PALAVRA COM SENTIDO

PALAVRA COM SENTIDO

“…Soltai brados de alegria… Fazei ouvir os vossos louvores…” (cf. Jeremias 31, 7)

O convite à alegria é permanente, na Palavra do Senhor. A alegria nasce da fé no Senhor que salva o seu povo; é fermento de esperança, na tristeza que envolve a vida; é testemunho do amor que se verga sob o peso da cruz; é proclamação da verdade que nos liberta. O desafio da alegria afronta o ódio, a vingança, a marginalidade, a violência, porque é criador de unidade, de comunhão, de festa, de encontro e de paz… A verdadeira alegria: aquela que vem de Deus e anima a nossa acção missionária. Por ela, somos convidados a louvar e a agradecer as maravilhas que Deus faz em nós e, por nós, no meio do mundo. Cantar a alegria da fé, do amor incondicional, da vida doada em serviço por amor, da fraternidade que construímos na harmonia das palavras e na beleza dos gestos, da esperança que destrói muros e lança pontes de solidariedade e de perdão. Acolher a alegria de Jesus presente no meio de nós…

quarta-feira, 18 de julho de 2012

PALAVRA DO PAPA


- palavras dirigidas na audiência em Castel Gandolfo

Queridos irmãos e irmãs!
No calendário litúrgico o dia 15 de Julho faz memória a São Boaventura de Bagnoregio, franciscano, doutor da Igreja, sucessor de São Francisco de Assis na condução da Ordem dos Frades Menores. Ele escreveu a primeira biografia oficial do Poverell’, e, no final da vida, foi Bispo desta Diocese de Albano. Numa carta, Boaventura escreve: “Confesso diante de Deus que a razão que mais me fez amar a vida do beato Francisco é que ela se assemelha ao início e ao crescimento da Igreja”(Epistula de tribus quaestionibus, na Obra de São Boaventura, Introdução Geral, Roma 1990, p.29).Estas palavras remetem-nos directamente para o Evangelho deste domingo, que apresenta o primeiro envio em missão dos Doze Apóstolos por parte de Jesus “Chamou a si os doze, e começou a enviá-los dois a dois, e deu-lhes poder sobre
os espíritos imundos” E ordenou-lhes que não levassem nada para o caminho, a não ser um bordão; nem alforje, nem pão, nem dinheiro no cinto; Mas que calçassem sandálias, e que não levassem duas túnicas. (Mc 6, 7-9). Francisco de Assis, depois da sua conversão, praticou ao ‘pé da letra’ este Evangelho, tornando- e uma fidelíssima testemunha de Jesus ; e associado de maneira singular ao mistério da Cruz, foi transformado num ‘outro Cristo’, como o próprio São Boaventura o apresenta.”.
Toda a vida de São Boaventura, assim como sua teologia, tem como centro inspirador Jesus Cristo. Esta centralidade de Cristo, reencontramo-la na segunda Leitura da Missa de hoje (Ef 1, 3-14), o célebre hino da Carta de São Paulo aos Efésios, que inicia assim: “Bendito seja Deus, Pai de Nosso Senhor Jesus Cristo, que nos abençoou com todas as bênçãos espirituais em Cristo”. O apóstolo mostra, então, como se realizou este desígnio em quatro passagens que começam com a mesma expressão ‘Nele’, referindo à Jesus Cristo. ‘Nele’ o Pai nos escolheu antes da fundação do mundo; ‘Nele’ fomos redimidos mediante o seu sangue; ‘Nele’ tornamo-nos herdeiros, predestinados a ser ‘louvor da sua glória’; ‘Nele’ aqueles que crêem no Evangelho recebem a marca do Espírito Santo. Este hino paulino contém a visão da história que São Boaventura contribuiu para difundir na Igreja: toda a história tem como centro Cristo, o qual assegura também a novidade e a renovação de todo tempo. Em Jesus, Deus disse e deu tudo, mas como Ele é um tesouro inexorável, o Espírito Santo jamais deixa de revelar e de actualizar o seu mistério. Por isso, a obra de Cristo e da Igreja jamais regride, mas progride sempre.

PARA REZAR


SALMO 85

Senhor, Tu abençoaste a tua terra;
restauraste a prosperidade de Jacob.
Perdoaste as culpas do teu povo,
esqueceste todas as suas faltas;
acalmaste a tua indignação,
dominaste o furor da tua ira.
Volta-te para nós, ó Deus, nosso salvador,
afasta de nós a tua indignação!
Estarás para sempre indignado contra nós,
ou irás prolongar pelos séculos o teu furor?
Não tornarás a dar-nos a vida,
para que o teu povo se alegre em ti?
Mostra-nos, Senhor, a tua misericórdia,
concede-nos a tua salvação.
Prestarei atenção ao que diz o Senhor Deus;
Ele promete paz para o seu povo e para os seus amigos
e para todos os que se voltam para Ele de coração.

A salvação está perto dos que o temem
e a sua glória habitará na nossa terra.
O amor e a fidelidade vão encontrar-se.
Vão beijar-se a justiça e a paz.
Da terra vai brotar a verdade
e a justiça descerá do céu.

O próprio Senhor nos dará os seus bens
e a nossa terra produzirá os seus frutos.
A justiça caminhará diante dele
e a paz, no rasto dos seus passos.

SANTOS POPULARES




BEATO INÁCIO DE AZEVEDO E COMPANHEIROS

Inácio de Azevedo era natural do Porto. Nasceu por volta de 1526, numa família importante e influente. Era o filho mais velho e, portanto, o seu herdeiro principal. Foi criado na corte portuguesa. Aos 22 anos, depois de fazer os Exercícios Espirituais de Santo Inácio, abandonou as vaidades humanas e entrou para a ordem dos Jesuítas, abraçando a pobreza, a obediência religiosa e a castidade. Prosseguiu os seus estudos no Colégio de Coimbra. Cedo revelou as suas grandes qualidades de chefe e, por isso, de 1552 a 1556 assumiu a direcção das escolas públicas fundadas em Santo Antão. Foi vice-provincial de Portugal e reitor do Colégio de Braga. Além o trabalho dos seus cargos, exercia o seu apostolado sacerdotal nos hospitais, prisões e entre a população rural. Destacava-se pela penitência, pela oração e pelas obras de misericórdia.
A grande paixão de Inácio eram as missões! As notícias que vinham do Congo, Angola, Índia, Japão, encantavam-no! No Brasil, o Pe. Manuel da Nóbrega pedia reforços e alguém capaz de reorganizar o trabalho já iniciado. Pelo seu carácter empreendedor, activo e enérgico, Inácio foi escolhido. Em 1565, participou da Congregação Geral da sua Ordem, em Roma, na qualidade de procurador das províncias jesuítas da Índia e do Brasil. São Francisco de Borja, o superior de toda a Ordem, nomeou-o Visitador do Brasil. Chegou à Bahia, em 24 de Agosto de 1566, e percorreu grande parte deste país, visitando as comunidades jesuítas e resolvendo as questões e problemas que iam surgindo. A necessidade de colaboradores era muito grande! Tendo regressado a Portugal, encontrou-se com o rei Dom Sebastião e depois foi a Roma pedir reforços para as missões do Brasil. Com o apoio do Papa Pio V e de São Francisco de Borja, o superior geral da Ordem, o Pe. Inácio conseguiu importante ajuda humana e material para voltar ao país do seu ardor missionário: o Brasil. Nomeado Provincial do Brasil, passando pelas províncias jesuítas da Espanha e Portugal, reuniu uma expedição de 73 religiosos, entre padres e irmãos. Foram vários os leigos que se ofereceram para partir com ele para o Brasil. O grupo, por ele reunido, chegou a cerca de 100 pessoas. Foi a maior expedição missionária jamais enviada por Portugal para as suas colônias. Por causa da peste que assolava Lisboa, as embarcações demoraram a partir. Esperando o transporte para o Brasil, Inácio concentrou os religiosos na Quinta de Val do Rosal, ao sul do rio Tejo, evitando Lisboa, onde mais de 12 mil pessoas já tinham morrido, entre as quais 20 jesuítas. No ambiente sadio do campo, começou a preparar os missionários com estudos, orações, penitências...O seu zelo e ardor missionários empolgavam toda a gente. Pelo exemplo e pela palavra preparava-os para se darem, cada vez mais, ao Evangelho de Cristo. Falava-lhes do seu amado Brasil e do trabalho que os esperava. Respondiam com entusiasmo. O resultado da generosidade de todos esses jovens iria ser conhecido, brevemente, em todo o mundo católico... Em 5 de Junho de 1570, zarparam nas três naus da frota do Governador do Brasil, Dom Luiz de Vasconcelos, rumo à Ilha da Madeira, primeira etapa da viagem. A 30 de Junho, Inácio e alguns companheiros reembarcaram na nau Santiago. Esta nau deveria passar pelas Canárias e seguir para o Brasil. Pressentindo a possibilidade de um ataque de piratas, Inácio de Azevedo pediu voluntários. Quando navegavam já a três léguas de La Palma, das Ilhas Canárias, dia 15 de Julho, surgiu uma frota de piratas huguenotes, comandados por Jacques Sore. Porque Inácio e os seus companheiros eram religiosos, não podiam combater ao lado dos tripulantes, mas somente animar a defesa e cuidar dos feridos. A nau foi atacada e, após breve luta, foi dominada. Os huguenotes eram uma seita protestante calvinista, e vendo entre os tripulantes tantos missionários que iam evangelizar o Brasil, atacaram-nos, dizendo: "Mata, mata, porque vão semear doutrina falsa no Brasil" Inácio foi ao encontro deles, com uma imagem de Nossa Senhora nas mãos, dizendo em alta voz: "Todos me sejam testemunhas como morro pela Fé católica e pela Santa Igreja Romana" Ferido na cabeça e coberto de sangue, amparado pelos outros religiosos, que também professavam a sua fé, disse ainda: "Não choreis, filhos. Não chegaremos ao Brasil, mas fundaremos, hoje, um colégio no céu". Os huguenotes, enfurecidos, iniciaram o massacre! Deram ao Pe. Inácio duas lançadas e tentaram tirar-lhe a imagem de Nossa Senhora, mas não o conseguiram em nenhum momento. O Pe. Diogo de Andrade abraçou-se a ele e, ambos, foram mortos à punhalada e lançados ao mar. Comentando o ocorrido, o Pe. Pero Dias escreveria, um mês depois: "...não podiam mãos sacrílegas de hereges...tirar das mãos de tão forte capitão aquele tão forte escudo, com que andava mais unido do que com a sua própria alma, pois lhe tiraram a vida, não lhe arrancaram a imagem".



BEATO MARCOS CALDEIRA

Entre os martirizados, encontrava-se o jovem Marcos Caldeira. Nascido na Vila da Feira, em 1547, entrou na Companhia de Jesus, na comunidade de Évora, com 22 anos, para estudar. Sendo irmão, na Companhia, ia como voluntário. Foi lançado vivo ao mar.
Foram beatificados pelo Papa Pio IX em 11 de Maio de 1854
A memória litúrgica destes mártires celebra-se a 17 de Julho.
( cf. santosdobrasil.org )