PALAVRA COM SENTIDO

PALAVRA COM SENTIDO “… O Senhor ressuscitou, verdadeiramente!…” (cf. Antífona do Domingo de Páscoa) Hoje ecoa em todo o mundo o anúncio da Igreja: «Jesus Cristo ressuscitou»; «ressuscitou verdadeiramente»! Como uma nova chama, se acendeu esta Boa Nova na noite: a noite dum mundo já a braços com desafios epocais e agora oprimido pela pandemia, que coloca à dura prova a nossa grande família humana. Nesta noite, ressoou a voz da Igreja: «Cristo, minha esperança, ressuscitou!» (Sequência da Páscoa). É um «contágio» diferente, que se transmite de coração a coração, porque todo o coração humano aguarda esta Boa Nova. É o contágio da esperança: «Cristo, minha esperança, ressuscitou!» Não se trata duma fórmula mágica, que faça desvanecerem-se os problemas. Não! A ressurreição de Cristo não é isso. Mas é a vitória do amor sobre a raiz do mal, uma vitória que não «salta» por cima do sofrimento e da morte, mas atravessa-os abrindo uma estrada no abismo, transformando o mal em bem: marca exclusiva do poder de Deus. O Ressuscitado é o Crucificado; e não outra pessoa. Indeléveis no seu corpo glorioso, traz as chagas: feridas que se tornaram frestas de esperança. Para Ele, voltamos o nosso olhar para que sare as feridas da humanidade atribulada. Hoje penso sobretudo em quantos foram atingidos diretamente pelo coronavírus: os doentes, os que morreram e os familiares que choram a partida dos seus queridos e por vezes sem conseguir sequer dizer-lhes o último adeus. O Senhor da vida acolha junto de Si no seu Reino os falecidos e dê conforto e esperança a quem ainda está na prova, especialmente aos idosos e às pessoas sem ninguém. Não deixe faltar a sua consolação e os auxílios necessários a quem se encontra em condições de particular vulnerabilidade, como aqueles que trabalham nas casas de cura ou vivem nos quartéis e nas prisões. Para muitos, é uma Páscoa de solidão, vivida entre lutos e tantos incómodos que a pandemia está a causar, desde os sofrimentos físicos até aos problemas económicos. Esta epidemia não nos privou apenas dos afetos, mas também da possibilidade de recorrer pessoalmente à consolação que brota dos Sacramentos, especialmente da Eucaristia e da Reconciliação. Em muitos países, não foi possível aceder a eles, mas o Senhor não nos deixou sozinhos! Permanecendo unidos na oração, temos a certeza de que Ele colocou sobre nós a sua mão (cf. Sal 139/138, 5), repetindo a cada um com veemência: Não tenhas medo! «Ressuscitei e estou contigo para sempre» (cf. Missal Romano). Jesus, nossa Páscoa, dê força e esperança aos médicos e enfermeiros, que por todo o lado oferecem um testemunho de solicitude e amor ao próximo até ao extremo das forças e, por vezes, até ao sacrifício da própria saúde. Para eles, bem como para quantos trabalham assiduamente para garantir os serviços essenciais necessários à convivência civil, para as forças da ordem e os militares que em muitos países contribuíram para aliviar as dificuldades e tribulações da população, vai a nossa saudação afetuosa juntamente com a nossa gratidão. Nestas semanas, alterou-se improvisamente a vida de milhões de pessoas. Para muitos, ficar em casa foi uma ocasião para refletir, parar os ritmos frenéticos da vida, permanecer com os próprios familiares e desfrutar da sua companhia. Mas, para muitos outros, é também um momento de preocupação pelo futuro que se apresenta incerto, pelo emprego que se corre o risco de perder e pelas outras consequências que acarreta a atual crise. Encorajo todas as pessoas que detêm responsabilidades políticas a trabalhar ativamente em prol do bem comum dos cidadãos, fornecendo os meios e instrumentos necessários para permitir a todos que levem uma vida digna e favorecer – logo que as circunstâncias o permitam – a retoma das atividades diárias habituais. Este não é tempo para a indiferença, porque o mundo inteiro está a sofrer e deve sentir-se unido ao enfrentar a pandemia. Jesus ressuscitado dê esperança a todos os pobres, a quantos vivem nas periferias, aos refugiados e aos sem abrigo. Não sejam deixados sozinhos estes irmãos e irmãs mais frágeis, que povoam as cidades e as periferias de todas as partes do mundo. Não lhes deixemos faltar os bens de primeira necessidade, mais difíceis de encontrar agora que muitas atividades estão encerradas, bem como os medicamentos e sobretudo a possibilidade duma assistência sanitária adequada. Em consideração das presentes circunstâncias, sejam abrandadas também as sanções internacionais que impedem os países visados de proporcionar apoio adequado aos seus cidadãos e seja permitido a todos os Estados acudir às maiores necessidades do momento atual, reduzindo – se não mesmo perdoando – a dívida que pesa sobre os orçamentos dos mais pobres. Este não é tempo para egoísmos, pois o desafio que enfrentamos nos une a todos e não faz distinção de pessoas. Dentre as muitas áreas do mundo afetadas pelo coronavírus, penso de modo especial na Europa. Depois da II Guerra Mundial, este Continente pôde ressurgir graças a um espírito concreto de solidariedade, que lhe permitiu superar as rivalidades do passado. É muito urgente, sobretudo nas circunstâncias presentes, que tais rivalidades não retomem vigor; antes, pelo contrário, todos se reconheçam como parte duma única família e se apoiem mutuamente. Hoje, à sua frente, a União Europeia tem um desafio epocal, de que dependerá não apenas o futuro dela, mas também o do mundo inteiro. Não se perca esta ocasião para dar nova prova de solidariedade, inclusive recorrendo a soluções inovadoras. Como alternativa, resta apenas o egoísmo dos interesses particulares e a tentação dum regresso ao passado, com o risco de colocar à dura prova a convivência pacífica e o progresso das próximas gerações. Este não é tempo para divisões. Cristo, nossa paz, ilumine a quantos têm responsabilidades nos conflitos, para que tenham a coragem de aderir ao apelo a um cessar-fogo global e imediato em todos os cantos do mundo. Este não é tempo para continuar a fabricar e comercializar armas, gastando somas enormes que deveriam ser usadas para cuidar das pessoas e salvar vidas. Ao contrário, seja o tempo em que finalmente se ponha termo à longa guerra que ensanguentou a amada Síria, ao conflito no Iémen e às tensões no Iraque, bem como no Líbano. Seja este o tempo em que israelitas e palestinianos retomem o diálogo para encontrar uma solução estável e duradoura que permita a ambos os povos viverem em paz. Cessem os sofrimentos da população que vive nas regiões orientais da Ucrânia. Ponha-se termo aos ataques terroristas perpetrados contra tantas pessoas inocentes em vários países da África. Este não é tempo para o esquecimento. A crise que estamos a enfrentar não nos faça esquecer muitas outras emergências que acarretam sofrimentos a tantas pessoas. Que o Senhor da vida Se mostre próximo das populações da Ásia e da África que estão a atravessar graves crises humanitárias, como na Região de Cabo Delgado, no norte de Moçambique. Acalente o coração das inúmeras pessoas refugiadas e deslocadas por causa de guerras, seca e carestia. Proteja os inúmeros migrantes e refugiados, muitos deles crianças, que vivem em condições insuportáveis, especialmente na Líbia e na fronteira entre a Grécia e a Turquia. E não quero esquecer a ilha de Lesbos. Faça com que na Venezuela se chegue a soluções concretas e imediatas, destinadas a permitir a ajuda internacional à população que sofre por causa da grave conjuntura política, socioeconómica e sanitária. Queridos irmãos e irmãs, Verdadeiramente palavras como indiferença, egoísmo, divisão, esquecimento não são as que queremos ouvir neste tempo. Mais, queremos bani-las de todos os tempos! Aquelas parecem prevalecer quando em nós vencem o medo e a morte, isto é, quando não deixamos o Senhor Jesus vencer no nosso coração e na nossa vida. Ele, que já derrotou a morte abrindo-nos a senda da salvação eterna, dissipe as trevas da nossa pobre humanidade e introduza-nos no seu dia glorioso, que não conhece ocaso. Com estas reflexões, gostaria de vos desejar a todos uma Páscoa feliz. (Mensagem do Papa Francisco na Bênção Urbi et Orbe, no Domingo de Páscoa de 2020).

sábado, 27 de julho de 2013

O PAPA NO BRASIL



JORNADA MUNDIAL DA JUVENTUDE 2013

 
- discurso do Papa no Hospital São Francisco – Rio de Janeiro, 24 de Julho

“…Quis Deus que os meus passos, depois do Santuário de Nossa Senhora Aparecida, se dirigissem para um particular santuário do sofrimento humano, que é o Hospital São Francisco de Assis. É bem conhecida a conversão do vosso Santo Patrono: o jovem Francisco abandona riquezas e comodidades do mundo para fazer-se pobre, no meio dos pobres; entende que não são as coisas - o ter, os ídolos do mundo - a verdadeira riqueza, e que estas não dão a verdadeira alegria, mas sim seguir a Cristo e servir aos demais. Talvez seja menos conhecido o momento em que tudo isto se tornou concreto na sua vida: foi quando abraçou um leproso. Aquele irmão sofredor foi «mediador de luz (…) para São Francisco de Assis» (Carta enc. Lumen fidei, 57), porque, em cada irmão e irmã em dificuldade, nós abraçamos a carne sofredora de Cristo. Hoje, neste lugar de luta contra a dependência química, quero abraçar a cada um e cada uma de vós - vós que sois a carne de Cristo - e pedir a Deus que encha de sentido e de esperança segura o vosso caminho e também o meu.
Abraçar. Abraçar. Todos precisamos de aprender a abraçar quem passa necessidade, como São Francisco. Há tantas situações, no Brasil e no mundo, que reclamam atenção, cuidado, amor, como a luta contra a dependência química. Frequentemente, porém, nas nossas sociedades, o que prevalece é o egoísmo. São tantos os “mercadores de morte” que seguem a lógica do poder e do dinheiro a todo o custo! A chaga do tráfico de drogas, que favorece a violência e que semeia a dor e a morte, exige de toda a sociedade um acto de coragem. Não é liberalizando o uso das drogas - como se discute em várias partes da América Latina - que se conseguirá reduzir a difusão e a influência da dependência química. É necessário enfrentar os problemas que estão na raiz do uso das drogas, promovendo uma maior justiça, educando os jovens para os valores que constroem a vida comum, acompanhando quem está em dificuldade e dando esperança no futuro. Precisamos todos de olhar o outro com os olhos de amor de Cristo, aprender a abraçar quem passa necessidade, para expressar solidariedade, afecto e amor. Mas abraçar não é suficiente. Estendamos a mão a quem vive em dificuldade; a quem caiu na escuridão da dependência, talvez sem saber como, e digamos-lhe: “Tu podes levantar-te, podes subir; é exigente, mas é possível, se tu quiseres”. Queridos amigos, queria dizer a cada um de vós, mas sobretudo a tantas pessoas que ainda não tiveram a coragem de empreender o caminho que vós empreendestes: Tu és o protagonista da subida; esta é a condição imprescindível! Tu encontrarás a mão estendida de quem quer ajudar-te, mas ninguém pode fazer a subida no teu lugar. Mas, vós nunca estais sozinhos! A Igreja e muitas pessoas estão solidárias convosco. Olhai em frente com confiança; a travessia é longa e cansativa, mas olhai em frente; existe «um futuro certo, que se coloca numa perspectiva diferente relativamente às propostas ilusórias dos ídolos do mundo, mas que dá novo impulso e nova força à vida de todos os dias» (Carta Encícl. Lumen fidei, 57). A todos vós, quero repetir: Não deixeis que vos roubem a esperança! Não deixeis que vos roubem a esperança! Mas digo também: Não roubemos a esperança. Pelo contrário, tornemo-nos todos portadores de esperança!
No Evangelho, lemos a parábola do Bom Samaritano, que fala de um homem atacado por assaltantes e deixado quase morto, na valeta. As pessoas passam, olham, mas não param; indiferentes seguem o seu caminho: não é problema delas! Quantas vezes, nós dizemos: não é problema meu! Quantas vezes, olhamos para outro lado e fingimos que não vemos. Somente um samaritano, um desconhecido, olha, pára, levanta-o, estende-lhe a mão e cuida dele (cf. Lc 10, 29-35). Queridos amigos, penso que aqui, neste Hospital, se concretiza a parábola do Bom Samaritano. Aqui não há indiferença, mas solicitude. Não há desinteresse, mas amor. A Associação São Francisco e a Rede de Tratamento da Dependência Química ensinam a debruçar-se sobre quem passa por dificuldades, porque vêem nestas pessoas a face de Cristo; porque nelas está a carne de Cristo que sofre. Obrigado a todo o pessoal do serviço médico e auxiliar aqui empenhado! O vosso serviço é precioso! Realizem-no sempre com amor; é um serviço feito a Cristo presente nos irmãos: «Todas as vezes que fizestes isso a um destes mais pequenos, que são meus irmãos, foi a mim que o fizestes» (Mt 25, 40), diz-nos Jesus. E quero repetir a todos vós que lutais contra a dependência química; a vós, familiares, que tendes uma tarefa que nem sempre é fácil: a Igreja não está longe dos esforços que fazeis; Ela acompanha-vos com carinho. O Senhor está ao vosso lado e vos conduz pela mão. Olhai para Ele nos momentos mais duros e Ele vos dará consolação e esperança. E confiai, também, no amor materno de Maria, sua Mãe. Esta manhã, no Santuário da Aparecida, confiei cada um de vós ao seu coração. Onde tivermos uma cruz para carregar, Ela, nossa Mãe, estará sempre ao nosso lado. Deixo-vos nas suas mãos, enquanto, afectuosamente, a todos abençoo. Obrigado.

PARA REZAR





SALMO 138

R./ Quando Vos invoco, sempre me atendeis, Senhor.

De todo o coração, Senhor, eu Vos dou graças,
porque ouvistes as palavras da minha boca.
Na presença dos Anjos hei-de cantar-Vos
e adorar-Vos, voltado para o vosso templo santo.

Hei-de louvar o vosso nome pela vossa bondade e fidelidade,
porque exaltastes acima de tudo o vosso nome e a vossa promessa.
Quando Vos invoquei, me respondestes,
aumentastes a fortaleza da minha alma.

O Senhor é excelso e olha para o humilde,
ao soberbo conhece-o de longe.
No meio da tribulação Vós me conservais a vida,
Vós me ajudais contra os meus inimigos.
 
A vossa mão direita me salvará,
o Senhor completará o que em meu auxílio começou.
Senhor, a vossa bondade é eterna,
não abandoneis a obra das vossas mãos.

 



SANTOS POPULARES



SÃO JOÃO MARIA VIANNEY: O SANTO CURA D’ARS

João Maria Baptista Vianney nasceu no dia 8 de Maio de 1786, na aldeia de Dardilly, ao norte de Lyon, França, pouco antes do início da Revolução Francesa. Os seus pais, Mateus e Maria Vianney, eram de origem humilde, mas cristãos muito fervorosos. Maria Vianney tinha uma grande devoção a Nossa Senhora e, por isso, incluiu o nome de “Maria” no nome do filho.. Este casal teve sete filhos; João era o quarto filho. Foi baptizado no mesmo dia em que nasceu.
Desde os quatro anos, manifestava uma forte inclinação para a oração e um grande amor ao recolhimento: gostava muito de ir à Igreja. Muitas vezes, foi encontrado num canto da casa, no jardim ou no estábulo, a rezar, de joelhos, as orações que lhe tinham ensinado: o Pai-Nosso, a Ave-Maria, etc. Durante os anos da Revolução Francesa, quando a igreja da vila foi fechada pela perseguição religiosa, ele continuava a rezar. Para isso, aproveitava alguma pausa do tempo do seu trabalho - cuidar dos animais juntamente com os seus irmãos - para rezar. No final do dia, em casa, rezava as orações habituais, com os seus pais. Tinha grande apreço pelas obras de caridade e ajudava os pais nos gestos e caridade que faziam em favor dos mais necessitados.
Quando, na sua aldeia, foi aberta a escola, João Maria - já adolescente - frequentou-a durante dois invernos, porque o trabalho do campo não lhe dava outra possibilidade. Aprendeu a ler, a escrever, a contar e a falar francês pois, em sua casa, só se falava o dialecto regional. Quando jovem, ficou doente e passou catorze meses nos hospitais de Lyon e de Roanne; por isso, não pôde inscrever-se para fazer o serviço militar no tempo do império napoleónico. Isso valeu-lhe ter que andar fugido e a viver escondido das autoridades, sempre exposto a grandes perigos.
Desde pequeno, queria ser padre mas esbarrou em dois obstáculos: a pobreza e, sobretudo, a escassa preparação. Em 1813, com vinte anos, entrou no Seminário Santo Irineu, em Lyon. Os cursos que devia frequentar eram dados em latim. Surgiu, de imediato, um grande problema: João Maria não sabia latim; não entendia nada, e nas provas do primeiro mês tirou notas baixa. Foi desclassificado, embora estas notas não fossem definitivas. Procurou, então, entrar na Congregação dos Irmãos das Escolas Cristãs, mas não é admitido pelas mesmas razões. Então, foi para Ecully, para estudar Teologia com o seu amigo, padre Balley. Este ensinou-o, usando a língua Francesa, língua que o jovem conhecia. No final do curso, João Maria fez as provas em Francês, e foi aprovado. Depois disto, voltou para o Seminário. Foi ordenado padre em Grenoble, no dia 13 de Agosto de 1815, com 29 anos de idade, pouco depois da Batalha de Waterloo e quando os austríacos invadiram a região onde morava. A par da natural simplicidade e de uma autêntica humildade, irradiava dele algo superior à inteligência: uma forma mais elevada de ver as coisas, que se manifestava nos conselhos que dava; no jeito de conversar com as pessoas; no modo de ouvir os seus problemas e de lhes sugerir soluções; no modo como as confortava. Começou a sua vida sacerdotal como ajudante do seu amigo, agora Bispo Balley que continuou a instruir o jovem Padre Vianney nas áreas da Moral e da Teologia. Em Dezembro de 1817, o estado de saúde do Bispo Balley agravou-se e veio a falecer pouco tempo depois. Então, o Padre João Maria foi nomeado para a paróquia de Ars, que tinha pouco mais de 200 habitantes. João Maria Vianney chegou a Ars na Sexta-feira, 13 de Fevereiro de 1818. Chegou numa carroça, trazendo alguns móveis e utensílios domésticos, alguns quadros piedosos e o seu maior tesouro: a sua biblioteca de cerca de trezentos volumes. Conta-se que encontrou um pequeno pastor a quem pediu que lhe indicasse o caminho. A conversa foi difícil, pois o menino não falava francês e o dialecto de Ars era diferente do de Écully. Mas acabaram por se entender.  A tradição refere que o novo pároco teria dito ao garoto: "Mostraste-me o caminho de Ars; eu mostrar-te-ei o caminho do céu." Um pequeno monumento, feito em bronze, à entrada da aldeia, lembra este encontro.  O Padre entrou na povoação cheio de sonhos e de esperanças. João MariaVianney era simples; por isso, quando chegou à paróquia de Ars, devolveu alguns dos móveis que trazia, ficando somente com o mínimo indispensável. A sua alimentação era, também, muito simples; a maior parte das vezes, reduzida a algumas batatas cozidas. O Padre Vianney não imaginava quanto iria sofrer naquela terra. Ars era pequena no tamanho, mas enorme nos problemas: casas de jogatina, de prostituição, de vícios; uma terra verdadeiramente paganizada. A igreja estava sempre vazia. Em 1818, Ars era uma caricatura do que é ser cristão: a fé não era vista com seriedade; o povo não frequentava os sacramentos; o domingo era marcado por festas profanas. O Padre Vianney ocupava muito do seu tempo em oração; a fazer jejuns e penitências. Começou a visitar as famílias, convidando-as a ir à Igreja e a participar na Santa Missa. Assim, começou a transformação: alguns começaram a ir à Igreja e, dia após dia, a Igreja começou a encher-se. O padre fundou, então, a Confraria do Rosário para as mulheres e a Irmandade do Santíssimo Sacramento para os homens. Diante disto, os donos dos bares e organizadores de jogatinas começaram uma dura perseguição contra o Padre Vianney. Este chegou a dizer,: “Ah, se eu soubesse o que era ser pároco, teria entrado num convento de monges”. Ars tornou-se lugar de peregrinações. Pessoas cultas, de outras cidades, iam ouvir as homilias do Cura d’Ars. Quando algum padre lhe perguntava qual o segredo de tudo aquilo, o Padre Vianney respondia: “O senhor já passou alguma noite em oração? Já fez algum dia de jejum?”. João Maria Vianney viveu toda a vida dedicado a Deus. Como pároco, dedicou-se inteiramente ao cuidado do seu “rebanho”, sobretudo dos mais pobres. Passou grande parte da sua vida no confessionário. Eram inúmeras as pessoas que vinham a Ars para se confessar. Chegava a estar 14 horas seguidas a confessar os seus paroquianos e quantos o procuravam. O Cura d’Ars acreditava no poder da oração e do jejum, e na resposta amorosa de Deus. Não era grande orador; não falava com eloquência; nas homilias, perdia o fio à meada; muitas vezes, atrapalhava-se e não sabia como acabar o seu pensamento; então, cortava a frase e descia do púlpito acabrunhado. O mesmo acontecia na catequese. No confessionário, porém, tudo era diferente: aconselhava as pessoas; falava de Deus de forma tão amorosa que todos saiam reconfortados. Não sabia usar palavras bonitas, ideias geniais: usava termos do quotidiano das pessoas. No confessionário, viveu intensamente o seu ministério sacerdotal, todo entregue às almas, devorado pela missão, integralmente fiel à sua vocação. A fama da sua acção ultrapassou os limites estreitos de Ars. Das aldeias e cidades vizinhas chegavam peregrinos que desejavam confessar-se a ele. Nos últimos tempos da sua vida, chegaram a ser mais de 200 por dia; mais de 70.000 por ano! O padre Vianney transformou a aldeia de Ars numa terra mais cristã, com mais amor a Deus. O trabalho, a pouca e pobre alimentação, a falta de repouso, foram cansando o velho Cura. Ele bem desejava deixar a paróquia para um pouco de descanso, mas os homens e as mulheres da aldeia pediam-lhe insistentemente para que os não deixasse, e o Padre resolveu permanecer ali. Em 1859, às duas da madrugada, do dia 4 Agosto, o Padre João Maria Vianney, o Cura d’Ars, descansou, finalmente, nas mãos de Deus. Nos dias 04 e 05 de Agosto, mais de trezentos padres e uma incalculável multidão de homens e mulheres desfilaram diante do seu corpo, em pranto, para se despedir e acompanhá-lo até à sua sepultura. Com a multidão, a Igreja curvou-se diante do seu exemplo de santidade. João Maria Vianney foi proclamado “Venerável” pelo Papa Pio IX, em 1872. Foi beatificado pelo Papa Pio X, em 1905. Foi canonizado pelo Papa Pio XI, em 1925 que, em 1929, declarou o Santo Cura d’Ars padroeiro de todos os párocos do mundo. A sua memória litúrgica faz-se no dia 4 de Agosto.

 

domingo, 21 de julho de 2013

PARA REZAR



SALMO 15

 

                      Ensinai-nos, Senhor:

                      quem habitará em vossa casa?

 

O que vive sem mancha e pratica a justiça

e diz a verdade que tem no seu coração

e guarda a sua língua da calúnia.

 

O que não faz mal ao seu próximo,

nem ultraja o seu semelhante,

o que tem por desprezível o ímpio,

mas estima os que temem o Senhor.

 

O que não falta ao juramento mesmo em seu prejuízo

e não empresta dinheiro com usura,

nem aceita presentes para condenar o inocente.

                    Quem assim proceder jamais será abalado.

O PAPA NO BRASIL



JORNADA MUNDIAL DA JUVENTUDE 2013

De 23 a 28 de Julho, realiza-se no Rio de Janeiro, Brasil, a 28ª Jornada Mundial da Juventude, com o tema "Ide e fazei discípulos entre todas as nações". O Papa Francisco presidirá a este acontecimento eclesial, realizando a sua primeira viagem apostólica internacional. O Papa deslocar-se-á, também, como peregrino, ao Santuário de Nossa Senhora Aparecida, padroeira do Brasil.
No Domingo passado, em Castelgandolfo, por ocasião da Oração do Angelus, o Papa disse: "Partirei daqui a oito dias, mas muitos jovens partirão, antes de mim, para o Brasil. Rezemos, então, por esta grande peregrinação que começa, a fim de que Nossa Senhora Aparecida, padroeira do Brasil, guie os passos dos participantes e abra os seus corações ao acolhimento da missão que Cristo lhes dará”.
O programa da visita do Papa está repleto de realizações, entre as quais a visita a uma favela, a Vigília de Oração com os jovens e a Missa do Dia Mundial da Juventude, com que termina a Jornada Mundial.

ORDENAÇÕES NA SÉ DO PORTO



No Domingo passado, 14 de Julho, o administrador apostólico da Diocese do Porto, D. Pio Alves, presidiu à ordenação de dois padres e quatro diáconos. Na homilia da celebração, o Sr. Bispo, dirigindo-se a cada um dos ordinandos, disse: “…Hoje terminas uma etapa. Mas a meta do amor a Deus no serviço ao próximo tem um longo caminho que vais continuar a percorrer: com alegria, com generosidade, contando com a real proximidade dos irmãos na fé e no ministério e, sempre, com a fidelidade de Deus. Mas não posso deixar de recordar que te encontrarás também com sacrifícios, dificuldades, tentações, ídolos, nos suportes mais variados, mas sempre dispersivos. Deixo-te um parágrafo do Papa Francisco na sua recente encíclica Lumen Fidei: “o ídolo é um pretexto para se colocar a si mesmo no centro da realidade, na adoração da obra das próprias mãos. Perdida a orientação fundamental que dá unidade à sua existência, o homem dispersa-se na multiplicidade dos seus desejos; negando-se a esperar o tempo da promessa, desintegra-se nos mil instantes da sua história. Por isso, a idolatria é sempre politeísmo, movimento sem meta de um senhor para outro. A idolatria não oferece um caminho, mas uma multiplicidade de veredas que não conduzem a uma meta certa, antes se configuram como um labirinto. Quem não quer confiar-se a Deus, deve ouvir as vozes dos muitos ídolos que lhe gritam: ‘Confia-te a mim!’ A fé, enquanto ligada à conversão, é o contrário da idolatria: é separação dos ídolos para voltar ao Deus vivo, através de um encontro pessoal. Acreditar significa confiar-se a um amor misericordioso que sempre acolhe e perdoa, que sustenta e guia a existência, que se mostra poderoso na sua capacidade de endireitar os desvios da nossa história. A fé consiste na disponibilidade a deixar-se incessantemente transformar pela chamada de Deus. Paradoxalmente, neste voltar-se continuamente para o Senhor, o homem encontra uma estrada segura que o liberta do movimento dispersivo a que o sujeitam os ídolos”. Tens à tua espera uma Sociedade que, mesmo quando não o diz ou diz o contrário, busca horizontes, harmonia, verdade, sentido; uma Sociedade que, quando maltratada pelas agruras da vida, atirada para a borda do caminho, não recusa a presença afetiva e efetiva de um bom samaritano. Cuida-te para poderes cuidar. Não te distraias com os ídolos, não percas o caminho, retoma-o se o perderes: “o Caminho, a Verdade e a Vida” (Jo 14, 6) é Jesus Cristo…”
Foram ordenados presbíteros: Jorge Manuel da Rocha Nunes, de Vilela-Paredes, e Ricardo Álvaro Aguiar Ribeiro, de Soalhães-Marco de Canaveses; e diáconos: Cláudio Manuel Pereira Vieira da Silva, de Santo Ildefonso-Porto, José Joaquim Santos Ribeiro, de Lobão-Santa Maria da Feira, Paulo Sérgio Silva Godinho, de S. Vicente de Pereira-Ovar, e Vítor Nelson Santos Pacheco, das Antas-Porto.

O SANTO PADRE FRANCISCO CONVIDA OS BRITÂNICOS


 (e os cristãos de todo o mundo)
A PROTEGER AS CRIANÇAS NÃO NASCIDAS

 
 Segundo a agência noticiosa Zenit, o papa Francisco participou, virtualmente, na Jornada pela Vida, enviando uma mensagem aos católicos da Inglaterra, da Escócia, do País de Gales e da Irlanda. As datas são diferentes no calendário, mas o espírito da jornada é o mesmo: promover e defender a vida, que é um dom de Deus. A Escócia celebrou a data no dia 28 de Maio; a Inglaterra e o País de Gales celebrá-la-ão no dia 28 de Julho; a Irlanda no primeiro Domingo de Outubro. O tema de 2013 é igual para todo o Reino Unido: “Cuida da vida; vale a pena”, citação da homilia do então cardeal Jorge Bergoglio, em 2005, na comemoração de São Raimundo Nonato, padroeiro das mulheres grávidas. Naquela ocasião, o Cardeal Bergoglio (agora Papa Francisco) afirmava: “Todos nós devemos cuidar da vida e protegê-la, com ternura, com calor... Dar a vida é abrir o nosso coração; cuidar da vida é entregar-se com ternura e com calor aos outros; é preocupar-se com os outros. Cuidar da vida desde o princípio até o final. Como isto é simples e bonito... Continuem e não desanimem. Cuidem da vida; vale a pena”.
A temática deste ano, para a Jornada pela Vida, na Inglaterra, Escócia, Gales e Irlanda centra-se no cuidado pelas crianças não nascidas e pelas suas mães, pelos idosos, pelos suicidas e as suas famílias. O texto completo da mensagem do Papa é o seguinte:

“Recordando os ensinamentos de Santo Ireneu de que a glória de Deus é a pessoa humana vivendo em plenitude, o Santo Padre convida-vos a deixar resplandecer a luz da glória para que todos reconheçam o valor inestimável de cada vida humana. Os mais frágeis e vulneráveis, os doentes, os idosos, os não nascidos e os pobres também são obras-mestras da criação de Deus, feitos à Sua imagem, destinados a viver para sempre, merecedores da máxima reverência e respeito. Sua Santidade reza para que a Jornada pela Vida contribua para garantir que a vida humana receba sempre a protecção que lhe cabe, de modo a que ‘tudo o que respira louve o Senhor’ (Salmo 150, 6)".

 

SANTOS POPULARES



SANTA BRÍGIDA DA SUÉCIA

Brígida Birgersdotter nasceu, segundo uma tradição antiga, em Norrtälje, na província de Uplândia, na Suécia, em1303. Era filha do aristocrata Birger Persson de Finsta e de Ingeborg Bengtsdotter. A sua família era aparentada com a família real da Suécia, pelo que Brígida pertenceu aos círculos políticos mais influentes da Suécia medieval. O seu pai foi governador da Uplândia. Com a idade de sete anos, afirmou ter tido uma visão de Nossa Senhora e, aos dez, como resultado de um sermão sobre a Paixão e Morte de Nosso Senhor, sonhou com Jesus Cristo, convertendo a Paixão de Cristo em centro de sua vida espiritual. Por esta altura, Brígida ficou órfã de mãe. O seu pai, considerando-se incapaz de lhe dar uma educação adequada a uma menina da sua condição social, enviou-a para casa da cunhada, Catarina Bengtsdotter, em Aspanäs. Antes de completar catorze anos, contraiu matrimónio com Ulf Gudmarsson, com quem viveu feliz durante vinte e oito anos e com quem teve quatro filhos e quatro filhas, uma das quais, Catarina da Suécia, é venerada como santa. Em 1355, foi chamada pela corte do rei Magno II para se tornar dama de honra da rainha Branca de Namur. Uma penosa e preocupante doença deixou o seu marido de cama, durante muito tempo. As orações de Brígida conseguiram de Deus o milagre da recuperação da sua saúde. Por isso, ambos prometeram consagrar-se a Deus na vida religiosa. Diz a tradição que Ulf morreu, em 1344, no mosteiro Cisterciense de Alvastra, antes cumprir o seu propósito. Brígida, por sua vez, ficou mais quatro anos neste convento, dedicada à penitência e à oração. São muito conhecidas as visões e revelações de Santa Brígida: referiam-se aos assuntos mais polémicos da sua época e muitos reconheceram que, graças a essas visões, obtiveram alguns acordos de paz e estabeleceram melhores relações políticas entre os estados. Essas visões foram escritas em latim pelo prior do mosteiro, Pedro de Skninge, seu confessor, a quem Brígida confiava, com exactidão, as suas visões divinas. Por revelação divina, Brígida fundou, em Vadstena, um mosteiro e, mais tarde, a Ordem do Santíssimo Salvador. A sua vida foi profundamente marcada pela austeridade, pela devoção, pela espiritualidade manifestada nas peregrinações aos santuários, pela severidade com que se tratava a si mesma, pela bondade para com o próximo e pela sua entrega total ao cuidado dos mais pobres e doentes.
Brígida faleceu no dia 23 de Julho de 1373, com setenta e um anos de idade. Foi canonizada a 7 de Outubro de 1391, pelo Papa Bonifácio IX. É venerada como a padroeira da Suécia. Em 1999, o Papa João Paulo II declarou Santa Brígida co-padroeira da Europa, juntamente com Santa Catarina de Sena e Santa Teresa Benedita da Cruz ( Edith Stein ). A sua memória litúrgica é celebrada a 23 de Julho.