PALAVRA COM SENTIDO

PALAVRA COM SENTIDO

“…Hás-de temer o Senhor, teu Deus…” (cf. Deuteronómio 6, 2)

Só Deus é Deus e Senhor. E não há outro Deus a quem amar, servir, adorar, acreditar, rezar, agradecer… Temer o Senhor não é ‘ter medo de Deus’. Não precisamos ter medo de Deus: Ele é amor, perdão, misericórdia, alegria, paz, salvação e esperança… Temer o Senhor é reconhecer a grandeza do seu poder; a santidade do seu nome; a ternura que nos dedica; a alegria da vida que nos oferece. Temer o Senhor é acolher a sua Palavra; cumprir os seus mandamentos; responder com fidelidade aos seus apelos; confiar na sua promessa e anunciá-la com a bondade dos nossos gestos. Quem ‘teme a Deus’ procura fazer tudo para não pecar contra ele; fazer nascer no coração o receio e a tristeza de o poder ofender. O apelo feito pela palavra de Deus aponta-nos o caminho da verdade, da justiça, da caridade, da compaixão. Uma grande exigência que nos trará a felicidade e a bênção.

segunda-feira, 20 de novembro de 2017

PALAVRA DO PAPA FRANCISCO


- na Audiência-Geral, no dia 15 de Novembro, na Praça de São Pedro – Roma

Amados irmãos e irmãs, bom dia!
Continuamos com as catequeses sobre a Santa Missa. Para compreender a beleza da celebração eucarística, desejo iniciar com um aspecto muito simples: a Missa é oração; aliás, é a oração por excelência, a mais elevada, a mais sublime e, ao mesmo tempo, a mais “concreta”. Com efeito, é o encontro de amor com Deus, mediante a sua Palavra, o Corpo e o Sangue de Jesus. É um encontro com o Senhor.
Mas, primeiro, temos que responder a uma pergunta. O que é realmente a oração? Antes de mais, ela é diálogo, relação pessoal com Deus. O homem foi criado como ser em relação pessoal com Deus e tem a sua plena realização, unicamente, no encontro com o seu Criador. O caminho da vida está orientado para o encontro definitivo com o Senhor.
O Livro do Génesis afirma que o homem foi criado à imagem e semelhança de Deus, que é Pai, Filho e Espírito Santo, numa relação perfeita de amor que é unidade. Daqui, podemos compreender que todos nós fomos criados para entrar numa relação perfeita de amor, num contínuo doar-nos e receber-nos para assim podermos encontrar a plenitude do nosso ser.
Quando Moisés, diante da sarça-ardente, recebeu o chamamento de Deus, perguntou-lhe qual era o seu nome. E o que respondeu Deus? «Eu sou Aquele que sou» (Êx 3, 14). Esta expressão, no seu sentido originário, manifesta presença e favor e, com efeito, imediatamente a seguir, Deus acrescenta: «O Senhor, o Deus dos vossos pais, o Deus de Abraão, de Isaac e de Jacob» (v. 15). Assim, também Cristo, quando chama os seus discípulos, chama-os para que estejam com Ele. Eis, por conseguinte, a maior graça: poder experimentar que a Missa, a Eucaristia é o momento privilegiado para estar com Jesus e, através d’Ele, com Deus e com os irmãos.
Rezar, como qualquer diálogo verdadeiro, significa saber também ficar em silêncio (nos diálogos há, também, momentos de silêncio): em silêncio, juntamente com Jesus. E, quando vamos à Missa, pode acontecer que cheguemos cinco minutos antes e comecemos a falar com quem está ao nosso lado. Mas, não é o momento para falar: é o momento do silêncio, a fim de nos prepararmos para o diálogo. É o momento de nos recolhermos no coração, a fim de nos prepararmos para o encontro com Jesus. O silêncio é muito importante! Recordai-vos do que disse na semana passada: não vamos a um espectáculo, vamos ao encontro com o Senhor e o silêncio prepara-nos e acompanha-nos. Permanecer em silêncio juntamente com Jesus. E, do misterioso silêncio de Deus brota a sua Palavra que ressoa no nosso coração. O próprio Jesus nos ensina como é possível “estar” realmente com o Pai e no-lo demonstra com a sua oração. Os Evangelhos mostram-nos Jesus que se retira, para lugares afastados, para rezar; os discípulos, ao ver esta sua relação íntima com o Pai, sentem o desejo de poder participar nela, e pedem-lhe: «Senhor, ensina-nos a rezar» (Lc 11, 1). Assim ouvimos há pouco, na primeira Leitura, no início da audiência. Jesus responde que a primeira coisa necessária para rezar é saber dizer “Pai”. Estejamos atentos: se eu não for capaz de dizer “Pai” a Deus, não sou capaz de rezar. Temos de aprender a dizer “Pai”, ou seja, de nos pormos na sua presença, com confiança filial. Mas, a fim de poder aprender, é preciso reconhecer, humildemente, que precisamos de ser instruídos, e dizer com simplicidade: Senhor, ensina-me a rezar…
Este é o primeiro ponto: ser humildes, reconhecer-se filhos, repousar no Pai, confiar n’Ele. Para entrar no Reino dos céus é necessário fazer-se pequenino, como as crianças. No sentido de que as crianças sabem confiar, sabem que alguém se preocupará com elas, com o que hão-de comer, com o que vestirão e assim por diante (cf. Mt 6, 25-32). Esta é a primeira atitude: confiança e confidência, como a criança com os pais; saber que Deus se recorda de ti, cuida de ti, de ti, de mim, de todos.
A segunda predisposição, também ela própria das crianças, é deixar-se surpreender. A criança faz sempre muitas perguntas porque deseja descobrir o mundo; e admira-se até com coisas pequenas porque para ela tudo é novo. Para entrar no Reino dos céus é preciso deixar-se surpreender. Na nossa relação com o Senhor, na oração, eu pergunto: deixamo-nos surpreender ou pensamos que a oração é falar a Deus como fazem os papagaios? Não, é confiar e abrir o coração para se deixar surpreender. Deixamo-nos maravilhar por Deus que é sempre o Deus das surpresas? Porque o encontro com o Senhor é sempre um encontro vivo; não é um encontro de museu. É um encontro vivo e nós vamos à Missa e não a um museu. Vamos a um encontro vivo com o Senhor.
No Evangelho, fala-se de um certo Nicodemos (cf. Jo 3, 1-21), um idoso, uma autoridade em Israel, que vai procurar Jesus para o conhecer; e o Senhor fala-lhe da necessidade de “renascer do alto” (cf. v. 3). Mas, que significa isto? Pode-se “renascer”? Voltar a ter o gosto, a alegria, a maravilha da vida, é possível, mesmo face a tantas tragédias? Esta é uma pergunta fundamental da nossa fé e este é o desejo de qualquer crente verdadeiro: o desejo de renascer, a alegria de recomeçar. Nós temos este desejo? Cada um de nós tem vontade de renascer sempre para se encontrar com o Senhor? Tendes este desejo? Com efeito, pode-se perdê-lo facilmente porque, por causa de tantas actividades, de tantos projectos a concretizar, no final temos pouco tempo e perdemos de vista o que é fundamental: a nossa vida do coração, a nossa vida espiritual, a nossa vida que é encontro com o Senhor na oração.
Na verdade, o Senhor surpreende-nos ao mostrar-nos que Ele nos ama até com as nossas debilidades: «Jesus Cristo [...] é a propiciação pelos nossos pecados, e não somente pelos nossos, mas também pelos de todo o mundo» (1 Jo 2, 2). Este dom, fonte de verdadeira consolação - o Senhor perdoa-nos sempre - conforta, é uma verdadeira consolação, é um dom que nos é concedido através da Eucaristia, aquele banquete nupcial no qual o Esposo encontra a nossa fragilidade. Posso dizer que quando recebo a comunhão, na Missa, o Senhor encontra a minha fragilidade? Sim! Podemos dizê-lo porque isto é verdade! O Senhor encontra a nossa fragilidade para nos reconduzir à nossa primeira vocação: ser imagem e semelhança de Deus. É este o ambiente da Eucaristia, é esta a oração. (cf. Santa Sé)

PARA REZAR


SALMO 127

Refrão: Ditoso o que segue o caminho do Senhor.

Feliz de ti que temes o Senhor
e andas nos seus caminhos.
Comerás do trabalho das tuas mãos,
serás feliz e tudo te correrá bem.

Tua esposa será como videira fecunda,
no íntimo do teu lar;
teus filhos serão como ramos de oliveira,
ao redor da tua mesa.

Assim será abençoado o homem que teme o Senhor.
De Sião te abençoe o Senhor:
vejas a prosperidade de Jerusalém,
todos os dias da tua vida.

SANTOS POPULARES


BEATA MARIA ANA SALA

Maria Ana Sala nasceu no dia 21 de Abril de 1829, em Brívio, nas margens do Rio Adda, na província de Lecco, Itália. Era a quinta de 8 filhos de João Maria Sala e Joana Comi. Maria Ana foi baptizada, na paróquia vizinha, no dia do seu nascimento.
O seu pai, homem de grande fé e trabalhador, comerciante de madeira, possuía no centro da cidade urna casa cómoda, com entrada ampla, um pátio vasto e barulhento. Nesta casa, Maria Ana nasceu e cresceu, como os seus irmãos, no afecto do lar, num clima de paz e de serenidade.
Durante a sua infância, pura e simples, alimentou a sua profunda piedade com o assíduo estudo das verdades da fé, sempre presentes na sua lúcida inteligência. Maria Ana tinha um especial afecto e dedicação a um pequeno santuário - o Oratório de São Leonardo – que ficava um pouco fora da cidade, onde se venerava urna imagem de Nossa Senhora. Diante desta imagem, Maria Ana e uma das suas irmãs rezavam muitas vezes, prostrando-se em ardente oração, suplicando à Virgem o seu auxílio e a sua graça para a sua mãe que estava doente. Numa altura em que as crianças rezavam - como mostra um quadro votivo da família Sala - a enferma sentiu-se curada, com a íntima certeza de ter visto, junto a si, a Virgem Maria, abençoando-a.
Em Brívio, falava-se muito da recente fundação de um Instituto religioso feminino - o das Marcelinas - aberto em Cernusco sul Naviglio, em Milão, em 1838, pelo director espiritual do Seminário, o Beato Luís Biraghi. O objectivo deste Instituto era educar as jovens à luz da fé cristã, segundo programas sólidos de ensino, sem deixar de lado as actividades domésticas.
As Marcelinas (chamavam-se assim, em honra de Santa Marcelina, irmã e educadora dos Santos Ambrósio e Sátiro, que viveu no século IV. Foi escolhida como protectora e modelo por ter educado na fé cristã os irmãos menores, e por ter vivido o ideal da consagração virginal a Cristo, com outras jovens reunidas por ela, na sua própria casa, estudando juntas a Sagrada Escritura, rezando e praticando obras de caridade) abriram, em 1841, um segundo Colégio, em Vimercate, na baixa Brianza. Neste Colégio, João Maria Sala quis que as suas filhas, Maria Ana, Genoveva e Lúcia, completassem os seus estudos. Maria Ana distinguiu-se como aluna exemplar e, em 1846, obteve, com óptimos resultados, o diploma de professora primária.
No activo recolhimento do Colégio, encontrou um tesouro superior àquele que os títulos de estudo lhe asseguravam: acolher no coração o chamamento de Cristo para a vida consagrada, apostólica e evangelizadora, como as suas educadoras, das quais admirara o zelo e a piedade, sob a orientação da Madre Videmari, fervorosa colaboradora do Fundador.
Ao chamamento de Cristo, Maria Ana respondeu com o seu «SIM» de total dedicação. Porém, teve de esperar dois anos, antes de realizar o seu desejo. No dia 13 de Fevereiro de 1848, Maria Ana voltou ao Colégio de Vimercate como aspirante à vida religiosa. Após o noviciado, pronunciou os votos por ocasião da aprovação canónica da Congregação: 13 de Setembro de 1852.
Começou, então, a sua vida de Irmã educadora. O campo do seu fecundo apostolado foram os Colégios de Cernusco, em Milão; Via Amedei, em Génova e, durante as férias de Outono, Chambéry, na Savoia. Por fim, em Milão, na então Casa-Geral, na Via Quadronno.
A perfeita obediência da Irmã Maria Ana Sala não se manifestou só no acolhimento dócil dessas transferências, mas também na total obediência às Superioras e às outras irmãs. “Parecia haver feito voto de obediência a todas as Irmãs”, disse uma testemunha. Estava sempre disponível para as alunas e para os que dela se aproximavam. Tinha sempre consigo o Senhor: vivia sempre da presença de Deus, como do ar que se respira.
A Irmã Maria Ana dedicava-se, incansavelmente, às suas alunas para que se tornassem não só cultas, mas - como a mulher forte elogiada na Sagrada Escritura - também fortes na fé e em todas as virtudes cristãs. Encorajava-as nas dificuldades da vida. Na educação das alunas, tinha como único objectivo formar verdadeiras cristãs que pudessem formar cristãmente as próprias famílias, difundindo o Reino de Deus.
No seu caminho para a santidade, a Irmã Maria Ana passou por grandes sofrimentos espirituais provocados não só pelas misérias humanas - diárias e inevitáveis - da comunidade, mas também pelas repreensões frequentes da Madre Marina Videmari que, de carácter forte e impulsivo, estava convencida, em boa-fé, de que os santos devem ser provados.
Não lhe faltou, também, o sofrimento físico. Oito anos antes da morte, quando estava na casa de Via Quadronno, em Milão, manifestou-se nela o mal que a levaria à morte: um tumor na garganta, externamente visível. Uma echarpe preta, usada com desenvoltura, disfarçava as aparências, enquanto o sorriso imperturbável do seu rosto - após crises agudas de dor que a constrangiam a interromper as aulas - fazia esquecer, a quem dela se avizinhasse, o quanto havia sofrido. Aliás, numa maravilhosa superação de si mesma, habituara-se a chamar, em jeito de brincadeira, à horrível deformação do pescoço o ‘seu colar de pérolas’. Nunca revelou angústia perante o seu sofrimento e pelo mal de que padecia, nem mesmo nos últimos meses de vida.
A Irmã Maria Ana vivia o que afirmara, anos antes, com a lógica dos apaixonados pela Cruz: “Sirvamos o Senhor com coragem, minha boa Genoveva, mesmo quando nos pede algum sacrifício, se assim se podem chamar as pequenas dificuldades que encontramos no caminho da virtude. Realmente, o que é o que sofremos nós em confronto com o que, por nosso amor, sofreu o nosso amado Esposo? Aliás, não deveríamos antes alegrar-nos e agradecer-lhe, quando nos envia alguma ocasião de provar-lhe o nosso amor e a nossa fidelidade? Entreguemo-nos ao Senhor em tudo e por tudo, e Ele nos ajudará a tornarmo-nos santos”. (carta dirigida à Ir. Genoveva, 16-10-1874).
No outono de 1891, Irmã Maria Ana retomou as suas numerosas e absorventes actividades e, ao mesmo tempo, recomeçou o ensino nas classes das maiores. Mas, após os primeiros dias de aulas, foi obrigada a interromper o trabalho, recolhendo-se na enfermaria do colégio. A doença venceu a sua resistência física e moral. Aí, passou os últimos quinze dias da sua vida num sofrimento atroz.
No dia 24 de Novembro, enquanto as Irmãs rezavam, na Capela, a Ladainha de Nossa Senhora, ela sentiu o esplendor da invocação «Regina Virginum» e, no leito de morte, uma beleza nova resplandecia na sua fisionomia, tendo desaparecido, por completo, qualquer sinal do tumor que, durante tanto tempo, a tinha afligido.
Em 1920, por casualidade, encontraram os seus restos mortais intactos. Isso fez com que se voltasse a falar na já esquecida Irmã Maria Ana Sala. As suas ex-alunas uniram-se às Irmãs Marcelinas para pedirem a introdução da causa da sua beatificação e muitas testemunharam no processo informativo a heroicidade das suas virtudes.
A Irmã Maria Ana Sala foi beatificada no dia 26 de Outubro de 1980, em Roma, na Praça de São Pedro, no Vaticano, pelo Papa João Paulo II. Na Homilia da celebração, o Papa disse: “…A Irmã Maria Ana Sala ensina-nos a heróica fidelidade ao particular carisma da vocação. Tendo entrado para as Irmãs Marcelinas aos 21 anos, compreendeu que o seu ideal e a sua missão deviam ser unicamente o ensino, a educação, a formação das meninas na escola e na família. A Irmã Maria Ana foi, simples e totalmente, fiel ao carisma fundamental da sua Congregação. Três grandes lições brotam da sua vida e do seu exemplo: a necessidade da formação e da posse de um bom carácter firme, sensível e equilibrado; o valor santificante do empenho no dever, assinalado pela obediência; e a importância essencial da obra pedagógica.
A Irmã Maria Ana quis adquirir aptidões do mais alto grau, convencida que tanto se pode dar quanto se possui; e apaixonou-se pelo seu cargo de professora, santificando-se no cumprimento do seu trabalho quotidiano. Pôs em prática a mensagem de Jesus: "Quem é fiel no pouco também é fiel no muito" (Lc 16, 10). Aprendam da nova Beata, sobretudo as Religiosas, a estarem alegres e serem generosas no seu trabalho, embora oculto, monótono e humilde. Aprendam, todos aqueles que se dedicam à obra educativa, a não se amedrontarem nunca com as dificuldades dos tempos, mas a empenharem-se com amor, paciência e preparação, na sua tão importante missão, formando as almas e elevando-as aos supremos valores transcendentes. Particularmente hoje, a Escola precisa de educadores prudentes, sérios, preparados, sensíveis e responsáveis…”

A memória litúrgica da Beata Maria Ana Sala celebra-se no dia 24 de Novembro, dia da sua morte.

segunda-feira, 13 de novembro de 2017

EM DESTAQUE


*SEMANA NACIONAL DOS SEMINÁRIOS

De 12 a 19 de Novembro, a Igreja em Portugal celebra a Semana dos Seminários, sob o lema: “Fazei o que Ele vos disser”. Apresentamos a mensagem do Sr. D. António Augusto Azevedo, Bispo-Auxiliar do Porto e Presidente da Comissão Episcopal das Vocações e Ministérios:

“A Semana dos Seminários é ocasião privilegiada para que os cristãos tomem consciência da importância do Seminário como lugar indispensável para a formação dos futuros pastores da Igreja. Consciência que resulta da reflexão sobre as implicações da formação inicial, feita nos seminários, na missão da Igreja e no futuro da fé; consciência que se desdobra em oração ao Senhor da vinha para que chame trabalhadores para a sua vinha; consciência que se abre ainda à partilha e ajuda material aos seminários.
O lema desta semana é a frase pronunciada por Maria no episódio das Bodas de Caná: «Fazei o que Ele vos disser» (Jo.2,5). Após a interpelação dirigida a Jesus - «Não têm vinho!», Maria volta-se para os serventes para que estes, seguindo a palavra de Jesus, tudo façam para que a sua Hora chegue. O apelo da Mãe do céu dirige-se agora a todos e a cada um: aos baptizados, chamados a servir o Senhor; a todos os que estão em formação nos seminários; àqueles que o servem nos vários ministérios e formas de vida consagrada.
O exemplo de Maria mostra que o fundamental é estar com Jesus, caminhar com Ele, sabendo estar no meio do mundo com atenção às circunstâncias em se pode revelar a novidade de Deus. Como em Caná, tantas situações de carência, dor ou fracasso podem ser ocasião de manifestação da misericórdia divina. Para isso é necessário escutar o que o Senhor diz e acolher a sua palavra no coração. Uma escuta que exige a atenção e o discernimento capazes de interpretar a vontade do Senhor, distinta dos apelos do mundo ou do eco das ambições e motivações individuais. Ele chama alguns à vocação sacerdotal que tem na sua origem «um dom da graça divina que se concretiza na ordenação sacramental. Esse dom exprime-se no tempo pela mediação da Igreja que chama e envia em nome de Deus» (Ratio fundamentalis institutionis sacerdotalis, 34).
O apelo de Maria em Caná sublinha o carácter imperativo do Fazer, isto é, a necessidade de levar à prática a palavra escutada. Naquela situação, tratou-se de exercitar um serviço concreto: encher as talhas e levar ao chefe de mesa. Desta forma, o evangelho evidencia o valor do serviço humilde e dedicado na concretização do que Jesus manda. O serviço é o horizonte proposto a todo aquele que quer ser verdadeiro discípulo de Jesus, de modo específico a quem escuta e responde ao apelo: «Vem e segue-me!». O seminário é tempo de formação na escola do serviço, é caminho de configuração a Cristo, Cabeça, Pastor, Servo e Esposo, de forma que, na ordenação presbiteral, o candidato seja capaz de um dom total de si ao serviço de Deus e do seu povo.
O cumprimento da frase de Maria conduz à realização do primeiro grande sinal de Jesus – a transformação da água em vinho – e desta forma Ele «manifestou a sua glória e os discípulos creram nele» (Jo.2, 11). Em Caná, Jesus revela-se como o verdadeiro noivo que está presente à humanidade para renovar com ela a aliança nupcial e ajudá-la a reencontrar o caminho da esperança, da alegria, e da paz. No nosso tempo, os seminários representam um sinal da esperança para a Igreja e para o mundo porque aqueles que neles se formam, em ordem ao ministério sacerdotal, serão expressão da presença de Jesus Cristo, o esposo sempre fiel que também hoje quer encher de misericórdia e alegria a humanidade que não desistiu de amar.
O Seminário é tempo de estar com Jesus e de aprender com Ele a viver no meio das realidades do mundo; é tempo para exercitar a escuta e aprofundar o discernimento acerca da vontade de Deus; é tempo de cultivar um coração dócil, livre e generoso para o serviço de Deus e dos irmãos; é tempo para descobrir o estilo mariano da evangelização que valoriza a proximidade, a ternura e o afecto.
Que Maria nos ajude com a sua intercessão materna para que os seminários sejam comunidades onde se formam verdadeiros discípulos missionários e contribuam «para que a Igreja se torne uma casa para muitos, uma mãe para todos os povos, e torne possível o nascimento de um mundo novo» (Evangelii Gaudium, 288).”


DA PALAVRA DO SENHOR


- XXX DOMINGO DO TEMPO COMUM
        
“…Não queremos, irmãos, deixar-vos na ignorância
 a respeito dos defuntos,
 para não vos contristardes como os outros,
 que não têm esperança.
 Se acreditamos que Jesus morreu e ressuscitou,
 do mesmo modo, Deus levará com Jesus
 os que em Jesus tiverem morrido…” (1 Tes. 4, 13-14)

PALAVRA DO PAPA FRANCISCO


- na Oração do Angelus, no dia 8 de Novembro, na Praça de São Pedro – Roma

Queridos irmãos e irmãs, bom dia!
Iniciamos, hoje, uma nova série de catequeses, que fixará o nosso olhar no “coração” da Igreja, ou seja, na Eucaristia. Para nós cristãos, é fundamental compreender bem o valor e o significado da Santa Missa, a fim de viver cada vez mais plenamente a nossa relação com Deus.
Não podemos esquecer o grande número de cristãos que, no mundo inteiro, em dois mil anos de história, resistiram, até à morte, para defender a Eucaristia; e quantos, ainda hoje, arriscam a vida para participar na Missa dominical. No ano de 304, durante as perseguições de Diocleciano, um grupo de cristãos, do norte de África, foram surpreendidos a celebrar a Missa, numa casa, e foram aprisionados. O procônsul romano, no interrogatório, perguntou-lhes por que o fizeram, sabendo que era absolutamente proibido. E eles responderam: «Sem o Domingo não podemos viver», que significava: se não podemos celebrar a Eucaristia, não podemos viver, a nossa vida cristã morreria.
Com efeito, Jesus disse aos seus discípulos: «se não comerdes a carne do Filho do homem e não beberdes o seu sangue, não tereis vida em vós mesmos. Quem come a minha carne e bebe o meu sangue tem a vida eterna, e eu o ressuscitarei no último dia» (Jo 6, 53-54).
Aqueles cristãos do norte de África foram assassinados porque celebravam a Eucaristia. Deixaram o testemunho de que se pode renunciar à vida terrena pela Eucaristia, porque ela nos dá a vida eterna, tornando-nos participantes da vitória de Cristo sobre a morte. Um testemunho que nos interpela a todos, e exige uma resposta acerca do que significa, para cada um de nós, participar no Sacrifício da Missa e aproximarmo-nos da Mesa do Senhor. Estamos à procura daquela nascente da qual “jorra água viva” para a vida eterna?... E que torna a nossa vida um sacrifício espiritual de louvor e de agradecimento e faz de nós um só corpo com Cristo? É este o sentido mais profundo da sagrada Eucaristia, que significa “agradecimento”: agradecimento a Deus, Pai, Filho e Espírito Santo, que nos abrange e nos transforma na sua comunhão de amor.
Nas próximas catequeses, gostaria de responder a algumas perguntas importantes sobre a Eucaristia e a Missa, a fim de redescobrir, ou descobrir, como o amor de Deus resplandece através deste mistério da fé.
O Concílio Vaticano II foi fortemente animado pelo desejo de levar os cristãos a compreender a grandeza da fé e a beleza do encontro com Cristo. Por este motivo, era necessário, antes de mais, realizar, com a ajuda do Espírito Santo, uma adequada renovação da Liturgia, porque a Igreja vive continuamente dela e renova-se graças a ela.
Um tema central que os Padres conciliares frisaram foi a formação litúrgica dos fiéis, indispensável para uma verdadeira renovação. E é precisamente esta também a finalidade deste ciclo de catequeses que hoje iniciamos: crescer no conhecimento do grande dom que Deus nos concedeu na Eucaristia.
A Eucaristia é um acontecimento maravilhoso, no qual Jesus Cristo, nossa vida, se faz presente. Participar na Missa «é viver outra vez a paixão e a morte redentora do Senhor. É uma teofania: o Senhor torna-se presente no altar para ser oferecido ao Pai, pela salvação do mundo» (Homilia, Santa Marta, 10 de fevereiro de 2014). O Senhor está ali connosco, ali presente. Muitas vezes, nós vamos ali, olhamos para as coisas, falamos entre nós, enquanto o sacerdote celebra a Eucaristia... e não celebramos ao lado d’Ele. Mas é o Senhor! Se hoje viesse aqui o Presidente da República ou qualquer pessoa muito importante do mundo, certamente todos estaríamos perto dela, e gostaríamos de a saudar. Mas repara: quando tu vais à missa, o Senhor está lá! E tu distrais-te. É o Senhor! Devemos pensar nisto. “Padre, mas as missas são tediosas" — “Que dizes, o Senhor é tedioso?" - Não, a Missa não! Os sacerdotes…" - "Ah, que os sacerdotes se convertam… Mas é o Senhor quem está ali!”. Está claro? Não o esqueçais. «Participar na Missa é como viver outra vez a paixão e a morte redentora do Senhor».
Procuremos, agora, fazer-nos algumas perguntas simples. Por exemplo: por que fazemos o sinal da cruz e o acto penitencial, no início da Missa? Aqui gostaria de fazer outro parêntesis. Vistes como fazem as crianças o sinal da cruz? Não se sabe o que fazem. Não se sabe se é o sinal da cruz ou um desenho. Fazem uma gatafunhada [o Papa fez um gesto desajeitado]. É preciso ensinar bem as crianças a fazer o sinal da cruz. Assim começa a Missa, assim começa a vida, assim começa o dia. Isto significa que somos remidos com a cruz do Senhor. Olhai para as crianças e ensinai-lhes a fazer bem o sinal da cruz. E aquelas Leituras, na Missa, porque se fazem? Por que se lêem, ao Domingo, três Leituras e nos outros dias duas? Por que estão ali, o que significa a Leitura da Missa? Por que se lêem e o que têm a ver? Ou então, por que a um certo ponto o sacerdote que preside à celebração diz: “Corações ao alto?”. Não diz: “Telefones ao alto para fazer fotografias!”. Não, não é agradável! E digo-vos que me causa muita tristeza quando celebro, aqui na Praça ou na Basílica, e vejo tantos telefones elevados, não só dos fiéis, mas até de alguns sacerdotes e bispos. Por favor! A Missa não é um espectáculo: significa ir encontrar a paixão e a ressurreição do Senhor. Por isso, o sacerdote diz: “Corações ao alto”. Que significa isto? Recordai-vos: não levanteis os telefones.
É muito importante voltar aos fundamentos, redescobrir aquilo que é essencial, através do que se toca e se vê na celebração dos Sacramentos. O pedido do Apóstolo São Tomé (cf. Jo 20, 25), para poder ver e tocar as chagas dos pregos, no corpo de Jesus, é o desejo de poder, de alguma forma, “tocar” Deus para acreditar n’Ele. O que São Tomé pede ao Senhor é aquilo de que todos nós precisamos: vê-lo e tocar n’Ele para O poder reconhecer. Os Sacramentos vêm ao encontro desta exigência humana. Os Sacramentos, e a celebração eucarística de maneira especial, são os sinais do amor de Deus, os caminhos privilegiados para nos encontrarmos com Ele.
Assim, através destas catequeses que hoje começam, gostaria de redescobrir, juntamente convosco, a beleza que se esconde na celebração eucarística, e que, quando é revelada, dá pleno sentido à vida de cada um. Nossa Senhora nos acompanhe neste novo percurso. Obrigado! (cf. Santa Sé)

PARA REZAR


SALMO 62

Refrão: A minha alma tem sede de Vós, meu Deus.

Senhor, sois o meu Deus: desde a aurora Vos procuro.
A minha alma tem sede de Vós.
Por Vós suspiro,
como terra árida, sequiosa, sem água.

Quero contemplar-Vos no santuário,
para ver o vosso poder e a vossa glória.
A vossa graça vale mais que a vida;
por isso, os meus lábios hão-de cantar-Vos louvores.

Assim Vos bendirei toda a minha vida
e em vosso louvor levantarei as mãos.
Serei saciado com saborosos manjares
e com vozes de júbilo Vos louvarei.

Quando no leito Vos recordo,
passo a noite a pensar em Vós.
Porque Vos tornastes o meu refúgio,
exulto à sombra das vossas asas.

SANTOS POPULARES


BEATA MARIA DA PAIXÃO

Hélène Marie Philippine de Chappotin de Neuville nasceu no dia 21 de Maio de 1839, em Nantes, França, numa família católica da pequena aristocracia da Bretanha. Desde criança, manifestou grandes dons naturais e uma fé muito profunda.
Em Abril de 1856, com 17 anos, num retiro espiritual, teve uma primeira experiência de Deus que a chamava para uma vida de consagração total.
Após a morte súbita da sua mãe, que retardou a realização da sua vocação, em 1860, com o consentimento do Bispo de Nantes, aos 21 anos de idade, entrou, como postulante, num convento de Clarissas, daquela cidade. Em 23 de Janeiro de 1861, ainda postulante, Deus convidou-a a oferecer-se como vítima pela Igreja e pelo Papa. Esta experiência mística marcará toda a sua vida.
Nesta altura, por causa de uma doença grave que a afectou, teve de regressar à sua casa paterna. Após a recuperação da saúde, preferiu optar por uma congregação de vida activa, entrando na Sociedade de Maria Reparadora, na qual, a 15 de Agosto de 1864, em Toulouse, começou o seu noviciado adoptando, então, o nome religioso de Maria da Paixão.
Em 1865, ainda noviça, foi enviada como missionária para a Índia, passando a trabalhar no Vicariato Apostólico de Maduré, onde as Irmãs Reparadoras tinham como principal tarefa formar as religiosas de uma congregação autóctone, participando, também, em variadas actividades apostólicas. Este vicariato estava confiado à direcção da Companhia de Jesus.
No dia 3 de Maio de 1866, Maria da Paixão pronunciou os seus votos. E em 1867, com 28 anos de idade, pelos seus dons e virtudes, por todos reconhecidos, foi eleita superiora local. Em Julho do mesmo ano, foi eleita provincial, tendo a seu cuidado três conventos das Irmãs Reparadoras.
Em 1874, com um grupo de irmãs, fundou uma casa em Ootacamund, no Vicariato Apostólico de Coimbatore, assistida pelos padres da Sociedade para as Missões Estrangeiras de Paris. Mas, em Maduré, surgiram grandes desentendimentos que, em 1876, fizeram com que vinte religiosas - entre elas a Irmã Maria da Paixão – deixassem a Sociedade de Maria Reparadora. Estas irmãs decidiram formar uma comunidade, em Ootacamund, sob a jurisdição do Vigário Apostólico de Coimbatore, Mons. José Bardou, M.E.P.
Em Novembro de 1876, a Irmã Maria da Paixão deslocou-se a Roma para regularizar a situação das vinte irmãs separadas. O Papa Pio IX regularizou a situação das religiosas, permitindo que a Irmã Maria da Paixão fundasse uma nova congregação, especificamente destinada às missões, com a designação de Instituto das Franciscanas Missionárias de Maria. Para esta nova congregação - por sugestão da Congregação de Propaganda Fide - foi fundado um noviciado em Saint-Brieuc, na Bretanha, que rapidamente acolheu numerosas vocações.
Em Abril de 1880 e em Junho de 1882, a Irmã Maria da Paixão regressou a Roma para resolver as dificuldades que ameaçavam obstaculizar a estabilidade e o crescimento do jovem Instituto. A última viagem (Junho de 1882) marca uma etapa importante na sua vida: ela foi autorizada a fundar uma casa em Roma e, por circunstâncias providenciais, encontrou a orientação franciscana indicada por Deus, vinte e dois anos antes. Em 4 de Outubro de 1882, na Igreja de Aracoeli, é recebida na Ordem Terceira de São Francisco e entra em contacto com o Servo de Deus Padre Bernardino de Portogruaro, Ministro-Geral da Ordem dos Frades Menores, que a apoia nas suas provações, com paternal solicitude.
Em Março de 1883, no meio de forte controvérsia interna, a Madre Maria da Paixão foi destituída das suas funções de superiora do Instituto, mas, na sequência de um inquérito ordenado pelo Papa Leão XIII, a sua inocência foi plenamente reconhecida e ela foi reeleita, no capítulo de Julho de 1884.
O Instituto inicia o seu rápido desenvolvimento: em 12 de Agosto de 1885, foi emitido o Decreto laudatório e o da filiação na Ordem dos Frades Menores; as Constituições são aprovadas ‘ad experimentum’ em 17 de Julho de 1890 e, definitivamente, em 11 de Maio de 1896.
É chegado o momento do envio de missionárias, inclusive para os pontos mais distantes e perigosos. O zelo missionário da fundadora não conheceu limites para responder aos clamores dos pobres e abandonados.
Também a promoção da mulher e a situação social interessaram-lhe particularmente; com inteligência e discrição, ofereceu aos pioneiros, que trabalharam neste campo, uma colaboração que eles muito apreciaram.
A sua intensa actividade e o seu dinamismo brotavam da contemplação dos grandes mistérios da Fé. Para a Madre Maria da Paixão tudo confluía na Unidade-Trindade de Deus, Verdade-Amor, que se dá a nós através da Eucaristia. Unida a estes mistérios, viveu a sua vocação missionária. Jesus Eucaristia foi para ela “o Grande Missionário” e a Irmã Maria da Paixão, na disponibilidade do seu “Eis a serva…”, traçou o seu caminho da doação, sem reserva, à obra de Deus. Deste modo, abriu os horizontes da missão universal do seu Instituto no espírito evangélico de humildade, pobreza e caridade, testemunhados por São Francisco de Assis.
Dotada de uma extraordinária capacidade de trabalho, encontrou tempo para redigir numerosos escritos para a formação das suas religiosas e para manter uma frequente correspondência com as suas missionárias, espalhadas pelo mundo, exortando-as, com insistência, a uma vida de santidade.
Em 1900, o Instituto recebeu o selo de sangue, com o martírio de sete Franciscanas Missionárias de Maria, na China, que foram beatificadas, em 1946, e canonizadas durante o Grande Jubileu de 2000. Este martírio foi para a Madre Maria da Paixão, juntamente com uma grande dor, uma imensa alegria: a emoção intensa de ser a mãe espiritual destas missionárias que souberam viver o ideal da sua vocação até a efusão do seu sangue.
Esgotada pelas fadigas de viagens incessantes e pelo trabalho quotidiano, a Madre Maria da Paixão, após uma breve enfermidade, faleceu serenamente em San Remo - localidade para onde se tinha retirado, para tentar recuperar da sua doença - em 15 de Novembro de 1904, deixando 2.069 irmãs em 86 comunidades, distribuídas por 24 países. Os seus restos mortais repousam no oratório privado da Casa-Geral do Instituto, em Roma.
A Irmã Maria da Paixão, fundadora das Irmãs Franciscanas Missionárias de Maria, foi beatificada, no dia 20 de Outubro de 2002, em cerimónia presidida pelo Papa João Paulo II, na Basílica de São Pedro, em Roma. Na homilia da missa, o Papa disse: “…A Irmã Maria da Paixão deixou-se arrebatar por Deus, capaz de saciar a sede de verdade que a impregnava. Fundando as Irmãs Franciscanas Missionárias de Maria, ela apaixonava-se pela vontade de comunicar os jorros de amor que nela gorgolhavam e que queriam espalhar-se pelo mundo inteiro. No centro do compromisso missionário, colocava a oração e a Eucaristia, dado que para ela a adoração e a missão se fundiam numa única iniciativa. Alimentada pela Escritura e pelos Padres da Igreja, mística e activa, apaixonada e intrépida, consagrou-se com uma disponibilidade intuitiva e audaciosa à missão universal da Igreja. Queridas Religiosas, na escola da vossa fundadora e em profunda comunhão com a Igreja, acolhei o convite a viver com renovada fidelidade as intuições do vosso carisma fundador, para que sejam numerosas as pessoas capazes de descobrir Jesus, Aquele que nos faz entrar no mistério de amor existente em Deus…”

A sua festa litúrgica celebra-se a 15 de Novembro.

segunda-feira, 6 de novembro de 2017

DA PALAVRA DO SENHOR


- XXX DOMINGO DO TEMPO COMUM
        
“…nós damos graças a Deus sem cessar,
 porque, depois de terdes ouvido a palavra de Deus
 por nós pregada,
 vós a acolhestes, não como palavra humana,
 mas como ela é realmente, palavra de Deus,
 que permanece activa em vós, os crentes…” (1 Tes. 2, 13)

PALAVRA DO PAPA FRANCISCO


- na Oração do Angelus, no dia 1 de Novembro, na Praça de São Pedro – Roma

Prezados irmãos e irmãs, bom dia e feliz festa!

A solenidade de Todos os Santos é a “nossa” festa: não porque somos bons, mas porque a santidade de Deus tocou a nossa vida. Os santos não são pequenos modelos perfeitos, mas pessoas penetradas por Deus. Podemos compará-los com os vitrais das igrejas, que fazem entrar a luz em várias tonalidades de cor. Os santos são nossos irmãos e irmãs que receberam a luz de Deus no seu coração e a transmitiram ao mundo, cada qual segundo a sua “tonalidade”. Mas todos foram transparentes, lutaram para tirar as manchas e as obscuridades do pecado, de modo a fazer passar a luz gentil de Deus. Eis a finalidade da vida: fazer passar a luz de Deus; e é, também, o objectivo da nossa vida.
Com efeito, no Evangelho de hoje, Jesus dirige-se aos seus, a todos nós, dizendo-nos «Bem-aventurados» (Mt 5, 3). É a palavra com que começa a sua pregação, que é “Evangelho”, “boa nova” porque é o caminho da felicidade. Quem está com Jesus é bem-aventurado, feliz. A felicidade não consiste em possuir; nem em tornar-se ‘alguém’. Não!... A felicidade autêntica consiste em estar com o Senhor e viver por amor. Queres acreditar nisto? Digo, novamente: A verdadeira felicidade não consiste em possuir o que quer que seja; nem em tornar-se ‘alguém’; a felicidade autêntica consiste em estar com o Senhor e viver por amor. Acreditais nisto? Devemos ir em frente para acreditar nisto. Então, aos ingredientes para uma vida feliz chama-se “bem-aventuranças”… São bem-aventurados os simples; os humildes que deixam espaço a Deus; os que sabem chorar pelo próximo e pelos próprios erros; os que permanecem mansos; os que lutam pela justiça; os que são misericordiosos para com todos; os que preservam a pureza do coração; os que trabalham sempre pela paz e vivem na alegria; os que não odeiam e, até quando sofrem, respondem ao mal com o bem.
Eis as bem-aventuranças. Não exigem gestos sensacionais; não são para super-homens, mas para quem vive as provações e as dificuldades de todos os dias: para nós. Assim são os santos: respiram, como todos, o ar poluído do mal que há no mundo mas, ao longo do caminho, nunca perdem de vista o caminho de Jesus, indicado nas bem-aventuranças, que são como o mapa da vida cristã. Hoje, é a festa daqueles que alcançaram a meta indicada por este mapa: não só os santos do calendário, mas muitos irmãos e irmãs “da porta ao lado”, que talvez tenhamos encontrado e conhecido. Hoje, é uma festa de família, de muitas pessoas simples e escondidas que, na realidade, ajudam Deus a fazer progredir o mundo. E, hoje, há tantas, muitas! Obrigado a estes irmãos e irmãs desconhecidos que ajudam Deus a fazer progredir o mundo; que vivem entre nós… Saudemo-los todos com um caloroso aplauso!
Em primeiro lugar — reza a primeira bem-aventurança — estão os «pobres de espírito» (Mt 5, 3). Que significa? Que não vivem para o sucesso, o poder ou o dinheiro; sabem que quem acumula tesouros para si não enriquece diante de Deus (cf. Lc 12, 21). Pelo contrário: julgam que o Senhor é o tesouro da vida e o amor ao próximo a única fonte verdadeira de lucro. Às vezes, ficamos descontentes por algo que nos falta ou preocupados se não somos considerados como gostaríamos; recordemos que a nossa bem-aventurança não consiste nisto, mas no Senhor e no amor: só com Ele, só amando vivemos felizes.
Por fim, gostaria de citar mais uma bem-aventurança, que não se encontra no Evangelho, mas na conclusão da Bíblia e fala do final da vida: «Felizes os mortos que morrem no Senhor» (Ap 14, 13). Amanhã, seremos chamados a acompanhar, com a oração, os nossos defuntos, para que rejubilem para sempre no Senhor. Recordemos com gratidão os nossos queridos e oremos por eles.
Que a Mãe de Deus, Rainha dos Santos e Porta do Céu, interceda pelo nosso caminho de santidade e pelos nossos queridos que nos precederam e já partiram para a Pátria celeste.  (cf. Santa Sé)

PARA REZAR


SALMO 130

Refrão: Guardai-me junto de Vós, na vossa paz, Senhor.

Senhor, não se eleva soberbo o meu coração,
nem se levantam altivos os meus olhos.
Não ambiciono riquezas,
nem coisas superiores a mim.

Antes fico sossegado e tranquilo,
como criança ao colo da mãe.
Espera, Israel, no Senhor,
agora e para sempre.

SANTOS POPULARES


SANTA ISABEL DA TRINDADE

Maria Isabel Catez nasceu num acampamento militar - no Campo de Avor - perto de Bourges, França, no dia 18 de Julho de 1880. O seu pai, José Catez, era capitão do exército francês. A sua mãe, Maria Rolland, contava: “Quando tinha apenas 1 ano, já se manifestava sua natureza ardente e colérica”. No entanto, a sua mãe, atenta, soube modelar a fúria de Isabel e fazer sobressair nela a ternura. Ela mesma tomou a iniciativa de escrever no seu diário pessoal, aos 18 anos: “Hoje, tive a alegria de oferecer a Jesus muitos sacrifícios por causa do meu defeito dominante; mas, como eles me custaram! Reconheço minha fraqueza… Parece-me que quando recebo uma observação injusta, sinto esquentar todo o meu sangue nas veias; tanto que o meu ser se revolta… Mas Jesus está no meu coração e, por isso, estou pronta a suportar tudo por amor a Ele”.
Ainda criança, a família mudou-se para a cidade de Dijon. Com apenas 7 anos, ficou órfã de pai.
O dia da sua primeira comunhão, a 19 de Abril de 1891, foi “o grande dia” da vida de Isabel, então com 10 anos. Chorou de alegria. Ao descer a escadaria da Igreja, disse à sua amiguinha Marie-Louise Hallo: “Não tenho fome, Jesus saciou-me”...
Isabel estudou piano, desde os 8 anos de idade, no Conservatório, vindo a tornar-se uma “excelente pianista”, segundo a expressão do seu professor de música.
Ainda não tinha 14 anos e já tinha escolhido Jesus para seu único esposo, pensando seguir a vida religiosa. Confirmou esta sua decisão ao ler a ‘História de uma Alma’, a autobiografia de Santa Teresinha do Menino Jesus. Deste livro, copiou pelo seu punho o ‘Oferecimento ao Amor Misericordioso’ e, ainda, três poesias de Santa Teresinha.
Aos 18 anos, a sua mãe pretendeu casá-la, mas Isabel respondeu: “O meu coração já não está livre: dei-o ao Rei dos reis. Por isso, já não posso dispor dele”. O desgosto da mãe foi muito grande. Mas, tornou-se mais amargo quando soube que Isabel queria entrar para o Carmelo, onde tantas vezes tinham ido juntas e que ficava apenas a 200 metros da sua casa. Entre lágrimas, a mãe apenas consentiu a entrada da filha no Carmelo quando ela atingiu a maioridade: aos 21 anos de idade.
Isabel entrou no Carmelo de Dijon no dia 2 de Agosto de 1901, tendo recebido o nome de ‘Irmã Isabel da Santíssima Trindade’. Este início foi marcado, na sua vida, por muitas graças sensíveis e tornou-se um período extraordinário de descoberta de um profundo amor pelo silêncio, próprio da espiritualidade carmelitana.
A Irmã Isabel da Trindade tomou o hábito no dia 8 de Dezembro de 1901. Durante o ano de 1902, Isabel foi tocada por um grande sofrimento interior. A escuridão da sua alma - a sua noite - foi, no entanto, iluminada com a claridade da fé e da confiança. Ela mesma o explicou, nesse mesmo ano, à Senhora de Sourdon: “O abandono, eis o que nos entrega a Deus. Sou muito nova, mas parece-me que algumas vezes sofri bastante. Oh! Então quando tudo se obscurecia, quando o presente era tão doloroso e o futuro me aparecia ainda mais sombrio, fechava os olhos e abandonava-me, como uma criança, nos braços desse Pai que está nos céus...”
Irmã Isabel fez a sua profissão perpétua no dia 21 de Janeiro de 1903, tendo recuperado a paz e a serenidade interiores. Na véspera da sua profissão perpétua, passou toda a noite em oração, como era costume no Carmelo. Ela mesma afirmou ter percebido, nesse momento, o sentido da sua vocação: “Na noite que precedeu o grande dia, enquanto eu estava no coro à espera do Esposo, compreendi que o meu céu começaria na terra, o céu na fé, com o sofrimento e a imolação por Aquele que eu amo”.
Isabel descobriu a passagem de São Paulo, sobre o Louvor de Glória, na Carta aos Efésios: “Foi também em Cristo que fomos escolhidos como sua herança, predestinados de acordo com o desígnio daquele que tudo opera, de acordo com a decisão da sua vontade, para que nos entreguemos ao louvor da sua glória, nós, que previamente pusemos a nossa esperança em Cristo” (Ef 1, 11-12). Um dos seus biógrafos escreveu: “A Irmã Isabel da Trindade foi verdadeiramente a alma de uma ideia: ser, para a Santíssima Trindade, um louvor de Glória”.
Numa carta dirigida à sua mãe – que, à maneira francesa, tratava por “tu” – Isabel escreveu: “Ele escolheu a tua filha para associá-la à sua grande obra de Redenção. Ele marcou-a com o selo da sua Cruz e sofre nela, como que numa extensão da sua Paixão... Não ambiciono chegar ao Céu somente pura como um Anjo, mas transformada em Jesus Crucificado”.
Esta crucifixão atingiu-a, sobretudo nos últimos nove meses de vida, por meio de uma doença que a transformou numa hóstia de imolação. No Céu, para onde voou, consumou-se a união desta grande Mestra da vida espiritual.
Nos fins de Março de 1906, a Irmã Isabel foi levada para a enfermaria. As Irmãs rezavam pela sua cura e Isabel juntou o seu pedido às orações da comunidade, mas sentiu que Jesus lhe dizia que os ofícios da terra já não eram para ela.
No dia 1 de Novembro, a Irmã Isabel da Trindade comungou pela última vez e, dois dias antes da sua morte, disse ao seu médico: “É provável que dentro de dois dias eu esteja no seio da Santíssima Trindade. É a Virgem Maria - aquele ser tão luminoso, tão puro, com a pureza do mesmo Deus - que me levará pela mão e me introduzirá no céu tão deslumbrante”. Alguns dias antes da sua morte, Isabel dissera, às suas Irmãs, esta frase tão bela e que ficou célebre: “Tudo passa! No declinar da vida só o amor nos resta...”
A sua última noite foi terrivelmente penosa, pois às suas horríveis dores juntou-se-lhe também a falta de ar; mas, ao amanhecer, Isabel sossegou e, inclinando a cabeça, abriu os olhos e exclamou: “Vou para a Luz, para o Amor, para a Vida”… E adormeceu para sempre. Era a madrugada do dia 9 de Novembro de 1906.
Isabel da Trindade foi beatificada pelo João Paulo II, no dia 25 de Novembro de 1984, festa de Cristo Rei. Foi canonizada, em Roma, pelo Papa Francisco no dia 16 de Outubro de 2016. Na homilia, o Papa disse: “…Ouvimos a promessa de Jesus no Evangelho: Deus fará justiça aos seus eleitos, que a Ele clamam dia e noite (cf. Lc 18, 7). Eis o mistério da oração: grita, não te canses e, se te cansares, pede ajuda para manteres as mãos erguidas. Esta é a oração que Jesus nos revelou e deu no Espírito Santo. Rezar não é refugiar-se num mundo ideal; não é evadir-se numa falsa tranquilidade egoísta. Pelo contrário: rezar é lutar e deixar que o próprio Espírito Santo reze em nós. É o Espírito Santo que nos ensina a rezar, guia na oração e faz rezar como filhos.
Os Santos são homens e mulheres que se entranham profundamente no mistério da oração. Homens e mulheres que lutam mediante a oração, deixando rezar e lutar neles o Espírito Santo; lutam até ao fim, com todas as suas forças; e vencem, mas não sozinhos: o Senhor vence neles e com eles. Também estas sete testemunhas, que hoje foram canonizadas, travaram o bom combate da fé e do amor através da oração. Por isso, permaneceram firmes na fé, com o coração generoso e fiel. Que Deus nos conceda também a nós, pelo exemplo e intercessão delas, ser homens e mulheres de oração; gritar a Deus dia e noite, sem nos cansarmos; deixar que o Espírito Santo reze em nós, e orar apoiando-nos mutuamente para permanecermos com os braços erguidos, até que vença a Misericórdia Divina…”
A memória litúrgica de Santa Isabel da Trindade celebra-se no dia 9 de Novembro.
Para vivermos, mais intimamente, a nossa comunhão com Deus Trindade através da oração, podemos rezar a oração composta por Santa Isabel da Trindade, carmelita descalça, no dia 21 de Novembro de 1904. É, sem dúvida, uma das mais belas e profundas orações dedicadas à Santíssima Trindade, sendo uma espécie de síntese de sua vida espiritual.

“…Ó meu Deus, Trindade que adoro, ajudai-me a esquecer-me inteiramente de mim para me estabelecer em Vós, imóvel e pacífica, como se a minha alma já estivesse na eternidade; que nada me possa perturbar a paz nem arrancar-me de Vós, ó meu Imutável, mas que cada minuto me transporte mais profundamente ao Vosso Mistério!
Pacificai a minha alma; fazei dela o Vosso Céu, a Vossa morada querida e o lugar do Vosso repouso; que eu não Vos deixe jamais só; mas fique, toda inteira, Convosco; toda atenta na minha fé, em atitude de adoração e entregue inteiramente à Vossa acção criadora.

Ó meu Cristo amado, crucificado por amor, quanto desejaria ser uma esposa para o Vosso coração; quanto desejaria cobrir-Vos de glória; quanto desejaria amar-Vos... Até morrer!... Mas sinto a minha impotência e, por isso, peço-Vos: revesti-me de Vós mesmo; identificai a minha alma com todos os movimentos da Vossa. Submergi-me, penetrai-me, substitui-Vos a mim, a fim de que a minha vida não seja senão uma irradiação da Vossa. Vinde a mim como Adorador, como Reparador, como Salvador.

Ó Verbo Eterno, Palavra do meu Deus: quero passar a minha vida a escutar-Vos; quero ser inteiramente dócil, para aprender tudo de Vós; e depois, através de todas as noites, de todos os vazios, de todas as impotências, quero ter sempre os olhos fitos em Vós e ficar sob a Vossa grande Luz. Ó meu Astro querido, fascinai-me a fim de que eu não possa mais sair dos Vossos raios.
Ó fogo devorador, Espírito de Amor: vinde a mim, para que em mim se opere como que uma encarnação do Verbo; que eu seja para Ele uma humanidade de acréscimo na qual Ele renove o seu Mistério.

E Vós, ó Pai, inclinai-Vos sobre esta vossa pobre criatura; cobri-a com a Vossa sombra; vede nela somente o Vosso Bem-Amado, no qual pusestes todas as vossas complacências.

Ó meus “Três”, meu Tudo, minha Beatitude, Solidão Infinita, Imensidade em que me perco: eu me entrego a Vós, como uma presa; sepultai-Vos em mim, para que eu me sepulte em Vós, na esperança de ir contemplar, na Vossa Luz, o abismo de Vossa grandeza. Amém…”

segunda-feira, 30 de outubro de 2017

EM DESTAQUE


*CELEBRAÇÃO DE TODOS OS SANTOS
E COMEMORAÇÃO DOS FIÉIS DEFUNTOS

No dia 1 de Novembro, a Igreja celebra a Solenidade de Todos os Santos. Nesta festa católica lembra-se todos quantos se encontram na glória de Deus, participando da sua festa, da sua alegria e da sua eternidade.
No dia 2 de Novembro, a Igreja faz a comemoração de todos os Fiéis Defuntos, rezando por todos os que já partiram para o Pai, na fidelidade ao seu amor e na esperança da ressurreição. Pelo facto de não ser feriado, a tradição da maior parte das paróquias aproveita o dia de Todos os Santos para fazer a memória dos seus fiéis defuntos com romagens aos cemitérios.
Na Paróquia da Feira, a celebração de Todos os Santos far-se-á na Missa Vespertina de Terça-Feira, às 18 horas, e nas Missas do dia 1 de Novembro, às 8 e 15 horas. No final da missa da tarde, faz-se a peregrinação ao cemitério, em oração por todos os defuntos.


*MUDANÇA DA HORA

Com a entrada em vigor da alteração da hora, são alterados os horários das celebrações eucarísticas, na Igreja Matriz. Assim, no Domingo à tarde, na Terça-Feira e na Sexta-Feira, a Eucaristia será às 18 horas; no Sábado mantém-se o horário: 18,30 horas.
Qualquer alteração será, atempadamente, anunciada.


DA PALAVRA DO SENHOR


- XXX DOMINGO DO TEMPO COMUM
        
“…«Não prejudicarás o estrangeiro, nem o oprimirás…
 Não maltratarás a viúva nem o órfão…
 Se emprestares dinheiro a alguém
 não procedas como um usurário…
 Se receberes como penhor a capa do teu próximo,
 terás de lha devolver até ao pôr do sol…
 Se eles Me invocarem, escutá-los-ei,
 porque sou misericordioso»…” (cf. Êxodo 22, 20-26)

PALAVRA DO PAPA FRANCISCO


- na Audiência-Geral, no dia 25 de Outubro, na Praça de São Pedro – Roma

Queridos irmãos e irmãs, bom dia!
Esta é a última catequese sobre o tema da esperança cristã, que nos acompanhou desde o início do presente ano litúrgico. E vou concluir falando do paraíso, como meta da nossa esperança.
«Paraíso» é uma das últimas palavras pronunciadas por Jesus na cruz, dirigida ao bom ladrão. Detenhamo-nos um momento sobre aquela cena. Na cruz, Jesus não está sozinho. Ao seu lado, à direita e à esquerda, há dois malfeitores.
Talvez, passando diante daquelas três cruzes erguidas no Gólgota, alguém suspirou aliviado, pensando que finalmente a justiça tinha sido feita, entregando à morte pessoas como aquelas.
Ao lado de Jesus há também um réu confesso: alguém que reconhece ter merecido aquele terrível suplício. Chamamo-lo “bom ladrão”, o qual, opondo-se ao outro, diz: recebemos o que mereceram os nossos crimes (cf. Lc 23, 41)
No Calvário, naquela sexta-feira trágica e santa, Jesus chega ao extremo da sua encarnação, da sua solidariedade para connosco, pecadores. Ali, realiza-se quanto o profeta Isaías tinha dito sobre o Servo sofredor: «E foi contado entre os malfeitores» (Is 53, 12; cf. Lc 22, 37).
É precisamente no Calvário que Jesus tem o último encontro com um pecador, para abrir, de par em par, as portas do seu Reino. Isto é interessante: é a única vez que a palavra “paraíso” aparece nos evangelhos. Jesus promete-o a um “pobre diabo” que, no madeiro da cruz, teve a coragem de lhe dirigir o mais humilde dos pedidos: «Lembra-te de mim, quando entrares no teu Reino!» (Lc 23, 42). Não tinha boas obras para apresentar; nada possuía, mas confia-se a Jesus/Deus, que reconhece como inocente, bom, tão diferente dele (v. 41). Foi suficiente aquela palavra de arrependimento humilde, para sensibilizar o coração de Jesus.
O bom ladrão faz lembrar-nos a nossa verdadeira condição diante de Deus: somos seus filhos; Ele sente compaixão por nós; Ele fica desarmado todas as vezes que lhe manifestamos a saudade do seu amor. Nos quartos de muitos hospitais ou nas celas das prisões, este milagre repete-se inúmeras vezes: não há pessoa alguma - por muito que tenha vivido mal – a quem só lhe reste o desespero e a quem seja proibida a graça. Diante de Deus, apresentamo-nos todos de mãos vazias: um pouco como o publicano da parábola que tinha parado para rezar no fundo do templo (cf. Lc 18,13). E, todas as vezes que um homem, fazendo o último exame de consciência da sua vida, descobrir que as suas faltas superam de forma considerável as suas boas obras, não deve desanimar, mas entregar-se à misericórdia de Deus. E isto dá-nos esperança, abre-nos o coração!
Deus é Pai e, até ao último instante, espera o nosso retorno. E ao filho pródigo, que regressando começa a confessar as suas culpas, o pai fecha-lhe a boca com um abraço (cf. Lc 15, 20). Este é Deus: ama-nos deste modo!
O paraíso não é um lugar de fábula, nem sequer um jardim encantado. O paraíso é o abraço com Deus, Amor infinito, e entramos nele graças a Jesus, que morreu na cruz por nós. Onde há Jesus, há misericórdia e felicidade; sem Ele, há frio e trevas. Na hora da morte, o cristão repete a Jesus: “Recorda-te de mim”. E, mesmo se não houvesse mais ninguém que se recorde de nós, Jesus está ali, ao nosso lado. Quer levar-nos para o lugar mais bonito que existe. Deseja levar-nos para lá com aquele pouco ou muito de bom que houve na nossa vida, para que nada seja perdido do que Ele já tinha redimido. E, para a casa do Pai, levará também tudo o que em nós ainda precisa de ser resgatado: as faltas e os erros de uma vida inteira. Esta é a meta da nossa existência: que tudo se cumpra e seja transformado em amor.
Se acreditarmos nisto, a morte deixa de nos amedrontar e podemos, também, ter a esperança de partir deste mundo de maneira serena, com muita confiança. Quem conheceu Jesus, já nada teme. E poderemos repetir, também nós, as palavras do velho Simeão, também ele abençoado pelo encontro com Cristo, depois de uma vida inteira consumida em expectativa: «Agora, Senhor, deixareis o vosso servo ir em paz, segundo a vossa palavra. Porque os meus olhos viram a vossa salvação» (Lc 2, 29-30).
E, naquele instante, finalmente, já não teremos necessidade de nada, já não veremos de maneira confusa. Já não choraremos inutilmente, porque tudo passou; também as profecias, inclusive o conhecimento. Mas o amor não: esse permanece. Porque «a caridade jamais acabará» (cf. 1 Cor 13,8).  (cf. Santa Sé)



PARA REZAR


SALMO 17

Refrão: Eu vos amo, Senhor: vós sois a minha força.

Eu Vos amo, Senhor, minha força,
minha fortaleza, meu refúgio e meu libertador.
Meu Deus, auxílio em que ponho a minha confiança,
meu protector, minha defesa e meu salvador.

Na minha aflição invoquei o Senhor
e clamei pelo meu Deus.
Do seu templo Ele ouviu a minha voz,
e o meu clamor chegou aos seus ouvidos.

Viva o Senhor, bendito seja o meu protector;
exaltado seja Deus, meu salvador.
O Senhor dá ao Rei grandes vitórias
e usa de bondade para com o seu ungido.


SANTOS POPULARES


BEATA TERESA MANGANIELLO

Teresa Manganiello nasceu perto de Montefusco, no dia 1 de Janeiro de 1849. Foi a undécima de doze filhos de uma família de camponeses. Os seus pais, Romualdo Manganiello e Rosária Lepore, eram “honestos concidadãos” cheios de fé e de profunda piedade cristã. Foi baptizada no dia seguinte, na Igreja de São João del Vaglio.
Aos sete anos recebeu a Primeira Comunhão, na Igreja de Santo Egídio, anexa ao Convento dos Capuchinhos
Como muitas crianças camponesas do sul de Itália daquela época, não frequentou a escola e sempre cresceu à sombra da casa colonial, edificada nos campos daquela zona do país. Adolescente, manifestou o desejo de consagrar sua vida a Deus. Em contínua união com Deus, Teresa, desde jovenzinha, convidava com gentileza as suas companheiras a cultivar a pureza e o amor a Deus e ao próximo. Tinha predilecção pelas crianças, que cuidava como mãe dedicada.
Como prova da sua particular devoção à Virgem Imaculada, Teresa cortou, ainda muito jovem, a sua longa e farta cabeleira e fez dela um presente para Nossa Senhora.
A vida de Teresa era penetrada de orações marianas tão intensas, que poderia parecer inacreditável, uma vez que se dedicava aos afazeres domésticos da manhã à noite. O Rosário preenchia todo o seu dia. Teresa concluiu a sua existência terrena repetindo a sua bela invocação: “Ó minha querida Mãe! Só na vossa companhia serei digna de me apresentar ao vosso Filho, ao meu belo Esposo, Jesus!”
A "Farmácia" de Teresa - que ela criara, em sua casa, com medicamentos extraídos das ervas cultivadas por ela - estava sempre aberta. Ali, ela fazia o papel de enfermeira: lavava as lesões com água morna; com delicadeza, tratava-as com as poções preparadas por ela; curava micoses, eczema e sarna, doenças que figuravam no século XIX entre “as mais asquerosas da espécie humana”. Nunca negava ajuda a quem passava. À sua porta batiam os pobres, as pessoas doentes, o oprimido de todo o tipo e ela acolhia-os com um sorriso e com uma palavra cálida, dando remédios e amor, conselhos e remédios para a cura do corpo e da alma.
Quando tinha 18 anos, o Padre Ludovico Acernese - homem sincero e humilde, cheio de caridade, de grande talento e de piedade mas, também, determinado nas suas acções - chegou ao Convento de Santo Egídio. Este padre instituiu, em Montefusco, a Ordem Terceira Franciscana.
Teresa sentiu-se atraída pelo ideal franciscano e imediatamente correu a registar-se, tornando-se a primeira Terceira Franciscana de Montefusco. Escolheu o Padre Acernese para seu director espiritual e seu confessor. Em 15 de Maio de 1870, com 21 anos de idade, vestiu o hábito e, no ano seguinte, fez a profissão dos votos, tomando o nome de Irmã Maria Luísa.
O Padre Ludovico Acernese soube reconhecer nela todas as qualidades mais profundas da sua alma, o que o fez nomeá-la primeira conselheira e depois, pela perfeição do seu ideal franciscano, mestra de noviças.
A família nunca apoiou o seu desejo de se tornar freira, principalmente para não se privar da grande ajuda que era ter Teresa em casa. Mas, Teresa, mesmo em casa, tinha uma vida ao estilo monacal. Por isso, tratavam-na, popularmente, por "monachella santa" (freirinha santa). Teresa participava, todos os dias, na Eucaristia, na Igreja de Santo Egídio; vivia intensamente a oração que, juntamente com as mortificações corporais, oferecia pela reparação dos pecados da humanidade; mostrava, sempre, um sorriso doce a aberto que atraía a todos.
Teresa sentia-se chamada a um grande e difícil apostolado: a reparação. Sentia-se chamada a rezar e a expiar os males cometidos no mundo. Por isso, Teresa ofereceu a sua vida pela conversão dos pecadores e, constantemente, rezava a sua jaculatória preferida: “Misericórdia, Senhor, misericórdia dos pecadores!”
Teresa não tinha recebido grande instrução. Naquela época, eram poucas as mulheres a frequentar a escola. Apesar disso, Teresa respondia com sabedoria, inclusive a pessoas de vasta cultura; foi dinamizadora do Movimento Terciário Franciscano, em Irpina e em Sannio, ao lado do Padre Acernese. Diante da insistência de Teresa Manganiello - que sonhava viver mais intensamente os ideais religiosos do movimento franciscano, dentro de uma comunidade religiosa – o Padre Acernese, ouvindo a opinião de outras Terceiras Franciscanas, resolveu fundar, para elas, uma nova congregação.
Para obter uma aprovação especial, o Padre Ludovico Acernese mandou-a a Roma, em 1873, para ter uma audiência com o Papa Pio IX, a fim de lhe apresentar o seu projecto. O Papa abençoou-a e animou-a a seguir em frente. Teresa, desde então, foi considerada como a primeira superiora da nascente Congregação de Religiosas Terceiras Franciscanas.
Por essa altura, a sua saúde começou a declinar. Em 14 de Fevereiro de 1874, quando rezava na Igreja, Teresa teve a primeira hemoptise [expectoração com presença de sangue, resultante de uma hemorragia na árvore respiratória], acompanhada de uma grave artrite. Naquela época, foi uma enfermidade comum a muitas pessoas, de todas as idades e condições sociais. Teresa, entre os altos e baixos da enfermidade, continuou a realizar as suas tarefas, até que no verão de 1876 o mal a prostrou. Os sacerdotes e fiéis que a foram visitar foram sempre recebidos com o seu maravilhoso sorriso, nascido da sua total entrega nas mãos de Deus, a quem rezava fervorosamente. No seu leito de dores, Teresa não deixou de dar testemunho vivo da grandeza dos seus ensinamentos. A quem se admirava com tanta resignação, ela dizia: “O Senhor deu-me a graça de sofrer por Ele e eu devo lamentar-me? Ele já sabe que eu preciso de ajuda!”
Teresa Manganiello faleceu no dia 4 de Novembro de 1876, com apenas 27 anos, e foi sepultada no cemitério de Montefusco.
Cinco anos após a sua morte, o Padre Ludovico Acernese, confiando na sua protecção espiritual, fundou, em Pietradefusi, a “Congregação das Irmãs Franciscanas Imaculatinas”, das quais Teresa é a "Pedra angular" e a "Mãe espiritual". Hoje, as Irmãs vivem o carisma de professar um amor singular e uma adoração filial à Virgem Mãe, sobretudo no mistério da sua Imaculada Conceição, trabalhando na educação académica e doutrinal da juventude, sobretudo feminina. Estão presentes na Itália, no Brasil, nas Filipinas, na Austrália, na Índia e na Indonésia.
Teresa Manganiello foi beatificada no dia 22 de Maio de 2010, pelo Papa Bento XVI. A cerimónia de beatificação - realizada na Basílica de Santa Maria das Graças, em Benevento, Itália – foi presidida pelo Cardeal Ângelo Amato, Prefeito da Congregação para as Causas dos Santos, em nome do Papa. Na homilia, o Cardeal Amato disse: “… Teresa era generosa, antes de tudo na família: fadigas, trabalhos e várias incumbências encontravam-na sempre disponível e generosa, dia e noite, não só para cumprir a sua parte de serviço, mas também para aliviar a canseira à mãe, às irmãs e às próprias cunhadas. E, na família, encontrou também o modo de se santificar exercendo a paciência e a compreensão. A sua generosidade não se detinha diante de nada, nem de ninguém. Acolhia a todos indistintamente, dos doentes aos mendigos, que naquele tempo eram numerosos nas aldeias. Para Teresa, a caridade não era feita de palavras mas de gestos concretos e generosos…
A sua biblioteca não foi a da escola, que ela nunca frequentou, mas da Palavra de Deus, que na quotidiana participação na missa, a educava e transformava. O seu exemplo incutia o bem na cabeça de todos, dos irmãos aos amigos… O seu espírito de mortificação era consequência do seu desejo de oração e de íntima comunhão com a paixão de Cristo e com o seu sacrifício redentor… Pode-se dizer que a juventude de Teresa foi um verdadeiro holocausto reparador. A oração e a penitência eram feitas longe de olhos indiscretos, numa gruta perto da sua casa. Em espírito de penitência, aceitou a doença, a tuberculose, com serenidade e também com alegria, sofrendo penas indizíveis com um sorriso nos lábios. Hoje, algumas destas formas de penitência são inusitadas e parecem incompreensíveis. Mas, naquela época, estas mortificações corporais eram frequentes para as almas sedentas de perfeição… Se a nossa cultura já não acredita no inferno, mas faz de tudo para transformar a existência num inferno, Teresa, ao contrário, acredita no Paraíso, e vive na terra transformando os seus poucos anos em momentos de luz e esplendor…”

A memória litúrgica da Beata Teresa Manganiello celebra-se no dia 4 de Novembro.