PALAVRA COM SENTIDO

PALAVRA COM SENTIDO

“…quem de entre vós não renunciar a todos os seus bens, não pode ser meu discípulo…” (cf. Lucas 14, 33)

Seguir Jesus, com verdade e fidelidade, exige a renúncia a tudo o que prende o coração aos sentimentos do mundo: a riqueza, o poder, a vingança, a violência, a injustiça, a maldade. Jesus vai mais longe ao pedir, até, a renúncia aos laços de amor e à própria vida. Sabemos que Jesus apresenta sempre um caminho de radicalidade. Aderir ao projecto do ‘Reino de Deus’ é romper com tudo o que afasta do caminho de Cristo: Ele quer ter em tudo o primeiro lugar. Aderir à proposta de Jesus é carregar com a própria cruz e fazer dela o sinal da comunhão com a verdadeira Vida. Quem segue Jesus com o peso da sua cruz sente que esta se torna mais leve, pois Jesus é o nosso cireneu. Quem renuncia ao amor dos outros por Jesus sabe que Ele manda amar os outros sem medida, com um amor puro, transparente e generoso. Quem compromete a vida por Jesus sabe que ‘ganha’ uma nova vida, mais autêntica e mais feliz. Renunciar a tudo por Jesus é compreender o valor do tesouro que Ele é e desejar acolher a alegria do Seu reino.

domingo, 8 de setembro de 2019

DA PALAVRA DO SENHOR



- XXIII DOMINGO DO TEMPO COMUM

“…Seguia Jesus uma grande multidão.
 Jesus voltou-Se e disse-lhes:
«Se alguém vem ter comigo,
 sem Me preferir ao pai, à mãe,
 à esposa, aos filhos, aos irmãos, às irmãs
 e até à própria vida,
 não pode ser meu discípulo.
 Quem não toma a sua cruz para Me seguir,
 não pode ser meu discípulo…” (cf. Lucas 14, 25-27)

PALAVRA DO PAPA FRANCISCO



- na Oração do Angelus, na Praça de São Pedro – Roma, no dia 1 de Setembro de 2019.

Queridos irmãos e irmãs, bom dia!
O Evangelho deste domingo (cf. Lc 14, 1.7-14) mostra-nos Jesus a participar numa festa, na casa de um líder fariseu. Jesus olha e observa como os convidados correm, como se apressam para conseguir os primeiros lugares. É uma atitude bastante difundida, mesmo nos nossos dias, e não apenas quando somos convidados para um almoço: geralmente, procuramos o primeiro lugar para afirmar uma suposta superioridade sobre os outros. Na realidade, esta corrida aos primeiros lugares prejudica a comunidade, tanto civil como eclesial, porque arruína a fraternidade. Todos nós conhecemos estas pessoas: escaladores, que sempre escalam para subir, subir... Danificam a fraternidade, deterioram a fraternidade. Diante desta cena, Jesus conta duas pequenas parábolas.
A primeira é dirigida a quem é convidado para um banquete, e exorta-o a não se pôr em primeiro lugar, “porque — diz ele — pode haver outro convidado mais digno do que tu e aquele que vos convidou não te venha dizer: “Por favor, cede o lugar a este convidado!”». Uma vergonha! «Passarás, então a ocupar, vergonhosamente, o último lugar» (ver vv. 8-9). Jesus, por outro lado, ensina-nos a ter uma atitude oposta: «Quando fores convidado, vai para o último lugar, para que, quando vier aquele que te convidou, te diga: “Amigo, anda mais para cima!”». (v. 10). Portanto, não devemos tomar a iniciativa de procurar a atenção e a consideração dos outros, mas sim deixar que outros no-la dêem. Jesus mostra-nos sempre o caminho da humildade — devemos aprender o caminho da humildade! — porque é o mais autêntico, e permite, também, ter relações autênticas. Verdadeira humildade, não falsa humildade, o que no Piemonte é chamado de ‘mugna quacia’. Não! Essa não. A verdadeira humildade.
Na segunda parábola, Jesus dirige-se a quem convida e, referindo-se ao modo de seleccionar os convidados, diz-lhe: «Quando ofereceres um banquete, convida os pobres, os aleijados, os coxos, os cegos; e serás abençoado porque eles não têm possibilidade de te retribuir» (vv. 13-14). Também aqui, Jesus vai completamente contra a corrente, manifestando, como sempre, a lógica de Deus Pai. E também acrescenta a chave para interpretar este seu discurso. E qual é a chave? Uma promessa: se fizeres assim, «receberás a tua recompensa na ressurreição dos justos» (v. 14). Isto significa que aqueles que se comportarem desta maneira terão a recompensa divina, muito mais superior do que a recompensa humana: faço-te este favor esperando que tu me faças outro. Não, este não é um cristão. A generosidade cristã é humilde. O intercâmbio humano, de facto, falsifica as relações, torna-as “comerciais”, introduzindo o interesse pessoal numa relação que deve ser generosa e gratuita. Pelo contrário, Jesus convida-nos à generosidade abnegada, a abrir o caminho para uma alegria muito maior: alegria de fazer parte do próprio amor de Deus que nos espera, a todos nós, no banquete celestial.
Que a Virgem Maria, «humilde e elevada mais do que outra criatura» (Dante, Paraíso, XXXIII, 2), nos ajude a reconhecer-nos como somos, isto é, pequenos; e a alegrar-nos em dar sem nada esperar em troca. (cf. Santa Sé)

PARA REZAR



- SALMO 89

Refrão: Ó Senhor, vós tendes sido o nosso refúgio através das gerações.

Vós reduzis o homem ao pó da terra
e dizeis: «Voltai, filhos de Adão».
Mil anos a vossos olhos são como o dia de ontem que passou
e como uma vigília da noite.

Vós os arrebatais como um sonho,
como a erva que de manhã reverdece;
de manhã floresce e viceja,
à tarde ela murcha e seca.

Ensinai-nos a contar os nossos dias,
para chegarmos à sabedoria do coração.
Voltai, Senhor! Até quando...
Tende piedade dos vossos servos.

Saciai-nos desde a manhã com a vossa bondade,
para nos alegrarmos e exultarmos todos os dias.
Desça sobre nós a graça do Senhor nosso Deus.
Confirmai, Senhor, a obra das nossas mãos.

SANTOS POPULARES



BEATA MARIA CELESTE CROSTAROSA

Júlia Crostarosa nasceu em Nápoles, no dia 31 de Outubro de 1696. Era a décima dos doze filhos de José Crostarosa - magistrado e descendente de uma nobre família de Abruzzo - e de Paula Battistini Caldari. Foi baptizada no dia 1 de Novembro, na igreja de São José Maior, e deram-lhe o nome de Júlia Marcela Santa Crostarosa.
Precoce em inteligência e capacidade de raciocinar, dotada de um carácter decidido e extrovertido, a infância e a adolescência de Júlia tiveram a marca da serenidade de uma casa abastada, como a sua. A sua família animou-a a aprofundar a palavra de Deus e a viver a sua vida espiritual com autenticidade. Contudo, a juventude de Júlia não foi isenta de crise. Aconselhada pelo Padre Bartolomeu Cacace, seu director espiritual, conseguiu superar aquela fase.
Em 1716, com 20 anos, acompanhou, com a sua mãe, a irmã, Úrsula, que ia entrar para o Mosteiro Carmelita, recentemente fundado, de Santa Maria das Sete Dores, em Marigliano, na província de Nápoles. Júlia decidiu, também, ficar naquele Mosteiro.
Em 21 de Novembro de 1718, as duas irmãs vestiram o hábito carmelita e iniciaram o noviciado, terminado no ano seguinte. Júlia adoptou o nome de Irmã Cândida do Céu.
Quando o Mosteiro foi fechado, por causas de força maior, as duas irmãs foram obrigadas a deixar Marigliano, em 16 de Outubro de 1723. Depois de uma breve permanência na família, aceitaram o convite do Padre Tomás Falcoia, das Obras Pias, que havia fundado, dois anos antes, o Mosteiro da Santíssima Conceição, em Scala, província de Salermo, e ao qual dera a regra da Visitação. As duas irmãs transferiram-se para lá, em Janeiro de 1724. Nesta circunstância, Júlia assumiu o nome de Irmã Maria Celeste do Santo Deserto. Algum tempo depois, a sua irmã, Joana, entrou, também, neste Mosteiro.
Em 25 de Abril de 1725, depois da Comunhão, ocorreu o primeiro dos acontecimentos extraordinários dos quais seria protagonista. Foi-lhe revelado como, por seu intermédio, o Senhor introduziria no mundo um novo instituto religioso. Por obediência à Mestra de Noviças, a Irmã Maria Celeste redigiu o texto “Instituto e Regras do Santíssimo Salvador, contidos nos Santos Evangelhos”.
A aprovação deste documento foi alcançada depois de um atento exame, por parte de um conselho de teólogos napolitanos, solicitado pelo Padre Falcoia. Porém, não faltaram dificuldades, levantadas por parte dos superiores e de algumas Irmãs. Para a solução desta contenda, foi determinante a contribuição de um sacerdote napolitano, o Padre Afonso Maria de Ligório (futuro santo e doutor da Igreja).
Em 13 de Janeiro de 1731, teve início a “Ordem do Santíssimo Salvador” que, com a aprovação pontifícia, em 1750, mudou o nome para “Ordem do Santíssimo Redentor”. Os religiosos desta Ordem são, geralmente, conhecidos como “Redentoristas”.
A vida quotidiana da Irmã Maria Celeste foi marcada por muitas graças divinas; mas não faltaram momentos difíceis, para ela, para o Padre Falcoia e para a comunidade religiosa. As coisas tornaram-se mais complicadas quando o novo bispo de Scala impôs que a fundadora assinasse uma nova versão da Regra; que o Padre Falcoia deixasse de ser o seu director espiritual e que não se relacionasse mais com um leigo, chamado Tosquez, em quem muito confiava e que ajudava muito o Mosteiro. A Irmã Maria Celeste recusou as exigências do Bispo e este obrigou a Irmã Maria Celeste a viver isolada da comunidade e privada da Eucaristia.
Devido ao clima pesado que se criara e se vivia no Mosteiro, no mês de Maio, a sua irmã Joana escreveu ao pai, informando-o de que desejava deixar o Mosteiro. O Padre Jorge Crostarosa - padre jesuíta e irmão de Maria Celeste - foi a Scala e sugeriu que a Irmã Celeste interrompesse o seu relacionamento com Tosquez; que não assinasse as Regras impostas pelo Bispos; que se contentasse com o apoio do confessor ordinário do Mosteiro. A conclusão deste diferendo chegou no dia 14 de Maio de 1733: a Irmã Maria Celeste foi expulsa do Mosteiro e, com ela, saíram, voluntariamente as suas duas irmãs.
Durante dez dias, de 26 de Maio a 5 de Junho, ficaram hospedadas do Mosteiro Beneditino da Santíssima Trindade, em Amalfi. Depois, foram acolhidas no Colégio Dominicano da Santíssima Anunciada, em Pareti di Nocera (hoje, Nocera Inferior, província de Salermo). A Irmã Maria Celeste tornou-se a superiora da comunidade monástica e reformou-a por completo, exercendo o bem, quer dentro do Mosteiro, que fora dele. O seu director espiritual, passou a ser o Padre Bernardino Sommantico.
A pedido do Duque Ravaschieri de Roccapiemonte, em 7 de Novembro de 1735, a Irmã Maria Celeste partiu para lá, com o objectivo de fundar um novo Colégio. A sua comunidade transferiu-se para o novo Colégio do Santíssimo Salvador, em 4 de Outubro de 1739, onde, em 26 de Março de 1742, ocorreu a tomada de hábito de oito jovens. Finalmente, a Irmã Maria Celeste podia actuar segundo o que lhe fora inspirado, guiando as Irmãs mas, também, as jovens que vinham para ser educadas no Mosteiro.
Para ela, a vida das monjas devia ser uma perfeita imitação da vida de Cristo; por consequência, a comunidade religiosa era concebida como “viva memória” do Seu amor redentor. O critério fundamental que as devia inspirar era a procura do essencial, bebido na familiaridade com o Evangelho e concretizado no doar-se, sem reservas, ao próximo, como estava escrito na Regra.
Além da estima do Padre Afonso Maria de Ligório, a Irmã Maria Celeste gozava da amizade do jovem Irmão redentorista Gerardo Maiella (ele também canonizado, conhecido como São Geraldo Magela) e de todo o povo de Foggia, que a chamava “a santa priora”. Por volta de 1750, aconselhada pelo seu director espiritual, escreveu a sua autobiografia, fonte de numerosos detalhes sobre sua história pessoal.
A Irmã Maria Celeste Crostarosa faleceu no dia 14 de Setembro de 1755, no Mosteiro de Foggia, com fama de santidade, quando o sacerdote que a assistia, lendo a Paixão segundo São João, chegara às palavras “Consummatum est” – “Está consumado”.
A Madre Maria Celeste deixou um substancioso epistolário que completa o quadro da sua personalidade e permite observar a sua vida interior. Como resultado das suas 14 obras ascéticas é considerada uma das maiores místicas italianas do século XVII.
Apesar disso, a Madre Maria Celeste é uma grande desconhecida. Pela sua obra e pelos seus escritos, ela merece um lugar de destaque na história da espiritualidade católica. Fundadora da Ordem do Santíssimo Redentor (Comunidades Contemplativas Redentoristas) em 1731, e inspiradora da Congregação do Santíssimo Redentor (Missionários Redentoristas) fundada por Santo Afonso Maria de Ligório em 1732, as comunidades redentoristas expandiram-se pelo mundo.
A Irmã Maria Celeste dava uma importância extraordinária ao Evangelho como fonte primeira de inspiração, tanto para o Instituto como para a sua vida espiritual.
A Irmã Maria Celeste Crostarosa foi beatificada, no dia 18 de Junho de 2016, em Foggia, em celebração presidida pelo Cardeal Ângelo Amato, em nome do Papa Francisco.
A memória litúrgica da Beata Maria Celeste Crostarosa é celebrada no dia 11 de Setembro.

segunda-feira, 2 de setembro de 2019

DA PALAVRA DO SENHOR



- XXII DOMINGO DO TEMPO COMUM

“…Filho, em todas as tuas obras procede com humildade
 e serás mais estimado do que o homem generoso.
 Quanto mais importante fores, mais deves humilhar-te
 e encontrarás graça diante do Senhor.
 Porque é grande o poder do Senhor
 e os humildes cantam a sua glória.
 A desgraça do soberbo não tem cura,
 porque a árvore da maldade criou nele raízes.
 O coração do sábio compreende as máximas do sábio
 e o ouvido atento alegra-se com a sabedoria…” (cf. Ben-Sirá 3, 19-21. 30-31)

PALAVRA DO PAPA FRANCISCO



- na Audiência-Geral, na Praça de São Pedro – Roma, no dia 28 de Agosto de 2019.

Queridos irmãos e irmãs, bom dia!
A comunidade eclesial descrita no livro dos Actos dos Apóstolos vive da muita riqueza que o Senhor coloca à sua disposição - o Senhor é generoso! -; experimenta um grande crescimento numérico e grande entusiasmo, apesar dos ataques externos. Para nos mostrar esta vitalidade, Lucas, no Livro dos Actos dos Apóstolos, indica, também, os lugares mais significativos, por exemplo, o pórtico de Salomão (cf. Actos 5, 12), ponto de encontro para os crentes. O pórtico (stoà) é uma galeria aberta que serve de abrigo, mas também de lugar de encontro e de testemunho. Lucas, de facto, insiste nos sinais e prodígios que acompanham a palavra dos Apóstolos e no especial cuidado dos doentes a quem eles se dedicam.
No capítulo 5 dos Actos, Igreja nascente apresenta-se como um "hospital de campanha" que acolhe as pessoas mais débeis, que são os doentes. O seu sofrimento atrai os Apóstolos, que não possuem "nem prata nem ouro" (Actos 3, 6) - assim diz Pedro ao aleijado -, mas são ricos do nome de Jesus. Aos seus olhos, como aos olhos dos cristãos de todos os tempos, os doentes são destinatários privilegiados do feliz anúncio do Reino; são irmãos nos quais Cristo está presente de uma maneira particular, para se deixar procurar e encontrar por todos nós (ver Mt 25, 36-40). Os doentes são privilegiados para a Igreja, para o coração sacerdotal, para todos os fiéis. Não são descartáveis: pelo contrário, devem ser tratados, assistidos: são objecto de preocupação cristã.
De entre os Apóstolos, sobressai Pedro, que tem destaque no grupo apostólico por causa do primado (cf. Mt. 16, 18) e da missão recebidos do Ressuscitado (cf. Jo. 21, 15-17). É ele quem inicia a pregação do ‘kerygma’, no dia de Pentecostes (cf. Actos 2, 14-41) e que, no Concílio de Jerusalém, exercerá uma função directiva (cf. Actos 15 e Gal. 2, 10-10).
Pedro aproxima-se das enxergas e passa entre os enfermos, como Jesus tinha feito, tomando sobre si as enfermidades e as doenças (cf. Mt. 8, 17; Is. 53, 4). E Pedro, o pescador da Galileia, passa, mas deixa que seja um Outro a manifestar-se: que seja o Cristo vivo e operante! Testemunha, de facto, é aquele que manifesta Cristo, quer com palavras, quer com a presença corporal, que lhe permite relacionar-se e ser prolongamento do Verbo feito carne, na história.
Pedro é aquele que realiza as obras do Mestre (cf. João 14, 12): olhando-o com fé, vê-se o próprio Cristo. Cheio do Espírito do seu Senhor, Pedro passa e, sem fazer nada, a sua sombra torna-se uma "carícia", curadora, comunicação de saúde, efusão da ternura do Ressuscitado que se inclina sobre os doentes e restitui vida, a salvação, a dignidade. Deste modo, Deus manifesta a sua proximidade e faz das feridas dos seus filhos "o lugar teológico de sua ternura" (Meditação da manhã, Santa Marta, 14.12.2017). Nas feridas dos doentes; nas doenças que são impeditiva de andar com a vida para a frente, está sempre a presença de Jesus, a ferida de Jesus. É Jesus que chama cada um de nós a cuidar deles, apoiá-los, curá-los.
A acção curativa de Pedro suscita o ódio e a inveja dos saduceus, que prendem os Apóstolos e, perturbados com a sua misteriosa libertação, os proíbem de ensinar. Esta gente via os milagres que os Apóstolos faziam, não por magia, mas em nome de Jesus; mas não queriam aceitá-lo e meteram-nos na prisão, espancaram-nos. Depois, foram libertados, miraculosamente, mas o coração dos saduceus era tão duro que não quiseram acreditar naquilo que viram. Pedro, então, responde oferecendo uma chave da vida cristã: "Importa mais obedecer a Deus do que aos homens" (cf. Actos 5, 29), porque eles - os saduceus - diziam: "Não deveis continuar a ensinar essas coisas, não deveis curar" - " Obedeço a Deus antes que aos homens ": é a grande resposta cristã. Isso significa escutar Deus sem reservas, sem adiamentos, sem cálculos; aderir a Ele para nos tornarmos capazes de aliança com Ele e com quem nos encontramos no nosso caminho.
Peçamos, também nós, ao Espírito Santo a força para não nos assustarmos diante daqueles que nos mandam calar, nos caluniam e até atentam contra a nossa vida. Peçamos-Lhe que nos fortaleça interiormente para termos a certeza da presença amorosa e consoladora do Senhor, ao nosso lado. (cf. Santa Sé)

PARA REZAR



- SALMO 67

Refrão: Na vossa bondade, Senhor,
             preparastes uma casa para o pobre

Os justos alegram-se na presença de Deus,
exultam e transbordam de alegria.
Cantai a Deus, entoai um cântico ao seu nome;
o seu nome é Senhor: exultai na sua presença.

Pai dos órfãos e defensor das viúvas,
é Deus na sua morada santa.
Aos abandonados Deus prepara uma casa,
conduz os cativos à liberdade.

Derramastes, ó Deus, uma chuva de bênçãos,
restaurastes a vossa herança enfraquecida.
A vossa grei estabeleceu-se numa terra
que a vossa bondade, ó Deus, preparara ao oprimido.

SANTOS POPULARES

BEATA EUGÉNIA PICCO


Eugénia Picco nasceu em Crescenzago, Milão, no dia 8 de Novembro de 1867. Foi baptizada, dois dias depois, na Abadia de Santa Maria Rossa. Era filha de José Picco e de Adelaide Del Corno. O pai é um músico famoso e cego do “La Scala” de Milão. A mãe é uma mulher frívola, interesseira, que não ama o seu marido, mas sim o dinheiro, o sucesso e as viagens. Eugénia é frequentemente deixada com os seus avós, encontrando os seus pais somente nos breves intervalos entre as diversas tournées, até o dia em que a mãe voltou sozinha, sem o marido, dando-o por morto. Eugénia nunca mais teve notícias do seu pai. A partir de então, a mãe obrigou-a a morar com ela e com o seu novo companheiro, com quem teve, em seguida, dois filhos.
Eugénia cresceu num ambiente moralmente arruinado, sem religião, tendo que se sujeitar aos desejos e caprichos mundanos da sua mãe, que sonhava ver a filha uma cantora de sucesso. Eugénia também tinha que se submeter ao companheiro da mãe, o qual a irritava e molestava. “Perigos e ocasiões em casa e fora dela”, dirá, mais tarde, Eugénia ao lembrar-se desses anos de tormentos e da força “instintiva” de rezrar, de elevar o pensamento ao alto, no silêncio da austera Basílica de Santo Ambrósio de Milão, para onde se sentia atraída, todos os dias, para invocar a Deus, quase sem conhecê-Lo. Numa tarde de Maio de 1886, Eugénia sentiu um forte chamamento à santidade. A partir desse momento, ela começou a procurar - com alegria e fidelidade, jamais desmentidas - viver na perfeição.
Aos vinte anos, Eugénia decidiu buscar Jesus e a santidade. Entrou, então, para a recentemente fundada Família religiosa das “Piccole Figlie” (Filhinhas) dos Sagrados Corações de Jesus e de Maria, fugindo da sua casa, em 31 de Agosto de 1887. Foi, imediatamente, acolhida na nova Família, onde foi compreendida e amada pelo seu fundador, o Venerável Agostinho Chieppi.
Eugénia iniciou o seu noviciado, no dia 26 de Agosto de 1888 e, em 10 de Junho de 1891, fez os seus primeiros votos, em cerimónia presidida pelo próprio fundador. Os votos perpétuos foram assumidos no dia 1de Junho de 1894. Simples e humilde, fiel e generosa, Eugénia consagrou-se sem reservas: aos alunos condenados e deportados, aos quais ensinava música, canto e francês; às noviças, das quais se torna mãe e Mestra; às suas Irmãs, servindo como arquivista, secretária-geral e conselheira.
Em Junho de 1911, Eugénia foi eleita Superiora-Geral, cargo que ocuparia até à sua morte. Corajosa, fez voto de realizar, com serena perfeição e tranquilidade, os seus deveres de Superiora, a fim de cumprir a vontade de Deus, sendo uma sábia e prudente incentivadora da sua Congregação. Durante o seu mandato, realizou uma actividade esclarecida e prudente, procurando organizar o seu Instituto de forma duradoura, assumindo a tarefa de estabelecer as instruções transmitidas pelo Fundador.
Para toda a gente, ela foi uma mãe, especialmente para os pobres, os pequenos, os marginais que ela serviu com caridade generosa e incansável. Os necessitados e os dramas dos seus irmãos, durante a Primeira Guerra Mundial (1915-1918), abriram-lhe ainda mais o coração, que se fez acolhedor da lamentação, da dor e das preocupações sociais e pessoais da comunidade.
Para a Irmã Eugénia, o seu principal sustento – apoio vital da sua vida interior e de toda a sua obra e acção apostólica – foi a Eucaristia, o seu grande amor, o centro da sua piedade, o alimento, o reconforto e a alegria dos seus dias repletos de oração e de cansaços. Em Eugénia, Cristo infundiu o Seu zelo pela salvação das almas; o Seu desejo fervoroso de reconduzir todas as pessoas à casa do Pai. A razão da sua incessante actividade caritativa estava centrada no seu amor ardente a Cristo.
Com a saúde debilitada, num corpo corroído pela tuberculose óssea - doença que, em 1919, levou à amputação de parte da sua perna direita – a Irmã Eugénia desejava, em tudo, cumprir a vontade do Pai. A Irmã Eugénia estava pronta para toda a imolação e sempre se mostrou como a amiga sorridente de Cristo, dos irmãos e do mundo. Este dinamismo que concentrou todos os seus desejos, a sua fidelidade à vontade de Deus; esta resolução decidida e terna para procurar a perfeição, traduzida por uma vida de mortificação, de pureza, de obediência; o heroísmo nas obras de virtude, vivendo o dia-a-dia mais humilde de um modo extraordinário, determinaram o clima no qual a vida de Irmã Eugénia Picco se desenrolou. Cumpriu a sua total consagração a Deus, na doença e na morte.
A Irmã Eugénia Picco faleceu no dia 7 de Setembro de 1921, em Parma, Itália. A sua fama de santidade era motivo de admiração e continua viva tantos anos após a sua morte. Por toda parte, fala-se de admiração e veneração pela Irmã Eugénia, considerada, por todos, como um exemplo de extraordinária virtude e como um modelo de piedade, de zelo, de espírito de sacrifício e de sabedoria.
Eugénia Picco foi beatificada, em Roma, no dia 7 de Outubro de 2001, pelo Papa João Paulo II. Na homilia da Missa, a propósito de Eugénia Picco, o Papa disse: “… A síntese vital entre contemplação e acção, assimilada a partir da participação quotidiana na Eucaristia, foi o fundamento da experiência espiritual e do impulso de caridade de Eugénia Picco. Na sua vida, esforçou-se sempre para se pôr à escuta da voz do Senhor, em conformidade com o convite desta liturgia dominical (cf. Rit. ao Salmo resp.), sem jamais se subtrair aos serviços exigidos pelo amor ao próximo. Em Parma, ela assumiu a responsabilidade pela pobreza das populações, respondendo às necessidades dos jovens e das famílias indigentes e assistindo as vítimas da guerra, que nesse período ensanguentava a Europa. Mesmo diante do sofrimento, com os inevitáveis momentos de dificuldade e de confusão que ele comporta, a Beata Eugénia Picco soube transformar a experiência do sofrimento numa ocasião de purificação e de crescimento interior. Da nova Beata aprendemos a arte de escutar a voz do Senhor, para ser testemunhas credíveis do Evangelho da caridade neste início de milénio…”
A memória litúrgica da Beata Eugénia Picco é celebrada no dia 7 de Setembro.

segunda-feira, 26 de agosto de 2019

DA PALAVRA DO SENHOR



- XXI DOMINGO DO TEMPO COMUM

“…Eu virei reunir todas as nações e todas as línguas,
para que venham contemplar a minha glória.
Eu lhes darei um sinal
e de entre eles enviarei sobreviventes às nações (…)
às ilhas remotas que não ouviram falar de Mim (…)
para que anunciem a minha glória entre as nações.
De todas as nações, como oferenda ao Senhor,
eles hão-de reconduzir todos os vossos irmãos (…)
até ao meu santo monte, em Jerusalém - diz o Senhor –
como os filhos de Israel trazem a sua oblação
em vaso puro ao templo do Senhor…” (cf. Hebreus 12, 5-7.11-13)

PALAVRA DO PAPA FRANCISCO



- na Audiência-Geral, na Praça de São Pedro – Roma, no dia 21 de Agosto de 2019.

Queridos irmãos e irmãs, bom dia!
A comunidade cristã nasce da efusão superabundante do Espírito Santo e cresce graças ao fermento da partilha entre os irmãos e as irmãs em Cristo. Há um dinamismo de solidariedade que edifica a Igreja como a família de Deus, onde a experiência da ‘koinonia’ é central. O que significa esta palavra tão estranha? É uma palavra grega que significa "pôr em comunhão", "pôr em comum", ser como uma comunidade, não isolados. Esta é a experiência da primeira comunidade cristã, isto é, pôr em comum, "compartilhar", "comunicar, participar", não se isolar. Na Igreja das origens, esta ‘koinonia’, esta comunidade refere-se, antes de mais, à participação no Corpo e Sangue de Cristo. Por isso, quando participamos na comunhão, dizemos "comungamos", entramos em comunhão com Jesus e, desta comunhão com Jesus, chegamos à comunhão com os irmãos e as irmãs. E esta comunhão no Corpo e Sangue de Cristo que se faz na Santa Missa traduz-se em união fraterna e, portanto, também naquilo que é mais difícil para nós: pôr em comum os bens e recolher o dinheiro para a colecta em favor do Igreja-mãe, de Jerusalém (cf. Rm 12, 13; 2 Cor. 8, 9) e das outras Igrejas. Se quiserdes saber se sois bons cristãos, deveis rezar, procurar aproximar-vos da comunhão e do sacramento da reconciliação. Mas, o sinal de que o teu coração se converteu é quando a conversão chega aos bolsos, quando toca o próprio interesse: aí, é onde vê se alguém é generoso com os outros, se ajuda os mais débeis, os mais pobres. Quando a conversão chega aí, fica seguro de que há uma verdadeira conversão. Se fica apenas nas palavras, não é uma boa conversão.
A vida eucarística, as orações, a pregação dos Apóstolos e a experiência da comunhão (cf. Actos 2,42) fazem dos crentes uma multidão de pessoas que - diz o Livro dos Actos dos Apóstolos - têm "um só coração e uma só alma" e ninguém chamava seu ao que lhe pertencia, mas, entre eles, tudo era comum (cf. Actos 4,32). É um modelo de vida tão forte que nos ajuda a ser generosos e não forretas. Por este motivo, "ninguém [...] entre eles era necessitado, porque aqueles que possuíam - diz o Livro – que possuíam campos ou casas os vendiam, traziam o produto do que foi vendido e colocavam-no aos pés dos Apóstolos; depois, era distribuído a cada um, segundo as suas necessidades” (cf. Actos 4, 34-35). Na Igreja, sempre houve este gesto de cristãos que se despojavam das coisas que tinham a mais, das coisas que não eram necessárias para entregá-las àqueles que precisavam delas. E não apenas dinheiro: também, o tempo. Quantos cristãos - vocês, por exemplo, aqui em Itália - quantos cristãos fazem voluntariado! Isso é muito lindo! É comunhão compartilhar o meu tempo com os outros, para ajudar aqueles que têm necessidades. É, assim, o voluntariado, as obras de caridade, as visitas aos doentes… É, sempre, preciso partilhar com os outros, e não procurar o próprio interesse.
A comunidade, ou ‘koinonia’, torna-se, assim, a nova modalidade de relação entre os discípulos do Senhor. Os cristãos experimentam um novo modo de estar entre si, de se comportar. É o modo de ser próprio dos cristãos, a ponto de os pagãos olharem para os cristãos e dizerem: "Vede como eles se amam!" O amor era o seu modo de ser. Mas não amor de palavras, não amor fingido: amor de obras, de ajudar-se uns aos outros, amor concreto, a solidez do amor. O vínculo com Cristo estabelece um vínculo entre os irmãos, que conflui e se expressa, também, na comunhão de bens materiais. Sim, este modo de estar juntos, este amar-se assim chega aos bolsos; chega, também, ao despojamento do impedimento do dinheiro para o dar aos outros, indo contra o próprio interesse. Ser membros do Corpo de Cristo torna os crentes corresponsáveis ​​uns pelos outros. Ser crentes em Jesus torna-nos corresponsáveis ​​uns pelos outros. "Mas, olha para aquele, os problemas que ele tem: a mim, não me importa, é coisa dele." Não!... Entre os cristãos não podemos dizer: "Coitado, tem um problema em casa, está a passar por esta dificuldade familiar". Mas, devo rezar; tomo-a como minha; não fico indiferente. Isto é ser cristão. É por isso que os fortes apoiam os fracos (cf. Rm 15, 1) e ninguém experimenta a indigência que humilha e desfigura a dignidade humana, porque eles vivem esta comunidade: têm um só coração. Amam-se. Este é o sinal: amor concreto.
Tiago, Pedro e João - que são os três apóstolos como que as "colunas" da Igreja de Jerusalém – decidem em assembleia que Paulo e Barnabé evangelizem os pagãos, enquanto eles evangelizam os judeus, e pedem, apenas, a Paulo e a Barnabé, uma condição: não se esquecerem dos pobres; lembrar-se dos pobres (cf. Gálatas 2, 9-10). Não só dos pobres materiais, mas também dos pobres espirituais, as pessoas que têm problemas e precisam de nossa proximidade. Um cristão parte sempre de si mesmo, do seu coração, e aproxima-se dos outros como Jesus se aproximou de nós. Esta é a primeira comunidade cristã.
Um exemplo concreto de partilha e de comunhão de bens chega-nos do testemunho de Barnabé: ele possuía um campo e vendeu-o para entregar o produto aos Apóstolos (cf. Actos 4,36-37). Mas, ao lado do seu exemplo positivo, aparece um outro tristemente negativo: Ananias e a sua esposa Safira, tendo vendido um terreno, decidem entregar apenas uma parte aos Apóstolos e reter a outra para si mesmos (cf. Actos 5, 1-2). Esta aldrabice interrompe a cadeia de partilha gratuita, a partilha serena e desinteressada; e as consequências são trágicas, são fatais (Actos 5, 5.10). O apóstolo Pedro desmascara a incorrecção de Ananias e da sua esposa e diz-lhe: "Ananias, porque é que Satanás invadiu o teu coração, a ponto de te levar a mentir ao Espírito Santo e subtraíres uma parte do preço do terreno?" [...] Não foi aos homens que tu mentiste, mas a Deus "(cf. Actos 5, 3-4). Podemos dizer que Ananias mentiu a Deus por causa de uma consciência voltada para si mesma, de uma consciência hipócrita, por causa de uma pertença eclesial "negociada", parcial e oportunista. A hipocrisia é o pior inimigo desta comunidade cristã, deste amor cristão: fingir querer bem aos outros, mas só procurar o próprio interesse.
Faltar à sinceridade na partilha ou faltar à sinceridade do amor significa cultivar a hipocrisia, afastar-se da verdade, tornar-se egoísta, extinguir o fogo da comunhão e voltar-se para o gelo da morte interior. Quem se comporta assim passa na Igreja como um turista. Há muitos turistas na Igreja que estão sempre e passagem, mas nunca entram na Igreja: é o turismo espiritual que os faz pensar que são cristãos, mas são apenas turistas das catacumbas. Não!... Não devemos ser turistas na Igreja, mas irmãos uns dos outros. Uma vida definida apenas em lucrar e aproveitar as situações à custa dos outros, inevitavelmente causa a morte interior. E, quantas pessoas dizem próximas da Igreja, amigos dos padres e dos bispos, e que procuram, apenas, o seu próprio interesse. Estas são as hipocrisias que destroem a Igreja!
O Senhor – peço-o por todos nós - derrame sobre nós o seu Espírito de ternura, que vence toda a hipocrisia e faz girar a verdade que alimenta a solidariedade cristã, que, longe de ser uma actividade de assistência social, é a uma expressão inalienável da natureza da Igreja, terna mãe de todos, especialmente os mais pobres. (cf. Santa Sé)

PARA REZAR



- SALMO 39

Refrão: Ide por todo o mundo, anunciai a boa nova.

Louvai o Senhor, todas as nações,
aclamai-O, todos os povos.

É firme a sua misericórdia para connosco,
a fidelidade do Senhor permanece para sempre.


SANTOS POPULARES

SANTA TERESA DE JESUS JORNET Y IBARS


Teresa de Jesus Jornet y Ibars nasceu no dia 9 de Janeiro de 1843, em Aytona, Lleida, Espanha. Era filha de Francisco Jornet e de Antonieta Ibars, uma família de agricultores ricos e, por isso, recebeu uma cuidadosa educação. Estudou em Lleida e em Fraga, na região de Huesca, e obteve o título de professora, em 1862. Em 1863, começou a trabalhar, como professora, com seu tio-avô, Padre Francisco Palau y Quer, fundador das Carmelitas Missionárias Descalças, em Ciudadela, Menorca, mas, na primavera do ano seguinte, ao fracassar aquela Fundação, Teresa regressou à sua aldeia. Naquela época, sem que seja possível especificar as datas, trabalhou como professora em Argensola, Barcelona, na companhia da sua irmã Maria. Deve ter estado ali poucos meses, porque de 1864 a 1868 morou na sua terra natal. Sentindo o chamamento de Deus para se consagrar na vida religiosa, decidiu professar numa das Ordens Religiosas mais austera. Entrou, então, em Julho de 1868, nas Clarissas de Briviesca, Burgos, mas não pôde, ali, realizar a sua vocação, devido a problemas de saúde. Deixou o Mosteiro em 1870.
Então, voltou a trabalhar com o seu tio, que lhe pediu, na sua qualidade de professora com título oficial, para visitar as casas das Carmelitas Terciárias, por ele fundadas. Porém, com a morte do Padre Francisco Palau, em 1872, sentiu-se desligada de qualquer compromisso com estas religiosas e voltou à casa paterna. Nesse mesmo ano, ao voltar das Termas de Estadilla, na província de Huesca, onde tinha ido com a mãe, ouviu, em Barbastro, falar do projecto da fundação um instituto de religiosas que se dedicasse aos anciãos desamparados. Este projecto estava a ser idealizado pelo Padre Saturnino López Novoa, chantre da Catedral de Huesca. Teresa visitou-o e prometeu colaborar com ele. De facto, no dia 12 de Outubro de 1872, chegou a Barbastro, na companhia da sua irmã, Maria, e de uma amiga Mercedes Calzada. Estas três, juntamente com outras nove candidatas, formaram o núcleo da nova Congregação, recebendo o hábito, em 27 de Janeiro de 1873.
Quatro dias depois, Teresa foi nomeada, interinamente, pelo Vigário Capitular, Responsável-Geral da nova Congregação. Em 8 de Maio de 1873, com outras seis religiosas, chegou a Valência, a pedido da Associação de Católicos, para fundar uma casa-asilo. Dois dias depois, já estavam instaladas e acolheram a primeira residente, uma idosa de noventa e seis anos que era paralítica. O arcebispo de Valência, D. Mariano Barrio Fernández, tornou-se o seu primeiro benfeitor e confirmou a Madre Teresa no seu cargo de Responsável-Geral. Durante a revolução independentista de Julho de 1873, as religiosas retiraram-se para a vizinha cidade de Alboraya, mas regressaram a Valência, em 9 de Agosto, o dia a seguir à tomada da cidade pelo General Martínez Campos. Em 10 de Maio de 1874, abriu um segundo asilo, em Saragoça, iniciando, assim, uma longa série de fundações. Durante a sua vida, foram abertos cento e três asilos. Deixando Aragão e Valência, as religiosas foram para outras regiões da Espanha e, assim, em 1875, abriram uma casa em Cabra, Córdoba, e, no ano seguinte, outra em Burgos.
Apesar do seu delicado estado de saúde, a Madre Teresa Jornet procurou, sempre, acompanhar as primeiras irmãs a chegar às novas casas e permanecia com elas até que estivessem instaladas.
Em 29 de novembro de 1874, emitiu sua profissão religiosa temporária, numa Congregação ainda somente de direito diocesano. Mas, em 14 de Julho de 1876, foi obtido o ‘Decretum laudis’, de Roma, que aprovava a nova Congregação. Teresa e as outras religiosas puderam, por fim, professar solenemente no dia 8 de Julho de 1877. Confirmada como Superiora-Geral por sucessivos capítulos-gerais, obteve, de Roma, em 1887, a aprovação temporária das Constituições, que foram, definitivamente, aprovadas dez anos depois. Enquanto isso, a Madre Teresa continuava, incansavelmente, a fundar novas casas e resolvendo os problemas que surgiam. Um dos problemas – e não o menor, por muito ridículo que pareça - foi o processo que teve de enfrentar com uma congregação de origem francesa e que tinha o mesmo nome. Sem o saber, o Padre Saturnino López Novoa e Teresa deram ao novo instituto o nome de Irmãzinhas dos Pobres Desamparados, que já tinham umas religiosas francesas, estabelecidas em Espanha desde 1863. Estas exigiam a integração das espanholas na Congregação francesa ou tinham de mudar de nome. Esta questão durou até 1882, quando as religiosas espanholas concordaram em mudar o seu nome para o Irmãzinhas dos Anciãos Desamparados, e comprometendo-se, também, a não abrir as suas casas nas cidades e vilas onde já se encontravam as freiras francesas.
Em 1885, a Madre Teresa aceitou que a Congregação das Irmãzinhas dos Pobres Inválidos, fundada, em Cuba, pelo Cardeal Ciríaco Sancha, se unisse à Congregação das Irmãzinhas dos Anciãos Desamparados, mandando àquela cidade um grupo das suas religiosas e iniciando, assim, um rápido desenvolvimento por toda a América latina.
Em 1896, foi confirmada, pela Santa Sé, como Superiora-Geral, mas, pouco tempo depois, a Madre Teresa ficou gravemente doente, morrendo, na casa de Liria, em 26 de Agosto de 1897, com fama de santidade.
Os seus restos mortais foram transladados para a casa-mãe de Valência, em 1904.
Teresa de Jesus Jornet y Ibars foi beatificada, em Roma, no dia 27 de Abril de 1958, pelo Papa Pio XII. Foi canonizada, pelo Papa Paulo VI, no dia 27 de Janeiro de 1974. O Papa João Paulo II proclamou-a padroeira dos Anciãos.
A sua memória litúrgica é celebrada no dia 26 de Agosto.


segunda-feira, 19 de agosto de 2019

EM DESTAQUE



NOSSA SENHORA RAINHA (22 de Agosto)

Durante o mês de Agosto, em muitas das regiões do nosso país, celebra-se a memória de Maria em inúmeras festa litúrgicas e populares. Maria, de facto, tem um lugar privilegiado na devoção e no coração dos fiéis.
No próximo dia 22 de Agosto, a Igreja celebra a Festa de Nossa Senhora Raínha.
Esta festa é conhecida, também, como a festa do “Reinado de Maria”. Foi instituída, em 1954, pelo Papa Pio XII, quando coroou Nossa Senhora, na Basílica de Santa Maria Maior, em Roma, Itália. No dia 11 de Outubro de 1954, o Papa Pio XII promulgou a Encíclica ‘Ad Caeli Reginam’ (A Rainha do Céu), sobre a realeza e a dignidade de Maria.
Primeiramente, a data da festa foi estabelecida no dia 31 de Maio, mês de Maria. Agora, porém, a celebração acontece na oitava da Assunção, isto é, oito dias após a festa da Assunção de Nossa Senhora. Assim, fica manifesta a íntima ligação entre a Assunção de Maria e a sua coroação no céu.
O Papa Pio XII deixou claro, na Encíclica ‘Ad Caeli Reginam’, que "os Teólogos da Igreja, extraindo a sua doutrina" consultaram os escritos e sermões de vários Santos, bem como testemunhos da Tradição antiga. Em todos esses casos, os santos e a Tradição "referem-se à Santíssima Virgem Mãe como Rainha de todas as coisas criadas, Rainha do mundo, Senhora do universo".
A celebração do Reinado de Nossa Senhora tem a sua origem na festa de Cristo, Rei e Senhor do Universo, ou, festa do “Reinado de Cristo”. Como Jesus Cristo é Rei, a sua mãe terrena, pura e imaculada, também é Rainha. Não se trata de um reino deste mundo, mas de um reinado eterno, universal, segundo a vontade de Deus.
Na encíclica ‘Lumen Gentium’ (Luz dos Povos), do Concílio Vaticano II, no Capítulo 59, diz-se: "A Virgem Imaculada (…) foi elevada ao céu em corpo e alma e exaltada por Deus como rainha, para assim se conformar mais plenamente com o seu Filho, Senhor dos senhores e vencedor do pecado e da morte".
O Papa Paulo VI, em sua Exortação Apostólica ‘Marialis Cultus’ ( O Culto a Maria), escreveu: “... na Virgem Maria tudo é referido a Cristo e tudo depende d’Ele: por Ele, Deus Pai escolheu-A, desde toda a eternidade, como Mãe toda Santa e a adornou com os dons do Espírito Santo que não foram concedidos a nenhum outro”. Por isso, ela é Rainha do céu e da terra.
Na festa de Nossa Senhora Rainha, de 2012, o Papa Bento XVI disse: “... esta realeza da Mãe de Deus torna-se concreta no amor e no serviço aos seus filhos, no seu constante velar pelas pessoas e pelas suas necessidades.” O reinado de Nossa Senhora aparece, concretamente, para nós que vivemos neste mundo, através do amor e do serviço de protecção e de intercessão que Ela nos presta,  a nós que ainda caminhamos neste mundo. (cf. Santos e ícones católicos)

DA PALAVRA DO SENHOR



- XX DOMINGO DO TEMPO COMUM

“…Estando nós rodeados de tão grande número de testemunhas,
ponhamos de parte todo o fardo e pecado que nos cerca
e corramos com perseverança para o combate
que se apresenta diante de nós,
fixando os olhos em Jesus,
guia da nossa fé e autor da sua perfeição.
Renunciando à alegria que tinha ao seu alcance,
Ele suportou a cruz, desprezando a sua ignomínia,
e está sentado à direita do trono de Deus.
Pensai n'Aquele que suportou contra Si
tão grande hostilidade da parte dos pecadores,
para não vos deixardes abater pelo desânimo.
Vós ainda não resististes até ao sangue, na luta contra o pecado…” (cf. Hebreus 12, 1-4)

PALAVRA DO PAPA FRANCISCO



- na Oração do Angelus, na Praça de São Pedro – Roma, no dia 15 de Agosto de 2019.

Queridos irmãos e irmãs, bom dia!
No Evangelho de hoje - Solenidade da Assunção da Bem-Aventurada Virgem Maria - a Virgem Santa reza, dizendo: "A minha alma glorifica o Senhor e o meu espírito exulta em Deus, meu Salvador" (Lc 1, 46-47). Olhemos para os verbos desta oração: glorifica e exulta. Dois verbos: "glorificar" e "exultar". Exulta-se quando acontece alguma coisa tão bela que não basta alegrar-se por dentro, na alma, mas quere-se exprimir a felicidade com todo o corpo: então, exulta-se. Maria exulta por causa de Deus. Quem sabe se, também a nós, já nos aconteceu exultar pelo Senhor: exultamos por um resultado obtido; por uma boa notícia… Mas, hoje, Maria ensina-nos a exultar em Deus. Porque^? Porque Ele - Deus - faz "grandes coisas" (cf. v. 49).
As grandes coisas são invocadas pelo outro verbo: glorificar. "A minha alma glorifica". Glorificar. De facto, glorificar significa exaltar uma realidade pela sua grandeza, pela sua beleza... Maria exalta a grandeza do Senhor; louva-O dizendo que Ele é realmente grande. Na vida é importante procurar coisas grandes, senão perdemo-nos atrás de tantas coisas pequenas. Maria mostra-nos que, se queremos que a nossa vida seja feliz, devemos colocar Deus em primeiro lugar, porque só Ele é grande. Quantas vezes, pelo contrário, vivemos seguindo coisas de pouca importância: preconceitos, rancor, rivalidade, inveja, ilusões, bens materiais supérfluos... Quanta mesquinhice na vida! Temos consciência disso… Hoje, Maria convida-nos a levantar o olhar para as "grandes coisas" que o Senhor realizou n’Ela. Também em nós, em cada um de nós, o Senhor faz tantas coisas grandiosas. Precisamos reconhecê-las e exultar, glorificar a Deus, por essas grandes coisas.
São as "grandes coisas" que celebramos, hoje. Maria foi elevada ao céu: pequena e humilde, é a primeira a receber a glória mais alta. Ela, que é uma criatura humana, uma de nós, alcança a eternidade em corpo e alma. E, aí, espera-nos, como uma mãe espera que os filhos voltem para casa. De facto, o povo de Deus invoca-A como "porta do céu". Estamos em caminho, peregrinos até a casa lá em cima. Hoje, olhamos para Maria e vemos a meta. Vemos que uma criatura foi elevada à glória de Jesus Cristo ressuscitado, e essa criatura só poderia ser Ela, a Mãe do Redentor. Vemos que, no paraíso, junto de Cristo, o Novo Adão, está, também, Ela, Maria, a Nova Eva. E isto nos dá conforto e esperança na nossa peregrinação, aqui em baixo.
A festa da Assunção de Maria é um apelo a todos nós, especialmente àqueles que são tocados pela dúvida e pela tristeza, e vivem com os olhos voltados para o chão, sem conseguirem olhar para o céu. Olhemos para o alto: o céu está aberto; não incute medo; não está muito longe, porque, no limiar do céu, está uma mãe que nos espera e é nossa mãe. Ama-nos; sorri para nós e ajuda-nos com desvelo. Como toda a mãe, quer o melhor para os seus filhos e diz-nos: "Vós sois preciosos aos olhos de Deus; não fostes feitos para as pequenas satisfações do mundo, mas para as grandes alegrias do céu”. Sim, porque Deus é alegria e não tédio. Deus é alegria. Deixemo-nos levar pela mão de Nossa Senhora. Todas as vezes que pegarmos no Rosário e o rezamos, damos um passo em frente, em direcção à grande meta da vida.
Deixemo-nos atraídos pela beleza verdadeira; não nos deixemos sugar pela pequenez da vida, mas escolhamos a grandeza do céu. Que a Santíssima Virgem, Porta do Céu, nos ajude a olhar, todos os dias, com confiança e alegria, para onde está a nossa verdadeira casa, onde Ela está, e, como Mãe, nos espera. (cf. Santa Sé)

PARA REZAR



- SALMO 39

Refrão: Senhor, socorrei-me sem demora.

Esperei no Senhor com toda a confiança e Ele atendeu-me.
Ouviu o meu clamor e retirou-me do abismo e do lamaçal,
assentou os meus pés na rocha
e firmou os meus passos.

Pôs em meus lábios um cântico novo,
um hino de louvor ao nosso Deus.
Vendo isto, muitos hão-de temer
e pôr a sua confiança no Senhor.

Eu sou pobre e infeliz:
Senhor, cuidai de mim.
Sois o meu protector e libertador:
ó meu Deus, não tardeis.

SANTOS POPULARES

SÃO BERNARDO DE CLARAVAL


Bernardo nasceu em 1090, no Castelo de Fontaine, região de Borgonha, França. Filho de um nobre chamado Tescelin Sorrel, o Vermelho, e de Aleth de Monthbard, mulher virtuosa venerada como bem-aventurada. Teve sete irmãos, sendo o terceiro. Bernardo sempre se destacou pela inteligência e pela beleza física. Aos 9 anos foi para a escola canónica, e destacou-se principalmente na literatura.
Em 1112, aos 22 anos, Bernardo entrou na Abadia de Cister, também na região da Borgonha. Esta abadia era um mosteiro cisterciense fundado por São Roberto de Molesme.
Nessa ocasião, Bernardo convenceu mais de trinta homens - irmãos, tios e vários amigos - a entrarem para a ordem, causando enorme surpresa e alegria para a Abadia e para Santo Estevão Harding, abade sucessor do fundador São Roberto.
Bernardo era um homem de estudo e de oração, praticando com austeridade a regra do mosteiro, a mesma escrita por São Bento, muitos anos antes. Bernardo dedicava-se à oração e ao ensino da catequese. Tinha grande dom de oratória e convertia muitos com a sua palavra e o testemunho da sua vida de fé. Com a sabedoria que lhe vinha de Cristo, conseguiu, até, levar o para o mosteiro o seu irmão mais novo e o seu pai.
Após dois anos em Cister, Bernardo foi enviado para o vale de Langres, em 1115, com a missão de fundar a Abadia de Claraval, (que significa: vale claro), tornando-se o seu primeiro Abade, com apenas 25 anos. Em pouco tempo, a Abadia ficou conhecida em toda a França e, posteriormente, em toda a Europa, como um lugar onde se vivia a oração, o trabalho, a humildade, a caridade e a cultura profunda.
Bernardo e os monges de Claraval viviam com amor e integridade os votos de pobreza, castidade e obediência. Certa vez, teve uma visão: um menino envolto numa luz divina disse-lhe: fala aos outros, sempre!, pois serás inspirado pelo Espírito Santo e receberás a graça especial de compreender as fraquezas das pessoas e ajudá-las. Assim, Bernardo conseguiu muitas vocações para Claraval. O Mosteiro chegou a ter 700 monges, inclusive Henrique de França, irmão do Rei Luís Vll, que mais tarde foi bispo e arcebispo de Reims.
Com o passar dos anos, Bernardo fundou 72 casas da ordem dos Cistercienses, em França e em vários países da Europa. Participou, activamente, no Concílio de Latrão, como secretário. Participou, também, no Concílio de Troyes, onde exerceu grande influência, e no Concílio de Reims, sempre a pedido do Papa, para tratar de todos os assuntos da Igreja.
A convite do Papa, pregou a segunda cruzada. Era conhecido como o ‘Pai dos fiéis’, a Coluna da Igreja, o Apoio da Santa Sé, o Anjo Tutelar do Povo de Deus.
A sua devoção à Virgem Maria era incomparável. Quando estava na Alemanha, na catedral de Spira, ajoelhou-se por 3 vezes dizendo: Ó Clemente, Ó Piedosa, Ó Doce Virgem Maria!, invocações que foram acrescentadas ao final da oração ‘Salve Rainha’.
Por causa da sua fama de santidade e de sabedoria reconhecida, Bernardo tornou-se uma personalidade importante e respeitada em toda a Europa: intervém em assuntos públicos; defende os direitos da Igreja contra os abusos dos Reis; e é chamado para aconselhar Papas e Reis.
Bernardo reformou a Ordem Cisterciense e levou-a a ser o que é até hoje, quase mil anos depois. Ele mesmo fundou muitos mosteiros na Europa: 35 em França; 14 em Espanha; 10 na Inglaterra e na Irlanda; 6 na Flandres; 4 em Itália; 4 na Dinamarca; 2 na Suécia e 1 na Hungria, além de muitos outros que se filiaram na sua Ordem. A sua Ordem espalhou-se pelos cinco continentes.
Ao redor de muitos mosteiros da ordem dos Cistercienses, nasceram provoações que, com o tempo, se tornaram grandes cidades.
Durante o concílio de Troyes, Bernardo conseguiu o reconhecimento pontifício da Ordem do Templo - os Templários - cujos estatutos ele mesmo escreveu. Além disso, Bernardo escreveu grandes obras, tratados de teologia, obras defendendo a Fé Católica e a Igreja contra heresias, além de inúmeros tratados sobre Nossa Senhora.
Quando estava para morrer e os monges rezavam  para que Deus não deixasse, ele disse-lhes: “Porque desejais reter aqui um homem tão miserável? Usai da misericórdia para comigo e deixai-me ir para Deus”.
 Bernardo faleceu no dia 20 de agosto de 1153, com 63 anos de idade.
Bernardo de Claraval foi canonizado no dia 18 de Junho de 1174, pelo Papa Alexandre lll e declarado Doutor da Igreja pelo Papa Pio Vlll, em 1830, por causa das suas pregações e das suas obras escritas.
A memória litúrgica de São Bernardo de Claraval é celebrada no dia 20 de Agosto.

segunda-feira, 12 de agosto de 2019

DA PALAVRA DO SENHOR



- XIX DOMINGO DO TEMPO COMUM

“…A fé é a garantia dos bens que se esperam
e a certeza das realidades que não se vêem.
Ela valeu aos antigos um bom testemunho.
Pela fé, Abraão obedeceu ao chamamento
e partiu para uma terra que viria a receber como herança;
e partiu sem saber para onde ia.
Pela fé, morou como estrangeiro na terra prometida,
habitando em tendas, com Isaac e Jacob,
herdeiros, como ele, da mesma promessa,
porque esperava a cidade de sólidos fundamentos,
cujo arquitecto e construtor é Deus.
Pela fé, também Sara recebeu o poder de ser mãe
já depois de passada a idade,
porque acreditou na fidelidade d’Aquele que lho prometeu…” (
cf. Hebreus 11, 1-2. 8-11)

PALAVRA DO PAPA FRANCISCO



- na Oração do Angelus, na Praça de São Pedro – Roma, no dia 4 de Agosto de 2019.

Queridos irmãos e irmãs, bom dia!
O Evangelho de hoje (cf. Lc 12, 13-21) tem início com a cena de um homem que se levanta na multidão e pede que Jesus resolva uma questão jurídica sobre a herança da família. Na sua resposta Ele não trata o problema mas exorta a afastar-se da ganância, isto é, da avidez de possuir. Para desviar os seus ouvintes dessa busca frenética da riqueza, Jesus conta a parábola do rico insensato, que acredita que é feliz porque teve a sorte de uma extraordinária colheita e se sente seguro pelos bens que acumulou. Seria bom lê-la de novo: encontra-se no capítulo 12, versículo 13 de São Lucas. É uma bonita parábola que nos ensina muito. A história ganha vida quando surge o contraste entre o que o homem rico projecta para si mesmo e o que Deus lhe promete.
O rico põe diante da sua alma, isto é, perante si mesmo, três considerações: os grandes bens acumulados, os muitos anos que esses bens parecem assegurar-lhe, e a tranquilidade e o bem-estar exagerado (cf. v. 19). Mas a palavra que Deus lhe dirige cancela estes projectos. Em vez dos «muitos anos», Deus indica o imediatismo desta noite: “esta noite morrerás»; em vez do «gozo da vida», Ele apresenta-lhe a «prestação de contas da vida: entregarás a vida a Deus», com o consequente juízo. Quanto à realidade dos muitos bens acumulados sobre os quais o rico baseava tudo, foi coberta pelo sarcasmo da pergunta: «E o que preparaste, para quem será?» (v. 20). Pensemos nas lutas pelas heranças; muitas batalhas familiares. E em tantas pessoas, todos nós conhecemos alguma história, para as quais se aproxima a hora da morte, e começam a chegar os netos, os sobrinhos, perguntando: “Mas o que cabe a mim?”, e levam embora tudo. É nesta oposição que se justifica o apelativo de “insensato” — porque ele pensa em coisas que acredita serem concretas, mas que são uma fantasia — com o qual Deus se dirige a este homem. Ele é insensato porque, na prática, negou Deus, não fez as contas com Ele.
A conclusão da parábola, formulada pelo evangelista, é de eficácia singular: «Assim acontece a quantos acumulam tesouros para si mesmos e não se enriquecem com Deus» (v. 21). É uma advertência que revela o horizonte para o qual todos somos chamados a olhar. Os bens materiais são necessários — são bens! — mas consistem num meio para viver honestamente e para partilhar com os mais necessitados. Hoje, Jesus convida-nos a considerar que as riquezas podem aprisionar o coração e desviá-lo do verdadeiro tesouro que está no céu. São Paulo também nos recorda isto na segunda leitura de hoje. Ele diz: «Procurai as coisas do céu... dirigi os vossos pensamentos para as coisas do céu, não para as da terra» (Cl 3, 1-2).
Isto — compreende-se — não significa afastar-se da realidade, mas procurar o que tem valor verdadeiro: justiça, solidariedade, acolhimento, fraternidade, paz, tudo o que constitui a verdadeira dignidade do homem. Trata-se de se orientar para uma existência vivida não no estilo mundano, mas segundo o estilo evangélico: amar a Deus com todo o nosso ser e amar o próximo como Jesus o amou, isto é, no serviço e no dom de si mesmo. A ganância pelos bens, o desejo de ter bens, não satisfaz o coração, pelo contrário, provoca mais fome! A cobiça é como aqueles doces gostosos: comes um e dizes: “Ah! Que delícia”, e depois comes outro; um atrás do outro. Assim é a ganância: nunca fica satisfeita. Tende cuidado! O amor compreendido e vivido desta forma é fonte de verdadeira felicidade, enquanto a busca sem limites dos bens materiais e das riquezas é, muitas vezes, fonte de inquietação, de adversidade, de prevaricação, de guerra. Muitas guerras começam por causa da ganância.
Que a Virgem Maria nos ajude a não nos deixarmos fascinar pelas seguranças que passam, mas a sermos todos os dias testemunhas credíveis dos valores eternos do Evangelho. (cf. Santa Sé)

PARA REZAR



- SALMO 32

Refrão: Feliz o povo que o Senhor escolheu para sua herança.

Justos, aclamai o Senhor,
os corações rectos devem louvá-l’O.
Feliz a nação que tem o Senhor por seu Deus,
o povo que Ele escolheu para sua herança.

Os olhos do Senhor estão voltados para os que O temem,
para os que esperam na sua bondade,
para libertar da morte as suas almas
e os alimentar no tempo da fome.

A nossa alma espera o Senhor,
Ele é o nosso amparo e protector.
Venha sobre nós a vossa bondade,
porque em Vós esperamos, Senhor.