PALAVRA COM SENTIDO

PALAVRA COM SENTIDO

“…Hás-de temer o Senhor, teu Deus…” (cf. Deuteronómio 6, 2)

Só Deus é Deus e Senhor. E não há outro Deus a quem amar, servir, adorar, acreditar, rezar, agradecer… Temer o Senhor não é ‘ter medo de Deus’. Não precisamos ter medo de Deus: Ele é amor, perdão, misericórdia, alegria, paz, salvação e esperança… Temer o Senhor é reconhecer a grandeza do seu poder; a santidade do seu nome; a ternura que nos dedica; a alegria da vida que nos oferece. Temer o Senhor é acolher a sua Palavra; cumprir os seus mandamentos; responder com fidelidade aos seus apelos; confiar na sua promessa e anunciá-la com a bondade dos nossos gestos. Quem ‘teme a Deus’ procura fazer tudo para não pecar contra ele; fazer nascer no coração o receio e a tristeza de o poder ofender. O apelo feito pela palavra de Deus aponta-nos o caminho da verdade, da justiça, da caridade, da compaixão. Uma grande exigência que nos trará a felicidade e a bênção.

segunda-feira, 25 de dezembro de 2017

PARA REZAR


SALMO 88

Refrão: Cantarei eternamente as misericórdias do Senhor.

Cantarei eternamente as misericórdias do Senhor
e para sempre proclamarei a sua fidelidade.
Vós dissestes: «A bondade está estabelecida para sempre»,
no céu permanece firme a vossa fidelidade.

«Concluí uma aliança com o meu eleito,
fiz um juramento a David meu servo:
‘Conservarei a tua descendência para sempre,
estabelecerei o teu trono por todas as gerações’».

«Ele Me invocará: ‘Vós sois meu Pai,
meu Deus, meu Salvador’.
Assegurar-lhe-ei para sempre o meu favor,
a minha aliança com ele será irrevogável». 

SANTOS POPULARES


SANTA CATARINA VOLPICELLI

Catarina Volpicelli nasceu em Nápoles, no dia 21 de Janeiro de 1839, no seio de uma família da alta burguesia, da qual recebeu sólida formação humana e religiosa. Estudou letras, línguas e música, coisa não frequente para as mulheres do seu tempo. Guiada pelo Espírito Santo e através dos directores espirituais, Catarina renunciou à vida social que apreciava para responder a uma voz interior que a chamava para a vida religiosa.
Em 1854, encontrou-se, casualmente, com Ludovico de Casoria, na sua cidade de Nápoles, que, anos mais tarde, foi declarado ‘bem-aventurado’. Este encontro foi, depois, considerado por Catarina, uma graça providencial de Deus porque, por seu intermédio, inscreveu-se na Ordem Franciscana Secular. O Padre Ludovico foi determinante quando lhe indicou que o único objectivo da sua vida deveria ser o culto ao Sagrado Coração de Jesus. Apesar disso, cinco anos depois, orientada pelo seu confessor, entrou numa Congregação religiosa, saindo, logo em seguida, por graves motivos de saúde.
Naquela altura, a Igreja de Nápoles estava a viver tempos muito difíceis: a invasão das tropas de Garibaldi, a perseguição movida pelos maçons e a dispersão dos jesuítas eram alguns desafios para o apostolado, nesse tempo.
Em Roma, realizava-se o Primeiro Concílio do Vaticano (1869-1870), convocado pelo Papa Pio IX. Paralelamente, um grupo de anticlericais realizava o “Anti-concílio de livre pensadores”. Foi neste contexto que Catarina decidiu começar a sua obra, com o acompanhamento espiritual do Padre Ludovico. Contudo, o plano de Deus para Catarina era outro. O Padre Ludovico percebeu-o bem e, muitas vezes, dizia-lhe: "O Coração de Jesus é a tua obra, Catarina!"
Catarina, por indicação do seu confessor, tornou-se a primeira mulher a receber, em Itália, o diploma de zeladora da ‘Associação do Apostolado da Oração’, concedido pelo Apostolado da Oração de França. Em 1867, estabeleceu a sua Sede, em Nápoles, onde se dedicou às actividades apostólicas. No edifício de Largo Petrone, em Nápoles, Catarina reuniu 12 mulheres que partilhavam as mesmas inquietações e denominou-as “zeladoras do apostolado e da oração”.
Foram muitos e grandes os frutos deste seu apostolado. Graças à amizade e aos conselhos de Catarina Volpicelli, o hoje beato Bártolo Longo - fundador do santuário de Nossa Senhora do Rosário, em Pompeia – operou uma conversão radical, depois de muitos anos dedicado à superstição e ao espiritismo. "Ele tinha-se afastado da Igreja mas, com ela, conseguiu converter-se; fez a primeira comunhão; e da casa de Volpicelli foi para Pompeia, para fundar o santuário", escreveu Carmela Vergara, postuladora da causa de canonização de Catarina e religiosa da Congregação das Escravas do Sagrado Coração.
O apostolado da oração passou a ser o ponto central da espiritualidade de Catarina. Na sua vida, totalmente consagrada ao Coração de Jesus, distinguem-se três aspectos: a profunda espiritualidade eucarística, a integral fidelidade à Igreja e a imensa generosidade apostólica.
Em 1874, com as suas primeiras zeladoras, Catarina fundou o novo ‘Instituto das Servas do Sagrado Coração de Jesus’, aprovado inicialmente pelo seu Arcebispo, e, em 1890, pelo Vaticano. Preocupada com o futuro da juventude, abriu um orfanato, fundou uma biblioteca itinerante e instituiu a ‘Associação das Filhas de Maria’. Em pouco tempo, abriu outras casas em Itália. E as Servas muito se distinguiram na assistência às vítimas da cólera, em 1884, em várias localidades italianas.
Em 14 de Maio de 1884, o novo Arcebispo de Nápoles, Guilherme Sanfelice, consagrou o Santuário dedicado ao Sagrado Coração, construído ao lado da Casa Mãe das Servas do Sagrado Coração de Jesus’.
Catarina foi, várias vezes, a Roma para se encontrar com o Papa Leão XIII, que a estimulou a seguir em frente com o seu Instituto. A sua aprovação pontifícia foi decretada, em 1911, pelo Papa São Pio X.
A participação de Catarina no Primeiro Congresso Eucarístico Nacional, celebrado em Nápoles, em 1891, foi um acto culminante do apostolado da fundadora e das Servas do Sagrado Coração de Jesus.
Catarina morreu no dia 28 de Dezembro de 1894, em Nápoles, com 55 anos de idade. Antes de falecer, deixou uma carta aos seus familiares, na qual dizia: "Iluminada por Deus bendito, na sua infinita misericórdia, acima da vaidade do mundo e do dever de gastar-me total e unicamente no servir a Deus, meu Criador, Redentor e Benfeitor, segundo o seu beneplácito, a Ele consagrei e paguei o ser e o que Ele me deu".
Catarina Volpicelli foi beatificada pelo Papa João Paulo II, no dia 29 de Abril de 2001. E foi canonizada pelo Papa Bento XVI, no dia 26 de Abril de 2009. Na Homilia da celebração, o Papa disse: “…Testemunha do amor divino foi também Santa Caterina Volpicelli, que se esforçou por "ser de Cristo, para conduzir a Cristo" quantos teve a ventura de encontrar na Nápoles nos finais do séc. XIX, num tempo de crise espiritual e social. Também para ela o segredo foi a Eucaristia. Recomendava às suas primeiras colaboradoras que cultivassem uma intensa vida espiritual na oração e, sobretudo, o contacto vital com Jesus eucarístico. Esta é também hoje a condição para prosseguir a obra e a missão por ela iniciada e deixada em herança às "Servas do Sagrado Coração". Para ser autênticas educadoras da fé, desejosas de transmitir às novas gerações os valores da cultura cristã, é indispensável, como gostava de repetir, libertar Deus das prisões nas quais os homens o colocaram. De facto, só no Coração de Cristo a humanidade pode encontrar a sua "morada permanente". Santa Caterina mostra às suas filhas espirituais e a todos nós, o caminho exigente de uma conversão que mude radicalmente o coração, e se transforme em acções coerentes com o Evangelho. Assim é possível lançar as bases para construir uma sociedade aberta à justiça e à solidariedade, superando aquele desequilíbrio económico e cultural que continua a subsistir em grande parte do nosso planeta…”

A sua memória litúrgica celebra-se no dia 28 de Dezembro.  

segunda-feira, 18 de dezembro de 2017

EM DESTAQUE


- CELEBRAÇÃO DO NATAL DE JESUS



Dentro de 8 dias, a Igreja celebra o Natal de Jesus. É uma festa vivida pelos cristãos do mundo inteiro e com grande influência festiva mesmo para aqueles que não são cristãos ou não têm fé. Em todo o mundo, há sinais de festa, de solidariedade, de partilha, de atenção aos mais pobres provocados pela força desta memória cristã.
Contudo, não podemos esquecer que a verdadeira Festa de Natal é Jesus que, sendo Deus, se fez carne, um no meio de nós, para nos transmitir a alegria e a paz do céu. Nesse mistério de um Deus connosco, o Filho de Deus fez-se criança, pequeno, humilde e pobre para transformar o mundo através da caridade e da misericórdia. Para ajudar à preparação e vivência do Natal cristão, apresentamos algumas palavras da Homilia do Papa Francisco na Missa do galo, no dia 24 de Dezembro de 2016, na Basílica de São Pedro, em Roma: “… «Manifestou-se a graça de Deus, portadora de salvação para todos os homens» (Tt 2, 11). Estas palavras do Apóstolo Paulo revelam o mistério desta noite santa: manifestou-se a graça de Deus, o seu presente gratuito. No Menino que nos é dado, concretiza-se o amor de Deus por nós.
É uma noite de glória, a glória proclamada pelos anjos em Belém e também por nós em todo o mundo. É uma noite de alegria, porque, desde agora e para sempre, Deus, o Eterno, o Infinito, é Deus connosco: não está longe, não temos de O procurar nas órbitas celestes nem em qualquer ideia mística; está próximo, fez-Se homem e não Se separará jamais desta nossa humanidade que assumiu. É uma noite de luz: a luz, profetizada por Isaías e que havia de iluminar quem caminha em terra tenebrosa (cf. 9, 1), manifestou-se e envolveu os pastores de Belém (cf. Lc 2, 9).
Os pastores descobrem, pura e simplesmente, que «um menino nasceu para nós» (Is 9, 5) e compreendem que toda aquela glória, toda aquela alegria, toda aquela luz se concentram num único ponto, no sinal que o anjo lhes indicou: «Encontrareis um menino envolto em panos e deitado numa manjedoura» (Lc 2, 12). Este é o sinal de sempre para encontrar Jesus; não só então, mas hoje também. Se queremos festejar o verdadeiro Natal, contemplemos este sinal: a simplicidade frágil dum pequenino recém-nascido, a mansidão que demonstra no estar deitado, a ternura afectuosa das fraldas que O envolvem. Ali está Deus. (…)
Deixemo-nos interpelar pelo Menino na manjedoura, mas deixemo-nos interpelar também pelas crianças que, hoje, não são reclinadas num berço, nem acariciadas pelo carinho duma mãe e dum pai, mas jazem nas miseráveis «manjedouras de dignidade»: no abrigo subterrâneo para escapar aos bombardeamentos, na calçada duma grande cidade, no fundo dum barco sobrecarregado de migrantes. Deixemo-nos interpelar pelas crianças que não se deixam nascer, as que choram porque ninguém lhes sacia a fome, aquelas que na mão não têm brinquedos, mas armas.
O mistério do Natal, que é luz e alegria, interpela e mexe connosco, porque é um mistério de esperança e simultaneamente de tristeza. Traz consigo um sabor de tristeza, já que o amor não é acolhido, a vida é descartada. Assim acontece a José e Maria, que encontraram as portas fechadas e puseram Jesus numa manjedoura, «por não haver lugar para eles na hospedaria» (Lc 2, 7). Jesus nasce rejeitado por alguns e na indiferença da maioria. E a mesma indiferença pode reinar também hoje, quando o Natal se torna uma festa onde os protagonistas somos nós, em vez de ser Ele; quando as luzes do comércio põem na sombra a luz de Deus; quando nos afanamos com as prendas e ficamos insensíveis a quem está marginalizado. Esta mundanidade fez refém o Natal; é preciso libertá-lo!
Mas o Natal tem sobretudo um sabor de esperança, porque, não obstante as nossas trevas, resplandece a luz de Deus. A sua luz gentil não mete medo; enamorado por nós, Deus atrai-nos com a sua ternura, nascendo pobre e frágil no nosso meio, como um de nós. Nasce em Belém, que significa «casa do pão»; deste modo parece querer dizer-nos que nasce como pão para nós; vem à nossa vida, para nos dar a sua vida; vem ao nosso mundo, para nos trazer o seu amor. Vem, não para devorar e comandar, mas alimentar e servir. Há, pois, uma linha direta que liga a manjedoura e a cruz, onde Jesus será pão repartido: é a linha direta do amor que se dá e nos salva, que dá luz à nossa vida, paz aos nossos corações. (…)
Entremos no verdadeiro Natal com os pastores, levemos a Jesus aquilo que somos, as nossas marginalizações, as nossas feridas não curadas, os nossos pecados. Assim, em Jesus, saborearemos o verdadeiro espírito do Natal: a beleza de ser amado por Deus. Com Maria e José, paremos diante da manjedoura, diante de Jesus que nasce como pão para a minha vida. Contemplando o seu amor humilde e infinito, digamos-Lhe pura e simplesmente obrigado: Obrigado, porque fizestes tudo isto por mim!»...” (cf. Santa Sé)


- FELIZ NATAL



A todos os nossos leitores; aos habitantes da nossa cidade de Santa Maria da Feira; a todos os homens e mulheres de boa vontade, crentes e não crentes, desejamos que este tempo de NATAL - e a sua vivência festiva - seja tempo de LUZ e de PAZ, de COMUNHÃO e de ESPERANÇA, de PARTILHA e de BÊNÇÃO.
FELIZ E SANTO NATAL, com JESUS e com os IRMÃOS.

DA PALAVRA DO SENHOR


- III DOMINGO DO ADVENTO
        
“…O espírito do Senhor está sobre mim,
 porque o Senhor me ungiu e me enviou
 a anunciar a boa nova aos pobres,
 a curar os corações atribulados,
 a proclamar a redenção aos cativos
 e a liberdade aos prisioneiros,
 a promulgar o ano da graça do Senhor…” (cf. Isaías 61, 1-2a )

PALAVRA DO PAPA FRANCISCO


- na Audiência - Geral, na Praça de São Pedro, Roma no dia 6 de Dezembro

Estimados irmãos e irmãs, bom dia!
Retomando o caminho das catequeses sobre a Missa, hoje perguntemo-nos: por que vamos à Missa, aos Domingos?
A celebração dominical da Eucaristia está no centro da vida da Igreja (cf. Catecismo da Igreja Católica, n. 2177). Nós, cristãos, vamos à Missa, aos Domingos, para encontrar o Senhor Ressuscitado, ou melhor, para nos deixarmos encontrar por Ele; ouvir a sua palavra; alimentar-nos à sua mesa; e, assim, tornarmo-nos Igreja, isto é, o seu Corpo místico, vivo no mundo.
Desde o princípio, os discípulos de Jesus compreenderam isto e celebravam o encontro eucarístico com o Senhor no dia da semana a que os judeus chamavam “o primeiro da semana” e os romanos “dia do sol”, porque, naquele dia, Jesus tinha ressuscitado dos mortos e aparecido aos discípulos, falando com eles, comendo com eles, concedendo-lhes o Espírito Santo (cf. Mt 28, 1; Mc 16, 9.14; Lc 24, 1.13; Jo 20, 1.19), como ouvimos na leitura bíblica. Também a grande efusão do Espírito, no Pentecostes, teve lugar no Domingo, cinquenta dias depois da Ressurreição de Jesus. Por estas razões, o Domingo é um dia santo para nós, santificado pela celebração eucarística, presença viva do Senhor entre nós e para nós. Portanto, é a Missa que faz o Domingo cristão! O Domingo cristão gira em volta da Missa. Que Domingo é, para o cristão, aquele no qual falta o encontro com o Senhor?
Existem comunidades cristãs que, infelizmente, não podem beneficiar da Missa todos os Domingos; no entanto, também elas, neste dia santo, são chamadas a recolher-se em oração em nome do Senhor, ouvindo a Palavra de Deus e mantendo vivo o desejo da Eucaristia.
Algumas sociedades secularizadas perderam o sentido cristão do Domingo iluminado pela Eucaristia. Isto é pecado! Em tais contextos, é preciso reavivar esta consciência, para recuperar o significado da festa, o significado da alegria, da comunidade paroquial, da solidariedade e do descanso que revigora a alma e o corpo (cf. Catecismo da Igreja Católica, nn. 2177-2188). De todos estes valores, a Eucaristia é nossa mestra, Domingo após Domingo. Por isso, o Concílio Vaticano II quis reiterar que «o Domingo é, pois, o principal dia de festa a propor e inculcar no espírito dos fiéis; seja, também, o dia da alegria e do repouso, da abstenção do trabalho» (Const.  Sacrosanctum concilium, 106).
A abstenção dominical do trabalho não existia nos primeiros séculos: é uma contribuição específica do cristianismo. Por tradição bíblica, os judeus descansam no sábado, enquanto na sociedade romana não estava previsto um dia semanal de abstenção dos trabalhos servis. Foi o sentido cristão do viver como filhos e não como escravos, animado pela Eucaristia, que fez do Domingo - quase universalmente - o dia do descanso.
Sem Cristo, estamos condenados a ser dominados pelo cansaço do dia-a-dia, com as suas preocupações, e pelo medo do amanhã. O encontro dominical com o Senhor dá-nos a força para viver o presente com confiança e coragem, e para progredir com esperança. Por isso, nós, cristãos, vamos encontrar-nos com o Senhor aos Domingos, na celebração eucarística.
A comunhão eucarística com Jesus, Ressuscitado e Vivo eternamente, antecipa o Domingo sem ocaso, quando já não haverá cansaço, nem dor, nem luto, nem lágrimas, mas só a alegria de viver plenamente e, para sempre, com o Senhor. Inclusive, sobre este abençoado descanso, nos fala a Missa dominical, ensinando-nos, no decorrer da semana, a confiar-nos nas mãos do Pai que está nos Céus.
Como podemos responder a quem diz que não é preciso ir à Missa - nem sequer aos domingos - porque o importante é viver bem e amar o próximo? É verdade que a qualidade da vida cristã se mede pela capacidade de amar, como disse Jesus: «Por isto, todos saberão que sois meus discípulos se vos amardes uns aos outros» (Jo 13, 35). Mas, como podemos praticar o Evangelho sem absorver a energia necessária para o fazer, um domingo após o outro, da fonte inesgotável da Eucaristia? Não vamos à Missa para oferecer o que quer que seja a Deus, mas para receber d’Ele aquilo de que verdadeiramente temos necessidade. Recorda-o a oração da Igreja, que assim se dirige a Deus: «Tu não precisas do nosso louvor, mas por um dom do teu amor chamas-nos a dar-te graças; os nossos hinos de bênção não aumentam a tua grandeza, mas obtém para nós a graça que nos salva» (Missal Romano, Prefácio comum IV).
Em síntese, por que ir à Missa aos domingos? Não é suficiente responder que é um preceito da Igreja. Isso ajuda a preservar o seu valor mas, sozinho, não basta. Nós, cristãos, temos necessidade de participar na Missa dominical, porque só com a graça de Jesus, com a sua presença viva em nós e entre nós, podemos pôr em prática o seu mandamento e, assim, ser suas testemunhas credíveis. (cf. Santa Sé)

PARA REZAR


SALMO (cf. Lucas 1…)

Refrão: A minha alma exulta no Senhor.

A minha alma glorifica o Senhor
e o meu espírito se alegra em Deus, meu Salvador,
porque pôs os olhos na humildade da sua serva:
de hoje em diante me chamarão bem-aventurada todas as gerações.

O Todo-poderoso fez em mim maravilhas:
Santo é o seu nome.
A sua misericórdia se estende de geração em geração
sobre aqueles que O temem.

Aos famintos encheu de bens
e aos ricos despediu-os de mãos vazias.
Acolheu a Israel, seu servo,
lembrado da sua misericórdia.

SANTOS POPULARES


BEATO BARTOLOMEU MARIA DO MONTE

Bartolomeu Maria Dal Monte nasceu na cidade de Bolonha, no dia 3 de Novembro de 1726. Filho de pais ricos, foi o quinto filho do casal. Mas viveu como filho único, uma vez que os seus quatro irmãos, nascidos antes dele, tinham morrido poucos dias após o nascimento. A sua mãe, Ana Maria Bassani desejou, profundamente, o seu nascimento e, para isso, fez uma promessa a São Francisco da Paula.
Bartolomeu cresceu na família, protegido com carinho e alegria, considerado o mais precioso tesouro da casa. Pelos sete anos de idade, no dia 26 de Abril de 1733, recebeu o sacramento da Confirmação, administrado pelo Arcebispo de Bolonha, Cardeal Prospero Lambertini que, em 1740, foi eleito Papa, sob o nome de Bento XIV.
Dotado de uma inteligência viva, Bartolomeu foi orientado pelos pais para o estudo das humanidades, e entrou no Colégio dos Jesuítas de Santa Luzia, onde descobriu a sua vocação para o sacerdócio. Esta sua decisão foi um duro golpe para os seus pais que se opuseram à concretização da sua vocação. Mas Bartolomeu, depois de ter conhecido o Padre Leonardo de Porto Maurício - o pregador franciscano das “missões”  e canonizado pela Igreja (São Leonardo)– escolheu, contra a vontade do pai, seguir o caminho do sacerdócio.
Foi ordenado sacerdote, no dia 20 de Dezembro de 1749, pelo Administrador Diocesano, enviado pelo Papa Bento XIV. Depois da ordenação, continuou os seus estudos, para obter a sua licenciatura em Teologia, tendo terminado o seu curso em 30 de Dezembro de 1751.
Depois dos primeiros anos, dedicados à aprendizagem da arte da pregação, o Padre Bartolomeu Maria do Monte empreendeu uma actividade missionária extraordinária, começando pelas paróquias da diocese de Bolonha. Depois, e ao longo dos seus 26 anos de pregação generosa, realizou a sua missão evangelizadora em 62 dioceses do Norte de Itália e da Europa Central. Pregou centenas de missões e promoveu retiros para o clero, religiosos e leigos, sendo testemunha de muitas conversões e reconciliações entre pessoas que se detestavam. A sua pregação sempre foi livre de excessos e de penitências inúteis, mas sempre usou a palavra com força, simplicidade e método, pelo que veio a ser chamado o “missionário da discrição”. Aplicava, no seu ministério, o exemplo do próprio Cristo: intransigente em proclamar a verdade; mas bondoso e compassivo com os pecadores, verdadeiro sacerdote de Deus, dedicando-se totalmente à salvação das almas, nutrindo uma grande devoção a Maria, Mãe de Misericórdia.
Em 1774, aos 48 anos, foi chamado pelo Cardeal-Vigário de Roma para pregar a missão solene, na Praça Navona, na preparação do Ano Santo de 1775 e para dirigir os exercícios espirituais do clero romano, na Igreja do Jesus.
O Papa Pio VI queria mantê-lo, permanentemente, em Roma, mas ele preferiu continuar a sua missão de evangelização entre os pobres do campo. O Arcebispo de Bolonha, que o escolhera para Reitor do Seminário, acabou, igualmente, por deixá-lo livre, para que continuasse as pregações durante as esgotantes missões que promovia.
Devorado pelo zelo apostólico, ofereceu-se para as missões na Índia mas, por causa da sua debilitada saúde, foi dissuadido disso pelos seus superiores.
Utilizando a propriedade herdada do seu pai, fundou a “Pia Obra das Missões” para dar solidez e continuidade às missões, cercando-se de colaboradores sensíveis e inteligentes. Mas, acima de tudo, ele queria que o seu trabalho fosse uma fonte de apóstolos, de padres diocesanos em plena comunhão com o bispo, totalmente disponíveis para a pregação: estava convencido de que não se podia ser autodidacta na vida difícil de pregador.
Criou estruturas adequadas para o ensino dos seus colaboradores, dando-lhes interessantes escritos espirituais, elaborados por ele mesmo. Alguns destes escritos foram publicados pelo Vaticano, em 1906.
O Padre Bartolomeu era um homem de sólida formação cultural, formado em teologia, com total dedicação a Cristo, confiado na devoção a Maria. Sempre foi um acérrimo defensor da dignidade do sacerdócio, um excelente preparador “missionário” e muito zeloso. Por isso, ainda hoje, é considerado um modelo de espiritualidade sacerdotal ao serviço da evangelização.
Apenas dois meses antes de terminar a sua existência, esgotado pelas fadigas apostólicas, durante a sua última missão, exclamou: “Eu vou morrer em Bolonha, na véspera de Natal” e, efectivamente, na sequência de complicações pulmonares, morreu no dia 24 de Dezembro de 1778, confortado pelos sacramentos e na presença do Arcebispo de Bolonha. Tinha apenas 52 anos de idade.
O seu corpo foi enterrado na Basílica de São Petrónio, em Bologna.
O Padre Bartolomeu Maria do Monte foi beatificado, em Bolonha, no dia 27 de Setembro de 1997, pelo Papa João Paulo II. Na homilia da solene celebração, o Papa disse: “… Caríssimos Irmãos e Irmãs! É este o dia da beatificação do sacerdote Bartolomeu Maria Dal Monte. A Igreja inteira, e em particular a Comunidade cristã de Bolonha que o teve por filho, alegra-se porque hoje o seu nome é inscrito, de modo solene, no «livro da vida» (Ap 21,27).
O novo Beato despendeu a sua breve existência terrena no anúncio da «palavra da verdade, o Evangelho» (Col 1,5). O Senhor serviu-Se dele e da sua fidelidade, para fazer chegar essa palavra íntegra, viva e vivificante a tantas pessoas que estavam em busca. Cumpria-se assim, também através da sua pessoa, a promessa de Jesus: «E Eu estarei sempre convosco, até ao fim do mundo» (Mt 28,20). (…)
A actividade terrena de Bartolomeu Maria Dal Monte, embora assinalada por um empenho tipicamente intraeclesial, como a pregação missionária ao povo e a formação dos sacerdotes, exerceu uma grande influência no próprio tecido civil da nação, contribuindo, de maneira eficaz, para promover nele as componentes da justiça, da concórdia e da paz. (…)
Caríssimos Irmãos e Irmãs, a beatificação de Bartolomeu Maria Dal Monte insere-se, de modo providencial, nas celebrações do Congresso Eucarístico, porque põe em grande evidência o vínculo existente entre um modo consciente de viver a espiritualidade eucarística e o empenho pessoal e eclesial na evangelização.
Na Itália do século XVIII, situações de alastrante ignorância religiosa e fenómenos de preocupante descristianização, que contagiavam cidades e zonas rurais, foram contrastadas, de modo surpreendente, por aqueles santos sacerdotes que se dedicaram, com generosidade, às missões populares. Entre eles esteve também São Leonardo de Porto Maurício que conheceu pessoalmente o Padre Bartolomeu Maria e o encorajou a empreender esta actividade pastoral.
A fama da eficácia das missões populares e da santidade e generosidade do Padre Bartolomeu difundiu-se tão rapidamente que, com dificuldade, ele conseguia atender a todos os pedidos. (…)
Na época em que a formação para o sacerdócio não conhecia o longo percurso actual do Seminário, o Padre Bartolomeu Maria intuiu a exigência de sacerdotes diocesanos que, em plena comunhão com o próprio Bispo, estivessem totalmente disponíveis para a pregação. A fim de os preparar, de modo adequado, instituiu a «Pia Obra das Missões », que se tornou um verdadeiro e próprio centro de apóstolos. (…)
Mas de onde o Padre Bartolomeu Maria recebia tanto estímulo e vigor para tão excepcional ministério? A Santa Missa, a adoração eucarística e a confissão sacramental estavam no centro da sua vida, da sua acção missionária e da sua espiritualidade. Desta piedade eucarística encontramos traços frequentes nos seus escritos, através dos quais transparece a obsessão quotidiana pela salvação das almas, prioridade do seu empenho ascético e pastoral… (…)”

A memória litúrgica do Beato Bartolomeu Maria do Monte celebra-se no dia 24 de Dezembro.

quarta-feira, 13 de dezembro de 2017

DA PALAVRA DO SENHOR


- II DOMINGO DO ADVENTO
        
“…Sobe ao alto dum monte, arauto de Sião! Grita com voz forte, arauto de Jerusalém!
 Levanta sem temor a tua voz e diz às cidades de Judá: «Eis o vosso Deus.
 O Senhor Deus vem com poder, o seu braço dominará.
 Com Ele vem o seu prémio, precede-O a sua recompensa.
 Como um pastor, apascentará o seu rebanho e reunirá os animais dispersos;
 tomará os cordeiros em seus braços; conduzirá as ovelhas ao seu descanso»…”
 (cf. Isaías 40, 9-11)

PALAVRA DO PAPA FRANCISCO


- na Audiência - Geral, na Praça de São Pedro, Roma no dia 6 de Dezembro

Estimados irmãos e irmãs, bom dia!
Hoje, gostaria de falar sobre a viagem apostólica que realizei recentemente ao Myanmar e ao Bangladesh. Foi um grande dom de Deus e, por isso, dou-lhe graças por todas as coisas, especialmente pelos encontros que pude realizar. Renovo a expressão da minha gratidão às autoridades dos dois países e aos respectivos Bispos, por todo o trabalho de preparação e pelo acolhimento reservado a mim e aos meus colaboradores. Desejo transmitir um sentido “obrigado” ao povo birmanês e bengalês, que me demonstraram tanta fé e muito afecto: obrigado!
Pela primeira vez, um sucessor de Pedro visitou o Myanmar e isto aconteceu pouco depois de terem sido estabelecidas relações diplomáticas entre esse país e a Santa Sé.
Desejei, também neste caso, exprimir a proximidade de Cristo e da Igreja a um povo que sofreu devido a conflitos e repressões e que, agora, está a caminhar lentamente rumo a uma nova condição de liberdade e de paz. Um povo no qual a religião budista está fortemente radicada, com os seus princípios espirituais e éticos, e onde os cristãos estão presentes como pequeno rebanho e fermento do Reino de Deus. Tive a alegria de confirmar na fé e na comunhão esta Igreja, viva e fervorosa, durante o encontro com os Bispos do país e nas duas celebrações eucarísticas. A primeira foi no parque desportivo, no centro de Yangon, e o Evangelho daquele dia recordou que as perseguições, por causa da fé em Jesus, são normais para os discípulos, como ocasião de testemunho, mas que “nem sequer um fio de cabelo lhes será tocado” (cf. Lc 21, 12-19). A segunda Missa, último acto da visita a Myanmar, foi dedicada aos jovens: um sinal de esperança e um dom especial da Virgem Maria, na catedral que tem o seu nome. Nos rostos daqueles jovens, cheios de alegria, vi o futuro da Ásia: um futuro que não será de quem fabrica armas, mas de quem semeia fraternidade. E, sempre em sinal de esperança, benzi as primeiras pedras de 16 igrejas, do seminário e da nunciatura: dezoito!
Além da Comunidade católica, pude encontrar-me com as Autoridades de Myanmar, encorajando os esforços de pacificação do país e fazendo votos para que todos os vários componentes da nação, sem excluir ninguém, possam cooperar para tal processo, no respeito recíproco. Neste espírito, quis encontrar-me com os representantes das diversas comunidades religiosas presentes no país. Em particular, ao Supremo Conselho dos monges budistas manifestei a estima da Igreja pela sua antiga tradição espiritual e a confiança de que cristãos e budistas, juntos, possam ajudar as pessoas a amar a Deus e ao próximo, rejeitando qualquer violência e opondo-se ao mal com o bem.
Ao deixar Myanmar, fui ao Bangladesh, onde o meu primeiro gesto foi prestar homenagem aos mártires da luta pela independência e ao “Pai da Nação”. A população do Bangladesh é, em grande parte, de religião muçulmana e, por conseguinte, a minha visita - depois das do beato Paulo VI e de São João Paulo II - deu um ulterior passo a favor do respeito e do diálogo entre o cristianismo e o islão.
Recordei às Autoridades do país que a Santa Sé apoiou, desde o início, a vontade do povo bengalês de se constituir como nação independente, assim como a exigência de que nela seja sempre tutelada a liberdade religiosa. Em particular, quis exprimir solidariedade ao Bangladesh no seu compromisso de socorrer os refugiados Rohingyas, que afluem em massa ao seu território, onde a densidade demográfica é já uma das mais elevadas do mundo.
A Missa celebrada num histórico parque de Daca foi enriquecida com a Ordenação de dezasseis sacerdotes: este foi um dos eventos mais significativos e jubilosos da viagem. De facto, tanto no Bangladesh como em Myanmar, e nos outros países do sudeste asiático, graças a Deus, não faltam vocações, sinal de comunidades vivas, nas quais ressoa a voz do Senhor que chama para o seguir. Partilhei esta alegria com os Bispos do Bangladesh e encorajei-os no seu generoso trabalho em prol das famílias, dos pobres, da educação, do diálogo e da paz social. E partilhei esta alegria com muitos sacerdotes, consagradas e consagrados do país, assim como com os seminaristas, as noviças e os noviços, nos quais vi rebentos da Igreja, naquela terra.
Em Daca vivemos um momento forte de diálogo inter-religioso e ecuménico, que me deu a oportunidade de evidenciar a abertura do coração como base da cultura do encontro, da harmonia e da paz. Também visitei a “Casa Madre Teresa”, onde a santa se hospedava quando ia àquela cidade, e que acolhe muitos órfãos e pessoas com deficiência. Lá, segundo o seu carisma, as religiosas vivem cada dia a oração de adoração e o serviço a Cristo, pobre e sofredor. E nunca falta, nos seus lábios, o sorriso: religiosas que rezam muito, que servem os sofredores e mantêm continuamente o sorriso. É um bonito testemunho. Agradeço muito a estas irmãzinhas.
O último evento foi com os jovens bengaleses, rico de testemunhos, cantos e danças. Mas como dançam bem, esses bengaleses! Sabem dançar bem! Uma festa que manifestou a alegria do Evangelho recebido por aquela cultura: uma alegria fecundada pelos sacrifícios de tantos missionários, catequistas e pais cristãos. No encontro estavam presentes, também, jovens muçulmanos e de outras religiões: um sinal de esperança para o Bangladesh, para a Ásia e para o mundo inteiro. Obrigado. (cf. Santa Sé)

PARA REZAR


SALMO 84

Refrão: Mostrai-nos o vosso amor e dai-nos a vossa salvação.

Escutemos o que diz o Senhor:
Deus fala de paz ao seu povo e aos seus fiéis.
A sua salvação está perto dos que O temem
e a sua glória habitará na nossa terra.

Encontraram-se a misericórdia e a fidelidade,
abraçaram-se a paz e a justiça.
A fidelidade vai germinar da terra
e a justiça descerá do Céu.

O Senhor dará ainda o que é bom
e a nossa terra produzirá os seus frutos.
A justiça caminhará à sua frente
e a paz seguirá os seus passos.

SANTOS POPULARES


SANTA MARIA MARAVILHAS DE JESUS PIDAL Y CHICO GUZMÁN

Maravilhas Pidal y Chico de Guzmán nasceu, em Madrid, Espanha, no dia 4 de Novembro de 1891, numa família profundamente cristã. O seu pai, Luis Pidal y Mon, segundo Marquês de Pidal, era, naquele tempo, embaixador da Espanha junto à Santa Sé.
Sentindo, desde criança, o chamamento à vida religiosa desde criança, Maravilhas pôs em prática todas as virtudes cristãs, que foram coroadas com a sua entrada no Mosteiro das Carmelitas Descalças do El Escorial, Madrid, em 1919, onde pronunciou os votos, no dia 7 de Maio de 1921. Nos primeiros anos da sua vida religiosa, Maravilhas realizou o seu ardente desejo de uma vida humilde e escondida.
Em 1923, quando ainda era professa de votos temporários, sentiu-se, em diversas ocasiões, inspirada pelo Senhor para fundar um Mosteiro Carmelita no Cerro de los Angeles, local onde o Rei Afonso XIII havia inaugurado, em 1919, um monumento ao Sagrado Coração de Jesus e feito a consagração da Espanha ao Sagrado Coração.
Em 19 de Maio de 1924, deixou o Escorial, em obediência aos seus superiores, e transferiu-se, com três religiosas suas companheiras, para Getafe, onde fundou o Mosteiro.
Nomeada, em 31 de Outubro de 1926, pelo Bispo de Madrid primeira Prioresa da nova comunidade, dirigiu o Mosteiro – construído nas proximidades do monumento a Cristo Rei - com fortaleza e doçura, instaurando uma fidelidade teresiana total, com grande espírito apostólico e profundo sentido do ideal contemplativo.
Embora respeitando a clausura, a Madre Maravilhas viveu a sua vida de contemplativa interessada nas necessidades dos menos favorecidos. Por outro lado, o seu amor pela Cruz era tão grande que tocava o heroísmo: por penitência, durante 35 anos, dormiu apenas três horas por noite, vestida e sentada no chão com a cabeça apoiada no leito.
Em 1933, oito das suas Irmãs fundaram um mosteiro de clausura, em Kottayam, na Índia, onde ela também deveria ir, mas foi impedida pelos superiores.
Por causa da revolução espanhola que ensanguentou a Espanha com a perseguição e o ódio contra tudo que se relacionasse com a religião, a Madre Maria Maravilhas de Jesus foi obrigada a deixar o Mosteiro, com todas as suas religiosas, em 22 de Julho de 1936. Acolhidas primeiramente pelas Ursulinas francesas de Getafe, em Agosto fixou-se numa casa de Madrid e, depois, levou uma vida itinerante: atravessou Valencia, Barcelona, Port-Bou, Lourdes, vindo a fixar-se em Salamanca, numa antiga ermida da Ordem do Carmo, em Las Batuecas.
Em Maio de 1939, o Mosteiro de Cerro de los Angeles foi reaberto. E dali, dirigidas e animadas por ela e graças ao maravilhoso florescimento de vocações carmelitas, partiram as Irmãs, abrindo novos Mosteiros: Mancera, Duruelo (Ávila), Cabrera, Arenas de San Pedro, Córdoba, Aravaca (Madrid), La Aldehuela, Málaga. Em 1966, restaurou e desenvolveu o Mosteiro da Encarnação de Ávila e a casa de Santa Teresa.
Graças às numerosas vocações atraídas pela sua personalidade forte, pôde enviar três Irmãs para o Mosteiro de Cuenca, no Equador, em 1954. Mandou, ainda, construir um convento e igreja para os Carmelitas Descalços, na província de Toledo.
Chamavam-na “a Santa Teresa de Jesus do século XX”.
Em 1961, retirou-se no convento de La Aldehuela, em Madrid, vivendo em inteira pobreza. Dali, dirigia o movimento e a vida quotidiana de muitos dos seus mosteiros através da sua palavra materna e do seu exemplo.
Em 1967, em Ventorro, promoveu a fundação de colégios para crianças, privadas de escola. Em 1969, conseguiu 16 casas pré-fabricadas para famílias pobres.
Em 1972 a Santa Sé aprovou a Associação de Santa Teresa, constituída por ela para os seus mosteiros: esta associação procura desenvolver iniciativas sociais, para corresponder às necessidades das populações mais carenciadas. A Madre Maravilhas foi a sua primeira presidente.
Entre 1972 e 1974, ajudou na construção de 200 habitações, Igreja e obras sociais, em Perales del Rio, colaborando com o pároco local. Com a bondade daqueles que confiavam nela e na sua obra, ajudou na construção da nova clínica para religiosas e monjas, em Pozuelo di Alarcón, Madrid.
Na Sexta-Feira Santa de 1967, foi atingida por uma pulmonite e, desde então, foi-se debilitando. Mesmo doente, nunca deixou de cumprir, com fidelidade, a Regra e as Constituições.
A Madre Maria Maravilhas de Jesus morreu no dia 11 de Dezembro de 1974, no Mosteiro de La Aldehuela, em Madrid.
Mulher notabilíssima pelas suas virtudes e pelas suas capacidades humanas, com o seu espírito de oração contemplativa; com o desejo de ajudar a Igreja e com a ânsia de salvar as almas, a Madre Maravilhas deixou um traço indelével que a tornaram fidelíssima à sua vocação e autora corajosa de obras para a glória de Deus. A sua espiritualidade exprimia-se na oração contínua; na sua pobreza excepcional e na dos seus mosteiros; na vida austera sustentada pelo trabalho que permitia manter-se e ajudar as grandes iniciativas sociais e beneficentes da Igreja.
Os seus restos mortais estão sepultados na paupérrima capela do Mosteiro de La Aldehuela.
Foi beatificada pelo João Paulo II, em 10 de Maio de 1998, na Praça de São Pedro, em Roma e canonizada, no dia 4 de Maio de 2003, por João Paulo II, em Madrid, Espanha. Na homilia, o Papa disse: “…Santa Maravilhas de Jesus viveu animada por uma fé heróica, plasmada na resposta a uma vocação austera, tendo Deus como centro da sua existência. Superadas as tristes circunstâncias da Guerra Civil espanhola, realizou novas fundações da Ordem do Carmelo presididas pelo espírito característico da reforma teresiana. A sua vida contemplativa e a clausura do mosteiro não a impediram de se dedicar às necessidades das pessoas das quais se ocupava e de promover obras sociais e caritativas ao seu redor…”

A sua memória litúrgica celebra-se no dia 11 de Dezembro.

segunda-feira, 4 de dezembro de 2017

EM DESTAQUE


- TEMPO DO ADVENTO



A Igreja inicia, neste Domingo, 3 de Dezembro, o tempo litúrgico chamado “Advento”. Esta palavra, de origem latina, significa “vinda”, “chegada”. O Advento é o tempo de preparação da vinda do Senhor: a celebração da vinda histórica de Cristo - na Festa do Natal – e a vinda de Cristo, no final dos tempos, realizando a plenitude da salvação.
O tempo do Advento começa no Domingo a seguir à Solenidade de Cristo Rei e termina na véspera do dia de Natal.
Na liturgia deste tempo, aparecem duas figuras bíblica de especial relevo: Maria e João Baptista. Ambos exprimem a vocação a que os crentes são chamados: acolher Deus e testemunha-lo na vida.
 O Tempo do Advento deveria ser marcado, na vida dos cristãos, pela vivência da esperança e da oração.
Para ajudar a nossa reflexão sobre o Advento, apresentamos a palavra do Papa Bento XVI, na oração do Angelus, do Primeiro Domingo do Advento de 2011: “…Iniciamos hoje com toda a Igreja o novo Ano litúrgico: um caminho novo de fé, para viver juntos nas comunidades cristãs, mas também, como sempre, para percorrer no âmbito da história do mundo, a fim de a abrir ao mistério de Deus, à salvação que vem do seu amor. O Ano litúrgico começa com o Tempo do Advento: tempo maravilhoso no qual desperta nos corações a expectativa do retorno de Cristo e a memória da sua primeira vinda, quando se despojou da sua glória divina para assumir a nossa carne mortal.
«Vigiai!». Este é o apelo de Jesus no Evangelho de hoje. Dirige-o não só aos seus discípulos, mas a todos: «Vigiai!» (Mt 13, 37). É uma chamada saudável a recordar-nos de que a vida não tem só a dimensão terrena, mas está projectada para um «além», como uma pequena planta que germina da terra e se abre para o céu. Uma pequenina planta pensante, o homem, dotada de liberdade e de responsabilidade, pelo que cada um de nós será chamado a prestar contas de como viveu, como utilizou as suas capacidades: se as conservou só para si ou se as fez frutificar inclusive a favor dos irmãos.
Também Isaías, o profeta do Advento, nos faz reflectir hoje com uma oração amargurada, dirigida a Deus em nome do povo. Ele reconhece as faltas da sua gente, e a um certo ponto diz: «Ninguém invocava o teu nome, nem se esforçava por se apoiar em ti; porque escondias de nós a tua face, e nos entregavas às nossas iniquidades» (Is 64, 6). Como não permanecer admirado com esta descrição? Parece reflectir certos panoramas do mundo pós-moderno: as cidades onde a vida se torna anónima e horizontal, onde parece que Deus está ausente e o homem é o único dono, como se fosse o artífice e o realizador de tudo: as construções, o trabalho, a economia, os transportes, as ciências, a técnica, parece que tudo depende só do homem. E por vezes, neste mundo que parece quase perfeito, acontecem coisas arrasadoras, ou na natureza, ou na sociedade, pelo que nós pensamos que Deus se retirou, que nos tenha, por assim dizer, abandonado a nós mesmos.
Na realidade, o verdadeiro «dono» do mundo não é o homem, mas Deus. O Evangelho diz: «Vigiai, pois, porque não sabeis quando virá o dono da casa: se à tarde, se à meia-noite, se ao cantar do galo, se de manhãzinha; não seja que, vindo inesperadamente, vos encontre a dormir» (Mc 13, 35-36). O Tempo do Advento chega todos os anos para nos recordar isto, para que a nossa vida encontre a sua orientação justa, rumo ao rosto de Deus. O rosto não de um «dono», mas de um Pai, de um Amigo. Com a Virgem Maria, que nos guia no caminho do Advento, façamos nossas as palavras do profeta. «Mas Tu, Senhor, é que és o nosso Pai. Nós somos a argila e Tu és o oleiro. Todos nós fomos modelados pelas tuas mãos» (Is 64, 7)…”


- SOLENIDADE DA IMACULADA CONCEIÇÃO



No próximo dia 8 de Dezembro, a Igreja celebra a Solenidade da Imaculada Conceição, dogma da fé católica, segundo o qual a Mãe do Jesus foi preservada do pecado desde o momento da sua concepção, ou seja, desde o instante em que começou a sua vida humana.
Em 8 de Dezembro de 1854, o Papa Pio IX, depois de receber inúmeros pedidos de bispos e fiéis de todo o mundo, perante mais de 200 cardeais, bispos, embaixadores e milhares de fiéis católicos, declarou, com sua bula “Ineffabilis Deus”: “A doutrina que sustenta que a beatíssima Virgem Maria, no primeiro instante da sua conceição, por singular graça e privilégio do Deus omnipotente, em vista dos méritos de Jesus Cristo, Salvador do género humano, foi preservada imune de toda a mancha da culpa original, é revelada por Deus e, por isso, deve ser crida firme e constantemente por todos os fiéis”.
Lembrando, neste dia, a memória do Sr. D. António Francisco dos Santos, transcrevemos um trecho da sua homilia, na Festa da Imaculada Conceição de 2016: “…A Igreja celebra hoje a solenidade litúrgica da Imaculada Conceição da Virgem Santa Maria, Padroeira de Portugal. Este é, por isso, um dia solene, um dia de graça e um dia de bênção para a Igreja e para o Mundo. Somos chamados a olhar Maria como a eleita de Deus, para ser Mãe de seu Filho e por Deus isenta de todo o pecado. Ela é a “cheia de graça”; a “bendita entre todas as mulheres” (cf. Luc 1, 28-42).
Em Maria cumpre-se o sonho de Deus, ao preparar e predispor, desde a sua conceição, a vida e o coração de uma filha de Eva para ser a Mãe do Redentor.
Em Maria concretiza-se a esperança do povo de Israel e desenha-se o caminho daqueles povos que procuram a verdade, a concórdia, o bem, a dignidade, a justiça e a paz.
Em Maria espelha-se o rosto da nova Humanidade, enriquecida pela graça de Deus, como o provam as palavras do Evangelho de hoje na saudação do Anjo, que proclama: «O Senhor está contigo, encontraste graça diante de Deus» (Luc 1, 28-30).
Maria converte-se, assim, na figura por excelência do Advento. Ela é sinal da presença de Deus no meio dos homens, ao anunciar-nos que o Natal vai acontecer. Ela abre a porta do coração humano ao sonho de Deus.
Ela é a casa e a família que Deus escolhe para que o seu Filho tenha Mãe, casa e família. Ela é esta porta que se abre para que a todas as famílias, com Maria, se renovem nas fontes da alegria do Natal e do amor vivido em família.
Ela é o modelo da Igreja, verdadeira Mãe de coração aberto, que acolhe, acompanha, educa e semeia esperança no horizonte daqueles a quem dá a vida. Ela é modelo de uma Igreja de gente feliz, porque acredita nas bem-aventuranças do evangelho e se predispõe a praticar com alegria as obras de misericórdia.
Ela é anúncio de uma nova Humanidade que ama e espera, que recebe e aceita Deus, que acolhe a Sua Palavra e a põe em prática. No horizonte da esperança de uma Humanidade que Deus salva, encontra-se a resposta de Maria: «Faça-se em mim segundo a tua Palavra» (Luc 1,38)…” (cf. Diocese do Porto)

- ORAÇÃO DO PAPA FRANCISCO
no dia 8 de Dezembro de 2013, em Roma, diante da imagem da Imaculada Conceição

Virgem Santa e Imaculada:
a Ti, que és a honra do nosso povo e a defensora atenta da nossa cidade,
nos dirigimos com confiança e amor.
Tu és a Toda Bela, ó Maria! Em Ti não há pecado.
Suscita em todos nós um renovado desejo de santidade:
brilhe na nossa palavra o esplendor da caridade,
habitem no nosso corpo pureza e castidade,
torne-se presente na nossa vida toda a beleza do Evangelho
Tu és a Toda Bela, ó Maria! Em Ti se fez carne a Palavra de Deus.
Ajuda-nos a permanecer na escuta atenta da voz do Senhor:
nunca nos deixe indiferentes ao grito dos pobres,
não nos encontre distraídos o sofrimento dos doentes e dos carecidos,
comovam-nos a solidão dos idosos e a fragilidade das crianças,
seja sempre amada e venerada por todos nós cada vida humana.
Tu és a Toda Bela, ó Maria! Em Ti, a alegria plena da vida bem-aventurada, com Deus.
Faz com que não percamos o significado do nosso caminho terreno,
ilumine os nossos dias a luz gentil da fé,
oriente os nossos passos a força consoladora da esperança,
anime o nosso coração o calor contagioso do amor
permaneçam os olhos de todos nós bem fixos em Deus, onde se encontra a verdadeira alegria.
Tu és a Toda Bela, ó Maria!
Escuta a nossa oração, escuta a nossa súplica:
haja em nós a beleza do amor misericordioso de Deus em Jesus,
seja esta divina beleza a salvar-nos e a salvar a nossa cidade e o mundo inteiro.

Amém!

DA PALAVRA DO SENHOR


- I DOMINGO DO ADVENTO
        
“…já não vos falta nenhum dom da graça,
 a vós que esperais a manifestação de Nosso Senhor Jesus Cristo.
 Ele vos tornará firmes até ao fim,
 para que sejais irrepreensíveis
 no dia de Nosso Senhor Jesus Cristo.
 Fiel é Deus, por quem fostes chamados
 à comunhão com seu Filho, Jesus Cristo, Nosso Senhor…” (1 Coríntios 1, 7-9)

PALAVRA DO PAPA FRANCISCO


- na Homilia da Missa com os Jovens de Myanmar, no dia 30 de Novembro, na Catedral de Santa Maria - Yangon

Quando já se aproxima do fim a minha visita à vossa linda terra, uno-me convosco para agradecer a Deus pelas muitas graças que recebemos nestes dias. Contemplando-vos a vós, jovens do Myanmar, e a todos aqueles que nos acompanham fora desta catedral, quero partilhar uma frase, da primeira Leitura de hoje, que ressoa dentro de mim. Tirada do profeta Isaías, é retomada por São Paulo na sua carta à jovem comunidade cristã de Roma. Escutemos, uma vez mais, estas palavras: «Como são bem-vindos os pés dos que anunciam as boas-novas!» (Rm 10, 15; cf. Is 52, 7)
Queridos jovens do Myanmar: desejo aplicar a vós estas palavras depois de ter ouvido as vossas vozes, hoje, enquanto cantáveis. Sim, bem-vindos são os vossos pés, e é bom e encorajador ver-vos, porque nos anunciais «uma boa-nova», a boa-nova da vossa juventude, da vossa fé e do vosso entusiasmo. Claro, vós sois uma boa-nova, porque sois sinais concretos da fé da Igreja em Jesus Cristo, que nos traz uma alegria e uma esperança que jamais terão fim.
Alguns interrogam-se: como é possível falar de boas-novas quando tantos sofrem, ao nosso redor? Onde estão as boas-novas, quando tanta injustiça, pobreza e miséria estende a sua sombra sobre nós e o nosso mundo? Contudo, gostaria que, deste lugar, partisse uma mensagem muito clara. Gostaria que as pessoas soubessem que vós, homens e mulheres jovens do Myanmar, não tendes medo de acreditar na boa-nova da misericórdia de Deus, porque essa boa-nova tem um nome e um rosto: Jesus Cristo. Como mensageiros desta boa-nova, estais prontos a anunciar uma palavra de esperança à Igreja, ao vosso país, ao mundo inteiro. Estais prontos a anunciar a boa-nova aos irmãos e irmãs que sofrem e precisam das vossas orações e da vossa solidariedade, mas também da vossa paixão pelos direitos humanos, pela justiça e pelo crescimento daquilo que Jesus dá: amor e paz.
Mas, gostaria, também, de vos propor um desafio. Ouvistes com atenção a primeira Leitura? Nela, São Paulo repete três vezes a palavra «sem». É uma palavra pequena, mas que nos faz pensar sobre o nosso lugar no projecto de Deus. De facto, Paulo formula três perguntas que eu gostaria de colocar, pessoalmente, a cada um de vós. A primeira: «Como hão-de acreditar sem terem ouvido falar d’Ele?» A segunda: «Como hão-de ouvir falar, sem um mensageiro que O anuncie?» A terceira: «Como há-de um mensageiro anunciar, sem ser enviado?» (cf. Rm 10, 14-15).
Gostaria que todos vós pensásseis, profundamente, nestas três questões. Mas, não tenhais medo! Como pai (talvez fosse melhor dizer avô!) benévolo, não quero deixar-vos sozinhos perante tais perguntas. Permiti oferecer-vos alguns pensamentos que vos podem guiar no caminho da fé e ajudar-vos a discernir aquilo que o Senhor está a pedir-vos.
A primeira pergunta de São Paulo é: «Como hão-de acreditar sem terem ouvido falar d’Ele?». O nosso mundo está cheio de tantos ruídos e distrações que podem sufocar a voz de Deus. Para que outros sejam chamados a ouvir falar d’Ele e a crer n’Ele, precisam de O encontrar em pessoas que sejam autênticas, pessoas que sabem como ouvir. Certamente, é o que vós quereis ser. Mas, só o Senhor pode ajudar-vos a ser genuínos. Por isso, falai com Ele na oração. Aprendei a ouvir a sua voz, falando serenamente com Ele no íntimo do vosso coração.
Mas, falai também com os Santos, com os nossos amigos no Céu que vos podem inspirar. Como Santo André, que hoje festejamos. Era um simples pescador e tornou-se um grande mártir, uma testemunha do amor de Jesus. Mas, antes de se tornar um mártir, cometeu os seus erros e precisou de ser paciente, aprendendo gradualmente como ser um verdadeiro discípulo de Cristo. Também vós, não tenhais medo de aprender com os vossos erros! Possam os Santos guiar-vos até Jesus, ensinando-vos a colocar as vossas vidas nas mãos d’Ele. Sabeis que Jesus é cheio de misericórdia. Então, partilhai com Ele tudo o que tendes no coração: os medos e as preocupações, os sonhos e as esperanças. Cultivai a vida interior, como faríeis com um jardim ou um campo. Isso requer tempo, requer paciência. Mas, como um agricultor sabe esperar o crescimento da seara, assim também a vós: se tiverdes paciência, o Senhor conceder-vos-á a graça de produzir muito fruto, um fruto que depois podereis partilhar com os outros.
A segunda pergunta de Paulo é: «Como hão-de ouvir falar, sem um mensageiro que O anuncie?». Eis aqui uma grande tarefa, confiada especialmente aos jovens: ser «discípulos missionários», mensageiros da boa-nova de Jesus, sobretudo para os da vossa idade e os vossos amigos. Não tenhais medo de gerar confusão, de colocar perguntas que levem as pessoas a pensar! Nem tenhais medo se, às vezes, notardes que sois poucos e dispersos por aqui e por ali. O Evangelho cresce sempre a partir de pequenas raízes. Por isso, fazei-vos ouvir! Gostaria de vos pedir para gritar, mas não com a voz; gostaria que gritásseis com a vida, com o coração, de modo a ser sinais de esperança para quem está desanimado; uma mão estendida para quem está doente; um sorriso acolhedor para quem é estrangeiro; um apoio carinhoso para quem está sozinho.
A última pergunta de Paulo é: «Como há-de um mensageiro anunciar, sem ser enviado?». No final da Missa, seremos todos enviados a partilhar com os outros os dons que recebemos. Isto poderia ser um pouco desanimador, já que nem sempre sabemos aonde nos pode enviar Jesus. Mas, Ele nunca nos envia sem, ao mesmo tempo, caminhar ao nosso lado e sempre um pouco à nossa frente, para nos introduzir em novas e magníficas partes do seu Reino.
No Evangelho de hoje, como é que o Senhor envia André e o seu irmão Simão Pedro? Dizendo-lhes: «Segui-Me» (Mt 4, 19). Eis aqui o que significa o envio: não atirar-se para a frente com as próprias forças, mas seguir Cristo! O Senhor convidará alguns de vós a segui-Lo como sacerdotes, tornando-se assim «pescadores de homens». A outros, chamá-los-á para se tornarem pessoas consagradas. E, a outros ainda, chamá-los-á à vida matrimonial para serem pais e mães amorosos. Seja qual for a vossa vocação, exorto-vos: sede corajosos!… Sede generosos e, sobretudo, sede alegres!
Aqui, nesta linda catedral, dedicada à Imaculada Conceição, encorajo-vos a olhar para Maria. Quando disse sim à mensagem do anjo, Ela era jovem como vós. Mas, teve a coragem de confiar na boa-nova que ouvira e de a traduzir numa vida de fiel dedicação à sua vocação, de total doação de Si mesma e de completo abandono à solicitude amorosa de Deus. Como Maria, possais ser todos dóceis mas corajosos em levar Jesus e o seu amor aos outros!
Queridos jovens, com grande afecto, confio todos vós e vossas famílias à sua intercessão materna. E peço, por favor, que vos lembreis de rezar por mim. Myanmar pyi ko Payarthakin Kaung gi pei pa sei [Deus abençoe o Myanmar]!  (cf. Santa Sé)

PARA REZAR


SALMO 79

Refrão: Senhor nosso Deus, fazei-nos voltar,
             mostrai-nos o vosso rosto e seremos salvos.

Pastor de Israel, escutai,
Vós que estais sentado sobre os Querubins, aparecei.
Despertai o vosso poder
e vinde em nosso auxílio.

Deus dos Exércitos, vinde de novo,
olhai dos céus e vede, visitai esta vinha.
Protegei a cepa que a vossa mão direita plantou,
o rebento que fortalecestes para Vós.

Estendei a mão sobre o homem que escolhestes,
sobre o filho do homem que para Vós criastes;
e não mais nos apartaremos de Vós:
fazei-nos viver e invocaremos o vosso nome.

SANTOS POPULARES


BEATO MARCO ANTÓNIO DURANDO

Marco Antonio nasceu no dia 22 de Maio de 1801, em Mondoví, Piemonte – Itália, na ilustre família dos Durando, cuja casa dava para a Praça Maior e ficava perto da Catedral e da igreja da Missão. Ao contrário da sua mãe - que era pessoa muito piedosa e que inspirou a religiosidade e a fé no coração dos seus oito filhos - o pai tinha ideias liberais e era de tendência laica e agnóstica. Dois dos seus filhos, Santiago e João, professaram tais convicções e tiveram a sua parte nos sucessos do ‘risorgimento’ italiano [foi um movimento, na história italiana, que procurou, entre 1815 e 1870, unificar o país, que era, então, um conjunto de pequenos Estados, submetidos a potências estrangeiras]. Ocuparam postos de destaque na vida política e militar: Santiago foi ministro dos assuntos exteriores no governo Rattazzi, em 1862; João foi general e chefe das tropas pontifícias; em 1848, desobedeceu às ordens do Papa Pio IX e levou as tropas pontifícias mais à frente do Correio, para fechar o passo aos austríacos. Tendo voltado ao exército piemontês, participou com Carlos Alberto na batalha de Novara, na expedição à Crimeia e nas guerras da independência.
Marco Antonio saiu mais à mãe. Aos 15 anos, manifestou o desejo de partir como missionário para China. Entrou na Congregação da Missão que, na altura, estava a consolidar-se em Itália. Aos 18 anos, emitiu os votos perpétuos e, em 12 de Junho de 1824, foi ordenado sacerdote. Durante cinco anos, permaneceu em Casale Monferrato e depois, de 1829 até à sua morte, na casa de Turim, onde - dois anos depois de ter chegado - foi nomeado superior da casa. Em lugar de ir à China, o seu ministério realizou-se nas missões populares, pregando a paixão missionária do anúncio de Cristo. Sustentou e difundiu a recém-nascida obra da Propagação da Fé, instituída em Lyon, em 1822. Na plenitude da sua responsabilidade como Visitador, em 1855, inaugurou o colégio Brignole-Sale para as missões estrangeiras, com o objetivo de formar sacerdotes para as missões ‘ad gentes’.
Nos primeiros anos de sacerdócio, o seu dinamismo missionário foi orientado para as missões populares, que pregou em muitas aldeias de Piamonte. Fugindo dos extremismos, tanto do laxismo como do rigorismo jansenista, o Padre Durando pregou a misericórdia de Deus, atraindo muita gente à conversão: «A multidão - relatou um cronista da missão de Bra - amontoava-se para ouvi-lo e estava tão silenciosa e atenta ouvindo-o como se fosse um único homem». Nestas missões, não se limitou a pregar mas, onde encontrava situações graves de pobreza - de acordo com os irmãos sacerdotes - actuava de modo concreto. Na Locana, por exemplo, fez «converter todo o legado económico da missão - que consistia em 700 liras - em farinha de milho para os pobres do povo», praticando assim o ensino de São Vicente de Paulo de actuar espiritual e corporalmente em favor dos pobres.
A preocupação pelos pobres foi outra face da sua paixão missionária. Pouco depois de ter sido eleito Superior, sentiu a necessidade de introduzir, na Itália do norte, a Congregação das Filhas da Caridade, nascidas do carisma da caridade de São Vicente de Paulo e de Santa Luísa de Marillac. Estas Irmãs, depois de terem sido dispersadas, na época da revolução francesa, tinham começado a reorganizar-se. As aparições, em 1830, da Medalha Milagrosa a Santa Catalina Labouré, noviça das Filhas da Caridade, podem considerar-se como a origem do novo florescimento que estava a acontecer nesta Congregação. A inteligência do Padre Durando levou-o a trazê-las para o Piemonte. O rei Carlos Alberto, em 1833, acolheu-as e elas começaram a assumir a responsabilidade de vários hospitais, tanto os militares de Turim e Gênova, como os civis de Carignano, Castellamonte e Turim. Em 1855, o Padre Durando enviou-as para a Crimeia a fim de prestarem assistência aos militares feridos em combate. Ao mesmo tempo, através da sua pregação, difundiu a associação mariana da ‘Medalha Milagrosa’ entre as jovens. Nesta associação nasceram novas vocações: no breve espaço de dez anos, surgiram 20 fundações e entraram na vida religiosa mais de 260 irmãs. O número das vocações era tão transbordante que Carlos Alberto pôs ao seu dispor, em 1837, o convento de São Salvário, em Turim. Graças ao crescimento do número das Irmãs, o Padre Durando dotou a cidade do Turim de uma rede de centros de caridade, chamados ‘Misericórdias’. As Irmãs destes centros de caridade saíam para prestar serviço domiciliário e ajuda aos mais pobres. Ao redor das Misericórdias surgiram diferentes obras, como as primeiras creches para crianças pobres, oficinas para raparigas e orfanatos. As Filhas da Caridade foram extraordinárias impulsionadoras do desenvolvimento do catolicismo social na Itália, graças à sua obra de assistência aos doentes e aos pobres, dedicando-se, ao mesmo tempo, a variadas obras educativas.
Em 1837, com apenas 36 anos, foi considerado como o mais dedicado Visitador (nome dado ao superior maior) da Província do norte da Itália, dos Missionários Vicentinos. Ocupou este cargo durante 43 anos ininterruptos, até à sua morte. Por isso, teve que diminuir a sua participação nas missões. O seu tempo foi inteiramente absorvido pela organização da Congregação dos Missionários Vicentinos e a pela pregação de exercícios espirituais aos sacerdotes e clérigos da diocese do Turim. A qualidade da sua direcção espiritual atraiu, também, a atenção das novas fundações que estavam a surgir em Turim. O Arcebispo, Dom Fransoni, confiou-lhe a direcção da Congregação das Irmãs de São José, recentemente chegadas a Itália. Colaborou na redacção da Regra das Irmãs da Santa Ana. Foi director espiritual das Clarissas Capuchinhas, no novo Mosteiro de Santa Clara. A Marquesa de Barolo, que tinha fundado um mosteiro para a recuperação de raparigas abandonadas - as Irmãs Penitentes de Santa Madalena – convidou-o para ser conselheiro na redacção das constituições da congregação e director da obra.
O Padre Marco António fundou, em 21 de Novembro de 1865, a Congregação das Irmãs Nazarenas, com o nome oficial de “Companhia da Paixão de Jesus Nazareno”. Neste dia, celebração da Apresentação de Nossa Senhora, o Padre Durando pôde confiar à serva de Deus, Luísa Borgiotti, as primeiras postulantes da nova congregação, cujos membros eram jovens que se dirigiram a ele, desejosas de se consagrar a Deus mas que careciam de alguns dos requisitos canónicos para poder entrar nas comunidades religiosas. A sua missão era servir os que sofrem - como membros enfermos de Cristo crucificado – prestando-lhes assistência, nas suas próprias casas, dia e noite. Esta obra era de tal modo novidade, inovadora e original que um cónego da Catedral exclamou: «Se o Padre Durando viesse ter comigo para se confessar, em consciência não me sentiria com capacidade para o absolver». E, entretanto, graças à caridade destas irmãs - que souberam estar junto dos doentes e dos moribundos com delicadeza, discrição e fé, porque contemplavam nos que sofriam o sofrimento do Senhor - produziram-se algumas conversões significativas como as de Guido Gozzano, de Felice Raccagni, de Sofia Graf e de Anni Vivanti.
O Padre Durando morreu no dia 10 de Dezembro de 1880: tinha 79 anos. Os seus restos mortais estão sepultados no pequeno Santuário da Paixão, anexo à Igreja da Visitação de Turim, onde a comunidade das Irmãs Nazarenas se nutriu da devoção à Paixão do Senhor para se dedicarem, de forma verdadeiramente missionária, ao serviço dos que sofrem.
Marco António Durando foi beatificado, em Roma, pelo Papa João Paulo II, no dia 21 de Outubro de 2002. Na homilia da celebração, o Papa disse: “… Uma profunda aspiração missionária caracterizou, também, a vida do Beato Marco António Durando. É-me grato saudar o Cardeal Severino Poletto, Arcebispo de Turim, juntamente com os Padres da Congregação da Missão e com quantos fazem parte da grande Família religiosa vicentina, que festeja a inscrição de um dos seus membros mais ilustres no álbum dos Santos. Definido por um dos seus irmãos religiosos como "o São Vicente da Itália", ele brilhou pela sua extraordinária caridade, que soube infundir em todas as obras em que pôde participar: da actividade de governo da comunidade, às missões populares; da animação das Filhas da Caridade, à iniciativa das "Misericórdias", uma verdadeira e própria antecipação dos modernos centros de escuta e de contínua assistência a domicílio dos doentes.
Como ainda temos necessidade desta profunda referência às raízes da caridade e da evangelização! Segundo o exemplo do Beato Marco António, saibamos pôr-nos, por nossa vez, ao serviço dos pobres e dos necessitados que, infelizmente, não faltam nem sequer na actual sociedade do bem-estar…”
A memória litúrgica do Beato Marco António Durando celebra-se no dia 10 de Dezembro.