PALAVRA COM SENTIDO

PALAVRA COM SENTIDO

“…Soltai brados de alegria… Fazei ouvir os vossos louvores…” (cf. Jeremias 31, 7)

O convite à alegria é permanente, na Palavra do Senhor. A alegria nasce da fé no Senhor que salva o seu povo; é fermento de esperança, na tristeza que envolve a vida; é testemunho do amor que se verga sob o peso da cruz; é proclamação da verdade que nos liberta. O desafio da alegria afronta o ódio, a vingança, a marginalidade, a violência, porque é criador de unidade, de comunhão, de festa, de encontro e de paz… A verdadeira alegria: aquela que vem de Deus e anima a nossa acção missionária. Por ela, somos convidados a louvar e a agradecer as maravilhas que Deus faz em nós e, por nós, no meio do mundo. Cantar a alegria da fé, do amor incondicional, da vida doada em serviço por amor, da fraternidade que construímos na harmonia das palavras e na beleza dos gestos, da esperança que destrói muros e lança pontes de solidariedade e de perdão. Acolher a alegria de Jesus presente no meio de nós…

segunda-feira, 4 de novembro de 2013

PALAVRA DO PAPA FRANCISCO



- na homilia da Solenidade de Todos-os-Santos, 1 de Novembro, no cemitério de Verano, Roma

"Queridos irmãos e irmãs. Neste cemitério, recolhemo-nos para pensar no nosso futuro; pensemos, também, em todos aqueles que já partiram, que nos precederam na vida e estão no Senhor.
É tão bonita a visão do céu que escutamos, na primeira leitura. Contemplamos o Senhor Deus, a beleza, a bondade, a verdade, a ternura, o amor pleno… É isto o que nos espera. E aqueles que nos precederam e morreram no Senhor estão lá, proclamam que foram salvos, mas não pelas suas obras. Fizeram-nas, mas foram salvos pelo Senhor. A salvação pertence ao nosso Deus, é Ele quem nos salva e nos leva - de mãos dadas como um pai, no final da nossa vida - a esse céu onde estão os nossos antepassados.
Um dos anciãos faz uma pergunta: ‘Quem são estes vestidos de branco, estes justos e estes santos que estão no Céu? São aqueles que vêm da grande tribulação e lavaram os seus vestidos e os branquearam no sangue do Cordeiro’. Só podemos entrar no céu por meio do sangue do cordeiro, por meio do sangue de Cristo. É o sangue de Cristo que nos justifica e nos abre as portas do céu. E se, hoje, lembramos estes irmãos e irmãs que nos precederam no céu é porque foram lavados pelo sangue de Cristo. Esta é a nossa esperança: a esperança no sangue de Cristo. Esta esperança não nos decepciona. Se andamos na vida com o Senhor, Ele não nos decepciona jamais.
João dizia aos seus discípulos: ‘Vede que admirável amor o Pai nos consagrou em nos chamar filhos de Deus. E somo-lo de facto. Se o mundo não nos conhece, é porque não O conheceu a Ele. Caríssimos, agora somos filhos de Deus e ainda não se manifestou o que havemos de ser. Mas sabemos que, na altura em que se manifestar, seremos semelhantes a Deus, porque O veremos tal como Ele é…’ Ver a Deus, ser semelhantes a Deus: esta é nossa esperança.
E hoje - exatamente no dia dos Santos, antes do dia dos mortos - é preciso pensar na esperança, esta esperança que nos acompanha na vida. Os primeiros cristãos pintavam a esperança como uma âncora. Como se a vida fosse uma âncora na margem e todos nós fôssemos segurando a corda. Esta é uma bonita imagem da esperança. Ter o coração ancorado, lá onde estão os nossos, onde estão nossos antepassados, os santos, onde está Jesus e onde está Deus.
E esta é a esperança, a esperança que não decepciona. Hoje e amanhã são dias de esperança. A esperança é um pouco como o fermento que leveda a alma. Mas, existem momentos difíceis na vida; porém, a alma segue adiante e olha para o que nos espera. Hoje é um dia de esperança. Os nossos irmãos e irmãs estão na presença de Deus; também nós estaremos ali, por pura graça do Senhor, se caminhamos pela estrada de Jesus. E conclui o apóstolo: ‘Todo aquele que tem n’Ele esta esperança purifica-se a si mesmo, para ser puro, como Ele é puro…’ A esperança também nos purifica, nos alivia, nos faz andar mais rápidos: esta purificação na esperança em Jesus Cristo.
Neste entardecer, cada um de nós pode pensar no fim da sua vida. Pensemos, no meu, no teu, no teu, etc. Todos nós temos um entardecer, todos. Olho-o com esperança, com essa alegria de ser recebido pelo Senhor? Como é a alegria do cristão? Isso nos dá a paz. Este é um dia de glória, mas de uma glória serena, tranquila, da paz. Pensemos no entardecer de tantos irmãos e irmãs que nos antecederam; pensemos no nosso entardecer quando chegar e pensemos no nosso coração e nos perguntemos: onde está ancorado o meu coração? E se não está ancorado, bem!... ancoremo-lo lá, naquela margem, sabendo que a esperança não decepciona, porque o Senhor Jesus não decepciona…”

PARA REZAR


SALMO 145

 

R/. - Louvarei para sempre o vosso nome,

        Senhor, meu Deus e meu Rei.

 

Quero exaltar-Vos, meu Deus e meu Rei,

e bendizer o vosso nome para sempre.

Quero bendizer-Vos, dia após dia,

e louvar o vosso nome para sempre.

 

O Senhor é clemente e compassivo,

paciente e cheio de bondade.

O Senhor é bom para com todos,

e a sua misericórdia se estende a todas as criaturas.

 

Graças Vos dêem, Senhor, todas as criaturas,

e bendigam-Vos os vossos fiéis.

Proclamem a glória do vosso reino

e anunciem os vossos feitos gloriosos.

 

O Senhor é fiel à sua palavra

e perfeito em todas as suas obras.

O Senhor ampara os que vacilam

e levanta todos os oprimidos.

SANTOS POPULARES



BEATA ISABEL DA TRINDADE

Isabel Catez Rolland nasceu no dia 18 de Julho de 1880, no quartel militar de Avor, perto de Bourges, França. O seu pai chamava-se Francisco José e a sua mãe, Maria.  Foi batizada no dia 22 de Julho, na capela desse quartel. Desde menina, distinguiu-se pelo seu temperamento apaixonado - um tanto agressivo - mas, por outro lado, marcado por uma agradável sensibilidade. O seu pai faleceu, de repente, vítima de uma crise cardíaca, no dia 2 de Outubro de 1887. Isabel, que tinha sete anos e dois meses, relembrará dez anos mais tarde essa hora trágica. A morte do pai marcou-a profundamente e levou-a à “conversão” e à mudança de carácter: começou uma vida de grande dimensão espiritual na ascese e na oração. Fez a sua primeira comunhão no dia 19 de Abril de 1891, em Dijon. Com outras companheiras, foi visitar o Carmelo e recebeu um “santinho” da Prioresa, Madre Maria de Jesus que, na dedicatória, traduziu o nome Isabel por “Casa de Deus”. Sete anos depois da sua primeira comunhão, Isabel escreveu: Nesse dia “em que Deus fez de mim sua morada, em que Deus se apoderou de meu coração e de tal modo o fez que, desde então, desde esse misterioso colóquio, essa conversa divina, deliciosa, só aspirava a dar a minha vida, a retribuir um pouco o Seu grande amor ao Bem-Amado da Eucaristia que residia no meu pobre coração inundando-o de favores”. Desde os oito anos, estudou música no Conservatório de Dijon. Todos os dias, passava horas ao piano. Muitas vezes, participou em concertos organizados na cidade. O seu talento precoce merece elogios nos jornais locais. No dia 24 de Julho de 1893, apesar da sua pouca idade, obteve o primeiro prémio de piano do Conservatório. Como era natural, a jovem Isabel frequentava a sociedade local. No decorrer de uma festa, enquanto dançava e se divertia, a Sra. Avout surpreendeu o seu olhar e segredou-lhe: “Isabel, não estás aqui; parece que estás a ver a Deus…” Havia nos seus olhos “um não sei quê de luminoso que irradiava”, disse Louise de Moulin, uma menina que Isabel preparava para a Primeira Comunhão. Um dos seus amigos do tempo da juventude descreveu Isabel como “muito simples e duma espantosa franqueza… muito querida pelas suas companheiras… muito alegre, muito musical. A sua doçura reflectia-se no seu olhar extraordinário e luminoso… A pureza transparecia-lhe no olhar”.
No dia 2 de Janeiro de 1901, aos 21 anos, entrou no Carmelo Descalço de Dijon, cidade onde vivia com a sua família. Recebeu o hábito no dia 8 de Dezembro de 1902 e, no dia 11 de Janeiro de 1903, emitiu os votos religiosos na Ordem do Carmelo, que já amava com toda sua alma.
Com a sua vida e a sua doutrina exerceu grande influência na espiritualidade actual, especialmente pela sua experiência trinitária. Isabel da Trindade, nome que adoptou na vida religiosa, amou intensamente a sua vocação carmelita e também amou e imitou a “Janua Coeli”, como chamava a Nossa Senhora. Andou a passos largos no caminho da perfeição. Faleceu no dia 9 de Novembro de 1906, vítima de úlcera estomacal, murmurando, quase cantando: “Vou à luz, ao amor, à vida”.

Foi beatificada pelo Papa João Paulo II, no dia 25 de Novembro de 1984, festa de Cristo Rei. A sua memória litúrgica é celebrada no dia 8 de Novembro.