PALAVRA COM SENTIDO

PALAVRA COM SENTIDO

“…Soltai brados de alegria… Fazei ouvir os vossos louvores…” (cf. Jeremias 31, 7)

O convite à alegria é permanente, na Palavra do Senhor. A alegria nasce da fé no Senhor que salva o seu povo; é fermento de esperança, na tristeza que envolve a vida; é testemunho do amor que se verga sob o peso da cruz; é proclamação da verdade que nos liberta. O desafio da alegria afronta o ódio, a vingança, a marginalidade, a violência, porque é criador de unidade, de comunhão, de festa, de encontro e de paz… A verdadeira alegria: aquela que vem de Deus e anima a nossa acção missionária. Por ela, somos convidados a louvar e a agradecer as maravilhas que Deus faz em nós e, por nós, no meio do mundo. Cantar a alegria da fé, do amor incondicional, da vida doada em serviço por amor, da fraternidade que construímos na harmonia das palavras e na beleza dos gestos, da esperança que destrói muros e lança pontes de solidariedade e de perdão. Acolher a alegria de Jesus presente no meio de nós…

segunda-feira, 19 de agosto de 2013

PALAVRA DO PAPA FRANCISCO



- na homilia da missa da Solenidade da Assunção de Maria, 15 de Agosto de 2013, em Castel Gandolfo

“…ser cristão significa acreditar que Cristo ressuscitou verdadeiramente dos mortos. Toda a nossa fé baseia-se nesta verdade fundamental, que não é uma ideia, mas um acontecimento. E também o mistério da Assunção de Maria em corpo e alma está todo ele inscrito na Ressurreição de Cristo. A humanidade da Mãe foi "atraída" pelo Filho na sua passagem através da morte. Jesus entrou de uma vez para sempre na vida eterna com toda a sua humanidade, aquela que Ele havia tomado de Maria; assim Ela, a Mãe, que O seguiu fielmente em toda a sua vida, seguiu-O com o coração, entrou com Ele na vida eterna, que também chamamos Céu, Paraíso, Casa do Pai.
Também Maria conheceu o martírio da cruz: a Paixão do Filho viveu-a plenamente na alma. Esteve plenamente unida a Ele na morte e, por isso, foi-lhe dado o dom da ressurreição. Cristo é a primícia dos ressuscitados, e Maria é a primícia dos redimidos, a primeira "daqueles que são de Cristo".
O Evangelho sugere-nos a palavra: esperança. Esperança é a virtude de quem - experimentando o conflito, a luta quotidiana entre a vida e a morte, entre o bem e o mal - acredita na ressurreição de Cristo, na vitória do Amor. O Magnificat é o cântico da esperança, é o cântico do Povo de Deus a caminho na história. É o cântico de tantos santos e santas, alguns bem conhecidos, outros, muitíssimos, desconhecidos, mas bem conhecidos por Deus: mães, pais, catequistas, missionários, padres, irmãs, jovens, também crianças, que enfrentaram a luta da vida, trazendo no coração a esperança dos pequenos e dos humildes. "A minha alma glorifica o Senhor" - canta também hoje a Igreja em todas as partes do mundo. Este cântico é particularmente intenso onde o Corpo de Cristo sofre hoje a Paixão. E Maria está lá, próxima destas comunidades, destes nossos irmãos, caminha com eles, sofre com eles, e canta com eles o Magnificat da esperança…

PARA REZAR


SALMO 40

 

R/. Senhor, socorrei-me sem demora.

 

Esperei no Senhor com toda a confiança e Ele atendeu-me.

Ouviu o meu clamor e retirou-me do abismo e do lamaçal,

assentou os meus pés na rocha

e firmou os meus passos.

 

Pôs em meus lábios um cântico novo,

um hino de louvor ao nosso Deus.

Vendo isto, muitos hão-de temer

e pôr a sua confiança no Senhor.

 

Eu sou pobre e infeliz:

Senhor, cuidai de mim.

Sois o meu protector e libertador:

                        ó meu Deus, não tardeis.

SANTOS POPULARES


SÃO BERNARDO DE CLARAVAL
- catequese do Papa Bento XVI, no dia 21 de Outubro de 2009

“… Hoje, gostaria de falar sobre São Bernardo de Claraval, chamado de “o último dos Padres” da Igreja porque, no século XII, ele renovou e tornou presente a grande teologia dos padres da Igreja. Não conhecemos, em pormenor, os anos da sua juventude. Sabemos, contudo, que ele nasceu em 1090, em Fontaines, França, numa família numerosa e discretamente acomodada. Ainda muito jovem, dedicou-se ao estudo das chamadas artes liberais – especialmente da gramática, retórica e dialéctica – na Escola dos Canónicos da igreja de Saint-Vorles, em Châtillon-sur-Seine, e amadureceu lentamente a decisão de entrar na vida religiosa. Por volta dos 20 anos, entrou em Cîteaux (Cister), uma fundação monástica nova, mais dinâmica do que os antigos e veneráveis mosteiros de então e, ao mesmo tempo, mais rigorosa na prática dos conselhos evangélicos. Alguns anos mais tarde, em 1115, Bernardo foi enviado - por Santo Estêvão Harding, terceiro abade de Cister - a fundar o mosteiro de Claraval (Clairvaux). O jovem abade, com apenas 25 anos, pôde aqui afinar a sua própria concepção da vida monástica e empenhar-se em traduzi-la na prática. Observando a disciplina de outros mosteiros, Bernardo falou, com decisão, da necessidade de uma vida sóbria e comedida, tanto à mesa como na indumentária e nos edifícios monásticos, recomendando a sustentação e o cuidado dos pobres. Entretanto, a comunidade de Claraval era cada vez mais numerosa e multiplicava as suas fundações. Nessa época, antes de 1130, Bernardo empreendeu uma vasta correspondência com muitas pessoas, tanto importantes como de modestas condições sociais. Às muitas cartas deste período, é preciso acrescentar os numerosos Sermões, as Sentenças e os Tratados. Destaca-se também, nesses anos, a grande amizade de Bernardo com Guilherme, abade de Saint-Thierry, e com Guilherme de Champeaux, uma das figuras mais importantes do século XII. De 1130 em diante, começou a ocupar-se de muitas e graves questões da Santa Sé e da Igreja. Por este motivo, teve de sair mais frequentemente do seu mosteiro, inclusive para fora da França. Fundou também alguns mosteiros femininos e foi protagonista de um vivo epistolário com Pedro, o Venerável, abade de Cluny (…)
Nos últimos anos da sua vida, Bernardo teve de limitar as viagens, ainda que sem interrompê-las totalmente. Aproveitou para rever definitivamente o conjunto das Cartas, dos Sermões e dos Tratados. Vale a pena mencionar um livro bastante particular, que ele terminou precisamente nesse período, em 1145, quando um aluno seu, Bernardo Pignatelli, foi eleito Papa com o nome de Eugênio III. Nessa circunstância, Bernardo, na qualidade de pai espiritual, escreveu a esse filho espiritual o texto De Consideratione, que contém ensinamentos para poder ser um bom papa. Nesse livro, que continua a ser uma leitura conveniente para os papas de todos os tempos, Bernardo não indica somente como ser um bom papa, mas expressa também uma profunda visão do mistério da Igreja e do mistério de Cristo, que se resolve, no final, com a contemplação do mistério de Deus uno e trino: ‘Deveria prosseguir ainda a busca desse Deus que ainda não foi bastante buscado – escreve o santo abade –, mas talvez se possa buscar e encontrar mais facilmente com a oração de que com a discussão. Terminemos, portanto, aqui o livro, mas não a busca’  …”
Bernardo de Claraval faleceu em 20 de Agosto de 1153. Foi canonizado em 18 de Junho de 1174 pelo Papa Alexandre III. Em 1830, o Papa Pio VIII declarou-o Doutor da Igreja. A sua memória litúrgica faz-se no dia 20 de Agosto.