PALAVRA COM SENTIDO

PALAVRA COM SENTIDO

“…Soltai brados de alegria… Fazei ouvir os vossos louvores…” (cf. Jeremias 31, 7)

O convite à alegria é permanente, na Palavra do Senhor. A alegria nasce da fé no Senhor que salva o seu povo; é fermento de esperança, na tristeza que envolve a vida; é testemunho do amor que se verga sob o peso da cruz; é proclamação da verdade que nos liberta. O desafio da alegria afronta o ódio, a vingança, a marginalidade, a violência, porque é criador de unidade, de comunhão, de festa, de encontro e de paz… A verdadeira alegria: aquela que vem de Deus e anima a nossa acção missionária. Por ela, somos convidados a louvar e a agradecer as maravilhas que Deus faz em nós e, por nós, no meio do mundo. Cantar a alegria da fé, do amor incondicional, da vida doada em serviço por amor, da fraternidade que construímos na harmonia das palavras e na beleza dos gestos, da esperança que destrói muros e lança pontes de solidariedade e de perdão. Acolher a alegria de Jesus presente no meio de nós…

segunda-feira, 14 de outubro de 2013

PALAVRA DO PAPA FRANCISCO



- na Praça de São Pedro, Roma, no dia 12 de Outubro, na Oração Mariana diante da imagem de Nossa Senhora de Fátima

“…Amados irmãos e irmãs,
Este encontro do Ano da Fé é dedicado a Maria, Mãe de Cristo e da Igreja, nossa Mãe. A sua imagem, vinda de Fátima, ajuda-nos a sentir a sua presença no meio de nós. Há uma realidade: Maria leva-nos sempre a Jesus. É uma mulher de fé, uma verdadeira crente. Podemos nos perguntar: como foi a fé de Maria?
1. O primeiro elemento da sua fé é este: a fé de Maria desata o nó do pecado (cf. Cons. Ecum. Vat. II, Cost. Dogm. Lumen gentium, 56). Que significa isto? Os Padres conciliares [do Vaticano II] retomaram uma expressão de Santo Ireneu, que diz: «O nó da desobediência de Eva foi desatado pela obediência de Maria; aquilo que a virgem Eva atara com a sua incredulidade, desatou-o a virgem Maria com a sua fé» (Adversus Haereses III, 22, 4). Ei-lo, o «nó» da desobediência, o "nó" da incredulidade. Poderíamos dizer, quando uma criança desobedece à mãe ou ao pai, que se forma um pequeno «nó». Isto sucede, se a criança se dá conta do faz, especialmente se há pelo meio uma mentira; naquele momento, não se fia da mãe e do pai. Sabeis que isto acontece tantas vezes! Então a relação com os pais precisa de ser limpa desta falta e, de facto, pede-se desculpa para que haja de novo harmonia e confiança. Algo parecido acontece no nosso relacionamento com Deus. Quando não O escutamos, não seguimos a sua vontade e realizamos acções concretas em que demonstramos falta de confiança n’Ele – isto é o pecado –, forma-se uma espécie de nó dentro de nós. E estes nós tiram-nos a paz e a serenidade. São perigosos, porque de vários nós pode resultar um emaranhado, que se vai tornando cada vez mais penoso e difícil de desatar. Mas, para a misericórdia de Deus – sabemos bem-, nada é impossível! Mesmo os nós mais complicados desatam-se com a sua graça. E Maria, que, com o seu «sim», abriu a porta a Deus para desatar o nó da desobediência antiga, é a mãe que, com paciência e ternura, nos leva a Deus, para que Ele desate os nós da nossa alma com a sua misericórdia de Pai. Cada um possui alguns destes nós, e podemos interrogar-nos dentro do nosso coração: Quais são os nós que existem na minha vida? “Padre, os meus nós não podem ser desatados”! Não, isto está errado! Todos os nós do coração, todos os nós da consciência podem ser desatados. Para mudar, para desatar os nós, peço a Maria que me ajude a ter confiança na misericórdia de Deus? Ela, mulher de fé, certamente nos dirá: “Segue adiante, vai até ao Senhor: Ele te entende”. E Ela nos leva pela mão, Mãe, até ao abraço do Pai, do Pai da misericórdia.
2. Segundo elemento: a fé de Maria dá carne humana a Jesus. Diz o Concílio: «Acreditando e obedecendo, [Maria] gerou na terra, sem ter conhecido varão, por obra e graça do Espírito Santo, o Filho do eterno Pai» (Cost. Dogm. Lumen gentium, 63). Este é um ponto em que os Padres da Igreja insistiram muito: Maria primeiro concebeu Jesus na fé e, depois, na carne, quando disse «sim» ao anúncio que Deus lhe dirigiu através do Anjo. Que significa isto? Significa que Deus não quis fazer-Se homem, ignorando a nossa liberdade, mas quis passar através do livre consentimento de Maria, através do seu «sim». Deus pediu: “Estás disposta a fazer isto”? E Ela disse: “Sim”. Entretanto aquilo que aconteceu de uma forma única na Virgem Mãe, sucede a nível espiritual também em nós, quando acolhemos a Palavra de Deus com um coração bom e sincero, e a pomos em prática. É como se Deus tomasse carne em nós: Ele vem habitar em nós, porque faz morada naqueles que O amam e observam a sua Palavra. Não é fácil entender isto, mas, sim é fácil senti-lo no coração.
Pensamos que a encarnação de Jesus é um facto apenas do passado, que não nos toca pessoalmente? Crer em Jesus significa oferecer-Lhe a nossa carne, com a humildade e a coragem de Maria, para que Ele possa continuar a habitar no meio dos homens; significa oferecer-Lhe as nossas mãos, para acariciar os pequeninos e os pobres; os nossos pés, para ir ao encontro dos irmãos; os nossos braços, para sustentar quem é fraco e trabalhar na vinha do Senhor; a nossa mente, para pensar e fazer projectos à luz do Evangelho; e sobretudo o nosso coração, para amar e tomar decisões de acordo com a vontade de Deus. Tudo isto acontece graças à acção do Espírito Santo. E assim, somos os instrumentos de Deus para que Jesus possa actuar no mundo por meio de nós.
3. E o último elemento é a fé de Maria como caminho: o Concílio afirma que Maria «avançou pelo caminho da fé» (ibid., 58). Por isso, Ela nos precede neste caminho, nos acompanha, nos sustenta. Em que sentido a fé de Maria foi um caminho? No sentido de que toda a sua vida foi seguir o seu Filho: Ele - Jesus - é a estrada, Ele é o caminho! Progredir na fé, avançar nesta peregrinação espiritual que é a fé, não é senão seguir a Jesus; ouvi-Lo e deixar-se guiar pelas suas palavras; ver como Ele se comporta e pôr os pés nas suas pegadas, ter os próprios sentimentos e atitudes d’Ele. E quais são os sentimentos e as atitudes de Jesus? Humildade, misericórdia, solidariedade, mas também firme repulsa da hipocrisia, do fingimento, da idolatria. O caminho de Jesus é o do amor fiel até ao fim, até ao sacrifício da vida: é o caminho da cruz. Por isso, o caminho da fé passa através da cruz, e Maria compreendeu-o desde o princípio, quando Herodes queria matar Jesus recém-nascido. Mas, depois, esta cruz tornou-se mais profunda, quando Jesus foi rejeitado: Maria estava sempre com Jesus, seguia Jesus no meio do povo, escutava as fofocas, o ódio daqueles que não queriam bem ao Senhor. E, esta Cruz, Ela a levou! Então a fé de Maria enfrentou a incompreensão e o desprezo. Quando chegou a «hora» de Jesus, ou seja, a hora da paixão: então a fé de Maria foi a chamazinha na noite: aquela chamazinha no meio da noite. Na noite de Sábado Santo, Maria esteve de vigia. A sua chamazinha, pequena mas clara, esteve acesa até ao alvorecer da Ressurreição; e quando lhe chegou a notícia de que o sepulcro estava vazio, no seu coração alastrou-se a alegria da fé, a fé cristã na morte e ressurreição de Jesus Cristo. Porque a fé sempre nos traz alegria, e Ela é a Mãe da alegria: que Ela nos ensine a caminhar por esta estrada da alegria e viver esta alegria! Este é o ponto culminante – esta alegria, este encontro entre Jesus e Maria – imaginemos como foi…Este encontro é o ponto culminante do caminho da fé de Maria e de toda a Igreja. Como está a nossa fé? Temo-la, como Maria, acesa mesmo nos momentos difíceis, de escuridão? Senti a alegria da fé? Esta noite, Mãe, nós Te agradecemos pela tua fé, de mulher forte e humilde; renovamos a nossa entrega a Ti, Mãe da nossa fé. Amém…”

PARA REZAR


ORAÇÃO DO PAPA FRANCISCO A NOSSA SENHORA DE FÁTIMA

Bem-aventurada Virgem Maria, Senhora de Fátima:
com renovada gratidão pela tua presença materna,
unimos a nossa voz à de todas as gerações que te proclamam bem-aventurada.
Celebramos em ti as grandes obras de Deus,

que nunca se cansa de inclinar-se com misericórdia
sobre a humanidade afligida pelo mal
e ferida pelo pecado,
para a curar e salvar.
Acolhe com benevolência de Mãe

o acto de entrega que hoje, confiadamente, te fazemos …
Temos a certeza de que cada um de nós é precioso aos teus olhos…
Acolhe, nos teus braços, a nossa vida;

abençoa e reforça todos os desejos de bem;
aviva e alimenta a fé;

apoia e ilumina a esperança;
suscita e anima a caridade;
guia a todos nós no caminho da santidade.
Ensina-nos o teu amor de predilecção

pelos pequenos e pelos pobres;
pelos marginalizados e pelos que sofrem;
pelos pecadores e pelos extraviados do coração.
Congrega todos sob a tua protecção

e entrega todos ao teu dilecto Filho, Jesus, nosso Senhor.
Amém.

SANTOS POPULARES


SANTA TERESA DE ÁVILA

Teresa de Cepeda e Ahumada nasceu em Gotarrendura, Ávila, Espanha, no dia 28 de Março de 1515. Pertencia a uma família da baixa nobreza. Os seus pais chamavam-se Alonso Sanchez de Cepeda e Beatriz Dávila e Ahumada. Teve uma sólida educação. Acostumada, desde pequena, à leitura de bons livros, o espírito da menina não conhecia maior encanto que o da vida dos santos mártires. Tanto a impressionou esta leitura que, desejosa de encontrar o martírio, combinou com o seu irmão Rodrigo a fuga da casa paterna, plano que realmente tentaram executar, mas que se tornou irrealizável, dada a vigilância dos pais. A ideia e o desejo do martírio ficaram, entretanto, profundamente gravados no coração da menina. Quando tinha 12 anos, perdeu a mãe. Prostrada diante da imagem de Nossa Senhora, exclamou: “Mãe de misericórdia, a vós escolho para serdes minha Mãe. Aceitai esta pobre orfazinha no número das vossas filhas”. A protecção admirável que experimentou durante toda a sua vida, da parte de Nossa Senhora, prova que esse pedido foi atendido. Deus permitiu que Teresa, por algum tempo, se enfastiasse dos livros religiosos e desse preferência a leituras profanas, que poderiam pôr em perigo a sua alma. O convívio, demasiadamente próximo, com alguns parentes, levaram-na a tornar-se demasiado vaidosa: deixou perder o primitivo fervor; entregou-se ao bem-estar; vivia na ociosidade…
O pai, ao notar a grande mudança que verificava na sua filha, entregou-a aos cuidados das religiosas agostinianas. A conversão foi imediata e firme. Uma grave enfermidade obrigou-a a voltar para a casa paterna. Durante esta doença, sentiu um profundo desejo de abandonar o mundo e servir a Deus, na solidão dum convento. O pai, porém, opôs-se a este projecto. Então, Teresa, contrariando a vontade do pai, fugiu de casa e dirigiu-se ao Mosteiro das Carmelitas, em Ávila. A meio do caminho, formou-se no seu espírito uma grande repugnância pela vida religiosa e, por pouco, não desistiu da ideia de entrar num Convento. Percebendo, em tudo isto, uma cilada do demónio, continuou, resolutamente, o seu caminho e, ao transpor o limiar do mosteiro, os receios e os escrúpulos deram lugar a uma grande calma e alegria no coração.
Durante o tempo do noviciado, foi provada muitas vezes, mas Deus tocou-a com a sua graça de uma maneira tão sensível que Teresa, debulhada em lágrimas, prostrada diante do crucifixo, disse; “ Senhor, não me levanto do lugar onde estou, enquanto não me concederdes a graça e a fortaleza bastantes, para não cair mais em pecado e servir-vos de todo coração, com zelo e constância”. A oração foi ouvida e, de uma vez para sempre, ficou extinto no coração de Teresa o amor ao mundo e às criaturas e restabelecido o zelo pelas coisas de Deus e do seu santo serviço. Foi-lhe revelado que essa conversão era o resultado da intercessão de Nossa Senhora e de São José. Por isso, Teresa teve sempre uma profunda devoção a São José e muito trabalhou para difundir o seu culto, na Igreja. Teresa de Jesus experimentava profunda dor pelos pecados cometidos e fazia dolorosas penitências, se bem que os seus confessores fossem de opinião que nenhuma dessas faltas chegava a ser grave. Em visões, foi-lhe mostrado o inferno e o lugar que lhe estava reservado se tivesse seguido o caminho das vaidades. Ficou, de tal maneira, impressionada com esta revelação, que resolveu restaurar a Regra carmelitana, em todo o seu primitivo rigor. Esse seu projecto - embora tivesse a aprovação do Papa Pio IV - encontrou uma grande resistência da parte do clero e, sobretudo, dos religiosos. Teresa, porém, querendo ser fiel à vontade de Deus, pôs mãos à obra e venceu: fundou trinta e dois mosteiros (17 femininos e 15 masculinos); outros tantos foram reformados. Em todos, entrou em vigor a antiga regra. A pedido de Teresa de Jesus, a Regra para os Mosteiros masculinos foi escrita por São João da Cruz. Vários capítulos da sua biografia dão testemunho da intensidade da sua vida interior. Graças extraordinárias acompanhavam-na constantemente: profunda comunhão com o Senhor; conversas directas com Deus; visões místicas; presença visível de Cristo. Um anjo traspassou o seu coração com uma seta de fogo, facto este que a Ordem carmelitana comemora na festa da transverberação do coração de Santa Teresa, em 27 de Agosto. Foi muito doloroso o caminho da cruz pelo qual a Divina Providência a quis levar: não faltou quem lhe envenenasse as mais rectas intenções; quem visse, nas suas medidas de reforma, uma obra do demónio e, até, uma intervenção directa do diabo. A calma e a serenidade só voltaram ao seu coração quando, em 1559, se confiou à direcção espiritual de São Pedro de Alcântara. Em 1576, no seio da própria Ordem, levantou-se uma grande contestação à reforma proposta por Teresa de Jesus. Os seus detractores conseguiram aprovar a proibição de novas fundações. Teresa, perante tal oposição, viu-se obrigada a recolher-se num dos seus conventos. Parecia que a sua obra tinha sido um fracasso. Mas, Deus actuou através da intervenção do Rei, D. Felipe II. A pouco e pouco, a perseguição contra Teresa foi amainando e, em 1580, o Papa Gregório XIII declarou autónoma a província dos Carmelitas Descalços. Esta obra não teria tido o resultado brilhante que teve, se Teresa não tivesse sido toda de Deus, possuidora das mais excelentes e sólidas virtudes, dotada de grande inteligência e senhora de profundos conhecimentos teológicos. Mulher de paciência e preocupada em ser fiel à vontade de Deus, Teresa encontrava, na adoração do SS. Sacramento, a força necessária para a luta e para a vitória. Oito anos antes de deixar este mundo, foi-lhe revelada a hora da sua morte. Sentindo chegada a sua hora, com muita devoção recebeu os santos sacramentos e, constantemente, rezava jaculatórias como esta: “ Meu Senhor, chegou, afinal, a hora desejada, que traz a felicidade de ver-vos eternamente…Sou uma filha de Vossa Igreja. Como filha de Igreja Católica, quero morrer… Senhor, não me escondais a Vossa face. Um coração contrito e humilhado não haveis de desprezar…”
Teresa de Jesus morreu no dia 4 de Outubro, de 1582, com a idade de 67 anos e foi sepultada em Alba de Tormes. Foi canonizada em 1622. No dia 27 de Setembro de 1970, o Papa Paulo VI conferiu-lhe o título de Doutora da Igreja. A festa litúrgica de Santa Teresa de Ávila está fixada no dia 15 de Outubro.