SÃO JOÃO DE CALÁBRIA
Algumas pessoas de São Vicente, ao
entrarem em sua casa, tomavam a liberdade de levantar as testos das panelas
para verificar "o que estava a ser cozinhado" e repreendiam o seu pai
por fumar, como se esse vício fosse a origem da ruína da família. Essa
lembrança marca toda a profundidade da pobreza em que ele nasceu e cresceu.
João nasceu em Verona, no dia 8 de Outubro de 1873. Foi o sétimo e último filho de Luí de Calábria, sapateiro, e de Ângela Foschio, empregada doméstica de grande fé, muito religiosa, de espírito gentil, piedade sincera, grande confiança em Deus e grande devoção a Nossa Senhora das Dores, tendo sido educada pelo padre Nicola Mazza, no seu Instituto para meninas pobres
O seu pai, com o seu trabalho de sapateiro, não conseguia providenciar comida suficiente para todos, e sua mãe também não, embora trabalhasse arduamente como lavadeira e passadeira.
A situação piorou com a morte prematura do pai, e ele teve de procurar um trabalho para ajudar no sustento da casa; mas, a família estava falida; foi despejada e acolhida por pura caridade. A mãe estava especialmente preocupada com o filho, que não conseguia encontrar um emprego adequado: ele queria ser padre, mas era sonhador e idealista demais, e estragava tudo o que empreendia, a ponto de ser sempre despedido, ao fim de alguns meses.
Um padre de Verona, o Padre Pedro Scapini, Pároco de São Lourenço, percebendo as virtudes do jovem, levou-o a sério e prometeu prepará-lo, em particular, para entrar no Seminário. E conseguiu, provando que o rapaz não era tolo, apesar da sua formação cultural ser marcada por muitas lacunas nos estudos e conhecimentos pouco adquiridos. Mesmo no Seminário, ele não conseguiu inspirar ninguém, pois, embora reconhecido por todos como bom, devoto e sensível. A sua falta de instrução continuava a ser um obstáculo intransponível. Debateram se seria apropriado que ele vestisse a batina e iniciasse os seus estudos teológicos e, para ganhar tempo, enviaram-no para o serviço militar. De uniforme, ele não foi excepção: desajeitado com armas, atrapalhado em exercícios militares, completamente inadequado para dar ordens e exigir obediência, descobriram a sua gentileza e sensibilidade ao tratar e confortar, especialmente, aqueles que sofriam de sífilis e doenças infecciosas. O debate sobre sua ordenação reabriu com o seu regresso ao Seminário, com os seus detractores a continuar a apontar as suas deficiências e os admiradores (principalmente o próprio Padre Scapini) exaltando os seus talentos e as suas qualidades. Por fim, prevaleceu esta última opção: ele foi ordenado sacerdote, no dia 11 de Agosto de 1901, aos 28 anos de idade.
O episódio que direcionou, decisivamente, a sua vida para a caridade - como aconteceu com Dom Bosco - envolveu uma criança cigana que tinha fugido do seu grupo, que ele acolheu, em sua casa, e confiou aos cuidados da sua mãe. Depois dela, vieram muitas outras, resgatadas das ruas e de uma vida de pobreza, e que frequentemente representavam um foco de travessuras, rasando a delinquência, que seguiram o exemplo das primeiras crianças. Ele chamava-as "Boas Crianças" e para as quais, em 1907, abriu a primeira instituição, pois a sua casa já não comportava todas.
Comentários pouco lisonjeiros e julgamentos pouco gentis começaram a surgir, especialmente dos seus irmãos, que apelidavam a sua preocupação com os pobres de pura e simples loucura. Tão maliciosos quanto esses são os comentários sobre sua nomeação como confessor do clero, desejada pelo bispo, que não deixou de notar como as pessoas se aglomeram no seu confessionário, em busca de absolvição e conselho, evidentemente pressentindo nele aquela santidade sacerdotal, que normalmente nunca passa despercebida pelo Povo de Deus.
Assim nasceram os "Pobres Servos da Divina Providência", seguidos, alguns anos depois, pelo ramo feminino, todos chamados a "mostrar ao mundo que a divina Providência existe; que Deus não é um estranho, mas é Pai e pensa em nós". Ele queria que eles actuassem nas áreas mais pobres, "onde não há nada de humano a se esperar", e designou, como seus tesouros, "criaturas abandonadas, rejeitadas e desprezadas: os idosos, os doentes, os pecadores", com o objectivo primordial de "reviver no mundo a fé e a confiança em Deus, Pai de todos, através do abandono total à sua divina Providência, em tudo o que diz respeito às necessidades da vida". Ao ensinar aos seus ‘filhos’ que "a primeira Providência é a cabeça no pescoço", ele exortava-os e encorajava-os: "Um retorno prático às fontes puras do Evangelho é urgentemente necessário... Ou se crê, ou não se crê; se não se crê, deve rasgar-se o Evangelho".
Uma franja dos seus ‘filhos’ não o poupou de amargura e decepção, mesmo após um apelo ao Vaticano que provocou uma "visita apostólica" que durou 12 anos. Em 3 de Dezembro de 1954, ele realizou o seu último acto de caridade, oferecendo a sua vida ao Senhor pelo Papa Pio XII, que estava a morrer. Faleceu no dia seguinte, enquanto o Papa, misteriosa e repentinamente, recuperou a saúde, vivendo em plena actividade por mais quatro anos.
O Padre João Calábria é conhecido como o "santo da Divina Providência", confiante e filialmente abandonado nas mãos de Deus Pai. Ele é também o santo da caridade, que abraça a vida machucada e ferida que encontramos ao longo do nosso caminho. Uma caridade repleta de compaixão e amor. O seu lema era "Santo ou morto", reflectindo o desejo de uma vida santa como fôlego da sua existência, vivendo a santidade como uma vivência radical do próprio baptismo e da vida cristã; uma santidade que nos conduz à verdadeira plenitude da vida.
Padre João Calábria fundou duas congregações: os Pobres Servos e as Pobres Servas da Divina Providência. Após a sua morte, surgiu, na América Latina, a Congregação das Missionárias dos Pobres. Além dessas congregações, há muitos leigos e leigas, irmãos e irmãs externos, alunos e diversos grupos que, juntos, formam a Família Calabriana, presente em 13 países, nos cinco continentes. Esse legado continua a inspirar e guiar a Igreja e o mundo contemporâneo na busca pela vivência autêntica do Evangelho e pela caridade em acção.
O Padre João de Calábria foi beatificado no dia 17 de Abril de 1988, pelo Papa João Paulo II que o canonizado no dia 18 de Abril de 1999. (cf. santi beati )
João nasceu em Verona, no dia 8 de Outubro de 1873. Foi o sétimo e último filho de Luí de Calábria, sapateiro, e de Ângela Foschio, empregada doméstica de grande fé, muito religiosa, de espírito gentil, piedade sincera, grande confiança em Deus e grande devoção a Nossa Senhora das Dores, tendo sido educada pelo padre Nicola Mazza, no seu Instituto para meninas pobres
O seu pai, com o seu trabalho de sapateiro, não conseguia providenciar comida suficiente para todos, e sua mãe também não, embora trabalhasse arduamente como lavadeira e passadeira.
A situação piorou com a morte prematura do pai, e ele teve de procurar um trabalho para ajudar no sustento da casa; mas, a família estava falida; foi despejada e acolhida por pura caridade. A mãe estava especialmente preocupada com o filho, que não conseguia encontrar um emprego adequado: ele queria ser padre, mas era sonhador e idealista demais, e estragava tudo o que empreendia, a ponto de ser sempre despedido, ao fim de alguns meses.
Um padre de Verona, o Padre Pedro Scapini, Pároco de São Lourenço, percebendo as virtudes do jovem, levou-o a sério e prometeu prepará-lo, em particular, para entrar no Seminário. E conseguiu, provando que o rapaz não era tolo, apesar da sua formação cultural ser marcada por muitas lacunas nos estudos e conhecimentos pouco adquiridos. Mesmo no Seminário, ele não conseguiu inspirar ninguém, pois, embora reconhecido por todos como bom, devoto e sensível. A sua falta de instrução continuava a ser um obstáculo intransponível. Debateram se seria apropriado que ele vestisse a batina e iniciasse os seus estudos teológicos e, para ganhar tempo, enviaram-no para o serviço militar. De uniforme, ele não foi excepção: desajeitado com armas, atrapalhado em exercícios militares, completamente inadequado para dar ordens e exigir obediência, descobriram a sua gentileza e sensibilidade ao tratar e confortar, especialmente, aqueles que sofriam de sífilis e doenças infecciosas. O debate sobre sua ordenação reabriu com o seu regresso ao Seminário, com os seus detractores a continuar a apontar as suas deficiências e os admiradores (principalmente o próprio Padre Scapini) exaltando os seus talentos e as suas qualidades. Por fim, prevaleceu esta última opção: ele foi ordenado sacerdote, no dia 11 de Agosto de 1901, aos 28 anos de idade.
O episódio que direcionou, decisivamente, a sua vida para a caridade - como aconteceu com Dom Bosco - envolveu uma criança cigana que tinha fugido do seu grupo, que ele acolheu, em sua casa, e confiou aos cuidados da sua mãe. Depois dela, vieram muitas outras, resgatadas das ruas e de uma vida de pobreza, e que frequentemente representavam um foco de travessuras, rasando a delinquência, que seguiram o exemplo das primeiras crianças. Ele chamava-as "Boas Crianças" e para as quais, em 1907, abriu a primeira instituição, pois a sua casa já não comportava todas.
Comentários pouco lisonjeiros e julgamentos pouco gentis começaram a surgir, especialmente dos seus irmãos, que apelidavam a sua preocupação com os pobres de pura e simples loucura. Tão maliciosos quanto esses são os comentários sobre sua nomeação como confessor do clero, desejada pelo bispo, que não deixou de notar como as pessoas se aglomeram no seu confessionário, em busca de absolvição e conselho, evidentemente pressentindo nele aquela santidade sacerdotal, que normalmente nunca passa despercebida pelo Povo de Deus.
Assim nasceram os "Pobres Servos da Divina Providência", seguidos, alguns anos depois, pelo ramo feminino, todos chamados a "mostrar ao mundo que a divina Providência existe; que Deus não é um estranho, mas é Pai e pensa em nós". Ele queria que eles actuassem nas áreas mais pobres, "onde não há nada de humano a se esperar", e designou, como seus tesouros, "criaturas abandonadas, rejeitadas e desprezadas: os idosos, os doentes, os pecadores", com o objectivo primordial de "reviver no mundo a fé e a confiança em Deus, Pai de todos, através do abandono total à sua divina Providência, em tudo o que diz respeito às necessidades da vida". Ao ensinar aos seus ‘filhos’ que "a primeira Providência é a cabeça no pescoço", ele exortava-os e encorajava-os: "Um retorno prático às fontes puras do Evangelho é urgentemente necessário... Ou se crê, ou não se crê; se não se crê, deve rasgar-se o Evangelho".
Uma franja dos seus ‘filhos’ não o poupou de amargura e decepção, mesmo após um apelo ao Vaticano que provocou uma "visita apostólica" que durou 12 anos. Em 3 de Dezembro de 1954, ele realizou o seu último acto de caridade, oferecendo a sua vida ao Senhor pelo Papa Pio XII, que estava a morrer. Faleceu no dia seguinte, enquanto o Papa, misteriosa e repentinamente, recuperou a saúde, vivendo em plena actividade por mais quatro anos.
O Padre João Calábria é conhecido como o "santo da Divina Providência", confiante e filialmente abandonado nas mãos de Deus Pai. Ele é também o santo da caridade, que abraça a vida machucada e ferida que encontramos ao longo do nosso caminho. Uma caridade repleta de compaixão e amor. O seu lema era "Santo ou morto", reflectindo o desejo de uma vida santa como fôlego da sua existência, vivendo a santidade como uma vivência radical do próprio baptismo e da vida cristã; uma santidade que nos conduz à verdadeira plenitude da vida.
Padre João Calábria fundou duas congregações: os Pobres Servos e as Pobres Servas da Divina Providência. Após a sua morte, surgiu, na América Latina, a Congregação das Missionárias dos Pobres. Além dessas congregações, há muitos leigos e leigas, irmãos e irmãs externos, alunos e diversos grupos que, juntos, formam a Família Calabriana, presente em 13 países, nos cinco continentes. Esse legado continua a inspirar e guiar a Igreja e o mundo contemporâneo na busca pela vivência autêntica do Evangelho e pela caridade em acção.
O Padre João de Calábria foi beatificado no dia 17 de Abril de 1988, pelo Papa João Paulo II que o canonizado no dia 18 de Abril de 1999. (cf. santi beati )
