BEATO INÁCIO DE AZEVEDO E COMPANHEIROS
Inácio de Azevedo era natural
do Porto. Nasceu por volta de 1526, numa família importante e influente. Era o
filho mais velho e, portanto, o seu herdeiro principal. Foi criado na corte portuguesa.
Aos 22 anos, depois de fazer os Exercícios Espirituais de Santo Inácio,
abandonou as vaidades humanas e entrou para a ordem dos Jesuítas, abraçando a
pobreza, a obediência religiosa e a castidade. Prosseguiu os seus estudos no
Colégio de Coimbra. Cedo revelou as suas grandes qualidades de chefe e, por
isso, de 1552 a 1556 assumiu a direcção das escolas públicas fundadas em Santo
Antão. Foi vice-provincial de Portugal e reitor do Colégio de Braga. Além o
trabalho dos seus cargos, exercia o seu apostolado sacerdotal nos hospitais,
prisões e entre a população rural. Destacava-se pela penitência, pela oração e
pelas obras de misericórdia.
A grande paixão de Inácio eram
as missões! As notícias que vinham do Congo, Angola, Índia, Japão,
encantavam-no! No Brasil, o Pe. Manuel da Nóbrega pedia reforços e alguém capaz
de reorganizar o trabalho já iniciado. Pelo seu carácter empreendedor, activo e
enérgico, Inácio foi escolhido. Em 1565, participou da Congregação Geral da sua
Ordem, em Roma, na qualidade de procurador das províncias jesuítas da Índia e
do Brasil. São Francisco de Borja, o superior de toda a Ordem, nomeou-o
Visitador do Brasil. Chegou à Bahia, em 24 de Agosto de 1566, e percorreu
grande parte deste país, visitando as comunidades jesuítas e resolvendo as
questões e problemas que iam surgindo. A necessidade de colaboradores era muito
grande! Tendo regressado a Portugal, encontrou-se com o rei Dom Sebastião e depois
foi a Roma pedir reforços para as missões do Brasil. Com o apoio do Papa Pio V
e de São Francisco de Borja, o superior geral da Ordem, o Pe. Inácio conseguiu
importante ajuda humana e material para voltar ao país do seu ardor
missionário: o Brasil. Nomeado Provincial do Brasil, passando pelas províncias
jesuítas da Espanha e Portugal, reuniu uma expedição de 73 religiosos, entre
padres e irmãos. Foram vários os leigos que se ofereceram para partir com ele
para o Brasil. O grupo, por ele reunido, chegou a cerca de 100 pessoas. Foi a
maior expedição missionária jamais enviada por Portugal para as suas colônias.
Por causa da peste que assolava Lisboa, as embarcações demoraram a partir.
Esperando o transporte para o Brasil, Inácio concentrou os religiosos na Quinta
de Val do Rosal, ao sul do rio Tejo, evitando Lisboa, onde mais de 12 mil pessoas
já tinham morrido, entre as quais 20 jesuítas. No ambiente sadio do campo,
começou a preparar os missionários com estudos, orações, penitências...O seu
zelo e ardor missionários empolgavam toda a gente. Pelo exemplo e pela palavra
preparava-os para se darem, cada vez mais, ao Evangelho de Cristo. Falava-lhes
do seu amado Brasil e do trabalho que os esperava. Respondiam com entusiasmo. O
resultado da generosidade de todos esses jovens iria ser conhecido, brevemente,
em todo o mundo católico... Em 5 de Junho de 1570, zarparam nas três naus da
frota do Governador do Brasil, Dom Luiz de Vasconcelos, rumo à Ilha da Madeira,
primeira etapa da viagem. A 30 de Junho, Inácio e alguns companheiros
reembarcaram na nau Santiago. Esta nau deveria passar pelas Canárias e seguir para
o Brasil. Pressentindo a possibilidade de um ataque de piratas, Inácio de
Azevedo pediu voluntários. Quando navegavam já a três léguas de La Palma, das Ilhas
Canárias, dia 15 de Julho, surgiu uma frota de piratas huguenotes, comandados
por Jacques Sore. Porque Inácio e os seus companheiros eram religiosos, não
podiam combater ao lado dos tripulantes, mas somente animar a defesa e cuidar
dos feridos. A nau foi atacada e, após breve luta, foi dominada. Os huguenotes
eram uma seita protestante calvinista, e vendo entre os tripulantes tantos
missionários que iam evangelizar o Brasil, atacaram-nos, dizendo: "Mata,
mata, porque vão semear doutrina falsa no Brasil" Inácio foi ao encontro
deles, com uma imagem de Nossa Senhora nas mãos, dizendo em alta voz:
"Todos me sejam testemunhas como morro pela Fé católica e pela Santa
Igreja Romana" Ferido na cabeça e coberto de sangue, amparado pelos outros
religiosos, que também professavam a sua fé, disse ainda: "Não choreis,
filhos. Não chegaremos ao Brasil, mas fundaremos, hoje, um colégio no
céu". Os huguenotes, enfurecidos, iniciaram o massacre! Deram ao Pe.
Inácio duas lançadas e tentaram tirar-lhe a imagem de Nossa Senhora, mas não o
conseguiram em nenhum momento. O Pe. Diogo de Andrade abraçou-se a ele e,
ambos, foram mortos à punhalada e lançados ao mar. Comentando o ocorrido, o Pe.
Pero Dias escreveria, um mês depois: "...não podiam mãos sacrílegas de hereges...tirar
das mãos de tão forte capitão aquele tão forte escudo, com que andava mais
unido do que com a sua própria alma, pois lhe tiraram a vida, não lhe
arrancaram a imagem".
BEATO MARCOS CALDEIRA
Entre os martirizados,
encontrava-se o jovem Marcos Caldeira. Nascido na Vila da Feira, em 1547,
entrou na Companhia de Jesus, na comunidade de Évora, com 22 anos, para
estudar. Sendo irmão, na Companhia, ia como voluntário. Foi lançado vivo ao
mar.
Foram beatificados pelo Papa
Pio IX em 11 de Maio de 1854
A memória litúrgica destes
mártires celebra-se a 17 de Julho.
( cf. santosdobrasil.org
)