PALAVRA COM SENTIDO

PALAVRA COM SENTIDO

“…Hás-de temer o Senhor, teu Deus…” (cf. Deuteronómio 6, 2)

Só Deus é Deus e Senhor. E não há outro Deus a quem amar, servir, adorar, acreditar, rezar, agradecer… Temer o Senhor não é ‘ter medo de Deus’. Não precisamos ter medo de Deus: Ele é amor, perdão, misericórdia, alegria, paz, salvação e esperança… Temer o Senhor é reconhecer a grandeza do seu poder; a santidade do seu nome; a ternura que nos dedica; a alegria da vida que nos oferece. Temer o Senhor é acolher a sua Palavra; cumprir os seus mandamentos; responder com fidelidade aos seus apelos; confiar na sua promessa e anunciá-la com a bondade dos nossos gestos. Quem ‘teme a Deus’ procura fazer tudo para não pecar contra ele; fazer nascer no coração o receio e a tristeza de o poder ofender. O apelo feito pela palavra de Deus aponta-nos o caminho da verdade, da justiça, da caridade, da compaixão. Uma grande exigência que nos trará a felicidade e a bênção.

segunda-feira, 9 de abril de 2018

DA PALAVRA DO SENHOR



- II DOMINGO DE PÁSCOA

“…A multidão dos que haviam abraçado a fé
 tinha um só coração e uma só alma;
 ninguém chamava seu ao que lhe pertencia,
 mas tudo entre eles era comum.
 Os Apóstolos davam testemunho da ressurreição do Senhor Jesus
 com grande poder
 e gozavam todos de grande simpatia…” (cf. Actos 4, 32-33)


PALAVRA DO PAPA FRANCISCO



- na Audiência-Geral, na Praça São Pedro, Roma, no dia 4 de Abril de 2018

Estimados irmãos e irmãs, bom dia e feliz Páscoa!
Vedes que hoje há flores: as flores indicam júbilo, alegria. Em certos lugares, a Páscoa é chamada também “Páscoa florida”, porque floresce Cristo Ressuscitado: é a nova flor; floresce a nossa justificação; floresce a santidade da Igreja. Por isso, muitas flores: é a nossa alegria. Nós festejamos a Páscoa toda a semana, a semana inteira. E, por isso, nos desejamos, mais uma vez, todos nós, os bons votos de “Feliz Páscoa”. Digamos juntos: “Feliz Páscoa”! Todos! [respondem: “Feliz Páscoa!”]. Gostaria que desejássemos também votos de “Feliz Páscoa” — porque ele foi o Bispo de Roma — ao amado Papa Bento, que nos acompanha pela televisão. Ao Papa Bento, todos desejemos “Feliz Páscoa” [dizem: “Feliz Páscoa!”]. E um grande aplauso!
Com a catequese de hoje, encerramos o ciclo dedicado à Missa, que é precisamente comemoração: não apenas como memória, mas vive-se de novo a Paixão e a Ressurreição de Jesus. A última vez chegamos até à Comunhão e à oração após a Comunhão. Depois desta prece, a Missa termina com a Bênção, concedida pelo sacerdote, e com a despedida do povo (cf. Ordenamento Geral do Missal Romano, 90). Assim, como tinha começado com o sinal da cruz - Em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo – é, ainda, em nome da Trindade que se conclui a Missa, ou seja, a acção litúrgica.
Todavia, sabemos que, quando a Missa termina, tem início o compromisso do testemunho cristão. Os cristãos não vão à Missa para cumprir um dever semanal e depois esquecer-se. Não!... Os cristãos vão à Missa para participar na Paixão e Ressurreição do Senhor e, em seguida, viver mais como cristãos: tem início o compromisso do testemunho cristão! Saímos da igreja para «ir em paz» levar a Bênção de Deus às actividades diárias, aos nossos lares, aos ambientes de trabalho, às ocupações da cidade terrena, “glorificando o Senhor com a nossa vida”. Mas, se eu sair da igreja tagarelando e dizendo: “Olha para isto, para aquilo...”, com a língua comprida, a Missa não entrou no meu coração. Porquê? Porque não sou capaz de viver o testemunho cristão. Cada vez que saio da Missa, devo sair melhor do que quando entrei: com mais vida, com mais força, com mais vontade de dar testemunho cristão. Através da Eucaristia, o Senhor Jesus entra em nós, no nosso coração e na nossa carne, a fim de podermos «exprimir na vida o sacramento recebido da fé» (Missal Romano, Coleta da Segunda-Feira na Oitava de Páscoa).
Portanto, da celebração para a vida, conscientes de que a Missa tem o seu cumprimento nas escolhas concretas de quem se deixa comprometer pessoalmente nos mistérios de Cristo. Não devemos esquecer que celebramos a Eucaristia para aprender a tornar-nos homens e mulheres eucarísticos. Que significa isto? Significa deixar que Cristo aja nas nossas obras: que os seus pensamentos sejam os nossos; os seus sentimentos os nossos; as suas escolhas as nossas. E isto é santidade: agir como Cristo é santidade cristã. Quem o exprime com exactidão é São Paulo. Quando fala da sua assimilação a Jesus, diz assim: «Fui crucificado com Cristo. Eu vivo, mas já não sou eu; é Cristo que vive em mim. A minha vida presente, na carne, eu vivo-a na fé no Filho de Deus, que me amou e se entregou por mim» (Gl 2, 19-20). Este é o testemunho cristão. A experiência de Paulo ilumina-nos, também a nós. Na medida em que mortificarmos o nosso egoísmo, ou seja, fizermos morrer o que se opõe ao Evangelho e ao amor de Jesus, cria-se dentro de nós maior espaço para o poder do seu Espírito. Os cristãos são homens e mulheres que deixam alargar a alma com a força do Espírito Santo, depois de terem recebido o Corpo e o Sangue de Cristo. Permiti que a vossa alma se alargue! Não estas almas tão estreitas e fechadas, pequenas, egoístas, não! Almas largas, almas grandes, com vastos horizontes... Deixai que a vossa alma se alargue com a força do Espírito, depois de receber o Corpo e o Sangue de Cristo.
Dado que a presença real de Cristo no Pão consagrado não acaba com a Missa (cf. Catecismo da Igreja Católica, 1374), a Eucaristia é conservada no Sacrário para a Comunhão aos enfermos e para a adoração silenciosa do Senhor no Santíssimo Sacramento; com efeito, o culto eucarístico fora da Missa, quer de forma particular quer comunitária, ajuda-nos a permanecer em Cristo (cf. ibid., 1378-1380).
Portanto, os frutos da Missa estão destinados a amadurecer na vida de todos os dias. Podemos dizer assim, forçando um pouco a imagem: a Missa é como o grão, o grão de trigo que depois, na vida comum, cresce, cresce e amadurece nas boas obras, nas atitudes que nos tornam semelhantes a Jesus. Portanto, os frutos da Missa estão destinados a amadurecer na vida de todos os dias. Na verdade, aumentando a nossa união a Cristo, a Eucaristia actualiza a graça que o Espírito nos concedeu no Baptismo e na Confirmação, a fim de que o nosso testemunho cristão seja credível (cf. ibid., 1391-1392).
Além disso, o que faz a Eucaristia, acendendo nos nossos corações a caridade divina? Separa-nos do pecado: «Quanto mais participarmos na vida de Cristo e progredirmos na sua amizade, tanto mais difícil nos será romper com Ele pelo pecado mortal» (ibid., 1395).
A frequência regular do Banquete eucarístico renova, fortalece e aprofunda o vínculo com a comunidade cristã à qual pertencemos, segundo o princípio de que a Eucaristia faz a Igreja (cf. ibid., 1396), unindo todos nós.
Por fim, participar na Eucaristia compromete-nos com os outros, de maneira especial com os pobres, educando-nos a passar da carne de Cristo para a carne dos irmãos, onde Ele espera ser por nós reconhecido, servido, honrado e amado (cf. ibid., 1397).
Trazendo o tesouro da união com Cristo em vasos de barro (cf. 2 Cor 4, 7), temos contínua necessidade de regressar ao santo altar, até podermos, no paraíso, participar plenamente da bem-aventurança do banquete das núpcias do Cordeiro (cf. Ap 19, 9).
Demos graças ao Senhor pelo caminho de redescoberta da Santa Missa, que Ele nos concedeu percorrer juntos, e deixemo-nos atrair, com fé renovada, por este encontro real com Jesus, morto e ressuscitado por nós, nosso contemporâneo. E que a nossa vida seja sempre “florida” assim, como a Páscoa, com as flores da esperança, da fé e das boas obras. Que encontremos sempre a força para isto na Eucaristia, na união com Jesus. Feliz Páscoa a todos!  (cf. Santa Sé)

PARA REZAR



- SALMO 117

Refrão: Aclamai o Senhor, porque Ele é bom:
             o seu amor é para sempre.

Diga a casa de Israel:
é eterna a sua misericórdia.
Diga a casa de Aarão:
é eterna a sua misericórdia.
Digam os que temem o Senhor:
é eterna a sua misericórdia.

A mão do Senhor fez prodígios,
A mão do Senhor foi magnífica.
Não morrerei, mas hei-de viver,
para anunciar as obras do Senhor.
Com dureza me castigou o Senhor,
mas não me deixou morrer.

A pedra que os construtores rejeitaram
tornou-se pedra angular.
Tudo isto veio do Senhor:
é admirável aos nossos olhos.
Este é o dia que o Senhor fez:
exultemos e cantemos de alegria.

SANTOS POPULARES



BEATO PEDRO MARIA RAMÍREZ RAMOS

Pedro Maria Ramírez Ramos nasceu em 23 de Outubro de 1899, em La Plata, departamento de Huila, na Colômbia. Foi baptizado no dia seguinte ao seu nascimento. Era o quarto dos sete filhos de Ramón Ramírez e de Isabel Ramos. Teve outros irmãos, nascidos do casamento anterior do seu pai.
Pedro frequentou o ensino básico na escola da Vila e, aos doze anos, entrou no Seminário Menor de La Mesa de Elías, em Huila, onde estudou com muito bom aproveitamento. Em 4 de Outubro de 1915, aos dezasseis anos, completados os estudos secundários, passou para o Seminário Maior de Garzón, para fazer o curso teológico.
No entanto, em 1920, abandonou do seminário, aconselhado pelo seu director espiritual que não via nele verdadeiros sinais de vocação e determinação para seguir o caminho do sacerdócio. Para além disso, sugeriu que procurasse uma cura para as suas frequentes dores de cabeça.
Pedro Ramos passou os oito anos seguintes dedicando-se ao ensino. O seu tempo disponível foi dedicado ao serviço da paróquia, tendo assumido a responsabilidade de director e secretário do coro paroquial. Mas, o seu pensamento e o seu coração estavam ocupados pelo seu desejo de seguir a vocação sacerdotal.
Em 1928, voltou ao seminário, agora ao Seminário Maior de Maria Imaculada em Ibagué. Depois de profunda reflexão e de uma reunião, muito elucidativa, com o bispo de Ibagué, foi admitido para terminar os estudos teológicos. Pedro Ramos foi ordenado sacerdote, no dia 21 de Junho de 1931. Celebrou a Missa Nova, a sua primeira missa, na igreja de São Sebastião, em La Plata, no dia 16 de Julho seguinte.
Durante o seu primeiro ano de sacerdócio, o bispo de Ibagué, monsenhor Pedro Martinez, nomeou-o Pároco de Chaparral. Depois, foi destinado a Cunday, em 1934; a Fresno, em 1943; e, finalmente, a Armero-Tolima, em 1946.
Em todas as paróquias por onde passou, deixou a imagem de um padre cheio de fervor, com uma fé inabalável e muito dedicado à Virgem Maria. Sempre se manteve fiel e firme na sua missão apostólica, como era de esperar de um sacerdote a quem foi confiada uma comunidade cristã e para a qual deveria ser testemunha da verdadeira fé e animador de uma prática religiosa autêntica.
No dia 9 de Abril de 1948, em Bogotá, Jorge Eliecer Gaitán, candidato liberal às eleições presidenciais, foi assassinado. Este facto deu origem a uma explosão de violência, conhecida como "Bogotazo", que atingiu, também, a povoação de Armero.
O Padre Pedro recebeu as primeiras notícias da revolta quando estava no hospital de Armero, de visita a um doente. Também ele foi envolvido nesta espiral de violência. Os revoltosos, e as multidões que os apoiavam, difundiram a ideia de que todos os membros da Igreja Católica – apesar destes fazerem, constantemente, apelo à não-violência - estavam do lado do presidente, o conservador Mariano Ospina Pérez.
Nesse mesmo dia em que explodiu a violência - 9 de Abril - por volta das 14h30, uma multidão armada, instigada por fanáticos e pelo álcool, apresentou-se para prender o Padre Pedro. A Irmã Miguelina, superiora do Convento das Irmãs da Misericórdia Eucarística, que ficava ao lado da Igreja Paroquial, escondeu o Padre da fúria da multidão.
Durante a noite, as freiras e algumas famílias aconselharam o Padre a escapar, ajudando-o a encontrar refúgio em lugar seguro e secreto. Porém, voltando-se para a irmã Miguelina, o Padre Pedro respondeu: "Não fujo por nenhum motivo. Quando vou rezar à Capela, consulto o meu "Amito". Ele diz-me para ficar aqui. Vós sim, Madre, deveis tomar as providências necessárias". "Amito" era um termo confidencial e amoroso com o qual o Padre Pedro se referia ao Senhor: ele sentiu, portanto, que Ele queria que ele ficasse lá, entre o seu povo.
Na manhã do dia 10 de Abril, o Padre Pedro celebrou a missa e deu a comunhão às irmãs e a um grupo de estudantes. De seguida, saiu para confessar um doente hospitalizado e para visitar cento e setenta encarcerados, na prisão da vila.
Pouco antes do meio-dia, distribuiu - para evitar profanações - as últimas hóstias consagradas às freiras, reservando uma para si, em caso de extrema necessidade. Em seguida, escreveu, a lápis, o seu testamento espiritual, que endereçou ao seu bispo e à sua família.
"Da minha parte", escreveu ele, "desejo morrer por Cristo e na sua fé. A Vossa Excelência, Senhor Bispo, expresso a imensa gratidão porque, sem o merecer, me fez Ministro do Altíssimo, Sacerdote de Deus e, agora, Pastor de Armero, povo pelo qual quero derramar o meu sangue. Deixo uma lembrança especial para o meu director espiritual, o santo Padre Dávila. Aos meus familiares, digo que serei o primeiro no exemplo que eles devem seguir: morrer por Cristo. Por todos, com um afecto especial, olharei do céu. A minha mais profunda gratidão às Irmãs Eucarísticas. No céu, vou interceder por elas, especialmente pela Madre superiora, a Irmã Miguelina. Em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo. Armero, 10 de Abril de 1948».
Na tarde do dia 10 de Abril, por volta das 16h30, um grande número de liberais invadiu a igreja e o convento, sob o pretexto de procurar armas escondidas, destruindo tudo o que podiam. Não encontrando nada, gritaram às freiras: "Entregai-nos o padre, ou todas morrereis". As Irmãs Mercedárias Eucarísticas fugiram pelos telhados, deixando o Padre Pedro sozinho.
Amarrado e trazido para fora, foi arrastado, entre gritos e palavras de gozo, até à praça central da vila. Mais de mil pessoas atiraram-se a ele, ferindo-o, repetida e mortalmente, com facalhões. Enquanto era sujeito a esta barbárie, o Padre Pedro perdoava àqueles que o estavam a matar. Como Cristo crucificado, as suas últimas palavras foram: "Pai, perdoai-lhes… Tudo por Cristo". Os seus algozes terminaram a “festança” e o seu sofrimento com uma bala na parte de trás da cabeça.
O seu cadáver, despojado das suas vestes sacerdotais, foi abandonado na entrada do cemitério da cidade. Algumas prostitutas, que o encontraram, atiraram-no para cova, deixando-o a céu aberto. O Padre Pedro, na sua morte, não teve quem rezasse por ele, nem sequer um Pai-Nosso. Naquela hora, estava só e abandonado, como o Senhor crucificado!... Somente no dia 21 de Abril, quando chegaram as autoridades, é que o seu corpo foi retirado da cova para ser realizada a autópsia. Um mês depois, os familiares do Padre Pedro puderam levar o seu corpo para lhe darem condigna sepultura, no cemitério de La Plata, a sua terra natal. O Padre Pedro Ramos foi sepultado no túmulo da sua família. Os seus restos mortais foram transferidos, no dia 24 de Agosto de 2017, para a igreja de São Sebastião, em La Plata, onde ele foi baptizado e onde celebrou a sua primeira missa.
A fama do martírio do pároco de Armero espalhou-se, imediatamente, por toda a região e foram-lhe atribuídos muitos milagres, sobretudo muitas curas. No entanto, muitas calúnias foram, também, ditas contra ele. A mais surpreendente foi a acusação de que ele tinha lançado uma maldição sobre a cidade, que teria causado a avalanche de 13 de Novembro de 1985, em que morreram mais de vinte mil pessoas.
Em 23 de Fevereiro de 1993, começou o processo canónico, em ordem à sua beatificação. Em 7 de Julho de 2017, o Papa Francisco aprovou o decreto que declarava que o Padre Pedro Maria Ramírez Ramos fora morto por ódio à fé católica.
O Padre Pedro foi beatificado, pelo Papa Francisco, no dia 8 de Setembro de 2017, em Villavicencio, cidade capital do departamento do Meta, em Los Llanos Orientales, durante a sua visita apostólica à Colômbia. Na homilia da Missa, o Papa disse: “…A reconciliação não é uma palavra que devemos considerar abstracta; se assim fosse, traria apenas esterilidade, traria maior distância. Reconciliar-se é abrir uma porta a todas e cada uma das pessoas que viveram a realidade dramática do conflito. Quando as vítimas vencem a tentação compreensível da vingança - quando vencem esta tentação compreensível da vingança - tornam-se nos protagonistas mais credíveis dos processos de construção da paz. É preciso que alguns tenham a coragem de dar o primeiro passo nesta direcção, sem esperar que o façam os outros. Basta uma pessoa boa, para que haja esperança. Não esqueçais isto: basta uma pessoa boa, para que haja esperança. E cada um de nós pode ser essa pessoa! Isto não significa ignorar ou dissimular as diferenças e os conflitos. Não é legitimar as injustiças pessoais ou estruturais. O recurso à reconciliação concreta não pode servir para se acomodar em situações de injustiça. Pelo contrário, como ensinou São João Paulo II, «é um encontro entre irmãos dispostos a vencer a tentação do egoísmo e a renunciar aos intentos duma pseudo-justiça; é fruto de sentimentos fortes, nobres e generosos, que levam a estabelecer uma convivência fundada sobre o respeito de cada indivíduo e dos valores próprios de cada sociedade civil» (Carta aos Bispos de El Salvador, 6/VIII/1982). Por isso, a reconciliação concretiza-se e consolida-se com a contribuição de todos, permite construir o futuro e faz crescer a esperança. Qualquer esforço de paz sem um compromisso sincero de reconciliação será sempre um fracasso.
O texto do Evangelho, que ouvimos, culmina chamando a Jesus, o Emanuel, que significa Deus connosco. E como começa, assim termina Mateus o seu Evangelho: «Eu estarei sempre convosco até ao fim dos tempos» (28, 20). Jesus é o Emanuel que nasce e o Emanuel que nos acompanha todos os dias; é o Deus connosco que nasce e o Deus que caminha connosco, até ao fim do mundo. Esta promessa realiza-se também na Colômbia: D. Jesús Emilio Jaramillo Monsalve, Bispo de Arauca, (nota: foi beatificado, juntamente com o Padre Pedro) e o sacerdote Pedro Maria Ramírez Ramos, mártir de Armero, são sinal disso, expressão dum povo que quer sair do pântano da violência e do rancor.
Neste ambiente maravilhoso, cabe a nós dizer «sim» à reconciliação concreta; e, neste «sim», incluamos também a natureza. Não é por acaso que, inclusive sobre ela, se tenham desencadeado as nossas paixões possessivas, a nossa ânsia de domínio. Um vosso compatriota canta-o com primor: «As árvores estão a chorar, são testemunhas de tantos anos de violência. O mar aparece acastanhado, mistura de sangue com a terra» (Juanes, Minhas Pedras). A violência que existe no coração humano, ferido pelo pecado, manifesta-se também nos sintomas de doença que notamos no solo, na água, no ar e nos seres vivos (cf. Francisco, Carta enc. Laudato si’, 2). Cabe-nos dizer «sim» como Maria e cantar com Ela as «maravilhas do Senhor», porque, como prometeu aos nossos pais, Ele ajuda todos os povos e ajuda cada povo, e ajuda a Colômbia que hoje quer reconciliar-se e à sua descendência para sempre…”
A memória litúrgica do Padre Pedro é celebrada, na Colômbia, no dia 24 de Outubro, dia do seu baptismo; na liturgia da Igreja universal, será feita a sua memória, no dia 10 de Abril, dia do seu martírio.

domingo, 1 de abril de 2018

EM DESTAQUE



FESTA DA PÁSCOA

A Igreja celebra a Ressurreição de Cristo em ambiente de festa, de alegria e de esperança. A Páscoa é a maior festa dos cristãos; por isso, ela encontra-se no centro de toda a liturgia. Jesus ressuscitado anuncia e garante a nossa ressurreição. Cristo aceitou morrer crucificado para destruir a morte, vencer o pecado;  e ressuscitou para ser, para cada um de nós, a fonte  de uma vida nova.
Na nossa paróquia de Santa Maria da Feira, a alegria da Páscoa exprime-se, também, com a Visita Pascal. O compasso percorre as ruas da cidade, testemunhando em cada casa, em cada família, a alegria do Senhor ressuscitado que traz aos corações o amor e a paz.

BOAS FESTAS! FELIZ PÁSCOA! O SENHOR RESSUSCITOU, VERDADEIRAMENTE. ALELUIA!


- VISITA PASCAL

No Domingo de Páscoa e na Segunda-Feira de Páscoa, na nossa Paróquia de Santa Maria da Feira, realiza-se, na forma habitual, a VISITA PASCAL: grupos de cristãos, levando a cruz florida, percorrem as ruas da cidade a anunciar a alegria da Ressurreição de Jesus.
As famílias que desejam receber, nas suas casas, estes mensageiros da Páscoa devem, como de costume, sinalizar o seu desejo colocando flores e verdes à entrada das suas casas.

Itinerários da Visita Pascal

Domingo de Páscoa

1.         Juiz da Cruz - António Manuel Teixeira - 919212320

Manhã: Largo de Camões; Rua Dr. Roberto Alves; Rotunda do Rotary; Largo Dr. Gaspar Moreira; Largo da Misericórdia; Rua Dr. Elísio de Castro; Rua Jornal Correio da Feira; Rua dos Descobrimentos.

Tarde: Rua Dr. Elísio de Castro; Largo Dr. Sampaio Maia; Rua Dr. Cândido de Pinho; Rotunda do Hospital; Rua Dr. João de Magalhães; Av. 25 de Abril; Rua Dr. Vitorino Sá; Rua Bispo D. Sebastião Soares Resende; Beco de Rolães; Largo Dr. Aguiar Cardoso; Rua Comendador Sá Couto; Rua da Pedreira; Rua S. Sebastião; Rua das Penas; Rua João Caracol e Rua Comendador Sá Couto.

2.         Juiz da Cruz - Roberto Carlos Reis - 965506359

Manhã: Rua do Inatel, Rua Santos Carneiro (limite com a Av. Belchior Cardoso da Costa), Rua Dr. Vaz Ferreira (limite Rua das Fogaceiras), Rua Óscar Pinto, Rua das Fogaceiras até à PSP) Rua S. Nicolau, Rua Dr. Vitorino de Sá; Rua dos Descobrimentos.

Tarde: Largo Dr. Ângelo Sampaio Maia, Rua Av. 5 de Outubro, Travessa Cal das Eiras, Rua Cal das Eiras; Rua Eng.º Duarte Pacheco; Rua Viana da Mota; Rua Arlindo do Sousa; Rua António Sérgio; (limite com a Rua dos Combatentes); Avenida Dr. Domingos de Sousa

3.         Juiz da Cruz - Madureira - 922136351

Manhã: Capela da Piedade; Rua Nossa Senhora da Piedade; Rua Joana Forjaz Pereira; Rua Francisco Costa Neves; Rua dos Moinhos; rua das fogaceiras; rua Dr Joaquim Alves Moreira; Rua Dr. Paulo de Sá; Rua 25 de Abril.

Tarde: Rua de Santa Cruz; Rua S. Sebastião; Travessa D. Maria da Luz Albuquerque; Rua 1.º de Maio; Professor Egas Moniz; Rua Dr. António Castro Corte Real

4.         Juiz da Cruz - António Teixeira - 919620890

Manhã: Ferreira de Castro, sentido descendente; Sá Carneiro; João Mendes Cardoso; S. Paulo da Cruz; Dr. Crispim; Comandante Martins, 20 de Janeiro e Mestre António Joaquim.

Tarde: Travessa de Santo André; Andrade e Silva, Fortunato Menéres, Ferreira de Castro sentido ascendente; Alexandre Herculano; Rua do Brasil; Comendador Sá Couto; Travessa Santa Cruz; Travessa de Campos; Veiga de Macedo; Domitília de Carvalho, Gilberta Paiva e Rua Nossa Senhora de Campos.

5.         Juiz da Cruz - Paulino Sá - 917591584

Manhã: Rua Ferreira Castro; Rua Conselheiro Correia Marques; Rua Dr. Eduardo Vaz; Rua António José Almeida; Rua da Relva; Rua Dr. José Coreia de Sá; Rua Manuel Ferreira Maia; Rua Dr. José Silva Campos; Rua Pe. Manuel Soares dos Reis; Rua Comendador António Martins; Rua Domitília Carvalho; Rua Dr. Fernando Miranda; Rua Mestre António Joaquim.

Tarde: Rua do Ameal; Rua e Travessa de Santo André; Rua Travessa Nª. Sª. da Saúde; Rua Travessa Poeta Eduardo Meireles; Rua Bispo Florentino Andrade Silva; Rua de Sto. André; Rua Poeta Eduardo Meireles; Rua Dr. Alfredo Silva Terra; Rua Joué-Lés-Tours; Rua Santa Maria da Feira de Beja e Rua Casa da Vila da Feira e Terra de Santa Maria – Rio de Janeiro.

Segunda-Feira de Páscoa

1.         Juiz da Cruz - Horácio Sá - 962980563

Manhã: Rua da Azenha; Beco do Lambro - parte final da Av. 25 de Abril; Rua Luís de Campos (parte); Rua da Velha (até ao Largo da Velha) Travessa do Pinhal; Rua da Velha (parte final);Travessa da Velha e Bairro da Misericórdia; Rua D. Manuel II; Travessa Dra. Maria de Lurdes Portela; Rua Dra. Maria de Lurdes Portela; Parte final da Av. 5 de Outubro (zona do E. Leclerc); Rua Osvaldo Silva.

Tarde: Rua Bombeiros Voluntários (início junto á Sede Amigos do Cavaco) incluindo Alto do Calvário; Travessa do Cavaco; Avenida 5 de Outubro; Rua João António de Andrade; Travessa das Regadas; Rua José Soares de Sá; Rua do Carvalhal - Rua Dr. Eduardo Vaz (parte inicial).

2.         Juiz da Cruz - Roberto Carlos Reis - 965506359

Manhã: Rua de Picalhos; Rua da Casa dos Choupos; Travessa da Charca; Travessa da Pederneira; Travessa da Circunvalação; Rua da Circunvalação; Rua António Martins Soares Leite, Rotunda Lions Clube da Feira; Rua D. Ximenes Belo; Rua José Saramago; Travesso D. Ximenes Belo, Praça Doutor Horácio Alvim.

Tarde: Rua do Castelo; Rua de Matos, Travessa das alminhas, Rua Orfeão da Feira, Travessa do Cabido; Rua da Portela, Travessa da Portela, Beco da Portela, Travessa do Orfeão da Feira, Travessa de Macieira; Rua Dr. Benjamim de Brito; Rua Dr. Eduardo Vaz (Quinta do Antero e do Sr. Maia) início da Rua Manuel Laranjeira, até Serralharia Campos, Rua do Carvalhal, Rua Irmão Gabriel.

3.         Juiz da Cruz - António Teixeira - 919620890

Manhã: Moinho das Campainhas, Travessa da Guiné, Doutor António Figueiredo, Cabo Verde, Travessa de Goa, Travessa da Damão, Moçambique, Angola, Macau, Guiné, Praceta Vila Nova. São Tomé, Travessa de Diu, Timor, Praceta Horácio Alvim e Bairro da Refrey.

Tarde: Crispim Borges de Castro, Vila Boa, Germano Silva Santos, Ribeiras do Cáster, Manuel Correia Marques, José Luís Bastos.

4.         Juiz da Cruz - Eduardo Pinho - 917591584

Manhã: Rua do Ameal; Rua de Milheirós; Rua Bispo Moisés Alves de Pinho; Rua Domingos Trincão; Rua dos Calceteiros; Travessa do Ameal; Regato do Ameal; Rua Centro Paroquial; Largo da Remolha; Rua dos Cinco Caminhos; Rua Dr. Antunes; Rua Santo António; Rua Nª. Sª. de Fátima; Rua Domingos Pinto Ribeiro; Rua das Corgas.

Tarde: Rua da Ramada (Travessa do Monte – descendente até ao rio), Rua do Monte (sentido ascendente) Rua Nª. Sª. de Fátima; Rua do Bispo Moisés Alves de Pinho; Rua Dr. Domingos Trincão; Rua de Milheirós; Rua de S. José.

5.         Juiz da Cruz - Pedro Milheiro - 969023420

Manhã: Rua dos Moinhos, Bairro de Picalhos, Rua Luís Campos; Coronel José Barbosa, Rua Regimento de Engenharia de Espinho, Rua Afonso Henriques, Rua Comendador Marcolino de Castro, Rua da Velha (parceria com compasso N.º 1 até Rua D. Manuel II; Rua de Timor.

Tarde: Rua António Sampaio Maia; Rua das Fábricas, Outeiro (limite da freguesia com S. João de Ver), Rua dos Bombeiros; Rua Ribeiras do Cáster (Bairro do Balteiro), Rua Dr. Eduardo Vaz até ao Restaurante Cantinho Nobre, Lar S. Nicolau; Rua José Soares de Sá.

DA PALAVRA DO SENHOR



- DOMINGO DE RAMOS

“…Deus ungiu com a força do Espírito Santo a Jesus de Nazaré,
 que passou fazendo o bem
 e curando a todos os que eram oprimidos pelo Demónio,
 porque Deus estava com Ele.
 Nós somos testemunhas de tudo o que Ele fez
 no país dos judeus e em Jerusalém;
 e eles mataram-n’O, suspendendo-O na cruz.
 Deus ressuscitou-O ao terceiro dia…” (cf. Actos 10, 38-40)

PALAVRA DO PAPA FRANCISCO


- na Praça São Pedro, na XXXIII Jornada Mundial da Juventude – Domingo de Ramos, 25 de Março de 2018

Jesus entra em Jerusalém. A liturgia convidou-nos a intervir e participar na alegria e na festa do povo que é capaz de aclamar e louvar o seu Senhor; alegria que esmorece, dando lugar a um sabor amargo e doloroso depois que acabamos de ouvir a narração da Paixão. Nesta celebração, parecem cruzar-se histórias de alegria e sofrimento, de erros e sucessos que fazem parte da nossa vida diária como discípulos, porque consegue revelar sentimentos e contradições que, hoje em dia, com frequência, aparecem também em nós, homens e mulheres deste tempo: capazes de amar muito... mas também de odiar (e muito!); capazes de sacrifícios heroicos, mas também de saber «lavar-se as mãos» no momento oportuno; capazes de fidelidade, mas também de grandes abandonos e traições.
Vê-se, claramente, em toda a narração evangélica que, para alguns, a alegria suscitada por Jesus é motivo de fastídio e irritação.
Jesus entra na cidade rodeado pelos seus, rodeado por cânticos e gritos rumorosos. Podemos imaginar que são a voz do filho perdoado, a do leproso curado ou o balir da ovelha extraviada que ressoam, intensamente e todos juntos, nesta entrada. É o cântico do publicano e do impuro; é o grito da pessoa que vivia marginalizada da cidade. É o grito de homens e mulheres que O seguiram, porque experimentaram a sua compaixão à vista do sofrimento e miséria deles... É o cântico e a alegria espontânea de tantos marginalizados que, tocados por Jesus, podem gritar: «Bendito seja o que vem em nome do Senhor!» (Mc 11, 9). Como deixar de aclamar Aquele que lhes restituíra a dignidade e a esperança? É a alegria de tantos pecadores perdoados que reencontraram ousadia e esperança. E eles gritam. Rejubilam. É a alegria.
Estas aclamações de alegria aparecem incómodas e tornam-se absurdas e escandalosas para aqueles que se consideram justos e «fiéis» à lei e aos preceitos rituais [cf. R. Guardini, Il Signore (Brescia-Milão 2005), 344-345]. Uma alegria insuportável para quantos reprimiram a sensibilidade face à angústia, ao sofrimento e à miséria. Mas, destes, muitos pensam: «Olha que povo mal-educado!» Uma alegria intolerável para quantos perderam a memória e se esqueceram das inúmeras oportunidades por eles usufruídas. Como é difícil, para quem procura justificar-se e salvar-se a si mesmo, compreender a alegria e a festa da misericórdia de Deus! Como é difícil, para quantos confiam apenas nas suas próprias forças e se sentem superiores aos outros, poder compartilhar esta alegria! (cf. Francisco, Exort. ap. Evangelii gaudium, 94).
E daqui nasce o grito da pessoa a quem não treme a voz para bradar: «Crucifica-O!» (Mc 15, 13). Não é um grito espontâneo, mas grito pilotado, construído, que se forma com o desprezo, a calúnia, a emissão de testemunhos falsos. É o grito que nasce na passagem dos factos à sua narração; nasce da narração. É a voz de quem manipula a realidade, criando uma versão favorável a si próprio e não tem problemas em «tramar» os outros para ele mesmo se ver livre. Trata-se duma [falsa] narração. O grito de quem não tem escrúpulos em procurar os meios para reforçar a sua posição e silenciar as vozes dissonantes. É o grito que nasce de «maquilhar» a realidade, pintando-a de tal maneira que acabe por desfigurar o rosto de Jesus, fazendo-O aparecer como um «malfeitor». É a voz de quem deseja defender a sua posição, desacreditando especialmente quem não se pode defender. É o grito produzido pelas «intrigas» da autossuficiência, do orgulho e da soberba, que proclama sem problemas: «crucifica-O, crucifica-O!»
E deste modo, no fim, silencia-se a festa do povo; destrói-se a esperança: matam-se os sonhos; suprime-se a alegria. Deste modo, no fim, blinda-se o coração, resfria-se a caridade. É o grito do «salva-te a ti mesmo» que pretende adormecer a solidariedade, apagar os ideais, tornar insensível o olhar... O grito que pretende cancelar a compaixão, aquele «padecer com», a compaixão, que é o «ponto fraco» de Deus.
Perante todas estas vozes que gritam, o melhor antídoto é olhar a cruz de Cristo e deixar-se interpelar pelo seu último grito. Cristo morreu, gritando o seu amor por cada um de nós: por jovens e idosos, santos e pecadores, amor pelos do seu tempo e pelos do nosso tempo. Na sua cruz, fomos salvos para que ninguém apague a alegria do Evangelho; para que ninguém, na situação em que se encontra, permaneça longe do olhar misericordioso do Pai. Olhar a cruz significa deixar-nos interpelar nas nossas prioridades, escolhas e acções. Significa deixar-nos interrogar sobre a nossa sensibilidade face a quem está a passar ou a viver momentos de dificuldade. Irmãos e irmãs, que vê o nosso coração? Jesus continua a ser motivo de alegria e louvor no nosso coração ou envergonhamo-nos das suas prioridades para com os pecadores, os últimos, os abandonados?
E no vosso caso, queridos jovens, a alegria que Jesus suscita em vós é, para alguns, motivo de fastídio e também irritação, porque um jovem alegre é difícil de manipular. Um jovem alegre é difícil de manipular…
Neste dia, porém, existe a possibilidade de um terceiro grito: «Alguns fariseus disseram-Lhe, do meio da multidão: “Mestre, repreende os teus discípulos”. Jesus retorquiu: “Digo-vos que, se eles se calarem, gritarão as pedras”» (Lc 19, 39-40).
Calar os jovens é uma tentação que sempre existiu. Os próprios fariseus inculpam Jesus, pedindo-Lhe que os acalme e faça estar calados.
Há muitas maneiras de tornar os jovens silenciosos e invisíveis. Muitas maneiras de os anestesiar e adormecer para que não façam «barulho», para que não se interroguem nem ponham em discussão. «Vós… calai-vos!» Há muitas maneiras de os fazer estar tranquilos, para que não se envolvam e os seus sonhos percam oportunidade, tornando-se fantastiquices rasteiras, mesquinhas, tristes.
Neste Domingo de Ramos, em que celebramos o Dia Mundial da Juventude, faz-nos bem ouvir a resposta de Jesus aos fariseus de ontem e de todos os tempos (também os de hoje): «Se eles se calarem, gritarão as pedras» (Lc 19, 40).
Queridos jovens, cabe a vós a decisão de gritar, cabe a vós decidir-vos pelo Hossana do domingo para não cair no «crucifica-O» de sexta-feira... E cabe a vós não ficar calados. Se os outros calam, se nós, idosos e responsáveis (tantas vezes corruptos), silenciamos, se o mundo se cala e perde a alegria, pergunto-vos: vós gritareis?
Por favor, decidi-vos antes que gritem as pedras...  (cf. Santa Sé)

PARA REZAR



- ORAÇÃO DE QUINTA-FEIRA SANTA

Senhor Jesus:
na Última Ceia, repartiste o Amor, com os teus discípulos,
na forma do pão e do vinho.
Na cruz, em cada gota do teu sangue,
espalhaste a esperança pelo mundo inteiro,
para que, olhando-te crucificado,
a humanidade descobrisse o caminho da verdadeira vida.
Jesus, aprendendo contigo,
ajuda-nos a repartir o Amor
em gestos de perdão, de paciência,
de acolhimento, de ternura e de bondade.
Nesta hora, comungando com a dor da tua cruz,
pedimos-te pelo Papa Francisco,
para que tenha a coragem de levar esta Igreja
pelos caminhos da misericórdia e do perdão;
pedimos-te pelo nosso Administrador-Diocesano, António;
pelo nosso Bispo eleito, Manuel;
pelos sacerdotes e diáconos da nossa Diocese,
para que vivam, com humildade, a alegria do Evangelho.
Dá esperança e paz às nossas famílias;
ilumina o coração dos pais e dos nossos catequistas;
enche de ternura o coração das crianças e dos jovens;
consola os doentes e os idosos, os pobres e os marginados;
abre os teus braços redentores
e recebe os nossos defuntos
na bem-aventurança do teu reino.
Senhor Jesus, acolhe aqueles que te procuram de coração sincero
e faz-nos viver a alegria da tua Páscoa.
Amém 


- SALMO 117

Refrão: Eis o dia que fez o Senhor;
             n’Ele exultemos e nos alegremos. Aleluia!

Dai graças ao Senhor, porque Ele é bom,
porque é eterna a sua misericórdia.
Diga a casa de Israel:
é eterna a sua misericórdia.

A mão do Senhor fez prodígios,
a mão do Senhor foi magnífica.
Não morrerei, mas hei-de viver
para anunciar as obras do Senhor.

A pedra que os construtores rejeitaram
tornou-se pedra angular.
Tudo isto veio do Senhor:
é admirável aos nossos olhos.

SANTOS POPULARES



SÃO LUDOVICO PALMENTIERI DA CASORIA

Arcanjo Palmentieri nasceu em Casoria, no dia 11 de Março de 1814. Era o terceiro dos cinco filhos do vinicultor Vicente e Cândida Zenga. Estudou na escola dos Frades Franciscanos do Convento de Santo António, em Afragola, Nola - Itália e, finalmente, entrou no convento napolitano de São Pedro de Aram. Depois de frequentar o curso universitário, dedicou-se ao ensino de matemática, física e química. Em 17 de Junho de 1832, vestiu o hábito franciscano, vivendo um período de noviciado, em Vallo di Lauro. Em 4 de Junho de 1837, ele foi ordenado sacerdote.
Em 1847, deixou de ensinar e iniciou uma nova etapa da sua vida, dedicando-se à assistência material e espiritual das classes populares e mais pobres. Fundou numerosos institutos em Nápoles, na Itália e no mundo, entre eles a Congregação dos Frades e das Irmãs da Caridade, também conhecidos por "frades bigi" e "irmãs bigie elisabetianas", por causa da cor cinzenta dos seus hábitos religiosos.
O Padre Ludovico começou as suas actividades de assistência aos mais necessitados, movido pelo amor evangélico e pela caridade em favor dos mais pobres. A primeira das suas obras teve lugar em Nápoles. Em 1852, comprou uma propriedade conhecida como "La Palma", que se tornou a sede da enfermaria provincial franciscana. Após a unificação da Itália - quando se tornou mais visível o contraste entre o Norte e o Sul - o Padre Ludovico sentiu a necessidade de ajudar e cuidar das crianças abandonadas nas ruas e viviam de esmolas. Por isso, em 1862, fundou uma organização para cuidar e dar trabalho aos pedintes. Assim, nasceu no bairro popular de Materdei (Mãe de Deus) e o Colégio de São Rafael, onde foram criados laboratórios, oficinas de formação profissional e escolas.
O compromisso humanitário e missionário do Padre Ludovico estendeu-se para África. Entre 1865 e 1866, o Padre Ludovico realizou uma viagem missionária, visitando lugares onde, diariamente, a fome e a doença provocavam milhares de vítimas. Regressado a Nápoles, fundou o Colégio de Moretti para a formação missionária de jovens africanos, em "La Palma", para que "a África fosse convertida pela África". A conversão da África foi, até ao último dia da sua vida, o mais ardente dos seus desejos. Mais tarde, preocupou-se, também, com a sorte das meninas africanas, cuja vida era, realmente, triste e infeliz. Para elas, alugou uma casa em Pirozzi e, como as meninas acolhidas cresceram em grande número, arranjou um prédio maior, que confiou à direcção das Irmãs Franciscanas Estigmatinas, cujo carisma está voltado para a educação da juventude, fundadas pela Venerável Anna Lapini. Mas "a caridade sem limites" do Padre Ludovico não parou por aí: fundou inúmeras instituições, em toda a Itália: o orfanato, em Santa Ágata sui Due Golfi, em Massa Lubrense – Nápoles; o Instituto para crianças cegas e surda-mudas de Assis; o Abrigo para crianças, em Florença. Em Roma, em 1883, por influência do discurso do Papa Leão XIII, criou o Instituto da Imaculada Conceição - uma escola gratuita para crianças pobres -; um colégio interno para órfãos e um Seminário para formação de Jovens que abraçavam a espiritualidade franciscana.
Em 1873, continuando a sua intensa actividade, criou o hospício de Posillipo, para antigos pescadores, onde tinha sido construído um monumento a São Francisco, por ocasião do sétimo centenário do seu nascimento.
O Padre Ludovico morreu em Nápoles, em 30 de Março de 1885. Foi sepultado na igreja do hospício de Posillipo, Nápoles.
Foi beatificado pelo Papa João Paulo II, em 18 de Abril de 1993. Na homilia da celebração da beatificação, o Papa disse: “…Saúdo-te, Beato Ludovico da Casoria, figura singular de Frade Menor e ardente testemunho da caridade de Cristo. Comovem-nos as palavras do teu testamento: "O Senhor chamou-me a si com um amor dulcíssimo e, com uma caridade infinita, guiou-me e dirigiu-me no caminho da minha vida". A força deste amor impeliu-te, valente estudioso e professor, a dedicares-te aos mais pobres: aos sacerdotes doentes, aos imigrantes africanos, aos mudos, aos cegos, aos idosos, aos órfãos. Beato Ludovico, grande filho da Igreja de Nápoles, fizeste teu o carisma de Francisco de Assis e viveste-o na sociedade do teu tempo, no Sul da Itália do século passado, assumindo activa responsabilidade frente às mais graves formas de pobreza e metendo-te, com compaixão cristã, no concreto da história do teu povo e dos seus dramas diários. A amplitude do raio de acção do teu apostolado deixa-nos quase incrédulos e, espontaneamente, perguntamos-te: ‘Como foi possível tornares-te tão próximo de tanta miséria com tanta "fantasia" na promoção humana?’ E, ainda hoje, as tuas palavras respondem-nos: "O amor de Cristo feriu o meu coração". Pedimos-te que nos ensines, também, a viver para os outros e a ser construtores de autênticas comunidades eclesiais, nas quais a caridade floresça com alegria e esperança activa. "Pobres sempre os tereis convosco…" (Mt 26,11), disse-nos Jesus. Ajuda-nos, Beato Ludovico, a descobri-los, amá-los e servi-los com o ardor que em ti realizou maravilhas…”
Algum tempo antes, em 18 de Abril de 1993, acerca da exemplaridade de vida do Padre Ludovico da Casoria, o Papa João Paulo II tinha escrito: "…Ele não se limitou a declarar o seu amor pelos pobres. Fiel ao ensinamento do Apóstolo João: "Não amamos em palavras nem com linguagem, mas com actos e em verdade", traduziu-o em atitudes e gestos de serviço a toda e qualquer forma de marginalização humana e de pobreza flagrante. Nele, a caridade do Bom Samaritano fez-se presente e activa, aproximando-o de todo homem ferido no corpo e no espírito e dando-lhe esperança e consolo…”
O Beato Ludovico foi canonizado pelo Papa Francisco, no dia 23 de Novembro 2014. Na homilia da Missa, referindo-se aos novos santos da Igreja, o Papa disse: “… Hoje a Igreja põe à nossa frente modelos como os novos Santos que, precisamente mediante as obras de uma generosa dedicação a Deus e aos irmãos, serviram, cada um no seu âmbito, o reino de Deus e dele se tornaram herdeiros. Cada um deles respondeu com extraordinária criatividade ao mandamento do amor de Deus e do próximo. Dedicaram-se incansavelmente ao serviço dos últimos, assistindo indigentes, doentes, idosos e peregrinos. A sua predilecção pelos pequeninos e pelos pobres era o reflexo e a medida do amor incondicional a Deus. Com efeito, procuraram e descobriram a caridade na relação forte e pessoal com Deus, da qual se liberta o amor verdadeiro ao próximo. Por isso, no momento do juízo, ouviram este doce convite: «Vinde, benditos de meu Pai, possuí por herança o reino que vos está preparado desde a fundação do mundo» (Mt  25, 34)…”
A memória litúrgica de São Ludovico Palmentieri de Casoria celebra-se no dia 30 de Março.

quarta-feira, 21 de março de 2018

EM DESTAQUE



- VISITA PASCAL

No Domingo de Páscoa e na Segunda-Feira de Páscoa, na nossa Paróquia de Santa Maria da Feira, realiza-se, na forma habitual, a VISITA PASCAL: grupos de cristãos, levando a cruz florida, percorrem as ruas da cidade a anunciar a alegria da Ressurreição de Jesus.
As famílias que desejam receber, nas suas casas, estes mensageiros da Páscoa devem, como de costume, sinalizar o seu desejo colocando flores e verdes à entrada das suas casas.

Itinerários da Visita Pascal

Domingo de Páscoa

1.         Juiz da Cruz - António Manuel Teixeira - 919212320

Manhã: Largo de Camões; Rua Dr. Roberto Alves; Rotunda do Rotary; Largo Dr. Gaspar Moreira; Largo da Misericórdia; Rua Dr. Elísio de Castro; Rua Jornal Correio da Feira; Rua dos Descobrimentos.

Tarde: Rua Dr. Elísio de Castro; Largo Dr. Sampaio Maia; Rua Dr. Cândido de Pinho; Rotunda do Hospital; Rua Dr. João de Magalhães; Av. 25 de Abril; Rua Dr. Vitorino Sá; Rua Bispo D. Sebastião Soares Resende; Beco de Rolães; Largo Dr. Aguiar Cardoso; Rua Comendador Sá Couto; Rua da Pedreira; Rua S. Sebastião; Rua das Penas; Rua João Caracol e Rua Comendador Sá Couto.

2.         Juiz da Cruz - Roberto Carlos Reis - 965506359

Manhã: Rua do Inatel, Rua Santos Carneiro (limite com a Av. Belchior Cardoso da Costa), Rua Dr. Vaz Ferreira (limite Rua das Fogaceiras), Rua Óscar Pinto, Rua das Fogaceiras até à PSP) Rua S. Nicolau, Rua Dr. Vitorino de Sá; Rua dos Descobrimentos.

Tarde: Largo Dr. Ângelo Sampaio Maia, Rua Av. 5 de Outubro, Travessa Cal das Eiras, Rua Cal das Eiras; Rua Eng.º Duarte Pacheco; Rua Viana da Mota; Rua Arlindo do Sousa; Rua António Sérgio; (limite com a Rua dos Combatentes); Avenida Dr. Domingos de Sousa

3.         Juiz da Cruz - Madureira - 922136351

Manhã: Capela da Piedade; Rua Nossa Senhora da Piedade; Rua Joana Forjaz Pereira; Rua Francisco Costa Neves; Rua dos Moinhos; rua das fogaceiras; rua Dr Joaquim Alves Moreira; Rua Dr. Paulo de Sá; Rua 25 de Abril.

Tarde: Rua de Santa Cruz; Rua S. Sebastião; Travessa D. Maria da Luz Albuquerque; Rua 1.º de Maio; Professor Egas Moniz; Rua Dr. António Castro Corte Real

4.         Juiz da Cruz - António Teixeira - 919620890

Manhã: Ferreira de Castro, sentido descendente; Sá Carneiro; João Mendes Cardoso; S. Paulo da Cruz; Dr. Crispim; Comandante Martins, 20 de Janeiro e Mestre António Joaquim.

Tarde: Travessa de Santo André; Andrade e Silva, Fortunato Menéres, Ferreira de Castro sentido ascendente; Alexandre Herculano; Rua do Brasil; Comendador Sá Couto; Travessa Santa Cruz; Travessa de Campos; Veiga de Macedo; Domitília de Carvalho, Gilberta Paiva e Rua Nossa Senhora de Campos.

5.         Juiz da Cruz - Paulino Sá - 917591584

Manhã: Rua Ferreira Castro; Rua Conselheiro Correia Marques; Rua Dr. Eduardo Vaz; Rua António José Almeida; Rua da Relva; Rua Dr. José Coreia de Sá; Rua Manuel Ferreira Maia; Rua Dr. José Silva Campos; Rua Pe. Manuel Soares dos Reis; Rua Comendador António Martins; Rua Domitília Carvalho; Rua Dr. Fernando Miranda; Rua Mestre António Joaquim.

Tarde: Rua do Ameal; Rua e Travessa de Santo André; Rua Travessa Nª. Sª. da Saúde; Rua Travessa Poeta Eduardo Meireles; Rua Bispo Florentino Andrade Silva; Rua de Sto. André; Rua Poeta Eduardo Meireles; Rua Dr. Alfredo Silva Terra; Rua Joué-Lés-Tours; Rua Santa Maria da Feira de Beja e Rua Casa da Vila da Feira e Terra de Santa Maria – Rio de Janeiro.

Segunda-Feira de Páscoa

1.         Juiz da Cruz - Horácio Sá - 962980563

Manhã: Rua da Azenha; Beco do Lambro - parte final da Av. 25 de Abril; Rua Luís de Campos (parte); Rua da Velha (até ao Largo da Velha) Travessa do Pinhal; Rua da Velha (parte final);Travessa da Velha e Bairro da Misericórdia; Rua D. Manuel II; Travessa Dra. Maria de Lurdes Portela; Rua Dra. Maria de Lurdes Portela; Parte final da Av. 5 de Outubro (zona do E. Leclerc); Rua Osvaldo Silva.

Tarde: Rua Bombeiros Voluntários (início junto á Sede Amigos do Cavaco) incluindo Alto do Calvário; Travessa do Cavaco; Avenida 5 de Outubro; Rua João António de Andrade; Travessa das Regadas; Rua José Soares de Sá; Rua do Carvalhal - Rua Dr. Eduardo Vaz (parte inicial).

2.         Juiz da Cruz - Roberto Carlos Reis - 965506359

Manhã: Rua de Picalhos; Rua da Casa dos Choupos; Travessa da Charca; Travessa da Pederneira; Travessa da Circunvalação; Rua da Circunvalação; Rua António Martins Soares Leite, Rotunda Lions Clube da Feira; Rua D. Ximenes Belo; Rua José Saramago; Travesso D. Ximenes Belo, Praça Doutor Horácio Alvim.

Tarde: Rua do Castelo; Rua de Matos, Travessa das alminhas, Rua Orfeão da Feira, Travessa do Cabido; Rua da Portela, Travessa da Portela, Beco da Portela, Travessa do Orfeão da Feira, Travessa de Macieira; Rua Dr. Benjamim de Brito; Rua Dr. Eduardo Vaz (Quinta do Antero e do Sr. Maia) início da Rua Manuel Laranjeira, até Serralharia Campos, Rua do Carvalhal, Rua Irmão Gabriel.

3.         Juiz da Cruz - António Teixeira - 919620890

Manhã: Moinho das Campainhas, Travessa da Guiné, Doutor António Figueiredo, Cabo Verde, Travessa de Goa, Travessa da Damão, Moçambique, Angola, Macau, Guiné, Praceta Vila Nova. São Tomé, Travessa de Diu, Timor, Praceta Horácio Alvim e Bairro da Refrey.

Tarde: Crispim Borges de Castro, Vila Boa, Germano Silva Santos, Ribeiras do Cáster, Manuel Correia Marques, José Luís Bastos.

4.         Juiz da Cruz - Eduardo Pinho - 917591584

Manhã: Rua do Ameal; Rua de Milheirós; Rua Bispo Moisés Alves de Pinho; Rua Domingos Trincão; Rua dos Calceteiros; Travessa do Ameal; Regato do Ameal; Rua Centro Paroquial; Largo da Remolha; Rua dos Cinco Caminhos; Rua Dr. Antunes; Rua Santo António; Rua Nª. Sª. de Fátima; Rua Domingos Pinto Ribeiro; Rua das Corgas.

Tarde: Rua da Ramada (Travessa do Monte – descendente até ao rio), Rua do Monte (sentido ascendente) Rua Nª. Sª. de Fátima; Rua do Bispo Moisés Alves de Pinho; Rua Dr. Domingos Trincão; Rua de Milheirós; Rua de S. José.

5.         Juiz da Cruz - Pedro Milheiro - 969023420

Manhã: Rua dos Moinhos, Bairro de Picalhos, Rua Luís Campos; Coronel José Barbosa, Rua Regimento de Engenharia de Espinho, Rua Afonso Henriques, Rua Comendador Marcolino de Castro, Rua da Velha (parceria com compasso N.º 1 até Rua D. Manuel II; Rua de Timor.

Tarde: Rua António Sampaio Maia; Rua das Fábricas, Outeiro (limite da freguesia com S. João de Ver), Rua dos Bombeiros; Rua Ribeiras do Cáster (Bairro do Balteiro), Rua Dr. Eduardo Vaz até ao Restaurante Cantinho Nobre, Lar S. Nicolau; Rua José Soares de Sá.




- D. MANUEL LINDA, NOVO BISPO DO PORTO

No dia 15 de Março de 2018, o Papa Francisco nomeou D. Manuel Linda como novo Bispo do Porto. Natural de Paus, Resende, onde nasceu em 15 de Abril de 1956, frequentou o Seminário Menor de Resende, o Seminário Maior de Lamego e o Instituto de Ciências Humanas e Teológicas do Porto, onde terminou o curso superior de Teologia em 1980. Foi ordenado presbítero a 10 de junho de 1981 e nomeado bispo-auxiliar de Braga, em 27 de Junho de 2009, pelo Papa Bento XVI, tendo sido ordenado bispo em 20 de Setembro de 2009. Em 10 de Outubro de 2013 foi nomeado Bispo das Forças Armadas e de Segurança, tendo tomado posse no dia 24 de Janeiro de 2014.
Apresentando as nossas saudações ao novo Bispo do Porto, apresentamos a mensagem de saudação do nosso Administrador-Diocesano e dos Bispos-Auxiliares ao novo bispo e a mensagem que D. Manuel Linda à Diocese.

SAUDAÇÃO A D. MANUEL RODRIGUES LINDA

Com data de 15 de março, o Santo Padre nomeou Bispo do Porto Sua Ex.cia Rev.ma o Senhor D. Manuel Silva Rodrigues Linda, até agora Bispo do Ordinariato Castrense.
Recebemo-lo como um dom de Deus chegado até nós pela mão do zelo apostólico de Sua Santidade, a quem significamos a nossa gratidão.
O Senhor Dom Manuel Linda não é estranho a esta Diocese. Foi aqui que terminou o seu curso teológico, no Seminário Maior de Nossa Senhora da Conceição. Saudamos o seu “regresso”
A Diocese saúda Sua Ex.cia Rev.ma e significa a sua alegria e a sua esperança, e faz votos por fecundo e frutuoso Episcopado.
Todos quantos integram esta porção do Povo de Deus afirmam a sua disposição em colaborar, com lealdade e filial obediência, com o Bispo agora chegado.
Teremos presente na nossa oração o Senhor Dom Manuel e solicitamos para a sua acção pastoral a bênção materna de Nossa Senhora da Assunção.
A data da entrada solene, na Catedral do Porto, será comunicada a seu tempo.

+D. António Taipa
+D. Pio Alves
+D. António Augusto Azevedo


MENSAGEM DE D. MANUEL LINDA À DIOCESE DO PORTO

“…Aos que, na consciência da fé, no desânimo da indiferença, na adesão a outras crenças ou até na oposição ao fenómeno religioso aspiram à felicidade pessoal e colectiva, edificam a sociedade humana na paz e na verdade e vivem ou são originários da área da Diocese do Porto

1. Ao longo da vida, tenho sido presenteado com surpresas tão agradáveis que nem sequer ousava esperar. Muitos chamarão a isso coincidência ou acaso. Eu, porém, acredito que é o Espírito de Deus quem conduz a história, não obstante a liberdade pessoal e até as resistências colocadas à graça. A minha nomeação para ir pastorear a Diocese do Porto, agora tornada pública, insere-se nestas felizes surpresas com que Deus tem urdido as teias da minha existência.

2. Ao Santo Padre, o Papa Francisco, agradeço esta prova de confiança. E renovo, solenemente, uma total fidelidade efectiva e afectiva. Igual agradecimento vai para o senhor Núncio Apostólico e para quantos apostaram no meu nome: como disse por alturas da minha ordenação episcopal, tentarei não defraudar a confiança.

3. Não é sem emoção que regresso ao Porto passadas quase quatro décadas depois da minha formação no seu Seminário Maior. Daqui surgi para a vida sacerdotal, aqui exerci o sacerdócio colaborando na formação de novos padres, aqui volto como mais um de entre os muitíssimos que apostam tudo na evangelização e na promoção humana desta Diocese que sempre se distinguiu pela cultura dos seus membros, zelo missionário, santidade operante e sadia presença na sociedade. Tudo isto na fidelidade ao sopro do Espírito que nos manda edificar «um novo céu e uma nova terra», de acordo com os sinais dos tempos.

4. É, pois, com uma imensa alegria e não menor admiração que saúdo quantos a constituem. Permitam-me um destaque especial para os mais débeis: os pobres, desempregados, doentes, idosos, detidos e quantos perderam os horizontes da esperança. Cumprimento as famílias, sem qualquer dúvida, a célula básica da sociedade e, consequentemente, também da nossa Igreja. Apetecia-me parafrasear o Papa São João XXIII e dizer com a mesma bonomia: dai um beijo aos vossos filhos e dizei-lhes que é o novo bispo quem lho manda. Felicito quantos constituem a necessária teia social da comunidade viva: o mundo do trabalho e suas organizações, os sectores da cultura e do desporto, os organismos voltados para a saúde e para a assistência social, autênticos pilares da liberdade e da felicidade possíveis. Uma palavra de admiração aos dirigentes da comunidade: sei bem do vosso valor e zelo nos diversos âmbitos, seja nas autarquias e no ensino, seja na segurança ou na administração.

5. A Igreja de Deus que está no Porto é fidelíssima naquele dinamismo apostólico e missionário que deve caracterizar o homem e a mulher de fé. Agradeço a todos os que empenham muitas das suas energias ao serviço do Evangelho: os fiéis leigos que dão corpo aos organismos paroquiais e diocesanos e fermentam o mundo com o humanismo cristão; as religiosas e os religiosos que nos oferecem o exemplo do seguimento radical de Jesus; os Diáconos que testemunham a caridade como primeira característica do Reino de Deus; os Seminários que nos asseguram a esperança; os caríssimos Padres, alguns já tão cansados, que aguentam o peso do trabalho e a desconfiança de uma sociedade em contínua mutação; o Cabido, instância de saber e de dinamismo sacerdotal; o Vigário Geral e membros das estruturas de participação, garantia da co-responsabilidade; o Reverendíssimo Administrador Diocesano, D. António Taipa e os Senhores Bispos Auxiliares, D. Pio Alves e D. António Augusto, os quais, no seu conjunto, constituem o verdadeiro centro nevrálgico da intensa vida diocesana. Continuaremos com este dinamismo. Deixai-me inserir nessa vinha do Senhor como assalariado acabado de contratar.

6. Trabalharei no Porto como tenho feito até aqui: «com Pedro e sob Pedro». Mas também «à maneira de Pedro». Isto é, pretendo ser um «missionário da misericórdia», um pastor com «o cheiro das ovelhas», um pai dos Padres, um irmão dos mais pobres e um fomentador do espírito ecuménico e de diálogo. Procurarei reconduzir a Igreja a uma tal simplicidade evangélica que a constitua referencial ético para o mundo actual.

7. Ainda que numa visão global e apressada, no último século, chama a atenção uma forte semelhança entre o enorme timbre de grandeza dos Pastores da Diocese do Porto e os da Igreja universal. Numa e noutra, há mártires, profetas e santos. No caso desta nossa Diocese, legaram-nos um tal património histórico-moral que constitui uma referência incontornável para a Igreja e para a sociedade portuguesas. Tendo presente, apenas, aqueles que conheci pessoalmente, não deixarei de me inspirar na determinação granítica de D. António, no zelo pastoral de D. Júlio, na arguta perspicácia de D. Armindo, na lucidez intelectual de D. Manuel e na afectividade pura e contagiante de D. António Francisco.

8. Sei bem que o meu antecessor directo marcou a história da Diocese com a sua proximidade e candura. Por isso, foi chorado como um pai. Também o foi por mim. Não ignoro que não é fácil substitui-lo. Mas todos nós, agentes de pastoral, tomaremos em boa conta o seu grande legado: a certeza de que a única chave que abre o coração humano é a ternura e a simpatia.

9. Se o Porto é a "cidade do trabalho", não é menos a "cidade da Virgem". Da "Terra de Santa Maria" até à Senhora da Vandoma, a invocação pode ser distinta, mas a devoção e a confiança são as mesmas. Então, que a Mãe de Jesus e Mãe da Igreja vele por nós e pelo meu novo ministério, para que sejamos, agora e sempre, uma Igreja aberta, franca, acolhedora, missionária, orante, solidária, encarnada no mundo. Se "daqui houve nome Portugal" como nos garante Eugénio de Andrade, também floresça uma Igreja conduzida pelo Espírito, sensível aos sinais dos tempos e sempre "reformanda", como pede o Papa Francisco e exigem os nossos contemporâneos.

10. A nossa ilustre diocesana, Sophia de Mello Breyner, deixou-nos uns versos que interpelam: “A presença dos céus não é a Tua,/ embora o vento venha não sei donde./ Os oceanos não dizem que os criaste,/ nem deixas o Teu rasto nos caminhos./ Só o olhar daqueles que escolheste/ nos dá o Teu sinal entre os fantasmas”. Somos nós esses escolhidos para captarmos e retransmitirmos o «sinal» de Deus. Vamos faze-lo de tal maneira que se evitem todos os ruídos perturbadores e, dessa forma, se afugentem os fantasmas dos medos e os pavores da solidão, tão típicos da sociedade actual?
A todos abraço. Sobre todos invoco a bênção divina…” (cf. Diocese do Porto)

A entrada solene do novo bispo do Porto será no dia 15 de Abril, na catedral diocesana.