PALAVRA COM SENTIDO

PALAVRA COM SENTIDO

“…Hás-de temer o Senhor, teu Deus…” (cf. Deuteronómio 6, 2)

Só Deus é Deus e Senhor. E não há outro Deus a quem amar, servir, adorar, acreditar, rezar, agradecer… Temer o Senhor não é ‘ter medo de Deus’. Não precisamos ter medo de Deus: Ele é amor, perdão, misericórdia, alegria, paz, salvação e esperança… Temer o Senhor é reconhecer a grandeza do seu poder; a santidade do seu nome; a ternura que nos dedica; a alegria da vida que nos oferece. Temer o Senhor é acolher a sua Palavra; cumprir os seus mandamentos; responder com fidelidade aos seus apelos; confiar na sua promessa e anunciá-la com a bondade dos nossos gestos. Quem ‘teme a Deus’ procura fazer tudo para não pecar contra ele; fazer nascer no coração o receio e a tristeza de o poder ofender. O apelo feito pela palavra de Deus aponta-nos o caminho da verdade, da justiça, da caridade, da compaixão. Uma grande exigência que nos trará a felicidade e a bênção.

segunda-feira, 14 de maio de 2018

DA PALAVRA DO SENHOR



- VII DOMINGO DE PÁSCOA: ASCENSÃO DO SENHOR

“…recebereis a força do Espírito Santo,
que descerá sobre vós,
e sereis minhas testemunhas em Jerusalém
e em toda a Judeia e na Samaria e até aos confins da terra».
Dito isto, elevou-Se à vista deles
e uma nuvem escondeu-O a seus olhos.
E estando de olhar fito no Céu, enquanto Jesus se afastava,
apresentaram-se-Ihes dois homens vestidos de branco,
que disseram: «Homens da Galileia,
porque estais a olhar para o Céu?
Esse Jesus, que do meio de vós foi elevado para o Céu,
virá do mesmo modo que O vistes ir para o Céu»…” (cf. Actos 1, 8-11)

PALAVRA DO PAPA FRANCISCO



- na Audiência-Geral, na Praça São Pedro, Roma, no dia 9 de Maio de 2018

Queridos irmãos e irmãs, bom dia!
A catequese sobre o sacramento do Baptismo leva-nos a falar, hoje, do santo derramamento da água, acompanhado da invocação da Santíssima Trindade, ou seja, o rito central que, de facto, “baptiza” – isto é, mergulha – no Mistério pascal de Cristo (cfr Catecismo da Igreja Católica, 1239). São Paulo recorda, aos cristãos de Roma, o sentido deste gesto, perguntando em primeiro lugsr: “Não sabeis que todos os que fomos baptizados em Cristo Jesus, fomos baptizados na sua morte?”, e, depois, respondendo: “Por meio do Baptismo […] fomos sepultados com Ele na morte, para que, assim como Cristo ressuscitou dos mortos, assim, também, nós possamos caminhar numa vida nova” (Rm 6, 4). O Baptismo abre-nos a porta para uma vida de ressurreição e não para uma vida mundana. Uma vida segundo Jesus.
A fonte baptismal é o lugar em que se faz Páscoa com Cristo! É sepultado o homem velho, com as suas paixões enganosas (cfr Ef 4, 22), para que renasça uma nova criatura; realmente, as coisas velhas passaram e nasceram novas (cfr 2 Cor 5, 17). Nas “Catequeses” atribuídas a São Cirilo de Jerusalém, é assim explicado aos neo-baptizados o que aconteceu com eles na água do Baptismo. É bela esta explicação de São Cirilo: “No mesmo instante morrestes e nascestes, e a mesma onda salutar torna-se para vós sepulcro e mãe” (n.20, Mistaggogica 2, 4-6: PG 33, 1079-1082). O renascimento do novo homem exige que seja reduzido a pó o homem corrompido pelo pecado. As imagens do túmulo e do ventre materno referidas à fonte são de facto muito incisivas para exprimir o que acontece de extraordinário através dos gestos simples do Baptismo. Gosto de citar a inscrição que se encontra no antigo Baptistério romano de Latrão, em que se lê, em latim, esta expressão atribuída ao Papa Sisto III: “A Mãe Igreja dá à luz, virginalmente, através da água, os filhos que concebeu pelo sopro de Deus. Todos vós que renascestes desta fonte, esperai o reino dos céus” [1]. É belo: a Igreja que nos faz nascer… a Igreja que é ventre, é nossa mãe por meio do Baptismo.
Se os nossos pais nos geraram para a vida terrena, a Igreja regenerou-nos para a vida eterna, no Baptismo. Tornamo-nos filhos no seu Filho Jesus (cfr Rm 8, 15; Gal 4, 5-7). Também sobre cada um de nós, renascidos pela água e pelo Espírito Santo, o Pai celeste faz ressoar, com infinito amor, a sua voz que diz: “Tu és o meu filho amado” (cfr Mt 3, 17). Esta voz paterna, imperceptível aos ouvidos, mas bem ouvida pelo coração de quem crê, acompanha-nos durante toda a vida, sem nunca nos abandonar. Durante toda a vida, o Pai diz-nos: “Tu és o meu filho amado; tu és a minha filha amada”. Deus ama-nos muito, como um Pai, e não nos deixa sozinhos. Isto, a partir do momento do Baptismo. Renascidos filhos de Deus, somo-lo para sempre! O Baptismo, de facto, não se repete, porque imprime um sinal espiritual indelével: “Esta marca não é apagado por nenhum pecado, se bem que o pecado impeça o Baptismo de produzir frutos de salvação” (CIC, 1272). A marca do Baptismo não se perde nunca! “Padre, mas se uma pessoa se torna num bandido, dos mais famosos, que mata gente, que pratica injustiças, a marca não desaparece?” Não. Para sua própria vergonha, esse homem, que é filho de Deus, pode fazer essas coisas, mas a marca não desaparece. E continua a ser filho de Deus, apesar de estar contra Deus; mas, Deus nunca renega os seus filhos. Entendestes esta última coisa? Deus nunca renega os seus filhos. Vamos repeti-lo todos juntos? “Deus nunca renega os seus filhos”. Um pouco mais forte, que eu ou estou surdo ou não entendo: [repetem-no mais forte] “Deus nunca renega os seus filhos”. Bem, assim está bem!
Incorporados em Cristo por meio do Baptismo, os baptizados são, portanto, conformados a Ele, “o primogénito de muitos irmãos” (Rm 8, 29). Através da acção do Espírito Santo, o Baptismo purifica, santifica, justifica, para formar, em Cristo, de muitos, um só corpo (cfr 1 Cor 6,11; 12,13). Exprime-o a unção crismal, “que é sinal do sacerdócio real do baptizado e da sua agregação à comunidade do povo de Deus” (Rito do Baptismo das Crianças, Introdução, n. 18, 3). Portanto, o sacerdote unge com o santo crisma a testa de cada baptizado, depois de ter pronunciado estas palavras que explicam o seu significado: “O próprio Deus vos consagra com o crisma da salvação, para que inseridos em Cristo, sacerdote, profeta e rei, sejais sempre membros do seu corpo para a vida eterna” (ibid., n.71).
Irmãos e irmãs, a vocação cristã está toda aqui: viver unidos a Cristo na santa Igreja, participantes da mesma consagração para realizar a mesma missão, neste mundo, produzindo frutos que duram para sempre. Animado pelo único Espírito, de facto, todo o Povo de Deus participa das funções de Jesus Cristo, “Sacerdote, Profeta e Rei”, e leva a responsabilidade da missão e serviço que dela derivam (cfr CIC, 783-786). O que significa participar do sacerdócio real e profético de Cristo? Significa fazer de si uma oferta agradável a Deus (cfr Rm 12, 1), dando testemunho disso através de uma vida de fé e de caridade (cfr Lumen gentium, 12), colocando-a ao serviço dos outros, a exemplo do Senhor Jesus (cfr Mt 20, 25-28; Jo 13, 13-17). Obrigado! (cf. Santa Sé)

PARA REZAR



- SALMO 46

Refrão: Ergue-se, Deus, o Senhor, em júbilo e ao som da trombeta.

Povos todos, batei palmas,
aclamai a Deus com brados de alegria,
porque o Senhor, o Altíssimo, é terrível,
o Rei soberano de toda a terra.

Deus subiu entre aclamações,
o Senhor subiu ao som da trombeta.
Cantai hinos a Deus, cantai,
cantai hinos ao nosso Rei, cantai.

Deus é Rei do universo:
cantai os hinos mais belos.
Deus reina sobre os povos,
Deus está sentado no seu trono sagrado.

SANTOS POPULARES



BEATA JOSEFA HENDRINA STENMANNS

Hendrina Stenmanns nasceu no dia 28 de maio de 1852, no Baixo Reno, na vila de Issum, Diocese de Münster, na Alemanha. Dos 6 aos 14 anos, frequentou a escola mas, antes de terminar o último ano, teve de deixá-la para ajudar a cuidar da casa e dos irmãos mais pequenos. A sua generosa dedicação ao trabalho não a impediu de buscar a Deus e de praticar das virtudes cristãs. Visitava os doentes e, como a sua amabilidade e delicadeza eram grandes, todos os doentes queriam tê-la perto. Graças a uma tia religiosa, Hendrina, desde pequena, sentiu-se, também, chamada a tornar-se freira, mas uma “freira franciscana”.
Aos 19 anos, tornou-se membro da Terceira Ordem de São Francisco, em Sonsbeck. Hendrina queria ser religiosa mas, naquela altura esse desejo era de difícil concretização: inúmeros conventos estavam a ser fechados, devido aos constantes incidentes políticos da "Kulturkampf".
Em 1878, faleceu a sua mãe. Então, Hendrina prometeu ficar com o pai, para cuidar dos seus irmãos. Tinha então 26 anos e o seu irmão mais novo tinha apenas 8 anos. Diante da impossibilidade de realizar a sua vocação, entregou-se nas mãos da Divina Providência. Não se lhe notou, nunca, uma única palavra de queixa ou lamentação.
Hendrina tinha os pés bem assentes no chão e, tudo o que fazia, fazia-o o amor de um coração firmemente ancorado em Deus. Ele era o sustento da sua vida. Na Missa e na comunhão experimentava a confirmação desta presença.
Anos mais tarde, conheceu a obra missionária de Steyl: a Congregação dos Verbitas, fundada na Holanda pelo Padre Arnoldo Janssen. Após fundar a congregação masculina de missionários, o Padre Janssen pensava fundar uma congregação feminina. Hendrina conheceu duas jovens que trabalhavam como empregadas, no Seminário do Padre Janssen, na esperança de que um dia fosse fundada a congregação. Hendrina sentiu que era lá seu lugar.
O pároco de Issum, o Padre Veels, conhecia muito bem Hendrina. Então, em Janeiro de 1884, escreveu ao Padre Janssen falando-lhe de Hendrina e apresentando-lhe “as melhores recomendações em todos os sentidos. Ela sempre teve o desejo de entrar na vida religiosa; durante muitos anos, confessava-se semanalmente e, apesar de morar a mais de 15 minutos de caminhada da igreja e ter de cuidar da casa, assistia diariamente à Santa Missa”. Não era comum uma jovem com a carga de trabalho de Hendrina levar uma vida espiritual tão intensa.
O Padre Janssen aceitou o pedido de Hendrina e, quando a sua irmã mais nova se tornou capaz de assumir as responsabilidades familiares que estavam a seu cargo, partiu para Steyl.
Na cozinha do Seminário, Hendrina rezou, sofreu e esperou durante cinco anos: longos anos, também para ela, embora já estivesse habituada a ter paciência e a esperar.
Para o pequeno grupo em Steyl, célula germinativa da futura Congregação, a Eucaristia era fonte de força no trabalho diário e pesado, na cozinha. Poderíamos dizer que as empregadas viviam um “círculo Eucarístico”: Missa de manhã, onde frequentemente recebiam a Sagada Comunhão; meia hora de oração, ao meio dia; Bênção do Santíssimo Sacramento, à tarde. A antecipação destes ‘auxílios espirituais’ diários permeava e animava a sua vida quotidiana.
O dia 8 de Dezembro de 1889 é considerado o "Dia da Fundação" da Congregação das Irmãs Missionárias Servas do Espírito Santo. Hendrina e mais cinco raparigas - entre elas Helena Stollenwerk - foram recebidas como postulantes.
Em Agosto de 1891, o Padre Arnoldo Janssen nomeou Helena Stollenwerk como superiora da comunidade e Hendrina como sua assistente. No dia 17 de Janeiro de 1892, Hendrina recebeu o hábito religioso e o nome de Irmã Josefa. No dia 12 de Março de 1894, com onze companheiras, pôde, finalmente, emitir os primeiros votos religiosos.
 “Vivíamos hora a hora, dia a dia, e deixávamos o futuro a Deus”, repetia, incansavelmente, enquanto dizia de si mesma “O meu coração está pronto” e rezava, em cada acção, o “Veni, Sancte Spíritus”(Vinde, Espírito Santo)
Para a Irmã Josefa a vida religiosa significava pertencer inteiramente a Deus. Com o aumento do número de Irmãs, o trabalho aumentava, continuamente. Mesmo assim, ela não se perdia nas inúmeras tarefas e tinha sempre uma palavra bondosa para todos. Trabalho e oração eram igualmente serviço a Deus. A Congregação estava pujante de vida e tornou-se necessário construir um novo convento para acolher o número crescente de Irmãs.
Quando a Irmã Maria Helena Stollenwerk foi transferida para as “adoradoras perpétuas” (outra congregação fundada pelo Padre Janssen), a Irmã Josefa tornou-se superiora das Servas do Espírito Santo. Mais do que um cargo, foi um serviço que ela exerceu com paciência e amor mas, infelizmente, por pouco tempo. A Irmã Josefa sofria de várias enfermidades - entre elas a da asma - que fragilizaram, com muita rapidez, a sua já débil saúde. Nas suas dores, teve de exercitar, ainda mais, a sua paciência. A doença tolheu as suas forças e levou-a para o leito, no meio de intensos sofrimentos.
A Irmã Josefa Hendrina Stenmanns faleceu no dia 20 de Maio de 1903, com 50 anos. Foi sepultada ao lado da outra co-fundadora, a Madre Maria Stollenwerk.
No dia 29 de Junho de 2008, a Madre Josefa Hendrina Stenmanns foi beatificada pelo Papa Bento XVI, juntando-se, na glória dos altares, aos seus companheiros e amigos: o Padre Arnoldo Janssen, canonizado em 2003, e a Madre Maria Helena Stollenwerk, beatificada em 1995.
A celebração realizou-se em Steyl-Tegelen, na Holanda, tendo presidido, em nome do Papa, o Cardeal José Saraiva Martins, Prefeito da Congregação para as Causas dos Santos. No fim da celebração da beatificação, o Cardeal disse: “… a Beata Josefa Hendrina, dócil à acção do Espírito Santo, distinguiu-se, em toda a sua vida, pela sua pureza de intenções e pela simplicidade de espírito, mediante um contínuo abandono amoroso à vontade do Senhor, com uma correspondência total e generosa às graças e inspirações de Deus.
Profundamente devota, mas sem ostentação, Josefa Hendrina Stenmanns foi uma mulher de admirável equilíbrio humano e sobrenatural: à fortaleza de carácter uniu sempre a amabilidade materna; ao sentido prático da acção uniu, constantemente, o exercício da caridade, sobretudo para com os pobres, os idosos e os enfermos. E tudo isto sem chamar a atenção.
Já antes de abraçar a vida religiosa, era modelo de maturidade cristã; poderíamos dizer, de santidade laical. Os compromissos que assumiu com a sua profissão na Ordem franciscana secular deram à sua vida um autêntico sentido de consagração, no meio das realidades familiares e sociais. O convívio com o Santo fundador Arnold Janssen marcou profundamente a sua actividade espiritual e missionária. De facto, a vocação missionária foi o fulcro de toda a sua existência: «Orar e trabalhar no apostolado missionário, para que o Evangelho seja conhecido por todos».
Com esse objectivo, ofereceu-se em sacrifício pela Obra da propagação da fé. Por isso, a sua vida terrena esteve impregnada de um anseio constante de perfeição, que se desenvolveu no impulso apostólico em favor da difusão do Evangelho e da propagação do Reino de Deus entre os homens…”
A memória litúrgica da Beata Josefa Hendrina Stenmanns celebra-se no dia 20 de Maio.

segunda-feira, 7 de maio de 2018

EM DESTAQUE



- 6 DE MAIO: DIA DA MÃE

Neste primeiro Domingo de Maio, assinala-se, em Portugal, o Dia da Mãe.
Esta efeméride foi celebrada, durante muitos anos, no dia 8 de Dezembro, Solenidade da Imaculada Conceição. Por influência da Igreja e dos ideais cristãos, a comemoração do Dia da Mãe foi transferida, num primeiro momento, para o último Domingo e, depois para o Primeiro Domingo de Maio. Em Maio, porque neste mês os católicos fazem a memória da Santíssima Virgem Maria, Mãe de Jesus e nosso Mãe.
Enviamos a todas as mães a bênção de Deus, para que vivam na alegria, na paz e na bondade e recebam dos seus filhos o testemunho da sua dedicação e do seu amor.
Publicamos, em seguida, a Mensagem da Comissão Episcopal do Laicado e Família.


MENSAGEM

A beleza do amor de mãe

“É bom, belo e justo celebrar o Dia da Mãe: agradecer a todas as mães que, dia e noite, todos os dias e todos anos, ao longo da sua vida, se dedicam ao acolhimento amoroso, à educação e ao crescimento integral dos filhos.
Ser mãe não significa somente colocar no mundo um filho, mas é também uma escolha: a de dar a vida. Nada há mais nobre e mais santo!
Na sua terceira exortação apostólica, “Alegrai-vos e exultai”, o Papa Francisco recorda que a santidade é construída na vida de cada dia, com os “pequenos detalhes do amor” (n. 145). Todos sabemos, por experiência própria, que a sacralidade de tantos pequenos gestos das nossas mães deixou um sabor indizível e inesquecível no nosso coração de filhos.
As mães são verdadeiras beneméritas da sociedade, pois sabem cultivar e transmitir, mesmo nos piores momentos, a ternura, a dedicação e a força moral. São também as mães que transmitem o sentido mais profundo da vivência religiosa: nas primeiras orações, nos primeiros gestos de devoção que uma criança aprende, inscrevendo assim, indelevelmente, o valor da fé na vida de um ser humano.
Queridas mães, obrigado por aquilo que nos dais, pelo que sois na família e por aquilo que dais à Igreja e à sociedade. Que a celebração de mais um Dia da Mãe junte, em coro, as nossas vozes à dos decisores políticos e económicos, dos agentes culturais e da comunicação social e todos nos empenhemos a apoiar e a proteger o dom da maternidade que começa na fecundação e nunca deixa de se manifestar.
As mães de todos os tempos têm como modelo Maria, Mãe de Jesus. Que Nossa Senhora abençoe todas as mães! As acolha e proteja sob o seu santo manto.
Como “pequena lembrança” para este dia, aqui deixamos uma singela parábola: ‘Um anjo fugiu do paraíso para dar um passeio pela terra. No findar do dia, decidiu levar algumas lembranças daquela visita. Num jardim, viu algumas rosas: apanhou as mais bonitas e fez um belo ramo para levar para o paraíso.
Mais à frente, viu uma criança sorrir para a mãe. Encantado com a ternura daquela criança, apanhou também o seu sorriso. Estava para partir, quando viu uma mãe olhar com amor para o seu pequenino, no carrinho. O amor jorrava como uma nascente a transbordar.
O anjo pensou: «O amor daquela mãe é o que de mais bonito existe na terra, portanto pegarei também nele». Voou para o céu, mas antes de passar pelos portões azuis, decidiu examinar as recordações para ver como se tinham conservado durante a viagem.
As flores estavam murchas, o sorriso da criança tinha-se esmorecido, mas o amor da mãe ainda tinha todo o seu esplendor e beleza. Pôs de lado as flores murchas e o sorriso apagado, chamou à sua volta todos os hóspedes do céu e disse: “Eis a única coisa que encontrei na terra e que manteve toda a sua beleza durante a viagem para o paraíso: o amor de mãe!”.

DA PALAVRA DO SENHOR



- VI DOMINGO DE PÁSCOA

“…Amemo-nos uns aos outros, porque o amor vem de Deus
 e todo aquele que ama nasceu de Deus e conhece a Deus.
 Quem não ama não conhece a Deus, porque Deus é amor.
 Assim se manifestou o amor de Deus para connosco:
 Deus enviou ao mundo o seu Filho Unigénito,
 para que vivamos por Ele.
 Nisto consiste o amor: não fomos nós que amámos a Deus,
 mas foi Ele que nos amou e enviou o seu Filho
 como vítima de expiação pelos nossos pecados…” (cf. 1 João 4, 7-10)

PALAVRA DO PAPA FRANCISCO



- na Audiência-Geral, na Praça São Pedro, Roma, no dia 2 de Maio de 2018

Queridos irmãos e irmãs, bom dia!
Prosseguindo a reflexão sobre o Baptismo, hoje gostaria de meditar sobre os ritos centrais, que têm lugar ao pé da pia baptismal.
Consideremos, antes de mais, a água sobre a qual é invocado o poder do Espírito, a fim de que tenha a força de regenerar e renovar (cf. Jo 3, 5 e Tt 3, 5). A água é matriz de vida e de bem-estar, enquanto a sua falta provoca o esmorecimento de toda a fecundidade, como acontece no deserto; mas a água pode ser também causa de morte, quando submerge entre as suas ondas, ou quando, em grande quantidade, devasta tudo; por fim, a água tem a capacidade de lavar, limpar e purificar.
A partir deste simbolismo natural, universalmente reconhecido, a Bíblia descreve as intervenções e as promessas de Deus, através do sinal da água. No entanto, o poder de perdoar os pecados não está na água em si, como explicava Santo Ambrósio aos neófitos: «Viste a água, mas nem toda a água cura: só sara a água que tiver em si a graça de Cristo. [...] A acção é da água, mas a eficácia é do Espírito Santo» (De sacramentis 1, 15).
Por isso, a Igreja invoca a acção do Espírito sobre a água, «a fim de que, aqueles que nela receberem o Baptismo, sejam sepultados com Cristo na morte e, com Ele, ressuscitem para a vida imortal» (Rito do Baptismo das crianças, n. 60). A prece de bênção diz que Deus preparou a água «para ser sinal do Baptismo», recordando as principais prefigurações bíblicas: sobre as águas primordiais pairava o Espírito, para as transformar em germe de vida (cf. Gn 1, 1-2); a água do dilúvio marcou o fim do pecado e o início da nova vida (cf. Gn 7, 6-8, 22); através da água do Mar Vermelho, os filhos de Abraão foram libertados da escravidão do Egipto (cf. Êx 14, 15-31). A propósito de Jesus, recorda-se o Baptismo no Jordão (cf. Mt 3, 13-17), o sangue e a água derramados do seu lado (cf. Jo 19, 31-37), e o mandato dado aos discípulos, para baptizar todos os povos em nome da Trindade (cf. Mt 28, 19). Revigorados por esta memória, pede-se a Deus que infunda na água da pia baptismal a graça de Cristo morto e ressuscitado (cf. Rito do Baptismo das crianças, n. 60). E assim, esta água é transformada em água que traz em si a força do Espírito Santo. E mediante esta água, com a força do Espírito Santo, baptizamos as pessoas, os adultos, as crianças, todos…
Santificada a água da pia baptismal, é preciso dispor o coração para aceder ao Baptismo. Isto acontece mediante a renúncia a Satanás e a profissão de fé, dois gestos estritamente ligados entre si. Na medida em que digo “não” às sugestões do diabo — aquele que divide — torno-me capaz de dizer “sim” a Deus, que me chama a conformar-me com Ele nos pensamentos e nas acções. O diabo divide; Deus une sempre a comunidade, as pessoas, num único povo. Não é possível aderir a Cristo, impondo condições. É necessário desapegar-se de certos vínculos para poder, realmente, abraçar outros; ou estás de bem com Deus, ou com o diabo. Por isso, a renúncia e o acto de fé caminham juntos. É preciso eliminar pontes, deixando-as atrás, para empreender o novo Caminho, que é Cristo.
A resposta às perguntas — «Renunciais a Satanás, a todas as suas obras e a todas as suas seduções?» — é dada na primeira pessoa do singular: «Renuncio». E, do mesmo modo, é professada a fé da Igreja, dizendo: «Creio». Eu renuncio, eu creio: isto está na base do Baptismo. É uma opção responsável, que deve ser traduzida em gestos concretos de confiança em Deus. O acto de fé supõe um compromisso que o próprio Baptismo ajudará a manter com perseverança nas várias situações e provas da vida. Recordemos a antiga sabedoria de Israel: «Meu filho, se te apresentares para servir o Senhor, prepara-te para a tentação» (Eclo 2, 1), ou seja, prepara-te para o combate. E a presença do Espírito Santo concede-nos a força para lutar bem.
Estimados irmãos e irmãs, quando molhamos a mão na água benta - ao entrar numa igreja, tocamos a água benta - e fazemos o sinal da Cruz, pensemos com alegria e gratidão no Baptismo que recebemos - esta água benta recorda-nos o Baptismo - e renovemos o nosso “Amém” - “Estou feliz” - para viver imersos no amor da Santíssima Trindade.  (cf. Santa Sé)


PARA REZAR



- SALMO 97

Refrão:  Diante dos povos, manifestou Deus a salvação.

Cantai ao Senhor um cântico novo
pelas maravilhas que Ele operou.
A sua mão e o seu santo braço
Lhe deram a vitória.

O Senhor deu a conhecer a salvação,
revelou aos olhos das nações a sua justiça.
Recordou-Se da sua bondade e fidelidade
em favor da casa de Israel.

Os confins da terra puderam ver
a salvação do nosso Deus.
Aclamai o Senhor, terra inteira,
exultai de alegria e cantai.

SANTOS POPULARES



SANTA ROSA VENERINI

Rosa nasceu em Viterbo, em Itália, no ano de 1656, de uma família muito religiosa e recebeu dos seus pais uma boa formação cristã e uma boa educação.
Desde criança, sonhava fez-se monja mas, durante a sua juventude, ficou profundamente impressionada com a pobreza e a ignorância das jovens do povo e, assim, começou a pensar que talvez fosse melhor realizar algo em prol delas, do que viver num convento.
Dotada de grande inteligência e sensibilidade, Rosa começou a discernir as escolhas possíveis para a mulher do seu tempo: ou matrimónio ou a clausura. Contudo, ela privilegiava as escolhas corajosas, para além dos modelos tradicionais e, no mais fundo do seu coração, começou a idealizar alternativas que fossem vantajosas para a sociedade e para a Igreja. Porém, não foi fácil o discernimento, porque não conseguia identificar um caminho de verdadeira realização pessoal e espiritual, ao serviço da Igreja. Empregou muito tempo, no sofrimento e na busca, impelida por exigências interiores proféticas, antes de chegar a uma solução totalmente inovadora, alimentando a sua piedade enérgica e essencial na espiritualidade fervorosa de São Domingos, e na espiritualidade austera e equilibrada de Santo Inácio de Loyola.
No Outono de 1676, entrou, como externa, no Mosteiro Dominicano de Santa Catarina, para conhecer a vida monástica. Em virtude de tristes acontecimentos na família, ocorridos entre 1677 e 1680, teve que regressar a casa.
Tendo ficado sozinha em casa com o seu irmão Horácio, começou a convidar, para a sua casa, as jovens e as mulheres da vizinhança, para rezarem juntas o Rosário, dando-se logo conta de que nenhuma delas o sabia rezar.
Começou, então, a dirigir-lhes algumas perguntas do catecismo e todas elas ficaram emudecidas de surpresa. Rosa compreendeu que a mulher do seu tempo era escrava da ignorância e da pobreza, destinada aos trabalhos mais pesados e que ninguém se preocupava com o seu bem-estar. Então, Rosa Venerini, uma mulher decidida e cheia de boa vontade, não perdeu tempo. Rezou muito para compreender a vontade de Deus e, com duas amigas, decidiu abrir uma escola para as crianças pobres. Em 30 de Agosto de 1685, com a aprovação do Bispo de Viterbo, Card. Urbano Sacchetti, começou a funcionar a escola, sendo coadjuvada por duas Mestras que tinham sido preparadas anteriormente. Nascia, assim, a Escola das Mestras Pias Venerini, a primeira escola feminina pública da Itália. As origens eram humildes mas de alcance revolucionário, pela elevação espiritual e a sadia emancipação da mulher.
Todos os dias, pelas ruelas de Viterbo, andava uma criança tocando um sino e chamando todas as jovens e crianças da cidade. As lições começavam com a oração, seguida da catequese, dos trabalhos manuais femininos e das lições para aprenderem a ler e a escrever bem.
Em pouco tempo, a escola de Rosa mudou de fisionomia e ela recebeu pedidos para fundar outras escolas, pedidos estes formulados por bispos e cardeais.
Rosa Venerini, numa incessante actividade, fundou Escolas em aldeias e cidades de várias dioceses da Itália Central. As professoras não eram religiosas, mas viviam como tais, sendo assim chamadas Mestras Pias e, em Roma, eram até denominadas Mestras Santas.
No ano de 1713, Rosa abriu uma escola em Roma, e o Papa Clemente XI fez-lhe a honra de uma visita. O Papa ficou uma manhã inteira na escola, juntamente com oito cardeais, ouvindo a lição de catecismo e interrogando as alunas. No final, chamou Rosa e as suas companheiras, agradeceu-lhes o precioso trabalho, conferiu-lhes uma medalha de prata e disse-lhes: «Desejo que estas escolas se propaguem em todas as nossas cidades». Em pouco tempo, abriram-se escolas em todas as regiões.
Rosa sabia que a mulher é portadora de um projecto de amor mas, se o seu coração é escravo do medo, da ignorância e do pecado, este projecto nunca se pode tornar visível. É por isso que o seu carisma, hoje em dia, é enunciado com os seguintes termos: educar para libertar.
Em 1714, Rosa escreveu e publicou um livro intitulado “Relazione degli Esercizi que si pratticano in Viterbo nelle Scuole destinate per istruire le Fanciulle nella Dottrina Cristiana” ( Relação dos Exercícios que se praticam em Viterbo, nas Escolas destinadas a instruir as Crianças na Doutrina Cristã) com a finalidade de obter, das Autoridades Eclesiásticas, a aprovação do seu método educativo.
Rosa Venerini morreu em Roma, no dia 7 de Maio de 1728, com grande fama de santidade. Fundou cinquenta Escolas que transmitiram nos séculos o seu carisma educativo e apostólico.
No dia 15 de Outubro de 2006, Sua Santidade, o Papa Bento XVI, proclamou-a Santa. O milagre que a levou aos altares teve lugar em Ebolowa, nos Camarões: Serge, uma criança da leprosaria de ‘Ngalan, foi curada milagrosamente por intercessão de Santa Rosa, a Santa que sempre amou os pequeninos, dedicando-lhes a sua vida e continuando a protegê-los.
Na homilia da Missa da canonização, o Papa disse: “…Santa Rosa Venerini é outro exemplo de discípula fiel de Cristo, pronta a abandonar tudo para cumprir a vontade de Deus. Gostava de repetir: "estou presa a tal ponto na vontade divina, que não me importa nem morte, nem vida: desejo viver o que Ele quer, e desejo servi-lo em tudo o que lhe apraz, e nada mais" (Biografia Andreucci, p. 515). Deste seu abandono a Deus brotava a actividade clarividente que desempenhava com coragem a favor da elevação espiritual e da autêntica emancipação das jovens mulheres do seu tempo. Santa Rosa não se contentava em dar às jovens uma adequada instrução, mas preocupava-se em lhes garantir uma formação completa, com sólidas referências ao ensinamento doutrinal da Igreja. O seu mesmo estilo apostólico continua a caracterizar, ainda hoje, a vida da Congregação das Mestras Pias Venerini, por ela fundada. E como é actual e importante, também para a sociedade de hoje, o serviço que elas desempenham no campo da escola e sobretudo da formação da mulher!...”
A sua memória litúrgica celebra-se no dia 7 de Maio.

quarta-feira, 2 de maio de 2018

DA PALAVRA DO SENHOR



- V DOMINGO DE PÁSCOA

“…É este o seu mandamento:
 acreditar no nome de seu Filho, Jesus Cristo,
 e amar-nos uns aos outros, como Ele nos mandou.
 Quem observa os seus mandamentos
 permanece em Deus e Deus nele.
 E sabemos que permanece em nós
 pelo Espírito que nos concedeu…” (cf. 1 João 3, 23-24)

PALAVRA DO PAPA FRANCISCO



- na Audiência-Geral, na Praça São Pedro, Roma, no dia 25 de Abril de 2018

Queridos irmãos e irmãs, bom dia!
Continuamos a nossa reflexão sobre o Baptismo, sempre à luz da Palavra de Deus.
É o Evangelho que ilumina os candidatos e suscita a adesão de fé: «O Baptismo é, de modo totalmente particular, o “sacramento da fé”, uma vez que é a entrada sacramental na vida de fé» (Catecismo da Igreja Católica, 1236). E a fé é a entrega de nós mesmos ao Senhor Jesus, reconhecido como «nascente de água [...] para a vida eterna» (Jo 4, 14), «luz do mundo» (Jo 9, 5), «vida e ressurreição» (Jo 11, 25), como ensina o itinerário percorrido, ainda hoje, pelos catecúmenos já prestes a receber a iniciação cristã. Educados pela escuta de Jesus, pelo seu ensinamento e pelas suas obras, os catecúmenos voltam a viver a experiência da mulher samaritana, sedenta de água viva, do cego de nascença que adquire a vista, de Lázaro que sai do sepulcro. O Evangelho traz em si a força de transformar quem o recebe com fé, arrancando-o do domínio do maligno, a fim de que aprenda a servir o Senhor com alegria e novidade de vida.
À pia baptismal nunca vamos sozinhos, mas acompanhados pela oração da Igreja inteira, como recordam as ladainhas dos Santos que precedem a prece de exorcismo e a unção pré-baptismal com o óleo dos catecúmenos. São gestos que, desde a antiguidade, asseguram a quantos se preparam para renascer como filhos de Deus, que a oração da Igreja os assiste na luta contra o mal, os acompanha no caminho do bem, os ajuda a libertar-se do poder do pecado, a fim de passar para o reino da graça divina. A prece da Igreja. A Igreja reza, e reza por todos, por todos nós! Nós, Igreja, oramos pelos outros. É bom rezar pelos outros. Quantas vezes, quando não temos uma necessidade urgente, não rezamos. Devemos orar pelos outros, unidos à Igreja: “Senhor, peço-vos pelas pessoas que estão em necessidade, por quantos não têm fé...”. Não vos esqueçais: a oração da Igreja está sempre em acção. Mas nós devemos entrar nesta prece e rezar por todo o povo de Deus, e por aqueles que precisam de orações. Por isso, o caminho dos catecúmenos adultos está marcado por reiterados exorcismos pronunciados pelo sacerdote (cf. cic, 1237), ou seja, por orações que invocam a libertação de tudo o que separa de Cristo e impede a íntima união com Ele. Pede-se a Deus até pelas crianças, para que as liberte do pecado original e as consagre como morada do Espírito Santo (cf. Rito do Batismo das crianças, n. 56). As crianças. Rezar pelas crianças, pela sua saúde espiritual e corporal. É um modo de proteger as crianças com a oração. Como testemunham os Evangelhos, o próprio Jesus combateu e expulsou os demónios para manifestar a vinda do reino de Deus (cf. Mt 12, 28): a sua vitória sobre o poder do maligno deixa espaço ao senhorio de Deus, que rejubila e reconcilia com a vida.
O Baptismo não é uma fórmula mágica, mas um dom do Espírito Santo que torna, quem o recebe, capaz de «lutar contra o espírito do mal», acreditando que «Deus enviou ao mundo o seu Filho para destruir o poder de Satanás e transferir o homem das trevas para o seu Reino de luz infinita» (cf. Rito do Baptismo das crianças, n. 56). Sabemos, por experiência, que a vida cristã está sempre sujeita à tentação, sobretudo à tentação de se separar de Deus, da sua vontade, da comunhão com Ele, para voltar a cair na rede das seduções mundanas. E o Baptismo prepara-nos, dá-nos força para esta luta quotidiana, até para a luta contra o diabo que — como diz São Pedro — como um leão, procura devorar-nos, destruir-nos.
Além da oração, há a unção no peito com o óleo dos catecúmenos, os quais «dele recebem vigor para renunciar ao diabo e ao pecado, antes de se aproximarem da fonte e ali renascerem para a nova vida» (Bênção dos óleos, Premissas, n. 3). Devido à propriedade do óleo de penetrar nos tecidos do corpo, proporcionando-lhe benefício, os antigos lutadores costumavam ungir-se de óleo para tonificar os músculos e para activar mais facilmente as garras do adversário. À luz deste simbolismo, os cristãos dos primeiros séculos adoptaram o uso de ungir o corpo dos candidatos ao Baptismo com o óleo benzido pelo do Bispo [Eis a prece de bênção, expressiva do significado deste óleo: «Ó Deus, sustentáculo e defesa do vosso povo, abençoai este óleo, no qual quisestes oferecer-nos um sinal da vossa fortaleza divina; concedei energia e vigor aos catecúmenos que serão por ele ungidos, a fim de que, iluminados pela vossa sabedoria, compreendam mais profundamente o Evangelho de Cristo; sustentados pelo vosso poder, assumam com generosidade os compromissos da vida cristã; e, tornando-se dignos da adopção de filhos, tenham a alegria de renascer e viver na vossa Igreja»: Bênção dos óleos, n. 21], com a finalidade de significar, mediante este «sinal de salvação», que o poder de Cristo Salvador fortalece para lutar contra o mal e para o derrotar (cf. Rito do Baptismo das crianças, n. 105).
É cansativo combater contra o mal, escapar dos seus enganos, recuperar a força depois de uma luta extenuante, mas devemos saber que toda a vida cristã é um combate. Contudo, devemos saber também que não estamos sozinhos, que a Mãe Igreja reza a fim de que os seus filhos, regenerados no Baptismo, não sucumbam às emboscadas do maligno, mas que as vençam pelo poder da Páscoa de Cristo. Fortalecidos pelo Senhor Ressuscitado, que derrotou o príncipe deste mundo (cf. Jo 12, 31), também nós podemos repetir com a fé de São Paulo: «Tudo posso n’Aquele que me dá força» (Fl 4, 13). Todos nós podemos vencer, vencer tudo, mas com a força que nos vem de Jesus. (cf. Santa Sé)

PARA REZAR



- SALMO 21

Refrão:  Eu Vos louvo, Senhor, no meio da multidão.

Cumprirei a minha promessa na presença dos vossos fiéis.
Os pobres hão-de comer e serão saciados,
louvarão o Senhor os que O procuram:
vivam para sempre os seus corações.

Hão-de lembrar-se do Senhor e converter-se a Ele
todos os confins da terra;
e diante d’Ele virão prostrar-se
todas as famílias das nações.

Só a Ele hão-de adorar
todos os grandes do mundo,
diante d’Ele se hão-de prostrar
todos os que descem ao pó da terra.

Para Ele viverá a minha alma,
há-de servi-l’O a minha descendência.
Falar-se-á do Senhor às gerações vindouras
e a sua justiça será revelada ao povo que há-de vir:
      «Eis o que fez o Senhor».

SANTOS POPULARES



BEATO JOÃO MARTINHO MOYË

Jean Martin Moyë (João Martinho Moyë) nasceu no dia 27 de Janeiro de 1730, em Cutting - Moselle, na diocese de Metz, França. Foi o sexto dos treze filhos de João Moyë e de Catarina Demange, modestos camponeses. Em Martinho, a vocação ao estado eclesiástico manifestou-se muito cedo, seguindo o exemplo de dois dos irmãos. O seu irmão mais velho, que frequentava o Seminário, ensinou-lhe os primeiros rudimentos de Latim. Continuou os seus estudos no Colégio de Pont-à-Mousson, dos Jesuítas, e na faculdade de Estrasburgo. A sua preparação para o sacerdócio foi realizada no seminário de Metz.
O Reitor do Seminário queria que ele se preparasse para ser professor de Literatura, mas João Martinho, após a sua ordenação sacerdotal (1754), preferiu dedicar-se ao ministério sagrado, como pároco em diversas paróquias. Muito piedoso, decididamente austero consigo mesmo e com os outros, pregou um pouco por toda a região de Metz, principalmente nas aldeias mais abandonadas. Não era um orador, mas sabia expor, com simplicidade e convicção, o que pensava e, acima de tudo, o que praticava. Os fiéis ficavam tocados pelo seu espírito de pobreza, pelo seu amor aos pobres, pelas penitências que praticava e pela devoção que tinha pela Paixão do Senhor.
No decurso da sua pregação, vendo a miséria material e espiritual em que se encontravam os habitantes das aldeias, pensou fundar a Congregação das Irmãs da Providência, para que dessem formação e educação aos jovens que cresciam analfabetos. Encontrou, rapidamente, candidatas à vida religiosa, dispostas a apoiá-lo nos seus projectos, de modo que, com a permissão do vigário-capitular, conseguiu abrir as duas primeiras escolas em Vigy e em Béfey (1672) confiando apenas na ajuda das pessoas de bem. Em Metz, no entanto, homens influentes e clérigos criticaram o zelo do Padre João Martinho. Pensavam que, pelo facto de não ter fundado a sua obra contando com um rendimento de base, o projecto iria falir em tempo muito curto e seria votado ao abandono. Num primeiro momento, o Bispo proibiu-o de abrir outras escolas mas, quando viu que Deus abençoava este empreendimento, restituiu-lhe a liberdade de acção.
As escolas rurais já não eram suficientes para satisfazer a dedicação e os projectos do Padre João. Vivendo continuamente em contacto com os outros, constatava, com amargura, que muitas crianças morriam sem baptismo. Então, escreveu um livreto para desmascarar a negligência das parteiras e dos párocos da cidade, mas eles não gostaram da lição. Para os acalmar, os vigários gerais tiveram de afastar o Padre Moyë do cargo de director espiritual do Seminário e nomeá-lo pároco de Dieuze. Em vez de desanimar, o Padre aproveitou esta oportunidade para recrutar novos professores e fundar outras escolas. Para que o seu trabalho fosse realizado em bases sólidas, redigiu para as suas Irmãs o “Projeto das Escolas das Filhas chamadas da Providência para as zonas rurais” e algumas “Regras e Instruções” para a conduta das Irmãs.
Na direcção espiritual, insistia, sobretudo, no abandono à Providência, na simplicidade, na pobreza e na caridade. O Padre Moyë percebeu que viver sem rendimentos poderia parecer uma loucura, mas ele dizia: "Ou este projecto está de acordo com a vontade de Deus ou não; se é da Sua vontade, sendo Ele omnipotente, Ele tem mil meios para o conduzir até ao fim. Se não está em conformidade com o beneplácito de Deus, então, renuncio a ele a partir deste momento ". Às Irmãs dizia: "Não devemos viver obstinados com nada, mas devemos manter-nos em santa indiferença, não querendo uma coisa nem outra, até que tenhamos maneira de conhecer o desejo de Deus".
As actividades do Padre Martinho não foram bem aceites, por muitos. Um dia, chamado por uma mãe que estava ao lado do seu filho, que tinha caído no fogo, disse-lhe: "Reze!... Não desanime, o seu filho vai recuperar". Tendo acontecido como o Padre tinha dito, aquela mãe apressou-se em espalhar, por toda a parte, que o Pároco realizava milagres. Alguém que tinha ficado escandalizado com o que ouvira, considerou ser seu dever fazer queixa ao Bispo, acusando o Padre Moyë de assumir uma atitude de profeta e de taumaturgo. Na Semana Santa de 1767, foi proibido de exercer o seu ministério sacerdotal, em Dieuze. Não tendo nomeação para nenhum trabalho pastoral, o Padre Moyë aproveitou para pregar um pouco por todo o lado efundou outras escolas. Em 1768, o reitor-capitular de St-Dié convidou-o para a direcção do Seminário daquela Diocese sem território (diocese nullius ou prelatura pessoal) mas, ao fim de um ano, a fundação foi fechada.
Encontrando-se, mais uma vez, sem qualquer missão fixa, o Padre Moyë pensou em realizar um dos seus sonhos antigos: ser missionário.
Em finais de 1769, entrou para o Seminário das Missões Estrangeiras de Paris e, aí, passou vários meses, preparando-se para a sua nova missão. Enquanto esperava por um barco que o levasse até Macau, voltou à Diocese para fazer pregações, tendo fundado novas escolas. Depois, no dia 7 de Setembro de 1771, embarcou, tendo por meta Se-Tchuen, na China, confiando as suas Irmãs à Providência divina. De Paris, escreveu-lhes: "Confiai n’Ela e Ela nunca vos abandonará. Amai a pobreza; alegrai-vos nos sofrimentos e nas perseguições; amai-vos umas às outras; sede submissas às vossas superioras, sempre prontas a partir para onde elas vos enviarem. Se vos derem a escolher, preferi os lugares mais difíceis, os mais humilhantes e os menos lucrativos... Ensinai de graça e não esperei por salário que deveis desprezar e reprovar. Esperai ser consideradas como insensatas; assim, sereis crucificadas para o mundo e o mundo será crucificado para vós. Nos vossos sofrimentos, buscai consolo no Santíssimo Sacramento e aos pés da cruz ".
Na viagem para Macau, escreveu-lhes de novo: "Não vos prendais a nada e, muito menos, ao dinheiro; não amontoeis riquezas para o futuro, mas vivei num perfeito despojamento, em total confiança e em total abandono à Providência... O pouco que tiverdes dai-o aos pobres, e Deus vos alimentará, vos vestirá, vos alojará... Se nos falta o pão, é porque nos falta a fé".
Tímido por natureza, confidenciou ao seu irmão que era pároco como se comportava com os viajantes: "Fujo dos homens porque prefiro conversar com Deus e com os santos; mas, quando há alguma boa acção que precisa ser feita, alguma alma para ganhar, sinto inflamar-se o meu coração. Para mim, não há conversa mais insípida e inútil do que a que tem as coisas do mundo por um único objectivo". E, ainda: Bendito seja o Senhor! Não espero nenhum prazer humano da terra. A natureza não vê nada no futuro que a agrida... Agora, vejo de quantos perigos Deus me livrou... Na minha vida, passei por muitas humilhações e tribulações. Pois bem: tudo isso me era necessário”.
Em Macau, o Padre Moyë teve de disfarçar-se de para chegar, após três meses de viagem através do Rio Azul, à sua residência, porque os missionários estavam proibidos de entrar na China. O vigário apostólico, Monsenhor Pottier, confiou-lhe a evangelização da parte oriental do país, conferindo-lhe o título de “provigário”. O Padre João Martinho aprendeu chinês com surpreendente rapidez e, apesar das perseguições, começou a percorrer, de um lado ao outro, o vasto território que lhe estava confiado. Para atrair as bênçãos de Deus sobre os cristãos a quem se dirigia, apontava o caminho do jejum e da oração. Depois, fazia duas pregações e outras instruções particulares. Para facilitar a oração pelos fiéis, traduziu, para chinês, um variado conjunto de orações.
A sua sagacidade e as atenções dos cristãos que o acolhiam para a celebração nocturna da Missa, não o impediram de cair, pelo menos duas vezes, nas mãos dos perseguidores, dos quais foi milagrosamente salvo pelo Senhor, depois de muitas bofetadas e bastonadas. Feliz por ser considerado "criminoso de Jesus Cristo", escreveu às suas Irmãs, em 15 de Abril de 1773: "A simples consolação de sofrer por Jesus não é uma coisa sem importância: uma alma sem cruz definha e cai no chão com seu próprio peso. Uma alma que sofre sente uma força tal que a eleva para Deus e a torna conforme a Jesus Cristo. Fiquei feliz por ver que Deus me deu a graça de participar, um pouco, nos sofrimentos e humilhações do seu Filho. Ao ver os sofrimentos de Jesus Cristo, percebi que os meus sofrimentos eram bem mais pequenos, ainda que, algumas vezes, visse com bons olhos a chegada da morte, se isso fosse a vontade de Deus”. Durante o caminho para ir de uma comunidade cristã a outra, o Padre Moyë rezava sempre. Escreveu a um amigo: "Estes rosários duram quase uma hora; às vezes, quase meio dia. Quando, em viagem, estou sentado numa barca, as conversas dos barqueiros pagãos não me distraem. Rezo, ainda, três vezes ao dia, às cinco chagas de Nosso Senhor, à sua Santa Face, ao seu Santo Nome, com orações inspiradas nas Sagradas Escrituras...Às Segundas-Feiras, quando tenho tempo, recito o Ofício dos Defuntos; às Quartas-Feiras os salmos graduais; às Sextas-Feiras os salmos penitenciais e as orações pelos moribundos". Às suas Irmãs, recomendava: "Adorai o Sagrado Coração de Jesus, de manhã e de tarde. De minha parte, tenho-o constantemente nos meus lábios e no meu coração".
As constantes perseguições, os cansaços das viagens e a impossibilidade de se adaptar ao arroz dos chineses não impediram o zelo do Padre Moyë. Chegado à China em idade já madura, fortalecido pela sua própria experiência e com um temperamento pouco dado a concessões, mais uma vez, teve de enfrentar vários desentendimentos com os seus confrades. Estes ficaram surpresos quando ele considerou imorais os "contractos de penhora" pelos quais os credores adquiriam as propriedades dos seus devedores, por quantias irrisórias, muito mais baixas do que o seu valor real. Tiveram duras discussões mas, quando a Congregação da Propaganda da Fé declarou que eram ilícitas, todos eles se humilharam.
Na China, o Padre Moyë colocou-se o problema do baptismo das crianças. Pensado poder baptizar todos os filhos dos pagãos que se encontravam em perigo de vida, durante a peste e a fome de 1778 e 1779, chegou a baptizar 30.000 crianças, no seu distrito. Para isso, contou com a ajuda das mulheres da ''Obra angélica para o baptismo das crianças”. Os outros missionários recorreram para Roma. A Congregação da Propaganda da Fé deu permissão para baptizar as crianças já afectadas por doença grave, e o Padre João Martinho acatou essa ordem, sem discussão alguma.
Os outros missionários censuravam o Padre Moyë pelo seu excessivo rigorismo. De facto, ele aconselhava os cristãos a não usarem gordura nos dias de jejum, mesmo tendo recebido a respectiva dispensa; organizava longas reuniões de oração; impunha aos apóstatas - desejosos de serem readmitidos na Igreja – duras penitências, em desacordo com as mais brandas, sugeridas pelo Papa Bento XIII. No entanto, os missionários foram forçados a reconhecer, com admiração, que os cristãos mais fervorosos eram precisamente aqueles que foram catequizados por ele.
A explicação de tantos frutos espirituais tem de ser encontrada na intensidade da vida interior do Padre João, que transparece nas suas cartas, que ele assinava e sempre afirmava: "Moyë, o último e o mais indigno de todos os missionários". Em 21 de Abril de 1775, recomendou às suas Irmãs: "Não coloqueis a vossa confiança nos homens, mas somente em Deus. Amai as cruzes: encontrareis o paraíso na terra e sereis inundadas de alegria espiritual... Foi com a cruz que Jesus Cristo nos regenerou; foi com a cruz que, também, eu vos gerei. Posso dizer-vos que os sofrimentos, especialmente os sofrimentos interiores que sofri por vossa causa, ultrapassar a imaginação... Hoje, sofro outras penas para a conversão dos pagãos; cabe-vos a vós sofrer pelo progresso das escolas e pela conversão de crianças... O vosso modo de vida e o meu são semelhantes. Vós não tendes morada permanente, e eu também não; vós sois pobres, e eu também sou pobre. Aqueles que vos dão de comer têm, muitas vezes, falta do necessário; acontece, muitas vezes, que se eu tivesse batatas, como vós, sentir-me-ia muito feliz. Vós tendes um colchão para dormir, enquanto eu não costumo ter nem dois dedos de palha; durmo num tapete simples, no chão duro. O que vos digo, não o não digo para me lamentar, mas para me consolar e me alegrar convosco. Eu amo o meu estado".
Em Outubro 1775, numa carta às suas Irmãs, retomou o mesmo assunto para as estimular a viver o espírito de pobreza: "Vive-se muito pobremente nestas montanhas. Como, com os nossos bravos cristãos, trigo-sarraceno, esmagado e cozido em água, com alguns legumes ou erva salgada; mas a satisfação que sinto ao ver estes estrangeiros fazer-se cristãos é, para mim, um alimento mais delicioso do que a carne mais excelente". Em 19 de Fevereiro de 1776, confidenciou-lhes: "Sou, sob muitos aspectos, mais pobre do que vós. Só tenho duas camisas que uso há dois ou três anos. Só tenho um lenço e um lençol. Não tenho nenhuma cadeira para me sentar, mas um banco pequeno a largura de uma mão. Por casa, tenho choupanas. Quando posso ter pão de trigo-sarraceno cozido no borralho, sinto-me feliz, porque não consigo habituar-me à comida dos chineses".
Por causa da alimentação deficiente, o Padre Moyë não era capaz de praticar jejuns ou de macerar o seu corpo com flagelos e cilícios, como fizera na Lorena. Então, à noite, acreditando não ser visto, passava pelos juncos e arbustos dos pântanos expondo os seus ombros às picadas dos mosquitos até sangrar. Vivia com o forte desejo de participar nos sofrimentos do Filho de Deus. Na verdade, escrevera: "A Paixão do Senhor é o meu tesouro. A minha maior devoção é reviver, cada dia, os seus mistérios... Assim, fico tão comovido com os sofrimentos de Nosso Senhor, especialmente à Sexta-Feira, que, desde que acordo sinto-me penetrado por um destes mistérios dolorosos ou de uma circunstância particular da Paixão. Esta memória imprime-se, tão fortemente, no meu espírito que permanece durante todo o dia e por muito tempo, depois. Daqui resultava que eu não ousava ter qualquer prazer, nem qualquer alívio natural, ou beber, comer aquecer-me, nem sentar-me até às três horas da tarde, ora a que o Senhor morreu, porque a visão dos seus sofrimentos estava sempre no meu espírito... À noite, não tomava senão pão e água. Esta devoção é uma das maiores graças que Deus me concedeu, na vida ".
Desde a sua chegada à China, o Padre Moyë havia pensado na criação das escolas, mas teve de esperar cerca de seis anos. Escolheu algumas viúvas e algumas jovens, instruiu-as convenientemente e, depois, pô-las em acção. Para as primeiras, reservou as tarefas administrativas e de assistência; às outras, confiou a tarefa de ensinar as crianças, nas suas próprias casas. As jovens viviam como verdadeiras religiosas e o missionário procurava dar-lhes uma vasta e sólida formação espiritual. Os primeiros resultados foram tão satisfatórios que vários dos seus confrades lhe pediram que enviasse algumas virgens cristãs para os seus distritos, com o objectivo de formar, nas suas escolas, as jovens que lhes estavam confiadas. O fundador, no dia 13 de Março de 1778, escreveu às suas Irmãs, propondo que as imitassem: "Elas rezam com grande fervor e jejuam muitas vezes. Têm o talento maravilhoso de falar com firmeza, metódica e claramente. Até mesmo os pagãos as respeitam e as escutam… São, verdadeiramente, milagres da Providência ".
Apesar de tantas obras, surgidas do seu dinamismo pastoral, o Padre João Martinho Moyë não escapou a muitíssimas contrariedades. O seu adversário mais feroz foi Giovanni Didier de St.-Martin. Ele não suportava a influência que o Padre Moyë exercia sobre o vicariato e, também, porque lhe fizera algumas observações sobre o modo como ele exercia o seu próprio ministério, o menos florescente de todos. Monsenhor Pottier deixou-se influenciar pelo Padre St. Martin e retirou o apoio que, desde o início, tinha dado ao Padre João Martinho. O Padre St.-Martin publicou as orações que o Padre Moyë tinha feito, introduzindo-lhes importantes alterações, sem o consultar. As virgens chinesas viram-se em risco de extinção. Foram tantas as brigas e a prepotência em que se viram envolvidas que uma delas morreu de desgosto. As perseguições dos pagãos, as incompreensões dos confrades e as dificuldades em alimentar-se levaram o Padre Moyë a pedir para voltar à pátria.
Deixou, definitivamente, a China, no dia 2 de Julho de 1783. Na viagem de regresso, que durou quase um ano, escreveu um relatório dos seus dez anos de apostolado. Em Paris, foi precedido por relatos desfavoráveis ​​por parte dos seus superiores. Os dirigentes das Missões Estrangeiras ficaram mal impressionados. Sem lhe pedirem que abandonasse o Seminário, permitiram que regressasse à sua terra natal para se dedicar à pregação, para cuidar da formação das Irmãs da Providência e para angariar fundos para as missões chinesas.
Poucos meses depois da sua chegada à Europa, a Congregação da Propaganda da Fé aprovou as obras tinha criado na China, em particular o “Instituto das Virgens Cristãs”. A sua prosperidade levou os missionários a mudar de ideias sobre o seu fundador. Hoje, o Padre Moyë é considerado um precursor da Obra da Santa Infância, fundada, em Paris, em 1843, por Dom Carlos Augusto de Forbin-Janson, bispo de Nancy.
Quando, durante a Revolução Francesa, os sacerdotes foram forçados a jurar a constituição civil do clero, o Padre Moyë encorajou os seus confrades a resistir até que foi forçado a refugiar-se em Trier, com as Irmãs e o noviciado. Preparou-se para a morte, passando o tempo na oração, na assistência aos pobres e nas visitas aos doentes do hospital: Foi no contacto com os doentes que contraiu a doença que o levaria ao túmulo, em 4 de Maio de 1793.
O Padre João Martinho Moyë foi sepultado no cemitério de São Lourenço que, em 1803, foi transformado em praça de armas. O corpo do Padre Moyë nunca foi encontrado.
Foi beatificado pelo Papa Pio XII, no dia 21 de Novembro de 1954.
A memória litúrgica do Beato João Martinho Moyë celebra-se no dia 4 de Maio.

segunda-feira, 23 de abril de 2018

EM DESTAQUE



- DOMINGO DO BOM PASTOR

“…O Bom Pastor! Esta figura bíblica tem origem na observação e na experiência. Durante longo tempo, Israel foi um povo de pastores e a tradição da época dos patriarcas e das gerações sucessivas encontra correspondência nos textos do Antigo Testamento. O pastor, aquele que vigilante guarda o rebanho e o conduz às pastagens férteis, tornou-se a imagem do homem que guia e está à frente de uma nação, sempre solícito por aquilo que lhe diz respeito. Assim no Antigo Testamento é representado o pastor de Israel.  
Na Sua pregação, Jesus liga-se a esta imagem, mas introduz um elemento inteiramente novo: pastor é aquele que dá a vida pelas suas ovelhas (cf.  Jo 10, 11-18). Ele atribui esta característica ao bom pastor, distinguindo-o de quem, ao contrário, é mercenário e portanto não cuida do próprio rebanho. Antes, apresenta-Se a Si mesmo como o protótipo do bom pastor, capaz de dar a vida pelo seu rebanho. O Pai enviou-O ao mundo para que fosse o pastor não só de Israel, mas da humanidade inteira.  
É de modo especial na Eucaristia que se torna sacramentalmente presente a obra do Bom Pastor, o qual, depois de ter anunciado a «boa nova» do Reino, ofereceu em sacrifício a própria vida pelas ovelhas. A Eucaristia é, de facto, o sacramento da morte e ressurreição do Senhor, do Seu supremo acto redentor. É o sacramento em que o Bom Pastor torna constantemente presente o Seu amor oblativo por todos os homens…” (Papa João Paulo II, 3 de Maio de 1998)

DA PALAVRA DO SENHOR



- IV DOMINGO DE PÁSCOA

“…Vede que admirável amor o Pai nos consagrou
 em nos chamarmos filhos de Deus.
 E somo-lo de facto.
 Se o mundo não nos conhece,
 é porque não O conheceu a Ele.
 Caríssimos, agora somos filhos de Deus
 e ainda não se manifestou o que havemos de ser.
 Mas sabemos que, na altura em que se manifestar,
 seremos semelhantes a Deus,
 porque O veremos tal como Ele é…” (cf. 1 João 3, 1-2)

PALAVRA DO PAPA FRANCISCO



- na Audiência-Geral, na Praça São Pedro, Roma, no dia 18 de Abril de 2018

Queridos irmãos e irmãs, bom dia!
Prosseguimos, neste Tempo de Páscoa, com as catequeses sobre o Baptismo. O significado do Baptismo sobressai, claramente, da sua celebração; por isso, dirijamos para ela a nossa atenção. Considerando os gestos e as palavras da liturgia, podemos compreender a graça e o compromisso deste Sacramento, que deve ser sempre redescoberto. Fazemos memória dela na aspersão com a água benta, que se pode realizar no domingo, no início da Missa, assim como na renovação das promessas baptismais, durante a Vigília Pascal. Com efeito, quanto acontece na celebração do Baptismo suscita uma dinâmica espiritual que atravessa toda a vida dos baptizados; é o início de um processo que nos permite viver unidos a Cristo, na Igreja. Portanto, regressar à nascente da vida cristã leva-nos a compreender melhor o dom recebido no dia do nosso Baptismo e a renovar o compromisso de lhe corresponder na condição em que estamos, hoje. Renovar o compromisso, compreender melhor este dom, que é o Baptismo, e recordar o dia do nosso Baptismo. Na quarta-feira passada, pedi para fazer um trabalho: que cada um de nós recordasse o dia do Baptismo, e tentasse saber o dia em que foi baptizado. Sei que alguns de vós sabem-no; outros não. Os que não o sabem, devem perguntar aos parentes, a outras pessoas, aos padrinhos, às madrinhas... Perguntem: “Qual é a data do meu Baptismo?”. Porque o Baptismo é um renascimento; é como se fosse o segundo aniversário. Entendestes? Cumprir este dever de casa: perguntar: “Qual é a data do meu Baptismo?”.
Antes de tudo, no rito de acolhimento, pergunta-se qual é o nome do candidato, porque o nome indica a identidade de uma pessoa. Quando nos apresentamos, dizemos imediatamente o nosso nome: “Chamo-me assim…”, para sair do anonimato; anónimo é quem não tem um nome. Para sair do anonimato, dizemos, imediatamente, o nosso nome. Sem um nome, permanecemos desconhecidos, sem direitos nem deveres. Deus chama cada um pelo nome, amando-nos individualmente, na realidade da nossa história. O Baptismo suscita a vocação pessoal de viver como cristão, que se desenvolverá durante a vida inteira. E comporta uma resposta pessoal, e não tomada por empréstimo, ou “copia e cola”. Com efeito, a vida cristã é tecida por uma série de chamadas e respostas: Deus continua a pronunciar o nosso nome ao longo dos anos, fazendo ressoar, de muitas maneiras, a sua chamada a conformarmo-nos com o seu Filho Jesus. Portanto, o nome é importante! É muito importante! Os pais pensam no nome que darão ao filho já antes do nascimento; também isso faz parte da espera de um filho que, no próprio nome, terá a sua identidade original, inclusive para a vida cristã, ligada a Deus.
Sem dúvida, tornar-se cristão é um dom que vem do alto (cf. Jo 3, 3-8). A fé não se pode comprar, mas sim pedir e receber como dom. “Senhor, concedei-me o dom da fé!”, é uma bonita oração! “Que eu tenha fé!” é uma bonita prece. Pedi-la como dom: não se pode comprá-la, pede-se… Com efeito, «o Baptismo é o sacramento daquela fé, com a qual os homens, iluminados pela graça do Espírito Santo, respondem ao Evangelho de Cristo» (Rito do Baptismo das Crianças, Introdução geral, n. 3). A formação dos catecúmenos e a preparação dos pais, assim como a escuta da Palavra de Deus na própria celebração do Baptismo, tendem a suscitar e a despertar uma fé sincera, em resposta ao Evangelho.
Se os catecúmenos adultos manifestam pessoalmente aquilo que desejam receber como dom da Igreja, as crianças são apresentadas pelos pais, com os padrinhos. O diálogo com eles permite que exprimam a vontade de que os pequenos recebam o Baptismo e, à Igreja, a intenção de o celebrar. «Expressão de tudo isto é o sinal da cruz, que o celebrante e os pais traçam na testa das crianças» (Rito do Baptismo das Crianças, Introdução, n. 16). «O sinal da cruz...manifesta a marca de Cristo impressa naquele que vai passar a pertencer-lhe e significa a graça da redenção que Cristo nos adquiriu pela sua cruz» (Catecismo da Igreja Católica, n. 1.235). Na celebração, fazemos o sinal da cruz nas crianças. Mas gostaria de retomar um tema do qual já vos falei. As nossas crianças sabem fazer bem o sinal da cruz? Muitas vezes, vi crianças que não sabem fazer o sinal da cruz. E vós, pais, mães, avós, padrinhos e madrinhas, deveis ensinar a fazer bem o sinal da cruz, porque isso significa repetir o que se fez no Baptismo. Entendestes bem? Ensinar as crianças a fazer bem o sinal da cruz. Se o aprenderem desde a infância, fá-lo-ão bem mais tarde, quando forem adultos.
A cruz é o distintivo que manifesta quem somos: o nosso falar, pensar, olhar e agir estão sob o sinal da cruz, ou seja, sob o sinal do amor de Jesus, até ao fim. As crianças são marcadas na testa. Os catecúmenos adultos são marcados também nos sentidos, com estas palavras: «Recebei o sinal da cruz nos ouvidos, para ouvir a voz do Senhor»; «nos olhos, para ver o esplendor da face de Deus»; «nos lábios, para responder à palavra de Deus»; «no peito, para que Cristo habite nos vossos corações mediante a fé»; «nos ombros, para sustentar o jugo suave de Cristo» (Rito da iniciação cristã dos adultos, n. 85). Tornamo-nos cristãos na medida em que a cruz se imprime em nós como uma marca “pascal” (cf. Ap 14, 1; 22, 4), tornando visível, inclusive exteriormente, o modo cristão de enfrentar a vida. Fazer o sinal da cruz quando acordamos, antes das refeições, diante de um perigo, em defesa contra o mal, à noite antes de dormir, significa dizer a nós mesmos e aos outros a quem pertencemos, quem desejamos ser. Por isso, é muito importante ensinar as crianças a fazer bem o sinal da cruz. E, como fazemos ao entrar na igreja, podemos fazê-lo também em casa, conservando num pequeno vaso adequado um pouco de água benta (algumas famílias fazem-no): assim, cada vez que entramos ou saímos, fazendo o sinal da cruz com aquela água recordamo-nos que somos baptizados. Não vos esqueçais, repito: ensinai as crianças a fazer o sinal da cruz! (cf. Santa Sé)