PALAVRA COM SENTIDO

PALAVRA COM SENTIDO

“…Soltai brados de alegria… Fazei ouvir os vossos louvores…” (cf. Jeremias 31, 7)

O convite à alegria é permanente, na Palavra do Senhor. A alegria nasce da fé no Senhor que salva o seu povo; é fermento de esperança, na tristeza que envolve a vida; é testemunho do amor que se verga sob o peso da cruz; é proclamação da verdade que nos liberta. O desafio da alegria afronta o ódio, a vingança, a marginalidade, a violência, porque é criador de unidade, de comunhão, de festa, de encontro e de paz… A verdadeira alegria: aquela que vem de Deus e anima a nossa acção missionária. Por ela, somos convidados a louvar e a agradecer as maravilhas que Deus faz em nós e, por nós, no meio do mundo. Cantar a alegria da fé, do amor incondicional, da vida doada em serviço por amor, da fraternidade que construímos na harmonia das palavras e na beleza dos gestos, da esperança que destrói muros e lança pontes de solidariedade e de perdão. Acolher a alegria de Jesus presente no meio de nós…

terça-feira, 21 de maio de 2013

PROFISSÃO DE FÉ





Neste Domingo, dia 19 de Maio, dia de Pentecostes, as crianças do 6º ano de catequese da Igreja Matriz fizeram a sua profissão de fé. À sua medida, proclamaram o seu desejo de viver para Jesus, na fidelidade aos compromissos baptismais, testemunhando a força do seu amor que transforma o mundo. Baptizados na fé dos seus pais e padrinhos, expressão da fé da Igreja, são convidados a mostrar, nas suas obras, que o seu coração pertence a Jesus; que a sua vida é para Deus; que o seu agir, os seus sentimentos e as suas decisões têm a marca do Espírito Santo; que, dia-a-dia, se esforçarão por crescer e permanecer no caminho da santidade. A comunidade cristã sente-se mais viva e mais responsável. A verdade da nova evangelização desafia-a à coragem, à renovação interior, ao anúncio de Cristo vivo e presente na vida. Que estes tempos fortes de celebração não passem em vão.




SOLENIDADE DO PENTECOSTES



“…No Pentecostes, o Espírito Santo manifesta-se como fogo. A sua chama desceu sobre os discípulos reunidos, acendeu-se neles e infundiu-lhes o novo ardor de Deus. Realiza-se assim aquilo que o Senhor Jesus tinha predito:  "Vim lançar fogo sobre a terra; e como gostaria que ele já tivesse sido ateado!" (Lc 12, 49). Juntamente com os fiéis das diversas comunidades, os Apóstolos levaram esta chama divina até aos confins da Terra; abriram assim um caminho para a humanidade, uma senda luminosa, e colaboraram com Deus que, com o seu fogo, quer renovar a face da terra. Como é diferente este fogo daquele das guerras e das bombas! Como é diverso o incêndio de Cristo propagado pela Igreja, em relação aos que são acendidos pelos ditadores de todas as épocas, sobretudo os do século passado, que atrás de si deixam terra queimada. O fogo de Deus, o fogo do Espírito Santo, é aquele da sarça que ardia sem se consumir (cf. Êx 3, 2). É uma chama que arde, mas não destrói; aliás, ardendo faz emergir a parte melhor e mais verdadeira do homem, como numa fusão, e faz sobressair a sua forma interior, a sua vocação à verdade e ao amor…” (Bento XVI, homilia de Pentecostes – Maio de 2010)

D. MANUEL CLEMENTE NOMEADO PATRIARCA DE LISBOA



D. Manuel Clemente, até agora Bispo do Porto, foi nomeado - pelo Papa Francisco, no dia 18 de Maio - novo Patriarca de Lisboa, sucedendo a D. José Policarpo. Publicamos a mensagem que D. Manuel Clemente dirigiu à Diocese do Porto:

“Caríssimos diocesanos do Porto,
Nesta hora, que começa a ser de despedida pela minha nomeação para o Patriarcado de Lisboa, quero agradecer-vos do coração toda a estima e proximidade com que me acompanhastes, desde que o Papa Bento XVI me nomeou para vosso bispo diocesano, a 22 de fevereiro de 2007.
Levarei comigo e em ação de graças as mil e uma expressões da amizade com que me recebestes e ajudastes no exercício do ministério. Nas comunidades cristãs, nas várias associações de fiéis e movimentos, nos institutos religiosos e seculares, bem como nas diversas instituições públicas e civis da grande região portuense, encontrei sempre o mais generoso acolhimento e a vontade firme de servir o bem comum. Em tempos tão exigentes como os que atravessamos, todas essas realidades a que dais corpo e alma são a melhor garantia daquele futuro fraterno, justo e solidário, de que ninguém desistirá decerto. Quando vos saudei em 2007, disse trazer um só propósito e programa: conhecer, servir e amar a Diocese do Porto. Com a graça de Deus, algo se cumpriu de tal desiderato. Conheci-vos de perto, servi-vos como pude e com estima que permanece, em perpétua gratidão. Em tudo foi da maior valia a colaboração de muitos, começando pelos Senhores Bispos que me acompanharam no serviço diocesano, com incansável entrega. Com eles, os vigários gerais, os membros do colégio de consultores (cabido da sé) e todos os membros da cúria diocesana e da casa episcopal; bem assim os responsáveis pelos nossos três seminários diocesanos, os vigários da vara e seus adjuntos, os responsáveis pelos secretariados diocesanos, os membros dos conselhos presbiteral e pastoral e de outros conselhos e comissões, instâncias de participação e organismos. Referência especialíssima quero fazer ao clero paroquial, secular ou regular, incansável na sua dedicação ao serviço quotidiano do Povo de Deus, especialmente aonde tem de acumular várias comunidades e serviços. Saliento também os diáconos permanentes, os consagrados/as e os milhares de fiéis leigos que colaboram ativamente na catequese e no serviço da Palavra e da oração, na vida litúrgica e na ação sociocaritativa. Grande e bela é a Diocese do Porto, na imensa aplicação dos seus membros ao serviço de Deus e do próximo! É por tudo isto que vos quero reiterar uma palavra de agradecimento e bons votos. Agradecimento, que traduzirei em oração por todos e cada um de vós, as vossas comunidades e famílias. A minha entrada no Patriarcado será a 7 de julho, ficando convosco até perto desse dia. O coração não tem distância, só profundidade acrescida. Aqui ou além, continuaremos juntos, no coração de Deus.
Sempre vosso amigo e irmão,
D. Manuel Clemente
Porto, 18 de maio de 2013”

PALAVRA DO SANTO PADRE FRANCISCO



- na audiência-geral de 15 de Maio, Praça de São Pedro - Roma

“…O Espírito Santo guia a Igreja e cada um de nós para a Verdade. Diante de uma época como a nossa, em que impera o relativismo, é importante lembrar que Espírito Santo é Aquele que nos permite encontrar a Verdade. Ter encontro com a Verdade que se fez carne: Jesus Cristo. De facto, a acção do Divino Paráclito consiste em recordar e imprimir no coração dos fiéis as Palavras de Jesus, fazendo com que estas se transformem em princípio e guia da vida cristã. É do íntimo de nós mesmos que nascem as nossas acções; é o coração que deve converter-se a Deus, e o Espírito Santo transforma-o se nos abrirmos a Ele. Neste Ano da Fé, somos convidados, seguindo o exemplo de docilidade de Nossa Senhora, a deixar-nos inundar pela luz do Espírito Santo, predispondo-nos à Sua acção, buscando conhecer mais a Cristo e as verdades da fé: meditando a Sagrada Escritura, estudando o Catecismo e aproximando-se com mais frequência dos sacramentos…”

PARA REZAR



 
HINO DE PENTECOSTES ( Hora intermédia )

Abri os corações ao sopro do Senhor.
Que infunde vida nova às almas que visita:
Um povo novo sai das águas,
Das águas em que paira o Espírito da Luz.
Abri os corações ao sopro do Senhor.

Lançai o vosso corpo entre as línguas de fogo
Que queima e purifica o coração da terra.
Tendes na fronte marcas sagradas:
O Verbo de Jesus é o Verbo da vitória.
Abri os corações ao sopro do Senhor.

Dai todo o vosso ser às sementes do Céu
Que vem juntar-se em vós a todo o sofrimento.
O Corpo do Senhor é feito das angústias
De quantos neste mundo a injustiça esmaga.
Abri os corações ao sopro do Senhor.

Olhai dentro de vós o Hóspede divino,
Sem nada mais querer senão esta presença.
Vivei do Espírito e para o Espírito
Nas vossas orações e nos vossos silêncios.
Abri os corações ao sopro do Senhor.

 

SANTOS POPULARES



SÃO FILIPE DE NÉRI

Filho de Francesco e Lucrezia Neri, nobres e piedosos, Filipe nasceu em 22 de Julho de 1515, na cidade de Florença. O seu bom coração, os seus modos afáveis e a sua inclinação para a oração mereceram-lhe, desde criança, o apelido de "o bom Filipe". A sua mãe faleceu sendo Filipe ainda muito pequeno. O seu pai, que alternava a profissão liberal com a de notário, tinha grande amizade com os Dominicanos do Mosteiro de São Marcos. Foram estes que educaram Filipe e lhe transmitiram os ensinamentos e valores religiosos. Um incêndio destruiu grande parte da fortuna dos seus pais e Filipe foi morar com um primo do pai que era negociante riquíssimo em São Germano. Este prometeu-lhe que seria o herdeiro de todos os seus bens, se Filipe assumisse a gerência dos seus negócios. Filipe não sentia nenhuma inclinação para os negócios: a sua grande aspiração era ser santo. Por isso, apesar das repetidas insistências do primo, resolveu dedicar-se ao serviço de Deus. Fez, então, os estudos de Filosofia e de Teologia, em Roma, e começou, desde logo, a observar uma regra de vida muito austera, que o acompanhou até o fim da vida. Alimentava-se, quase exclusivamente, de pão, de água e de legumes. Reservava poucas horas para dormir, e muitas para a adoração. No grande desejo de dedicar-se à vida contemplativa, vendeu a biblioteca; deu os bens aos pobres; aprofundou o espírito na meditação da Sagrada Paixão e Morte de Jesus Cristo. Todo o seu tempo disponível, passava-o nas igrejas ou, de preferência, nas catacumbas. A graça de Deus tocou-lhe o coração com tanta violência que, prostrado por terra, exclamou muitas vezes: “Basta, Senhor, basta! Suspendei a torrente das vossas consolações, porque não tenho forças para receber tantas delícias. Ó meu Deus tão amável, por que não me destes um coração capaz de amar-Vos condignamente?” Nas catacumbas de São Sebastião, num dia do ano de 1545, recebeu o Espírito Santo, em forma de bola de fogo. Naquela ocasião, sentiu em si um ardor tão forte do amor de Deus que, devido às palpitações fortíssimas do coração, foram deslocadas a segunda e a quarta costelas. Com o amor de Deus, era, também, grande o seu amor ao próximo. Filipe possuía o dom de atrair todos a si, circunstância para a qual concorriam muito a sua afabilidade, cortesia e modéstia. Recorria a mil estratagemas para ganhar os jovens das ruas e das oficinas de Roma. Era amigo de todos e, uma vez adquirida a confiança, preparava-os para a recepção dos Sacramentos e encaminhava-os para o bem. Passava as noites nos hospitais, tratando dos doentes como uma mãe. O monumento mais belo da sua caridade foi a fundação da Irmandade da Santíssima Trindade, cujo fim principal era receber os romeiros e tratar dos doentes. No início de cada mês, convidava o povo para a adoração do SS. Sacramento e, nestas ocasiões, embora leigo, fazia admiráveis pregações que tocavam o íntimo dos fiéis. Esta obra encontrou eco entre o povo que começou a dar esmolas para a nova instituição. Muitos cardeais, bispos, reis, ministros, generais e princesas, sentiam grande honra em poderem pertencer à Irmandade da Santíssima Trindade. Seguindo o conselho do seu confessor, Filipe decidiu entrar no Seminário para ser padre. Recebeu a Ordenação sacerdotal aos 36 anos de idade. Filipe alimentava o desejo de ser missionário na Índia, seguindo as pisadas de São Francisco Xavier, e de morrer mártir por Cristo. Porém, por vontade de Deus, a sua Índia havia de ser Roma. Tornou-se apóstolo da capital da cristandade. Fundou a Congregação do Oratório, para a qual chamou homens distintos pelo seu saber e pela sua piedade. As suas conferências espirituais eram muito concorridas. Muitos cardeais, bispos, sacerdotes e leigos confiavam-se ao acompanhamento espiritual de Filipe de Néri, a quem veneravam como um pai. Passava muito tempo a confessar e só Deus sabe o número das almas que, aos seus pés, encontraram a paz, o perdão e a salvação. Todos nele depositavam uma confiança ilimitada. O sucesso da obra de Filipe de Néri fez surgir invejas, ciúmes e ódios. Os seus colaboradores e confrades foram escarnecidos, caluniados e perseguidos. O ódio dos seus inimigos chegou ao ponto de fazerem uma acusação falsa à autoridade eclesiástica. Isto fez com que Filipe fosse suspenso do exercício da ordem sagrada. Privado da possibilidade de celebrar a Santa Missa, de pregar, de administrar os sacramentos, Filipe não perdeu a calma e só dizia: " Como Deus é bom, que me humilha!" Clarificada a situação e julgado inteiramente inocente das acusações, foi-lhe retirada a suspensão. O seu maior inimigo e principal difamador, caindo em si, fez reparação pública e tornou-se seu seguidor e seu discípulo. Já para o fim da vida, não lhe era possível dizer a Santa Missa em público. Era tanta a sua comoção que, na celebração dos santos mistérios, as lágrimas lhe embargavam a voz quando falava do amor de Deus e da Paixão de Cristo. Quando celebrava a Santa Missa, chegando ao momento da Comunhão, ficava em êxtase pelo espaço de duas a três horas e, muitas vezes, o seu corpo elevava-se da terra, até à altura de dois palmos. Não é de admirar, por isso, que o Papa o consultasse nas coisas mais importantes da vida da Igreja e quisesse beijar-lhe as mãos e a batina. Fatigado e exausto dos trabalhos e alquebrado pela idade, Filipe foi acometido de grave doença. Os médicos que o examinaram, saíram do seu quarto desanimados e ouviram o doente exclamar: "Ó minha Senhora, ó dulcíssima e bendita Virgem!". Voltaram para ver o que tinha acontecido e encontraram Filipe elevado sobre o leito e, em êxtase, exclamava: "Não sou digno, não sou digno de vós, ó dulcíssima Senhora, que venhais visitar-me!". Os médicos, respeitosos, perguntaram-lhe o que sentia. Este, voltando a si e tomando a posição costumeira no leito, perguntou: "Não a vistes, a Santíssima Virgem, que me livrou das dores? " De facto, Filipe levantou-se completamente curado e viveu mais um ano. Filipe faleceu no dia 26 de Maio de 1595. Foi beatificado pelo Papa Paulo V, em 1614; e canonizado pelo Papa Gregório XV, em 1622. A sua memória litúrgica é celebrada no dia 26 de Maio.