O César, desta paróquia de
Santa Maria da Feira - diácono e missionário Passionista - vai ser ordenado
Presbítero, no dia 14 de Outubro, pelas 16 horas, na Igreja dos Passionistas. A
sua Missa Nova será celebrada na Igreja Matriz de Santa Maria da Feira, dia 21
de Outubro às 16,30 horas; são dois momentos importantes para a comunidade paroquial
que queremos viver na solidariedade e na oração. Na profundidade da comunhão,
desejamos ao César as maiores alegrias na vivência do seu sacerdócio e na fidelidade
ao carisma passionista.
PALAVRA COM SENTIDO
PALAVRA COM SENTIDO
“… O Senhor ressuscitou, verdadeiramente!…” (cf. Antífona do Domingo de Páscoa)
Hoje ecoa em todo o mundo o anúncio da Igreja: «Jesus Cristo ressuscitou»; «ressuscitou verdadeiramente»!
Como uma nova chama, se acendeu esta Boa Nova na noite: a noite dum mundo já a braços com desafios epocais e agora oprimido pela pandemia, que coloca à dura prova a nossa grande família humana. Nesta noite, ressoou a voz da Igreja: «Cristo, minha esperança, ressuscitou!» (Sequência da Páscoa).
É um «contágio» diferente, que se transmite de coração a coração, porque todo o coração humano aguarda esta Boa Nova. É o contágio da esperança: «Cristo, minha esperança, ressuscitou!» Não se trata duma fórmula mágica, que faça desvanecerem-se os problemas. Não! A ressurreição de Cristo não é isso. Mas é a vitória do amor sobre a raiz do mal, uma vitória que não «salta» por cima do sofrimento e da morte, mas atravessa-os abrindo uma estrada no abismo, transformando o mal em bem: marca exclusiva do poder de Deus.
O Ressuscitado é o Crucificado; e não outra pessoa. Indeléveis no seu corpo glorioso, traz as chagas: feridas que se tornaram frestas de esperança. Para Ele, voltamos o nosso olhar para que sare as feridas da humanidade atribulada.
Hoje penso sobretudo em quantos foram atingidos diretamente pelo coronavírus: os doentes, os que morreram e os familiares que choram a partida dos seus queridos e por vezes sem conseguir sequer dizer-lhes o último adeus.
O Senhor da vida acolha junto de Si no seu Reino os falecidos e dê conforto e esperança a quem ainda está na prova, especialmente aos idosos e às pessoas sem ninguém. Não deixe faltar a sua consolação e os auxílios necessários a quem se encontra em condições de particular vulnerabilidade, como aqueles que trabalham nas casas de cura ou vivem nos quartéis e nas prisões.
Para muitos, é uma Páscoa de solidão, vivida entre lutos e tantos incómodos que a pandemia está a causar, desde os sofrimentos físicos até aos problemas económicos.
Esta epidemia não nos privou apenas dos afetos, mas também da possibilidade de recorrer pessoalmente à consolação que brota dos Sacramentos, especialmente da Eucaristia e da Reconciliação. Em muitos países, não foi possível aceder a eles, mas o Senhor não nos deixou sozinhos! Permanecendo unidos na oração, temos a certeza de que Ele colocou sobre nós a sua mão (cf. Sal 139/138, 5), repetindo a cada um com veemência: Não tenhas medo! «Ressuscitei e estou contigo para sempre» (cf. Missal Romano).
Jesus, nossa Páscoa, dê força e esperança aos médicos e enfermeiros, que por todo o lado oferecem um testemunho de solicitude e amor ao próximo até ao extremo das forças e, por vezes, até ao sacrifício da própria saúde. Para eles, bem como para quantos trabalham assiduamente para garantir os serviços essenciais necessários à convivência civil, para as forças da ordem e os militares que em muitos países contribuíram para aliviar as dificuldades e tribulações da população, vai a nossa saudação afetuosa juntamente com a nossa gratidão.
Nestas semanas, alterou-se improvisamente a vida de milhões de pessoas. Para muitos, ficar em casa foi uma ocasião para refletir, parar os ritmos frenéticos da vida, permanecer com os próprios familiares e desfrutar da sua companhia. Mas, para muitos outros, é também um momento de preocupação pelo futuro que se apresenta incerto, pelo emprego que se corre o risco de perder e pelas outras consequências que acarreta a atual crise. Encorajo todas as pessoas que detêm responsabilidades políticas a trabalhar ativamente em prol do bem comum dos cidadãos, fornecendo os meios e instrumentos necessários para permitir a todos que levem uma vida digna e favorecer – logo que as circunstâncias o permitam – a retoma das atividades diárias habituais.
Este não é tempo para a indiferença, porque o mundo inteiro está a sofrer e deve sentir-se unido ao enfrentar a pandemia. Jesus ressuscitado dê esperança a todos os pobres, a quantos vivem nas periferias, aos refugiados e aos sem abrigo. Não sejam deixados sozinhos estes irmãos e irmãs mais frágeis, que povoam as cidades e as periferias de todas as partes do mundo. Não lhes deixemos faltar os bens de primeira necessidade, mais difíceis de encontrar agora que muitas atividades estão encerradas, bem como os medicamentos e sobretudo a possibilidade duma assistência sanitária adequada. Em consideração das presentes circunstâncias, sejam abrandadas também as sanções internacionais que impedem os países visados de proporcionar apoio adequado aos seus cidadãos e seja permitido a todos os Estados acudir às maiores necessidades do momento atual, reduzindo – se não mesmo perdoando – a dívida que pesa sobre os orçamentos dos mais pobres.
Este não é tempo para egoísmos, pois o desafio que enfrentamos nos une a todos e não faz distinção de pessoas. Dentre as muitas áreas do mundo afetadas pelo coronavírus, penso de modo especial na Europa. Depois da II Guerra Mundial, este Continente pôde ressurgir graças a um espírito concreto de solidariedade, que lhe permitiu superar as rivalidades do passado. É muito urgente, sobretudo nas circunstâncias presentes, que tais rivalidades não retomem vigor; antes, pelo contrário, todos se reconheçam como parte duma única família e se apoiem mutuamente. Hoje, à sua frente, a União Europeia tem um desafio epocal, de que dependerá não apenas o futuro dela, mas também o do mundo inteiro. Não se perca esta ocasião para dar nova prova de solidariedade, inclusive recorrendo a soluções inovadoras. Como alternativa, resta apenas o egoísmo dos interesses particulares e a tentação dum regresso ao passado, com o risco de colocar à dura prova a convivência pacífica e o progresso das próximas gerações.
Este não é tempo para divisões. Cristo, nossa paz, ilumine a quantos têm responsabilidades nos conflitos, para que tenham a coragem de aderir ao apelo a um cessar-fogo global e imediato em todos os cantos do mundo. Este não é tempo para continuar a fabricar e comercializar armas, gastando somas enormes que deveriam ser usadas para cuidar das pessoas e salvar vidas. Ao contrário, seja o tempo em que finalmente se ponha termo à longa guerra que ensanguentou a amada Síria, ao conflito no Iémen e às tensões no Iraque, bem como no Líbano. Seja este o tempo em que israelitas e palestinianos retomem o diálogo para encontrar uma solução estável e duradoura que permita a ambos os povos viverem em paz. Cessem os sofrimentos da população que vive nas regiões orientais da Ucrânia. Ponha-se termo aos ataques terroristas perpetrados contra tantas pessoas inocentes em vários países da África.
Este não é tempo para o esquecimento. A crise que estamos a enfrentar não nos faça esquecer muitas outras emergências que acarretam sofrimentos a tantas pessoas. Que o Senhor da vida Se mostre próximo das populações da Ásia e da África que estão a atravessar graves crises humanitárias, como na Região de Cabo Delgado, no norte de Moçambique. Acalente o coração das inúmeras pessoas refugiadas e deslocadas por causa de guerras, seca e carestia. Proteja os inúmeros migrantes e refugiados, muitos deles crianças, que vivem em condições insuportáveis, especialmente na Líbia e na fronteira entre a Grécia e a Turquia. E não quero esquecer a ilha de Lesbos. Faça com que na Venezuela se chegue a soluções concretas e imediatas, destinadas a permitir a ajuda internacional à população que sofre por causa da grave conjuntura política, socioeconómica e sanitária.
Queridos irmãos e irmãs,
Verdadeiramente palavras como indiferença, egoísmo, divisão, esquecimento não são as que queremos ouvir neste tempo. Mais, queremos bani-las de todos os tempos! Aquelas parecem prevalecer quando em nós vencem o medo e a morte, isto é, quando não deixamos o Senhor Jesus vencer no nosso coração e na nossa vida. Ele, que já derrotou a morte abrindo-nos a senda da salvação eterna, dissipe as trevas da nossa pobre humanidade e introduza-nos no seu dia glorioso, que não conhece ocaso.
Com estas reflexões, gostaria de vos desejar a todos uma Páscoa feliz. (Mensagem do Papa Francisco na Bênção Urbi et Orbe, no Domingo de Páscoa de 2020).
segunda-feira, 24 de setembro de 2012
PALAVRAS DO PAPA
- em Beirute, no Domingo, 16 de Setembro de 2012,
antes do Angelus, durante a Viagem Apostólico ao Líbano
“Amados irmãos e irmãs!
Voltemo-nos agora para Maria,
Nossa Senhora do Líbano, ao redor da qual se encontram cristãos e muçulmanos.
Peçamos-Lhe que interceda junto do seu divino Filho por vós e, de modo
particular, pelos habitantes da Síria e dos países vizinhos, implorando o dom
da paz. Vós conheceis bem a tragédia dos conflitos e da violência, que gera
tantos sofrimentos. Infelizmente, o fragor das armas continua a fazer-se ouvir,
assim como o grito das viúvas e dos órfãos.A violência e o ódio invadem as estradas, e as mulheres e as crianças são as suas primeiras vítimas. Porquê tantos horrores? Porquê tantos mortos? Faço apelo à comunidade internacional; faço apelo aos países árabes para que, como irmãos, proponham soluções viáveis que respeitem a dignidade de cada pessoa humana, os seus direitos e a sua religião. Quem quer construir a paz, deve deixar de ver no outro um mal a eliminar; não é fácil ver no outro uma pessoa a respeitar e a amar, e todavia é preciso consegui-lo, se se deseja construir a paz, se se quer a fraternidade (cf. 1 Jo 2, 10-11; 1 Ped 3, 8-12). Que Deus conceda ao vosso país, à Síria e a todo o Médio Oriente o dom da paz dos corações, o silêncio das armas e o fim de toda a violência.
Oxalá os homens compreendam que são todos irmãos! Maria, que é nossa Mãe, compreende a nossa preocupação e as nossas necessidades. Com os Patriarcas e os Bispos presentes, coloco o Médio Oriente sob a sua materna protecção (cf. propositio 44). Possamos nós, com a ajuda de Deus, converter-nos para trabalhar com ardor na construção da paz, necessária para uma vida harmoniosa entre irmãos, independentemente da origem e da convicção religiosa.”
PARA REZAR
SALMO 54
Ó meu Deus, salva-me, pelo teu nome;
pelo teu poder, faz-me justiça!
Ouve, ó Deus, a minha oração,
presta atenção às palavras da minha boca!
Os soberbos levantam-se contra mim
e os tiranos procuram tirar-me a vida,
sem fazerem nenhum caso de Deus.
Mas Deus é o meu auxílio,
o Senhor é quem conserva a minha vida.
De bom grado, eu te oferecerei sacrifícios
e louvarei o teu nome, Senhor, porque és bom.
SANTOS POPULARES
SÃO VICENTE DE PAULO
( segundo carta de João Paulo
II ao Superior-Geral dos Lazaristas, em 12 de Maio de 1981 )
Vicente de Paulo nasceu no
dia 24 de Abril de 1581 na aldeia de Pouy, nas “Landes”, França. Era o terceiro
filho de Jean Depaul e Bertrande Demoras. Depois da sua ordenação sacerdotal e da
sua estranha aventura de escravidão em Túnis, parece voltar as costas ao mundo
dos pobres, rumando a Paris, na expectativa de adquirir um benefício
eclesiástico. Conseguiu colocar-se como esmoler da rainha Margarida. Tal posto
fê-lo aproximar-se da miséria humana, especialmente no novo Hospital da
Caridade. É então que o Padre de Bérulle, fundador do Oratório em França, lhe
proporciona a oportunidade para as descobertas que foram a origem das grandes
realizações da sua vida. Inicialmente, Bérulle envia-o como Pároco para
Clichy-la- Garenne, nos arrabaldes de Paris. Quatro meses mais tarde, fá-lo
entrar na família de Gondi como preceptor dos filhos do General das Galeras.
Transitando continuamente com os Gondi pelos seus castelos e propriedades do
interior, Vicente de Paulo descobriu a terrível realidade da miséria material e
espiritual do “pobre povo do campo”. A partir de então, começa a interrogar- se:
era justo dedicar o seu ministério sacerdotal à educação de crianças de uma
família tão importante, enquanto os camponeses viviam e morriam em total
abandono? Ouvidas as dúvidas de Vicente, Bérulle encarrega-o da paróquia
abandonada de Châtillon-des-Dombes, onde o novo pastor adquire uma experiência
decisiva. Num Domingo de Agosto de 1617, foi chamado para visitar uma família,
cujos membros estavam todos doentes. Então, Vicente de Paulo assume a
organização da generosidade dos vizinhos e de pessoas de boa vontade: era o nascimento
da primeira “Caridade” que ia servir de modelo a tantas outras. E, daquele
momento até o último suspiro, não o abandonaria mais a convicção de que o
serviço dos pobres era a sua vida. Para melhor servir os pobres, Vicente
decidiu-se a “reunir eclesiásticos que, livres de quaisquer compromissos, se
aplicassem inteiramente, sob a orientação dos Bispos, à salvação do pobre povo
do campo, por meio da pregação, da catequese, das confissões gerais, sem disso auferir
retribuição alguma, qualquer que fosse a sua natureza ou modalidade”. O
Priorado de
São Lázaro, adquirido por
volta de 1632, motivou logo o apelido de “lazaristas” aos membros deste grupo
sacerdotal que cresceu rapidamente tendo-se implantado, em cerca de quinze dioceses,
realizando missões paroquiais e promovendo a fundação de “Caridades”. A Congregação
da Missão estendeu-se até à Itália, à Irlanda, à Polónia, à Argélia, a
Madagáscar. Vicente não cessa de inculcar nos seus companheiros “o espírito de
Nosso Senhor”, que ele compendia em cinco virtudes fundamentais: simplicidade,
mansidão em relação ao próximo, humildade em relação a si mesmo, e, enfim, como
condicionamento para estas três, a mortificação e o zelo, que seriam como que
os seus aspectos dinâmicos. Cheias de sabedoria espiritual e realismo pastoral,
eram as exortações que ele dirigia aos que partiam para pregar o Evangelho: não
se trata amar e de se fazer amar, mas sim de amar e fazer amar Jesus Cristo. Em
nome do Evangelho, exigia a simplicidade e que se falasse uma linguagem
imaginosa e convincente. Outro aspecto do dinamismo e do realismo de Vicente de
Paulo foi dotar as “Caridades”, já numerosas, de uma estrutura de unidade e
eficiência. Luísa de Marillac, viúva de António Le Gras - iniciada na vida
espiritual por São Francisco de Sales e depois acompanhada pelo próprio São
Vicente - foi por este enviada para visitar e estimular as “Caridades”. Cumpriu
maravilhosamente a missão, cujos ecos contribuíram muito para que várias “boas
moças do campo” que colaboravam com as “Caridades”, se decidissem a seguir-lhe o
exemplo de oblação total a Deus e aos pobres. No dia 29 de Novembro de 1633,
nascia a Companhia das Filhas da Caridade, recebendo de Vicente de Paulo um
regulamento original e exigente: “Tereis por mosteiros a sala dos doentes; por
cela, um quarto de aluguer; como capela, a igreja paroquial; como claustro, as
ruas da cidade; como clausura, a obediência; como grade, o temor de Deus; como
véu, a santa modéstia”. O espírito da Companhia foi assim resumido: “Deveis
fazer o que o Filho de Deus fez na terra; a estes pobres doentes, deveis dar a vida
do corpo e a vida da alma”. Vicente de Paulo faleceu no dia 27 de Setembro de
1660 e foi sepultado na capela-mãe da Igreja de São Lázaro, em Paris. Foi
canonizado pelo Papa Clemente XII em 16 de Junho de 1737. Em 12 de Maio de 1885
é declarado patrono de todas as obras de caridade da Igreja Católica, por Leão
XIII. A sua memória litúrgica faz-se a 27 de Setembro.
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