PALAVRA COM SENTIDO

PALAVRA COM SENTIDO

“…Soltai brados de alegria… Fazei ouvir os vossos louvores…” (cf. Jeremias 31, 7)

O convite à alegria é permanente, na Palavra do Senhor. A alegria nasce da fé no Senhor que salva o seu povo; é fermento de esperança, na tristeza que envolve a vida; é testemunho do amor que se verga sob o peso da cruz; é proclamação da verdade que nos liberta. O desafio da alegria afronta o ódio, a vingança, a marginalidade, a violência, porque é criador de unidade, de comunhão, de festa, de encontro e de paz… A verdadeira alegria: aquela que vem de Deus e anima a nossa acção missionária. Por ela, somos convidados a louvar e a agradecer as maravilhas que Deus faz em nós e, por nós, no meio do mundo. Cantar a alegria da fé, do amor incondicional, da vida doada em serviço por amor, da fraternidade que construímos na harmonia das palavras e na beleza dos gestos, da esperança que destrói muros e lança pontes de solidariedade e de perdão. Acolher a alegria de Jesus presente no meio de nós…

sábado, 22 de junho de 2013

FESTA DO COMPROMISSO



Os jovens do 9º ano da catequese da Igreja Matriz celebraram - neste Sábado, 22 de Junho -  a sua Festa do Compromisso. No Evangelho da Missa, Jesus chamou-os a responder à Sua pergunta: “E vós, quem dizeis que Eu sou?” Reconhecer Jesus como Messias Salvador é comprometer-se com Ele, vivendo os Seus ensinamentos e praticando as obras de fé que Ele exige. Com esta Festa, estes jovens quiseram anunciar que estão dispostos a amar Jesus e os outros; a viver a sua vida seguindo os critérios do Evangelho; a celebrar e a professar a sua Fé no Deus Vivo, revelado por Jesus. Esperamos que, ao longo da vida, possam afirmar, com toda a convicção, como Pedro: “Jesus, és o Messias de Deus”, e cresçam, cada vez mais, na Fé, para que a sua vida seja autêntica aos olhos de Deus e verdadeiro testemunho para a comunidade. 

CATEQUESE: MATRÍCULAS



As crianças que completam seis anos de idade até 31 de Dezembro podem ser matriculadas na Catequese. Na Igreja Matriz, as inscrições realizam-se no dia 6 de Julho, das 10,00 às 12,00 e das 16,00 às 18,00. Os pais ou encarregados de educação devem apresentar a certidão de nascimento das crianças e saber a data e o local de Baptismo. As outras crianças e jovens que já frequentam a catequese da Igreja Matriz devem fazer a renovação da sua matrícula, junto do seu catequista, até ao fim do mês de Junho. No acto da inscrição/renovação, as famílias devem colaborar com 5,00 € para despesas da catequese.

PALAVRA DO SANTO PADRE FRANCISCO


- na audiência-geral de 19 de Junho, na Praça de São Pedro

“…A Igreja é o Corpo de Cristo, que é a sua cabeça. Como o corpo de uma pessoa não sobrevive separado da cabeça, assim nós temos de permanecer unidos a Cristo, permitindo-Lhe que actue em nós, que a sua Palavra nos guie e a sua presença eucarística nos alimente e vivifique. A imagem da Igreja como Corpo de Cristo ajuda-nos a ver outro aspecto: há nela uma grande variedade de tarefas e funções, mas todas estão interligadas e concorrem para formar um único corpo vivo, profundamente unido a Cristo. Todos devemos fixar isto: fazer parte da Igreja significa estar unido a Cristo e receber d’Ele a vida divina que nos faz viver como cristãos; significa permanecer unido com o Papa e os Bispos que são instrumentos de unidade e comunhão; significa ainda aprender a superar individualismos e divisões, a entender-nos melhor, a harmonizar as diferenças e riquezas de cada um. Para o corpo sobreviver, os membros devem estar unidos! A unidade é superior aos conflitos…”

 

- na homilia da missa de Quinta-Feira, na Casa de Santa Marta

"A quem devo rezar? Ao Deus Todo-Poderoso? Demasiado distante. Ah, isso eu não sinto. E nem mesmo Jesus o sentia. A quem devo rezar? Ao "deus cósmico"? Um pouco habitual, nestes dias, não é? ... Rezar ao "deus cósmico", não! Esta modalidade politeísta que nos vem com a cultura light ...Não.  Tu deves rezar ao Pai! É uma palavra forte, "Pai". Deves rezar àquele que te criou, que te deu a vida. Não dizemos ‘a todos’: a todos é demasiado anónimo. A ti. A mim. E também àquele que te acompanha no teu caminho. Deus conhece toda a tua vida. Tudo: o que é bom e o que não é tão bom. Conhece tudo. Se não começarmos a oração com esta palavra, pronunciada não pelos lábios, mas pelo coração, não podemos rezar como cristãos… Pai é uma palavra forte que abre muitas portas… Nós temos um Pai muito perto de nós ( não é verdade?) que nos abraça... Todas as ânsias e preocupações que possamos ter, deixemo-las ao Pai: Ele sabe do que precisamos. Mas, que Pai?... Pai meu? Não!... Nosso Pai! Porque eu não sou filho único, nenhum de nós, e se eu não posso ser irmão, dificilmente poderei tornar-me filho deste Pai, porque ele é o pai de todos. Meu, com certeza!... mas também dos outros, dos meus irmãos. E se eu não estou em paz com os meus irmãos, não lhe posso dizer "Pai". Assim se explica o facto de que, depois de nos ter ensinado o Pai-Nosso, Jesus salienta que, se nós não perdoarmos aos outros, também o Pai não perdoará as nossas culpas. É tão difícil perdoar aos outros… é realmente difícil, porque nós sempre temos aquele pesar, dentro, no coração. E pensamos: "Fizeste-me isto, espera um pouco...já vais ver como é!...”  "Oh não, não se pode rezar com inimigos no coração, com irmãos desavindos e inimigos no coração: Não! não se pode rezar. Isto é difícil: sim, é difícil, não é fácil. "Pai, eu não posso dizer Pai, não consigo”. É verdade: eu entendo isso. "Eu não posso dizer nosso, porque este me fez isto e isto e ..." não se pode! "Estes devem ir para o inferno, não é?, não são dos meus!”. É verdade, não é fácil. Mas Jesus prometeu-nos o Espírito Santo: é Ele que nos ensina, a partir de dentro do coração, como dizer 'Pai' e como dizer 'nosso'. Peçamos hoje ao Espírito Santo para que nos ensine a dizer "Pai" e a poder dizer 'nosso', fazendo a paz com todos os nossos inimigos".

PARA REZAR


SALMO 63

Senhor, sois o meu Deus: desde a aurora Vos procuro.
A minha alma tem sede de Vós.
Por Vós suspiro,
como terra árida, sequiosa, sem água.

Quero contemplar-Vos no santuário,
para ver o vosso poder e a vossa glória.
A vossa graça vale mais que a vida:
por isso os meus lábios hão-de cantar-Vos louvores.

Assim Vos bendirei toda a minha vida
e em vosso louvor levantarei as mãos.
Serei saciado com saborosos manjares
e com vozes de júbilo Vos louvarei.

Porque Vos tornastes o meu refúgio,
exulto à sombra das vossas asas.
Unido a Vós estou, Senhor,
a vossa mão me serve de amparo.

SANTOS POPULARES



SANTO IRENEU DE LYON

- na catequese de Bento XVI, audiência-geral de 28 de Março de 2007
“…Nas catequeses sobre as grandes figuras da Igreja dos primeiros séculos, chegamos hoje à personalidade eminente de Santo Ireneu de Lyon. As notícias biográficas vêm-nos do seu próprio testemunho, chegado até nós graças a Eusébio, no seu quinto livro da «História eclesiástica». Ireneu nasceu, com toda a probabilidade, em Esmirna (na Turquia), entre os anos 135 e 140. Na sua juventude, foi aluno do Bispo Policarpo, que tinha sido discípulo do Apóstolo João. Não sabemos quando se transferiu da Ásia Menor para a Gália, mas a mudança deve ter coincidido com os primeiros desenvolvimentos da comunidade cristã de Lyon. No ano 177, encontramos Irineu no colégio dos presbíteros de Lyon. Precisamente nesse ano, foi enviado a Roma para levar uma carta da comunidade de Lyon ao Papa Eleutério. Esta missão a Roma evitou a Ireneu a perseguição de Marco Aurélio, em que foram mortos, pelo menos, 48 mártires, entre os quais se encontrava o próprio bispo de Lyon, Potino, de noventa anos, falecido por causa dos maus tratos recebidos na prisão. Por causa disto, no seu regresso, Ireneu foi eleito bispo da cidade. O novo pastor dedicou-se totalmente ao ministério episcopal, que terminou por volta dos anos 202-203, talvez com o seu martírio. Ireneu foi, antes de tudo, um homem de fé e um pastor. Do Bom Pastor teve a prudência, a riqueza de doutrina, o ardor missionário. Como escritor, buscou um duplo objectivo: defender a verdadeira doutrina dos assaltos dos hereges e expor, com clareza, a verdade da fé. A estes dois objectivos respondem, exactamente, as duas obras que nos restam dele: os cinco livros «Contra as heresias» e «A exposição da pregação apostólica», que pode ser considerada, também, como o «catecismo da doutrina cristã» mais antigo. Em definitivo, Ireneu foi o campeão da luta contra as heresias. A Igreja do século II estava ameaçada pela «gnose», uma doutrina que afirmava que a fé ensinada pela Igreja não era mais do que um simbolismo para os simples, pois estes não são capazes de compreender coisas difíceis; pelo contrário, os iniciados, os intelectuais — chamados «gnósticos» — poderiam compreender o que se escondia detrás destes símbolos e, deste modo, formariam um cristianismo de elite, intelectualista. Obviamente, esse cristianismo intelectualista fragmenta-se, cada vez mais, em diferentes correntes, com pensamentos estranhos e extravagantes, mas atraentes para muitas pessoas. Um elemento comum destas diferentes correntes era o dualismo, ou seja, negava-se a fé no único Deus, Pai de todos, criador e salvador do homem e do mundo. Para explicar o mal no mundo, afirmavam a existência, junto do Deus bom, de um princípio negativo ( um deus mau). Este princípio negativo teria produzido as coisas materiais, a matéria. Fundamentando-se firmemente na doutrina bíblica da criação, Ireneu refuta o dualismo e o pensamento gnóstico, que desvalorizam as realidades corporais. Reivindica, com decisão, a originária santidade da matéria, do corpo, da carne, em igualdade com a do espírito. Mas, a sua obra vai muito mais além da refutação da heresia. Pode dizer-se, de facto, que Ireneu foi o primeiro grande teólogo da Igreja: criou a teologia sistemática; ele mesmo fala do sistema da teologia, ou seja, da coerência interna de toda a fé. (…) O Evangelho pregado por Ireneu foi o que recebeu de Policarpo, bispo de Esmirna; e o Evangelho de Policarpo remonta ao Apóstolo João, de quem Policarpo foi discípulo. Assim, o verdadeiro ensinamento não é o inventado pelos intelectuais, superando a fé simples da Igreja. O verdadeiro Evangelho é o ministrado pelos bispos que o receberam graças a uma corrente ininterrupta da revelação de Deus. Deste modo, diz Ireneu, não há uma doutrina secreta por detrás do Credo comum da Igreja. Não há um cristianismo superior para intelectuais. A fé confessada publicamente pela Igreja é a fé comum de todos. Só é apostólica esta fé se procede dos apóstolos, ou seja, de Jesus e de Deus. Ao aderir a esta fé, transmitida publicamente pelos apóstolos a seus sucessores, os cristãos têm de observar o que dizem os bispos, têm de considerar especificamente o ensinamento da Igreja de Roma, preeminente e antiquíssimo. Esta Igreja, por causa de sua antiguidade, tem a maior apostolicidade: de facto, tem a sua origem nas colunas do colégio apostólico, Pedro e Paulo. Todas as Igrejas têm de estar em harmonia com a igreja de Roma, reconhecendo nela a medida da verdadeira tradição apostólica, da única fé comum da Igreja. Com estes argumentos, resumidos aqui de maneira sumamente breve, Ireneu refuta, nos seus fundamentos, as pretensões desses gnósticos, desses intelectuais: antes de tudo, não possuem uma verdade que seria superior à da fé comum, pois o que dizem não é de origem apostólica, eles o inventaram; em segundo lugar, a verdade e a salvação não são privilégio e monopólio de alguns, mas todos as podem alcançar através da pregação dos sucessores dos apóstolos e, sobretudo, do bispo de Roma. Em particular, ao polemizar com o carácter «secreto» da tradição gnóstica, e ao constatar as suas múltiplas conclusões contraditórias entre si, Ireneu preocupou-se por ilustrar o conceito genuíno de Tradição apostólica, que podemos resumir em três pontos.
 A Tradição apostólica é «pública», não é privada ou secreta.(…)
- A Tradição apostólica é «única». (…)Já nesse momento — encontramo-nos no ano 200 — pode-se ver a universalidade da Igreja, a sua catolicidade e a força unificadora da verdade, que une estas realidades tão diferentes, da Alemanha à Espanha, da Itália ao Egito e à Líbia, na comum verdade que Cristo nos revelou.
- Por último, a Tradição apostólica é, como ele diz em grego - a língua na qual escreveu seu livro -  «pneumática», ou seja, espiritual, guiada pelo Espírito Santo: em grego diz-se «pneuma». (…) Onde está a Igreja, aí está o Espírito de Deus; e onde está o Espírito de Deus, aí está a Igreja e toda graça»
Como se pode ver, Ireneu não se limitou a definir o conceito de Tradição. A sua tradição, a Tradição ininterrupta, não é tradicionalismo, pois essa Tradição sempre está internamente vivificada pelo Espírito Santo, que a faz viver de novo, faz que possa ser interpretada e compreendida na vitalidade da Igreja. Segundo o seu ensinamento, a fé da Igreja deve ser transmitida de maneira que apareça como tem de ser, ou seja, «pública», «única», «pneumática», «espiritual». A partir de cada uma destas características, pode-se chegar a um fecundo discernimento sobre a autêntica transmissão da fé no hoje da Igreja. Mas em geral, segundo a doutrina de Ireneu, a dignidade do homem, corpo e alma, está firmemente ancorada na criação divina, na imagem de Cristo e na obra permanente de santificação do Espírito. Esta doutrina é como uma «senda mestra» para esclarecer, a todas as pessoas de boa vontade, o objectivo e os confins do diálogo sobre os valores, e para dar um impulso sempre novo à acção missionária da Igreja, à força da verdade que é a fonte de todos os autênticos valores do mundo…”
A memória litúrgica de Santo Ireneu de Lyon faz-se no dia 28 de Junho

 

 

domingo, 16 de junho de 2013

FESTA DA VIDA




Neste Sábado, dia 15 de Junho, o 8º ano da catequese da Igreja Matriz celebrou a Festa da Vida. No dia em que a liturgia aponta a urgência de vida nova, no acolher o perdão da bondade e da misericórdia do Senhor, estes jovens comprometeram-se a dignificar a vida com a verdade e transparência que a fé exige. Assumindo o risco da Cruz, querem identificar-se com Jesus, anunciando a alegria do Evangelho no mundo tão dilacerado por tormentas, divisões, corrupção, ódios, desonestidades, indiferenças. A comunidade vive com espectativa este compromisso de Vida para Cristo e para os irmãos.

COLABORADORES/ZELADORAS DA IGREJA MATRIZ EM CONVÍVIO




No dia 10 de Junho, alguns colaboradores e zeladoras da Igreja Matriz fizeram um pequeno passeio de convívio. Com partida às 8 horas da manhã, rumaram a Viana do Castelo onde, pelas 10 horas, celebraram a Eucaristia, no Mosteiro de Santa Teresinha, das monjas carmelitas. Num ambiente festivo, o grupo rezou por aquelas irmãs de clausura, pela paz e harmonia no nosso país, confiando-se à protecção e guia do Santo Anjo da Guarda. No fim, todos puderam conversar, um pouco, com as irmãs, encomendando-se às suas orações. O almoço realizou-se em Ponte de Lima, com os sabores tradicionais daquela Vila minhota. A tarde foi de tempo livre para visitar e apreciar a beleza que caracteriza Ponte de Lima. Agradecemos aos que tiveram esta iniciativa e, também, a colaboração do Centro Social Paroquial que, gentilmente, cedeu o autocarro da Instituição.

PALAVRA DO SANTO PADRE FRANCISCO



- na audiência-geral de 5 de Junho, na Praça de São Pedro

“…Quando falamos de meio ambiente, da criação, vêm ao meu pensamento as primeiras páginas da Bíblia, do Livro do Génesis, onde se afirma que Deus colocou o homem e a mulher na terra, para que a cultivassem e conservassem (cf. 2, 15). E em mim surgem estas perguntas: O que quer dizer cultivar e conservar a terra? Estamos verdadeiramente a cultivar e a conservar a criação? Ou estamos a explorá-la e a descuidá-la? O verbo «cultivar» faz vir à minha mente o cuidado que o agricultor tem pela sua terra, a fim de que produza fruto e este seja compartilhado: quanta atenção, paixão e dedicação! Cultivar e conservar a criação é uma indicação de Deus, dada não só no início da história, mas a cada um de nós; faz parte do seu desígnio; significa fazer com que o mundo se desenvolva com responsabilidade, transformá-lo para que seja um jardim, um lugar habitável para todos. Bento XVI recordou, várias vezes, que esta tarefa, que nos foi confiada por Deus Criador, requer a compreensão do ritmo e da lógica da criação. Nós, ao contrário, somos frequentemente levados pela soberba do domínio, da posse, da manipulação e da exploração; não a «conservamos», não a respeitamos e não a consideramos como um dom gratuito do qual cuidar. Estamos a perder a atitude do encanto, da contemplação, da escuta da criação; e, assim, já não conseguimos entrever nela aquilo que Bento XVI define como «o ritmo da história de amor de Deus com o homem». Por que acontece isto? Porque pensamos e vivemos de modo horizontal; afastamo-nos de Deus e não lemos os Seus sinais. Mas, o «cultivar e conservar» não abrange apenas a relação entre nós e o meio ambiente, entre o homem e a criação, mas refere-se, inclusive, aos relacionamentos humanos. Os Papas falaram de ecologia humana, estreitamente ligada à ecologia ambiental. Estamos a viver um momento de crise; vemo-lo no meio ambiente, mas principalmente no homem. A pessoa humana está em perigo: isto é certo, hoje a pessoa humana está em perigo; daí, a urgência da ecologia humana! E o perigo é grave, porque a causa do problema não é superficial, mas profunda: não é só uma questão de economia, mas de ética e de antropologia. A Igreja ressaltou isto diversas vezes; e muitos dizem: sim, é justo, é verdade... mas o sistema continua como antes, porque o que domina são as dinâmicas da economia e das finanças carentes de ética. O que manda hoje não é o homem, mas o dinheiro, é o dinheiro que manda! E Deus, nosso Pai, confiou a tarefa de conservar a terra não o dinheiro, mas a nós: aos homens e às mulheres; somos nós que temos esta tarefa! No entanto, homens e mulheres são sacrificados aos ídolos do lucro e do consumo: é a «cultura do descarte». Se um computador avaria, é uma tragédia; mas a pobreza, as necessidades e os dramas de tantas pessoas acabam por ser normal. Se, numa noite de inverno, aqui perto na Rua Ottaviano ( rua que liga a estação central dos caminhos de ferro à Praça de São Pedro – nota da redacção), por exemplo, uma pessoa morre, isso não é notícia. Se em muitas regiões do mundo há crianças que não têm que comer, isso não é notícia, parece normal. Não pode ser assim! E, no entanto, estas situações entram na normalidade: que algumas pessoas desabrigadas morram de frio na rua, isso não é notícia. Ao contrário, a diminuição de dez pontos na bolsa de valores de algumas cidades constitui uma tragédia. Alguém que morre não é notícia, mas se a bolsa de valores diminui dez pontos é uma tragédia! Assim, as pessoas são descartadas, como se fossem lixo…”

PARA REZAR



HINO DE VÉSPERAS – SEGUNDA-FEIRA I

 

Fonte de luz, ó Deus, sumo esplendor,

Ouvi benignamente as nossas preces.

Vós que venceis as trevas do pecado,

Iluminai-nos.

 

Chegámos ao final de mais um dia,

Em que nos assistiu a vossa bênção.

Por isso nós, Senhor, Vos damos graças

A toda a hora.

 

A penumbra da tarde desce lenta,

Caem sombras da noite sobre a terra.

Vós, Senhor, sois o sol da vida eterna,

                Luz sem ocaso.

 

Reconhecemos, como pecadores,

Que é preciso emendar as nossas faltas.

Em Vós confia o nosso coração

E a Vós se entrega.

 

Honra e louvor a Vós, Senhor da glória,

E ao vosso amado Filho, o Salvador,

Honra e glória ao Espírito divino,

               Por todo o sempre.

SANTOS POPULARES



SÃO PAULINO DE NOLA

- na catequese de Bento XVI, audiência-geral de 12 de Dezembro de 2007

 

“ …O Padre da Igreja a que hoje dedicamos a nossa atenção é São Paulino de Nola. Contemporâneo de Santo Agostinho, ao qual esteve ligado por uma profunda amizade, Paulino exerceu o seu ministério na Campânia, em Nola, onde foi monge, depois presbítero e bispo. Era originário de Aquitânia, no sul da França, mais precisamente de Bordéus, onde tinha nascido de uma família influente. Recebeu uma requintada educação literária, tendo como mestre o poeta Ausónio. Afastou-se da sua terra, pela primeira vez, para seguir uma precoce carreira política, desempenhando, ainda jovem, o papel de governador da Campânia. Neste cargo público, foram admiradas as suas capacidades de sabedoria e de mansidão. Neste período, a graça fez germinar no seu coração a semente da conversão. O estímulo veio da fé simples e intensa com que o povo honrava o túmulo de um Santo, o mártir Félix, no Santuário da actual Cimitile. Como responsável da vida pública, Paulino interessou-se por este Santuário e fez construir um hospício para os pobres e uma estrada para facilitar o acesso aos numerosos peregrinos. No seu empenho por edificar a cidade terrena, ele ia descobrindo o caminho rumo à cidade celeste. O encontro com Cristo foi o ponto de chegada de um caminho trabalhoso, cheio de provações. Circunstâncias dolorosas, começando pela falta de apoio das autoridades políticas, obrigaram-no a viver a caducidade das coisas. Quando chegou à fé, escreveu: "O homem sem Cristo é pó e sombra". Desejoso de esclarecer o sentido da existência, foi a Milão para frequentar a escola de Ambrósio, depois Santo Ambrósio. Completou a sua formação cristã na terra natal, onde recebeu o baptismo das mãos do Bispo Delfim, de Bordéus. No seu percurso de fé, descobre a grandeza do matrimónio. Casou com Terásia, uma fidalga piedosa de Barcelona, da qual teve um filho. Teria continuado a viver como bom leigo cristão, se a morte do filho - alguns dias depois do nascimento - o não tivesse abalado, mostrando-lhe que era outro o desígnio de Deus para a sua vida. De facto, sentiu-se chamado a devotar-se a Cristo numa vida ascética rigorosa. Em total acordo com a esposa, vendeu os seus bens em benefício dos pobres e, juntamente com ela, deixou Aquitânia indo viver em Nola. Arranjaram casa ao lado da Basílica do protector da cidade: São Félix. Aqui viveram em casta fraternidade, segundo uma forma de vida à qual outros se uniram. O ritmo comunitário era tipicamente monástico, mas Paulino, que em Barcelona tinha sido ordenado presbítero, começou a ocupar-se também do ministério sacerdotal em favor dos peregrinos. Isto proporcionou-lhe a simpatia e a confiança da comunidade cristã que, com a morte do Bispo, por volta do ano 409, o escolheu como sucessor na cátedra de Nola. A sua acção pastoral intensificou-se, caracterizando-se por uma atenção particular pelos pobres. Deixou a imagem de um autêntico Pastor da caridade, como o descreveu São Gregório Magno, no capítulo III dos seus Diálogos, onde Paulino é esculpido no gesto heróico de se oferecer prisioneiro no lugar do filho de uma viúva. O episódio é historicamente discutível, mas permanece a figura de um Bispo de grande coração, que soube estar próximo do seu povo nas tristes situações das invasões bárbaras.
A conversão de Paulino impressionou os contemporâneos. O seu mestre Ausónio, um poeta pagão, sentiu-se "traído", e dirigiu-lhe palavras ásperas, reprovando-lhe por um lado o "desprezo" - julgado desatinado - dos bens materiais, e por outro o abandono da vocação de literato. Paulino retorquiu que o seu doar aos pobres não significa desprezo pelos bens terrenos, mas ao contrário uma sua valorização para a finalidade mais nobre da caridade. Quanto aos compromissos literários, aquilo que Paulino tinha abandonado não era o talento poético, que teria continuado a cultivar, mas as fórmulas poéticas inspiradas na mitologia e nos ideais pagãos. Uma nova estética governa a sua sensibilidade: era a beleza do Deus encarnado, crucificado e ressuscitado, do qual ele se fazia agora cantor. Na realidade, não tinha deixado a poesia, mas tirava do Evangelho a sua inspiração como diz neste verso: "Para mim a única arte é a fé, e Cristo a minha poesia". Os seus poemas são cânticos de fé e de amor, nos quais a história quotidiana dos pequenos e grandes acontecimentos é vista como história de salvação, como história de Deus connosco. Muitas destas composições, as chamadas "Carmes natalícias", estão ligadas à festa do mártir Félix, que ele tinha elegido como celeste Padroeiro. Recordando São Félix, ele pretendia glorificar Cristo, estando convencido de que a intercessão do Santo lhe tivesse obtido a graça da conversão: "Na tua luz, jubiloso, amei Cristo". Ampliou o espaço do Santuário com uma nova basílica, que fez decorar de modo que as pinturas, ilustradas com as suas catequeses, constituíssem para os peregrinos uma catequese viva. Eis como ele explicava o seu projecto numa poesia dedicada a outro grande catequista - São Nicetas de Remesiana - enquanto o acompanhava nas visitas às suas Basílicas: "Agora desejo que tu contemples as pinturas que se desenrolam, em grande série, nas paredes dos pórticos pintados... Pareceu-nos ser uma acção útil representar com a pintura temas sagrados, em toda a casa de Félix, na esperança de que, à vista destas imagens, a figura pintada suscite o interesse das mentes admiradas dos camponeses". Ainda hoje se podem admirar os vestígios destas realizações, que situam justamente o santo de Nola entre as figuras de referência da arqueologia cristã.
A sua vida transcorria na pobreza, na oração e totalmente imersa na "lectio divina". A Escritura lida, meditada, assimilada, era a luz sob cujo raio o Santo de Nola perscrutava a sua alma na propensão para a perfeição… Ao lado da ascese e da Palavra de Deus, a caridade: na comunidade monástica os pobres sentiam-se em casa. A eles, Paulino não se limitava a dar esmola: acolhia-os como se fossem o próprio Cristo. Tinha reservado para eles uma parte do mosteiro e, fazendo assim, parecia-lhe não que dava, mas que recebia, no intercâmbio de dons entre o acolhimento oferecido e a gratidão orante dos assistidos. Chamava aos pobres seus  "padroeiros" e, observando que estavam alojados no andar inferior, gostava de dizer que a sua oração servia de fundamento para a sua casa.
São Paulino não escreveu tratados de teologia, mas os seus poemas e o denso epistolário ( conjunto das suas cartas) são ricos de uma teologia vivida, embebida da palavra de Deus, constantemente perscrutada como luz para a vida. Em particular, sobressai o sentido da Igreja como mistério de unidade. A comunhão era por ele vivida sobretudo através de uma marcada prática da amizade espiritual... Impressiona a afabilidade com que o Santo de Nola canta a própria amizade, como manifestação do único corpo de Cristo, animado pelo Espírito Santo. Eis um trecho significativo, no início da correspondência entre os dois amigos (São Paulino e Santo Agostinho): "Não devemos admirar-nos se, embora distantes, estamos presentes um para o outro e sem nos termos conhecido conhecemo-nos, porque somos membros de um só corpo, temos uma só cabeça, somos inundados por uma só graça, vivemos de um só pão, percorremos o mesmo caminho, habitamos na mesma casa". Como se vê, uma lindíssima descrição do que significa ser cristão, ser Corpo de Cristo, viver na comunhão da Igreja. A teologia do nosso tempo encontrou precisamente no conceito de comunhão a chave de abordagem do mistério da Igreja. O testemunho de São Paulino de Nola ajuda-nos a sentir a Igreja - como no-la apresenta o Concílio Vaticano II - como sacramento da união íntima com Deus, da unidade de todos nós e, por fim, de unidade de todo o género humano…”
Paulino de Nola faleceu no dia 22 de Junho do ano de 431 por isso, a sua memória litúrgica faz-se no dia 22 de Junho.