PALAVRA COM SENTIDO

PALAVRA COM SENTIDO

“…Hás-de temer o Senhor, teu Deus…” (cf. Deuteronómio 6, 2)

Só Deus é Deus e Senhor. E não há outro Deus a quem amar, servir, adorar, acreditar, rezar, agradecer… Temer o Senhor não é ‘ter medo de Deus’. Não precisamos ter medo de Deus: Ele é amor, perdão, misericórdia, alegria, paz, salvação e esperança… Temer o Senhor é reconhecer a grandeza do seu poder; a santidade do seu nome; a ternura que nos dedica; a alegria da vida que nos oferece. Temer o Senhor é acolher a sua Palavra; cumprir os seus mandamentos; responder com fidelidade aos seus apelos; confiar na sua promessa e anunciá-la com a bondade dos nossos gestos. Quem ‘teme a Deus’ procura fazer tudo para não pecar contra ele; fazer nascer no coração o receio e a tristeza de o poder ofender. O apelo feito pela palavra de Deus aponta-nos o caminho da verdade, da justiça, da caridade, da compaixão. Uma grande exigência que nos trará a felicidade e a bênção.

quarta-feira, 20 de junho de 2018

SANTOS POPULARES



BEATO ANDRÉ JACINTO LONGHIN

André Jacinto Longhin nasceu, em Fiumicello de Campodársego, Pádua, Itália, numa humilde família de camponeses, no dia 22 de Novembro de 1863. Foi baptizado no dia seguinte com os nomes de Jacinto Boaventura.
Aos 16 anos, decidiu fazer-se frade Capuchinho, contrariando a vontade do seu pai que não queria privar-se - no trabalho dos campos - do seu único filho. Jacinto não desistiu e vestiu o hábito Capuchinho, em Bassano de Grappa, Vicenza, no dia 27 de Agosto de 1879, assumindo o nome de André: Frei André de Campodarsego.
Completou os estudos no convento de Pádua e, aí, emitiu a profissão solene a 4 de Outubro de 1883. Fez os estudos teológicos em Veneza, onde foi ordenado sacerdote a 19 de Junho de 1886.
Em 1888, foi director espiritual e professor no Seminário dos Capuchinhos de Údine; em 1889, foi director e professor dos clérigos capuchinhos, em Pádua; em 1891, dos clérigos teólogos, em Veneza. Foi eleito superior provincial dos Capuchinhos venezianos, em 18 de Abril de 1902.
Em 16 de Abril de 1904, o Papa Pio X (São Pio X) nomeou-o bispo da sua Diocese natal de Treviso, comprazendo-se por ter “escolhido uma das flores mais belas da Ordem dos Capuchinhos”, para a própria Diocese. Em 12 de Agosto de 1907, o Papa exprimiu o quanto admirava o Bispo de Treviso: “É um dos meus filhos primogénitos com que presenteei a Diocese predilecta, e alegro-me todas as vezes em que oiço falar bem dele: “… é verdadeiramente santo, douto, um bispo dos tempos antigos, que deixará na Diocese uma marca indelével do seu zelo apostólico…”.
Ordenado bispo em Roma, a 17 de Abril de 1904, entrou em Treviso a 6 de Agosto, decidido a ser o bom pastor, não poupando “nem fadigas nem sacrifícios, disposto a dar” pela sua Igreja todo o seu “sangue e mesmo a vida”. Durante 32 anos foi “o bom pastor da Igreja de Treviso”, continuando a viver a austeridade e a pobreza Capuchinha.
O anúncio da palavra foi um dos seus mais ambicionados ministérios. Sob o exemplo de São Pio X, teve como empenho apostólico o ensino do catecismo às crianças, nos círculos das associações de jovens, e aos homens católicos, com encontros de cultura, jornadas de estudos, escolas de catecismo, dois congressos catequéticos diocesanos, em 1922 e 1932.
Foi considerado o “bispo do catecismo”. Amava e acompanhava, como um pai, os seus sacerdotes, tendo por eles um cuidado muito especial, pregando-lhes retiros mensais e exercícios espirituais; acompanhando-os nas 213 paróquias da Diocese e nas 3 visitas pastorais. Em 1911, realizou o sínodo diocesano, tido como uma verdadeira obra de arte em ordem e precisão, vivamente apreciado pelo Papa Pio X. Acompanhou espiritualmente Santa Maria Bertilla Boscardin, os servos de Deus José Torniolo, Guido Negri e a Madre Oliva Bonaldo.
Foi muito amigo de padre capuchinho Leopoldo Mandic (canonizado pela Igreja) e do Papa Pio X. Dedicou-se, de modo muito intenso, aos leigos da sua Diocese, particularmente aos movimentos de jovens, convencido e insistindo que “é de santos que hoje necessitam as famílias, as paróquias, a Pátria, o mundo”.
Em Abril de 1914, declarou sagrado “o direito do operário de organizar-se… em sindicatos, para a própria elevação económica e moral”. Em 1920, apoiou as Ligas Brancas, movimento sindical de inspiração cristã, mostrando ser o bispo dos pobres, dos operários, dos camponeses. Em Treviso, em 1920, fundou o Colégio Episcopal “Pio X”, para assegurar aos jovens a formação cristã.
Afrontou, com coragem - jamais abandonando o seu lugar e as suas responsabilidades - a prova da 1ª Grande Guerra de 1914 a 1919, aproximando e encorajando os camponeses, os fugitivos, os soldados, os feridos e os sacerdotes. Em 27 de Abril de 1917, fez a promessa de construir um templo a Nossa Senhora Auxiliadora.
Chamado “o bispo de Piave e de Montelo”, agraciado com a cruz do mérito de guerra, terminada a guerra percorreu a diocese, para encorajar à reconstrução das 47 igrejas destruídas, à reconciliação dos ânimos, ao despertar da vida cristã, com intrépidas intervenções para salvar os seus fiéis das ideologias anticristãs e subversivas.
Os bispos do Véneto (uma província de Itália) tinham-no como o seu “Patriarca de campanha”, conselheiro, teólogo distinto, apóstolo incansável. Pio XI, em Outubro de 1923, reconheceu os “grandes serviços” prestados pelo Bispo Longhin: “Trabalhou tanto pela Igreja!” Foi administrador apostólico da Diocese de Pádua, em 1923; visitador e administrador apostólico da arquidiocese de Údine, 1927 a 1928. A 4 de Outubro de 1928, foi nomeado arcebispo titular de Patrasso.
Em 1929, no 25º aniversário do seu episcopado, o servo de Deus, Cardeal Pedro la Fontaine, escreveu: “Vejo nele, com dilecção e edificação, uma cópia do bom pastor evangélico, muito semelhante ao original”.
Adoeceu gravemente, em 3 de Outubro de 1935, tendo falecido no dia 26 de Junho de 1936, com fama de santo por causa da sua heróica caridade e pela sua sábia orudência evangélica. A espiritualidade franciscana, com o rigor da Ordem Capuchinha, guiou sempre o seu caminho de uma vida ascética, exigente e fiel. Era de uma obediência ‘religiosa’ à Igreja; de uma pobreza exemplar, entendida como liberdade em relação a todas as coisas do mundo; de uma caridade generosa e abnegada.
D. André Jacinto Longhin foi beatificado, pelo Papa João Paulo II, em Roma, no dia 20 de Outubro de 2002. Na sua homilia, o Papa disse: «…"Chamei-te pelo nome" (Is 45, 4). As palavras com que o profeta Isaías indica a missão confiada por Deus aos seus próprios eleitos exprimem bem a vocação de André Jacinto Longhin, humilde capuchinho que, durante 32 anos, foi Bispo da Diocese de Treviso, no alvorecer no século passado, do século XX. Ele foi um Pastor simples e pobre, humilde e generoso, sempre disponível para com o próximo, segundo a mais autêntica tradição capuchinha.
Chamavam-lhe o Bispo das coisas essenciais. Numa época assinalada por acontecimentos dramáticos e dolorosos, mostrou-se como um pai para os sacerdotes e como um pastor zeloso pelas pessoas, pondo-se sempre ao lado dos seus fiéis, especialmente nos momentos de dificuldade e de perigo. Assim, antecipou aquilo que o Concílio Vaticano II havia de realçar, indicando na evangelização "um dos principais deveres dos Bispos" (Christus Dominus, 12; cf. também Redemptoris missio, 63).
A sua memória litúrgica celebra-se no dia 26 de Junho.

segunda-feira, 11 de junho de 2018

DA PALAVRA DO SENHOR



- X DOMINGO DO TEMPO COMUM

“…A multidão estava sentada em volta d’Ele, quando Lhe disseram:
«Tua Mãe e teus irmãos estão lá fora à tua procura».
Mas Jesus respondeu-lhes:
«Quem é minha Mãe e meus irmãos?»
E, olhando para aqueles que estavam à sua volta, disse:
«Eis minha Mãe e meus irmãos.
Quem fizer a vontade de Deus
esse é meu irmão, minha irmã e minha Mãe»…”
(cf. Marcos 3, 31-35)

PALAVRA DO PAPA FRANCISCO



- na Audiência-Geral, na Praça São Pedro, Roma, no dia 6 de Junho de 2018

Queridos irmãos e irmãs, bom dia!
Prosseguindo a reflexão sobre o Sacramento da Confirmação, consideraremos os efeitos que o dom do Espírito Santo faz amadurecer nos crismandos, levando-os a tornar-se, por sua vez, uma dádiva para os outros. O Espírito Santo é um dom! Recordemos que, quando nos dá a unção com o óleo, o bispo diz: “Recebe, por este sinal, o Espírito Santo, o dom de Deus”. Este dom do Espírito Santo entra em nós e frutifica, para que nós o possamos transmitir aos outros. Receber sempre para oferecer: nunca receber para conservar as coisas cá dentro, como se a alma fosse um armazém. Não: receber sempre para oferecer. Recebemos as graças de Deus para as dar aos outros. Esta é a vida do cristão. Portanto, é próprio do Espírito Santo descentrar-nos do nosso eu, abrindo-nos ao “nós” da comunidade: receber para dar. Nós não estamos no centro: somos um instrumento daquela dádiva para os outros.
Completando, nos baptizados, a semelhança a Cristo, a Confirmação une-os, mais fortemente, como membros vivos, ao Corpo místico da Igreja (cf. Rito da Confirmação, n. 25). A missão da Igreja, no mundo, realiza-se através da contribuição de todos aqueles que fazem parte dela. Alguns pensam que, na Igreja, existem patrões: em primeiro lugar, o Papa, os bispos, os sacerdotes; e depois os outros. Não!.. Todos nós somos Igreja! E todos temos a responsabilidade de nos santificarmos uns aos outros, de cuidarmos dos outros. Todos nós somos Igreja! Cada qual tem a sua função na Igreja, mas todos nós somos Igreja! Com efeito, devemos pensar na Igreja como num organismo vivo, composto por pessoas que conhecemos e com as quais caminhamos, e não como numa realidade abstracta e distante. A Igreja somos nós que caminhamos; a Igreja somos nós que, hoje, nos encontramos nesta praça. Nós: esta é a Igreja! A Confirmação vincula à Igreja universal, espalhada pela terra inteira, mas compromete activamente os crismandos na vida da Igreja particular à qual pertencem, tendo como cabeça o Bispo, que é sucessor dos Apóstolos.
E, por isso, o Bispo é o ministro originário da Confirmação (cf. Lumen gentium, 26), porque insere o confirmado na Igreja. O facto de que, na Igreja latina, este sacramento seja, normalmente, conferido pelo Bispo põe em evidência o seu «efeito de unir mais estreitamente aqueles que o recebem à Igreja, às suas origens apostólicas e à sua missão de dar testemunho de Cristo» (Catecismo da Igreja Católica, n. 1313).
E esta incorporação eclesial é bem significada pelo sinal de paz que conclui o rito da Crisma. Com efeito, a cada confirmado, o Bispo diz: «A paz esteja contigo!». Recordando a saudação de Cristo aos discípulos, na noite de Páscoa, cheia de Espírito Santo (cf. Jo 20, 19-23) — ouvimos — estas palavras iluminam um gesto que «manifesta a comunhão eclesial com o Bispo e com todos os fiéis» (cf. CIC, n. 1301). No Crisma, nós recebemos o Espírito Santo e a paz: aquela paz que devemos transmitir aos outros. Mas pensemos: cada qual pense, por exemplo, na sua comunidade paroquial. Há a cerimónia do Crisma, e depois trocamos o gesto da paz: o Bispo oferece-a ao crismado e, em seguida, na Missa, trocamo-la entre nós. Isto significa harmonia, quer dizer caridade entre nós; significa paz. Mas depois, o que acontece? Saímos e começamos a falar mal do próximo, a “esfolar” os outros. Começam as tagarelices. E as bisbilhotices são guerras. Isto não está certo! Se recebemos o sinal da paz, com a força do Espírito Santo, devemos ser homens e mulheres de paz, e não destruir, com a língua, a paz instaurada pelo Espírito. Quanto trabalho tem o desventurado Espírito Santo connosco, com este hábito da bisbilhotice! Pensai bem: a tagarelice não é uma obra do Espírito Santo, não é uma obra da unidade da Igreja. A bisbilhotice destrói aquilo que Deus faz. Mas, por favor: deixemos de tagarelar!
A Confirmação só se recebe uma vez, mas o dinamismo espiritual suscitado por esta unção santa persevera no tempo. Nunca cessaremos de cumprir o mandato de propagar, em toda a parte, o bom perfume de uma vida santa, inspirada pela fascinante simplicidade do Evangelho.
Ninguém recebe a Confirmação somente para si mesmo, mas para cooperar no crescimento espiritual dos outros. Só assim, abrindo-nos e saindo de nós mesmos para ir ao encontro dos irmãos, podemos realmente crescer e não apenas iludir-nos que o fazemos. Com efeito, aquilo que recebemos como dom de Deus deve ser transmitido — o dom é para ser oferecido — a fim de que seja fecundo e não, ao contrário, enterrado por causa de temores egoístas, como ensina a parábola dos talentos (cf. Mt 25, 14-30). Até a semente, quando a temos na mão, não deve ser colocada ali, no armário, nem deixada de lado: é para ser semeada. Devemos transmitir à comunidade o dom do Espírito. Exorto os crismados a não “enjaular” o Espírito Santo, a não opor resistência ao Vento que sopra para os impelir a caminhar na liberdade, e não sufocar o Fogo ardente da caridade, que leva a consumir a vida por Deus e pelos irmãos.
Que o Espírito Santo conceda a todos nós a coragem apostólica de comunicar o Evangelho - com obras e palavras - a quantos encontrarmos no nosso caminho. Com obras e palavras, mas com palavras boas, que edifiquem. Não com palavras de bisbilhotice, que destroem. Por favor, quando sairdes da igreja, pensai que a paz recebida é para ser oferecida aos outros; não para ser destruída com bisbilhotices. Não vos esqueçais disto! (cf. Santa Sé)


PARA REZAR



- SALMO 129

Refrão: Junto do Senhor a misericórdia;
             Junto do Senhor a abundância da redenção.

Do profundo abismo chamo por Vós, Senhor,
Senhor, escutai a minha voz.
Estejam os vossos ouvidos atentos
à voz da minha súplica.

Se tiverdes em conta os nossos pecados,
Senhor, quem poderá salvar-se?
Mas em Vós está o perdão
para Vos servirmos com reverência.

Eu confio no Senhor,
a minha alma confia na sua palavra.
A minha alma espera pelo Senhor
mais do que as sentinelas pela aurora.

Porque no Senhor está a misericórdia
e com Ele abundante redenção.
Ele há de libertar Israel
de todas as suas faltas.

SANTOS POPULARES



BEATA MARIA DO SAGRADO CORAÇÃO DE JESUS

Maria Schininà Arezzo nasceu no dia 10 de Abril de 1844, em Ragusa, Itália, no seio de uma nobre família. Foi baptizada no mesmo dia em que nasceu.Foi a 5ª de oito filhos de João Baptista Schininà - dos Marqueses de Santo Elias e dos Barões de São Filipe do Monte – e de Rosália Arezzo Grimaldi – dos Duques de São Filipe das Colunas. O palácio onde nasceu é, hoje, a sede do Bispado de Ragusa. Cresceu no meio do afecto e das atenções dos seus familiares. Foi seu mestre o Padre Vicente di Stefano.
Em criança comungava duas vezes por mês e na adolescência de oito em oito dias. Apesar de tão bons princípios, a jovem deixou-se arrastar pelas vaidades do mundo. Mas não largou as práticas de piedade, nem interrompeu os actos de caridade, apesar de não manifestar sinais de particular apreço pela vida espiritual. Excepcional é, contudo, o seu gosto pelo belo, que ela cultivava sobretudo com a dança, a música e a moda. Viveu uma vida social intensa até que, aos 22 anos, perdeu o pai. Este acontecimento marcou-a profundamente e envolveu-a de grande aflição. Mas, nem por isso se afastou do apego pelas vaidades mundanas. Casados todos os seus irmãos, ficou sozinha com a sua mãe.
Aos 30 anos, inexplicavelmente, passou a assistir, diariamente, à Santa Missa; a comungar com frequência; a visitar e a socorrer os pobres e doentes; e a ir à igreja, para fazer companhia a Jesus Sacramentado. Começou a vestir-se com modéstia e a ensinar o catecismo às crianças. Nesta altura, foi convidada pelo carmelita Padre Salvatore La Perla a dirigir a associação das Filhas de Maria, dedicada a cuidar e a socorrer os mais pobres.
Tornou-se apóstola fervorosa da devoção ao Sagrado Coração de Jesus e a Nossa Senhora do Rosário. Mandou fazer uma coroa para a Virgem, desfazendo-se, para o efeito, de todas as suas joias. Começou a sentir atracção pela vida consagrada, manifstando vontade de entrar no Mosteiro de clausura de Malta, mas o seu pároco aconselhou-a a ficar com a mãe, já idosa, e a cuidar dela.
Em 1884, depois da morte da sua mãe, manifestou o desejo de se retirar para o Mosteiro. Mas, desta vez, foi o Arcebispo de Siracusa que a persuadiu a fundar um Instituto religioso que se dedicasse a obras de caridade.
No ano seguinte, reuniu algumas companheiras que se empenharam com ela na instrução e educação da juventude, na protecção dos órfãos e na assistência aos idosos e doentes. No dia 9 de Maio de 1889, o próprio Arcebispo presidiu à Santa Missa em que Maria e cinco companheiras fizeram os votos de pobreza, castidade e obediência, dando início à Congregação das “Irmãs do Sagrado Coração de Jesus”.
O Papa Leão XIII recebeu-a em audiência, em 1890. Em 1892, ela iniciou a construção da primeira casa do Instituto, que se tornaria a Casa-mãe.
Entretanto, foi chamada para organizar, em Ragusa, a Associação das Damas de Caridade; hospedou, no seu Instituto, de 1906 a 1908, as primeiras Monjas Carmelitas da cidade; de 1908 a 1909, deu asilo aos afectados pelo desastroso terramoto que destruiu Messina e Reggio Calabria.
O começo do Instituto foi difícil mas, a habilidade da sua fundadora superou todos os vexames e adversidades. Para socorrer a todos os necessitados, não se envergonhava de pedir esmolas de porta em porta, o que para ela - que tinha sido muito rica - significava um acto de humildade fora do comum.
Interessou-se pelos necessitados de bens materiais mas, sobretudo, pelos que precisavam de auxílio espiritual, como eram os que se achavam em perigo de perder a fé. A sua caridade não tinha limites e levou-a, também, ao apostolado entre os presos, aos quais pregava cursos de exercícios espirituais, por ocasião da Páscoa. Todos os anos, empenhava-se para que os operários recebessem os sacramentos da confissão e da comunhão. Até as pecadoras públicas se mostravam sensíveis às suas iniciativas de caridade.
A Madre Maria do Sagrado Coração de Jesus mortificava o corpo e a mente. Sofria de dores de cabeça constantes, mas não se permitia um só lamento, considerando-se feliz por participar da coroação de espinhos de Jesus. A sua vida era toda feita de oração e de fé, a ponto de imprimir, no seu próprio peito, o nome de “Jesus”.
A grande preocupação da sua vida foi levar o “Coração de Deus às pessoas, e as pessoas ao Coração de Deus”.
Maria Schininà Arezzo – Irmã Maria do Sagrado Coração de Jesus – faleceu no dia 11 de Junho de 1910.
Em 1950, o Instituto das Irmãs do Sagrado Coração de Jesus abriu-se às missões no mundo, enviando as primeiras irmãs italianas para os Estados Unidos e o Canadá. Agora, as religiosas estão presentes em Madagáscar (1961), nas Filipinas (1988), na Polónia (1991), na Nigéria (1995), Roménia (1997) e na Índia (2004).
Foi beatificada no dia 4 de Novembro de 1990, pelo Papa Jopão Paulo II. Na homilia da celebração da beatificação, o Papa disse: “… O caminho espiritual da Beata Maria Schininà do Sagrado Coração parte da penetração profunda do amor de Deus, que se revela no símbolo do Coração de Jesus. Para corresponder a este amor, ela marcou a sua espiritualidade com a contemplação, a adoração e a reparação.
Desprezando o luxo e as vazias cerimónias do seu nobre palácio, iniciou uma vida totalmente dedicada ao serviço dos pobres, a exemplo de Jesus, que no seu amor pelos homens se fez bom samaritano de toda a enfermidade humana.
Para a Beata Maria Arezzo, os pobres eram os doentes, os anciãos, os ignorantes, os necessitados de instrução; os mineiros das minas de betume e de enxofre, que não conheciam a Deus e precisavam de catequese; os encarcerados, aos quais pregava cursos de exercícios espirituais, pela Páscoa; as pecadoras públicas que se mostravam, cada vez mais, sensíveis às suas iniciativas de caridade.
A beatificação da Irmã Schininà, nos planos da Providência, é celebrada no dia seguinte à conclusão do Sínodo dos Bispos sobre a formação sacerdotal. A beata foi grande apoio para numerosos sacerdotes que ela servia e venerava como ministros da reconciliação e da Eucaristia. Quantos sacerdotes foram por ela protegidos espiritualmente na sua vocação e ajudados, também, economicamente durante a vida do Seminário!
Este testemunho de heróica caridade evangélica é o ‘fruto’ que a Beata Schininà pôde dar à Igreja e à sociedade porque ‘permaneceu’ intimamente unida ao Senhor. O seu carisma continua vivo e actual, porque está presente e operante providencialmente nas mil formas de apostolado das sua Filhas: as Irmãs do Sagrado Coração de Jesus…”
A memória litúrgica da Beata Maria do Sagrado Coração de Jesus celebra-se no dia 11 de Junho.

quarta-feira, 6 de junho de 2018

DA PALAVRA DO SENHOR



- IX DOMINGO DO TEMPO COMUM

“…Deus, que disse: «Das trevas brilhará a luz»
fez brilhar a luz em nossos corações,
para que se conheça em todo o seu esplendor
a glória de Deus, que se reflete no rosto de Cristo.
Nós trazemos em vasos de barro o tesouro do nosso ministério…” (cf. 2 Coríntios 4, 6-7)

PALAVRA DO PAPA FRANCISCO



- na Audiência-Geral, na Praça São Pedro, Roma, no dia 30 de Maio de 2018

Queridos irmãos e irmãs, bom dia!
Prosseguindo o tema da Confirmação ou Crisma, hoje desejo salientar a «íntima ligação deste sacramento com toda a iniciação cristã» (Sacrosanctum concilium, 71).
Antes de receber a unção espiritual que confirma e fortalece a graça do Baptismo, os crismandos são chamados a renovar as promessas feitas um dia pelos pais e padrinhos. Agora, são eles mesmos que professam a fé da Igreja, prontos para responder «creio» às perguntas dirigidas pelo Bispo; em particular, prontos para acreditar «no Espírito Santo, que é Senhor e dá a vida, e que hoje, mediante o sacramento da Confirmação, é conferido [a eles] de modo especial, assim como o foi aos Apóstolos, no dia de Pentecostes» (Rito da Confirmação, n. 26).
Dado que a vinda do Espírito Santo exige corações recolhidos em oração (cf. Act 1, 14), após a oração silenciosa da comunidade, o Bispo, impondo as mãos sobre os crismandos, suplica a Deus que lhes infunda o Santo Espírito Paráclito. Um só é o Espírito (cf. 1 Cor 12, 4); ao descer sobre nós, traz consigo uma riqueza de dons: sabedoria, entendimento, conselho, fortaleza, ciência, piedade e santo temor (cf. Rito da Confirmação, nn. 28-29). Ouvimos o trecho da Bíblia com estes dons que o Espírito Santo traz. Segundo o profeta Isaías (11, 2), trata-se das sete virtudes do Espírito, infundidas sobre o Messias para o cumprimento da sua missão. Também São Paulo descreve o fruto abundante do Espírito, que é «caridade, alegria, paz, magnanimidade, afabilidade, bondade, fidelidade, mansidão e temperança» (Gl 5, 22). O único Espírito distribui os múltiplos dons que enriquecem a única Igreja: é o Autor da diversidade mas, ao mesmo tempo, o Criador da unidade. Assim, o Espírito oferece todas estas riquezas, que são diversas mas, ao mesmo tempo, cria a harmonia, ou seja, a unidade de todas estas riquezas espirituais que nós, cristãos, temos.
Segundo a tradição atestada pelos Apóstolos, o Espírito que completa a graça do Baptismo é comunicado através da imposição das mãos (cf. Act 8, 15-17; 19, 5-6; Hb 6, 2). A este gesto bíblico, para melhor manifestar a efusão do Espírito que permeia quantos a recebem, segue a unção de óleo perfumado, chamado crisma [eis um trecho da oração de bênção do crisma: «Por isso nós vos pedimos, Senhor, dignai-vos santificar e abençoar este óleo, dom da vossa Providência, e comunicar-lhe a virtude do Espírito Santo, pelo poder do vosso Cristo, de cujo santo Nome recebeu o nome de crisma; com ele ungistes os vossos sacerdotes, reis, profetas e mártires (...) recebida a unção santificante, e superada a corrupção do primeiro nascimento, que eles sejam templos da vossa majestade e exalem o perfume de uma vida santa» (Bênção dos óleos, n. 22)], que é usada, até hoje, tanto no Oriente como no Ocidente (cf. Catecismo da Igreja Católica, 1289).
O óleo — o crisma — é substância terapêutica e cosmética que, entrando nos tecidos do corpo, cura as ferias e perfuma os membros; devido a estas qualidades foi escolhido, pelo simbolismo bíblico e litúrgico, para expressar a acção do Espírito Santo que consagra e permeia o baptizado, adornando-o de carismas. O Sacramento é conferido mediante a unção do crisma na testa, realizada pelo Bispo, com a imposição da mão e mediante as palavras: «Recebe, por este sinal, o Espírito Santo, o dom de Deus». [A fórmula «receber o Espírito Santo» — «o dom do Espírito Santo» aparece em Jo 20, 22, Act 2, 38 e 10, 45-47]. O Espírito Santo é o dom invisível concedido, e o crisma constitui o seu selo visível.
Portanto, recebendo na testa o sinal da cruz com o óleo perfumado, o confirmado recebe uma marca espiritual indelével, o “carácter”, que o configura mais perfeitamente com Cristo, concedendo-lhe a graça de difundir entre os homens o “bom perfume” (cf. 2 Cor 2, 15).
Voltemos a ouvir o convite de Santo Ambrósio aos neocrismados. Diz assim: «Recorda que recebeste o selo espiritual [...] e conserva aquilo que recebeste. Deus Pai marcou-te, Cristo Senhor confirmou-te e colocou no teu coração o penhor do Espírito» (De mysteriis 7, 42: CSEL 73, 106; cf. CIC, 1303). O Espírito é um dom imerecido, que deve ser recebido com gratidão, criando espaço para a sua criatividade inesgotável. É um dom a conservar com atenção, a secundar com docilidade, deixando-se plasmar, como cera, pela sua caridade inflamada, «para reflectir Jesus Cristo no mundo de hoje» (Exort. Apost. Gaudete et exsultate, 23).  (cf. Santa Sé)

PARA REZAR



- SALMO 80

Refrão: Exultai em Deus, que é o nosso auxílio.

Aclamai a Deus, nossa força,
aplaudi ao Deus de Jacob.
Fazei ressoar a trombeta na lua nova
e na lua cheia, dia da nossa festa.

É uma obrigação para Israel,
é um preceito do Deus de Jacob,
lei que Ele impôs a José,
quando saiu da terra do Egipto.

Ouço uma língua desconhecida:
«Aliviei os teus ombros do fardo
e soltei as tuas mãos dos cestos;
gritaste na angústia e Eu te libertei.

Não terás contigo um deus alheio,
nem adorarás divindades estranhas.
Eu, o Senhor, sou o teu Deus,
que te fiz sair da terra do Egipto».

SANTOS POPULARES



SANTO ANTÓNIO MARIA GIANELLI
António Maria Gianelli nasceu em Cereta, Itália, no dia 12 de Abril de 1789. Era filho de Maria e James Gianelli, uma família de camponeses pobres e humildes. No seio desta família, aprendeu a caridade, o espírito de sacrifício, a capacidade de dividir com o próximo. A sua mãe ensinou-lhe o catecismo; o seu pai - conhecido como pacificador da cidade – ensinou-lhe a honradez, a justiça e o apreço pelo bem comum. Desde pequeno, António gostava de participar, activa e alegremente, nas obras e movimentos paroquiais. Era um estudante tão promissor que o proprietário das terras onde os seus pais trabalhavam pagou a sua educação, enviando-o para o Seminário de Génova. Tinha 17 anos.
Aos vinte e três anos, terminada a formação doutrinal e teológica, foi ordenado sacerdote, no dia 24 de Maio de 1812. Leccionou letras e retórica e a sua primeira obra, que muito impressionou o clero da sua diocese, foi um recital, organizado para a recepção solene do novo Bispo de Génova, Monsenhor Lambruschini. Intitulou esse recital de “Reforma do Seminário”. Assim, de modo tranquilo, directo e sem rodeios, defendeu uma nova postura na formação dos futuros sacerdotes. A repercussão foi imediata e frutificou durante todo o período da restauração pós-napoleónica.
Entre as múltiplas actividades do Padre António Gianelli está a fundação de uma associação de nome insólito - também por ter sido fundada por um pároco - chamada “Sociedade Económica”, embora de finalidades evangélicas. Com efeito, tinha por objectivo educar e assistir moralmente as jovens, confiadas aos cuidados das “Damas da Caridade” - um nome igualmente inusitado – que, em 1829, adoptou o nome de “Filhas de Maria Santíssima do Horto”, também chamadas de Irmãs Gianellinas. Esta Congregação teve um rápido desenvolvimento, sobretudo na América Latina, onde o Padre António, durante suas visitas, era chamado pelo povo de “o santo das irmãs”.
Entre 1826 e 1838, o Padre Gianelli foi pároco de Chiavari. A sua acção apostólica não se confinou aos limites da sua vasta paróquia. Um ano depois da nomeação, lançou as bases para a fundação de uma congregação masculina - posta sob o patrocínio de Santo Afonso Maria de Ligório - destinada a dinamizar e aperfeiçoar o apostolado da pregação e a estruturar as organizações do clero, reunindo jovens sacerdotes para as missões populares e para o trabalho pastoral em paróquias, particularmente, necessitadas. Os missionários “Ligorianos” assumiram o nome de Oblatos de Santo Afonso Maria de Ligório.
Em 1837, foi eleito bispo de Bobbio. Na sua Diocese, introduziu as reformas já promovidas como pároco de Chiavari, fundando o Seminário e reformulando o ensino da filosofia e da teologia. Com verdadeiro zelo pastoral, cuidou da formação do clero; com mão enérgica, removeu párocos pouco zelosos; recorreu, com frequência, à colaboração dos seus oblatos. Foi um pastor vigilante, cheio de caridade e de compreensão, aberto às novas correntes do pensamento.
D. Gianelli morreu no dia 7 de Junho de 1846, com 57 anos. Viveu uma vida relativamente breve, mas intensa, dedicada com coração e espírito de missionário às obras benéficas no campo religioso e social.
Foi beatificado em 1925 e canonizado pelo Papa Pio XII, no dia 21 de Outubro de 1951.
No dia 17 de Fevereiro de 2003, dirigindo-se às religiosas “Filhas de Maria Santíssima do Horto”, congregação fundada por Santo António Gianelli, o Papa João Paulo II disse: «…Santo António Maria Gianelli viveu com coragem e paixão a sua missão ao serviço do Reino de Deus. Ele gostava de repetir: "Deus, Deus, só Deus". Toda a sua actividade era animada por um ardente desejo de pertencer a Cristo. Desejava servir o Senhor no pobre, no doente, na pessoa sem instrução, como também naqueles que ainda não conheciam ou não tinham encontrado Deus na sua vida. Abria o coração ao acolhimento dos irmãos e preocupava-se com todos. Os seus ensinamentos estão bem expressos nas vossas Constituições, que traçam o estilo típico da vossa Família religiosa: fidelidade ao carisma, vivendo em vigilante caridade evangélica, esquecendo o próprio interesse e as próprias comodidades; estar atentas às necessidades dos tempos, sentindo alegria por vos fazerdes todas para todos com um compromisso que não conheça outros limites senão a impossibilidade ou a inoportunidade (cf. n. 2).
…Na base do vosso trabalho esteja o amor que, para o vosso santo Fundador, constitui, com razão, um princípio pedagógico fundamental. Ele recomendava às suas filhas espirituais: "Procurai, em primeiro lugar, amar verdadeiramente e mostrar um grande amor pelas crianças que vos estão confiadas, porque ninguém ama quem não ama; e se não são amadas por vós, também não irão à escola, ou não estarão de boa vontade convosco; e não aprenderão metade daquilo que aprenderiam, amando as suas Mestras e vendo-se amadas por elas".
A pobreza, assumida voluntariamente e com alegria, é uma condição que facilita e torna mais fecundo o vosso testemunho. A pobreza, como gostava de repetir Santo António Maria Gianelli, seja "o verdadeiro distintivo do vosso Instituto". Ao lado do amor fiel à pobreza, não falte nunca o espírito de sacrifício, na consciência quotidiana de que uma Filha de Maria "não pode estar sem a Cruz".
Sede, pois, incansáveis testemunhas de esperança. Entre as virtudes que a Filhas de Maria Santíssima do Horto devem praticar, Santo António Maria Gianelli põe em relevo a grande confiança em Deus. Viver abandonadas a Ele: eis o que vos permitirá não vos deixardes perturbar pelos aparentes insucessos, antes vos tornará capazes de ajudar as pessoas angustiadas e desorientadas. O vosso Fundador falava assim às vossas Irmãs de então: "Quando alguma coisa estiver a correr menos bem ou até mal, não se perturbarão ou julgarão verdadeiro mal; mas humilhar-se-ão diante de Deus e confiarão que Ele saberá tirar daí algum bem"…»
A memória litúrgica de Santo António Maria Gianelli celebra-se no dia 7 de Junho.


segunda-feira, 28 de maio de 2018

EM DESTAQUE



- SOLENIDADE DA SANTÍSSIMA TRINDADE

A Igreja celebra, neste Domingo, 27 de Maio, a Solenidade da Santíssima Trindade. A Igreja proclama uma verdade fundamental do cristianismo: há um só Deus, em três pessoas distintas: Pai, Filho (Jesus) e Espírito Santo. No mistério da Santíssima Trindade, Deus revela-se como família, comunhão, partilha de amor, fonte de unidade.
Acreditar em Deus compromete a vida dos crentes que são chamados a viver a sua responsabilidade baptismal; a testemunhar a beleza de Deus, no amor, no perdão e na misericórdia; a anunciar o desafio da santidade pela prática do bem, pela piedade e pelo serviço aos irmãos; a aderir à missão de anunciar a salvação, no caminho das bem-aventuranças.
O amor a Deus deve ser manifestado nas nossas obras de todos os dias, criando harmonia, paz e comunhão nas nossas comunidades, famílias e lugares de trabalho ou de lazer.

DA PALAVRA DO SENHOR



- DOMINGO DA SANTÍSSIMA TRINDADE

“…Todos os que são conduzidos
pelo Espírito de Deus são filhos de Deus.
Vós não recebestes um espírito de escravidão
para recair no temor,
mas o Espírito de adopção filial,
pelo qual exclamamos: «Abba, Pai».
O próprio Espírito dá testemunho,
em união com o nosso espírito,
de que somos filhos de Deus.
Se somos filhos, também somos herdeiros,
herdeiros de Deus e herdeiros com Cristo;
se sofrermos com Ele,
também com ele seremos glorificados…” (cf. Romanos 8, 14-17)

PALAVRA DO PAPA FRANCISCO



- na Audiência-Geral, na Praça São Pedro, Roma, no dia 23 de Maio de 2018

Queridos irmãos e irmãs, bom dia!
Depois das catequeses sobre o Baptismo, estes dias que se seguem à Solenidade de Pentecostes convidam-nos a reflectir sobre o testemunho que o Espírito suscita nos baptizados, pondo em movimento a sua vida, abrindo-a para o bem dos outros. Aos seus discípulos, Jesus confiou uma grande missão: «Vós sois o sal da terra, vós sois a luz do mundo» (cf. Mt 5, 13-16). Estas imagens fazem pensar no nosso comportamento, pois tanto a carência como o excesso de sal tornam desgostosa a comida, assim como a falta ou o excesso de luz impedem de ver. Somente o Espírito de Cristo nos pode oferecer verdadeiramente o sal que dá sabor e preserva contra a corrupção, e a luz que ilumina o mundo! E esta é a dádiva que recebemos no Sacramento da Confirmação, ou Crisma, sobre o qual desejo reflectir convosco. Chama-se “Confirmação” porque confirma o Baptismo, fortalecendo a sua graça (cf. Catecismo da Igreja Católica, 1289) ou “Crisma” porque recebemos o Espírito, mediante a unção com o “crisma” - óleo, misturado com perfume, consagrado pelo Bispo - termo que remete para “Cristo” o Ungido de Espírito Santo.
O primeiro passo é renascer para a vida divina no Baptismo; em seguida, é preciso comportar-se como filho de Deus, ou seja, conformar-se com Cristo que age na santa Igreja, deixando-se enxertar na sua missão, no mundo. Para isto, provê a unção do Espírito Santo: «Sem a sua força, nada existe no homem» (cf. Sequência do Pentecostes). Sem a força do Espírito Santo, nada podemos fazer: é o Espírito que nos dá a força para ir em frente. Do mesmo modo, como toda a vida de Jesus foi animada pelo Espírito, assim também a vida da Igreja, e de cada um dos seus membros, está sob a guia do mesmo Espírito.
Concebido pela Virgem, por obra do Espírito Santo, Jesus inicia a sua missão, depois de - saindo da água do Jordão - ter sido consagrado pelo Espírito que desce e paira sobre Ele (cf. Mc 1, 10; Jo 1, 32). Ele declara-o, explicitamente, na sinagoga de Nazaré: é bonito o modo como Jesus se apresenta - qual bilhete de identidade de Jesus - na sinagoga de Nazaré! Ouçamos como o faz: «O Espírito do Senhor está sobre mim, porque me consagrou com a unção; e enviou-me para anunciar a boa nova aos pobres» (Lc 4, 18). Jesus apresenta-se, na sinagoga do seu povoado, como o Ungido, Aquele que foi ungido pelo Espírito.
Jesus está cheio de Espírito Santo e é a fonte do Espírito prometido pelo Pai (cf. Jo 15, 26; Lc 24, 49; Act 1, 8; 2, 33). Na realidade, na noite de Páscoa, o Ressuscitado sopra sobre os discípulos, dizendo-lhes: «Recebei o Espírito Santo» (Jo 20, 22); e, no dia de Pentecostes, a força do Espírito desce sobre os Apóstolos de forma extraordinária (cf. Act 2, 1-4), como nós sabemos.
A “Respiração” de Cristo Ressuscitado enche de vida os pulmões da Igreja; e, com efeito, a boca dos discípulos, «cheios de Espírito Santo», abrem-se para proclamar, a todos, as grandes obras de Deus (cf. Act 2, 1-11).
O Pentecostes - que celebrámos no domingo passado - é para a Igreja o que foi para Cristo a unção do Espírito, recebida no Jordão, ou seja, o Pentecostes é o impulso missionário a consumar a vida pela santificação dos homens, para a glória de Deus. Se o Espírito age em cada sacramento, é, de modo especial, na Confirmação que «os fiéis recebem como Dom o Espírito Santo» (Paulo VI, Const. Apost.  Divinae consortium naturae). E, no momento de fazer a unção, o Bispo pronuncia estas palavras: “Recebe, por este sinal, o Espírito Santo, o dom de Deus”: é a grande dádiva de Deus, o Espírito Santo. E todos temos o Espírito dentro de nós. O Espírito está no nosso coração, na nossa alma. E o Espírito guia-nos na vida, a fim de que nos tornemos bom sal e boa luz para os homens.
Se, no Baptismo, é o Espírito Santo que nos imerge em Cristo, na Confirmação é Cristo que nos enche com o seu Espírito, consagrando-nos suas testemunhas, partícipes do mesmo princípio de vida e de missão, segundo o desígnio do Pai celeste. O testemunho prestado pelos confirmados manifesta a recepção do Espírito Santo e a docilidade à sua inspiração criativa. Pergunto-me: como se vê que recebemos o Dom do Espírito? Se cumprirmos as obras do Espírito, se proferirmos palavras ensinadas pelo Espírito (cf. 1 Cor 2, 13). O testemunho cristão consiste em fazer, unicamente e tudo, aquilo que o Espírito de Cristo nos pede, concedendo-nos a força para o realizar. (cf. Santa Sé)

PARA REZAR



- SALMO 32

Refrão: Feliz o povo que o Senhor escolheu para sua herança.

A palavra do Senhor é recta,
da fidelidade nascem as suas obras.
Ele ama a justiça e a rectidão:
a terra está cheia da bondade do Senhor.

A palavra do Senhor criou os céus,
o sopro da sua boca os adornou.
Ele disse e tudo foi feito,
Ele mandou e tudo foi criado.

Os olhos do Senhor estão voltados para os que O temem,
para os que esperam na sua bondade,
para libertar da morte as suas almas
e os alimentar no tempo da fome.

A nossa alma espera o Senhor:
Ele é o nosso amparo e protector.
Venha sobre nós a vossa bondade,
porque em Vós esperamos, Senhor.

SANTOS POPULARES



BEATA HILDEGARDA BURJAN

Hildegarda Burjan nasceu no dia 30 de Janeiro de 1883, em Görlitz, na Alemanha. Foi a segunda filha de Abraham e de Berta Freund, de origem judia, de classe média alta, que não praticavam nenhuma religião.
Hildegarda teve uma infância tranquila. Aos três anos, gostava de colocar em volta de si um círculo de almofadas, bonecas e outros objectos, simulando assim uma plateia. Depois, a pequenita colocava-se diante do seu público para contar histórias e discursar. Isso era curioso porque Hildegarda nunca tinha estado em locais onde pudesse ter presenciado isso. Aos seis anos, viu, da janela do seu quarto, monjas a rezar, no jardim do mosteiro que ficava próximo da sua casa. Quis, logo, saber quem eram e o que faziam. A mãe respondeu que eram monjas e que estavam a rezar ao seu Deus. Então, ela disse: “Se essas mulheres tão bonitas estão a rezar a Deus, então Deus deve ser bonito; e como deve ser bonito quando se pode rezar a Deus!”
Fez, ainda, muitas perguntas sobre Deus, mas a sua mãe retirou-a da janela, dizendo que sobre isso poderia ler nos livros, mais tarde. Hildegarda manifestou, então, um misterioso sentimento, dizendo com lágrimas nos olhos: “Deus!... Eu também queria rezar!”
Aos 16 anos, escreveu, na primeira página do seu diário, este pensamento de Lindenberg: “Com clara visão voltada à luz, sempre adiante, nunca para trás, alegremente esperando, ousadamente aspirando, também rapidamente agindo. Só assim a existência tem meta e fim. Quem quer coisas grandes, muito alcança”. 
Hildegarda não se preocupava com a moda, nem com coisas comuns à sua idade, mas interessava-se muito pelo estudo e pela formação da sua personalidade.
Não era comum no seu tempo que uma jovem frequentasse a universidade; ela, porém, decididamente, inscreveu-se na Universidade de Zurique, no curso de Filosofia, tendo feito o doutoramento. No ambiente universitário, apercebeu-se que alguns colegas tinham dificuldades para pagar os estudos. Sensibilizada, fundou um círculo de ajuda a estudantes com dificuldades financeiras. Ela mesma fazia muitas poupanças, indo a pé para a Universidade, a fim de colaborar com a caixa de ajuda.
Na sua juventude, Hildegarda sentiu um ardente desejo de encontrar o verdadeiro sentido da vida. Buscava respostas e, nas horas de solidão, repetia com insistência: “Deus, se tu existes, manifesta-te a mim”.
Alguns professores do Curso de Filosofia, que estavam prestes a tornarem-se católicos, exerceram grande influência na sua busca pela verdade. Começou, então, a aprofundar a doutrina católica e manifestou entusiasmo e grande interesse por ela; mas, ainda, lhe faltava a graça da fé.
Aos 25 anos, doutorada em Filosofia e casada com o engenheiro Alexandre Burjan, Hildegarda ficou muito doente e foi internada num hospital católico. Lá permaneceu, por alguns meses, em tratamento, passando por diversas cirurgias. No hospital, foi atendida pelas Irmãs de São Carlos Borromeu que ali trabalhavam. Fascinou-lhe o testemunho daquelas irmãs e concluiu: “Isto que as Irmãs fazem, um ser humano - apoiado só nas suas próprias forças - é incapaz de realizar”.
Convenceu-se, então, da existência de Deus e n’Ele passou a acreditar, ardentemente. Era muito grave o seu estado de saúde e os médicos declararam que já haviam esgotado todos os recursos que a Medicina dispunha. Para surpresa de todos, na manhã seguinte, um Domingo de Páscoa, Hildegarda estava curada, de forma inexplicável. Ela compreendeu que se tratava de um milagre, através do qual Deus quis revelar-se a ela, de forma ainda mais visível. Ali, experimentou, no mais íntimo do seu ser, o amor gratuito e misericordioso de Deus. Impressionada com essa manifestação divina, exclamou: “Esta segunda e nova vida deve pertencer unicamente a Deus”. Pediu o Baptismo e decididamente expressou: “Quero doar-me, consumir a minha vida no amor aos irmãos”.
Pouco tempo depois de ter recuperado a saúde, ficou grávida. Devido às diversas cirurgias, o seu corpo não tinha condições de levar adiante uma gravidez. Os médicos aconselharam que abortasse, pois corria sério risco de morte. Corajosamente, Hildegarda tomou a firme decisão: “Nada me pode convencer a permitir isso. Mesmo que eu tenha que morrer, então, seja feita a vontade de Deus”. Deu à luz a uma filha, à qual chamou de Isabel, em honra de Santa Isabel, a Santa da Caridade.
Hildegarda distinguia-se pelo seu espírito de solidariedade, pela sua sensibilidade diante do sofrimento dos mais necessitados, mas, sobretudo, pela sua capacidade de buscar as raízes dos problemas sociais, não se contentando apenas em dar uma ajuda eventual, mas sim em resolver o problema pela raiz. A sua capacidade empreendedora e o seu espírito de liderança marcaram, sem dúvida, a grande diferença, no período da Primeira Guerra Mundial. Durante a guerra, dinamizou inúmeras campanhas para socorrer órfãos e viúvas; preocupou-se com a mulher operária; com as mães que tinham numerosos filhos para sustentar. A maioria das mulheres costurava, em casa, para grandes firmas, pelas quais eram exploradas. Hildegarda organizou-as em associações, a fim de que trabalhassem juntas, em salas aquecidas durante o inverno. As peças confeccionadas passaram a ter o valor justo e as operárias tiveram os seus direitos reconhecidos e respeitados. Para os famintos, organizou a “Mesa de Santa Isabel”, uma associação onde as pessoas mais carenciadas podiam alimentar-se com uma sopa quente, num ambiente aquecido. Além disso, conseguiu uma maneira mais barata de comprar alimentos, uma espécie de mercado popular.
Hildegarda tinha grande capacidade de atrair voluntários para os diversos trabalhos sociais. Promovia chás beneficentes; convidava as senhoras da sociedade e fazia-lhes calorosas palestras, consciencializando-as das necessidades e sofrimentos dos mais desfavorecidos e sensibilizando-as para que lhes dedicassem parte do seu tempo.
Para Hildegarda não havia barreira entre pobres e ricos. Ela sabia fazer a ponte e unir a todos na mesma causa: a caridade social, o amor que eleva e que liberta.
A pedido das autoridades de Viena, sobretudo da Igreja, ela entrou na política, sendo, em 1919, a única mulher deputada federal no Parlamento. Sem omitir a sua fé e os princípios cristãos, lutou pela justiça social, conseguindo leis em favor das operárias, empregadas domésticas e pela erradicação do trabalho infantil.
Tinha como objectivo o fortalecimento da família e a melhoria das condições de vida das mulheres, sobre as quais pesa o cuidado e a educação dos filhos.
No meio a tantas actividades sociais e políticas, compromissos de esposa, de mãe, de fundadora de associações de mulheres operárias, Hildegarda deixou-nos o testemunho de alguém que mergulha profundamente na oração, no encontro com Deus: “Trago sempre comigo folhas soltas do Breviário e rezo, muitas vezes, nos cafés ou enquanto o meu marido lê o jornal”. “As horas mais felizes para mim, são à noite, quando rezo o Breviário”.
Pedia que a acordassem cedo para não perder a missa diária. Antes das sessões do parlamento, passava na Igreja para um tempo de adoração ao Santíssimo. A Eucaristia foi para ela a fonte que a fortalecia constantemente e onde encontrava a solução para todos os problemas: “É assim que Deus me dá as maiores graças; assim, muitas coisas se esclarecem; os problemas mais complicados se solucionam. Fortalecida, disponho-me a servir”.
Na realização da sua missão junto aos mais pobres, contava sempre com a presença de muitas pessoas voluntárias, sobretudo, de mulheres generosas que não mediam esforços para ajudar. Mas, no seu coração brotava um grande sonho: a fundação de uma comunidade de mulheres consagradas a Deus, que pudessem ser missionárias da caridade junto dos mais necessitados. E, assim, em 1919, fundou uma comunidade de vida apostólica, chamada “Caridade Social”. A ela confiou esta linda missão: Tornar presente o amor misericordioso de Deus, através do serviço social.
Hildegarda Burjan faleceu no dia 11 de Junho de 1933, com 50 anos de idade. As suas últimas palavras foram: “Jesus, meu querido Jesus, torna bons todos os homens, a fim de que possas encontrar neles o teu agrado. Faz que sua única riqueza sejas Tu, somente Tu”.
Hoje, além da Áustria, as Irmãs da Caridade Social estão presentes em vários países, dando continuidade ao legado da sua fundadora, a Beata Hildegarda Burjan.
No dia 29 de Janeiro de 2012, Hildegarda Burjan foi beatificada pelo Papa Bento XVI. A cerimónia de beatificação teve lugar na Catedral de Santo Estevão, em Viena, Áustria, e foi presidida pelo Cardeal Ângelo Amato, representante do Papa, e concelebrada pelo Cardeal Arcebispo de Viena, por vários bispos e muitos sacerdotes.

segunda-feira, 21 de maio de 2018

EM DESTAQUE


- CUIDAR ATÉ AO FIM COM COMPAIXÃO

Representantes de comunidades cristãs, muçulmanas, judaicas, hindus e budistas, presentes em Portugal, assinaram uma declaração conjunta em que rejeitam a legalização da eutanásia no país, prática que coloca em causa o respeito pela vida


DECLARAÇÃO CONJUNTA

O debate em curso na sociedade portuguesa sobre a realidade a que se tem chamado “morte assistida” convoca todos a realizarem uma reflexão e a oferecerem o seu contributo para enriquecer um processo de diálogo que necessita da intervenção da pluralidade dos actores sociais. As Tradições religiosas são portadoras de uma mensagem sobre a vida e a morte do homem, bem como sobre o modelo de sociedade que constituímos, e é legítimo e necessário que a apresentem, com humildade e liberdade.
Agora que a Assembleia da República vai discutir e colocar em votação propostas de uma eventual lei sobre a eutanásia, nós, as comunidades religiosas presentes em Portugal signatárias, conscientes de que vivemos um momento de grande importância para o nosso presente e o nosso futuro colectivo, declaramos:

1.      A dignidade daquele que sofre
Acreditamos que cada ser humano é único e, como tal, insubstituível e necessário à sociedade de que faz parte, sujeito de uma dignidade intrínseca anterior a todo e qualquer critério de qualidade de vida e de utilidade, até à morte natural. A vida não só não perde dignidade quando se aproxima do seu termo, como a particular vulnerabilidade de que se reveste nesta etapa é, antes, um título de especial dignidade que pede proximidade e cuidado. Assumimos que todo o sofrimento evitável deve ser evitado e, por isso, estamos gratos porque o desenvolvimento das ciências médicas e farmacológicas alcançou um tal patamar de desenvolvimento que permite o eficaz alívio da dor e a promoção do bem-estar. Contudo, não ignoramos o carácter dramático do sofrimento e a dificuldade de que se reveste a elaboração de um sentido para o viver. Sabemos que a religião oferece uma possibilidade de sentido a quem acredita, mas sabemos também, pela experiência do acompanhamento de tantos que não são religiosos, que não depende de o ser a possibilidade de encontrar sentido para o próprio sofrimento. Com esses aprendemos, aliás, que nesta tarefa reside uma das maiores realizações da dignidade pessoal. A dignidade da pessoa não depende senão do facto da sua existência como sujeito humano e a autonomia pessoal não pode ser esvaziada do seu significado social.

2.      Por uma sociedade misericordiosa e compassiva
O sofrimento do fim de vida é, para cada pessoa, um desafio espiritual e, para a sociedade, um desafio ético. Comuns às diferentes Tradições religiosas, princípios como a misericórdia e a compaixão configuraram, ao longo da história da civilização, modelos sociais capazes de criar, em cada momento, modos precisos de acompanhar e cuidar os membros mais frágeis da sociedade. Hoje, o morrer humano é um dos âmbitos em que este desafio nos interpela. O que nos é pedido não é que desistamos daqueles que vivem o período terminal da vida, oferecendo-lhes a possibilidade legal da opção pela morte, à qual pode conduzir a experiência do sofrimento sem cuidados adequados. Esse é o verdadeiro sofrimento intolerável, que cria condições para o desejo de morrer. Nasce de uma sociedade que abandona, que se desumaniza, que se torna indiferente. Confirma-nos nesta convicção a experiência de que quem se sente acompanhado não desespera perante a morte e não pede para morrer. O que nos é pedido é, pois, que nos comprometamos mais profundamente com os que vivem esta etapa, assumindo a exigência de lhes oferecer a possibilidade de uma morte humanamente acompanhada.

3.      Os Cuidados Paliativos, uma exigência inadiável
Acreditamos que os cuidados paliativos são a concretização mais completa desta resposta que o Estado não pode deixar de dar, porque aliam a maior competência científica e técnica com a competência na compaixão, ambas imprescindíveis para cuidar de quem atravessa a fase final da vida. A verdadeira compaixão não é insistir em tratamentos fúteis, na tentativa de prolongar a vida, mas ajudar a pessoa a viver o mais humanamente possível a própria morte, respeitando a naturalidade desta. Os cuidados paliativos fazem-no, valorizando a pessoa até ao seu fim natural, aliviando o seu sofrimento e combatendo a solidão pela presença da família e de outros que lhe sejam significativos. Interpelamos a sociedade portuguesa para corresponder à exigência não mais adiável de estender a todos o acesso aos cuidados paliativos e assumimos a disponibilidade e a vontade de fazermos tudo o que esteja ao nosso alcance para participar neste verdadeiro desígnio nacional. E não podemos deixar de interrogar se a presente discussão, antes de realizado este investimento, não enfermará de falta de propósito.
As Tradições religiosas professam que a vida é um dom precioso e, para as religiões abraâmicas, um dom de Deus e, como tal, se reveste de carácter sagrado; mas este apenas confirma a sua dignidade natural, da qual derivam a sua inviolabilidade e indisponibilidade intrínsecas, que, portanto, não dependem da fundamentação religiosa. Mas a religião confere à vida um sentido, uma esperança, uma outra possibilidade de transcendência. As sociedades precisam desta visão do humano ao lado de todas as outras.
Nós, comunidades religiosas presentes em Portugal, acreditamos que a vida humana é inviolável até à morte natural e perfilhamos um modelo compassivo de sociedade e, por estas razões, em nome da humanidade e do futuro da comunidade humana, causa da religião, nos sentimos chamados a intervir no presente debate sobre a morte assistida, manifestando a nossa oposição à sua legalização em qualquer das suas formas, seja o suicídio assistido, seja a eutanásia.

Por isso assinamos em conjunto a presente Declaração.
Lisboa, 16 de maio de 2018

DA PALAVRA DO SENHOR



- DOMINGO DE PENTECOSTES

“…Quando chegou o dia de Pentecostes,
 os Apóstolos estavam todos reunidos no mesmo lugar.
 Subitamente, fez se ouvir, vindo do Céu,
 um rumor semelhante a forte rajada de vento,
 que encheu toda a casa onde se encontravam.
 Viram então aparecer uma espécie de línguas de fogo,
 que se iam dividindo,
 e poisou uma sobre cada um deles.
 Todos ficaram cheios do Espírito Santo…” (cf. Actos 2, 1-4)

PALAVRA DO PAPA FRANCISCO


- na Audiência-Geral, na Praça São Pedro, Roma, no dia 16 de Maio de 2018

Queridos irmãos e irmãs, bom dia!
Hoje, concluímos o ciclo de catequeses sobre o Baptismo. Os efeitos espirituais deste sacramento, invisíveis aos olhos mas activos no coração de quem se tornou criatura nova, são explicitados pela entrega da veste branca e da vela acesa.
Depois do banho de regeneração, capaz de recriar o homem segundo Deus na verdadeira santidade (cf. Ef 4, 24), pareceu natural, desde os primeiros séculos, revestir os recém-baptizados com uma veste nova, cândida, à semelhança do esplendor da vida obtida em Cristo e no Espírito Santo. A veste branca expressa, simbolicamente, o que aconteceu no sacramento e anuncia a condição dos transfigurados na glória divina.
Paulo recorda o que significa revestir-se de Cristo, explicando quais são as virtudes que os baptizados devem cultivar: «Escolhidos por Deus, santos e amados, revesti-vos de sentimentos de ternura, de bondade, de humildade, de mansidão, de magnanimidade, suportando-vos uns aos outros e perdoando-vos reciprocamente. Mas acima de tudo, revesti-vos da caridade, que as une todas de modo perfeito» (Cl 3, 12-14).
Também a entrega ritual da chama, acendida no círio pascal, recorda o efeito do Baptismo: «Recebei a luz de Cristo», diz o sacerdote. Estas palavras recordam que não somos nós a luz, mas a luz é Jesus Cristo (Jo 1, 9; 12, 46), o qual, ressuscitando dos mortos, venceu as trevas do mal. Nós somos chamados a receber o seu esplendor! Assim, como a chama do círio pascal acende cada uma das velas, também a caridade do Senhor Ressuscitado inflama os corações dos baptizados, enchendo-os de luz e calor. E, por isso, desde os primeiros séculos, o Baptismo chamava-se também “iluminação” e aquele que era baptizado dizia-se que estava “iluminado”.
Com efeito, é esta a vocação cristã: «Caminhar sempre como filhos da luz, perseverando na fé (cf. Rito da iniciação cristã dos adultos, n. 226; Jo 12, 36).
Se se tratar de crianças, é tarefa dos pais, juntamente com os padrinhos e as madrinhas, ter o cuidado de alimentar a chama da graça baptismal nas suas crianças, ajudando-as a perseverar na fé (cf. Rito do Baptismo das Crianças, n. 73). «A educação cristã é um direito das crianças; ela tende a guiá-las gradualmente para o conhecimento do desígnio de Deus, em Cristo: assim poderão ratificar pessoalmente a fé, na qual foram baptizadas» (ibid., Introdução, 3).
A presença viva de Cristo, que deve ser preservada, defendida e incrementada em nós, é lâmpada que ilumina os nossos passos, luz que orienta as nossas opções, chama que aquece os corações no caminho rumo ao Senhor, tornando-nos capazes de ajudar quem percorre o caminho connosco, até à comunhão inseparável com Ele. Naquele dia, diz ainda o Apocalipse, «não haverá mais noite, e não necessitarão de lâmpada nem de luz do sol, porque o Senhor Deus os ilumina; e reinarão para todo o sempre» (cf. 22, 5).
A celebração do Baptismo conclui-se com a recitação do Pai-Nosso, própria da comunidade dos filhos de Deus. Com efeito, as crianças renascidas no Baptismo receberão a plenitude do dom do Espírito, na Confirmação, e participarão na Eucaristia, aprendendo o que significa dirigir-se a Deus chamando-lhe “Pai”.
No final destas catequeses sobre o Baptismo, repito, a cada um de vós, o convite que expressei do seguinte modo na Exortação apostólica “Gaudete et exsultate”: «Deixa que a graça do teu Baptismo frutifique num caminho de santidade. Deixa que tudo esteja aberto a Deus e, para isso, opta por Ele, escolhe Deus sem cessar. Não desanimes porque tens a força do Espírito Santo para tornar possível a santidade e, no fundo, esta é o fruto do Espírito Santo na tua vida (cf. Gal 5, 22-23)» (n. 15). (cf. Santa Sé)

PARA REZAR



- SALMO 103

Refrão: Mandai, Senhor, o vosso Espírito e renovai a terra.

Bendiz, ó minha alma, o Senhor.
Senhor, meu Deus, como sois grande!
Como são grandes, Senhor, as vossas obras!
A terra está cheia das vossas criaturas.

Se lhes tirais o alento, morrem
e voltam ao pó donde vieram.
Se mandais o vosso espírito, retomam a vida
e renovais a face da terra.

Glória a Deus para sempre!
Rejubile o Senhor nas suas obras.
Grato Lhe seja o meu canto
e eu terei alegria no Senhor.

SANTOS POPULARES



SANTA MARIA ANA DE JESUS PAREDES

Maria Ana de Paredes Flores y Jaramillo nasceu no dia 31 de Outubro de 1618, em Quito, capital do Equador. A sua família era rica: o pai, Jerónimo Paredes Flores y Granobles, era um capitão espanhol e a mãe, Mariana Jaramillo, pertencia à nobreza, descendente, na linha paterna, de conquistadores espanhóis a quem a Coroa Espanhola reconheceu, concedendo-lhes o seu próprio brasão de armas.
A pequena Maria Ana ficou órfã dos pais aos quatro anos de idade e quem assumiu a sua educação foi a sua irmã mais velha, Jerónima, casada com o capitão Cosme de Miranda, que a educou como se fosse uma sua filha. Maria Ana, desde muito cedo, começou a despertar para a religião, tornando-se uma grande devota - e muito fervorosa - de Jesus e da Virgem Maria. Dotada de uma inteligência superior e prendada de imensas qualidades, gostava das aulas de canto, onde aprendia as músicas religiosas que, depois, cantava nas suas orações.
Orientada espiritualmente pelo jesuíta Padre João Camacho, aos oito anos recebeu a Primeira Comunhão e quis consagrar-se inteiramente a Jesus, fazendo voto de virgindade perpétua. As autoridades eclesiásticas da época aceitaram o seu veemente desejo e concederam-lhe, a título excepcional, licença para assumir tal responsabilidade. Maria Ana passou a viver, na sua própria casa, como se de um Convento se tratasse. Sem entrar em nenhuma Ordem religiosa, iluminada e animada pelo Espírito Santo, dedicava-se às orações e à penitência, até limites só alcançados pelos adultos mais santificados.
Em 1639, entrou para a Ordem Terceira Franciscana e tomou o nome de Maria Ana de Jesus. Foi agraciada por Deus com o dom do conselho e da profecia, sabendo, como ninguém, interpretar a alma humana. A sua palavra promovia a paz entre as pessoas em discórdia e contribuía para que muitas almas retornassem aos caminhos do seguimento de Cristo.
Em consequência das severas penitências que se impunha, Marianita - era assim chamada por todos - tinha um físico delicado e uma saúde muito frágil, sempre sujeita a doenças. Numa dessas enfermidades, teve de ser submetida a uma sangria, e a enfermeira que a atendia deixou, numa vasilha, o sangue que tinha extraído de Marianita para ir buscar as ligaduras que faltavam. Ao voltar, viu que, na vasilha que continha o seu sangue, brotara um lírio. A notícia espalhou-se por toda a parte e Marianita passou a ser conhecida como o “Lírio de Quito”.
Como Maria Ana tinha profetizado, em 1645, a cidade de Quito foi devastada por um grande terremoto, que causou muitas mortes e espalhou muitas epidemias. Os cristãos foram todos convocados pelos padres jesuítas a rezarem, pedindo a Deus e à Virgem Maria socorro para o povo equatoriano. Nessa ocasião, um dos padres jesuítas, disse num dos seus sermões: “Meu Deus, ofereço-Te a minha vida para que se acabem os terramotos”. Porém, Maria Ana levantou-se, no meio da Igreja, e disse: “Não, Senhor! A vida deste sacerdote é necessária para salvar muitas almas. Pelo contrário, eu não sou necessária. Ofereço-Te a minha vida para que terminem estes terramotos”. Toda a gente se admirou desta atitude de Marianita. E, naquela mesma manhã, ao sair da Igreja, ela começou a sentir-se muito doente. Mas, a partir dessa manhã, não se repetiram mais os terramotos.
Pouco tempo depois, Maria Ana, com apenas 27 anos, morreu: era o dia 26 de Maio de 1645.
Desde então, nunca mais ocorreram terremotos nessas proporções, no Equador. Os milagres, por sua intercessão, multiplicaram-se de tal maneira que ela beatificada, pelo Papa Pio IX, em 1853. Em 1946, a Beata Maria Ana de Jesus Paredes, o “Lírio de Quito”, foi declarada “Heroína da Pátria”, pelo Congresso do Equador. Maria Ana de Jesus Paredes Flores y Jaramillo foi canonizada, pelo Papa Pio XII, no dia 9 de Julho de 1950, tornando-se a primeira flor franciscana desabrochada para a santidade na América Latina.
No dia 10 de Julho, aos peregrinos equatorianos, o Papa disse: “… Desta Santa, todos podemos aprender o imenso poder da virtude cristã, capaz de fazer amadurecer um espírito, com mais vigor do que o sol de Quito faz amadurecer os férteis frutos da terra equatoriana. Aprenda o mundo as energias que se escondem na oração e no sacrifício. Aprendam os epicuristas de sempre que a meta do espírito se encontra no fim de um caminho escondido, em que o amor busca a dor para superar a escravização material. Aprendam os jovens modernos e mundanos o quanto, no seu ambiente, pode fazer uma alma enamorada do Senhor.
E aqueles que vivem, hoje, na plena luz da devoção ao Sagrado Coração de Jesus, admirem os indícios desta vítima inocente que, no início do século XVII, soube fazer já da reparação o centro da sua espiritualidade.
Mas, é evidente que não poderíamos terminar estas palavras sem nos dirigirmos, de modo especial, à mui nobre representação equatoriana, aqui presente, formada pela maior parte do seu episcopado, com centenas dos seus fiéis e presidida por uma Embaixada Extraordinária, em que figuram nomes cujos méritos não nos são desconhecidos.
Maria Ana de Jesus de Paredes é um exemplo para todos mas, de uma maneira especial, para vós, amados filhos equatorianos. Muitas vezes, as alternativas contingentes da política de cada dia podem imprimir, aos critérios directivos, tais oscilações que se coloquem em perigo valores tão fundamentais como a educação cristã. Não o permitais mas, pelo contrário, exigi para as vossas gerações futuras uma formação enquadrada pelas virtudes que fizeram grande a vossa Santa. Proponde aos vossos filhos o modelo perfeito da sua "heroína nacional", Santa Maria Ana de Jesus de Paredes…”
A sua memória litúrgica desta Santa equatoriana celebra-se no dia 26 de Maio.