PALAVRA COM SENTIDO

PALAVRA COM SENTIDO

“…Soltai brados de alegria… Fazei ouvir os vossos louvores…” (cf. Jeremias 31, 7)

O convite à alegria é permanente, na Palavra do Senhor. A alegria nasce da fé no Senhor que salva o seu povo; é fermento de esperança, na tristeza que envolve a vida; é testemunho do amor que se verga sob o peso da cruz; é proclamação da verdade que nos liberta. O desafio da alegria afronta o ódio, a vingança, a marginalidade, a violência, porque é criador de unidade, de comunhão, de festa, de encontro e de paz… A verdadeira alegria: aquela que vem de Deus e anima a nossa acção missionária. Por ela, somos convidados a louvar e a agradecer as maravilhas que Deus faz em nós e, por nós, no meio do mundo. Cantar a alegria da fé, do amor incondicional, da vida doada em serviço por amor, da fraternidade que construímos na harmonia das palavras e na beleza dos gestos, da esperança que destrói muros e lança pontes de solidariedade e de perdão. Acolher a alegria de Jesus presente no meio de nós…

segunda-feira, 23 de julho de 2012

PALAVRA DO PAPA


- em 15 de Maio de 2011, 4º Domingo de Páscoa, dia do Bom Pastor.

A liturgia (…) nos apresenta-nos um dos ícones mais belos que, desde os primeiros séculos da Igreja, representou o Senhor Jesus: o do Bom Pastor. O Evangelho de São João, no capítulo X, descreve os traços peculiares da relação entre Cristo Pastor e seu rebanho, uma relação tão estreita que ninguém poderá jamais afastar as ovelhas da sua mão. Estas, de facto, estão unidas a Ele por um vínculo de amor e de conhecimento recíproco, que lhes garante o dom incomensurável da vida eterna. Ao mesmo tempo, a atitude do rebanho com relação ao Bom Pastor, Cristo, é apresentada pelo evangelista com dois verbos específicos: escutar e seguir. Estes termos designam as características fundamentais daqueles que vivem o seguimento de Cristo. Antes de mais nada, a escuta da sua Palavra, da qual nasce e se alimenta a fé. Somente quem está atento à voz do Senhor é capaz de avaliar, na sua consciência, as decisões justas para agir segundo Deus. Da escuta deriva, portanto, o seguir Jesus: age-se como discípulo depois de ter escutado e acolhido interiormente os ensinamentos do Mestre, para vivê-los quotidianamente.


- na Audiência geral, de 22 de Julho, em Castel Gandolfo

“…Deus é o Pastor da humanidade; quer para nós a vida, quer guiar-nos a boas pastagens, onde nos possamos alimentar e repousar; não quer que nos percamos e que morramos, mas que cheguemos à meta do nosso caminho, que é precisamente a plenitude da vida … Jesus apresenta-se como Pastor das ovelhas perdidas da casa de Israel. O seu olhar sobre as pessoas é um olhar “pastoral”. E de facto, no Evangelho deste domingo, Jesus, ao ver a multidão, “teve compaixão, porque eram como ovelhas sem pastor”. Jesus incarna Deus Pastor com o seu modo de pregar e com as suas obras, tomando cuidado dos doentes e dos pecadores, daqueles que se encontram ‘perdidos’, para os colocar em segurança, na misericórdia do Pai…”.

PARA REZAR

SALMO 23

O Senhor é meu pastor: nada me falta.
Em verdes prados me faz descansar
e conduz-me às águas refrescantes.
Reconforta a minha alma
e guia-me por caminhos rectos, por amor do seu nome.

Ainda que atravesse vales tenebrosos,
de nenhum mal terei medo
porque Tu estás comigo.
A tua vara e o teu cajado dão-me confiança.
Preparas a mesa para mim
à vista dos meus inimigos;
ungiste com óleo a minha cabeça;
a minha taça transbordou.

Na verdade, a tua bondade e o teu amor
hão-de acompanhar-me todos os dias da minha vida,
e habitarei na casa do Senhor
para todo o sempre.

SANTOS POPULARES



SÃO JOAQUIM E SANTA ANA

“…Ana e Joaquim pertenciam ao grupo daqueles judeus piedosos que esperavam a consolação de Israel, e precisamente a eles foi dada uma tarefa especial na história da salvação: foram escolhidos por Deus, para gerar a Imaculada que, por sua vez, é chamada a gerar o Filho de Deus. Conhecemos os nomes dos pais da Bem-Aventurada Virgem através de um texto não canónico, o Protoevangelho de Tiago. Eles são citados na página que precede o anúncio do Anjo a Maria. Esta sua filha não podia deixar de irradiar aquela graça totalmente especial da sua pureza, a plenitude da graça que a preparava para o desígnio da maternidade divina. Podemos imaginar quanto receberam dela estes pais, ao mesmo tempo que cumpriam o seu dever de educadores. O quadro que predomina sobre o altar desta igreja faz-nos intuir algo daquele que pode ter sido o relacionamento entre Santa Ana e Maria, também no que se refere à Palavra de Deus revelada. Mãe e filha estavam unidas não apenas por laços familiares, mas também pela comum expectativa do cumprimento das promessas, pela recitação multiforme dos Salmos e pela evocação de uma vida entregue a Deus. Teremos nós os olhos e os ouvidos abertos para reconhecer um mistério tão excelso? Peçamos a Santa Ana e a São Joaquim não só para ver e ouvir a mensagem de Deus, mas inclusive para participar com amor pelas pessoas com as quais nos encontrarmos, no seu amor, em particular transmitindo luz e esperança a todas as nossas famílias. Confiemos de maneira especial a Santa Ana as mães, sobretudo as que são impedidas na defesa da vida nascente ou que encontram dificuldades para criar e educar os seus filhos… Quando visitou pela primeira vez esta Paróquia de Santa Ana (10 de Dezembro de 1978), o Papa João Paulo II falou, por assim dizer, da casa paterna de Maria, Mãe de Cristo; desta casa em que, circundada pelo amor e pela solicitude dos seus pais, Maria "aprendia" de sua mãe como ser Ela mesma mãe: "Mas quando, como "herdeiros da promessa" (cf. Gl 4, 28.31) divina, nos encontramos no contexto desta maternidade - afirmou o Servo de Deus João Paulo II - e quando voltamos a sentir a sua santa profundidade e plenitude, então pensamos que foi precisamente Santa Ana a primeira que ensinou Maria, sua filha, a ser mãe". Existe mais um aspecto, que gostaria de ressaltar: Santa Ana e São Joaquim podem ser tomados como modelo também pela sua santidade vivida em idade avançada. Em conformidade com uma antiga tradição, eles já eram idosos quando lhes foi confiada a tarefa de dar ao mundo, conservar e educar a Santa Mãe de Deus. Na Sagrada Escritura, a velhice é circundada de veneração (cf. 2 Mac 6, 23). O justo não pede para ser privado da velhice e do seu peso; ao contrário, ele reza assim: "Vós sois a minha esperança, a minha confiança, Senhor, desde a minha juventude... Agora, na velhice e na decrepitude, não me abandoneis, ó Deus, para que eu narre às gerações a força do vosso braço, o vosso poder a todos os que hão-de vir" (Sl 71 [70], 5-18). ..”

( da Homilia do Cardeal Tarcisio Bertone, na festa dos pais de Nossa Senhora, em 26 de Julho de 2007 )