PALAVRA COM SENTIDO

PALAVRA COM SENTIDO

“…Soltai brados de alegria… Fazei ouvir os vossos louvores…” (cf. Jeremias 31, 7)

O convite à alegria é permanente, na Palavra do Senhor. A alegria nasce da fé no Senhor que salva o seu povo; é fermento de esperança, na tristeza que envolve a vida; é testemunho do amor que se verga sob o peso da cruz; é proclamação da verdade que nos liberta. O desafio da alegria afronta o ódio, a vingança, a marginalidade, a violência, porque é criador de unidade, de comunhão, de festa, de encontro e de paz… A verdadeira alegria: aquela que vem de Deus e anima a nossa acção missionária. Por ela, somos convidados a louvar e a agradecer as maravilhas que Deus faz em nós e, por nós, no meio do mundo. Cantar a alegria da fé, do amor incondicional, da vida doada em serviço por amor, da fraternidade que construímos na harmonia das palavras e na beleza dos gestos, da esperança que destrói muros e lança pontes de solidariedade e de perdão. Acolher a alegria de Jesus presente no meio de nós…

segunda-feira, 13 de agosto de 2012

SOLENIDADE DA ASSUNÇÃO DE NOSSA SENHORA


- da homilia do Papa Bento XVI, no dia 15 de Agosto de 2009

“…a Assunção recorda-nos que a vida de Maria, como a de cada cristão, é um caminho no seguimento, na sequela de Jesus, um caminho que tem uma meta específica, um futuro já traçado: a vitória definitiva sobre o pecado e sobre a morte, e a comunhão plena com Deus, porque — como diz Paulo na Carta aos Efésios — o Pai "nos ressuscitou e nos fez sentar lá nos Céus, em Jesus Cristo" (Ef 2, 6). Isto quer dizer que com o Baptismo, fundamentalmente, já ressuscitamos e estamos sentados nos Céus em Jesus Cristo, mas corporalmente temos que completar aquilo que já foi começado e realizado no Baptismo. Em nós, a união com Cristo, a ressurreição, está incompleta, mas para a Virgem Maria ela é completa, não obstante o caminho que também Nossa Senhora pôde percorrer. Ela entrou na plenitude da união com Deus, com o seu Filho, e atrai-nos e acompanha-nos no nosso caminho. Então, em Maria que subiu aos céus nós contemplamos Aquela que, por um privilégio singular, com a alma e com o corpo, se tornou partícipe da vitória definitiva de Cristo sobre a morte. "Terminando o curso da sua vida terrena — diz o Concílio Vaticano II — foi levada à glória celeste em corpo e alma, e exaltada pelo Senhor como Rainha do Universo, para que se parecesse mais com o seu Filho, Senhor dos Senhores" (cf. Ap 19, 16) e vencedor do pecado e da morte"(Lumen gentium, 59). Na Virgem da Assunção ao céu contemplamos a coroação da sua fé, daquele caminho de fé que Ela indica à Igreja e a cada um de nós: Aquela que em cada momento acolheu a Palavra de Deus, subiu ao céu, ou seja, Ela mesma foi acolhida pelo Filho naquela "morada", que nos preparou com a sua morte e ressurreição (cf. Jo 14, 2-3)…”

PALAVRAS DO PAPA


- na audiência geral de 5 de Agosto de 2012

“…Jesus quer ajudar as pessoas a não ficarem apenas ao nível da satisfação imediata das próprias necessidades materiais, por muito importantes que sejam. Quer abrir um horizonte de existência que não seja simplesmente o das preocupações quotidianas do comer, do vestir, da carreira… As pessoas não compreendem o que Jesus lhes propõe. Pensam que lhes pede o cumprimento de qualquer preceito, para que o milagre continue. A sua resposta é: “A obra de Deus é acreditardes n’Aquele que Ele mandou”…O centro da existência, ou seja, aquilo que dá pleno sentido e firme esperança ao caminho tantas vezes difícil, é a fé em Jesus, é o encontro com Cristo. Não se trata de seguir uma ideia, um projecto, mas de O encontrar como uma Pessoa viva, de deixar-se tomar totalmente por Ele e pelo seu Evangelho. Jesus convida a não nos determos no horizonte humano, mas a abrir-nos ao horizonte de Deus, ao horizonte da fé. Ele exige uma única obra: acolher o plano de Deus, isto é, ‘crer n’Aquele que Ele enviou’. Não é com a actividade humana que podemos “ganhar” (obter) Jesus, o verdadeiro pão que sacia a nossa fome de sentido, de verdade. Ele vem a nós apenas como dom do amor de Deus, como “obra de Deus”, que nos toca pedir e acolher…Caros amigos, nos nossos dias cheios de ocupações e de problemas, mas também nos de repouso e distensão, o Senhor convida-nos a não esquecer que, se é necessário preocuparmo-nos com o pão material e com o retemperar das forças, mais fundamental ainda é fazer crescer a relação com Ele, reforçar a nossa fé n’Aquele que é o ‘pão da vida’, que enche o nosso desejo de verdade e amor…”.

PARA REZAR



SALMO 34

Em todo o tempo, bendirei o Senhor;
o seu louvor estará sempre nos meus lábios.
A minha alma gloria-se no Senhor!
Que os humildes saibam e se alegrem.

Enaltecei comigo o Senhor;
exaltemos juntos o seu nome.
Procurei o Senhor e Ele respondeu-me,
livrou-me de todos os meus temores.

Aqueles que o contemplam ficam radiantes,
não ficarão de semblante abatido.
Quando um pobre invoca o Senhor, Ele atende-o
e liberta-o das suas angústias.

O anjo do Senhor protege os que o temem
e livra-os do perigo.
Saboreai e vede como o Senhor é bom;
feliz o homem que nele confia!

SANTOS POPULARES



SÃO MAXIMILIANO COLBE

Raimundo Kolbe nasceu no dia 8 de Janeiro de 1894, em Zdunska Wola, na Polónia, numa família de operários profundamente religiosos. Por volta dos nove anos, ajoelhado diante do oratório na modesta casa de seus pais, apareceu-lhe a Virgem Maria, segurando uma flor branca (representando a virgindade) e uma vermelha (simbolizando o martírio) e perguntou-lhe qual delas preferia. Raimundo, não compreendendo bem o significado das flores e angustiado pela ifícil escolha, respondeu: “As duas”. Aos 13 anos, entrou no seminário dos Frades Menores Conventuais e, ao fazer a sua profissão religiosa, recebeu o nome de Maximiliano Maria. Concluindo os estudos preliminares, foi para Roma onde concluiu o doutoramento em filosofia e teologia. Em 1917, movido por um incondicional amor a Maria, fundou o movimento de apostolado mariano “Milícia da Imaculada”. No ano seguinte, 1918, foi ordenado sacerdote e voltou à sua pátria, onde foi designado para leccionar no Seminário Franciscano, em Cracóvia. Então, organizou o primeiro grupo da milícia fora da Itália. Recebendo a permissão de seus superiores para dedicar-se mais à promoção da milícia e desejoso de que muitas almas conhecessem a Deus e amassem Nossa Senhora, começou a evangelizar através da imprensa escrita. Em 1922, mesmo sem dispor de recursos financeiros, fundou uma revista mensal intitulada “Cavaleiro da Imaculada”, que poucos anos depois chegava à elevada tiragem de um milhão de exemplares. A esta revista seguiram-se outras iniciativas editoriais: uma revista para crianças, “Pequeno Cavaleiro da Imaculada”; uma revista latina para sacerdotes, “Miles Immaculatae”, e um diário que chamou de “Pequeno Jornal”, com 200 mil exemplares. O apostolado da imprensa era o seu carisma. Em 1929, fundou o convento chamado “Niepokalanow”, que significa “cidade de Maria”. Era um verdadeiro recanto de oração e caloroso posto de trabalho para aqueles franciscanos envolvidos na evangelização através da imprensa. Dois anos depois, atendendo ao pedido que o Santo Padre fez aos religiosos para que auxiliassem nos esforços missionários da Igreja, foi para o Japão e fundou outra cidade da Imaculada, a “Mugenzai no Sono”. Em Nagasaki, fundou também a revista “Cavaleiro da Imaculada”, que, apesar do restrito meio católico, alcançou a tiragem de 50 mil exemplares. Desejava ir para a Índia e para os países árabes e, também lá, fundar revistas e jornais que propagassem a devoção à Imaculada, como instrumento de divulgação do Reino. No entanto, teve de retornar à Polónia, como director espiritual de Niepokalanow, em 1936. De 1936 a 1939, início de Segunda Grande Guerra, Maximiliano Kolbe redobrou o seu zelo no apostolado da imprensa, enquanto se ocupava também da direcção do convento e da formação de 200 jovens. No dia 1de Setembro de 1939, as tropas nazis invadiram a Polónia, destruindo qualquer resistência. Os frades foram dispersos e Niepokalanow foi saqueada. Frei Maximiliano e cerca de 40 outros frades foram levados para os campos de concentração. Na celebração da Imaculada Conceição, desse ano, foram libertados. Para incriminar Frei Maximiliano Maria Kolbe, a Gestapo permitiu uma impressão final do “Cavaleiro da Imaculada”, em Dezembro de 1940. No dia 17 de Fevereiro de 1941, foi preso e levado para a prisão de Pawiak, em Varsóvia. Depois, foi transferido para o campo de concentração de Auschwitz, perto de Cracóvia. Era um campo de horrores e de extermínio. Lá foram mortos, depois de incríveis sofrimentos, quatro milhões de seres humanos. Os judeus e os padres eram os mais perseguidos. Os judeus tinham o direito de viver duas semanas, e os padres católicos, um mês. Em resposta ao ódio dos guardas da prisão, Frei Maximiliano era obediente e sempre pronto a perdoar. E aconselhava os colegas prisioneiros a confiar na Imaculada, a perdoar, a amar os inimigos e orar pelos perseguidores: “O ódio não é a força criativa; a força criativa é o amor”. Era admirado pela generosidade em dar o seu alimento aos outros, apesar da desnutrição de que sofria, e por ir sempre no fim da fila da enfermaria, apesar da tuberculose aguda que o afligia. Na noite de 3 de Agosto de 1941, um prisioneiro escapou com sucesso da secção onde Frei Maximiliano estava etido. Em represália, o comandante ordenou a morte, por inanição, de 10 prisioneiros, escolhidos à sorte. O sargento Franciszek Gajowniczek, que fora escolhido para morrer, gritou lamentando-se de que nunca mais veria a esposa e os filhos. Então, saiu da fila o prisioneiro nº 16670, pedindo ao comandante o favor de poder substituir aquele pai de família. O comandante perguntou, aos berros, quem era aquele “louco”, e, ao ouvir dizer que era um padre católico, aceitou aquela substituição. Os 10 prisioneiros, despidos, foram empurrados para uma pequena, húmida e escura cela dos subterrâneos, para morrerem à fome. Durante 10 dias, Frei Maximiliano animou os outros prisioneiros com cânticos e orações, e consolou-os um a um na hora da morte. Depois de passarem esses dias, como ainda estava vivo, Frei Maximiliano foi morto com uma injecção letal. Era o dia 14 de Agosto de 1941. O corpo de Maximiliano Kolbe foi cremado e as suas cinzas atiradas ao vento. Numa carta, quase prevendo o seu fim, escrevera: “Quero ser reduzido a pó pela Imaculada e espalhado pelo vento do mundo”. No final da Guerra, começou um movimento pedindo a beatificação do Frei Maximiliano Maria Kolbe.
No dia 17 de Outubro de 1971, foi beatificado pelo Papa Paulo VI. Em 1982, na presença de Franciszek Gajowniczek, que sobreviveu aos horrores do campo de concentração, Maximiliano Kolbe foi canonizado pelo Papa João Paulo II, como mártir da caridade. ( cf. Com. Shalon )