PALAVRA COM SENTIDO

PALAVRA COM SENTIDO

“…Hás-de temer o Senhor, teu Deus…” (cf. Deuteronómio 6, 2)

Só Deus é Deus e Senhor. E não há outro Deus a quem amar, servir, adorar, acreditar, rezar, agradecer… Temer o Senhor não é ‘ter medo de Deus’. Não precisamos ter medo de Deus: Ele é amor, perdão, misericórdia, alegria, paz, salvação e esperança… Temer o Senhor é reconhecer a grandeza do seu poder; a santidade do seu nome; a ternura que nos dedica; a alegria da vida que nos oferece. Temer o Senhor é acolher a sua Palavra; cumprir os seus mandamentos; responder com fidelidade aos seus apelos; confiar na sua promessa e anunciá-la com a bondade dos nossos gestos. Quem ‘teme a Deus’ procura fazer tudo para não pecar contra ele; fazer nascer no coração o receio e a tristeza de o poder ofender. O apelo feito pela palavra de Deus aponta-nos o caminho da verdade, da justiça, da caridade, da compaixão. Uma grande exigência que nos trará a felicidade e a bênção.

segunda-feira, 19 de junho de 2017

SANTOS POPULARES


SÃO JOSÉ CAFASSO
- catequese do Papa Bento XVI, no dia 30 de Ju7nho de 2010

“…José Cafasso nasceu em Castelnuovo d'Asti, o mesmo povoado de São João Bosco, no dia 15 de Janeiro de 1811. Era o terceiro de quatro filhos. A última, irmã Marianna, será a mãe do Beato José Allamano, fundador dos Missionários e das Missionárias da Consolata. Nasceu na Piemonte do século XIX, caracterizada por graves problemas sociais, mas também por muitos Santos que se comprometiam na busca da solução dos mesmos. Eles viviam unidos entre si pelo amor a Cristo e por uma profunda caridade para com os pobres: a graça do Senhor sabe difundir e multiplicar as sementes de santidade! Cafasso fez os estudos secundários e o biénio de filosofia no Colégio de Chieri e, em 1830, passou para o Seminário teológico onde, em 1833, foi ordenado sacerdote. Quatro meses mais tarde, entrou no lugar que para ele permanecerá a "etapa" fundamental e única da sua vida sacerdotal: o "Colégio Eclesiástico de São Francisco de Assis", em Turim. Tendo entrado ali para se aperfeiçoar na pastoral, aí fez frutificar os seus dotes de director espiritual e o seu grande espírito de caridade. Com efeito, o Colégio não era apenas uma escola de teologia moral, onde os jovens sacerdotes, provenientes principalmente do campo, aprendiam a confessar e a pregar, mas era também uma verdadeira escola de vida sacerdotal, onde os presbíteros se formavam na espiritualidade de Santo Inácio de Loyola e na teologia moral e pastoral do grande Bispo Santo Afonso Maria de Ligório. O tipo de sacerdote que Cafasso encontrou no Colégio - e que ele mesmo contribuiu para fortalecer, sobretudo como Reitor -  era o do verdadeiro pastor, com uma rica vida interior e um profundo zelo no cuidado pastoral: fiel à oração, comprometido na pregação, na catequese, dedicado à celebração da Eucaristia e ao ministério da Confissão, segundo o modelo encarnado por São Carlos Borromeu e por São Francisco de Sales, e promovido pelo Concílio de Trento. Uma feliz expressão de São João Bosco resume o sentido do trabalho educativo realizado naquela Comunidade: "No Colégio aprendia-se a ser sacerdote".
São José Cafasso procurou realizar este modelo na formação dos jovens presbíteros a fim de que, por sua vez, eles se tornassem formadores de outros sacerdotes, religiosos e leigos, segundo uma corrente especial e eficaz. Da sua cátedra de teologia moral, educava a ser bons confessores e directores espirituais, preocupados com o verdadeiro bem espiritual da pessoa, animados por um grande equilíbrio ao fazer sentir a misericórdia de Deus e, ao mesmo tempo, um sentido perspicaz e vivo do pecado. Eram três as virtudes do professor Cafasso, como recorda São João Bosco: calma, sagacidade e prudência. Para ele, a verificação do ensinamento transmitido era constituída pelo ministério da Confissão, à qual ele mesmo dedicava muitas horas do dia; procuravam-no bispos, sacerdotes, religiosos, leigos eminentes e pessoas simples: a todos ele sabia oferecer o tempo necessário. Além disso, de muitos que se tornaram santos e fundadores de institutos religiosos, ele foi um sábio conselheiro espiritual. O seu ensinamento nunca era abstracto, assente apenas nos livros que se utilizavam naquela época, mas nascia da experiência viva da misericórdia de Deus e do profundo conhecimento da alma humana, adquirida ao longo do tempo transcorrido no confessionário e na direcção espiritual: tratava-se de uma verdadeira escola de vida sacerdotal.
O seu segredo era simples: ser um homem de Deus; realizar, nos pequenos gestos diários, "aquilo que pode ser para a maior glória de Deus e para o benefício das almas". Amava o Senhor de modo total, era animado por uma fé bem arraigada, sustentado por uma oração profunda e prolongada, e vivia uma caridade sincera para com todos. Conhecia a teologia moral, mas conhecia igualmente as situações e o coração das pessoas, cujo bem assumia como o bom pastor. Aqueles que tinham a graça de estar próximos dele acabavam por ser transformados, também eles, em bons pastores e válidos confessores. Indicava com clareza a todos os sacerdotes a santidade a alcançar, precisamente no ministério pastoral. O Beato sacerdote Clemente Marchisio, fundador das Filhas de São José, afirmava: "Quando entrei no Colégio eu era muito travesso e desajuizado, e nem sabia o que queria dizer ser sacerdote, mas saí dali muito diferente, com a plena compreensão da dignidade do presbítero". Quantos sacerdotes foram por ele formados no Colégio e depois acompanhados espiritualmente! Entre eles – como eu já disse – sobressai São João Bosco, que o teve como director espiritual durante vinte e cinco anos, de 1835 a 1860: primeiro como clérigo, depois como sacerdote e enfim como fundador. Todas as opções fundamentais da vida de São João Bosco tiveram como conselheiro e guia São José Cafasso, mas de um modo bem específico: Cafasso nunca procurou formar em Dom Bosco um discípulo "à sua imagem e semelhança", e Dom Bosco não copiou Cafasso; sem dúvida, imitou-o nas virtudes humanas e presbiterais – definindo-o "modelo de vida sacerdotal" – mas em conformidade com as suas atitudes pessoais e a sua vocação peculiar; um sinal da sabedoria do mestre espiritual e da inteligência do discípulo: o primeiro não se impôs sobre o segundo, mas respeitou-o na sua personalidade e ajudou-o a interpretar qual era a vontade de Deus para ele. Caros amigos, trata-se de um ensinamento precioso para todos aqueles que estão comprometidos na formação e educação das jovens gerações, e é também uma forte evocação da importância de dispor de um guia espiritual na própria vida, que ajude a compreender aquilo que Deus quer de nós. Com simplicidade e profundidade, o nosso Santo afirmava: "Toda a santidade, a perfeição e o lucro de uma pessoa encontram-se no acto de cumprir perfeitamente a vontade de Deus (...) Felizes seríamos nós, se conseguíssemos inserir assim o nosso coração no de Deus, unir de tal forma os nossos desejos, a nossa vontade à sua, a ponto de formar um só coração e uma só vontade: querer aquilo que Deus quer, desejá-lo daquele modo, naquele tempo e naquelas circunstâncias que Ele quiser, e desejar tudo isto exclusivamente porque Deus o quer".
Mas outro elemento caracteriza o ministério do nosso Santo: a atenção aos últimos, de modo particular aos encarcerados, que na Turim do século XIX viviam em lugares desumanos e desumanizadores. Também neste serviço delicado, levado a cabo por mais de vinte anos, ele foi sempre o bom pastor, compreensivo e compassivo: qualidades sentidas pelos prisioneiros, que terminavam por ser conquistados por aquele amor sincero, cuja origem era o próprio Deus. A simples presença de Cafasso fazia bem: tranquilizava, tocava os corações empedernidos pelas vicissitudes da vida e sobretudo iluminava e despertava as consciências indiferentes. Nos primeiros tempos do seu ministério no meio dos encarcerados, ele recorria com frequência às grandes pregações que chegavam a envolver praticamente toda a população carcerária. Com a passagem do tempo, privilegiou a catequese simples, feita nos diálogos e nos encontros pessoais: respeitador das vicissitudes de cada um, enfrentava os grandes temas da vida cristã, falando da confiança em Deus, da adesão à sua vontade, da utilidade da oração e dos sacramentos, cujo ponto de chegada é a Confissão, o encontro com Deus que por nós se fez misericórdia infinita. Os condenados à morte foram objecto de atenções humanas e espirituais muito especiais. Ele acompanhou ao patíbulo 57 condenados à morte, depois de os ter confessado e de lhes ter administrado a Eucaristia. Acompanhava-os com profundo amor, até ao último respiro da sua existência terrena.
Faleceu no dia 23 de Junho de 1860, depois de uma vida oferecida inteiramente ao Senhor e consumida em prol do próximo. O meu Predecessor, o Venerável Servo de Deus Papa Pio XII, em 9 de Abril de 1948, proclamou-o padroeiro dos cárceres italianos e, mediante a Exortação Apostólica ‘Menti nostrae’, no dia 23 de Setembro de 1950, propô-lo como modelo aos sacerdotes comprometidos na Confissão e na direcção espiritual…”
São José Cafasso foi canonizado pelo Papa Pio XII, no dia 22 de Junho de 1947.
A sua memória litúrgica celebra-se no dia 23 de Junho.



segunda-feira, 12 de junho de 2017

EM DESTAQUE


- SOLENIDADE DA SANTÍSSIMA TRINDADE

A Igreja celebra a Solenidade da Santíssima Trindade.
“ O mistério da Santíssima Trindade é o mistério central da fé e da vida cristã. É o mistério de Deus em si mesmo. É, portanto, a fonte de todos os outros mistérios da fé e a luz que os ilumina. É o ensinamento mais fundamental e essencial na «hierarquia das verdades da fé» (35). «Toda a história da salvação não é senão a história do caminho e dos meios pelos quais o Deus verdadeiro e único, Pai, Filho e Espírito Santo, Se revela, reconcilia consigo e Se une aos homens que se afastam do pecado»”. (Cat. Da Igreja Católica)
 “…Graças ao Espírito Santo, que ajuda a compreender as palavras de Jesus e orienta para a Verdade completa (cf. Jo 14, 26; 16, 13), os fiéis podem conhecer, por assim dizer, a intimidade do próprio Deus, descobrindo que Ele não é solidão infinita, mas comunhão de luz e de amor, vida doada e recebida num eterno diálogo entre o Pai e o Filho, no Espírito Santo Amante, Amado e Amor, para citar Santo Agostinho. Neste mundo, ninguém pode ver Deus, mas foi Ele mesmo quem se fez conhecer a fim de que, com o Apóstolo João, possamos afirmar: "Deus é amor" (1 Jo 4, 8.16), "nós conhecemos e cremos no amor que Deus nos tem" (Encíclica Deus caritas est, 1; cf. 1 Jo 4, 16). Quem encontra Cristo e estabelece com Ele um relacionamento de amizade, acolhe a própria Comunhão trinitária na sua alma, segundo a promessa de Jesus aos discípulos: "Se alguém me tem amor, há-de guardar a minha palavra; e o meu Pai o amará e Nós viremos a ele e nele faremos morada" (Jo 14, 23). Para quem tem fé, todo o universo fala de Deus Uno e Trino. Desde os espaços interestelares até às partículas microscópicas, tudo o que existe remete a um Ser que se comunica na multiplicidade e variedade dos elementos, como numa imensa sinfonia. Todos os seres são ordenados segundo um dinamismo harmonioso que, analogicamente, podemos definir: "amor". Mas é somente na pessoa humana, livre e racional, que este dinamismo se torna espiritual, se faz amor responsável, como resposta a Deus e ao próximo, num dom sincero de si. Neste amor o ser humano encontra a sua verdade e a sua felicidade. Entre as diferentes analogias do mistério inefável de Deus Uno e Trino, que os fiéis são capazes de entrever, gostaria de citar a da família. Ela é chamada a ser uma comunidade de amor e de vida, em que as diversidades devem concorrer para formar uma "parábola de comunhão". Entre todas as criaturas, a obra-prima da Santíssima Trindade é a Virgem Maria: no seu Coração humilde e repleto de fé, Deus preparou para si uma morada digna, para completar o mistério da salvação. O Amor divino encontrou nela uma correspondência perfeita e foi no seu seio que o Filho Unigénito se fez homem. Dirijamo-nos com confiança filial a Maria para que, com a sua ajuda, possamos progredir no amor e fazer da nossa vida um cântico de louvor ao Pai, por meio do Filho no Espírito Santo…” (Papa Bento XVI)

DA PALAVRA DO SENHOR


- DOMINGO DA SANTÍSSIMA TRINDADE

“…Sede alegres, trabalhai pela vossa perfeição, animai-vos uns aos outros,
 tende os mesmos sentimentos, vivei em paz.
 E o Deus do amor e da paz estará convosco…” (cf. 2 Coríntios 13, 11…)

PALAVRA DO PAPA FRANCISCO


- na Audiência-Geral, na Praça de São Pedro – Roma, no dia 31 de Maio

Queridos irmãos e irmãs, bom dia!
Havia algo de fascinante na prece de Jesus!... Tão fascinante que, certo dia, os seus discípulos pediram para ser iniciados nela. O episódio encontra-se no Evangelho de Lucas que, entre os Evangelistas, é aquele que mais documentou o mistério de Cristo “orante”: o Senhor rezava. Os discípulos de Jesus ficam impressionados porque Ele, especialmente de manhã e à noite, se retira em solidão e se “imerge” em oração. E, por isso, um dia, pedem-Lhe que, também a eles, lhes ensine a rezar (cf. Lc 11, 1).
É então que Jesus transmite aquela que se tornou a oração cristã por excelência: o “Pai-Nosso”. Na verdade, Lucas, em comparação com Mateus, restitui-nos a prece de Jesus de uma forma um pouco abreviada, que começa com a simples invocação: «Pai» (v. 2).
Todo o mistério da oração cristã está resumido aqui, nesta palavra: ter a coragem de chamar Deus com o nome de Pai. Afirma-o até a liturgia quando, convidando-nos à recitação comunitária da oração de Jesus, utiliza a expressão «ousamos dizer».
Com efeito, chamar Deus com o nome de “Pai” não é, de modo algum, uma coisa óbvia. Seríamos levados a usar os títulos mais elevados, que nos parecem mais respeitadores da sua transcendência. Ao contrário, invocá-lo como “Pai” coloca-nos numa relação de familiaridade com Ele, como uma criança se dirige ao seu pai, consciente de ser amado e cuidado por ele. Esta é a grande revolução que o cristianismo imprime na psicologia religiosa do homem. O mistério de Deus, que sempre nos fascina e nos faz sentir pequenos, mas não nos assusta, não nos esmaga, não nos angustia. Esta é uma revolução difícil de aceitar na nossa alma humana; a tal ponto que, até nas narrações da Ressurreição, se diz que as mulheres, depois de terem visto o túmulo vazio e o anjo, «fugiram [...], trémulas e amedrontadas» (Mc 16, 8). Mas, Jesus revela-nos que Deus é Pai bom e diz-nos: “Não tenhais medo!”.
Pensemos na parábola do pai misericordioso (cf. Lc 15, 11-32). Jesus fala de um pai que só sabe ser amor para os seus filhos. Um pai que não castiga o filho pela sua arrogância e que é capaz, até, de lhe confiar a sua parte de herança, deixando-o ir embora de casa. Deus é Pai, diz Jesus, mas não à maneira humana, pois não há pai algum neste mundo que se comporte como o protagonista dessa parábola. Deus é Pai a seu modo: bom, indefeso diante do livre arbítrio do homem, só capaz de conjugar o verbo “amar”. Quando o filho rebelde, depois de ter desperdiçado tudo, finalmente volta para a casa natal, aquele pai não aplica critérios de justiça humana, mas sente, antes de tudo, a necessidade de perdoar e, com o seu abraço, leva o filho a entender que durante todo aquele longo tempo de ausência lhe fez falta, fez dolorosamente falta ao seu amor de pai.
Que mistério insondável é o de um Deus que nutre este tipo de amor pelos seus filhos!
Talvez seja por esta razão que, evocando o centro do mistério cristão, o Apóstolo Paulo não tem coragem de traduzir em grego uma palavra que Jesus, em aramaico, pronunciava “abbá”. No seu epistolário (cf. Rm 8, 15; Gl 4, 6), São Paulo aborda duas vezes este tema e, por duas vezes, deixa aquela palavra não traduzida, da mesma forma como brotou dos lábios de Jesus, “abbá”, um termo ainda mais íntimo do que “pai”, e que alguns traduzem “papá, paizinho”.
Caros irmãos e irmãs: nunca estamos sós. Podemos estar longe, ser hostis, podemos até professar-nos “sem Deus”. Mas o Evangelho de Jesus Cristo revela-nos que Deus não consegue estar sem nós: Ele nunca será um Deus “sem o homem”; é Ele que não pode estar sem nós e este é um grande mistério! Deus não pode ser Deus sem o homem: este é um grande mistério! E esta certeza é a fonte da nossa esperança, que encontramos conservada em todas as invocações do Pai-Nosso. Quando temos necessidade de ajuda, Jesus não nos diz para nos resignarmos e nos fecharmos em nós mesmos, mas para nos dirigirmos ao Pai, pedindo-Lhe com confiança. Todas as nossas necessidades, das mais evidentes e diárias, como a comida, a saúde e o trabalho, até àquela de sermos perdoados e ajudados nas tentações, não são o espelho da nossa solidão: ao contrário, há um Pai que nos fita sempre com amor e que, certamente, não nos abandona.
Agora, faço-vos uma proposta: cada um de nós tem muitos problemas e muitas necessidades. Pensemos um pouco, em silêncio, nesses problemas e nessas dificuldades. Pensemos, também, no Pai, no nosso Pai, que não pode estar sem nós e que, neste momento, está a olhar para nós. E, todos juntos, com confiança e esperança, oremos: “Pai-Nosso, que estais nos Céus...”. Obrigado! (cf. Santa Sé)

PARA REZAR


CÂNTICO DE DANIEL

Refrão: Digno de louvor e de glória para sempre.

Bendito sejais, Senhor, Deus dos nossos pais:
digno de louvor e de glória para sempre.
Bendito o vosso nome glorioso e santo:
digno de louvor e de glória para sempre.

Bendito sejais no templo santo da vossa glória:
digno de louvor e de glória para sempre.
Bendito sejais no trono da vossa realeza:
digno de louvor e de glória para sempre.

Bendito sejais, Vós que sondais os abismos
e estais sentados sobre os Querubins:
digno de louvor e de glória para sempre.
Bendito sejais no firmamento dos céus:
digno de louvor e de glória para sempre.

SANTOS POPULARES


BEATO CLEMENTE VISMARA

Clemente Vismara nasceu, em Agrate Brianza, Milão, Itália, no dia 6 Setembro 1897. Era filho de Attilio Egidio Vismara e de Stella Annunziata Porta; ele fazia e vendia albardas, e ela trabalhava como costureira. Aos 7 anos de idade, ficou órfão de pai e mãe e foi confiado a uns tios. Em 1913, entrou para o seminário diocesano San Pietro Martire, em Milão, para fazer o liceu. Em 1916, foi chamado para o serviço militar; três anos depois, regressou da linha da frente com a patente de primeiro-sargento.
Entrado no PIME (Pontifício Instituto para as Missões Estrangeiras), foi ordenado sacerdote, no dia 26 de Maio de 1923, e, em Agosto, foi mandado para a Birmânia, uma terra onde os «missionários de Milão» trabalhavam já desde havia umas décadas. Em Outubro de 1924, chegou finalmente a Monglin, a sua primeira missão. Ao longo de 31 anos, fundou aí quatro regiões missionárias, elevando a comunidade cristã para cerca de dois mil baptizados. Entre 1941 e 1942, os missionários italianos do PIME (Vismara incluído) foram confinados, pelos ingleses, em Kalaw. Seguidamente, a conquista japonesa da Birmânia permitiu ao Padre Vismara voltar para Monglin, onde encontrou a missão num estado lastimável de abandono.
Em 1955, o Padre Vismara foi deslocado para Mongping, uma missão a 225 km de distância, onde permaneceu até à morte. Também aí, o Padre Clemente realizou importantes obras educativas e religiosas. Em 1957, O Padre Clemente voltou a Itália para as únicas férias na pátria.
Depois da nacionalização forçada de escolas e hospitais administrados pela Igreja, em 1966, o governo militar da Birmânia expulsou todos os estrangeiros entrados no país depois da independência (1948). O Padre Vismara permaneceu, com poucos outros idosos, condenado a não sair do país sob pena de não poder a ele regressar.
Ao contrário de muitos beatos e santos, o Padre Vismara não morreu mártir; não foi bispo nem fundou uma ordem religiosa. Também não teve visões nem realizou milagres. Numa palavra: poderia parecer um missionário como tantos outros. E, no entanto, todos os que o conheceram estão de acordo sobre um ponto: o Padre Clemente viveu de maneira extraordinária o ordinário, doando-se a si mesmo, dia após dia, durante 65 longos anos, na então Birmânia, aonde chegara em 1924. Para ele existe uma via mestra para testemunhar o Evangelho: doar-se aos outros, até ao fundo, gratuitamente e com alegria. «Um missionário que não dá a sua vida é inútil, não é nada», escreveu em 1959. «Os pagãos exigem a pele, somente a pele, toda a pele, caso contrário não acreditarão em nós de forma alguma. Mesmo que seja um herói de barba rija, se não der a sua alma, é supérflua a barba rija, falso o herói.»
Aqui está o segredo da santidade do Padre Clemente Vismara: exceptuando o seu carácter empresarial - que no dizer de alguns confrades se tinha transformado em «ladrilho» pois foram numerosas as construções por ele realizadas: escolas, orfanatos, igrejas, casas para religiosas… - não sobressaía em nenhuns outros campos. Mas, como testemunha o padre Angelo Campagnoli, seu colega na Birmânia durante alguns anos, «nele impressionava a alegria interior e sobretudo o entusiasmo com que fazia as coisas do dia-a-dia, mil vezes repetidas mas como se fosse a primeira vez».
Foi um homem de olhar suave e de sorriso aberto: um sorriso, inesquecível, que deixou muitas marcas. Ann Mary Sheng Phu, uma jovem religiosa birmanesa, tinha apenas 12 anos quando o Padre Clemente faleceu e, todavia, recorda que «mesmo nos últimos tempos, muito idoso e esgotado, o Padre Clemente continuava a sorrir e a brincar».
Se há um traço que tornou singular o Padre Clemente foi, precisamente, o seu olhar «suave» sobre a vida, cheio de ironia, unido a um entusiasmo inquebrantável, filho de uma fé sólida. Num escrito de 1959, o Padre Clemente quase se defendeu disso: «Peço desculpa, mas eu sou assim: das coisas sérias acontece-se frequentemente ser levado a ver o lado burlesco; tal como das coisas burlescas sou levado de imediato a ver o lado sério. O perigo eu não o sei considerar. De resto, excepto o de ir para o Inferno, neste mundo não há perigos!»
Durante toda a sua vida, este missionário milanês viveu sob o signo desta corajosa simplicidade. Tanto que no dia do seu 80.º aniversário se permitiu escrever: «Entre vitórias e derrotas, encontro-me no terreno desde há 55 anos e sempre batalhador. A vida é feita para explodir, para ir mais longe. Se ela permanece comprimida dentro dos seus limites, não pode florir; se a guardamos só para nós, sufocamo-la. A vida é jubilosa a partir do momento em que começamos a doá-la.»
O Padre Vismara doou a sua vida sobretudo aos jovens, especialmente se sós e abandonados. Por eles - ele que também tinha ficado órfão em criança - manifestava uma predilecção especial, testemunhada por expressões de grande afecto e ternura nos seus escritos. Não foram poucos, entre os seus jovens, os que o Padre Vismara havia literalmente comprado (muitas vezes dependentes do ópio) para os arrancar a um destino de privações e solidão. Ao longo da sua vida, o Padre Clemente acolheu alguns milhares deles, propondo, nas suas escolas e nos seus orfanatos, um itinerário formativo e um estilo de vida fraterna e partilhada que fazia lembrar um pouco a «escola de Barbiana» de D. Lorenzo Milani, em Itália.
Muitos jovens de Myanmar, que hoje são adultos e idosos, devem-lhe a possibilidade de estudar e crescer num ambiente acolhedor. Quem tem uma dívida de reconhecimento inteiramente especial para com o Pare Vismara é Joseph Tayasoe que, em 1998, foi protagonista de um incidente ao qual está ligado o milagre que abriu o caminho à beatificação do padre Vismara. «Tinha 8 anos na altura, e vivia no orfanato de Mongyon», relata Joseph. «Por brincadeira subi a uma árvore, depois caí ao chão de uma altura superior a 3 metros. Perdi a consciência. Contaram-me que fui internado no hospital e considerado sem esperança.» Joseph deve a vida a Deus e à fé de uma religiosa tenaz, que se pôs a rezar ao padre Vismara. E o incrível aconteceu, apesar da gravidade da situação: um golpe de 18 centímetros na cabeça, quatro dias em coma e o diagnóstico desesperado dos médicos. «O Padre Clemente», diz Joseph com convicção, «é um grande homem que continua a ajudar-nos lá do Céu com um olhar especial pelos pobres e pelos jovens. Como sempre fez em toda a sua vida.»
As condições ambientais em que o Padre Clemente viveu e trabalhou, no extremo nordeste da Birmânia, foram duras. Não menos difícil foi, para ele, enfrentar a solidão: «Se quero encontrar um cristão no raio de 100 km, tenho de ver-me ao espelho», escreveu. Para não falar da difícil situação política do país: apesar de muito isolado na floresta, também o Padre Vismara e as suas missões se ressentiram com as perturbações políticas que se foram sucedendo na Birmânia. Mas o Padre Clemente não cedeu; manteve, sempre, uma profunda fidelidade, sinal de amor ao povo em nome do Evangelho, que conquistou as gentes. «Encontravam-se aqui os ingleses; foram-se embora e eu fiquei no lugar», escreveu numa carta de 1972. «Vieram os Chineses; escaparam e eu fiquei no lugar. Vieram os Siameses; fugiram e eu fiquei no lugar. Vieram os Japoneses; foram-se embora e eu fiquei no lugar. Os Ingleses voltaram; fugiram e eu fiquei no lugar. Vieram os Birmaneses e eu encontro-me ainda aqui e, por mais restrições que me imponham, não tenciono renunciar à minha presença aqui. Certamente que duvido da minha fortaleza, mas o que neste momento tenciono é morrer de mochila às costas.»
Também o Padre Vismara teve de se confrontar com a desconfiança e a suspeição de quem via na chegada daqueles estranhos europeus, vestidos de branco, um elemento de «perturbação» do statu quo. «Os missionários», escreveu, «têm um grave, gravíssimo defeito: protegem demasiado os pobres. Educam-nos, instruem-nos, ajudam-nos, curam-nos. Quando alguém conhece o alfabeto, levanta a cabeça, tem pretensões... Este e só este é o problema que causa antipatia e aversão contra o missionário.»
Mas, apesar das adversidades, não deixou de acolher de braços abertos - às vezes censurado pelas religiosas, devido à sua generosidade «exagerada» - os pobres de toda a espécie: «Entre a nossa gente», defendeu-se, «temos fumadores de ópio, burlões, ladrões, etc. É a dragagem semelhante à da parábola dos convidados para o banquete; portanto, é segundo o costume de Jesus e, por isso, não devemos queixar-nos se causam tantos e intermináveis problemas de todo o género.»
A Irmã Robertina Buho, de 70 anos, que o acompanhou durante muito tempo, testemunha: «Fui muitas vezes às povoações com ele para dar assistência aos pobres e distribuir medicamentos. Era um homem cheio de caridade. Estava tão tomado pela ajuda aos outros que, quando faleceu, lavamo-lo e queríamos mudar-lhe a roupa, mas tivemos dificuldade em fazê-lo. Não tinha mais nada de seu.»
No dia 15 de Junho de 1988, o Padre Clemente Vismara morreu em Mongping. No seu funeral participam muitos cristãos mas, também muitos budistas e muçulmanos A alegria do Padre Vismara, o seu sorriso, a sua grande abertura aos outros contagiou muitos. E muitas pessoas, independentemente da sua religião e da sua fé, reuniram-se no seu funeral. Como testemunha monsenhor Abramo Than, bispo emérito de Kengtung: «Nunca tínhamos visto uma coisa assim. Tivemos muitos santos missionários do PIME. Mas, por nenhum deles se viu esta devoção que se vê pelo Padre Vismara, mesmo por parte de não cristãos: animistas, budistas, hindus, muçulmanos. Vi nisto um grande sinal de Deus.»
Clemente Vismara foi beatificado no dia 26 de Junho de 2011, pelo Papa Bento XVI, numa celebração, na Praça da Catedral de Milão, Itália, presidida, em nome do Papa, pelo Cardeal Ângelo Amato, Prefeito da Congregação Para as Causas dos Santos.
A memória litúrgica do Beato Clemente Vismara celebra-se no dia 15 de Junho.





segunda-feira, 5 de junho de 2017

EM DESTAQUE


- SOLENIDADE DO PENTECOSTES

“...A Igreja celebra, hoje, a importante Solenidade do Pentecostes. Se, num certo sentido, todas as solenidades litúrgicas da Igreja são grandes, maior é o Pentecostes porque, chegando ao quinquagésimo dia, assinala o cumprimento do acontecimento da Páscoa, da morte e ressurreição do Senhor Jesus, através da dádiva do Espírito do Ressuscitado. Para o Pentecostes, a Igreja preparou-nos nos dias passados com a sua oração, com a invocação reiterada e intensa a Deus, para alcançar uma renovada efusão do Espírito Santo sobre nós. Assim, a Igreja reviveu aquilo que acontecera nas suas origens quando os Apóstolos, reunidos no Cenáculo de Jerusalém, «perseveravam unanimemente na oração com as mulheres, entre as quais Maria, mãe de Jesus, e os irmãos dele» (Act 1, 14). Estavam congregados na expectativa, humilde e confiante, de que se cumprisse a promessa do Pai, a eles comunicada por Jesus: «Vós sereis baptizados no Espírito Santo, daqui a poucos dias...descerá sobre vós o Espírito Santo, que vos dará a sua força» (Act 1, 5.8)…” (Bento XVI)
“… o Espírito Santo habita na Igreja e nos corações dos fiéis como num templo (cf. 1 Cor 3, 16; 6, 19); e neles ora e dá testemunho da sua adopção filial (cf. Gál 4, 6; Rom 8, 15-16. 26). Ele introduz a Igreja no conhecimento de toda a verdade (cf. Jo 16, 13), unifica-a na comunhão e no ministério, edifica-a e dirige-a com os diversos dons hierárquicos e carismáticos e enriquece-a com os seus frutos (cf. Et 4, 11-12; 1 Cor 12, 4; Gál 5, 22)”. (Lumen Gentium)
De acordo com a doutrina da Igreja, são sete os dons do Espírito que se manifestam na vida dos crentes, em ordem à vivência mais autêntica da fé e do esforço da santificação: o temor de Deus, que nos inspira o horror ao pecado; a piedade, que abre o nosso coração à comunhão com o Senhor e ao amor do próximo; a ciência, que nos ajuda a discernir o bem do mal; a fortaleza, que nos inspira a fazer o bem; o conselho, que nos auxilia na tomada de decisões; a inteligência, que nos faz penetrar profundamente nos mistérios da fé; e por fim, a sabedoria, que nos faz saborear o amor de Deus. 

DA PALAVRA DO SENHOR


- DOMINGO DE PENTECOSTES

“…Na verdade, todos nós
– judeus e gregos, escravos e homens livres –
fomos baptizados num só Espírito,
 para constituirmos um só Corpo.
 E a todos nos foi dado a beber um único Espírito…” (cf. 1 Coríntios 12, 13)

PALAVRA DO PAPA FRANCISCO


- na Audiência-Geral, na Praça de São Pedro – Roma, no dia 31 de Maio

Queridos irmãos e irmãs, bom dia!
Na iminência da solenidade de Pentecostes, não podemos deixar de falar da relação que há entre a esperança cristã e o Espírito Santo. O Espírito é o vento que nos impele para a frente, que nos mantém no caminho, que nos faz sentir peregrinos e forasteiros, e não permite que descansemos sobre os nossos próprios louros e que nos tornemos um povo “sedentário”.
A Carta aos Hebreus compara a esperança a uma âncora (cf. 6, 18-19); a esta imagem podemos acrescentar a da vela. Se a âncora é o que dá à barca a segurança e a mantém “ancorada” entre as ondas do mar, ao contrário a vela é o que a faz caminhar e avançar sobre as águas. A esperança é, deveras, como uma vela; ela recolhe o vento do Espírito Santo e transforma-o em força motriz que impele a barca, dependendo das circunstâncias, ao largo ou à beira-mar.
O Apóstolo Paulo conclui a sua Carta aos Romanos com estes votos: ouvi bem, escutai bem que auspício bonito: «O Deus da esperança vos encha de toda a alegria e de toda a paz na vossa fé, para que, pela virtude do Espírito Santo, transbordeis de esperança» (15, 13). Reflictamos um pouco sobre o conteúdo desta belíssima palavra.
A expressão “Deus da esperança” não significa somente que Deus é o objecto da nossa esperança, ou seja, Aquele que esperamos alcançar um dia, na vida eterna; quer dizer, também, que Deus é Aquele que já neste momento nos faz esperar, aliás, nos torna «alegres na esperança» (Rm 12, 12): alegres, agora, por esperar, e não só esperar para ser alegres. É a alegria de esperar e não esperar para ter alegria, já hoje. “Enquanto houver vida, haverá esperança”, diz o ditado popular; e é verdade, também, o contrário: enquanto houver esperança, há vida. Os homens necessitam de esperança para viver e precisam do Espírito Santo para esperar.
São Paulo — ouvimos — atribui ao Espírito Santo a capacidade de nos fazer até “transbordar de esperança”. Transbordar de esperança significa nunca desanimar; significa esperar «contra qualquer esperança» (Rm 4, 18), ou seja, esperar até quando falta qualquer motivo humano para esperar, como aconteceu com Abraão no momento em que Deus lhe pediu para sacrificar o único filho, Isaac, e como sucedeu também, ainda mais, com a Virgem Maria aos pés da cruz de Jesus.
O Espírito Santo torna possível esta esperança invencível dando-nos o testemunho interior de que somos filhos de Deus e seus herdeiros (cf. Rm 8, 16). Como poderia Aquele que nos entregou o seu único Filho não nos dar, também, com Ele, todas as coisas? (cf. Rm 8, 32). «A esperança — irmãos e irmãs — não desilude: a esperança não engana, porque o amor de Deus foi derramado em nossos corações pelo Espírito Santo que nos foi dado» (Rm 5, 5). Portanto, não desilude, porque há o Espírito Santo dentro de nós que nos impele a ir em frente, sempre! E por esta razão, a esperança não desilude.
Há mais: o Espírito Santo não nos torna somente capazes de esperar, mas, inclusive, de ser semeadores de esperança, de ser também nós — como Ele e graças a Ele — “paráclitos”, ou seja, consoladores e defensores dos irmãos, semeadores de esperança. Um cristão pode semear amarguras, pode semear perplexidades, e isto não é cristão; e quem faz isto não é um bom cristão. Semeia a esperança: semeia óleo de esperança, semeia perfume de esperança e não vinagre de amargura e de desespero. O Beato cardeal Newman, num seu discurso, dizia aos fiéis: «Instruídos pelo nosso próprio sofrimento, pela nossa própria dor, aliás, pelos nossos próprios pecados, teremos a mente e o coração treinados para qualquer obra de amor em relação aos necessitados. Seremos, conforme a nossa capacidade, consoladores à imagem do Paráclito — ou seja, do Espírito Santo — e em todos os sentidos que esta palavra comporta: advogados, assistentes, portadores de conforto. As nossas palavras e os nossos conselhos, o nosso modo de fazer, a nossa voz, o nosso olhar, serão gentis e tranquilizadores» (Parochial and Plain Sermons, vol. v, Londres 1870, pp. 300 s.). E são, sobretudo, os pobres, os excluídos, os desamados a precisar de alguém que para eles se torne “paráclito”, ou seja, consolador e defensor, como o Espírito Santo faz com cada um de nós, que estamos aqui na praça: consolador e defensor. Nós devemos fazer o mesmo com os mais necessitados, com os mais descartados, com aqueles que mais precisam, aqueles que mais sofrem. Defensores e consoladores!
O Espírito Santo alimenta a esperança não só no coração dos homens, mas também na criação inteira. Diz o Apóstolo Paulo - parece um pouco estranho, mas é verdade - que também a criação “aguarda ansiosamente”, com a esperança de ser também ela libertada e “geme e sofre” como que com dores de parto (cf. Rm 8, 20-22). «A energia capaz de mover o mundo não é uma força anónima e cega, mas é a acção do Espírito de Deus que “pairava sobre as águas” (Gn 1, 2) no início da criação» (Bento XVI, Homilia, 31 de maio de 2009). Também isto nos impele a respeitar a criação: não se pode manchar um quadro sem ofender o artista que o criou.
Irmãos e irmãs, a próxima festa de Pentecostes - que é o aniversário da Igreja - nos encontre concordes na oração, com Maria, Mãe de Jesus e nossa. E o dom do Espírito Santo nos faça transbordar de esperança. Dir-vos-ei algo mais: que nos faça prodigalizar esperança a todos aqueles que mais necessitam, que são mais descartados e a todos aqueles que dela precisam. Obrigado. (cf. Santa Sé)

PARA REZAR


SALMO 103

Refrão: Mandai, Senhor, o vosso Espírito e renovai a terra.


Bendiz, ó minha alma, o Senhor.
Senhor, meu Deus, como sois grande!
Como são grandes, Senhor, as vossas obras!
A terra está cheia das vossas criaturas.

Se lhes tirais o alento, morrem
e voltam ao pó donde vieram.
Se mandais o vosso espírito, retomam a vida
e renovais a face da terra.

Glória a Deus para sempre!
Rejubile o Senhor nas suas obras.
Grato Lhe seja o meu canto
e eu terei alegria no Senhor.

SANTOS POPULARES


SÃO JOSÉ DE ANCHIETA

José de Anchieta nasceu na Ilha de Tenerife, no arquipélago das Canárias, em 19 de Março de 1534. Era filho de João López de Anchieta e de Mência Diaz de Clavijo y Llarena, descendente da nobreza canária. Foi baptizado no dia 7 Abril de 1534, na Paróquia de Nossa Senhora dos Remédios, actual Catedral de São Cristóvão de La Laguna, onde ainda existe a pia de calcário vermelho onde, segundo a tradição, teria sido baptizado. A sua certidão de baptismo, inscrita no Livro I da Igreja dos Remédios, está preservada no Arquivo Histórico Diocesano de Tenerife, onde se lê: ‘José, filho de Juan de Anchieta e de sua esposa, foi baptizado no dia 7 de Abril por Juan Gutiérrez, vigário e seus padrinhos foram Domenigo Riso e Don Alonso’.
O seu pai foi um revolucionário basco que tomou parte na revolta dos Comuneros contra o Imperador Carlos V, de Espanha, e um grande devoto da Virgem Maria. Era aparentado com os Loyola: daí o parentesco de Anchieta com o fundador da Companhia de Jesus, Inácio de Loyola. A sua mãe era natural das Ilhas Canárias, filha de judeus cristãos-novos. O avô materno, Sebastião de Llarena, era um judeu convertido do Reino de Castela. Teve doze irmãos; alguns deles abraçaram, também, o sacerdócio.
José viveu com a família até aos catorze anos de idade. Nessa altura, mudou-se para Coimbra, em Portugal, a fim de estudar filosofia, no Real Colégio das Artes e Humanidades, anexo à Universidade de Coimbra. A ascendência judaica foi determinante para que o enviassem para estudar em Portugal, uma vez que, em Espanha, à época, a Inquisição era mais rigorosa. No dia 1 de Maio de 1551, entrou, como noviço, para a Companhia de Jesus.
Tendo o padre Manuel da Nóbrega - Provincial dos Jesuítas no Brasil - solicitado mais braços para a actividade da evangelização do Brasil, o Provincial da Ordem, Padre Simão Rodrigues, indicou, entre outros, José de Anchieta. Desde muito jovem, José de Anchieta padecia de tuberculose óssea, o que lhe causou uma escoliose, agravada durante o noviciado na Companhia de Jesus. Este facto foi determinante para que deixasse os estudos religiosos e viajasse para o Brasil. Chegou a São Salvador da Baía, no dia 13 de Julho de 1553, com menos de 20 anos de idade, viajando na armada do segundo governador-geral do Brasil, Dom Duarte da Costa. Com ele, viajaram outros seis companheiros, sob a chefia do Padre Luis da Grã.
José Anchieta ficou menos de três meses em São Salvador da Baía. Foi enviado para a Capitania de São Vicente, no princípio de Outubro, com o padre jesuíta Leonardo Nunes. Aqui, conheceu o Padre Manuel da Nóbrega e, aqui, permaneceu durante doze anos.
José de Anchieta abriu os caminhos do sertão, aprendeu a língua tupi, catequizou e ensinou latim aos índios. Escreveu a primeira gramática sobre uma língua do tronco tupi: a "Arte da Gramática da Língua Mais Falada na Costa do Brasil", que foi publicada, em Coimbra, em 1595.
No seguimento da sua acção missionária, participou, com outros padres da Companhia, na fundação - no planalto de Piratininga - do Colégio de São Paulo - um colégio de jesuítas, do qual foi regente – e que foi o embrião da cidade de São Paulo. Este acontecimento realizou-se no dia 25 de Janeiro de 1554, dia em que se comemora a Conversão de São Paulo. Daí o nome dado ao Colégio e à povoação que surgiu à sua volta. No primeiro ano da sua existência, a povoação contava com 130 habitantes, dos quais 36 tinham recebido o baptismo.
Sabe-se que a data da fundação de São Paulo é o dia 25 de Janeiro por causa de uma carta de Anchieta aos seus superiores da Companhia de Jesus, na qual diz: “ A 25 de Janeiro do Ano do Senhor de 1554, celebrámos, em paupérrima e estreitíssima casinha, a primeira missa, no dia da conversão do Apóstolo São Paulo, e, por isso, a ele dedicamos a nossa casa! ”
 O Padre José de Anchieta cuidava não apenas de educar e catequizar os indígenas, mas também de defendê-los dos abusos dos colonizadores. Esteve em Itanhaém e Peruíbe, no litoral sul de São Paulo, na Quaresma que antecedeu a sua ida à aldeia de Iperoig, juntamente com o Padre Manuel da Nóbrega, em missão de preparo para o Armistício com os Tupinambás de Ubatuba (Armistício de Iperoig). Nesse período, em 1563, intermediou as negociações entre os portugueses e os indígenas, reunidos na Confederação dos Tamoios, oferecendo-se como refém dos tamoios, em Iperoig, enquanto o Padre Manuel da Nóbrega retornou a São Vicente, juntamente com Cunhambebe filho, para ultimar as negociações de paz entre os indígenas e os portugueses. Entre os índios baptizados pelo Padre Anchieta destaca-se o cacique Tibiriçá.
A pregação de jesuítas - como os Padres Anchieta e Nóbrega - no Brasil foi uma inculturação recíproca entre a influência do cristianismo e as crenças e costumes dos nativos. Os padres utilizaram elementos da cultura indígena como a melhor forma de lhes ensinar a doutrina cristã.
Durante o tempo em que passou entre os gentios, o Padre José de Anchieta compôs o "Poema à Virgem". Segundo uma tradição, tê-lo-ia escrito nas areias da praia e, depois, memorizado o poema. Só mais tarde, em São Vicente, o teria escrito em papel. Ainda segundo a tradição, foi também durante o cativeiro que o Padre Anchieta teria "levitado" entre os indígenas, os quais, imbuídos de grande pavor, pensavam tratar-se de um feiticeiro.
José de Anchieta lutou contra os franceses, estabelecidos na França Antártica, na baía da Guanabara. Foi companheiro de Estácio de Sá, a quem assistiu nos seus últimos momentos (1567). Em 1566, foi enviado à Capitania da Bahia com o encargo de informar ao governador Mem de Sá do andamento da guerra contra os franceses, possibilitando o envio de reforços portugueses para o Rio de Janeiro. Por esta época, foi ordenado sacerdote aos 32 anos de idade.
Dirigiu o Colégio dos Jesuítas, do Rio de Janeiro, durante três anos, de 1570 a 1573. Em 1569, fundou a povoação de Reritiba (ou Iriritiba), actual Anchieta, no Espírito Santo. Em 1577, foi nomeado Provincial da Companhia de Jesus no Brasil, função que exerceu durante dez anos, sendo substituído, em 1587, a seu pedido. Retirou-se para Reritiba, mas teve ainda de dirigir o Colégio do Jesuítas, em Vitória, no Espírito Santo. Em 1595, obteve dispensa dessas funções e conseguiu retirar-se definitivamente para Reritiba, onde veio a falecer, no dia 9 de Junho de 1597. Foi sepultado em Vitória.
O Padre José de Anchieta foi beatificado, no dia 22 de Junho de 1980, em Roma, pelo Papa João Paulo II. Na cerimónia de beatificação, disse o Papa: “…Um incansável e genial missionário é José de Anchieta, que aos dezassete anos, diante da imagem da Santa Virgem Maria, na Catedral de Coimbra, faz voto de virgindade perpétua e decide dedicar-se ao serviço de Deus. Tendo entrado na Companhia de Jesus, parte para o Brasil no ano de 1553, onde, na missão de Piratininga, empreende múltiplas actividades pastorais com o objectivo de aproximar e ganhar para Cristo os índios das florestas virgens. Ele ama com imenso afecto os seus irmãos «Brasis»; participa da sua vida; aprofunda-se nos seus costumes e compreende que a sua conversão à fé cristã deve ser preparada, ajudada e consolidada por um apropriado trabalho de civilização, para a sua promoção humana. O seu zelo ardente move-o a realizar inúmeras viagens, cobrindo distâncias imensas no meio de grandes perigos. Mas a oração contínua, a mortificação constante, a caridade fervente, a bondade paternal, a união íntima com Deus, a devoção filial à Virgem Santíssima - que ele celebra num longo poema de elegantes versos latinos -, dão a este grande filho de Santo Inácio uma força sobre-humana, especialmente quando deve defender, contras as injustiças dos colonizadores, os seus irmãos indígenas. Para eles compõe um catecismo, adaptado à sua mentalidade e que contribuiu grandemente para a sua cristianização. Por tudo isto, ele bem mereceu o título de «Apóstolo do Brasil»…”
O Beato José de Anchieta foi canonizado, no dia 3 de Abril de 2014, pelo Papa Francisco. No dia 24 de Abril de 2014, na Igreja de Santo Inácio de Loyola - Roma, numa celebração de acção de graças pela canonização do Padre José de Anchieta, o Papa Francisco disse: “…Também São José de Anchieta soube comunicar o que ele mesmo experimentara com o Senhor, aquilo que tinha visto e ouvido dele; o que o Senhor lhe comunicava nos seus exercícios. Ele, juntamente com Nóbrega, é o primeiro jesuíta que Inácio envia para a América. Um jovem de 19 anos... Era tão grande a alegria que sentia, era tão grande o seu júbilo, que fundou uma Nação: lançou os fundamentos culturais de uma Nação, em Jesus Cristo. Não estudou teologia, também não estudou filosofia, era um jovem! No entanto, sentiu sobre si mesmo o olhar de Jesus Cristo e deixou-se encher de alegria, escolhendo a luz. Esta foi e é a sua santidade. Ele não teve medo da alegria.
São José de Anchieta escreveu um maravilhoso hino à Virgem Maria à Qual, inspirando-se no cântico de Isaías 52, compara o mensageiro que proclama a paz, que anuncia a alegria da Boa Notícia. Ela, que naquela madrugada de Domingo sem sono por causa da esperança, não teve medo da alegria, nos acompanhe no nosso peregrinar, convidando todos a levantar-se, a renunciar às paralisias para entrar juntos na paz e na alegria que nos promete Jesus, Senhor Ressuscitado…”

A memória litúrgica de São José de Anchieta celebra-se no dia 9 de Junho.

terça-feira, 30 de maio de 2017

EM DESTAQUE


- ASCENSÃO DO SENHOR


Neste Domingo, a Igreja celebra a Solenidade da Ascensão do Senhor. Quarenta dias depois da Páscoa, Jesus subiu ao Céu. Cumprida a Sua missão terrena, Jesus voltou para junto do Pai e tornou-se o nosso verdadeiro mediador diante do Pai. A Ascensão é garantia da nossa própria subida ao Céu, depois do juízo de Deus. Jesus preparou-nos um lugar no seu Reino e prometeu voltar para nos levar com Ele. Transcrevemos palavras do Papa Francisco, no dia 8 de Maio de 2016, Festa da Ascensão: “ …[Neste dia]contemplamos o mistério de Jesus que deixa o nosso espaço terreno para entrar na plenitude da glória de Deus, levando consigo a nossa humanidade. Isto é, nós, a nossa humanidade entra pela primeira vez no céu. O Evangelho de Lucas mostra-nos a reação dos discípulos diante do Senhor que «se separou deles e foi arrebatado ao céu» (24, 51)… Neste céu reside o Deus que se revelou tão próximo que até assumiu o rosto de um homem, Jesus de Nazaré. Ele permanece sempre o Deus-connosco — recordemos isto: Emanuel, Deus connosco — e não nos deixa sós! Podemos olhar para o alto e reconhecer o nosso futuro. Na Ascensão de Jesus, o Crucificado Ressuscitado, há a promessa da nossa participação na plenitude de vida junto de Deus. Antes de se separar dos seus amigos, Jesus, referindo-se ao evento da sua morte e ressurreição, dissera-lhes: «Disto sois testemunhas» (v. 48). Isto é os discípulos, os apóstolos são testemunhas da morte e da ressurreição de Cristo, naquele dia, também da Ascensão de Cristo. Com efeito, depois de ter visto o seu Senhor subir ao céu, os discípulos voltaram à cidade como testemunhas que com alegria anunciam a todos a vida nova que vem do Crucificado Ressuscitado, em cujo nome «se prega a penitência e a remissão dos pecados a todas as nações» (n. 47). Este é o testemunho — oferecido não só com palavras mas também com a vida diária — o testemunho que todos os domingos deveria sair das nossas igrejas para entrar durante a semana nas casas, nos escritórios, na escola, nos lugares de encontro e de divertimento, nos hospitais, nas prisões, nas casas para idosos, nos locais cheios de imigrantes, nas periferias da cidade... Devemos oferecer este testemunho todas as semanas: Cristo está connosco; Jesus subiu ao céu, está connosco; Cristo está vivo!...”

DA PALAVRA DO SENHOR


- DOMINGO DA ASCENSÃO DO SENHOR

“…O Deus de Nosso Senhor Jesus Cristo, o Pai da glória,
 vos conceda um espírito de sabedoria e de luz
 para O conhecerdes plenamente
 e ilumine os olhos do vosso coração,
 para compreenderdes a esperança a que fostes chamados,
 os tesouros de glória que encerra a sua herança entre os santos
 e a incomensurável grandeza que representa o seu poder
 para nós os crentes…” (cf. Efésios 1, 17-19)

PALAVRA DO PAPA FRANCISCO


- na Audiência-Geral, na Praça de São Pedro – Roma, no dia 24 de Maio

Queridos irmãos e irmãs, bom dia!
Hoje gostaria de analisar a experiência dos dois discípulos de Emaús, sobre a qual fala o Evangelho de Lucas (cf. 24, 13-35). Imaginemos a cena: dois homens caminham desiludidos, tristes, decididos a deixar para trás a amargura de um vicissitude mal sucedida. Antes daquela Páscoa estavam cheios de entusiasmo: convencidos de que aqueles dias teriam sido determinantes para as suas expetativas e para a esperança do povo inteiro. Jesus, ao qual tinham confiado a própria vida, parecia ter finalmente chegado à batalha decisiva: agora manifestaria o seu poder, depois de uma longa fase de preparação e de escondimento. Era isso o que eles esperavam. Mas não foi assim.
Os dois peregrinos cultivavam uma esperança somente humana, que agora desabava. Aquela cruz erguida no Calvário era o sinal mais eloquente de uma derrota que não tinham previsto. Se deveras aquele Jesus era segundo o coração de Deus, deviam chegar à conclusão que Deus estava inerme, indefeso nas mãos dos violentos, incapaz de opor resistência ao mal.
Assim, naquela manhã de domingo, os dois fogem de Jerusalém. Ainda tinham nos olhos os momentos da paixão, a morte de Jesus; e na alma o pensamento atormentado pelos acontecimentos, durante o repouso forçado do sábado. Aquela festa de Páscoa, que devia entoar o canto da libertação, transformou-se pelo contrário no dia mais doloroso da sua vida. Deixam Jerusalém para ir alhures, a uma aldeia tranquila. Têm toda a aparência de pessoas empenhadas em apagar uma recordação que magoa. Portanto, encontram-se numa estrada, andam, tristes. Este cenário — a estrada — já tinha sido importante nas narrações dos evangelhos; agora tornar-se-á cada vez mais relevante, no momento em que se começa a narrar a história da Igreja.
O encontro de Jesus com aqueles dois discípulos parece ser totalmente casual: assemelha-se a uma das numerosas encruzilhadas que se encontram na vida. Os dois discípulos prosseguem pensativos e um desconhecido caminha ao lado deles. É Jesus; mas os seus olhos não são capazes de o reconhecer. E então Jesus começa a sua “terapia da esperança”. O que acontece nesta estrada é uma terapia da esperança. Quem a faz? Jesus.
Em primeiro lugar pergunta e escuta: o nosso Deus não é um Deus intrometido. Embora já conheça o motivo da deceção dos dois, deixa-lhes o tempo para poder sondar profundamente a amargura que se apoderou deles. Daqui surge uma confissão que é um refrão da existência humana: «Nós esperávamos, mas... Nós esperávamos, mas...» (v. 21). Quantas tristezas, quantas derrotas, quantas falências há na vida de cada pessoa! No fundo somos todos um pouco como esses dois discípulos. Quantas vezes na vida esperamos, quantas vezes nos sentimos a um passo da felicidade e, no fim, ficamos desiludidos. Mas Jesus caminha com todas as pessoas desanimadas que procedem cabisbaixas. E caminhando com elas, de forma discreta, consegue restituir-lhes a esperança.
Jesus fala com eles sobretudo através das Escrituras. Quem pega o livro de Deus nas mãos não se cruza com histórias de fácil heroísmo, campanhas de conquista impetuosas. A verdadeira esperança nunca é pouco dispendiosa: passa sempre através das derrotas. A esperança de quem não sofre, talvez nem sequer seja tal. Deus não gosta de ser amado como poderíamos amar um general que leva o seu povo à vitória, aniquilando no sangue os seus adversários. O nosso Deus é uma chama esmorecida que arde num dia de frio e de vento, e não obstante a sua presença neste mundo possa parecer frágil, Ele escolheu o lugar que todos nós desdenhamos.
Em seguida Jesus repete também aos dois discípulos o gesto fulcral de cada Eucaristia: pegou no pão, abençoou-o e, depois de o partir, ofereceu-o. Nesta sequência de gestos, não há porventura toda a história de Jesus? E não há, em cada Eucaristia, também o sinal do que deve ser a Igreja? Jesus pega em nós, abençoa-nos, “parte” a nossa vida — porque não há amor sem sacrifício — e oferece-a aos outros, oferece-a a todos.
O encontro de Jesus com os dois discípulos de Emaús é rápido. Todavia, nele está todo o destino da Igreja. Narra-nos que a comunidade cristã não está fechada numa cidadela fortificada, mas caminha no seu ambiente mais vital, ou seja, a estrada. E ali encontra as pessoas com as suas esperanças e as suas desilusões, por vezes pesadas. A Igreja escuta as histórias de todos, assim como sobressaem do íntimo da consciência pessoal; para depois oferecer a Palavra de vida, o testemunho de amor, amor fiel até ao fim. E então o coração das pessoas volta a arder de esperança.
Todos nós, na nossa vida, tivemos momentos difíceis, obscuros; momentos nos quais caminhávamos tristes, pensativos, sem horizontes, somente com um muro à nossa frente. E Jesus sempre está ao nosso lado para nos dar esperança, para nos aquecer o coração e dizer: “Vai em frente, estou contigo. Vai em frente”. O segredo da estrada que conduz a Emaús resume-se inteiramente nisto: mesmo através das aparências contrárias, continuamos a ser amados, e Deus nunca deixará de nos querer bem. Deus caminhará sempre connosco, sempre, até nos momentos mais dolorosos, nos períodos mais difíceis, também nos momentos de derrota: ali está o Senhor. E esta é a nossa esperança. Vamos em frente com esta esperança! Porque Ele está ao nosso lado e caminha connosco, sempre! (cf. Santa Sé)


PARA REZAR


SALMO 46

Refrão: Ergue-Se Deus, o Senhor, em júbilo e ao som de trombetas.

Povos todos, batei palmas,
aclamai a Deus com brados de alegria,
porque o Senhor, o Altíssimo, é terrível,
o Rei soberano de toda a terra.

Deus subiu entre aclamações,
o Senhor subiu ao som da trombeta.
Cantai hinos a Deus, cantai,
cantai hinos ao nosso Rei, cantai.

Deus é Rei do universo:
cantai os hinos mais belos.
Deus reina sobre os povos,
Deus está sentado no seu trono sagrado.


SANTOS POPULARES


BEATO JOSÉ GÉRARD

José Gérard nasceu em Bouxieres-aux-Chênes - França, no dia 12 de Março de 1831. Os seus pais, João Gerárd e Úrsula Stofflet, honrados e piedosos agricultores. Foi baptizado logo no dia seguinte. Aos dez anos, como era costume na época, fez a primeira comunhão, no dia 2 de Fevereiro de 1842, e recebeu o Crisma dois anos depois. Por esta altura, graças ao bom ambiente familiar e ao testemunho do seu pároco, nasceu nele a vontade de ser sacerdote.
Entrou no seminário da Diocese de Nancy para continuar os estudos e, cedo, deu provas de ser um estudante aplicado e piedoso. O desejo de salvar almas foi crescendo no seu coração e, nos seus sonhos, via-se impelido para ir mais longe, para as longínquas missões entre os infiéis. Entrou, sem demora, em contacto com um Instituto Missionário que, especialmente, o atraia: os Oblatos de Maria Imaculada. No dia 9 de Maio de 1851, foi admitido nos Oblatos, já com alguns estudos teológicos feitos.
Durante o ano de noviciado, José sobressaiu pela sua devoção a Nossa Senhora e pelo seu zelo apostólico, a ponto de merecer a graça que tanto desejava. O seu Superior - sendo ele apenas diácono – achou por bem enviá-lo para a África do Sul, aonde chegou, no dia 21 de Janeiro de 1854, depois de oito meses de trabalhosa navegação. Aí, no mês seguinte, foi ordenado sacerdote, para logo entrar nas lides apostólicas. Coube-lhe, de início, trabalhar numa região onde nada de apreciável conseguiu, ao longo de sete anos de trabalho exaustivo: os seus habitantes recusaram o Evangelho. Então, foi incumbido de ir evangelizar os povos de Basutolândia, actual Lesoto. Aqui trabalhou durante 50 anos, com tanto zelo e tanto fruto que mereceu ser chamado o fundador das missões entre os Basutos. As qualidades e virtudes do Padre Gerárd fizeram dele um insigne missionário. Não havia para ele empreendimento impossível, nem estorvo insuperável. Confiava totalmente no Senhor e insistia na oração frequente. Pobre e humilde, tirava da humildade força para tudo levar a bom termo.
Verdadeiro religioso, tinha como norma proceder sempre conforme as exigências da vocação, no fiel seguimento de Cristo e na constante comunicação com Deus. Daqui, provinham o espírito de sacrifício e de abnegação, o ardor da sua fé, o afã de em tudo e alegremente cumprir a vontade de Deus. Entregou-se totalmente ao serviço de todos. O Papa João Paulo II, na homilia da sua beatificação, disse: «Por onde quer que o Beato Gerárd andasse, sabia viver a vocação missionária com extraordinário fervor apostólico. O seu amor a Deus, cada vez mais ardente, manifestava-se no amor concreto para com o próximo. Ele é conhecido pela sua especial solicitude a favor dos doentes. Através de visitas frequentes e de um trato muito gentil, em todos infundia coragem e esperança. Com aqueles que se encontravam à beira da morte, tinha palavras que os dispunham para o seu encontro com Deus».
Por isso, não é de estranhar que o apelidassem de santo e que uma idosa mulher, testemunha das suas virtudes durante 40 anos, dissesse: «Ele foi o melhor sacerdote de quantos conheci. Não poderá haver outro mais santo. Se ele não é santo e não entrou no Céu, ninguém lá poderá entrar, nem branco, nem preto».
O Padre José Gérard parecia um Evangelho vivo, comprovando, com as obras, a doutrina que ensinava. São do seu diário as frases seguintes: «O bom Deus quer que sejamos santos, puros». «É uma obrigação para mim e para todos». «Sinto continuamente o dever de ser um com Jesus e Maria, para fazer bem às almas. Sem isto, que cristianismo, que santidade poderei inculcar?». De novo uma referência do Santo Padre: «O segredo da sua santidade, a chave da sua alegria e do seu amor às almas residia no facto de andar sempre unido a Deus… As pessoas queriam estar perto dele, porque parecia estar continuamente junto de Deus… Durante as longas e difíceis viagens, conversava frequentemente com o seu amado Senhor. Este sentido vivo de estar sempre na presença de Deus, explica a sua constante fidelidade aos votos religiosos de castidade, pobreza e obediência, e às suas obrigações como sacerdote».
Os últimos anos da sua vida decorreram na humildade, dedicando-se ao trabalho apostólico de olhos postos só em Cristo e na sua Igreja. Padeceu breve enfermidade, sendo então de notar a sua perfeita submissão à vontade de Deus.
Gasto pelo trabalho e pela idade, o Padre José Gérard faleceu no dia 29 de Maio de 1914, na missão chamada ‘Roma’, tão querida para ele. O seu funeral converteu-se em verdadeiro triunfo. Foi beatificado pelo Papa João Paulo II, em Maseru, capital de Lesoto, no dia 15 de Setembro de 1988.

A memória litúrgica do Beato José Gérard celebra-se no dia 29 de Maio.

quarta-feira, 24 de maio de 2017

DA PALAVRA DO SENHOR


- DO VI DOMINGO DE PÁSCOA

“…Venerai Cristo Senhor em vossos corações,
 prontos sempre a responder, a quem quer que seja,
 sobre a razão da vossa esperança…  (cf. 1 Pedro 3, 15)

PALAVRA DO PAPA FRANCISCO


- na Audiência-Geral, na Praça de São Pedro – Roma, no dia 17 de Maio

Queridos irmãos e irmãs, bom dia!
Durante estas semanas, a nossa reflexão moveu-se, por assim dizer, na órbita do mistério pascal. Hoje, encontramos aquela que, segundo os Evangelhos, foi a primeira que viu Jesus ressuscitado: Maria Madalena. Tinha terminado, há pouco, o repouso do sábado. No dia da paixão não houve tempo para completar os ritos fúnebres; por isso, naquela aurora, cheia de tristeza, as mulheres vão ao sepulcro de Jesus com o bálsamo perfumado. A primeira que chega é ela: Maria de Magdala, uma das discípulas que tinham acompanhado Jesus desde a Galileia, colocando-se ao serviço da Igreja nascente. No seu trajecto rumo ao túmulo reflecte-se a fidelidade de muitas mulheres que, durante anos, são devotas às vielas dos cemitérios, em recordação de alguém que já não está entre nós. Os vínculos mais autênticos não são interrompidos nem sequer pela morte: alguns continuam a amar, não obstante a pessoa amada tenha partido para sempre.
O Evangelho (cf. Jo 20, 1-2.11-18) descreve Maria Madalena, pondo de imediato em evidência que ela não era uma mulher que se entusiasmava facilmente. Com efeito, depois da primeira visita ao sepulcro, volta desiludida ao lugar onde os discípulos se escondiam; refere que a pedra foi removida da entrada do túmulo, e a sua primeira hipótese é a mais simples que se possa formular: alguém deve ter roubado o corpo de Jesus. Assim, o primeiro anúncio que Maria faz não é o da Ressurreição, mas de um furto perpetrado por pessoas desconhecidas, enquanto toda a Jerusalém dormia.
Em seguida, os Evangelhos descrevem uma segunda visita de Maria Madalena ao sepulcro de Jesus. Ela era teimosa! Foi, voltou... porque não se convencia! Desta vez, o seu andar é lento, extremamente pesado. Maria sofre duplamente: antes de tudo, pela morte de Jesus e, depois, pelo inexplicável desaparecimento do seu corpo.
Enquanto está inclinada perto do túmulo, com os olhos rasos de água, Deus surpreende-a da maneira mais inesperada. O evangelista João sublinha como a sua cegueira é persistente: não se dá conta da presença de dois anjos que a interrogam, e nem sequer desconfia vendo o homem atrás de si, que ela julga ser o guardião do jardim. E, ao contrário, descobre o acontecimento mais surpreendente da história humana, quando finalmente é chamada por nome: «Maria!» (v. 16).
Como é bonito pensar que a primeira aparição do Ressuscitado — segundo os Evangelhos — teve lugar de um modo tão pessoal! Que há alguém que nos conhece, que vê o nosso sofrimento e a nossa desilusão, que se comove por nós e nos chama pelo nome. É uma lei que encontramos esculpida em muitas páginas do Evangelho. Em volta de Jesus, há muitas pessoas que procuram Deus; mas a realidade mais prodigiosa é que, muito antes, há sobretudo Deus que se preocupa com a nossa vida; que a quer reanimar; e, para fazer isto, chama-nos pelo nome, reconhecendo o semblante pessoal de cada um. Cada homem é uma história de amor que Deus escreve nesta terra. Cada um de nós é uma história de amor de Deus. Deus chama cada um de nós pelo nome: conhece-nos pelo nome, olha para nós, está à nossa espera, perdoa-nos, tem paciência com cada um de nós. É verdade ou não? Cada um de nós vive esta experiência.
E Jesus chama-a: «Maria!». A revolução da sua vida, a revolução destinada a transformar a existência de cada homem e mulher, começa com um nome que ressoa no jardim do sepulcro vazio. Os Evangelhos descrevem-nos a felicidade de Maria: a Ressurreição de Jesus não é uma alegria concedida a conta-gotas, mas é uma cascata que abrange a vida inteira. A existência cristã não é constituída por pequenas felicidades, mas por ondas que subvertem tudo. Procurai pensar também vós, neste instante, com a bagagem de desilusões e de reveses que cada um tem no seu coração, que há um Deus perto de nós que nos chama pelo nome, dizendo: «Ergue-te, para de chorar, porque Eu vim libertar-te!». Isto é bonito!
Jesus não é alguém que se adapta ao mundo, tolerando que nele perdurem a morte, a tristeza, o ódio, a destruição moral das pessoas... O nosso Deus não é inerte, mas o nosso Deus — permiti-me esta palavra — é um sonhador: sonha a transformação do mundo, tendo-a já realizada no mistério da Ressurreição.
Maria gostaria de abraçar o seu Senhor, mas Ele já está orientado para o Pai celestial, enquanto ela é enviada a levar o anúncio aos irmãos. E, assim, aquela mulher, que antes de encontrar Jesus estava à mercê do maligno (cf. Lc 8, 2), agora torna-se apóstola de uma esperança nova e maior. A sua intercessão nos ajude a viver, também nós, esta experiência: na hora do pranto e na hora do abandono, ouvir Jesus Ressuscitado que nos chama pelo nome e, com o coração repleto de júbilo, partir para anunciar: «Eu vi o Senhor!» (cf. Jo 20, 18). Mudei de vida porque vi o Senhor! Agora sou diferente de outrora, sou outra pessoa. Mudei porque vi o Senhor — esta é a nossa força e a nossa esperança. (cf. Santa Sé)

PARA REZAR


SALMO 65

Refrão: A terra inteira aclame o Senhor.

Aclamai a Deus, terra inteira,
cantai a glória do seu nome,
celebrai os seus louvores,
dizei a Deus: «Maravilhosas são as vossas obras».

«A terra inteira Vos adore e celebre,
entoe hinos ao vosso nome».
Vinde contemplar as obras de Deus,
admirável na sua acção pelos homens.

Todos os que temeis a Deus, vinde e ouvi,
vou narrar vos quanto Ele fez por mim.
Bendito seja Deus que não rejeitou a minha prece,
nem me retirou a sua misericórdia.

SANTOS POPULARES


BEATO LUÍS ZEFERINO MOREAU

Foi o quinto de treze irmãos, filhos do casal Luís Zeferino Moreau e Maria Margarida Champoux, humildes agricultores. Nasceu, em Besançour, na diocese de Quebeque, no Canadá, no dia 1 de Abril de 1824. Aos 12 anos, tendo concluído os estudos primários, começou a aprender latim com o pároco da freguesia. Dois anos depois entrou no seminário.
Durante os estudos de teologia, começou a dar aulas, substituindo um professor doente mas o excesso de trabalho levou-o a um tal estado de fraqueza que teve de abandonar o seminário, em Novembro de 1845, e voltar para casa dos pais. A sua ânsia de ser padre impeliu-o a prosseguir o estudo da teologia, sob a orientação do seu pároco. Em Setembro de 1846, pediu licença ao Bispo de Quebeque para usar o traje eclesiástico e continuar os estudos em regime de externato, por não se sentir completamente curado, mas o Prelado disse-lhe que não.
Luís Zeferino não se desconcertou, nem perdeu as esperanças. Pediu ao Bispo de Montreal a incardinação na diocese. O Bispo-Auxiliar, D. João Carlos Prince, hospedou-o na sua residência e prontificou-se a orientá-lo nos estudos. Achando-o suficientemente versado em filosofia e teologia, no dia 19 de Dezembro daquele ano, conferiu-lhe a ordem de presbiterado.
No início de 1847, foi nomeado mestre-cerimónias e capelão, na catedral. Entregaram-lhe, além disso, o cuidado do Convento dos pobres da Providência, a direcção da comunidade do Bom Pastor e puseram-no á frente da chancelaria da cúria diocesana. No desempenho de todas estas funções, deu mostras de extraordinárias qualidades espirituais e intelectuais. Em 1852, foi criada a Diocese de S. Jacinto, sendo nomeado como seu primeiro Bispo, D. João Carlos Prince, até então Bispo-Auxiliar de Montreal. O Padre Luís Zeferino Moreau foi escolhido para o acompanhar, como seu secretário. Nas suas novas funções, foi encarregado, também, da direcção da chancelaria da nova diocese e de atender espiritualmente as religiosas de vários institutos, bem como a capelania do hospital da cidade.
De 1854 a 1860 e de 1869 a 1875, foi pároco da Sé catedral. Desempenhou, também, as funções de Vigário-Geral da diocese, cargo que o obrigou a governar a Diocese durante a sede vacante e as ausências demoradas do Prelado. Morto o terceiro Bispo, em 1875, o Padre Luís Zeferino governou a diocese como Vigário-Capitular. Viu-se, então, com mais evidência, a alta estima que todos tinham por ele. Isto levou os Prelados Canadianos a dar as melhores informações ao Santo Padre. O Papa Pio IX, acedendo a tão ardentes desejos, nomeou-o Bispo de S. Jacinto. Recebeu a ordenação episcopal, no dia 16 de Janeiro de 1876.
Nos 25 anos que esteve à frente da diocese, à imitação de S. Paulo, fez-se tudo para todos, com simplicidade, bondade e humildade. Procurou, sobretudo, trabalhar em união com o clero, manter no fervor as congregações religiosas existentes e atrair outras para a diocese. Ele mesmo, a 12 de Setembro de 1877, fundou a congregação das Irmãs de S. José, e a 21 de Novembro de 1890, o Instituto das Irmãs de Santa Marta para cuidarem dos seminários, residências episcopais e casas de educação da juventude.
Nele, os fiéis encontraram um homem inteiramente consagrado a Deus. Monsenhor Moreau sabia, quotidianamente, dedicar a sua atenção a todas as pessoas. Respeitava cada uma delas. Praticava a mais concreta caridade para com os pobres acolhidos na sua casa. Gostava de visitar as paróquias e as escolas. Estava junto dos sacerdotes que o procuravam para algum conselho; estimulava-os na sua acção, na vida espiritual e no aprofundamento intelectual, a fim de que transmitissem aos cristãos uma catequese iluminada por uma fé compreendida e vivida.
Como Bispo, gozava de um discernimento lúcido, e pregava o Evangelho com palavras claras e corajosas, tanto no ensinamento dirigido a todos, como nas respostas dadas a cada um. Consciente das necessidades de uma diocese que crescia, Monsenhor Moreau multiplicou as iniciativas para a educação religiosa e escolar dos jovens, a assistência aos doentes, a organização de ajuda mútua, a constituição de novas paróquias e a formação dos candidatos ao sacerdócio.
Em todos estes sectores, ele era audaz e superava, com paciência, os obstáculos. Procurou a cooperação das Congregações religiosas para numerosas tarefas. Compreendendo todo o valor da vida consagrada, soube favorecer fundações corajosas na própria pobreza. Pessoalmente, contribuiu de maneira profunda na animação espiritual e na orientação de Institutos religiosos que surgiam, ou de novo se estabeleciam na sua diocese… Apesar da fragilidade física, ele viveu numa austeridade exigente. Não conseguiu fazer frente às suas enormes tarefas senão com a força que lhe vinha da oração. Dizia muitas vezes: “não faremos bem as grandes coisas de que somos encarregados, senão mediante uma íntima união com Nosso Senhor”.
Morreu, santamente, no dia 24 de Maio de 1901, com 77 anos de idade, 54 de padre e 25 de bispo. Deixou cerca de vinte mil cartas a padres, religiosas e leigos, que tratam da vida ascética e espiritual, e provam a laboriosidade apostólica do seu ministério.
Foi beatificado, no dia 10 de Maio de 1987, pelo Papa João Paulo II. O Papa, na homilia da sua beatificação, disse: «No seguimento do Bom Pastor, Luís Zeferino Moreau consagrou a sua vida a guiar o rebanho que lhe foi confiado em S. Jacinto, no Canadá. Sacerdote, depois Bispo desta jovem diocese, ele conhecia as suas ovelhas. Trabalhava incansavelmente para lhes dar o alimento “para que os homens tivessem vida, e a tivessem em abundância”.
A sua memória litúrgica celebra-se no dia 24 de Maio.