Terminou a visita pastoral do
Sr. D. João Lavrador. Foram muitos os encontros: com os grupos e as
instituições católicas, as escolas, os doentes, as associações culturais e
recreativas da freguesia, a catequese, etc. Foram duas semanas de intensa
comunhão humana e espiritual que, certamente, ficará gravada no coração de todos
os que se encontraram com o Sr. D. João Lavrador. A celebração do Crisma foi um
momento extraordinário de compromisso e de louvor a Deus; o culminar de toda a
visita pastoral. Na homilia da missa, o Sr. Bispo disse: “… O Espírito Santo
anima a Igreja. Ela é o Corpo de Cristo, animado pelo Espírito Santo. Na descrição
de todos os povos que presenciam a efusão do Espírito Santo, sentimos a Igreja como
católica desde o primeiro momento, e por isso, a sua universalidade não se
reduz à inclusão sucessiva de diversas comunidades. Com efeito, desde o
primeiro instante, o Espírito Santo criou-a como a Igreja de todos os povos;
ela abraça o mundo inteiro, supera todas as fronteiras de raça, classe e nação;
abate as barreiras e une os homens na profissão do Deus uno e trino…”
Agradecemos ao Sr. D. João Lavrador a alegria da sua presença, o estímulo da sua
palavra e a manifestação do seu carinho pastoral.
PALAVRA COM SENTIDO
PALAVRA COM SENTIDO
“… O Senhor ressuscitou, verdadeiramente!…” (cf. Antífona do Domingo de Páscoa)
Hoje ecoa em todo o mundo o anúncio da Igreja: «Jesus Cristo ressuscitou»; «ressuscitou verdadeiramente»!
Como uma nova chama, se acendeu esta Boa Nova na noite: a noite dum mundo já a braços com desafios epocais e agora oprimido pela pandemia, que coloca à dura prova a nossa grande família humana. Nesta noite, ressoou a voz da Igreja: «Cristo, minha esperança, ressuscitou!» (Sequência da Páscoa).
É um «contágio» diferente, que se transmite de coração a coração, porque todo o coração humano aguarda esta Boa Nova. É o contágio da esperança: «Cristo, minha esperança, ressuscitou!» Não se trata duma fórmula mágica, que faça desvanecerem-se os problemas. Não! A ressurreição de Cristo não é isso. Mas é a vitória do amor sobre a raiz do mal, uma vitória que não «salta» por cima do sofrimento e da morte, mas atravessa-os abrindo uma estrada no abismo, transformando o mal em bem: marca exclusiva do poder de Deus.
O Ressuscitado é o Crucificado; e não outra pessoa. Indeléveis no seu corpo glorioso, traz as chagas: feridas que se tornaram frestas de esperança. Para Ele, voltamos o nosso olhar para que sare as feridas da humanidade atribulada.
Hoje penso sobretudo em quantos foram atingidos diretamente pelo coronavírus: os doentes, os que morreram e os familiares que choram a partida dos seus queridos e por vezes sem conseguir sequer dizer-lhes o último adeus.
O Senhor da vida acolha junto de Si no seu Reino os falecidos e dê conforto e esperança a quem ainda está na prova, especialmente aos idosos e às pessoas sem ninguém. Não deixe faltar a sua consolação e os auxílios necessários a quem se encontra em condições de particular vulnerabilidade, como aqueles que trabalham nas casas de cura ou vivem nos quartéis e nas prisões.
Para muitos, é uma Páscoa de solidão, vivida entre lutos e tantos incómodos que a pandemia está a causar, desde os sofrimentos físicos até aos problemas económicos.
Esta epidemia não nos privou apenas dos afetos, mas também da possibilidade de recorrer pessoalmente à consolação que brota dos Sacramentos, especialmente da Eucaristia e da Reconciliação. Em muitos países, não foi possível aceder a eles, mas o Senhor não nos deixou sozinhos! Permanecendo unidos na oração, temos a certeza de que Ele colocou sobre nós a sua mão (cf. Sal 139/138, 5), repetindo a cada um com veemência: Não tenhas medo! «Ressuscitei e estou contigo para sempre» (cf. Missal Romano).
Jesus, nossa Páscoa, dê força e esperança aos médicos e enfermeiros, que por todo o lado oferecem um testemunho de solicitude e amor ao próximo até ao extremo das forças e, por vezes, até ao sacrifício da própria saúde. Para eles, bem como para quantos trabalham assiduamente para garantir os serviços essenciais necessários à convivência civil, para as forças da ordem e os militares que em muitos países contribuíram para aliviar as dificuldades e tribulações da população, vai a nossa saudação afetuosa juntamente com a nossa gratidão.
Nestas semanas, alterou-se improvisamente a vida de milhões de pessoas. Para muitos, ficar em casa foi uma ocasião para refletir, parar os ritmos frenéticos da vida, permanecer com os próprios familiares e desfrutar da sua companhia. Mas, para muitos outros, é também um momento de preocupação pelo futuro que se apresenta incerto, pelo emprego que se corre o risco de perder e pelas outras consequências que acarreta a atual crise. Encorajo todas as pessoas que detêm responsabilidades políticas a trabalhar ativamente em prol do bem comum dos cidadãos, fornecendo os meios e instrumentos necessários para permitir a todos que levem uma vida digna e favorecer – logo que as circunstâncias o permitam – a retoma das atividades diárias habituais.
Este não é tempo para a indiferença, porque o mundo inteiro está a sofrer e deve sentir-se unido ao enfrentar a pandemia. Jesus ressuscitado dê esperança a todos os pobres, a quantos vivem nas periferias, aos refugiados e aos sem abrigo. Não sejam deixados sozinhos estes irmãos e irmãs mais frágeis, que povoam as cidades e as periferias de todas as partes do mundo. Não lhes deixemos faltar os bens de primeira necessidade, mais difíceis de encontrar agora que muitas atividades estão encerradas, bem como os medicamentos e sobretudo a possibilidade duma assistência sanitária adequada. Em consideração das presentes circunstâncias, sejam abrandadas também as sanções internacionais que impedem os países visados de proporcionar apoio adequado aos seus cidadãos e seja permitido a todos os Estados acudir às maiores necessidades do momento atual, reduzindo – se não mesmo perdoando – a dívida que pesa sobre os orçamentos dos mais pobres.
Este não é tempo para egoísmos, pois o desafio que enfrentamos nos une a todos e não faz distinção de pessoas. Dentre as muitas áreas do mundo afetadas pelo coronavírus, penso de modo especial na Europa. Depois da II Guerra Mundial, este Continente pôde ressurgir graças a um espírito concreto de solidariedade, que lhe permitiu superar as rivalidades do passado. É muito urgente, sobretudo nas circunstâncias presentes, que tais rivalidades não retomem vigor; antes, pelo contrário, todos se reconheçam como parte duma única família e se apoiem mutuamente. Hoje, à sua frente, a União Europeia tem um desafio epocal, de que dependerá não apenas o futuro dela, mas também o do mundo inteiro. Não se perca esta ocasião para dar nova prova de solidariedade, inclusive recorrendo a soluções inovadoras. Como alternativa, resta apenas o egoísmo dos interesses particulares e a tentação dum regresso ao passado, com o risco de colocar à dura prova a convivência pacífica e o progresso das próximas gerações.
Este não é tempo para divisões. Cristo, nossa paz, ilumine a quantos têm responsabilidades nos conflitos, para que tenham a coragem de aderir ao apelo a um cessar-fogo global e imediato em todos os cantos do mundo. Este não é tempo para continuar a fabricar e comercializar armas, gastando somas enormes que deveriam ser usadas para cuidar das pessoas e salvar vidas. Ao contrário, seja o tempo em que finalmente se ponha termo à longa guerra que ensanguentou a amada Síria, ao conflito no Iémen e às tensões no Iraque, bem como no Líbano. Seja este o tempo em que israelitas e palestinianos retomem o diálogo para encontrar uma solução estável e duradoura que permita a ambos os povos viverem em paz. Cessem os sofrimentos da população que vive nas regiões orientais da Ucrânia. Ponha-se termo aos ataques terroristas perpetrados contra tantas pessoas inocentes em vários países da África.
Este não é tempo para o esquecimento. A crise que estamos a enfrentar não nos faça esquecer muitas outras emergências que acarretam sofrimentos a tantas pessoas. Que o Senhor da vida Se mostre próximo das populações da Ásia e da África que estão a atravessar graves crises humanitárias, como na Região de Cabo Delgado, no norte de Moçambique. Acalente o coração das inúmeras pessoas refugiadas e deslocadas por causa de guerras, seca e carestia. Proteja os inúmeros migrantes e refugiados, muitos deles crianças, que vivem em condições insuportáveis, especialmente na Líbia e na fronteira entre a Grécia e a Turquia. E não quero esquecer a ilha de Lesbos. Faça com que na Venezuela se chegue a soluções concretas e imediatas, destinadas a permitir a ajuda internacional à população que sofre por causa da grave conjuntura política, socioeconómica e sanitária.
Queridos irmãos e irmãs,
Verdadeiramente palavras como indiferença, egoísmo, divisão, esquecimento não são as que queremos ouvir neste tempo. Mais, queremos bani-las de todos os tempos! Aquelas parecem prevalecer quando em nós vencem o medo e a morte, isto é, quando não deixamos o Senhor Jesus vencer no nosso coração e na nossa vida. Ele, que já derrotou a morte abrindo-nos a senda da salvação eterna, dissipe as trevas da nossa pobre humanidade e introduza-nos no seu dia glorioso, que não conhece ocaso.
Com estas reflexões, gostaria de vos desejar a todos uma Páscoa feliz. (Mensagem do Papa Francisco na Bênção Urbi et Orbe, no Domingo de Páscoa de 2020).
segunda-feira, 28 de maio de 2012
PALAVRA DO PAPA
- aos Bispos italianos
“…Os homens vivem de Deus,
Aquele que, tantas vezes, de modo inconsciente e apenas como que às
apalpadelas, eles procuram para dar pleno significado à existência. Nós temos a
tarefa de O anunciar, de O mostrar, de guiar até ao encontro com Ele. Mas é
sempre importante recordarmo-nos que a primeira condição para falar de Deus é
falar com Deus, é tornarmo-nos cada vez mais homens de Deus, alimentados por
uma intensa vida espiritual de oração e lasmados pela sua Graça (…) Quereria
dizer a cada um: deixemo-nos encontrar e assumir por Deus, para ajudar todas as
pessoas com que nos cruzamos a serem atingidas pela Verdade. É desta relação
com Ele que nasce a nossa comunhão e se gera a comunidade eclesial, que abraça todos
os tempos e lugares para constituir o único Povo de Deus…”
PARA REZAR
Vinde, ó santo Espírito, vinde, Amor ardente,
acendei na terra vossa luz fulgente.
Vinde, Pai dos pobres: na dor e aflições,
vinde encher de gozo nossos corações.
Benfeitor supremo em todo o momento,
habitando em nós sois o nosso alento.
Descanso na luta e na paz encanto,
no calor sois brisa, conforto no pranto.
Luz de santidade, que no Céu ardeis,
abrasai as almas dos vossos fiéis.
Sem a vossa força e favor clemente,
nada há no homem que seja inocente.
Lavai nossas manchas, a aridez regai,
sarai os enfermos e a todos salvai.
Abrandai durezas para os caminhantes,
animai os tristes, guiai os errantes.
Vossos sete dons concedei à alma
do que em Vós confia:Virtude na vida,
amparo na morte, no Céu alegria.
SANTOS POPULARES
SANTA JOANA D’ARC
-nas palavras do Papa Bento
XVI
“Gostaria de vos falar de
Joana d’Arc, uma jovem santa do fim da Idade Média, morta com 19 anos em 1431.
Esta santa francesa, citada várias vezes no Catecismo da Igreja Católica, está particularmente
próxima de santa Catarina de Sena, padroeira da Itália e da Europa, de quem falei
numa catequese recente. Com efeito, são duas jovens do povo, leigas e
consagradas na virgindade; duas místicas comprometidas, não no claustro, mas
sim no meio das realidades mais dramáticas da Igreja e do mundo da sua época.
São, talvez, as figuras mais características daquelas «mulheres fortes» que, no
final da Idade Média, propagaram sem medo a grande luz do Evangelho nas
complexas vicissitudes da história. Poderíamos compará-las com as santas mulheres
que permaneceram no Calvário, perto de Jesus Crucificado e de Maria, sua Mãe, enquanto
os Apóstolos fugiram e o próprio Pedro O tinha negado três vezes. Naquele
período, a
Igreja vivia a profunda crise
do grande cisma do Ocidente, que durou quase 40 anos. Quando Catarina de Siena faleceu,
em 1380, havia um Papa e um antipapa; quando Joana nasceu, em 1412, havia um
Papa e dois antipapas. Juntamente com esta laceração no interior da Igreja
havia contínuas guerras fratricidas entre os povos cristãos da Europa, das
quais a mais dramática foi a interminável «Guerra dos cem anos» entre a França
e a Inglaterra. Joana d’Arc não sabia ler nem escrever, mas pode ser conhecida,
no mais profundo da sua alma, graças a duas fontes de extraordinário valor
histórico: os dois Processos que lhe dizem respeito. O primeiro, o Processo de
Condenação (PCon), contém a transcrição dos longos e numerosos interrogatórios
de Joana, durante os últimos meses da sua vida (Fevereiro-Maio de 1431), e cita
as próprias palavras da santa. O segundo, o Processo de Nulidade da Condenação,
ou de «Reabilitação» (PNul), contém as disposições de cerca de 120 testemunhas
oculares de todos os períodos da sua vida (cf. Procès de Condamnation de Jeanne
d'Arc, 3 vols. e Procès en Nullité de la Condamnation de Jeanne d'Arc, 5 vols.,
ed. Klincksieck, Paris 1960-1989). Joana nasceu em Domremy, um pequeno povoado
situado na fronteira entre a França e a Lorena. Os seus pais são camponeses
abastados, conhecidos por todos como cristãos excelentes. Deles recebe uma boa
educação religiosa, com uma notável influência da espiritualidade do Nome de
Jesus, ensinada por são Bernardino de Sena e propagada na Europa pelos franciscanos.
Ao nome de Jesus é sempre unido o nome de Maria e assim, por detrás da religiosidade
popular, a espiritualidade de Joana é profundamente cristocêntrica e mariana. Desde
a infância, ela demonstra uma grande caridade e compaixão pelos mais pobres,
pelos doentes e por todos os que sofrem, no contexto dramático da guerra. Das
suas próprias palavras sabemos que a vida religiosa de Joana amadurece como
experiência mística a partir da idade de 13 anos (PCon, I, pp. 47-48). Através
da «voz» do arcanjo São Miguel, Joana sente-se chamada pelo Senhor a
intensificar a sua vida cristã e também a comprometer-se pessoalmente pela libertação
do seu povo. A sua resposta imediata, o seu «sim» é o voto de virgindade, com
um novo compromisso na vida sacramental e na oração: participação quotidiana na
Missa, Confissão e Comunhão frequentes, longos momentos de oração silenciosa
diante do Crucifixo ou da imagem de Nossa Senhora. A compaixão e o compromisso
da jovem camponesa francesa diante do sofrimento do seu povo tornam-se mais intensos
graças à sua relação mística com Deus. Um dos aspectos mais originais da
santidade desta jovem é precisamente este vínculo entre experiência mística e
missão política. Depois dos anos de vida escondida e de amadurecimento interior
segue-se o biénio breve, mas intenso, da sua vida pública: um ano de acção e um
ano de paixão. No início do ano de 1429, Joana começa a sua obra de libertação.
Os numerosos testemunhos mostram-nos esta jovem de apenas 17 anos como uma
pessoa muito forte e determinada, capaz de convencer homens inseguros e
desanimados. Superando todos os obstáculos, encontra o Delfim da França, o futuro
Rei Carlos VII, que em Poitiers a submete a um exame da parte de alguns
teólogos da Universidade. O seu juízo é positivo: nela não vêem nada de mal,
mas só uma boa cristã. A 22 de Março de 1429, Joana dita uma importante carta
ao Rei da Inglaterra e aos seus homens que assediam a cidade de Orléans (Ibid.,
pp. 221-222). A sua proposta é de verdadeira paz na justiça entre os dois povos
cristãos, à luz dos Nomes de Jesus e de Maria, mas é rejeitada, e Joana deve
empenhar-se na luta pela libertação da cidade, que tem lugar no dia 8 de Maio.
O outro momento culminante da sua obra é a coroação do Rei Carlos VII em Reims,
no dia 17 de Julho de 1429. Durante um ano inteiro, Joana vive com os soldados,
realizando no meio deles uma verdadeira missão de evangelização. São numerosos
os testemunhos relativos à sua bondade, à sua coragem e à sua pureza
extraordinária. É chamada por todos e ela mesma define- se «a donzela», ou
seja, a virgem. A paixão de Joana tem início a 23 de Maio de 1430, quando cai
prisioneira nas mãos dos seus inimigos. No dia 23 de Dezembro é conduzida à
cidade de Rouen. É ali que se realiza o longo e dramático Processo de
Condenação, que começa em Fevereiro de 1431 e termina a 30 de Maio, com a
fogueira. É um processo grande e solene, presidido por dois juízes
eclesiásticos, o bispo Pierre Cauchon e o inquisidor Jean le Maistre, mas na
realidade inteiramente orientado por um numeroso grupo de teólogos da célebre
Universidade de Paris, que participam no processo como assessores. São
eclesiásticos franceses que, tendo feito uma escolha política oposta àquela de
Joana, têm, a priori, um juízo negativo sobre a sua pessoa e a sua missão. Este
processo é uma página devastante da história da santidade e também uma página
iluminadora sobre o mistério da Igreja que, segundo as palavras do Concílio
Vaticano II, é «simultaneamente santa e sempre necessitada de purificação» (LG,
8). É o encontro dramático entre esta santa e os seus juízes, que são
eclesiásticos. Joana é acusada e julgada por eles, a ponto de ser condenada
como herege e enviada à morte terrível na fogueira. Diversamente dos santos
teólogos que tinham iluminado a Universidade de Paris, como são Boaventura, são
Tomas de Aquino e o beato Duns Scoto, dos quais falei em algumas catequeses,
estes juízes são teólogos aos quais faltam a caridade e a humildade de ver
nesta jovem a obra de Deus. Vêm à mente as palavra de Jesus, segundo as quais
os mistérios de Deus são revelados àqueles que têm o coração das crianças, enquanto
permanecem escondidos aos doutos e sábios que não têm humildade (cf. Lc 10,
21). Assim, os juízes de Joana são radicalmente incapazes de a compreender, de
ver a beleza da sua alma: não sabiam que condenavam uma santa. O apelo de Joana
ao juízo do Papa, a 24 de Maio, é rejeitado pelo tribunal. Na manhã de 30 de Maio
ela recebe pela última vez a sagrada Comunhão no cárcere e é imediatamente
conduzida ao suplício na praça do velho mercado. Pede a um dos sacerdotes que
conserve diante da fogueira uma cruz de procissão. Assim, morre contemplando
Jesus Crucificado e pronunciando várias vezes e em voz alta o Nome de Jesus
(PNul, I, p. 457; cf. Catecismo da Igreja Católica, 435). Cerca de 25 anos mais
tarde, o Processo de Nulidade, aberto sob a autoridade do PapaCalisto III, conclui-se com uma solene sentença que declara nula a condenação (7 de Julho de 1456; PNul, II, pp. 604-610). Este longo processo, que reuniu as deposições das testemunhas e os juízos de muitos teólogos, todos favoráveis a Joana, evidencia a sua inocência e a sua fidelidade perfeita à Igreja. Joana d’Arc será depois canonizada por Bento XV, em 1920. Prezados irmãos e irmãs o Nome de Jesus, invocado pela nossa santa até nos últimos instantes da sua vida terrena, era como que o suspiro contínuo da sua alma, como a palpitação do seu coração, o centro de toda a sua vida. O «Mistério da caridade de Joana d’Arc», que tanto tinha fascinado o poeta Charles Péguy, é este amor total por Jesus, e pelo próximo em Jesus e por Jesus. Esta santa tinha compreendido que o Amor abraça toda a realidade de Deus e do homem, do céu e da terra, da Igreja e do mundo. Jesus está sempre em primeiro lugar na sua vida,
segundo a sua bonita expressão: «Nosso Senhor, o primeiro a ser servido» (PCon, I, p. 288; cf. Catecismo da Igreja Católica, 223). Amá-lo significa obedecer sempre à sua vontade. Ela afirma com total confiança e abandono: «Entrego-me a Deus meu Criador, amo-O com todo o meu coração» (Ibid., p. 337). Com o voto de virgindade, Joana consagra de modo exclusivo toda a sua pessoa ao único Amor de Jesus: é «a sua promessa feita a nosso Senhor, de conservar bem a sua virgindade de corpo e de alma» (Ibid., pp. 149-150). A virgindade da alma é o estado de graça, valor supremo, para ela mais precioso do que a vida: é um dom de Deus, que deve ser recebido e conservado com humildade e confiança. Um dos textos mais conhecidos do primeiro
Processo diz respeito precisamente a isto: Interrogada se sabia que estava na graça de Deus, responde: se não estou nela, que Deus me queira pôr; se aí estou, Deus me queira conservar» (Ibid., p. 62; cf. Catecismo da Igreja Católica, n. 2005). A nossa santa vive a oração na forma de um diálogo contínuo com o Senhor, que ilumina também o seu diálogo com os juízes e lhe dá paz e segurança. Ela pede com confiança: «Dulcíssimo Deus, em honra da vossa santa Paixão, peço-vos, se me amais, que me reveleis como devo responder a estes homens de Igreja» (Ibid., p. 252). Jesus é contemplado por Joana como o «Rei do Céu e da Terra». Assim, no seu estandarte, Joana mandou pintar a imagem de «Nosso Senhor que mantém o mundo» (Ibid., p. 172): ícone da sua missão política. A libertação do seu povo é uma obra de justiça humana, que Joana realiza na caridade, por amor a Jesus. O seu é um bonito exemplo de santidade para os leigos comprometidos na vida política, sobretudo nas situações mais difíceis. A fé é a luz que orienta todas as opções, como testemunhará um século mais tarde outro grande santo, o inglês Tomás More. Em Jesus, Joana contempla também toda a realidade da Igreja, tanto a «Igreja triunfante» do Céu, como a «Igreja
militante» da terra. Segundo as suas palavras, «um só é Nosso Senhor e a Igreja» (Ibid., p. 166). Esta afirmação, citada pelo Catecismo da Igreja Católica (cf. n. 795), tem uma índole verdadeiramente heróica no contexto do Processo de Condenação, diante dos seus juízes, homens de Igreja, que a perseguiram e a condenaram. No Amor de Jesus, Joana encontra a força para amar a Igreja até ao fim, inclusive no momento da condenação. Apraz-me recordar como santa Joana d’Arc teve uma profunda influência sobre uma jovem santa da época moderna: Teresa do Menino Jesus. Numa vida completamente diferente, transcorrida na clausura, a carmelita de Lisieux sentia-se muito próxima de Joana, vivendo no coração da Igreja e participando nos adecimentos de Cristo para a salvação do mundo. A Igreja reuniu-as como Padroeiras da França, depois da Virgem Maria. Santa Teresa tinha expresso o seu desejo de morrer como Joana, pronunciando o Nome de Jesus (Manuscritto B, 3r), e era animada pelo mesmo grande amor a Jesus e ao próximo, vivido na virgindade consagrada. Queridos irmãos e irmãs, com o seu testemunho luminoso, santa Joana d’Arc convida-nos a uma medida alta da vida cristã: fazer da oração o fio condutor dos nossos dias; ter plena confiança no cumprimento da vontade de Deus, qualquer que ela seja; viver a caridade sem favoritismos, sem limites e, como ela, haurindo do Amor de Jesus um profundo amor pela greja.
(Papa Bento XVI, Audiência Geral, Sala Paulo VI, Quarta-feira, 26 de Janeiro de 2011)
FESTA DO PAI NOSSO
A catequese, de Santa Maria da Feira “Matriz” celebrou no sábado 19 de Maio de 2012 a festa do Pai-Nosso. Para valorizar o sentido desta festa as crianças do 2º ano da catequese levaram um andor com a imagem de Jesus que é a Palavra viva de Deus que nós tanto precisamos de ouvir e pôr em prática. O Pai-Nosso é a oração mais íntima entre os cristãos e Deus. É a oração da Igreja por excelência. É a oração mais completa porque sintetiza as três atitudes do cristão:
Louvor a Deus.
Perdoar.
Agradecer.
O Senhor padre fez referência à importância da oração na nossa vida e à grandiosidade da oração do Pai Nosso. Esta oração traduz a relação recíproca Pai-Filho. Como diz Mateus 7,7 Pedi, e ser-vos-á dado; procurai, e encontrareis; batei, e hão-de abrir-vos. As crianças pediram a Jesus que os ame; que compreenda as suas fraquezas; que os alegre quando estão tristes; e que lhes dê coragem para enfrentarem os desafios desta sociedade que cada vez se afasta mais do Pai. Pelo infinito amor de Deus rezaram a Jesus. Para Ti que estás no Céu o nosso muito obrigado de amor, que vai todo inteirinho num sorriso e nesta flor. Oferta que fizeram.
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