descobriram a caridade na relação forte e pessoal com Deus, da qual se liberta o amor verdadeiro ao próximo. Por isso, no momento do juízo, ouviram este doce convite: «Vinde, benditos de meu Pai, possuí por herança o reino que vos está preparado desde a fundação do mundo» (Mt  25, 34)…”
A memória litúrgica de São Ciríaco Elias Chavara faz-se no dia 3 de Janeiro.

segunda-feira, 21 de dezembro de 2015

TEMPO DO ADVENTO

 
PALAVRA DO SENHOR
- da Liturgia do 4º Domingo do Advento
            . “…Viver-se-á em segurança… Ele será a paz…”
            . “… Eu venho, ó Deus, para fazer a Tua vontade…”
            . “… Bem-aventurada aquela que acreditou…”

EM DESTAQUE

 
- É NATAL
O Natal está a chegar. Esta festa cristã inunda o mundo de luz, de paz e de esperança. O Nascimento de Jesus Cristo é um permanente desafio ao amor, ao carinho, ao perdão, à alegria, à misericórdia. A salvação que Jesus semeou nos nossos corações deve desabrochar na terra, abrindo caminho a uma humanidade nova que acolha Deus e os seus desígnios e desenhe a perspectiva da fraternidade universal. Transcrevemos parte da homilia do Papa Bento XVI, na Missa da Noite de Natal de 2013:
“…Nesta noite, como um facho de luz claríssima, ressoa o anúncio do Apóstolo: «Manifestou-se a graça de Deus, que traz a salvação para todos os homens» (Tt 2, 11). A graça que se manifestou no mundo é Jesus, nascido da Virgem Maria, verdadeiro homem e verdadeiro Deus. Entrou na nossa história, partilhou o nosso caminho. Veio para nos libertar das trevas e nos dar a luz. N’Ele manifestou-se a graça, a misericórdia, a ternura do Pai: Jesus é o Amor feito carne. Não se trata apenas dum mestre de sabedoria, nem dum ideal para o qual tendemos e do qual sabemos estar inexoravelmente distantes, mas é o sentido da vida e da história que pôs a sua tenda no meio de nós.
Os pastores foram os primeiros a ver esta «tenda», a receber o anúncio do nascimento de Jesus. Foram os primeiros, porque estavam entre os últimos, os marginalizados. E foram os primeiros porque velavam durante a noite, guardando o seu rebanho. É lei do peregrino velar, e eles velavam. Com eles, detemo-nos diante do Menino, detemo-nos em silêncio. Com eles, agradecemos ao Pai do Céu por nos ter dado Jesus e, com eles, deixamos subir do fundo do coração o nosso louvor pela sua fidelidade: Nós Vos bendizemos, Senhor Deus Altíssimo, que Vos humilhastes por nós. Sois imenso, e fizestes-Vos pequenino; sois rico, e fizestes-Vos pobre; sois omnipotente, e fizestes-Vos frágil.
Nesta Noite, partilhamos a alegria do Evangelho: Deus ama-nos; e ama-nos tanto que nos deu o seu Filho como nosso irmão, como luz nas nossas trevas. O Senhor repete-nos: «Não temais» (Lc 2, 10). Assim disseram os anjos aos pastores: «Não temais». E repito também eu a todos vós: Não temais! O nosso Pai é paciente, ama-nos, dá-nos Jesus para nos guiar no caminho para a terra prometida. Ele é a luz que ilumina as trevas. Ele é a misericórdia: o nosso Pai perdoa-nos sempre. Ele é a nossa paz. Amém!...”(cf. Santa Sé)
 
 
A todos os que nos visitam, aos homens e mulheres de boa vontade, aos cristãos da nossa Paróquia de Santa Maria da Feira: UM SANTO E FELIZ NATAL, NO AMOR E NA BONDADE DE DEUS, NOSSO PAI E NA ALEGRIA DE JESUS CRISTO, NOSSO SALVADOR.

PALAVRA DO PAPA FRANCISCO

 
- na Audiência-Geral, no dia 16 de Dezembro, na Praça de São Pedro, Roma
Prezados irmãos e irmãs, bom dia!
No domingo passado foi aberta a Porta Santa na Catedral de Roma, a Basílica de São João de Latrão, e abriu-se uma Porta da Misericórdia na Catedral de cada diocese do mundo, inclusive nos santuários e nas igrejas indicadas pelos bispos. O Jubileu realiza-se em todo o mundo, não apenas em Roma. Desejei que este sinal da Porta Santa estivesse presente em cada Igreja particular, para que o Jubileu da Misericórdia possa tornar-se uma experiência compartilhada por todas as pessoas. Deste modo, o Ano Santo teve início na Igreja inteira e é celebrado em cada uma das dioceses, como em Roma. Além disso, a primeira Porta Santa foi aberta precisamente no coração da África. Quanto a Roma, é o sinal visível da comunhão universal. Possa esta comunhão eclesial tornar-se cada vez mais intensa, a fim de que a Igreja seja no mundo o sinal vivo do amor e da misericórdia do Pai.
Também na data de 8 de Dezembro, quis sublinhar esta exigência unindo, cinquenta anos mais tarde, o início do Jubileu com o encerramento do Concílio Ecuménico Vaticano II. Com efeito, o Concílio contemplou e apresentou a Igreja à luz do mistério da comunhão. No entanto, espalhada pelo mundo inteiro e subdividida em numerosas Igrejas particulares, ela é sempre e exclusivamente a única Igreja de Jesus Cristo, aquela que Ele quis e pela qual se ofereceu a si mesmo. A Igreja «una» que vive da comunhão do próprio Deus.
Este mistério de comunhão, que faz da Igreja um sinal do amor do Pai, cresce e amadurece no nosso coração, quando o amor, que reconhecemos na Cruz de Cristo e na qual nos imergimos, nos leva a amar do mesmo modo como nós somos amados por Ele. Trata-se de um Amor sem fim, que tem o semblante do perdão e da misericórdia.
No entanto, a misericórdia e o perdão não devem permanecer só palavras, mas realizar-se na vida quotidiana. Amar e perdoar constituem o sinal concreto e visível de que a fé transformou os nossos corações, permitindo-nos expressar em nós a vida do próprio Deus. Amar e perdoar como o próprio Deus ama e perdoa. Trata-se de um programa de vida que não pode conhecer interrupções nem excepções, mas impele-nos a ir sempre mais além, sem nos cansarmos, com a certeza de que somos sustentados pela presença paternal de Deus. Este grandioso sinal da vida cristã transforma-se depois em muitos outros sinais que são característicos do Jubileu. Penso em quantos atravessarão uma das Portas Santas, que neste Ano constituem verdadeiras Portas da Misericórdia. A Porta indica o próprio Jesus, que disse: «Eu sou a porta. Se alguém entrar por mim será salvo; tanto entrará como sairá, e encontrará pastagem» (Jo 10, 9). Atravessar a Porta Santa é o sinal da nossa confiança no Senhor Jesus, que não veio para julgar, mas para salvar (cf. Jo 12, 47). Prestai atenção para que não haja ninguém, pouco dinâmico ou demasiado astuto, que vos diga que é preciso pagar. Não! A salvação não se paga. A salvação não se compra. A Porta é Jesus, e Jesus é grátis! Ele mesmo fala de quantos tentam entrar como não se deve; e simplesmente afirma que são ladrões e salteadores. Repito-vos, estai atentos: a salvação é grátis! Atravessar a Porta Santa é sinal de uma verdadeira conversão do nosso coração. Quando atravessarmos aquela Porta, será bom recordar que devemos manter escancarada também a porta do nosso coração. Ponho-me diante da Porta Santa e peço: «Senhor, ajudai-me a abrir de par em par a porta do meu coração!». O Ano Santo não seria muito eficaz, se a porta do nosso coração não deixasse passar Cristo, que nos impele a ir ao encontro dos outros, para lhes levar Ele e o seu amor. Portanto, do mesmo modo como a Porta Santa permanece aberta, porque constitui o sinal da aceitação que o próprio Deus nos reserva, assim também a nossa porta, a porta do nosso coração, permaneça sempre aberta de par em par, para não excluir ninguém. Nem sequer aquele, ou aquela, que me aborrece: ninguém!
Um sinal importante do Jubileu é também a Confissão. Aproximar-se do Sacramento mediante o qual nos reconciliamos com Deus equivale a fazer uma experiência pessoal da sua misericórdia. Significa encontrar o Pai que perdoa: Deus perdoa tudo! Deus compreende-nos também nos nossos limites, entende-nos inclusive nas nossas contradições. E não só! Através do seu amor, diz-nos que precisamente quando reconhecemos os nossos pecados Ele faz-se ainda próximo de nós, encorajando-nos a olhar para a frente. E diz mais ainda: que quando reconhecemos os nossos pecados e pedimos perdão, faz-se festa no Céu. Jesus faz festa: nisto consiste a sua misericórdia, não desanimemos! Em frente, em frente com isto!
Quantas vezes ouvi dizer: «Padre, não consigo perdoar ao meu vizinho, ao colega de trabalho, à vizinha, à sogra, à cunhada». Todos nós ouvimos isto: «Não consigo perdoar!». Contudo, como podemos pedir a Deus que nos perdoe, se depois nós mesmos não somos capazes de conceder o nosso perdão? Perdoar é algo grandioso; e no entanto, não é fácil perdoar, porque o nosso coração é pobre, e unicamente com as suas forças não o conseguirá fazer. Contudo, se nos abrirmos ao acolhimento da misericórdia de Deus por nós, tornar-nos-emos, por nossa vez, capazes de perdão. Muitas vezes ouvi dizer: «Não podia ver aquela pessoa: sentia ódio por ela. Mas um dia aproximei-me do Senhor e pedi-lhe perdão pelos meus pecados, mas também perdoei aquela pessoa». São coisas de todos os dias. E temos esta oportunidade perto de nós!
Por conseguinte, ânimo! Vivamos o Jubileu a começar por estes sinais que exigem uma grande força de amor. O Senhor acompanhar-nos-á para nos levar a fazer a experiência de outros sinais importantes para a nossa vida. Coragem e em frente!  (cf. Santa Sé)

PARA REZAR

 
SALMO 79
Refrão: Senhor nosso Deus, fazei-nos voltar,
             mostrai-nos o vosso rosto e seremos salvos.
 
Pastor de Israel, escutai,
Vós estais sobre os Querubins, aparecei.
Despertai o vosso poder
e vinde em nosso auxílio.
 
 
Deus dos Exércitos, vinde de novo,
olhai dos céus e vede, visitai esta vinha;
protegei a cepa que a vossa mão direita plantou,
o rebento que fortalecestes para Vós.
 
 
Estendei a mão sobre o homem que escolhestes,
sobre o filho do homem que para Vós criastes.
Nunca mais nos apartaremos de Vós,
fazei-nos viver e invocaremos o vosso nome.

SANTOS POPULARES

 
SANTA MARIA MARGARIDA D’YOUVILLE
Maria Margarida Dufrost de Lajemmerais nasceu no dia 15 de Outubro de 1701, em Varennes, Montreal, no Estado do Quebec, Canadá, perto do grandioso Rio São Lourenço. Era filha de Christophe-Dufrost de Lajemmerais e de Renée de Varennes da família nobre dos Dufrost de Lajemmerais.
O seu pai, chefe das tropas da colónia francesa, faleceu quando Margarida tinha 7 anos, deixando a família na ruína. Recebida pelas Irmãs Ursulinas, viveu com elas durante dois anos. Passou depois a viver com a mãe, em Montreal.
Com o passar do tempo, começou a frequentar as reuniões sociais e, aos 21 anos, em 1722, casou-se com Francisco Madalena d'Youville, jovem rico, do qual teve seis filhos. Porém, Francisco, mulherengo, contrabandista de álcool com os índios, tratava-a com total indiferença. 
Em 1730, no oitavo ano de casamento, o marido faleceu, deixando-a cheia de dívidas por haver delapidado o património comum. Então, Margarida teve de trabalhar duramente. Com o auxílio da família e de amigos, montou um pequeno bazar. Conseguiu pagar as dívidas e garantir aos dois filhos - que sobreviveram e chegaram à idade adulta - a educação no Seminário de Montreal. Estes filhos, terminados os seus cursos de formação teológica, foram ordenados sacerdotes.
Margarida, apesar das dificuldades económicas da sua vida, entregou-se, com zelo ilimitado, ao cuidado dos pobres, que eram muitos naqueles anos - inválidos, imigrantes sem fortuna, idosos, enfermos - empregando parte dos lucros do seu pequeno negócio em auxiliá-los, sob a direcção espiritual do Padre Luís Normant. Nesta missão, começou a ter a ajuda de três senhoras que se uniram a ela na prática da caridade. Da acção destas mulheres, em 30 de Outubro de 1738, a primeira fundação religiosa canadiana: a Congregação das Irmãs da Caridade do Hospital ou ‘Soeurs Grises’ – Irmãs Cinza (por causa da cor do hábito que usavam).
 Este empreendimento, porém, não foi fácil. Margarida d'Youville herdou do marido uma fama tão ruim e detestável, que um dia lhe negaram a comunhão sob o pretexto de ser uma pecadora pública. A este ponto chegaram as perseguições e calúnias contra a santa fundadora, que tudo suportou com paciência heróica.
Mas, não ficaram por aqui os seus sofrimentos. Apareceram-lhe, num joelho, duas chagas que nenhum médico conseguiu curar em anos de tratamento.
 Maria Margarida deu às suas filhas religiosas uma espiritualidade muito bela e profunda: «Nós, dizia ela, desposamo-nos com os pobres, como membros de Jesus Cristo, nosso Esposo». E «este casamento místico com os membros miseráveis de Cristo» há-de ser, por sua vez, entendido «como uma participação na paternidade divina».
As religiosas de Margarida «devem tirar do Pai Eterno o espírito e as virtudes da sua vocação. Ao tomar o hábito, fazem um acto de consagração ao Pai Eterno e, depois, por toda a vida, recitam, diariamente, as “ladainhas do Pai Eterno”. Deus Pai, fonte de todo bem, é a providência das suas filhas e, através delas, é a providência dos necessitados. Sob a acção do Pai Eterno, a Irmã ‘cinza’ une-se a Cristo e n’Ele a favor deles”. (Canada, en Dictionnaire de spiritualité, París 1963,V, 998-999).
Um acontecimento mostra-nos o espírito que animava esta santa mulher: no 31 de Janeiro de 1745, um incêndio destruiu o seu hospital de Montreal, conseguido com tanto esforço. Margarida e as suas Irmãs, diante das chamas, cantavam de todo coração um ‘Te Deum’. Ela viu na cruz uma indicação providencial que a convidava a despojar-se totalmente de qualquer propriedade. Tudo foi consagrado ao serviço dos pobres: o tempo, as iniciativas e a vida.
Pelos finais de 1770, a Irmã Maria Margarida começou a sentir um mal-estar que a impedia de falar e de andar normalmente. Era o princípio da paralisia que a levou à morte no dia 23 de Dezembro do ano seguinte.
A Irmã Maria Margarida d’Youville foi beatificada, no dia 3 de Maio de 1959, pelo Papa João XXIII. A cura de uma pessoa atacada de leucemia, ocorrida em 1978, foi atribuída à sua intercessão. Foi canonizada, pelo Papa João Paulo II, no dia 9 de Dezembro de 1990, em Roma. Na homilia da Celebração Eucarística da canonização, o Papa disse: “… A fundadora das “Irmãs Cinza” deu-nos um grande exemplo: soube vencer as suas desilusões; aceitar o sofrimento, levado como uma Cruz com Cristo. Abandonada nas mãos da Providência, seguiu o seu caminho com esperança. A fé nunca a abandonou. Recomeçava o trabalho com todas as suas forças, com toda a sua habilidade, contra todas as aparências. No secreto mistério da provação, sabia acolher a presença do Salvador que vem, pela misericórdia do Deus fiel, o verdadeiro mestre da História. Margarida sabia que a salvação está próxima daqueles temem o Senhor. Mesmo nas horas mais escuras, via levantar-se a Luz de Deus…”
A memória litúrgica de Santa Maria Margarida celebra-se no dia 23 de Dezembro.

segunda-feira, 14 de dezembro de 2015

TEMPO DO ADVENTO


 
 
PALAVRA DO SENHOR
- da Liturgia do 3º Domingo do Advento
            . “… O Senhor teu Deus está no meio de ti como poderoso salvador…”
            . “… Seja de todos conhecida a vossa bondade…”
            . “… Que devemos fazer?...”

EM DESTAQUE

 

ABERTURA DA PORTA SANTA
Neste dia 13 de Dezembro, será aberta a Porta Santa, na Catedral do Porto. A celebração tem início às 15,30 horas, na Igreja de São Lourenço, no Seminário Maior da Sé, donde partirá a procissão rumo à Catedral, onde será aberta a porta santa. Preside a esta celebração o Sr. D. António Francisco dos Santos, Bispo do Porto.
 
 
PALAVRA DO BISPO DO PORTO
- na Homilia da Solenidade da Imaculada Conceição, na Sé do Porto

“…Ao abrir, nesta manhã, a Porta santa da Misericórdia, na Basílica de S. Pedro, o Papa Francisco convidou a Igreja e o Mundo a olhar para Maria, Mãe de Jesus, “cheia de graça”, e a descobrir que só “a plenitude da graça é capaz de transformar o coração. Só a graça divina vence em nós a tentação da desobediência, que se exprime no desejo de projectar a nossa vida independentemente da vontade de Deus. Neste ano, continua o Papa Francisco, devemos todos crescer na convicção da misericórdia e viver a alegria do encontro com a graça divina que tudo transforma” (Roma, homilia de 08.12. 2015).
Em comunhão com o Papa Francisco e no espírito de quanto nos propomos no nosso Plano diocesano de Pastoral, também nós somos chamados a viver este Jubileu da Misericórdia. Recordo as palavras da recente Carta Pastoral, que nós bispos dirigimos à Igreja do Porto: “A contemplação da misericórdia – em última instância, da misericórdia divina – oferece-nos, a todos, o conforto de estarmos a coberto do seu manto protector. Mas implica-nos, também – também a todos - no exercício da misericórdia: sempre e em todas as circunstâncias. A misericórdia não é, pois, uma realidade de um único sentido. Envolve-nos a todos: como destinatários e como actores” (Carta pastoral – Felizes os misericordiosos” (Porto, 03.12.2015).
Sem querermos ser melhores ou privilegiados em relação a outros povos ou nações, lembremos que somos Terra de Santa Maria e celebramos hoje a Padroeira de Portugal.
A geografia da alma portuguesa e os caminhos da história de Portugal são marcadamente marianos. Desde a Senhora da Oliveira, no berço da nacionalidade em Guimarães, à Senhora da Conceição, padroeira do Reino, em Vila Viçosa, à Senhora de Vandoma, padroeira do Porto, a Cidade da Virgem, à Senhora do Rosário de Fátima, na Cova da Iria, Altar do Mundo, vivemos aconchegados pela ternura da Mãe de Deus e nossa Mãe.
Neste momento de vida do nosso País e no contexto perturbado da história do Mundo cumpre-nos implorar de Maria, Mãe da misericórdia, do perdão e da fraternidade, que nos ensine diariamente, como só e sempre as mães sabem fazer, a percorrer caminhos de fé, de progresso e de paz.
Não esquecemos que celebramos, também hoje, aqui bem perto, no Seminário Maior da Sé, a Imaculada Conceição, sua padroeira. Vivemos ali este dia festivo, que aqui se continua e prolonga, como dia de Encontro da Equipa Formadora e dos Seminaristas com as suas Famílias. Damos graças a Deus pelo dom dos nossos Seminários, dos Seminaristas e das Vocações na Igreja do Porto e queremos agradecer quanto aos Seminários, às Famílias e às Comunidades todos devemos.

Que Maria, a Imaculada Conceição, por todos interceda e a todos abençoe, ilumine e proteja!...” (cf. Diocese do Porto)

PALAVRA DO PAPA FRANCISCO

 
- na Audiência-Geral, no dia 9 de Dezembro, na Praça de São Pedro, Roma
Ontem abri aqui na Basílica de São Pedro a Porta Santa do Jubileu da Misericórdia, depois de a ter já aberto na Catedral de Bangui, na África Central. Hoje gostaria de meditar convosco sobre o significado deste Ano Santo, respondendo à pergunta: por que um Jubileu da Misericórdia? O que significa isto?
A Igreja tem necessidade deste momento extraordinário. Não digo: é bom para a Igreja este momento extraordinário. Digo: a Igreja tem necessidade deste momento extraordinário. Na nossa época de profundas mudanças, a Igreja é chamada a oferecer a sua contribuição peculiar, tornando visíveis os sinais da presença e da proximidade de Deus. E o Jubileu é um tempo favorável para todos nós a fim de que, contemplando a Misericórdia Divina que supera todos os limites humanos e resplandece na obscuridade do pecado, possamos tornar-nos testemunhas mais convictas e eficazes.
Dirigir o olhar para Deus, Pai misericordioso, e para os irmãos necessitados de misericórdia, significa prestar atenção ao conteúdo essencial do Evangelho: Jesus, Misericórdia que se fez carne, que torna visível aos nossos olhos o grande mistério do Amor trinitário de Deus. Celebrar um Jubileu da Misericórdia equivale a pôr de novo no centro da nossa vida pessoal e das nossas comunidades o específico da fé cristã, ou seja Jesus Cristo, o Deus misericordioso.
Portanto, um Ano Santo para viver a misericórdia. Sim, caros irmãos e irmãs, este Ano Santo é-nos oferecido para experimentar na nossa vida o toque dócil e suave do perdão de Deus, a sua presença ao nosso lado e a sua proximidade sobretudo nos momentos de maior privação.
Em síntese, este Jubileu é um momento privilegiado para que a Igreja aprenda a escolher unicamente «o que mais agrada a Deus». E, o que é que «mais agrada a Deus»? Perdoar aos seus filhos, ter misericórdia deles a fim de que, por sua vez, também eles possam perdoar aos irmãos, resplandecendo como tochas da misericórdia de Deus no mundo. É isto o que mais agrada a Deus! Num livro de teologia que tinha escrito acerca de Adão, Santo Ambrósio medita sobre a história da criação do mundo e diz que cada dia, depois de ter criado algo — a lua, o sol ou os animais — Deus diz: «E Deus viu que isto era bom!». Mas quando criou o homem e a mulher, a Bíblia diz: «Viu que era muito bom». E Santo Ambrósio interroga-se: «Mas por que motivo Deus diz que é “muito bom”? Por que se sente Deus tão feliz depois da criação do homem e da mulher?». Porque no final tinha alguém a quem perdoar. E isto é bonito: a alegria de Deus é perdoar; o ser de Deus é a misericórdia. Por isso, neste ano, devemos abrir o nosso coração para que este amor, esta alegria de Deus, nos encha todos desta misericórdia. O Jubileu será um «tempo favorável» para a Igreja, se aprendermos a escolher «o que mais agrada a Deus», sem ceder à tentação de pensar que existe algo mais importante ou prioritário. Nada é mais importante do que escolher «o que mais agrada a Deus», ou seja a sua misericórdia, o seu amor, a sua ternura, o seu abraço, as suas carícias!
Inclusive a necessária obra de renovação das instituições e das estruturas da Igreja é um meio que deve levar-nos a fazer a experiência viva e vivificante da misericórdia de Deus, a única que pode garantir que a Igreja seja aquela cidade posta sobre um monte que não pode permanecer escondida (cf. Mt 5, 14). Só resplandece uma Igreja misericordiosa! Se, por um só momento, nos esquecêssemos de que a misericórdia é «o que mais agrada a Deus», todos os nossos esforços seriam vãos, porque nos tornaríamos escravos das nossas instituições e das nossas estruturas, por mais renovadas que possam ser. Mas seríamos sempre escravos!
«Sentirmos intensamente em nós a alegria de ter sido reencontrados por Jesus que veio, como Bom Pastor, à nossa procura, porque nos tínhamos extraviado» (Homilia nas Primeiras Vésperas do Domingo da Divina Misericórdia, 11 de Abril de 2015): eis a finalidade que a Igreja se propõe neste Ano Santo. Assim fortaleceremos em nós a certeza de que a misericórdia pode contribuir realmente para a edificação de um mundo mais humano. Especialmente nesta nossa época, em que o perdão é um hóspede raro nos âmbitos da vida humana, a exortação à misericórdia faz-se mais urgente, e isto em todos os lugares: na sociedade, nas instituições, no trabalho e também na família.
Sem dúvida, alguém poderia objectar: «Mas Padre, neste Ano, a Igreja não deveria fazer algo mais? É bom contemplar a misericórdia de Deus, mas há muitas necessidades urgentes!». É verdade, há muito para fazer, e eu sou o primeiro que não me canso de o recordar. Mas é preciso ter em consideração que, na raiz do esquecimento da misericórdia está sempre o amor-próprio. No mundo, ele assume a forma da busca exclusiva dos próprios interesses, de prazeres e honras unidas ao desejo de acumular riquezas, enquanto na vida dos cristãos se disfarça muitas vezes de hipocrisia e mundanidade. Tudo isto é contrário à misericórdia. Os impulsos do amor-próprio, que tornam alheia a misericórdia no mundo, são tantos e tão numerosos que muitas vezes nem sequer somos capazes de os reconhecer como limites e como pecado. Eis porque é necessário reconhecer que somos pecadores, para revigorar em nós a certeza da misericórdia divina. «Senhor, sou um pecador; Senhor, sou uma pecadora: vem com a tua misericórdia!». É uma oração muito bonita. É uma prece fácil de recitar todos os dias: «Senhor, sou um pecador; Senhor, sou uma pecadora: vem com a tua misericórdia!».
Queridos irmãos e irmãs, faço votos de que neste Ano Santo cada um de nós viva a experiência da misericórdia de Deus, para ser testemunha do que «mais agrada a Ele». É ingénuo crer que isto possa mudar o mundo? Sim, humanamente falando é uma loucura; mas «a loucura de Deus é mais sábia do que os homens, e a fraqueza de Deus é mais forte do que os homens» (1 Cor 1, 25).  (cf. Santa Sé)

PARA REZAR

 
CÂNTICO DE ISAÍAS
Refrão: Povo do Senhor, exulta e canta de alegria.
 
 
Deus é o meu Salvador,
tenho confiança e nada temo.
O Senhor é a minha força e o meu louvor.
Ele é a minha salvação.
 
 
Tirareis água com alegria das fontes da salvação.
Agradecei ao Senhor, invocai o seu nome;
anunciai aos povos a grandeza das suas obras,
proclamai a todos que o seu nome é santo.
 
 
Cantai ao Senhor, porque Ele fez maravilhas,
anunciai-as em toda a terra.
Entoai cânticos de alegria, habitantes de Sião,
porque é grande no meio de vós o Santo de Israel.

SANTOS POPULARES

 
BEATA MARIA DOS ANJOS FONTANELLA
Mariana Fontanella nasceu, em Turim, a 7 de Janeiro de 1661, e foi baptizada no dia 11 de Janeiro do mesmo ano, na igreja paroquial de São Simão e São Judas. Era a última dos 11 filhos do Conde João Donato Fontanella e de Maria Tana de Santena, parente da mãe exemplar de São Luís de Gonzaga, dos Condes de Chieri. Mariana cresceu tendo, diante dos olhos e no coração, São Luís Gonzaga como seu modelo e intercessor. Imita-o na fé, na caridade, na pureza e na dedicação a Jesus. Recebeu dos seus pais uma boa educação religiosa que a levou a ter uma grande devoção a Nossa Senhora e a São José. Em 15 de Agosto de 1672, recebeu, pela primeira vez, Jesus Sacramentado, das mãos do pároco da freguesia, o Pe. Emílio Malliano. Mariana era uma criança inteligente, de temperamento forte, mas muito sensível não só aos valores religiosos e cristãos, mas também aberta e sensível às realidades do mundo. De acordo com os costumes da época, a sua educação foi confiada a um mestre que vivia com a família. Quanto ao resto, seguiu em tudo a formação que normalmente era dada às meninas da sua condição social. A sua paixão pela dança era singular, Mariana era exímia nessa arte. Um dia, por acaso, encontrou, no sótão, um crucifixo sem braços e ficou profundamente tocada; imediatamente deitou fora a sua boneca e substituiu-a por Cristo na cruz que, a partir de então, se tornou objecto das suas manifestações de carinho. O Pe. Malliano guiou-a numa vida de oração intensa; moderou os seus desejos de penitência e, em vez disso, ensinou-a a temer-se a si mesma e a separar-se das frivolidades da vida da sociedade. Em 1673, entrou, como pensionista, no Mosteiro das Clarissas de Santa Maria da Estrela, em Rifreddo de Saluzzo, e ali permaneceu ano e meio, voltando para junto da sua família em 5 de Janeiro de 1675. Quando Mariana estava com 14 anos, o seu pai faleceu e a mãe colocou a administração dos bens da família nas mãos do seu filho mais velho, João Baptista. Este, por sua vez, pediu que Mariana cuidasse da direcção da casa. Apesar de muito jovem, ela mostrou grande equilíbrio, sabedoria, prudência, delicadeza e perspicácia. Cada vez mais atraída por Jesus Crucificado, quis dar-lhe toda a sua vida. Incentivada por Pe. Malliano – pároco, desde 1669, da vizinha igreja de S. Roque -,falou sobre isso com a sua mãe que, em resposta, lhe propôs um bom casamento. Mariana respondeu que o seu coração agora pertencia somente a Deus e que não se envolveria com qualquer criatura por muito nobre e boa que pudesse ser. A Condessa Maria acabou por se resignar com a vocação da filha; concordou com ela, iniciando conversações com as Irmãs Cistercienses de Saluzzo, para que a aceitassem no Mosteiro, onde já era monja professa outra irmã de Mariana, Clara Cecília. Por volta de 1675/1676, houve, em Turim, uma exposição do Santo Sudário. Mariana foi venerá-lo e encontrou ali um velho carmelita descalço que percebendo a sua vocação lhe falou sobre as Carmelitas do Carmelo de Santa Cristina. Mariana escutou-o com muito interesse, sobretudo quando ele lhe falou do espírito da regra, que correspondia perfeitamente aos seus desejos. Mariana percebeu que era para ali que o Senhor a chamava. De regresso a casa, declarou a todos que se faria carmelita e, nessa mesma noite, escreveu para o Convento de Saluzzo a anunciar a sua decisão. Surgiram, então, novas lutas com a mãe que não queria deixá-la entrar num Mosteiro tão austero. Mas, a sua tenaz perseverança obteve o efeito esperado: a Condessa acabou por aceitar a escolha da filha e deixou-a entrar no Carmelo. Mariana entrou no Carmelo no dia 19 de Novembro de 1676 e, ali, tomou o nome de Maria dos Anjos. Pouco mais de um ano após a sua entrada no Carmelo de Santa Cristina, em 26 de Dezembro de 1677, fez a sua profissão religiosa. A Irmã Maria dos Anjos prestava um generoso serviço à comunidade, mostrando sempre uma dedicação exemplar. Começou para ela um longo período de provações interiores, acompanhado por graças místicas extraordinárias que duraram cerca de catorze anos. Nos finais de 1691, cessaram as dolorosas provações interiores (a “purificação” de que os místicos falam, especialmente São João da Cruz). A Irmã Maria dos Anjos adquiriu um perfeito equilíbrio interior que brilhava em todo o seu comportamento. Os superiores julgaram bem confiar-lhe a educação das noviças, embora ela tivesse apenas 30 anos de idade. Em 1694, após pedirem, sem o seu conhecimento, dispensa à Santa Sé - porque a Irmã Maria dos Anjos ainda não tinha a idade exigida pelos Santos Cânones -, elegeram-na Prioresa. Quando o rei Victor Amadeu II assumiu o governo, em 1684, a pressão da França tornou-se mais forte do que nunca; as pretensões francesas tornaram-se intoleráveis e Victor Amadeu declarou a guerra. No Carmelo de Santa Cristina, a Madre Maria dos Anjos rezava. Em 1696, com o apoio de Joana Baptista de Saboia Nemours, a Irmã Maria dos Anjos obteve a instituição, na Diocese de Turim, da festa do Patrocínio de São José, garantindo que, assim, a guerra que assolava o Ducado desde 1690 iria acabar. A paz de Vigevano, assinada em Outubro 1696, deu-lhe razão. As graças místicas das quais era depositária vão-se tornando cada vez mais sublimes e, para maior confusão da beneficiária, são demasiado evidentes para permanecerem escondidas. A fama da sua santidade espalhou-se pela cidade, suscitando grande interesse em torno da sua pessoa. Algumas curas milagrosas, atribuídas à sua intercessão, faziam chover mais e mais pedidos de orações no mosteiro. Personagens ilustres do clero – o Beato Sebastião Valfré, o Pe. Provana, o Núncio Monsenhor Sforza etc. – e da aristocracia, Madame Real, a duquesa Ana e o duque Victor Amadeu II, procuravam a Madre para lhe submeter os seus problemas espirituais, como provam as cartas assinadas pela Madre Maria dos Anjos e a eles endereçadas. Estas cartas estão conservadas nos Arquivos do Estado, em Turim. Impulsionada pelo desejo de fundar um novo Carmelo, que pudesse acolher jovens que não podiam ser recebidas em Santa Cristina, por falta de espaço - o número de religiosas, em cada Carmelo, não pode ser maior de 21 - iniciou negociações com os superiores. Em 16 de Setembro de 1703, vencendo múltiplas dificuldades, o Carmelo de Moncalieri foi solenemente inaugurado, na presença da Madre Maria dos Anjos. A este mosteiro foi dado o nome de São José. Por outro lado, a família Saboia fazia muita pressão, sobre os seus superiores religiosos, para impedir que a Madre deixasse Turim. Partiram de Santa Catarina três Irmãs, entre elas a Madre Maria Vitória da Santíssima Anunciada que ocuparia o cargo de Prioresa com o título de “vigária”, para significar que a verdadeira prioresa do mosteiro era a Madre Maria dos Anjos. Na verdade, de Turim, ela continuou a prover as monjas de Moncalieri do necessário, cuidando da sua formação espiritual através de correspondência e velando, com coração de mãe, pelo bom funcionamento da comunidade. Assim o fez até à sua morte. Autêntica carmelita, a Irmã Maria dos Anjos participou intensamente da vida da Igreja, oferecendo-se como uma “hóstia de penitência” pelos irmãos, especialmente por aqueles cujas necessidades ela conhecia, mas também pelos mais afastados. Era singular a sua solicitude pelas almas daqueles que esperavam a purificação final no Purgatório. A sua caridade, forte e generosa, estendia-se a todas as categorias de pessoas: os pobres, os doentes, os soldados feridos, as meninas sem dote, aqueles que estavam em dificuldade. Ela, que era tão tímida, atreveu-se a enviar uma petição ao rei para salvar a vida de um soldado condenado à morte como desertor; numa outra vez, escreveu para garantir recursos financeiros suficientes para financiar os estudos de um calvinista convertido, que desejava abraçar o sacerdócio.
Foi extremamente importante o papel que desempenhou durante o terrível cerco, de 1706. Turim foi cercada pelos franceses, durante quatro meses. Enquanto Pedro Micca se sacrificava para impedir que os franceses entrassem na cidade, Madre Maria dos Anjos recorria a Nossa Senhora para obter protecção para Turim. Quando as forças invasoras já tinham chegado perto do mosteiro, ela, tranquilizada por duas visões sucessivas da Virgem Maria, garantia que na festa de Maria Bambina (Nossa Senhora Menina) se alcançaria a vitória. Tornou-se famosa a sua frase, repetida nas muralhas e na cidade por Valfré: "Com a Bambina venceremos. A Bambina será a nossa libertadora". A vitória foi alcançada pelos turineses no dia 7 de Setembro, dia em que, então, era celebrada a festa de Maria Santíssima Menina. Estes e outros factos singulares - curas, profecias, etc. - fizeram crescer enormemente a sua fama de santidade, de modo que, a quando da sua morte, que ocorreu em 16 de Dezembro de 1717, os turineses acorreram em massa ao mosteiro de Santa Cristina, pois todos queriam venerá-la, tocar com objectos no seu corpo, obter fragmentos de algo que lhe tivesse pertencido.
Em 1802, Turim dominada pelas tropas napoleónicas e o Mosteiro de Santa Cristina foi confiscado. De noite, com medo de uma possível profanação, o corpo da venerável Madre Maria dos Anjos foi levado para a igreja de Santa Teresa dos Carmelitas Descalços. Ali foi sepultado e ali permaneceu até ao dia 25 de Abril de 1865, dia da sua beatificação pelo Bem-aventurado Pio IX, após a aprovação de duas curas milagrosas obtidas por sua intercessão. A Beata Maria dos Anjos foi a primeira carmelita italiana a ser elevada à honra dos altares.
Em 1866, São João Bosco escreveu uma biografia da Beata, que difundiu entre as suas "Leituras Católicas", descrevendo-a como um modelo de santidade e de amor cristão à pátria.
A memória litúrgica da Beata Maria dos Anjos Fontanella celebra-se no dia 16 de Dezembro.

segunda-feira, 7 de dezembro de 2015

TEMPO DO ADVENTO


PALAVRA DO SENHOR

- da Liturgia do 2º Domingo do Advento

            . “… deixa a tua veste de luto e de aflição e reveste, para sempre, a beleza da glória que vem de Deus…”

            . “… que a vossa caridade cresça cada vez mais…”

            . “…Preparai o caminho do Senhor…”

EM DESTAQUE


- CARTA PASTORAL

  DO SR. BISPO DO PORTO E SEUS AUXILIARES

 Felizes os misericordiosos 
           
1. Misericórdia

“Jesus Cristo é o rosto da misericórdia do Pai”, recorda-nos o Papa Francisco nas palavras que abrem a Bula em que nos anuncia o Ano da Misericórdia (RM 1).
Somos, assim, convidados a um renovado encontro pessoal com Deus em Jesus Cristo, no âmbito de uma Comunidade. O Ano da Misericórdia é, por isso, muito mais que um elenco imaginativo de gestos evocativos de misericórdia e de perdão. Esses gestos terão sentido se estiverem ao serviço daquilo a que o Santo Padre chama contemplação do mistério da misericórdia. Caso contrário, estaríamos a entreter-nos com atividades de cariz religioso para cumprir mais um ano.
A contemplação da misericórdia – em última instância, da misericórdia divina – oferece-nos, a todos, o conforto de estarmos a coberto do seu manto protetor. Mas implica-nos, também – também a todos – no exercício da misericórdia: sempre e em todas as circunstâncias. Nada de novo, por outra parte, se levarmos a sério a oração que, a pedido dos discípulos, a nosso pedido, Jesus Cristo pôs nos nossos lábios: “perdoai-nos as nossas ofensas, assim como nós perdoamos a quem nos tem ofendido” (Lc 11, 4; Mt 6, 12). A misericórdia não é, pois, uma realidade de um único sentido. Envolve-nos a todos: como destinatários e como atores. O Ano da Misericórdia não está ao serviço de uma sociedade de direitos, mas de direitos e de deveres.
É neste espírito jubilar do Ano da Misericórdia proposto pelo Papa Francisco que queremos e devemos concretizar o lema, cumprir os objectivos e realizar o que programamos no Plano Diocesano de Pastoral, que tem por tema: “A Alegria do Evangelho é a nossa missão: Felizes os misericordiosos!”
A matriz programática em que se alicerça e a pedagogia pastoral que desenvolve o nosso Plano Diocesano de Pastoral têm como desígnio de missão a comunhão diocesana vivida como caminho sinodal, que é o caminho do futuro da Igreja, como recentemente lembrava o Papa Francisco aos Bispos, reunidos no Sínodo sobre a Família (Discurso ao Sínodo dos Bispos, 17 .10.2015).

2. Lugares da misericórdia

Além da Catedral, Igreja-Mãe da Diocese, são indicadas em anexo as igrejas jubilares em toda a geografia diocesana. São lugares por excelência para o exercício evangelizador e cultual da misericórdia. Aí terão lugar, com prioridade mas sem caráter exclusivo, as principais ações sugeridas na bula O rosto da misericórdia.
As igrejas escolhidas são já (ou estão chamadas a ser) locais de convergência das populações locais na busca de serviços eclesiais. A sua potenciação, desejavelmente, poderá ter um efeito agregador dos projectos das respectivas vigararias e dos dinamismos pastorais da diocese. Um Ano Santo não se esgota na roda de 12 meses, mas deve deixar sementes que germinem, floresçam e frutifiquem nas estações seguintes.
A peregrinação (RM 14), a visita à igreja jubilar, está primariamente associada à indulgência, assumidos e vividos os compromissos previstos pela Igreja para estas circunstâncias. “O jubileu, recorda o Santo Padre, inclui também o referimento à indulgência. Esta, no Ano Santo da Misericórdia, adquire uma relevância particular. O perdão de Deus para os nossos pecados não conhece limites. (…) No sacramento da Reconciliação, Deus perdoa os pecados, que são verdadeiramente apagados; mas o cunho negativo que os pecados deixaram nos nossos comportamentos e pensamentos permanece. A misericórdia de Deus, porém, é mais forte também do que isso. Ela torna-se indulgência do Pai que, através da Esposa de Cristo, alcança o pecador perdoado e liberta-o de qualquer resíduo das consequências do pecado, habilitando-o a agir com caridade, a crescer no amor em vez de recair no pecado” (RM 22).
O acesso à misericórdia, em cada igreja jubilar, é simbolizado pelo ingresso pela porta santa (RM 14). Aberta em Roma no dia 08 de dezembro (RM 4), será também aberta no domingo seguinte, dia 13, em cada Igreja diocesana. Iniciaremos a celebração, na nossa Diocese, às 15,30 horas, na Igreja de S. Lourenço, no Seminário Maior da Sé, que será a igreja estacional, donde partiremos rumo à porta santa da Catedral. A participação nesta celebração será manifestação da unidade da Igreja diocesana com o seu Bispo. Em datas posteriores ao dia 13, esta celebração poderá ser replicada ao nível vicarial ou paroquial. “A ‘porta da fé’ (cf Act 14, 27), escreveu Bento XVI (A porta da fé, 1), que introduz na vida de comunhão com Deus e permite a entrada na sua Igreja, está sempre aberta para nós”. E a porta é Cristo, o Bom Pastor que dá a vida pelas suas ovelhas (cf Jo 10, 11).
As igrejas jubilares, com efeito, são mais que lugares: são símbolos públicos da infinita misericórdia de Deus e apelo ao exercício de uma misericórdia humana sem limites. “Ao atravessar a porta santa, deixar-nos-emos abraçar pela misericórdia de Deus e comprometer-nos-emos a ser misericordiosos com os outros, como o Pai é connosco” (RM 14). A igreja jubilar e a porta santa negariam ou ocultariam o seu sentido se estivessem habitualmente fechadas. Pede-se, por isso, que, de acordo com as respetivas circunstâncias, se providenciem horários de abertura razoavelmente alargados.

3. Compreensão da misericórdia

As igrejas jubilares são espaços privilegiados para a compreensão aprofundada e para a experiência pessoal da misericórdia.
O Papa Francisco retoma (RM 15) o elenco clássico de obras de misericórdia: corporais e espirituais (cf Catecismo da Igreja Católica, 2447). Convida-nos a refletir sobre o seu alcance: “Será uma maneira de acordar a nossa consciência, muitas vezes adormecida perante o drama da pobreza, e de entrar cada vez mais no coração do Evangelho, onde os pobres são os privilegiados da misericórdia divina” (RM 15).
Esta esquematização oferece-nos um programa de fácil execução, para, por exemplo: formação de adultos, catequese infantil, juvenil e familiar, caminhadas de advento-natal e de quaresma-páscoa, conferências quaresmais, representações cénicas, cortejos públicos, exposições artísticas e outras possíveis iniciativas evangelizadoras e culturais.
O tempo litúrgico da Quaresma é assumido, na mente do Santo Padre, como ocasião privilegiada para intensificar a aproximação à misericórdia. Situa aqui, na sexta-feira e sábado anteriores ao 4º domingo da Quaresma, a 4 e 5 de março, as 24 horas para o Senhor. Este ano, com a existência das igrejas jubilares e o espírito de peregrinação, recomenda-se um especial empenho na vivência desse Dia para o Senhor.
O encontro pessoal com a misericórdia divina e o renovado compromisso do exercício da misericórdia têm uma privilegiada expressão no Sacramento da Reconciliação. “Com convicção, ponhamos novamente o sacramento da Reconciliação no centro, porque permite tocar sensivelmente a grandeza da misericórdia. Será, para cada penitente, fonte de verdadeira paz interior” (RM 17).
A programação desta oferta, para a igreja jubilar e para as paróquias e igrejas em geral, pressupõe uma generosa disponibilidade de todo o presbitério: não apenas dos responsáveis pelas igrejas jubilares nem apenas dos párocos e capelães. “Não me cansarei jamais de insistir com os confessores, apela o Papa Francisco, para que sejam um verdadeiro sinal da misericórdia do Pai. Ser confessor não se improvisa. Tornamo-nos tal quando começamos, nós mesmos, por nos fazer penitentes em busca do perdão. Nunca esqueçamos que ser confessor significa participar da mesma missão de Jesus e ser sinal concreto da continuidade de um amor divino que perdoa e salva” (RM 17).
No sacramento da Reconciliação fazemos a experiência profunda do perdão: a insondável grandeza de um Deus que perdoa; o abraço que estreita todas as distâncias e cura as feridas. “O perdão das ofensas torna-se a expressão mais evidente do amor misericordioso e, para nós cristãos, é um imperativo de que não podemos prescindir. Como parece difícil, tantas vezes, perdoar! E, no entanto, o perdão é o instrumento colocado nas nossas frágeis mãos para alcançar a serenidade do coração” (RM 9).
Neste âmbito queremos agradecer a Deus o dom dos sacerdotes que dedicam em cada semana tempo à celebração do sacramento da reconciliação e rezamos para que nós, presbíteros e bispos, nos entreguemos com regularidade e generosidade a acolher os que procuram a misericórdia divina, disponibilizando lugar e tempo para a celebração deste sacramento.

4. Instituições da misericórdia

Ao longo dos tempos, e hoje, com as inevitáveis marcas pessoais e das respetivas épocas, é enorme o rol das instituições dedicadas ao serviço dos mais desfavorecidos e marginalizados. Em muitos casos são instituições que atravessaram os séculos e permanecem na linha da frente da real proximidade aos mais carenciados. Santas Casas da Misericórdia, Cáritas, Conferências Vicentinas, Centros Sociais Paroquiais, Obra Diocesana e Fundações são apenas alguns exemplos de sustentáculos da sociedade dos esquecidos, dos marginalizados, dos frágeis e dos pobres
A Igreja não reivindica o exclusivo deste serviço e deste mérito. Mas, por amor à verdade, não pode deixar de recordar que assume o dever e o direito de estar nestes terrenos onde continuam a faltar ações e a sobrar discursos.
A credibilidade das instituições constrói-se sobre a credibilidade das pessoas que as integram e as servem. Este Ano da Misericórdia é uma ocasião propícia para a avaliação e para procurar, uma e outra vez, a fidelidade aos carismas inspiradores. A qualidade profissional com que se serve pode e deve ser potenciada com os valores cristãos que, mesmo de modos diferentes, estão nas suas origens. O Papa Paulo VI não considerou falta de modéstia afirmar a Igreja como “perita em humanidade” (Alocução à Assembleia Geral das Nações Unidas, 04.10.1965). Estas instituições têm a particular responsabilidade de serem, ainda que não em exclusivo, o comprovativo desta afirmação. Com efeito, escreve o Papa Francisco, “é determinante para a Igreja, e para a credibilidade do seu anúncio, que viva e testemunhe, ela mesma, a misericórdia. A sua linguagem e os seus gestos, para penetrarem no coração das pessoas e desafiá-las a encontrar novamente o caminho para regressar ao Pai, devem irradiar misericórdia” (RM 12).

5. Referências da misericórdia

É, felizmente, interminável o número das pessoas que gastaram a vida ao serviço do próximo, mormente dos mais desfavorecidos e marginalizados. Na maioria dos casos, a sua ação discreta e escondida não fica registada na história dos homens. A longa existência da nossa Diocese testemunha a riqueza e extensão de tantas vidas profundamente marcadas pelo exercício da misericórdia.
Recordamos apenas três nomes mais recentes: o Bispo D. António Barroso, o Padre Américo Monteiro de Aguiar (Pai Américo) e a Venerável Sílvia Cardoso. Não é aqui o lugar para recordar, ainda que sumariamente, as suas vidas preenchidas por gestos generosos e inovadores de amor e serviço ao próximo. A bondade e a misericórdia sintetizam e definem as suas vidas.
São um apelo a viver neste nosso tempo o mandamento sempre novo do amor (cf Jo 13, 34). O progresso no reconhecimento, por parte da Igreja, da heroica exemplaridade universal das suas vidas depende de todas nós. Não se trata de um gesto supérfluo: seria mais um serviço aos pobres e um apelo à vivência efetiva da misericórdia.

6. Epílogo

A Sagrada Escritura e a literatura cristã de todos os tempos são alimento fecundo, capaz de alimentar uma vontade renovada de descobrir mais aprofundadamente a nossa radical vocação de servir. E aí está não apenas o fazer misericórdia mas o ser misericordiosos. É a resposta da Virgem Maria ao projeto de Deus: “Eis a escrava do Senhor; faça-se em mim segundo a tua palavra” (Lc 1, 38).
Às parábolas evocadas pelo Papa Francisco (RM 9) podemos acrescentar, entre tantos outros lugares, a parábola do bom samaritano (Lc 10, 29-37), compêndio de misericórdia. “Jesus Cristo (…) rosto e misericórdia do Pai” convida-nos: “Vai e faz tu também o mesmo”.
É outro modo de entender a vida; é outro modo de olhar para o próximo; é outro modo de descobrir a alegria do Evangelho; é outro modo de viver e proclamar as bem-aventuranças: Felizes os misericordiosos!
Indicamos de seguida as Igrejas Jubilares da nossa Diocese, escolhidas de acordo com as sugestões recebidas em reunião de Vigários, decididas em reunião do Conselho Presbiteral e confirmadas em reunião do Conselho de Pastoral Diocesano:

Amarante e Baião: Igreja de São Gonçalo (Amarante) / Arouca-Vale de Cambra: Igreja do Convento de Santa Mafalda (Arouca) / Santuário de Santo António (Vale de Cambra) / Castelo de Paiva-Penafiel: Igreja do Calvário (Penafiel) /Espinho-Ovar: Igreja Matriz (Espinho) / Igreja Matriz (Ovar) / Felgueiras: Igreja Matriz (Felgueiras) / Santuário de Santa Quitéria / Gondomar: Igreja Matriz (Gondomar) / Lousada: Igreja do Senhor dos Aflitos (Lousada) / Maia: Santuário de Nossa Senhora do Bom Despacho (Maia) / Marco de Canaveses: Santuário do Menino Jesus de Praga (Avessadas) / Matosinhos: Igreja Matriz (Matosinhos) / Oliveira de Azeméis-São João da Madeira: Igreja de Cucujães / Paços de Ferreira: Igreja Matriz (Paços de Ferreira) / Paredes: Igreja Matriz (Castelões de Cepeda) / Porto Nascente e Porto Poente: Catedral / Santa Maria da Feira: Igreja Matriz (Santa Maria da Feira) / Santo Tirso: Igreja Matriz (Santo Tirso) / Trofa-Vila do Conde: Igreja de Nossa Senhora das Dores (Trofa) / Igreja Matriz (Árvore, Vila do Conde) / Valongo: Santuário de Nossa Senhora do Bom Despacho, Mão Poderosa e Santa Rita (Ermesinde) / Vila Nova de Gaia-Norte: Igreja Matriz (Mafamude) / Vila Nova de Gaia-Sul: Santuário do Coração de Maria (Carvalhos) / Mosteiro Beneditino de Singeverga: Igreja do Mosteiro

Porto, 3 de dezembro, memória litúrgica de S. Francisco Xavier, do ano de 2015
António Francisco dos Santos, Bispo do Porto
António Bessa Taipa, Bispo Auxiliar do Porto
Pio Alves de Sousa, Bispo Auxiliar do Porto (cf. Diocese do Porto)

 


- SOLENIDADE DA IMACULADA CONCEIÇÃO

 
na palavra do Papa Bento XVI, na homilia da Eucaristia de 8 de Dezembro de 2005

“… O que significa "Maria, a Imaculada"? Este título tem algo a dizer-nos? A liturgia hodierna esclarece-nos o conteúdo desta palavra com duas imagens grandiosas. Em primeiro lugar, há a maravilhosa narração do anúncio a Maria, a Virgem de Nazaré, da vinda do Messias. A saudação do Anjo é tecida com fios do Antigo Testamento, especialmente do profeta Sofonias. Ele faz ver que Maria, humilde mulher de província que vem de uma estirpe sacerdotal e traz em si o grande património sacerdotal de Israel, é "o santo resto" de Israel ao qual os profetas, em todos os períodos de dificuldade e de trevas, fizeram referência. Nela está presente o verdadeiro Sião, a morada pura e viva de Deus. O Senhor habita nela, e nela encontra o lugar do seu repouso. Ela é a casa viva de Deus, que não habita em edifícios de pedra, mas no coração do homem vivo. Ela é o rebento que, na obscura noite invernal da história, brota do tronco abatido de David. É nela que se cumpre a palavra do Salmo: "A terra produziu o seu fruto" (67, 7). Ela é o botão do qual deriva a árvore da redenção e dos redimidos. Deus não fracassou, como podia parecer já no início da história com Adão e Eva, ou durante o período do exílio babilónico, e como novamente parecia no tempo de Maria, quando Israel se tornou definitivamente um povo sem importância, numa região ocupada, com poucos sinais reconhecíveis da sua santidade. Deus não fracassou. Na humildade da casa de Nazaré vive o Israel santo, o resto puro. Deus salvou e salva o seu povo. Do tronco abatido resplandece de novo a sua história, tornando-se uma nova força que orienta e impregna o mundo. Maria é o Israel santo; ela diz "sim" ao Senhor, coloca-se plenamente à sua disposição e assim torna-se o templo vivo de Deus…” (cf. Santa Sé)

PALAVRA DO PAPA FRANCISCO



 
- na Audiência-Geral, no dia 2 de Dezembro, na Praça de São Pedro, Roma

Nos dias passados realizei a minha primeira Viagem Apostólica à África. A África é linda! Dou graças ao Senhor por esta sua grande dádiva, que me permitiu visitar três países: em primeiro lugar o Quénia, depois o Uganda e enfim a República Centro-Africana. Exprimo novamente o meu reconhecimento às Autoridades civis e aos Bispos daquelas Nações por me terem hospedado, enquanto agradeço a todos aqueles que, de muitas maneiras, colaboraram. Obrigado de coração!

O Quénia é um país que representa bem o desafio planetário da nossa época: salvaguardar a criação, reformando o modelo de desenvolvimento para que seja equitativo, inclusivo e sustentável. Tudo isto se reflecte em Nairobi, a maior cidade da África Oriental, onde a riqueza e a miséria convivem: mas isto é um escândalo! E não só na África: também aqui, em toda a parte. A convivência entre riqueza e miséria é um escândalo, uma vergonha para a humanidade. Precisamente em Nairobi está a sede do Departamento das Nações Unidas para o Meio Ambiente, que eu visitei. No Quénia encontrei-me com as Autoridades e os Diplomatas, mas também com os habitantes de um bairro popular; detive-me com os chefes das várias Confissões cristãs e das outras Religiões, com os sacerdotes e os consagrados, e encontrei-me com os jovens, deveras numerosos! Em cada ocasião encorajei a valorizar a grandiosa riqueza daquele país: a riqueza natural e espiritual, constituída pelos recursos da terra, pelas novas gerações e pelos valores que formam a sabedoria do povo. Neste contexto, tão dramaticamente actual, tive a alegria de anunciar a palavra de esperança de Jesus: «Permanecei firmes na fé, não tenhais medo!». Foi este o lema da visita. Uma palavra que é vivida no dia-a-dia por numerosas pessoas humildes e simples, com nobre dignidade; uma palavra testemunhada de modo trágico e heróico pelos jovens da Universidade de Garissa, assassinados no dia 2 do passado mês de Abril, porque eram cristãos. O seu sangue é semente de paz e de fraternidade para o Quénia, para a África e para o mundo inteiro.

Depois, no Uganda, a minha visita desenrolou-se no sinal dos Mártires daquele país, a cinquenta anos da sua histórica canonização feita pelo beato Paulo VI. Por isso, o lema foi: «Sereis minhas testemunhas» (Act 1, 8). Um lema que pressupõe as palavras imediatamente precedentes: «Recebereis a força do Espírito Santo», porque é o Espírito que anima o coração e as mãos dos discípulos missionários. E no Uganda a visita inteira realizou-se no fervor do testemunho animado pelo Espírito Santo. Em sentido explícito, o testemunho é o serviço dos catequistas, aos quais agradeci e encorajei pelo seu compromisso, que muitas vezes abrange até as suas famílias. Testemunho é o da caridade, que toquei com a mão na Casa de Nalukolongo, mas que conta com a participação de numerosas comunidades e associações ao serviço dos mais pobres, dos portadores de deficiência e dos enfermos. Testemunho é o dos jovens que, apesar das dificuldades, conservam o dom da esperança e procuram viver em conformidade com o Evangelho, e não segundo o mundo, indo contra a corrente. Testemunhas são os sacerdotes, os consagrados e as consagradas, que renovam dia após dia o seu «sim» total a Cristo, dedicando-se com alacridade ao serviço do santo povo de Deus. E há mais um grupo de testemunhas, mas deles falarei mais tarde. Todo este testemunho multiforme, animado pelo mesmo Espírito Santo, é fermento para a sociedade inteira, como demonstra a obra eficaz levada a cabo no Uganda na luta contra a sida e no acolhimento dos refugiados.

A terceira etapa da viagem foi a República Centro-Africana, no coração geográfico do continente: trata-se precisamente do coração da África! Na realidade, na minha intenção esta visita era a primeira, porque aquele país procura sair de um período muito difícil, de conflitos violentos e de tanto sofrimento para a população. Foi por isto que desejei abrir precisamente ali, em Bangui, com uma semana de antecipação, a primeira Porta Santa do Jubileu da Misericórdia, como sinal da fé e de esperança para aquele povo e, simbolicamente, para todas as populações africanas, as mais necessitadas de resgate e de alívio. O convite de Jesus aos discípulos: «Passemos à outra margem» (Lc 8, 22), foi o lema para a República Centro-Africana. Em sentido civil, «passar à outra margem» significa deixar atrás de si a guerra, as divisões e a miséria, e escolher a paz, a reconciliação e o desenvolvimento. Contudo, isto pressupõe uma «passagem» que se verifica nas consciências, nas atitudes e nas intenções das pessoas. E neste plano, a contribuição das comunidades religiosas é determinante. Por isso, encontrei-me com as Comunidades evangélicas e com a muçulmana, compartilhando a oração e o compromisso a favor da paz. Com os sacerdotes e os consagrados, mas também com os jovens, pudemos partilhar a alegria de sentir que o Senhor ressuscitado está ao nosso lado na barca, é Ele quem a guia rumo à outra margem. E finalmente na última Missa, no estádio de Bangui, na festa do apóstolo André, pudemos renovar o compromisso a seguir Jesus, nossa esperança, nossa paz, Rosto da Misericórdia Divina. Esta última Missa foi maravilhosa: nela participaram muitíssimos jovens, um estádio de juventude! No entanto, mais de metade da população da República Centro-Africana são menores de idade, têm menos de 18 anos: uma promessa para ir em frente!

Gostaria de dizer uma palavra sobre os missionários. Homens e mulheres que deixaram a pátria, tudo... Quando eram jovens, partiram para lá, levando uma vida de trabalho muito árduo e, às vezes, até dormindo no chão. A uma certa altura, encontrei-me em Bangui com uma religiosa italiana. Via-se que era idosa: «Quantos anos tem?», perguntei-lhe: «81». «Mas não eram muitos, era dois anos mais velha do que eu». Aquela irmã estava lá desde quando tinha 23-24 anos: a vida inteira! E como ela, muitas! Estava com uma criança. Em italiano, a menina dizia: «Avó!». Então, a religiosa disse-me: «Eu não sou daqui, mas do país vizinho, do Congo; e vim de canoa, com esta menina». Os missionários são assim: intrépidos! «E o que a senhora faz, irmã?». «Eu sou enfermeira, também estudei um pouco aqui e tornei-me parteira: fiz nascer 3.280 crianças!». Eis o que ela me disse. A vida inteira a favor da vida, da vida dos outros. E como esta religiosa, há muitas outras: numerosas irmãs, sacerdotes, religiosos que consomem a própria vida para anunciar Jesus Cristo. É bonito ver isto. É lindo!

Gostaria de dizer uma palavra aos jovens. Mas há poucos, porque parece que na Europa a natalidade é um luxo: natalidade zero, natalidade 1%. Mas dirijo-me aos jovens: pensai no que fazeis da vossa vida. Pensai naquela religiosa e em muitas outras como ela, que deram a vida e tantas morreram lá. A missionariedade não consiste em fazer proselitismo: aquela irmã dizia-me que as mulheres muçulmanas vão ter com elas porque as religiosas são boas enfermeiras, que as curam bem, sem fazer catequese alguma para as converter! Dão testemunho; depois, às que quiserem, fazem a catequese. Mas o testemunho: nisto consiste a missionariedade, grandiosa e heróica, da Igreja. Anunciar Jesus Cristo com a própria vida! Dirijo-me aos jovens: pensa tu o que queres fazer da tua vida. É o momento de pensar e de pedir ao Senhor que te faça sentir a sua vontade. Mas por favor, não excluas a possibilidade de te tornares missionário, para levar o amor, a humanidade e a fé a outros países. Não para fazer proselitismo: não! Quantos o fazem procuram algo diferente. A fé prega-se em primeiro lugar com o testemunho e depois com a palavra. Lentamente.

Juntos louvemos o Senhor por esta peregrinação à terra da África, e deixemo-nos orientar pelas suas palavras-chave: «Permanecei firmes na fé, não tenhais medo!»; «Sereis minhas testemunhas»; «Passemos à outra margem». (cf. Santa Sé)

PARA REZAR


SALMO 125

Refrão: O Senhor fez maravilhas em favor do seu povo.

Quando o Senhor fez regressar os cativos de Sião,
parecia-nos viver um sonho.
Da nossa boca brotavam expressões de alegria
e de nossos lábios cânticos de júbilo.

Diziam então os pagãos:
«O Senhor fez por eles grandes coisas».
Sim, grandes coisas fez por nós o Senhor,
estamos exultantes de alegria.

Fazei regressar, Senhor, os nossos cativos,
como as torrentes do deserto.
Os que semeiam em lágrimas
recolhem com alegria.

À ida, vão a chorar,
levando as sementes;
à volta, vêm a cantar,
trazendo os molhos de espigas.

SANTOS POPULARES


SANTA NARCISA DE JESUS MARTILLO Y MORÁN

Narcisa nasceu no dia 29 de Outubro de 1832, em Nobol, diocese de Guayaquil, Equador. Os seus pais, Pedro Martillo e Josefina Morán, eram agricultores. Foi a sexta de nove filhos. Faltando dados sobre o início da sua vida, sabe-se que foi crismada aos sete anos, no dia 16 de Setembro de 1839. Ainda pequena, perdeu a sua mãe. Então, coube a Narcisa a missão de educar e cuidar dos seus irmãos mais novos. Dessa época, é lembrada a sua especial caridade, a sua alegria, o seu grande amor pela oração e a grande importância que atribuía à direcção e aconselhamento espiritual.
Na adolescência, dedicou-se aos trabalhos domésticos e, aos 15 anos, aprendeu o ofício de costureira, exercendo-o na sua casa mas, também, nas casas das famílias vizinhas.
Era uma jovem muito alegra: gostava de cantar e de tocar viola, mas não participava nas festas familiares: limitava-se a ajudar na preparação e, depois, isolava-se para se dedicar à oração.
Em 1851 – Narcisa tinha 18 anos - faleceu o seu pai. Narcisa foi morar para Guayaquil, onde moravam alguns dos seus parentes. Aí, trabalhou como costureira, para não ser um peso para os seus hospedeiros. Começou, então, a colaborar na Paróquia e a ajudar o Padre Luís Tola que, mais tarde, viria a ser o Bispo de Portoviejo. Parte do que ganhava como costureira dava-o aos pobres e doentes. Manteve sempre um carácter alegre, divertido e amável e não deixava transparecer as privações pelas quais passava e a que se submetia livremente.
Dedicou muito tempo ao apostolado, especialmente dirigido às crianças, a quem ensinava o catecismo. Trabalhou também com jovens abandonadas e refugiadas na ‘Casa de Acolhimento’; visitava os doentes e os moribundos. Os seus locais preferidos eram os bosques e os esconderijos, onde se recolhia em contemplação e se dedicava a práticas de penitência. Queria seguir o exemplo da Santa - também equatoriana - Marianita de Jesus (1618-1645), oferecendo sacrifícios pela expiação da sua cidade. Chegou a mandar fazer uma cruz salpicada de pregos, sobre a qual se deitava todas as noites, durante cerca de quatro horas, antes de se acomodar no chão para um breve repouso.    
Nunca professou votos religiosos solenes, mas tornou-se leiga dominicana, entrando na Ordem Terceira Dominicana (ramo leigo da Ordem dos Pregadores). Depois da sua morte, soube-se que tinha feito votos particulares de virgindade perpétua, pobreza, obediência, clausura, vida eremítica, jejum a pão e água, comunhão quotidiana, confissão, mortificação e oração.
Em 1865, o seu director espiritual, gravemente enfermo, pediu-lhe que o acompanhasse a Cuenca, onde se restabeleceria numa casa de religiosas. Narcisa permaneceu dois anos em Cuenca, até a morte do seu director. Retornando a Guayaquil, encontrou uma amiga, Mercedes Molina - agora declarada Beata, pela Igreja - empenhada na direcção de um orfanato. Não hesitou em ajudá-la na formação das crianças e na confecção de indumentárias. As duas amigas assistiam à Missa quotidiana e moravam no orfanato.
Segundo testemunhas da época, "Narcisa era muito bela, alta e bem proporcionada; a sua cabeleira loura, abundante e anelada, chamava a atenção das pessoas; era muito estimada na cidade. Era muito amável e, em certos momentos, manifestava a sua alegria cantando, enquanto a sua amiga tocava viola. Era muito caridosa”.
Em 1868, o frade franciscano Pedro Gual, que se tornara seu director espiritual, convidou Narcisa a transferir-se para Lima, onde ficaria hospedada no convento dominicano de Patrocínio. O capelão daquele mosteiro tornou-se o seu confessor até à sua morte.
Apesar de sua compleição robusta, no último período da sua vida, era evidente a crescente debilidade resultante das suas penitências. Poucas horas antes do seu falecimento, na noite do dia 8 de Dezembro de 1869, ao despedir-se das Irmãs, como que “fazendo graça”, disse que partiria para uma “longa viagem”. Um pouco antes da meia-noite, a Madre, que devia fazer o turno de vigília, percebeu que a cela de Narcisa estava misteriosamente iluminada e dela provinha um perfume fortíssimo. A religiosa foi verificar o que se passava e "ao abrir a porta do quarto de Narcisa, viu a mesma claridade que se notava do lado de fora e sentiu que ali a fragrância era maior; ela tinha falecido abrasada pela febre do seu corpo e, sobretudo, pelo ardor do amor divino". Tinha apenas 37 anos. Faleceu em Lima, a capital do Peru, no dia da inauguração do Concílio Vaticano I, oferecendo os seus últimos sofrimentos por este importante acontecimento da Igreja. 
Narcisa de Jesus foi beatificada pelo Papa João Paulo II, no dia 25 de Outubro de 1992, e canonizada pelo Papa Bento XVI, no dia 12 de Outubro de 2008, sendo a quarta pessoa, oriunda da América Latina, a ser canonizada por Bento XVI e a terceira santa equatoriana. O Papa Bento XVI referiu-se a Narcisa com as seguintes palavras: "Santa Narcisa de Jesus mostrou-nos um caminho de perfeição cristã. Oferece-nos um testemunho atraente e um exemplo acabado de uma vida totalmente dedicada a Deus e aos irmãos".
O seu corpo, incorrupto foi trasladado, em 1955, para Guayaquil e, agora, encontra-se no Santuário dedicado a Santa Narcisa, na sua cidade natal, Nobol, no Equador.
A memória litúrgica de Santa Narcisa de Jesus celebra-se no dia 8 de Dezembro.