PALAVRA COM SENTIDO

PALAVRA COM SENTIDO

“…Hás-de temer o Senhor, teu Deus…” (cf. Deuteronómio 6, 2)

Só Deus é Deus e Senhor. E não há outro Deus a quem amar, servir, adorar, acreditar, rezar, agradecer… Temer o Senhor não é ‘ter medo de Deus’. Não precisamos ter medo de Deus: Ele é amor, perdão, misericórdia, alegria, paz, salvação e esperança… Temer o Senhor é reconhecer a grandeza do seu poder; a santidade do seu nome; a ternura que nos dedica; a alegria da vida que nos oferece. Temer o Senhor é acolher a sua Palavra; cumprir os seus mandamentos; responder com fidelidade aos seus apelos; confiar na sua promessa e anunciá-la com a bondade dos nossos gestos. Quem ‘teme a Deus’ procura fazer tudo para não pecar contra ele; fazer nascer no coração o receio e a tristeza de o poder ofender. O apelo feito pela palavra de Deus aponta-nos o caminho da verdade, da justiça, da caridade, da compaixão. Uma grande exigência que nos trará a felicidade e a bênção.

domingo, 20 de agosto de 2017

PALAVRA DO PAPA FRANCISCO


- na Audiência-Geral, na Praça de São Pedro – Roma, no dia 9 de Agosto

Bom dia, diletos irmãos e irmãs!
Ouvimos a reacção dos comensais de Simão, o fariseu: «Quem é este homem que até perdoa os pecados?» (Lc 7, 49). Jesus acabou de fazer um gesto escandaloso. Uma mulher da cidade, que todos conheciam como uma pecadora, entrou na casa de Simão, inclinou-se aos pés de Jesus e derramou sobre os seus pés o óleo perfumado. Todos aqueles que estavam ali à mesa murmuravam: se Jesus é um profeta, não deveria aceitar gestos deste tipo de uma mulher como aquela. Estas mulheres, desventuradas, que só serviam para ser encontradas às escondidas, inclusive pelos chefes, ou para ser lapidadas. Segundo a mentalidade dessa época, entre o santo e o pecador, entre o puro e o impuro, a separação devia ser clara.
Mas, a atitude de Jesus é diferente. Desde o início do seu ministério na Galileia, Ele aproxima-se dos leprosos, dos endemoninhados, de todos os doentes e dos marginalizados. Um comportamento deste tipo não era nada habitual, a ponto que esta simpatia de Jesus pelos excluídos, pelos “intocáveis”, será uma das atitudes que mais desconcertarão os seus contemporâneos. Onde há uma pessoa que sofre, Jesus cuida dela e aquele sofrimento torna-se seu. Jesus não apregoa que a condição de pena deve ser suportada com heroísmo, à maneira dos filósofos estoicos. Jesus compartilha a dor humana, e quando se depara com ela, do seu íntimo irrompe aquela atitude que caracteriza o cristianismo: a misericórdia. Diante da dor humana, Jesus sente misericórdia; o coração de Jesus é misericordioso. Jesus experimenta compaixão. Literalmente: Jesus sente tremer as suas entranhas. Quantas vezes nos Evangelhos encontramos reacções deste género. O coração de Cristo encarna e revela o coração de Deus, e onde há um homem ou uma mulher que sofre, Ele quer a sua cura, a sua libertação, a sua vida plena.

É por isso que Jesus abre, de par em par, os braços aos pecadores. Quanta gente perdura ainda hoje numa vida errada, porque não encontra ninguém disposto a olhar para ele ou para ela de modo diverso, com os olhos, melhor, com o coração de Deus, ou seja, olhar para eles com esperança. Jesus, ao contrário, vê uma possibilidade de ressurreição até em quantos acumularam muitas escolhas equivocadas. Jesus está sempre ali, com o coração aberto; escancara aquela misericórdia que tem no coração; perdoa, abraça, compreende, aproxima-se: Jesus é assim!
Às vezes, esquecemos que para Jesus não se tratou de um amor fácil, barato. Os Evangelhos frisam as primeiras reacções negativas em relação a Jesus, precisamente quando Ele perdoa os pecados de um homem (cf. Mc 2, 1-12). Era um homem que sofria duplamente: porque não podia caminhar e porque se sentia “errado”. E Jesus entende que a segunda dor é maior do que a primeira, a ponto que o recebe imediatamente com um anúncio de libertação: «Filho, os teus pecados te são perdoados!» (v. 5). Liberta-o daquela sensação de opressão de se sentir errado. Então, alguns escribas — aqueles que se julgam perfeitos: penso em tantos católicos que se consideram perfeitos e desprezam os outros... isto é triste... — alguns escribas ali presentes escandalizam-se com aquelas palavras de Jesus, que soam como uma blasfémia, porque somente Deus pode perdoar os pecados.
Nós que estamos habituados a experimentar o perdão dos pecados, talvez “a um preço muito baixo”, deveríamos recordar-nos, de vez em quando, de quanto custamos ao amor de Deus. Cada um de nós custou bastante: a vida de Jesus! Ele tê-la-ia dado até por um só de nós. Jesus não vai para a cruz porque cura os enfermos, porque prega a caridade, porque proclama as bem-aventuranças. O Filho de Deus vai para a cruz sobretudo porque perdoa os pecados, porque quer a libertação total e definitiva do coração do homem. Porque não aceita que o ser humano consuma toda a sua existência com esta “tatuagem” indelével, com o pensamento de não poder ser recebido pelo coração misericordioso de Deus. E, com estes sentimentos, Jesus vai ao encontro dos pecadores, que somos todos nós.
Assim, os pecadores são perdoados. Não só tranquilizados a nível psicológico, porque libertados do sentido de culpa. Jesus faz muito mais: oferece, às pessoas que erraram, a esperança de uma vida nova. “Mas, Senhor, eu sou um miserável” — “Olha para a frente e Eu dou-te um coração novo”. Esta é a esperança que Jesus nos oferece. Uma vida marcada pelo amor. Mateus, o publicano, torna-se apóstolo de Cristo: Mateus, que é um traidor da pátria, um explorador do povo. Zaqueu, rico corrupto — ele certamente tinha um diploma em suborno — de Jericó, transforma-se num benfeitor dos pobres. A mulher da Samaria, que teve cinco maridos e agora vive com outro, ouve a promessa da “água viva” que poderá jorrar para sempre dentro dela (cf. Jo 4, 14). Deste modo, Jesus muda o coração; faz assim com todos nós.
É bom pensar que Deus não escolheu como primeira massa, para formar a sua Igreja, pessoas que nunca erravam. A Igreja é um povo de pecadores que experimentam a misericórdia e o perdão de Deus. Pedro entendeu mais verdades sobre si mesmo ao canto do galo, do que dos seus impulsos de generosidade, que lhe enchiam o peito, levando-o a sentir-se superior em relação aos outros.
Irmãos e irmãs, todos nós somos pobres pecadores, necessitados da misericórdia de Deus, que tem a força de nos transformar e restituir esperança, e isto todos os dias. E fá-lo! E às pessoas que entenderam esta verdade basilar, Deus confia a missão mais bonita do mundo, ou seja, o amor aos irmãos e às irmãs, e o anúncio de uma misericórdia que Ele não nega a ninguém. E esta é a nossa esperança. Vamos em frente com esta confiança no perdão, no amor misericordioso de Jesus. (cf. Santa Sé)


PARA REZAR


SALMO 84

Refrão: Mostrai-nos o vosso amor, dai-nos a vossa salvação.

Deus fala de paz ao seu povo e aos seus fiéis
e a quantos de coração a Ele se convertem.
A sua salvação está perto dos que O temem
e a sua glória habitará na nossa terra.

Encontraram-se a misericórdia e a fidelidade,
abraçaram-se a paz e a justiça.
A fidelidade vai germinar da terra
e a justiça descerá do Céu.

O Senhor dará ainda o que é bom
e a nossa terra produzirá os seus frutos.
A justiça caminhará à sua frente
e a paz seguirá os seus passos.

SANTOS POPULARES


SANTA CLARA DA CRUZ

Clara nasceu no ano de 1268, em Montefalco, cidade da Úmbria, na Itália. Era filha de Damião e Jacobina Vengente, que tiveram quatro filhos.
A sua irmã mais velha, Joana, de 20 anos, juntamente com a sua amiga Andreia, fundou uma ermida onde se dedicava a uma vida de oração e sacrifício. Em 1274, o bispo de Spoleto permitiu que Joana recebesse mais jovens no seu pequeno eremitério.
Aos 5 anos, Clara pediu a Joana que a admitisse na pequena comunidade que ela dirigia. Joana atendeu ao pedido da irmã um ano mais tarde. Assim, Clara, com seis anos, começou a fazer parte da Ordem Terceira de São Francisco.
Em 1278, a comunidade já tinha crescido tanto, que tiveram que construir uma ermida maior, fora da cidade. Começou, então, uma campanha contra elas. Uma verdadeira perseguição, não só por parte dos leigos da cidade, como também pelos Franciscanos do lugar, que diziam que a cidade era muito pequena para ter outra comunidade que vivia pedindo esmolas. O Senhor, porém, que é justo, moveu o oficial do ducado a votar em seu favor e elas permaneceram na cidade. Entretanto, a ermida ficou por acabar. A comunidade não teve dinheiro suficiente para pôr o telhado. Por isso, os membros da comunidade passavam frio e fome; sustentada pela sua fé, que era mais forte do que as perseguições e as adversidades.
Em 1290, Clara, a sua irmã Joana e as suas companheiras decidiram entrar na vida monástica, no mais rigoroso sentido. O bispo indicou-lhe, então, o Mosteiro de Montefalco que era regido pela regra de Santo Agostinho. Clara faz os seus votos de pobreza, castidade e obediência, convertendo-se numa religiosa agostiniana. A sua irmã foi eleita a primeira abadessa e a sua pequena ermida foi dedicada como um mosteiro.
Joana faleceu no dia 22 de Novembro de 1291 e Clara foi eleita abadessa. Inicialmente, Clara não aceitou esta eleição; porém, depois da intervenção do bispo de Spoleto, aceitou, finalmente, movida pelo sentido da obediência evangélica.
O ano de 1294 foi decisivo para a vida espiritual de Clara. Na celebração da Epifania, depois de fazer uma confissão geral diante das suas ‘filhas’, entrou em êxtase e assim permaneceu por várias semanas. Impossibilitada de comer, as religiosas mantinham a sua Madre Abadessa dando-lhe água açucarada. Depois, Clara contou que tinha tido uma visão na qual se viu sendo julgada diante de Deus.
Clara também contou ter tido uma visão de Jesus, vestido como um pobre viajante. Ajoelhando-se diante d’Ele, procurou detê-Lo e perguntou-Lhe: “Meu Senhor, aonde vais?” E Jesus respondeu: “Tenho andado a procurar, pelo mundo todo, um lugar onde plantar, firmemente, esta Cruz e ainda não o encontrei”. Clara olhou para a Cruz e manifestou o seu desejo de O ajudar a carregá-la. E Jesus disse: “Clara, encontrei, aqui, o lugar para minha Cruz. Encontrei, finalmente, alguém a quem posso confiá-la”.
E Jesus implantou a sua Cruz no coração de Clara. A intensa dor que sentiu em todo seu ser, enquanto recebia a Cruz de Cristo, viveu com ela para sempre. O resto dos seus dias, passou-os no sofrimento e na dor e, ainda assim, continuou servindo as suas irmãs com alegria.
Em 1303, Clara pôde construir uma igreja em Montefalco. Esta igreja passou a ser a Igreja do Mosteiro, e sempre aberta às pessoas da cidade. A primeira pedra foi abençoada em 24 de Junho de 1303, pelo bispo de Spoleto, e naquele dia a igreja foi dedicada à Santa Cruz.
Clara exerceu, durante 16 anos, a sua missão de abadessa, mestra, mãe e directora espiritual das suas amadas filhas. Enquanto a sua fama de santidade e os seus milagres atraiam visitantes ao mosteiro, ela governava-o com sabedoria, com zelo e sem quebrar a harmonia da comunidade.
Em Agosto de 1308, Clara adoeceu gravemente. No dia 15 de Agosto pediu para receber a Unção dos Enfermos. Fez a sua última confissão no dia 17 de Agosto e, no dia seguinte, faleceu no seu Mosteiro de Montefalco.
Clara da Cruz foi beatificada, em 13 de Abril de 1737, pelo Papa Clemente XII. Em 8 de Dezembro de 1881, Festa da Imaculada Conceição, o Papa Leão XIII canonizou-a na Basílica de São Pedro, em Roma.
Santa Clara da Cruz foi uma grande mística que iluminou, com seu esplendor espiritual, a Ordem Agostiniana. Deus dotou-a de singulares graças místicas, como visões e êxtases, e dons sobrenaturais que se manifestaram dentro e fora do Mosteiro. Dotada de grande ciência, pôde oferecer sábias soluções para as mais árduas questões propostas pelos teólogos, filósofos e literatos. Sempre defendeu, valentemente, a doutrina da fé católica.
Santa Clara da Cruz distinguiu-se, sobretudo, pelo seu amor à Paixão do Senhor, reservando um lugar muito principal à devoção à Santa Cruz.

A memória litúrgica de Santa Clara da Cruz celebra-se no dia 17 de Agosto.

segunda-feira, 31 de julho de 2017

DA PALAVRA DO SENHOR


- XVII DOMINGO DO TEMPO COMUM

“…Nós sabemos que Deus concorre em tudo
 para o bem daqueles que O amam,
 dos que são chamados, segundo o seu desígnio.
 Porque os que Ele de antemão conheceu,
 também os predestinou para serem conformes à imagem de seu Filho,
 a fim de que Ele seja o Primogénito de muitos irmãos…” (Romanos 8, 28-29)

PALAVRA DO PAPA FRANCISCO


- na oração do Angelus, na Praça de São Pedro – Roma, no dia 23 de Julho

Queridos irmãos e irmãs, bom dia!
A página evangélica de hoje propõe três parábolas com as quais Jesus fala às multidões sobre o Reino de Deus. Analiso a primeira: a do grão bom e da erva daninha, que ilustra o problema do mal no mundo e ressalta a paciência de Deus (cf. Mt 13, 24-30.36-43). Quanta paciência tem Deus! Também cada um de nós pode dizer isto: «Quanta paciência tem Deus comigo!». A narração situa-se num campo com dois protagonistas opostos. Por um lado, o dono do campo que representa Deus e espalha a semente boa; por outro, o inimigo que representa Satanás e espalha a erva daninha.
Com o passar do tempo, no meio do trigo cresce também o joio e, face a esta realidade, o dono e os seus servos têm atitudes diferentes. Os servos queriam intervir arrancando o joio; mas o dono, que se preocupa sobretudo com a salvação do trigo, opõe-se dizendo: «Não; para que, ao colher o joio, não arranqueis também o trigo com ele» (v. 29). Com esta imagem, Jesus diz-nos que neste mundo o bem e o mal estão tão interligados, que é impossível separá-los e arrancar todo o mal. Só Deus pode fazer isso e fá-lo-á no juízo final. Com as suas ambiguidades e com o seu carácter multifacetado, a situação presente é o campo da liberdade, o campo da liberdade dos cristãos, no qual se cumpre o difícil exercício do discernimento entre o bem e o mal.
E, por conseguinte, trata-se de conjugar, neste âmbito, com grande confiança em Deus e na sua providência, duas atitudes aparentemente contraditórias: a decisão e a paciência. A decisão consiste em querer ser grão bom — todos o queremos —, com todas as nossas forças, e portanto afastarmo-nos do maligno e das suas seduções. A paciência significa preferir uma Igreja que é fermento na massa, que não teme sujar as mãos lavando as roupas dos seus filhos, e não uma Igreja de «puros», que pretende julgar antes do tempo quem está no Reino de Deus e quem não está.
O Senhor, que é a Sabedoria encarnada, ajuda-nos, hoje, a compreender que o bem e o mal não se podem identificar com territórios definidos ou determinados grupos humanos: «Estes são os bons, este são os maus». Ele diz-nos que a linha de fronteira entre o bem e o mal passa pelo coração de cada pessoa, passa pelo coração de cada um de nós, ou seja: somos todos pecadores. Sinto vontade de vos perguntar: «Quem não é pecador levante a mão». Ninguém! Porque todos o somos, somos todos pecadores. Jesus Cristo, com a sua morte na cruz e a sua ressurreição, libertou-nos da escravidão do pecado e concedeu-nos a graça de caminhar rumo a uma nova vida; mas com o Baptismo concedeu-nos também a Confissão, porque temos sempre necessidade de ser perdoados dos nossos pecados. Olhar sempre e unicamente para o mal que está fora de nós, significa não querer reconhecer o pecado que está também em nós.
E depois Jesus ensina-nos um modo diverso de olhar para o campo do mundo, de observar a realidade. Somos chamados a aprender os tempos de Deus — que não são os nossos tempos — e também o “olhar” de Deus: graças à influência benéfica de uma expectativa trepidante, aquilo que era joio ou parecia joio, pode tornar-se um produto bom. É a realidade da conversão. É a perspectiva da esperança!
Que a Virgem Maria nos ajude a colher, na realidade que nos circunda, não só a sujidade e o mal, mas também o que é bem e bom; a desmascarar a obra de Satanás mas, sobretudo, a confiar na acção de Deus que fecunda a história. (cf. Santa Sé)

PARA REZAR


SALMO 118

Refrão: Quanto amo, Senhor, a vossa lei!

Senhor, eu disse: A minha herança
 é cumprir as vossas palavras.
 Para mim vale mais a lei da vossa boca
 do que milhões em ouro e prata.

Console-me a vossa bondade,
 segundo a promessa feita ao vosso servo.
 Desçam sobre mim as vossas misericórdias e viverei,
 porque a vossa lei faz as minhas delícias.

Por isso, eu amo os vossos mandamentos,
 mais que o ouro, o ouro mais fino.
 Por isso, eu sigo todos os vossos preceitos
 e detesto todo o caminho da mentira.

São admiráveis as vossas ordens,
 por isso, a minha alma as observa.
 A manifestação das vossas palavras ilumina
 e dá inteligência aos simples.


SANTOS POPULARES


FRANCISCO SOLANO

Bernardo Francisco Solanus Casey, sexto de 16 filhos, nasceu em Prescott, no Estado de Wisconsin (EUA), em 25 de Novembro de 1870, filho de Bernard James Casey e Ellen Elisabeth Murphy, imigrantes da Irlanda. Foi baptizado no dia 18 de Dezembro de 1870, na Igreja da Missão de São José, em Prescott, Wisconsin, e fez a primeira Comunhão na Igreja de São Patrício, em Hudson, Wisconsin.
Homem de carácter forte e voluntarioso, era dotado de espírito altruísta e de uma agradável dose de bom humor. Amava muito o desporto, distinguindo-se particularmente no beisebol. Antes de se tornar religioso, tinha sido trabalhador agrícola, lenhador, padeiro, carcereiro, motorista de autocarro. Em 1892, com a idade de 22 anos, entrou no seminário diocesano de São Francisco de Sales, em Milwaukee. Não tendo condições de pagar a mensalidade integral, trabalhava como barbeiro para os colegas. Por causa da sua idade e da sua inadequada preparação, encontrou muitas dificuldades nos estudos. Por isso, ao fim de cinco anos de seminário, os Superiores aconselharam-no a abandonar a ideia do sacerdócio e sugeriram-lhe para se tornar religioso.
Bernardo Francisco acolheu o conselho com humildade e confiança, vestindo o hábito capuchinho em 14 de Janeiro de 1897, no convento de São Boaventura, em Detroit. Concluído o noviciado, emitiu a profissão religiosa em 21 de Julho de 1898, retomando os estudos de teologia no Seminário Seráfico de Milwaukee. As línguas usadas para o ensino - alemão e latim – não o ajudaram na aprendizagem das ciências religiosas. Contudo, mesmo com estas dificuldades, os seus superiores decidiram ordená-lo sacerdote, baseados nas palavras do Director de estudos: “Ordenaremos Frei Francisco Solano e, como sacerdote, ele será para o povo uma espécie de Cura d’Ars”. Em 24 de Julho de 1904, recebeu a Ordenação sacerdotal, com a recomendação de que não podia confessar nem pregar em público.
Sempre teve funções reservadas ordinariamente aos irmãos leigos, de modo que imediatamente foi-lhe confiado o ofício de sacristão, de director dos acólitos e, em seguida, também de porteiro. Depois de ter estado em diversas casas da Província, foi designado para o convento de São Boaventura, em Detroit, como porteiro. Aqui, durante 21 anos, atraiu uma multidão de pessoas que vinham escutar as suas palavras e pedir os seus conselhos, levadas pelas suas virtudes e pelas graças extraordinárias atribuídas às suas orações. Neste serviço, cresceu a sua fama de santidade e de compaixão: atendia os doentes, os pobres e todos os que viviam angustiados e desanimados. Tornou-se conhecido pelo seu conselho sábio e pela genuína preocupação para com aqueles que o procuravam. Passava a maior parte do seu dia na portaria, tirando tempo ao descanso, para poder atender a todas as solicitações. Exerceu este seu apostolado com a boa palavra, a caridade, a paciência e a obediência. Além disso, ajudou à criação de um refeitório capuchinho, em 1929, para alimentar os famintos, durante a Grande Depressão, um trabalho que, ainda hoje, continua a ser realizado, em Detroit.
Em 28 de Julho de 1954, Frei Francisco Solano celebrou os seus 50 anos de sacerdócio. A sua saúde começou a declinar lentamente e, após contínuos internamentos no hospital, faleceu no dia 31 de Julho de 1957, no convento de São Boaventura, em Detroit. O Padre Francisco Solano Casey ficou conhecido como sendo o “campeão dos mais necessitados de Detroit”.
O ‘venerável, Frei Francisco Solano deverá ser beatificado (!) no dia 18 de Novembro de 2017, em Detroit.

A sua memória litúrgica far-se-á no dia 31 de Julho.

segunda-feira, 24 de julho de 2017

DA PALAVRA DO SENHOR


- XVI DOMINGO DO TEMPO COMUM

“…O Espírito Santo vem em auxilio da nossa fraqueza,
 porque não sabemos que pedir nas nossas orações;
 mas o próprio Espírito intercede por nós
 com gemidos inefáveis.
 E Aquele que vê no íntimo dos corações
 conhece as aspirações do Espírito,
 sabe que Ele intercede pelos santos
 em conformidade com Deus…” (Romanos 8, 26-27)

PALAVRA DO PAPA FRANCISCO


- na oração do Angelus, na Praça de São Pedro – Roma, no dia 16 de Julho

Queridos irmãos e irmãs, bom dia!
Jesus, quando falava, usava uma linguagem simples e servia-se também de imagens, que eram exemplos tirados da vida diária, a fim de poder ser compreendido, facilmente, por todos. Por isso, gostavam de o ouvir e apreciavam a sua mensagem que ia directamente ao coração; e não era aquela linguagem difícil de compreender, que usavam os doutores da Lei da época, que não se entendia bem, que era rígida e afastava o povo. E, com esta linguagem, Jesus fazia compreender o mistério do Reino de Deus; não era uma teologia complicada. E o Evangelho de hoje dá-nos um exemplo: a parábola do semeador (cf.  Mt 13, 1-23).
O semeador é Jesus. Observamos que, com esta imagem, Ele se apresenta como alguém que não se impõe, mas se propõe; não nos atrai conquistando-nos, mas doando-se: lança a semente. Ele espalha com paciência e generosidade a sua Palavra, que não é uma gaiola nem uma armadilha, mas uma semente que pode dar fruto. E como pode dar fruto? Se a acolhermos.
Por isso, a parábola diz respeito sobretudo a nós: com efeito, ela fala mais do terreno do que do semeador. Jesus faz, por assim dizer, uma «radiografia espiritual» do nosso coração, que é o terreno no qual a semente da Palavra cai. O nosso coração, como um terreno, pode ser bom e então a Palavra dá fruto — e muito —; mas pode também ser duro, impermeável. Isto acontece quando ouvimos a Palavra, mas ela escorrega, precisamente como numa estrada: não entra.
Entre o terreno bom e a estrada, o asfalto — se lançarmos uma semente na «calçada», nada cresce — há, contudo, dois terrenos intermédios que, de maneiras diversas, podemos ter em nós. O primeiro, diz Jesus, é o pedregoso. Tentemos imaginar: um terreno pedregoso é um terreno «onde não há muita terra» (cf. v. 5), e portanto a semente germina, mas não consegue ganhar raízes profundas. É assim o coração superficial, que acolhe o Senhor, quer rezar, amar e testemunhar, mas não persevera, cansa-se e não cresce. É um coração sem consistência, no qual as pedrinhas da preguiça prevalecem sobre a terra boa, onde o amor é inconstante e passageiro. Mas, quem acolhe o Senhor só quando lhe apetece, não dá fruto.
Depois, há o último terreno, aquele espinhoso, cheio de sarças que sufocam as plantas boas. O que representam estas sarças? «A preocupação do mundo e a sedução da riqueza» (v. 22), assim diz Jesus, explicitamente. As sarças são os vícios que estão em contraste com Deus, que sufocam a sua presença: antes de tudo, os ídolos da riqueza mundana, viver avidamente, para si mesmos, pelo ter e pelo poder. Se cultivarmos estas sarças, sufocamos o crescimento de Deus em nós. Cada um pode reconhecer as suas sarças pequenas ou grandes, os vícios que habitam no seu coração, aqueles arbustos mais ou menos radicados que não agradam a Deus e impedem que se tenha o coração limpo. É necessário arrancá-los, senão a Palavra não dará fruto, a semente não crescerá.
Queridos irmãos e irmãs, Jesus convida-nos hoje a olhar para dentro de nós: a agradecer pelo nosso terreno bom e a trabalhar nos terrenos que ainda o não são. Perguntemo-nos se o nosso coração está aberto para acolher com fé a semente da Palavra de Deus. Questionemo-nos se os nossos pedregulhos da preguiça ainda são muitos e grandes; encontremos e chamemos pelo nome as sarças dos vícios. Encontremos a coragem para limpar o terreno, uma boa limpeza do nosso coração, levando ao Senhor, na confissão e na oração, as nossas pedrinhas e as nossas sarças. Fazendo assim, Jesus, o bom samaritano, será feliz em realizar mais um trabalho: purificar o nosso coração, tirando as pedras e os espinhos que sufocam a Palavra.
A Mãe de Deus, que hoje recordamos com o título de Bem-Aventurada Virgem do Monte Carmelo, insuperável no acolhimento da Palavra de Deus e em pô-la em prática (cf. Lc 8, 21), nos ajude a purificar o coração e vos mantenha na presença do Senhor. (cf. Santa Sé)

PARA REZAR


SALMO 85

Refrão: Senhor, sois um Deus clemente e compassivo.

Vós, Senhor, sois bom e indulgente,
cheio de misericórdia para com todos os que Vos invocam.
Ouvi, Senhor, a minha oração,
atendei a voz da minha súplica.

Todos os povos que criastes virão adorar-vos, Senhor,
e glorificar o vosso nome,
porque Vós sois grande e operais maravilhas,
Vós sois o único Deus.

Senhor, sois um Deus bondoso e compassivo,
paciente e cheio de misericórdia e fidelidade.
Voltai para mim os vossos olhos
e tende piedade de mim.

SANTOS POPULARES


BEATA MARIA VICENTA CHÁVEZ OROZCO

Doroteia Chávez Orozco nasceu, no dia 6 de Fevereiro de 1867, em Cotija de la Paz, Michoacán, no México, uma terra de santos. Era filha de Luís Chávez e de Benigna de Jesus Orozco, uma família pobre, mas de uma fé muito profunda. Foi baptizada com dois meses e recebeu o nome de Doroteia, que significa “presente de Deus”.
Nos primeiros anos da sua vida trabalhou como pastora e, antes da Primeira Comunhão, ofereceram-lhe uma imagem do Menino Jesus, de porcelana, que seria seu companheiro por toda a vida. Todos os anos, a família deixava-lhe a tarefa de preparar o presépio para os festejos do Natal e muitos vizinhos vinham vê-lo, pois havia um encanto especial na forma como ela colocava as figuras, a cada ano de um modo diferente.
Após uma terrível inundação, a família ficou ainda mais pobre do que antes e o seu pai decidiu mudar-se para Cocula, Jalisco, Guadalajara, e passou a morar no bairro pobre dos imigrantes chamado ‘Mexicaltzingo’. Neste bairro, a umidade e a falta de alimentação fizeram Doroteia adoecer gravemente dos pulmões. Foi atendida no Hospital da Santíssima Trindade, da Congregação de São Vicente de Paulo. Era o ano 1892 e Doroteia tinha 24 anos.
As Filhas da Caridade tinham sido expulsas de Guadalajara no ano em que Doroteia nasceu. As asas brancas dos seus véus não eram vistas no Hospício Cabañas e nos Hospitais de Belém e de São Felipe. Mas, um grupo de senhoras católicas tinham providenciado a construção do pequeno Hospital da Santíssima Trindade, junto da igreja paroquial. E foi neste hospital que a Providência dispôs que Doroteia fosse internada e “por uma graça especial de Deus, no mesmo dia em que ingressei no hospital, concebi a ideia e tomei a resolução de consagrar-me ao serviço de Deus Nosso Senhor e Salvador na pessoa dos pobrezinhos doentes”, conforme escreveu a própria Doroteia.
Quando recebeu alta, foi a sua casa despedir-se dos seus familiares e voltou para ficar, definitivamente, ao serviço do Hospital. A partir de 19 de Julho de 1892, o hospital e os doentes tornaram-se seus pais e seus irmãos: Doroteia Chávez juntou-se às duas Irmãs Vicentinas que atendiam este centro de saúde.
Em 1896, a nova directora do hospital, Margarida Gómez, impôs, às religiosas que ali trabalhavam, um regulamento muito rigoroso e, por isso, as companheiras de Doroteia deixaram o hospital e ela ficou sozinha no grande edifício cheio de misérias. Naquela época, Doroteia estudava anatomia e outras matérias para dar um melhor atendimento aos doentes que acolhiam.
Então, com a ajuda do Cónego Miguel Cano Gutiérrez, no dia 15 de Agosto de 1910, Doroteia e outras seis postulantes emitiram os primeiros votos como ‘Servas da Santíssima Trindade e dos Pobres’. Ao professar, tomou o nome de Maria Vicenta de Santa Doroteia.
Naquele mesmo ano, fundaram um hospital, em Zapotlán el Grande. As erupções do vulcão de Colima foram o baptismo de sangue da obra, pois todo o povoado se converteu num hospital para atender e dar de comer, assistir e ajudar a morrer bem.
Em 1913, a Congregação foi formalizada. O primeiro capítulo-geral escolheu-a como Superiora-geral. Outro hospital foi fundado, em Lagos de Moreno e San Juan de los Lagos; e outros pequenos hospitais e asilos para anciãos foram aparecendo, porque a caridade de Nosso Senhor Jesus Cristo lhes pedia isso.
As guerras externas (perseguição callista) e as guerras internas (desejos de reforma da Congregação) resultaram na retirada do cargo à Madre Vicenta e ela foi enviada para Zapotlán. Em 1929, o novo capítulo-geral recolocou-a no cargo de Superiora-geral.
Entre doentes e mil pequenos serviços, a Madre Vicentita - como era conhecida - chegou à idade de 82 anos, tendo falecido no dia 29 de Julho de 1949.
A Madre Vicentita passou para a história pela sua grande bondade, doçura e caridade. Havia servido Aquele que, estando sozinho, doente e velho, pobre e desvalido, fora acolhido nos hospitais e asilos que o seu imenso amor a Ele havia construído.
Maria Vicenta de Santa Doroteia foi beatificada, pelo Papa João Paulo II, no dia 9 de Novembro de 1997, em Roma. Na homilia da celebração – foram beatificadas outras pessoas – a propósito de Maria Vicenta, o Papa disse: “… Templo precioso da Santíssima Trindade foi a alma forte e humilde da nova beata mexicana, Maria Vicenta de Santa Doroteia Chávez Orozco. Animada pela caridade de Cristo, sempre vivo e presente na sua Igreja, consagrou-se ao Seu serviço na pessoa dos «pobrezinhos enfermos», como maternalmente chamava. Inúmeras dificuldades e contratempos modelaram o seu carácter enérgico, pois Deus quis que ela fosse simples, doce e obediente, tornando-a pedra angular do Instituto das Servas da Santíssima Trindade e dos Pobres, fundado pela nova beata na cidade de Guadalajara, para cuidar dos enfermos e dos idosos.
Virgem sensata e prudente, edificou a sua obra no fundamento de Cristo sofredor, curando com o bálsamo da caridade e com o remédio do conforto os corpos feridos e as almas aflitas dos predilectos de Cristo: os indigentes, os pobres e os necessitados.
O seu exemplo luminoso, entretecido de oração, de serviço ao próximo e de apostolado, prolonga-se hoje no testemunho das suas filhas e de tantas pessoas de coração nobre, que se empenham com desvelo para levar aos hospitais e às clínicas a Boa Nova do Evangelho…”

A memória litúrgica da Beata Maria Vicenta celebra-se no dia 29 de Julho.

segunda-feira, 17 de julho de 2017

EM DESTAQUE


- HOMILIA DE D. ANTÓNIO FRANCISCO DOS SANTOS, BISPO DO PORTO, NAS ORDENAÇÕES DE PRESBÍTEROS E DIÁCONOS, NA SÉ CATEDRAL, NO DIA 9 DE JULHO DE 2017


1.“Eu te bendigo, ó Pai, Senhor do céu e da terra” (cf. Mt 11, 25-30). Inicia assim o texto do Evangelho, hoje proclamado. Jesus, autor desta palavra, dita como quem reza, afirma as razões e justifica as intenções da Sua oração. Rezemos também nós hoje, neste dia de bênção e de acção de graças a Deus, e digamos uns aos outros os motivos da nossa alegria e as razões da nossa oração.
Vós, caros ordinandos, chamados por Deus e escolhidos pela Igreja para o ministério de diáconos e de presbíteros, sois os protagonistas da oração, que convosco hoje rezamos, e o rosto da bênção, que de Deus através de vós recebemos.
Bendigo a Deus pelo Bruno Ávila, Fernando Perpétua, Marco Alves, da nossa diocese, Duarte Rosado, João de Brito e Manuel Lencastre Cardoso, da Companhia de Jesus, e Jorge Gonçalves, da Congregação dos Sacerdotes de Coração de Jesus, Sacerdotes Dehonianos, que vão ser ordenados presbíteros.
Bendigo a Deus pelo João Pedro Ribeiro e Vasco Soeiro, vindos do Seminário Maior da Sé, Ariosto Nascimento e Celestin Bizimenyera, primeiros alunos a concluir o percurso formativo no Seminário de Santa Teresa do Menino Jesus – Seminário Redemptoris Mater, do Porto, e Jaime Mathe, membro da Sociedade Missionária da Boa Nova, que vão ser ordenados diáconos.
Louvo, ao jeito de Jesus, as famílias, comunidades, seminários e percursos de formação de cada um de vós. Deus revelou aos vossos pais, avós, irmãos, familiares, párocos, agentes da pastoral vocacional, formadores dos seminários, colegas e amigos a sabedoria dos Seus sonhos divinos. Sois, vós mesmos, testemunhas da autenticidade da Palavra e destinatários deste elogio de Jesus que bendiz o Pai porque Ele revelou grandes verdades aos pequenos e ofereceu tesouros imensos aos simples.
Agradeço a Deus, por mandato e em nome da Igreja, todos aqueles que, nas horas que precederam o vosso chamamento e no percurso da vossa formação, souberam perscrutar o sonho de Deus e o traduziram para vós em palavras simples, por vós percebidas, em gestos de atenção vocacional, que vos interpelaram, em momentos de oração, que vos fortaleceram, e em testemunhos de vida preenchidos de encanto pela missão e de fascínio de Deus.
Bendigo, sobretudo, a Deus por este tesouro de bênção e de graça que só Ele sabe e pode oferecer. Não tenhais medo de guardar este tesouro religiosamente nos vasos de barro humano que vós sois. Deus continuará a cuidar de vós como Seus eleitos e a velar em permanência por este tesouro. Ele nem sequer recusa lavar os nossos pés, para que diariamente possamos caminhar com novas forças. Este tesouro, que a graça do sacramento da Ordem vos confere e confia, vai renovar a Igreja e transformar o mundo.

2. Na quinta-feira passada, em tempo alongado pela vigília da noite a partir da Eucaristia, celebrada no Mosteiro Carmelita de Bande, pude estar com cada um de vós reunidos em retiro espiritual. Senti mais uma vez com clareza que somos uma Igreja a caminho e que estamos decididos a estendermos as mãos ao Senhor para nos guiar nesta «santa viagem» de um verdadeiro, exigente e necessário caminho sinodal.
A Igreja fez-se ao caminho desde a manhã da ressurreição. Ela avança lentamente. Lembrei-me no encontro com cada um nesse dia e no dia seguinte com os diáconos da Companhia de Jesus das palavras tão belas e tão oportunas do Papa Francisco, ditas, em Roma, no passado dia 1 de junho aos participantes da Plenária da Congregação para o Clero. Deixai que as recorde aqui e que as faça minhas para que sejam também vossas:
“Alegro-me sempre quando encontro jovens sacerdotes, porque neles vejo a juventude da Igreja … Sinto meu dever aconselhar, antes de tudo aos jovens padres, para rezar, caminhar sempre e partilhar com o coração.
Rezar, porque somente podemos ser «pescadores de homens» se reconhecermos nós primeiro, que fomos «pescados» pela ternura do Senhor. A nossa vocação iniciou quando, depois de ter abandonado a terra do nosso individualismo e dos nossos projectos pessoais nos encaminhamos rumo à «santa viagem».
Caminhar sempre porque um sacerdote permanece sempre um discípulo, peregrino pelas estradas do Evangelho e da vida, debruçado sobre o limiar do mistério de Deus e sobre a terra sagrada das pessoas que lhe foram confiadas. Nunca se sentirá satisfeito nem poderá apagar a saudável inquietude que lhe faz estender as mãos ao Senhor para se deixar formar, guiar e preenche.
Partilhar com o coração, porque a vida presbiteral não é um cargo burocrático nem um conjunto de práticas religiosas ou litúrgicas a serem realizadas…Ser sacerdote significa arriscar a vida pelo Senhor e pelos irmãos, trazendo na própria carne as alegrias e as angústias do povo, dedicando tempo e escuta para curar as feridas dos outros, e oferecendo a todos a ternura do Pai” (Papa Francisco, Discurso aos participantes na plenária da Congregação para o Clero, Roma, 1.6. 2017).

3. A alegria do Papa Francisco diante dos jovens sacerdotes é, também, o júbilo desta amada Igreja do Porto diante destes eleitos de Deus, que hoje são ordenados, e diante de tantos sacerdotes que hoje ou nestes dias mais próximos celebram o aniversário da sua ordenação. Este é igualmente o júbilo de todo o povo de Deus diante do exemplar testemunho de disponibilidade, de entrega e de comunhão do presbitério diocesano e do clero religioso, presente no Porto.
A presença tão numerosa e feliz nesta celebração é disso sinal significativo e exemplar. Obrigado, irmãos sacerdotes, por este tocante testemunho de acolhimento, marcado pela alegria, pela gratidão e pela esperança, aos novos membros do nosso presbitério.
Exulta de alegria, hoje connosco, a Companhia de Jesus, a Congregação dos Sacerdotes Dehonianos e a Sociedade Missionária da Boa Nova, a quem agradeço esta bela afirmação de comunhão fraterna e de sentido eclesial que a decisão desta celebração conjunta nos oferece.

4. Sei que a nossa alegria é também júbilo da Igreja inteira e concretamente de várias dioceses, congregações e institutos religiosos de Portugal que vivem momentos iguais com a ordenação de diáconos e presbíteros para que nunca faltem no mundo sob a protecção de Maria, Mãe de Deus e Mãe da Igreja, “sentinelas da madrugada que sabem contemplar o verdadeiro rosto de Jesus Salvador, aquele que brilha na Páscoa, e descobrir novamente o rosto jovem e belo da Igreja, que brilha quando é missionária, acolhedora, livre, fiel, pobre de meios e rica no amor” (Papa Francisco, Homilia, Fátima, 13.5.2017).
Esta é a primeira grande celebração que nos reúne nesta Catedral depois do Papa Francisco ter reconhecido as «virtudes heróicas» de D. António Barroso e o ter declarado «Venerável».
D. António Barroso, que hoje vos apresento, caros ordinandos, como vosso modelo de vida e referência de ministério, foi missionário em Angola, bispo em Moçambique, em Meliapor, na Índia, e no Porto, aqui desde 21 de Fevereiro de 1899, data da sua nomeação, até 31 de Agosto de 1918, momento da sua morte.
O báculo de pastor, que o Clero do Porto lhe ofereceu, no dia 4 de Abril de 1914, a quando do regresso do exílio, e que sempre uso nas celebrações na Catedral, vincula-me ao bem e à bênção de todos os meus antecessores e une a cada momento o belo percurso da história multissecular da Igreja do Porto.
Rezemos para que D. António Barroso, modelo de discípulo missionário de Jesus, sempre presente na vanguarda da missão e da profecia, seja brevemente beatificado e canonizado.

DA PALAVRA DO SENHOR


- XV DOMINGO DO TEMPO COMUM

“…Eu penso que os sofrimentos do tempo presente
 não têm comparação com a glória
 que se há-de manifestar em nós.
 Na verdade, as criaturas esperam ansiosamente
 a revelação dos filhos de Deus.
 Elas estão sujeitas à vã situação do mundo,
 não por sua vontade,
 mas por vontade d’Aquele que as submeteu,
 com a esperança de que as mesmas criaturas
 sejam também libertadas da corrupção que escraviza,
 para receberem a gloriosa liberdade dos filhos de Deus…” (cf. Romanos 8, 18-21)

PALAVRA DO PAPA FRANCISCO


- na oração do Angelus, na Praça de São Pedro – Roma, no dia 9 de Julho

Queridos irmãos e irmãs, bom dia!

No Evangelho de hoje Jesus diz: «Vinde a mim, vós todos que estais aflitos sob o fardo, e eu vos aliviarei» (Mt 11, 28). O Senhor não reserva esta frase a alguns dos seus amigos. Não!...Dirige-a a “todos” aqueles que estão cansados e oprimidos pela vida. E, então, quem pode sentir-se excluído deste convite? O Senhor sabe quanto a vida pode ser difícil. Sabe que muitas coisas cansam o coração: desilusões e feridas do passado, pesos a serem carregados e injustiças a suportar no presente, incertezas e preocupações para com o futuro.
Perante tudo isto, a primeira palavra de Jesus é um convite; um convite a mover-se e a reagir: «Vinde». O erro que cometemos, quando as coisas não correm bem, é permanecer ali onde estamos, deitados ali. Parece evidente, mas quanto é difícil reagir e abrir-se! Não é fácil. Nos momentos obscuros é natural querer estar sozinho consigo mesmo, remoer sobre quanto é injusta a vida, sobre quão ingratos são os outros e como é maldoso o mundo, e assim por diante. Todos sabemos isto. Por vezes, sofremos esta experiência negativa. Mas assim, fechados dentro de nós mesmos, vemos tudo escuro. Então chegamos até a familiarizar-nos com a tristeza, que encontra demora em nós: aquela tristeza desmoraliza-nos, esta tristeza é algo ruim. Ao contrário, Jesus quer tirar-nos destas “areias movediças” e, portanto, diz a cada um: «Vinde!” — “Quem?” — “Tu, tu, tu...”. A via de saída encontra-se na relação, em estender a mão e em levantar o olhar para quem nos ama verdadeiramente.
Com efeito, sair de si mesmo não é suficiente, é necessário saber para onde ir. Porque muitas metas são ilusórias: prometem alívio e distraem só um pouco, garantem paz e proporcionam divertimento, deixando depois na solidão anterior, são “fogos-de-artifício”. Por esta razão, Jesus indica para onde ir: “Vinde a mim”. Diante de um peso da vida ou de uma situação que nos faz sofrer, tentemos falar com alguém que nos escute, com um amigo, com um perito na matéria... É muito bom fazer isto, mas não esqueçamos Jesus! Não esqueçamos de nos abrirmos a Ele e de lhe contar a nossa vida, de lhe confiar as pessoas e as situações. Talvez haja algumas “áreas” da nossa vida que nunca lhe abrimos e que permaneceram obscuras, porque nunca viram a luz do Senhor. Cada um de nós tem a própria história. E se alguém tiver esta zona obscura, procure Jesus, vá ter com um sacerdote, vá... Ide ter com Jesus, e contai isso a Jesus. Hoje, Ele diz a cada um de nós: “Coragem, não sucumbas sob os pesos da vida, não te feches diante dos medos e dos pecados, mas vem a mim!”.
Ele espera por nós, espera-nos sempre, não para resolver magicamente os nossos problemas, mas para nos tornar mais fortes em relação aos nossos problemas. Jesus não nos tira os pesos da vida, mas sim a angústia do coração; não nos suprime a cruz, mas carrega-a juntamente connosco. E com Ele, todo o peso se torna leve (cf. v. 30), porque Ele é o repouso que nós buscamos. Quando Jesus entra na vida, chega a paz, a que permanece também nas provações, nos sofrimentos. Vamos ter com Jesus, demos-lhe o nosso tempo, encontremo-lo todos os dias na oração, num diálogo confiante, pessoal; familiarizando-nos com a sua Palavra redescubramos sem temor o seu perdão, saciemo-nos com o seu Pão de vida: sentir-nos-emos amados, sentir-nos-emos consolados por Ele.
É Ele mesmo que no-lo pede, quase com uma certa insistência. Reitera-o ainda no final do Evangelho de hoje: “Tomai o meu jugo sobre vós […] achareis o repouso para as vossas almas” (v. 29). E deste modo, aprendamos a ir ter com Jesus e, quando nos meses de verão procurarmos um pouco de repouso de tudo aquilo que cansa o nosso corpo, não esqueçamos de encontrar o repouso verdadeiro no Senhor. Nos ajude nisto a Virgem Maria nossa Mãe, que sempre cuida de nós quando estamos cansados e oprimidos e nos acompanha ao encontro com Jesus. (cf. Santa Sé)

PARA REZAR


SALMO 64

Refrão: A semente caiu em boa terra e deu muito fruto.

Visitastes a terra e a regastes,
enchendo-a de fertilidade.
As fontes do céu transbordam em água
e fazeis brotar o trigo.

Assim preparais a terra;
regais os seus sulcos e aplanais as leivas,
Vós a inundais de chuva
e abençoais as sementes.

Coroastes o ano com os vossos benefícios,
por onde passastes brotou a abundância.
Vicejam as pastagens do deserto
e os outeiros vestem-se de festa.

Os prados cobrem-se de rebanhos
e os vales enchem-se de trigo.
Tudo canta e grita de alegria.


SANTOS POPULARES


SANTA BRÍGIDA DA SUÉCIA 
 (relembrando)

Brígida Birgersdotter nasceu, em 1303, em Finster, Uplândia – Suécia. Era filha de Birger Persson - um homem de leis e de ascendência nobre, da linhagem dos Finsta - e de Ingeborg Bengtsdotter. Por intermédio dos seus pais e, mais tarde, do seu esposo, pertenceu aos círculos políticos mais influentes da Suécia medieval que, três séculos antes, tinha acolhido a fé cristã com o mesmo entusiasmo com que Brígida a recebeu dos seus pais, pessoas muito piedosas, próximas da Casa reinante.
Na vida de Brígida, podemos distinguir dois períodos:
O primeiro é caracterizado pela sua condição de mulher, num casamento feliz. O seu marido chamava-se Ulf e era governador de um importante distrito do Reino da Suécia. O matrimónio durou vinte e oito anos, até à morte de Ulf. Deste casamento, nasceram oito filhos, dos quais a segunda Karin (Catarina), é venerada como Santa. Isto é um sinal eloquente do compromisso educativo de Brígida em relação aos seus próprios filhos. De resto, a sua sabedoria pedagógica foi apreciada a tal ponto, que o rei da Suécia, Magnus, a chamou à corte por um certo período, com a finalidade de introduzir a sua jovem esposa, Bianca de Namur, na cultura sueca.
Brígida, espiritualmente guiada por um douto religioso que a iniciou no estudo das Escrituras, exerceu uma influência muito positiva sobre a própria família que, graças à sua presença, se tornou uma verdadeira «igreja doméstica». Juntamente com o marido, adoptou a Regra dos Terciários franciscanos. Praticava com generosidade obras de caridade em prol dos indigentes; fundou, também, um hospital. Ao lado da sua esposa, Ulf aprendeu a melhorar a sua índole e a progredir na vida cristã. Quando regressou de uma longa peregrinação a Santiago de Compostela, realizada, em 1341, juntamente com outros membros da família, os cônjuges amadureceram o projecto de viver em continência; mas, pouco tempo mais tarde, na paz de um mosteiro onde se tinha retirado, Ulf concluiu a sua vida terrena.
Este primeiro período da vida de Brígida ajuda-nos a apreciar aquela que hoje poderíamos definir uma autêntica «espiritualidade conjugal»: juntos, os cônjuges cristãos podem percorrer um caminho de santidade, sustentados pela graça do Sacramento do Matrimónio. Muitas vezes, precisamente como aconteceu na vida de Santa Brígida e de Ulf, é a mulher que, com a sua sensibilidade religiosa, com a delicadeza e a docilidade consegue levar o marido a percorrer um caminho de fé. Penso, com reconhecimento, em muitas mulheres que, dia após dia, ainda hoje, iluminam as próprias famílias com o seu testemunho de vida cristã. Possa o Espírito do Senhor suscitar, também nos dias de hoje, a santidade dos cônjuges cristãos, para mostrar ao mundo a beleza do matrimónio vivido segundo os valores do Evangelho: o amor, a ternura, a ajuda recíproca, a fecundidade na geração e na educação dos filhos, a abertura e a solidariedade para com o mundo e a participação na vida da Igreja.

Quando Brígida ficou viúva, teve início o segundo período da sua vida. Renunciou a outro casamento para aprofundar a união com o Senhor através da oração, da penitência e das obras de caridade. Portanto, também as viúvas cristãs podem encontrar, nesta Santa, um modelo a seguir. Com efeito, após a morte do marido, Brígida distribuiu os seus bens pelos pobres e, mesmo sem nunca aceder à consagração religiosa, estabeleceu-se no mosteiro cisterciense de Alvastra. Ali, tiveram início as revelações divinas, que a acompanharam durante o resto da sua vida. Elas foram ditadas por Brígida aos seus secretários-confessores, que as traduziram do sueco para o latim e as reuniram numa edição de oito livros, intitulados Revelationes (Revelações). A estes livros acrescenta-se um suplemento, que tem como título precisamente Revelationes extravagantes (Revelações suplementares).
As Revelações de Santa Brígida apresentam um conteúdo e um estilo muito diversificados. Às vezes, a revelação apresenta-se sob a forma de diálogos entre as Pessoas divinas, a Virgem, os Santos e até os demónios; diálogos em que também Brígida intervém. Outras vezes, ao contrário, trata-se da narração de uma visão particular; e noutras, ainda, narra-se aquilo que a Virgem Maria lhe revela acerca da vida e dos mistérios do Filho. O valor das Revelações de Santa Brígida, por vezes objecto de algumas dúvidas, foi especificado pelo Venerável João Paulo II, na Carta ‘Spes aedificandi’: «A Igreja, ao reconhecer a santidade de Brígida, mesmo sem se pronunciar sobre cada uma das revelações, acolheu a autenticidade do conjunto da sua experiência interior» (n. 5).

Com efeito, lendo estas Revelações, somos interpelados sobre muitos temas importantes. Por exemplo, volta-se a descrever frequentemente, com pormenores bastante realistas, a Paixão de Cristo, pela qual Brígida teve sempre uma devoção especial, contemplando nela o amor infinito de Deus pelos homens. Nos lábios do Senhor que lhe fala, ela põe, com audácia, estas palavras comovedoras: «Ó, meus amigos, Eu amo tão ternamente as minhas ovelhas que, se fosse possível, gostaria de morrer muitas outras vezes, por cada uma delas, daquela mesma morte que padeci pela redenção de todas elas» (Revelationes, Livro I, C. 59). Também, a dolorosa maternidade de Maria, que a tornou Mediadora e Mãe de misericórdia, é um assunto que aparece com frequência nas Revelações.
Ao receber estes carismas, Brígida estava consciente de ser destinatária de um dom de grande predilecção da parte do Senhor: «Minha filha — lemos no primeiro Livro das Revelações — Eu escolhi-te para mim; ama-me com todo o seu coração... mais do que tudo quanto existe no mundo» (c. 1). De resto, Brígida sabia bem, e disto estava firmemente convencida, que cada carisma está destinado a edificar a Igreja. Precisamente por este motivo, muitas das suas revelações eram dirigidas, em forma de admoestações até severas, aos fiéis do seu tempo, também às Autoridades religiosas e políticas, a fim de que vivessem coerentemente a sua vida cristã; mas fazia isto sempre com uma atitude de respeito e de fidelidade integral ao Magistério da Igreja, de modo particular ao Sucessor do Apóstolo Pedro.

Em 1349, Brígida deixou, para sempre, a Suécia e veio em peregrinação a Roma. Não só tencionava participar no Jubileu de 1350, mas também desejava obter do Papa a aprovação da Regra de uma Ordem religiosa que ela queria fundar, intitulada ao Santo Salvador, e composta por monges e monjas sob a autoridade da abadessa. Trata-se de um elemento que não nos deve surpreender: na Idade Média existiam fundações monásticas com um ramo masculino e outro feminino, mas com a prática da mesma regra monástica, que previa a direcção de uma abadessa. Com efeito, na grande tradição cristã, à mulher são reconhecidos a sua dignidade e — sempre a exemplo de Maria, Rainha dos Apóstolos — o seu lugar na Igreja que, sem coincidir com o sacerdócio ordenado, é igualmente importante para o crescimento espiritual da Comunidade. Além disso, a colaboração de consagrados e de consagradas, sempre no respeito pela sua vocação específica, tem uma grande importância no mundo contemporâneo.
Em Roma, acompanhada pela filha Karin, Brígida dedicou-se a uma vida de intenso apostolado e de oração. E de Roma partiu em peregrinação a vários santuários italianos, em particular a Assis, pátria de São Francisco, por quem Brígida nutriu sempre uma grande devoção. Finalmente, em 1371, coroou a sua maior aspiração: a viagem à Terra Santa, aonde foi em companhia dos seus filhos espirituais, um grupo ao qual Brígida chamava «os amigos de Deus».
Durante aqueles anos, os Pontífices encontravam-se em Avinhão, longe de Roma: Brígida dirigiu-se sentidamente a eles, a fim de que voltassem para a Sé de Pedro, na Cidade Eterna.

Brígida faleceu, em 1373, antes que o Papa Gregório XI tivesse voltado, definitivamente, para Roma. Foi sepultada provisoriamente na igreja romana de São Lourenço «in Panisperna» mas, em 1374, os seus filhos Birger e Karin trasladaram-na para a pátria, para o mosteiro de Vadstena, sede da Ordem religiosa fundada por Santa Brígida, que conheceu imediatamente uma expansão notável. Em 1391, o Papa Bonifácio IX canonizou-a solenemente.
A santidade de Brígida, caracterizada pela multiplicidade dos dons e das experiências que eu quis recordar, neste breve perfil biográfico-espiritual, faz dela uma figura eminente na história da Europa. Proveniente da Escandinávia, Santa Brígida testemunha como o cristianismo permeou profundamente a vida de todos os povos deste Continente. Declarando-a co-Padroeira da Europa, o Papa João Paulo II fez votos por que Santa Brígida – que viveu no século XIV, quando a cristandade ocidental ainda não estava ferida pela divisão — possa interceder junto de Deus, para obter a graça tão almejada da plena unidade de todos os cristãos. Por esta mesma intenção - que é, por nós, muito desejada - e para que a Europa saiba alimentar-se, sempre, a partir das suas raízes cristãs, queremos rezar, caros irmãos e irmãs, invocando a poderosa intercessão de Santa Brígida da Suécia, discípula fiel de Deus e co-Padroeira da Europa. (cf. Santa Sé: catequese do Papa Bento XVI, em 27 de Outubro de 2010, em Roma)

  

segunda-feira, 10 de julho de 2017

DA PALAVRA DO SENHOR


- XIV DOMINGO DO TEMPO COMUM

“…Vós não estais sob o domínio da carne, mas do Espírito,
 se é que o Espírito de Deus habita em vós.
 Mas se alguém não tem o Espírito de Cristo, não Lhe pertence.
 Se o Espírito d’Aquele que ressuscitou Jesus de entre os mortos
 habita em vós, Ele, que ressuscitou Cristo Jesus de entre os mortos,
 também dará vida aos vossos corpos mortais,
 pelo seu Espírito que habita em vós…” (cf. Romanos 8, 9.11)

PALAVRA DO PAPA FRANCISCO


- homilia do Papa, na Praça de São Pedro – Roma, no dia 29 de Junho, solenidade de São Pedro e São Paulo, na Santa Missa e Bênção dos Pálios dos novos Arcebispos Metropolitanos.

“A liturgia de hoje oferece-nos três palavras que são essenciais para a vida do apóstolo: confissão, perseguição, oração.
A confissão é a que ouvimos dos lábios de Pedro no Evangelho, quando a pergunta do Senhor, de geral, passa a particular. Com efeito, Jesus, primeiro, pergunta: «Quem dizem os homens que é o Filho do Homem?» (Mt 16, 13). Desta «sondagem» resulta, de vários lados, que o povo considera Jesus um profeta. E, então, o Mestre coloca aos discípulos a pergunta verdadeiramente decisiva: «E vós, quem dizeis que Eu sou?» (16, 15). Agora, responde apenas Pedro: «Tu és o Messias, o Filho do Deus vivo» (16, 16). Esta é a confissão: reconhecer em Jesus o Messias esperado, o Deus vivo, o Senhor da nossa própria vida.
Hoje, Jesus dirige esta pergunta vital a nós, a todos nós e, de modo particular, a nós Pastores. É a pergunta decisiva, face à qual não valem respostas de circunstância, porque está em jogo a vida: e a pergunta da vida pede uma resposta de vida. Pois, de pouco serve conhecer os artigos da fé, se não se confessa Jesus como Senhor da nossa própria vida. Hoje, Ele fixa-nos nos olhos e pergunta: «Quem sou Eu para ti?» Como se dissesse: «Sou ainda Eu o Senhor da tua vida, a direcção do teu coração, a razão da tua esperança, a tua confiança inabalável?» Com São Pedro, também nós renovamos hoje a nossa opção de vida como discípulos e apóstolos; passamos novamente da primeira à segunda pergunta de Jesus, para sermos «seus» não só por palavras, mas com os factos e a vida.
Perguntemo-nos se somos cristãos de parlatório, que conversamos sobre como andam as coisas na Igreja e no mundo, ou apóstolos em caminho, que confessam Jesus com a vida, porque O têm no coração. Quem confessa Jesus, sabe que está obrigado não apenas a dar conselhos, mas a dar a vida; sabe que não pode crer de maneira tíbia, mas é chamado a «abrasar» por amor; sabe que, na vida, não pode «flutuar» ou reclinar-se no bem-estar, mas deve arriscar fazendo-se ao largo, apostando, dia-a-dia, com o dom de si mesmo. Quem confessa Jesus, faz como Pedro e Paulo: segue-O até ao fim; não até um certo ponto, mas até ao fim, e segue-O pelo seu caminho, não pelos nossos caminhos. O seu caminho é o caminho da vida nova, da alegria e da ressurreição, o caminho que passa também através da cruz e das perseguições.

E aqui temos a segunda palavra: perseguições. Não foram só Pedro e Paulo que deram o sangue por Cristo, mas, nos primeiros tempos, toda a comunidade foi perseguida, como nos recordou o livro dos Actos dos Apóstolos (cf. 12, 1). Também hoje, em várias partes do mundo, por vezes num clima de silêncio – e, não raro, um silêncio cúmplice –, muitos cristãos são marginalizados, caluniados, discriminados, vítimas de violências mesmo mortais, e não raro sem o devido empenho de quem poderia fazer respeitar os seus direitos sagrados.
Entretanto queria salientar sobretudo aquilo que o apóstolo Paulo afirma antes: «estou pronto – escreve ele – para oferecer-me como sacrifício» (2 Tim 4, 6). Para ele, viver era Cristo (cf. Flp. 1, 21), e Cristo crucificado (cf. 1 Cor 2, 2), que deu a vida por ele (cf. Gal 2, 20). E, assim, Paulo, como discípulo fiel, seguiu o Mestre, oferecendo também ele a vida. Sem a cruz, não há Cristo; mas, sem a cruz, não há sequer o cristão. De facto, «é próprio da virtude cristã não só fazer o bem, mas também saber suportar os males» (Agostinho, Sermão 46, 13), como Jesus. Suportar o mal não é só ter paciência e prosseguir com resignação; suportar é imitar Jesus: é carregar o peso, levá-lo aos ombros por amor d’Ele e dos outros. É aceitar a cruz, prosseguindo confiadamente porque não estamos sozinhos: o Senhor crucificado e ressuscitado está connosco. Deste modo podemos dizer, com Paulo, que «em tudo somos atribulados, mas não esmagados; confundidos, mas não desesperados; perseguidos, mas não abandonados» (2 Cor 4, 8-9).
Suportar é saber vencer com Jesus e à maneira de Jesus, não à maneira do mundo. É por isso que Paulo se considera – como ouvimos – um vencedor que está prestes a receber a coroa (cf. 2 Tim 4, 8), escrevendo: «Combati o bom combate, terminei a corrida, conservei a fé» (4, 7). A única conduta do seu bom combate foi viver para: não para si próprio, mas para Jesus e para os outros. Viveu «correndo», isto é, sem se poupar, antes pelo contrário consumando-se. Há uma coisa que ele diz que conservou: não a saúde, mas a fé, isto é, a confissão de Cristo. Por amor d’Ele viveu as provações, as humilhações e os sofrimentos, que nunca se devem procurar, mas aceitar. E assim, no mistério do sofrimento oferecido por amor, neste mistério que muitos irmãos perseguidos, pobres e doentes encarnam também, hoje, resplandece a força salvífica da cruz de Jesus.

A terceira palavra é oração. A vida do apóstolo, que brota da confissão e desagua na oferta, flui, dia-a-dia, na oração. A oração é a água indispensável que alimenta a esperança e faz crescer a confiança. A oração faz-nos sentir amados, e permite-nos amar. Faz-nos avançar nos momentos escuros, porque acende a luz de Deus. Na Igreja, é a oração que nos sustenta a todos e nos faz superar as provações. Vemo-lo na primeira Leitura: «Enquanto Pedro estava encerrado na prisão, a Igreja orava a Deus, instantemente, por ele» (Act 12, 5). Uma Igreja que ora é guardada pelo Senhor e caminha na companhia d’Ele. Orar é entregar-Lhe o caminho, para que o tome ao seu cuidado. A oração é a força que nos une e sustenta, o remédio contra o isolamento e a autossuficiência que levam à morte espiritual. Com efeito, o Espírito de vida não sopra, se não se reza; e, sem a oração, não se abrem as prisões interiores que nos mantêm prisioneiros.
Que os Santos Apóstolos nos obtenham um coração como o deles, fatigado e pacificado pela oração: fatigado, porque pede, bate à porta e intercede, carregado com tantas pessoas e situações que deve confiar a Deus; mas, ao mesmo tempo, pacificado, porque o Espírito traz consolação e fortaleza quando se ora. Como é urgente haver, na Igreja, mestres de oração, mas antes de tudo homens e mulheres de oração, que vivem a oração!...”  (cf. Santa Sé)

PARA REZAR


SALMO 144

Refrão: Louvarei para sempre o vosso nome, Senhor, meu Deus e meu Rei.

Quero exaltar-Vos, meu Deus e meu Rei,
e bendizer o vosso nome para sempre.
Quero bendizer-Vos, dia após dia,
e louvar o vosso nome para sempre.

O Senhor é clemente e compassivo,
paciente e cheio de bondade.
O Senhor é bom para com todos
e a sua misericórdia se estende a todas as criaturas.

Graças Vos dêem, Senhor, todas as criaturas
e bendigam-Vos os vossos fiéis.
Proclamem a glória do vosso reino
e anunciem os vossos feitos gloriosos.

O Senhor é fiel à sua palavra
e perfeito em todas as suas obras.
O Senhor ampara os que vacilam
e levanta todos os oprimidos.