PALAVRA COM SENTIDO

PALAVRA COM SENTIDO

“…Soltai brados de alegria… Fazei ouvir os vossos louvores…” (cf. Jeremias 31, 7)

O convite à alegria é permanente, na Palavra do Senhor. A alegria nasce da fé no Senhor que salva o seu povo; é fermento de esperança, na tristeza que envolve a vida; é testemunho do amor que se verga sob o peso da cruz; é proclamação da verdade que nos liberta. O desafio da alegria afronta o ódio, a vingança, a marginalidade, a violência, porque é criador de unidade, de comunhão, de festa, de encontro e de paz… A verdadeira alegria: aquela que vem de Deus e anima a nossa acção missionária. Por ela, somos convidados a louvar e a agradecer as maravilhas que Deus faz em nós e, por nós, no meio do mundo. Cantar a alegria da fé, do amor incondicional, da vida doada em serviço por amor, da fraternidade que construímos na harmonia das palavras e na beleza dos gestos, da esperança que destrói muros e lança pontes de solidariedade e de perdão. Acolher a alegria de Jesus presente no meio de nós…

domingo, 25 de agosto de 2013

PALAVRA DO PAPA FRANCISCO



 
- na Audiência geral, Praça de São Pedro, Roma: 25 de Agosto

“… A porta de Jesus é uma porta estreita não porque seja a porta de uma sala de tortura. Não, não é por isso! É estreita porque Ele pede-nos para Lhe abrir o nosso coração; para nos reconhecermos pecadores, necessitados de salvação, do seu perdão, do seu amor; pede-nos para sermos humildes e acolhermos a sua misericórdia e deixarmo-nos renovar por Ele. Jesus diz-nos, no Evangelho deste Domingo, que ser cristãos não é ter uma etiqueta! Eu pergunto-vos: sois cristãos de etiqueta ou de verdade? Que cada um responda no mais íntimo de si mesmo! Nós, cristãos, não queremos ser cristãos de etiqueta, mas sim cristãos de verdade, de coração. Ser cristão é viver e testemunhar a fé na oração, nas obras de caridade, no promover a justiça, no praticar o bem. Pela porta estreita que é Cristo, deve passar toda a nossa vida…”

PARA REZAR



HINO: Vésperas II, Domingo I

Vós, Senhor, que a luz criastes
E a mesma luz ordenastes,
Em fulgor e harmonia,
Ao ritmo do dia a dia;

Que ao mundo destes origem,
Entre abismos de vertigem,
Manhã e tarde fizestes,
Tudo foi como quisestes.

Nossos rogos, nossos prantos,
Nossos clamores e cantos,
Piedoso, ouvi, ó Deus,
Senhor da terra e dos Céus.

Que a porta do Céu se renda
Ante a prece e a oferenda,
Com que, em remédio vital,
Se cure em nós todo o mal.

Fugindo de todo o p’rigo,
Salvaremos do castigo
A vida, que há-de voltar
A ser pura e a Vós chegar

Ouvi-nos, Pai infinito,
Vós também, Filho bendito,
Que no santo amor ardente
Reinais agora e p’ra sempre.

SANTOS POPULARES



SANTO AGOSTINHO
- catequese do Papa Bento XVI, no dia 9 de Janeiro de 2008

Agostinho nasceu em Tagaste na Província de Numídia, na África romana, a 13 de Novembro de 354. Era filho de Patrício, um pagão que depois se tornou catecúmeno, e de Mónica, cristã fervorosa. Esta mulher apaixonada, venerada como santa, exerceu sobre o filho uma grandíssima influência e educou-o na fé cristã. Agostinho recebeu também o sal, como sinal de acolhimento no catecumenato. E permaneceu sempre fascinado pela figura de Jesus Cristo; aliás, ele diz que amou sempre Jesus, mas que se afastou cada vez mais da fé eclesial, da prática eclesial, como acontece hoje com muitos jovens.
Agostinho tinha também um irmão, Navígio, e uma irmã, da qual não sabemos o nome e que, tendo ficado viúva, chefiou depois um mosteiro feminino. O jovem, de inteligência aguda, recebeu uma boa educação, mesmo se nem sempre foi um estudante exemplar. Contudo, estudou bem a gramática, primeiro na sua cidade natal e, depois, em Madaura; a partir do ano 370, estudou rectórica em Cartago, capital da África romana. Dominava perfeitamente a língua latina, mas não conseguiu dominar, do mesmo modo, o grego; não chegou a aprender a língua púnica, falada pelos seus conterrâneos. Precisamente em Cartago, Agostinho leu, pela primeira vez, o Hortensius, um escrito de Cícero que depois se perdeu, e que está na base do seu caminho rumo à conversão. De facto, o texto de Cícero despertou nele o amor pela sabedoria, como escreverá, já Bispo, nas Confessiones: "Aquele livro mudou verdadeiramente o meu modo de sentir", a ponto que "de repente perdeu valor qualquer esperança vã e desejava com um incrível fervor do coração a imortalidade da sabedoria".
Mas estando convencido de que sem Jesus não se pode dizer que se encontrou efectivamente a verdade, e dado que neste livro apaixonante lhe faltava aquele nome, logo após tê-lo lido, começou a ler a Escritura, a Bíblia. Mas ficou desiludido. Não só porque o estilo latino da tradução da Sagrada Escritura era insuficiente, mas também porque o próprio conteúdo lhe pareceu insatisfatório. Nas narrações da Escritura sobre guerras e outras vicissitudes humanas não encontrava a altura da filosofia, o esplendor de busca da verdade que lhe é próprio. Contudo, não queria viver sem Deus e, assim, procurava uma religião que correspondesse ao seu desejo de verdade e também ao seu desejo de se aproximar de Jesus…. Tornou-se maniqueu convencido, naquele momento, de ter encontrado a síntese entre racionalidade, busca da verdade e amor a Jesus Cristo… Nesta seita, conheceu pessoas importantes e isso permitiu-lhe estabelecer uma relação amorosa com uma mulher e, ao mesmo tempo, continuar a sua carreira. Desta mulher teve um filho, Adeodato, por ele muito querido, muito inteligente, que estará depois presente na preparação para o baptismo, junto do lago de Como, participando naqueles "Diálogos" que Santo Agostinho nos transmitiu. Infelizmente, o jovem faleceu prematuramente. Professor de gramática aos vinte anos, na sua cidade natal, regressou cedo a Cartago, onde foi um brilhante e celebrado mestre de rectórica. Todavia, com o tempo, Agostinho começou a afastar-se da fé dos maniqueus, que o desiludiram precisamente sob o ponto de vista intelectual porque não esclareceram as suas dúvidas, e transferiu-se para Roma, e depois para Milão onde, na época, residia a corte imperial e onde obtivera um lugar de prestígio graças ao interesse e às recomendações do prefeito de Roma, o pagão Símaco, hostil ao Bispo de Milão, Santo Ambrósio.
Em Milão, Agostinho adquiriu o costume de ouvir - inicialmente para enriquecer a sua bagagem rectórica - as lindíssimas pregações do Bispo Ambrósio, que tinha sido representante do imperador para a Itália setentrional. Agostinho – o rectórico africano – ficou fascinado pela palavra do grande prelado milanês; e não só pela sua rectórica; o conteúdo atingiu, cada vez mais, o seu coração. O grande problema do Antigo Testamento - falta de beleza rectórica, falta de elevação filosófica - resolveu-se, nas pregações de santo Ambrósio, graças à interpretação tipológica do Antigo Testamento. Agostinho compreendeu que todo o Antigo Testamento é um caminho rumo a Jesus Cristo. Encontrou, assim, a chave para compreender a beleza e a profundidade, também filosófica, do Antigo Testamento e percebeu toda a unidade do mistério de Cristo na história e, também, a síntese entre filosofia, racionalidade e fé no Logos, em Cristo, Verbo eterno que se fez carne.
Rapidamente, Agostinho deu-se conta de que a literatura alegórica da Escritura e a filosofia neoplatónica praticadas pelo Bispo de Milão lhe permitiam resolver as dificuldades intelectuais que, quando era jovem, na sua primeira abordagem aos textos bíblicos, lhe pareciam insuperáveis.
À dos escritos dos filósofos, Agostinho fez seguir-se a leitura renovada da Escritura e, sobretudo, das Cartas paulinas. A conversão ao cristianismo, em 15 de Agosto de 386, surgiu no ápice de um longo e atormentado percurso interior e o africano transferiu-se para o campo, a norte de Milão, nas proximidades do lago de Como - com a mãe Mónica, o filho Adeodato e um pequeno grupo de amigos - a fim de se preparar para o baptismo. Assim, aos trinta e dois anos, Agostinho foi baptizado por Ambrósio, no dia 24 de Abril de 387, durante a vigília pascal, na Catedral de Milão.
Depois do baptismo, Agostinho decidiu regressar à África com os amigos, com a ideia de praticar uma vida comum, de tipo monástico, ao serviço de Deus. Mas, em Óstia, à espera de partir, a mãe adoeceu, de repente, e pouco mais tarde faleceu, dilacerando o coração do filho.
Regressando finalmente à pátria, o convertido estabeleceu-se em Hipona para, ali, fundar um mosteiro. Nesta cidade da beira-mar africana, apesar das suas resistências, foi ordenado presbítero, em 391, e iniciou, com alguns companheiros, a vida monástica na qual pensava há tempos, dividindo os seus dias entre a oração, o estudo e a pregação. Ele desejava estar ao serviço da verdade. Não se sentia chamado à vida pastoral mas, depois, compreendeu que o chamamento de Deus era para ser pastor entre os outros e oferecer, assim, o dom da verdade aos demais. Em Hipona, quatro anos mais tarde, em 395, foi consagrado Bispo. Continuando a aprofundar o estudo das Escrituras e dos textos da tradição cristã, Agostinho foi um Bispo exemplar no seu incansável compromisso pastoral: pregava várias vezes por semana aos seus fiéis, apoiava os pobres e os órfãos, cuidava da formação do clero e da organização de mosteiros femininos e masculinos. Em pouco tempo, o antigo rectórico afirmou-se como um dos representantes mais importantes do cristianismo daquele tempo: muito activo no governo da sua diocese e com notáveis influências, também, nos meios civis. Nos mais de 35 anos de episcopado, o Bispo de Hipona exerceu grande influência como chefe da Igreja católica da África romana e no cristianismo do seu tempo, enfrentando tendências religiosas e heresias tenazes e desagregadoras como o maniqueísmo, o donatismo e o pelagianismo, que punham em perigo a fé cristã no Deus único e rico em misericórdia.
A Deus se confiou Agostinho todos os dias, até ao extremo da sua vida: atingido por febre, - Hipona estava cercada, havia três meses, pelos vândalos invasores -  o Bispo, narra o amigo Possídio, na Vita Augustini , pediu para transcrever em letras grandes os salmos penitenciais "e fez pregar as folhas na parede, de modo que estando de cama durante a sua doença, os podia ver e ler, e chorava ininterruptamente lágrimas quentes" (31, 2). Transcorreram assim os últimos dias da vida de Agostinho, que faleceu a 28 de Agosto de 430, quando ainda não tinha completado 76 anos…” A sua memória litúrgica faz-se no dia 28 de Agosto.