PALAVRA COM SENTIDO

PALAVRA COM SENTIDO

“…[Jesus] passou fazendo o bem…” (cf. Actos 10, 38)

Jesus veio ao mundo para salvar o mundo. A missão realiza-se através da sua pregação, dos seus gestos e milagres, das suas atitudes de acolhimento dos mais necessitados: dos doentes, dos pobres e dos pecadores. Não marginalizando ninguém – a sua proposta é universal – Jesus manifesta um especial carinho por aqueles que, na vida da sociedade, são descartados e considerados sem valor, dignidade ou santidade de vida. A sua missão atinge o auge quando, abandonado por todos, foi preso, condenado e crucificado. Na Cruz, Jesus entrega-se, inteira e radicalmente, por nosso amor, na plena fidelidade ao amor do Pai. Toda a vida de Jesus foi uma bênção e um bem: Ele passou pela vida terrena fazendo o bem. Este Cristo que nos ama, também nos desafia a gastar a nossa vida fazendo o bem: amando, cuidando, perdoando, acolhendo… “Fazer o bem – diz o povo – sem olhar a quem”. Isto é ser cristão.

quarta-feira, 16 de janeiro de 2019

EM DESTAQUE



- FESTA DAS FOGACEIRAS: EM HONRA DO MÁRTIR SÃO SEBASTIÃO

Realiza-se, no próximo Domingo, 20 de Janeiro, a Festa em honra do Mártir São Sebastião. A Eucaristia da festa, ponto central do cumprimento do voto, será celebrada às 11 horas e presidida pelo Sr. D. Manuel Linda, Bispo do Porto.
Como é habitual, às 15,30 horas far-se-á a solene procissão.




- MENSAGEM DO SANTO PADRE FRANCISCO PARA A CELEBRAÇÃO DO DIA MUNDIAL DA PAZ: 1º DE JANEIRO DE 2019


«A BOA POLÍTICA ESTÁ AO SERVIÇO DA PAZ»

[continuação]

5. A boa política promove a participação dos jovens e a confiança no outro
Quando o exercício do poder político visa apenas salvaguardar os interesses de certos indivíduos privilegiados, o futuro fica comprometido e os jovens podem ser tentados pela desconfiança, por se verem condenados a permanecer à margem da sociedade, sem possibilidades de participar num projeto para o futuro. Pelo contrário, quando a política se traduz, concretamente, no encorajamento dos talentos juvenis e das vocações que requerem a sua realização, a paz propaga-se nas consciências e nos rostos. Torna-se uma confiança dinâmica, que significa «fio-me de ti e creio contigo» na possibilidade de trabalharmos juntos pelo bem comum. Por isso, a política é a favor da paz, se se expressa no reconhecimento dos carismas e capacidades de cada pessoa. «Que há de mais belo que uma mão estendida? Esta foi querida por Deus para dar e receber. Deus não a quis para matar (cf. Gn 4, 1-16) ou fazer sofrer, mas para cuidar e ajudar a viver. Juntamente com o coração e a inteligência, pode, também a mão, tornar-se um instrumento de diálogo».
Cada um pode contribuir com a própria pedra para a construção da casa comum. A vida política autêntica, que se funda no direito e num diálogo leal entre os sujeitos, renova-se com a convicção de que cada mulher, cada homem e cada geração encerram em si uma promessa que pode irradiar novas energias relacionais, intelectuais, culturais e espirituais. Uma tal confiança nunca é fácil de viver, porque as relações humanas são complexas. Nestes tempos, em particular, vivemos num clima de desconfiança que está enraizada no medo do outro ou do forasteiro, na ansiedade pela perda das próprias vantagens, e manifesta-se também, infelizmente, a nível político mediante atitudes de fechamento ou nacionalismos que colocam em questão aquela fraternidade de que o nosso mundo globalizado tanto precisa. Hoje, mais do que nunca, as nossas sociedades necessitam de «artesãos da paz» que possam ser autênticos mensageiros e testemunhas de Deus Pai, que quer o bem e a felicidade da família humana.

6. Não à guerra nem à estratégia do medo
Cem anos depois do fim da I Guerra Mundial, ao recordarmos os jovens mortos durante aqueles combates e as populações civis dilaceradas, experimentamos – hoje, ainda mais que ontem – a terrível lição das guerras fratricidas, isto é, que a paz não pode jamais reduzir-se ao mero equilíbrio das forças e do medo. Manter o outro sob ameaça significa reduzi-lo ao estado de objeto e negar a sua dignidade. Por esta razão, reiteramos que a escalada em termos de intimidação, bem como a proliferação descontrolada das armas são contrárias à moral e à busca duma verdadeira concórdia. O terror exercido sobre as pessoas mais vulneráveis contribui para o exílio de populações inteiras à procura duma terra de paz. Não são sustentáveis os discursos políticos que tendem a acusar os migrantes de todos os males e a privar os pobres da esperança. Ao contrário, deve-se reafirmar que a paz se baseia no respeito por toda a pessoa, independentemente da sua história, no respeito pelo direito e o bem comum, pela criação que nos foi confiada e pela riqueza moral transmitida pelas gerações passadas.
O nosso pensamento detém-se, ainda e de modo particular, nas crianças que vivem nas zonas atuais de conflito e em todos aqueles que se esforçam por que a sua vida e os seus direitos sejam protegidos. No mundo, uma em cada seis crianças sofre com a violência da guerra ou pelas suas consequências, quando não é requisitada para se tornar, ela própria, soldado ou refém dos grupos armados. O testemunho daqueles que trabalham para defender a dignidade e o respeito das crianças é extremamente precioso para o futuro da humanidade.  [continua…]

DA PALAVRA DO SENHOR



- FESTA DO BAPTISMO DO SENHOR       

“…«Fui Eu, o Senhor, que te chamei segundo a justiça;
 tomei-te pela mão, formei-te
 e fiz de ti a aliança do povo e a luz das nações,
 para abrires os olhos aos cegos,
 tirares do cárcere os prisioneiros
 e da prisão os que habitam nas trevas».…” (cf. Isaías 42, 6-7)

PALAVRA DO PAPA FRANCISCO



- na Oração do Angelus,  na Praça de São Pedro, Roma, no dia 13 Janeiro de 2019

Queridos irmãos e irmãs, bom dia!
Hoje, no termo do Tempo litúrgico do Natal, celebramos a Festa do Baptismo do Senhor. A liturgia chama-nos a conhecer Jesus mais plenamente, do qual, recentemente, celebramos o nascimento; e, por isso, o Evangelho (cf. Lc 3, 15-16.21-22) ilustra dois elementos importantes: a relação de Jesus com o povo e a relação de Jesus com o Pai.
Na narrativa do baptismo, conferido por João Baptista a Jesus, nas águas do Jordão, vemos, antes de mais, o papel do povo. Jesus está no meio do povo. Isso não é apenas um pano de fundo, um cenário, mas é um componente essencial do acontecimento. Antes de mergulhar na água, Jesus "mergulha" na multidão, une-se a ela, assumindo plenamente a condição humana, compartilhando tudo, excepto o pecado. Na sua divina santidade, cheia de graça e misericórdia, o Filho de Deus fez-se carne para tomar sobre si e tirar o pecado do mundo: tomar as nossas misérias, a nossa condição humana. Por isso, o dia de hoje é, também, uma epifania, porque ao fazer-se baptizar por João, no meio das pessoas penitentes do seu povo, Jesus manifesta a lógica e o sentido de sua missão.
Unindo-se às pessoas que pedem a João o Baptismo da conversão, Jesus partilha com elas o profundo desejo de renovação interior. E o Espírito Santo que desceu sobre Ele "em forma corporal, como uma pomba" (v.22) é o sinal de que, com Jesus, começa um mundo novo, uma "nova criação" de que fazem parte todos aqueles que acolhem Cristo na sua vida. Também, a cada um de nós, que renascemos com Cristo no Baptismo, são dirigidas as palavras do Pai: "Tu és o meu Filho muito amado; em ti está toda a minha alegria" (v. 22). Este amor do Pai, que todos recebemos no dia do nosso baptismo, é uma chama que foi acesa no nosso coração e exige ser alimentada pela oração e pela caridade.
O segundo elemento sublinhado pelo evangelista Lucas é que, depois da imersão no povo e nas águas do Jordão, Jesus "mergulha" na oração, isto é, na comunhão com o Pai. O baptismo é o início da vida pública de Jesus, da sua missão no mundo como enviado do Pai para manifestar a sua bondade e o seu amor pelos homens. Esta missão é realizada em constante e perfeita união com o Pai e com o Espírito Santo. Também, a missão da Igreja e a de cada um de nós, para ser fiel e frutífera, é chamada a “enxertar-se” na de Jesus. Trata-se de regenerar continuamente a evangelização e o apostolado na oração, para dar um claro testemunho cristão, não segundo os projectos humanos, mas de acordo com o plano e estilo de Deus.
Queridos irmãos e irmãs, a festa do Baptismo do Senhor é uma boa oportunidade para renovar, com gratidão e convicção, as promessas do nosso Baptismo, comprometendo-nos a viver diariamente em coerência com ele. Também, é muito importante, como várias vezes vos tenho dito, saber a data do nosso baptismo. Eu poderia perguntar: "Quem, de vós, sabe a data do seu baptismo?" Nem todos, estou seguro!... Se algum de vós não a sabe, voltando a casa, pergunte aos seus pais, avós, tios, padrinhos, amigos de família... Pergunte: "Em que data fui baptizado, fui baptizada?". E, depois, não esquecê-la: que seja uma data guardada no coração para celebrá-la todos os anos.
Jesus, que nos salvou, não pelos nossos méritos, mas por realizar a imensa bondade do Pai, nos torne misericordiosos com todos. Que a Virgem Maria, Mãe da Misericórdia, seja a nossa guia e o nosso modelo.  (cf. Santa Sé)

PARA REZAR



- SALMO 28

Refrão: O Senhor abençoará o seu povo na paz.

Tributai ao Senhor, filhos de Deus,
tributai ao Senhor glória e poder.
Tributai ao Senhor a glória do seu nome,
adorai o Senhor com ornamentos sagrados.

A voz do Senhor ressoa sobre as nuvens,
o Senhor está sobre a vastidão das águas.
A voz do Senhor é poderosa,
a voz do Senhor é majestosa.

A majestade de Deus faz ecoar o seu trovão
e no seu templo todos clamam: Glória!
Sobre as águas do dilúvio senta-Se o Senhor,
o Senhor senta-Se como rei eterno.

SANTOS POPULARES



SANTA MARIA CRISTINA 
DA IMACULADA CONCEIÇÃO

Adelaide Brando nasceu no dia 1 de Maio de 1856, numa família com boa situação financeira. O seu pai, um homem muito respeitado, ocupava um cargo importante no Banco de Nápoles. Aos doze anos, na noite de Natal, ajoelhada diante do Menino Jesus, Adelaide consagrou a sua vida a Deus, com um voto de perpétua virgindade. Quando desejou entrar no Convento das Irmãs Sacramentinas encontrou total oposição do seu pai que, mais tarde, acabou por compreender as razões da sua vocação e permitiu que se juntasse à sua irmã Maria Pia, no Mosteiro das Clarissas, em Nápoles.
Porém, uma grave doença fê-la regressar a casa, por duas vezes. Sentindo-se curada, em 1875, entrou na Congregação das Sacramentinas. Um ano depois, vestiu o hábito e adoptou o nome de Maria Cristina da Imaculada Conceição. Tornando a adoecer, foi forçada, por razões de saúde, a deixar o caminho que havia iniciado com tanto fervor.
Nesta circunstância, amadureceu no seu coração o desejo de fundar uma nova família religiosa. Assim, no ano de 1878, morando no Lar das Irmãs Teresianas, em Torre del Greco, lançou os fundamentos da Congregação das Irmãs Vítimas Expiadoras de Jesus Sacramentado, que cresceu rapidamente, apesar das escassas economias, da oposição de muitas pessoas com muita influência na sociedade, e da precária saúde da Fundadora.
Depois de ter passado por várias sedes, seguindo os conselhos dos seus directores espirituais, Pe. Michelangelo de Marigliano e o Beato Ludovico de Casoria, a comunidade transferiu-se para Casoria, não muito distante de Nápoles.
A nova Congregação encontrou, sempre, muitas dificuldades, mas conseguiu manter-se com a ajuda da Divina Providência e de muitos benfeitores e sacerdotes, dentre os quais sobressai o Pe. Domenico Maglione. A Congregação cresceu com novos membros e novas casas,  testemunhando uma grande devoção para com a Eucaristia e um constante empenho e cuidado na educação de meninos e de meninas.
No ano de 1897, Maria Cristina emitiu os votos temporários. No dia 20 de Julho de 1903, a Congregação obteve a aprovação canónica da Santa Sé. No dia 2 de Novembro do mesmo ano, a Fundadora, juntamente com muitas Irmãs, emitiu a sua profissão perpétua.
A Irmã Maria Cristina viveu com generosidade, com perseverança e alegria espiritual a sua consagração e assumiu o encargo de Superiora-Geral com humildade, prudência e amabilidade, dando exemplo de fidelidade a Deus e à vocação, trilhando o caminho da santidade.
No dia 14 de Janeiro de 1906, a Madre Maria Cristina adoeceu gravemente e faleceu no dia 20 de Janeiro, com 50 anos de idade.
A Congregação por ela fundada, em Nápoles, espalhou-se por toda a Itália e por muitos outros países. Ainda hoje, as suas Irmãs continuam empenhadas no árduo caminho da virtude, sendo guiadas pela luminosidade do seu exemplo.
A vida da Madre Cristina sempre foi iluminada por uma fé simples, sólida e viva que era alimentada pela escuta da Palavra de Deus, pela frutuosa participação aos sacramentos, pela assídua meditação das verdades eternas e por uma fervorosa oração. Cultivou uma particular devoção para com os mistérios da Encarnação, da Paixão e Morte de Cristo e da Eucaristia. Com a finalidade de aproximar-se mais intensa e profundamente do Sacrário, com o espírito e o corpo, mandou construir uma cela - chamada, à imitação do presépio, de “grutinha” - contígua à Igreja que tinha construído em Casoria. Nesse lugar, passou todas as noites da sua vida, sentada numa cadeira, fazendo companhia, nas vigílias e nos repousos, a Jesus Eucaristia.
A sua espiritualidade expiadora foi muito forte, tanto que se tornou o carisma do instituto. Entre os fragmentos autografados que nos restam da sua autobiografia, escrita por obediência ao director espiritual, podemos ler: “A finalidade principal desta obra é a reparação dos ultrajes que recebe o Sagrado Coração de Jesus, no Santíssimo Sacramento, especialmente as irreverências e desprezo, as comunhões sacrílegas, os sacramentos recebidos sem preparação, as santas missas pessimamente escutadas e o que mais amargamente traspassa este coração santíssimo é que muitos dos seus ministros e muitas pessoas a Ele consagradas se reúnem a esses desconhecidos e mais ainda ferem o seu coração (...) Às Perpétuas Adoradoras, o divino Coração de Jesus quis confiar o caro e sublime encargo de Vítimas de perpétua adoração e reparação ao Seu Divino Coração horrivelmente ofendido e ultrajado no Santíssimo Sacramento do amor (...) Às Perpétuas Adoradoras de vida mista (...) o Sagrado Coração de Jesus confia o caro encargo de Vítimas da Caridade e da reparação; da caridade porque nos vem confiado o cuidado das meninas”.
Deste segundo aspecto, nasceram obras como os conservatórios femininos, educandários, orfanatos, escolas internas e externas: tudo para reparar assim, levando o conhecimento de Deus onde Ele é desconhecido, fazemos de tudo para que Ele seja amado e ajudamos aos irmãos para que evitem de cometer as ofensas que Madre Cristina viveu para expiar.
Evidenciamos, assim, as duas linhas sobre as quais se implanta o carisma que Madre Brando transmitiu às Irmãs Vítimas Expiadoras: o amor a Deus e ao próximo. A beata Fundadora as definia como “os dois ramos que saem do mesmo tronco”.
O Papa João Paulo II beatificou-a, no dia 27 de Abril de 2003, em Roma.
Foi canonizada, pelo Papa Francisco, em Roma, no dia 17 de Maio de 2015. Na celebração eucarística, o Papa disse: “…A relação com Jesus ressuscitado é — por assim dizer — a «atmosfera» em que vive o cristão e na qual encontra a força para permanecer fiel ao Evangelho, inclusive no meio dos obstáculos e das incompreensões. «Permanecer no amor»: foi assim que agiu também a irmã Maria Cristina Brando. Ela deixou-se conquistar completamente pelo amor apaixonado ao Senhor; e através da oração e do encontro de «coração a coração» com Jesus ressuscitado, presente na Eucaristia, ela recebia a força para suportar os sofrimentos e para se oferecer como pão partido a numerosas pessoas que viviam distantes de Deus e famintas de amor autêntico…”
A memória litúrgica de Santa Maria Cristina Brando celebra-se no dia 20 de Janeiro.

segunda-feira, 7 de janeiro de 2019

EM DESTAQUE



- MENSAGEM DO SANTO PADRE FRANCISCO PARA A CELEBRAÇÃO DO DIA MUNDIAL DA PAZ: 1º DE JANEIRO DE 2019

«A BOA POLÍTICA ESTÁ AO SERVIÇO DA PAZ»

[continuação]

3. Caridade e virtudes humanas para uma política ao serviço dos direitos humanos e da paz
O Papa Bento XVI recordava que «todo o cristão é chamado a esta caridade, conforme a sua vocação e segundo as possibilidades que tem de incidência na pólis. (…) Quando o empenho pelo bem comum é animado pela caridade, tem uma valência superior à do empenho simplesmente secular e político. (…) A acção do homem sobre a terra, quando é inspirada e sustentada pela caridade, contribui para a edificação daquela cidade universal de Deus que é a meta para onde caminha a história da família humana». Trata-se de um programa no qual se podem reconhecer todos os políticos, de qualquer afiliação cultural ou religiosa, que desejam trabalhar juntos para o bem da família humana, praticando as virtudes humanas que subjazem a uma boa acção política: a justiça, a equidade, o respeito mútuo, a sinceridade, a honestidade, a fidelidade.
A propósito, vale a pena recordar as «bem-aventuranças do político», propostas por uma testemunha fiel do Evangelho, o Cardeal vietnamita Francisco Xavier Nguyen Van Thuan, falecido em 2002:
Bem-aventurado o político que tem uma alta noção e uma profunda consciência do seu papel.
Bem-aventurado o político de cuja pessoa irradia a credibilidade.
Bem-aventurado o político que trabalha para o bem comum e não para os próprios interesses.
Bem-aventurado o político que permanece fielmente coerente.
Bem-aventurado o político que realiza a unidade.
Bem-aventurado o político que está comprometido na realização duma mudança radical.
Bem-aventurado o político que sabe escutar.
Bem-aventurado o político que não tem medo.

Cada renovação nos cargos electivos, cada período eleitoral, cada etapa da vida pública constitui uma oportunidade para voltar à fonte e às referências que inspiram a justiça e o direito. Duma coisa temos a certeza: a boa política está ao serviço da paz; respeita e promove os direitos humanos fundamentais, que são igualmente deveres recíprocos, para que se teça um vínculo de confiança e gratidão entre as gerações do presente e as futuras.

4. Os vícios da política
A par das virtudes, não faltam, infelizmente, os vícios, mesmo na política, devidos quer à inépcia pessoal, quer às distorções no meio ambiente e nas instituições. Para todos, está claro que os vícios da vida política tiram credibilidade aos sistemas dentro dos quais ela se realiza, bem como à autoridade, às decisões e à acção das pessoas que se lhe dedicam. Estes vícios, que enfraquecem o ideal duma vida democrática autêntica, são a vergonha da vida pública e colocam em perigo a paz social: a corrupção – nas suas múltiplas formas de apropriação indevida dos bens públicos ou de instrumentalização das pessoas –, a negação do direito, a falta de respeito pelas regras comunitárias, o enriquecimento ilícito, a justificação do poder pela força ou com o pretexto arbitrário da «razão de Estado», a tendência a perpetuar-se no poder, a xenofobia e o racismo, a recusa a cuidar da Terra, a exploração ilimitada dos recursos naturais em razão do lucro imediato, o desprezo daqueles que foram forçados ao exílio. [continua…]

DA PALAVRA DO SENHOR



- FESTA DA EPIFANIA      

“…Levanta-te e resplandece, Jerusalém, porque está a chegar a tua luz!
A glória do Senhor amanhece sobre ti!
Olha: as trevas cobrem a terra e a escuridão os povos
mas, sobre ti amanhecerá o Senhor.
A sua glória vai aparecer sobre ti.
As nações caminharão à tua luz
e os reis ao esplendor da tua aurora…” (cf. Isaías 60, 1- 3)

PALAVRA DO PAPA FRANCISCO



- na Audiência-Geral,  na Praça de São Pedro, Roma, no dia 2 Janeiro de 2019

Queridos irmãos e irmãs, bom dia e bom ano!
Continuamos as nossas catequeses sobre o “Pai-Nosso”, iluminados pelo mistério do Natal que celebramos há pouco.
O Evangelho de Mateus coloca o texto do “Pai-Nosso” num ponto estratégico: no centro do sermão da montanha (cfr 6, 9-13). Entretanto, observamos a cena: Jesus sobe à colina perto do lago e senta-se; em volta dele estão os seus discípulos mais íntimos e, depois, uma grande multidão de rostos anónimos. É esta assembleia heterogénea que recebe, em primeiro lugar, a entrega do “Pai-Nosso”.
A colocação, como foi dito, é muito significativa; porque, neste longo ensinamento - conhecido pelo nome de “sermão da montanha” (cfr Mt 5, 1-7, 27) - Jesus condensa os aspectos fundamentais da sua mensagem. O começo é como um arco decorado para a festa: as bem-aventuranças. Jesus coroa de felicidade uma série de categorias de pessoas que, no seu tempo, -mas também no nosso! - não eram muito consideradas. Bem-aventurados os pobres, os mansos, os misericordiosos, as pessoas humildes de coração… Esta é a revolução do Evangelho. Onde está o Evangelho, há revolução. O Evangelho não deixa ninguém quieto, impele-nos: é revolucionário. Todas as pessoas capazes de amor, os construtores de paz que, até então, tinham ficado nas margens da história são, em vez disso, os construtores do Reino de Deus. É como se Jesus dissesse: para a frente vós que levais no coração o mistério de um Deus que revelou a sua omnipotência no amor e no perdão!
Deste portal de entrada, que subverte os valores da história, floresce a novidade do Evangelho. A lei não deve ser abolida, mas precisa de uma nova interpretação, que a reconduza ao seu sentido originário. Se uma pessoa tem o coração bom, predisposto ao amor, então compreende que cada palavra de Deus deve ser encarnada até às suas últimas consequências. O amor não tem limites: pode amar-se o seu cônjuge, o seu amigo e mesmo o seu inimigo com uma perspectiva toda nova. Diz Jesus: “Eu, porém, digo-vos: amai vossos inimigos, rezai por aqueles que vos perseguem para que sejais filhos do vosso Pai que está nos céus; Ele faz nascer o seu sol tanto sobre os maus como sobre os bons, e faz chover sobre os justos e sobre os injustos” (Mt 5, 44-45).
Eis o grande segredo que está na base de todo o discurso da montanha: sede filhos do vosso Pai que está nos céus. Aparentemente, estes capítulos do Evangelho de Mateus parecem ser um discurso moral; parecem evocar uma ética tão exigente que pode parecer impraticável. Mas, em vez disso, descobrimos que são, sobretudo, um discurso teológico. O cristão não é uma pessoa que se empenha em ser melhor do que os outros: ele sabe que é pecador como todos. O cristão, simplesmente, é o homem que pára diante da nova Sarça-ardente, para a revelação de um Deus que não se apresenta com o enigma de um nome impronunciável, mas que pede aos seus filhos que O invoquem pelo nome “Pai”; que se deixem renovar pelo seu poder e que reflictam um raio da sua bondade sobre este mundo tão sedento de bem, tão à espera de belas notícias.
Eis, portanto, como Jesus introduz o ensinamento da oração do “Pai-Nosso”. Ele o faz distanciando-se dos dois grupos do seu tempo. Antes de tudo, dos hipócritas: “quando rezardes, não façais como os hipócritas, que gostam de rezar de pé, nas sinagogas e nas esquinas das ruas, para serem vistos pelos homens” (Mt 6, 5). Há pessoas capazes de fazer orações ateias, sem Deus; e fazem-no para serem admirados pelos homens. E, quantas vezes, vemos o escândalo daquelas pessoas que vão à igreja e ficam ali todo o dia, ou vão todos os dias, e depois vivem odiando os outros ou falando mal dos outros. Isto é um escândalo! É melhor não irem à igreja: viver assim é viver como se fossem ateus. Mas se ides à igreja, vivei como filhos, como irmãos e dai um verdadeiro testemunho, não um contra-testemunho. A oração cristã, pelo contrário, não tem outro testemunho credível a não ser a própria consciência, onde se entrelaça, intensamente, um contínuo diálogo com o Pai: “Quando rezares, entra no teu quarto, fecha a porta e reza ao teu Pai, em segredo” (Mt 6, 6).
Depois, Jesus distancia-se da oração dos pagãos: “Não digais muitas palavras […]; eles julgam que serão ouvidos à força de palavras” (Mt 6, 7). Aqui, talvez, Jesus aluda àquela “captatio benevolentiae” (captação da boa vontade) que era a premissa necessária de muitas orações antigas: a divindade tinha de ser, de qualquer modo, bajulada por uma longa série de louvores, e também de orações. Pensemos na cena do Monte Carmelo, quando o profeta Elias desafiou os sacerdotes de Baal. Eles gritavam, dançavam, pediam tantas coisas para que o seu deus os escutasse. Ao contrário, Elias estava silencioso e o Senhor revelou-se a Elias. Os pagãos pensam que falando, falando, falando, falando se reza. Também penso em muitos cristãos que acreditam que rezar é – desculpai-me – “falar a Deus como um papagaio”. Não! Rezar faz-se do coração, de dentro. Tu, pelo contrário – diz Jesus – quando rezares, dirige-te a Deus, como um filho ao seu pai. Ele sabe do que precisas, mesmo antes que lho peças (cfr Mt 6, 8). Poderia ser também uma oração silenciosa, o “Pai-Nosso”: basta, no íntimo, colocar-se sob o olhar de Deus e recordar-se do seu amor de Pai: e isso é suficiente para sermos atendidos.
É belo pensar que o nosso Deus não precisa de sacrifícios para captar o seu favor! O nosso Deus não precisa de nada: na oração, pede somente que tenhamos aberto um canal de comunicação com Ele para nos descobrirmos sempre seus filhos amantíssimos. Ele nos ama muito. (cf. Santa Sé)

PARA REZAR



- SALMO 71

Refrão: Virão adorar-Vos, Senhor, todos os povos da terra.

Ó Deus, concedei ao rei o poder de julgar
e a vossa justiça ao filho do rei.
Ele governará o vosso povo com justiça
e os vossos pobres com equidade.

Florescerá a justiça nos seus dias
e uma grande paz até ao fim dos tempos.
Ele dominará de um ao outro mar,
do grande rio até aos confins da terra.

Os reis de Társis e das ilhas virão com presentes,
os reis da Arábia e de Sabá trarão suas ofertas.
Prostrar-se-ão diante dele todos os reis,
todos os povos o hão-de servir.

Socorrerá o pobre que pede auxílio
e o miserável que não tem amparo.
Terá compaixão dos fracos e dos pobres
e defenderá a vida dos oprimidos.

SANTOS POPULARES



BEATO FRANCISCO MARIA GRECO

Francisco Maria Greco nasceu em Acri, uma pequena cidade na província de Cosenza, na Calábria, Itália, no dia 26 de Julho de 1857. Foi baptizado, dois dias depois, na paróquia de Santa Clara, em Acri. Foi o primeiro dos cinco filhos de Rafael Greco, farmacêutico, e de Concetta Pancaro. A mãe foi a sua primeira educadora na fé, enquanto um seu irmão, Padre Luís Pancaro, pároco de Acri, acompanhou-o nos seus estudos. Francesco Maria terminou o ensino secundário, em Cosenza, no dia 31 de Julho de 1874; depois, mudou-se para Nápoles para frequentar o ensino universitário.
O seu pai, muito religioso, esperava fazê-lo herdeiro da sua profissão mas, Francisco amadureceu uma outra escolha, bem diferente: o seu desejo não era tornar-se farmacêutico mas, ser padre. Depois de ter rezado muito, aos pés de Nossa Senhora, no santuário de Pompeia, resolveu, com forte determinação, avançar no caminho do sacerdócio.
No dia 14 de Janeiro de 1877, vestiu o hábito talar, na Igreja de São Nicolau Tolentino, em Nápoles e foi residir no Lar de Estudantes, fundado pelo pároco local, Padre Luís Marigliano, para poder frequentar, como aluno externo, o Seminário da Diocese, pois tinha sido admitido, pelo Arcebispo de Nápoles, na Congregação dos Clérigos Estrangeiros.
No dia 9 de Dezembro 1880, esteve hospedado na Casa dos Padres Capuchinhos de Acri, para se preparar para receber o diaconado. Foi ordenado Diácono no dia 17 de Dezembro, pelo Bispo de São Marcos Argentano, Monsenhor Livio Parladore. Um ano depois, no dia 17 de Dezembro de 1881, também em Acri, foi ordenado Presbítero, por Dom Filipe de Simone, bispo de Nicotera-Tropea.
No dia 7 de Setembro de 1889, em Nápoles, o Padre Francesco fez o seu doutoramento em Teologia, realizando uma das suas aspirações: não só ser somente padre, mas ser "padre formado," para cumprir melhor o seu ministério. Um primeiro acontecimento que contribuiu para dar ao seu sacerdócio uma direcção diferente foi a epidemia de cólera que eclodiu em Nápoles, em 1884. Ao lado do Padre Marigliano, entregou-se à assistência médica e espiritual dos doentes, arriscando ser, ele mesmo, contagiado pela doença.
Em 10 de Setembro de 1887, o Padre Francisco Maria assumiu a Paróquia de São Nicolau de Bari, em Acri e, no ano seguinte, foi nomeado Vigário da Vara (arcipreste), tendo-lhe sido concedido o título de “monsenhor”. O contacto com as reais necessidades do seu povo, levou-o a pensar que a sua actividade pastoral deveria começar pela educação religiosa, numa terra onde, até, a educação cultural era muito escassa: basta pensar, por exemplo, que as raparigas dificilmente podiam sair de casa sozinhas.
Para isso, Monsenhor Greco fundou uma Escola Catequética para crianças, desde a mais tenra idade: dividiu os meninos e as meninas por grupos etários e por classes, que confiava a raparigas particularmente motivadas. O nome que ele deu àquela associação de catequistas era "Filhas dos Sagrados Corações". O Padre Francisco, desde que tinha sido ordenado Diácono, manifestava uma profunda devoção ao Sagrado Coração de Jesus e ao Sagrado Coração de Maria.
Em 13 de Outubro de 1889, obtém do seu Bispo, Monsenhor Estanislau de Luca, uma carta de aprovação da Associação. No entanto, alguns meses depois da abertura, a sua irmã, Maria Teresa, responsável pela associação, morreu. O Padre Greco decidiu confiar a direcção da escola à vice-responsável, Rafaela de Vincenti, que há muito tempo manifestava o desejo de se consagrar a Deus, mas sempre fora impedida pela sua família.
Exerceu, também, a docência da Teologia Dogmática e Sagrada Escritura no Seminário de Bisignano, onde foi reitor, durante, três anos, ao mesmo tempo em que exercia o ministério de pároco.
Em 21 de Novembro de 1894, a Festa da Purificação de Nossa Senhora, Rafaela de Vincenti fez a sua consagração religiosa, assumindo os votos evangélicos de castidade, pobreza e obediência. Recebendo o hábito religioso, Rafaela mudou o seu nome para Irmã Maria Teresa dos Sagrados Corações, em memória da primeira responsável pela associação.
Outras jovens seguiram o seu exemplo, de tal modo que já não se falava de uma simples associação, mas de um Instituto Religioso. Entretanto mudaram de nome: de "Filhas dos Sagrados Corações" passaram a chamar-se "Pequenas Operárias dos Sagrados Corações", embora Monsenhor Greco as tratasse, informalmente, por "Pequenos Pedreiros” porque, com o seu trabalho, contribuíam para a construção do Reino de Deus, pelo ensino do catecismo e pelo serviço prestado aos mais necessitados.
A primeira comunidade religiosa, propriamente dita, estabeleceu-se, em 1898, na casa que o pai da Irmã Maria Teresa, que já era a superiora, lhe tinha dado: esta casa foi a "Casa-berço" das Pequenas Operárias dos Sagrados Corações. A Casa-Mãe, porém, foi sedeada no Convento dos Frades Menores, que ficava do outro lado de Acri, depois de várias obras de consolidação e restauro.
Entretanto, as irmãs foram crescendo em número: Monsenhor Greco e a Madre Maria Teresa cuidavam da sua formação, enviando duas Irmãs a fazer o estágio no noviciado de Acireale das Filhas de Maria Auxiliadora, e outras para Nápoles e para Roma. Em Acri, entretanto, foram surgindo, pouco a pouco, outras actividades: o noviciado, uma creche, um colégio interno para alunas que frequentavam as escolas municipais. De entre todas, destaca-se o hospital "Caritas", o primeiro da região, activo até aos anos 60, do século passado.
A primeira casa da Congregação fora de Acri, construída em 1911, foi o Lar Humberto I, em Cosenza, uma casa para idosos, doentes e pobres, homens e mulheres. Um significativo e original campo de apostolado foi inaugurado em 26 de Outubro de 1917, quando as irmãs foram enviados para São Demétrio Corone, uma das regiões ítalo-albanesas, onde se usa o rito greco-bizantino. Para esta ocasião, Monsenhor Greco fez um catecismo litúrgico em rito bizantino, para que fosse usado pelo Instituto das Pequenas Operárias. Quanto a outras casas, fora da região de Acri, a primeira foi fundada em Nápoles, em 1929.
Monsenhor Greco, além de ter renovado a vida religiosa em Acri, acompanhou o Bispo na sua visita pastoral à diocese de São Marcos Bisignano, agora dividida em duas. O alicerce da sua vida sacerdotal e pastoral foi, sempre, uma intensa e prolongada oração, muitas vezes à noite, diante da Eucaristia: "Estou diante de Jesus Sacramentado, fechado no seu sacrário; quanta paz se experimenta no silêncio da noite, aos pés do Mestre!”, escreveu ele.
Estava seguro de que a fecundidade da acção apostólica, a sua e em geral, dependia da relação íntima e profunda com Jesus e com Maria: por isso, empenhou-se em "viver intensamente para o amor dos Sagrados Corações e para dá-los a amar e a conhecer aos irmãos." Com uma frase sintética, contida nas suas cartas, expressou, assim, o seu projecto, baseado na catequese: é "educando para a fé que se educa para a vida".
Bastante idoso, o Padre Francisco Greco faleceu, em Acri, no dia 13 de Janeiro de 1931. Durante 35 anos, foi o superior do Instituto poe ele fundado. A Madre Maria Teresa dos Sagrados Corações, que continuou a sua obra, faleceu no dia 23 de Novembro de 1936.
No dia 22 de Maio de 1961, os seus restos mortais foram transladados para a Igreja de São Francisco de Paula, em Acri, próxima da Casa-Mãe da congregação.
O Padre Francisco Maria Greco foi beatificado, pelo Papa Francisco, no dia 21 de Maio de 2016, no estádio San Vito - Marulla de Cosenza, Itália.
A sua memória litúrgica é celebrada no dia 13 de Janeiro.

segunda-feira, 31 de dezembro de 2018

EM DESTAQUE



- FESTA DA SAGRADA FAMÍLIA
Papa Francisco, na Oração do Angelus, Praça de São Pedro, no dia 30 de Dezembro

Hoje, celebramos a festa da Sagrada Família e a liturgia convida-nos a reflectir sobre a experiência de Maria, José e Jesus, unidos por um amor imenso e animado por uma grande confiança em Deus. Evangelho de hoje (cf. Lc 2,41-52 narra a viagem da família de Nazaré a Jerusalém, para a festa da Páscoa. Mas, na viagem de regresso, os pais percebem que o filho de doze anos não está na caravana. Depois de três dias de procura e de medo, encontram-no no templo, sentados entre os doutores, absorvido a discutir com eles. Ao verem o Filho, Maria e José "ficaram admirados" (v. 48) e a Mãe manifestou-Lhe a sua apreensão, dizendo: "O teu pai e eu andamos angustiados à tua procura" (ibid.).
O espanto - eles "ficaram admirados" - e a angústia - "o teu pai e eu, angustiados" - são os dois elementos sobre os quais gostaria de chamar a vossa atenção: espanto e angústia.
Na família de Nazaré nunca faltou o espanto, mesmo num momento dramático como a perda de Jesus: é a capacidade de se maravilhar diante da manifestação gradual do Filho de Deus. É a mesma admiração que atinge, também, os doutores, no templo, espantados "com a sua inteligência e as suas respostas" (v.47). Mas o que é o espanto, o que é admirar-se? Espanto e maravilhar-se é o contrário do dar tudo como certo; é o contrário de interpretar a realidade que nos rodeia e os acontecimentos da história apenas de acordo com os nossos critérios. E uma pessoa que faz isso não sabe o que é a admiração, o que é espanto. Surpreender-se é abrir-se aos outros, compreender as razões dos outros: esta atitude é importante para sanar as relações comprometidas entre as pessoas, e é, também, indispensável para curar as feridas abertas dentro da família. Quando há problemas nas famílias, damos por certo que temos razão e fechamos a porta aos outros. Pelo contrário, é preciso pensar: "O que é que esta pessoa tem de bom?" E admirar-se com esse "bom". E isso ajuda à unidade da família. Se tendes problemas na família, pensai nas coisas boas que tem o vosso familiar com quem tivestes problemas e maravilhai-vos com isso. E isso ajudará a curar as feridas da família.
O segundo elemento que quero colher do Evangelho é a angústia que Maria e José experimentaram enquanto não conseguiram encontrar Jesus. Essa angústia manifesta a centralidade de Jesus na Sagrada Família. A Virgem e o seu esposo tinham acolhido aquele Filho, cuidavam dele e viam-no crescer em idade, em sabedoria e em graça no meio deles; mas, acima de tudo, Ele crescia dento dos seus corações; e, pouco a pouco, aumentou o seu carinho e a sua compreensão na sua relação com Ele. É por isso que a família de Nazaré é santa: porque estava centrada em Jesus; todas as atenções e solicitudes de Maria e de José estavam orientadas para Ele.
Esta angústia que eles viveram nos três dias da perda de Jesus deve ser, também, a nossa angústia quando estamos longe Dele, quando estamos longe de Jesus. Devemos experimentar a angústia quando, por mais de três dias, nos esquecemos de Jesus, sem rezar, sem ler o Evangelho, sem sentir a necessidade da Sua presença e da Sua amizade consoladora. E, muitas vezes, passamos dias sem nos lembrarmos de Jesus. Mas, isso é mau; isso é muito mau. Deveríamos sentir angústia quando estas coisas acontecem. Maria e José procuraram-no e encontraram-no no templo enquanto ensinava: também nós; é sobretudo na casa de Deus que podemos encontrar o divino Mestre e acolher a sua mensagem de salvação. Na celebração eucarística, façamos a experiência viva de Cristo: Ele fala-nos, oferece-nos a sua Palavra, ilumina-nos, ilumina o nosso caminho, dá-nos o seu corpo na Eucaristia, da qual recebemos a força para enfrentar as dificuldades de todos os dias.
E, hoje, voltemos para casa com estas duas palavras: espanto e angústia. Sei admirar-me quando vejo as coisas boas dos outros e, assim, resolver os problemas familiares? Sinto angústia quando me afasto de Jesus?
Rezemos por todas as famílias do mundo, especialmente aquelas em que, por várias razões, há falta de paz e de harmonia. Confiemo-las à protecção da Sagrada Família de Nazaré.



- DIA MUNDIAL DA PAZ: 1 DE JANEIRO

A Igreja celebra o Dia Mundial da Paz, no dia 1 de Janeiro. Em cada ano, as comunidades cristãs e os homens e mulheres de boa vontade são desafiados a construir a paz, verdadeira e duradoura, com acções concretas em favor da harmonia e do diálogo entre os povos. Todos os anos, o Papa escreve uma mensagem, apontando caminhos de paz para o mundo. Durante o mês de Janeiro, iremos publicar, em pequenos retalhos, a mensagem do Papa, este ano sob o lema: “A boa política está ao serviço da paz”


MENSAGEM DO SANTO PADRE FRANCISCO
PARA A CELEBRAÇÃO 
DO DIA MUNDIAL DA PAZ: 
1º DE JANEIRO DE 2019

«A BOA POLÍTICA ESTÁ AO SERVIÇO DA PAZ»

1. «A paz esteja nesta casa!»
Jesus, ao enviar em missão os seus discípulos, disse-lhes: «Em qualquer casa em que entrardes, dizei primeiro: “A paz esteja nesta casa!” E, se lá houver um homem de paz, sobre ele repousará a vossa paz; se não, voltará para vós» (Lc 10, 5-6).
Oferecer a paz está no coração da missão dos discípulos de Cristo. E esta oferta é feita a todos os homens e mulheres que, no meio dos dramas e violências da história humana, esperam na paz. A «casa», de que fala Jesus, é cada família, cada comunidade, cada país, cada continente, na sua singularidade e história; antes de mais nada, é cada pessoa, sem distinção nem discriminação alguma. E é também a nossa «casa comum»: o planeta onde Deus nos colocou a morar e do qual somos chamados a cuidar com solicitude.
Eis, pois, os meus votos no início do novo ano: «A paz esteja nesta casa!»

2. O desafio da boa política
A paz parece-se com a esperança de que fala o poeta Carlos Péguy; é como uma flor frágil, que procura desabrochar por entre as pedras da violência. Como sabemos, a busca do poder a todo o custo leva a abusos e injustiças. A política é um meio fundamental para construir a cidadania e as obras do homem, mas, quando aqueles que a exercem não a vivem como serviço à coletividade humana, pode tornar-se instrumento de opressão, marginalização e até destruição.
«Se alguém quiser ser o primeiro – diz Jesus – há-de ser o último de todos e o servo de todos» (Mc 9, 35). Como assinalava o Papa São Paulo VI, «tomar a sério a política, nos seus diversos níveis – local, regional, nacional e mundial – é afirmar o dever do homem, de todos os homens, de reconhecerem a realidade concreta e o valor da liberdade de escolha que lhes é proporcionada, para procurarem realizar juntos o bem da cidade, da nação e da humanidade».
Com efeito, a função e a responsabilidade política constituem um desafio permanente para todos aqueles que recebem o mandato de servir o seu país, proteger as pessoas que habitam nele e trabalhar para criar as condições dum futuro digno e justo. Se for implementada no respeito fundamental pela vida, a liberdade e a dignidade das pessoas, a política pode tornar-se verdadeiramente uma forma eminente de caridade. [continua…]

DA PALAVRA DO SENHOR



- FESTA DA SAGRADA FAMÍLIA      

“…Como eleitos de Deus, santos e predilectos,
 revesti-vos de sentimentos de misericórdia,
 de bondade, humildade, mansidão e paciência.
 Suportai-vos uns aos outros e perdoai-vos mutuamente,
 se algum tiver razão de queixa contra outro.
 Tal como o Senhor vos perdoou,
 assim deveis fazer vós também.
 Acima de tudo, revesti-vos da caridade,
 que é o vínculo da perfeição…” (cf. Colossenses 3, 12-14)

PALAVRA DO PAPA FRANCISCO



- na Oração do Angelus,  na Praça de São Pedro, Roma, no dia 26 de Dezembro, memória de Santo Estêvão

Queridos irmãos e irmãs, bom dia!
A alegria do Natal ainda inunda os nossos corações: continua a ressoar o maravilhoso anúncio de que Cristo nasceu para nós e traz paz ao mundo. Neste clima de alegria, celebramos, hoje, a festa de Santo Estêvão, diácono e primeiro mártir. Pode parecer estranho aproximar a memória de Santo Estêvão ao nascimento de Jesus, porque ressalta o contraste entre a alegria de Belém e o drama de Estêvão, lapidado em Jerusalém, na primeira perseguição contra a Igreja nascente. Na realidade não é assim, porque o Menino Jesus é o Filho de Deus feito homem, que salvará a humanidade morrendo na cruz. Agora, contemplamo-l’O envolvido em panos, no presépio; depois da sua crucificação, será novamente envolvido com ligaduras e colocado num sepulcro.
Santo Estêvão foi o primeiro a seguir os passos do divino Mestre, com o martírio; Ele morreu como Jesus, confiando a sua vida a Deus e perdoando aos seus perseguidores. Duas atitudes: confiou a sua vida a Deus e perdoou. Quando estava a ser apedrejado, disse: "Senhor Jesus, recebe o meu espírito" (Actos 7,59). São palavras são muito semelhantes às pronunciadas por Cristo, na cruz: "Pai, nas tuas mãos entrego o meu espírito" (Lc 23,46). A atitude de Estêvão, que imita fielmente o gesto de Jesus, é um convite dirigido a cada um de nós para receber, com fé, das mãos do Senhor o que a vida nos reserva de positivo e, também, de negativo. A nossa existência é marcada não apenas por circunstâncias felizes – sabemo-lo – mas, também, por momentos de dificuldade e de perda. Mas, a confiança em Deus ajuda-nos a aceitar os momentos difíceis e a vivê-los como ocasião de crescimento na fé e de construção de novas relações com os irmãos. Trata-se de abandonarmo-nos nas mãos do Senhor, que sabemos ser um Pai rico em bondade para com seus filhos.
Uma segunda atitude, com a qual Estevão imitou Jesus no momento extremo da cruz, é a do perdão. Ele não amaldiçoa os seus perseguidores, mas reza por eles: "Ajoelhou-se e gritou em alta voz: "Senhor, não lhes imputeis este pecado "" (Actos 7, 60). Somos chamados a aprender com ele a perdoar; perdoar sempre!… E não é fácil fazê-lo, todos o sabemos. O perdão alarga o coração, gera partilha, dá serenidade e paz. O proto-mártir Estêvão mostra-nos o caminho a percorrer nas relações interpessoais na família, na escola, no trabalho, na paróquia e nas diferentes comunidades. Sempre abertos ao perdão. A lógica do perdão e da misericórdia é sempre vencedora e abre horizontes de esperança. Mas o perdão cultiva-se com a oração, que nos permite ter o nosso olhar fixo em Jesus. Estêvão foi capaz de perdoar aos seus assassinos porque, cheio do Espírito Santo, fixava o céu e tinha os olhos abertos para Deus (cf. Act. 7, 55). A força para suportar o martírio veio da oração. Devemos rezar insistentemente ao Espírito Santo para que derrame sobre nós o dom da fortaleza que cura os nossos medos, as nossas fraquezas, a nossa mesquinhez e alarga o nosso coração para perdoar. Perdoar sempre!
Invoquemos a intercessão de Nossa Senhora e de Santo Estêvão: a sua oração ajude-nos a confiar sempre em Deus, especialmente em momentos difíceis, e nos mantenha no propósito de sermos homens e mulheres capazes de perdão. (cf. Santa Sé)

PARA REZAR



- SALMO 127

Refrão: Ditosos os que temem o Senhor,
            ditosos os que seguem os seus caminhos.

Feliz de ti, que temes o Senhor
e andas nos ses caminhos.
Comerás do trabalho das tuas mãos,
serás feliz e tudo te correrá bem.

Tua esposa será como videira fecunda
no íntimo do teu lar;
teus filhos serão como ramos de oliveira
ao redor da tua mesa.

Assim será abençoado o homem que teme o Senhor.
De Sião te abençoe o Senhor:
vejas a prosperidade de Jerusalém,
todos os dias da tua vida.

SANTOS POPULARES



SANTA RAFAELA MARIA
 DO SAGRADO CORAÇÃO

Rafaela Maria Porras y Ayllón nasceu no dia 1 de Março de 1850, na cidade de Pedro Abad, na província de Córdoba, Espanha. Filha de Ildefonso Porras e de Rafaela Ayllón Castillo, foi a décima dos treze filhos que os seus pais tiveram. Sendo os seus pais muito ricos e cristãos fervorosos, Rafaela teve uma excelente educação humana e grandes exemplos de vida cristã.
O pai era o Presidente da Câmara de Pedro Abad. Quando esta região foi abalada por um surto de cólera, ele próprio dedicou-se a cuidar dos doentes. Porém, contraiu a doença e veio a falecer. Rafaela tinha, então apenas quatro anos. A sua mãe passou a gerir os bens da família, dedicando muito tempo e muita atenção à educação de Rafaela e da sua irmã Dolores, as únicas mulheres entre os irmãos.
A esmerada educação que Dona Rafaela deu aos seus filhos fez com que Rafaela, Dolores e os seus irmãos se considerassem privilegiados, entre as crianças e os jovens da sua idade. Sobressaíam em tudo, sobretudo na cultura e nas virtudes.
Rafaela, desde muito cedo, mostrava, nos gestos e nas atitudes, os valores em que era criada: pacífica, reflexiva, corajosa, meiga, dona de si, disposta a abrir mão dos seus gostos para favorecer os outros. A sua condição social permitia-lhe frequentar a alta sociedade de Córdoba e de Madrid. No entanto, preferiu consagrar-se inteiramente a Jesus Cristo, através de um voto de castidade feito aos quinze anos, no dia da Anunciação de Maria, aquela que se proclamou a “Escrava do Senhor”. Isto marcaria a sua vida para sempre.
A sua mãe faleceu quando Rafaela tinha dezanove anos. Esta perda marcou, fortemente, a sua alma e o seu caminho para Deus. A partir daí, Rafaela passou a dedicar-se completamente aos mais necessitados. Dolores, a sua irmã, acompanhava-a em todas essas acções de caridade e amor para com o próximo. Mais tarde, Dolores acompanhou a sua irmã na fundação da Congregação das Escravas do Sagrado Coração de Jesus.
No dia 14 de Abril de 1877, Rafaela e a sua irmã fundaram a primeira casa do Instituto das Escravas do Sagrado Coração de Jesus, com o acolhimento das primeiras dezasseis noviças. A Congregação dedicar-se-ia à adoração do Santíssimo Sacramento e à educação de crianças e jovens, especialmente as mais necessitadas. A obra foi aprovada pelo Cardeal Moreno.
Num mundo marcado pela dor, pela guerra e pela peste, esta Obra fundada por Rafaela espalhava o amor de Deus, a esperança, a fé e a caridade. Rafaela tornou-se um exemplo vivo do amor de Deus, de quem se fez escrava. Com a sua consagração, Rafaela adoptou o nome religioso de Rafaela Maria do Sagrado Coração de Jesus. No dia 29 de Janeiro de 1887, o Papa Leão XIII deu a aprovação definitiva ao Instituto. As “Escravas” começaram a espalhar-se pela Espanha e pela Europa. A irmã, Dolores, que adoptou o nome de Maria del Pilar, tornou-se a ecónoma-geral do Instituto, até 1893.
Depois de ter dirigido o Instituto durante dezasseis anos, a Madre Rafaela Maria teve de enfrentar momentos muito dolorosos. Por uma série de mal entendidos, as suas mais íntimas colaboradoras começaram a desconfiar dos seus actos, a pôr em dúvida as suas qualidades e, inclusive, a clareza do seu juízo. Acusada de má administração da Congregação, a Madre Rafaela, seguindo o conselho de pessoas autorizadas, resignou a favor da sua irmã – Irmã Maria del Pilar – que assumiu o cargo de Superiora-Geral, que exerceu durante dez anos, de 1893 a 1903.
A Irmã Rafaela viveu os trinta e dois anos seguintes em inteiro recolhimento, como que relegada para um canto. Porém, dizia-se feliz por poder dedicar-se totalmente à oração, a dar bom exemplo no tracto com todas e no testemunho da humildade. Viveu sem cultivar amarguras no coração; sem fazer críticas; sem alimentar ressentimentos. Pelo contrário, via em tudo isso a mão de Deus a agir na sua vida, modelando-a, com amor, para a vida eterna. Assim, ela viu a Obra - que era fruto do seu coração e da vontade de Deus - florescer e a espalhar-se ainda mais. A sua dor e aceitação, certamente, foram o adubo para este crescimento.   
Nestes trinta e dois anos de isolamento e marginalização, a Irmã Rafaela só teve um consolo exterior ao seu coração: uma peregrinação que fez a Assis, a Loreto e ao interior de Espanha, sendo acolhida nas casas da Congregação. Em todas as casas por onde passou, deixou um exemplo de santidade, de oração e de humildade. Fazia os trabalhos mais humildes e rejeitados com alegria de coração, mostrando, assim, uma profunda vida interior e permanente diálogo íntimo com Deus, que satisfazia plenamente o seu coração e a fazia perceber que as glórias humanas não passam de inutilidades.
Por causa das longas horas passadas de joelhos diante de Jesus Sacramentado - a verdadeira razão da sua vida – a Irmã Rafaela contraiu uma grave doença, no joelho direito. Esta enfermidade debilitou-a profundamente, causando dores terríveis. Passou os últimos meses da sua vida, atormentada pelo sofrimento. Porém, cheia de fé, dizia: "Aceitai todas as coisas como se viessem das mãos de Deus".
A Irmã Rafaela Maria do Sagrado Coração faleceu no dia 6 de Janeiro de 1925, na casa da Congregação, em Roma.
Logo após a morte da Irmã Rafaela, as autoridades eclesiásticas compreenderam o grande sofrimento pelo qual ela tinha passado e como tinha sido luminosa a sua dedicação, o seu serviço, a sua humildade e, sobretudo, a sua entrega à oração e à contemplação. Reconhecendo a santidade da sua vida, abriram o processo para a sua beatificação. Pouco tempo depois, estando a Segunda Guerra Mundial quase no fim, um bombardeamento americano atingiu, drasticamente, o cemitério onde tinha sido sepultada. O túmulo dela, porém, ficou preservado milagrosamente. Quando fizeram a exumação, encontraram o corpo da Irmã Rafaela incorrupto e com toda a flexibilidade, como se estivesse a dormir.
A Irmã Rafaela Maria do Sagrado Coração, fundadora da Congregação das Escravas do Sagrado Coração de Jesus, foi beatificada, no dia 18 de Maio de 1952, pelo Papa Pio XII e canonizada, no dia 23 de Janeiro de 1977, pelo Papa Paulo VI.

segunda-feira, 24 de dezembro de 2018

EM DESTAQUE




- SOLENIDADE DO NATAL DO SENHOR

No dia 25 de Dezembro, a Igreja celebra o Natal do Senhor. Em Jesus, Deus faz-se presente no meio dos homenspara lhes oferecer o dom da vida verdadeira, a alegria e a paz, o sentido da partilha e da missão.
A festa do Natal de Jesus é celebrada há mais de 1700 anos. Um documento do ano de 354, fala da existência, em Roma, desta festa, no dia 25 de Dezembro, dia em que os pagãos celebravam o solstício de inverno, isto é, o nascimento do novo sol que, após a noite mais longa do ano, retomava novo vigor. 
Para os cristãos, o verdadeiro Sol, a Luz do mundo, é Cristo. Celebrar o Natal de Jesus Cristo é anunciar que Ele vence a noite do paganismo e oferece ao Mundo a novidade de uma mensagem de amor, caminho para a felicidade, cimentado na conversão, na confiança em Deus e na fraternidade universal. 
No Oriente, na Igreja Ortodoxa, o nascimento de Jesus é festejado no dia 6 de Janeiro, com o nome de Epifania.
O Papa Francisco, no dia 24 de Dezembro de 2015, na Missa da noite de Natal, disse: “ …quando ouvirmos falar do nascimento de Cristo, permaneçamos em silêncio e deixemos que seja aquele Menino a falar; gravemos no nosso coração as suas palavras, sem afastar o olhar do seu rosto. Se O tomarmos nos nossos braços e nos deixarmos abraçar por Ele, dar-nos-á a paz do coração que jamais terá fim. Este Menino ensina-nos aquilo que é verdadeiramente essencial na nossa vida. Nasce na pobreza do mundo, porque, para Ele e a sua família, não há lugar na hospedaria. Encontra abrigo e protecção num estábulo e é deitado numa manjedoura para animais. E todavia, a partir deste nada, surge a luz da glória de Deus. A partir daqui, para os homens de coração simples, começa o caminho da verdadeira libertação e do resgate perene. Deste Menino, que, no seu rosto, traz gravados os traços da bondade, da misericórdia e do amor de Deus Pai, brota – em todos nós, seus discípulos, como ensina o apóstolo Paulo – a vontade de «renúncia à impiedade» e à riqueza do mundo, para vivermos «com sobriedade, justiça e piedade» (Tt 2, 12)…”


- VOTOS DE BOM E FELIZ NATAL

A Paróquia de Santa Maria da Feira e o seu Pároco desejam aos fiéis da comunidade feirense e a todos os homens e mulheres de boa vontade a paz e a alegria que brotam do Natal de Jesus. Que este tempo de festa seja oportunidade de verdadeiro encontro familiar, de redescoberta do amor que se torna partilha e de esforço na construção de uma sociedade mais justa, mais participativa e mais feliz. Um Santo, Bom e Feliz Natal, com Jesus


DA PALAVRA DO SENHOR



- IV DOMINGO DO ADVENTO
        
“… «De ti, Belém-Efratá, pequena entre as cidades de Judá,
 de ti sairá aquele que há-de reinar sobre Israel.
 […]
 Ele levantar-se-á para apascentar o seu rebanho
 pelo poder do Senhor,
 pelo nome glorioso do Senhor, seu Deus.
 Viver-se-á em segurança,
 porque ele será exaltado até aos confins da terra.
 Ele será a paz»…” (cf. Miqueias 5, 2-5)

PALAVRA DO PAPA FRANCISCO



- na Audiência-Geral, na Praça de São Pedro, Roma, no dia 19 de Dezembro

Queridos irmãos e irmãs, bom dia!

Daqui a seis dias será Natal. As árvores, as decorações e as luzes, por toda a parte, recordam que também este ano haverá festa. A máquina publicitária convida a trocar presentes, sempre novos para fazer surpresas. Mas, eu pergunto-me: é esta a festa que agrada a Deus? Qual o Natal que Ele quer, que presentes, que surpresas?
Olhemos para o primeiro Natal da história para descobrir os gostos de Deus. O primeiro Natal da história foi cheio de surpresas. Começa com Maria, que era esposa prometida de José: chega o anjo e muda-lhe a vida. Sendo virgem, será mãe. Continua com José, chamado a ser pai de um filho sem o ter gerado. Um filho que chega no momento menos indicado, isso é, quando Maria e José eram esposos prometidos e, segundo a Lei, não podiam coabitar. Perante o escândalo, o bom senso do tempo convidada José a repudiar Maria e salvar o seu bom nome; mas ele, apesar de ter esse direito, surpreende: para não prejudicar Maria, pensa repudiá-la, mesmo perdendo a sua reputação. Depois, uma outra surpresa: Deus, em sonhos, altera-lhe os seus planos e pede-lhe para receber Maria em sua casa. Nascido Jesus, quando tinha os seus projectos para a família, ainda em sonhos, é-lhe dito para se levantar e ir para o Egipto. Em resumo: o Natal leva a inesperadas mudanças de vida. E, se queremos viver o Natal, devemos abrir o coração e estar dispostos às surpresas, isso é, a uma inesperada mudança de vida.
Mas, é na noite de Natal que chega a maior surpresa: o Altíssimo é um pequeno menino. A Palavra divina é um ‘infante’ que, literalmente significa “incapaz de falar”. E a palavra divina torna-se “incapaz de falar”. A acolher o Salvador não estão as autoridades do tempo, do lugar ou os embaixadores. Não!... São os humildes pastores que, surpreendidos pelos anjos enquanto trabalhavam de noite, acorrem sem demora. Quem esperaria isto? Natal é celebrar a originalidade de Deus, ou melhor, é celebrar um Deus surpreendente, que derruba as nossas lógicas e as nossas expectativas.
Fazer Natal, então, é acolher, na terra, as surpresas do Céu. Não se pode viver “terra-a-terra”, quando o Céu trouxe as suas novidades ao mundo. O Natal inaugura uma época nova, onde a vida não se programa, mas se doa; onde não se vive mais para si mesmo, com base nos próprios gostos, mas para Deus; e com Deus, porque a partir do Natal, Deus é ‘Deus connosco’, que vive connosco, que caminha connosco. Viver o Natal é deixar-se abanar pela sua surpreendente novidade. O Natal de Jesus não oferece o calor reconfortante da lareira, mas o arrepio divino que sacode a história. Natal é a desforra da humildade sobre a arrogância, da simplicidade sobre a abundância, do silêncio sobre a balbúrdia, da oração sobre “o meu tempo”, de Deus sobre o meu eu.
Fazer Natal é fazer como Jesus - que veio para nós, necessitados - e ir ao encontro de quem precisa de nós. É fazer como Maria: fiar-se, dóceis a Deus, mesmo sem compreender o que Ele fará. Fazer Natal é fazer como José: levantar-se para realizar o que Deus quer, mesmo se não está de acordo com os nossos planos. São José é surpreendente: no Evangelho, nunca fala; não há uma única palavra de José, no Evangelho; e o Senhor fala-lhe no silêncio; fala-lhe, precisamente, no sono. O Natal é preferir a voz silenciosa de Deus, aos rumores do consumismo. Se soubermos estar em silêncio diante do presépio, o Natal será, também para nós, uma surpresa, não uma coisa já vista. Estar em silêncio diante do presépio: este é o convite, para o Natal. Tira um pouco de tempo; vai diante do presépio e fica em silêncio. E ouvirás, verás a surpresa.


Infelizmente, porém, pode errar-se a festa, e preferir as coisas usuais da terra às novidades do céu. Se o Natal for somente uma bela festa tradicional - onde, no centro, estamos nós e não Ele - será uma ocasião perdida. Por favor, não mundanizemos o Natal! Não coloquemos de lado o Festejado, como quando “veio para os seus e os seus não o acolheram” (Jo 1, 11). Desde o primeiro Evangelho do Advento, o Senhor chamou a nossa atenção, pedindo para não nos sobrecarregarmos com “dissipações” e “preocupações da vida” (Lc 21, 34). Nestes dias, corre-se muito, talvez como nunca durante o ano. Mas, assim, faz-se o oposto daquilo que Jesus quer. Atiramos as culpas para as muitas coisas que enchem os dias, no mundo que corre veloz. Porém, Jesus não culpou o mundo, mas pediu para não nos deixarmos arrastar; para estarmos vigilantes na oração, em todo o momento. (cfr v. 36).
Bem!... Será Natal se, como José, dermos espaço ao silêncio; se, como Maria, dissermos “eis-me aqui” a Deus; se, como Jesus, estivermos próximos dos que estão sozinhos; se, como os pastores, sairmos das nossas cercas para estar com Jesus. Será Natal se encontrarmos a luz na pobre gruta de Belém. Não será Natal se procurarmos o clarão cintilante do mundo; se nos enchermos de presentes, almoços e jantares, mas não ajudarmos pelo menos um pobre, que se assemelha a Deus porque, no Natal, Deus veio pobre.
Queridos irmãos e irmãs, desejo-vos um bom Natal; um Natal rico das surpresas de Jesus! Podem parecer surpresas incómodas, mas são os gostos de Deus. Se as abraçarmos, faremos a nós mesmos uma esplêndida surpresa. Cada um de nós tem escondida no coração a capacidade de se surpreender. Deixemo-nos surpreender por Jesus neste Natal. (cf. Santa Sé)