PALAVRA COM SENTIDO

PALAVRA COM SENTIDO

“…Hás-de temer o Senhor, teu Deus…” (cf. Deuteronómio 6, 2)

Só Deus é Deus e Senhor. E não há outro Deus a quem amar, servir, adorar, acreditar, rezar, agradecer… Temer o Senhor não é ‘ter medo de Deus’. Não precisamos ter medo de Deus: Ele é amor, perdão, misericórdia, alegria, paz, salvação e esperança… Temer o Senhor é reconhecer a grandeza do seu poder; a santidade do seu nome; a ternura que nos dedica; a alegria da vida que nos oferece. Temer o Senhor é acolher a sua Palavra; cumprir os seus mandamentos; responder com fidelidade aos seus apelos; confiar na sua promessa e anunciá-la com a bondade dos nossos gestos. Quem ‘teme a Deus’ procura fazer tudo para não pecar contra ele; fazer nascer no coração o receio e a tristeza de o poder ofender. O apelo feito pela palavra de Deus aponta-nos o caminho da verdade, da justiça, da caridade, da compaixão. Uma grande exigência que nos trará a felicidade e a bênção.

segunda-feira, 6 de novembro de 2017

SANTOS POPULARES


SANTA ISABEL DA TRINDADE

Maria Isabel Catez nasceu num acampamento militar - no Campo de Avor - perto de Bourges, França, no dia 18 de Julho de 1880. O seu pai, José Catez, era capitão do exército francês. A sua mãe, Maria Rolland, contava: “Quando tinha apenas 1 ano, já se manifestava sua natureza ardente e colérica”. No entanto, a sua mãe, atenta, soube modelar a fúria de Isabel e fazer sobressair nela a ternura. Ela mesma tomou a iniciativa de escrever no seu diário pessoal, aos 18 anos: “Hoje, tive a alegria de oferecer a Jesus muitos sacrifícios por causa do meu defeito dominante; mas, como eles me custaram! Reconheço minha fraqueza… Parece-me que quando recebo uma observação injusta, sinto esquentar todo o meu sangue nas veias; tanto que o meu ser se revolta… Mas Jesus está no meu coração e, por isso, estou pronta a suportar tudo por amor a Ele”.
Ainda criança, a família mudou-se para a cidade de Dijon. Com apenas 7 anos, ficou órfã de pai.
O dia da sua primeira comunhão, a 19 de Abril de 1891, foi “o grande dia” da vida de Isabel, então com 10 anos. Chorou de alegria. Ao descer a escadaria da Igreja, disse à sua amiguinha Marie-Louise Hallo: “Não tenho fome, Jesus saciou-me”...
Isabel estudou piano, desde os 8 anos de idade, no Conservatório, vindo a tornar-se uma “excelente pianista”, segundo a expressão do seu professor de música.
Ainda não tinha 14 anos e já tinha escolhido Jesus para seu único esposo, pensando seguir a vida religiosa. Confirmou esta sua decisão ao ler a ‘História de uma Alma’, a autobiografia de Santa Teresinha do Menino Jesus. Deste livro, copiou pelo seu punho o ‘Oferecimento ao Amor Misericordioso’ e, ainda, três poesias de Santa Teresinha.
Aos 18 anos, a sua mãe pretendeu casá-la, mas Isabel respondeu: “O meu coração já não está livre: dei-o ao Rei dos reis. Por isso, já não posso dispor dele”. O desgosto da mãe foi muito grande. Mas, tornou-se mais amargo quando soube que Isabel queria entrar para o Carmelo, onde tantas vezes tinham ido juntas e que ficava apenas a 200 metros da sua casa. Entre lágrimas, a mãe apenas consentiu a entrada da filha no Carmelo quando ela atingiu a maioridade: aos 21 anos de idade.
Isabel entrou no Carmelo de Dijon no dia 2 de Agosto de 1901, tendo recebido o nome de ‘Irmã Isabel da Santíssima Trindade’. Este início foi marcado, na sua vida, por muitas graças sensíveis e tornou-se um período extraordinário de descoberta de um profundo amor pelo silêncio, próprio da espiritualidade carmelitana.
A Irmã Isabel da Trindade tomou o hábito no dia 8 de Dezembro de 1901. Durante o ano de 1902, Isabel foi tocada por um grande sofrimento interior. A escuridão da sua alma - a sua noite - foi, no entanto, iluminada com a claridade da fé e da confiança. Ela mesma o explicou, nesse mesmo ano, à Senhora de Sourdon: “O abandono, eis o que nos entrega a Deus. Sou muito nova, mas parece-me que algumas vezes sofri bastante. Oh! Então quando tudo se obscurecia, quando o presente era tão doloroso e o futuro me aparecia ainda mais sombrio, fechava os olhos e abandonava-me, como uma criança, nos braços desse Pai que está nos céus...”
Irmã Isabel fez a sua profissão perpétua no dia 21 de Janeiro de 1903, tendo recuperado a paz e a serenidade interiores. Na véspera da sua profissão perpétua, passou toda a noite em oração, como era costume no Carmelo. Ela mesma afirmou ter percebido, nesse momento, o sentido da sua vocação: “Na noite que precedeu o grande dia, enquanto eu estava no coro à espera do Esposo, compreendi que o meu céu começaria na terra, o céu na fé, com o sofrimento e a imolação por Aquele que eu amo”.
Isabel descobriu a passagem de São Paulo, sobre o Louvor de Glória, na Carta aos Efésios: “Foi também em Cristo que fomos escolhidos como sua herança, predestinados de acordo com o desígnio daquele que tudo opera, de acordo com a decisão da sua vontade, para que nos entreguemos ao louvor da sua glória, nós, que previamente pusemos a nossa esperança em Cristo” (Ef 1, 11-12). Um dos seus biógrafos escreveu: “A Irmã Isabel da Trindade foi verdadeiramente a alma de uma ideia: ser, para a Santíssima Trindade, um louvor de Glória”.
Numa carta dirigida à sua mãe – que, à maneira francesa, tratava por “tu” – Isabel escreveu: “Ele escolheu a tua filha para associá-la à sua grande obra de Redenção. Ele marcou-a com o selo da sua Cruz e sofre nela, como que numa extensão da sua Paixão... Não ambiciono chegar ao Céu somente pura como um Anjo, mas transformada em Jesus Crucificado”.
Esta crucifixão atingiu-a, sobretudo nos últimos nove meses de vida, por meio de uma doença que a transformou numa hóstia de imolação. No Céu, para onde voou, consumou-se a união desta grande Mestra da vida espiritual.
Nos fins de Março de 1906, a Irmã Isabel foi levada para a enfermaria. As Irmãs rezavam pela sua cura e Isabel juntou o seu pedido às orações da comunidade, mas sentiu que Jesus lhe dizia que os ofícios da terra já não eram para ela.
No dia 1 de Novembro, a Irmã Isabel da Trindade comungou pela última vez e, dois dias antes da sua morte, disse ao seu médico: “É provável que dentro de dois dias eu esteja no seio da Santíssima Trindade. É a Virgem Maria - aquele ser tão luminoso, tão puro, com a pureza do mesmo Deus - que me levará pela mão e me introduzirá no céu tão deslumbrante”. Alguns dias antes da sua morte, Isabel dissera, às suas Irmãs, esta frase tão bela e que ficou célebre: “Tudo passa! No declinar da vida só o amor nos resta...”
A sua última noite foi terrivelmente penosa, pois às suas horríveis dores juntou-se-lhe também a falta de ar; mas, ao amanhecer, Isabel sossegou e, inclinando a cabeça, abriu os olhos e exclamou: “Vou para a Luz, para o Amor, para a Vida”… E adormeceu para sempre. Era a madrugada do dia 9 de Novembro de 1906.
Isabel da Trindade foi beatificada pelo João Paulo II, no dia 25 de Novembro de 1984, festa de Cristo Rei. Foi canonizada, em Roma, pelo Papa Francisco no dia 16 de Outubro de 2016. Na homilia, o Papa disse: “…Ouvimos a promessa de Jesus no Evangelho: Deus fará justiça aos seus eleitos, que a Ele clamam dia e noite (cf. Lc 18, 7). Eis o mistério da oração: grita, não te canses e, se te cansares, pede ajuda para manteres as mãos erguidas. Esta é a oração que Jesus nos revelou e deu no Espírito Santo. Rezar não é refugiar-se num mundo ideal; não é evadir-se numa falsa tranquilidade egoísta. Pelo contrário: rezar é lutar e deixar que o próprio Espírito Santo reze em nós. É o Espírito Santo que nos ensina a rezar, guia na oração e faz rezar como filhos.
Os Santos são homens e mulheres que se entranham profundamente no mistério da oração. Homens e mulheres que lutam mediante a oração, deixando rezar e lutar neles o Espírito Santo; lutam até ao fim, com todas as suas forças; e vencem, mas não sozinhos: o Senhor vence neles e com eles. Também estas sete testemunhas, que hoje foram canonizadas, travaram o bom combate da fé e do amor através da oração. Por isso, permaneceram firmes na fé, com o coração generoso e fiel. Que Deus nos conceda também a nós, pelo exemplo e intercessão delas, ser homens e mulheres de oração; gritar a Deus dia e noite, sem nos cansarmos; deixar que o Espírito Santo reze em nós, e orar apoiando-nos mutuamente para permanecermos com os braços erguidos, até que vença a Misericórdia Divina…”
A memória litúrgica de Santa Isabel da Trindade celebra-se no dia 9 de Novembro.
Para vivermos, mais intimamente, a nossa comunhão com Deus Trindade através da oração, podemos rezar a oração composta por Santa Isabel da Trindade, carmelita descalça, no dia 21 de Novembro de 1904. É, sem dúvida, uma das mais belas e profundas orações dedicadas à Santíssima Trindade, sendo uma espécie de síntese de sua vida espiritual.

“…Ó meu Deus, Trindade que adoro, ajudai-me a esquecer-me inteiramente de mim para me estabelecer em Vós, imóvel e pacífica, como se a minha alma já estivesse na eternidade; que nada me possa perturbar a paz nem arrancar-me de Vós, ó meu Imutável, mas que cada minuto me transporte mais profundamente ao Vosso Mistério!
Pacificai a minha alma; fazei dela o Vosso Céu, a Vossa morada querida e o lugar do Vosso repouso; que eu não Vos deixe jamais só; mas fique, toda inteira, Convosco; toda atenta na minha fé, em atitude de adoração e entregue inteiramente à Vossa acção criadora.

Ó meu Cristo amado, crucificado por amor, quanto desejaria ser uma esposa para o Vosso coração; quanto desejaria cobrir-Vos de glória; quanto desejaria amar-Vos... Até morrer!... Mas sinto a minha impotência e, por isso, peço-Vos: revesti-me de Vós mesmo; identificai a minha alma com todos os movimentos da Vossa. Submergi-me, penetrai-me, substitui-Vos a mim, a fim de que a minha vida não seja senão uma irradiação da Vossa. Vinde a mim como Adorador, como Reparador, como Salvador.

Ó Verbo Eterno, Palavra do meu Deus: quero passar a minha vida a escutar-Vos; quero ser inteiramente dócil, para aprender tudo de Vós; e depois, através de todas as noites, de todos os vazios, de todas as impotências, quero ter sempre os olhos fitos em Vós e ficar sob a Vossa grande Luz. Ó meu Astro querido, fascinai-me a fim de que eu não possa mais sair dos Vossos raios.
Ó fogo devorador, Espírito de Amor: vinde a mim, para que em mim se opere como que uma encarnação do Verbo; que eu seja para Ele uma humanidade de acréscimo na qual Ele renove o seu Mistério.

E Vós, ó Pai, inclinai-Vos sobre esta vossa pobre criatura; cobri-a com a Vossa sombra; vede nela somente o Vosso Bem-Amado, no qual pusestes todas as vossas complacências.

Ó meus “Três”, meu Tudo, minha Beatitude, Solidão Infinita, Imensidade em que me perco: eu me entrego a Vós, como uma presa; sepultai-Vos em mim, para que eu me sepulte em Vós, na esperança de ir contemplar, na Vossa Luz, o abismo de Vossa grandeza. Amém…”

segunda-feira, 30 de outubro de 2017

EM DESTAQUE


*CELEBRAÇÃO DE TODOS OS SANTOS
E COMEMORAÇÃO DOS FIÉIS DEFUNTOS

No dia 1 de Novembro, a Igreja celebra a Solenidade de Todos os Santos. Nesta festa católica lembra-se todos quantos se encontram na glória de Deus, participando da sua festa, da sua alegria e da sua eternidade.
No dia 2 de Novembro, a Igreja faz a comemoração de todos os Fiéis Defuntos, rezando por todos os que já partiram para o Pai, na fidelidade ao seu amor e na esperança da ressurreição. Pelo facto de não ser feriado, a tradição da maior parte das paróquias aproveita o dia de Todos os Santos para fazer a memória dos seus fiéis defuntos com romagens aos cemitérios.
Na Paróquia da Feira, a celebração de Todos os Santos far-se-á na Missa Vespertina de Terça-Feira, às 18 horas, e nas Missas do dia 1 de Novembro, às 8 e 15 horas. No final da missa da tarde, faz-se a peregrinação ao cemitério, em oração por todos os defuntos.


*MUDANÇA DA HORA

Com a entrada em vigor da alteração da hora, são alterados os horários das celebrações eucarísticas, na Igreja Matriz. Assim, no Domingo à tarde, na Terça-Feira e na Sexta-Feira, a Eucaristia será às 18 horas; no Sábado mantém-se o horário: 18,30 horas.
Qualquer alteração será, atempadamente, anunciada.


DA PALAVRA DO SENHOR


- XXX DOMINGO DO TEMPO COMUM
        
“…«Não prejudicarás o estrangeiro, nem o oprimirás…
 Não maltratarás a viúva nem o órfão…
 Se emprestares dinheiro a alguém
 não procedas como um usurário…
 Se receberes como penhor a capa do teu próximo,
 terás de lha devolver até ao pôr do sol…
 Se eles Me invocarem, escutá-los-ei,
 porque sou misericordioso»…” (cf. Êxodo 22, 20-26)

PALAVRA DO PAPA FRANCISCO


- na Audiência-Geral, no dia 25 de Outubro, na Praça de São Pedro – Roma

Queridos irmãos e irmãs, bom dia!
Esta é a última catequese sobre o tema da esperança cristã, que nos acompanhou desde o início do presente ano litúrgico. E vou concluir falando do paraíso, como meta da nossa esperança.
«Paraíso» é uma das últimas palavras pronunciadas por Jesus na cruz, dirigida ao bom ladrão. Detenhamo-nos um momento sobre aquela cena. Na cruz, Jesus não está sozinho. Ao seu lado, à direita e à esquerda, há dois malfeitores.
Talvez, passando diante daquelas três cruzes erguidas no Gólgota, alguém suspirou aliviado, pensando que finalmente a justiça tinha sido feita, entregando à morte pessoas como aquelas.
Ao lado de Jesus há também um réu confesso: alguém que reconhece ter merecido aquele terrível suplício. Chamamo-lo “bom ladrão”, o qual, opondo-se ao outro, diz: recebemos o que mereceram os nossos crimes (cf. Lc 23, 41)
No Calvário, naquela sexta-feira trágica e santa, Jesus chega ao extremo da sua encarnação, da sua solidariedade para connosco, pecadores. Ali, realiza-se quanto o profeta Isaías tinha dito sobre o Servo sofredor: «E foi contado entre os malfeitores» (Is 53, 12; cf. Lc 22, 37).
É precisamente no Calvário que Jesus tem o último encontro com um pecador, para abrir, de par em par, as portas do seu Reino. Isto é interessante: é a única vez que a palavra “paraíso” aparece nos evangelhos. Jesus promete-o a um “pobre diabo” que, no madeiro da cruz, teve a coragem de lhe dirigir o mais humilde dos pedidos: «Lembra-te de mim, quando entrares no teu Reino!» (Lc 23, 42). Não tinha boas obras para apresentar; nada possuía, mas confia-se a Jesus/Deus, que reconhece como inocente, bom, tão diferente dele (v. 41). Foi suficiente aquela palavra de arrependimento humilde, para sensibilizar o coração de Jesus.
O bom ladrão faz lembrar-nos a nossa verdadeira condição diante de Deus: somos seus filhos; Ele sente compaixão por nós; Ele fica desarmado todas as vezes que lhe manifestamos a saudade do seu amor. Nos quartos de muitos hospitais ou nas celas das prisões, este milagre repete-se inúmeras vezes: não há pessoa alguma - por muito que tenha vivido mal – a quem só lhe reste o desespero e a quem seja proibida a graça. Diante de Deus, apresentamo-nos todos de mãos vazias: um pouco como o publicano da parábola que tinha parado para rezar no fundo do templo (cf. Lc 18,13). E, todas as vezes que um homem, fazendo o último exame de consciência da sua vida, descobrir que as suas faltas superam de forma considerável as suas boas obras, não deve desanimar, mas entregar-se à misericórdia de Deus. E isto dá-nos esperança, abre-nos o coração!
Deus é Pai e, até ao último instante, espera o nosso retorno. E ao filho pródigo, que regressando começa a confessar as suas culpas, o pai fecha-lhe a boca com um abraço (cf. Lc 15, 20). Este é Deus: ama-nos deste modo!
O paraíso não é um lugar de fábula, nem sequer um jardim encantado. O paraíso é o abraço com Deus, Amor infinito, e entramos nele graças a Jesus, que morreu na cruz por nós. Onde há Jesus, há misericórdia e felicidade; sem Ele, há frio e trevas. Na hora da morte, o cristão repete a Jesus: “Recorda-te de mim”. E, mesmo se não houvesse mais ninguém que se recorde de nós, Jesus está ali, ao nosso lado. Quer levar-nos para o lugar mais bonito que existe. Deseja levar-nos para lá com aquele pouco ou muito de bom que houve na nossa vida, para que nada seja perdido do que Ele já tinha redimido. E, para a casa do Pai, levará também tudo o que em nós ainda precisa de ser resgatado: as faltas e os erros de uma vida inteira. Esta é a meta da nossa existência: que tudo se cumpra e seja transformado em amor.
Se acreditarmos nisto, a morte deixa de nos amedrontar e podemos, também, ter a esperança de partir deste mundo de maneira serena, com muita confiança. Quem conheceu Jesus, já nada teme. E poderemos repetir, também nós, as palavras do velho Simeão, também ele abençoado pelo encontro com Cristo, depois de uma vida inteira consumida em expectativa: «Agora, Senhor, deixareis o vosso servo ir em paz, segundo a vossa palavra. Porque os meus olhos viram a vossa salvação» (Lc 2, 29-30).
E, naquele instante, finalmente, já não teremos necessidade de nada, já não veremos de maneira confusa. Já não choraremos inutilmente, porque tudo passou; também as profecias, inclusive o conhecimento. Mas o amor não: esse permanece. Porque «a caridade jamais acabará» (cf. 1 Cor 13,8).  (cf. Santa Sé)



PARA REZAR


SALMO 17

Refrão: Eu vos amo, Senhor: vós sois a minha força.

Eu Vos amo, Senhor, minha força,
minha fortaleza, meu refúgio e meu libertador.
Meu Deus, auxílio em que ponho a minha confiança,
meu protector, minha defesa e meu salvador.

Na minha aflição invoquei o Senhor
e clamei pelo meu Deus.
Do seu templo Ele ouviu a minha voz,
e o meu clamor chegou aos seus ouvidos.

Viva o Senhor, bendito seja o meu protector;
exaltado seja Deus, meu salvador.
O Senhor dá ao Rei grandes vitórias
e usa de bondade para com o seu ungido.


SANTOS POPULARES


BEATA TERESA MANGANIELLO

Teresa Manganiello nasceu perto de Montefusco, no dia 1 de Janeiro de 1849. Foi a undécima de doze filhos de uma família de camponeses. Os seus pais, Romualdo Manganiello e Rosária Lepore, eram “honestos concidadãos” cheios de fé e de profunda piedade cristã. Foi baptizada no dia seguinte, na Igreja de São João del Vaglio.
Aos sete anos recebeu a Primeira Comunhão, na Igreja de Santo Egídio, anexa ao Convento dos Capuchinhos
Como muitas crianças camponesas do sul de Itália daquela época, não frequentou a escola e sempre cresceu à sombra da casa colonial, edificada nos campos daquela zona do país. Adolescente, manifestou o desejo de consagrar sua vida a Deus. Em contínua união com Deus, Teresa, desde jovenzinha, convidava com gentileza as suas companheiras a cultivar a pureza e o amor a Deus e ao próximo. Tinha predilecção pelas crianças, que cuidava como mãe dedicada.
Como prova da sua particular devoção à Virgem Imaculada, Teresa cortou, ainda muito jovem, a sua longa e farta cabeleira e fez dela um presente para Nossa Senhora.
A vida de Teresa era penetrada de orações marianas tão intensas, que poderia parecer inacreditável, uma vez que se dedicava aos afazeres domésticos da manhã à noite. O Rosário preenchia todo o seu dia. Teresa concluiu a sua existência terrena repetindo a sua bela invocação: “Ó minha querida Mãe! Só na vossa companhia serei digna de me apresentar ao vosso Filho, ao meu belo Esposo, Jesus!”
A "Farmácia" de Teresa - que ela criara, em sua casa, com medicamentos extraídos das ervas cultivadas por ela - estava sempre aberta. Ali, ela fazia o papel de enfermeira: lavava as lesões com água morna; com delicadeza, tratava-as com as poções preparadas por ela; curava micoses, eczema e sarna, doenças que figuravam no século XIX entre “as mais asquerosas da espécie humana”. Nunca negava ajuda a quem passava. À sua porta batiam os pobres, as pessoas doentes, o oprimido de todo o tipo e ela acolhia-os com um sorriso e com uma palavra cálida, dando remédios e amor, conselhos e remédios para a cura do corpo e da alma.
Quando tinha 18 anos, o Padre Ludovico Acernese - homem sincero e humilde, cheio de caridade, de grande talento e de piedade mas, também, determinado nas suas acções - chegou ao Convento de Santo Egídio. Este padre instituiu, em Montefusco, a Ordem Terceira Franciscana.
Teresa sentiu-se atraída pelo ideal franciscano e imediatamente correu a registar-se, tornando-se a primeira Terceira Franciscana de Montefusco. Escolheu o Padre Acernese para seu director espiritual e seu confessor. Em 15 de Maio de 1870, com 21 anos de idade, vestiu o hábito e, no ano seguinte, fez a profissão dos votos, tomando o nome de Irmã Maria Luísa.
O Padre Ludovico Acernese soube reconhecer nela todas as qualidades mais profundas da sua alma, o que o fez nomeá-la primeira conselheira e depois, pela perfeição do seu ideal franciscano, mestra de noviças.
A família nunca apoiou o seu desejo de se tornar freira, principalmente para não se privar da grande ajuda que era ter Teresa em casa. Mas, Teresa, mesmo em casa, tinha uma vida ao estilo monacal. Por isso, tratavam-na, popularmente, por "monachella santa" (freirinha santa). Teresa participava, todos os dias, na Eucaristia, na Igreja de Santo Egídio; vivia intensamente a oração que, juntamente com as mortificações corporais, oferecia pela reparação dos pecados da humanidade; mostrava, sempre, um sorriso doce a aberto que atraía a todos.
Teresa sentia-se chamada a um grande e difícil apostolado: a reparação. Sentia-se chamada a rezar e a expiar os males cometidos no mundo. Por isso, Teresa ofereceu a sua vida pela conversão dos pecadores e, constantemente, rezava a sua jaculatória preferida: “Misericórdia, Senhor, misericórdia dos pecadores!”
Teresa não tinha recebido grande instrução. Naquela época, eram poucas as mulheres a frequentar a escola. Apesar disso, Teresa respondia com sabedoria, inclusive a pessoas de vasta cultura; foi dinamizadora do Movimento Terciário Franciscano, em Irpina e em Sannio, ao lado do Padre Acernese. Diante da insistência de Teresa Manganiello - que sonhava viver mais intensamente os ideais religiosos do movimento franciscano, dentro de uma comunidade religiosa – o Padre Acernese, ouvindo a opinião de outras Terceiras Franciscanas, resolveu fundar, para elas, uma nova congregação.
Para obter uma aprovação especial, o Padre Ludovico Acernese mandou-a a Roma, em 1873, para ter uma audiência com o Papa Pio IX, a fim de lhe apresentar o seu projecto. O Papa abençoou-a e animou-a a seguir em frente. Teresa, desde então, foi considerada como a primeira superiora da nascente Congregação de Religiosas Terceiras Franciscanas.
Por essa altura, a sua saúde começou a declinar. Em 14 de Fevereiro de 1874, quando rezava na Igreja, Teresa teve a primeira hemoptise [expectoração com presença de sangue, resultante de uma hemorragia na árvore respiratória], acompanhada de uma grave artrite. Naquela época, foi uma enfermidade comum a muitas pessoas, de todas as idades e condições sociais. Teresa, entre os altos e baixos da enfermidade, continuou a realizar as suas tarefas, até que no verão de 1876 o mal a prostrou. Os sacerdotes e fiéis que a foram visitar foram sempre recebidos com o seu maravilhoso sorriso, nascido da sua total entrega nas mãos de Deus, a quem rezava fervorosamente. No seu leito de dores, Teresa não deixou de dar testemunho vivo da grandeza dos seus ensinamentos. A quem se admirava com tanta resignação, ela dizia: “O Senhor deu-me a graça de sofrer por Ele e eu devo lamentar-me? Ele já sabe que eu preciso de ajuda!”
Teresa Manganiello faleceu no dia 4 de Novembro de 1876, com apenas 27 anos, e foi sepultada no cemitério de Montefusco.
Cinco anos após a sua morte, o Padre Ludovico Acernese, confiando na sua protecção espiritual, fundou, em Pietradefusi, a “Congregação das Irmãs Franciscanas Imaculatinas”, das quais Teresa é a "Pedra angular" e a "Mãe espiritual". Hoje, as Irmãs vivem o carisma de professar um amor singular e uma adoração filial à Virgem Mãe, sobretudo no mistério da sua Imaculada Conceição, trabalhando na educação académica e doutrinal da juventude, sobretudo feminina. Estão presentes na Itália, no Brasil, nas Filipinas, na Austrália, na Índia e na Indonésia.
Teresa Manganiello foi beatificada no dia 22 de Maio de 2010, pelo Papa Bento XVI. A cerimónia de beatificação - realizada na Basílica de Santa Maria das Graças, em Benevento, Itália – foi presidida pelo Cardeal Ângelo Amato, Prefeito da Congregação para as Causas dos Santos, em nome do Papa. Na homilia, o Cardeal Amato disse: “… Teresa era generosa, antes de tudo na família: fadigas, trabalhos e várias incumbências encontravam-na sempre disponível e generosa, dia e noite, não só para cumprir a sua parte de serviço, mas também para aliviar a canseira à mãe, às irmãs e às próprias cunhadas. E, na família, encontrou também o modo de se santificar exercendo a paciência e a compreensão. A sua generosidade não se detinha diante de nada, nem de ninguém. Acolhia a todos indistintamente, dos doentes aos mendigos, que naquele tempo eram numerosos nas aldeias. Para Teresa, a caridade não era feita de palavras mas de gestos concretos e generosos…
A sua biblioteca não foi a da escola, que ela nunca frequentou, mas da Palavra de Deus, que na quotidiana participação na missa, a educava e transformava. O seu exemplo incutia o bem na cabeça de todos, dos irmãos aos amigos… O seu espírito de mortificação era consequência do seu desejo de oração e de íntima comunhão com a paixão de Cristo e com o seu sacrifício redentor… Pode-se dizer que a juventude de Teresa foi um verdadeiro holocausto reparador. A oração e a penitência eram feitas longe de olhos indiscretos, numa gruta perto da sua casa. Em espírito de penitência, aceitou a doença, a tuberculose, com serenidade e também com alegria, sofrendo penas indizíveis com um sorriso nos lábios. Hoje, algumas destas formas de penitência são inusitadas e parecem incompreensíveis. Mas, naquela época, estas mortificações corporais eram frequentes para as almas sedentas de perfeição… Se a nossa cultura já não acredita no inferno, mas faz de tudo para transformar a existência num inferno, Teresa, ao contrário, acredita no Paraíso, e vive na terra transformando os seus poucos anos em momentos de luz e esplendor…”

A memória litúrgica da Beata Teresa Manganiello celebra-se no dia 4 de Novembro.

terça-feira, 24 de outubro de 2017

EM DESTAQUE


* DIA MUNDIAL DAS MISSÕES
   - da Mensagem do Papa Francisco

(…) O Evangelho é uma Pessoa, que continuamente Se oferece e, a quem A acolhe com fé humilde e operosa, continuamente convida a partilhar a sua vida através duma participação efetiva no seu mistério pascal de morte e ressurreição. Assim, por meio do Batismo, o Evangelho torna-se fonte de vida nova, liberta do domínio do pecado, iluminada e transformada pelo Espírito Santo; através da Confirmação, torna-se unção fortalecedora que, graças ao mesmo Espírito, indica caminhos e estratégias novas de testemunho e proximidade; e, mediante a Eucaristia, torna-se alimento do homem novo, «remédio de imortalidade» (Inácio de Antioquia, Epistula ad Ephesios, 20, 2).

O mundo tem uma necessidade essencial do Evangelho de Jesus Cristo. Ele, através da Igreja, continua a sua missão de Bom Samaritano, curando as feridas sanguinolentas da humanidade, e a sua missão de Bom Pastor, buscando sem descanso quem se extraviou por veredas enviesadas e sem saída. E, graças a Deus, não faltam experiências significativas que testemunham a força transformadora do Evangelho. Penso no gesto daquele estudante «dinka» que, à custa da própria vida, protege um estudante da tribo «nuer» que ia ser assassinado. Penso naquela Celebração Eucarística em Kitgum, no norte do Uganda – então ensanguentado pelas atrocidades dum grupo de rebeldes –, quando um missionário levou as pessoas a repetirem as palavras de Jesus na cruz: «Meu Deus, meu Deus, porque Me abandonaste?» (Mc 15, 34), expressando o grito desesperado dos irmãos e irmãs do Senhor crucificado. Aquela Celebração foi fonte de grande consolação e de muita coragem para as pessoas. E podemos pensar em tantos testemunhos – testemunhos sem conta – de como o Evangelho ajuda a superar os fechamentos, os conflitos, o racismo, o tribalismo, promovendo por todo o lado a reconciliação, a fraternidade e a partilha entre todos.(…)


Os jovens são a esperança da missão. A pessoa de Jesus e a Boa Nova proclamada por Ele continuam a fascinar muitos jovens. Estes buscam percursos onde possam concretizar a coragem e os ímpetos do coração ao serviço da humanidade. «São muitos os jovens que se solidarizam contra os males do mundo, aderindo a várias formas de militância e voluntariado. (...) Como é bom que os jovens sejam “caminheiros da fé”, felizes por levarem Jesus Cristo a cada esquina, a cada praça, a cada canto da terra!» (Ibid., 106). A próxima Assembleia Geral Ordinária do Sínodo dos Bispos, que terá lugar em 2018 sobre o tema «Os jovens, a fé e o discernimento vocacional», revela-se uma ocasião providencial para envolver os jovens na responsabilidade missionária comum, que precisa da sua rica imaginação e criatividade (…)

DA PALAVRA DO SENHOR


- XXIX DOMINGO DO TEMPO COMUM
        
“…Damos continuamente graças a Deus por todos vós,
 ao fazermos menção de vós nas nossas orações.
 Recordamos a actividade da vossa fé,
 o esforço da vossa caridade e a firmeza da vossa esperança
 em Nosso Senhor Jesus Cristo,
 na presença de Deus, nosso Pai…” (1 Tessalonicenses 1, 3-4)

PALAVRA DO PAPA FRANCISCO


- na Audiência-Geral, no dia 18 de Outubro, na Praça de São Pedro – Roma

Queridos irmãos e irmãs, bom dia!
Hoje gostaria de reflectir sobre a esperança cristã pondo-a em confronto com a realidade da morte, uma realidade que a nossa civilização moderna tende a esconder cada vez mais. Assim, quando a morte chega - para alguém está próximo ou para nós mesmos – ninguém está preparado, e faltam palavras adequadas para, com sentido, falar do seu mistério que, apesar de tudo, permanece. No entanto, os primeiros sinais de civilização humana foram transmitidos através deste mistério. Poderíamos dizer que o homem nasceu com o culto dos mortos.
Outras civilizações, antes da nossa, tiveram a coragem de a encarar. Era um acontecimento contado pelos idosos às novas gerações, como uma realidade iniludível que obrigava o homem a viver para algo absoluto. O salmo 90 diz: «Ensinai-nos a contar os nossos dias, e teremos um coração sábio» (v. 12). Contar os próprios dias faz com que o coração se torne sábio! Palavras que nos transportam a um realismo sadio, afastando o delírio da omnipotência. O que somos? Somos «quase nada», diz outro salmo (cf. 88, 48); os nossos dias passam velozes: mesmo se vivêssemos cem anos, no final teríamos a impressão de que tudo foi um sopro. Muitas vezes, ouvi idosos dizerem: “Para mim a vida passou como um sopro...”.
Assim, a morte põe a nossa vida a nu. Faz-nos descobrir que as nossas acções de orgulho, de ira e de ódio eram vaidade: pura vaidade! Apercebemo-nos, desapontados, que não amámos o suficiente e que não procurámos o que era essencial. E, por outro lado, vemos o que de verdadeiramente bom semeamos: os afectos pelos quais nos sacrificamos e que, agora, nos levam pela mão.
Jesus iluminou o mistério da nossa morte. Com o seu comportamento, autoriza-nos a sentir-nos pesarosos quando uma pessoa querida falece. Ele ficou «profundamente» perturbado diante do túmulo do amigo Lázaro, e «chorou» (Jo 11, 35). Nesta sua atitude, sentimos Jesus muito próximo, nosso irmão. Ele chorou pelo seu amigo Lázaro. E, então, Jesus reza ao Pai, fonte da vida, e ordena a Lázaro que saia do sepulcro. E assim acontece. A esperança cristã alimenta-se nesta atitude que Jesus assume contra a morte humana: mesmo estando presente na criação, ela é contudo uma cicatriz que deturpa o desígnio de amor de Deus, e o Salvador quer curar-nos dela.
Outros evangelhos contam que um pai, que tem a filha muito doente, dirigiu-se, com fé, a Jesus para que a salvasse (cf. Mc 5, 21-24.35-43). E não há figura mais comovedora do que a de um pai ou de uma mãe com um filho doente. E Jesus vai, imediatamente, com aquele homem, que se chamava Jairo. A um certo ponto, chega alguém da casa de Jairo, dizendo que a menina tinha morrido, e que não havia mais necessidade de incomodar o Mestre. Mas Jesus diz a Jairo: «Não tenhas receio, crê somente» (Mc 5, 36). Jesus sabe que aquele homem sente a tentação de reagir com raiva e desespero, porque a menina morreu, e recomenda-lhe que preserve a pequena chama que está acesa no seu coração: a fé. «Não tenhas receio, crê somente». “Não receies, unicamente continua a manter acesa aquela chama!”. E depois, quando chegaram a casa, despertará a menina da morte e restitui-la-á viva aos seus entes queridos.
Jesus põe-nos no “cume” da fé. Ao choro de Marta pela morte do irmão Lázaro contrapõe a luz de um dogma: «Eu sou a Ressurreição e a Vida; quem crê em Mim, ainda que esteja morto, viverá; e todo aquele que vive e crê em Mim nunca morrerá. Acreditas nisto?» (Jo 11, 25-26). É o que Jesus repete a cada um de nós, todas as vezes que a morte vem arrancar o tecido da vida e dos afectos. Toda a nossa existência se joga aqui, entre a vertente da fé e o precipício do medo. Jesus diz: “Eu não sou a morte, eu sou a ressurreição e a vida, acreditas nisto?”. Nós, que hoje estamos aqui na Praça, acreditamos nisto?
Todos somos pequeninos e indefesos diante do mistério da morte. Contudo, que graça se, naquele momento, guardarmos no coração a pequena chama da fé! Jesus guiar-nos-á pela mão, assim como guiou pela mão a filha de Jairo, e repetirá mais uma vez: “Talitá kum”, “Menina, levanta-te!” (Mc 5, 41). Di-lo-á a nós, a cada um de nós: “Levanta-te, ressurge!”. Agora, eu convido-vos a fechar os olhos e a pensar naquele momento: da nossa morte. Cada um de nós pense na própria morte, e imagine aquele momento que acontecerá, quando Jesus nos pegar na mão e nos disser: “Vem, vem comigo, levanta-te”. Terminará ali a esperança e será a realidade, a realidade da vida. Reflecti bem: o próprio Jesus virá ter com cada um de nós e pegar-nos-á pela mão, com a sua ternura, a sua mansidão, o seu amor. E cada um repita no seu coração a palavra de Jesus: “Levanta-te, vem. Levanta-te, vem. Levanta-te, ressurge!”.
Esta é a nossa esperança diante da morte. Para quem crê, é uma porta que se abre de par em par; para quem duvida é uma brecha de luz que atravessa uma porta que não se fechou completamente. Mas será para todos nós uma graça, quando esta luz, do encontro com Jesus, nos iluminar. (cf. Santa Sé)

PARA REZAR


SALMO 95

Refrão: Cantai ao Senhor um cântico novo. Cantai ao Senhor.

Cantai ao Senhor um cântico novo,
cantai ao Senhor, terra inteira.
Publicai entre as nações a sua glória,
em todos os povos as suas maravilhas.

O Senhor é grande e digno de louvor,
mais temível que todos os deuses.
Os deuses dos gentios não passam de ídolos,
foi o Senhor quem fez os céus.

Dai ao Senhor, ó família dos povos,
dai ao Senhor glória e poder.
Dai ao Senhor a glória do seu nome,
levai-Lhe oferendas e entrai nos seus átrios.

Adorai o Senhor com ornamentos sagrados,
trema diante d’Ele a terra inteira.
Dizei entre as nações: «O Senhor é rei»,
governa os povos com equidade.


SANTOS POPULARES


SÃO LUÍS GUANELLA

Luís Antonio Guanella Bianchi nasceu no dia 19 de Dezembro de 1842, na aldeia alpina de Fraciscio di Campodolcino. Era o nono dos treze filhos de uma família montanhesa, dotada de sólidos princípios cristãos. O pai, Lorenzo di Tomaso Guanella, corpulento, robusto e de rija personalidade, inspirava confiança pela sua simples presença. Assim o descreveu Luís, na sua autobiografia: “Esbanjava saúde e oseu carácter era firme e decidido, à semelhança do monte Calcagnolo, logo acima de Fraciscio”. A mãe, Maria Antonieta Bianchi, piedosa e dedicada ao trabalho, como o marido, contrastava com ele pela sua notável doçura e sencibilidade. A seu respeito, escreveu o Padre Luís Guanella: “O peso da autoridade paterna, no tocante aos filhos, era contrabalançado, providencialmente, pela mãe […] uma mulher criativa e muito amorosa; um tesouro da Providência!”.
Entre os irmãos, todos se relacionavam bem. Mas, Catarina, apenas um ano mais velha, foi a sua predilecta. Ainda crianças, conversavam sobre as peripécias dos santos e aprenderam a ver, nos pobres, a figura de Jesus. Perto da sua casa, havia uma rocha com cavidades que pareciam panelas. Ali, as inocentes crianças misturavam água e terra, e mexiam aquela mescla dizendo: “Quando formos adultos, faremos assim a sopa dos pobres”.
Desde muito cedo, numerosos indícios, premonições e acontecimentos extraordinários iam indicando ao pequeno Luís as vias traçadas para ele pela Providência Divina. O primeiro desses fatos ocorreu tendo ele apenas seis anos de idade, na festa de São João Baptista. Encontrava-se na Praça da Matriz de Campodolcino, juntamente com o tio e o cunhado, quando este último deu-lhe de presente um saquinho de ‘diavoletti’, deliciosos rebuçados de menta, precisamente na hora de tocar o sino para a Missa. Não querendo entrar na igreja com os doces na mão, foi escondê-los num monte de lenha, onde estariam a salvo da cobiça de outra criança. Nesse momento, ouviu palmas e viu, junto à porta da Câmara Municipal, um velhinho que o fitava. Luís descreveu-o na mesma autobiografia: “Era franzino, de cabelos brancos, rosto moreno; trajava calças curtas; as meias eram de lã não tingida; o seu rosto amável como que implorava aqueles doces”. Com medo, escondeu os rebuçados e, quando se voltou para olhar, o homem havia desaparecido… Aquela imagem nunca mais se apagou da sua mente. Luís via diante de si, constantemente, aquele momento, sobretudo “ aquando do seu encontro com outros velhinhos, que pediam um pouco de bem e de doçura, no termo da sua vida”.
Outro facto marcante aconteceu no dia da sua Primeira Comunhão, aos nove anos. Por ser Quinta-Feira Santa, não houve festa e, regressando a casa, mandaram-no cuidar das ovelhas, como era costume todos os dias. Ainda tocado pela graça, sentou-se num monte de erva, na colina Motto, onde costumava descansar. Enquanto o rebanho pastava, pôs-se a rezar a Nossa Senhora, agradecendo-Lhe a alegria de ter recebido Jesus, no seu coração. Sentia-se tomado por uma suave doçura que o impelia a fazer generosos bons propósitos. Contudo, a certa altura, adormeceu agarrado ao seu livrinho de orações. Foi acordado por uma voz feminina que o chamava pelo seu nome. Não vendo ninguém ao redor, julgou tratar-se de um sonho. Retomou a leitura e adormeceu novamente. Mas, mais uma vez, repetiu-se este facto. E, como aconteceu com Samuel (cf. II Sm 3, 8), ainda houve uma terceira vez, na qual a voz se fez ouvir mais forte e nítida: “Luís, Luís”. Nesse momento, contou, mais tarde, o Padre Luís “eis que vejo uma Senhora estendendo o seu braço direito como a indicar alguma coisa. Ela disse-me: ‘Quando fores adulto, farás tudo isto em favor dos pobres’. E, como numa tela, vi tudo o que deveria fazer”.
Aos doze anos, Luís recebeu uma bolsa de estudos e matriculou-se no Colégio Gálio, em Como. Para este pastorzinho, acostumado às liberdades do campo e aos grandiosos panoramas alpinos, não faltaram sofrimentos na adaptação à rígida disciplina escolar. O colégio parecia-lhe uma prisão. Não obstante, isso ajudou-o a dominar seu carácter enérgico, por vezes impulsivo e irascível, e a manifestar os aspectos amáveis, expansivos e afectuosos do seu temperamento, herdados da sua mãe.
Fortalecido pela frequência aos Sacramentos e pela sua devoção a Maria, ali cultivou os gérmenes da vocação; manteve-se firme nos seus princípios e inabalável no grande apreço pelas virtudes da castidade e da modéstia, apesar dos ventos revolucionários e liberais que sopravam na Itália e no mundo.
Depois de seis anos de colégio, entrou no Seminário Diocesano Santo Abôndio, onde ficou ainda mais vincada a vocação específica que a Providência lhe dera desde a infância. Ao voltar, durante as férias, à sua aldeia natal, empenhava-se em ajudar os pobres e enfermos da região, sobretudo os mais desamparados.
Num ambiente de ressentimento e de raiva, marcado pelas profanações das igrejas, realizadas pelos seguidores de Garibaldi, Luís foi ordenado presbítero, em 26 de Maio de 1866, por Dom Bernardino Frascolla, Bispo de Foggia. Naquele dia, com a alma transbordante de júbilo, o novo sacerdote fez uma promessa a Deus e aos seus irmãos: “Quero ser uma espada de fogo no ministério santo!” Celebrou a sua primeira Missa, em Prosto - onde tinha servido como Diácono - na solenidade do Corpus Christi ( Festa do Corpo de Deus), e ali permaneceu cerca de um ano como vigário.
Nomeado pároco de Savogno, valeu-se do seu diploma de mestre para, ali, abrir uma escola, que logo se encheu de alunos. Dedicou-se, então, com grande entusiasmo, ao apostolado com os mais pobres. Durante oito anos, deu formação religiosa a pessoas de todas as idades, convidando-as a unirem-se ao Santo Padre e alertando-as a respeito das novas doutrinas da época, hostis à Igreja. Por isso e, sobretudo, pela publicação de um livrinho intitulado ‘Saggio di ammonimenti’, (Resumo de advertências) contendo esses seus ensinamentos, acabou por ser vigiado  pelas autoridades civis como um “elemento perigoso”. A sua escola foi fechada e ele viu-se forçado a sair da diocese.
Atraído pela pessoa de São João Bosco, optou por se dirigir a Turim. Ali passou três anos (1875-1878) em “aprendizagem”, como diria depois, seguindo os passos do fundador dos salesianos no caminho da santidade e colaborando com a sua obra pedagógica em favor da juventude. Nesta mesma ocasião, conheceu a obra caritativa de São José de Cottolengo, a qual também deixou profundas impressões na sua alma.
Contudo, tinha muitas dúvidas e inquietações. Estaria a seguir o caminho para o qual se sentia chamado? Onde estaria a realização de tudo quanto vira no dia da sua Primeira Comunhão? No seu coração, continuava a soar a voz da Providência, incitando-o a fundar uma instituição própria, para o que muito colaborou todo esse tempo de provações e experiência.
Convocado pelo seu Bispo, regressou à Diocese de Como. Sair de Turim, separar-se dos salesianos e principalmente de Dom Bosco, foi-lhe muito doloroso. “Não senti tamanha dor nem mesmo quando faleceram os meus pais, tendo-os em meus braços”, afirmou na sua autobiografia.
Na Paróquia de Traona, para onde foi enviado, em 1878, com a missão de ajudar o pároco enfermo, tentou transformar um antigo convento numa escola para jovens pobres, aspirantes ao sacerdócio, no estilo salesiano. Entretanto, continuava a ser um “padre sob suspeita” e não conseguiu a necessária autorização do poder civil.
O Bispo transferiu-o, em 1881, para Olmo, paróquia confinada entre altas montanhas, onde talvez pudesse ficar livre da desconfiança de exercer “perigosas influências” contra o governo. Ali, sentiu-se exilado e abandonado por Deus, vendo impossível a realização do seu chamamento.
Poucos meses depois, recebeu ordem de ir para Pianello, onde haveriam de cessar essas provações. Encontrou ali um orfanato e um asilo - fundados pelo seu antecessor recém-falecido, o padre Carlos Coppini – que estavam confiados aos cuidados de algumas jovens aspirantes à vida religiosa. Foi a partir deste empreendimento que se originou, em 1886, a sua primeira fundação: a Congregação das Filhas de Santa Maria da Providência, contando com a valiosa colaboração da Madre Marcelina Bosatta e da sua irmã, a Beata Clara Bosatta.
Sempre dócil à vontade divina, dizia Dom Guanella: “O segredo da perfeição é fazer a vontade de Deus”.
Abriu, por fim, em Como, a primeira Casa da Divina Providência - o mesmo nome utilizado por São José de Cottolengo -, com o objectivo de atender os pobres e necessitados. A instituição começou a crescer e não faltaram generosos benfeitores, nem pessoas dispostas a se dedicarem àquela obra de caridade.
Numa viagem a Turim, pediu orientação a Dom Bosco sobre o seu desejo de fundar, também, um instituto masculino. Dom Bosco falou-lhe da importância e da conveniência de tal empresa e, assim, nasceu, sob as bênçãos do Arcebispo de Milão, Beato André Carlos Ferrari – que até 1874 fora Bispo de Como – a Congregação dos Servos da Caridade. Erigida, canonicamente, com a colaboração dos padres Aurélio Bacciarini e Leonardo Mazzucchi, no dia 24 de Março de 1908, chegou o momento tão longamente aguardado: Dom Guanella e um pequeno grupo de sacerdotes emitiram, diante do sacrário, os votos perpétuos de pobreza, castidade e obediência.
A espiritualidade do santo fundador baseava-se na compreensão do Evangelho como a história de amor de um progenitor para com os seus filhos: Deus é Pai de todos, e Pai Providente, que cuida de cada um, especialmente dos mais débeis e necessitados. Por meio de Jesus Cristo, todos são chamados a fazer parte da família divina. E nela merecem especial ajuda as pessoas mais necessitadas, como os anciãos abandonados, os órfãos, os enfermos terminais desenganados, ou os deficientes físicos e psíquicos.
O Padre Luís resumia a formação a ser dada dentro desta congregação com o lema “Pão e Senhor”. O “Pão” seria o desenvolvimento integral da pessoa: físico, intelectual, psíquico e social. E por “Senhor” entendia o atendimento das “necessidades mais profundas da alma humana, chamada a descobrir a sua plenitude na vida de fé, esperança e caridade”.
Nesta família religiosa, destaca-se a figura da Mãe, que encaminha todos para Cristo. O Padre Guanella passava horas e horas diante da imagem da Nossa Senhora da Divina Providência. Nunca duvidava da intercessão d’Aquela que lhe mostrara, na sua infância, a envergadura da sua obra: “Ficai perto de Maria e procedei com segurança”, recomendava aos seus discípulos.
Depois de passar inúmeras vicissitudes e provas, Dom Guanella viu, no fim da sua existência, a sua obra expandir-se pelos quatro continentes. Convencido de que os homens são meros instrumentos, pois “è Dio che fa” - quem faz é Deus -, o fundador estimulava o ardor missionário dos seus filhos e filhas dizendo-lhes: “A vossa pátria é o mundo”. Ele próprio acompanhou a fundação de novas casas noutros países, como a dos Estados Unidos, em 1912.
A obra guanelliana contou com valiosos apoios, inclusive do Papa São Pio X, que distinguia o fundador com a sua amizade. Ele mesmo lhe propôs a fundação, perto do Vaticano, da Paróquia de São José al Trionfale, hoje basílica menor, com uma casa assistencial para auxiliar as famílias que ali viviam em tugúrios.
No meio a tantas actividades, o Padre Luís Guanella ainda encontrou tempo para escrever numerosas obras de formação cristã, além de mais de três mil cartas nas quais transparecem as suas virtudes, o seu senso profético e o seu particular amor aos pobres e abandonados.
Um dos seus últimos empreendimentos, e talvez o mais popular, foi a ‘Pia União do Trânsito de São José’, fundada em 1913, para a assistência aos moribundos. “Existe uma necessidade de viver bem”, dizia ele, “mas mais necessário é morrer bem. Uma boa morte é tudo, especialmente na actualidade, quando as pessoas só pensam nas coisas materiais e em divertir-se, rejeitando a eternidade”.
Coroando uma vida santa, essa boa morte chegou também para Dom Guanella, no dia 24 de Outubro de 1915, aos 73 anos de idade.
Luís Guanella foi beatificado pelo Papa Paulo VI, no dia 25 de Outubro de 1964, em Roma e canonizado pelo Papa Bento XVI, no dia 23 de Outubro de 2011.

A memória litúrgica de São Luís Guanella celebra-se no dia 24 de Outubro.

terça-feira, 17 de outubro de 2017

EM DESTAQUE


* CRISMA, EM SANTA MARIA DA FEIRA


Neste Domingo, 15 de Outubro, foram crismados, na Igreja Matriz, 105 jovens e alguns adultos que, diante da Comunidade, assumiram o compromisso de viver a sério como cristãos, testemunhando Jesus no meio da vida, sobretudo nos ambientes mais periféricos da fé. Presidiu a esta celebração o Senhor Dom António Augusto, Bispo-Auxiliar do Porto.






* DIA MUNDIAL DAS MISSÕES

A Igreja celebra, no próximo dia 22 de Outubro, o Dia Mundial das Missões. Trata-se de um grande acontecimento e de uma oportunidade de fazer sentir a vocação missionária da Igreja. O documento ‘Redemptoris Missio’, Encíclica do Papa João Paulo II sobre a validade permanente do mandato missionário, exorta, “todas as Igrejas e os pastores, os sacerdotes, os religiosos e os fiéis, a abrirem-se à universalidade da Igreja, evitando todas as formas de particularismo, exclusivismo, ou qualquer sentimento de autossuficiência (RM 85)”.
Este documento, tão importante, faz um apelo a toda a Igreja para se abrir à Missão além-fronteiras, conforme o mandato do próprio Jesus Cristo. A Igreja “foi enviada para manifestar e comunicar a caridade de Deus a todos os homens e povos (Jo 10, 10)”, mandato que a ‘Redemptoris Missio’ também sublinha. “Esta Missão é única, sendo a mesma a sua origem e o seu fim; mas, na sua dinâmica de realização, há diversas funções e actividades. Antes de tudo, está a acção missionária denominada ‘missão ad gentes’”.
O Dia Mundial das Missões tem por objectivo celebrar a unidade da Igreja através da partilha e da fraternidade. Os filhos de Deus, nesse dia, devem festejar a universalidade da Missão, em comunhão e oração e, também, numa generosa partilha de bens, em favor da acção missionária da Igreja.

- A origem do Dia Mundial das Missões

Em 1922, foi eleito Papa o Cardeal Arcebispo de Milão, Achille Ratti, que tomou o nome de Pio XI (1922-1939). O seu ardor missionário era conhecido de todos, e esperava-se dele um grande impulso para a Missão.
- Nesse ano, constituiu em ‘Pontifícias’ as Obras Missionárias já existentes, recomendando-as como instrumentos principais e oficiais da Cooperação Missionária de toda a Igreja.
- Estimulou a criação de novas Missões e ordenou os primeiros bispos indianos (1923) e chineses (1926).
- No Ano Santo de 1925, abriu, no Vaticano, uma Exposição Missionária Mundial.
- Em 1926, publicou uma Encíclica sobre as Missões, ‘Rerum Ecclesiae’, na qual reafirmava a importância dos objectivos missionários programados no início do seu pontificado.

A ideia de um Dia das Missões, a nível mundial, nasceu no ‘Círculo Missionário’ do Seminário Arquidiocesano de Sássari (Sardenha, Itália).
- De 14 a 16 de Maio de 1925, o Círculo Missionário organizou um tríduo missionário, com a participação do Arcebispo, que suscitou muita animação.
- No ano seguinte, de 17 a 20 de Março de 1926, repetiu-se a celebração.
Na ocasião, chegou de Roma Mons. Luigi Drago, Secretário da Sagrada Congregação de Propaganda Fide (actual Congregação para a Evangelização dos Povos, no Vaticano). Os seminaristas pediram-lhe que propusesse ao Papa Pio XI a celebração de um Dia todo dedicado às Missões, como se fazia na Universidade do Sagrado Coração. Mons. Drago prometeu que falaria com o Papa a esse respeito. E, de Roma, mandou dizer que o Papa havia enviado uma resposta ao pedido: "Esta é uma inspiração que vem do céu".
No final de Março de 1926, realizou-se a Plenária do Conselho Superior Geral da Obra, já Pontifícia, da Propagação da Fé. Naquela ocasião, decidiu-se pedir oficialmente ao Papa Pio XI "a instituição, em todo o mundo católico, de um Dia de oração e de ofertas em prol da propagação da fé".
Em 14 de Abril de 1926, a Congregação dos Ritos comunicava que o Santo Padre havia concedido o pedido. Seria celebrado, anualmente, no penúltimo domingo do mês de Outubro.
Oficialmente, o primeiro Dia Mundial das Missões foi celebrado em Outubro de 1927.
Este ano de 2017, no dia 22 de Outubro, celebra-se o 90º Dia Mundial das Missões.




* PALAVRAS DE D. PIO ALVES, 
BISPO-AUXILIAR DO PORTO
- na homilia da Missa de 30º dia da morte 
do Senhor D. António Francisco dos Santos

Virgem Maria, Mãe da Santa Esperança

1. O dia 11 de Outubro, trigésimo dia da morte do Senhor D. António Francisco, coincide, liturgicamente, com a memória de S. João XXIII e, na cidade do Porto, com a solenidade de Nossa Senhora de Vandoma. Falando humanamente - muito humanamente! -, o Senhor D. António estará feliz com esta dupla coincidência.
Nos seus tempos de jovem estudante de Teologia, conviveu com o ar fresco que trouxe à Igreja o Bom Papa João. Sintonizou com a sua espontânea bondade e gastou a sua vida – seminarista, sacerdote, bispo – percorrendo os caminhos abertos pelo Concílio Vaticano II.
A Virgem Maria – de Vandoma, da Assunção, dos Remédios, de Fátima – alimentou o seu mundo de afectos. Porque é Mãe de Jesus Cristo: Mãe de Deus. Porque é a outra Mãe que amplia, de modo inefável, os laços que o prendiam, de modo singular, à mãe que o deu à luz. As conhecidas circunstâncias familiares e pessoais potenciaram esta espécie de sobreposição maternal.
Em Fátima, no passado dia 13 de Maio, escutou, seguramente com particular emoção, o grito do Santo Padre: “Temos Mãe! Temos Mãe!”. Sim, o Senhor D. António, agora sabe, com a certeza da visão e do amor, que temos Mãe. Nós, por cá, continuamos a caminhar à luz da fé e movidos pela esperança. Escolhemos, por isso, para a celebração do seu trigésimo dia, a Missa da “Virgem Maria, Mãe da Santa Esperança”.

2. O texto do Livro de Ben Sirá (24, 14-16. 24-31), da primeira leitura, procurou as palavras mais belas e as comparações mais reconfortantes para falar da Sabedoria: que não deixará “de existir por toda a eternidade”; e os que a “tornarem conhecida terão a vida eterna”. Não é ousadia desmedida que a Liturgia da Igreja tenha transposto este texto para o apropriar a Nossa Senhora.
Com as inevitáveis limitações de toda a linguagem humana, Maria, pela sua irrepetível fidelidade aos desígnios de Deus, abre-nos as portas da esperança: no fim de um caminho para uma eternidade feliz.
É assim que se nos mostra, entre outros, no episódio das Bodas de Caná (Jo 2, 1-11). De um modo discreto, sem palavras a mais, resume a dimensão missionária e materna da sua condição de discípula: “Fazei tudo o que Ele vos disser”. E fizeram.
O milagre resulta da convergência: de uma mediação (da Virgem Maria); de uma dócil, generosa e efectiva obediência (dos serventes); da acção de Deus. Um milagre que, como é óbvio, tem as marcas de Deus: a sobreabundância, a qualidade, a surpresa, a felicidade.
Os figurantes do relato do milagre abrem espaço a diversificadas oportunidades de aprendizagem e crescimento. Podemos inscrever-nos, por exemplo, no grupo dos serventes. E aprenderemos: a perguntar menos e a fazer mais; a levar ao limite a nossa cooperação, enchendo até acima as talhas de pedra; a não nos autoatribuirmos a condição de senhores dos milagres; a cultivarmos a alegria e a gratidão pelos resultados visíveis dos dons de Deus nas vidas do próximo mais próximo. E tudo isto, levando à prática a discreta insinuação de Maria: “Fazei tudo o que Ele vos disser”.
Muito do que há para fazer, e dos seus modos, está condensado nessa espécie de testamento espiritual, transcrito no verso da memória do falecimento do Senhor D. António: “Igreja do Porto: Vive esta hora, que te chama, guiada pelas mãos de Maria, a ir ao encontro de Cristo e, a partir de Cristo, a anunciar, com renovado vigor e acrescido encanto, a beleza da fé e a alegria do Evangelho. Viver em Igreja esta paixão evangelizadora é a nossa missão. A vossa e a minha missão!”.

3. Não é este o lugar nem o momento para traçar perfis biográficos. Mas não é difícil descobrir na vida do Senhor D. António Francisco muitos dos traços que a celebração de hoje nos sugere.
Damos graças a Deus pelo estimulante exemplo de fidelidade que nos deixou. Justificadamente, invocamos, para si, Senhor D. António, e para nós, a Virgem Maria, Mãe da Santa Esperança.

DA PALAVRA DO SENHOR


- XXVIII DOMINGO DO TEMPO COMUM
        
“…O Senhor Deus enxugará as lágrimas de todas as faces
 e fará desaparecer da terra inteira
 o opróbrio que pesa sobre o seu povo …” (Isaías 25,    )

PALAVRA DO PAPA FRANCISCO


- na Audiência-Geral, no dia 11 de Outubro, na Praça de São Pedro – Roma

Queridos irmãos e irmãs, bom dia!
Hoje gostaria de reflectir sobre aquela dimensão da esperança que é a expectativa vigilante. O tema da vigilância é um dos fios condutores do Novo Testamento. Jesus prega aos seus discípulos: «Estejam cingidos os vossos rins e acesas as vossas lâmpadas. Sede semelhantes a homens que esperam o seu senhor, ao voltar de uma festa, para que, quando vier e bater à porta, logo lha abram» (Lc 12, 35-36). Neste tempo que segue a ressurreição de Jesus, no qual se alternam, em continuação, momentos serenos e outros angustiados, os cristãos nunca repousam. O Evangelho recomenda que sejam como servos que nunca dormem, até que o patrão volte. Este mundo exige a nossa responsabilidade, e nós devemos assumi-la totalmente com amor. Jesus quer que a nossa existência seja laboriosa, que nunca baixemos a guarda, para acolher - com gratidão e admiração - cada novo dia que Deus nos concede. Cada manhã é uma página em branco que o cristão começa a escrever com obras de bem. Já fomos salvos pela redenção de Jesus; mas, agora, estamos à espera da manifestação plena do seu senhorio: quando finalmente Deus será tudo em todos (cf. 1 Cor 15, 28). Nada é mais certo, na fé dos cristãos, do que este “encontro”, este encontro com o Senhor, quando Ele voltar. E, quando este dia chegar, nós cristãos queremos ser como aqueles servos que passaram a noite com os rins cingidos e as lâmpadas acesas: é preciso estar prontos para a salvação que chega, prontos ao encontro. Pensastes como será aquele encontro com Jesus quando Ele vier? Mas será um abraço, uma alegria enorme, uma grande alegria! Devemos viver na expectativa deste encontro!
O cristão não é feito para o tédio; mas tem de ter paciência. Sabe que até na monotonia de certos dias sempre iguais está escondido um mistério de graça. Há pessoas que, com a perseverança do seu amor, se tornam como poços que irrigam o deserto. Nada acontece em vão e nenhuma situação, na qual um cristão se encontre imerso, é completamente refractária ao amor. Nenhuma noite é tão longa a ponto de fazer esquecer a alegria da aurora. E quanto mais escura é a noite, tanto mais próxima está a aurora. Se permanecermos unidos com Jesus, o frio dos momentos difíceis não nos paralisará. E, mesmo se o mundo inteiro pregar contra a esperança; se disser que o futuro trará só nuvens obscuras, o cristão sabe que, nesse futuro, ocorrerá a vinda de Cristo. Ninguém sabe quando acontecerá isso; mas, o simples pensamento de que no final da nossa história está Jesus Misericordioso é suficiente para manter a confiança e não maldizer a vida. Tudo será salvo. Tudo!... Sofreremos, haverá momentos que suscitam raiva e indignação, mas a suave e poderosa memória de Cristo afastará a tentação de pensar que esta vida é errada.
Depois de ter conhecido Jesus, nós só podemos perscrutar a história com confiança e esperança. Jesus é como uma casa: nós estamos dentro dela e, das janelas desta casa, olhamos para o mundo. Portanto, não nos fechemos em nós mesmos; não tenhamos saudades de um passado que se presume dourado, mas olhemos sempre para a frente, para um futuro que não é só obra das nossas mãos mas que, antes de tudo, é uma preocupação constante da providência de Deus. Tudo o que é escuro, um dia tornar-se-á luz.
Pensemos que Deus não se desmente a si mesmo. Nunca!... Deus nunca desilude. A sua vontade, em relação a nós, não é enevoada, mas um projecto de salvação bem delineado: «Deus deseja que todos os homens se salvem e cheguem ao conhecimento da verdade» (1 Tm 2, 4). Por conseguinte, não nos abandonemos ao fluir dos acontecimentos com pessimismo, como se a história fosse um comboio do qual se perdeu o controlo. A resignação não é uma virtude cristã. Assim como não é dos cristãos encolher os ombros ou baixar a cabeça diante de um destino que nos parece inevitável.
Quem anuncia esperança ao mundo nunca é uma pessoa subjugada. Jesus recomenda que o esperemos sem estar de braços cruzados: «Bem-aventurados os servos a quem o senhor achar vigiando, quando vier!» (Lc 12, 37). Não há construtor de paz que, no fim de contas, não tenha comprometido a sua paz pessoal, assumindo os problemas dos outros. A pessoa subjugada não é um construtor de paz mas um preguiçoso, alguém que deseja a comodidade. Pelo contrário: o cristão é construtor de paz quando arrisca; quando tem coragem de arriscar para testemunhar o bem: o bem que Jesus nos doou; que nos doou como um tesouro.
Em todos os dias da nossa vida, deveríamos repetir a invocação dos primeiros discípulos que, na língua aramaica, exprimiam com as palavras Marana tha, e que encontramos no último versículo da Bíblia: «Vem, Senhor Jesus!» (Ap 22, 20). É o refrão de todas as existências cristãs: no nosso mundo só precisamos de uma carícia de Cristo. Que bom seria se, na nossa oração, nos dias difíceis desta vida, sentíssemos a sua voz que nos responde e nos tranquiliza: «Sim, venho depressa!» (Ap. 22, 7) (cf. Santa Sé)

PARA REZAR


SALMO 22

Refrão: Habitarei para sempre na casa do Senhor.

O Senhor é meu pastor: nada me falta.
Leva-me a descansar em verdes prados,
conduz-me às águas refrescantes
e reconforta a minha alma.

Ele me guia por sendas direitas, por amor do seu nome.
Ainda que tenha de andar por vales tenebrosos,
não temerei nenhum mal, porque Vós estais comigo:
o vosso cajado e o vosso báculo me enchem de confiança.

Para mim preparais a mesa,
à vista dos meus adversários;
com óleo me perfumais a cabeça,
e o meu cálice transborda.

A bondade e a graça hão-de acompanhar-me
todos os dias da minha vida,
e habitarei na casa do Senhor
para todo o sempre.

SANTOS POPULARES


BEATO AGOSTINHO THEVARPARAMPIL ("KUNJACHAN")

“… Agostinho Thevarparampil ‘Kunjachan’ foi um humilde sacerdote que se dedicou aos irmãos Dalit, marginalizados pela sociedade. Era conhecido somente no lugar onde nascera e nos arredores. Serviu como assistente na paróquia durante 47 anos. Embora o seu nome verdadeiro fosse Agostinho, todos o chamavam ‘Kunjachan’ - que na língua Malayalam da India significa ‘padre pequeno’ - porque era de baixa estatura.
Nasceu a 1 de Abril de 1891, em Ramapuram, na diocese de Palai, Kerala – Índia, na família Thevarparampil. Era o mais jovem de cinco filhos. Depois da escola primária, completou a formação sacerdotal no Seminário Menor de Changacherry e no de Puthenpally. No dia 17 de Dezembro de 1921, foi ordenado Sacerdote pelo Bispo Mar Thomas Kurianacherry. Começou o seu ministério sacerdotal como assistente paroquial, em Ramapuram e, em Fevereiro de 1923, ‘Kunjachan’ foi enviado como vice-pároco para a paróquia de São Sebastião, em Kadanad, onde permaneceu durante três anos. Em Março de 1926, por motivos de saúde, regressou à sua paróquia natal. Naquele período, involuntariamente, descobriu um novo âmbito de actividade. Durante o retiro anual na paróquia de Ramapuram, os pregadores reuniram cerca de 200 Dalit – os “intocáveis” ou “inaproximáveis”: os últimos no sistema das castas da Índia, que viviam nos terrenos dos membros das classes superiores, a quem serviam como assalariados rurais e mão-de-obra - na Igreja e transmitiram-lhes as verdades da fé. Tendo recebido o ensino religioso, demonstraram-se prontos a receber o Baptismo. ‘Kunjachan’ decidiu dedicar-se ao serviço daquelas pessoas. Tal decisão tornou-o guia e emancipador de muitos pobres daquela aldeia.
Prosseguiu o seu apostolado junto dos Dalit até à morte. Como afirmava São Arnold Janssen, fundador da Sociedade do Verbo Divino, o primeiro e prioritário acto de amor ao próximo consiste em transmitir-lhe a Boa Nova de Jesus Cristo. ‘Kunjachan realizou-se servindo com paciência e compaixão os outros, em particular os marginalizados, descobrindo neles o rosto de Jesus.
Durante quase 40 anos, dedicou-se ao progresso dos irmãos Dalit. Naquele tempo, as condições sociais dos Dalit eram dramáticas por causa da crescente intocabilidade e discriminação em relação a eles, baseadas na casta e na cor da pele. Eram todos analfabetos. Por conseguinte, eram supersticiosos e obrigados pela sociedade a realizar trabalhos manuais como escravos. Todos esses factores tornaram o ministério de ‘Kunjachan’ muito difícil.
O Padre Agostinho era muito humilde e simples; era um homem de serviço e de caridade, sobretudo para com os mais pobres e fracos da sociedade. Começava o seu dia às 4 da manhã; depois da missa, acompanhado do seu único ajudante - um catequista -, ia visitar as pobres cabanas dos ‘intocáveis’, imitando o Divino Pastor; ia à procura das suas ovelhas, não só no território da sua paróquia, mas onde quer que tivessem necessidade dele. Escutava-os, confortava-os, procurava eliminar as discórdias entre eles e tratava dos seus doentes. Nunca foi uma pessoa mediática, extraordinária, dotada de talentos ou capacidades excepcionais. Era um simples sacerdote de aldeia.
Não recebeu, nunca, nenhuma honra, nem reconhecimentos especiais pelo seu incansável serviço, dirigido à emancipação dos pobres. Contudo, conseguiu aproximar de Deus muitas pessoas. Não obstante isso, teve de enfrentar a oposição e as duras críticas não só das castas superiores de não-cristãos, mas também dos cristãos tradicionalistas. Estes obstáculos nunca foram capazes de diminuir o zelo de ‘Kunjachan’ que trouxe para a Igreja mais de 5.000 pessoas.
Criou um vínculo muito sólido com as pessoas que serviu. Chamava-lhes "meus filhos" e eles chamavam-lhe "nosso sacerdote". Estava tão próximo deles que conseguia chamá-los pelo nome, desde as crianças até aos idosos. Escreveu um diário espiritual em três volumes que continham informações pormenorizadas sobre eles, relativas ao relacionamento entre os membros de cada família, aos nascimentos, aos matrimónios, aos falecimentos, às confissões anuais, etc. Foi incansável no trazer para a fé aqueles que se distanciavam e quantos não respeitavam a fidelidade conjugal.
Era um homem de oração e rezava continuamente, até durante as suas deslocações. O seu objectivo não era somente a elevação espiritual dos Dalit, mas também a sua emancipação social, cultural, intelectual e artística. Resistiu à oposição, com calma e humildade. Não se desencorajou quando o governo negou privilégios aos Dalit convertidos ao cristianismo. A graça constante de Deus deu-lhe força e coragem. A oração ao Santíssimo Sacramento foi a fonte da sua força. Era também devoto da Bem-Aventurada Virgem Maria. Obedecia ao pároco e ao seu Bispo com grande humildade. (...) Com razão, pode ser considerado um dos maiores missionários dos marginalizados e é justamente chamado “Apóstolo dos Intocáveis”.
‘Kunjachan’ teve uma vida longa. Celebrou as suas Bodas de Ouro Sacerdotais, em 1971. Depois de grave doença, morreu com fama de santidade, no dia 16 de Outubro de 1973, com a idade de oitenta e dois anos. Queria ser sepultado entre os seus “filhos” bem-amados mas, conscientes da sua santidade, os paroquianos sepultaram-no na Igreja Paroquial, em frente ao altar dedicado a Santo Agostinho, padroeiro da paróquia.
O Padre Agostinho Thevarparampil ‘Kunjachan’ foi beatificado pelo Papa Bento XVI, no dia 30 de Abril de 2006, em cerimónia presidida pelo Cardeal Varkey Vithayathil, realizada na mesma aldeia de Ramapuram onde ele nasceu, trabalhou, morreu e foi enterrado.
A sua memória litúrgica celebra-se no dia 16 de Outubro.  


[cf. texto da homilia do Card. Varkey Vithayathil, durante a cerimónia de beatificação, celebrada em 30 de Abril de 2006, em Ramapuram (Índia)]

segunda-feira, 9 de outubro de 2017

DA PALAVRA DO SENHOR


- XXVII DOMINGO DO TEMPO COMUM
        
“…tudo o que é verdadeiro e nobre,
 tudo o que é justo e puro,
 tudo o que é amável e de boa reputação,
 tudo o que é virtude e digno de louvor
 é o que deveis ter no pensamento…” (Filipenses 4, 8)