Beata Irmã Maria do Divino Coração
Maria Droste Zu Vischering
era filha dos condes Droste Zu Vischering e nasceu em Münster, Alemanha, no dia
8 de Setembro de 1863. Passou a sua infância no Castelo de Darfeld, no seio duma
família profundamente cristã. Maria cresceu na devoção ao Sagrado Coração de
Jesus pelo testemunho fiel dos seus pais que a viviam intensamente e souberam
comunicá-la aos seus filhos e familiares. Foi numa vida de felicidade, de
pureza de coração e de austeridade que ela se preparou para a mais íntima e
mística união com o Coração de Jesus. No Natal de 1883, consagra-se a Deus pelo
voto de castidade perpétua. E Ele apodera-se dela e marca-lhe a consagração com
o sinal da cruz, fazendo-a passar por dilatada e penosa doença. Com o espírito embalado
por longo tempo em sonhos de heroísmo missionário, no dia 1 de julho de 1888, esperando
na igreja paroquial a sua vez de se confessar, ouve subitamente a voz do Senhor:
«Tens de entrar no convento do Bom Pastor». Uma tarde, passeando
meditativamente pelas alamedas do jardim do seu solar, «senti vivamente,
escreveu ela, que o Senhor me dizia que teria de sofrer muito por Ele. Jesus
falou-me dos momentos por que passava, vendo-se abandonado de todos, e pediu-me
que Lhe fizesse companhia. Disse-me que O aflige, sobretudo, o abandono de
muitos sacerdotes...». A 10 de Janeiro de 1889, toma o hábito religioso no
convento de Münster, no mesmo dia em que, no Carmelo de Lisieux, Teresa do Menino
Jesus recebeu o dela. Professou a 29 de Janeiro de 1891. Em 1894, após três
anos de dedicação ao apostolado das penitentes, próprio do seu Instituto, é
enviada para Portugal. Depois de três meses passados em Lisboa, chega ao Porto
como Superiora do Recolhimento do Bom Pastor, na Rua de Vale Formoso
(Paranhos), a 17 de Maio de 1894. De lá escreve, pouco depois: «Vivemos numa
situação angustiosa. A casa está em ruínas, devorada por dívidas que nos
sufocam. Vejo, porém, e sinto que Deus está comigo, e assim cresce mais, cada
dia, a minha coragem, embora por vezes isto seja difícil de suportar... Só
temos em caixa cinco ou seis marcos, e temos de alimentar 120 pessoas...
Sinto-me tão portuguesa, que não me importo com tanto desconforto, tanto frio e
tanta humildade...». E a sua tenacidade, aliada a uma absoluta confiança no
Coração de Jesus, realiza o milagre de transformar aquela casa, e a comunidade
em ruínas, num florescente jardim de Deus. A 21 de Maio de 1896 cai de cama, esgotada
de trabalho, para nunca mais se levantar: uma ostiomielite paralisa-a e a
martiriza com
constantes e atrozes dores. É
nesta longa e heróica crucifixão, que a Irmã Maria se oferece pelos pecadores,
pelos sacerdotes, pela Igreja, por Portugal. «Muitas veze, na minha doença,
quando sentia ardentes desejos de morrer, Nosso Senhor, duma imagem dos Passos
me dizia: "Então queres que Eu leve sozinho a cruz de Portugal?"»
(Carta de 1896). O sinal da autenticidade da sua missão divina é, precisamente,
o recrudescer dos seus padecimentos. E quando, pela terceira vez, o Coração
Divino se dirige à Irmã Maria a pedir a intervenção dela junto de Leão XIII, pergunta-lhe
ainda «se estava disposta a suportar toda a espécie de sofrimentos, humilhações
e desprezos». Às 3 horas da tarde, do dia 8 de Junho de 1899, ao hino das
primeiras vésperas da Festa do Coração de Jesus, quando por todo o mundo
católico se fazia o tríduo solene de preparação para a consagração ao mesmo
Divino Coração, ela consumava o seu sacrifício. No dia 11, o Papa Leão XIII
realizava aquilo que ele mesmo declarou ser o «acto mais grandioso do seu
pontificado»: a consagração do mundo inteiro ao Sagrado Coração de Jesus. Este
acto foi-lhe pedido por Cristo. A mensageira de Cristo foi a Irmã Maria do
Divino Coração. As suas relíquias repousam em Ermesinde, Diocese do Porto, na
Igreja do Coração de Jesus, erecta pelas suas filhas. No dia 1 de Novembro de
1975, Maria Droste Zu Vischering, a Irmã Maria do Divino Coração, foi
beatificada pelo Papa Paulo VI. A memória litúrgica faz-se no dia 8 de Junho. (
cf. site Heroínas da Cristandade )