PALAVRA COM SENTIDO

PALAVRA COM SENTIDO

“…Hás-de temer o Senhor, teu Deus…” (cf. Deuteronómio 6, 2)

Só Deus é Deus e Senhor. E não há outro Deus a quem amar, servir, adorar, acreditar, rezar, agradecer… Temer o Senhor não é ‘ter medo de Deus’. Não precisamos ter medo de Deus: Ele é amor, perdão, misericórdia, alegria, paz, salvação e esperança… Temer o Senhor é reconhecer a grandeza do seu poder; a santidade do seu nome; a ternura que nos dedica; a alegria da vida que nos oferece. Temer o Senhor é acolher a sua Palavra; cumprir os seus mandamentos; responder com fidelidade aos seus apelos; confiar na sua promessa e anunciá-la com a bondade dos nossos gestos. Quem ‘teme a Deus’ procura fazer tudo para não pecar contra ele; fazer nascer no coração o receio e a tristeza de o poder ofender. O apelo feito pela palavra de Deus aponta-nos o caminho da verdade, da justiça, da caridade, da compaixão. Uma grande exigência que nos trará a felicidade e a bênção.

segunda-feira, 8 de janeiro de 2018

SANTOS POPULARES


BEATA MARIA DOLORES RODRIGUEZ SOPEÑA

Dolores Rodríguez Sopeña nasceu em Velez Rubio, Almería, Espanha, em 30 de Dezembro de 1848. Era a quarta de sete irmãos. Os seus pais, Tomás Rodríguez Sopeña e Nicolasa Ortega Salomón tinham deixado Madrid e fixaram-se nesta localidade por motivos de trabalho. Don Tomás tinha completado os seus estudos jurídicos muito jovem e, por isso, ainda não podia exercer a advocacia. Conseguiu emprego, em Velez Rubio, como administrador dos bens do Marquês de Velez.
Dolores passou a sua infância e adolescência em vários lugares da Alpujarras, quando o seu pai começou a desempenhar as funções de juiz e, durante a sua carreira, por razões de trabalho, foi, várias vezes, transferido de localidade. No entanto, Dolores define este período da sua vida como um "lago de tranquilidade."
Em 1866, o seu pai foi nomeado juiz do Tribunal de Almería: Dolores tem, então, 17 anos de idade. Ali, começou a frequentar a sociedade local, como era próprio de uma jovem, filha de um juiz. No entanto, Dolores não se sentia atraída por este estilo de vida em sociedade. O seu verdadeiro interesse era dedicar-se a fazer o bem aos outros.
Em Almería, faz as suas primeiras experiências de apostolado, dirigindo a sua atenção, tanto material como espiritualmente, para os pobres e os enfermos. Particularmente, dedicou-se a duas irmãs que sofreram da febre tifoide e de lepra. Com medo da proibição dos seus pais, fazia, secretamente, estas suas visitas. Nesta altura, começou, também, a visitar os pobres da Conferência de São Vicente de Paulo, agora acompanhada da sua mãe.
Três anos mais tarde, o seu pai foi transferido para o Tribunal de Porto Rico, para onde partiu, primeiramente acompanhado por um dos seus filhos. O resto da família permaneceu em Madrid, por mais algum tempo.
Na capital, Dolores organizou melhor a sua vida: escolheu um director espiritual e passou a trabalhar, dando catequese numa prisão feminina.
Em 1872, toda a família mudou-se para Porto Rico. Dolores tinha 23 anos. Viveu na América até aos 28 anos. Começou, então, o seu contacto com os jesuítas. O Padre Goicoechea foi o seu primeiro director espiritual. Em Porto Rico, fundou a Associação das Filhas de Maria e escolas para as pessoas negras, em que oferece alfabetização e catequese.
Em 1873, o seu pai foi nomeado Juiz do Tribunal de Santiago de Cuba, para onde se locou com a família. Em Cuba, os tempos são difíceis: sentia-se um clima de tensão e de cisma religioso, na ilha. Por esta razão, a actividade de Dolores limitava-se a algumas visitas aos doentes do Hospital Militar. Pediu para ser admitida nas Irmãs de Caridade, mas foi rejeitada, devido a problemas que tinha na vista: com a idade de oito anos, tinha adquirido uma doença nos dois olhos que a prejudicou durante toda a vida.
Tendo sido ultrapassado o clima de tensão religiosa, Dolores começou a trabalhar nos subúrbios de Santiago e fundou o que ela chamou "Centros de Educação". Na verdade, era seu propósito não ensinar somente o catecismo, mas também formar na cultura geral e prestar assistência médica. Este trabalho foi apoiado por muitos colaboradores e realizou-se em três distritos diferentes.
Entretanto, em Cuba, a sua mãe morreu e o pai pediu a sua aposentação, retornando a Madrid, em 1876. De novo em Madrid, Dolores organizou a sua vida em três frentes: o cuidado da casa e o pai; o apostolado - o mesmo que fazia antes de sair da Espanha; e a sua vida espiritual - escolheu um director espiritual e começou a fazer, anualmente, os exercícios espirituais de Santo Inácio.
Em 1883, com a morte do seu pai, surgiu nela o desejo de entrar numa ordem religiosa. Por indicação do seu director espiritual, o Padre Lopez Soldado, entrou para o convento de Salesie, embora nunca antes tivesse pensado numa vida inteiramente contemplativa. Dez dias depois, deixou o convento ao descobrir que não era essa a sua vocação.
Depois da saída do convento, Dolores dedicou-se, mais afincadamente, ao apostolado entre os mais necessitados. Abriu uma "Casa Social", para responder às necessidades das pessoas que encontrava nas suas visitas ao hospital ou à prisão.
Em 1885, Dolores conheceu o Bairro das Injúrias. Observando a vida moral, espiritual e material dos habitantes deste bairro, decidiu realizar um trabalho de visitas, em cada semana, aos moradores deste bairro problemático. Para isso, convidou muitos dos seus amigos que se interessaram por este projecto. Aí, começou o que hoje é chamado "Obra de Doutrinas", antes da criação dos "Centros de Trabalhadores."
Por sugestão do Bispo de Madrid, Mons. Ciríaco Sancha, em 1892, fundou o Apostolado Secular, hoje chamado "Movimento de Leigos Sopeña". No ano seguinte, recebeu a aprovação da autoridade civil e este seu trabalho estendeu-se a oito distritos da capital.
Em 1896, iniciou as suas actividades fora de Madrid. Apesar da oposição de vários membros da associação, o Movimento estabeleceu-se em Sevilha. Após vários desentendimentos com membros da associação, em Madrid, em 1897, Dolores renunciou ao cargo de presidente em Madrid e fixou residência em Sevilha. Em apenas quatro anos, fez 199 viagens, por toda a Espanha, para estabelecer e consolidar o trabalho da “Obra de Doutrinas”.
Em 1900, participou numa peregrinação a Roma, para a celebração do Ano Santo. Fez um dia de retiro, junto do túmulo de São Pedro e, na oração, recebeu a iluminação e a tarefa de fundar um Instituto religioso para continuar o trabalho de “Doutrinas” e que ajudará a apoiar a associação espiritual leiga. O Card. Sancha, na época bispo de Toledo, pediu-lhe para estabelecer este instituto naquela cidade.
Em 24 de Setembro de 1901, em Loyola, na sequência de um curso de exercícios espirituais, feito com oito companheiros, elaborou o acto de início do 'Instituto Dame’ dos catequistas, agora chamado "Instituto Catequético Dolores Sopeña". Porém, a fundação oficial só se verificou no dia 31 de Outubro, em Toledo.
Um dos seus grandes sonhos foi realizado com a criação da associação laical "Serviço Social e Cultural Sopeña - Oscus", que, em 1902, obteve o reconhecimento do governo.
Em 1905, recebeu, da Santa Sé, o Decreto de Louvor (Decretum Laudis); dois anos depois, em 21 de Novembro de 1907, o Papa Pio X aprovou as Constituições do seu Instituto Catequético.
Durante esses anos, as suas "Doutrinas" foram transformados em "Centros de Trabalhadores da Educação," porque havia, entre os trabalhadores, pessoas fortemente imbuídas de anti-clericalismo e não podia ser programada uma instrução abertamente religiosa. Este facto também determinou que as religiosas deste “Instituto Catequético” não podiam usar o hábito tradicional ou até mesmo qualquer sinal religioso. Dolores e as religiosas do seu Instituto tiveram de se adaptar, mudando os seus métodos para poderem alcançar a meta pretendida: “chegar perto dos trabalhadores afastados da Igreja ".
Por detrás das suas actividades ao serviço dos outros, há uma fé profunda e autêntica; uma rica espiritualidade. O seu compromisso com a dignidade da pessoa brota da sua experiência de vida com Deus que é Pai de todos; que nos ama com uma ternura infinita e que nos quer a viver como filhos e irmãos.
Estender a mão a todas as pessoas marginalizadas do seu tempo, era inconcebível para uma mulher, nos finais do século XIX. O segredo da sua audácia é sua fé e a sua confiança ilimitada, em Deus. Este é o seu maior tesouro e que a faz sentir-se um instrumento nas mãos de Deus, um instrumento da fraternidade, do amor, da misericórdia, da igualdade, da dignidade, da justiça e da paz…
Em poucos anos, Dolores estabeleceu centros comunitários nas cidades mais industrializadas do seu tempo. Em 1910, realizou o primeiro Capítulo-Geral do Instituto e foi reeleita Superiora-Geral. Em 1914, fundou uma casa em Roma e, em 1917, o primeiro catequista embarca para o Chile, onde abre a primeira casa do instituto, na América. Actualmente, a obra instituída por Dolores Sopeña está presente em Espanha, Itália, Argentina, Colômbia, Cuba, Chile, Equador, México e República Dominicana.
Dolores Sopeña morreu, em Madrid, no dia 10 de Janeiro de 1918.
Foi beatificada pelo Papa João Paulo II, no dia 23 Março de 2003. Na homilia da missa de beatificação, o Papa disse:  "Eu sou o Senhor, teu Deus, que te fez sair da terra do Egipto, da casa da escravidão" (Êx 20,1). A grande revelação do Sinai mostra-nos Deus que resgata e liberta de toda a escravidão, levando depois à plenitude este desígnio no mistério redentor do seu único Filho, Jesus Cristo. Como deixar de fazer chegar esta sublime mensagem, sobretudo aos que não O sentem no seu coração, porque não conhecem o Evangelho?
Maria Dolores Rodríguez Sopeña sentiu esta necessidade e quis enfrentar o desafio de tornar presente a redenção de Cristo no mundo do trabalho. Por isso, propôs-se como meta "fazer de todos os homens uma só família em Jesus Cristo" (Constituições de 1907). Este espírito cristalizou-se nas três entidades fundadas pela nova Beata: o Movimento dos Leigos Sopeña, o Instituto de Damas Catequistas, hoje chamadas Catequistas Sopeña, e a Obra Social e Cultural Sopeña. Através delas, na Espanha e na América Latina, tem continuidade uma espiritualidade que fomenta a construção de um mundo mais justo, anunciando a mensagem salvífica de Jesus Cristo...”
A memória litúrgica da Beata Maria Dolores Rodriguez Sopeña faz-se no dia 10 de Janeiro.


segunda-feira, 1 de janeiro de 2018

EM DESTAQUE


- 1 DE JANEIRO: DIA MUNDIAL DA PAZ

A Igreja celebra o 51º Dia Mundial da Paz sob o lema: “Migrantes e refugiados: homens e mulheres em busca de paz”. Da mensagem do Papa Francisco, transcrevemos:

“Votos de paz
Paz a todas as pessoas e a todas as nações da terra! A paz, que os anjos anunciam aos pastores na noite de Natal, é uma aspiração profunda de todas as pessoas e de todos os povos, sobretudo de quantos padecem mais duramente pela sua falta. Dentre estes, que trago presente nos meus pensamentos e na minha oração, quero recordar de novo os mais de 250 milhões de migrantes no mundo, dos quais 22 milhões e meio são refugiados. Estes últimos, como afirmou o meu amado predecessor Bento XVI, «são homens e mulheres, crianças, jovens e idosos que procuram um lugar onde viver em paz». E, para o encontrar, muitos deles estão prontos a arriscar a vida numa viagem que se revela, em grande parte dos casos, longa e perigosa, a sujeitar-se a fadigas e sofrimentos, a enfrentar arames farpados e muros erguidos para os manter longe da meta.
Com espírito de misericórdia, abraçamos todos aqueles que fogem da guerra e da fome ou se veem constrangidos a deixar a própria terra por causa de discriminações, perseguições, pobreza e degradação ambiental.
Estamos cientes de que não basta abrir os nossos corações ao sofrimento dos outros. Há muito que fazer antes de os nossos irmãos e irmãs poderem voltar a viver em paz numa casa segura. Acolher o outro requer um compromisso concreto, uma corrente de apoios e beneficência, uma atenção vigilante e abrangente, a gestão responsável de novas situações complexas que às vezes se vêm juntar a outros problemas já existentes em grande número, bem como recursos que são sempre limitados. Praticando a virtude da prudência, os governantes saberão acolher, promover, proteger e integrar, estabelecendo medidas práticas, «nos limites consentidos pelo bem da própria comunidade retamente entendido, [para] lhes favorecer a integração». Os governantes têm uma responsabilidade precisa para com as próprias comunidades, devendo assegurar os seus justos direitos e desenvolvimento harmónico, para não serem como o construtor insensato que fez mal os cálculos e não conseguiu completar a torre que começara a construir…” (cf. Santa Sé)




- solenidade de santa maria, mãe de deus

No primeiro dia do ano, a Igreja celebra a Solenidade de Santa Maria, Mãe de Deus. Desde o início, a Igreja afirma que Maria é a Mãe de Deus, invocando-a com a expressão “Theotokos”, que em grego significa, precisamente, “Mãe de Deus”. Este título aparece nas catacumbas debaixo da cidade de Roma e em antigos monumentos do Oriente.
No Concílio de Éfeso, no ano 431 - cidade onde, segundo a tradição, a Virgem Maria passou os seus últimos anos, os Bispos e os Padres da Igreja declararam: “Sim! A Virgem Maria é Mãe de Deus porque o seu Filho, Cristo, é Deus”.
A “Maternidade de Maria” é uma das primeiras festas marianas da cristandade e celebrava-se no dia 26 de Dezembro, o dia a seguir ao Natal. Com a reforma litúrgica de 1969, a “Maternidade de Maria” passou a ser celebrada no dia 1 de Janeiro, dia em que, um ano antes, em 1968, o Papa Paulo VI havia instituído, para esta mesma data, o Dia Mundial da Paz. Assim, o primeiro dia do ano, a Igreja celebra Maria como Mãe de Deus e reza pela paz.
Em Novembro de 1996, o Papa João Paulo II explicou que “a expressão ‘Mãe de Deus’ nos orienta para o Verbo de Deus que, na Encarnação, assumiu a humildade da condição humana para elevar o homem à filiação divina”(…) “Mas, este título - à luz da sublime dignidade concedida à Virgem de Nazaré – proclama, também, a nobreza da mulher e a sua altíssima vocação. De facto, Deus trata Maria como pessoa livre e responsável e não realiza a encarnação do seu Filho a não ser depois de ter obtido o seu consentimento”. (cf. acidigital)


- VOTOS DE ANO NOVO

O Pároco de Santa Maria da Feira deseja a todos os paroquianos, todos os leitores e todos os homens e mulheres de boa vontade que vivem entre nós, um FELIZ, PRÓSPERO E SANTO Ano Novo.

DA PALAVRA DO SENHOR


- DOMINGO DA SAGRADA FAMÍLIA
        
“…Deus quis honrar os pais nos filhos
 e firmou sobre eles a autoridade da mãe.
 Quem honra seu pai obtém o perdão dos pecados
 e acumula um tesouro quem honra sua mãe.
 Quem honra o pai encontrará alegria nos seus filhos
 e será atendido na sua oração.
 Quem honra seu pai terá longa vida,
 e quem lhe obedece será o conforto de sua mãe…(cf. Lucas 1, 28-33)

Neste Domingo da Sagrada Família – Jesus, Maria e José - dia tão importante para as famílias cristãs, não podemos deixar de lembrar todas as famílias do mundo, rezando para que fortaleçam os seus laços, cuidem dos seus membros e construam lares de felicidade, de partilha e de perdão.
Partilhamos um texto do Papa Francisco, sobre o tema: “Família: lugar de perdão”

“…Não existe família perfeita. Não temos pais perfeitos; não somos perfeitos; não nos casamos com uma pessoa perfeita, nem temos filhos perfeitos. Temos queixas uns dos outros. Decepcionámo-nos uns aos outros. Por isso, não há casamento saudável, nem família saudável, sem o exercício do perdão. O perdão é vital para a nossa saúde emocional e para a nossa sobrevivência espiritual. Sem perdão, a família torna-se numa arena de conflitos e num reduto de mágoas. Sem perdão a família adoece. O perdão purifica a alma, lava a mente e liberta o coração. Quem não perdoa não tem paz na alma, nem comunhão com Deus. A mágoa é um veneno que intoxica e mata. Guardar mágoas no coração é um gesto autodestrutivo. É autofagia. Quem não perdoa adoece física, emocional e espiritualmente. É por isso que a família precisa de ser lugar de vida e não de morte; território de cura e não de adoecimento; palco de perdão e não de culpa. O perdão traz alegria onde a mágoa produziu tristeza; cura, onde a mágoa causou doença…”


PALAVRA DO PAPA FRANCISCO


- resumo da Palavra do Papa, na Audiência - Geral, na Praça de São Pedro, Roma no dia 27 de Dezembro

A construção do presépio e sobretudo as celebrações litúrgicas, com as suas leituras bíblicas e os seus cânticos tradicionais, fazem-nos reviver hoje o Natal do Deus Menino, levando-nos a procurar e a reconhecer a verdadeira luz, que é Jesus. Fez-Se homem como nós, mas apresentou-Se de maneira surpreendente: nasceu duma família humilde e desconhecida, na pobreza dum curral; nasceu da Virgem Maria como qualquer criança deste mundo, mas não veio «da terra», veio do Pai celeste. O mundo não se deu conta de nada, mas os anjos exultam no Céu e vieram dar notícia aos marginalizados da sociedade: os pastores de Belém. São eles os primeiros destinatários da salvação trazida pelo Deus Menino. Sobre eles refulgiu uma grande luz, que os levou até Jesus. E é assim que Ele Se apresenta também a nós: como o dom de Deus para uma humanidade imersa na noite e na sonolência. Jesus é um dom de Deus para nós. E como se acolhe este dom de Deus que é Jesus? Como Ele próprio nos ensinou com a sua vida: tornando-nos diariamente um dom para as pessoas que se cruzam connosco. Por isso mesmo, no Natal, trocamos dons entre nós. Mas, para nós, o verdadeiro dom é Jesus e, como Ele, queremos ser dom para os outros. Assim Jesus não cessará jamais de nascer na vida de cada um de nós e, por nosso intermédio, continuará a ser dom de salvação para os humildes e marginalizados da terra. (cf. Santa Sé)


PARA REZAR


SALMO 127

Refrão: Ditosos os que temem o Senhor;
            ditosos os que seguem os seus caminhos.

Feliz de ti, que temes o Senhor
e andas nos seus caminhos.
Comerás do trabalho das tuas mãos,
serás feliz e tudo te correrá bem.

Tua esposa será como videira fecunda
no íntimo do teu lar;
teus filhos serão como ramos de oliveira
ao redor da tua mesa.

Assim será abençoado o homem que teme o Senhor.
De Sião te abençoe o Senhor:
vejas a prosperidade de Jerusalém
todos os dias da tua vida.

SANTOS POPULARES


SÃO MANUEL GONZÁLEZ GARCIA

Manuel González Garcia nasceu em Sevilha, Espanha, no dia 25 de Fevereiro de 1877. Era filho de Martin Gonzalez Lara, carpinteiro, e de Antónia Garcia Pérez, ambos naturais de Antequera, Málaga, mas domiciliados em Guadalquivir desde o seu casamento. O casal teve cinco filhos: o primeiro morreu pouco depois do nascimento; os que sobreviveram eram três rapazes - Francisco, Martin e Manuel - e uma menina, Antónia, que, mais tarde, será a companheira inseparável do seu irmão Manuel. A família era muito católica e assiduamente praticante, sobretudo a mãe, piedosa senhora que, desde a mais tenra juventude, nunca deixara de assistir à Missa e de comungar todos os dias.
Manuel passou a sua infância junto dos seus pais e dos seus irmãos. Embora em casa nada de essencial lhe faltasse, alguns dos seus desejos pueris nunca puderam ser satisfeitos, como, por exemplo, possuir um burrico com o qual brincar e passear. Todavia, o facto de não terem sido atendidos alguns destes anseios de criança levou-o, anos mais tarde, a dar graças a Deus, porque com isso, dizia ele, aprendera a bem governar os seus gostos pessoais, a ter um conhecimento mais real da vida e a compadecer-se dos necessitados.
Fez a Primeira Comunhão no dia 11 de Maio de 1886. Como era costume na época, recebeu o Sacramento do Crisma em Dezembro desse mesmo ano.
Nessa altura, pôde realizar uma das suas grandes aspirações infantis: fazer parte dos ‘seises’: os famosos meninos que, por especial privilégio, dançam diante do Santíssimo Sacramento, na Catedral de Sevilha.
Fortalecido na fé pelos Sacramentos, começou a crescer no pequeno Manuel o desejo profundo de ser padre. Os seus pais não escondiam o contentamento de poderem, um dia, ver o filho subir ao altar, para celebrar o Santo Sacrifício, mas o desvelo materno não deixava de apontar a seriedade com que deveria ser feita a escolha: “Meu filho, muito nos agradaria ver-te sacerdote; porém, se o Senhor não te chama, não o sejas; desejo mais que sejas um bom cristão, que um mau sacerdote”.
Uma vez, quando tinha 12 anos, Manuel desapareceu de casa. Caiu a noite e não havia indícios de onde pudesse ser encontrado. Em vão, procuram-no em todas as igrejas onde costumava ir. Grande aflição já se fazia sentir entre os seus familiares quando, em determinado momento, o rapaz chegou e pediu perdão aos pais pelo tardio da hora. Então, apresentou-lhes alguns papéis e explicou que voltava do Seminário Menor, onde a sua matrícula acabava de ser aceite, por ter sido aprovado no exame de admissão. Apesar de saber que os pais não se oporiam à sua decisão, resolvera dar, sozinho, os primeiros passos, não esperando ter mais idade para responder ao chamamento que fervilhava na sua alma…
De imaginação viva, grande capacidade intelectual e um coração cheio de generosos sentimentos, conseguiu, por sua constância e vontade firme, passar por todas as dificuldades da primeira etapa do seminário, desde assaltos de escrúpulos e doenças, até investidas contra o sacerdócio, vindas dos sítios mais inesperados…
Certa manhã, em plena sala de aulas, um dos seus professores pronunciou-se, em tons de brincadeira e de troça, contra o celibato eclesiástico. Ao ouvi-lo, Manuel pôs-se de pé e, cheio de brio, declarou: “É indigno que um professor se atreva a falar, com tão pouco respeito, desta delicada matéria. Não podemos consentir que se fale desta maneira aos que nos preparamos para o sacerdócio. Eu protesto com toda a minha alma!”.
Irritou-se o professor ao ser repreendido por um aluno e a aula terminou num clima de tensão. À saída, os seus condiscípulos aplaudiram-no com entusiasmo por aquele acto de coragem e de ousadia. No dia seguinte, o professor rectificou, perante os alunos, a sua opinião e pediu-lhes desculpa pelo seu erro.
Outro facto da época de seminarista revela-nos o seu zelo pela vocação: aproximando-se o tempo do serviço militar, colocou a sua causa nas mãos do Sagrado Coração de Jesus e de Maria Imaculada, pedindo-Lhes que o livrassem deste risco para a sua vocação. No entanto, acabou por ser incorporado nas fileiras militares… Confiante, não se perturbou. Tinha, ainda, a possibilidade de obter a dispensa, pagando um indulto de 1.500 pesetas. Apresentou-se ao reitor do seminário e pediu autorização para recolher, entre os seus conhecidos, a quantia necessária. Escreveu uma carta circular a todos os que julgava com possibilidades de o ajudarem. Nessa carta, discorria sobre o mérito de quem ajudava os seminaristas, suprindo às suas necessidades. Expunha, em seguida, a dificuldade na qual se encontrava e pedia auxílio para salvar a sua vocação, livrando-a dos perigos de uma vida de quartel e do significativo atraso nos estudos. A quantia arrecadada chegou em tal abundância que, além de ter sido suficiente para ele, lhe permitiu também auxiliar outro seminarista em situação análoga.
“Que eu não perca minha vocação”, era seu lema. O futuro sacerdote – e, mais tarde, Bispo – tinha bem clara a noção de que, por mais que os ventos sejam contrários, uma pessoa só não cumpre o convite recebido de Deus por falta de entrega a Ele ou por negligência.
Depois de ter sido ordenado diácono, no dia 11 de Junho de 1901, foi enviado a colaborar em inúmeras missões populares, em diversas aldeias. Tinha no coração grandes sonhos evangelizadores, mas logo começou a dar-se conta de uma terrível realidade: “Para ser franco, as primeiras missões decepcionaram-me. Muitas vezes, voltava para o seminário com uma desilusão tão grande quanto havia sido a minha alegria ao apanhar o comboio, o carro ou o cavalo, que me levaria ao povoado para exercer as minhas funções. Ansioso por encontrar aquele povo simples, aprazível e cristão, deparava-me com miniaturas de cidades grandes, com toda a corrupção moral destas… […] Na verdade, nem tudo era desapontamento e desencanto, pois encontrei também costumes cristianíssimos, conservados em toda a sua força, e preciosos exemplos de fé simples, de corações sadios, de costumes patriarcais, gente parecida à sonhada por mim… Contudo, tais pessoas não eram todo o povoado, e não havia gente assim em todos os povoados”.
Apesar de não ver nos aldeões a sede das coisas divinas - e talvez, exactamente, por este motivo! -, desejava ser para as almas como Cristo, na Sagrada Hóstia: doar-se com amor até ao sacrifício e por toda a vida. Com este propósito no coração, foi ordenado presbítero, no dia 21 de Setembro de 1901, aos 24 anos de idade.
Passou os três primeiros anos da sua vida sacerdotal a pregar nas igrejas da Diocese de Sevilha. Incansável na cura de almas, também o era no zelo por Jesus Sacramentado. Numa das suas missões, em Palomares del Río - cidade-fantasma em matéria de prática religiosa cristã e de frequência dos sacramentos -, recebeu o chamamento divino para ser reparador dos “Sacrários Abandonados”. Tendo ouvido, do sacristão, o relato da pouca piedade dos seus habitantes, descreveu-nos, ele mesmo, o que se passou: “Fui directo ao sacrário da restaurada igreja, em busca de asas para o meu entusiasmo quase desfalecido e… que sacrário! Que esforços a minha fé e o meu ânimo tiveram de fazer para que eu não montasse no burro - que ainda estava amarrado à porta da igreja - e fosse a correr para minha casa! Mas não fugi! […] Ali, de joelhos, diante daquele monte de farrapos e de sujeira, a minha fé via, através daquela velha portinha, um Jesus tão calado, tão paciente, tão menosprezado, tão bom, que me fitava… Parecia-me que, depois de percorrer com a sua vista aquele deserto de almas, pousava em mim o seu olhar, entre triste e suplicante, que me dizia muito e me pedia mais…”.
A partir de então, foi, durante toda a sua vida, um adorador e reparador de Nosso Senhor abandonado nos sacrários. Procurou transmitir o seu espírito de reparação a todos os que se colocaram sob sua direcção, sobretudo aos sacerdotes, pois bem sabia que do exemplo deles depende muito a fé e a devoção do povo católico.
A graça recebida em Palomares del Río marcou, profundamente, o espírito do Padre Manuel. Sempre que contava este episódio, parecia revivê-lo. Foi esta graça, ali recebida, que deu rumo ao seu ministério sacerdotal e a muitas das suas iniciativas pastorais.
Como Capelão de um asilo, em Sevilha, promoveu a adoração ao Santíssimo Sacramento entre os anciãos, com o intuito de que eles, na sua solidão, fizessem companhia ao Grande Abandonado do sacrário. E nunca perdiam a sua hora de vigília! Nascia, assim, uma espécie de “Irmandade dos Abandonados”, os primeiros reparadores do “Sacrário Abandonado”.
Aos 28 anos, foi nomeado, pelo Arcebispo de Sevilha, arcipreste de Huelva, cidade que jazia numa deplorável decadência moral e espiritual. “Que selva espessa e que nuvem negra me esperavam em Huelva!”. Experimentava terríveis provações, quando recebeu do Bispo de León o convite para ser seu secretário. Colocou a decisão nas mãos do seu Arcebispo e recebeu ordem de ficar em Huelva. “Sei bem que não foste ordenado sacerdote para fazer carreira, nem para ganhar cidades e fortalezas, mas para ganhares almas”, argumentou o prelado.
O estado em que se encontrava o sacrário revelava, ao padre Manuel, a medida da vida moral e espiritual da freguesia. Às paróquias vazias ou às igrejas com sacrários abandonados costumava denominá-las “Calvários”. Para reverter tal situação, inaugurou a ‘Obra das Três Marias’, composta por um grupo de piedosas colaboradoras das suas actividades apostólicas, às quais lançou este grande desafio: “Marias adoradoras, ante os olhos dos fariseus modernos e as ingratidões do povo que foi cristão, e perante a covardia e a preguiça dos discípulos, ocupai o vosso posto ‘iuxta crucem cum Maria Mater eius – junto à Cruz com Maria, sua Mãe (de Jesus)’ ”.
Mais tarde, o Padre Manuel Garcia fundou a obra dos ‘Discípulos de São João’. Ambas as iniciativas tinham por objectivo primordial incentivar os fiéis - homens e mulheres - a promoverem a adoração e a reparação diante dos “sacrários-calvários”, a exemplo de Maria Santíssima, Maria Madalena, Maria de Cléofas e São João Evangelista, aos pés da Cruz.
Para seu consolo, estes empreendimentos difundiram-se rápida e largamente. A eles se uniram várias outras obras: Missionários Eucarísticos Diocesanos; Missionárias Eucarísticas de Nazaré, de religiosas; Missionárias Auxiliares Nazarenas, de leigas consagradas; Reparação Infantil Eucarística e Juventude Eucarística Reparadora.
Sobre o seu intenso trabalho para reparar os “Sacrários Abandonados”, dizia: “Não é que não existam, ou nos importem pouco, outros males que ofendem a Deus e afligem os nossos irmãos; mas, deixamos a outras obras e instituições - nascidas ou especializadas para isso - o remédio para os outros males, pois estes não são mais que efeito ou sintomas do gravíssimo e transcendental mal do abandono”.
Em Dezembro de 1915, o Padre Manuel González Garcia foi nomeado Bispo titular de Olimpo e auxiliar de Málaga, recebendo a ordenação episcopal em Janeiro de 1916. Em 1920, ao tornar-se Bispo Málaga, fundamentou sua acção pastoral em três pilares: a formação dos sacerdotes; a educação religiosa das crianças; o cultivo de uma piedade autêntica, entre os fiéis. A cada um destes aspectos deu uma atenção especial, apesar de sentir que Deus o chamou a ser reparador dos “Sacrários Abandonados”. A formação dos futuros sacerdotes levou-o a fundar um seminário em Málaga. Incansável nesta tarefa, Dom Manuel lutou muito para que os sacerdotes estivessem bem preparados e conscientes da importância da sua missão.
Preocupado com a secularização que invadia a Europa e que influenciava até os próprios sacerdotes, exortava-os: “Se o amor que o meu Jesus tem é amor de Hóstia, eu devo ser para Jesus hóstia de amor. Se Jesus é a minha Hóstia de todos os dias e de todas as horas, não devo aspirar e preparar-me para ser a sua hóstia de todas as horas e de todos os dias?” Para além disso, procurava sempre incutir-lhes a convicção de que, ao ser ordenado, o sacerdote deixa de ser um “homem comum”. A pessoa do presbítero fica inteiramente marcada pelo seu ministério; não se trata de uma função a ser exercida apenas por algumas horas diárias. Por isso, alertava-os: “Sacerdotes, meus irmãos, sabei que cada vez que vos vestis de homem, falais como homem, aspirais e ambicionais como homem, olhais os vossos irmãos e os vossos superiores como homem, conduzis-vos na sociedade como homem e não como sacerdote. A revolução secularizadora conquista um triunfo e o espírito cristão sofre uma derrota. Não vos esqueçais de que em ser e viver como sacerdote está toda a vossa honra, a vossa força e a fecundidade da missão que Deus e a Igreja vos confiaram”.
Em Maio de 1931, o anticlericalismo tomou conta das ruas da Espanha. Igrejas e conventos foram queimados e profanados das formas mais bárbaras e inumanas. A cidade de Málaga foi uma das mais afectadas pela onda do ódio religioso. Imagens históricas de Nosso Senhor e de Nossa Senhora arderam na praça pública e, junto com elas, pinturas, documentos e valiosas peças litúrgicas. Há pouco mais de uma década à frente da Diocese de Málaga, Dom Manuel vê o seu palácio episcopal a ser consumido pelas chamas e sem meios para as combater. Para salvar a própria vida procurou refúgio em Gibraltar. Ali permaneceu exilado durante alguns meses. Mais tarde, fixou-se em Ronda mas, logo a seguir, partiu para Madrid, de onde acompanhava os acontecimentos da sua diocese. Em 1935, foi nomeado Bispo de Palência, cidade em que passou o último período da sua vida.
Em Novembro de 1939, a sua saúde, já debilitada, sofreu um grande abalo, com uma enfermidade renal. Em 31 de Dezembro, foi internado no Sanatório do Rosário, em Madrid, onde, na madrugada do dia 4 de Janeiro de 1940, com 62 anos de idade, entregou a sua alma a Deus.
Os seus restos mortais foram depositados aos pés do altar do Santíssimo Sacramento, na Catedral de Palência. Na lápide de mármore branco, ficou gravado o seguinte epitáfio, por ele mesmo composto: “Peço para ser enterrado junto a um sacrário, para que os meus ossos, depois de morto, como a minha língua e a minha pena durante a vida, estejam sempre dizendo aos passantes: Aí está Jesus! Aí está! Não O deixeis abandonado!”
D. Manuel González Garcia foi beatificado pelo Papa João Paulo II, no dia 29 de Abril de 2001, em Roma e canonizado pelo Papa Francisco, no dia 16 de Outubro de 2016.

A memória litúrgica de São Manuel González Garcia celebra-se no dia 4 de Janeiro.

segunda-feira, 25 de dezembro de 2017

DA PALAVRA DO SENHOR


- IV DOMINGO DO ADVENTO
        
“…«Ave, cheia de graça, o Senhor está contigo».
(…) «Não temas, Maria,
 porque encontraste graça diante de Deus.
 Conceberás e darás à luz um Filho,
 a quem porás o nome de Jesus.
 Ele será grande e chamar-Se-á Filho do Altíssimo.
 O Senhor Deus Lhe dará o trono de seu pai David;
Reinará eternamente sobre a casa de Jacob
 e o seu reinado não terá fim»…” (cf. Lucas 1, 28-33)

PALAVRA DO PAPA FRANCISCO


- na Audiência - Geral, na Praça de São Pedro, Roma no dia 20 de Dezembro

Prezados irmãos e irmãs, bom dia!

Hoje gostaria de entrar no concreto da celebração eucarística. A Missa é composta por duas partes: a Liturgia da Palavra e a Liturgia Eucarística, tão estreitamente unidas entre si, que formam um único acto de culto (cf. Sacrosanctum concilium, 56; Ordenamento Geral do Missal Romano, 28). Portanto, iniciada por alguns ritos preparatórios e concluída por outros, a celebração é um único corpo que não se pode separar. Mas, para uma melhor compreensão, procurarei explicar os seus vários momentos, cada um dos quais é capaz de tocar e abranger uma dimensão da nossa humanidade. É necessário conhecer estes santos sinais para viver plenamente a Missa e apreciar toda a sua beleza.
Quando o povo está reunido, a celebração começa com os ritos introdutórios, que incluem a entrada dos celebrantes ou do celebrante; a saudação “O Senhor esteja convosco” ou “A paz esteja convosco”; o acto penitencial com a oração “Confesso”, na qual pedimos perdão pelos nossos pecados; o Kyrie eleison; o hino do Glória e a oração colecta. Chama-se “oração colecta” não porque ali se faz a colecta das ofertas, mas a colecta das intenções de oração de todos os povos. E esta colecta da intenção dos povos eleva-se ao céu como uma prece. A finalidade destes ritos introdutórios é fazer com «que os fiéis reunidos formem comunidade e se predisponham a ouvir, com fé, a palavra de Deus e a celebrar dignamente a Eucaristia» (Ordenamento Geral do Missal Romano, 46). Não é um bom hábito olhar para o relógio e dizer: “Estou a tempo, chego depois do sermão e assim cumpro o preceito”. A Missa começa com o sinal da cruz, com estes ritos introdutórios, porque ali começamos a adorar a Deus como comunidade. E, por isso, é importante procurar não chegar atrasado mas, pelo contrário, devemos chegar antecipadamente, a fim de preparar o coração para este rito, para esta celebração da comunidade.
Geralmente, enquanto se executa o cântico de entrada, o sacerdote com os outros ministros chega, processionalmente, ao presbitério e, aqui, saúda o altar com uma inclinação e, em sinal de veneração, beija-o e, quando há incenso, incensa-o. Porquê? Porque o altar é Cristo: é figura de Cristo. Quando fitamos o altar, olhamos precisamente para onde está Cristo. O altar é Cristo. Estes gestos, que correm o risco de passar despercebidos, são muito significativos, porque exprimem, desde o início, que a Missa é um encontro de amor com Cristo o qual, «oferecendo o seu corpo na cruz [...] se tornou altar, vítima e sacerdote» (Prefácio pascal V). Com efeito, sendo sinal de Cristo, o altar «é o centro da acção de graças que se realiza com a Eucaristia» (Ordenamento Geral do Missal Romano, 296), com toda a comunidade em volta do altar, que é Cristo; não para nos olharmos na cara, mas para fitar Cristo, porque Cristo está no centro da comunidade e não longe dela.
Depois há o sinal da cruz. O sacerdote que preside faz o sinal da cruz e, de igual modo, o fazem todos os membros da assembleia, conscientes de que o acto litúrgico se realiza «em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo». E, aqui, quero referir um pormenor: Vedes como as crianças fazem o sinal da cruz? Não sabem o que fazem: às vezes, fazem uma gatafunhada, que não é o sinal da cruz. Por favor: mãe e pai, avós, ensinai às crianças, desde o início - desde pequeninos - a fazer bem o sinal da cruz. E explicai-lhes que isso significa ter a Cruz de Jesus como protecção. A Missa começa com o sinal da cruz. Toda a oração move-se, por assim dizer, no espaço da Santíssima Trindade - “Em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo” - que é espaço de comunhão infinita; tem como origem e fim o amor de Deus, Uno e Trino, manifestado e doado a nós, na Cruz de Cristo. Com efeito, o seu mistério pascal é dom da Trindade e a Eucaristia brota sempre do seu Coração trespassado. Portanto, fazendo o sinal da cruz, não só recordamos o nosso Baptismo mas, também, afirmamos que a prece litúrgica é o encontro com Deus, em Jesus Cristo, que por nós se encarnou, morreu na cruz e ressuscitou glorioso.
Em seguida, o sacerdote dirige a saudação litúrgica, com a expressão: «O Senhor esteja convosco», ou outra semelhante - existem diversas - e a assembleia responde: «E com o teu espírito». Estamos em diálogo; estamos no início da Missa e temos que pensar no significado de todos estes gestos e palavras. Entramos numa “sinfonia”, na qual ressoam vários tons de vozes, e inclusive momentos de silêncio, em vista de criar o “acordo” entre todos os participantes, ou seja, de nos reconhecermos animados por um único Espírito e por um mesmo fim. Com efeito, «a saudação sacerdotal e a resposta do povo manifestam o mistério da Igreja congregada» (Ordenamento Geral do Missal Romano, 50). Exprime-se assim a fé comum e o desejo recíproco de estar com o Senhor e de viver a unidade com a humanidade inteira.
Esta é uma sinfonia orante, que se vai criando e apresenta, logo a seguir, um momento muito comovedor, pois quem preside convida todos a reconhecer os seus próprios pecados. Todos somos pecadores. Não sei, talvez algum de vós não seja pecador... Se alguém não é pecador, levante a mão, por favor; assim todos veremos. Mas não há mãos levantadas, está bem: tendes uma boa-fé! Todos somos pecadores; é por isso que, no início da Missa, pedimos perdão. É o acto penitencial. Não se trata apenas de pensar nos pecados cometidos, mas muito mais: é o convite a confessar-nos pecadores, diante de Deus e da comunidade - perante os irmãos - com humildade e sinceridade, como o publicado no templo. Se, verdadeiramente, a Eucaristia torna presente o Mistério pascal, ou seja, a passagem de Cristo da morte para a vida, então a primeira coisa que devemos fazer é reconhecer quais são as nossas situações de morte para poder ressuscitar com Ele para a nova vida. Isto leva-nos a compreender como é importante o acto penitencial. E, por isso, retomaremos este tema na próxima catequese.
Vamos, passo a passo, na explicação da Missa. Mas recomendo-vos: por favor, ensinai bem as crianças a fazer o sinal da cruz! (cf. Santa Sé)

PARA REZAR


SALMO 88

Refrão: Cantarei eternamente as misericórdias do Senhor.

Cantarei eternamente as misericórdias do Senhor
e para sempre proclamarei a sua fidelidade.
Vós dissestes: «A bondade está estabelecida para sempre»,
no céu permanece firme a vossa fidelidade.

«Concluí uma aliança com o meu eleito,
fiz um juramento a David meu servo:
‘Conservarei a tua descendência para sempre,
estabelecerei o teu trono por todas as gerações’».

«Ele Me invocará: ‘Vós sois meu Pai,
meu Deus, meu Salvador’.
Assegurar-lhe-ei para sempre o meu favor,
a minha aliança com ele será irrevogável». 

SANTOS POPULARES


SANTA CATARINA VOLPICELLI

Catarina Volpicelli nasceu em Nápoles, no dia 21 de Janeiro de 1839, no seio de uma família da alta burguesia, da qual recebeu sólida formação humana e religiosa. Estudou letras, línguas e música, coisa não frequente para as mulheres do seu tempo. Guiada pelo Espírito Santo e através dos directores espirituais, Catarina renunciou à vida social que apreciava para responder a uma voz interior que a chamava para a vida religiosa.
Em 1854, encontrou-se, casualmente, com Ludovico de Casoria, na sua cidade de Nápoles, que, anos mais tarde, foi declarado ‘bem-aventurado’. Este encontro foi, depois, considerado por Catarina, uma graça providencial de Deus porque, por seu intermédio, inscreveu-se na Ordem Franciscana Secular. O Padre Ludovico foi determinante quando lhe indicou que o único objectivo da sua vida deveria ser o culto ao Sagrado Coração de Jesus. Apesar disso, cinco anos depois, orientada pelo seu confessor, entrou numa Congregação religiosa, saindo, logo em seguida, por graves motivos de saúde.
Naquela altura, a Igreja de Nápoles estava a viver tempos muito difíceis: a invasão das tropas de Garibaldi, a perseguição movida pelos maçons e a dispersão dos jesuítas eram alguns desafios para o apostolado, nesse tempo.
Em Roma, realizava-se o Primeiro Concílio do Vaticano (1869-1870), convocado pelo Papa Pio IX. Paralelamente, um grupo de anticlericais realizava o “Anti-concílio de livre pensadores”. Foi neste contexto que Catarina decidiu começar a sua obra, com o acompanhamento espiritual do Padre Ludovico. Contudo, o plano de Deus para Catarina era outro. O Padre Ludovico percebeu-o bem e, muitas vezes, dizia-lhe: "O Coração de Jesus é a tua obra, Catarina!"
Catarina, por indicação do seu confessor, tornou-se a primeira mulher a receber, em Itália, o diploma de zeladora da ‘Associação do Apostolado da Oração’, concedido pelo Apostolado da Oração de França. Em 1867, estabeleceu a sua Sede, em Nápoles, onde se dedicou às actividades apostólicas. No edifício de Largo Petrone, em Nápoles, Catarina reuniu 12 mulheres que partilhavam as mesmas inquietações e denominou-as “zeladoras do apostolado e da oração”.
Foram muitos e grandes os frutos deste seu apostolado. Graças à amizade e aos conselhos de Catarina Volpicelli, o hoje beato Bártolo Longo - fundador do santuário de Nossa Senhora do Rosário, em Pompeia – operou uma conversão radical, depois de muitos anos dedicado à superstição e ao espiritismo. "Ele tinha-se afastado da Igreja mas, com ela, conseguiu converter-se; fez a primeira comunhão; e da casa de Volpicelli foi para Pompeia, para fundar o santuário", escreveu Carmela Vergara, postuladora da causa de canonização de Catarina e religiosa da Congregação das Escravas do Sagrado Coração.
O apostolado da oração passou a ser o ponto central da espiritualidade de Catarina. Na sua vida, totalmente consagrada ao Coração de Jesus, distinguem-se três aspectos: a profunda espiritualidade eucarística, a integral fidelidade à Igreja e a imensa generosidade apostólica.
Em 1874, com as suas primeiras zeladoras, Catarina fundou o novo ‘Instituto das Servas do Sagrado Coração de Jesus’, aprovado inicialmente pelo seu Arcebispo, e, em 1890, pelo Vaticano. Preocupada com o futuro da juventude, abriu um orfanato, fundou uma biblioteca itinerante e instituiu a ‘Associação das Filhas de Maria’. Em pouco tempo, abriu outras casas em Itália. E as Servas muito se distinguiram na assistência às vítimas da cólera, em 1884, em várias localidades italianas.
Em 14 de Maio de 1884, o novo Arcebispo de Nápoles, Guilherme Sanfelice, consagrou o Santuário dedicado ao Sagrado Coração, construído ao lado da Casa Mãe das Servas do Sagrado Coração de Jesus’.
Catarina foi, várias vezes, a Roma para se encontrar com o Papa Leão XIII, que a estimulou a seguir em frente com o seu Instituto. A sua aprovação pontifícia foi decretada, em 1911, pelo Papa São Pio X.
A participação de Catarina no Primeiro Congresso Eucarístico Nacional, celebrado em Nápoles, em 1891, foi um acto culminante do apostolado da fundadora e das Servas do Sagrado Coração de Jesus.
Catarina morreu no dia 28 de Dezembro de 1894, em Nápoles, com 55 anos de idade. Antes de falecer, deixou uma carta aos seus familiares, na qual dizia: "Iluminada por Deus bendito, na sua infinita misericórdia, acima da vaidade do mundo e do dever de gastar-me total e unicamente no servir a Deus, meu Criador, Redentor e Benfeitor, segundo o seu beneplácito, a Ele consagrei e paguei o ser e o que Ele me deu".
Catarina Volpicelli foi beatificada pelo Papa João Paulo II, no dia 29 de Abril de 2001. E foi canonizada pelo Papa Bento XVI, no dia 26 de Abril de 2009. Na Homilia da celebração, o Papa disse: “…Testemunha do amor divino foi também Santa Caterina Volpicelli, que se esforçou por "ser de Cristo, para conduzir a Cristo" quantos teve a ventura de encontrar na Nápoles nos finais do séc. XIX, num tempo de crise espiritual e social. Também para ela o segredo foi a Eucaristia. Recomendava às suas primeiras colaboradoras que cultivassem uma intensa vida espiritual na oração e, sobretudo, o contacto vital com Jesus eucarístico. Esta é também hoje a condição para prosseguir a obra e a missão por ela iniciada e deixada em herança às "Servas do Sagrado Coração". Para ser autênticas educadoras da fé, desejosas de transmitir às novas gerações os valores da cultura cristã, é indispensável, como gostava de repetir, libertar Deus das prisões nas quais os homens o colocaram. De facto, só no Coração de Cristo a humanidade pode encontrar a sua "morada permanente". Santa Caterina mostra às suas filhas espirituais e a todos nós, o caminho exigente de uma conversão que mude radicalmente o coração, e se transforme em acções coerentes com o Evangelho. Assim é possível lançar as bases para construir uma sociedade aberta à justiça e à solidariedade, superando aquele desequilíbrio económico e cultural que continua a subsistir em grande parte do nosso planeta…”

A sua memória litúrgica celebra-se no dia 28 de Dezembro.  

segunda-feira, 18 de dezembro de 2017

EM DESTAQUE


- CELEBRAÇÃO DO NATAL DE JESUS



Dentro de 8 dias, a Igreja celebra o Natal de Jesus. É uma festa vivida pelos cristãos do mundo inteiro e com grande influência festiva mesmo para aqueles que não são cristãos ou não têm fé. Em todo o mundo, há sinais de festa, de solidariedade, de partilha, de atenção aos mais pobres provocados pela força desta memória cristã.
Contudo, não podemos esquecer que a verdadeira Festa de Natal é Jesus que, sendo Deus, se fez carne, um no meio de nós, para nos transmitir a alegria e a paz do céu. Nesse mistério de um Deus connosco, o Filho de Deus fez-se criança, pequeno, humilde e pobre para transformar o mundo através da caridade e da misericórdia. Para ajudar à preparação e vivência do Natal cristão, apresentamos algumas palavras da Homilia do Papa Francisco na Missa do galo, no dia 24 de Dezembro de 2016, na Basílica de São Pedro, em Roma: “… «Manifestou-se a graça de Deus, portadora de salvação para todos os homens» (Tt 2, 11). Estas palavras do Apóstolo Paulo revelam o mistério desta noite santa: manifestou-se a graça de Deus, o seu presente gratuito. No Menino que nos é dado, concretiza-se o amor de Deus por nós.
É uma noite de glória, a glória proclamada pelos anjos em Belém e também por nós em todo o mundo. É uma noite de alegria, porque, desde agora e para sempre, Deus, o Eterno, o Infinito, é Deus connosco: não está longe, não temos de O procurar nas órbitas celestes nem em qualquer ideia mística; está próximo, fez-Se homem e não Se separará jamais desta nossa humanidade que assumiu. É uma noite de luz: a luz, profetizada por Isaías e que havia de iluminar quem caminha em terra tenebrosa (cf. 9, 1), manifestou-se e envolveu os pastores de Belém (cf. Lc 2, 9).
Os pastores descobrem, pura e simplesmente, que «um menino nasceu para nós» (Is 9, 5) e compreendem que toda aquela glória, toda aquela alegria, toda aquela luz se concentram num único ponto, no sinal que o anjo lhes indicou: «Encontrareis um menino envolto em panos e deitado numa manjedoura» (Lc 2, 12). Este é o sinal de sempre para encontrar Jesus; não só então, mas hoje também. Se queremos festejar o verdadeiro Natal, contemplemos este sinal: a simplicidade frágil dum pequenino recém-nascido, a mansidão que demonstra no estar deitado, a ternura afectuosa das fraldas que O envolvem. Ali está Deus. (…)
Deixemo-nos interpelar pelo Menino na manjedoura, mas deixemo-nos interpelar também pelas crianças que, hoje, não são reclinadas num berço, nem acariciadas pelo carinho duma mãe e dum pai, mas jazem nas miseráveis «manjedouras de dignidade»: no abrigo subterrâneo para escapar aos bombardeamentos, na calçada duma grande cidade, no fundo dum barco sobrecarregado de migrantes. Deixemo-nos interpelar pelas crianças que não se deixam nascer, as que choram porque ninguém lhes sacia a fome, aquelas que na mão não têm brinquedos, mas armas.
O mistério do Natal, que é luz e alegria, interpela e mexe connosco, porque é um mistério de esperança e simultaneamente de tristeza. Traz consigo um sabor de tristeza, já que o amor não é acolhido, a vida é descartada. Assim acontece a José e Maria, que encontraram as portas fechadas e puseram Jesus numa manjedoura, «por não haver lugar para eles na hospedaria» (Lc 2, 7). Jesus nasce rejeitado por alguns e na indiferença da maioria. E a mesma indiferença pode reinar também hoje, quando o Natal se torna uma festa onde os protagonistas somos nós, em vez de ser Ele; quando as luzes do comércio põem na sombra a luz de Deus; quando nos afanamos com as prendas e ficamos insensíveis a quem está marginalizado. Esta mundanidade fez refém o Natal; é preciso libertá-lo!
Mas o Natal tem sobretudo um sabor de esperança, porque, não obstante as nossas trevas, resplandece a luz de Deus. A sua luz gentil não mete medo; enamorado por nós, Deus atrai-nos com a sua ternura, nascendo pobre e frágil no nosso meio, como um de nós. Nasce em Belém, que significa «casa do pão»; deste modo parece querer dizer-nos que nasce como pão para nós; vem à nossa vida, para nos dar a sua vida; vem ao nosso mundo, para nos trazer o seu amor. Vem, não para devorar e comandar, mas alimentar e servir. Há, pois, uma linha direta que liga a manjedoura e a cruz, onde Jesus será pão repartido: é a linha direta do amor que se dá e nos salva, que dá luz à nossa vida, paz aos nossos corações. (…)
Entremos no verdadeiro Natal com os pastores, levemos a Jesus aquilo que somos, as nossas marginalizações, as nossas feridas não curadas, os nossos pecados. Assim, em Jesus, saborearemos o verdadeiro espírito do Natal: a beleza de ser amado por Deus. Com Maria e José, paremos diante da manjedoura, diante de Jesus que nasce como pão para a minha vida. Contemplando o seu amor humilde e infinito, digamos-Lhe pura e simplesmente obrigado: Obrigado, porque fizestes tudo isto por mim!»...” (cf. Santa Sé)


- FELIZ NATAL



A todos os nossos leitores; aos habitantes da nossa cidade de Santa Maria da Feira; a todos os homens e mulheres de boa vontade, crentes e não crentes, desejamos que este tempo de NATAL - e a sua vivência festiva - seja tempo de LUZ e de PAZ, de COMUNHÃO e de ESPERANÇA, de PARTILHA e de BÊNÇÃO.
FELIZ E SANTO NATAL, com JESUS e com os IRMÃOS.

DA PALAVRA DO SENHOR


- III DOMINGO DO ADVENTO
        
“…O espírito do Senhor está sobre mim,
 porque o Senhor me ungiu e me enviou
 a anunciar a boa nova aos pobres,
 a curar os corações atribulados,
 a proclamar a redenção aos cativos
 e a liberdade aos prisioneiros,
 a promulgar o ano da graça do Senhor…” (cf. Isaías 61, 1-2a )

PALAVRA DO PAPA FRANCISCO


- na Audiência - Geral, na Praça de São Pedro, Roma no dia 6 de Dezembro

Estimados irmãos e irmãs, bom dia!
Retomando o caminho das catequeses sobre a Missa, hoje perguntemo-nos: por que vamos à Missa, aos Domingos?
A celebração dominical da Eucaristia está no centro da vida da Igreja (cf. Catecismo da Igreja Católica, n. 2177). Nós, cristãos, vamos à Missa, aos Domingos, para encontrar o Senhor Ressuscitado, ou melhor, para nos deixarmos encontrar por Ele; ouvir a sua palavra; alimentar-nos à sua mesa; e, assim, tornarmo-nos Igreja, isto é, o seu Corpo místico, vivo no mundo.
Desde o princípio, os discípulos de Jesus compreenderam isto e celebravam o encontro eucarístico com o Senhor no dia da semana a que os judeus chamavam “o primeiro da semana” e os romanos “dia do sol”, porque, naquele dia, Jesus tinha ressuscitado dos mortos e aparecido aos discípulos, falando com eles, comendo com eles, concedendo-lhes o Espírito Santo (cf. Mt 28, 1; Mc 16, 9.14; Lc 24, 1.13; Jo 20, 1.19), como ouvimos na leitura bíblica. Também a grande efusão do Espírito, no Pentecostes, teve lugar no Domingo, cinquenta dias depois da Ressurreição de Jesus. Por estas razões, o Domingo é um dia santo para nós, santificado pela celebração eucarística, presença viva do Senhor entre nós e para nós. Portanto, é a Missa que faz o Domingo cristão! O Domingo cristão gira em volta da Missa. Que Domingo é, para o cristão, aquele no qual falta o encontro com o Senhor?
Existem comunidades cristãs que, infelizmente, não podem beneficiar da Missa todos os Domingos; no entanto, também elas, neste dia santo, são chamadas a recolher-se em oração em nome do Senhor, ouvindo a Palavra de Deus e mantendo vivo o desejo da Eucaristia.
Algumas sociedades secularizadas perderam o sentido cristão do Domingo iluminado pela Eucaristia. Isto é pecado! Em tais contextos, é preciso reavivar esta consciência, para recuperar o significado da festa, o significado da alegria, da comunidade paroquial, da solidariedade e do descanso que revigora a alma e o corpo (cf. Catecismo da Igreja Católica, nn. 2177-2188). De todos estes valores, a Eucaristia é nossa mestra, Domingo após Domingo. Por isso, o Concílio Vaticano II quis reiterar que «o Domingo é, pois, o principal dia de festa a propor e inculcar no espírito dos fiéis; seja, também, o dia da alegria e do repouso, da abstenção do trabalho» (Const.  Sacrosanctum concilium, 106).
A abstenção dominical do trabalho não existia nos primeiros séculos: é uma contribuição específica do cristianismo. Por tradição bíblica, os judeus descansam no sábado, enquanto na sociedade romana não estava previsto um dia semanal de abstenção dos trabalhos servis. Foi o sentido cristão do viver como filhos e não como escravos, animado pela Eucaristia, que fez do Domingo - quase universalmente - o dia do descanso.
Sem Cristo, estamos condenados a ser dominados pelo cansaço do dia-a-dia, com as suas preocupações, e pelo medo do amanhã. O encontro dominical com o Senhor dá-nos a força para viver o presente com confiança e coragem, e para progredir com esperança. Por isso, nós, cristãos, vamos encontrar-nos com o Senhor aos Domingos, na celebração eucarística.
A comunhão eucarística com Jesus, Ressuscitado e Vivo eternamente, antecipa o Domingo sem ocaso, quando já não haverá cansaço, nem dor, nem luto, nem lágrimas, mas só a alegria de viver plenamente e, para sempre, com o Senhor. Inclusive, sobre este abençoado descanso, nos fala a Missa dominical, ensinando-nos, no decorrer da semana, a confiar-nos nas mãos do Pai que está nos Céus.
Como podemos responder a quem diz que não é preciso ir à Missa - nem sequer aos domingos - porque o importante é viver bem e amar o próximo? É verdade que a qualidade da vida cristã se mede pela capacidade de amar, como disse Jesus: «Por isto, todos saberão que sois meus discípulos se vos amardes uns aos outros» (Jo 13, 35). Mas, como podemos praticar o Evangelho sem absorver a energia necessária para o fazer, um domingo após o outro, da fonte inesgotável da Eucaristia? Não vamos à Missa para oferecer o que quer que seja a Deus, mas para receber d’Ele aquilo de que verdadeiramente temos necessidade. Recorda-o a oração da Igreja, que assim se dirige a Deus: «Tu não precisas do nosso louvor, mas por um dom do teu amor chamas-nos a dar-te graças; os nossos hinos de bênção não aumentam a tua grandeza, mas obtém para nós a graça que nos salva» (Missal Romano, Prefácio comum IV).
Em síntese, por que ir à Missa aos domingos? Não é suficiente responder que é um preceito da Igreja. Isso ajuda a preservar o seu valor mas, sozinho, não basta. Nós, cristãos, temos necessidade de participar na Missa dominical, porque só com a graça de Jesus, com a sua presença viva em nós e entre nós, podemos pôr em prática o seu mandamento e, assim, ser suas testemunhas credíveis. (cf. Santa Sé)

PARA REZAR


SALMO (cf. Lucas 1…)

Refrão: A minha alma exulta no Senhor.

A minha alma glorifica o Senhor
e o meu espírito se alegra em Deus, meu Salvador,
porque pôs os olhos na humildade da sua serva:
de hoje em diante me chamarão bem-aventurada todas as gerações.

O Todo-poderoso fez em mim maravilhas:
Santo é o seu nome.
A sua misericórdia se estende de geração em geração
sobre aqueles que O temem.

Aos famintos encheu de bens
e aos ricos despediu-os de mãos vazias.
Acolheu a Israel, seu servo,
lembrado da sua misericórdia.

SANTOS POPULARES


BEATO BARTOLOMEU MARIA DO MONTE

Bartolomeu Maria Dal Monte nasceu na cidade de Bolonha, no dia 3 de Novembro de 1726. Filho de pais ricos, foi o quinto filho do casal. Mas viveu como filho único, uma vez que os seus quatro irmãos, nascidos antes dele, tinham morrido poucos dias após o nascimento. A sua mãe, Ana Maria Bassani desejou, profundamente, o seu nascimento e, para isso, fez uma promessa a São Francisco da Paula.
Bartolomeu cresceu na família, protegido com carinho e alegria, considerado o mais precioso tesouro da casa. Pelos sete anos de idade, no dia 26 de Abril de 1733, recebeu o sacramento da Confirmação, administrado pelo Arcebispo de Bolonha, Cardeal Prospero Lambertini que, em 1740, foi eleito Papa, sob o nome de Bento XIV.
Dotado de uma inteligência viva, Bartolomeu foi orientado pelos pais para o estudo das humanidades, e entrou no Colégio dos Jesuítas de Santa Luzia, onde descobriu a sua vocação para o sacerdócio. Esta sua decisão foi um duro golpe para os seus pais que se opuseram à concretização da sua vocação. Mas Bartolomeu, depois de ter conhecido o Padre Leonardo de Porto Maurício - o pregador franciscano das “missões”  e canonizado pela Igreja (São Leonardo)– escolheu, contra a vontade do pai, seguir o caminho do sacerdócio.
Foi ordenado sacerdote, no dia 20 de Dezembro de 1749, pelo Administrador Diocesano, enviado pelo Papa Bento XIV. Depois da ordenação, continuou os seus estudos, para obter a sua licenciatura em Teologia, tendo terminado o seu curso em 30 de Dezembro de 1751.
Depois dos primeiros anos, dedicados à aprendizagem da arte da pregação, o Padre Bartolomeu Maria do Monte empreendeu uma actividade missionária extraordinária, começando pelas paróquias da diocese de Bolonha. Depois, e ao longo dos seus 26 anos de pregação generosa, realizou a sua missão evangelizadora em 62 dioceses do Norte de Itália e da Europa Central. Pregou centenas de missões e promoveu retiros para o clero, religiosos e leigos, sendo testemunha de muitas conversões e reconciliações entre pessoas que se detestavam. A sua pregação sempre foi livre de excessos e de penitências inúteis, mas sempre usou a palavra com força, simplicidade e método, pelo que veio a ser chamado o “missionário da discrição”. Aplicava, no seu ministério, o exemplo do próprio Cristo: intransigente em proclamar a verdade; mas bondoso e compassivo com os pecadores, verdadeiro sacerdote de Deus, dedicando-se totalmente à salvação das almas, nutrindo uma grande devoção a Maria, Mãe de Misericórdia.
Em 1774, aos 48 anos, foi chamado pelo Cardeal-Vigário de Roma para pregar a missão solene, na Praça Navona, na preparação do Ano Santo de 1775 e para dirigir os exercícios espirituais do clero romano, na Igreja do Jesus.
O Papa Pio VI queria mantê-lo, permanentemente, em Roma, mas ele preferiu continuar a sua missão de evangelização entre os pobres do campo. O Arcebispo de Bolonha, que o escolhera para Reitor do Seminário, acabou, igualmente, por deixá-lo livre, para que continuasse as pregações durante as esgotantes missões que promovia.
Devorado pelo zelo apostólico, ofereceu-se para as missões na Índia mas, por causa da sua debilitada saúde, foi dissuadido disso pelos seus superiores.
Utilizando a propriedade herdada do seu pai, fundou a “Pia Obra das Missões” para dar solidez e continuidade às missões, cercando-se de colaboradores sensíveis e inteligentes. Mas, acima de tudo, ele queria que o seu trabalho fosse uma fonte de apóstolos, de padres diocesanos em plena comunhão com o bispo, totalmente disponíveis para a pregação: estava convencido de que não se podia ser autodidacta na vida difícil de pregador.
Criou estruturas adequadas para o ensino dos seus colaboradores, dando-lhes interessantes escritos espirituais, elaborados por ele mesmo. Alguns destes escritos foram publicados pelo Vaticano, em 1906.
O Padre Bartolomeu era um homem de sólida formação cultural, formado em teologia, com total dedicação a Cristo, confiado na devoção a Maria. Sempre foi um acérrimo defensor da dignidade do sacerdócio, um excelente preparador “missionário” e muito zeloso. Por isso, ainda hoje, é considerado um modelo de espiritualidade sacerdotal ao serviço da evangelização.
Apenas dois meses antes de terminar a sua existência, esgotado pelas fadigas apostólicas, durante a sua última missão, exclamou: “Eu vou morrer em Bolonha, na véspera de Natal” e, efectivamente, na sequência de complicações pulmonares, morreu no dia 24 de Dezembro de 1778, confortado pelos sacramentos e na presença do Arcebispo de Bolonha. Tinha apenas 52 anos de idade.
O seu corpo foi enterrado na Basílica de São Petrónio, em Bologna.
O Padre Bartolomeu Maria do Monte foi beatificado, em Bolonha, no dia 27 de Setembro de 1997, pelo Papa João Paulo II. Na homilia da solene celebração, o Papa disse: “… Caríssimos Irmãos e Irmãs! É este o dia da beatificação do sacerdote Bartolomeu Maria Dal Monte. A Igreja inteira, e em particular a Comunidade cristã de Bolonha que o teve por filho, alegra-se porque hoje o seu nome é inscrito, de modo solene, no «livro da vida» (Ap 21,27).
O novo Beato despendeu a sua breve existência terrena no anúncio da «palavra da verdade, o Evangelho» (Col 1,5). O Senhor serviu-Se dele e da sua fidelidade, para fazer chegar essa palavra íntegra, viva e vivificante a tantas pessoas que estavam em busca. Cumpria-se assim, também através da sua pessoa, a promessa de Jesus: «E Eu estarei sempre convosco, até ao fim do mundo» (Mt 28,20). (…)
A actividade terrena de Bartolomeu Maria Dal Monte, embora assinalada por um empenho tipicamente intraeclesial, como a pregação missionária ao povo e a formação dos sacerdotes, exerceu uma grande influência no próprio tecido civil da nação, contribuindo, de maneira eficaz, para promover nele as componentes da justiça, da concórdia e da paz. (…)
Caríssimos Irmãos e Irmãs, a beatificação de Bartolomeu Maria Dal Monte insere-se, de modo providencial, nas celebrações do Congresso Eucarístico, porque põe em grande evidência o vínculo existente entre um modo consciente de viver a espiritualidade eucarística e o empenho pessoal e eclesial na evangelização.
Na Itália do século XVIII, situações de alastrante ignorância religiosa e fenómenos de preocupante descristianização, que contagiavam cidades e zonas rurais, foram contrastadas, de modo surpreendente, por aqueles santos sacerdotes que se dedicaram, com generosidade, às missões populares. Entre eles esteve também São Leonardo de Porto Maurício que conheceu pessoalmente o Padre Bartolomeu Maria e o encorajou a empreender esta actividade pastoral.
A fama da eficácia das missões populares e da santidade e generosidade do Padre Bartolomeu difundiu-se tão rapidamente que, com dificuldade, ele conseguia atender a todos os pedidos. (…)
Na época em que a formação para o sacerdócio não conhecia o longo percurso actual do Seminário, o Padre Bartolomeu Maria intuiu a exigência de sacerdotes diocesanos que, em plena comunhão com o próprio Bispo, estivessem totalmente disponíveis para a pregação. A fim de os preparar, de modo adequado, instituiu a «Pia Obra das Missões », que se tornou um verdadeiro e próprio centro de apóstolos. (…)
Mas de onde o Padre Bartolomeu Maria recebia tanto estímulo e vigor para tão excepcional ministério? A Santa Missa, a adoração eucarística e a confissão sacramental estavam no centro da sua vida, da sua acção missionária e da sua espiritualidade. Desta piedade eucarística encontramos traços frequentes nos seus escritos, através dos quais transparece a obsessão quotidiana pela salvação das almas, prioridade do seu empenho ascético e pastoral… (…)”

A memória litúrgica do Beato Bartolomeu Maria do Monte celebra-se no dia 24 de Dezembro.