PALAVRA COM SENTIDO

PALAVRA COM SENTIDO

“…Soltai brados de alegria… Fazei ouvir os vossos louvores…” (cf. Jeremias 31, 7)

O convite à alegria é permanente, na Palavra do Senhor. A alegria nasce da fé no Senhor que salva o seu povo; é fermento de esperança, na tristeza que envolve a vida; é testemunho do amor que se verga sob o peso da cruz; é proclamação da verdade que nos liberta. O desafio da alegria afronta o ódio, a vingança, a marginalidade, a violência, porque é criador de unidade, de comunhão, de festa, de encontro e de paz… A verdadeira alegria: aquela que vem de Deus e anima a nossa acção missionária. Por ela, somos convidados a louvar e a agradecer as maravilhas que Deus faz em nós e, por nós, no meio do mundo. Cantar a alegria da fé, do amor incondicional, da vida doada em serviço por amor, da fraternidade que construímos na harmonia das palavras e na beleza dos gestos, da esperança que destrói muros e lança pontes de solidariedade e de perdão. Acolher a alegria de Jesus presente no meio de nós…

segunda-feira, 8 de abril de 2013

MENSAGEM PASCAL DO SANTO PADRE FRANCISCO



 
- na bênção Urbi et Orbi, do dia de Páscoa – Roma

Amados irmãos e irmãs de Roma e do mundo inteiro, boa Páscoa! Boa Páscoa!
Que grande alegria é para mim poder dar-vos este anúncio: Cristo ressuscitou! Queria que chegasse a cada casa, a cada família e, especialmente, a onde há mais sofrimento, aos hospitais, às prisões... Sobretudo, queria que chegasse a todos os corações, porque é lá que Deus quer semear esta Boa Nova: Jesus ressuscitou! Há uma esperança que despertou para ti; já não estás sob o domínio do pecado, do mal! Venceu o amor, venceu a misericórdia! A misericórdia sempre vence! Também nós - como as mulheres discípulas de Jesus que foram ao sepulcro e o encontraram vazio - nos podemos interrogar acerca do sentido que tem este acontecimento (cf. Lc 24, 4). Que significa o facto de Jesus ter ressuscitado? Significa que o amor de Deus é mais forte que o mal e a própria morte; significa que o amor de Deus pode transformar a nossa vida, fazer florir aquelas parcelas de deserto que ainda existem no nosso coração. E isto é algo que o amor de Deus pode fazer. Este mesmo amor pelo qual o Filho de Deus Se fez homem e prosseguiu, até ao extremo, no caminho da humildade e do dom de Si mesmo, até à  morada dos mortos, ao abismo da separação de Deus; este mesmo amor misericordioso inundou de luz o corpo morto de Jesus e transfigurou-o, fê-lo passar à vida eterna. Jesus não voltou à vida que tinha antes, à vida terrena, mas entrou na vida gloriosa de Deus e o fez com a nossa humanidade, abrindo-nos um futuro de esperança. Eis o que é a Páscoa: é o êxodo, a passagem do homem da escravidão do pecado, do mal, à liberdade do amor, do bem. Porque Deus é vida, somente vida, e a sua glória somos nós: o homem vivo (cf. Ireneu, Adversus haereses, 4, 20, 5-7).
Amados irmãos e irmãs: Cristo morreu e ressuscitou de uma vez para sempre e para todos, mas a força da Ressurreição - esta passagem da escravidão do mal à liberdade do bem - deve realizar-se em todos os tempos, nos espaços concretos da nossa existência, na nossa vida de cada dia. Quantos desertos o ser humano tem de atravessar, ainda hoje! Sobretudo o deserto que existe dentro dele, quando falta o amor de Deus e o amor ao próximo; quando falta a consciência de ser guardião de tudo o que o Criador nos deu e continua a dar. Mas a misericórdia de Deus pode fazer florir mesmo a terra mais árida, pode devolver a vida aos ossos ressequidos (cf. Ez 37, 1-14). Eis, portanto, o convite que dirijo a todos: acolhamos a graça da Ressurreição de Cristo! Deixemo-nos renovar pela misericórdia de Deus; deixemo-nos amar por Jesus; deixemos que a força do Seu amor transforme também a nossa vida, tornando-nos instrumentos desta misericórdia, canais através dos quais Deus possa irrigar a terra, guardar a criação inteira e fazer florir a justiça e a paz.
E assim, a Jesus ressuscitado que transforma a morte em vida, peçamos para mudar o ódio em amor, a vingança em perdão, a guerra em paz. Sim, Cristo é a nossa paz e, por Seu intermédio, imploramos a paz para o mundo inteiro. Paz para o Médio Oriente, especialmente entre israelitas e palestinos, que sentem dificuldade em encontrar o caminho da concórdia, a fim de que retomem, com coragem e disponibilidade, as negociações para pôr termo a um conflito que já dura há demasiado tempo. Paz para o Iraque, para que cesse definitivamente toda a violência; paz para a amada Síria, para a sua população vítima do conflito e para os numerosos refugiados, que esperam ajuda e conforto. Já foi derramado tanto sangue… Quantos sofrimentos deverão ainda atravessar, antes de se conseguir encontrar uma solução política para a crise? Paz para a África, cenário de sangrentos conflitos: para o Mali, para que reencontre unidade e estabilidade; para Nigéria, onde infelizmente não cessam os atentados, que ameaçam gravemente a vida de tantos inocentes, e onde muitas pessoas, incluindo crianças, são mantidas como reféns por grupos terroristas; paz para o leste da República Democrática do Congo e para a República Centro-Africana, onde muitos se vêem forçados a deixar as suas casas e vivem ainda no medo. Paz para a Ásia, sobretudo para a península coreana, para que sejam superadas as divergências e amadureça um renovado espírito de reconciliação. Paz para o mundo inteiro, ainda tão dividido pela ganância de quem procura lucros fáceis; ferido pelo egoísmo que ameaça a vida humana e a família: um egoísmo que faz continuar o tráfico de pessoas, a escravatura mais extensa, neste século vinte e um. O tráfico de pessoas é realmente a escravatura mais extensa neste século vinte e um! Paz para todo o mundo dilacerado pela violência ligada ao narcotráfico e por uma iníqua exploração dos recursos naturais. Paz para esta nossa Terra! Jesus ressuscitado leve conforto a quem é vítima das calamidades naturais e nos torne guardiões responsáveis da criação.
Amados irmãos e irmãs, originários de Roma ou de qualquer outra parte do mundo: a todos vós que me ouvis, dirijo este convite do Salmo 117: «Dai graças ao Senhor, porque Ele é bom, porque é eterno o seu amor. Diga a casa de Israel: É eterno o seu amor» (vv. 1-2).

PARA REZAR





HINO I DA HORA INTERÉDIA – TEMPO PASCAL

Este é o dia que o Senhor nos fez,
Radiante de luz e de verdade:
O Sangue do Calvário transformou-se
Em aurora feliz de um mundo novo.

O Pródigo voltou ao lar paterno,
O Cego, deslumbrado, abriu os olhos,
O Bom Ladrão confia no Senhor,
Pois tem o Paraíso prometido.

Oh mistério da humana redenção,
Oh vitória do amor e da justiça!
Jesus Cristo, morrendo no madeiro,
Venceu a morte para todo o sempre!

Este é o dia que o Senhor nos fez:
Dêmos glória ao Senhor ressuscitado,
Cantemos a Deus Pai e ao seu Espírito,
Agora e pelos séculos sem fim.

 

SANTOS POPULARES



SANTO ESTANISLAU

Estanislau nasceu em Sézépanow, pequena cidade da Polónia, perto de Cracóvia, no dia 26 de Julho de 1030. O seu pai, Wielislas, era um dos principais senhores do país; a sua mãe, Bogna, pertencia, também, a uma ilustre família. Ambos eram muito piedosos e amigos dos pobres, a quem acolhiam e ajudavam. O testemunho dos seus pais foi de grande influência para a formação do carácter de Estanislau que, já de si, era propenso à virtude. Dotado de grande inteligência, Estanislau estudou na universidade de Gniezno - então a mais famosa universidade da Polónia - e, depois, na mundialmente célebre Universidade de Paris, onde estudou direito canónico e teologia. Quando voltou à sua pátria, herdou, pela morte dos seus pais, uma grande fortuna. Então, vendeu tudo, repartiu o dinheiro pelos pobres e decidiu seguir a carreira eclesiástica. Foi ordenado sacerdote pelo bispo de Cracóvia, Lamberto Zula, que o fez cónego da sua catedral.
Rapidamente, adquiriu fama de pregador, sendo também muito procurado como director espiritual. Muitos eclesiásticos e leigos vinham de todas as partes da Polónia para o ouvir e para o consultar sobre problemas de consciência e sobre questões da lei canónica. De fé profunda, de grande sensatez e prudência, de sólida formação humana e teológica, de fácil erudição, tornou-se muito conhecido. Por isso, quando faleceu o bispo de Cracóvia, D. Lamberto, todos - rei, nobres, clero e povo – escolheram-no para ficar à frente dos destinos da diocese. Ele, porém, recusou aceitar o cargo. Foi preciso uma ordem formal do Papa Alexandre II para que cedesse. Foi sagrado bispo no ano de 1072, aos 42 anos de idade. A partir de então, dedicou-se com energia à reforma da Igreja - tão desejada pelo Sumo Pontífice - exigindo que o seu clero tivesse vida edificante e agradável a Deus, não só para servir de modelo mas, sobretudo, para oferecer, com mãos puras, o santo sacrifício da Missa. Ele próprio era exemplo de profunda piedade e de total abnegação. Todos os anos visitava as diversas partes da diocese, corrigindo abusos, promovendo o sacramento do crisma, reconciliando os inimigos e os casais separados. Elaborou uma lista dos pobres e viúvas da sua diocese, para melhor poder socorrê-los. No ano de 1058, Boleslau II subiu ao trono ducal da Polónia, cuja capital era Cracóvia. Boleslau II era um príncipe ambicioso e valente. Dizem os historiadores que ninguém era mais atrevido no combate, mais ágil e destro no manejo da lança e da espada, mais sofrido no campo de batalha. Por isso, alcançou grandes vitórias quer nas planícies da Hungria, quer nas estepes russas e nos pântanos da Pomerânia. Tornou-se tão forte, que separou o seu ducado do Sacro Império Romano-Germânico. No Natal de 1076, coroou-se como Rei da Polónia. O país tornou-se, então, refúgio seguro para outros príncipes caídos em desgraça, como Bela da Hungria, Jaromir da Boémia e Isaslao da Rússia, que aí encontraram amparo e apoio. O sucesso subiu-lhe à cabeça e tornou-se soberbo e dado aos prazeres mundanos. O seu palácio transformou-se num harém; e, como um vício atrai outro vício, tornou-se déspota, perseguindo a nobreza e espezinhando o povo. Tornou-se tão temível que ninguém ousava levantar a voz contra ele. O Bispo, Estanislau, não conhecia temores. Numa assembleia plenária de clero e de nobres, na presença do rei, começou a pregar as verdades da moral católica e a defender os direitos da justiça e da virtude. Falou dos juízos de Deus, da perda das almas, dos castigos eternos, da continência, da santidade do matrimónio e dos direitos de súbditos e vassalos em qualquer reino. Isso atingia directamente o rei que respondeu irado, com uma série de injúrias e insultos, chamando ao Bispo hipócrita e soberbo. Foi o início de uma batalha sem quartel entre o bispo e o rei, que só terminaria com o assassinato do bispo.
Um facto foi além de todas as medidas despóticas de Boleslau. Um dos seus vassalos, Miécislas, era casado com uma mulher notável pela sua virtude e pela sua beleza. Era considerada a mulher mais bela do reino. Boleslau mandou raptá-la e levá-la r para o seu palácio. Este acto escandaloso e imoral revoltou toda a nobreza, que se dirigiu ao arcebispo de Gniezno - então primaz da Polónia - e aos outros bispos do reino, pedindo-lhes que fossem falar ao Rei, mostrando-lhe a iniquidade da sua acção. Mas, os prelados temeram irritar o monarca e mostraram-se muito renitentes a tal acção. Então, a nobreza vingou-se deles, fazendo publicar, por toda parte, que eles eram mercenários e que tinham muito menos em conta a causa de Deus do que a sua própria fortuna e ambição. O Bispo Estanislau, porém, não se calou. Com voz respeitosa, mas firme, disse a Boleslau o que outrora São João Batista dissera ao rei Herodes: “Não te é permitido tomá-la por mulher!” Censurou, também, o soberano pelas suas desordens, e alertou-o de que, se não se corrigisse, expunha-se às censuras da Igreja. Arrogante, Boleslau insultou o bispo, dizendo com grosseria: “Quando se fala assim de maneira tão pouco conveniente a um rei, dever-se-ia ser guardador de porcos”. A “guerra” entre os dois chegava ao seu ponto mais forte. Não encontrando na vida privada do prelado nada que o desabonasse, Boleslau recorreu à calúnia, chamando-o de usurpador do bem alheio. Era uma alusão ao seguinte facto: o bispo tinha comprado um terreno em Piotrawin, a um tal Pedro. Havia pago o preço na presença de testemunhas, confiando na boa-fé das mesmas. Como, naquele tempo, a palavra dada tinha força de lei, o Bispo Estanislau não se importou em ter um recibo do pagamento feito. Ora, aconteceu que o tal Pedro faleceu. Então, o rei Boleslau procurou os sobrinhos e herdeiros de Pedro, pedindo-lhes que reclamassem novamente o pagamento, pois ele, rei, faria calar as testemunhas.
Estanislau teve de comparecer num julgamento presidido pelo rei, com vários juízes, diante das testemunhas intimidadas que não quiseram declarar-se em seu favor. Vendo que não podia contar com os homens, pediu a Deus que fosse sua testemunha. Inspirado pelo Céu, pediu aos juízes um prazo de três dias, findo o qual traria como testemunha o próprio vendedor, Pedro. Ora, este havia falecido três anos antes. Por isso, como zombaria, os juízes aceitaram.
Nos dois dias seguintes, o santo jejuou e celebrou a santa Missa, pedindo a Nosso Senhor que defendesse a sua causa. No terceiro, depois de celebrar, foi ao cemitério revestido com as vestes episcopais, escoltado pelos seus clérigos e muitos fiéis. Pediu que abrissem o túmulo de Pedro e tocou os seus restos mortais com o báculo. Imediatamente, o corpo do falecido se recompôs e Santo Estanislau pôde ir com o ressuscitado ao tribunal, e diante dos presentes aterrorizados, comprovou a inocência do santo. Como o monarca prosseguisse com as suas iniquidades, o Bispo Estanislau excomungou-o publicamente e interditou-lhe a entrada na catedral. Mas, Boleslau continuou a assistir ao divino sacrifício, sem se importar com a excomunhão. O bispo, então, ordenou ao clero que interrompesse a missa logo que o rei entrasse no recinto sagrado. O rei jurou vingança. No dia 8 de Maio de 1079, Estanislau celebrava a santa Missa, na igreja de São Miguel, nos arredores da cidade. Ouviu o tropel de gente de guerra, mas não interrompeu o santo sacrifício. Era o rei Boleslau, acompanhado dos seus soldados, que vinha para se vingar. Mandou que alguns soldados entrassem na igreja e matassem o Bispo. Os soldados, porém, não ousaram levantar a mão contra o seu pastor. Então, o próprio rei entrou no santuário e desferiu um violento golpe na cabeça de Estanislau e, em seguida, trespassou-lhe o coração e desfigurou o rosto. Mandou, em seguida, retalhar o corpo do Bispo e espalhá-lo pela cidade. Alguns fiéis, desobedecendo à ordem do rei, reuniram os restos mutilados do mártir e enterraram-nos em frente da igreja de São Miguel. Mais tarde, os seus restos mortais foram transferidos para a catedral.
O Papa São Gregório VII, ao saber do horrendo crime, decretou a interdição do reino da Polónia; excomungou e depôs o rei, que acabou por abdicar do trono.
O mártir Santo Estanislau foi canonizado em 1253, pelo Papa Inocêncio IV. É ele um dos padroeiros da Polónia venerado, sobretudo, em Cracóvia, a sua cidade episcopal. A sua memória litúrgica faz-se no dia 11 de Abril.