PALAVRA COM SENTIDO

PALAVRA COM SENTIDO

“…Soltai brados de alegria… Fazei ouvir os vossos louvores…” (cf. Jeremias 31, 7)

O convite à alegria é permanente, na Palavra do Senhor. A alegria nasce da fé no Senhor que salva o seu povo; é fermento de esperança, na tristeza que envolve a vida; é testemunho do amor que se verga sob o peso da cruz; é proclamação da verdade que nos liberta. O desafio da alegria afronta o ódio, a vingança, a marginalidade, a violência, porque é criador de unidade, de comunhão, de festa, de encontro e de paz… A verdadeira alegria: aquela que vem de Deus e anima a nossa acção missionária. Por ela, somos convidados a louvar e a agradecer as maravilhas que Deus faz em nós e, por nós, no meio do mundo. Cantar a alegria da fé, do amor incondicional, da vida doada em serviço por amor, da fraternidade que construímos na harmonia das palavras e na beleza dos gestos, da esperança que destrói muros e lança pontes de solidariedade e de perdão. Acolher a alegria de Jesus presente no meio de nós…

quarta-feira, 5 de junho de 2013

FESTA DA EUCARISTIA: 1ª COMUNHÃO



Associada à ‘Festa do Corpo de Deus’, na Igreja Matriz da Feira, as crianças do 3º ano da catequese fizeram a sua 1ª comunhão. Na simplicidade da sua vida e dos seus gestos, quiseram afirmar o seu amor a Jesus, guardando-O no seu coração e vivendo, sempre, como Ele pede. A comunidade paroquial e as famílias deveriam esforçar-se por criar espaços de autêntico testemunho, para que Cristo possa ser acolhido como a verdadeira fonte da alegria e da felicidade.

FESTA DO CORPO DE DEUS




Como vem sendo habitual, a Vigararia de Santa Maria da Feira realizou a Procissão do Corpo de Deus. Com início na Igreja dos Passionistas - onde se possibilitou momentos de adoração e oração de Vésperas solenes – terminou na escadaria da Igreja Matriz da Feira com as palavras do Sr. Vigário Padre José Carlos, que presidiu, e com a bênção solene do Santíssimo Sacramento. As comunidades fizeram-se representar com a cruz paroquial, a bandeira da Irmandade do Santíssimo Sacramento, os acólitos e a adesão de muitos fiéis. A caminhada de intensa oração manifesta a fé em Jesus Cristo, Pão da Vida, Pão do Céu, e testemunha o amor e a fidelidade ao senhor que, por nós, deu a vida. “…A Solenidade Litúrgica do Corpo e Sangue de Cristo começou a ser celebrada há mais de sete séculos, em 1246, na cidade de Liège, na actual Bélgica, tendo sido alargada à Igreja latina pelo Papa Urbano IV, através da bula ‘Transiturus’, em 1264, dotando-a de missa e ofício próprios. Na origem, a solenidade constituía uma resposta a heresias que colocavam em causa a presença real de Cristo na Eucaristia, tendo-se afirmado também como o coroamento de um movimento de devoção ao Santíssimo Sacramento; terá chegado a Portugal, provavelmente, nos finais do século XIII e tomou a denominação de ‘Festa de Corpo de Deus’. A "comemoração mais célebre e solene do Sacramento memorial da Missa" (Urbano IV) recebeu várias denominações ao longo dos séculos: festa do Santíssimo Corpo de Nosso Senhor Jesus Cristo; festa da Eucaristia; festa do Corpo de Cristo. A procissão com o Santíssimo Sacramento é recomendada pelo Código de Direito Canónico, no qual se refere que "onde, a juízo do bispo diocesano, for possível, para testemunhar publicamente a veneração para com a santíssima Eucaristia, faça-se uma procissão pelas vias públicas, sobretudo na solenidade do Corpo e Sangue de Cristo" (cân 944, §1). A Igreja acredita que o Santíssimo Sacramento, ao passar no meio das cidades, promove expressões de amor e agradecimento por parte dos fiéis, sendo também para fonte de bênçãos…” (in RR)

PALAVRA DO SANTO PADRE FRANCISCO



- na Homilia da Solenidade do Corpo e Sangue de Cristo, 30 de Maio

“…Nesta noite, somos a multidão do Evangelho; também nós nos  esforçamos por seguir a Jesus para O ouvir, para entrar em comunhão com Ele, na Eucaristia, para acompanhá-lo  e para que nos acompanhe. Perguntemo-nos: como sigo a Jesus? Jesus fala no silêncio do mistério da Eucaristia e, muitas vezes, lembra-nos que segui-lo significa sair de nós mesmos e fazer a nossa vida não uma possessão, mas um dom a Ele e aos outros…Nesta noite, também nós estamos à volta da mesa do Senhor, à mesa do Sacrifício Eucarístico, no qual Ele nos dá, mais uma vez, o Seu corpo e torna presente o único sacrifício da Cruz. É na escuta da Sua palavra, no alimentar-se do seu Corpo e do seu Sangue, que Ele nos faz passar do ser multidão a ser comunidade, do anonimato à comunhão. A Eucaristia é o sacramento da comunhão, que nos faz sair do individualismo para viver juntos seguindo os seus passos e acreditando n’Ele. Então, devemos perguntar-nos, diante do Senhor: como vivo a Eucaristia? Vivo-a de modo indiferente ou como um momento de verdadeira comunhão com o Senhor, com todos os irmãos e irmãs que compartilham esta mesma mesa? Como são as nossas celebrações eucarísticas?
… Nesta noite, mais uma vez, o Senhor distribui para nós o pão que é seu corpo; Ele faz-se dom. Também nós experimentamos a "solidariedade de Deus" com o homem; uma solidariedade que nunca se esgota, uma solidariedade que não cessa de surpreender-nos: Deus faz-se próximo de nós; no sacrifício da Cruz é humilha-se, entrando na escuridão da morte para dar-nos a sua vida, que vence o mal, o egoísmo e a morte. Jesus, também nesta noite, dá-se-nos na Eucaristia, compartilha o nosso mesmo caminho, faz-se alimento, o verdadeiro alimento que nutre a nossa vida, mesmo nos momentos em que o caminho é difícil, os obstáculos dificultam os nossos passos. E, na Eucaristia, o Senhor faz-nos seguir o Seu caminho: caminho de serviço, de partilha, de entrega e, o pouco que temos, o pouco que somos, se compartilhado, torna-se riqueza, porque o poder de Deus, que é o do Amor, desce à nossa pobreza para a transformar…”

PARA REZAR



HINO DO CORPO E SANGUE DE CRISTO (Vésperas II)

 

Canta, Igreja, o Rei do mundo que se esconde sob os véus;

Canta o sangue tão fecundo, derramado pelos seus,

e o mistério tão profundo de uma virgem, mãe de Deus!

                        

                         Um menino nos foi dado, veio aos servos o Senhor.

                         Foi na terra semeado o seu verbo salvador.

                         Ao partir nos foi deixado, pão da vida, pão de amor.

 

Celebrando a despedida, com os doze Ele ceou,

Toda a Páscoa foi cumprida, novo rito inaugurou.

E seu corpo, pão da vida, aos irmãos Ele entregou.

 

Cristo, o Verbo omnipotente, deu-nos nova refeição:

Faz-se carne realmente o que deixa de ser pão.

E o vinho é sangue ardente: vence a fé, gosto e visão.

 

Ao divino Sacramento inclinados adoremos,

Pois do Antigo Testamento a promessa recebemos,

E em perfeito cumprimento já presente aqui a temos.

 

Por tão nova realidade da divina Eucaristia,

À Santíssima Trindade dêmos graças cada dia,

Arda a fé e a caridade em pleníssima harmonia.

Amém.

SANTOS POPULARES



SÃO MARCELINO CHAMPAGNAT

Marcelino nasceu no dia 20 de Maio de 1789, em Marlhes, aldeia de montanha, no Centro-Leste da França. A Revolução Francesa acabava de estourar. Era o nono filho de uma família cristã. A sua educação é essencialmente familiar. A sua mãe e uma sua tia religiosa, que tinha sido expulsa do convento, despertam nele uma fé sólida e uma profunda devoção a Maria. O seu pai, agricultor e comerciante, possuía instrução acima da média; aberto às ideias novas, desempenhou um papel político na aldeia e na região. Transmitiu a Marcelino a habilidade para os trabalhos manuais, o gosto pelo trabalho, o sentido das responsabilidades e a abertura às ideias novas.
Quando Marcelino tinha 14 anos, recebeu a visita de um padre que o ajuda a descobrir que Deus o chamava para o sacerdócio. Quando Marcelino - que não tinha quase nenhuma escolaridade – começou a estudar, "porque Deus assim o quer!", todos, à sua volta, procuram dissuadi-lo. Os anos difíceis do Seminário Menor de Verrières (1805-1813) são para ele uma etapa de verdadeiro crescimento humano e espiritual. No Seminário Maior de Lião, tem por colegas João Maria Vianney, futuro cura d'Ars, e João Cláudio Colin, que será o fundador dos Padres Maristas. Junta-se a um grupo de seminaristas que projectava fundar uma Congregação - que abrangesse padres, religiosas e uma Ordem Terceira - com o nome de Maria: a "Sociedade de Maria". O seu objectivo seria cristianizar a sociedade. Impressionado pelo abandono cultural e espiritual das crianças do mundo rural, Marcelino sentiu a urgência de incluir, nessa Congregação, Irmãos para a educação cristã da juventude: "Não posso ver uma criança sem sentir o desejo de fazer-lhe compreender quanto Jesus Cristo a ama". No dia seguinte à sua ordenação (a 22 de Julho de 1816), esses novos sacerdotes vão consagrar-se a Maria, no Santuário de Nossa Senhora de Fourvière, colocando seu projecto sob a sua protecção. Marcelino foi enviado como coadjutor na paróquia de Lã Valla. A visita aos doentes, a catequese das crianças, o atendimento aos pobres, o acompanhamento da vida cristã das famílias, são as actividades do seu ministério. A sua pregação simples e directa; a profunda devoção a Maria e seu zelo apostólico marcaram profundamente os paroquianos. A assistência a um adolescente de 17 anos, às portas da morte e sem conhecer Deus, perturbou-o profundamente e apressou-o a executar imediatamente o seu projecto.
No dia 2 de Janeiro de 1817, 6 meses depois da sua chegada a Lã Valla, Marcelino, o jovem coadjutor de 27 anos, reuniu os seus dois primeiros discípulos: a Congregação dos Irmãozinhos de Maria, ou Irmãos Maristas, nasceu na pobreza e humildade, na total confiança em Deus, sob a protecção de Maria. Além de garantir o seu ministério paroquial, cuida da formação dos seus Irmãos, preparando-os para a missão de mestres cristãos, de catequistas, de educadores dos jovens. Apaixonado pelo Reino de Deus, consciente das imensas carências da juventude, Marcelino, educador nato, fez desses jovens, camponeses sem cultura, apóstolos generosos. Sem tardar abriu escolas. Surgiram novas vocações… e a primeira casa, apesar de aumentada pelo próprio Marcelino, tornou-se pequena demais. As dificuldades são numerosas. O clero, em geral, não compreendeu o projecto deste jovem padre, inexperiente e sem recursos. Mas as populações rurais não cessaram de pedir Irmãos para garantir a instrução cristã das crianças. Marcelino e os seus Irmãos participaram na construção da sua nova casa, para abrigar mais de cem pessoas e que recebeu o nome de "Nossa Senhora de l'Hermitage ". Em 1825, livre da função de coadjutor, pôde dedicar-se inteiramente à sua Congregação: à formação e ao acompanhamento espiritual, pedagógico e apostólico dos seus Irmãos; à visita das escolas e à fundação de novas obras.
Marcelino, homem de fé profunda, não cessou de procurar a vontade de Deus na oração e no diálogo com as autoridades religiosas e com os seus Irmãos. Bem consciente das suas limitações, contava apenas com Deus e a protecção de Maria, a "Boa Mãe", o "Recurso Habitual", a "Primeira Superiora". A sua humildade, o seu sentido profundo da presença de Deus, fizeram-lhe superar, com muita paz interior, as numerosas provações. Rezava amiúde o Salmo 126 - "Se o Senhor não constrói a casa" - convencido de que a Congregação dos Irmãos é obra de Deus, obra de Maria. "Tudo a Jesus por Maria, tudo a Maria para Jesus" é sua divisa.
"Tornar Jesus Cristo conhecido e amado" é a missão dos Irmãos. A escola é o meio privilegiado para essa missão de evangelização. Marcelino inculcou nos seus discípulos o respeito, o amor às crianças, a atenção aos mais pobres, aos mais ingratos, aos mais abandonados, especialmente os órfãos. A presença prolongada entre os jovens, a simplicidade, o espírito de família, o amor ao trabalho, o agir em tudo ao jeito de Maria, são os pontos essenciais de sua concepção educativa.
Em 1836, a Igreja reconhece a Sociedade de Maria e confia-lhe a missão da Oceania. Marcelino pronunciou os seus votos como membro da Sociedade de Maria. Enviou três Irmãos com os primeiros Padres Maristas missionários nas ilhas do Pacífico. "Todas as dioceses do mundo entram em nossos planos", escreveu. As providências respeitantes à autorização legal da sua Congregação exigiram dele muito tempo, energia e espírito de fé. Não cessava de repetir: "Quando temos Deus a nosso favor, quando depositamos nele as nossas esperanças, nada é impossível". A doença prevalece sobre a sua robusta constituição. Esgotado pelo trabalho, morreu aos 51 anos de idade, no dia 6 de junho de 1840, deixando aos seus Irmãos esta mensagem: "Que haja entre vós um só coração e um só espírito! Que se possa dizer dos Irmãozinhos de Maria como dos primeiros cristãos: 'Vejam como eles se amam!'".

Marcelino Champagnat foi beatificado pelo Papa Pio XII, no dia 29 de Maio de 1955 e canonizado pelo Papa João Paulo II, no dia 18 de Abril de 1999, na Praça de São Pedro, Roma. A sua memória litúrgica faz-se no dia 6 de Junho.