PALAVRA COM SENTIDO

PALAVRA COM SENTIDO

“…Soltai brados de alegria… Fazei ouvir os vossos louvores…” (cf. Jeremias 31, 7)

O convite à alegria é permanente, na Palavra do Senhor. A alegria nasce da fé no Senhor que salva o seu povo; é fermento de esperança, na tristeza que envolve a vida; é testemunho do amor que se verga sob o peso da cruz; é proclamação da verdade que nos liberta. O desafio da alegria afronta o ódio, a vingança, a marginalidade, a violência, porque é criador de unidade, de comunhão, de festa, de encontro e de paz… A verdadeira alegria: aquela que vem de Deus e anima a nossa acção missionária. Por ela, somos convidados a louvar e a agradecer as maravilhas que Deus faz em nós e, por nós, no meio do mundo. Cantar a alegria da fé, do amor incondicional, da vida doada em serviço por amor, da fraternidade que construímos na harmonia das palavras e na beleza dos gestos, da esperança que destrói muros e lança pontes de solidariedade e de perdão. Acolher a alegria de Jesus presente no meio de nós…

segunda-feira, 2 de setembro de 2013

PALAVRA DO PAPA FRANCISCO


- aos jovens da Diocese de Piacenza-Bobbio, em São Pedro, no dia 28 de Agosto.

“… Vós sois artesãos do futuro. Porquê? Porque no mais íntimo de vós, tendes três desejos. Primeiro: o desejo da beleza. Agrada-vos a beleza… Quando fazeis música, teatro, pintura – coisas de beleza – estais a procurar a Beleza, aquela Beleza que é Cristo. Vós sois buscadores da beleza. Segundo: sois profetas da bondade. Agrada-vos a bondade; quereis ser bons. A bondade é contagiosa, ajuda todos os outros. Terceiro: tendes sede de verdade; deveis procurar a verdade. “Mas, Padre, eu tenho a verdade!” Quem assim pensa, está enganado, porque não se tem a verdade; não a levamos… A verdade encontra-se!... Trata-se de encontrar a verdade que é Deus; mas é preciso procurá-la. Estes três desejos que tendes no coração, deveis levá-los para a frente, para o futuro e construir o futuro com a beleza, a bondade e a verdade. Compreendestes? É este o desafio… o vosso desafio. Mas, se vós sois preguiçosos; se sois tristes – é uma coisa feia, um jovem triste – se vós andais tristes, aquela beleza não será beleza; aquela bondade não será bondade e aquela verdade será qualquer coisa… Pensai bem, nisto: apostai num grande ideal; no ideal de construir o mundo de bondade, de beleza e de verdade. Isto, vós podeis fazê-lo; tendes o poder para fazê-lo. Se não o fizerdes, é por preguiça. Queria dizer-vos isto… Queria dizer-vos isto e, ainda, dizer-vos: Coragem! Ide em frente; fazei barulho. Onde estão os jovens, deve haver barulho. É verdade que é preciso regular as coisas, a vida, etc. Mas, a ilusão de um jovem é fazer barulho, sempre. Ide em frente! Na vida, encontrareis, sempre, pessoas que vos farão propostas para travar, para bloquear o vosso caminho. Por favor: remai contra a corrente. Sede corajosos, corajosas: remais contra a corrente… Remais contra a corrente desta civilização que está a fazer tanto mal. Compreendeis isto? Remar contra a corrente significa fazer barulho, andar em frente, mas com os valores da beleza, da bondade e da verdade…”

PARA REZAR



SALMO 68

 

Refrão: Na vossa bondade, Senhor, preparastes uma casa para o pobre.

 

Os justos alegram-se na presença de Deus,

exultam e transbordam de alegria.

Cantai a Deus, entoai um cântico ao seu nome;

o seu nome é Senhor: exultai na sua presença.

 

Pai dos órfãos e defensor das viúvas,

é Deus na sua morada santa.

Aos abandonados Deus prepara uma casa,

conduz os cativos à liberdade.

 

Derramastes, ó Deus, uma chuva de bênçãos,

restaurastes a vossa herança enfraquecida.

A vossa grei estabeleceu-se numa terra

que a vossa bondade, ó Deus, preparara ao oprimido.

SANTOS POPULARES



BEATO FREDERICO OZANAM

António Frederico Ozanam nasceu no dia 23 de Abril de 1813, em Milão (Itália). Era filho de Jean-Antoine, médico prestigioso - cuja fama profissional não o impedia de assistir doentes indigentes, com o mesmo cuidado e afabilidade reservados aos pacientes da alta condição social - e de Marie Ozanam, também dedicada à assistência dos pobres e enfermos. Frederico respirou, desde o nascimento, o profundo espírito de caridade compartilhado pelos seus pais. Depois de uma infância super-protegida, em Lião, Frederico entrou num colégio, em 1822, para fazer os estudos secundários. Estudante brilhante e leitor insaciável, com apenas 17 anos, sabia e falava várias línguas: grego, latim, italiano e alemão. Nessa altura, iniciou, também, um curso de hebraico e sânscrito. De espírito sensível e preocupado, manifestou muita paixão pelo estudo da Filosofia, consumindo-se com frequência numa investigação existencial e espiritual, que jamais abandonaria. Em 1831, Frederico - erudito jovem de província - chegou a Paris para estudar na Sorbonne, a mais prestigiada universidade da época. Em pouco tempo, converteu-se num assíduo frequentador dos ambientes intelectuais (entre os quais o salão de Madame Récamier) e começou a colaborar com jornais e revistas. Apesar da sua timidez e do seu comportamento simples, emergiram, com clareza, tanto a sua profunda humanidade como o seu rigor moral: a sua imensa cultura, as suas opiniões actualizadas e o seu catolicismo empenhado tornam-no rapidamente numa personalidade relevante. Frederico dedicou a sua formidável eloquência a moderar os debates sobre religião e política, num círculo literário estudantil chamado «Conferência de história», do qual foi porta-voz. Certa tarde, depois de sair vencedor de um debate com um estudante socialista sobre o compromisso social dos católicos, anunciou a um amigo a intenção de realizar, finalmente, um projecto, que há tempo lhe era muito querido: uma «Conferência de caridade», uma associação de beneficência para a assistência dos pobres, «a fim de pôr em prática o nosso catolicismo». Assim, em Maio de 1833, com apenas 20 anos, Frederico fundou - juntamente com seis companheiros - as Conferências de São Vicente de Paulo: «na época borrascosa em que nos encontramos, escreve ao seu amigo Ferdinand Velay, é bonito assistir à formação, acima de todos os sistemas políticos e filosóficos, de um grupo compacto de homens decididos a usar todos os seus direitos como cidadãos, toda a sua influência, todos os seus estudos profissionais, para honrar o catolicismo em tempos de paz e defendê-lo em tempos de guerra». Nenhum dos seus jovens fundadores podia imaginar o desenvolvimento que alcançaria esta pequena Sociedade benéfica, à qual Frederico se dedicaria, daí por diante, sem nunca se poupar a todos os esforços. Doutor em Direito (1836) e depois em Letras (1839), Ozanam iniciou uma brilhante carreira universitária que o levaria, em 1844, a tornar-se o titular da cátedra de Literatura Estrangeira na Universidade de Sorbonne e a viver, sem reservas, a sua profunda vocação ao magistério. Em 1841, com 28 anos, casou-se com a jovem Amélie Soulacroix. Frederico Ozanam foi um homem profundamente inserido no seu tempo. Marido e pai, professor e literato, leigo comprometido, viveu as diferentes dimensões da sua existência, com a mesma paixão e generosidade: ia, pessoalmente, aos bairros pobres de Paris e de outras cidades; promovia a expansão das Conferências vicentinas no mundo; publicava escritos históricos e literários; lutava pela liberdade civil, política e religiosa; sofria com os contrastes que dividiam o mundo católico em facções políticas opostas; tinha o coração cheio de ternura para com Amélie, sua esposa, e para com Marie, a sua filha. O seu caminho espiritual, sempre atormentado, conheceu altos e baixos: Frederico julgava não fazer o suficiente, e pediu ao Senhor que o ajudasse a ser melhor e o ajudasse na luta contra o orgulho, até se esquecer do seu próprio valor. Os primeiros sintomas do que seria uma grave infecção renal, confundida com uma enfermidade pulmonar, que o levaria, lenta e dolorosamente, a uma morte prematura, chegaram-lhe de surpresa, em 1846. Na tentativa de recuperar a saúde, Frederico passou algum tempo com a família, em Itália, e foi recebido, em audiência, pelo Papa Pio IX. De regresso a Paris, Ozanam continuou a dedicar-se, de corpo e alma, ao serviço dos seus alunos; ao jornal «Ere nouvelle», com o qual colaborou na sua fundação; aos pobres e aos trabalhadores. A revolução de 1848 e o feroz debate no mundo político e católico fizeram piorar as suas condições de saúde. Em 1849, depois de ter sofrido um segundo ataque agudo do mal que o estava a minar, Frederico começou a ficar mais consciente da proximidade da sua morte. As suas actividades continuavam, agora, de modo frenético. A sua ânsia de conhecer e de participar levou-o a ignorar a dor física e, por vezes, até mesmo os conselhos dos médicos. Em Maio de 1853, de novo na Itália por motivo de saúde, a braços com a angústia de, em breve, ter que deixar os seus entes mais queridos, os sucessos profissionais e os debates políticos, mas pronto ao sacrifício, rezou a Deus, dizendo: «Senhor, quero o que Tu queres; quero como o queres e por todo o tempo que o quiseres; quero-o porque Tu o queres». Frederico Ozanam morreu na noite de 8 de Setembro de 1853, em Marselha, rodeado dos seus entes mais queridos, depois de uma agonia longa e dolorosa. “…Este é o modelo de apóstolo leigo, erudito empenhado e dedicado ao serviço dos mais pobres, que a Igreja apresenta a todos os fiéis, mas sobretudo aos jovens…” disse o Papa João Paulo II, durante a Missa, no dia 22 de Agosto de 1997, em Paris, na Jornada Mundial da Juventude,  na qual foi beatificado Frederico Ozanam. É digno de nota o caso da cura milagrosa de uma criança brasileira, de apenas dezoito meses, afectada de uma grave forma de difteria, que nos primeiros dias de Fevereiro de 1926, em Nova Friburgo (RJ), obteve a graça por intercessão do Servo de Deus Frederico Ozanam. Esta cura foi reconhecida pela Junta médica da Congregação para as Causas dos Santos, a 22 de Junho de 1995, e confirmada, de modo unânime, pelos Consultores teólogos, na reunião de 24 de Novembro do mesmo ano. A memória litúrgica do Beato Frederico Ozanam faz-se no dia 8 de Setembro. (cf. Texto da Santa Sé)