PALAVRA COM SENTIDO

PALAVRA COM SENTIDO

“…Hás-de temer o Senhor, teu Deus…” (cf. Deuteronómio 6, 2)

Só Deus é Deus e Senhor. E não há outro Deus a quem amar, servir, adorar, acreditar, rezar, agradecer… Temer o Senhor não é ‘ter medo de Deus’. Não precisamos ter medo de Deus: Ele é amor, perdão, misericórdia, alegria, paz, salvação e esperança… Temer o Senhor é reconhecer a grandeza do seu poder; a santidade do seu nome; a ternura que nos dedica; a alegria da vida que nos oferece. Temer o Senhor é acolher a sua Palavra; cumprir os seus mandamentos; responder com fidelidade aos seus apelos; confiar na sua promessa e anunciá-la com a bondade dos nossos gestos. Quem ‘teme a Deus’ procura fazer tudo para não pecar contra ele; fazer nascer no coração o receio e a tristeza de o poder ofender. O apelo feito pela palavra de Deus aponta-nos o caminho da verdade, da justiça, da caridade, da compaixão. Uma grande exigência que nos trará a felicidade e a bênção.

quarta-feira, 17 de janeiro de 2018

DA PALAVRA DO SENHOR


- II DOMINGO DO TEMPO COMUM
        
“…O corpo não é para a imoralidade, mas para o Senhor,
 e o Senhor é para o corpo.
 Deus, que ressuscitou o Senhor,
 também nos ressuscitará a nós pelo seu poder.
 Não sabeis que os vossos corpos são membros de Cristo?
 Aquele que se une ao Senhor
 constitui com Ele um só Espírito.
 Fugi da imoralidade… (cf. 1 Coríntios 6, 13-15.17-18)

PALAVRA DO PAPA FRANCISCO


- na Audiência-Geral, na Praça de São Pedro , Roma, no dia 10 de Janeiro

Caríssimos irmãos e irmãs, bom dia!
No percurso das catequeses sobre a celebração eucarística, vimos que o ‘Acto penitencial’ nos ajuda a despojar-nos das nossas presunções e a apresentar-nos a Deus como realmente somos, conscientes de sermos pecadores, na esperança de sermos perdoados.
Precisamente do encontro entre a miséria humana e a misericórdia divina, adquire vida a gratidão expressa no “Glória”, «um hino antiquíssimo e venerável, com o qual a Igreja, congregada no Espírito Santo, glorifica e suplica a Deus Pai e ao Cordeiro» (Ordenamento Geral do Missal Romano, 53).
O início deste hino — “Glória a Deus nas alturas” — retoma o cântico dos Anjos no nascimento de Jesus, em Belém, anúncio jubiloso do abraço entre o céu e a terra. Este cântico inclui-nos também a nós, reunidos em oração: «Gloria a Deus nas alturas e paz na terra aos homens de boa vontade».
Após o “Glória”, ou então, na sua ausência, imediatamente depois do ‘Acto penitencial’, a oração adquire forma particular na prece denominada “colecta”, por meio da qual se expressa o carácter próprio da celebração, que varia de acordo com os dias e os tempos do ano (cf. ibid., 54). Mediante o convite «oremos», o sacerdote exorta o povo a recolher-se com ele num momento de silêncio, com a finalidade de tomar consciência de estar na presença de Deus e fazer emergir, cada qual no próprio coração, as intenções pessoais com as quais participa na Missa (cf. ibid., 54). O sacerdote diz «oremos»; e, depois, há um momento de silêncio, e cada um pensa naquilo de que precisa; no que deseja pedir, na oração.
O silêncio não se reduz à ausência de palavras, mas consiste em predispor-se a ouvir outras vozes: a do nosso coração e, sobretudo, a voz do Espírito Santo. Na liturgia, a natureza do silêncio sagrado depende do momento em que se realiza: «Durante o ‘Acto penitencial’ e após o convite à oração, ajuda ao recolhimento; depois da leitura ou da homilia, é uma exortação a meditar, brevemente, sobre o que se ouviu; após a Comunhão, favorece a prece interior de louvor e de súplica» (ibid., 45). Portanto, antes da oração inicial, o silêncio ajuda a recolher-nos em nós mesmos e a pensar por que estamos ali. Eis, então, a importância de ouvir o nosso espírito para o abrir depois ao Senhor. Talvez tenhamos vivido dias de cansaço, de alegria, de dor, e queremos dizê-lo ao Senhor, invocar a sua ajuda, pedir que esteja próximo de nós; temos familiares e amigos doentes, ou que atravessam provações difíceis; desejamos confiar a Deus o destino da Igreja e do mundo. É para isto que serve o breve silêncio antes que o sacerdote, recolhendo as intenções de cada um, recite em voz alta a Deus, em nome de todos, a oração comum que conclui os ritos de introdução, realizando precisamente a “colecta” das intenções individuais. Recomendo vivamente aos sacerdotes que observem este momento de silêncio e não se apressem: «oremos», e que se faça silêncio. Recomendo isto aos presbíteros. Sem este silêncio, corremos o risco de descuidar o recolhimento da alma.
O sacerdote recita esta súplica, esta oração de colecta, de braços abertos: é a atitude do orante, assumida pelos cristãos desde os primeiros séculos — como testemunham os frescos das catacumbas romanas — para imitar Cristo de braços abertos no madeiro da cruz. Ali, Cristo é o Orante e, ao mesmo tempo, a oração! No Crucificado, reconhecemos o Sacerdote que oferece a Deus o culto que lhe é agradável, ou seja, a obediência filial.
No Rito Romano, as orações são concisas, mas ricas de significado: podem fazer-se muitas meditações bonitas sobre estas preces. Muito belas! Voltar a meditar os seus textos, até fora da Missa, pode ajudar-nos a aprender como dirigir-nos a Deus, o que pedir, que palavras usar. Possa a liturgia tornar-se para todos nós uma verdadeira escola de oração. (cf. Santa Sé)

PARA REZAR


SALMO 39

Refrão: Eu venho, Senhor, para fazer a vossa vontade.

Esperei no Senhor com toda a confiança
e Ele atendeu-me.
Pôs em meus lábios um cântico novo,
um hino de louvor ao nosso Deus.

Não Vos agradaram sacrifícios nem oblações,
mas abristes-me os ouvidos;
não pedistes holocaustos nem expiações,
então clamei: «Aqui estou».

«De mim está escrito no livro da Lei
que faça a vossa vontade.
Assim o quero, ó meu Deus,
a vossa lei está no meu coração».

«Proclamei a justiça na grande assembleia,
não fechei os meus lábios, Senhor, bem o sabeis.
Não escondi a justiça no fundo do coração,
proclamei a vossa bondade e fidelidade».


SANTOS POPULARES


BEATO CIPRIANO MIGUEL IWENE TANSI

Iwene Tansi nasceu em Setembro de 1903, em Igboezunu, no estado de Anambra, na Nigéria, numa família pagã. Os seus pais, Tabani e Ejikwevi, pertenciam, a uma das mais nobres e gloriosas tribos nigerianas – a dos Igbo – que, entre os anos de 1967 e 1970, protagonizou a mais triste e sangrenta guerra civil de África: a guerra do antigo Biafra.
Iwene perdeu o seu pai ainda muito pequeno e a sua mãe, viúva e com cinco filhos, entregou-o à guarda de uns parentes da aldeia de Nduka. Aí frequentou a escola dos missionários, tendo como professor o seu primo Roberto Orekie, que era cristão.
Iwene Tansi foi baptizado aos 9 anos e, no baptismo, recebeu o nome de Miguel. Era de carácter obediente e paciente e costumava passar longas horas em oração, na igreja, motivo pelo qual era, às vezes, motivo da zombaria dos outros rapazes. Era, também, muito exigente e estudioso, tendo muita ascendência sobre os seus companheiros que ficavam fascinados diante da sua grandeza humana e religiosa.
Em 1913, partiu, com o seu primo Roberto, para Onitsha, onde se inscreveu na Escola Primária da Santíssima Trindade. Durante seis anos, dedicou-se ao estudo e obteve, em 1919, o diploma que o habilitava para se dedicar ao ensino. Deu aulas nesta escola até 1924, altura em que regressou à sua cidade, assumindo a direcção do Colégio de São José. Ao mesmo tempo, amadurecia, no seu íntimo o desejo de ser sacerdote e, em 1925, com 22 anos de idade, entrou no Seminário Diocesano de São Paulo de Igbariam, apesar da forte oposição da família. Em 1932, como testemunho da confiança dos seus superiores, foi nomeado ecónomo do Seminário.
Terminados os seus estudos teológicos, foi ordenado presbítero, no dia 19 de Dezembro de 1937, na Catedral de Onitsha. Foi o segundo sacerdote indígena da Diocese e o primeiro da sua cidade. Passou os anos seguintes dedicado à actividade paroquial. Primeiro como coadjutor da paróquia de Nuewi e, depois, como pároco de Dunukofia.
O seu ministério foi caracterizado por uma caridade ardente para com o próximo e as pessoas da região tinham-no por um “santo vivo”. Combateu a superstição e fomentou a formação espiritual das mulheres e dos candidatos ao matrimónio. Levava uma intensa vida ascética, impondo-se frequentes restrições.
Durante a década de 1940, manifestou um vivo interesse pela vida contemplativa e comunicou este desejo ao seu Bispo. Este entrou em contacto com mosteiros trapistas irlandeses e ingleses a fim de encontrar um local onde o Pe. Miguel pudesse receber a formação monástica. O Mosteiro trapista de Monte São Bernardo, em Leicester, na Inglaterra, respondeu positivamente aos pedidos do arcebispo nigeriano e, em 2 de Julho de 1950, Pe. Miguel entrou neste Mosteiro, recebendo o nome de Irmão Cipriano. Era sua intenção, depois de recebida a conveniente a formação, regressar à Nigéria e, ali, fundar um Mosteiro. Contudo, ao aperceber-se das imensas dificuldades em concretizar o seu projecto, emitiu, no dia 8 de Dezembro de 1956, os votos perpétuos, no Mosteiro de Monte São Bernardo. O Irmão Cipriano vivia na expectativa de que, um dia, este Mosteiro pudesse fundar uma comunidade monástica, na Nigéria. A fundação de um mosteiro trapista em África veio, realmente, a acontecer; não na Nigéria, mas nos Camarões. O Irmão Cipriano foi designado mestre-de-noviços do novo Mosteiro mas, pouco antes da viagem, em Dezembro de 1963, foi-lhe diagnosticada uma trombose profunda na perna e, pouco depois, uma excrescência no estômago. Enquanto se preparava para a operação de emergência, teve um aneurisma da aorta, que provocou a sua morte, no dia 20 de Janeiro de 1964.
O Padre Cipriano Miguel Iwene Tansi foi beatificado pelo Papa João Paulo II, no dia 22 de Março de 1998, na Catedral de Onitsha, na Nigéria. Na homilia da missa,o Papa João Paulo II disse: “… Hoje, um dos filhos da Nigéria, o Padre Cipriano Miguel Iwene Tansi, foi proclamado «Beato», precisamente na terra onde ele pregou a Boa Nova da salvação e procurou reconciliar os seus concidadãos com Deus e uns com os outros. De facto, a Catedral onde o Padre Tansi foi ordenado e a paróquia onde exerceu o ministério sacerdotal não estão distantes de Oba, lugar onde nos encontramos reunidos. Algumas pessoas, a quem ele proclamou o Evangelho e administrou os sacramentos, hoje estão aqui connosco — inclusive o Cardeal Francis Arinze, que foi baptizado pelo Padre Tansi e recebeu a sua primeira educação numa das suas escolas. (…)
A vida e o testemunho do Padre Tansi são fonte de inspiração para todos na Nigéria, País que ele tanto amou. Ele era antes de tudo um homem de Deus: as longas horas passadas diante do Santíssimo Sacramento cumularam o seu coração de amor generoso e corajoso. Os que o conheceram dão testemunho do seu grande amor a Deus. Todos os que se encontraram com ele se sentiram tocados pela sua bondade pessoal. Ele foi também um homem do povo: colocou sempre os outros antes de si mesmo, e esteve especialmente atento às necessidades pastorais das famílias. Assumiu o grande encargo de preparar bem os casais para o sagrado matrimónio e anunciou a importância da castidade. Procurou de todos os modos promover a dignidade das mulheres. De modo especial, considerava preciosa a educação das jovens. Também quando foi enviado pelo Bispo Heerey à Abadia Cisterciense do Monte São Bernardo, na Inglaterra, para seguir a própria vocação monástica, com a esperança de poder trazer para a África a vida contemplativa, ele jamais se esqueceu do seu povo e não deixou de oferecer orações e sacrifícios pela sua contínua santificação. (…)
O Padre Tansi sabia que existe algo do filho pródigo em cada ser humano. Sabia que todos os homens e todas as mulheres são tentados a separar-se de Deus, para procurarem a própria independência e existência egoísta. Sabia que depois eles ficariam desiludidos pelo vazio da ilusão que os havia fascinado e que, no fim, eventualmente achariam nas profundezas do próprio coração o caminho do retorno à casa do Pai (cf. Reconciliatio et paenitentia, 5). Encorajou as pessoas a confessarem os próprios pecados e a receberem o perdão de Deus no Sacramento da Reconciliação. Pediu-lhes que perdoassem uns aos outros como Deus nos perdoa e transmitissem o dom da reconciliação, tornando isto uma realidade em todos os níveis da vida nigeriana. O Padre Tansi esforçou-se por imitar o pai da parábola: estava sempre disponível para aqueles que procuravam a reconciliação. Difundia a alegria da comunhão restabelecida com Deus. Exortava as pessoas a acolherem a paz de Cristo, e encorajava-as a alimentar a vida da graça com a Palavra de Deus e com a sagrada Comunhão.(…)
O Beato Cipriano Miguel Tansi é um primeiro exemplo dos frutos de santidade que cresceram e amadureceram na Igreja na Nigéria, visto que antes o Evangelho foi anunciado nesta terra. Ele recebeu o dom da fé graças aos esforços dos missionários e, fazendo seu o estilo de vida cristã, tornou-o realmente africano e nigeriano. De igual modo, também os nigerianos de hoje — tanto os jovens como os adultos — são chamados a colher os frutos espirituais que foram plantados no meio deles e estão agora prontos para a colheita. A respeito disso, desejo agradecer e encorajar a Igreja na Nigéria no que se refere à sua obra missionária na Nigéria, em África e noutros lugares. O testemunho que o Padre Tansi deu do Evangelho e da caridade cristã é um dom espiritual que esta Igreja local oferece agora à Igreja universal. (…)

A memória litúrgica do Padre Cipriano Miguel Tansi faz-se no dia 20 de Janeiro.

segunda-feira, 8 de janeiro de 2018

EM DESTAQUE


A Igreja celebra, neste Domingo, 7 de Janeiro, a Solenidade da Epifania do Senhor. Tradicionalmente, a chamada “Festa de Reis” é celebrada no dia 6 de Janeiro.
A Epifania do Senhor celebra a manifestação de Jesus como a Luz do mundo, o Messias de Israel, o Filho de Deus e Salvador do mundo. O Papa Bento XVI escreveu que Jesus, “por amor, fez-se história na nossa história; por amor veio trazer-nos o gérmen da vida nova (cf Jo 3, 3-6)… Deus revelou-se na história como luz do mundo, para guiar e introduzir finalmente a humanidade na terra prometida, onde reinarão a liberdade, a justiça e a paz… Neste dia, manifesta-se para nós a luz de um Deus que nos mostra o seu rosto, que se nos apresenta na manjedoura de Belém, que nos aparece na Cruz”.
A luz da estrela de Belém guiou os Reis Magos até ao Deus da luz, Jesus Cristo. Chegando à gruta, os Reis Magos ajoelharam-se diante daquele que é Rei e Senhor de tudo e O presentearam com ouro, significando a realeza de Jesus; o incenso, significando a sua divindade; e a mirra, significando a sua humanidade (cf. Mt 2,11).
A Igreja ensina que os Reis Magos representam todos os povos e nações que adoram e glorificam a Jesus Cristo, o Messias enviado do Pai. E que Jesus não veio salvar somente um povo, mas os homens e as mulheres de todas as culturas, raças e nações.
Tradicionalmente, os Reis Magos são referidos pelos seus nomes: Belchior, Gaspar e Baltazar, homens dotados de muita sabedoria e com conhecimentos de Astronomia: viram a estrela no Oriente e a seguiram até a Gruta de Belém, onde estava o menino Jesus, Maria e José.
A festa da Epifania fala do encontro dos Reis Magos com Jesus Menino, na manjedoura. Este encontro só foi possível, porque os Magos buscavam a Verdade com o coração humilde e desapegado. Infelizmente, o mesmo não aconteceu com Herodes. Ver Jesus, tocar Jesus, sentir-se amado por Ele, requer de nós o querer e o despojamento; é entregar-Lhe, totalmente, o nosso coração. 

DA PALAVRA DO SENHOR


- DOMINGO DA EPIFANIA
        
“…Levanta-te e resplandece, Jerusalém,
 porque chegou a tua luz
 e brilha sobre ti a glória do Senhor.
 Vê como a noite cobre a terra
 e a escuridão os povos.
 Mas sobre ti levanta-Se o Senhor
 e a sua glória te ilumina… (cf. Isaías 60, 1-2)

PALAVRA DO PAPA FRANCISCO


- na homilia da Solenidade da Epifania do Senhor, na Basílica de São Pedro , Roma no dia 6 de Janeiro

O nosso percurso ao encontro do Senhor, que hoje Se manifesta como luz e salvação para todos os povos, é elucidado por três gestos dos Magos. Estes vêem a estrela, põem-se a caminho e oferecem presentes.
Ver a estrela. É o ponto de partida. Mas, poder-nos-íamos perguntar: Por que foi que só os Magos viram a estrela? Porque talvez poucos levantaram o olhar para o céu. De facto na vida, muitas vezes, contentamo-nos com olhar para a terra: basta a saúde, algum dinheiro e um pouco de divertimento. E pergunto-me: Sabemos nós ainda levantar os olhos para o céu? Sabemos sonhar, anelar por Deus, esperar a sua novidade, ou deixamo-nos levar pela vida como um ramo seco pelo vento? Os Magos não se contentaram com deixar correr, flutuando. Intuíram que, para viver de verdade, é preciso uma meta alta e, por isso, é preciso manter alto o olhar.
E poder-nos-íamos perguntar ainda: Porque é que muitos outros, dentre aqueles que levantavam o olhar para o céu, não seguiram aquela estrela, «a sua estrela» (Mt 2, 2)? Talvez porque não era uma estrela deslumbrante, que brilhasse mais do que as outras. Era uma estrela que os Magos viram – diz o Evangelho – «despontar» (cf. Mt 2, 2.9). A estrela de Jesus não encandeia, não atordoa, mas gentilmente convida. Podemos perguntar-nos pela estrela que escolhemos na vida. Há estrelas deslumbrantes, que suscitam fortes emoções mas não indicam o caminho. Tal é o sucesso, o dinheiro, a carreira, as honras, os prazeres procurados como objectivo da existência. Não passam de meteoritos: brilham por um pouco, mas depressa caem e o seu esplendor desaparece. São estrelas cadentes, que, em vez de orientar, despistam. Ao contrário, a estrela do Senhor nem sempre é fulgurante, mas está sempre presente: é meiga, guia-te pela mão na vida, acompanha-te. Não promete recompensas materiais, mas garante a paz e dá, como aos Magos, uma «imensa alegria» (Mt 2, 10). Pede, porém, para caminhar.

Caminhar, a segunda acção dos Magos, é essencial para encontrar Jesus. De facto, a sua estrela solicita a decisão de se pôr a caminho, a fadiga diária da caminhada; pede à pessoa para se libertar de pesos inúteis e sumptuosidades embaraçantes, que estorvam, e aceitar os imprevistos que não aparecem assinalados no mapa da vida tranquila. Jesus deixa-Se encontrar por quem O busca, mas, para O buscar, é preciso mover-se, sair. Não ficar à espera; arriscar. Não ficar parados; avançar. Jesus é exigente: a quem O busca, propõe-lhe deixar as poltronas das comodidades mundanas e os torpores sonolentos das suas lareiras. Seguir a Jesus não é um polido protocolo a respeitar, mas um êxodo a viver. Deus, que libertou o seu povo mediante o trajecto do êxodo e chamou novos povos para seguir a sua estrela, dá a liberdade e distribui a alegria, sempre e só, em caminho. Por outras palavras, para encontrar Jesus, é preciso perder o medo de entrar em jogo, a satisfação do caminho andado, a preguiça de não pedir mais nada à vida. Simplesmente para encontrar o Menino, já é preciso arriscar; mas vale bem a pena, porque, ao encontrar aquele Menino, ao descobrir a sua ternura e o seu amor, encontramo-nos a nós mesmos.
Pôr-se a caminho não é fácil. Assim no-lo mostra o Evangelho através dos vários personagens. Temos Herodes, perturbado pelo temor de que o nascimento dum rei ameace o seu poder. Por isso, organiza reuniões e envia outros a recolher informações; mas ele não se move, está fechado no seu palácio. E, com ele, «toda a Jerusalém» (Mt 2, 3) tem medo: medo das coisas novas de Deus. Prefere que tudo permaneça como antes – «fez-se sempre assim» -, e ninguém tem a coragem de se pôr a caminho. Mais subtil é a tentação dos sacerdotes e escribas: conhecem o lugar exacto e indicam-no a Herodes, citando inclusive a profecia antiga; sabem, mas não dão um passo rumo a Belém. Pode ser a tentação de quem é crente há muito tempo: discorre-se de fé, como de algo que já é conhecido, mas que não se compromete pessoalmente com o Senhor. Fala-se, mas não se reza; lastima-se, mas não se faz o bem. Pelo contrário, os Magos falam pouco e caminham muito. Embora ignorando as verdades da fé, estão ansiosos e põem-se a caminho, como evidenciam os verbos do Evangelho: «viemos adorá-lo» (Mt 2, 2), «puseram-se a caminho; entraram na casa; prostraram-se; regressaram» (cf. Mt 2, 9.11.12): sempre em movimento.

Oferecer. Quando chegaram ao pé de Jesus, depois da longa viagem, os Magos fazem como Ele: dão. Jesus está ali para oferecer a vida; eles oferecem as suas preciosidades: ouro, incenso e mirra. O Evangelho está cumprido, quando o caminho da vida chega à doação. Dar gratuitamente, por amor do Senhor, sem esperar nada em troca: isto é sinal certo de ter encontrado Jesus, que diz «recebestes de graça, dai de graça» (Mt 10, 8). Praticar o bem sem cálculos, mesmo se ninguém no-lo pede, mesmo se não nos faz ganhar nada, mesmo se não nos apetece. Isto é o que Deus deseja. Ele, que Se fez pequenino por nós, pede-nos para oferecermos algo pelos seus irmãos mais pequeninos. E quem são? São precisamente aqueles que não têm com que retribuir, como o necessitado, o faminto, o forasteiro, o preso, o pobre (cf. Mt 25, 31-46). Oferecer um presente agradável a Jesus é cuidar dum doente, dedicar tempo a uma pessoa difícil, ajudar alguém que não nos inspira, oferecer o perdão a quem nos ofendeu. São presentes gratuitos, não podem faltar na vida cristã; caso contrário, como nos recorda Jesus, amando apenas aqueles que nos amam, fazemos como os pagãos (Mt 5, 46-47). Olhemos as nossas mãos, muitas vezes vazias de amor, e procuremos, hoje, pensar num presente gratuito, sem retribuição, que possamos oferecer. Será agradável ao Senhor. E peçamos-Lhe: «Senhor, fazei-me redescobrir a alegria de dar».
Amados irmãos e irmãs, façamos como os Magos: olhar para o Alto, caminhar e oferecer presentes gratuitamente. (cf. Santa Sé)

PARA REZAR


SALMO 71

Refrão: Virão adorar-Vos, Senhor, todos os povos da terra.

Ó Deus, concedei ao rei o poder de julgar
e a vossa justiça ao filho do rei.
Ele governará o vosso povo com justiça
e os vossos pobres com equidade.

Florescerá a justiça nos seus dias
e uma grande paz até ao fim dos tempos.
Ele dominará de um ao outro mar,
do grande rio até aos confins da terra.

Os reis de Társis e das ilhas virão com presentes,
os reis da Arábia e de Sabá trarão suas ofertas.
Prostrar-se-ão diante dele todos os reis,
todos os povos o hão-de servir.

Socorrerá o pobre que pede auxílio
e o miserável que não tem amparo.
Terá compaixão dos fracos e dos pobres
e defenderá a vida dos oprimidos.

SANTOS POPULARES


BEATA MARIA DOLORES RODRIGUEZ SOPEÑA

Dolores Rodríguez Sopeña nasceu em Velez Rubio, Almería, Espanha, em 30 de Dezembro de 1848. Era a quarta de sete irmãos. Os seus pais, Tomás Rodríguez Sopeña e Nicolasa Ortega Salomón tinham deixado Madrid e fixaram-se nesta localidade por motivos de trabalho. Don Tomás tinha completado os seus estudos jurídicos muito jovem e, por isso, ainda não podia exercer a advocacia. Conseguiu emprego, em Velez Rubio, como administrador dos bens do Marquês de Velez.
Dolores passou a sua infância e adolescência em vários lugares da Alpujarras, quando o seu pai começou a desempenhar as funções de juiz e, durante a sua carreira, por razões de trabalho, foi, várias vezes, transferido de localidade. No entanto, Dolores define este período da sua vida como um "lago de tranquilidade."
Em 1866, o seu pai foi nomeado juiz do Tribunal de Almería: Dolores tem, então, 17 anos de idade. Ali, começou a frequentar a sociedade local, como era próprio de uma jovem, filha de um juiz. No entanto, Dolores não se sentia atraída por este estilo de vida em sociedade. O seu verdadeiro interesse era dedicar-se a fazer o bem aos outros.
Em Almería, faz as suas primeiras experiências de apostolado, dirigindo a sua atenção, tanto material como espiritualmente, para os pobres e os enfermos. Particularmente, dedicou-se a duas irmãs que sofreram da febre tifoide e de lepra. Com medo da proibição dos seus pais, fazia, secretamente, estas suas visitas. Nesta altura, começou, também, a visitar os pobres da Conferência de São Vicente de Paulo, agora acompanhada da sua mãe.
Três anos mais tarde, o seu pai foi transferido para o Tribunal de Porto Rico, para onde partiu, primeiramente acompanhado por um dos seus filhos. O resto da família permaneceu em Madrid, por mais algum tempo.
Na capital, Dolores organizou melhor a sua vida: escolheu um director espiritual e passou a trabalhar, dando catequese numa prisão feminina.
Em 1872, toda a família mudou-se para Porto Rico. Dolores tinha 23 anos. Viveu na América até aos 28 anos. Começou, então, o seu contacto com os jesuítas. O Padre Goicoechea foi o seu primeiro director espiritual. Em Porto Rico, fundou a Associação das Filhas de Maria e escolas para as pessoas negras, em que oferece alfabetização e catequese.
Em 1873, o seu pai foi nomeado Juiz do Tribunal de Santiago de Cuba, para onde se locou com a família. Em Cuba, os tempos são difíceis: sentia-se um clima de tensão e de cisma religioso, na ilha. Por esta razão, a actividade de Dolores limitava-se a algumas visitas aos doentes do Hospital Militar. Pediu para ser admitida nas Irmãs de Caridade, mas foi rejeitada, devido a problemas que tinha na vista: com a idade de oito anos, tinha adquirido uma doença nos dois olhos que a prejudicou durante toda a vida.
Tendo sido ultrapassado o clima de tensão religiosa, Dolores começou a trabalhar nos subúrbios de Santiago e fundou o que ela chamou "Centros de Educação". Na verdade, era seu propósito não ensinar somente o catecismo, mas também formar na cultura geral e prestar assistência médica. Este trabalho foi apoiado por muitos colaboradores e realizou-se em três distritos diferentes.
Entretanto, em Cuba, a sua mãe morreu e o pai pediu a sua aposentação, retornando a Madrid, em 1876. De novo em Madrid, Dolores organizou a sua vida em três frentes: o cuidado da casa e o pai; o apostolado - o mesmo que fazia antes de sair da Espanha; e a sua vida espiritual - escolheu um director espiritual e começou a fazer, anualmente, os exercícios espirituais de Santo Inácio.
Em 1883, com a morte do seu pai, surgiu nela o desejo de entrar numa ordem religiosa. Por indicação do seu director espiritual, o Padre Lopez Soldado, entrou para o convento de Salesie, embora nunca antes tivesse pensado numa vida inteiramente contemplativa. Dez dias depois, deixou o convento ao descobrir que não era essa a sua vocação.
Depois da saída do convento, Dolores dedicou-se, mais afincadamente, ao apostolado entre os mais necessitados. Abriu uma "Casa Social", para responder às necessidades das pessoas que encontrava nas suas visitas ao hospital ou à prisão.
Em 1885, Dolores conheceu o Bairro das Injúrias. Observando a vida moral, espiritual e material dos habitantes deste bairro, decidiu realizar um trabalho de visitas, em cada semana, aos moradores deste bairro problemático. Para isso, convidou muitos dos seus amigos que se interessaram por este projecto. Aí, começou o que hoje é chamado "Obra de Doutrinas", antes da criação dos "Centros de Trabalhadores."
Por sugestão do Bispo de Madrid, Mons. Ciríaco Sancha, em 1892, fundou o Apostolado Secular, hoje chamado "Movimento de Leigos Sopeña". No ano seguinte, recebeu a aprovação da autoridade civil e este seu trabalho estendeu-se a oito distritos da capital.
Em 1896, iniciou as suas actividades fora de Madrid. Apesar da oposição de vários membros da associação, o Movimento estabeleceu-se em Sevilha. Após vários desentendimentos com membros da associação, em Madrid, em 1897, Dolores renunciou ao cargo de presidente em Madrid e fixou residência em Sevilha. Em apenas quatro anos, fez 199 viagens, por toda a Espanha, para estabelecer e consolidar o trabalho da “Obra de Doutrinas”.
Em 1900, participou numa peregrinação a Roma, para a celebração do Ano Santo. Fez um dia de retiro, junto do túmulo de São Pedro e, na oração, recebeu a iluminação e a tarefa de fundar um Instituto religioso para continuar o trabalho de “Doutrinas” e que ajudará a apoiar a associação espiritual leiga. O Card. Sancha, na época bispo de Toledo, pediu-lhe para estabelecer este instituto naquela cidade.
Em 24 de Setembro de 1901, em Loyola, na sequência de um curso de exercícios espirituais, feito com oito companheiros, elaborou o acto de início do 'Instituto Dame’ dos catequistas, agora chamado "Instituto Catequético Dolores Sopeña". Porém, a fundação oficial só se verificou no dia 31 de Outubro, em Toledo.
Um dos seus grandes sonhos foi realizado com a criação da associação laical "Serviço Social e Cultural Sopeña - Oscus", que, em 1902, obteve o reconhecimento do governo.
Em 1905, recebeu, da Santa Sé, o Decreto de Louvor (Decretum Laudis); dois anos depois, em 21 de Novembro de 1907, o Papa Pio X aprovou as Constituições do seu Instituto Catequético.
Durante esses anos, as suas "Doutrinas" foram transformados em "Centros de Trabalhadores da Educação," porque havia, entre os trabalhadores, pessoas fortemente imbuídas de anti-clericalismo e não podia ser programada uma instrução abertamente religiosa. Este facto também determinou que as religiosas deste “Instituto Catequético” não podiam usar o hábito tradicional ou até mesmo qualquer sinal religioso. Dolores e as religiosas do seu Instituto tiveram de se adaptar, mudando os seus métodos para poderem alcançar a meta pretendida: “chegar perto dos trabalhadores afastados da Igreja ".
Por detrás das suas actividades ao serviço dos outros, há uma fé profunda e autêntica; uma rica espiritualidade. O seu compromisso com a dignidade da pessoa brota da sua experiência de vida com Deus que é Pai de todos; que nos ama com uma ternura infinita e que nos quer a viver como filhos e irmãos.
Estender a mão a todas as pessoas marginalizadas do seu tempo, era inconcebível para uma mulher, nos finais do século XIX. O segredo da sua audácia é sua fé e a sua confiança ilimitada, em Deus. Este é o seu maior tesouro e que a faz sentir-se um instrumento nas mãos de Deus, um instrumento da fraternidade, do amor, da misericórdia, da igualdade, da dignidade, da justiça e da paz…
Em poucos anos, Dolores estabeleceu centros comunitários nas cidades mais industrializadas do seu tempo. Em 1910, realizou o primeiro Capítulo-Geral do Instituto e foi reeleita Superiora-Geral. Em 1914, fundou uma casa em Roma e, em 1917, o primeiro catequista embarca para o Chile, onde abre a primeira casa do instituto, na América. Actualmente, a obra instituída por Dolores Sopeña está presente em Espanha, Itália, Argentina, Colômbia, Cuba, Chile, Equador, México e República Dominicana.
Dolores Sopeña morreu, em Madrid, no dia 10 de Janeiro de 1918.
Foi beatificada pelo Papa João Paulo II, no dia 23 Março de 2003. Na homilia da missa de beatificação, o Papa disse:  "Eu sou o Senhor, teu Deus, que te fez sair da terra do Egipto, da casa da escravidão" (Êx 20,1). A grande revelação do Sinai mostra-nos Deus que resgata e liberta de toda a escravidão, levando depois à plenitude este desígnio no mistério redentor do seu único Filho, Jesus Cristo. Como deixar de fazer chegar esta sublime mensagem, sobretudo aos que não O sentem no seu coração, porque não conhecem o Evangelho?
Maria Dolores Rodríguez Sopeña sentiu esta necessidade e quis enfrentar o desafio de tornar presente a redenção de Cristo no mundo do trabalho. Por isso, propôs-se como meta "fazer de todos os homens uma só família em Jesus Cristo" (Constituições de 1907). Este espírito cristalizou-se nas três entidades fundadas pela nova Beata: o Movimento dos Leigos Sopeña, o Instituto de Damas Catequistas, hoje chamadas Catequistas Sopeña, e a Obra Social e Cultural Sopeña. Através delas, na Espanha e na América Latina, tem continuidade uma espiritualidade que fomenta a construção de um mundo mais justo, anunciando a mensagem salvífica de Jesus Cristo...”
A memória litúrgica da Beata Maria Dolores Rodriguez Sopeña faz-se no dia 10 de Janeiro.


segunda-feira, 1 de janeiro de 2018

EM DESTAQUE


- 1 DE JANEIRO: DIA MUNDIAL DA PAZ

A Igreja celebra o 51º Dia Mundial da Paz sob o lema: “Migrantes e refugiados: homens e mulheres em busca de paz”. Da mensagem do Papa Francisco, transcrevemos:

“Votos de paz
Paz a todas as pessoas e a todas as nações da terra! A paz, que os anjos anunciam aos pastores na noite de Natal, é uma aspiração profunda de todas as pessoas e de todos os povos, sobretudo de quantos padecem mais duramente pela sua falta. Dentre estes, que trago presente nos meus pensamentos e na minha oração, quero recordar de novo os mais de 250 milhões de migrantes no mundo, dos quais 22 milhões e meio são refugiados. Estes últimos, como afirmou o meu amado predecessor Bento XVI, «são homens e mulheres, crianças, jovens e idosos que procuram um lugar onde viver em paz». E, para o encontrar, muitos deles estão prontos a arriscar a vida numa viagem que se revela, em grande parte dos casos, longa e perigosa, a sujeitar-se a fadigas e sofrimentos, a enfrentar arames farpados e muros erguidos para os manter longe da meta.
Com espírito de misericórdia, abraçamos todos aqueles que fogem da guerra e da fome ou se veem constrangidos a deixar a própria terra por causa de discriminações, perseguições, pobreza e degradação ambiental.
Estamos cientes de que não basta abrir os nossos corações ao sofrimento dos outros. Há muito que fazer antes de os nossos irmãos e irmãs poderem voltar a viver em paz numa casa segura. Acolher o outro requer um compromisso concreto, uma corrente de apoios e beneficência, uma atenção vigilante e abrangente, a gestão responsável de novas situações complexas que às vezes se vêm juntar a outros problemas já existentes em grande número, bem como recursos que são sempre limitados. Praticando a virtude da prudência, os governantes saberão acolher, promover, proteger e integrar, estabelecendo medidas práticas, «nos limites consentidos pelo bem da própria comunidade retamente entendido, [para] lhes favorecer a integração». Os governantes têm uma responsabilidade precisa para com as próprias comunidades, devendo assegurar os seus justos direitos e desenvolvimento harmónico, para não serem como o construtor insensato que fez mal os cálculos e não conseguiu completar a torre que começara a construir…” (cf. Santa Sé)




- solenidade de santa maria, mãe de deus

No primeiro dia do ano, a Igreja celebra a Solenidade de Santa Maria, Mãe de Deus. Desde o início, a Igreja afirma que Maria é a Mãe de Deus, invocando-a com a expressão “Theotokos”, que em grego significa, precisamente, “Mãe de Deus”. Este título aparece nas catacumbas debaixo da cidade de Roma e em antigos monumentos do Oriente.
No Concílio de Éfeso, no ano 431 - cidade onde, segundo a tradição, a Virgem Maria passou os seus últimos anos, os Bispos e os Padres da Igreja declararam: “Sim! A Virgem Maria é Mãe de Deus porque o seu Filho, Cristo, é Deus”.
A “Maternidade de Maria” é uma das primeiras festas marianas da cristandade e celebrava-se no dia 26 de Dezembro, o dia a seguir ao Natal. Com a reforma litúrgica de 1969, a “Maternidade de Maria” passou a ser celebrada no dia 1 de Janeiro, dia em que, um ano antes, em 1968, o Papa Paulo VI havia instituído, para esta mesma data, o Dia Mundial da Paz. Assim, o primeiro dia do ano, a Igreja celebra Maria como Mãe de Deus e reza pela paz.
Em Novembro de 1996, o Papa João Paulo II explicou que “a expressão ‘Mãe de Deus’ nos orienta para o Verbo de Deus que, na Encarnação, assumiu a humildade da condição humana para elevar o homem à filiação divina”(…) “Mas, este título - à luz da sublime dignidade concedida à Virgem de Nazaré – proclama, também, a nobreza da mulher e a sua altíssima vocação. De facto, Deus trata Maria como pessoa livre e responsável e não realiza a encarnação do seu Filho a não ser depois de ter obtido o seu consentimento”. (cf. acidigital)


- VOTOS DE ANO NOVO

O Pároco de Santa Maria da Feira deseja a todos os paroquianos, todos os leitores e todos os homens e mulheres de boa vontade que vivem entre nós, um FELIZ, PRÓSPERO E SANTO Ano Novo.

DA PALAVRA DO SENHOR


- DOMINGO DA SAGRADA FAMÍLIA
        
“…Deus quis honrar os pais nos filhos
 e firmou sobre eles a autoridade da mãe.
 Quem honra seu pai obtém o perdão dos pecados
 e acumula um tesouro quem honra sua mãe.
 Quem honra o pai encontrará alegria nos seus filhos
 e será atendido na sua oração.
 Quem honra seu pai terá longa vida,
 e quem lhe obedece será o conforto de sua mãe…(cf. Lucas 1, 28-33)

Neste Domingo da Sagrada Família – Jesus, Maria e José - dia tão importante para as famílias cristãs, não podemos deixar de lembrar todas as famílias do mundo, rezando para que fortaleçam os seus laços, cuidem dos seus membros e construam lares de felicidade, de partilha e de perdão.
Partilhamos um texto do Papa Francisco, sobre o tema: “Família: lugar de perdão”

“…Não existe família perfeita. Não temos pais perfeitos; não somos perfeitos; não nos casamos com uma pessoa perfeita, nem temos filhos perfeitos. Temos queixas uns dos outros. Decepcionámo-nos uns aos outros. Por isso, não há casamento saudável, nem família saudável, sem o exercício do perdão. O perdão é vital para a nossa saúde emocional e para a nossa sobrevivência espiritual. Sem perdão, a família torna-se numa arena de conflitos e num reduto de mágoas. Sem perdão a família adoece. O perdão purifica a alma, lava a mente e liberta o coração. Quem não perdoa não tem paz na alma, nem comunhão com Deus. A mágoa é um veneno que intoxica e mata. Guardar mágoas no coração é um gesto autodestrutivo. É autofagia. Quem não perdoa adoece física, emocional e espiritualmente. É por isso que a família precisa de ser lugar de vida e não de morte; território de cura e não de adoecimento; palco de perdão e não de culpa. O perdão traz alegria onde a mágoa produziu tristeza; cura, onde a mágoa causou doença…”


PALAVRA DO PAPA FRANCISCO


- resumo da Palavra do Papa, na Audiência - Geral, na Praça de São Pedro, Roma no dia 27 de Dezembro

A construção do presépio e sobretudo as celebrações litúrgicas, com as suas leituras bíblicas e os seus cânticos tradicionais, fazem-nos reviver hoje o Natal do Deus Menino, levando-nos a procurar e a reconhecer a verdadeira luz, que é Jesus. Fez-Se homem como nós, mas apresentou-Se de maneira surpreendente: nasceu duma família humilde e desconhecida, na pobreza dum curral; nasceu da Virgem Maria como qualquer criança deste mundo, mas não veio «da terra», veio do Pai celeste. O mundo não se deu conta de nada, mas os anjos exultam no Céu e vieram dar notícia aos marginalizados da sociedade: os pastores de Belém. São eles os primeiros destinatários da salvação trazida pelo Deus Menino. Sobre eles refulgiu uma grande luz, que os levou até Jesus. E é assim que Ele Se apresenta também a nós: como o dom de Deus para uma humanidade imersa na noite e na sonolência. Jesus é um dom de Deus para nós. E como se acolhe este dom de Deus que é Jesus? Como Ele próprio nos ensinou com a sua vida: tornando-nos diariamente um dom para as pessoas que se cruzam connosco. Por isso mesmo, no Natal, trocamos dons entre nós. Mas, para nós, o verdadeiro dom é Jesus e, como Ele, queremos ser dom para os outros. Assim Jesus não cessará jamais de nascer na vida de cada um de nós e, por nosso intermédio, continuará a ser dom de salvação para os humildes e marginalizados da terra. (cf. Santa Sé)


PARA REZAR


SALMO 127

Refrão: Ditosos os que temem o Senhor;
            ditosos os que seguem os seus caminhos.

Feliz de ti, que temes o Senhor
e andas nos seus caminhos.
Comerás do trabalho das tuas mãos,
serás feliz e tudo te correrá bem.

Tua esposa será como videira fecunda
no íntimo do teu lar;
teus filhos serão como ramos de oliveira
ao redor da tua mesa.

Assim será abençoado o homem que teme o Senhor.
De Sião te abençoe o Senhor:
vejas a prosperidade de Jerusalém
todos os dias da tua vida.

SANTOS POPULARES


SÃO MANUEL GONZÁLEZ GARCIA

Manuel González Garcia nasceu em Sevilha, Espanha, no dia 25 de Fevereiro de 1877. Era filho de Martin Gonzalez Lara, carpinteiro, e de Antónia Garcia Pérez, ambos naturais de Antequera, Málaga, mas domiciliados em Guadalquivir desde o seu casamento. O casal teve cinco filhos: o primeiro morreu pouco depois do nascimento; os que sobreviveram eram três rapazes - Francisco, Martin e Manuel - e uma menina, Antónia, que, mais tarde, será a companheira inseparável do seu irmão Manuel. A família era muito católica e assiduamente praticante, sobretudo a mãe, piedosa senhora que, desde a mais tenra juventude, nunca deixara de assistir à Missa e de comungar todos os dias.
Manuel passou a sua infância junto dos seus pais e dos seus irmãos. Embora em casa nada de essencial lhe faltasse, alguns dos seus desejos pueris nunca puderam ser satisfeitos, como, por exemplo, possuir um burrico com o qual brincar e passear. Todavia, o facto de não terem sido atendidos alguns destes anseios de criança levou-o, anos mais tarde, a dar graças a Deus, porque com isso, dizia ele, aprendera a bem governar os seus gostos pessoais, a ter um conhecimento mais real da vida e a compadecer-se dos necessitados.
Fez a Primeira Comunhão no dia 11 de Maio de 1886. Como era costume na época, recebeu o Sacramento do Crisma em Dezembro desse mesmo ano.
Nessa altura, pôde realizar uma das suas grandes aspirações infantis: fazer parte dos ‘seises’: os famosos meninos que, por especial privilégio, dançam diante do Santíssimo Sacramento, na Catedral de Sevilha.
Fortalecido na fé pelos Sacramentos, começou a crescer no pequeno Manuel o desejo profundo de ser padre. Os seus pais não escondiam o contentamento de poderem, um dia, ver o filho subir ao altar, para celebrar o Santo Sacrifício, mas o desvelo materno não deixava de apontar a seriedade com que deveria ser feita a escolha: “Meu filho, muito nos agradaria ver-te sacerdote; porém, se o Senhor não te chama, não o sejas; desejo mais que sejas um bom cristão, que um mau sacerdote”.
Uma vez, quando tinha 12 anos, Manuel desapareceu de casa. Caiu a noite e não havia indícios de onde pudesse ser encontrado. Em vão, procuram-no em todas as igrejas onde costumava ir. Grande aflição já se fazia sentir entre os seus familiares quando, em determinado momento, o rapaz chegou e pediu perdão aos pais pelo tardio da hora. Então, apresentou-lhes alguns papéis e explicou que voltava do Seminário Menor, onde a sua matrícula acabava de ser aceite, por ter sido aprovado no exame de admissão. Apesar de saber que os pais não se oporiam à sua decisão, resolvera dar, sozinho, os primeiros passos, não esperando ter mais idade para responder ao chamamento que fervilhava na sua alma…
De imaginação viva, grande capacidade intelectual e um coração cheio de generosos sentimentos, conseguiu, por sua constância e vontade firme, passar por todas as dificuldades da primeira etapa do seminário, desde assaltos de escrúpulos e doenças, até investidas contra o sacerdócio, vindas dos sítios mais inesperados…
Certa manhã, em plena sala de aulas, um dos seus professores pronunciou-se, em tons de brincadeira e de troça, contra o celibato eclesiástico. Ao ouvi-lo, Manuel pôs-se de pé e, cheio de brio, declarou: “É indigno que um professor se atreva a falar, com tão pouco respeito, desta delicada matéria. Não podemos consentir que se fale desta maneira aos que nos preparamos para o sacerdócio. Eu protesto com toda a minha alma!”.
Irritou-se o professor ao ser repreendido por um aluno e a aula terminou num clima de tensão. À saída, os seus condiscípulos aplaudiram-no com entusiasmo por aquele acto de coragem e de ousadia. No dia seguinte, o professor rectificou, perante os alunos, a sua opinião e pediu-lhes desculpa pelo seu erro.
Outro facto da época de seminarista revela-nos o seu zelo pela vocação: aproximando-se o tempo do serviço militar, colocou a sua causa nas mãos do Sagrado Coração de Jesus e de Maria Imaculada, pedindo-Lhes que o livrassem deste risco para a sua vocação. No entanto, acabou por ser incorporado nas fileiras militares… Confiante, não se perturbou. Tinha, ainda, a possibilidade de obter a dispensa, pagando um indulto de 1.500 pesetas. Apresentou-se ao reitor do seminário e pediu autorização para recolher, entre os seus conhecidos, a quantia necessária. Escreveu uma carta circular a todos os que julgava com possibilidades de o ajudarem. Nessa carta, discorria sobre o mérito de quem ajudava os seminaristas, suprindo às suas necessidades. Expunha, em seguida, a dificuldade na qual se encontrava e pedia auxílio para salvar a sua vocação, livrando-a dos perigos de uma vida de quartel e do significativo atraso nos estudos. A quantia arrecadada chegou em tal abundância que, além de ter sido suficiente para ele, lhe permitiu também auxiliar outro seminarista em situação análoga.
“Que eu não perca minha vocação”, era seu lema. O futuro sacerdote – e, mais tarde, Bispo – tinha bem clara a noção de que, por mais que os ventos sejam contrários, uma pessoa só não cumpre o convite recebido de Deus por falta de entrega a Ele ou por negligência.
Depois de ter sido ordenado diácono, no dia 11 de Junho de 1901, foi enviado a colaborar em inúmeras missões populares, em diversas aldeias. Tinha no coração grandes sonhos evangelizadores, mas logo começou a dar-se conta de uma terrível realidade: “Para ser franco, as primeiras missões decepcionaram-me. Muitas vezes, voltava para o seminário com uma desilusão tão grande quanto havia sido a minha alegria ao apanhar o comboio, o carro ou o cavalo, que me levaria ao povoado para exercer as minhas funções. Ansioso por encontrar aquele povo simples, aprazível e cristão, deparava-me com miniaturas de cidades grandes, com toda a corrupção moral destas… […] Na verdade, nem tudo era desapontamento e desencanto, pois encontrei também costumes cristianíssimos, conservados em toda a sua força, e preciosos exemplos de fé simples, de corações sadios, de costumes patriarcais, gente parecida à sonhada por mim… Contudo, tais pessoas não eram todo o povoado, e não havia gente assim em todos os povoados”.
Apesar de não ver nos aldeões a sede das coisas divinas - e talvez, exactamente, por este motivo! -, desejava ser para as almas como Cristo, na Sagrada Hóstia: doar-se com amor até ao sacrifício e por toda a vida. Com este propósito no coração, foi ordenado presbítero, no dia 21 de Setembro de 1901, aos 24 anos de idade.
Passou os três primeiros anos da sua vida sacerdotal a pregar nas igrejas da Diocese de Sevilha. Incansável na cura de almas, também o era no zelo por Jesus Sacramentado. Numa das suas missões, em Palomares del Río - cidade-fantasma em matéria de prática religiosa cristã e de frequência dos sacramentos -, recebeu o chamamento divino para ser reparador dos “Sacrários Abandonados”. Tendo ouvido, do sacristão, o relato da pouca piedade dos seus habitantes, descreveu-nos, ele mesmo, o que se passou: “Fui directo ao sacrário da restaurada igreja, em busca de asas para o meu entusiasmo quase desfalecido e… que sacrário! Que esforços a minha fé e o meu ânimo tiveram de fazer para que eu não montasse no burro - que ainda estava amarrado à porta da igreja - e fosse a correr para minha casa! Mas não fugi! […] Ali, de joelhos, diante daquele monte de farrapos e de sujeira, a minha fé via, através daquela velha portinha, um Jesus tão calado, tão paciente, tão menosprezado, tão bom, que me fitava… Parecia-me que, depois de percorrer com a sua vista aquele deserto de almas, pousava em mim o seu olhar, entre triste e suplicante, que me dizia muito e me pedia mais…”.
A partir de então, foi, durante toda a sua vida, um adorador e reparador de Nosso Senhor abandonado nos sacrários. Procurou transmitir o seu espírito de reparação a todos os que se colocaram sob sua direcção, sobretudo aos sacerdotes, pois bem sabia que do exemplo deles depende muito a fé e a devoção do povo católico.
A graça recebida em Palomares del Río marcou, profundamente, o espírito do Padre Manuel. Sempre que contava este episódio, parecia revivê-lo. Foi esta graça, ali recebida, que deu rumo ao seu ministério sacerdotal e a muitas das suas iniciativas pastorais.
Como Capelão de um asilo, em Sevilha, promoveu a adoração ao Santíssimo Sacramento entre os anciãos, com o intuito de que eles, na sua solidão, fizessem companhia ao Grande Abandonado do sacrário. E nunca perdiam a sua hora de vigília! Nascia, assim, uma espécie de “Irmandade dos Abandonados”, os primeiros reparadores do “Sacrário Abandonado”.
Aos 28 anos, foi nomeado, pelo Arcebispo de Sevilha, arcipreste de Huelva, cidade que jazia numa deplorável decadência moral e espiritual. “Que selva espessa e que nuvem negra me esperavam em Huelva!”. Experimentava terríveis provações, quando recebeu do Bispo de León o convite para ser seu secretário. Colocou a decisão nas mãos do seu Arcebispo e recebeu ordem de ficar em Huelva. “Sei bem que não foste ordenado sacerdote para fazer carreira, nem para ganhar cidades e fortalezas, mas para ganhares almas”, argumentou o prelado.
O estado em que se encontrava o sacrário revelava, ao padre Manuel, a medida da vida moral e espiritual da freguesia. Às paróquias vazias ou às igrejas com sacrários abandonados costumava denominá-las “Calvários”. Para reverter tal situação, inaugurou a ‘Obra das Três Marias’, composta por um grupo de piedosas colaboradoras das suas actividades apostólicas, às quais lançou este grande desafio: “Marias adoradoras, ante os olhos dos fariseus modernos e as ingratidões do povo que foi cristão, e perante a covardia e a preguiça dos discípulos, ocupai o vosso posto ‘iuxta crucem cum Maria Mater eius – junto à Cruz com Maria, sua Mãe (de Jesus)’ ”.
Mais tarde, o Padre Manuel Garcia fundou a obra dos ‘Discípulos de São João’. Ambas as iniciativas tinham por objectivo primordial incentivar os fiéis - homens e mulheres - a promoverem a adoração e a reparação diante dos “sacrários-calvários”, a exemplo de Maria Santíssima, Maria Madalena, Maria de Cléofas e São João Evangelista, aos pés da Cruz.
Para seu consolo, estes empreendimentos difundiram-se rápida e largamente. A eles se uniram várias outras obras: Missionários Eucarísticos Diocesanos; Missionárias Eucarísticas de Nazaré, de religiosas; Missionárias Auxiliares Nazarenas, de leigas consagradas; Reparação Infantil Eucarística e Juventude Eucarística Reparadora.
Sobre o seu intenso trabalho para reparar os “Sacrários Abandonados”, dizia: “Não é que não existam, ou nos importem pouco, outros males que ofendem a Deus e afligem os nossos irmãos; mas, deixamos a outras obras e instituições - nascidas ou especializadas para isso - o remédio para os outros males, pois estes não são mais que efeito ou sintomas do gravíssimo e transcendental mal do abandono”.
Em Dezembro de 1915, o Padre Manuel González Garcia foi nomeado Bispo titular de Olimpo e auxiliar de Málaga, recebendo a ordenação episcopal em Janeiro de 1916. Em 1920, ao tornar-se Bispo Málaga, fundamentou sua acção pastoral em três pilares: a formação dos sacerdotes; a educação religiosa das crianças; o cultivo de uma piedade autêntica, entre os fiéis. A cada um destes aspectos deu uma atenção especial, apesar de sentir que Deus o chamou a ser reparador dos “Sacrários Abandonados”. A formação dos futuros sacerdotes levou-o a fundar um seminário em Málaga. Incansável nesta tarefa, Dom Manuel lutou muito para que os sacerdotes estivessem bem preparados e conscientes da importância da sua missão.
Preocupado com a secularização que invadia a Europa e que influenciava até os próprios sacerdotes, exortava-os: “Se o amor que o meu Jesus tem é amor de Hóstia, eu devo ser para Jesus hóstia de amor. Se Jesus é a minha Hóstia de todos os dias e de todas as horas, não devo aspirar e preparar-me para ser a sua hóstia de todas as horas e de todos os dias?” Para além disso, procurava sempre incutir-lhes a convicção de que, ao ser ordenado, o sacerdote deixa de ser um “homem comum”. A pessoa do presbítero fica inteiramente marcada pelo seu ministério; não se trata de uma função a ser exercida apenas por algumas horas diárias. Por isso, alertava-os: “Sacerdotes, meus irmãos, sabei que cada vez que vos vestis de homem, falais como homem, aspirais e ambicionais como homem, olhais os vossos irmãos e os vossos superiores como homem, conduzis-vos na sociedade como homem e não como sacerdote. A revolução secularizadora conquista um triunfo e o espírito cristão sofre uma derrota. Não vos esqueçais de que em ser e viver como sacerdote está toda a vossa honra, a vossa força e a fecundidade da missão que Deus e a Igreja vos confiaram”.
Em Maio de 1931, o anticlericalismo tomou conta das ruas da Espanha. Igrejas e conventos foram queimados e profanados das formas mais bárbaras e inumanas. A cidade de Málaga foi uma das mais afectadas pela onda do ódio religioso. Imagens históricas de Nosso Senhor e de Nossa Senhora arderam na praça pública e, junto com elas, pinturas, documentos e valiosas peças litúrgicas. Há pouco mais de uma década à frente da Diocese de Málaga, Dom Manuel vê o seu palácio episcopal a ser consumido pelas chamas e sem meios para as combater. Para salvar a própria vida procurou refúgio em Gibraltar. Ali permaneceu exilado durante alguns meses. Mais tarde, fixou-se em Ronda mas, logo a seguir, partiu para Madrid, de onde acompanhava os acontecimentos da sua diocese. Em 1935, foi nomeado Bispo de Palência, cidade em que passou o último período da sua vida.
Em Novembro de 1939, a sua saúde, já debilitada, sofreu um grande abalo, com uma enfermidade renal. Em 31 de Dezembro, foi internado no Sanatório do Rosário, em Madrid, onde, na madrugada do dia 4 de Janeiro de 1940, com 62 anos de idade, entregou a sua alma a Deus.
Os seus restos mortais foram depositados aos pés do altar do Santíssimo Sacramento, na Catedral de Palência. Na lápide de mármore branco, ficou gravado o seguinte epitáfio, por ele mesmo composto: “Peço para ser enterrado junto a um sacrário, para que os meus ossos, depois de morto, como a minha língua e a minha pena durante a vida, estejam sempre dizendo aos passantes: Aí está Jesus! Aí está! Não O deixeis abandonado!”
D. Manuel González Garcia foi beatificado pelo Papa João Paulo II, no dia 29 de Abril de 2001, em Roma e canonizado pelo Papa Francisco, no dia 16 de Outubro de 2016.

A memória litúrgica de São Manuel González Garcia celebra-se no dia 4 de Janeiro.

segunda-feira, 25 de dezembro de 2017

DA PALAVRA DO SENHOR


- IV DOMINGO DO ADVENTO
        
“…«Ave, cheia de graça, o Senhor está contigo».
(…) «Não temas, Maria,
 porque encontraste graça diante de Deus.
 Conceberás e darás à luz um Filho,
 a quem porás o nome de Jesus.
 Ele será grande e chamar-Se-á Filho do Altíssimo.
 O Senhor Deus Lhe dará o trono de seu pai David;
Reinará eternamente sobre a casa de Jacob
 e o seu reinado não terá fim»…” (cf. Lucas 1, 28-33)

PALAVRA DO PAPA FRANCISCO


- na Audiência - Geral, na Praça de São Pedro, Roma no dia 20 de Dezembro

Prezados irmãos e irmãs, bom dia!

Hoje gostaria de entrar no concreto da celebração eucarística. A Missa é composta por duas partes: a Liturgia da Palavra e a Liturgia Eucarística, tão estreitamente unidas entre si, que formam um único acto de culto (cf. Sacrosanctum concilium, 56; Ordenamento Geral do Missal Romano, 28). Portanto, iniciada por alguns ritos preparatórios e concluída por outros, a celebração é um único corpo que não se pode separar. Mas, para uma melhor compreensão, procurarei explicar os seus vários momentos, cada um dos quais é capaz de tocar e abranger uma dimensão da nossa humanidade. É necessário conhecer estes santos sinais para viver plenamente a Missa e apreciar toda a sua beleza.
Quando o povo está reunido, a celebração começa com os ritos introdutórios, que incluem a entrada dos celebrantes ou do celebrante; a saudação “O Senhor esteja convosco” ou “A paz esteja convosco”; o acto penitencial com a oração “Confesso”, na qual pedimos perdão pelos nossos pecados; o Kyrie eleison; o hino do Glória e a oração colecta. Chama-se “oração colecta” não porque ali se faz a colecta das ofertas, mas a colecta das intenções de oração de todos os povos. E esta colecta da intenção dos povos eleva-se ao céu como uma prece. A finalidade destes ritos introdutórios é fazer com «que os fiéis reunidos formem comunidade e se predisponham a ouvir, com fé, a palavra de Deus e a celebrar dignamente a Eucaristia» (Ordenamento Geral do Missal Romano, 46). Não é um bom hábito olhar para o relógio e dizer: “Estou a tempo, chego depois do sermão e assim cumpro o preceito”. A Missa começa com o sinal da cruz, com estes ritos introdutórios, porque ali começamos a adorar a Deus como comunidade. E, por isso, é importante procurar não chegar atrasado mas, pelo contrário, devemos chegar antecipadamente, a fim de preparar o coração para este rito, para esta celebração da comunidade.
Geralmente, enquanto se executa o cântico de entrada, o sacerdote com os outros ministros chega, processionalmente, ao presbitério e, aqui, saúda o altar com uma inclinação e, em sinal de veneração, beija-o e, quando há incenso, incensa-o. Porquê? Porque o altar é Cristo: é figura de Cristo. Quando fitamos o altar, olhamos precisamente para onde está Cristo. O altar é Cristo. Estes gestos, que correm o risco de passar despercebidos, são muito significativos, porque exprimem, desde o início, que a Missa é um encontro de amor com Cristo o qual, «oferecendo o seu corpo na cruz [...] se tornou altar, vítima e sacerdote» (Prefácio pascal V). Com efeito, sendo sinal de Cristo, o altar «é o centro da acção de graças que se realiza com a Eucaristia» (Ordenamento Geral do Missal Romano, 296), com toda a comunidade em volta do altar, que é Cristo; não para nos olharmos na cara, mas para fitar Cristo, porque Cristo está no centro da comunidade e não longe dela.
Depois há o sinal da cruz. O sacerdote que preside faz o sinal da cruz e, de igual modo, o fazem todos os membros da assembleia, conscientes de que o acto litúrgico se realiza «em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo». E, aqui, quero referir um pormenor: Vedes como as crianças fazem o sinal da cruz? Não sabem o que fazem: às vezes, fazem uma gatafunhada, que não é o sinal da cruz. Por favor: mãe e pai, avós, ensinai às crianças, desde o início - desde pequeninos - a fazer bem o sinal da cruz. E explicai-lhes que isso significa ter a Cruz de Jesus como protecção. A Missa começa com o sinal da cruz. Toda a oração move-se, por assim dizer, no espaço da Santíssima Trindade - “Em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo” - que é espaço de comunhão infinita; tem como origem e fim o amor de Deus, Uno e Trino, manifestado e doado a nós, na Cruz de Cristo. Com efeito, o seu mistério pascal é dom da Trindade e a Eucaristia brota sempre do seu Coração trespassado. Portanto, fazendo o sinal da cruz, não só recordamos o nosso Baptismo mas, também, afirmamos que a prece litúrgica é o encontro com Deus, em Jesus Cristo, que por nós se encarnou, morreu na cruz e ressuscitou glorioso.
Em seguida, o sacerdote dirige a saudação litúrgica, com a expressão: «O Senhor esteja convosco», ou outra semelhante - existem diversas - e a assembleia responde: «E com o teu espírito». Estamos em diálogo; estamos no início da Missa e temos que pensar no significado de todos estes gestos e palavras. Entramos numa “sinfonia”, na qual ressoam vários tons de vozes, e inclusive momentos de silêncio, em vista de criar o “acordo” entre todos os participantes, ou seja, de nos reconhecermos animados por um único Espírito e por um mesmo fim. Com efeito, «a saudação sacerdotal e a resposta do povo manifestam o mistério da Igreja congregada» (Ordenamento Geral do Missal Romano, 50). Exprime-se assim a fé comum e o desejo recíproco de estar com o Senhor e de viver a unidade com a humanidade inteira.
Esta é uma sinfonia orante, que se vai criando e apresenta, logo a seguir, um momento muito comovedor, pois quem preside convida todos a reconhecer os seus próprios pecados. Todos somos pecadores. Não sei, talvez algum de vós não seja pecador... Se alguém não é pecador, levante a mão, por favor; assim todos veremos. Mas não há mãos levantadas, está bem: tendes uma boa-fé! Todos somos pecadores; é por isso que, no início da Missa, pedimos perdão. É o acto penitencial. Não se trata apenas de pensar nos pecados cometidos, mas muito mais: é o convite a confessar-nos pecadores, diante de Deus e da comunidade - perante os irmãos - com humildade e sinceridade, como o publicado no templo. Se, verdadeiramente, a Eucaristia torna presente o Mistério pascal, ou seja, a passagem de Cristo da morte para a vida, então a primeira coisa que devemos fazer é reconhecer quais são as nossas situações de morte para poder ressuscitar com Ele para a nova vida. Isto leva-nos a compreender como é importante o acto penitencial. E, por isso, retomaremos este tema na próxima catequese.
Vamos, passo a passo, na explicação da Missa. Mas recomendo-vos: por favor, ensinai bem as crianças a fazer o sinal da cruz! (cf. Santa Sé)

PARA REZAR


SALMO 88

Refrão: Cantarei eternamente as misericórdias do Senhor.

Cantarei eternamente as misericórdias do Senhor
e para sempre proclamarei a sua fidelidade.
Vós dissestes: «A bondade está estabelecida para sempre»,
no céu permanece firme a vossa fidelidade.

«Concluí uma aliança com o meu eleito,
fiz um juramento a David meu servo:
‘Conservarei a tua descendência para sempre,
estabelecerei o teu trono por todas as gerações’».

«Ele Me invocará: ‘Vós sois meu Pai,
meu Deus, meu Salvador’.
Assegurar-lhe-ei para sempre o meu favor,
a minha aliança com ele será irrevogável».